RODRIGO LOPES DE ALMEIDA
RELAÇÕES VALINA:LISINA EM RAÇÕES PARA POEDEIRAS LEVES DE 24 A
58 SEMANAS DE IDADE
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VIÇOSA
MINAS GERAIS - BRASIL 2013
RODRIGO LOPES DE ALMEIDA
RELAÇÕES VALINA:LISINA EM RAÇÕES PARA POEDEIRAS LEVES DE 24 A 58 SEMANAS DE IDADE
APROVADA: 30 de julho de 2013.
______________________________ ______________________________ Sérgio Luiz de Toledo Barreto Juarez Lopes Donzele
______________________________ ______________________________ Gladstone Brumano Marcelo Dias da Silva
______________________________ Paulo Cezar Gomes
(Orientador)
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A família e aos amigos, pelo carinho, suporte e conselhos. A todos que de alguma forma fizeram parte desta história.
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AGRADECIMENTOS
A Universidade Federal de Viçosa e ao Departamento de Zootecnia, pela oportunidade de cursar o Doutorado em Zootecnia.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela concessão da bolsa de estudos.
Ao professor Paulo Cezar Gomes pela orientação, dedicação, amizade e valiosos ensinamentos.
Aos professores Juarez Lopes Donzele e Sérgio Luiz de Toledo Barreto, pelo auxílio e sugestões durante a realização deste trabalho.
Aos Doutores Gladstone Brumano e Marcelo Dias da Silva pelas contribuições a essa tese.
Aos amigos e colegas de curso Leo, Tatiane, Silvana, Eliane, Cinthia, Fatinha, Heloísa, Macaé, Renata, Tamara, Cleidida, Cleverson, Balbino, Ana Cristina, Lívia, Alícia, Warley, Rodrigo e Alan pela colaboração e amizade.
Aos funcionários do Setor de Avicultura, Adriano, Elízio, Joselino e ao responsável pela fábrica de ração Mauro, pela atenção e ajuda atribuída.
Aos funcionários do Laboratório de Nutrição Animal, pela ajuda na realização das análises laboratoriais.
iv BIOGRAFIA
RODRIGO LOPES DE ALMEIDA, filho de Geraldo Ferreira Lopes e Valquíria Suely de Almeida Lopes, nasceu em Belo Horizonte – MG, em 30 de Janeiro de 1987.
Em Fevereiro de 2005, iniciou o curso de graduação em Zootecnia na Universidade Federal de Viçosa - UFV, graduando-se em Julho de 2009.
Em Agosto de 2009 iniciou o curso de Mestrado em Zootecnia, na área de Produção e Nutrição de Monogástricos, na Universidade Federal de Viçosa, submetendo-se à defesa de tese em 17 de fevereiro de 2011.
v SUMÁRIO
RESUMO ... vi
ABSTRACT ... viii
1. INTRODUÇÃO GERAL ... 1
2. REVISÃO DE LITERATURA ... 3
2.1 Nutrição proteica para aves ... 3
2.2 Utilização do conceito de proteína ideal na formulação de rações para aves ... 5
2.3 Absorção e Sistemas de Transporte de Aminoácidos Neutros; ... 7
2.4 Antagonismo entre Aminoácidos de Cadeia Ramificada... 8
2.5 Redução da Proteína Bruta para Poedeiras ... 12
2.6 Proteína Ideal e o benefício ao Meio-Ambiente ... 13
2.7 Perfil ideal de aminoácidos para poedeiras ... 15
2.8 Exigência de Valina para Poedeiras ... 15
2.9 Análise estatística ... 18
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 20
CAPÍTULO 1 ... 25
RESUMO ... 26
ABSTRACT ... 27
INTRODUÇÃO ... 28
MATERIAL E MÉTODOS ... 29
RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 33
CONCLUSÃO ... 40
REFERÊNCIAS ... 41
CAPÍTULO 2 ... 43
RESUMO ... 44
ABSTRACT ... 45
INTRODUÇÃO ... 46
MATERIAL E MÉTODOS ... 47
RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 51
CONCLUSÃO ... 56
REFERÊNCIAS ... 57
vi RESUMO
ALMEIDA, Rodrigo Lopes de, D.Sc., Universidade Federal de Viçosa, Julho de 2013. Relações valina:lisina em rações para poedeiras leves de 24 a 58 semanas de idade. Orientador: Paulo Cezar Gomes.
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viii ABSTRACT
ALMEIDA, Rodrigo Lopes de, D.Sc., Universidade Federal de Viçosa, July, 2013. Valine:lysine rations in diets for white leghorn hens from 24 to 58 weeks of age. Adviser: Paulo Cezar Gomes.
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1. INTRODUÇÃO GERAL
A avicultura de postura vem apresentando desenvolvimento acentuado nos últimos anos, aumentando consideravelmente o volume de produção, tendo hoje grande participação no consumo de alimentos pela população brasileira (cerca de 163 ovos per capita em 2011), sendo o sudeste a maior região produtora, representando aproximadamente 55% da produção do país (UBABEF, 2012). Este aumento na produção pode ser atribuído aos avanços tecnológicos aplicados ao setor, bem como nas áreas de melhoramento genético, sanidade e nutrição.
Dentre todas as áreas envolvidas na criação de galinhas poedeiras, a que possui maior impacto na rentabilidade é a nutrição, uma vez que esta representa aproximadamente 70% do custo total da produção. Desta maneira, é constante a preocupação em reduzir os gastos com a alimentação, para isso têm-se buscado conhecer as matérias primas utilizadas quanto à composição nutricional e energética, usar programas de alimentação específicos e adotar o uso de formulações de rações com base no conceito de aminoácidos digestíveis e de proteína ideal.
A proteína ideal é definida como o balanço exato de aminoácidos que é capaz de prover sem excesso ou deficiência, os requerimentos de todos os aminoácidos necessários para a manutenção animal e máxima deposição proteica. O conceito de proteína ideal foi primeiramente definido por MITCHELL (1964) como sendo uma mistura de aminoácidos ou proteína, cuja composição atende às exigências dos animais para os processos de mantença e crescimento.
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dos níveis de proteína da ração, sem a adequada suplementação dos aminoácidos essenciais resulta na diminuiçãodo consumo de ração e da produção de ovos, além de alterar o comportamento social das aves, resultando em canibalismo (Peganova & Eder, 2003). Desta forma, deve-se conhecer com exatidão a exigência dos aminoácidos a serem suplementados.
Contudo, apesar de grandes progressos na nutrição é comum observar diferentes relações aminoácidos essenciais: lisina para a mesma categoria animal e fase de criação, em função de diversos fatores que afetam a determinação das exigências como genética e status fisiológico ou mesmo as análises estatísticas e variáveis respostas utilizadas.
Entre os aminoácidos essenciais para as poedeiras, encontra-se a valina. Devido à sua baixa concentração nos grãos utilizados na formulação de dietas, a valina se torna o quarto aminoácido limitante em dietas à base de milho e farelo de soja para aves. Essa limitação se torna ainda maior em animais de idade avançada, uma vez que a dieta destes animais apresenta maior participação de grãos e reduzido teor de proteína bruta.
Quando é feita uma revisão a respeito de trabalhos realizados sobre exigência de valina ou relação deste aminoácido com a lisina para galinhas poedeiras, percebe-se que o número de pesquisas é inferior quando comparados a trabalhos sobre exigência de lisina. Além disso, Bregendahl et al. (2008), relataram que os resultados encontrados na literatura não são consistentes.
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2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Nutrição proteica para aves
Proteínas são macromoléculas que desempenham uma surpreendente variedade de funções essenciais dinâmicas e estruturais nos animais. As funções dinâmicas incluem catálise de transformações químicas, transporte, controle metabólico e contração. Em suas funções estruturais, proteínas compõem a matriz óssea, tecido conjuntivo, tecido muscular entre outras. Todos os diferentes tipos de proteína são polímeros de apenas 20 aminoácidos unidos através de ligações peptídicas (Nelson & Cox, 2011).
Dos nutrientes presentes na dieta, a proteína é um dos que merece maior atenção, pois é o nutriente mais caro e é fundamental para um bom desempenho dos animais. A sua eficiência de utilização é dependente da quantidade, da composição e da digestibilidade de seus aminoácidos.
Diferentemente do que ocorre para carboidratos e lipídios, as proteínas não possuem um mecanismo de reserva de aminoácidos, portanto, todo excesso fornecido na dieta deverá ser catabolizado. Segundo Dionízio et al. (2005), o metabolismo do excesso de aminoácidos circulantes pode conduzir a maior gasto de energia para excretar esses aminoácidos, além de prover incremento calórico desnecessário, comprometendo o desempenho dos animais.
Durante muitos anos o suprimento das necessidades proteicas de frangos de corte e galinhas poedeiras era realizado através das formulações de ração com base na proteína bruta (PB). A terminologia PB refere-se ao seu procedimento de análise determinada nos laboratórios partindo da premissa de que toda proteína possui nitrogênio e este se faz presente em 16% da proteína (Kjeldahl, 1983). Portanto, o conceito de proteína bruta reúne um grupo de compostos com uma característica em comum, a presença de nitrogênio, porém com funções fisiológicas diferentes.
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aminoacídico. Além disso, todo o nitrogênio excretado pode resultar em problemas ambientais, em virtude da poluição causada pelos seus altos níveis eliminados. Desta forma, tornou-se necessário o conhecimento da quantidade de aminoácidos presentes na proteína, o que passou a ser viável a partir da utilização de métodos de análise do conteúdo aminoacídico das diferentes matérias primas empregada na nutrição animal.
Após alguns anos os nutricionistas passaram a formular rações com base em aminoácidos totais. Porém, o emprego deste novo conceito também possui suas limitações, pois a utilização destes aminoácidos pelas aves irá depender da sequência e das ligações químicas com outros aminoácidos presentes na molécula de proteína. Essa diferença na utilização dos aminoácidos pelos animais é medida através dos coeficientes de digestibilidade que quantificam a absorção a nível intestinal de determinado nutriente. A variação dos coeficientes de digestibilidade dos aminoácidos depende, principalmente, da fonte proteica empregada e do grau de processamento do ingrediente (Brito, 2007).
Devido à variação existente no desempenho das aves alimentadas com rações formuladas com aminoácido total, a utilização do conceito de aminoácidos digestíveis torna-se uma prática necessária para a obtenção de um adequado suprimento aminoacídico, proporcionando às aves melhor desempenho. Formular dietas utilizando o conceito de aminoácidos totais é o mesmo que formular dietas utilizando energia bruta, é importante conhecer como se dá a utilização desse nutriente e atributo no organismo animal.
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2.2 Utilização do conceito de proteína ideal na formulação de rações para aves
A proteína ideal é definida como o balanço exato de aminoácidos que é capaz de prover sem excesso ou deficiência, os requerimentos de todos os aminoácidos necessários para a manutenção animal e máxima deposição proteica. O conceito de proteína ideal foi, primeiramente, definido por Mitchell (1964) como sendo uma mistura de aminoácidos ou de proteína, cuja composição atende às exigências dos animais para os processos de mantença e crescimento.
De acordo com Parsons & Baker (1994) proteína ideal é uma mistura de aminoácidos ou de proteínas com total disponibilidade de digestão e metabolismo, capazes de fornecer sem excessos nem deficiências as necessidades absolutas de todos os aminoácidos requeridos para manutenção e produção da ave, para favorecer a deposição proteica com máxima eficiência. Segundo Penz Jr. (1996), para ser ideal a proteína ou a combinação, não devem possuir aminoácidos em excesso. Assim, os aminoácidos devem estar presentes na dieta exatamente nos níveis exigidos para a mantença e máxima deposição proteica. A partir deste conceito foi possível estudar a síntese de proteína dos diferentes tecidos e também avaliar a mudança de proporção dos aminoácidos, de acordo com o crescimento animal. Segundo Parsons & Baker (1994) esta mistura de aminoácidos deve conter proporções exatas dos 20 aminoácidos para favorecer a deposição proteica com máxima eficiência.
O uso do conceito de proteína ideal consiste em selecionar um aminoácido como referência e basear as exigências dos demais como uma proporção deste. Segundo Pack (1996) a lisina é utilizada como aminoácido de referência, embora seja o segundo limitante em dietas para aves formuladas a base de milho e farelo de soja. A lisina é utilizada como aminoácido de referência por possuir as seguintes características:
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Possui metabolismo orientado principalmente para deposição de proteína corporal;
A sua análise laboratorial para a determinação dos seus níveis nos ingredientes, rações e tecidos é precisa;
O conhecimento da sua exigência para todas as fases de produção animal encontra-se disponível;
A sua suplementação é economicamente viável nas dietas de aves e suínos;
Encontra-se disponível economicamente em forma cristalina para ser utilizada nas rações dos animais.
O maior benefício da aplicação do conceito de proteína ideal na formulação de rações é a simplificação do processo, visto que estabelecida a exigência de lisina, as exigências para os demais aminoácidos são facilmente calculadas (CHUNG & BAKER, 1992). Esta forma indireta de estabelecer as exigências dos aminoácidos é de grande importância, principalmente pela falta de informações precisas sobre as exigências de muitos aminoácidos.
O conceito de proteína ideal permite também a fácil adaptação a diferentes condições, sendo uma ferramenta que possibilita a redução do custo da ração a partir da flexibilidade do nível protéico mínimo e da melhor utilização de ingredientes alternativos. O melhor conhecimento dos requerimentos nutricionais dos aminoácidos individuais permite uma nutrição mais precisa, oferecendo a possibilidade de substituir parcialmente o requerimento do nível mínimo protéico por níveis mínimos de aminoácidos, gerando redução dos custos e da emissão de poluentes no ambiente.
Diversos resultados de pesquisas e avaliações práticas comprovaram que o excesso de aminoácidos na dieta não contribui para melhorar o desempenho animal, ou seja, não são utilizados eficientemente. Quando em excesso os aminoácidos sofrem desaminação e o nitrogênio é excretado como uréia pelos mamíferos ou como ácido úrico pelas aves, processo que reflete em gasto energético para o animal (MITCHELL, 1964).
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protéico da dieta e ainda o potencial genético do animal para o ganho de tecido magro (PARSONS & BAKER, 1994). Em rações com alta densidade energética as exigências de lisina são relativamente aumentadas, refletindo também em aumento na exigência dos demais aminoácidos. Assim sendo, estabelecida uma adequada relação aminoácidos:lisina, as rações podem ser formuladas para atender determinados requerimentos de lisina e consequentemente dos demais aminoácidos (SAKOMURA & SILVA, 1997). O uso do conceito de proteína ideal permite aos nutricionistas formularem rações melhor balanceadas em termos de aminoácidos, contribuindo para uma diminuição do excesso desses nutrientes na dieta e no gasto energético necessário para metabolizar esse excesso. Entre os aminoácidos presentes no perfil de proteína ideal para aves, a valina e a isoleucina apresentam destaque, principalmente em dietas formuladas exclusivamente com alimentos de origem vegetal e com baixo nível protéico.
2.3 Absorção e sistemas de transporte de aminoácidos neutros;
Os aminoácidos alanina, fenilalanina, isoleucina, leucina, metionina, prolina, triptofano e valina compõem o grupo de aminoácidos hidrofóbicos neutros. Este grupo de aminoácidos é transportado pela borda em escova e membrana basolateral através de transportadores em comum, sendo, portanto, passíveis de competição por sítios de ligação no transportador (BROER, 2008).
Em geral os sistemas de transporte podem ser classificados de acordo com a afinidade dos mesmos pelos carreadores, que são divididos em sistemas Na+-dependente (ativo) ou Na+-independente (facilitado). O sistema B, denominado sistema borda em escova neutra, é um sistema Na+-dependente, que transporta a grande maioria dos aminoácidos neutros através da membrana borda em escova. Este transportador possui afinidade por alguns aminoácidos na seguinte ordem: Met = Leu = Ile = Val > Gln = Asn = Phe = Cys = Ala > Ser = Gly = Tyr = Thr = His = Pro > Trp > Lys (BROER, 2008).
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próprio nome já sugere, ele tem uma alta especificidade pelo aminoácido leucina em relação aos demais. Os sistemas Na+-independente na membrana basolateral se assemelham aos da borda em escova, com a presença do sistema L e do sistema asc, outro tipo de transportador de aminoácidos neutros (BARKER & ELLORY, 1990).
Segundo Matthews (2000), a velocidade de absorção de aminoácidos neutros é maior que aminoácidos básicos, que por sua vez é maior que os aminoácidos aniônicos, enquanto que ao compararmos a velocidade de absorção de peptídeos em relação aos aminoácidos livres, verifica-se maior velocidade de absorção para os peptídeos. A maior taxa de absorção pode estar relacionada ao maior aporte de peptídeos no intestino quando comparado ao aporte de aminoácidos livres e ao fato de se reduzir a competição do substrato pelo transportador na membrana celular.
Alguns sistemas de transporte foram identificados na membrana borda em escova de frangos de corte, dentre eles, o sistema B, y+ e L. ( Torras-Llort et al., 1996; Soriano – Garcia et al., 1998). Foi observado que o transportador denominado y+, responsável pelo transporte de aminoácidos catiônicos nas demais espécies, foi capaz de transportar metionina, o que sugere a possibilidade deste em transportar outros aminoácidos neutros em frangos de corte.
2.4 Antagonismo entre aminoácidos de cadeia ramificada
Os aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) leucina, isoleucina e valina, diferem da maioria dos outros aminoácidos indispensáveis da dieta. Eles são semelhantes em estrutura e compartilham enzimas comuns para sua transaminação e descarboxilação oxidativa (HARPER et al., 1984). Grande parte das pesquisas com ACR estão relacionadas com o seu metabolismo e os efeitos da ingestão excessiva, especialmente da leucina.
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da associação de isoleucina e valina no organismo (HARPER et al., 1970; HARPER et al., 1984), sendo que efeitos adversos foram melhorados pela suplementação alimentar de pequenas quantidades de isoleucina e valina. Recentemente, foi mostrado que suínos podem reduzir o consumo de ração espontaneamente quando alimentados com uma dieta deficiente em valina, resultando numa redução subsequente do crescimento (GLOAGUEN et al., 2011). Este efeito é agravado pelo excesso da oferta de leucina, isso porque esse aminoácido pode estimular o catabolismo de valina (BLOCK & HARPER, 1984; HARPER et al., 1984; WILTAFSKY et al., 2010). O consumo voluntário dos suínos determina o fornecimento de nutrientes para o animal, e a compreensão da regulação da ingestão de alimentos é essencial na alimentação dos animais. No entanto, os mecanismos de regulação do apetite envolvidos na detecção do desiquilíbrio entre ACR são desconhecidos em suínos (GLOAGUEM et al., 2013) .
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níveis de leucina ou desbalanço entre os ACR, devem ser mais elevados que o recomendado como exigência.
O excesso de ACR pode ainda induzir a depleção de outros aminoácidos no cérebro, particularmente aqueles que são os precursores dos neurotransmissores. D’mello (2003) demonstrou que os excessos dos três ACR reduziram as concentrações cerebrais de dopamina, noradrenalina, e 5-hidroxi-triptamina e que os níveis desses neurotransmissores foram restaurados com a suplementação dietética com seus precursores, fenilalanina e triptofano. Estas alterações nas concentrações de aminoácidos no cérebro parecem regular a ingestão de alimentos (HARPER & PETERS, 1983, TACKMAN et al., 1990).
Algumas pesquisas têm sido desenvolvidas de modo a avaliar a intensidade do antagonismo existente entre os aminoácidos de cadeia ramificada. Gloaguen et al. (2011), com objetivo de avaliar a desempenho de leitões ao suplementa-los com valina combinada com isoleucina e leucina, até a sexta semana de idade, demonstraram que o desempenho foi significativamente inferior quando utilizado a relação valina:lisina digestível de 60% em relação à 70%. Com o aumento da relação leucina:lisina digestível de 111% para 165%, em dietas com 60% de valina:lisina digestível, os animais apresentaram menor peso final, menor consumo de ração, menor ganho diário e pior eficiência alimentar.
Foi relatado por Mitchell et al. (1968) que a concentração de isoleucina e valina no plasma de suínos foram fortemente deprimidos quando a concentração de leucina foi aumentada de 0,73 para 1,23% na dieta, no entanto, os parâmetros de desempenho não foram influenciados negativamente. Observou-se ainda uma redução de 80% na concentração de valina, no plasma de suínos, quando a concentração de leucina aumentou de 0,73 para 1,23% da dieta.
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terceira com níveis elevados de todos os ACR. Em comparação à dieta com alto nível de leucina, a utilização de níveis elevados dos ACR aumentou em 30% o conteúdo de glutamato livre na carne. Esses autores concluem que a concentração de ACR regula o glutamato livre na carne e que em alguns casos o aumento do glutamato livre é mais efetivo pelo aumento de valina e isoleucina que pela diminuição dos níveis de leucina na dieta.
Wiltafsky et al.,(2010), estudando o impacto do excesso dietético de leucina para suínos em crescimento de 8 a 25 kg, sobre o desempenho, metabólitos sanguíneos, transcrição e cinética enzimática verificaram que o aumento dietético de leucina reduziu o desempenho e aumentou níveis de leucina plasmática e α-ceto-isocaproato (cetoácido da leucina) linearmente. Observaram também aumento linear da atividade basal da DCCR no fígado. No tecido hepático, os níveis de mRNA do receptor do hormônio de crescimento (GH), da subunidade do fator de cescimento similar a insulina I (IGF-I) reduziram significativamente com o aumento da leucina dietética.
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2.5 Redução da proteína bruta para poedeiras
Diversas pesquisas mostram a influência do nível protéico e de aminoácidos sobre o desempenho de poedeiras comerciais. Segundo Plavinik (2003), uma dieta de baixa proteína bruta com aminoácidos críticos balanceados é melhor que uma dieta de alta proteína bruta durante períodos quentes. A oxidação do excesso proteico ou de aminoácidos gera calor metabólico.
Harms & Hussel (1993) comparando o desempenho de poedeiras leves Hy-line W-36 às 28 semanas de idade submetidas a dietas com 17,6% de PB ao de poedeiras alimentadas com dietas de 14,8% de PB com e sem a suplementação de aminoácidos, perceberam queda acentuada na produção, peso e massa de ovo, além de significativa redução no peso corporal das aves submetidas às dietas com menor nível protéico e sem suplementação de aminoácidos. No entanto, quando a dieta que continha o menor nível protéico foi suplementada com os aminoácidos que se tornaram limitantes (Lisina, metionina, treonina, triptofano, arginina e valina), não ocorreram diferenças significativas no desempenho, quando comparadas à dieta com maior nível protéico. Estes mesmos pesquisadores repetiram a experiência com poedeiras de 42 semanas de idade e puderam confirmar que a redução proteica sem a suplementação de aminoácidos afetava o desempenho das aves e que suplementado o menor nível proteico com os aminoácidos limitantes as aves recuperavam o desempenho.
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Summers (1993) avaliando o desempenho de poedeiras leves de 18 a 56 semanas de idade submetidas à dietas com alto nível de PB (17%) e baixo nível de PB (13% + aminoácidos) não detectou redução na produção de ovos, embora tenha ocorrido redução significativa no peso dos ovos e no peso corporal.
2.6 Proteína ideal e o benefício ao meio-ambiente
A produção animal moderna, principalmente na Europa, vem sofrendo pressões crescentes no seu efeito ao meio ambiente. No ano de 2000 a Comunidade Europeia implementou o Conselho Diretivo 96/61/EC, que regulamentou o controle integrado de prevenção e controle da poluição ambiental. A partir deste conselho, as grandes integrações de aves e suínos só podem emitir poluentes na água e no solo, incluindo nitratos, e no ar, principalmente amônia, dentro de um limite máximo. Com isto, quanto menor a emissão de nutrientes não digeridos pelos animais, mais animais por m2 poderão ser alojados. No Brasil, por ser um país de amplo território, esta preocupação ainda não chega a estes níveis, mas já existem regiões de alta densidade de produção de aves e suínos, como o oeste do estado de Santa Catarina, onde a densidade de poluentes produzidos chega ao nível Europeu (DUARTE, 2009).
A poluição ambiental provocada pelo excesso de nutrientes lançados no meio ambiente pelas excretas de animais tem sido destaque em muitas pesquisas envolvendo a nutrição e a produção animal. Entre os nutrientes excretados pelos animais, o nitrogênio (N) possui elevado potencial poluidor, pois, quando lançado em excesso no meio ambiente, pode contaminar o ar, o solo e a água dos lençóis freáticos, ocasionando problemas de toxidez por nitrato, assim como a eutrofização de mananciais. Assim, é prudente considerar o efeito do teor proteico das rações sobre a excreção de N pelos animais.
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na base aminoácidos digestíveis, o que irá diminuir a excreção de nitrogênio, devido a maior digestibilidade da dieta; reduzir os níveis proteicos das dietas até o seu limite técnico, formulando-as com o conceito da proteína ideal e estabelecer programas multifásicos, visando ajustar as dietas o mais próximo possível do requerimento animal, minimizando os excessos de nitrogênio e consequentemente a sua excreção para o ambiente.
De acordo com Patterson & Adrizal (2005), apenas 51,1% do N ingerido pelas aves fica retido na carcaça, enquanto, do total excretado, 30,6% fica retido na cama e 18,3% é volatilizado na forma de amônia.
Leclercq (1998) demonstrou que 30% da proteína bruta ingerida pelo frango é excretada, em rações com 23 e 21% de proteína bruta, para idades de 1-3 e 3-6 semanas respectivamente. Trabalhos europeus demonstraram que a formulação de dietas de suínos com proteína baixa, mantendo o perfil ideal de aminoácidos, pode reduzir a excreção de nitrogênio em 25% a 50% e a emissão de amônia nas instalações e meio ambiente em 50%. Também causa a redução da ingestão de água em 10 a 30% e da excreção de urina na mesma proporção, diminuindo, consequentemente, o volume de poluentes emitidos para o ambiente.
Avaliando a excreção de nitrogênio de poedeiras leves às 24 semanas de idade submetidas à dietas com alto nível de PB (17%) e baixo nível de PB (13% + aminoácidos), Summers (1993) percebeu que houve redução aproximada de 40% na excreção de nitrogênio pelas aves que consumiram a dieta com menor nível protéico (13% PB). Sendo assim, concluiu que embora ocorra uma pequena perda de massa de ovo com o menor nível protéico, esta perda pode ser recompensada pelos benefícios ao ambiente.
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2.7 Perfil ideal de aminoácidos para poedeiras
Como vários fatores podem afetar as exigências de aminoácidos, as exigências determinadas em condições experimentais podem não ser susceptíveis de ser aplicadas em condições de campo. Uma solução para a obtenção de valores de confiança nas exigências de aminoácidos não é, portanto, usar o valor absoluto das recomendações de cada aminoácido, mas sim usar o perfil ideal dos aminoácidos para formular as dietas para galinhas poedeiras.
O perfil ideal de aminoácidos emprega o conceito de que, enquanto o valor absoluto das exigências de aminoácidos pode mudar drasticamente devido a fatores genéticos ou ambientais, as relações entre os aminoácidos são apenas ligeiramente afetados. Assim, uma vez que o perfil ideal dos aminoácidos tenha sido determinado, a exigência de um único aminoácido (por exemplo, lisina) pode ser determinada experimentalmente ou modelado para uma situação de campo e a exigência de todos os outros aminoácidos calculada em relação ao aminoácido pesquisado. Esta abordagem já tem sido adotada com sucesso pela indústria de suínos (NRC, 1998) e também na formulação de dietas para frangos de corte (MACK et al., 1999; BAKER, 2003; DARI et al., 2005).
2.8 Exigência de valina para poedeiras
Considerado um aminoácido alifático, a valina (Figura 1) é similar à leucina e à isoleucina em estrutura e função. Estes aminoácidos são muito hidrofóbicos e se encontram quase sempre no interior das proteínas. Farelo de soja, pescados e carnes, são fontes importantes de valina. Ela se incorpora às proteínas e às enzimas em um índice molar de 6,9% quando se compara com os outros aminoácidos (DUARTE, 2009).
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proteína do milho são acompanhadas por alta leucina. Dietas com altos níveis de leucina têm aumentado as exigências de valina e isoleucina para frangos de corte e perus (D’Mello & Lewis, 1970; Allen & Baker, 1972; Tuttle & Balloun, 1976).
Figura 1. Estrutura química da valina.
Segundo Harper (1984), o excesso de isoleucina na dieta pode provocar efeito depressor no desempenho de aves, devido aos antagonismos entre este e outros dois aminoácidos de cadeia ramificada, valina e leucina. Os três ACR semelhantes estruturalmente (valina, leucina e isoleucina), compartilham sistemas comuns de transporte através das membranas celulares e utilizam as mesmas enzimas de degradação.
Evitar o excesso de aminoácidos quando se formula dietas para poedeiras, além de melhorar o desempenho das aves, diminui os níveis de excreção de nitrogênio e consequentemente a poluição ambiental.
Quando é feita uma revisão a respeito de trabalhos realizados sobre exigência de valina ou relação valina:lisina digestível para poedeiras, percebe-se que o número de pesquisas é consideravelmente inferior quando comparados a trabalhos sobre exigência de lisina.
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leves e semi-pesadas de 700 mg/dia, ou a relação de valina/lisina de 101%. Harms & Russel (2001) constataram a exigência de valina digestível de 592 mg, 677 mg e 619 mg por dia para produção de ovos, peso do ovo e conteúdo do ovo, respectivamente; quando trabalharam com poedeiras Hy-Line W36 no período de 41 a 47 semanas de idade.
Harms and Ivey (1993) relataram melhora no desempenho de galinhas poedeiras comerciais quando foi adicionada valina às dietas a base de milho e farelo de soja contendo metionina, lisina, treonina, arginina e treonina suplementar. Segundo os autores, as aves consumiram diariamente 619 mg de valina digestível e as aves que receberam ração sem valina suplementar, no período de 31-34 semanas de idade, consumiram 537 mg de valina digestível.
As tabelas brasileiras (ROSTAGNO et al. 2011) recomendam para poedeiras leves 654 mg/dia de valina digestível, sendo 735 mg de valina total/dia, com peso em torno de 1,600kg. Já para poedeiras semi-pesadas, é recomendado 675mg/dia de valina digestível, e 759 mg de valina total/dia, com peso em torno te 1,800kg. Rostagno et al (2011) também recomendam a relação valina:lisina digestível de 90% para ambas as variedades.
Lesson & Summers (2005), trabalhando com poedeiras comerciais no período de 32 a 45 semanas de idade, recomendaram a relação valina:lisina total de 89%. Coon & Zhang (1999), quando trabalharam com poedeiras Hy-line W-36 durante o período de 33 a 39 semanas de idade recomendaram a relação valina/lisina digestível de 102%.
18 2.9 Análise estatística
Parece haver influência do modelo estatístico usado nas análises de determinação das exigências dos aminoácidos para as aves e para os suínos sobre os valores recomendados.
O modelo quadrático que, aparentemente, apresenta vantagem no cálculo da exigência nutricional por possibilitar a estimativa do ganho máximo possível, apresenta dois problemas na descrição do fenômeno (SAKOMURA & ROSTAGNO, 2007). Primeiro, em decorrência do fato do modelo assumir simetria bilateral da resposta ao incremento do nutriente, ou seja, o modelo quadrático descreve a queda da produção na mesma intensidade do acréscimo; e segundo, a função quadrática é muito sensível à diferença entre os níveis estudados tendendo a estimar os valores ótimos no intervalo dos níveis (EUCLYDES E ROSTAGNO, 2001). Para evitar o possível problema de superestimar a exigência do nutriente, alguns pesquisadores optaram por aplicar o intervalo de confiança de 95% do nível máximo (ou mínimo) do nutriente, estimado pela equação quadrática.
Morris (1983) argumentou que o modelo quadrático pode proporcionar um bom ajuste de dados, causando uma falsa segurança, uma vez que a curvatura é muito sensível a variações nos intervalos dos tratamentos, e que o modelo é fisiologicamente incorreto, pois pressupõe respostas simétricas para deficiência e para excesso. O autor comenta que o ajuste de dados pelo modelo Linear Response Plateou (LRP) pode proporcionar um bom ajuste estatístico, mas frequentemente subestima a dose ótima. Pack (1996) mencionou que, embora o modelo broken line tenha um bom ajuste estatístico, não considera os aspectos fisiológicos do animal e a lei de redução dos retornos e, portanto, em muitos casos, subestima a dose ótima. Apesar do modelo broken line estimar o nível ótimo, não considera os aumentos que poderiam justificar melhorias adicionais no desempenho.
19
relatados anteriormente. A exigência é estimada objetivamente, estabelecendo-se o primeiro ponto de interestabelecendo-seção da curva quadrática com o platô do broken line. O valor do intercepto x é calculado, igualando-se a equação quadrática com o valor do platô (y) estabelecido pelo broken line.
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25 CAPÍTULO 1
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Relações valina:lisina digestíveis em rações para poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
RESUMO
Objetivou-se determinar a relação ideal valina:lisina digestível para poedeiras leves no período de 24 a 40 semanas de idade. Foram utilizadas 288 poedeiras Hy-Line W-36, distribuídas em delineamento inteiramente ao acaso, com seis tratamentos, oito repetições e seis aves por unidade experimental. Ao completarem 24 semanas de idade as aves foram submetidas aos tratamentos experimentais que consistiram de rações isonutritivas e isocalóricas, exceto para os níveis de valina digestível. Os níveis de valina digestível nas dietas experimentais foram 0,615; 0,653; 0,691; 0,729; 0,767 e 0,805%%, proporcionando relações valina:lisina digestível de 81; 86; 91; 96; 101 e 106%, respectivamente. Foi utilizado um nível subótimo de lisina digestível nas rações de 0,759%. Os seguintes parâmetros foram avaliados: consumo alimentar (ração, valina digestível e lisina digestível), porcentagem de postura, peso médio dos ovos, massa de ovos, conversão alimentar (dúzia e massa de ovos), eficiência de utilização de lisina digestível, componentes dos ovos, ganho de peso, ovos não comercializáveis e balanço de nitrogênio. Houve efeito linear dos níveis de valina digestível sobre o ganho de peso das aves. Foi observado efeito quadrático sobre o consumo de ração, o consumo de valina, o consumo de lisina, a produção de ovos, a massa de ovos e a conversão alimentar por massa de ovos. Para os parâmetros massa de ovos e conversão alimentar por massa de ovos o modelo LRP foi o que melhor se ajustou aos dados, sendo obtida menor soma de quadrado dos desvios. Recomenda-se a relação valina:lisina digestível de 93,06% em rações para poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
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Valine:lysine ratio in diets for white leghorn hens from 24 to 42 weeks of age.
ABSTRACT
The objective of this work was to determine the ideal ratio of digestible valine:digestible lysine in diets for light laying hens from 24 to 40 weeks of age. A total of 288 laying hens Hy-Line W-36 were used. The hens were distributed in a completely randomized experimental design with 6 treatments, 8 replicates and 6 hens per experimental unit. When they completed 24 weeks of age the birds received the experimental treatments that consisted of diets isonutrient, except for levels of digestible valine. The levels of digestible valine used in diets were 0,615; 0,653; 0,691; 0,729; 0,767 and 0,805%, providing ratios of digestible valine:digestible lysine of 81; 86; 91; 96; 101 and 106%. Was used a suboptimal level of digestible lysine in the diets of 0.759%. The following parameters were evaluated: food intake (feed, digestible tryptophan and digestible lysine), egg production, avarege egg weight, egg mass, feed conversion (dozen eggs and egg mass), efficiency of digestible lysine utilization, egg components, weight gain, eggs unmarketable and nitrogen balance. There was a linear effect on weight gain. Was observed a quadratic effect on feed intake, digestible valine intake, digestible lysine intake, egg production, egg mass, feed conversion per egg mass. For egg mass and feed conversion per egg mass there was best fitted of the data to the LRP model. For the LRP model was obtained smallest sum of squared deviations. The ideal valine:digestible lysine ratio is 93,19%.
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INTRODUÇÃO
O alto custo dos ingredientes utilizados na alimentação das aves demanda, por parte dos nutricionistas, a adoção de estratégias que proporcionem melhor aproveitamento dos nutrientes, gerando maior eficiência produtiva. Nesse sentido, para a formulação de programas alimentares, além do valor nutricional dos alimentos, é importante conhecer as exigências nutricionais das aves.
Durante as últimas décadas, a produtividade das poedeiras comerciais aumentou consideravelmente. Além do número de ovos, massa de ovos e conversão alimentar, a persistência de postura também foi melhorada. Isso tem implicações sobre a nutrição aminoacídica ideal. Um aumento na produção de massa de ovos exige maior fornecimento de aminoácidos via alimentação. Essa dinâmica exige a realização de estudos para atualizar as exigências de aminoácidos das poedeiras.
Com o avanço no conhecimento da nutrição de monogástricos, somado a disponibilidade de aminoácidos industriais em escala comercial e a preços compatíveis, a adoção do conceito de proteína ideal na formulação de rações para poedeiras é uma realidade. Essa prática possibilita a redução dos níveis proteicos das dietas, sem afetar o aporte de aminoácidos necessário às aves. Assim, pode-se alcançar melhor aproveitamento nutricional, redução nos custos de produção e menor produção de resíduos potencialmente poluidores ao meio ambiente. Para adoção do conceito de proteína ideal é importante quantificar as exigências dos aminoácidos em relação à exigência de lisina. A lisina tem sido utilizada como aminoácido referência para o estabelecimento das relações ideais principalmente em função de sua determinação analítica simples e sua utilização exclusiva para a síntese de proteínas.
A valina pode ser considerada como um dos potenciais aminoácidos limitantes para galinhas poedeiras, após metionina, lisina, triptofano e treonina. O nível de valina adequado nas rações das aves é importante quando são formuladas dietas utilizando o conceito de proteína ideal, ou seja, com o balanço exato dos aminoácidos, sem deficiências ou excesso, o que resulta na redução da excreção de nitrogênio (Rostagno et al., 2011).
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resultados obtidos na literatura são conflitantes quanto à relação ideal de valina:lisina digestível, indicando a necessidade de mais investigações sobre a exigência de valina para galinhas poedeiras.
O objetivo com este trabalho foi determinar a relação valina:lisina digestível ideal em rações para poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado de outubro de 2011 a janeiro de 2012 nas instalações do Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Foram utilizadas 288 galinhas poedeiras Hy-Line W-36 com 24 semanas de idade, com peso médio inicial de 1,34 quilos. As aves foram adquiridas com 20 semanas de idade. Até entrarem em fase experimental, foram manejadas de acordo com as recomendações do manual da linhagem e alimentadas segundo as recomendações nutricionais de Rostagno et al. (2011).
As aves foram alojadas aos pares em gaiolas de 25x40x45 cm, instaladas em um galpão com 24x8 m, fechado nas laterais com tela e com cobertura de telhas de barro em duas águas. Quando completaram 22 semanas de idade, as aves foram pesadas e distribuídas em delineamento inteiramente ao acaso, padronizando-as pelo peso corporal em oito repetições com seis aves cada. A produção de ovos foi contabilizada durante o período de 22 a 24 semanas de idade. Antes do fornecimento das dietas experimentais foi realizada a uniformização das aves nos tratamentos de acordo com a porcentagem de postura.
30
valina:lisina digestível de 81; 86; 91; 96; 101 e 106% (Tabela 1). As suplementações com L-valina foram feitas em substituição ao L-glutâmico em equivalente protéico. Em todas as dietas foram mantidas as mesmas relações entre os outros aminoácidos e a lisina.
A exigência de lisina utilizada foi a determinada segundo Rocha et al. (2009), a relação metionina + cistina segundo Brumano et al. (2010), a relação treonina:lisina segundo Rocha et al. (2009b) e a relação triptofano:lisina por Calderano et al. (2012). A relação dos demais aminoácidos foi determinada dois pontos percentuais acima dos valores preconizados por Rostagno et al. (2011). Os demais nutrientes contidos na ração, exceto os aminoácidos e a proteína bruta, atenderam as recomendações preconizadas por Rostagno et al. (2011).
As rações foram fornecidas diariamente às 8:00 e 16:00 horas. Durante todo experimento, o consumo de ração estabelecido foi de até 95,5 g/ave/dia. A água foi fornecida a vontade.
O programa de luz adotado foi o mesmo utilizado no Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da UFV que consiste do fornecimento de 17 horas de luz diárias. O controle do fornecimento de luz foi realizado por meio de um relógio digital (timer), que garantiu o acender e o apagar das luzes conforme necessário.
As temperaturas no galpão foram monitoradas uma vez ao dia, às 8 h, por meio de dois termômetros de máxima e mínima, que estavam distribuídos em pontos distintos por todo o galpão, posicionados à altura das aves. As temperaturas ambientais mínima e máxima variaram de 10ºC a 19ºC e de 24ºC a 31 ºC, com média de 15,2 ±2,3 e 28,7±2,9 ºC, respectivamente. Desta forma, as aves passaram por momentos de pico de temperatura, mesmo que, em média, elas estavam dentro da faixa de termoneutralidade para poedeiras no período de produção, que é de 15 a 28 °C, segundo Ferreira (2005).
31
Tabela 1 - Composição percentual e valor nutricional das dietas na matéria natural
INGREDIENTES T1 T2 T3 T4 T5 T6
Milho grão 67,384 67,384 67,384 67,384 67,384 67,384 Farelo de soja 45% 17,156 17,156 17,156 17,156 17,156 17,156 Calcário 9,953 9,953 9,953 9,953 9,953 9,953 Fosfato bicálcico 1,686 1,686 1,686 1,686 1,686 1,686 Sal comum 0,524 0,524 0,524 0,524 0,524 0,524 Óleo de soja 1,826 1,826 1,826 1,826 1,826 1,826 Carbonato de potássio 0,117 0,117 0,117 0,117 0,117 0,117 DL-metionina 99% 0,326 0,326 0,326 0,326 0,326 0,326 L-lisina HCl 78% 0,161 0,161 0,161 0,161 0,161 0,161 L-treonina 98% 0,074 0,074 0,074 0,074 0,074 0,074 L-isoleucina 99% 0,146 0,146 0,146 0,146 0,146 0,146 L-triptofano 98% 0,043 0,043 0,043 0,043 0,043 0,043
L-valina 96,5% 0,000 0,039 0,079 0,118 0,158 0,197
Suplemento vitaminico1 0,100 0,100 0,100 0,100 0,100 0,100 Suplemento mineral2 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 Cloreto de colina (60%) 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020
Antioxidante3 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010
Ácido glutâmico 0,300 0,249 0,199 0,149 0,099 0,049
Amido 0,1000 0,111 0,121 0,132 0,143 0,154
Total 100 100 100 100 100 100
Composição (%)
Ácido linoleico 2,388 2,388 2,388 2,388 2,388 2,388
Cálcio 4,230 4,230 4,230 4,230 4,230 4,230
Fósforo disponível 0,395 0,395 0,395 0,395 0,395 0,395
Cloro 0,355 0,355 0,355 0,355 0,355 0,355
Potássio 0,580 0,580 0,580 0,580 0,580 0,580
Sódio 0,225 0,225 0,225 0,225 0,225 0,225
Energ. Met. (kcal/kg) 2900 2900 2900 2900 2900 2900
Proteína Bruta 13,67 13,67 13,67 13,67 13,67 13,67
Arginina digestível 0,815 0,815 0,815 0,815 0,815 0,815 Fenilalanina digestível 0,634 0,634 0,634 0,634 0,634 0,634 Fenilalanina+tirosina dig. 1,017 1,017 1,017 1,017 1,017 1,017 Histidina digestível 0,360 0,360 0,360 0,360 0,360 0,360 Isoleucina digestível 0,678 0,678 0,678 0,678 0,678 0,678 Leucina digestível 1,204 1,204 1,204 1,204 1,204 1,204 Lisina digestível 0,759 0,759 0,759 0,759 0,759 0,759 Metionina+cistina dig. 0,759 0,759 0,759 0,759 0,759 0,759 Metionina digestível 0,526 0,526 0,526 0,526 0,526 0,526 Treonina digestível 0,592 0,592 0,592 0,592 0,592 0,592 Triptofano digestível 0,190 0,190 0,190 0,190 0,190 0,190
Valina digestível 0,615 0,653 0,691 0,729 0,767 0,805
Relação Valina/lisina 81 86 91 96 101 106
1
Quantidade por kg de ração: vit. A - 7200 UI; vit D3 - 1600 UI; vit. E - 5 UI; vit B1 - 0,9 mg; vit B2 - 2,7 mg; vit B6 - 1,5 mg; pantotenato de cálcio - 5,9 mg; biotina - 0,02 mg; vit. K3 - 1,1 mg; ác. Fólico - 0,25 mg; niacina - 16 mg; vit. B12 - 7,2 mcg; selênio - 0,25 mg.
2 Quantidade por kg de ração: manganês - 75 mg; ferro - 50 mg; zinco - 70 mg; cobre - 8 mg; iodo – 0,75 mg. 3
32
Consumo alimentar: foi determinado o consumo de ração, de valina digestível e de lisina digestível ao término de cada período de 28 dias, por meio da divisão da quantidade de ração (g), de valina (mg) e de lisina (mg) consumida, respectivamente, em cada unidade experimental, pelo número de aves das unidades experimentais por dia.
Produção de ovos: foi computada diariamente e de acordo com o número de aves-dia por unidade experimental.
Conversão alimentar: foi calculada pela divisão do consumo de ração pela produção em dúzias de ovos (kg/dúzia) e pela massa de ovos (kg/kg), em cada um dos quatro ciclos.
Peso médio dos ovos: foram utilizados todos os ovos íntegros coletados nos três últimos dias de cada um dos quatro ciclos de 28 dias. A média do peso dos ovos foi obtida pela divisão do peso total dos ovos coletados pelo número de ovos coletados, por unidade experimental e expressos em gramas.
Massa de ovos: foi expressa em gramas de ovos por ave por dia (g/ave/dia), multiplicando o peso médio dos ovos no ciclo pelo número total de ovos produzidos no respectivo ciclo, dividido pelo número total de aves dos dias relativos a esse período.
Eficiência de utilização de lisina digestível: foi calculado pela divisão do consumo de lisina/ave em gramas dos quatro subperíodos, pela produção total de ovos/ave dos quatro subperíodos, em cada unidade experimental.
Ovos não-comerciais: foram computados os ovos trincados, quebrados, de casca mole, sem casca, de duas gemas e sem gema. A relação de ovos perdidos e o total de ovos produzidos no experimento foram apresentados na forma de porcentagem para cada um dos tratamentos. Componentes dos ovos: foram coletados dois ovos por dia de cada
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utilizou-se um separador de gemas convencional. As cascas foram lavadas, secas ao ar e, na sequência, pesadas. O peso do albúmen foi obtido pela diferença entre o peso total do ovo menos o peso da casca e da gema. A gema, o albúmen e a casca foram determinados em porcentagem.
Balanço de nitrogênio: foi realizada a coleta total das excretas nos três últimos dias do período experimental para posterior análise da excreção de nitrogênio. O balanço de nitrogênio é dado em porcentagem, levando em consideração o total retido do nitrogênio retido pela ave sobre o total ingerido.
Ganho de peso: todas as poedeiras de cada repetição foram pesadas no início e no final do período experimental, para obtenção do ganho de peso médio, mediante a diferença entre as duas pesagens.
O valor da exigência do aminoácido em estudo foi estimado por meio das variáveis estudadas, mediante o uso de modelos de regressão (linear e quadrático) ou LRP (Linear Response Plateau), conforme ajustamento dos dados, utilizando o programa SAEG – Sistema para Análises Estatísticas e Genéticas – (UFV, 2007).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos para consumo de ração, consumo de valina, consumo de lisina e eficiência de lisina para produção são apresentados na tabela 2.
Tabela 2 – Relações valina:lisina digestível sobre o consumo de ração (CR), consumo
de valina(CVAL), consumo de lisina (CL) e eficiência de utilização de Lisina (ELP) de poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
Tratamento (%
valina) Relação (%)
CR3 (g/ave/dia) CVAL3 (mg/ave/dia) CL3 (mg/ave/dia)
ELP1 (g/ave/prod. Total de ovos)
0,615 81 91,39 562,20 693,65 0,804
0,653 86 93,85 612,84 712,32 0,797
0,691 91 94,42 652,44 716,65 0,786
0,729 96 94,82 691,23 719,68 0,784
0,767 101 94,97 728,84 720,82 0,792
0,805 106 94,22 636,28 715,13 0,782
CV (%) 2,41 2,38 2,40 3,20
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Foi observado efeito (P<0,05) das diferentes relações de valina:lisina digestível sobre consumo de ração, que aumentou até o nível 94,74 (tabela 2, figura 1). O consumo de ração estimado (94,74 gramas) foi próximo ao consumo médio esperado (95 gramas) segundo o manual de padrão de desempenho Hy-line W-36 (2013). Ficou evidenciado que a valina em nível muito baixo pode influenciar negativamente o consumo de ração das poedeiras.
Lelis (2010) trabalhando com poedeiras semipesadas no período de 42 a 54 semanas, alimentadas com rações com cinco relações valina:lisina digestível (84, 88, 92, 96 e 100%), observou efeito linear das relações valina:lisina digestível sobre o consumo de ração.
Figura 1 - Efeito da relação valina:lisina digestível na ração sobre o consumo de ração (g/ave/dia) de poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
As relações valina:lisina influenciaram (P<0,05) o consumo de valina (Ŷ= - 800,61 + 23,912x -0,084x², R2 = 0,99) e o consumo de lisina (Ŷ= - 0,02067 +
0,0198x – 0,0001x², R2= 0,96) que seguiu o mesmo comportamento estatístico
do consumo de ração, aumentando de forma quadrática até atingir a relação estimada de 97,26%.
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houve uma diferença de 29 mg de lisina/ave/dia entre o tratamento com maior e menor consumo de lisina. Assim, para definir a relação valina:lisina ideal, considerou-se a eficiência de utilização de lisina por produção total de ovos, de modo que o melhor nível seria aquele que resultasse no menor valor para esse parâmetro. Para um mesmo consumo de lisina digestível, o nível de suplementação que proporcionasse a maior produção de ovos indicaria que a relação de valina digestível utilizada é a mais ajustada, pois os níveis desses aminoácidos era o único nutriente que variou entre as dietas. Porém não foi observado efeito significativo (P>0,05) das relações valina:lisina digestível sobre a eficiência de utilização de lisina por produção total de ovos, desta forma, todos os tratamentos apresentaram eficiência de produção semelhante, permitindo assim que a tomada de decisão ocorra, basicamente, pela análise dos parâmetros de produção.
Os resultados obtidos para taxa de postura, massa de ovos, conversão alimentar por massa de ovos e por dúzia de ovos são apresentados na tabela 3. Não foi observado efeito significativo (P>0,05) das relações valina:lisina digestível sobre a conversão alimentar por dúzia de ovos.
Tabela 3 – Relações valina:lisina digestível sobre a taxa de postura (TP), massa de ovos (MO) e conversão alimentar por massa (CMO) e por dúzia de ovos (CDZ) de poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
Tratamento (% valina) Relação (%)
TP3 (%) MO3,4 (g) CMO3,4 (g/g) CDZ1 (kg/Dúzia)
0,615 81 86,36 50,39 1,84 1,27
0,653 86 89,13 52,19 1,78 1,26
0,691 91 91,19 53,79 1,73 1,24
0,729 96 91,74 54,27 1,75 1,24
0,767 101 91,05 53,65 1,74 1,25
0,805 106 90,64 53,41 1,75 1,25
CV (%) 2,58 3,22 3,13 3,20
1Efeito não significativo; 3Efeito quadrático;4Efeito LRP; CV coeficiente de variação.
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quadrática (Sakomura & Rostagno, 2007). Utilizando este limite de confiança, encontrou-se a relação valina:lisina digestível ótima de 93,06%.
Figura 2 - Efeito da relação valina:lisina digestível na ração sobre a produção de ovos (%) de poedeiras leves de 24 a 40 semanas de idade.
A produção de ovos estimada pelo modelo quadrático (91,87%) é inferior ao preconizado pelo manual de padrão de desempenho Hy-line W-36 (2013) para a mesma fase (93,4 %). É importante ressaltar que as dietas foram formuladas com valores subestimados da exigência de lisina digestível, uma vez que o interesse com essa pesquisa foi obter a melhor relação entre valina:lisina digestível.
A relação valina:lisina digestível recomendada por Rostagno et al. (2011) é de 90%, valor inferior ao estimado neste trabalho (93,06%), o que sugere que os valores de lisina recomendados nas Tabelas Brasileiras podem estar superestimados. O NRC (1994) indica exigência diária de valina digestível para poedeiras leves e semi-pesadas de 700 mg/dia, com a relação de valina:lisina de 101%.
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período de 28 a 34 semanas de idade e observaram que, segundo o modelo LRP, que a ralação valina:lisina para maior produção de ovos é de 89,59. Harms & Russel (2001) avaliaram o requerimento de valina para poedeiras Hy-Line W-36 com 39 semanas de idade, para isso utilizaram dietas, a base de milho e farelo de soja, com sete níveis de valina digestível (0,765; 0,700; 0,665; 0,630; 0,595; 0,560 e 0,525 %) e verificaram que a produção de ovos aumentou com a utilização de até 0,630% de valina digestível na ração, porém, pelo modelo descontínuo a exigência de valina foi estimada em 592,5 mg/ave/dia.
Houve efeito quadrático (P<0,05) dos tratamentos sobre a massa de ovo quando as poedeiras foram alimentadas com dietas contendo diferentes relações valina:lisina digestível, que aumentou até a relação estimada de 98,10% (tabela 3). Aplicando o limite de confiança de 95% para a resposta quadrática, observou-se como relação ótima de 93,19%.
Pela análise do modelo LRP, que foi o modelo que melhor se ajustou aos dados, observou-se como melhor relação valina:lisina digestível o valor de 90,60%, atingindo o plateau em 53,77 g/ave/dia. Associando o modelo quadrático com o LRP, encontrou-se 92,51% como a melhor relação valina:lisina digestível para massa de ovos (figura 3).
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Lelis (2010) trabalhando com poedeiras semipesadas no período de 42 a 54 semanas, alimentadas com rações com cinco relações valina:lisina digestível (84, 88, 92, 96 e 100%) estimou a relação ideal para maior massa de ovos, segundo o modelo LRP, em 92,46%, valor este superior ao observado, segundo o modelo LRP, neste trabalho (90,6%). Bregendahl et al. (2008) avaliaram cinco relações valina:lisina digestíveis para poedeiras semipesadas no período de 28 a 34 semanas de idade e observaram que, segundo o modelo LRP, que a melhor relação valina:lisina digestível é 94,04%. Harms & Russel (2001) avaliaram exigência de valina para poedeiras Hy-Line W-36 com 39 semanas de idade, para isso utilizaram dietas, a base de milho e farelo de soja, com sete níveis de valina digestível (0,765; 0,700; 0,665; 0,630; 0,595; 0,560 e 0,525 %) e verificaram que a maior massa de ovos foi observada no tratamento com 0,700% de valina digestível.
Houve efeito (P<0,05) dos tratamentos sobre a conversão alimentar por massa de ovo que melhorou de forma quadrática até o nível estimado de 97,84% (tabela 3). Aplicando o limite de confiança de 95% para a resposta quadrática, observou-se como relação ótima de 92,94%.
Pela análise do modelo LRP, que foi o modelo que melhor se ajustou aos dados, observou-se como melhor relação valina:lisina digestível o valor de 89,14%, atingindo o plateau em 1,744 g/g (Ŷ= 2,7264-1,395x, R2 = 1,00). Associando o modelo quadrático com o LRP, encontrou-se 90,48% como a melhor relação valina:lisina digestível para massa de ovos (figura 4).