PESQU I SA
SAÚDE OAL: UM DESAFIO PAAA EQUIPE DE SAÚDE
DENTAL H EALTH : A CHALLENG E FOR T H E H EALTH P ROFESS I ONALS
SALUD B U CAL: U N DESAFío PARA EL EQU IPO DE SALUD
Vera Lúia de Oliveira Gomes' Adiana Dora da Fonsecf Maia da Graça Soler Rodiguel
RESUMO: Esta pesquisa teve como objetivo desvelar o con hecimento dos formandos dos cursos de Enfermagem e Medicina de uma U niversidade do Rio Grande do Sul acerca da promoção da Saúde Ora l . Participaram do estudo 58 acadêmicos, sendo 26 do Curso de Enfermagem e 32 do Curso de Medicina, estes responderam a um questionário com três perguntas semi-estruturadas. Através da tri a n g u l ação constatamos que esse con heci mento e ntre os formandos dos referidos cu rsos é deficitário. Sabemos que é grande a dificuldade de acesso da população infantil carente aos gabinetes dentários, por esse motivo, acreditamos ser indispensável que os profissionais de Enfermagem e Medicina tenham conhecimentos referentes à promoção de saúde oral em crianças.
PAVAVRAS-CHAVE: profilaxia de cárie, saúde ora l , educação para saúde oral
INTRODUÇÃO
E ntre os fatores q u e nos motiva ra m a rea l izar esse trabalho pod emos destacar: dados divulgados pelo I BG E , referentes ao ano de 1 996 , evidenciam que na cidade do Rio Grande/RS haviam 1 8344 cria nças com idade entre O e 6 a nos e 22684 com idade entre 7 e 1 2 a nos ( B RAS I L , 1 99 7 ) . E m 1 997, rea l izamos um leva nta mento j u nto aos gabi netes odontológicos mantidos pela prefeitu ra dessa cidade e constatamos que a procu ra por atendimento profilático em odontopediatria foi baixa , esta ndo reg istradas apenas 9 consu ltas para crianças com até 6 a nos de idade e 38 consu ltas para crianças com idade entre 7 e 1 2 a nos. Cha mou-nos a atenção o registro de extração de u m molar em criança com 3 a nos e de molares permanentes em crianças com 6 a nos de idade, período em q u e está i n iciando a eru pção desse dente ; o evidente au mento no número de profissionais méd icos e enfermeiros na Rede Básica de Saúde, com atuação tanto nos postos de saúde q u a nto participando de progra mas como o de Agentes Comun itários de Saúde (PACS ) e de Saúde da F a m í l i a ( P S F ) , o q u e oportu n iza a entrada de profissionais em i n ú meros lares; o fato i n q u estionável de q u e as cri anças têm mu ito mais contato com enfermeiras e méd icos do q u e com odontólogos . H á a utores como Duncan et aI. ( 1 996) que ind icam a primeira visita ao dentista somente aos 2-3 a nos de idade, enquanto , a Academia Americana de Odontologia recomenda que ocorra por volta dos 1 2 meses ( Vasconcelos; Lucas, 1 997). No entanto , se fizermos u m levantamento entre nós , profissionais da saúde, para saber qua ntos levara m os fi l hos ao dentista a ntes d eles completarem 1 ano, veremos q u e essa
prática é rara embora se saiba que a prevenção primária é ideal, tanto do ponto de vista biológico
1 Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela EP. Professora Titular do Depatamento de Enfermagem da Fundação UniverSIdade Federal do Rio Grande/RS Aluna do Curso de Doutorado em Enfermagem da UFSC.
2 Enfermeira, Mestre em Assistência de Enfermagem pela UFSC/REPENSUL. Professora Assistente do Depatamento de Enfermagem da Fundação Universidade Federal do Rio Grande/RS Aluna do Curso de Doutorado em Enfermagem da UFS.
3 Enfermeira. Espeialista em Saúde Púbica. Mestre em Assistênia de Enfermagem. Mestrado Interinstucional em Assistênia de Enfermagem da UFSC/UFPe/FURG/URCAMP (Apoio FAPERGS).
Saúde oral . . .
q u a nto econômico; a inexistência e m u niversidades d e Curso d e Odontologia e a necessidade que os profissionais dos demais cursos da área da saúde assumam e se comprometam com a promoção d a saúde ora l .
Baseados nesses fatos consideramos q u e enfermeiras e méd icos precisam assumir esse desafio e incl u i r entre suas ativid ades e nos cu rrículos destes cursos , a promoção de saúde ora l . Para q u e essa atividade seja desempenhada com eficiênci a , é i nd ispensável q u e haja con hecimento científico e q u e este seja transmitido de maneira clara , correta e agradável às cria nça s , suas mães, fa miliares, professores e agentes com u n itários de saúde.
METODOLOGIA
No segu ndo semestre de 1 997, investigamos o conhecimento dos formandos dos Cursos de E nfermagem e Medicina de u ma U n iversidade do Rio Grande do S u l , no q u e se refere à Promoção d e Saúde Ora l . Elaboramos u m q u estionário composto por três perg u ntas semi estruturadas q u e foram testadas com dez acadêmicos do séti mo semestre do C u rso d e Gradu ação em E nfermagem. Foram feitas as ada ptações necessárias e a pós, foi elaborado o questionário defi n itivo . Selecionamos u m d i a , em que no mesmo turno e horário os formandos de ambos os cu rsos tivessem aula. Foi explicado a cada uma das tu rmas o objetivo da pesq uisa e solicitado que respondessem ao questionário apenas os acadêmicos que desejassem participar da mes m a . Através da triangu lação (estudo q u a nti e q u a l itativo) fora m anal isados os dados obtidos . Foi garantido sigilo e anoni mato das i nformações , embora tenha mos salientado a i ntenção d e publicá-Ias. Os estuda ntes que não estavam presentes neste momento , não participaram da a mostra , isso porq u e , acred itamos que houvesse a possibilidade de troca de i nformações entre eles o q u e levaria a u m fa lso resu ltado .
RESULTADOS
Através da primeira pergu nta : "Durante o cu rso de gradu ação, você recebeu de seus professores i nformações sobre promoção de saúde oral na i nfâ ncia"? Os resu ltados obtidos fora m : das 26 i nforma ntes do C u rso de E nfermagem , 25 ou seja 96 , 2 % res ponderam afirmativamente, sendo que 1 6 (64 ,0%) referem ter recebido as i nformações tanto em aulas teóricas quanto em práticas e 9 (32,20%) referem ter recebido as informações apenas em aulas teóricas . dos 32 i nforma ntes do C u rso de Medicina , 1 2 ou seja 37,5% refere m ter recebido informações sobre esse tema, havendo 2 ou seja 1 7,0% que afirmam ter recebido em atividades teóricas e práticas e 1 0 (20 , 5 % ) que afirmam ter recebido as i nformações apenas em au las teóricas. Constata mos q u e embora o tema fosse abordado nos dois cursos , e com maior ênfase no curso de enfermagem, ele não estava ati ngindo a tota l idade dos a l u nos .
I nvestigamos, também, através de uma seg u nda perg u nta , q u a is os aspectos da saúde oral q u e havi a m sido a bord a d os d u ra nte a gradu ação. N o C u rso de Medici n a a i nfl uência d o aleitamento materno foi a tema mais citado, com 1 1 pontos; segu ido da i nfl uência da i ntrod ução precoce do açúcar e do uso da chu peta , ambas com 8 pontos cada u m a . No C u rso de Enfermagem o aspecto mais abordado foi aplicação tópica de flúor com 24 pontos; segu ido de influência do a leitamento materno e i ntrod ução precoce do açúcar a m bas com 1 9 pontos .
A identificação do q u e o a l u no concretamente sabia , foi i nvestigada através de uma terceira pergu nta : "Com q u e idade ocorre a eru pção do primeiro molar perma nente"? Foi considerado correto q u a ndo o acadêmico respondeu aos 6 anos de idade.
E ntre os acad êmicos de medici na; 3 ou seja 9,40% respondera m correta mente; 11 ou seja 34 ,35% respondera m de maneira incorreta havendo entre as respostas ind icações de 6 meses , 2 anos , 7 anos e 1 1 anos. Não sabia ou não lembrava , foi uma resposta reg istrada por 1 8 acadêmicos (56 , 25%).
G O M E S , Vera Lúcia de Olivei ra et a I .
Entre o s formandos do Curso de Enfermagem 8 (30 ,80%) respondera m corretamente, 5 ( 1 9,20%) responderam de forma incorreta havendo entre as respostas ind icações de 4 anos , 7 e 8 anos. Entre os formandos haviam 1 3 (50 ,00%) que não lembravam ou não sabiam responder. A resposta , de que o pri meiro molar permanente tem s u a erupção aos sete a nos foi considerada incorreta porq ue em nossa experiência , grande parte das crianças com essa idade já a presenta lesão de cárie nesse dente . É indispensável portanto que a atenção à dentição
permanente, através de medidas preventivas seja i n iciada a ntes dos sete anos.
CONSIDEAÇOES FINAIS
Recomendamos , q u e seja proporcionada aos acadêmicos de a m bos os cursos, maior vivência no que se refere à saúde ora l , através d e u ma a bordagem teórico-prática. Sabemos q u e a aplicação da teoria à prática pode tornar o conhecimento mais interessante e duradouro. Como professoras do Curso de Enfermagem , proporcionamos aos acadêmicos vivências referentes a esse tema a partir do terceiro semestre letivo . A apl icação dos conhecimentos inicia-se na d isciplina de Assistência de Enfermagem à Criança . No Sistema Alojamento Conjunto, é dada ênfase ao aleita mento materno excl usivo até o sexto mês d e vida , na impossibilidade deste e d u rante o desmame, desaconsel ha-se a introd ução do açúcar através do leite, chás e/ ou sucos , relacionando seu uso ao apareci mento precoce de cáries . Pesq u isa real izada na cidade d e Londrina por Walter citado por Schalk e Rodigues ( 1 996) revela que 95,6% das cria nças já haviam consumido açúcar aos 8 meses d e idade, época d a eru pção do pri meiro dente e em 6 1 ,7% a introd ução do açúcar ocorreu antes d a criança completar u m mês de vid a .
Outros aspectos que precisam s e r enfatizados referem-se a :
- saber q u e a cárie denta l ocorre principal mente em conseq ü ência da interação d e q uatro fatores q u e são: a presença de Streptococus muta n s , a deita , o hospedeiro suscetível e o tempo em que os fatores etiológ icos estiverem interagindo. A bactéria Streptococus mutans é a q u e tem maior potencial cariogênico no homem , poss u i a capacid ade de formar a partir do açúca r (sacarose) uma substâ ncia chamada dextra n , q u e auxilia no seu processo de adesão e permanência j u nto ao esmalte dentá rio . Estudo sueco rea l izado em Vipeholm demonstrou que infl u i mais, para a ocorrência de cáries, a freq üência de ingestão de açúcar do que a quantidade propriamente d ita , concl uindo porta nto , q u e não é necessária a elimi nação do açúcar da d ieta mas sim, devemos utilizá-lo de forma racional e controlada. A presença de res íduos alimentares na cavidade buca l , é o fator mais i mportante na etiologia da cárie. Ela favorece a colonização do S. mutans sobre o dente e formação da placa bacteriana. A cárie não é um fenômeno instantâneo, é n ecessá rio um tempo d e i nteração dos o utros três fatores para q u e se prod uza a desmi nera lização do dente. A higiene adeq uada, através da escovação e do uso do fio dental , represe nta o melhor meio d ispon ível para evitar a instalação e a progressão da cárie e outras doenças bucais. ( U N IVERS I DADE F E D E RAL DE PELOTAS , 1 998)
- iniciar a higien ização da boca da criança , util izando a ponta de u ma fralda ou uma gaze ou a lgodão u medecidos em água filtrada , pelo menos u ma vez ao d i a . Passe-o em toda a gengiva su perir e i nferior, e também no lado interno das bochecha s . Logo após a eru pção do pri meiro dente , o uso da escova pode ser d ificu ltado devido ao peq ueno tamanho da boca , então passe a fra lda ou a gaze ou o a lgodão u medecido em todos os lados do d ente , nas geng ivas e nas bochechas. Essa prática , além de ser ed ucativa , massageia a gengiva diminuindo a coceira com u m nesse período. ( Vasconcelos ; Lucas, 1 997)
- informar, sobre os malefícios do uso de açúcar ou mel na chu peta , bem como da oferta de mamadeira momentos a ntes de dormir ou d u ra nte o sono, nessas s ituações, a cria nça perma nece toda a noite com restos alimentares na boca o q u e oportun iza a formação da cárie de mamadeira ; "esta é uma forma especia l de cárie ra mpante na dentição decíd ua de crianças
Saúde oraL ..
peq uenas. Tipicamente esta cond ição é encontrada e m cria nças q u e adormecem suga ndo a mamadeira com l íq u ido adoçado ( i ncl u i ndo leite ) , chu peta adoçada ou aquelas que tem hábito de mamar no peito conforme a dema nda" . (Johnstone, 1 994) As cáries de mamadeira podem ser evitadas através de programas educativos direcionado aos responsáveis pela criança .
- orientar sobre os problemas otodônticos que podem advir do uso prolongado de chupeta e mamadeira . Precisa mos entender q u e seu uso faz parte da evol ução da criança , sendo desnecessários a pós os dois a nos idade. Se a criança após esta idade continuar chu pando os dedos , a chu peta e o lábio ela pode vir a a presentar os seg u i ntes problemas: mordida aberta , dentes para fora , mordida cruzada e aprofu ndamento do céu da boca .( Vasconcelos; Lucas, 1 997) - conhecer que a bactéria que participa da formação da cárie (S. mutans) encontra-se na saliva , sendo transmitido através de atitudes como provar o alimento da criança, limpar a chupeta com a própria sal iva , beijar a criança na boca e compartilhar ta l heres e utensílios; (Fdtscher; Spoidoro, 1 998)
- i n iciar a escovação o mais cedo poss ível utilizando escova macia e creme denta l q u e contenha fl úor. Recomenda mos q u e os p a i s escovem os próprios dentes na presença dos filhos, estes por imitação criarão mais facilmente o hábito. É importante destacar que a quantidade de creme denta l a ser util izada deve ser mínima. É comu m , as crianças gostarem de ingerir creme d enta l , o que é desaconselhável devido ao risco de intoxicação por fl úor (fluorose). Recomenda mos colocar o creme dental no sentido tra nsversal em relação à escova ;
- supervisionar a escovação em crianças com menos de 7 anos , elas não tem habilidade para escova r corretamente seus dentes . Aconselhamos que pelo menos antes de dormir , os pais as aj udem;
- sal ientar a i m portâ ncia do fl úor na profilaxia da cárie.
E m nossas atividades prática s , desenvolvidas nos campos de estágio ju nto aos pré escolares e escolares, uti lizamos d iversas a bordagens para o tema "Saúde Oral". Priorizamos atividades lúd icas pois é sabido q u e a criança a prende melhor através de brincadeira s . Entre essas , destacamos o teatro de fa ntoches , a encenação de peças teatra is onde os atores são cria nças e o desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas onde elas recorta m , colam, p i ntam e fazem p a l avras cruza d a s . Após essas "brinca d e i ras" é rea l izada escovação su pervisionada e a p l icação tópica d e fl úor. N o enta nto , esse procedimento precisa ser complementado, pois a maior parte das cria nças necessita de tratamento resta u rador. Através de inspeção da arcada dentári a , identificamos o nú mero de cáries ativas em cada cria nça . J unto à Rede Básica e alguns convênios obtivemos vagas para atend imento odontológico. Hoje, conta mos com 1 0 atendi mentos/mês. Os critérios utilizados para priorizar os encaminhamentos são : presença de dor em a l g u m dente ou na gengiva , criança co m menor n ú mero de cáries ativas e ocorrê ncia de cárie em dentes permanentes .
Considerando que inú meras são as crianças que precisam de atendimento odontológ ico, estamos estruturando um projeto em parceira com a Secretaria M unicipal da Saúde, cujo objetivo é rea lizar tera pia através de utilização de fl úor. Esta consiste na aplicação sema nal de fl úor gel 1 ,23% por u m período d e 3 a 6 sema n a s . Ta l cond uta inativa de 85 a 90% das cáries .
U m aspecto m u ito releva nte e q u e precisa ser desenvolvido é a ca pacitação das fu ncionárias e professoras das escolas para eventuais acidentes dentários . Nesses casos , quando o dente sai i nteiro do lugar o u sej a , q u a ndo ocorre avulsão devemos seg u rar o dente pela coroa, colocá-lo em um copo com água filtrada, soro fisiológico , leite ou saliva procurando imediatamente u m dentista . Só ele poderá saber a possibilidade ou não de recolocar o dente no lugar, bem como as med idas a serem tomadas posteriormente . Dentes quebrados devem ser recolh idos e tra nsportados dessa mesma forma . Se o dente sai parcialmente, ou a i nd a , se é empurrado para dentro da gengiva , a conduta recomendada também consiste em levar a criança imediatamente ao dentista . ( U N IVERS I DADE F E D E RAL DE PELOTAS , 1 998)
G O M E S , Vera Lúcia de Ol iveira et a I .
ABSTRACT: The objective of this study i s to reveal the knowledge of n ursing a n d medicine students from a u n iversity in Rio Grande do S u l rega rd i n g the i m portance of promoting dental health . A q uestionnaire with three semi-structured questions was answered by 26 students from the nursing faculty, and by 32 students from the medicine faculty. Through the method of triangu lation it was concluded that these students had deficient knowledge regarding dental health . Since a small number of the population in B razil has access to dental clin ics, we consider i mportant that n u rsing and medicine professionals know how to pro mote dental care among children .
KEWORDS: prevention of cavities, dental health , education for dental health
RESUM E N : Esta i nvestigación tuvo como objetivo desvelar el conocimiento que los enfermeros y médicos diplomados por los cursos de Enfermería y Medicina de una Universidad de Rio G rande do Sul tienen sobre la promoción de la Salud de la boca . Participaron dei estudio 58 académicos, 26 dei curso de E nfermería y 32 dei Curso de Medici n a , q u ienes contestaron un cuestionario con tres preguntas semiestructuradas. A través de la triangulación se puede constatar que el conocimiento entre los graduados es deficitario. Sabemos que es muy grande la dificultad de acceso de la población i nfantil más necesitada a los consultorios dentales. Por esa razón, nos parece indispensable que los profesionales de Enfermería y Medicina conozcan ese cam po y sean conscientes para ayudar á promover la salud dentaria de los ninos.
PALABAS CLAVE: profilaxis de caries , salud buca l , educación para la salud bucal
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RecebIdo em setembro de 2000 Aprovado em maio de 200 1