Neste caso, trata-se de um confronto entre o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e o texto do art. Portanto, a vulnerabilidade que a Lei das Pessoas com Deficiência impõe a estas pessoas é destacada como um problema que se tenta resolver tendo em conta os princípios da dignidade humana e da igualdade consagrados na Constituição. No campo hermenêutico, a dignidade da pessoa humana é também um critério importante para equilibrar interesses constitucionais conflitantes.
CAPÍTULO I - PRINCÌPIOS NORTEADORES
DIGINIDADE DA PESSOA HUMANA
A dignidade humana é uma qualidade interna de cada ser humano, é uma qualidade que o define como tal e se configura como um valor que identifica o ser humano como titular de direitos que devem ser respeitados pelos seus concidadãos. e pelo estado. É precisamente na letra da lei que a dignidade da pessoa humana, ou seja, a arte, se manifesta positivamente. Ao nos depararmos com a dignidade da pessoa humana, o parágrafo primeiro da CRFB/88 revela que se trata de um dos cinco princípios mais importantes de todo o nosso ordenamento jurídico.
O princípio da dignidade humana tem diversas funções no ordenamento jurídico brasileiro, o que é natural, dada a sua grande importância e o seu enorme alcance de ocorrência, é uma base importante para o ordenamento jurídico e para a comunidade política.14. Embora saibamos que o princípio da dignidade humana nem sempre é respeitado na prática, é reconhecido e aceite pela sociedade. A dignidade da pessoa humana significa que ela, ao contrário de outras coisas, é um ser que deve ser tratado e considerado como um fim em si mesmo.
Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p.27.
PRINCÍPIO DA IGUALDADE
- IGUALDADE FORMAL
- IGUALDADE MATERIAL
A igualdade formal é o que mais interessa aos advogados, pois seria a pura identidade de direitos e deveres conferidos à sociedade por meio da CRFB/88, que consiste no conceito de que todos são iguais perante a lei, o que significa que todos têm acesso à lei , ou seja, que não sofram qualquer tipo de discriminação. A igualdade formal refere-se ao Estado visto na sua natureza formal, no sentido de igualdade perante a lei com tratamento igualitário sem medir as qualidades ou características pessoais e explícitas dos destinatários da norma. . Ser a equalização de todos numa única classe, para todas as pessoas, para alcançar pela generalização a exigência do princípio da igualdade. A igualdade material busca um tratamento igual e uniforme de todas as pessoas; essas são formas eficazes de alcançar a igualdade padronizada.
A Constituição Federal de 1988 adotou o princípio da igualdade de direitos e prevê a igualdade de capacidade, uma igualdade de capacidades virtuais, ou seja, todos os cidadãos têm direito a tratamento idêntico perante a lei, de acordo com os critérios do ordenamento jurídico. Desta forma, o que é proibido são diferenciações arbitrárias, discriminações absurdas, pois o tratamento desigual de casos desiguais, na medida em que são desiguais, é uma exigência do próprio conceito de justiça, porque o que realmente protege são determinados fins, é apenas o constitucional princípio violado quando o elemento discriminatório não serve um fim amparado pela lei (..)23. A desigualdade existe para que não ocorram diferenciações injustas, tendo em conta a igualdade material. Assim, a desigualdade é necessária para obter um resultado mais justo, uma vez que as diferenças entre as pessoas não podem ser ignoradas.
Assim, tratamentos normativos diferenciados são compatíveis com a constituição federal quando se verifica a existência de finalidade razoavelmente proporcional à finalidade pretendida. Portanto, para garantir a igualdade de tratamento de todos os seres humanos, é necessária a igualdade material, que busca a igualdade factual e real.
CAPÍTULO II – EPCD
A CAPACIDADE DE FATO E DE DIREITO
A capacidade civil é entendida em nosso ordenamento jurídico como a plena capacidade da pessoa para administrar sua vida, seu patrimônio e sua capacidade para praticar atos da vida civil. A ordem civil preferia as pessoas, pessoas físicas, como potenciais titulares de relações jurídicas (além das pessoas jurídicas), o que lhes conferia uma aptidão genérica para a prática de atos da vida civil. A capacidade surge neste cenário como uma espécie de medida jurídica de personalidade, reconhecida por todas as pessoas singulares e colectivas.
Alguns esclarecimentos sobre a capacidade factual e jurídica são necessários para melhor compreender a teoria da incapacidade. A capacidade jurídica é a capacidade genérica geralmente reconhecida para ser titular de direitos e obrigações. A capacidade real, que se refere à capacidade para praticar pessoalmente ações civis, difere da capacidade jurídica.
É aqui que entra em jogo a teoria da incompetência, uma vez que a capacidade empresarial não pode ser ampliada, pois é absoluta, tal como a personalidade. 30. Finalmente, embora a capacidade jurídica (que confundimos com a própria personalidade) derive do próprio nascimento, a capacidade resulta, na verdade, do cumprimento de condições biológicas e legais.
O NOVO REGIME DAS INCAPACIDADES E O EPcD
- O INSTITUTO DA CURATELA PELO EPcD
- TOMADA DE DECISÃO APOIADA
- O EPcD E A TUTELA DE PROTEÇÃO AOS DEFICIENTES
Até o advento da EPcD, a regra aplicava-se à incompetência da pessoa que sofria de déficit intelectual. Com a promulgação do estatuto, ocorreu uma grande mudança na retirada do portador de deficiência intelectual do estado de incapacidade. que revoga grande parte dos artigos 3º e 4º do Código Civil de 2002. O artigo 114 do Estatuto da Pessoa com Deficiência altera o dispositivo, revogando todos os incisos do artigo 3º e alterando os incisos II e III do artigo 4º do Código Civil. O artigo 116.º da EPcD insere ainda, através do artigo 1783.º-A, um novo modelo alternativo no Código Civil para o da tutela, que inclui a tomada de decisão apoiada.
Neste caso, por iniciativa da pessoa com deficiência, que poderá ser solicitada por qualquer pessoa classificada como deficiente segundo o EPcD, serão nomeadas duas pessoas idóneas para prestar apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, sendo que tais apoiantes devem ser responsabilizados da mesma forma que os tutores. Embora a tutela e a incapacidade relativa pareçam servir preferencialmente a sociedade (isolando os incompetentes) e a família (impedindo-os de desperdiçar os seus bens), em detrimento da própria proibição, a Tomada de Decisão Apoiada visa preservar a liberdade e a dignidade das pessoas com deficiência. , sem amputar ou limitar indiscriminadamente seus anseios e desejos vitais41. Note-se que a tomada de decisão apoiada é um regime comparável à tutela, sendo também instituída através dos tribunais.
A promulgação da lei conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência alterou substancialmente o tratamento dado pelo nosso ordenamento jurídico à (in)capacidade das pessoas com deficiência de qualquer natureza, pois a partir de então elas foram consideradas apenas relativamente incompetentes, cabendo à tutela por sua vez uma medida excepcional e extraordinária. O EPcD trouxe muitas mudanças importantes para a legislação brasileira, pois traz grandes avanços na inclusão de pessoas com deficiência. Contudo, apesar dos avanços, numa perspectiva constitucional da dignidade da pessoa humana e de acordo com o princípio da igualdade, o referido estatuto universalizou todas as pessoas que sofrem de deficiência intelectual, sem ter em conta que algumas dessas pessoas podem, em praticar a vida Mesmo que sejam legalmente capazes de fazê-lo, podem não ser capazes de expressar os seus desejos.
Note-se que a incapacidade relativa não decorre da deficiência em si, mas sim do simples facto de a pessoa que sofre de défice intelectual não conseguir expressar a sua vontade.
PROCEDIMENTO DO CASAMENTO E OUTROS
DA CAPACIDADE PARA O CASAMENTO
É de grande interesse para o Estado que as famílias sejam constituídas regularmente.53 Tendo isto em mente, fica claro que o casamento é um verdadeiro ritual, exigindo certas formalidades quanto ao ato. A lei considera importante que o consentimento dos noivos esteja de acordo com determinadas cerimónias, não apenas para facilitar a autenticação do acto. Este visa verificar a aptidão para o casamento, a ausência de obstáculos conjugais e divulgar a intenção dos noivos.
Isto significa que as pessoas com deficiência intelectual já não podem casar, porque não têm o discernimento necessário para expressar livremente a sua vontade. Como observado, a EPcD pretendia equiparar pessoas com déficits intelectuais em ações existenciais, que não são mais consideradas absolutamente incompetentes no sistema civil brasileiro. Neste sentido, nota-se que há divergências, pois o EPcD ignorou muitas situações concretas em que muitas pessoas que sofrem de défices intelectuais não conseguem expressar a sua vontade ou mesmo dar o seu desenvolvimento.
A ideia é que, como uma pessoa que sofre de déficit intelectual não tem discernimento para compreender o ato que está praticando, deve ser protegida de seus efeitos. Além disso, os atos jurídicos praticados por pessoas com deficiência intelectual terão os mesmos requisitos de validade que as transações realizadas por outras pessoas.
DA INVALIDADE DO CASAMENTO
Dentre todos os argumentos discutidos neste trabalho de pesquisa acadêmica, pode-se afirmar que a Lei nº, ou seja, “Estatuto da Pessoa com Deficiência”, foi uma grande conquista em relação à abordagem social ao inaugurar um sistema normativo que inclui pessoas que sofrem de alguma forma de deficiência, tanto física como mental.É claro que a generalização da capacidade civil, dada pela EPcD, não deixou os parâmetros legais necessários para garantir os interesses das pessoas que sofrem de falta intelectual, cuja incapacidade é evidente.
Reconhecer alguém como inapto não serve para excluir, mas é a melhor forma de lidar com essas pessoas e poder incluí-las, existem outras formas de buscar essa igualdade e mudar o regime de deficiência desta forma, na minha opinião significando, não trouxe qualquer igualdade, nem construiu o princípio da dignidade humana, pois dignidade não é sinónimo de capacidade. Um pré-requisito essencial para o respeito da dignidade da pessoa humana é, portanto, a garantia da igualdade para todas as pessoas, que portanto não podem ser sujeitas a tratamentos discriminatórios e arbitrários, razão pela qual a escravatura e a discriminação racial não podem ser toleradas. , perseguição por motivos religiosos, de gênero, enfim, toda e qualquer violação do princípio isonômico em sua dupla dimensão formal e material.57. Por fim, entendo que as teorias da deficiência no direito civil servem para proteger as pessoas que sofrem de deficiência intelectual que, por algum motivo temporário ou permanente, são impedidas de expressar a sua vontade.
Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p.62. Disponível em: https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/artigos/304255875/e-o-fim-da-interdicao-artigo-de-pablo-stolze-gagliano.