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Cuidando do cuidador:
da demanda de escuta a uma escrita de si*
Analice de Lima Palombini Rita Pereira Barboza Tanise Kettermann Fick Gabriel Binkowski
O artigo aborda o processo de produção de narrativas escritas sobre as cenas vividas no cotidiano dos residenciais terapêuticos, como registro histórico desse momento singular da reforma psiquiátrica em que trabalhadores de saúde mental e seus usuários deixam os manicômios e ocupam os residenciais. Em seus desdobramentos, investiga os efeitos produzidos pelo exercício compartilhado da escrita sobre a percepção de si e as práticas de cuidado desses trabalhadores.
Palavras-chave: Saúde mental, escrita de si, serviço residencial
terapêutico, psicanálise
* Trabalho apresentado no VI Congresso Norte-Nordeste de Psicologia (CONPSI), em Belém, PA, em maio de 2009, e na Jornada do Instituto APPOA, “Psicanálise e inter-venções sociais”, em Porto Alegre, RS, em junho de 2009.
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Por que narrar o cotidiano? Fragmentos de um testemunho histórico...
Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) constituem, juntamente com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), pontos cruciais da rede que se faz necessária para o êxito do processo da reforma psiquiátrica brasileira, sendo sua implantação, porém, bastante recente (Cadernos Ipub, 2006; Bra-sil, 2004). Conforme portaria GM 106/2000 (Brasil, 2000), os SRTs são mo-radias ou casas inseridas, preferencialmente, na comunidade, destinadas, prioritariamente, ao cuidado da população que, por muitos anos, viu-se alija-da alija-da sociealija-dade, atrás dos muros dos hospitais, sem direito a habitar a cialija-da- cida-de. A desinstitucionalização dessas pessoas, sua passagem dos pavilhões dos hospitais para as residências terapêuticas, representa um momento único na história da saúde mental no país, de que nos dão testemunho as narrativas orais que, de forma reiterada e frequente, pudemos escutar de seus trabalhadores. Pensando na importância do que se transmite por essas narrativas, concebe-mos a função dos testemunhos colhidos entre os trabalhadores dos SRTs como uma maneira de compartilhar, pela experiência da escrita e da leitura, um co-nhecimento que se tece em sua forma viva. A oferta de um espaço coletivo em que suas narrativas orais ganham forma escrita vem cumprir, nesse con-texto, uma dupla função: por um lado, trata-se de estabelecer o registro e tra-zer a público as cenas até então inéditas do cotidiano da relação entre os trabalhadores dos residenciais e seus moradores – quando esse cotidiano não é mais o da instituição total, mas o da vida comum dos que habitam a cida-de; por outro, o exercício mesmo da escrita e a sua leitura compartilhada é produtor de transformação das práticas de que se imbuem esses trabalhado-res, favorecendo a invenção de novos modos de relação onde o cuidado possa ser pensado numa perspectiva outra que a da tutela herdada das práticas do internamento.
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A realização deste projeto vem contribuir para a produção de conhecimento em saúde mental, em especial no que se refere às formas do cuidado junto ao SRTque, por se tratar de equipamento recente e de caráter inovador no campo das políticas públicas de saúde, ressente-se ainda da falta de bibliografia específica sobre o tema. A contribuição abrange os dois âmbitos da investigação proposta, configurando, por um lado, registro histórico de experiências singulares que vêm acontecendo no âmbito dos SRTs e, por outro, uma reflexão crítica e aporte teó-rico que dê sustentação às práticas de cuidado na perspectiva da desinstitucio-nalização a que se propõem.
Da demanda de escuta a uma escrita de si
A experiência que aqui se apresenta traz à cena um dispositivo – a oficina de escrita – por meio do qual se tecem redes e enredos entre trabalhadores de saú-de mental que atuam junto a serviços resisaú-denciais terapêuticos. Essa oficina cons-titui, portanto, um cuidado ofertado aos trabalhadores da atenção psicossocial e não diretamente aos seus usuários. Mas aquilo sobre o que se escreve diz res-peito às experiências de cuidado, aos acontecimentos que envolvem a relação com os moradores dos residenciais terapêuticos. Assim, a rede de palavras que se vai tecendo na oficina sustenta e embala o cuidado que é ofertado a esses moradores. Nosso contato com trabalhadores ou futuros trabalhadores dos Residenciais Terapêuticos teve início há cerca de dez anos, em experiências sucessivas de for-mação, assessoria e educação permanente.1 Ao longo desses anos, mesmo nos in-tervalos do trabalho direto com essas equipes, seguimos tendo notícias a seu respeito, acompanhando os acontecimentos muitas vezes difíceis ou desafiantes que as envolviam, que ora diziam respeito à complexidade mesma do cuidado que, no contexto das moradias, lhes era demandado, ora se reportavam às tensões e disputas no campo político em torno ao tema da reforma psiquiátrica, sendo traço marcante dessas equipes a sua implicação com a proposta dos Residenciais e sua
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defesa de um projeto de desinstitucionalização da loucura, que significava a sua própria desinstitucionalização como trabalhador de saúde mental.
Desde os primeiros contatos, em especial com a equipe do Morada São Pe-dro, chamava atenção o seu afã de contar histórias, narrar cenas do cotidiano do Morada, compartilhar com outras pessoas as suas descobertas, entraves, alegrias. Em eventos de saúde mental em que estivemos presentes, invariavelmente, quando se abria o debate à participação do público, esses trabalhadores pediam a palavra, faziam menção às experiências de educação, supervisão ou assessoria em que nos encontráramos e contavam algum episódio ocorrido com um dos moradores do Residencial ou entre a equipe.
A proposta da oficina de escrita surgiu como acolhimento a essa vontade de narrativa, através da oferta de um espaço coletivo em que as histórias orais ga-nhassem forma escrita, cumprindo a dupla função a que nos referimos acima: registrar e trazer a público as cenas do cotidiano de um residencial terapêutico e favorecer a invenção e o compartilhamento de novos modos de cuidar.
Além da psicanálise, sobre a qual voltaremos adiante, a montagem do dis-positivo teve como ponto de sustentação as elaborações de Walter Benjamin so-bre a função da narrativa e as ideias de Michel Foucault, em torno ao tema da escrita. Enquanto Benjamin nos aponta a capacidade de narrar como condição para transmissão de uma experiência, Foucault situa a escrita como uma das técnicas próprias ao cuidado de si, cultivada, na história greco-romana, como exercício para aprender a arte de viver. Escrever, nessa acepção, vai além da função de re-gistro para ocupar a função de experiência, de exercício, no qual se combina o já dito com a singularidade do sujeito e da circunstância. Há aqui uma profunda li-gação entre teoria e prática, a escrita servindo para a ação cotidiana, e a memória sendo como um livro aberto ao qual consultar antes de planejar algo para o futuro. Como princípio de ação, a escrita passa de objeto morto à dimensão de corpo vivo.
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de passar ao trabalho de revisão linha por linha, parágrafo por parágrafo, a co-meçar pelo título.2 Esse trabalho visa não apenas a melhor legibilidade das ideias propostas pelo autor do texto, mas o compartilhamento da experiência por ele pro-tagonizada e sua elaboração coletiva. Não importa o grau de instrução, a profis-são ou o letramento de quem escreve. O que vale é a inspiração para os textos, buscada no cotidiano de um trabalho que, referindo-se à desinstitucionalização da loucura, está longe de ser simples e comum.A escrita como experiência viva e coletiva
O grupo iniciou de forma tímida a sua participação: durante os quatro pri-meiros meses de funcionamento da oficina, apenas dois textos foram escritos e apresentados naquele espaço, e a intervenção sobre os textos lidos era imputada predominantemente ao grupo de pesquisadores, identificados a um saber acadê-mico. Nosso trabalho, então, nesse momento, buscava, por um lado, incentivar a escrita das histórias que invariavelmente nos eram narradas de forma oral, ape-sar da combinação expressa de ater-se aos textos escritos; e, por outro, fazer cir-cular entre todos a função revisora do texto, o que, em alguns momentos, podia significar a desconstrução de um trecho, frase ou parágrafo, que na leitura se apresentava confuso, e sua reconstrução a partir da contribuição dos diferentes participantes da oficina. Rapidamente, porém, vimos crescer o volume de textos e a capacidade interventora do grupo, que parecia não mais recear a entrega de seus escritos ao coletivo, ao mesmo tempo em que perdia o pudor de imiscuir--se nos textos que um outro escrevia, mesmo quando esse outro era um dos re-presentantes da academia (pois também submetíamos nossos textos ao grupo).
Acompanhando esse processo, assinalamos os acontecimentos e desloca-mentos que foram se produzindo, dentre os quais destacamos:
1) Consideramos, desde a psicanálise (Freud, 1976 [1912], 1976 [1915]), que uma relação transferencial já instalada foi o motor que permitiu pôr em funciona-mento o dispositivo da oficina. Mas, se essa relação foi o que pôs para fun-cionar, ela ao mesmo tempo também recebeu os efeitos desse funcionamento, de modo que o dispositivo da oficina veio transformar a transferência que o possibilitava, permitindo ao grupo realizar a sua travessia. Assim, o incremento na produção escrita e a apropriação cada vez maior da capacidade de
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ção sobre os textos produzidos indicavam-nos uma operação de transferência que deixava de estar centrada em um dos pesquisadores e passava a se distri-buir entre os diferentes participantes do coletivo, mutuamente implicados nessa operação. Esfumaçava-se, da mesma forma, a referência ao saber acadêmico: na lida com os textos, nós nos tornávamos testemunhas do saber que as pa-lavras traçadas pelos trabalhadores carregam. A materialidade da escrita, o fa-zer circular os textos entre os participantes da oficina, foram elementos do dispositivo que nos ajudaram a sustentar essa operação em que a transferên-cia se lateraliza.
2) A escrita como exercício de um cuidado de si mostrou-se indissociável dos pro-cessos de vida. Estes forçavam sua passagem entre as linhas do papel, empres-tavam suas formas à forma do texto. É assim que, no texto escrito por Marco, sobre ser acompanhante terapêutico, uma certa passagem perdia a marca de seu estilo, claro e direto, sempre feito de frases simples. A leitura ficou trun-cada, as ideias confusas. As várias sugestões feitas pelos participantes da ofi-cina na tentativa de tornar mais legível o texto não tiveram resultado. Na conversa, a dificuldade então se revelou: Marco queria contar-nos da impor-tância do trabalho em equipe e de como às vezes os orgulhos atrapalham o exer-cício compartilhado de um cuidado, produzindo sofrimento. As palavras escritas embaralharam-se como os afetos presentificados na convivência diá-ria entre os trabalhadores. O trabalho com o texto precisou ser retomado no encontro seguinte. No esforço de desfazer e refazer esse pedaço da escrita, era a experiência de equipe em si mesma que se refazia.
Já no texto de Beatriz, contando da passagem do hospital para o Morada e de como, nessa passagem, celebrou-se o casamento de antigos namorados que agora passavam a viver juntos, uma palavra se repetia com uma frequência que soava mal aos ouvidos: “tranquilos”, era o termo de que se valia o texto para descrever a forma como o casal ia experimentando sua nova condição de vida. Beatriz recusava as sugestões de substituir o termo por outro equivalente, no intuito do grupo de evitar as repetições. Dizia “tranquilo é tranquilo mesmo”. Ponto final. Foi Vera, sua colega, com muitos anos também de trabalho no hos-pital psiquiátrico, e profunda conhecedora das suas engrenagens, quem escla-receu o mistério: “tranquilo” remetia ao efeito tranquilizante dos medicamentos fartamente utilizados no contexto do hospital para produzir a calma esperada. “Tranquilo” era a senha que, junto com “sem intercorrências” compunha, fo-lha por fofo-lha, os prontuários de pacientes pacificados, esvaziados de desejo em internações sem fim. A palavra, então, carregada de um sentido que nos esca-para, foi mantida no texto.
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rativas escritas, a densidade de uma memória ao mesmo tempo pessoal e co-letiva, a função autor vendo-se lançada aí, nessa báscula entre singular e coletivo, entre o nome próprio e o impessoal. O sujeito que narra, diz Jeanne-Marie Gagnebin (1999, p. 74), “não se restringe à afirmação da consciência de si, mas se abre a dimensões involuntárias (...), inconscientes”. E, nessa abertu-ra, “é atravessado pelas ondas de desejo, de revoltas, de desesperos coletivos”. A leitura do texto de Marisa provocou essas ondas em todos nós. O texto nar-rava o dia em que Israel desapareceu no balneário onde o Morada Viamão ha-via alugado uma casa durante uma temporada de verão. Era um escrito em primeira pessoa, em que Marisa expunha seu desespero, contava de sua bus-ca aflitiva, dos pensamentos terríveis que se interpunham à sua imaginação, dizia de sua profunda ligação com aquele morador, do sentimento maternal que a invadia e da afetação corporal que o seu sumiço lhe provocara, até o seu reencontro. A leitura compartilhada do texto fez disparar o início desse movi-mento de dissolução do eu e coletivização da experiência: o “eu” que o texto enunciava se distribuiu entre seus vários leitores; ao mesmo tempo que os con-tagiava, dissolvia-se neles. Fomos todos tocados pela intensidade dos aconte-cimentos narrados, e, após a primeira leitura, antes de passar ao trabalho linha por linha, muitas vozes se fizeram ouvir: para contar de outras vivências igual-mente aflitivas, para compartilhar de sentimentos suscitados na relação tão pró-xima com os moradores de quem se cuida, para buscar compreender o que se passa nessa relação. O acontecimento narrado deslocava-se assim, da esfera do eu e, fazendo-se coletivo, possibilitava uma apreensão nova da experiência, uma outra construção de si como cuidador e outra posição de autoria em re-lação ao texto.260
uso da letra “l” em vez de “r”, como uma referência a Hélio Pellegrino, reno-mado psicanalista que, no Brasil do início dos anos 1980, trouxe à tona a dis-cussão sobre a função social da psicanálise e denunciou o conservadorismo de suas instituições.
A “pele”, de tanto burburinho – um encontro inteiro do coletivo servira ape-nas para a discussão do título no qual tal “erro” emergira –, acabou registrando a forma de trabalho do grupo, que buscou a solução num neologismo, “Perle-grino”, mantendo, assim, abertas as possibilidades, com a circulação da pala-vra escrita e oral se intercalando, trazendo cenas, vozes e uma autoria de fato coletiva. Essa escolha seguiu gerando reverberações: vários meses depois, em um encontro em que se dava continuidade ao trabalho com o texto de Concei-ção, ao ler o seu título, uma trabalhadora falou: “Perlegrinos... acho que é por causa de tantas pernas!”
4) No desenrolar das atividades, víamos surgir elementos que, aqui e ali, em textos subsequentes, eram reafirmados, compondo e dando densidade a uma histó-ria coletiva dos residenciais e seus trabalhadores. O mesmo escrito de Concei-ção, de que falamos acima, foi desencadeador de um processo desse tipo. O texto traçava sua trajetória na reforma psiquiátrica, como um caminho seme-lhante ao dos atuais moradores dos residenciais: o seu desejo de mudar foi maior do que a consciência do que fazer, de modo que, de início, Conceição não fez mais do que seguir os passos de outros em um movimento para, somente aos poucos, tornar-se parte dele de forma crítica e autônoma. Logo se seguiram escritos de outros autores relatando processos semelhantes. De um a outro, foi se fazendo a trama dessa trajetória comum, coletiva, o percurso da desinsti-tucionalização dos trabalhadores do antigo manicômio.
O fato de algumas situações vividas serem objeto de diferentes narrativas não passou despercebido pelo grupo. Rosane, que em seu texto contava das desa-venças com os homens da vila,3 por guardarem seus cavalos muito próximos das casas do Morada, empestando o ar e pisoteando os canteiros, lembrou de outros textos que se lera ali, como o de Vera, em que os cavalos faziam parte da cena narrada. Para Rosane, essa repetição, em distintas versões, era signo da veracidade do que se contava: “... é como na Bíblia, muitos apóstolos fa-lando os mesmos fatos, aí vira verdade”.
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Jogos de transferência: sujeito suposto ao saber e à políticaPara concluir, detemo-nos um pouco mais no tema da transferência no con-texto do trabalho com o grupo e o modo como um psicanalista pode contar nesse contexto. Vimos que o ponto de partida da oficina, e seu elemento possibilitador, foi um vínculo já constituído entre quem a propunha e seus participantes. Esse vínculo, estabelecido por sucessivas experiências de supervisão e formação, e do exercício continuado da função de testemunha das suas histórias, é o que per-mitiu escutar e acolher a vontade expressa pelas equipes dos residenciais terapêu-ticos de narrar os acontecimentos do cotidiano do seu trabalho, compartilhando-os entre seus pares e com um público maior. É desde a transferência em operação nesse vínculo que seus trabalhadores puderam aceitar em confiança a oferta des-se espaço de produção e compartilhamento de escritas. Mas esdes-se espaço não cor-responde ao campo da experiência psicanalítica stricto sensu; ele compreende, antes, o campo das ações coletivas que, no caso, diz respeito à implantação de uma política pública de saúde mental que prevê a desinstitucionalização da lou-cura. Assim, o sujeito suposto ao saber que a transferência requer vem pari passu
com o que nos permitiremos nomear de sujeito suposto à política. É um analis-ta-cidadão (Eric Laurent, 1999)4 o que é chamado a operar aqui, indicando, es-pecialmente no que diz respeito às intervenções sociais, o laço indissociável entre psicanálise e política. O trabalho nesse contexto impõe, portanto, o reconhecimento de que, ao psicanalista, não cabe um lugar de exceção em relação às trocas so-ciais: o coletivo o inclui e o implica, e é preciso responder por isso.
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Resumo
(Caring for caregivers: from the demand for listening to writing about oneself)
This article discusses the process of writing about everyday life in therapeutic residences as a historical record of that special period in Brazilian psychiatric-care reformation when mental health workers and in-patients moved out of asylums and into therapeutic residences. This article investigates the effects of the exercise of writing about self-perception and the caring practices provided by professional caregivers.
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(Prendre soin du soignant: de la demande de l’écoute à l’écriture de soi)Cette article analyse le processus de production de récits de situations vécues du quotidien des services de résidence thérapeutique comme registre historique de ce moment unique de la réforme psychiatrique quand les travailleurs de santé mentale et leurs patients sortent des asiles et passent à occuper les résidences. Dans cet article, nous examinons les effets produits par l'exercice partagé de l'écriture sur la perception de soi et les pratiques de soin de ces travailleurs.
Mots clés: Santé mentale, écriture de soi, service résidentiel thérapeutique,
psychanalyse
(Cuidando del cuidador: de la demanda de escucha a una escrita de sí)
El artículo aborda el proceso de producción de narrativas escritas sobre las escenas vividas en lo cotidiano de las residencias terapéuticas, como registro histórico de ese momento singular de la reforma psiquiátrica en el que trabajadores de salud mental y sus usuarios dejan los manicomios y ocupan las residencias terapéuticas. En sus desdoblamientos, investiga los efectos producidos por el ejercicio compartido de la escritura sobre la percepción de sí y las prácticas de cuidado de estos trabajadores.
Palabras claves: Salud mental, escrita de sí, servicio residencial terapéutico, psicoanálisis
Citação/Citation: PALOMBINI, A.L.; BARBOZA, R.P.; FICK, T.K.; BINKOWSKI, G. Cuidando do cuidador: da demanda de escuta a uma escrita de si. Revista Latinoamericana de Psicopato-logia Fundamental, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 253-264, jun. 2010.
Editor do artigo/Editor: Profa. Dra. Ana Cristina Figueiredo
Recebido/Received: 29.3.2010 / 3.29.2010 Aceito/Accepted: 26.4.2010 / 4.26.2010 Copyright: © 2009 Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental/ University Association for Research in Fundamental Psychopathology. Este é um artigo de livre acesso, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução em qualquer meio, desde que o autor e a fonte sejam citados/This is an open-access article, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original author and source are credited.
Financiamento/Funding: Os autores declaram não terem sido financiados ou apoiados/The authors have no support or funding to report.
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ANALICEDE LIMA PALOMBINI
Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (Rio de Janeiro, RJ, Brasil); mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (Porto Alegre, RS, Brasil); docente do Instituto de Psicologia da Uni-versidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
Av. Jerônimo de Ornelas, 651/11 – Santana 90040-341 Porto Alegre, RS, Brasil Fone: (51) 3779-0272
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RITA PEREIRA BARBOZA
Estudante de graduação em psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (Porto Alegre, RS, Brasil); bolsista de iniciação científica Propesq/UFRGS. Rua Costa Lima, 447 – Nonoai
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TANISE KETTERMANN FICK
Residente em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (Porto Alegre, RS, Brasil); psicóloga.
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GABRIEL BINKOWSKI
Residente em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (Porto Alegre, RS, Brasil); psicólogo.
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