• Nenhum resultado encontrado

Confiabilidade teste-reteste de escalas de silhuetas de autoimagem corporal no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Confiabilidade teste-reteste de escalas de silhuetas de autoimagem corporal no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto."

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

Confi abilidade teste-reteste de escalas de

silhuetas de autoimagem corporal no

Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto

Test-retest reliability of the scale silhouettes fi gures

of body image in

Brazilian Longitudinal Study of

Adult Health

1 Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil. 2 Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil. 3 Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil. 4 Faculdades da Fundação de Ensino de Mococa, Mococa, Brasil.

5 Escola de Nutrição, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil. 6 Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.

Correspondência R. H. Griep

Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Brasil 4365, Pavilhão Lauro Travassos, Rio de Janeiro, RJ

22240-000, Brasil. [email protected]

Rosane Härter Griep 1 Estela M. L. Aquino 2 Dóra Chor 3

Idalina Shiraishi Kakeshita 4 Andrea Lizabeth Costa Gomes 5 Maria Angélica Antunes Nunes 6

Abstract

We applied silhouette scales for assessing body image on two occasions with a 7 to 14 day in-terval in 281 participants in the Brazilian Lon-gitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Intraclass correlation coefficient (ICC) was used to measure test-retest reliability. The item “how participants see their current body size” showed ICC from 0.92 to 0.97, with no difference by gen-der, age, or schooling. “Ideal body size” showed ICC from 0.86 to 0.92 and was lower among men. Temporal stability was satisfactory, allowing for use of the scales in studies on body image in the ELSA-Brasil and similar populations.

Body Image; Self Concept; Reproducibility of Re-sults; Body Mass Index

Introdução

A autoimagem corporal diz respeito à percepção da imagem que uma pessoa tem do seu próprio corpo e dos sentimentos gerados por esta per-cepção 1. Trata-se de um constructo que envolve

crenças, representações, sentimentos, sensações, atitudes e comportamentos relativos ao corpo. É fortemente condicionada por padrões sociais e esta influência se prolonga por toda a vida, inter-ferindo no comportamento, particularmente nas relações interpessoais 1,2,3.

Nas últimas décadas, o expressivo aumento dos valores do índice de massa corporal (IMC) parece ter contribuído para a insatisfação com a percepção do peso ou forma corporal 1,3. Os resultados de um estudo realizado entre mu-lheres brasileiras sugerem que a percepção do peso corporal influencia fortemente o compor-tamento alimentar, sobrepondo-se ao efeito do IMC medido 4. A imagem corporal também está relacionada com a adoção de práticas de auto-cuidado, controle de peso, atividade física e com os transtornos alimentares 1,3,4.

(2)

adicionais o baixo custo, a facilidade, rapidez no manuseio e a boa aceitação 1,5.

Trabalhos que avaliem adequadamente as qualidades psicométricas da escala de silhuetas têm sido defendidos 6. A confiabilidade é etapa

importante dessa avaliação, reflete a qualida-de da mensuração e a variabilidaqualida-de do evento investigado, e deve ser medida de acordo com a dinâmica ocorrida no processo de coleta dos dados de cada estudo 7. Quando um mesmo ins-trumento utilizado em diferentes situações apre-senta consistentemente boa confiabilidade, tem sua “imanente qualidade” atestada 7.

A confiabilidade da escala de silhuetas foi medida em amostra de voluntários de 18 a 59 anos, da região de Ribeirão Preto e Mococa, interior do Estado de São Paulo, e apresentou resultados apenas de acordo com o sexo e esta-do nutricional em suas análises 1,5. A avaliação psicométrica, considerando pessoas com mais de 60 anos de idade e de acordo com estratos de idade e níveis de escolaridade, um dos indi-cadores mais importantes de posição socioeco-nômica, não foi avaliada anteriormente. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar as estimati-vas de confiabilidade teste-reteste da escala de silhuetas de avaliação da autoimagem corpo-ral segundo sexo, idade e escolaridade em uma subamostra dos participantes do Estudo Longi-tudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) em seis capitais do país.

Métodos

O ELSA-Brasil 8 (aprovado pela Comissão Nacio-nal de Ética em Pesquisa; CONEP no 13065) é um

estudo multicêntrico envolvendo seis institui-ções de pesquisa, e tem como objetivos princi-pais determinar a incidência de doenças cardio-vasculares e seus determinantes biológicos e so-ciais. Fizeram parte da linha de base (2008-2010) 15.105 funcionários públicos de 35 a 74 anos, que deverão ter o estado de saúde acompanhado por cerca de 15 anos.

O estudo de confiabilidade teste-reteste foi realizado em subamostra de participantes do ELSA-Brasil que eram convidados a responder novamente ao questionário, aplicado pelo mes-mo entrevistador, no período de 7 a 14 dias após ter respondido pela primeira vez. Foram estima-dos tamanhos amostrais que variaram entre 224 e 287 participantes (para o conjunto dos Centros de Investigação), considerando-se cotas previa-mente estabelecidas segundo sexo, idade e ca-tegoria profissional, definidas no ELSA-Brasil. A amostra final do trabalho foi constituída por 281 participantes dos seis centros ELSA-Brasil.

A escala de silhuetas incluída no ELSA-Brasil, desenvolvida e validada por Kakeshita 1,5, é com-posta por duas perguntas: (1) Qual a figura que melhor representa o seu corpo hoje?, e (2) Qual a figura que melhor representa o corpo que gostaria de ter? As respostas eram fornecidas pela escolha de uma entre 15 silhuetas apresentadas em car-tões individuais, dispostas em série ascendente, com variação progressiva na escala de medida da figura mais delgada à mais larga, às quais cor-respondiam o IMC médio variando entre 17,5 e 47,5kg/m 1,5.

Consideraram-se valores médios de IMC cor-respondentes a cada figura proposta 1,5, cujas diferenças no teste e reteste foram testadas por meio de análise de variância (ANOVA). Para as análises da confiabilidade dos escores das per-guntas foi utilizado o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) estratificado por sexo, idade e escolaridade, e respectivos intervalos de 95% de confiança. Os critérios de Landis & Koch 9 foram

considerados na avaliação dos níveis de estabili-dade temporal: pobre < 0; fraca, de 0 a 0,20; pro-vável, de 0,21 a 0,40; moderada, de 0,41 a 0,60; substancial, de 0,61 a 0,80; e quase perfeita, de 0,81 a 1,00).

Os dados foram digitados de forma dupla e independente no programa Epi Info (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Estados Unidos) e após a correção de inconsistências as análises foram realizadas no programa SPSS, ver-são 18 (SPSS Inc., Chicago, Brasil).

Resultados

A amostra abrangeu proporção semelhante de homens e mulheres: 15,3% tinham entre 35 e 44 anos; 37,4% entre 45 e 54; 35,2% entre 55 e 64; e 12,1% entre 65 e 74 anos. Mais da metade deles tinham nível superior completo ou mais (54,4%); 31,3% tinham nível médio completo e 13,5% dos participantes tinham nível fundamental.

As médias de IMC correspondentes às figuras em cada pergunta foram semelhantes no teste e no reteste, tanto no cômputo geral quanto nos estratos de sexo, idade e escolaridade (Tabela 1). No entanto, em cada estrato, as médias foram mais baixas na pergunta relativa à representação do corpo que gostariam de ter quando compa-radas às médias de IMC do corpo atual, tanto no teste quanto no reteste (p < 0,001).

(3)

Tabela 1

Confi abilidade (estabilidade teste-reteste) da escala de fi guras de silhuetas e médias de IMC, segundo sexo, idade e escolaridade. ELSA-Brasil, 2010.

Características Corpo atual Corpo que gostaria de ter

CCI (IC95%) Média (DP) * Média (DP) * CCI (IC95%) Média (DP) * Média (DP) *

Teste Reteste Teste Reteste

Sexo

Masculino 0,92 (0,88-0,94) 27,86 (7,93) 27,54 (7,76) 0,86 (0,79-0,89) 23,33 (4,64) 23,15 (4,62) Feminino 0,96 (0,95-0,97) 31,86 (7,60) 31,33 (7,73) 0,92 (0,89-0,94) 25,51 (5,03) 25,67 (5,41) Faixa etária (anos)

35-44 0,97 (0,94-0,98) 27,50 (7,01) 27,38 (6,72) 0,91 (0,84-0,95) 23,78 (3,75) 23,66 (3,71) 45-54 0,95 (0,93-0,97) 29,26 (7,90) 28,36 (7,73) 0,88 (0,82-0,92) 23,69 (4,40) 23,14 (4,52) 55-64 0,93 (0,90-0,95) 31,58 (8,31) 31,56 (8,46) 0,92 (0,88-0,95) 25,31 (5,89) 25,72 (5,98) 65-74 0,92 (0,82-0,95) 29,85 (7,93) 29,34 (7,54) 0,84 (0,67-0,92) 25,07 (4,71) 25,66 (5,27) Escolaridade

Fundamental 0,95 (0,89-0,96) 30,94 (10,43) 30,85 (10,10) 0,89 (0,80-0,95) 24,53 (6,79) 25,00 (6,82) Médio 0,95 (0,92-0,97) 29,00 (7,96) 28,46 (7,88) 0,89 (0,84-0,93) 23,55 (4,88) 23,15 (5,45) Superior 0,96 (0,94-0,97) 30,16 (7,35) 29,74 (7,34) 0,90 (0,86-0,93) 24,93 (4,45) 25,02 (4,46)

Global 0,94 (0,93-0,96) 29,87 (8,00) 29,47 (7,95) 0,89 (0,86-0,91) 24,43 (4,96) 24,40 (5,11)

CCI: coefi ciente de correlação intraclasse; IC95%: intervalos de 95% de confi ança.

* Cálculo realizado com o IMC médio atribuído a cada fi gura da escala de silhuetas para adultos em Kakeshita 1.

confiabilidade segundo os estratos de escolarida-de. Por outro lado, a confiabilidade da informação fornecida pelas mulheres foi maior do que a dos homens. No item “corpo atual”, a confiabilidade diminuiu na medida em que a idade aumentou. Além disso, no item “corpo que gostaria de ter” identificou-se confiabilidade mais baixa entre os mais velhos (65 a 74 anos de idade) e entre aque-les com idades entre 45 e 54 anos.

Discussão

Neste estudo, as informações a respeito da re-presentação da autoimagem corporal apresen-taram níveis de confiabilidade quase perfeitos. Resultados semelhantes, utilizando o mesmo instrumento, foram estimados em população do interior do Estado de São Paulo 5, assim como, de forma semelhante aos nossos resultados, os au-tores identificaram confiabilidade mais elevada entre as mulheres, refletindo entre elas maior re-gularidade na preocupação com o próprio corpo, conforme já relatado em trabalhos anteriores 6.

Para ambos os sexos foram identificadas mé-dias de IMC mais baixas no item que se refere à representação do corpo desejado, comparado ao corpo atual. Esse resultado confirma a extensa literatura da área 6 sobre o componente atitudi-nal da imagem corporal que reflete a insatisfação corporal generalizada.

Entre os idosos a confiabilidade foi mais bai-xa, no entanto, o instrumento não foi delineado especificamente para esta faixa etária, cuja mor-fologia corporal pode ser diferente. Assim, estu-dos adicionais sobre a confiabilidade da escala nesse grupo são desejáveis.

Análises que considerem diferentes estratos de gênero e cada centro de pesquisa poderiam enriquecer os resultados. No entanto, não pude-ram ser realizadas em função de limitações do tamanho amostral. Estudos em andamento com-plementarão a avaliação psicométrica no que se refere aos aspectos da validade das informações sobre a imagem corporal dos participantes.

(4)

As mudanças ambientais e socioculturais das últimas décadas influenciaram o quadro atual de prevalência da obesidade. Investigar o universo simbólico e os aspectos subjetivos que ajudam a condicionar hábitos de vida, com destaque para os comportamentos alimentares, é essencial para entender o complexo fenômeno da obesidade 1. Do ponto de vista da confiabilidade, os altos coeficientes identificados no presente estudo

sugerem que a escala de figuras de silhuetas é um bom instrumento para essas investigações. Assim, a incorporação desse instrumento em um estudo longitudinal como o ELSA-Brasil representa um grande potencial de produção de conhecimentos em âmbito nacional para o controle da obesidade, o que é particularmente relevante em um contexto de aumento da sua prevalência.

Resumo

Aplicou-se a escala de figuras de silhuetas que avalia a imagem corporal em duas oportunidades, com inter-valos de 7 a 14 dias, em 281 participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). O co-eficiente de correlação intraclasse (CCI) foi usado para medir a confiabilidade teste-reteste. O item “como os participantes veem seu tamanho corporal atual” apre-sentou CCI entre 0,92 e 0,97, sem diferenças por sexo, idade ou escolaridade. “O tamanho corporal que gos-tariam de ter” apresentou CCI entre 0,86 e 0,92, sendo menor entre os homens. A estabilidade temporal foi adequada, possibilitando sua utilização em estudos sobre a imagem corporal no ELSA-Brasil e populações semelhantes.

Imagem Corporal; Autoimagem; Reprodutibilidade dos Testes; Índice de Massa Corporal

Colaboradores

R. H. Griep participou da concepção e projeto, análise e interpretação dos dados, redação do artigo e aprova-ção final da versão a ser publicada. E. M. L. Aquino e D. Chor participaram da concepção e projeto, análise e interpretação dos dados, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e aprovação final da versão a ser publicada. I. S. Kakeshita, A. L. C. Gomes e M. A. A. Nu-nes participaram da análise e interpretação dos dados, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e apro-vação final da versão a ser publicada.

Agradecimentos

(5)

Referências

1. Kakeshita IS. Adaptação e validação de escalas de silhuetas para crianças e adultos brasileiros [Tese de Doutorado]. Ribeirão Preto: Faculdade de Filo-sofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universi-dade de São Paulo; 2008.

2. Gardner RM, Brown DL. Body image assessment: a review of figural drawing scales. Pers Individ Dif 2010; 48:107-11.

3. Paxton SJ, Heinicke B. Body image. In: Wonder-lich S, Mitchel J, de Zwaan M, Steiger H, editors. Annual review of eating disorders, part 2. Oxford: Radcliffe Publishing Ltd.; 2008. p. 69-83.

4. Nunes MA, Olinto MT, Barros FC, Camey S. Influ-ência da percepção do peso e do índice de massa corporal nos comportamentos alimentares anor-mais. Rev Bras Psiquiatr 2001; 23:21-7.

5. Kakeshita IS, Silva AIP, Zanatta DP, Almeida SS. Construção e fidedignidade teste-reteste de esca-las de silhuetas brasileiras para adultos e crianças. Psicol Teor Pesqui 2009; 25:263-70.

6. Moraes C, Anjos LA, Marinho SMSA. Construção, adaptação e validação de escalas de silhuetas para autoavaliação do estado nutricional: uma revisão sistemática da literatura. Cad Saúde Pública 2012; 28:7-19.

7. Reichenheim ME, Moraes CL. Operacionalização de adaptação transcultural de instrumentos de aferição usados em epidemiologia. Rev Saúde Pú-blica 2007; 41:665-73.

8. Aquino EM, Sandhi MB, Bensenor IM, Carvalho MS, Chor D, Duncan BB, et al. Brazilian Longitudi-nal Study of Adult Health (ELSA-Brasil): objectives and design. Am J Epidemiol 2012; 175:315-24. 9. Landis JR, Koch GG. The measurement of observer

agreement for categorical data. Biometrics 1977; 33:159-74.

Recebido em 17/Jan/2012

Referências

Documentos relacionados

servidores, software, equipamento de rede, etc, clientes da IaaS essencialmente alugam estes recursos como um serviço terceirizado completo...

Funções Públicas (LTFP), aprovada pela Lei n.º 35/2014, de 20 de junho e do disposto no artigo 11.º da Portaria n.º 125 -A/2019, de 30 de abril, alterada pela Portaria n.º 12

• A Revolução Industrial corresponde ao processo de industrialização que teve início na segunda metade do.. século XVIII no

Figura 4.20 Variação da temperatura média da superfície externa do condensador do Experimento III...64 Figura 4.21 Variação da temperatura média da superfície

De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento

Timing of angiography with a routine invasive strategy and long- term outcomes in non-ST-segment elevation acute coronary syndrome: a collaborative analysis of individual patient

Então Ulisses, que todos diziam ser o mais manhoso dos homens, pensou, pensou e teve uma ideia: construir um enorme, um gigantesco cavalo de pau, assente num estrado com rodas para

Dorsal Nome M/F Clube Nac... Dorsal Nome M/F