Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana, como pré-requisito para obtenção do título de Mestre em Saúde Coletiva. Objetivo: Descrever as características epidemiológicas e traçar as curvas de incidência da violência contra crianças e adolescentes, nos anos de 2003 e 2009, segundo dados dos Conselhos Tutelares e Centros de Assistência Social/CREAS de Feira de Santana-Bahia. Objetivo: analisar os casos de diferentes tipos de violência contra crianças e adolescentes registrados nas notificações de Feira de Santana/Bahia/Brasil, em 2003 e 2009.
Objetivo: Descrever as características epidemiológicas e as trajetórias da prevalência da violência cometida contra crianças e adolescentes em 2003 e 2009, segundo registros do Conselho Tutelar e do Centro de Assistência/CREAS de Feira de Santana, Bahia, Brasil. Na análise, utilizou-se linkage entre bases de dados para evitar duplicidade e foram calculados coeficientes segundo o IBGE a partir da prevalência por idade e sexo das vítimas. Em Feira de Santana, estudo realizado com base em dados de notificação do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes/VIVA (hospitais, unidades básicas e de emergência), sobre violência infanto-juvenil, no período de 2009 a 2011, mostrou altos percentuais de violência física abuso (41,8%); psicológico (28,3%); sexual (17,4%) e negligência/abandono (11,3%).
O objetivo desta pesquisa é ampliar o reconhecimento das dimensões da violência praticada e noticiada contra crianças e adolescentes no município de Feira de Santana-BA, a fim de realizar um diagnóstico situacional do problema e apoiar a implementação de medidas e políticas adotadas para combater a violência infanto-juvenil, implementadas pela Rede de Assistência e Garantia de Direitos. Partindo do pressuposto de que conhecer o fenômeno da violência é o primeiro passo para propor medidas de enfrentamento e proteção às vítimas, questiona-se: quais as características da violência contra crianças e adolescentes noticiada em Feira de Santana, Bahia, em 2003? e 2009.
Objetivo geral
Objetivos específicos
Epidemiologia e impactos da violência na infância e adolescência
Em 2009, as mortes por causas externas representaram a terceira causa de mortalidade geral na população brasileira, sendo os maus-tratos a principal causa de morte de crianças e adolescentes (42%), na faixa etária de 0 a 19 anos, durante todo o período. país (BRASIL, 2011a). Além disso, é importante ressaltar que existem formas de violência cujo reconhecimento pode ser difícil pela forma como se manifesta ou pelo desejo da sociedade em percebê-la, como por exemplo a violência contra crianças e adolescentes. Essa forma de violência contra crianças e adolescentes não é um fenômeno contemporâneo e acompanha a trajetória humana desde a antiguidade.
Nos Estados Unidos, Finkelhor e associados (2005) realizaram uma pesquisa nacional com crianças e adolescentes com idades entre 2 e 17 anos, utilizando um questionário abrangente que avaliou 34 tipos de violência. No Brasil, pesquisas realizadas em diversos municípios pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo revelaram o perfil dos tipos de violência sofridas pela população de crianças e adolescentes de até 19 anos . idade é um assunto. Neste contexto, é necessário levar em consideração os danos sociais, econômicos, políticos e pessoais que esta violência pode causar às crianças e adolescentes, sendo esse impacto influenciado por fatores como a idade e o nível de desenvolvimento da vítima, o tipo e sua frequência. duração e gravidade do abuso e a relação entre vítima e agressor (PIRES; MIYAZAKI, 2005).
As consequências do abuso de crianças e adolescentes são reconhecidas em diversos estudos, podendo ser: ansiedade, transtornos depressivos, déficit de atenção,. Essas estatísticas destacam a necessidade urgente de combater eficazmente a violência e a violência contra crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.
Formas e expressões da violência infanto-juvenil
- Negligência e abandono
- Violência física
- Violência sexual
- Violência psicológica
Recentemente, o pensamento científico avançou na direção da ideia de que o abuso físico está relacionado a qualquer ato de disciplinar o corpo de uma criança ou adolescente, e essa tendência pode ser demonstrada pelo surgimento de legislação que proíbe o uso de todos os tipos de castigo físico. como o novo projeto de lei do Brasil que propõe a abolição do castigo corporal doméstico contra crianças e adolescentes. Os casos de abuso sexual de crianças e adolescentes, de difícil suspeita e difícil confirmação, são em sua maioria cometidos por pessoas relacionadas às vítimas (pais, padrastos ou conhecidos), sobre as quais exercem relação de poder ou dependência , expondo sua saúde ou o desenvolvimento físico e emocional das vítimas a futuras psicopatologias (MINAYO, 2002; PFEIFFER; SALVAGNI, 2005; FELIZARDO; ZURCHER; MELO, 2004). Transtornos afetivos e alimentares, isolamento social, medo, comportamento agressivo, pesadelos, perda de interesse por jogos e estudos, baixa autoestima, fuga de casa, ideação suicida ou homicida, déficits de linguagem e aprendizagem, uso de álcool e drogas, gravidez, aborto indesejado, além de alterações físicas como sangramento vaginal ou retal, dor ao urinar ou defecar, infecções genitais inexplicáveis, têm sido associadas a crianças e adolescentes em situação de abuso sexual e devem chamar a atenção dos pais, responsáveis, professores de saúde e profissionais (ADED et al, 2006).
Dados do programa Rede de Proteção a Crianças e Adolescentes em Risco de Violência, da cidade de Curitiba (PR), mostraram que, nos casos notificados, foram abusos sexuais, sendo 75,6% das vítimas do sexo feminino e 24 , 4%. Um estudo transversal realizado com 3.139 crianças e adolescentes da cidade de Pelotas, sul do Brasil, observou que crianças e adolescentes cujas mães gritavam, batiam ou puniam severamente, entre outras respostas inadequadas, tinham maior probabilidade de apresentar problemas de saúde mental quando em comparação com suas mães que não foram expostas a tais práticas. Muitas vezes, nessas instituições, crianças e adolescentes são detectados em situações graves de saúde devido ao sofrimento psicológico e causando, entre outros problemas, dores crônicas (nas costas, cabeça, braços, entre outros), distúrbios alimentares, síndrome do pânico, depressão e suicídio tentativas.
Contudo, apesar de os problemas emocionais e comportamentais serem frequentes entre crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de violência, são poucas as oportunidades encontradas por esse grupo quando procuram atendimento psicológico na rede pública de saúde. Só assim poderemos alcançar um novo perfil de morbidade e mortalidade por violência contra crianças e adolescentes no Brasil (MINAYO; ASSIS, 1994).
Políticas e estratégias na atenção a violência infanto-juvenil
O setor saúde no enfrentamento à violência infanto-juvenil
O setor saúde é um setor sensível a iniciativas de combate à violência contra crianças e adolescentes. Estudo epidemiológico descritivo, do tipo série de casos, baseado em dados secundários obtidos de notificações aos órgãos de referência para notificação de casos de violência contra crianças e adolescentes (Conselhos Tutelares I e II e Centro de Referência Especializado de Assistência Social/CREAS). Incidência dos diferentes tipos de violência entre crianças e adolescentes: estudo dos coeficientes segundo idade e sexo das vítimas em 2003 e 2009.
Este artigo tem como objetivo analisar os casos de diferentes tipos de violência contra crianças e adolescentes registrados nos órgãos de referência para denúncias em Feira de Santana/Bahia/Brasil, nos anos de 2003 e 2009. Violência contra crianças e adolescentes: características epidemiológicas dos casos notificados em Conselhos Tutelares e programas assistenciais de um município do Sul do Brasil, 2002 e 2006. Denúncia de maus tratos de crianças e adolescentes por profissionais de saúde: mais um passo rumo à cidadania.
Construir a política nacional de direitos humanos de crianças e adolescentes e o plano decenal de direitos humanos de crianças e adolescentes. Violência sexual contra crianças e adolescentes e a construção de indicadores: a crítica ao poder, à desigualdade e à imaginação. Fatores de risco e proteção na rede de atenção a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
Esses estudos visam caracterizar as vítimas, os agressores e os tipos de violência contra crianças e adolescentes em Feira de Santana, Bahia, conforme informações dos arquivos dos Conselhos Tutelares deste município. ANEXO B - População estimada de crianças e adolescentes de Feira de Santana-BA, por faixa etária e sexo - IBGE (2003). ANEXO C - População estimada de crianças e adolescentes de Feira de Santana-BA, por faixa etária e sexo - IBGE (2009).
Redes de prevenção à crianças e adolescentes em situação de violência
Desenho do Estudo
Local de Estudo
População e Período de Referência
Instituições Estudadas
Coleta de Dados
Dados de encaminhamento: encaminhamentos institucionais (incluindo juízo, IML-DPT, CREAS, Ministério Público, escola, saúde); formas de encaminhamento (acompanhamento, aconselhamento, notificação, alerta e outros). Previamente à coleta, foi realizado treinamento com a equipe para sistematização de procedimentos básicos quanto aos aspectos éticos e confidenciais do processo de coleta de dados de boletins e bancos (fluxograma 1).
Análise de Dados
Aspectos Éticos
Artigo 1
O ano de 2003 foi escolhido a partir da implementação do Programa Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual/PAIR, no município, momento em que foram criadas parcerias entre a Universidade Estadual de Feira de Santana (Núcleo de Pesquisa sobre Infância e Adolescência/NNEPA) e a Rede de Instituições de Proteção, Atendimento e Proteção a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Segundo dados dos Conselhos Tutelares e CREAS de Feira de Santana (Tabela 1), houve um total de 675 casos em 2003 e 1.888 casos em 2009, referentes a crianças e adolescentes vitimados por algum tipo de violência, mostrando um aumento de 180 .% em anúncios, entre os anos estudados.