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Irish Coffee: efeitos de álcool e cafeína no comportamento e aprendizagem do peixe paulistinha

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Academic year: 2017

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE BIOCIÊNCIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOBIOLOGIA

Irish Coffee: Efeitos de álcool e cafeína no comportamento

e aprendizagem do peixe paulistinha

LUANA CARLA DOS SANTOS

Orientadora: Ana Carolina Luchiari

(2)

LUANA CARLA DOS SANTOS

Irish Coffee: Efeitos de álcool e cafeína no comportamento

e aprendizagem do peixe paulistinha

Dissertação apresentada ao programa de pós-graduação em psicobiologia como requisito para obtenção de título de Mestre em Psicobiologia

Área de concentração: Comportamento Animal

Orientadora: Ana Carolina Luchiari

(3)

Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do Centro de Biociências

Santos, Luana Carla dos.

Irish Coffee: efeitos de álcool e cafeína no comportamento e aprendizagem do peixe paulistinha / Luana Carla dos Santos. – Natal, RN, 2016.

77 f.: il.

Orientadora: Profa. Dra. Ana Carolina Luchiari.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia.

1. Atividade locomotora e memória. – Dissertação. 2. Substâncias psicoativas – Dissertação. 3. Peixe paulistinha. – Dissertação. I. Luchiari, Ana Carolina. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título.

(4)

TITULO: Irish Coffee: Efeitos de álcool e cafeína no comportamento e aprendizagem do

peixe paulistinha

AUTOR: Luana Carla dos Santos

DATA DA DEFESA: 04 de março de 2016

BANCA EXAMINADORA:

__________________________________________

Dr. Rodrigo Egydio Barreto

UNESP – Botucatu, SP

__________________________________________

Dr. Rámon Hipolyto Lima

UFRN - Natal, RN

__________________________________________

Dra. Ana Carolina Luchiari (orientadora)

(5)

AGRADECIMENTOS

Após mais uma jornada acadêmica chega o momento de olharmos para trás e analisarmos todos os caminhos que percorremos até a conclusão desse ciclo. Dedicarmos-nos a pesquisar o que apreciamos, achamos pertinente e gratificante, mas como em toda caminhada há inúmeros desafios, frustrações e êxitos.

Como em todos os momentos da minha vida, compartilho todas essas fases com pessoas fundamentais nesse processo, que estão ou estiveram comigo no dia a dia, que “abraçaram a causa”, que me fizeram refletir e amadurecer pessoalmente e profissionalmente, enfim, que através de incentivos e críticas construtivas influenciaram no resultado final desse trabalho no qual me dediquei integralmente durante esses dois anos.

Assim, inicio meus agradecimentos referenciando as pessoas mais importantes na minha vida, a minha família, que sempre me apoiam, dão incentivo e amor incondicional. Pessoas que compreendem minhas mudanças de humor (não é fácil!), respeitaram meus momentos de isolamento quando precisava ficar um final de semana inteiro diante do computador, em silêncio, escrevendo sobre ela, elaborando apresentações. Pessoas prontas para acolher minha angustias e vibrar a cada vitória, não importando a hora do dia.

À minha orientadora Ana Carolina Luchiari, pela orientação, pelos conselhos que só me ajudaram nesses nossos quase seis anos de convivência, essa jornada que teve início no comecinho da graduação. Agradeço a paciência, a compreensão, ao tempo dedicado mesmo quando estava tão longe do Brasil.

Agradeço as colegas de laboratório: Jéssica Polyana e Júlia Ruiz que foram meus braços direito, esquerdo, pernas e corpo todo. Por toda dedicação e empenho, pelas horas gasta analisando vídeos, trocando água dos peixes, limpando vazamento, pesando cafeína, fazendo mil planilhas, escrevendo resumo para congressos, enfim, sem vocês este trabalho não seria possível.

Continuando aos agradecimentos as colegas do laboratório: Adrielly Marcela, Diana Chacon, Jaquelinne Pinheiro, Jéssica Janine e Priscila Fernandes, pelo auxílio na realização dos experimentos, pela colaboração na revisão da dissertação, pelas ideias, conselhos e discussões sobre o trabalho que ajudaram e muito no andamento dele. Agradeço pelo empenho, apoio e amizade. Sem dúvidas, essa pesquisa carrega um pouco de cada uma.

(6)

RESUMO

Substâncias psicoestimulantes vêm sendo utilizadas de forma indiscriminada há muitos anos, e pouco se sabe os efeitos que elas causam a curto e longo prazo no comportamento geral, na aprendizagem e na memória. Essas substâncias são bastante usadas por jovens e adultos e elas possuem efeitos diferentes. Essas substâncias são dose dependente, caso consumidas em baixa quantidade agem como estimulante, aumentando a atividade locomotora, caso consumidas em alta quantidade, causam efeito depressor, diminuindo a atividade locomotora e/ou causando ansiedade. Poucos estudos vêm investigando os efeitos dessas substâncias na atividade locomotora, aprendizagem e memória e grande parte desses estudos são realizados em roedores. Peixe paulistinha é um modelo animal promissor para estudos comportamentais, cognitivos, ontogenéticos, dentre outros. Nossos objetivos foram determinar os efeitos do álcool, cafeína e de seu uso combinado com álcool, na atividade locomotora desses animais, usando para isso doses crônicas durante 27 dias e doses agudas durante um dia. Visto que pouco se sabe sobre os efeitos dessa exposição prolongada. Também investigamos os efeitos das substâncias em teste de reconhecimento de objetos, que se baseia na memória de único evento. Essas memórias são mais vulneráveis que memórias baseadas em várias repetições de eventos. Sendo assim, um teste adequado para utilizar com uso de substâncias psicoativas. Observamos que o uso crônico de cafeína provoca alteração na atividade locomotora dos animais, do mesmo modo, abstinência de álcool combinada com cafeína em dose aguda (dose média) provoca aumento de atividade locomotora. Quando submetidos a testes de memória, os animais exposto a doses altas agudas de álcool e em abstinência dessa droga têm prejuízo na formação e/ou resgate da memória. No entanto, tratamento com cafeína não prejudica a formação de memória. Animais expostos a tratamento com dose crônica moderada de álcool e dose aguda moderada de cafeína tem melhor desempenho na tarefa, indicando que dose aguda moderada de cafeína pode evitar os efeitos deletérios ocasionados pela abstinência do álcool. Em termos do comportamento geral, doses agudas de cafeína aumentam a locomoção, enquanto doses elevadas e a abstinência de cafeína induzem a comportamentos tipo-ansioso. A combinação álcool crônico e cafeína aguda induzem a alto comportamento tipo-ansiedade, enquanto a combinação cafeína crônica e álcool agudo diminuem tanto a locomoção quanto a ansiedade.

(7)

ABSTRACT

Psychostimulant substances are being used in an indiscriminate way for many years and little is known about the effects they cause in short and long term in learning and memory. These substances are highly used by young people and adults and they present different effects. The substances are dose dependent, if consumed in lower quantity they act as a stimulant, increasing locomotor activity, if consumed on higher doses, they cause a depressor effect, lowering the locomotor activity. Few studies investigate the effects of these substances on the locomotor activity, learning and memory and most of these studies are on rodents. The zebrafish is a good animal model for behavioral, cognitive, ontogenetic and other studies. Our objectives were to determine the effects of alcohol, caffeine and its combined use with alcohol on the locomotor activity of the animals, using chronic doses during 27 days and acute doses during one day, since little is known about the effects of the prolonged exposition. As also, investigate the effects of the substances on a one trial learning test of objects discrimination, which is based on a memory of one single event. This type of memory is more vulnerable than the memories based on many repetitions. Therefore, an adequate test to use with the psychoactive substances. We found that the chronic use of caffeine provokes an alteration on the locomotors activity of the animals. In the same way, alcohol withdrawal combined with acute caffeine (moderate dose) provokes an increase on locomotors activity. When submitted to the discrimination tests the animals exposed to higher acute doses of alcohol and withdrawal of this drug have impairment on memory. However, the caffeine treatment does not harm memory. Animals exposed to a treatment with moderate chronic alcohol dose and moderate acute caffeine dose learned the task, indicating that moderate acute

caffeine doses may prevent deleterious effects caused by alcohol withdrawal. In terms of the

general behavior, acute doses of caffeine increase the mobility, while high doses of caffeine

and its abstinence induce anxiety-like behavior. The combination of chronic alcohol and acute

caffeine induces high anxiety-like behavior, while chronic caffeine combined with acute

alcohol decrease both locomotion as anxiety.

(8)

SUMÁRIO

Introdução geral... 7

Breve histórico do uso de substâncias psicoativas... 7

O álcool... 8

Metabolismo... 8

Ação do álcool no sistema nervoso central... 9

Efeitos do álcool no comportamento – estudos com peixe paulistinha... 11

Cafeína... 12

Metabolismo... 12

Ação da cafeína no sistema nervoso central... 13

Efeitos da cafeína no comportamento estudos com peixe paulistinha... 14

O uso combinado de álcool e cafeína... 15

Peixe paulistinha como modelo animal... 17

Objetivos... 18 -19 Capítulo 1 Irish coffee: Behavioral changes induced by alcohol and caffeine in zebrafish Resumo... 20

1. Introdução... 21

2. Materiais e métodos... 23

3. Resultados... 27

4. Discussão... 41

Agradecimentos... 40

5. Referências... 47

Figura 1... 29

Figura 2... 31

Figura 3... 32

Figura 4... 33

Figura 5... 35

Figura 6... 37

Figura 7... 38

Figura 8... 39

Figura 9... 40

Capitulo 2 Irish coffee: Effects of alcohol and caffeine on object discrimination in zebrafish Resumo... 56

1. Introdução... 56

2. Materiais e métodos... 57

3. Resultados... 58

4. Discussão... 60

Agradecimentos... 64

5. Referências... 64

Tabela 1... 57

Figura 1... 59

Figura 2... 60

Figura 3... 61

Figura 4... 62

Figura 5... 63

Figura 6... 64

Conclusões gerais... 66

Referências... 67

(9)

7

Introdução geral

Breve histórico do uso de substâncias psicoativas

O uso de substâncias psicoativas é um hábito humano milenar (Seidl, Costa &

Sudbrack, 1999) e pode ser correlacionado com diferentes contextos sociais, como lazer,

rituais religiosos e fins terapêuticos (Merlin, 2003). Na América, Europa e Ásia antiga, o

homem já utilizava plantas como a papoula do ópio, também chamada planta da felicidade,

pelo seu efeito alucinógeno (MacRae, 2001; Seibel & Toscano, 2001) e ansiolítico (Seibel &

Toscano, 2001). Ao longo do tempo, diferentes substâncias psicoativas passaram a ser

consumidas pelo homem, como álcool, maconha, cocaína, cafeína, nicotina, dentre outras

(Seidl et al., 1999) na busca pela atenuação de sensações desprazerosas e promoção de

bem-estar.

O álcool foi bastante consumido na forma de vinho por egípcios, gregos e hebreus, sendo considerado uma “dádiva dos deuses” (Amouretti et al., 1999; Carneiro, 2005; Purcell,

2003; Rosenzweig, 1998). A maconha foi comumente utilizada pela medicina chinesa como

anestésico em cirurgias e ainda como hipnótico, analgésico e espasmolítico (Murad, 1996). Os

nativos da América do Sul, ainda hoje possuem o hábito de mascar folhas de coca para tolerar

o trabalho em altitudes, somado à pobre dieta alimentar (Bahls & Bahls, 2002; Gold, 1993).

Esse hábito de mascar folha da coca garante efeito estimulatório, semelhante ao efeito da

ingestão de cafeína, proporcionando maior rendimento aos trabalhadores (Bucher &

Olievenstein, 1992), sendo utilizada também como anestésico local (Seidl et al., 1999). Os

chineses utilizavam plantas com cafeína para preparação de chás, hábito esse difundido

mundialmente (Trevisanato & Kim, 2000). Com o passar dos séculos, os efeitos prejudiciais

destas substâncias tornaram-se conhecidos e atualmente a maconha, a heroína e a cocaína são

(10)

8 drogas lícitas que estão incorporadas aos hábitos sociais de homens e mulheres (Pratta &

Santos, 2009).

Dentre as substâncias mencionadas, destacamos o álcool e a cafeína que são

largamente consumidas pela sociedade atual (Fredholm, Bättig, Holmén, Nehlig, & Zvartau,

1999; WHO, 2014). Apesar de ser uma droga lícita, o álcool pode causar dependência e é

considerado o segundo maior causador de complicações neuropsiquiátricas, perdendo apenas

para depressão (Brundtland, 2000). No ano de 2012, 3,3 milhões de pessoas chegaram a óbito

em decorrência do uso de álcool, devido à síndrome alcoólica fetal, cirrose hepática, câncer de

boca, câncer da faringe, câncer do esôfago, câncer da laringe, pancreatite, violência

interpessoal, acidentes de trânsito, dentre outros (WHO, 2014). Já a cafeína age de maneira

menos evidente, podendo levar também à dependência física de forma mais branda que o

álcool (Griffiths & Woodson, 1988), e, se consumida de forma desregulada, pode ocasionar

quadros de dor de cabeça, enjoo, letargia, dentre outros.

O álcool

Metabolismo

Após a ingestão, o álcool é rapidamente absorvido no estômago e intestino delgado,

sendo levado até a corrente sanguínea, e distribuído nos líquidos corporais totais (Cuppari,

2002; Dutra de Oliveira & Marchini, 2003). A concentração de álcool no sangue é máxima

em aproximadamente 30 min após o consumo, se o indivíduo estiver com o estômago cheio

esse processo tende a ser mais longo (Norberg, Jones, Hahn, & Gabrielsson, 2003). O

metabolismo gástrico do álcool é menor nas mulheres do que nos homens, o que contribui

para maior sensibilidade das mulheres a essa substância (Lieber, 2000; Schuckit, 2006a,

(11)

9 O álcool é principalmente metabolizado no fígado, pela oxidação hepática.

Inicialmente, o álcool é transformado em acetaldeído pela ação da enzima ADH (álcool

desidrogenase), depois a enzima ALDH (aldeído desidrogenase) age e transforma o

acetaldeído em ácido acético e na coenzima NADH (nicotinamida adenina dinucleotídeo). Por

fim, o ácido acético é oxidado em dióxido de carbono. O ADH também é encontrado no

estômago, intestino, musculatura esquelética e tecido cerebral (Baraona, 2000; Duester et al.,

1999; Lim et al., 1993; Zakhari, 2006).

O álcool também pode ser metabolizado por vias extra-hepáticas, quando mantido

em grandes concentrações no organismo. Esse processo ocorre em grande parte no cérebro,

local com baixa atividade de ADH, por ação da enzima citocromo P450 (Zakhari, 2006).

Outra enzima que também realiza metabolismo extra-hepático é a catalase, encontrada nos

peroxissomos, e é utilizada em menor escala (Zimatkin & Deitrich, 1997). Independente da

enzima, o metabolismo do álcool tem como principal subproduto o acetaldeído, uma

substância tóxica, cujo acúmulo leva a reações adversas como tontura, náusea, vômito,

taquicardia e taquipnéia (Edenberg, 2007; Tuma, 2002).

Pequenas quantidades de álcool são excretadas na urina, no suor e no ar expirado,

enquanto o metabolismo do álcool é responsável pela excreção de 90-98% do álcool ingerido

principalmente devido à função hepática do ADH e ADLH (Brunton, Chabner, & Knollman,

2012). É necessário certo cuidado com o consumo, visto que o álcool atravessa a barreira

hematoencefálica e placentária facilmente (Gilman et al., 1996).

Ação do álcool no sistema nervoso central

Segundo a WHO (2014), drogas são substâncias capazes de alterar a função dos

(12)

10 (estimulantes) ou diminuir (depressoras) sua atividade, ou ainda alterar a capacidade

perceptiva (perturbadoras); e dessa forma geram mudanças fisiológicas e comportamentais.

Apesar de ser considerado uma droga de forma geral depressora, o efeito inicial do álcool é

excitatório. Assim que entra no sistema nervoso central, o álcool causa o aumento dos níveis

de serotonina (Forman, Chou, & Strichartz, 2009) e ativação da via de recompensa, mediando

pelo sistema dopaminérgico mesocórticolímbico a sensação de prazer que é gerada durante

esta fase do consumo. É devido à excitação desta via que o álcool pode causar o

comportamento de busca pela substância (Moreau, 1996; Samson & Harris, 1992). Após o

quadro inicial de euforia, surge o efeito depressor do álcool (Rang, Dale, Ritter, & Flower,

2007), que se dá pela ação sobre a neurotransmissão GABAérgica, que é inibitória (SMITH;

OLSEN, 1995). Esse neurotransmissor (GABA) possui dois tipos de receptores, GABAA e

GABAB, apenas GABAA é estimulado pelo álcool e nesse momento, ocorre aumento no

tempo de abertura do canal e maior influxo de Cl- (Forman et al., 2009).

O consumo de álcool de forma crônica reduz o número de receptores GABAA, sendo

esse um dos efeitos que promove a tolerância à droga (Sanna et al., 1993). A decorrente busca

pela dose que continue causando os mesmos efeitos anteriores pode levar o indivíduo à

dependência. Caso o indivíduo interrompa o consumo de álcool no estágio da dependência,

ele pode apresentar sintomas da crise de abstinência, derivados da perda dos efeitos inibitórios

da droga e deficiência de receptores GABAA (Devaud, Fritschy, Sieghart, & Morrow, 1997).

Além de estimular a atividade dos receptores GABAA, o etanol também atua sobre o

receptor do glutamato, funcionando como um antagonista. O glutamato possui três receptores:

NMDA, cainato e AMPA, e embora todos sejam inibidos na presença do álcool, os receptores

NMDA são mais afetados (DeLucia, Cruz, Marin, & Planeta, 2006). O consumo crônico de

(13)

11 Anderson, 1996; Hoffman, Lorio, Snell, & Tabakoff, 1995), o que está relacionado com a

hiperestimulação deste sistema durante a abstinência do álcool, podendo ocasionar crises

convulsivas e acidentes vasculares cerebrais (Lovinger, 1993).

Efeitos do álcool no comportamento – estudos com peixe paulistinha

O álcool afeta vários aspectos funcionais do organismo, como memória (Luchiari,

Chacon, & Oliveira, 2015), aprendizagem (Santos, Oliveira, Oliveira, Silva, & Luchiari,

2016), ansiedade (Maximino, da Silva, Gouveia, & Herculano, 2011) e locomoção (Tran &

Gerlai, 2013). Daremos ênfase ao seu efeito na função cognitiva e locomotora.

A aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre por meio de interações com

outros sujeitos ou objetos ao longo do tempo de vida do indivíduo (Kandel & Schwartz,

2001). Aprender e lembrar o que foi aprendido é essencial para a sobrevivência em muitas

espécies. Uma vez que o animal vive uma dada experiência, o indivíduo pode alterar seu

comportamento e responder de forma mais eficiente quando enfrentar aquela mesma situação

novamente.

Roedores expostos a etanol na fase pré-natal submetidos a tarefas cognitivas de medo

condicionado demonstram atraso na resposta quando expostos ao risco (Brady, Allan, &

Caldwell, 2013). Peixes pauslistinhas expostos a altas doses de álcool apresentam prejuízo na

realização de tarefas cognitivas como tarefas de aprendizagem associativa, enquanto que

peixes sob efeito de baixas doses apresentam melhora na realização dessa mesma tarefa

(Chacon & Luchiari, 2014). Nessa mesma linha, já foi visto que doses baixas e moderada de

álcool administradas de forma aguda alteram a preferência de local de peixe paulistinha,

passando a preferir o local onde o animal foi inicialmente submetido ao álcool, mostrando o

(14)

12 É sabido que o álcool tem efeito dose-dependente, doses intermediárias de álcool

(0,25% e 0,50%) aumentam a atividade locomotora de peixe paulistinha, enquanto que doses

elevadas diminuem a atividade locomotora desses animais (Gerlai, Lahav, Guo, & Rosenthal,

2000). No entanto, durante a abstinência de álcool, esses mesmos animais apresentam altos

índices de freezing, passam mais tempo no fundo do aquário e sua latência para chegar à

superfície do aquário é maior, o que caracteriza um comportamento tipo-ansioso (Egan et al.,

2009). De forma similar, roedores expostos a doses médias (1.g/Kg, 10% e 35%) de álcool,

aumentam a atividade locomotora (Brys, Pupe, & Bizarro, 2014; Jerlhag, Landgren,

Egecioglu & Dickson, 2011).

Cafeína

Metabolismo

Após o consumo, a metabolização da cafeína se inicia no trato gastrointestinal, e

após 20-30 min do seu consumo, a substância atinge níveis máximos no organismo e pode

levar de 2,5 à 10 h para total eliminação. No entanto, sua total eliminação pode variar de

acordo com diversos fatores como idade, peso corporal, ingestão de medicamentos, dentre

outros (Magkos & Kavouras, 2005).

Aproximadamente 5% da quantidade ingerida é eliminada através da urina (Kumar,

2013). Assim como no álcool, a enzima citocromo P450 atua metabolizando a cafeína, mas

nesse caso, essa ação ocorre em sua maior parte no fígado, e não no cérebro. A enzima

citocromo P450 metaboliza a cafeína em três dimetilxantinas: paraxantina, que pode aumentar

as taxas sanguíneas de glicerol e gorduras; teobromina, que provoca dilatação dos vasos

sanguíneos causando efeito diurético; e teofilina, responsável pela dilatação das vias aéreas

(15)

13

Ação da cafeína no sistema nervoso central

No cérebro, a cafeína interfere na atividade da adesonina, neurotransmissor com

efeitos inibitórios e de normalização da homeostase de diversas células (Longhi, Robson,

Bernstein, Serra, & Deaglio, 2013; Purves et al., 2010). A cafeína possui conformação

estrutural semelhante à adenosina, e uma vez que ocorre a ligação entre a cafeína e o receptor

adenosinérgico, ela inibe o receptor e bloqueia a ação inibitória da adenosina, fazendo

prevalecer os efeitos estimulantes da cafeína, como aumento da disposição, alerta e

concentração (Griffiths & Woodson, 1988; Griffiths et al., 1986).

A cafeína liga-se apenas a dois receptores de adenosina, receptor A1 e receptor A2A

(Fredholm, Ijzerman, Jacobson, Klotz, & Linden, 2001). O receptor A1 está presente em

diversas regiões do cérebro como hipocampo, córtex cerebral, cerebelo e núcleos

hipotalâmicos; e estimula a liberação de neurotransmissores como o glutamato, dopamina,

acetilcolina e serotonina, que são excitatórios e aumentam o estado de vigília e atenção

(Sheth, Brito, Mukherjea, Rybak, & Ramkumar, 2014). O receptor A2A está distribuído pelos

oligodendrócitos, microglia, bulbo olfatório, gânglios basais e regiões pré-sinápticas no

hipocampo, região onde também ocorre liberação de glutamato, noradrenalina e acetilcolina

(Sheth et al., 2014). Somada à ação nos receptores de adenosina, outras vias de atuação da

cafeína também são responsáveis por seu efeito estimulante como o bloqueio dos receptores

GABAA (receptores de ação inibitória) e mobilização do cálcio intracelular (responsável pelo

aumento de atividade locomotora).

O consumo da cafeína ativa áreas relativas ao prazer, busca pela substância, alerta,

concentração, dentre outros, mediados pelos neurônios dopaminérgicos, adrenérgicos,

(16)

14 Recentemente tem se noticiado uma possível ação neuroprotetora do consumo do café

orgânico, o que pode estar relacionado a menores taxas de mal de Alzheimer e Parkinson nas

sociedades da América do Sul, nas quais se consomem esse tipo de café.

Semelhante ao consumo de álcool, a cafeína também pode levar ao desenvolvimento

de dependência decorrente de seu consumo crônico (Heishman & Henningfield, 1992), no

entanto, a abstinência da cafeína é bem mais branda que a do álcool, sendo associada a dores

de cabeça, fadiga, irritação e sonolência (Kenneth Silverman, Suzette M. Evans, Eric C. Strain, 1994; Richardson, Rogers, Elliman, & O’Dell, 1995). O consumo crônico e agudo

parece não ocasionar prejuízos à saúde (Abreu, Silva-Oliveira, Moraes, Pereira, &

Moraes-Santos, 2011), sendo este o provável motivo de não existirem restrições quanto a seu consumo

(Aguiar, Turnes, Cardoso, Vasconcelos, & Caputo, 2011; Killer, Blannin, & Jeukendrup,

2014).

Efeitos da cafeína no comportamento – estudos com peixe paulistinha

Quando comparadas as informações sobre o efeito do álcool no comportamento do

peixe paulistinha com os dados até então existentes sobre a cafeína, podemos afirmar que

pouco se sabe sobre o efeito da cafeína nesta espécie. Entretanto, os estudos realizados têm

mostrado que a cafeína pode alterar o comportamento dos animais, embora de forma mais

branda que o álcool.

A cafeína é dita uma substância benéfica para a memória. De acordo com Cunha e

Agostinho (2010), essa característica benéfica se deve não a uma melhora direta da memória,

mas à habilidade normalizadora da cafeína, ou seja, de prevenir prejuízos a memória. Animais

(17)

15 substância que prejudica a formação de memória, não apresentaram alteração nesta função

(Nazario et al., 2015), confirmando o papel normalizador da cafeína.

A cafeína também apresenta efeito dependente da dose consumida. A exposição à

dose aguda média (50mg/L) ocasiona alteração na atividade locomotora do peixe paulistinha,

diminuindo a velocidade média, indicando certo grau de ansiedade conferido pela

administração da substância (Ladu, Mwaffo, Li, Macrì, & Porfiri, 2015). De modo

semelhante, animais expostos à dose alta (85mg/L) de cafeína passam mais tempo no lado

escuro do aquário que os indivíduos controle, indicando grau de ansiedade devido à

administração da substância (Steenbergen, Richardson, & Champagne, 2011). De acordo com

Egan et al. (2009), peixes paulistinha expostos a dose aguda alta de cafeína (100 mg/L)

tiveram o desenvolvimento de comportamento tipo-ansioso, caracterizado pelo aumento na latência para explorar o topo da coluna d’água, somada a diminuição do tempo nessa área.

Quando peixes paulistinha receberam doses de 1μM de cafeína demonstraram

aumento da atividade locomotora (velocidade e distância percorrida), já animais expostos a dose alta de 100μM diminuíram a atividade locomotora (Gupta, Khobragade, Shingatgeri, &

Rajaram, 2014). A abstinência da cafeína é mais branda do que a do álcool, muitas vezes não

indicando fatores relacionados à sua administração. Cachat et al. (2010) demonstraram que

peixe paulistinha em abstinência de cafeína (50 mg/L), não apresenta alteração na sua

atividade locomotora e nem em seus níveis de cortisol. Diferente do álcool que é considerado

uma forte recompensa, Collier et al. (2014) testaram o paradigma de preferência por local

com diferentes doses de cafeína, e observaram que o paulistinha não apresenta

comportamento de busca pela substância, indicando a ausência de um efeito de recompensa

(18)

16

O uso combinado de álcool e cafeína

A combinação do consumo de álcool e cafeína tem se tornado cada vez mais popular,

principalmente entre os jovens (Sionaldo E. Ferreira et al., 2004; Marczinski, 2011; O’Brien,

McCoy, Rhodes, Wagoner, & Wolfson, 2008). Esse consumo tem sido feito muitas vezes de

forma desenfreada, podendo acarretar prejuízos para o indivíduo, como diminuição no

julgamento em tomada de decisões, comportamento de risco (violência, comportamento

sexual arriscado), e maior propensão a acidentes (Marczinski, 2011; Oteri, Salvo, Caputi, &

Calapai, 2007; Thombs et al., 2010). Pouco se sabe da ação combinada dessas duas

substâncias no metabolismo, no entanto, cafeína não exerce nenhum efeito sobre o

metabolismo hepático do álcool, consequentemente, não reduz a concentração de álcool no

sangue (Sionaldo Eduardo Ferreira, de Mello, Pompeia, & Souza-Formigoni, 2006). Não

existem estudos que investiguem a ação combinada dessas substâncias no sistema nervoso

central.

Poucos estudos investigam o comportamento sob efeito dessas substâncias e a

maioria desses estudos é desenvolvido em roedores. Com relação ao afeito da combinação na

atividade locomotora, estudos indicam que esse uso pode aumentar os efeitos estimulatórios

iniciais do álcool ou reduzir efeitos depressores posteriores (Heinz, de Wit, Lilje, & Kassel,

2013; Spinetta et al., 2008), podendo levar o indivíduo a consumir mais álcool (Sionaldo

Eduardo Ferreira et al., 2006; Spinetta et al., 2008). Spinetta et al. (2008) observaram que

roedores conseguem reconhecer o odor de outros indivíduos mesmo sob efeito combinado

dessas substâncias, indicando efeito positivo dessa combinação, sugerindo que a cafeína

consegue reverter os efeitos prejudiciais ocasionados pelo álcool. Outro estudo aponta que

roedores machos submetidos à combinação dessas substâncias tiveram aumento do número de

(19)

17 Não existem investigações acerca da mistura dessas substâncias no comportamento

do peixe paulistinha, importante modelo em neuroetologia.

Peixe paulistinha como modelo animal

O peixe paulistinha (Danio rerio) é um vertebrado pertencente à classe dos

teleósteos, que surgiu a aproximadamente 350 milhões de anos (Metscher & Ahlberg, 1999).

Esses indivíduos são encontrados em riachos de águas doces e lentas no sul e leste da Ásia,

habitando águas rasas, com temperaturas que variam entre 24ºC a 38ºC (Engeszer, Patterson,

Rao, & Parichy, 2007). Os indivíduos possuem organização do sistema nervoso central

semelhante aos outros vertebrados, tendo o sistema nervoso divido em quatro partes: a medula

espinhal, que está protegida pela coluna vertebral e está localizada na parte mais caudal do

sistema nervoso central, o rombencéfalo, correspondente à parte mais caudal do encéfalo

dentro do crânio, o prosencéfalo, mais rostral e ocupando a maior área no cérebro, e o

mesencéfalo.

Diversos estudos evidenciam o peixe paulistinha como excelente modelo em estudos

translacionais de diversas áreas, por possuírem similaridade significativa com humanos, em

torno de 60-80% (Reimers, Hahn, & Tanguay, 2004; Renier et al., 2007), fazendo dele muitas

vezes um modelo alternativo ao uso de roedores. Esses indivíduos possuem o genoma

totalmente sequenciado (Howe et al., 2013; Silveira et al., 2002; Woods et al., 2000) e

compartilham diversos sistemas de neurotransmissores com mamíferos, como exemplo o

serotonérgico (Rink & Guo, 2004), dopaminérgico (Ma, 2003), glutamatérgico (Edwards &

Michel, 2002), GABAérgico (Nam, Kim, & Lee, 2004), dentre outros. Esses indivíduos

(20)

18 (Kimmel, Ballard, Kimmel, Ullmann, & Schilling, 1995). São também considerados modelo

importantes para estudos com drogas, por apresentarem rápida absorção das drogas pelo

sistema nervoso central (Goldsmith, 2004), sem a necessidade de metodologias invasivas e

altamente manipulativas.

Existem hoje cerca de 46.000 estudos realizados com o peixe paulistinha como modelo, de acordo com a plataforma de pesquisa “web of knowledge”

(https://apps.webofknowledge.com/UA_GeneralSearch_input.do?product=UA&SID=4BSQA

XhN9rynOCvHn7b&search_mode=GeneralSearch). Dentre as diversas publicações voltadas

para esse modelo, encontramos abordagem em diversas áreas como biologia do

desenvolvimento (Kimmel et al., 1995; Kishi, 2011; Peng, Zhang, & Meng, 2012), genética

(Hu et al., 2015; Nishimura et al., 2015; Shah, Davey, Whitebirch, Miller, & Moens, 2015),

comportamento (Hu et al., 2015; Niihori et al., 2015; Santos et al., 2016), toxicologia

(Gebauer et al., 2011; Santos et al., 2016; Wu et al., 2009), doenças degenerativas (De Groef,

Dekeyster, & Moons, 2015; Lu et al., 2015; Seto et al., 2015), e desenvolvimento de drogas

terapêuticas (Rubinstein, 2003, 2006)

Objetivo Geral

O objetivo geral desse estudo foi verificar a ação do álcool, cafeína e da combinação

dessas substâncias no comportamento locomotor e no desempenho em tarefa discriminativa

(21)

19

Objetivos específicos

 Caracterizar o comportamento locomotor ao longo do tempo de exposição do peixe

paulistinha às doses crônicas e agudas de álcool, cafeína e da combinação dessas

substâncias (capítulo 1).

 Avaliar os efeitos ansiolíticos e ansiogênicos de doses crônicas e agudas de álcool,

cafeína e da combinação dessas substâncias (capítulo 1).

 Averiguar o desempenho do peixe paulistinha em tarefa de reconhecimento de objetos

quando sob efeito crônico e agudo de álcool, cafeína e da combinação dessas

(22)

20

(Artigo a ser submetido para a revista Pharmacology, Biochemistry and Behavior) 1

2

Irish Coffee: Behavioral changes induced by alcohol and caffeine in zebrafish

3

Santos, L.C., Oliveira J.R., Oliveira, J.J., Silva, P.F., Luchiari A.C. 4

Departamento de Fisiologia, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio 5

Grande do Norte, PO BOX 1510, 59078-970 Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. 6

Phone: +55 84 32153409, Fax: +55 84 32119206, E-mail: [email protected] 7

8

Resumo 9

Enquanto a cafeína é conhecida por estimular o estado de alerta e diminuir a fadiga e 10

a sonolência, o álcool é um grande inibidor do sistema nervosa central. O uso combinado 11

dessas duas substâncias vem crescendo nas últimas décadas, mas pouco se sabe sobre os 12

efeitos desta combinação. Neste sentido, este estudo objetivou caracterizar o efeito de 13

diferentes doses de cafeína e do uso combinado dessas substâncias sobre o comportamento 14

do peixe paulistinha, um modelo animal estabelecido para investigações 15

neurocomportamentais por apresentar respostas comportamentais sólidas e semelhança 16

neuroquímica e fisiológica com mamíferos. Avaliamos a atividade locomotora em termos de 17

velocidade média, distância total percorrida, tempo de freezing e tempo no fundo do tanque 18

durante o período de 60 min do peixe paulistinha sob tratamento agudo, crônico e 19

abstinência de álcool e cafeína. Observamos que a dose média aguda de cafeína e seu uso 20

crônico aumentam a atividade locomotora e diminuem o comportamento tipo-ansioso, 21

enquanto a dose aguda elevada e a cessação do uso continuado provocam elevado 22

comportamento tipo-ansioso. Por outro lado, o uso de dose média de cafeína durante a 23

(23)

21

provoca aumento acentuado da ansiedade. O uso de dose aguda de álcool durante a 25

abstinência de cafeína tem papel inverso, aumentando a atividade locomotora conforme a 26

dose, embora o comportamento tipo-ansioso seja ausente. Concluímos que a análise 27

temporal do comportamento é bastante sensível em permitir o estudo de alterações 28

comportamentais decorrentes da exposição ao álcool e à cafeína, e que o peixe paulistinha 29

oferece a oportunidade de estudos comportamentais e neurofisiológicos mais aprofundados 30

para o entendimento dos mecanismos de ação de drogas de uso indiscriminado pela 31

sociedade. 32

33

Palavras-chave: Atividade locomotora, álcool, cafeína, peixe paulistinha.

34

(24)

22

1. Introdução 36

Álcool e cafeína são substâncias psicoativas largamente consumidas pela população 37

(Fredholm et al., 1999; Goetzel et al., 2003; Gerlai, 2010). Ambas as drogas têm efeitos 38

sobre o sistema nervoso central pela interferência em uma gama de vias moleculares (Nehlig 39

et al., 1992; Hyman e Malenka, 2001; Vengeliene et al., 2008); o consumo excessivo de 40

qualquer destas substâncias pode levar ao desenvolvimento de tolerância, que pode ser 41

observada comportamentalmente (Ocakçioglu et al., 1998; Arias et al., 2012; Tran e Gerlai, 42

2013). Atualmente, estas drogas vêm sendo usadas em associação, e mais comumente o 43

consumo de cafeína é feito em busca de suas ações estimulantes para minimizar os efeitos 44

depressores do álcool após consumo excessivo. 45

O álcool é a droga de abuso legalmente comercializada mais difundidas em nossa 46

sociedade (Ferreira e Willoughby, 2008; National Institute on Alcohol Abuse and 47

Alcoholism, 2008), com alto potencial aditivo. Sabe-se que sua ingestão em doses baixas 48

está associada com a boa saúde física e mental (Weyerer et al., 2011; Chacon e Luchiari, 49

2014), ao contrário, o uso agudo ou crônico de altas doses pode provocar grandes prejuízos 50

às funções fisiológicas e cognitivas (Obernier et al., 2002; Rosenbloom e Pfefferbaum, 51

2004; Crews e Nixon, 2009; Beveridge et al., 2013; Spinello et al., 2013; Luchiari et al., 52

2015). Já a cafeína, muito menos associada a danos sistêmicos, quando usada em baixas 53

doses aumenta a frequência cardiorespiratória, acelera o metabolismo e o estado de alerta, e 54

diminui o cansaço e a fadiga (Braga e Alves, 2000; De Luca et al., 2007). No entanto, seu 55

uso indiscriminado pode causar problemas cardiovasculares, insônia e transtornos de 56

ansiedade (Striley et al., 2011). 57

As duas drogas apresentam efeito bifásico: por exemplo, doses baixas de álcool e 58

(25)

23

aumentam a agressividade (Wilson et al., 2000; Gerlai et al., 2000), aceleram a tomada de 60

decisão (Killgore et al., 2007; Anderson et al., 2011) e melhoram o desempenho em tarefas 61

cognitivas (Angelucci et al., 2002; Chacon e Luchiari, 2014; Luchiari et al., 2015), enquanto 62

doses altas diminuem a locomoção (Tran e Gerlai, 2013; Halldner et al., 2004), causam 63

efeitos gerais depressores (Marin et al., 2011; Rosemberg et al., 2012), prejudicam a 64

formação de memoria (Santos et al., 2016) e o desenvolvimento normal do animal 65

(Rodriguez et al., 2014). Entretanto, esses efeitos dependem do tempo de exposição à droga: 66

o consumo diário e por longos períodos ocasiona o desenvolvimento de tolerância (Tran e 67

Gerlai, 2013; Tran et al., 2015; Luchiari et al., 2015), e a exposição aguda provoca 68

sensibilização, ou seja, doses menores passam a provocar efeitos similares àqueles de doses 69

elevadas nos próximos contatos com a droga (Blaser et al., 2010). Neste sentido, o estudo 70

dos efeitos do álcool e da cafeína no comportamento, tanto em separado quanto em 71

associação, permitirá a investigação dos mecanismos que embasam a ação destas drogas. 72

O peixe paulistinha é considerado modelo para estudos com drogas pela facilidade de 73

administração (Gerlai et al., 2000), alta homologia genética com seres humanos (Crollius e 74

Weissenbach, 2005) e similaridade do sistema nervoso central com mamíferos (Barbazuk et 75

al., 2000; Collier e Echevarria, 2013), o que permite que os resultados de pesquisas sejam 76

translacionais para doenças humanas (Kolb e Whishaw, 1998; Klee et al., 2012). O estudo 77

de Tran e Gerlai (2013) utilizou o paulistinha para caracterizar os efeitos do álcool em 78

diversas doses e tempos de exposição, mostrando mudanças temporais nos padrões de 79

natação avaliados. Embora diversos estudos sobre os efeitos do álcool no comportamento 80

tenham sido conduzidos, não há relatos sobre a caracterização comportamental dos efeito de 81

cafeína ou da combinação álcool-cafeína. Além disso, não se sabe o quanto doses elevadas 82

(26)

24

da tolerância ou sensibilização. A combinação dessas duas drogas é amplamente utilizada 84

pela sociedade, e o presente estudo avalia esta questão. Apresentamos a caracterização 85

temporal detalhada das alterações comportamentais durante a fase aguda de contato com as 86

drogas, concomitante ou não com o uso crônico prévio tanto de álcool quanto de cafeína. 87

Abordamos também a cessação do uso das drogas, visando observar as principais alterações 88

da primeira fase da abstinência. 89

90

2. Materiais e métodos 91

2.1. Procedimentos gerais 92

Peixes paulistinha (Danio rerio) adultos (4 a 5 meses) adquiridos em fazenda de 93

criação local (Natal-RN) foram transferidos para o biotério do Laboratório de Peixes 94

Ornamentais (Departamento de Fisiologia da UFRN) e estocados em tanques (80x25x40cm, 95

50 L) dispostos em sistema de recirculação de água com filtragem mecânica, biológica e 96

química e desinfecção através de luz UV. A temperatura da água permaneceu em 28ºC, o pH 97

em 7,1 e o fotoperíodo adotado foi 12C:12E (claro: escuro). A alimentação ocorreu duas 98

vezes ao dia com Artêmia salina e ração comercial peletizada (38% proteína e 4% lipídeo, 99

Nutricom Pet). 100

Para o tratamento com as drogas, os animais foram transferidos para aquários 101

(50x30x30cm; 30L) sem filtração e recirculação, e a água foi trocada diariamente para 102

assegurar sua qualidade e manter as concentrações desejadas das drogas. A aeração de cada 103

aquário foi mantida com pedras porosas. A qualidade da água, composição química e 104

temperatura foram mantidas as mesmas das condições de estoque, tanto na fase de exposição 105

às drogas quanto na fase de avaliação comportamental. 106

(27)

25

aprovadas pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA n° 045/2015) da UFRN. 108

2.2. Administração de drogas 109

Após a transferência para aquários de 30L, dos animais foram mantidos sem drogas 110

por 5 dias para aclimatação as condições dos aquários. Nesse período, apenas 50% da água 111

foi trocada diariamente. Em seguida, a submissão às drogas teve inicio e foi feita de forma 112

contínua (24h/dia). Empregamos o protocolo 2x3 baseado em Tran e Gerlai (2013), com 113

duas doses crônicas (0mg/L e 50mg/L) e três doses agudas (0mg/L, 50mg/L e 100mg/L) 114

para os tratamentos exclusivos com cafeína. Para os grupos que receberam a combinação de 115

álcool e cafeína, modificamos o protocolo para 2X2, duas doses crônicas e duas agudas, nas 116

quais dois grupos receberam cafeína crônica e álcool agudo e outros dois grupos receberam 117

álcool crônico e cafeína aguda. As doses de cafeína e de álcool foram ministradas de forma 118

gradual para evitar mortalidade dos animais e lentamente tornar o peixe aclimatado às 119

concentrações finais das drogas (Tran e Gerlai, 2013). 120

A administração crônica durou 27 dias e a concentração final foi mantida em 50mg/L 121

de cafeína e 0,50% de álcool. Assim, inicialmente os peixes foram alojados em 12mg/L de 122

cafeína ou 0,125% de álcool durante os dias 1-4, em seguida a dose foi aumentada para 123

25mg/L de cafeína ou 0,250% de álcool para os dias 5-8, foi novamente aumentada para 124

35mg/L de cafeína ou 0,375% de álcool nos dias 9-12, e subsequentemente foi aumentada 125

para 50mg/L de cafeína ou 0,50% de álcool e mantida pelo restante do período de exposição 126

crônica (dias 13-27). 127

No 28º dia, os peixes foram individualmente expostos a uma das doses de cafeína 128

aguda (00, 50 ou 100 mg/L) ou álcool agudo (0.00, 0.50 ou 1.00%) em um tanque de 30L, 129

durante 60 min. Nesse período, o comportamento dos peixes foi registrado individualmente. 130

(28)

26

quais nos referimos considerando C para a concentração crônica e A para a concentração 132

aguda, como se segue: C00A00 (n=10), C00A50 (n=11), C00A100 (n=11), C50A00 (n=12), 133

C50A50 (n=10), C50A100 (n=7). 134

O delineamento 2×2 com álcool e cafeína permitiu a formação de 4 grupos 135

experimentais, aos quais nos referimos considerando C para a concentração crônica (Cc

136

concentração crônica de cafeína e Ca concentração crônica de álcool) e A para a

137

concentração aguda (Ac concentração aguda de cafeína e Aa concentração aguda de álcool),

138

como se segue: Cc50Aa0.50 (n=10), Cc50Aa1.00 (n=13), Ca0.5Ac50 (n=10), Ca0.5Ac100

139

(n=10). 140

2.3. Registro do comportamento 141

No 28º dia de submissão às drogas, os peixes foram individualmente expostos à dose 142

aguda de cafeína ou álcool (acima descrito) durante 1 hora e o comportamento dos animais 143

foi registrado em vídeo (Sony Digital Vídeo Câmera Recorder; DCR-SX45). Os arquivos de 144

vídeo foram transferidos e analisados utilizando o software ZebTrack desenvolvido em 145

MatLab (Pinheiro-da-Silva et al., unpublished results). Para caracterização dos efeitos das 146

drogas nos indivíduos, foram considerados os seguintes parâmetros: velocidade média de 147

natação, distância total percorrida, tempo em freezing. ocupação da região do fundo do 148

aquário (entre 0 e 6 cm da base do tanque). 149

2.4. Análises estatísticas 150

Foram realizadas análises iniciais de normalidade e homoscedasticidade dos dados. A 151

análise temporal, ao longo dos 60 min, foi realizada utilizando Anova para medidas 152

repetidas (RM Anova) para cada grupo experimental. Todos os parâmetros locomotores 153

(velocidade média, distância total percorrida, freezing e tempo de permanência no fundo do 154

(29)

27

seguida de Teste post hoc Tukey HSD para identificar diferenças entre os grupos. RM 156

Anova foi utilizada para comparar os três blocos de tempo (0-20, 21-40, 41-60 min) dentro 157

de cada grupo. Realizamos Anova Two Way para comparar o efeito das substâncias ao 158

longo dos três blocos de tempos. Para todos os testes, adotamos o nível de significância de 159

5%. 160

161

3. Resultados 162

3.1. Tratamento com cafeína 163

A análise da velocidade média sugere que a cafeína tem efeito temporal neste 164

comportamento (Fig. 1). Houve efeito dos grupos (Anova Two Way, F=31,54; p<0,001) sob 165

os comportamentos. Não houve efeito do tempo (Anova Two Way, F=0,62; p=0,54), nem do 166

tempo sob os grupos (Anova Two Way, F=0,47; p=0,87). A análise por RM Anova 167

confirmou estas observações e mostrou efeito significativo do tratamento com dose média 168

aguda de cafeína - C00A50 (F=2.66, p<0.001) e do tratamento crônico com cafeína - 169

C50A50 (F=1.83, p<0.001). O grupo controle teve resultado inverso àquele do grupo sob 170

tratamento crônico (RM Anova, F=3.54, p<0.001). A trajetória temporal dos grupos sob 171

tratamento agudo alto de cafeína (C00A100), abstinência (C50A00) e aumento agudo da 172

dose (C50A100) não foi significativo (RM Anova, C00A100: F=0.90, p=0.62; C50A00: 173

F=0.94 p=0.60; C50A100: F=1.09, p=0.31). A análise das médias dos intervalos de 20 min 174

mostrou que o tratamento agudo de 50mg/l (C00A50) tem efeito significativo no aumento da 175

velocidade média entre 20 e 40 min da exposição (RM Anova, F=4.17, p=0.03) e o efeito do 176

uso continuado de cafeína foi inverso ao grupo controle, com menor velocidade nos 20 min 177

iniciais da observação (RM Anova, C00A00: F=9.55, p=0.002; C50A50: F= 7.27, p=0.006). 178

(30)

28

F=0.06, p=0.94; C50A00: F=1.88, p=0.18; C50A100: F=0.46, p=0.64). O teste post hoc de 180

Tukey HSD feito em busca de diferenças entre os grupos indicou que houve diferença 181

significativa (p<0.05) entre C50A100 em relação a C00A50, C00A100 e C50A00, e o grupo 182

C50A50 diferiu significativamente dos grupos C00A50 e C00A100. 183

Nós também avaliamos a distância total percorrida nos 60 min de análise (Fig. 2). 184

Este parâmetro é calculado a partir da localização central do animal em relação à amostra 185

imediatamente anterior, e indica a quantidade de deslocamento do indivíduo. O padrão geral 186

de variação de deslocamento parece similar aos resultados encontrados para velocidade 187

média. Houve efeito dos grupos (Anova Two Way, F=22,69; p<0,001) sob os 188

comportamentos. Não houve efeito do tempo (Anova Two Way, F=0,49; p=0,62), nem do 189

tempo sob os grupos (Anova Two Way, F=0,30; p=0,96). A RM Anova detectou efeito 190

temporal significativo nos grupos tratados com cafeína aguda 50mg/L (F=2.46, p<0.001) e 191

cafeína crônica (F=1.84, p<0.001). O grupo controle apresentou maior distância percorrida 192

nos 20 min iniciais e diminuição deste comportamento no restante do tempo (RM Anova, 193

F=3.40, p<0.001). A mesma análise não indicou diferença temporal para os outros grupos 194

(C00A100: F= 0.91, p=0.67; C50A00: F=1.16, p=0.20; C50A100: F=0.96, p=0.56). 195

A comparação entre os blocos de 20 min indicou haver diferença significativa no 196

grupo controle (RM Anova, F=10.02, p=0.002) e no tratamento crônico com cafeína (RM 197

Anova, F=7.27, p=0.006), o controle com maior distancia percorrida nos 20 min iniciais e o 198

grupo crônico com decréscimo do deslocamento no tempo. Os outros grupos não mostraram 199

diferença entre intervalos de tempo (RM Anova, C00A50: F=3.39, p=0.056; C0A100: 200

F=0.08, p=0.92; C50A00: F=1.43, p=0.26; C50A100: F=0.46, p=0.64). O teste post hoc de 201

Tukey HSD entre os grupos mostrou que apenas o grupo C50A100 diferiu do grupo controle 202

(31)

29

Fig. 1. Velocidade média dos grupos expostos a tratamento com cafeína ao longo de intervalo de 60

204

min. A letra C representa exposição crônica e os valores que seguem são as concentrações da cafeína utilizadas

205

(00 e 50mg/L). A letra A representa exposição aguda de cafeína e os valores que seguem são as concentrações

206

de cafeína usadas (00, 50 e 100mg/L). Os gráficos (a) C00A00 (n=9), (c) C00A50 (n=10), (e) C00A100

207

(n=10), (g) C50A00 (n=11), (i) C50A50 (n=9) e (k) C50A100 (n=9) apresentam velocidade média minuto a

208

minuto ± SEM (RM Anova, resultados estatísticos vide texto). Os gráficos (b), (d), (f), (h), (j) e (l)

209

representam a comparação entre os três blocos de tempo de velocidade média ± SEM (0-20, 21-40, 41-60min).

210

Letras minúsculas indicam diferença estatística entre os blocos de tempo (Rm Anova, p<0.05).

211 212

0 10 20

30 (a) C00A00 (b) C00A00

b

a a

0 10 20

30 (c) C00A50 (d) C00A50

b a

a

0 10 20

30 (e) C00A100 (f) C00A100

0 10 20

30 (g) C50A00 (h) C50A00

(i)C50A50 (j) C50A50

a b b

0 10 20 30

1 min - time intervals (k)C50A100

0 10 20 30 40 50

60 0-20min 21-40min 41-60min

20 min - time intervals (l) C50A100

Ave

ra

g

e spee

d

(c

m/

(32)

30

(p<0.001). Já o grupo C50A50 diferiu dos grupos C00A50 (p<0.001) e do grupo 213

C00A100 (p=0.01). 214

O comportamento de freezing foi avaliado como indicador de estresse/ansiedade. 215

Este parâmetro parece ser afetado pelo tratamento com cafeína (Fig. 3). Houve efeito dos 216

grupos (Anova Two Way, F=22,04; p<0,001) sob os comportamentos. Não houve efeito do 217

tempo (Anova Two Way, F=0,41; p=0,66), nem do tempo sob os grupos (Anova Two Way, 218

F=0,47; p=0,87). A RM Anova da trajetória temporal minuto a minuto demonstrou efeito 219

significativo da dose aguda média (50mg/L) e alta (100mg/L) de cafeína (C00A50: F=1.80, 220

p<0.001; C00A100: F=2.67, p<0.001), do pré-tratamento com cafeína e retirada da droga 221

(F=1.65, p<0.002) e do pré-tratamento com aumento da dose de forma aguda (F=2.32, 222

p<0.001). A análise dos outros grupos não indicou diferença significativa na trajetória 223

temporal (C00A00: F=0.63, p=0.99; C50A50: F=0.98, p=0.51). Quando analisamos as 224

médias de blocos de 20 min para o comportamento de freezing, a RM Anova mostrou haver 225

diferença significativa com alto freezing nos 20 min iniciais do grupo que recebeu dose 226

crônica de cafeína (F=6.14, p=0.01) e aumento progressivo do freezing nos 3 blocos de 227

tempo para o grupo em abstinência de cafeína (F=4.28, p=0.02). Os outros grupos não 228

apresentaram diferença entre os blocos de 20 min (RM Anova, C00A00: F=0.21, p=0.81; 229

C00A50: F=2.75, p=0.09; C00A100: F=0.19, p=0.83; C50A100: F=0.11, p=0.89). O teste 230

post hoc de Tukey HSD em busca de diferenças entre os grupos para cada intervalo de 20 231

min demonstrou que o grupo em abstinência de cafeína difere dos grupos controle e 232

tratamento crônico com cafeína nos intervalos de 20 a 40 min (p<0.05) e 40 a 60 min 233

(p<0.05), mas não ha diferença entre os grupos nos 20 min inicias da observação (p>0.05). 234

235

(33)

31

Fig. 2. Distância total percorrida dos grupos expostos à cafeína ao longo de intervalo de 60 min. A

237

letra C representa exposição crônica a cafeína e os valores que segue são as concentrações utilizadas (00 e

238

50mg/L). A letra A representa exposição aguda de cafeína e os valores que seguem são as concentrações

239

utilizadas (00, 50 e 100mg/L). Os gráficos (a) C00A00 (n=9), (c) C00A50 (n=10), (e) C00A100 (n=10), (g)

240

C50A00 (n=11), (i) C50A50 (n=9) e (k) C50A100 (n=9) apresentam distância total percorrida minuto a minuto

241

± SEM (RM Anova, Resultados estatísticos vide texto). Os gráficos (b) C00A00 (n=9), (d) C00A50 (n=10), (f)

242

C00A100 (n=10), (h) C50A00 (n=11), (j) C50A50 (n=9) e (l) C50A100 (n=9) representam comparação entre

243

os três blocos de tempo de distância total percorrida ± SEM (0-20, 21-40, 41-60min). Letras minúsculas

244

indicam diferença estatística entre os blocos de tempo RM Anova, p<0.05).

245

0 500 1000

1500 (a) C00A00 (b) C00A00

b a a

0 500 1000

1500 (c) C00A50 (d) C00A50

0 500 1000

1500 (e) C00A100 (f) C00A100

0 500 1000

1500 (g) C50A00 (h) C50A00

0 500 1000

1500 (i) C50A50 (j) C50A50

a

b b

0 500 1000 1500

1min - time intervals (k) C50A100

0 10 20 30 40 50 60

0-20min 21-40min 41-60min 20 min- time intervals (l) C50A100

Tota

l di

stanc

e tra

v

eled (

(34)

32 246

Fig. 3. Tempo de freezing dos grupos expostos à cafeína ao longo de intervalo de 60 min. A letra C

247

representa exposição crônica e os valores que seguem são as concentrações da cafeína utilizadas (00 e

248

50mg/L). A letra A representa exposição aguda de cafeína e os valores que seguem são as concentrações da

249

cafeína utilizadas (00, 50 e 100mg/L). Os gráficos (a) C00A00 (n=9), (c) C00A50 (n=10), (e) C00A100

250

(n=10), (g) C50A00 (n=11), (i) C50A50 (n=9) e (k) C50A100 (n=9) apresentam freezing minuto a minuto ±

251

SEM (RM Anova, Resultados estatísticos vide texto). Os gráficos (b), (d), (f), (h), (j) e (l) representam

252

comparação entre os três blocos de tempo de freezing ± SEM (0-20, 21-40, 41-60 min). Letras minúsculas

253

indicam diferença estatística entre os blocos de tempo (RM Anova, p<0.05).

254 255

0 20

40 (a) C00A00 (b) C00A00

0 20

40 (c) C00A50 (d)C00A50

0 20

40 (e) C00A100 (f)C00A100

0 20

40 (g) C50A00 (h)C50A00

b a

c

0 20

40 (i) C50A50 (j)C50A50

a a b

0 20 40

1 min - time intervals (k) C50A100

0 10 20 30 40 50 60

0-20min 21-40min 41-60min 20 min - time intervals (l)C50A100

F

re

ez

(35)

33

Adicionalmente, medimos também o tempo que os animais de cada grupo 256

experimental permaneceram próximos ao fundo do tanque. Este tempo pode também ser um 257

parâmetro comportamental sensível aos efeitos da cafeína, pois depende do nível de medo e 258

da função motora dos animais (Rosemberg et al. 2012). A RM Anova demonstrou que 259

apenas os grupos C00A50 e C50A50 apresentaram diferença ao longo dos 60 minutos de 260

observação (C00A00: F=1.33, p=0.06; C00A50: F=3.24, p<0.001; C00A100: F=1.28, 261

p=0.09; C50A00: F=0.76, p=0.91; C50A50: F=2.95, p<0.001; C50A100: F=1.06, p=0.38). 262

A comparação do tempo médio total de permanência na parte inferior do tanque através de 263

Anova identificou diferença entre os grupos (F=11.44, p<0.001), sendo os grupos de 264

tratamento agudo alto (100mg/l) e pré-tratamento com aumento da dose (C50A100) que 265

tiveram os maiores tempos na área do fundo, e o grupo controle o menor tempo (Fig. 4). 266

267

268

Fig 4. Tempo médio ±SEM de permanência no fundo do tanque pelos grupos expostos à cafeína. A

269

letra C representa exposição crônica e os valores que seguem são as concentrações da cafeína utilizadas (00 e

270

50mg/L). A letra A representa exposição aguda de cafeína e os valores que seguem são as concentrações da

271

cafeína usadas (00, 50 e 100mg/L). Letras minúsculas indicam diferença estatística entre os grupos (One Way

272 Anova, p<0.05). 273 274 275 276 0 10 20 30 40 50

C00A00 C00A50 C00A100 C50A00 C50A50 C50A100

(36)

34

3.2. Tratamento com álcool e cafeína 277

A análise de velocidade média indicou que o tratamento com combinação das 278

substâncias (álcool e cafeína) exerce efeito temporal neste comportamento (Fig. 5). Houve 279

efeito dos grupos (F=9,74; p<0,001) e dos grupos sob o tempo (F=4,20; p<0,001) nos 280

comportamentos. Não houve efeito do tempo (F=0,08; p=0,92). A análise por RM Anova 281

mostrou que o grupo Ca0.50Ac50 (F=2.66, p<0.001) apresentou variação significativa da

282

velocidade média ao longo dos 60min de análise. Os grupos Ca0.50Ac100, Cc50Aa0.50 e

283

Cc50Aa1.00 não apresentaram diferença de velocidade média na trajetória temporal (RM

284

Anova, Ca0.50Ac100: F=1.13, p=0.26; Cc50Aa0.50: F=0.90, p=0.68; Cc50Aa1.00: F=0.94,

285

p=0.60). Houve diferença significativa entre as médias de blocos de 20 min para a 286

velocidade média apenas no grupo Ca0.50Ac50 (RM Anova, F=3.58, p=0.04; Fig. 5b),

287

enquanto os outros grupos não tiveram diferenças significativas (RM Anova, Ca0.50Ac100:

288

F=0.36, p=0.70; Cc50Aa0.50: F=0.82, p=0.45; Cc50Aa1.00: F=0.34, p=0.72). O teste post

289

hoc de Tukey HSD entre os grupos mostrou que apenas o grupo Ca0.50Ac50 diferiu

290

significantemente (p<0.05) de todos os outros grupos. 291

Para a distância total percorrida, houve efeito dos grupos (Anova Two Way, F=9,67; 292

p<0,001) e dos grupos sob o tempo (Anova Two Way, F=3,98; p<0,001) nos 293

comportamentos. Não houve efeito do tempo (Anova Two Way, F=0,18; p=0,84). 294

Novamente apenas o grupo Ca0.50Ac50 apresentou diferença ao longo dos 60 minutos (RM

295

Anova, Ca0.50Ac50 F=1.44, p=0.002, Fig.6a). Os grupos Ca0.50Ac100, Cc50Aa0.50 e

296

Cc50Aa1.00 não apresentaram diferença significativa na trajetória temporal (RM Anova,

297

Ca0.50Ac100: F=1.12, p=0.28; Cc50Aa0.50: F=0.94, p=0.6; Cc50Aa1.00: F=0.99, p=0.51).

298

Apenas o grupo Ca0.50Ac50: mostrou diminuição da distância percorrida nos 20 min

299

(37)

35

Fig. 5. Velocidade média dos grupos expostos a tratamento com álcool e cafeína ao longo de intervalo

301

de 60 min. A letra C representa exposição crônica ao álcool (Ca) ou cafeína (Cc) e os valores que seguem são as

302

concentrações de álcool (0.50%) ou cafeína (50mg/L) utilizadas. A letra A representa exposição aguda ao

303

álcool (Aa) ou cafeína (Ac) e os valores que seguem correspondem as concentrações de álcool (0.50% e 1.00%)

304

ou cafeína (50 mg/L e 100 mg/L) usadas. Os gráficos (a) Ca0.50Ac50 (n=9), (c) Ca0.50Ac100 (n=7), (e)

305

Cc50Aa0.50 (n=10), e (g) Cc50Aa1.00 (n=10) apresentam a velocidade média minuto a minuto ± SEM (RM

306

Anova, Resultados estatísticos vide texto). Os gráficos (b) Ca0.50Ac50, (d) Ca0.50Ac100, (f) Cc50Aa0.50, (h)

307

Cc50Aa1.00 representam comparação entre os três blocos de tempo de velocidade média ± SEM (0-20, 21-40,

308

41-60 min). Letras minúsculas indicam diferença estatística entre os blocos de tempo (RM Anova, p<0.05).

309 310

Não houve diferença significativa entre os grupos Ca0.50Ac100, Cc50Aa0.50 e

311

Cc50Aa1.00 na comparação entre os intervalos de 20min de observação (RM Anova,

312

Ca0.50Ac100: F=0.16, p=0.84; Cc50Aa0.50: F=1.10, p=0.35; Cc50Aa1.00: F=0.46, p=0.64).

313

O teste post hoc de Tukey HSD entre os grupos mostrou que o grupo Ca0.50Ac50 diferiu

314

0 30

60 (a) Ca0.5Ac50 (b) Ca0.5Ac50

b b

a

0 30

60 (c) Ca0.5Ac100 (d) Ca0.5Ac100

0 30

60 (e) Cc50Aa0.50 (f) Cc50Aa0.50

0 30 60

1min - time intervals (g) Cc50Aa1.00

0 10 20 30 40 50 60

0-20min 21-40min 41-60min 20 min - time intervals (h) Cc50Aa1.00

Ave

ra

g

e spee

d

(c

m/

(38)

36

significantemente (p<0.05) de todos os outros grupos, sendo os outros grupos (Ca0.50Ac100,

315

Cc50Aa0.50 e Cc50Aa1.00) semelhantes entre si (p<0.05).

316

Nos resultados de freezing, houve efeito dos grupos (Anova Two Way, F=2,55; 317

p=0,04) e dos grupos sob o tempo (Anova Two Way, F=4,18; p<0,001) nos 318

comportamentos. Não houve efeito do tempo (Anova Two Way, F=0,33; p=0,72). Os grupos 319

Ca0.50Ac50, Ca0.50Ac100 e Cc50Aa1.00 apresentaram diferença significativa ao longo dos

320

60min de observação (RM Anova, Ca0.50Ac50: F=1.44, p=0.02; Ca0.50Ac100: F=1.77,

321

p<0.001; Cc50Aa1.00 F=1.55, p=0.007, Fig. 7). O grupo Cc50Aa0.50 não apresentou

322

diferença significativa na trajetória temporal (RM Anova, F=1.01, p=0.46). Não houve 323

diferença significativa entre os grupos nos intervalos de 20min de observação (RM Anova, 324

Ca0.50Ac50: F=13.41, p=0.29; Ca0.50Ac100: F=0.62, p=0.56; Cc50Aa0.50: F=4.20, p=0.12;

325

Cc50Aa1.00: F=0.09, p=0.91). O teste post hoc de Tukey HSD entre os grupos mostrou que

326

o grupo Ca0.50Ac100 diferiu significantemente (p<0.05) dos outros grupos.

327

Quanto ao tempo de permanência no fundo do tanque, a RM Anova indicou que o 328

grupo Ca0.50Ac50 diferiu significativamente durante a trajetória temporal, enquanto os

329

outros grupos não diferiram (Ca0.50Ac50: F=1.95, p<0.001; Ca0.50Ac100: F=1.28, p=0.95;

330

Cc50Aa0.50: F=0.74, p=0.93; Cc50Aa1.00: F=0.73, p=0.93). O tempo médio total de

331

permanência na parte inferior do tanque não diferiu entre os grupos (Anova, F=0.57, 332

p=0.69). 333

334

(39)

37

Fig. 6. Distância total percorrida dos grupos expostos a tratamento com álcool e cafeína ao longo de

336

intervalo de 60 min. A letra C representa exposição crônica ao álcool (Ca) ou cafeína (Cc) e os valores que

337

seguem são as concentrações de álcool (0.50%) ou cafeína (50mg/L) utilizadas. A letra A representa exposição

338

aguda ao álcool (Aa) ou cafeína (Ac) e os valores que seguem correspondem as concentrações de álcool (0.50%

339

e 1.00%) ou cafeína (50 mg/L e 100 mg/L) usadas. Os gráficos (a) Ca0.50Ac50 (n=9), (c) Ca0.50Ac100 (n=7),

340

(e) Cc50Aa0.50 (n=10), e (g) Cc50Aa1.00 (n=10) apresentam a distância total percorrida minuto a minuto ±

341

SEM (RM Anova, Resultados estatísticos vide texto). Os gráficos (b) Ca0.50Ac50, (d) Ca0.50Ac100, (f) 342

Cc50Aa0.50, (h) Cc50Aa1.00 representam comparação entre os três blocos de tempo da distância total 343

percorrida ± SEM (0-20, 21-40, 41-60min). Letras minúsculas indicam diferença estatística (p<0.05) entre os

344

blocos de tempo (RM Anova, p<0.05).

345 346

0 1000 2000

3000 (a) Ca0.5Ac50 (b) Ca0.5Ac50

b b

a

0 1000 2000

3000 (c) Ca0.5Ac100 (d) Ca0.5Ac100

0 1000 2000

3000 (e) Cc50Aa0.5 (f) Cc50Aa0.50

0 1000 2000 3000

1min - time intervals (g) Cc50Aa1.0

0 10 20 30 40 50 60 0-20min 21-40min 41-60min

20 min - time intervals (h) Cc50Aa1.00

Tota

l di

stanc

e tra

v

eled (

Imagem

Fig. 1. Velocidade média dos grupos expostos a tratamento com cafeína ao  longo de intervalo de 60  204
Fig.  2.  Distância  total  percorrida  dos  grupos  expostos  à  cafeína  ao  longo  de  intervalo  de  60  min
Fig. 3.  Tempo de freezing dos grupos expostos à cafeína ao longo de intervalo de 60 min
Fig  4.  Tempo  médio  ±SEM  de  permanência  no  fundo  do  tanque  pelos  grupos  expostos  à  cafeína
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Referências

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