UNIVERSIDADE DE SAo PAULO INSTITUTO DE FfsICA DE SAo CARLOS
C R I S T A L O G R A F I A E S T R U T U R A L A P L I C A D A A C O M P L E X O S O R G A N O -M E T A L I C O S
Marcos Roberto Bonfadini
USP llFQSC
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1111111111I111111 11111 1111111111 !IIIIIIIII !II!111I
8·2·001192
Dissertac;ao apresentada ao Instituto de Fisica de Sao Carlos, da Universidade de Sao Paulo, para obten<;ao do titulo de
Bonfadini, Marcos Roberto
Cristalografia estrutural aplicada a complexos organometalicos. jMarcos Roberto Bonfadini.-Sao Carlos, 1998.
<156> p.
Orientador: Prof.Dr.Glaucius Oliva
'111 ~
11'Di-S_S_S
~~I~i~s~~~~~
""lllIIIIIIII In s titu to d e F fs ic a d e S e o C a rlo s
Av. Dr. Carlos botelho, 1465 CEP 13560-250 - Sao Carlos - SP Brasil
Fone (016) 274-3444 Fax (016) 272-2218
Aos m e u s q u e rid o s p a is C 1 e id e e D e m ir
"Eia, bradou-me 0 mestre, ergue-te e vem!
...0 que a rotina ingl6ria se acostuma
nao deixara de si na terra trac;o
mais que a fumac;ano ar e na agua a espuma.
Suplanta com denodo, 0 teu cansac;o,
pela forc;ainterior, que na batalha
ao extimine her6i sustenta 0 brac;o.
Mais alta,
a
frente, fica outra muralha;noo nos basta esta aqui ter escalado.
Avante, pois: que a minha voz te valha!"
Divina Comedia
Inferno, Canto XXIV
VirgI1io
a
DanteEste trabalho teve 0apoio
A g r a d e c i m e n t o s
Ao escrever esta dissertac;ao eu me beneficiei da ajuda e conselhos de mais
amigos e colegas que eu possa de uma maneira propria agradecer:
• obrigado ao Prof.Glaucius, pela proficua contribuic;ao
a
minha formac;ao cientffica e profissional;• a todo 0 pessoal do Grupo de Cristalografia pelo companheirismo e
apOlO;
No Capitulo 1, as fundamentos da cristalografia de raios X estao
suscin-tamente descritos.
No Capftulo 2, seis estruturas de pequenas moleculas contendo atomos pesados em sua constitui<";ooforam determinadas. As quais soo resumidas a
1) [Ru2C15(CO)(PPh3)3], Mr = 1194,21, cristaliza-se no sistema mer noclfnico, grupo espacial P2t/c; com a
=
14, 618(4)A, b=
18,043(7)A, c=
20,31(3)A ; 13=99,81(5)°; V
=
5277(8)A3; Z=
4; Deale=
1,503gcm-3;>-.(MoKa) = 0,71073A; f.L
=
0,954 mm-1; F(OOO)=
2404; R=
0,0538para 9281 reflexoes independentes e 487 parfimetros refinados. Os atom as de Ru estoo ligados em ponte atraves de tres finions Cl. Urn atomo de Ru e coordenado a dais outros atomos de Cl e a urn ligante PPh3, a outro atomo de Ru esta coordenado a dais ligantes PPh3 e a uma molecula de CO.
2) [RuCb(dppb)R20], Mr = 651,88, cristaliza-se no sistema ortorrom-bico, grupo espacial Pbca; com a
=
14, 932(1)A, b=
18, 133(3)A, c=
20, 594(3)A ; V
=
5576,0(1)A3; Z=
8; Deale=
1,553gcm-3; >-.(MoKa) =0, 71073A; f.L
=
0,985 mm-1; F(OOO)=
2648; R=
0,0461 para 4892 reflexoes independentes e 316 parfimetros refinados. 0 complexo e hexacoordenado. Os atomos P encontram-se em posi<";oocis, urn em rela<";ooao outro, forman do urn complexo pr6ximo de uma estrutura oetaedrica. Esta estrutura apresen-tau intera<";aointermolecular Cl.. .R. A distfincia entre a R de uma molecula e a Cl e de 2,48(2)A.3) [FeC19H19N3S],Mr = 377,28, cristaliza-se no sistema monoclfnico, grupo espacial P2t/n; com a
=
11, 715(2)A, b=
7, 830(2)A, c=
18, 728(3)A;13=91.570(1)°; V
=
1717, 1(6)A3; Z=
4; Deale=
1,459gcm-3; >-'(MoKa) =independentes e 218 parttmetros refinados. 0 complexo
e
formado por urnatomo de Ferro decacoordenado em uma extremidade e na ou tra existe urn anel aromatico, indican do que os radicais genericos mostrados na Se~ao (2.5) sao R'= CH3, X=Sl e R"=fenil.
4) [pyH][RuCLt(dmso)(py)].(CH2C12h/2' Mr = 562,11, cristaliza-se no sistema triclinico, grupo espacial P I ; com a
=
7, 7608(1)A, b=
8, 5451(1)A, e = 15,095(5)A; a = 8 8 ,2 7 ( 2 ) 0 , ,1 3 = 7 9 ,3 3 ( 2 ) ° , 1 '= 8 8 ,7 7 ( 1 ) ° ; V = 983,2(4)A3;Z
=
2; D e a l e=
1,899 g e m -3; > " ( C u K a )=
1,54184 A; f.L=
15,001 m m -1;F ( O O O )= 556; R = 0,0886 para 2909 reflexOes independentes e 204
parttme-tros refinados. 0 Ru esta oetaedricamente coordenado a quatro atomos Cl coplanares, a urn N do anel de uma piridina e ao dmso, em posi~ao t r a n s entre si. Urn outro grupo piridina protonado, que forma 0 cation da estrutura,
completa a estrutura.
5) [RuC12(COh(AsPh3h], Mr = 840,43, cristaliza-se no sistema
mo-noclinico, grupo espacial P 2 t / n ; com a = 1O,520(2)A, b = 25,823(5)A, e =
12, 780(2)A; ,13=100,740(1)°;V = 3411, 0(1)A3; Z = 4; D e a l e = 1,637 g e m -3;
> " ( C u K a ) = 1,54184 A; f.L = 7,576 m m -1; F ( O O O )
=
1672; R=
0,0739para 4284 refiex6es independentes e 406 parttmetros refinados.O atomo de Ru esta ligado a dois atomos de Cl e a duas moleculas CO, que formam aproximadamente urn plano entre si. Os CO's estao em posi~ao t r a n s em rela~ao aos Cl's. 0 atomo de Ru tambem apresenta coordena~ao com duas
6) [Ru2CIBr4(CO)(AsPhsh(PPhs)].CH2C12, Mr = 1544,88,
cristaliza-se no sistema monoclinico, grupo espacial P 2 d e ; com a = 14, 766(2)A, b
=
18, 519(2)A, e = 20, 730(4)A; ,1 3= 100,085(1)°; V=
5581, 2(1)A3; Z=
4;refi-nados. 0 cornplexo e forrnado por dois ,Homos de Ru em ponte atraves de tr~ §,nions Br. Urn ,Homo de Ru e tarnbern coordenado a urn atorno Br, a urn CI e a urn ligante trifenilfosfina. 0 outra atorno de Ru esta ligado a duas trifenilarsinas e a urna rnolecula de rnon6xido de carbono.
In Chapter 1, the basic principles of X-ray crystallography that have been
used in this work are briefly described.
In Chapter 2, six small molecule structures with heavy atoms are
pre-sented. They are summarized as follows:
1) [Ru2CI5(CO)(PPh3hL Mr
=
1194,21, crystallizes in the monoclinic system, space group P2tfc; a=
14, 618(4)A, b=
18, 043(7)A, c=
20, 31(3)A; f3
=
99,81(5)°; V = 5277(8)A3; Z = 4; Deale=
1,503gcm-3; >'(MoKa) =0,71073A; Jl
=
0,954 mm-1; F(OOO)=
2404; R=
0,0538 for 9281 inde-pendent reflections and 487 refined parameters. This triply chloro-bridged binuclear complex is formed by two Ru atoms bridged through three chloride anions. One Ru atom is further coordinated to two non-bridging Cl atoms and a triphenylphosphine ligand, whereas the other is bonded to two PPh3 ligands and to a carbon monoxide molecule.2) [RuCh(dppb)H20], Mr
=
651,88, crystallizes in the orthorhombic system, space group Pbca; a = 14, 932(I)A, b=
18, 133(3)A, c=
20, 594(3)A; V = 5576,0(I)A3; Z
=
8; Deale=
1,553gcm-3; >'(MoKa)=
0, 71073A; f-L =0,985 mm-1
; F(OOO)
=
2648 ; R=
0,0461 for 4892 independent reflectionsand 316 refined parameters. The complex is hexacoordinated. The P atoms are in cis position to each other, forming a octhaedrical structure. This structure shows an intermolecular interaction between one Cl atom from one complex and a water hydrogen of a neighboring complex in the lattice, with Cl...H distance of 2,48(2)A.
3) [FeC19H19N3S],Mr = 377,28, crystallizes in the monoclinic system,
space group P21/n; a
=
11,715(2)A, b=
7,830(2)A, c=
18, 728(3)A;f3 = 91,570(1)°; V = 1717, 1(6)A3; Z =4; Deale = 1,459gcm-3
; >'(MoK a) =
indepen-dent reflections and 218 refined parameters. This complex shows a decaco-ordinated Fe atom in one end of the molecule and an aromatic ring in the other, showing that the gereric radicals in Section (2.5) are R'= CH3, X=Sl
and R" =phenyl.
4) [pyH][RuCLt(dmso)(py)].(CH2Cb)1/2, Mr
=
562,11, crystallizes in the triclinic system, space group pI; a=
7, 7608(1)A, b=
8, 5451(1)A, C=
15,095(5)A; a=
88j27(1)°, f3=
79,33(2)°, ,=
88,77(lt; V = 983, 2(4)A3;Z
=
2; Deale=
1, 906 gcm~3j >"(CuKa)=
1,54184 Aj 11=
15, 001 mm-1;F(OOO)
=
556; R=
0, 0886 for 2909 independent reflections and 204 refinedparameters. The Ru ion is octahedrally coordinated to four co-planar chloride atoms and to the nitrogen of the pyridine ring, which are trans to each other. Another protonated pyridine group, which forms the counter-cation complete the crystal struet ure.
5) [RuCb(COh(AsPh3hJ, !llr
=
840,43, crystalizes in the monoclinicsystem, space group P2t/n; a = 10, 520(2)A, b
=
25, 823(5)A, C=
12, 780(2)A;f3 = 100,740(1)°; V
=
3410, 8(1)A3; Z=
4; Deale=
1,637gcm-3; >..(CuKa)=
1,54184 A; JL=
7,576mm-\
F(OOO)=
1672; R=
0,0759 for 4284 indepen-dent reflections and 406 refined parameters. This complex shows a Ru atom bonded to two Cl atoms and to two CO molecules, which aproximatelly form a plane between then. The CO's are trans to the chlorides and the Ru further presents a coordination to two PPh3.6) [Ru2ClBr4(CO)(AsPh3h(PPh3)].CH2Cb, Mr = 1544,88,
crystal-lizes in the monoclinic system, space group P2tfcj a = 14,766(2)A, b
=
18, 519(2)A, C = 20, 730(4)A; f3
=
100,085(1)°; V=
5581, 2(1)A3; Z=
4; Deale=
1,839 gcm-3; >"(CuKa)=
1,54184 A; JL = 10,947 m m -1j F(OOO)=
3004; R = 0, 0955 for 5738 independent reflections and 493 refined
One Ru atom is further coordenated to a Br atom, to a CI atom and to a triphenylphosphine ligand, whereas the other is bonded to two AsPh3 and to
a carbon monoxide molecule.
~
I n d i c e
1.1 Apresenta<;80 . . . .. 23 1.2 Urn Breve Hist6rico Sobre os Primeiros Anos da Cristalografia 24 1.3 Espalhamento de Raio X Pela Materia . . .
1.3.1 Espalhamento Por Urn Eletron Livre
1.3.2 Espalhamento Por Uma Distribui<;ao Arbitraria de
Car-gas .
1.3.3 Espalhamento Por Urn Atomo
1.3.4 Espalhamento Por Urn Grupo de Atomos .
1.3.5 Difra<;80Por Urn Grupo de Atomos ou Moleculas Num Arranjo Regular Tridimensional
1.4 Fator de Estrutura 1.5 Dispersao Anemala
1.9.2 Metodos Probabilisticos . 1.9.3 Procedimentos para a Determinac;ao de Fases
2 M e t o d o s E x p e r i m e n t a i s
2.1 Teoria da Parte Experimental 2.1.1 Lei Bragg
2.1.2 () < J J \ D - 4
2.1.3 ()btenc;ao da <Jela Unitaria . 2.1.4 Medida das Intensidades .. 2.1.5 Correc;iio Devido
a
Polarizac;iio . 2.1.6 Correc;iio de Lorentz .. . . . 2.1.7 Correc;iio Devidoa
J\bsorc;ao . 2.1.8 Extinc;6es Sistematicas . . . .2.1.9 Refinamento por Mfnimos Quadrados .
2.2 Considerac;6es Iniciais .
[ R u 2 C 1 5 ( C O ) ( P P h s ) s ] .
2.3.1 Descric;iio da Estrutura e <JonclusOes
2.4 E s t r u t u r a C r i s t a l i n a d o
[ R u C l s ( d p p b ) H 2 0 ] .
2.4.1 Descric;iio da Estrutura e <JonclusOes
2.5 E s t r u t u r a C r i s t a l i n a d o
[ F e C 1 9 H 1 9 N s S ] .
2.5.1 Descric;iio da Estrutura e ConclusOes
2.6 E s t r u t u r a C r i s t a l i n a d o
[ p y H ] [ R u C 14 (d m s o ) ( p y ) ] . ( C H 2 C 1 2 )1/2 .
2.6.1 Descric;iio da Estrutura e <JonclusOes
[ R u C h ( C O h ( A s P h s h l . 2.7.1 Descri<;ao cia Estrutura e ConclusOes 2.8 E s t r u t u r a C r i s t a l i n a d o
[ R u 2 C I B r4( C O ) ( A s P h3
h
( P P h3 ) ] . C H2C h2.8.1 Descri<;ao cia Estrutura e ConclusOes
· 120 · 120
L i s t a
d e F i g u r a s
1.1 Espalhamento devido a uma distribui<;iioarbitniria de cargas. 27
1.2 Fator de estrutura F
(H) . . . .
331.3 Sfntese de urn Mapa de Patterson de uma estrutura conhecida. 38
1.4 0 fator de estrutura
F(H)
e suas componentesF1(H)
eFp(H),
1.6 A rela<;iio do fator de estrutura normalizado e do fat or de estrutura com sen() / A. . . . .. 48
1.7 Curvas para a distribui<;ao de probabilidade P
[¢ (
H
1K) ]
para diferentes' valores parlimetro G (
fi,
K) .
501.8 Forma da curva de P+
= ~
+ ~
tanh x . 511.9 Curva do desvio padriio da fase
cp(H).
522.4 Esquema do difratometro CAD-4. . . .
2.5 Perfil da reflexao coletada no difratometro.
2.7 Estrutura generica da classe de compostos
a
qual pertence 0composto [FeC19H19N3S].. . . .. 71
2.8 Estrutura cristalogrMica encontrada para 0 complexo
binu-clear de rut~nio [RU~C4(CO)(PPhsh] (os grupos fenil foram omitidos para melhor visualiza~ao). . . 85
2.9 Representa~80 da estrutura completa do complexo [Ru2CI4(CO) (PPhs)s], na qual evidencia-se que os aneis
a
direita da figura apresentam vibra~ao termica aumentada em rela~ao ao restanteda estrutura. 86
2.10 Superposi~ao entre as estruturas I e II, determinadas nas for-mas cristalinas com e sem 0solvente diclorometano. 0 desvio
medio quadnitico em suas posi~oes relativas e de
o,loA
e 0maior desvio encontrado n80 e superior a 0,33A. . . 87
2.11 Estrutura cristalogrMica encontrada para 0 complexo [RuCls
(dppb)H20]. . . .. 99
2.12 Estrutura cristalogrMica encontrada para 0complexo [FeC19H19
N3S] (molecula de solvente nao representada). . ... " 102
2.13 Estrutura cristalogrMica encontrada para 0 complexo [pyH]
[Ru C14 (dmso) (py)]. (CH2Chh/2' . . . .. 119
2.15 Estrutura cristalogrMica encontrada para 0 complexo
binu-clear de rut~nio [Ru2CIBr4(CO)(AsPh3)2(PPh3)].CH2Ch (os grupos fenil e 0solvente encontrado foram omitidos para
L i s t a
d e
T a b e l a s
2.2 Coordenadas at6micas (x104) e parAmetros de deslocamento
isotropicoequivalentes (A2xlO-3) para 0 complexo [Ru2CI5(CO) (PPh
3)3].
U(eq)e
definido como sendo urn tergo do trago dotensor Uij ortogonalizado. 76
2.3 ParAmetros de deslocamento anisotropico (A2xlO-3) para 0 complexo [Ru2CI5(CO) (PPh
3)3]
(continua na proxima pagina). o fator exponencial do deslocamento anisotropicoe
da forma: -2 7[2 [ h2 a"'2 Uu + + 2 h k a'" b'" Un ] , 78 2.4 Comprimentos de ligagao selecionados do complexo [Ru2C15(CO) (PPh3
h]
(os grupos fenil foram refinados como gruposrfgidos). . . .. 81 2.5 AnguloS interaWmicos selecionados do complexo [RU2Cls(CO)
(PPh
3)3]
(continua na proxima pagina). . . 82 2.6 Coordenadas dos atomos de Hidrog~nio (x104) do complexo [Ru2CI5(CO) (PPh
3)3] (0
fator de temperatura isotropico de cada H foi fixado em 1,2 vezes0fator de temperatura isotr6picodo atomo ao qual esta ligado). 84
2.8 Coordenadas atc>micas (x104
) e par~metros de deslocamento
isotr6picos equivalentes (A2xlO-3) do complexo [RuCb(dppb)
H 20 ] . . . 9 1
2.9 Para.metros de deslocamento anisotr6pico (A2xlO-3) para 0 complexo [RuCI3(dppb)H20 ] (continua na pr6xima pagina). . 92 2.10 Comprimentos de ligac;a.o encontrados no complexo [RuCI3
(dppb )H20 ] . . . 94
2.11 Angulos interatc>micos encontrados no complexo [Ru Cb (dppb) H20 ] (continua na pr6xima pagina) . . . 95
2.13 Coordenadas dos atomos de Hidrog~nio (x 104
) do complexo
[RuCI3(dppb)H20 ] . . . 98
2.14 Dados cristalograficos do complexo [FeCI9HI9N3S]. . . 103 2.15 Coordenadas atc>micas (x104) e para.metros de deslocamento
isotr6pico equivalentes (A2xlO-3) do complexo [FeCI9HI9 N3S]. 104
2.16 Par~metros de deslocamento anisotr6pico (A2xlO-3) para 0
complexo [FeCI9HI9N3S], 105
2.17 Comprimentos de ligac;ao encontrados no complexo [FeCI9 Hl9
N3 S]. . 106
2.18 Angulos interatc>micos selecionados do complexo [FeCI9HI9N3S]
(continua na pr6xima pagina) 107
2.19 Coordenadas dos atomos de Hidrog@nio (x104) do complexo
2.20 Dados cristalognHieos do com plexo [pyH][Ru Cl4 (dmso) (py )]
.(CH2Cbh/2' 112
2.21 Coordenadas atomicas (x104
) e para.metros de deslocamento
isotr6pico equivalentes (A2xlO-3) para 0 complexo [pyH] [Ru
Cl4 (dmso)(py)].(CH2Cbh/2' 113
2.22 Para.metros de deslocamento anisotr6pico (A2xlO-3) para 0
complexo [pyH][RuCI4(dmso)(py)].(CH2Cbh/2' 114
2.23 Comprimentos de liga<;ao encontrados no complexo [pyH] [Ru
Cl4 (dmso)(py)].(CH2CI2h/2' Os atomos assiladados com [1]
foram gerados com a opera<;ao de simetria -x+ 1,-y+ 1,-z. . .. 115
2.24 Angulos interatomicos encontrados no complexo [pyH] [Ru
Cl4 (dmso)(py)].(CH2Cbh/2' Os atomos assiladados com [1]
foram gerados com a opera<;ao de simetria -x+ 1,-y+ 1,-z.
(con-tinua na pr6xima pagina). . 116
2.25 Coordenadas dos atomos de Hidrogenio (x104) do complexo [pyH] [Ru Cl4 (dmso)(py)].(CH2Cbh/2 (0 fator de temper-atura isotr6pico de cada H foi fixado em 1,2 vezes (1,5 no caso dos CH3) 0 fator de temperatura isotr6pico do atomo ao qual
esta ligado). . . .. 118
2.26 Dados cristalograficos do complexo [RuCI2(CO)2(AsPh3)2]' . 122
2.27 Coordenadas atomicas (x104
) e para.metros de deslocamento
isotr6pico equivalentes (A2xlO-3) para 0 complexo [RuCb
(CO)2
(AsPh3) 2]. . . 123
2.28 Para.metros de deslocamento anisotropico (A2xlO-3) para 0
complexo [RuCI2(CO)2(AsPh3
h]
(continua na proxima pagina).1242.30 Angulos interatOmicos selecionados do complexo [RuCI2 (COh
(AsPh3h] (continua na proxima pa,gina) 127
2.31 Coordenadas dos atomos de Hidrog~nio (x104) do complexo [RuCI2(CO)2(AsPh3h] (0 fator de temperatura isotropico de cada H foi fixado em 1,2 vezes 0fator de temperatura isotropico
do atomo ao qual esta ligado). 129
2.32 Dados cristalograficos do complexo [Ru2ClBr4(CO) (AsPh3)2
(PPh3)]. ClhCh 133
2.33 Coordenad&'3 atOmicas (x104) e parftmetros de deslocamento isotropico equivalentes (A2xlO~3) para 0complexo [Ru2ClBr4(CO)
(AsPh3h(PPh3)].CH2Cl2. . 134
2.34 Parftmetros de deslocamento 1tnisotropico (A2xlO~3) para 0
complexo [Ru2ClBr4(CO) (AsPh3)2(PPh3)].CH2Cl2 (continua
na proxima pagina). . 136
2.35 Comprimentos de ligac;iio selecionados do complexo [Ru2ClBr4 (CO)(AsPh3h(PPh3)].CH2Ch (os grupos fenil foram refinados
como grupos rigidos) 139
2.36 Angulos interatomicos selecionados do complexo [Ru2ClBr4 (CO) (AsPh3)2 (PPh3)]. CH2Ch (continua na proxima pagina).140 2.37 Coordenadas dos atomos de Hidrog~nio (x104) do complexo
[Ru2ClBr4(CO) (AsPh3h(PPh3)].CH2Cl2 (0 fator de temper-atura isotropico de cada H foi fixado em 1,2 vezes 0 fator de
C a p i t u l o
1
Introdu~ao
a o s M e t o d o s
d e
Determina~ao
d e
E s t r u t u r a s
p o r
Difra~ao
d e
R a i o s
X
1 . 1
J\presenta~ao
Nesta disserta<;ao tentou-se dar enfase
a
questiio cristalografica, especial-mente ao aprendizado pnitico relativoa
determina<;ao de estruturas de pe-quenas moleculas pela tecnica de difra<;aode raios X. Neste sentido, esta dis-serta<;iionao e absolutamente analftica,ou seja, nao foi feita a correla<;aocom outros dados provenientes de outras tecnicas de caraeteriza<;ao, tais como: espeetroscopia de infravervelho e EPR.destacando-se a importil.ncia das relac;oes interpessoais daqueles que hoje represent am a pedra angular da Cristalografia.
No Capitulo 2, os metodos experimentais utilizados sao descritos. As estruturas cristalograficas obtidas e as diversas etapas envolvidas nesta de-terminac;ao (coleta e tratamento de dados, resoluc;ao e refinamento da estru-tura, etc) sao tambem descritas, acompanhadas de uma discussao sobre suas caraeterfsticas estru t urais.
As conclusOes e perspectivas futuras estao no Capitulo 3.
1 . 2 U r n B r e v e H i s t 6 r i c o S o b r e o s P r i m e i r o s
A n o s d a C r i s t a l o g r a f i a
o
fato de os cristais terem estrutura peri6dica em tr~s dimensoes ja eraconjecturado por Kepler (1611) e Hooke (1665). Mas urn divisor de aguas ocorreu em 1912.[1]
Nesta epoca urn grupo de cientistas residia em Munique. Em destaque havia 0 Professor Paul von Groth (chefe do Instituto para Mineralogia e
Cristalografia, decano dos cristal6grafos da epoca), 0Professor Wilhelm
Kon-rad Rontgen (1845-1923; P.N.F.-190l, chefe do Instituto para Fisica Experi-mental e descobridor dos raios X) e 0 Professor Arnold Joahannes Wilhelm
Sommerfeld (1868-1951; chefe do Instituto para Fisica Te6rica). Alem destes, haviam tambem alguns instrutores, assistentes e estudantes graduados. En-tre estes incluiam-se Max Theodor Felix von Laue (1879-1960; P.N.F.-1914), Petrus Joseph Wilhelm Debye (1884-1966; P.N.Q.-1936, 0qual era assistente
urn cristal), Walter Friedrich (1883-1935) e Paul Knipping (1883-1935) (que estavam fazendo0seu trabalho experimental para 0doutorado no laboratorio
de Rontgen).
Esses professores, seus assistentes e alunos costumavam tomar cafe no
Lutz Cafe em Holfgarten perto da Odeonplatz e sem duvida cada urn destes cientistas teve suas ideias influenciadas pelas ideias e conhecimentos dos ou-tros.
Em sua tese, Ewald atentou para as propriedades opticas dos cristais e quando consultou Laue sobre alguns aspectos de sua tese, Laue veio-Ihe com a pergunta "0 que se poderia esperar se0 comprimento de onda da luz fosse
da mesma ordem que a separac;ao entre os ressonadores?" , ou seja, este fi-cou muito estimulado a considerar a difrac;ao por uma grade tridimensional. Enquanto isso, Sommerfeld e Koch acreditavam que os raios X (descober-tos por Rontgen em 1895) eram urn tipo de radiac;ao e suas discussOes com Friedrich e Knipping os levaram a supor que os raios X tinham provavelmente comprimentos de onda da ordem de 1O-9m.
Com estas ideias permeando 0 ambiente, Laue pensou que seria
interes-sante ver como os raios X interagiriam com0 cristal. Friedrich e Knipping
realizaram urn experimento, em 1912, proposto por Laue[2] e obtiveram 0
resultado de que os raios X foram, de fato, difratados por cristais de CuS. Assim , de uma so vez, foi mostrado que cristais eram arranjos periodicos espaciais de materia com periodos numa escala molecular, e que os raios X eram de fato uma forma de radiac;ao.
Sir William Lawrence Bragg (1890-1970;P.N.F.-1915) no mesmo ana me-lhorou 0 experimento de Laue e com base nas ideias de William Barlow [3]
sobre 0 prow1.velempacotamento de atomos esfericos em cristais, pode
do ZnS e deduziu uma equa<;ao simples que trata a difra<;ao como "reflexao" a partir de pIanos na rede cristalina.
o conceito de rede recfproca foi melhorado por Ewald em 1913 e 0 usa da serie de Fourier para representar as densidades eletr~nicas foi sugerido por Sir William Henry Bragg (1862-1942; P.N.F.-1915 e sucedeu Rutherford como C a v e n d i s h P r o f e s s o r o f P h y s i c s em Cambridge) em 1915. Nascia assim a ciencia da analise de estruturas cristalinas.
No perfodo entre-guerras, diversas estruturas cristalinas simples foram completamente estabelecidas por difra<;ao de raios X. Mas, nos anos subse-quentes, a cristalografia enriqueceu-se e aprofundou-se gra<;asas contribui<;Oes de muitos outros. Por exemplo, as contribui<;Oespara 0 desenvolvimento dos
metodos diretos come<;aram com 0 trabalho de Jerome Karle (1918- ) & Her-bert Hauptman (1917- ;P.N.Q.-1985) em 1950[4], David Sayre[5] (1924- ) em 1952, e progrediram rapidamente com Frederik William Houlder Zachariasen (1906-1979) e seus trabalhos de 1952[6] e 1965[7], W.Cochran em 1952[8], M.M.Woofson em 1954[9] e E.W.Hughes em 1957[10]. Desta forma a crista-lografia estabeleceu-se como urn dos mais import antes e interdisciplinares ramos da ciencia.
1 . 3 E s p a l h a m e n t o d e R a i o X P e l a M a t e r i a
1 . 3 . 1 E s p a l h a r n e n t o P o r U r n E l e t r o n L i v r e
de espalhamento classica foi desenvolvida por Sir' Joseph John Thomson[ll] que mostrou que a intensidade espalhada 1, a urn Ilngulo2B do feixe de raios X nao polarizado, e dado por
p e chamado de fator de polariza<;ao devido
a
polariza<;ao parcial do feixe refletido. 10 e a intensidade do feixe incidente, e a carga do eletron, m amassa do eletron, r a distllncia do eletron ao ponto de observa<;ao e c a velocidade da luz.
1 . 3 . 2 E s p a l h a m e n t o P o r U m a
Distribui~ao
A r b i t r a r i ad e C a r g a s
A amplitude da onda espalhada depende da densidade de eletrons em cada ponto da distribui<;ao (Figura (1.1)).
r
[27ri ]lv
p(r)dVexpT
r (cos '1/) - cos4;)i
p (f)dVexp [27ri(f.
B) ]
onde
§
= 8 - SO , com modulo igual a 2senO / A , e0 vetor de espalhamento;8 e 80 , ambos com modulo igual a 1/A , saG vetores do feixe espalhado e incidente, repeetivamente.
Assim, a Equac;ao (1.3) e a func;ao de espalhamento G
(B)
G
(5)
=i
p (f) exp [27ri(f.
S) ]
dVou seja, G
(5)
e a transformada de Fourier de p (f) .A intensidade da onda espalhada I e uma grandeza fisica mensunivel, mas tambem pode ser obtida da func;ao de espalhamento
onde G *
(5)
represent a 0 complexo conjugado.1 . 3 . 3 E s p a l h a r n e n t a P a r U r n A t a r n a
Supondo-se agora, que a distribuic;ao de cargas seja uma nuvem esferica de eletrons ligados a urn nucleo central e que a energia de ligac;aodestes eletrons seja baixa com relac;aoIienergia do feixe de raio X incidente (ou seja, uma distribuic;iio atomica), a func;ao de espalhamento G
(B)
pode ser usada para descrever 0 espalhamento atomico. Desde que p (f) seja agora a densidadeNesta equac;ao
I
(S)
e chamado de "fator de espalhamento atOmico" e depende apenas de S (= 2senO />..)
e para 0 caso especial em que a direc;aode espalhamento seja 00
teremos
I
(0)=
J
p (f)dV=
ZOu seJa,
I
(0) e a soma das ondas espalhadas por cada eletron para urn determinado atomo. Em outras palavras,I
(0) eo pr6prio lllimero atomico. Valores deI
para diferentes senO />.. , para diferentes atomos podem ser encontrados na literatura[12].1 . 3 . 4 E s p a l h a r n e n t o P o r U r n G r u p o d e A t o r n o s
Se tivermos urn grupo de I:itomosou uma molecula comN atomos, cada qual com seu fator de espalhamento
In (S) ,
e associarmos a estes uma origem arbitraria, entao a posic;ao de urn elemento de volume relativamente a estaa
origemere a distiincia do elemento de volume ao nucleo central do atomo.Para 0 n-esimo atomo temos entao que a onda espalhada e
J
p (f) exp [27fi(r.S)]
dV exp [27fi(~.S)]
, J
V
In (
S)
exp [27fi(~.S)]
ou seja, surge uma nova fase devida
a
mudanc;a de origem.In
(5)
e chamadode Jator de espalhamento at6mico do n-esimo atomo. Desta forma, para N
N
Gce1a
(S)
=
L
In
(S)
exp [27fi(~.S)]
1 . 3 . 5 D i f r a c ; a o P o r U r n G r u p o d e A t o m o s o u M o l e c u l a s
N u m A r r a n j o R e g u l a r T r i d i m e n s i o n a l
Se procurarrnos a definic:;aode difrac:;iioencontrarernos: "Quando a radiac:;iio passa por urna fenda, as ondas parecern ser refletidas e produzir franjas, urna sequ@ilciade claros e escuros nurn anteparo. Em cristalografia a radiac:;ao
e
raio X e as fendas siio as nuvens eletronicas dos ,Homos nurn cristal: esta.c:; nuvens eletronicas dispersarn, espalharn 0 raio X. Deviclo ao fato do cristalconter urn arrar~o atornico regularrnente repeticlo, os feixes difratados por urna cela unitaria podern estar em fase com aqueles difratados por outras celas unitarias e podern se reforc:;arproduzindo urn forte feixe difratado."
Se procurarrnos a definic:;iiode cristal encontrarernos: [13]
• "quando urn grupo de atornos que cornpoe 0 cristal, por conveni@ncia,
sao substituidos ou represent ados por pontos; 0conjunto destes pontos
assirn form ados
e
dito ser a rede direta do cristal" .Essa definic:;iiode rede direta (rd) pode ser escrita rnaternaticarnente usando-se a func:;iiodelta de Dirac:
rd(f)=
f= f= f=
(j(r-~np)
m = -o o n = -o op=-oo
onde ~np
=
ma
+
nb
+
pc ;m,n,
p inteiros;a,
b,
c
vetores de base.Como a onda espalhada por todo 0 cristal Gcrist
(8)
e
a transformada deFourier da densidade eletn')nica do cristal, podemos agora escrev~-la como:
Gcrist
(.<J)
= T.F. [Pcela (f)] XT.F. [rd(f)]pois a transformada de l<ourier da convoluc;aoentre duas func;oes
e
igual ao produto das transformadas de Fourier destas func;oes[14]. Mas a transfor-mada de Fourier da rede direta e a rede reciprocaGcrist
(S)
=
T.F. [Pcela (f)] Xf=
t5U~-
S')
onde
5'
satisfaz as condic;Oesde Laue. Quais sejam:T.F. [Pcela (f)]
=
Gce1aC~)
N ex>
Gcrist
(S)
=L
In
(5)
exp [27ri(f
n.5)]
XL
t5(5 - 5')
~1 -ex>
L
In
(1
I1
1)
exp [27ri (f'nji)]
F
(I1)
(1.18)o
fator de estruturae
a soma das ondas espalhadas pela celas unitarias do cristal segundo a Equa<;ao (1.18)N
F (11)
=
Lfn
exp [27ri(1~.Il)]
n=}
onde N
e
0numero de ,Homos por cela unitaria. Devidoa
fun<;aoexponencial F(11)
poder ser separada em suas partes real e imagillliriaF
(11)
=
A(11)
+iB(11)
N
A
(11)
=L
f
n cos 27r ( ~ .11)
n=}
N
B
(11)
=Lfn
sen27r (~.il)
n=}
F
(il)
pode ainda ser escrit.o comoe
chamado de fase do fat.or de est.rutura F(i1) .
A Figura (1.2) ilustra estaquestao.
Figura 1.2: Fator de estrutura F
(if) .
Levando em conta a agitac:;iiotermica dos I:Homos(que sera discutido na Sec:;ao(1.6))
F
(II)
=t
f;
exp [21ri(fj.Il) -
81r'U;(se~o)']
1 . 5 D i s p e r s a o
A n o m a l a
o
fator de espalhamento at6mico niio e mais valido para atomos cuja bordade absorc:;iioesteja proxima ao comprimento de onda do raio X incidente.
o
espalhamento que ocorre sob essa condic:;iiode ressonl1ncia e chamado dean6malo. An6malo no sentido de que correc:;Oesdevem ser feitas aos fatores de espalhamento at6mico normais. Essa correc:;iioe feita com a introduc:;iio de uma quantidade complexa
fa
(8)
=
f(8)
+
(i~f'
+
if")=
f'
+
if"rec;6es sao muito pequenas. Valores calculados para CuKa e MoKa podem
ser encontrados na International Tables for X-my Crystallogmphy{15j.
1 . 6
Vibra~iio
T e r m i c a
Estas oscilac;oes modificarao a func;ao densidade eletr6nica para cada atomo e consequentemente seu poder de espalhamento.
A escala de tempo em urn experimento de difrac;ao tipico e muito maior que os periodos de vibrac;ao termica dos atomos e desta forma a descric;ao do movimento termico de urn atomo requer apenas 0 conhecimento da
dis-tribuic;ao media temporal de sua posic;aocom relac;ao
a
posic;aode equilibrio. Entretanto, os fatores de estrutura usados ate agora foram considerados para atomos em repouso (exceto na Equac;ao (1.26)). Desta forma, e necessario introduzir urn fator de correc;ao,T.Seja l' 0 deslocamento de urn atomo em relac;ao
a
sua posic;ao deequi-librio, sua energia potencial sera proporcional a 1'2 (numa aproximac;ao de
oscilador harmonico simples classico). Da distri buic;ao de Boltzmann para 0
caso isotr6pico, onde 0 movimento termico do atomo tera simetria esferica,
onde B = 87r2U (em
A
2)
e0
fator de temperatura atomico, Uexponencial e chamada de fator de Debey- Waller .
(X*2)
(X*y*)
(X*Z*)
(X*y*)
(y*2)
(y*Z*)
(X* Z*)
(y* Z*)
(Z*2)
=
(X*X*)
T. = exp [- 27r2 (U*11X*2
+
U*22Y*2+
U*33Z*2+
2U*12X Y* *+
2U*13X Z* *+
2U*23Y Z* *)]representando urn elips6ide de vibra~ao no espa~o reefproco definido pelo seis parl1metrosUtj (a serem determinados) que orient am 0elips6ide de vibra~iio
com rela~ao aos eixos cristalognificos e aos comprimentos dos tres eixos do
Cada ~Homode uma molecula e seu respectivo movimento termico pode assim ser represent ado por urn elips6ide, centrado na posi~iiomedia do ~itomo.
Todos os desenhos moleculares desta disserta~ao estiio com elips6ides re-present ados com 50% de probabilidade e foram gerados pelo programa OR-TEP32 for Windows [16].
Com as equa~oes deduzidas na Se~iio (1.3.5) pode-se calcular a onda espa-Ihada pelo cristal F (
fi) ,
se conhecida a densidade eletronica da cela unitariaque caraeteriza 0 problema inverso: dado F
(ff)
encontrar Peela (il AsoluC;aovem com a transformada inversa de Fourier de F (
ff)
Peela (f)
=
f
F(ff)
exp [-27ri(rJI)]
dv (1.32)onde v eo volume reciproco.
Como F
(Ii)
e discreto nos pontos do retfculo reciproco, podemos subs-tituir a integral por urn somat6rioPeela (f) =
f
F (ff)
exp [-27ri (f'n.ii)]H=-·oo
Por outro lado, F
(II)
precisa ser conhecido completamente, ou seJa, em m6dulo e fase, pois e uma quantidade vetorial (Equac;ao (1.20)), para quePeel a (f) seja calculada e uma imagem da estrutura crist alina, inferida. Mas
por difrac;ao de raio X s6 se pode medir a intensidade do feL'<:edifratado -proporcional ao
IF
(ff)
12
- perdender-se toda a informac;ao relacionada as
fases ¢
(11) .
Desta forma, 0problema central na determinac;ao de estruturas cristalinas
eo cakulo das fases. Com esse intuito existem varios metodos para encontrar-se soluC;Oesaproximadas, entre eles pode-encontrar-se citar:
A.L.Patterson, em 1934[17],sugeriu uma serie de Fourier onde os coeficientes fossem os
IFI
2p (u, v, w) = ~
L L L
IFI
2exp[-21ri (hu+
kv+
lw)]C h k I
P (il)
=
J
p (f) p (r+
il) dfv
a
chamado mapa de Patterson tera maximos correspondentesa
todos osvetores interatomicos possfveis, dentro da eela unitaria: a altura de cada pica sera proporcional ao produto dos mlmeros atomicos dos atomos conectados pelo vetor il , multiplicado pela multiplicidade deste mesmo vetor. au seja, quanto maior as densidades eletronicas dos atomos ligados por il maior sera
Sua periodicidade sera a mesma da densidade eletronica e 0 tamanho da
cela unitaria sera 0 mesmo.
a
mlmero de picos em P (11) sera muito maiorque em p (f) . Se a cela contiver N atomos eles darao origem
a
N2 picosem P (il). N destes picos sobrepor-se--aona origem e os N (N - 1) rest antes serao distribufdos por toda a cela. A Figura (1.3) ilustra a questao.
Em (a), tr~ atomos e quatro celas unit arias sao representadas. Em (b), uma unica cela
e
mostrada com urn atomo colocado, urn de cada vez, na origem. au seja, uma vista da estrutura a partir de cada urn dos atomos (1,2,3). Em (c), 0 mapa vetorial e a soma de todos estes vetores e represent ao
mapa de Patterson sera sempre centrossimetrico, independentementedo grupo espacial da molecula aprE'ASentarou nao centro de simetria. Para quaisquer pares de atomos AB existira sempre vetores
u
e-u .
As operac;aes de simetria de urn determinado grupo espacial ainda estao presentes no mapa de Patterson na forma de concentrac;aes de maximos veto-riais em linhas e pIanos espedficos. Estas linhas ou pIanos chamam-se Ser;oes
Numa estrutura com N atomos dos quais Np Momos pesados ja foram
determinados pelo metodo de Patterson, existem ainda Nl atomos leves a
serem determinados.
F (
ii)
=
Fp (ii)
+
Fl (
ii)
Np N l
F (
ii)
=L
Ii
exp [27ri(fi .
ii)]
+
L
Ij
exp [27ri (fj .ii) ]
i=l j
Se
F
l(If)
nao e muito grande, entao usa-se a fase de Fp(If) ,
cPp(H)
= exp [27ri ( ~ .
ii)] ,
para 0 calculo deF (If),
isto e, considera-se apenasos atomos pesados da estrutura, numa boa aproximac;ao. A Figura (1.4) ilustra a questao.
Assim, podemos calcular 0 fator de estrutura da seguinte forma:
onde Fobs (
ii)
e 0 fator de estrutura observado.Figura 1.4: 0 fator'de estrutura
F(If)
e suas componentesF1(ii)
eFpCii),
devidoa
atomos leves e pesados.x =
21
Fobs(If)
II
Fp(If)
I
Nl ( --.)
j~
JJ
He In (x)
e
a funr;iio modificada de Bessel de Primeim Classe de ordem n[20][21]. Assim substituindo (1.39) e (1.40) em (1.33) encontramos
Pcela (11 =
f
W
(ff)
IFobs(ff)
1exp [i¢p(B)]
exp [-21ri(~.I{)]
H=-oo
Esta "nova" equac;ao proporciona novos picos que podem ser atribufdos aos ;Homos leves e suas fases levadas em conta juntamente com ¢p (
ff),
em urn novo calculo de P (r'). E assim sucessivamente, com P (r') mais preciso a cad a iterac;ao, ate se completar a estrutura. Esta e a chamada 8£ntese deEntretanto, a presen<;a de atomos pesados, muitas vezes, faz com que 0
mapa de Fourier apresente flutua<;Oesde fundo que sa.o comparaveis
a
altura dos picos dos litomos leves. au seja, a presenc;a de a.tomos pesados dificulta a identificac;ao dos atomos leves. a que fazer?I t possivel subtrair da densidade observada P o b s (f) as densidades calcu-ladas P e a le (f). Assim, usando-se a equac;ao anterior
~ P (f) =
f
w
(I1 )
( I F o b s l - IF e a le I )exp [i< Pp(I1 )]
exp [- 2 1 fi(T n .S )]
H=-OCJ
(1.42)
as M e t o d o s D i r e t o s [ 2 2 ] tentam obter as fases do fator de estrutura direta-mente das amplitudes observadas atraves de relac;Oesmatematicas. 880 feitas duas considerac;6es iniciais sobre a func;ao densidade eletronica:
U(O)
U(HI)
U(H2)
U(-HI)
U(O)
U(H2 - Hd
U( -
H
2)U(HI - H2)
U(O)
U(-H2)
U(HI - Hn)
U(H2 - Hn)
Casos particulares podem ser obtidos, como por exemplo, 0determinante
de ordem tres (com U
(0)
=
1):1
U(H)
U(2H)
U(-H) U(-2H)
1 U( - H)
U(H) 1
que quando expandido dani justamente a Equa~ao (B.IO) do Apendice B.
Urn outro determinante possivel
e
1 U(-HI)
U(H
I) 1 U(H2) U( - HI+
11
2)U(
-/1
2)U(HI - H2)
1
As amplitudes sao independentes do sistema de referencia escolhido, en-quanto que em geral as fases dependem deste. A partir das amplitudes observadas pode-se apenas obter informa~oes sobre fases simples ou combi-na~Oeslineares de fases que sao independentes da escolha de origem. Como seus valores dependem apenas da estrutura, sao chamados de Invariantes
IT
FHj = IFH1FH2 .,. FHml exp[i
(<PIlI+
<PH2+ ... +
<PI:lJJ
Este valor nao muda quando a origem e deslocada por urn vetor
ro
qual-quer. 0 fator de estrutura com fndiceii,
com refer~nciaa
nova origem,N
L
Ij
exp { 27ri[H .
(fj -ro) ] }
.1=1
N
L
Ij
exp { [27ri (if .
1~ )] - [27ri(ii .
ro) ] }
.1=1
F
H exp { - 27fi (jj .ro) }
IF
HI
exp {i(cp
H - 27r(H.
ro) ) }
o modulo permanece inalterado enquanto que a fase muda de6.cp = 27f
(H.
ro).
A variac:;iiode fase de
07=1
FHj' devidaa
mesma mudanc:;ade origem, seram
6.cp
=
27rr·
L
Hi=
0i=l
1. Fooo =
L7=1
Zj, dando 0 numero de eletrons na cela unitaria, sua fasee sempre zero.
3. F-HFKFH-K , com fase CP-H
+
CPK+
CPH-K , chamado de tripleto invariante e sera calculado mais adiante.Por exemplo, num dado grupo espacial possuindo0operador C _ (R, T)
(roto-transla<;ao: Xj = RXj
+
T), a fase'Phe
urn serni-invariante estruturalse for passivel encontrar uma reflexaojj tal que
seJa urn invariante estrutural, isto
e,
h -
11
+
11
R = O. A Equa<;ao (1.49) pode ser escrita corno[14]'l/J
=
'Ph - 27fii .
T'l/J
e
independente de qualquer escolha de origem, ao passo que 'Ph e T sao dependentes. A dependenciae
tal que a Equa<;ao (1.50) valha e 0 valor de'Ph nao mudara se a origem se deslocar para os pont os que mantenham os vetores T inalterados (onde a simetria pontual
e
identica).Por exemplo, no grupo espacial
PI,
'P2He
urn serni-invariante estruturale
urn invariante estrutural. A origeme
convenienternente escolhida sobrecentros de inversao e assirn T
=
(0,0,0). As origens perrnitidas estao sobre os oito centros de inversao presentes na cela; qualquer urn destes centros de inversao quando escolhidos como origem, dara sernpre T = (0,0,0).Urn outro exemplo, no grupo P21, a fase 'P2h, ,0 21 ,
e
urn semi-invariantelhida sobre urn eixo de roto-transla<;ao de ordern dois, entao 'l/J = 'P2h,O,21-7rk .
A ident.ificac;aode quais fases au combinac;oesde fases pode ser encon-trada em diversas tabelas, onde as grupos espaciais sao classificados de forma que aqueles que pertenc;am
a
mesma cla<Jsetenham as rnesmas ori-gens permitidas[27]. Pode-se usar a propriedade de positividade da func;iio densidade eletronica para se obter uma indicac;ao dos valores de tripletosL !jl
exp { - 27ri (ii .
rJl) }
L!h
exp {27ri (K
.
rJ2) }
jl
j2
x L
!h exp { 27ri [(11 -
K) .
rJ3]}
L
!jJh!h
exp {27ri [(ii
(rj -ro) -
R) .
rJ3]} (1.51)
hhh
Para simplificar assumiremos que
ii,
i?
eji -
K
possuem valores deL
JI
1Jh
exp { 27ri [(ii -
R)
.
(~3 - ~1) ] } iJhque e proporcional a
IF'
(ii -
R)
12
-
Lj
JJ,
pela equa<;ao (1.25).L
JIJh
exp {21fi[R.
(~2 -
~J]}
hh
proporcional a
IF
(R)
12
-
Lj
fJ.
L
fJJiJ
exp {27ri[II.
(~2- r~I)]}
j]j2
proporcional a
IF (
ii)
12
-
Lj
ff.
L
·fj1fj2fh exp {21fi[ii
(fi3 - fi1)+
ii
(fi2 -~3)]}
= RiJhh
Como a densidade eletr6nica e positiva, os fatores de espalhamento atOmico serao positivos e a soma em 1) sera positiva. Os termos 2), 3) e 4) sao
pro-porcionais a
IF
(ii)1
2
-
(IFI
2) (pode-se mostrar queLjf
J
=(IFI
2)[28])respeetivamente, e para gran des valores de
IFI
eles serao gran des e positivos.o
termo 5) e uma soma de quantidades negativas e positivas e na media serapequeno. Assim, para grandes valores d&"lamplitudes
F ~F~F~ ~-H K H~K = "L..J j
J]
+
K{
IF
(ii)
1 2+
IF
(R)
1 2+
IF
(ii -
R)
1 2}
-3
(IFI
2)+
RNo caso de uma estrutura centrossimetrica esta rela~ao implica que, quando
IF
(11)
I,
IF
(R)
I,
IF
(11 - R)
I
san grandes, entan 0 produto dos sinaisdestes fat ores de estrutura sera positivo, S
(11)
S(R)
S(1i - R)
=
+.
Esta e a chamada relar;ao de 8inai8. Isto e resultado tambem da equa~iio de Sayre, cujo trabalho[5] mostrou que para uma estrutura constituida de atomos iguais e bem resolvidos, os fat ores de estrutura saa inter-relacionados
F
(ff)
=~f
LF (R) F
(ii -
I?)
k
onde
I
e 0 fator de espalhamento at6mico comum a todos os .Homos,9 e 0fator de expalhamento atomico comum ao quadrado. Desta equa~aa
obtem-se a relar;iio de Sayre
S
(II)
S(R)
S(11-
R) ~
1onde0 sinal C::!significa "provavelmente igual a". Cochran[8] usou0 resultado
de Sayre para uma abordagem mais intuitiva e Zachariasen[6] usou simbolos (letras) para representar os sinais desconhecidos e aplicando as rela~oes de desigualdade aos dados do acido metab6rico pode representar quarenta sinais em termos de cinco letras.
u
2(ff)
(u
2(11))
IE
(r1)j'
=IF
(~)l2
c LjI
j E(ii)
-pois (U2
) =
L~
If,
c e urn inteiro geralmente igual a 1 mas pode assumirPor exemplo, no grupo espacial P21/c, E = 2 para as reflexOeshOl e OkO e 1
para todas as outras.
Pode-se notar pela Figura (1.6) que
(IF
(ii)
1 2) e uma fun~ao de(sene />')
enquanto que \
IE
(11)
12
) nao 0 e
((IE
(H)
12
)
=
1)'
S e n e
~
Figura 1.6: A rela~ao do fat or de estrutura normalizado e do fator de estru-tura com sene /
>..
Suas principais conclusoes foram que 0 sinal de E (
ii)
era dado porLl
+
L2+ L3+ L4'
onde2,=
=(::t)
11~i1
[E (Ii
pr -
1]
~ ~C:f)
i1}~:~i1
E (Ifv) E(I1
p)~~ (::;) ~ ~B(lip)
[E(Ii
v)'-1]
H/-L+2H,,=H
~>
(;:t)
2Ii"~")E
(lipr
-1]
Hl1v)'
-1]
A primeira formula de probabilidade para urn produt.o triplo de sinais (Equa<;ao (1.53)), que era wUido dent.ro dos limit.es impost.os pelo teorema do limite cen-t.ral foi encontrado por Woolfson[9] para uma estrutura de 11tomosiguais. E uma formula valida para atomos diferentes e estrutura centrossimetrica foi encontrada por Cochran & Woolfson[29]:
G (
Ii,
R) ~
(~3)
I
R (Ii)
E(R)
F: (Ii - R)
I
(163)¢ (
fi,
I?)
=
<p(11) -
<p (R) -
<p(11 -
R);
L=
27f10 (G
(11,
f() )
e 10e
a fun<;ao de Bessel rnodificada de ordem zero.
p+
(iI, R)
e
a probabilidade de0 produto triplo E(11)
E(N)
B(11-
R)
ser positivo e P
[¢
(II,
R)]
d¢(iJ,
R)
e
a probabilidade de que 0 valor de¢
(iJ,
I?)
esteja entre ¢e ¢+
d¢. A Figura (1.7) ilustra a distribui<;ao deprobabilidade para diferentes valores do parl1metro G (
iJ,
i<).
Como pode-se ver, todas as curvas tern urn maximo em ¢(iI,
I?)
=
0, ou seja,Figura 1.7: Curvas para a distribui~iio de probabilidade
P
[c/J
(If,
1<)]
para diferentes valores parametro G (fj ,
I?)
.
Se uma dada reflexao [{ tiver indica<;oesdos sinais de
E
(i?j) E
(II -
I?j)
,para j = 1,2, .", r (re
0numero de reflexOes),e
equivalente dizer que existemvarias rela<;Oespara 0 mesmo S (
fj)
P+ (Il,I?) ~ ~
+
~tanh[a3a;1IE (11)1 ~E (I?;) E
(# -
K;)]
(1.66)
A Figura (1.8) mostra a forma da Equa<;iio(1.66). Quando muitos termos, todos com 0 mesmo sinal, contribuem
a
soma, 0valor do argumento da tanhFigura 1.8: Forma da curva de P+
= ~ + ~
tanh x .No caso nao centrossimetrico, se uma dada fase<p (
ii)
tiver indicac;ao der fases
<p
(ii -
K
j)
e<p
(i~:),
j=
1,2, ... ,r, pode-se obter uma distribuic;ao da probabilidade para <p(H)
r
IIpj(<p(ii))
j=1A exp
[a (
ii)
cos(a (
ii)
+
(3 (ii) )
]
(
)
(L:;=1 Gjsenwj)
tan(3 H =
---(L:;=1
GjcosWj)
com Gj
=
G(ii, K
j)
e Wj=
<p
(K
j)
+
<p(ii -
K
j) e A uma constante denormalizac;ao. A Eq uac;ao(1.69) fornece0 valor mais prova vel de <p
(11)
e eEm 1966, Karle e Karle[32], calcularam a varianr;a de cp
(j1)
como funr;80de a
(B)
7f2 [ ( (_'))]-1
=
hn(a(H))
3+
10 a IfL
n2n=l
[ ( (-<))]-1
= I2n+1(Q
(il))
-4 10 a H
L
2n=O (2n
+
1)f
,..,.;
.•...
~...•
\
\
\
~ ~
~
-0 4 1 2
,
Figura 1.9: Curva do desvio padr80 da fasecp(H).
Da Figura (1.9) pode-se notar que para valores gran des de a
(il)
(e deE (
jj))
a varianr;ae
pequena para a fase cp(Ii),
0 que permite uma maior1 . 9 . 3 P r o c e d i m e n t o s p a r a a
Determina~ao
d e F a s e so
processo de determina<;aa de fases normalmente leva a mais de uma solu<;ao.Para se estimar qual conjunto de fases e mais apropriado para se chegar
a
estrutura correta, pode-se calcular as FignTas de Merito (FOM), fun<;Oesque permitem, a priori, uma estimativa da "veracielaele" de caela conjunto ele fases. Existem varias fun<;Oespropostas[33], elescreveremos uma elel&<;.As fases para estruturas ou proje<;oes centrossimetricas saa calculadas pela expressaa:
A primeira soma e sobre as rela<;oesde tripletos, a segunda e sobre quartetos negativos, t e uma constante (aproximaelamente 2/NI
/2, oneleN e 0numero
de atomos iguais por ponto da rede) ewq (que estatisticamente deve ser igual
a urn) e urn conjunto de constantes que 0 programa atribui estar no intervalo
[1,4] elepenelendo do numero de quartetas negativos usados.
Para fases nao centrossimetricas, a formula da tangente e usaela ate que
a
(ii)
(definida pela Equa<;aa (1.68)) seja maior que seu valor estimado(an)
=
I:
GjD1 (Gj)j=1
onde D1 (Gj) = ~ ~ ~ ~ :~e I I (x) e fo (x) SaGfun<;Oesde Bessel modificadas de
ordem zero e urn, respeetivamente.
Este fato e urn indicativo de que as rela<;Oesde fases SaGsuperconsistentes, eo angulo de fase obtido pela formula da tangente e acrescido ou decrescido por cos-1
(
(=:) ),
com a sinal da corre<;aa sendo escolhido para concoroarEsse procedimento minimiza simultaneamente as func;OesRn e NQU AL
definidas a seguir:
R
_Ljjw(Qjj_(Qjj))2n - LjjW(Qjj)2
NQU AL
=
L [L
(E1E2)L
(E3E4E5)]L [IL
(E1E2)IIL
(E3E4E5)I]
Em (1.74) a soma extern a e feita sobre todas as reflexOes refinadas e a interna sobre as relac;Oesde tripletos e quartetos negativos para uma dada reflexao. NQU AL deve ser minimo para 0 conjunto correto de fases.
Em (1.73) W e urn peso para evitar 0 dominio dos Q'S maiores e e igual a
(Qjj)-5. A Equac;ao (1.73) deve ser minima para 0 conjunto correto de fases.
Pode-se definir a Figura de Merito Combinada (CFOM), cuja capacidade de discriminar 0 conjunto correto de fases sera, em geral, maior do que as
func;oesindividuais. Pode-se usar
CFOM = Hn
+
[0 01.1(NQU AL - Wn), 0 que for maior]2dentre as varias combinac;Oespossiveis[33]entre as FOM. Wn e uma constante dependente da estrutura que deve ser 0,1 mais negativo do que0valor
anteci-pado de NQU AL. A Equac;ao (1.75) deve ser minima para a melhor soluc;ao e somente esta soluc;ao e conservada para urn mapa de E (
fj).
No calculo dos mapas de densidade eletr6nica usa-se como coeficiente da serie de Fourier 0 fator de estrutura normalizado E, comentado na Sec;ao (1.9.1),
It
realizada uma busca automatica de picos que sao coloca dos em umaplausivel podem ser relacionados e identificados como sendo urn posslvel frag-mento molecular.
Em alguns casos, boa parte da molecuh pode ser visualizada, ma.s0 mais
comum e se achar alguns picos e entao usar uma sintese de Fourier (Se~ao (1.8), Equa~ao (1.41)).
Em geral, os programas para a resolu~ao de estruturas cristalinas pelos meto-dos diretos, mesmo que usando diferentes estrategiac;;, usam a seguinte se-quencia:
1. caJculo dos valores dos
I
Ers a partir doIF~I.
Escolhe-sc os malores lEI's para determinar-se 0 grupo inicial de fases;3. escolha de urn conjunto de fac;;es,fixa~ao da origem e do enantiomorfo;
4. gera~ao de mapas de E
(if)
fazendo uma sintese de Fourier.Na determina~ao de novas fases, ha dois metodos mais utilizados: 0 da
adi~ao simb61ica[32],[14],[22]eo da multisolu~ao [34].
A adi~ao simb61ica usa a rela~ao entre as fases para calcular urn conjunto de fases, definindo assim a origem, supondo que suac;;fases sao conhecidas. Porem, se estas nao forem suficientemente fortes para a determina~ao de outras fases, pode-se usar outras reflexOescujas fases sao representadas por simbolos, deste modo novas fases sao geradas em fun~ao destes simbolos[34].
No metodo da multisolu~ao sao atribuidos valores numericos, desde 0
C a p i t u l o
2
M e t o d o s
E x p e r i m e n t a i s
2 . 1 T e o r i a d a P a r t e E x p e r i m e n t a l
2 . 1 . 1 L e i B r a g g
o espalharnento de raios X por urn cristal em termos dos seus pIanos de reflexao foi analisado por W.L.Bragg em 1912.
A s ondas refletidas irao interferir destrutivamente a menos que a equagao abaixo seja satisfeita
Ou seja, ocorrera interfer~ncia construtiva toda vez que a diferenga de carninho 6tico entre os feixes espalhados por dois pIanos adjacentes for equiva-lente a urn numero inteiro de comprimentos de onda. A Figura (2.1) ilustra a questao.
A Equagao (2.1) e conhecida como L e i d e B r a g g , 0 §'ngulo () e 0 t 1 n g u l o d e B r a g g , d e a dist§,ncia interplanar, A e 0 comprimento de onda do feixe de
raios X incidente. Pode-se definir 0 vet or recfproco tambem como
8
,au seja,
S'
e inversamente proporcionala
disUlncia no espac:;odireto e define a POSIC:;aono espac:;oreciproco.Ewald propos uma construc:;ao geometrica que permite uma visualizac:;ao do espac:;oreciproco. Esta construc:;ao (Figura (2.2)) consiste em se desenhar uma esfera de raio 1/>.., de modo que a feixe incidente passe ao longo do di§,metro 10. A origem do espac:;oreciproco e O . Quando a vetor
S',
que represent a urn ponto do reticula definido pela Equac:;ao (2.3), esta sabre a superficie da esfera, as planas correspondentes da rede direta serao paralelosalP e farao urn §,ngulo () com a feixe incidente. 0 cristal encontra-se em A.
--,
/
OP = S = 10 senB = 2senB >..
Se
S'
> 2/>.., nao e mais possivel deteetar uma reflexao11.
Isso define a esfera limite, com centro em 0 e raio 2/>.., onde apenas pontos da rede dentroF o i u t i l i z a d o p a r a a c o l e t a d e d a d o s u r n d i f r a t c > m e t r o a u t o m a t i c o C A D - 4 d a E n r a f - N o n i u s i n s t a l a d o n o L a b o r a t 6 r i o d e C r i s t a l o g r a f i a d o D e p a r t a m e n t o d e C r i s t a l o g r a f i a e I n f o r m a t i c a d o I n s t i t u t o d e F f s i c a d e s t a u n i v e r s i d a d e .
N e s t e d i f r a t c > m e t r o , 0 f e i x e d e r a i o s X e 0d e t e t o r d e r a d i a < ; a o e s p a l h a d a e s t a o n o p l a n o h o r i z o n t a l . 0 c r i s t a l d e v e s e r m o n t a d o n u m a f i b r a o u n u m c a p i l a r d e v i d r o , q u e e c o l o c a d o s o b r e u m a c a b e < ; a g o n i o m e t r i c a , 0 q u e p e r -m i t e a l i n h a - l o c o l o c a n d < : r o n o p l a n o d e r e f l e x a o ( F i g u r a ( 2 . 3 ) ) .
A e s f e r a d e r e f l e x a o p o d e s e r e n t e n d i d a c o m o q u e p a s s a n d o p e l o c r i s t a l e s u a i n t e r s e < ; a o c o m 0 p l a n o h o r i z o n t a l f o r m a u r n c f r c u l o . N o m o m e n t o e m q u e
o v e t o r r e c f p r o c o § c o i n c i d i r c o m a e s f e r a d e r e f l e x a o t e r - s e - a u m a r e f l e x a o d e B r a g g c u j a i n t e n s i d a d e c o r r e s p o n d e n t e p o d e r a s e r m e d i d a .
A c a b e < ; a g o n i o m e t r i c a e s t a s o b r e 0 e i x o ¢ a p o i a d a n o b l o c o K . E s t e b l o c o ,
,
~ E S rE R A .,/ D E R E F L E X A O
eixo w coincidindo com 0eixo 2() de giro do detector.
Como ja foi dito, 0 cristal deve ser montado (colado numa fibm e colocado
na cabe<;a goniometrica) e centralizado. Nenhuma de suas dimensOes deve ultrapassar 0 dit1metro uniforme do feixe incidente, 0,3 mm.
Para encontrar-se a orienta<;aa absoluta do sistema cristalino reciproco
(ii* , b* ,C* ) em relac;aa ao sistema XYZ faz-se necessa..riomedir algumas posic;oes angulares de refiexoes (n ::::;25) . Para tanto, pode-se fazer uma procura au-tomatica ou manual de refiexOesnuma certa regiaa do espac;o definida pelo operador, atraves de rota<;Oesem intervalos fixos ate que sejam encontradas refiexOes.
Estas refiexOes coletadas possibilitam a constru<;aa de urn conjunto de vetores
{V}
em coordenadas cartesianas. A este conjunto pertencem os vetores recfprocosS;
de cada refiexan e os vetores soma e diferenc;aS;±j
.
Deste conjunto, escolhe-se tres vetoresS~ , S;
eS;
tais que• S~
seja 0 menor vetor de {V};
•
S;
seja 0 menor vetor de {V}
e 0 mais perpendicular possivel a8
1;•
S;
seja 0menor vetor de {V}
e0mais perpendicular possivel ao planoformado por
S~
eS;.
Tendo estes tres vetores como base, tenta-se inclexar todos os outros ve-tores
S~
utilizando urn procedimento de minimos quadrados. as indiceshikilica1culados desta forma, saa geralmente fracionarios. Mas pode-se, atraves de urn fator de multiplicac;ao, deixa-Ios 0 mais pr6ximo possivel de numeros
inteiros. E, desta forma, encontrar-se uma cela unitaria tentativa e com 0
-* -* -*
b*
0:
J!'a .a a.
T=
b*
.0:
b*.b* b*.c
c Jl* c .b* c.c
Ao final destes procedimentos, no qual 0 conjunto de program as
asso-ciados ao CAD-4[36]
e
essencial, tem-se os parEtmetros de rede a, b,c,Ct,{3,Ie seus respectivos desvios padrao.
Conhecendo-se a cela unitaria, pode-se posicionar os vetores reciprocos e medir as intensidades de cada uma destas reflexOes(que satisfazem a condi<;iio de reflexiio).
As medidas das intensidades sao feitas por varredura movendo-se 0
de-tector e/ou 0 cristal de forma a se obter 0 seguinte perfil da reflexao:
M' '" ANGULO DE VARREDURA
6 .
D,= 02= 6