O difícil ato de escolha: o tema e a problematização
O início da pesquisa: as indagações emergentes
Esses motivos apresentados e também o acesso ao local do estudo por pessoas que conheço permitiriam que eu fosse incluído entre outros sujeitos para um bom desenvolvimento da pesquisa. Por estarmos localizados no município de Catalão, é oportuno escolhê-lo para desenvolver a pesquisa.
A Comunidade Macaúba no contexto do município de Catalão: um olhar
O município de Catalão faz divisa com o estado de Minas Gerais, e quanto à sua localização geográfica faz divisa com os municípios de Ipameri, Ouvidor, Três Ranchos, Davinópolis, Goiandira, Cumari. A comunidade de Macaúba pertence à microrregião de Catalão e é uma das 33 comunidades existentes no município e está localizada a 12 km da cidade de Catalão (Mapa 2).
O contato com a realidade pesquisada: as descobertas traçadas na
Pesquisa teórica
A revisão e leituras foram realizadas por meio de consulta a livros, artigos de periódicos, revistas especializadas, documentos, monografias, dissertações, teses e sites, utilizando fontes primárias e secundárias. Também foram consultados trabalhos de pesquisadores das áreas que desenvolveram discussões relevantes sobre o tema estudado, o que favoreceu o desenvolvimento da pesquisa.
Pesquisa documental
Buscamos junto à Secretaria de Comércio e Indústria de Catalão dados que mostrassem a participação das comunidades rurais na economia do município. As consultas foram realizadas à documentação para obtenção de dados referentes às questões socioeconômicas, ao número de habitantes, ao número de comunidades rurais do Município de Catalão e à participação financeira na economia local.
Pesquisa de campo
2002 pág. 131) “O diário de campo é um recurso frequentemente utilizado pela etnografia como forma ideal de registrar pesquisas cotidianas”. O diário de campo consiste em exercícios de reflexão e narração de acontecimentos e situações vivenciadas durante a pesquisa.
Do campo à cidade: o trilhar das aspirações
Assim, o estilo de vida essencialmente agrário, considerado rústico e desprovido de bens tecnológicos, é atualmente complementado com produtos que lhes proporcionam algum conforto. Após a década de 1970, porém, o modo de produção capitalista intensificou a aceleração da maquinaria/produção da paisagem e da população em prazos e fluxos fixos, causando a inversão demográfica. Temos, portanto, como princípio delimitar o modo de vida que surge das afirmações de la Blache conforme segue na citação.
O modo de vida materializa-se através das influências que exercem através do poder das suas instituições, personalidades e imaginários culturais, ampliados ou transformados através de instrumentos de comunicação e transporte. A vida no campo é caracterizada pela estreita relação com a natureza, valorização da comunidade, da família e da religião, que possuem características importantes no seu modo de vida no campo. À medida que a paisagem se urbaniza, leva consigo a marca da urbanidade e ao mesmo tempo o seu estilo de vida.
Esses espaços, definidos culturalmente, passam por processo de reorganização e adaptação ao modelo de desenvolvimento aceito pelo modo de produção.
O “novo rural” brasileiro : as transformações impostas pela revolução
Define-se uma lógica capitalista em que novas representações do espaço emergem e serão distribuídas como “um novo campo”. Na mesma linha de raciocínio, reforçando os argumentos discutidos, Azevedo (1962) enfatiza que à medida que o carro e outros meios de transporte, as boas estradas, o cinema, o rádio e a televisão chegavam à população rural e se espalhavam por ela, essa dinâmica de instrumentos de penetração é ainda não foram compreendidos em todo o seu potencial. Porém, com a difusão dos meios de comunicação e o fortalecimento das relações entre campo e cidade, o mundo das mercadorias invadiu os espaços rurais.
Ainda em relação ao papel dos meios de comunicação, Sposito (2010) mostra que o telefone, a televisão e a Internet, para citar os meios de comunicação mais importantes, são formas de comunicação que oferecem a possibilidade de integração espacial, sem que assim seja. Estas transformações decorrentes da expansão dos meios de comunicação aumentam as necessidades e consequentemente criam novos desejos e hábitos comuns. Dada a necessidade imposta pelos meios de comunicação, os bens de consumo modernos incluem espaços, e Oliveira Neto (2010) explica bem essa ideia ao dizer que essas transformações no meio rural brasileiro são características do aumento das forças produtivas capitalistas, fundamentais para o população de todos os países. lugares, por mais isolados e remotos que fossem, continham ideias consumistas modernas, cada vez mais alinhadas com a relação entre a cidade e o campo.
Esses elementos têm origem no contato dos moradores facilitado pela expansão da malha viária, investimentos em meios de comunicação, investimentos de grandes produtores do campo, que aliados a esses avanços trazem no bojo do desenvolvimento o estilo de vida urbano, ou seja, o estilo de vida urbano. a vida no campo terá a marca da urbanidade.
As urbanidades no rural: inserção ou imposição?
Estes elementos integrados no novo modo de vida e de consumo levam à difusão de um modelo de gostos, valores, estilo de vida cada vez mais igualitário, onde o modelo de vida urbano seria a entrada no espaço rural, articulando ideias e pessoas , hábitos. a transformação da paisagem dos lugares e dos costumes, a reestruturação da vida quotidiana. Dessa forma, o desenvolvimento desses contextos possibilita circunstâncias capazes de produzir intervenções no modo de vida dos indivíduos que neles vivem, habitam e interagem e que se manifestam nos hábitos das paisagens e na ocupação do solo. Incentiva o valor de uso, desde o consumo até o ritmo adotado no modo de vida urbano.
Embora exista esse duplo processo de expansão capitalista por um lado e aproximação a um modo de vida urbano por outro, a comunidade ainda representa um espaço de resistência em que características socioeconômicas, culturais e políticas revelam que a população ali residente tenta manter uma identidade com o lugar. O contato de moradores indo e vindo para a cidade e de quem procura uma segunda moradia no campo, viagens de fim de semana, possibilitou impor comportamentos, incorporar valores culturais e morais na população que resiste ao processo de despejo. de suas terras e incentivam o valor de uso e troca, o consumo e o ritmo aceito do modo de vida urbano. Assim, o contato com o modo de vida urbano influenciou os quereres, desejos, emoções, hábitos, usos e costumes da comunidade Macaúba.
Nesse sentido, na seção 4 apresentaremos as práticas características do modo de vida urbano da sociedade de consumo reorganizadas a partir da década de 1970, quando a organização do campo brasileiro impôs uma vida dinâmica, baseada no consumo, e mudou significativamente. as relações sociais dos indivíduos, através do comportamento, do distanciamento e da compulsividade.
Sociedade do consumo: necessidades e desejos
Mas se os estilos de vida não mostram sinais de convergência, também é verdade que o poder organizacional do habitus é cada vez mais fraco. Os estilos de vida de classe perdem cada vez mais a sua especificidade: os ideais de bem-estar, viagens, inovação e elegância são partilhados por todos. Esses comportamentos de consumo, gastos, moda e comunicação com os outros reforçam a escolha de um determinado estilo de vida. A globalização dos bens é compartilhada com o mundo e isso faz com que objetos, bens e marcas se tornem universais e a cada dia estejamos mais envolvidos em copiar a América do Norte. e estilos de vida europeus.
Fortalecemos a discussão com a seguinte reflexão: “sociedade de consumo”, ou seja, representa o tipo de sociedade que promove, incentiva ou reforça a escolha de um estilo de vida e de uma estratégia existencial consumista, rejeitando todas as possibilidades culturais alternativas.” (BAUMAN, 2008 , p. 71, grifo nosso).Esses objetos são somados aos preços elevados por meio de um único rótulo ou slogan, ou seja, além de comprá-los, o usuário se torna um anunciante flyer, induzindo novas compras mais aceitáveis ao estilo de vida do consumidor Esses objetos dão ociosidade às pessoas e a indústria cultural se apropria dessa ociosidade e impõe um novo estilo de consumo.
Os jogos, a arte e o entretenimento são formas de vida nas quais a mente desconhece agradavelmente o fim do seu tempo de vida.
O poder midiático: inserção e imposições do consumo
Acreditamos que a mídia é responsável pela difusão de ideologias oriundas das classes dominantes, que estão sempre lutando para manter sua hegemonia. Tanto as notícias quanto os objetos são publicados em tal quantidade e com tanta rapidez que dificilmente tomamos conhecimento de um assunto ou objeto e logo ele toma conta da mídia, fazendo com que o que era considerado fundamental seja rapidamente esquecido. Segundo Padilha (2006), a mídia, a partir de então, criou verdadeiras ondas de entusiasmo em torno dos produtos lançados e constantemente relançados em alta velocidade.
As marcas são códigos cuidadosamente manipulados pela publicidade para manter uma “sociedade de consumo” que depende da sua capacidade de criar e manipular as necessidades humanas. Shop Time, canais de venda exclusivos de produtos Polishop, canais de leilões, canais de venda de joias e até mesmo a mercantilização do sexo vem da mídia impulsionada pela compra de vídeos no celular. No último dia de exibição da série na Rede Globo10, foi divulgado em diversos meios de comunicação nacionais e internacionais que o Brasil “parou” para assistir ao último episódio.
Nesse sentido, os meios de comunicação, especialmente a televisão e a Internet, são a força motriz das ideologias dominantes que transferem os signos da cultura do grupo amostral de elite para outras categorias sociais relativamente mais baixas, e esta, como um dos elementos presentes na maior parte da população brasileira casas, unifica cada vez mais os gostos. , desejo e ambição, fazendo do campo apenas um continuum do modo de vida urbano.
As transformações socioespaciais e econômicas na Comunidade
Verificamos que a maioria (33%) dos moradores nasceu na comunidade e mora neste espaço, construindo momentos emocionantes e histórias em Macaúba. Segundo Ferreira (2012), a territorialização das mineradoras no município de Catalão nesse período resultou na desterritorialização de 41 famílias da comunidade de Macaúba. A maior parte das famílias que vivem na comunidade Macaúba é formada por casais e alguns jovens.
Na comunidade Macaúba existem 57 imóveis, sendo 37 de propriedade de famílias residentes (80 pessoas) e 20 famílias não residentes (40 pessoas). O acesso à Internet na comunidade Macaúba advém da ampliação da rede de cobertura das operadoras de telefonia em benefício das empresas de classe internacional nas suas proximidades e não para atender os moradores da Comunidade. O contacto com membros externos e a vinda para a Comunidade reflecte a aquisição de novos elementos de espaço urbano.
E esses urbanismos que adentram a Comunidade transformam o seu cotidiano, bem como suas crenças e tradições.
As urbanidades na Comunidade: objetos duráveis e não duráveis
E chegámos à conclusão que o número de telemóveis presentes é igual ou superior ao número de residentes na Comunidade. Por fim, os amplos elementos encontrados na Comunidade são resultados de transformações que se destacam desde a década de 1970. O predomínio católico na Comunidade faz com que, uma vez por mês, seja celebrada uma missa na capela da Comunidade, com a chegada de um padre da Comunidade, Diocese da Catalunha.
A predominância da religião católica é um factor que favorece a diversidade de festas em honra dos padroeiros na Comunidade. Outra novena que acontece na Comunidade começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Sexta-feira Santa. O futebol e os passeios a cavalo são tradicionais na comunidade de Macaúba e têm como objetivo proporcionar aos moradores maior interação, distração e momentos de lazer.
Segundo Ferreira (2012), o futebol amador na comunidade Macaúba atingiu seu auge no período entre as décadas de 1960 e 1990, com equipes participando de diversos campeonatos amadores rurais. As transformações na comunidade Macaúba começaram na década de 1970 com a territorialização das mineradoras Vale Fertilizandos e Copebrás, e no início da década de 1980, com a chegada da energia elétrica, uma conquista para os moradores alcançada pela cooperativa da comunidade, e posteriormente com a territorialização da outros empreendimentos comerciais, como o motel e a indústria de fertilizantes. Uma das maiores festas realizadas na Comunidade terminou com a inserção de integrantes externos da região, que se apropriaram do festival com fins lucrativos.