Wender Faleiro - Graduado e Bacharel em Ciências Biológicas, Bacharel em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Mestre em ecologia e conservação dos recursos naturais e doutor em educação pela UFU. Responsável/fundador do Núcleo de Consultoria e Pesquisa em Educação e Desenvolvimento Rural - NEPCampo.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
As autoras refletem sobre as experiências de jovens que estudam em um curso de informática do ensino médio integrado na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Nessa leitura, o protagonismo da juventude rural se configura na criação de ações de luta pela educação de qualidade para as escolas do campo.
DESAFIOS COMUNS E ENFRENTAMENTOS SINGULARES: NARRATIVAS BIOGRÁFICAS DE
DE RECONHECIMENTO
A liderança do jovem desempenhou um papel importante na melhoria de sua experiência profissional e atuou como um suporte (MARTUCCELLI, 2007). É importante dizer que após o estágio na UFMG, a atitude do jovem já era mais confiante.
JUVENTUDES FEMININAS DA/NA FRONTEIRA- OESTE DO RIO GRANDE DO SUL: VIVÊNCIAS
No Brasil, o Estatuto da Juventude (Lei considera jovem toda pessoa entre 15 e 29 anos, o que significa hoje que são considerados 51 milhões de brasileiros segundo dados do IBGE (2010). Portanto, Margulis (1983) deixa claro que há não juventude no singular, mas no plural, na medida em que as circunstâncias da juventude dependem dos papéis sociais existentes em cada sociedade.
ESCOLA PRA QUÊ? OS SENTIDOS DO ENSINO MÉDIO PARA O JOVEM
Os jovens falam sobre seus sentimentos em relação à escola, as dificuldades que enfrentam e os motivos que os levaram a escolher a escola que frequentam. Além de buscar o conhecimento, é necessário que os jovens sejam protagonistas da própria educação, para se encontrarem consigo mesmos, com os outros e com o conhecimento. Os jovens pensam em seus discursos quem seria um bom professor, as relações que estabelecem com a direção e os colegas.
Os jovens se identificam a partir das relações que foram estabelecidas, isso faz parte da construção social, pois estão em fase de construção, de identidades inacabadas. Os jovens dessa questão não consideram as disciplinas que fazem parte do currículo do ensino médio, mas destacam os professores com os quais mantêm uma relação de confiança, carinho e reconhecimento. Os jovens têm marcas próprias e é preciso que a escola acompanhe essas diferentes formas de expressão e o que fazem.
A escola para os jovens entrevistados é uma escola que, apesar de frequentarem, não se sentem pertencentes a ela. Desejos que exigem o reconhecimento das políticas públicas, a consciência e a vontade de diversos autores que possam expressar um compromisso primordial com a “educação” e sobretudo com os jovens. Nos grupos focais E2 e E3, os jovens abrem o abismo com as suas vozes no que diz respeito à atitude face à escola e ao ensino secundário e, sobretudo, à atitude face ao “saber”.
JOVENS MULHERES E EXPRESSÕES DA IDENTIDADE POLÍTICA QUILOMBOLA EM TRÊS
COMUNIDADES DIFERENTES1
As três pesquisas analisaram, em seu percurso investigativo, formas de compreensão e significados do que é ser quilombola para as jovens moradoras dessas comunidades. Para o local onde moram, pudemos ouvir, com o levantamento das famílias, o que os jovens pensam sobre morar naquela localidade. Quando tínhamos algum contato com o grupo participante e as oficinas estavam indo bem, eu conseguia. Levantaremos, em um dos seminários realizados, a definição de quilombola para as jovens.
Para as jovens serranas, ser quilombola envolve o reconhecimento do estado e da sociedade, ou seja, além de se afirmar como quilombola, a visão externa dos demais não quilombolas é a mesma. Segundo os jovens participantes da atividade, ser quilombola incluía o uso do vinho da floresta e da palha do licuri - ou ouricuri. Os jovens participantes das oficinas podem estar em processo de autorreconhecimento em relação à sua identidade racial.
Neles elaboramos diversas atividades com o objetivo de discutir questões étnico-raciais a fim de compreender como as jovens se identificavam como quilombolas. As jovens cuidam dos filhos desde cedo, sejam irmãos menores, sobrinhos, filhos ou primos. Dessa forma, vemos como as jovens têm engajamento político e vontade de transformar a comunidade por meio de suas ações.
A ESCOLA CAMPONESA NA ALTERNÂNCIA E O ENSINO DE GEOGRAFIA NA LEITURA COM OS
JOVENS
Segundo Fernandes (2006), foi a partir da demanda específica por educação nos acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que surgiu o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e a Coordenação de Educação Geral do Campo. Assim, no Ceará, a opção dos jovens pela permanência no campo tem se revelado uma oportunidade contínua de um projeto de desenvolvimento rural em prol da população rural. A escola do campo está ligada aos interesses dos aldeões, numa educação contextualizada com o semiárido e em prol de um projeto de desenvolvimento popular para o campo.
Os espaços abertos deram visibilidade às ações realizadas no mundo educacional do campo presentes nos assentamentos da reforma agrária e nas comunidades camponesas. O documento apresenta princípios e procedimentos que visam alinhar o projeto de educação do campo às diretrizes curriculares nacionais em suas diversas modalidades de educação básica. Com as diretrizes, a Educação do Campo se institucionalizou na articulação dos movimentos sociais com projetos de governo, e as escolas se revelaram como espaços de conquista do direito à educação.
A escola da aldeia está ligada aos interesses dos aldeões e posiciona-se a favor de um projeto de desenvolvimento popular para a aldeia. Dessa forma, a educação contextualizada no/do campo rompe com as condições curriculares da escola urbana, quase sempre refletindo os interesses de uma ideologia dominante. Nessa leitura, o protagonismo da juventude rural se configura na criação de ações de luta pela educação de qualidade para as escolas do campo.
NARRATIVAS EM CURSO: AS VOZES DOS ALUNOS DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E
A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES
Com efeito, o exercício narrativo permite o resgate de uma memória que não é exclusivamente individual, mas representa uma experiência histórica e remete a estruturas coletivas e sociais mais amplas, e por isso tão importante para os estudos de formação de professores (SOUZA, 2007). Assim, o presente trabalho visa mapear e problematizar essas narrativas em relação à formação inicial de professores de matemática, praticando um exercício hermenêutico de escuta e análise social, particularmente em relação às condições materiais de vida dos alunos e o porquê de suas escolhas . para o curso correspondente. De fato, esperamos fazer ecoar as vozes dos jovens estudantes, suas trajetórias de vida, suas experiências e suas contradições, refletindo como essas vozes são essenciais para se pensar a formação de professores, especialmente a formação inicial de professores de matemática.
Este curso procura abranger e revisar elementos básicos para a compreensão e produção de textos em português úteis no processo de formação de professores de matemática, inclusive. Tendo em conta o carácter da disciplina e a sua inserção na formação, procurámos não só trabalhar os elementos estruturantes da língua portuguesa, mas também reflectir sobre questões importantes da linguagem relacionadas com a formação de professores, em particular a formação de professores de matemática. No que diz respeito à produção geral do artigo, em termos de conteúdo, constatou-se que os alunos devem pensar em como entender o processo ensino-aprendizagem a partir do que dizem os pesquisadores da educação e como se posiciona o ensino. sobre teorias, metodologias e processo de formação de professores.
Nesse contexto, não é preciso ir muito longe para ver que o perfil dos alunos coincide com o que os estudos sobre formação de professores têm apontado, ou seja, um vínculo entre perfil e condições sociais. Além disso, como mostra Gatti (2010), é significativo o número de alunos dos cursos de formação de professores que optam por esses cursos como uma espécie de “seguro-desemprego”, ou seja, como uma alternativa de trabalho caso não seja o que desejam realmente exercer profissionalmente. possível. Nesse sentido, o campo da formação de professores e, sobretudo, as políticas públicas educacionais devem levar em conta esse perfil específico de seus alunos, até porque, como diriam Marx e Engels (2007), as condições materiais de vida continuam. determinar, no nível mais básico da existência, outras condições.
JUVENTUDE, SABERES E EXPERIÊNCIAS NO ASSENTAMENTO OLGA BENÁRIO
Assim, tomamos como sujeitos os jovens moradores do assentamento Olga Benário1 em Ipameri, fundado em 2005 após a aquisição das fazendas Ouro Verde/Santa Rosa com 4322 hectares. Para quem quer ir até o assentamento Olga Benário, em Ipameri, a primeira entrada fica a 12 km da cidade, sentido leste, logo após cruzar a ponte sobre o Rio do Braço, na margem esquerda da rodovia GO-213. , sentido Ipamera/Campo Alegre de Goiás. 1 Outros assentamentos denominados Olga Benário localizavam-se nos seguintes municípios: Piranhas – AL; Igrapeúna e Vitória da Conquista – BA; Russas, Comunidade Riacho das Melancias – CE; Amaranto do Maranhão e Vargem Grande – MA; Goianá, Buritis e Visconde para Rio Branco – MG; Rondonópolis, União do Sul e Cláudia – MT; Campo Grande e Terenos – MS; Santa Tereza ao Oeste e Laranjal – PR; Acará – PA; Queimadas – PB; Teresina e Nazária – PI; Mossoró – RN; Forte Tabocão e Rio dos Bois - Obs: Ainda em estado de camping - TO; Tremembé e Pereira Barreto – SP.
De acordo com Lavine; Dione (1999, p. 17), “Para sobreviver e facilitar sua existência, as pessoas são permanentemente confrontadas com a necessidade de ter conhecimento, inclusive para construí-lo elas mesmas”. Segundo este autor, os indivíduos agregam conhecimentos, saberes, aprendem a partir de suas relações com o saber e o aprender. Ao analisar os jovens rurais do assentamento Olga Benário e observar as relações com familiares e colegas, vimos como esse processo descrito por Larrosa (2002) funciona na prática nessa comunidade.
O assentamento Olga Benário, em Ipameri, tem cerca de 25 a 30 jovens entre 15 e 29 anos, segundo levantamento domiciliar. Procurámos saber quais as questões que mais preocupavam os jovens do assentamento Olga Benário, tendo em conta que podiam assinalar mais do que uma opção nesta questão, pelo que os números abaixo referem-se a um total de 15 participantes. Nesse sentido, os recursos tornam-se escassos e isso se reflete na dificuldade de investir nas parcelas recebidas, o que pode ocasionar falta de incentivos entre os jovens do assentamento Olga Benário.