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Os efeitos da globalização na indústria têxtil

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OS EFEITOS DA

GLOBALIZAÇÃO NA

INDÚSTRIA TÊXTIL

Banca examinadora

Prof. Orientador: Antônio Carlos Manfredini

Prof. _

Prof. _srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1199901941

(2)

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FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESCOLA DE ADMINIS1RAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO

ALBERTO JORGE CHAN

OS EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO NA INDÚSTRIA TÊXTIL

Fundação Getulio Vargas •.•LKJIHGFEDCBA E t õ c o ' " d e A d m m n õ t r a ç . a o , ~ \CBA

d eE m p r e s a s d e51.0P l I U I O ~ . . ".'1

B i b l i o t e c a ~ . . . o' ,"

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Administração de Empresas MBAlFGV Orientador: Prof Antônio Carlos Manfredini

São PauloEDCBA 1199901941

1999

(3)

02.08BA GzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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C.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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LKJIHGFEDCBA

(4)

ÍNDICE

Capítulo 1 - Introdução 1

1.1 - Setor têxtilsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 2

1.1.1 - Setor de fiação 3

1.1.2 - Setor de tecido 12

1.1.3 - Setor de acabamento '" 13

1.1.4 - Setor de confecção 13

Capítulo 2 - Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) - Introdução 14 2.1 - Efeitos do Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) no

comércio mundial 19

2.2 -Efeitos do Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) no

comércio brasileiro 21

2.3 - Comentários finais 21

Capítulo 3 -Rede de Valores 24

3.1 - Setor de Fiação 26

3.2 - Setor de Tecido 27

3.3 - Setor de Acabamento 28

3.4 - Setor de Confecção 29

Capítulo 4 -Análise do mercado 30

4.1 - Jogadores (Parts) .30

4.2 -Valor adicionado (Added value) .40

4.3 -Regras (Rules) 43

4.4 -Táticas (Tactics) 48

4.5 - Escopo (Scope). 51

Capítulo 5 - Conclusão 54

(5)

Bibliografia 57

Anexos 59

Anexo 1- Produção de Fibras e Filamentos Têxteis no Brasil- 1963/97 60 Anexo 2 - Consumo Industrial de Fibras e Filamentos Têxteis no Brasil

1963/97 61

Anexo 3 - Comparação do Consumo e Produção Industrial de Fibras e

Filamentos Têxteis no Brasil- 1963/67 62

Anexo 4 - Balança Comercial Brasileira- 1975/1997 63

Anexo 5 - Rede de Valores da Fiação 64

Anexo 6 - Rede de Valores do Fabricante de Tecido 65 Anexo 7 - Rede de Valores do Setor de Acabamento 66

(6)

C a p ítu lo 1zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

INTRODUÇÃO

O mercado e as empresas nacionais se beneficiam das restrições impostas ao produto importado desde o início da industrialização no país. Esta política beneficiou as empresas e o comércio local que cresceu com a falta da concorrência externa. Este panorama começou a mudar em 1990, quando o então governo de Fernando Collor de

Melo, anunciava as diretrizes da política industrial e de comércio exterior. Estas

diretrizes tinham como meta, aumentar a qualidade dos produtos fabricados através do aumento da competitividade entre as indústrias.

O governo Collor adotou as seguintes medidas;

a) redução tarifária

b) adoção de um regime de câmbio flutuante

c) redução de barreiras àentrada de produtos estrangeiros

d) redução das burocracias impostas àimportação

Os efeitos destas medidas puderam ser finalmente sentidas com a implantação do Plano Real, que durante o período desta análise, obteve sucesso graças a estabilidade da

moeda. Esta estabilidade teve como grande aliado os produtos importados que

abasteceram o comércio e seguraram a forte pressão que o aumento de consumo exercia

(7)

sobre os preços. Este aumento de consumo foi resultado do salário ficar livre da desvalorização provocada pela inflação, que aumentou o poder de compra da população.

o

ponto desta tese, é justamente os efeitos da globalização e a abertura de mercado na

indústria têxtil brasileira e esta monografia visa demonstrar o impacto que a abertura da economia teve sobre o setor. Tratando-se de uma indústria tradicional, o setor convive com empresas em diversos níveis de modernização, onde máquinas antigas e modernas trabalham lado a lado. Para entendermos melhor a indústria têxtil vamos definir o que é o setor.

1.1 - O setor têxtil

O início e evolução do setor têxtil acompanhou a industrialização do país em 1860. Inicialmente sua implantação destinava-se a produção de tecidos grossos de algodão, feitos para sacaria de produtos agrícolas, que também eram utilizados como matéria prima para as roupas da população pobre e escrava. Originalmente a indústria têxtil se estabeleceu na Bahia, onde se encontrava farta matéria prima, mão de obra e o mercado consumidor, aliado as facilidades de transporte que o porto fornecia. Ao longo dos anos a indústria têxtil nacional se desenvolveu e veio a se estabelecer em grandes centros urbanos, acompanhando o desenvolvimento de cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e seus conswnidores em potencial.

Para este trabalho analisaremos a cadeia produtiva da indústria têxtil que tem várias etapas de produção (figuraCBA1 . 1 ) , onde ao final de cada uma delas é produzida matéria

(8)

o fabricante de tecido (tecelagem ou malharia), depois pela indústria do acabamento e finalmente terminando na confecção do vestuário.

Fiação

L..-A_c_a_b_am_en_t°----ll

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srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Figura 1.1

>

>

Tecelagem

Confecção Malharia

Analisaremos então os cinco setores da cadeia produtiva têxtil;

1.1.1 - O setor de fiação

A fiação produz a matéria prima necessária para fabricação de tecido. A indústria se divide em duas partes:

• fibra química • fibra natural.

(9)

a) Fibras químicas

As fibras químicas são produzidas a partir de matérias primas sintéticas ou artificiais. Existem certas propriedades vantajosas nas fibras químicas que faltam nas fibras naturais e são geralmente ligadas a resistência da fibra contra fatores externos provocados pela sujeira, abrasão e sua alta estabilidade dimensional que proporciona

boa aderência à aplicação de cor e brilho. Sua principal desvantagem está ligada ao

baixo poder de absorção de umidade, que compromete o conforto do usuário da roupa. O setor tem investido em pesquisa e desenvolvimento, com a finalidade de termos fibras químicas cada vez mais parecidas com as fibras naturais, adquirindo suas melhores propriedades, com a vantagem de ser um produto mais durável e em melhores condições de suprir o mercado, por que as fibras químicas tem uma grande vantagem sobre as fibras naturais de não depender de fatores como o tempo e as oscilações de colheita para sua produção, podendo aumentar sua produção sem grandes aumentos de custo e em prazos relativamente curto. No entanto a produção destas fibras necessita de grandes transformações químicas e necessariamente as empresas deste setor são formadas por grandes empresas, restringindo o número de participantes, concentrando o setor.

A indústria de fibras químicas se divide em fibras químicas artificiais e fibras químicas

sintéticas.

As fibras químicas artificiais listadas naLKJIHGFEDCBAf i g u r a 1.2, assim são chamadas por utilizarem

(10)

brilho e uma menor resistência. O modal é uma geração de fibra posterior ao viscose, que preservou a característica de um alto grau de absorção de umidade, mas adquirindo uma maior resistência. Finalmente o lionel, a mais recentes das fibras celulósicas, foi desenvolvida com o objetivo especifico de atender as aplicações até então possíveis apenas com o algodão e com a vantagem de ser três a cinco vezes mais resistente, com toque sedoso.

celulose

Figura 1.2

viscose

acetato

modal

lionel

As fibras químicas sintéticas são o poliester, poliamida, poliacrilica, polipropileno e poliuretano elastomérico. O poliester é a fibra química sintética mais importante e difundida, destacando-se pela sua alta resistência e características de fácil manutenção

(11)

(roupas que não amassam). A matéria prima do poliester é o ácido tereftálico e etileno glicol, que combinados por poli condensação formam o éster'. A poliamida ou nylon', divide com o poliester a liderança entre as fibras químicas sintéticas sendo sua matéria prima o caprolactame para o poliamida 6 e o hexametileno diamina e ácido adipico para o poliamida 66. Outra fibra química sintética, a poliacrilica ou acrílica tem como matéria prima a acrinolitrina e como característica o aspecto e toque similar à lã natural. O polipropileno tem como matéria prima o gás propano destilado por catalisadores, o que proporciona a vantagem de um baixo custo de produção. Não é de se estranhar que é a fibra que mais recebe investindo em pesquisa e desenvolvimento, onde o maior obstáculo é o fato de não ser possível aplicar a cor depois que a matéria prima se transforma em fio, ou seja fio feito a partir do polipropileno não poderá ser tingido. Finalmente temos o poliuretano elastomérico', uma fibra química de estrutura bastante complexa geralmente empregada agregando suas exclusivas propriedades elásticas à outra fibras. Isto resultou em artigos com novas características e aplicações até então impossíveis de se obter devido à estabilidade dimensional do fio, como artigos com elasticidade que se moldam ao corpo. Em resumo, as fibras química sintéticas tem a seguinte origem;

• Poliester - ácido tereftálico e etileno glicol • Poliamida (nylon) 6 - caprolactame

• Poliamida (nylon) 66 - hexametileno diamina e ácido adipico

1Éster é o nome que deu origem àdenominação poliestersrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

2Nylon é marca registrada da Du Ponto empresa que inventou o poliamida

(12)

• Poliacrílica (acrílica) - acrinolitrina • Polípropileno - gás propano destilado

• Poliuretano elastomérico (Lycra) - estrutura química bastante complexa

b) Fibra naturais

Das fibras naturais as principais são: lã, seda, linho, juta e algodão. Até o século vinte, as fibras de origem animal, vegetal e mineral, estavam entre as principais categorias de tecidos e em todo o mundo, o pêlo de animais obtidos a partir da tosa era usado como matéria prima para os fios de lã. A lã é a mais resistente e quente das fibras, apresenta a maior variedade de textura e cores e é também um retardador natural ao fogo.

A seda é uma fibra flexível e lustrosa, com comprimento que chega a mil e quinhentos metros, sendo facilmente manufaturada em tecido. Os segredos de sua produção foi bem guardado pelos chineses durante séculos e por isto acreditava que a seda era derivada de alguma planta, mas na verdade sua origem é o desenrolar do casulo do bicho da seda. Quase todas as plantas existentes na Terra, podem ser utilizadas como matéria prima para fibra natural, como a casca de coco, cuja fibra é extraída e utilizada na indústria automobilística para revestir os bancos do automóvel. A mais conhecida de todas as fibras naturais é o linho, apesar de amassar mais que outras fibras, o linho é extremamente elegante e tem a tendência de melhorar sua aparência com o passar do tempo. Outra fibra natural muito utilizada é a juta, da mesma família do linho, mas com qualidades bem inferiores que o linho e usada como sacaria.

A fibra natural mais utilizada é o algodão cuja origem é o casulo, uma mecha branca que protege a semente da planta. O algodão se desenvolve melhor em regiões que tenham

(13)

chuvas pesadas na época de germinação e melhoram a qualidade quando enfrentam um período de seca na época que os casulos amadurecerem. Sua maior qualidade é seu alto grau de absorção de umidade e grande sensação de conforto, mas peca pela sua baixa resistência à abrasão, falta de brilho e baixa afinidade na aplicação de cor à fibra

Neste breve resumo das fibras químicas e naturais, vimos uma variedade de opções existentes no mercado para se construir um tecido. Este número de opções aumenta ainda mais quando combinamos dois ou mais tipos de fibras, como a composição do linho com uma fibra sintética, que mantém o produto final com as qualidades do linho, sem o inconveniente de amassar. Estas combinações de fibras e o desenvolvimento de

novas fibras químicas aumentou a aceitação do consumidor pela fibra química. ALKJIHGFEDCBAf i g u r a

1 . 3 é o gráfico da produção de fibras e filamentos têxteis brasileiros no período de 1990 à 1997 extraídas do quadro noa n e x o 14.Pelo gráfico podemos observar que a produção de fibras químicas cresceu 15%, de 335500 toneladas para 387200 toneladas, enquanto que a produção de fibras naturais caiu 52%, de 728700 toneladas para 347200 toneladas. Em 1990 as fibras químicas representavam um terço do total de fibras produzidas e em 1997 as fibras químicas passava da metade do total produzido. Este aumento da produção de fibra químicas ocorreu pelo desenvolvimento de novas fibras e filamentos, com propriedades que se aproximam das qualidades encontradas em fibras naturais, proporcionando uma maior versatilidade ao fabricante de tecido e moda em geral, oferecendo maior vantagem comparativa em relação as fibras naturais.

(14)

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Figura 1.3

Podemos notar pelo gráfico da produção de fibras e filamentos têxteis (figura 1.3), que o total produzido diminuiu cerca de 30%, de 1064200 toneladas para 734400 toneladas, no período de 1990 a 1997, indo contrario a tendência de aumento de consumo, representado pelo gráfico do consumo de fibras e filamentos têxteis da figura 1.4 e

extraídos dos dados do anexo 25. O gráfico mostra que houve um aumento de consumo

no período graças ao aumento de consumo das fibras químicas.BAA s fibras químicas

aumentaram seu consumo em 61%, de 313400 toneladas para 504700 toneladas, enquanto que as fibras naturais variaram apenas 5%, de 794400 toneladas para 833400

5Fonte ABIT jSinditêxtil

(15)

toneladas. Os números mostra a tendência do consumidor em consumir mais as fibras químicas, mas mesmo assim as fibras naturais ainda representam 60% do total de fibras consumidas em 1997.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Consumo industrial de fibras e filamentos têxteis no Brasil

1600 1400

li> 1200 ~ til "O 1000 til ã; c 800 o

I-oEDCBA600

o o .•.. 400 200 O ~NATURAL _QUíMICA --TOTAL

1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997

ANO

Figura 1.4

(16)

as fibras naturais. Isto mostra que é mais fácil importar que plantar pois as fibras

naturais são influenciadas por fatores como condições do tempo e época de colheita.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Gráfico da corrparação do consurro e produção industrial de fibras e filarrentos têxteis no Brasil 1990/97

100

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-500 -600 -700

Ano

Figura 1.5

(17)

1.1.2 -O setor de tecidosrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

setor de tecido é a etapa de transformar a matéria prima (fio natural ou sintético) em tecido. O processo de fabricação de tecido é dividido em:

• Tecelagem

• Malharia

a) Tecelagem

Este processo de fabricação do tecido consiste em entrelaçar o fio, formando uma tela. Os tecidos em tecelagem geralmente são usados nos lençóis de cama, toalha de banho, toalha de mesa, camisas e jeans. Pela sua formação são tecidos com características mais estáveis e resistentes, não se deformando com facilidade.

b) Malharia

(18)

1.1.3 -O setor de acabamentosrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

setor de acabamento é responsável pelo tingimento do tecido. Neste processo o tecido

passa pela lavagem, tingimento e acabamento. A lavagem é necessária para tirar as impurezas que se acumularam na fabricação do tecido e o tingimento deixa o tecido na cor desejada. Finalmente o acabamento é feito para dar características ao tecido, como

toque e aparência.

1.1.4 - O setor de confecção

o

setor da confecção é o fim da cadeia produtiva têxtil. A confecção utiliza. como

matéria prima tecidos e aviamentos (botões, zíperes, linhas de costura) e os confecciona nos mais diversos artigos de vestuário, cama, mesa e banho.

Este é o setor da cadeia produtiva têxtil que mais requer mão de obra por que é necessário uma pessoa para operar uma máquina de costura, restringindo a produção e

qualidade diretamente àmão de obra empregada.

(19)

C a p ítu lo 2zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ACORDO SOBRE TÊXTEIS E VESTUÁRIOS (ATV) - INTRODUÇÃO

No capítulo anterior mostramos o que é o setor têxtil, sua cadeia produtiva e a origem de sua matéria prima. Neste capítulo vamos mostrar como surgiu o Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) e seus efeitos no mercado têxtil mundial e brasileiro.

Os primeiros acordos firmados entre países importadores e exportadores, tinham como objetivo proteger o parque industrial de um país que esteja sendo ameaçado por produtos importados mais baratos. Estes acordos seriam para proteger a indústria local da concorrência externa, ganhando tempo para que seus processos produtivos pudessem ser modernizados e estar preparados para a concorrência externa

Após a segunda guerra mundial, uma grande parte do comércio internacional, era regido

por complexas normas de transações e processos alfandegários que produziam

complicados procedimentos de licenças de importação, dificultando o comércio externo. A grande variedade de restrições eram impostas por todos e à todos, com a finalidade de dificultar a entrada de mercadoria importada, protegendo assim o mercado interno. No

entanto nos anos cinqüenta, as restrições alfandegárias foram obrigatoriamente

reduzidas, como parte de uma liberalização geral do comércio externo, determinada pelo

(20)

ocasionar um déficit na balança comercial, ou seja importar mais do que exportar. For3?1 então criadas restrições quantitativas, com aplicações de quotas de importação e tarifas alfandegárias para produtos importados.

Países mais desenvolvidos tiveram uma emergente importância como exportadores de produtos modernos e tecnologicamente mais avançados, estando a frente de países

menos desenvolvidos. Em contra partida estes mercados ficaram vulneráveis a

importações de produtos de baixo valor, baixa tecnologia que geralmente necessita de mão de obra intensiva. Os países mais desenvolvidos passaram a criar pressões internacionais, para formarem diferentes métodos de controle das importações, com a finalidade de proteger sua indústria local.

Apesar dos produtos têxteis não serem os únicos a fazer parte deste processo, eles eram claramente os de maior interesse, ficando evidente no fato de serem os únicos produtos isentos das regras gerais dohgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAG A 1 T , merecendo um tratamento próprio na forma do 1961

Acordo de Curto Prazo sobre o Comércio Internacional de Têxteis de Algodão (A C P ). O

tratamento especial dado pelo acordo, foi criado para possibilitar a implantação de medidas de transição, nas quais procuravam facilitar o processo de ajustes necessário no setor têxtil em países desenvolvidos, diante da concorrência de produtos importados. Este acordo foi então estendido ao Acordo de Longo Prazo de Têxteis de Algodão (1962-73), baseado num novo conceito de " m a r k e t d is r u p tio n " 6,ou ruptura de mercado,

que possibilitaram medidas antes não previstas no primeiro acordo do G A 1 T .

Em 1974 entrou em vigor o acordo Multifibra (MFA), um acordo mais detalhado e

completo, que estendeu as restrições já existentes aos produtos têxteis e manufaturadossrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

6m o rIeetd ism p tilJn , ruptura de mercado, quando algum fator causa uma mudança no comportamento de mercado

(21)

de algodão para incluir produtos feitos através da fibra de lã, fibra sintética e outras fibras vegetais. O objetivo do acordo multifibra era "conquistar a expansão do comércio, a redução de barreiras deste comércio a progressiva liberação do comércio mundial de produtos têxteis, enquanto ao mesmo tempo assegurar o desenvolvimento ordenado e justo deste comércio, evitar efeitos danosos em mercados individuais e nas linhas individuais de produção tanto no país importador como no país exportador" e "avançar o desenvolvimento social e econômico de países em desenvolvimento, assegurar um aumento substancial nas receitas de exportação de produtos têxteis e proporcionar uma maior fatia para eles no comércio mundial destes produtos"?

Operacionalmente o acordo Multifibra foi usado como forma de proteção ao mercado interno, determinando regras para imposição de quotas, tanto através de acordos bilaterais como ações unilaterais. Estas regras, ou imposições de quotas eram utilizadas

quando explosões de mercado causassem desordem ou ameaças aos países

importadores. Ao impor quotas, países importadores são obrigados a observar a

necessidade de uma consulta prévia à Organização Mundial do Comércio (OMC) e

seguir regras específicas para determinar parâmetros tanto para uma ruptura de mercado, quanto introduzir e manter uma restrição à um membro exportador.

O Acordo Multifibra foi um grande avanço dos termos originais do acordo do GATT e especialmente no princípio de não discriminação aos países exportadores, que estabelece as mesmas regras e vantagens para todos. A não discriminação aos países exportadores, foi desenhada para proteger os países menos favorecidos, ou menos desenvolvidos, dos produtos de países industrializados mais modernos. Este acordo é mais conhecido como

cláusula do país mais favorecido, ou MFC abreviação dehgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA" m o s t fa v o u r a b le c o u n tr y " .srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(22)

Várias mudanças e adaptações ocorreram no andamento do Acordo Multifibra entre

197~à 1994, com emendas negociadas inúmeras vezes e inclusão de novas cláusulas e

produtos. A complexa rede de quotas bilaterais impostas dentro do Acordo Multifibra também era renegociada constantemente a curtos intervalos onde nos últimos anos, seis participantes do Acordo Multifibra, Áustria, Canada, União Européia, Finlândia,

Noruega e Estados Unidos aplicaram quotas de importação, variando de acordo com o país exportador e o produto importado.

Em 1994 o Acordo Multifibra era composto por 44 membros, que na verdade representavam menos da metade dos membros do GATI, mas mesmo assim o acordo já era apontado pela maioria dos integrantes como de grande interesse para o comércio mundial. Sendo a indústria têxtil um setor de mão de obra intensiva e baixa tecnologia, é a combinação perfeita para um país com uma vasta população entrar no mercado mundial e foi por isto que a China, mesmo não sendo membro do GATI, demonstrava

grande interesse pelo acordo.

A ata final do acordo Multifibra foi assinada em 15 de abril de 1994 no Marrocos, sendo seus principais pontos finais, a redução de tarifas ou taxas de importação, novas regras de comércio para produtos agrícolas, extensão aos serviços dos princípios de livre

comércio do GATI-1994, proteção e reconhecimento internacional aos direitos de

propriedade industrial.' Mantidos os pontos do acordo, em Janeiro de 1995 o Acordo Multifibra foi substituído pelo Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) com prazo final em 2004. Findo o prazo não haverá prorrogação e nem novos acordos firmados, não havendo mais restrições no comércio mundial de produtos têxteis. A partir de então os

8Lígia Mama Costa,BAO M ehgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAM m m o l P n :iJia J d o R o d o d a d o U ru g u a i, São Paulo, Saraiva, 1996.

(23)

países mais desenvolvidos não mais poderão impor restrições aos produtos têxteis de países menos desenvolvidos.

Alguns itens do acordo são importantes como o mecanismo de salvaguarda, que permite

países restringir as importações de produtos cobertos pelo Acordo sobre Têxteis e

Vestuários (ATV), caso haja substancial aumento no volume de importação", Estes mecanismos são na forma de imposição de quotas, tarifas alfandegárias e restrições a entrada em geral de produtos importados. A primeira etapa do país importador para impor a medida de salvaguarda, é comprovar se realmente houve aumento de volume na importação e se este aumento tenha causado danos sérios àindústria local'". Existe uma lista de variáveis econômicas descrita no Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV), que poderá ser usada como possível motivo para aplicar o mecanismo de salvaguarda. Algumas variáveis seriam comparar os níveis de importação de outros países para um determinado produto, a utilização da capacidade produtiva interna, a porcentagem da parcela de mercado local pertencente ao produto importado, a variação nos níveis de

emprego e preços internos afetados pela importação.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAII Épreciso também demonstrar

que o prejuízo não foi causado por fatores não ligados àimportação, como mudança no

comportamento do consumidor, mudança no seu gosto. Outra etapa seria obviamente determinar a qual membro do Acordo sobre Têxteis e Vestuários (ATV) se atribui este dano, para que possam ser aplicadas as devidas medidas de salvaguarda'i e a medida de salvaguarda deverá ser aplicada seletivamente de país a país13.

9Lígia Mama Costa,hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAO M C M o n u a JP ro tito d o R o d a d a d o U rug1lt1i, São Paulo, Saraiva, 1996.

10Artigo 62 e 63, do Acordo Sobre Têxteis e Vestuários (ATV) 1995-2004

11Artigo 6.4, do Acordo Sobre Têxteis e Vestuários (ATV) 1995-2004

12Artigo 62 e 6.3, do Acordo Sobre Têxteis e Vestuários (ATV) 1995-2004

(24)

Para aplicações de medidas dentro do Acordo sobre Têxteis e Vestuários (ATV) criou-se umaentidade, o órgão de Supervisão de Têxteis (OST) para acompanhar a evolução e aplicação do acordo. Este órgão poderá também organizar consultas entre membros e deverá encaminhar um relatório completo 'ao Conselho para o Comércio de Bens, antes

do término de cada uma das fases de implementação previstas pelo acordo.14

2.1 - Efeitos do Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) no comércio mundial

o

Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV), originou para proteger os países maís

desenvolvidos a preparar sua indústria local para enfrentar a concorrência externa de produtos têxteis. Uma das medidas de proteção foi o mecanismo de salvaguarda de imposição de quotas aos produtos importados, onde as quotas eram aplicadas aos países exportadores. Esta imposição de quotas de importação, resultou num deslocamento do processo produtivo de países que já tinham suas quotas comprometidas, para países com

menos restrições à exportação. Esta mudança no processo produtivo de um país para

outro, fez com que o campo de restrições aumentasse para um número cada vez maior

de países exportadores, estimulando indústrias em países que normalmente não

entrariam no mercado internacional, aumentando muito a concorrência e a capacidade

produtiva global de artigos têxteis.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) possibilitou uma transparência no comércio

internacional de produtos têxteis e vestuário, e um certo grau de previsão do que iria

ocorrer. Enquanto os países industrializados adotavam medidas para encarar aCBA

'.

14Ligia Maw:a Costa,BAO M ehgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAM o n m zl P ro tia ; d o R o d a d o d oU n t g 1 I O i , São Paulo, Saraiva, 1996,

.

(25)

competição, os países em desenvolvimento conseguiram com sucesso, aumentar sua participação no mercado mundial, se tornando ainda mais competitivos. Países em

desenvolvimento sujeitos a restrições quantitativas, progressivamente melhoram a

qualidade de seus produtos têxteis exportados, forçando toda a cadeia produtiva a passar para uma produção mais sofisticada, com melhor qualidade e custos. Esta concentração da infra-estrutura de produção gerou ganhos de escala, agregando as vantagens comparativas de mão de obra mais barata, com as vantagens competitivas de países mais

desenvolvidos, que transferiam seus processos produtivos, sua tecnologia e know how.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

primeiro país a se destacar como grande exportador de produtos têxteis foi o Japão,

que dominou o mercado têxtil internacional após a segunda guerra mundial. Com o desenvolvimento do país e sua mão de obra deixando de ser uma vantagem comparativa, o Japão veio ceder espaço para os Tigres Asiáticos representados por Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Singapura. O sucesso obtido pelos Tigres Asiáticos aumentaram o interesse do bloco ASEAN, representados por China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Srilanka, Tailândia e Vietnã, por causa da mão de obra abundante e barata.

Dentro do bloco ASEAN, a China é o país que mais tem se destacado no comércio mundial, com salto de suas exportações de US$8.5 bilhões em 1986 para US$37.9 bilhões em 1995, sendo 25.5% deste total produtos têxteis e de vestuários." Apesar deste desempenho a China está preocupada com o futuro do setor têxtil,onde a indústria do vestuário de mão de obra intensiva, que emprega um grande número de pessoas, se prepara para um crescimento três vezes menor que o previsto. Esta queda na previsão de vendas se deve ao aumento de preço de sua matéria prima, ao aumento do custo da mão

de obra interna e principalmente àconcorrência de países emergentes do setor, devido a

(26)

atual crise dos países do bloco ASEAN que sofreram uma desvalorização de sua moeda,

barateando as exportações.

2.2 - Efeitos do Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV) no comércio brasileiro

Para proteger o mercado interno e controlar a balança comercial brasileira, não importando mais do que exportando, o país manteve o comércio fechado para o mundo restringindo as importações. As exportações eram competitivas graças aos subsídios que o país oferecia aos exportadores, mesmo porque a indústria nacional tinha poucas

condições de competir com seus produtos.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

mercado brasileiro têxtil sentiu os efeitos do Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV)

porque o investimento em modernização não era uma imperativo para a sobrevivência do setor e o fator qualidade era desprezado. Mesmo as empresas que tentavam

modernizar seu processo produtivo, tinham à disposição somente maquinário nacional

tecnologicamente ultrapassado. Para combater a importação e a concorrência prevista no Acordo sobre Têxteis e Vestuário, o setor têxtil nos países desenvolvidos recebeu pesados investimentos em modernização e automação do maquinário, vindo a ser uma das áreas de maior capital intensivo dentro do setor de manufatura de seus países.

2.3 - Comentários finais

o

Acordo sobre Têxteis e Vestuário foi criado para proteger as empresas dos países

importadores das importações de países menos desenvolvidos com mecanismos como as

medidas de salvaguarda. Porem o Brasil não usa o mecanismo de salvaguarda para

(27)

proteger sua indústria têxtil. O anexo 4 mostra o quadro da balança comercial têxtil

brasileira de 1975 a 1997 e seus dados estão representados no gráfico da figura 2.1. O saldo da balança comercial têxtil foi sempre favorável ao país, exportando mais que importando. Este saldo da balança comercial ficou desfavorável ao país após a abertura de mercado com um aumento de mais de 2 bilhões de dólares nas importações, resultando num déficit de 1 bilhão de dólares. O aumento nas importações de produtos

têxteis e seus efeitos na indústria local seriam argumentos para pedir junto à

Organização Mundial do Comércio (OMC) medidas de salvaguarda para as importações têxteis. A aplicação de medidas de salvaguarda porem, podem servir de retaliação a outros produtos nacionais de maior peso nas exportações brasileiras.

Giíioo dasrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBABaa--ça Corrercial Têxlil- 1900'97

no

2500

2COO

ti) 1&Xl Q)

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~

Cf)

O

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-500 -1CXX> -1 &Xl

c:::JEXPCRfPÇÃQ _ltvRJRTAÇÃQ -S4lDO

(28)

Nestes dois primeiros capítulos, foi mostrado um cenário geral da cadeia produtiva têxtil e o acordo vigente junto a OMC sobre o comércio internacional têxtil. A análise do setor têxtil será feita de agora em diante, de acordo com o esquema proposto por Nalebuff e Brandenburguer, em seu livro Co-opetição.

(29)

C a p ítu lo 3zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

REDE DE VALORES

A Rede de Valores proposta por Nalebuff e Brandenburguer, é uma representação dos

jogadores que atuam no mercado de uma empresa.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAALKJIHGFEDCBAf i g u r a 3 . 1 representa o mapa esquemático da Rede de Valores para facilitar a visualização do jogo todo.

A REDE DE VALORES

(30)

Este mapa da Rede de Valores representa todos os jogadores e as interdependências existentes entre eles. Na dimensão vertical da Rede de Valores encontram-se os clientes e fornecedores desempenhando papeis simétricos onde produtos e serviços fluem do fornecedor para a empresa e da empresa para seus clientes e o dinheiro flui no sentido oposto. Dentro da Rede de Valores as empresas tem fornecedores em comum, como os funcionários que fornecem a mão de obra essencial para a produção industrial, as companhias elétricas que fornecem a energia, as redes de água e esgoto que fornecem o saneamento básico e as empresas telefônicas.

Na dimensão horizontal estão os concorrentes e os complementadores da empresa que desempenham papeis de imagem refletidas no espelho, com definições distintas tanto para os clientes como para fornecedores representadas pela linha que contorna a Rede de Valores.

Um jogador é complementar quando:

a) No ponto de vista do cliente se valoriza mais o produto da empresa quando se tem um produto de outro jogador do que quando se tem o produto isoladamente. b) No ponto de vista do fornecedor, um jogador é complementar quando é mais

interessante para ele proporcionar recursos quando também está suprindo o outro jogador do que quando supre somente a você.

(31)

Um jogador é concorrente quando:

a) No ponto de vista do cliente um jogador é concorrente quando se valoriza menos o produto da empresa quando se tem o produto de um outro jogador do que quando se tem o produto isoladamente.

b) No ponto de vista do fornecedor um jogador é concorrente quando for menos interessante proporcionar recursos quando também está suprindo o outro jogador do que quando supre somente a você.

Passaremos a descrever a Rede de Valores para cada setor da cadeia produtiva têxtil.

3.1 - Setor de Fiação

A Rede de Valores setor de fiação está representada noLKJIHGFEDCBAa n e x o 5. Os clientes da fiação

são as tecelagens e malharias que fabricam o tecido e as confecções que utilizam o fio para costurar o vestuário. Algumas empresas revendem o fio no mercado para empresas que por falta de tradição ou crédito, não conseguem adquirir a matéria prima diretamente do fabricante. Seguindo a dimensão horizontal da Rede de Valores as fiações tem como fornecedor de matéria prima as diversas cooperativas e produtores rurais para as fibras naturais e as indústrias do polo petroquímico de Camaçari para as fibras químicas.

Na dimensão horizontal encontram os concorrentes e complementadores da fiação. Com

(32)

imunes as regras de livre mercado e ditavam os preços através de acordos firmados entre. si. Isto acabou com a queda nas barreiras comerciais e a entrada de produtos

importados mudando o mercado.

Do ponto de vista do cliente, as fiações são complementadores onde não usar matéria prima de um único fornecedor pode ser vantajoso em termos de menores custos,

aproveitando a vantagem que cada fiação pode oferecer.

Dentro da cadeia produtiva têxtil todos os setores são complementadores. Um exemplo disto é as necessidades de atender a indústria automobilística. Os automóveis utilizam tecido para forrar os bancos e como as áreas cobertas costuma ser grandes, a padronização da cor sempre foi um problema por não manter a tonalidade do tecido uniforme. A solução encontrada foi tingir o fio e não o tecido para se atingir uma padronização na cor. Este processo de tingir o fio esbarrou num problema técnico, a capacidade da máquina que tinge o fio não suportava a quantidade necessária para atender o set Up16de uma máquina de tecido. A solução veio com a exigência das montadoras para que todos da cadeia produtiva, fiação, fabricante de tecido e confecção, literalmente sentassem numa mesa para discutir as medidas a serem tomadas por cada um, afim de proporcionar a padronização e qualidade necessária.

3.2 - Setor de Tecido

OLKJIHGFEDCBAa n e x o 6 representa a Rede de Valores dos fabricantes de tecido, que tem como seu

principal cliente as confecções de vestuário, atacadistas ou lojas que revendem os

16Set up, troca desrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAauga de uma máquina

(33)

tecidos. Após a abertura comercial houve uma redução no número de lojas atacadistas de tecido, porque uma grande parcela dos clientes das lojas, costumavam contratar costureiras autônomas para fazer as roupas e com a queda do preço das roupas e o aumento do custo da mão de obra cobrada pelas costureiras, fizeram com que estes consumidores mudassem seu hábito e comprassem a roupa pronta. Outro cliente dos fabricantes de tecido são as empresas que utilizam produtos têxteis fora do vestuário como correia industrial, isolante térmico, trama de aço para pneu, tecido para revestimento interno de automóveis. Na mesma dimensão vertical estão os fornecedores de matéria prima, as fiações e os atacadistas de fio.

Os complementadores dos fabricantes de tecido são também seus concorrentes na visão de seu cliente por que a utilização de matéria prima vinda de duas fontes não o torna depende somente de um fornecedor e ainda pode proporcionar uma redução de custo e produtos diferenciados. Do ponto de vista do fornecedor, o setor de acabamento na cadeia produtiva têxtil, é um complementador de seus produtos, onde os dois setores tem de trabalhar em conjunto e procurar soluções para uma melhor qualidade e padrão de seus produtos. O fabricante de tecido necessita dar o acabamento no seu produto e o setor de acabamento necessita do tecido para prestar este serviço. Na mesma dimensão horizontal estão os concorrentes deste setor que são os próprios fabricantes de tecido e os tecidos importados.

3.3 - Setor de AcabamentosrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

setor de acabamentoLKJIHGFEDCBA( a n e x o 7) na cadeia produtiva têxtil dá cor e textura ao tecido e

(34)

são empresas químicas que fornecem produtos como anelina, corante, catalisadores, amaciantes.

Os complementadores deste setor são os fabricantes de tecido e as próprias empresas deste setor. Para o cliente muitas vezes uma empresa de acabamento não tem condições de atender os diversos tipos de tecido que produz por ser economicamente inviável manter várias linhas de produção para tingir todos os tipos de tecido. Seus concorrentes são as empresas deste setor e o tecido importado que não precisa ser tingido e está substituindo um tecido nacional que teria de passar por este processo.

3.4 - Setor de Confecção

A Rede de Valores das confecções está representada no anexo 8. Seus clientes são os

consumidores finais e revendedores de roupas, quer seja um supermercado, ou uma loja, ou um magazine, ou até mesmo aquelas chamadas "sacoleiras", que compram as roupas para revende-las. Seus fornecedores de matéria prima são os fabricantes de tecido, as importadoras de tecido e as fiações que fornecem o fio para costura.

Seus concorrentes são as próprias confecções e os importadores de vestuário. Seus complementadores são as empresas de embalagens e etiquetas que melhoram o visual do produto facilitando seu manuseio e auxiliando na venda melhorando a percepção do

cliente.EDCBA

29

LKJIHGFEDCBA

(35)

C a p ítu lo 4zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ANÁLISE DO MERCADO

Seguindo o esquema proposto por Nalebuff e Brandenburger, em seu livro Co-opetição, analisaremos o mercado de acordo com os cinco elementos essenciais que compõe qualquer jogo no mercado definido pelo autor como: "PARTS", ou seja; jogadores

(players), valor adicionado (value added), regras (roles), táticas (tactics) e escopo

(SCOpe).17

4.1 - Jogadores (players)

Pelos conceitos discutidos na Rede de Valores da empresa no capítulo 3, os jogadores que participam com a empresa no mercado são os clientes, fornecedores, concorrentes e complementadores. Como vimos no capítulo 1 a indústria têxtil tem várias etapas produtivas e ao final de cada uma é produzida a matéria prima para a próxima etapa da cadeia produtiva. A fiação fornece a matéria prima para o fabricante de tecido que tem

(36)

como cliente a confecção. Iniciaremos então a análise pelos fornecedores de matéria prima da fiação.

Os fornecedores de matéria prima para as fiações químicas são empresas do pólo petroquímico de Camaçari. O pólo petroquímico foi construído com auxílio do governo federal, que financiou sua construção através do BNDES. Além do incentivo fmanceiro, o governo garantiu o mercado às empresas que acreditaram no projeto, fechando as importações de produtos químicos derivados de petróleo. Em busca de novos

fornecedores, Nalebuff e Brandenburger sugere em seu livro pagar para trazer novos participantes e é isto o que o governo fez ao montar o polo petroquímico. Cinco grupos empresariais se estabeleceram em Camaçari, Oderbrecht, Ultra, Suzano, Mariani e Ipiranga, todos controlados pela holding Norquisa, que por sua vez controla a Copene, empresa que produz e distribui os derivados do refino de petróleo, como Nafta e outros

produtos essenciais às indústrias petroquímicas. A estrutura montada no polo

petroquímico de Camaçari está passando por uma mudança com a venda de

aproximadamente 28% da Norquisa, pertencentes ao grupo Econômico que sofreu intervenção do Banco Central (BACEN). Se um dos cinco grupos empresariais obtiver as ações que pertencem ao grupo Econômico, este passará a controlar a Copene, quebrando o equilíbrio existente.

Os fornecedores das fiações de fibra natural são as beneficiadoras de algodão, que compram a safra de agricultores e repassam a matéria prima já em fardos (algodão pluma) . Com a abertura econômica, o país passou também a importar o algodão em pluma, aumentando o número de fornecedores e a oferta da matéria prima necessária para a fabricação do fio no mercado.BAA s fiações por sua vez enfrentam uma pressão de

queda em suas vendas, resultante da tendência da indústria de confecção em optar por

(37)

tecidos feitos a partir de fibra sintética. Isto ocorre por que os tecidos sintéticos tem uma maior versatilidade e variedade de acabamento, que possibilita ao setor de vestuário produzir uma maior variedade de roupas. A fibra sintética leva vantagem por oferecer maior brilho ao tecido, cores mais fortes e vivas, características que normalmente não se consegue em tecidos de fibra naturaL A substituição do algodão nacional pelo importado, como mostra o gráfico daLKJIHGFEDCBAf i g u r a 1 . 5 resultou numa redução nos preços do

fio de algodão, de aproximadamente 20% no período de 1994à 1997.

Conhecendo os fornecedores das fiações vamos aos participantes da indústria têxtiL Se tratarmos a cadeia produtiva têxtil em números de empresas, veremos que existe um número relativamente pequeno de empresas no setor de fiação, aumentando no fabricante de tecido e ficando maior ainda na confecção. O setor de fiação é uma indústria concentrada, com poucos participantes e a partir do fabricante de tecido a indústria é composta por um grande número de empresas com a peculiaridade da ausência de um líder de mercado com influência sobre a atuação da indústria como um todo. Porter defini esta indústria como fragmentada".

O grande número de pequenos e médios fabricantes de tecidos, que caracteriza a indústria fragmentada, são na sua maioria empresas familiares, que mesmo não tendo

participação significativa individual no mercado, são em conjunto os maiores

fornecedores para a indústria do vestuário. Estas empresas não tem a disposição de se

juntarem, nem o capital para investir na ampliação e modernização de suas fábricas,

mas são influenciadas pelos fatores econômicos básicos da fragmentação, expondo a

empresa a ineficiência; perda de diferenciação do produto e capricho de clientes e fornecedores. Muitas empresas não reestruturam suas fábricas, mas fazem pequenos

(38)

ajustes para se manter no mercado, sobrevivendo como podem, aguardando por uma melhora no mercado ou uma mudança nas regras.

A confecção é o setor da indústria têxtil formada principalmente por pequenas e micro empresas. Este é o setor que apresenta a menor barreira de entrada da cadeia produtiva e a mais dependente de mão de obra. Segundo Nalebuff e Brandenburger trazer mais clientes para o jogo resulta em mais vendas e maiores lucros, aumentando o bolo. Com um maior número de clientes, nenhum cliente isolado é essencial, reduz o valor adicionado de todos os existentes e aumenta o poder de barganha do vendedor. Dentro do setor de confecção existem as empresas que vendem diretamente seus produtos ao

consumidor e encontram-se no bairro do Bom Retiro e do Brás.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉbom para um lojista que os clientes comprem também de outro concorrente, trabalhando em cooperação. Se

um só lojista começa a vender demais, ele começa a acumular pedidos e abre espaço para o concorrente que consegue atender prontamente as necessidades do cliente. Se houver poucos compradores a concorrência se acirra, iniciando uma guerra de preços, que certamente trará prejuízo para todos.

ALKJIHGFEDCBAf i g u r a 4 .1 representa o quadro com o número de empresas, funcionários e a idade

média dos equipamentos das fiações, tecelagem, malharia, acabamento e confecção no mercado em 1990 e 1996. A tabela demonstra que a idade média dos equipamentos vem diminuindo, mas para avaliarmos se realmente as empresas modernizaram seu parque industrial depende de uma análise mais detalhada dos números. Em geral as empresas

com equipamentos mais obsoletos tem menos chances de sobrevivência frente à

concorrência e a sua desativação melhora a idade média dos equipamentos no mercado sem que houvesse investimento no setor.

(39)

1990 1996 1997/1990

Fiações 1179 617 47,67%

Mão de obra total 272037 117527 -56,80%

Idade média equipamento 12,43 7,94 -36,12%

Tecelagem 1458 834 42,80%

Mão de obra total 401664 155591 ~1,26%

Idade média equipamento 12,77 11,63 -8,93%

Malharia 3766 2891 -23,23%

Mão de obra total 150702 107868 -28,42%

Idade média equipamento 11,2 10,52 ~,07%

Acabamento 818 469 42,67%

Mão de obra total 69399 37901 45,39%

Idade média equipamento 12,11 4,5 -62,84%

Confecção 15497 10520hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA-3 2 .1 2 "1 0

Mão de obra total 505200 180375 ~,30%

Idade média equipamento 11 5,3 -5 1 ,8 2 "1 0

Fonte: IEMI

Figura 4.1zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Conforme mostram os dados daLKJIHGFEDCBAf i g u r a 4 .1 houve uma redução de empresas e empregos

em todos os setores, nas fiações foram 560 empresas e mais de 150 mil empregos, na tecelagem e malharia 1500 empresas e quase 300 mil empregos, no setor de acabamento 350 empresas e 30 mil empregos e na confecção 5000 empresas e 320 mil empregos. O

total de empresas fechadas passa de 7mil, sendo 70% delas só no setor de confecção. Os

(40)

Como estratégia para lidar com o declínio Porter sugere;

a) Procurar a liderançasrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

setor de fiação é formado por grandes empresas químicas, relatadas no capítulo 1,

com um número reduzido de empresas. Estas empresas sentiram o impacto na queda nas vendas e a redução da lucratividade, reduzindo os níveis de investimentos no setor, ficando ainda menos competitiva, perdendo mais parcela de mercado, se auto destruindo, valendo cada vez menos. A solução para as empresas nesta setor, seguindo as estratégias sugeridas por Porter, seria buscar a liderança do mercado, solidificando sua posição em termos de parcela de mercado. Esta estratégia visa tirar proveito de uma indústria em declínio cuja estrutura é tal, que a empresa ou as empresas remanescentes tem o potencial para obter uma rentabilidade acima da média e manter uma liderança viável frente àconcorrência. A premissa que fundamenta esta estratégia é que, alcançada a liderança, a empresa fica em situação superior para manter posição ou para otimizar o fluxo de caixa proveniente do negócio.

Um grande fabricante de poliester, a Polyenka subsidiária da Akzo Nobel, adotou a estratégia de venda da empresa, mas como no mercado não haviam compradores para sua fábrica a venda não se realizou. A empresa então mudou de estratégia, partindo de uma estrutura mais enxuta, tendo se preparado para a tentativa de venda, adotou a postura de procurar a liderança, investindo na empresa, diminuindo seus custos através do incremento da produção e melhoria na qualidade. Nos últimos dois anos, a empresa

19 POder, Michael. E,hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAE rtn rtig iaC o m p etitiva , Rio de Janeiro, Campos, 1997EDCBA

(41)

tem feito investimentos na ordem de US$38 milhões" para solidificar sua parcela de mercado.

Algumas fusões de empresas ocorreram, como das fiações Rhodia e Hoechst formando a Fairway. A Rhodia foi líder na fabricação de fibras químicas, tanto de poliamida como de poliester e a fusão foi a estratégia utilizada para reduzir os custos, tanto produtivos,

como administrativos e adequar a capacidade produtiva das empresas à reduzida

demanda de mercado. Esta fusão passa agora por uma cissão com a venda da linha de

poliester para um grupo mexicano/canadense se dividindo em Fairway e Fairway

Poliester.

b)Nicho

A estratégia do nicho tem como objetivo identificar um segmento (ou grupo de demanda) da indústria em declínio, que irá manter estável a demanda ou reduzi-la lentamente e que possua características estruturais que permitam altos retornos. A empresa investe na solidificação de sua posição neste segmento. Algumas empresas estão conseguindo se destacar neste mercado fragmentado e uma destas empresas é a Coteminas, que através de um longo processo de modernização de seu parque industrial, reduziu seus custos de produção e conquistou ganhos de escala Uma vez conquistado um baixo custo de produção a empresa passou então a comercializar as marcas Santista e Artex na sua linha de roupas de cama e banho, garantindo um melhor retomo sobre o investimento através da comercialização da marca.

(42)

c) Colheita

Como estratégia de colheita a empresa procura otimizar o fluxo de caixa proveniente do negócio e o faz eliminando ou fazendo cortes rigorosos nos investimentos, cortando a manutenção de instalações e aproveitando qualquer poderes residuais do negócio visando elevar os preços ou obter beneficios da reputação anterior em vendas continuas, embora reduzindo a publicidade e a pesquisa. Esta estratégia tem como finalidade a venda e retirada do mercado, mas muitas empresas relutam em sair do mercado pela incerteza, ou esperança de dias melhores. Dentro do determinante estrutural da

concorrência na fase de declínio, Porter comenta esta incerteza" como sendo um dos fatores mais potentes que afetam a concorrência no fim do jogo, por que as empresas acreditam que a demanda pode revitalizar-se e procuram permanecer no mercado. Os esforços para se manter em posição são grandes apesar da diminuição no volume de vendas e torna a concorrência no setor ainda mais acirrada. Outro determinante

estrutural da concorrência na fase de declínio é a barreira de saída,22 que mantém as

empresas competindo, embora esteja obtendo retornos anormais sobre o investimento. As barreiras de saída são provenientes de ativos duráveis e especializados e de custos fixos de saída.

Os ativos das fiações e dos fabricantes de tecidos são altamente especializados para o ramo e necessariamente teriam de ser vendidos para outras empresas concorrentes do

mesmo ramo. Em geral o número de compradores é reduzido, pois a mesma razão que

levam as empresas a vender seus ativos em um mercado em declínio, desencoraja um

comprador em potencial. Uma maneira de reduzir a barreira de saída, seria procurarsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

2\Poner, Michael E,hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAE strt1 lég jo C o m p eli1 im ,pg.241

22Porter, Michael E,E stn rtég io C o m p etitiw , pg.244

(43)

compradores em mercados externos. Foi o caso da Filobel em busca de um cliente para seus ativos contornou a situação vendendo para o Irã.

o

processo de fabricação de tecido é dividido em tecelagem (tecidos planos) e malharia

(tecido circular), conforme descritos no capítulo 1. A tecelagem é o processo de fabricação mais antigo e consequentemente um dos que mais sofreram com a abertura de mercado. O protecionismo resultou em um atraso tecnológico, deixando um parque industrial de baixa produtividade, ineficiente e com alto índice de produtos com defeito, pois o fabricante não tinha estimulo para modernizar seu parque industrial. No entanto

este mesmo atraso tecnológico manteve uma barreira de entrada no setor por que a indústria era lenta em transformar o fio em tecido, o que implicava na necessidade de

um alto capital de giro. Os antigos teares23 trabalhavam com uma velocidade de 80

rotações por minuto enquanto que um tear moderno trabalha hoje com mais de 1000 rotações por minuto. Este aumento de velocidade implica que a matéria prima, o fio, permanecerá menos tempo na produção e será necessário menos máquinas para o mesmo volume fabricado. Se não bastasse a velocidade 12 vezes maior, havia um tecelão" para cada 12 teares, enquanto que hoje utiliza-se apenas um tecelão para cada 24 teares. Isto aumentou em 24 vezes a produtividade por tecelão. Com a abertura de mercado as empresas foram estimuladas a modernizar seu parque industrial mas muitas não tiveram condições e acabam fechando. Estima-se que só em Americana, mais antigo polo têxtil nacional, localizado no interior de São Paulo, fecharam cerca de 300 tecelagens no período de 1994à 1995.25

23Máquina empregada na recelagem p3.Olfãbricar o tecido

24Nome dado ao operador de um tear

2SO setor tem se modernizado onde só em 1995 a cidade de Americana, recebeu cerca de US$ 1 bilhão em investimentos,

(44)

Outra barreira deBAs a í d a são os elevados custos de saída, como a incapacidade da empresa

em honrar seus compromissos, caso pare de operar. Um destes compromissos seriam os acordos trabalhistas decorrente da demissão de seus funcionários, assim as empresas nesta situação procuram ganhar tempo, achando que a demanda pode se revitalizar, mas acabam aumentando suas dívidas, dificultando ainda mais sua saída e reduz mais o valor

efetivo do negócio.

d) Desativação Rápida

Como estratégia a desativação rápida é baseada na premissa que a empresa pode maximizar sua recuperação liquida do investimento vendendo o negócio logo no início do declínio, em vez de colher e vendê-los posteriormente ou seguir uma das outras estratégias. Em geral com o tempo o número de compradores em potencial será reduzido

desencorajado pelo mercado.

A desativação rápida de unidades da empresa é uma forma de gerar caixa, mas pode acirrar ainda mais a concorrênciasrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAAs necessidades da Hering, uma empresa tradicional na fabricação de camisetas de algodão, de. reduzir sua dívida, a fizeram vender sua fábrica no nordeste para a Vicunha o maior grupo têxtil brasileiro. A Vicunha atua na área de fiação e tecido e entra na produção de camiseta induzida por uma oportunidade de compra, na qual se formou a Fibrasil. Com isto a Hering trouxe para o setor de confecção um novo concorrente no mercado com condições de competir com ela mesmo, que normalmente não entraria neste mercado.

(45)

4.2 - Valor Adicionado (Added Value)srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

valor adicionado de um produto, seguindo os conceitos de Nalebuff e Brandenburger,

é: o quanto as adições de valor acrescentadas ao produto será percebida pelo consumidor

ou cliente, proporcionando um diferencial positivo ou não ao produto. O valor

adicionado por depender da percepção que o consumidor tem pelo produto, é influenciado pela sua cultura, seu modo de vida, sua classe social. No segmento de fibras dentro do setor têxtil, podemos observar diferentes percepções entre a fibra química e a fibra natural. Na Europa e nos Estados Unidos, os clientes dão mais valor àfibra natural que a química Fibras naturais como o algodão, são mais confortáveis, têm um toque mais macio e conseguem maior satisfação na percepção destes clientes, que estão dispostos a pagar um preço maior pelo valor adicionado percebido. Já na percepção do consumidor brasileiro os atrativos que a fibra química proporciona tem um valor adicionado maior.

Antes da abertura de mercado existia uma limitação de matéria prima que iniciava na fiação e se estendia ao longo da cadeia produtiva têxtil. Esta limitação aumentava o valor adicionado do fornecedor, que retinha a força de negociação comparado com seu cliente, aplicando-se a todos os setores da cadeia produtiva. Havia uma limitação de fio para atender os fabricantes de tecido e limitação de tecido para atender as confecções. Isto ocorria por que o fabricante de tecido ficava restrito a comprar matéria prima

somente das fiações. estabelecidas no país e o fornecimento sendo limitado era

disponível para poucos. Assim a fiação retinha uma grande fatia do bolo, mantendo um número reduzido de clientes e baixa inadimplência Esta era umaLKJIHGFEDCBAb a r r e i r a d e e n t r a d a

para novos clientes das fiações que dificilmente iriam adquirir matéria prima

(46)

de tecido retinha então outra grande fatia do bolo ao limitar a matéria prima à confecção. Esta limitação deixava as confecções com poucas opções de compra e um número restrito de variedades disponível no mercado e quando o fabricante de tecido lançava uma novidade o mercado todo se direcionava para aquele artigo.

A entrada da concorrência externa no mercado aumentou a oferta de matéria prima para todos os setores da cadeia produtiva. Isto fez com que o poder de barganha migrasse do fornecedor para o cliente, reduzindo o preço ao longo da cadeia produtiva. Esta redução nos preços foi toda repassada ao consumidor final que acabou ficando com a maior parte do bolo pagando um preço menor pelo vestuário.

Apesar da concorrência externas as fiações de fibras químicas nacionais conseguem vender seus produtos com preços acima da concorrência internacional justificado pelo valor adicionado percebido pelo cliente, que o fio nacional tem em relação ao fio

importado. Algumas vantagens são assistência técnica imediata, possibilidade de

compra em quantidades menores, não ter os custos diretos e indiretos decorrentes da importação e prazo de entrega menor. O fabricante de tecido vem tentando manter seu nível de vendas, procurando outras formas de adicionar valor ao seu produto, como escolha de matéria prima mais apropriada, prazos de faturamento maior, preços mais acessíveis e oferecendo produtos com melhor qualidade. Ao fabricar um produto de melhor qualidade o custo inicial aumenta além da melhoria da qualidade perceptível inicialmente, mas com o tempo os clientes vão perceber estas melhorias, trazendo beneficios a empresa. A empresa Coteminas é um exemplo disto. Ela investiu para

oferecer melhores produtos à seus clientes, trocando lucro por qualidade e conseguiu

através do aumento da demanda, recursos para investir na produtividade e reduzir seus custos. Os preços e a qualidade oferecida pela empresa justificaram a aceitação do

(47)

cliente em garantir o pagamento da compra de tecido com imóveis. Este tipo de garantia,

com~ em instituições financeiras é raro na indústria têxtil, mostrando o quanto os

clientes estão dispostos a pagar pelo valor adicionado proporcionado pela Coteminas.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

As confecções vem adicionando valor oferecendo maior variedade de produtos,

inovação dos modelos vendidos, constante mudança na decoração e visual da loja para atender o consumidor final. Estas adições de valores tem atraído um número maior de clientes em lojas do bairro Bom Retiro, em São Paulo, principalmente na Rua Professor Lombroso, onde as lojas são decoradas como lojas de roupas finas, as roupas nas vitrines tem o estilo de roupa de moda e os preços são de roupas populares. Estas empresas oferecem vestuário condizentes com a moda atual, copiando de modelos europeus, principalmente franceses. Como as estações são opostas entre o hemisfério norte e o hemisfério sul, as empresas dispõem de tempo para copiar e lançar a moda da próxima estação.

A percepção do valor adicionado, também é muito influenciado pela marca que o produto traz e para que público alvo ele está direcionado. Uma roupa de marca deve ser comercializada em pequena escala, com alto preço, onde o preço é a barreira de entrada para alguns e a segurança para aqueles que vestem a marca. Apesar das roupas grife, representarem uma parcela muito pequena dentro da cadeia têxtil, é nela que o mercado se espelha.

(48)

4.3 - Regras (Rules)

A regra é um dos cmco elementos de qualquer jogo definido por Nalebuff e Brandenburger. Quando falamos em mudar o jogo, geralmente pensamos em mudar as regras, mas se perguntarmos quais regras devem ser mudadas ou como proceder para

mudá-las, a pergunta geralmente causa perplexidade, pois a maiona das regras

praticadas no mercado são leis e costumes profundamente arraigados. Infringi-las

implica se expor às penas da lei e ou exclusão do mercado.srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

governo tem o poder de modificar as leis e as regras a serem praticadas no mercado e

foi numa destas modificações em 1994, que passamos de um mercado restrito e protegido dos concorrentes externos, para um mercado aberto, sem condições de enfrentar a nova concorrência mais preparada, que oferece produtos de qualidade superior com preços mais acessíveis. Os efeitos foram desastrosos para a indústria local com o fechamento de 7 mil empresas conforme demonstrado naLKJIHGFEDCBAf i g u r a 4 . 1 e o déficit na

balança comercial ( f i g u r a 2.1). O constante déficit na balança comercial brasileira, fez com que o governo introduzisse novas regras para amenizar o impacto da importação

indiscriminada, como a valoração aduaneira" e o pagamento a vista da importação.

Outra mudança repentina nas regras do jogo ocorreu em janeiro de 1999, com as mudanças da política cambial.27

Mas existem outras regras do jogo, como as presentes em contratos entre empresas, que são geralmente firmados pelos participantes de mercado na dimensão vertical da Rede

26 Valoração aduaneira, exige do importador recolher tributos da mercadoria importada, baseado nos preços de uma

mercadoria similarenconttada no mercado interno, naabertuta daguia de importação, semdireito areembolso caso a guia

seja cancelado.hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

z:A moeda americana, o Dólar deixou de ser ancora do Real e o câmbio foi liberado para flutuar de acordo com a oferta e

demando do mercado.

(49)

de Valores: fornecedores, empresa e cliente. Estas regras também influenciam o comportamento e a forma como os participantes da dimensão horizontal da Rede de Valores irão participar do jogo, os concorrentes e complementadores. Mudar uma regra) geralmente é resultado de pressões de mercado. Os sindicatos dos trabalhadores que sempre defenderam os direitos do trabalhador e lutaram contra as empresas) começa a mudar seu discurso pressionado pelo mercado. Esta mudança de rumo é benéfico, pois os sindicatos e empresas passam a trabalhar no mesmo sentido) a sobrevivência da indústria. A sobrevivência do setor é a própria sobrevivência do sindicato trabalhista que luta para manter as arrecadações de seus associados. Sendo o setor têxtil uma indústria de produção sazonal com picos de vendas para atender as diferentes estações do ano, a

flexibilização da jornada de trabalho" recentemente acordada com o Sindicato dos

trabalhadores do setor, beneficia as empresas na manutenção do trabalho) tornando-a mais flexível para atender estes picos de demanda.

Uma regra descrita por Nalebuff e Brandenburger sugere que o mercado utilize os

conceitos da "cláusula do cliente mais favorecido") similar à "cláusula da nação mais favorecida" que faz parte do Acordo de Têxteis e Vestuários discutido no capítulo 2. A

MFC) iniciais em inglês de cláusula do cliente mais favorecidohgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(M o s t F a v o r e d

C u s to m e r y é um acordo contratual entre a empresa e um cliente) que garante ao cliente o

melhor preço que a empresa pode oferecer. O cliente tem a garantia que jamais ficará em desvantagem de custo em relação a qualquer concorrente que compre do mesmo fornecedor. A princípio deve-se esperar que os clientes se saiam melhor no jogo

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contando com a proteção de uma MFC e isto realmente aconteceria se as MFCs não alterassem o jogo. Vamos supor que dentro de uma negociação entre cliente e fornecedor, o fornecedor estivesse relutante em resistir as pressões de baixar os preços e diria a seu cliente: "gostaria de poder fazer um preço melhor, mas não tenho como". Em resposta o cliente diria: "então trate de encontrar um jeito, ou não comprarei mais de você". Geralmente o fornecedor perderia a discussão, mas se todos os clientes tiverem um contrato de :MFC, a resposta seria que uma concessão de preços para um, necessariamente se tornaria uma concessão de preços para todos.

As Fiações na prática adotam a política de conceder desconto progressivo, aumentando a porcentagem conforme o volume comprado pelo cliente. A prática faz com que os clientes es~ejam constantemente negociando e pleiteando preços menores. A MFC faria da fiação uma negociadora mais dura, sabendo que uma concessão de preços para um cliente significaria a mesma concessão para todos. Em contrapartida, não aceitar a oferta do cliente significaria perder o pedido para o concorrente, assim os fabricantes de tecido teriam um custo da matéria prima maior se todas as fiações utilizassem das cláusulas de uma MFC, mas assegurariam que o valor pago pelo produto seria igual para todos.

Muitas empresas mudaram de Município ou Estado, motivadas pelo programa de incentivo oferecido por alguns Estados e Municípios para geração de empregos, como doação de terreno, o auxilio na manutenção do imóvel, infra estrutura para transporte de funcionários, isenção dos impostos municipais, financiamento e ou devolução parcial do pagamento de ICMS (imposto sobre circulação de mercadoria), além de salários

menores.

Com a abertura comercial a indústria têxtil passou a importar sua matéria prima Com isto veio a realidade dos portos alfandegários ao mercado, que podem tanto dificultar

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como facilitar a entrada produtos importados. Dificultar a liberação da mercadoria importada justifica a cobrança de "pedágio" informal, pagos justamente para facilitar a entrada. Há várias formas de dificultar a entrada, uma delas seria deter o produto importado no porto para que uma análise de composição seja feita, a fim de atestar se o produto está de acordo com o declarado. Os testes geralmente levam tempo e a mercadoria parada no porto acarreta custos de armazenagem e atraso na entrega da mercadoria. Quando se paga para facilitar a entrada, a mercadoria é prontamente liberada, sem vistoria e com direito a uma escolta até a porta da fábrica. Esta prática incentiva o subfaturamento das importações.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), analisou dados divulgados pelo governo, da balança comercial de produtos têxteis em 1995 e identificou fortes indícios

de que houve brutal subfaturamento das importações naquele ano;hgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA" V e r ific a -s e p o r

e x e m p lo , q u e o ite m te c id o d e n y lo n fo i im p o r ta d o , s e g u n d o in fo r m a ç õ e s d a S E C E X

-S e c r e ta r ia d e C o m é r c io E x te r io r d o M in is té r io d a In d ú s tr ia d o C o m é r c io e d o T u r is m o ,

a u m p r e ç o m é d io d e a p e n a s U S $ 0 ,1 0 p o r q u ilo , m u ito a b a ix o d o p r e ç o in te r n a c io n a l.

P a r a e fe ito d e c o m p a r a ç ã o , b a s ta o b s e r v a r q u e o s m e s m o s p r o d u to s fo r a m e x p o r ta d o s

p e lo B r a s il a u m p r e ç o m é d io d e U S $ 13,43/K g ." 29 O subfaturamento torna esta prática

de economia informal uma competição ainda mais desleal para com o fabricante nacional e para sustentar o subfaturamento na importação, é necessário que exista a venda informal do produto importado ao comércio local, com finalidade de gerar caixa para pagar a diferença do valor real da mercadoria importada para o valor declarado na importação. A ABIT tem procurado combater a importação informal do .setor, acompanhando fiscais da receita no porto de Santos, pressionando os órgãos públicos a

Imagem

Gráfico da corrparação do consurro e produção industrial de fibras e filarrentos têxteis no Brasil 1990/97
Figura 4.1 zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Referências

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