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Satisfação profissional da equipe de enfermagem do SAMU/Natal

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Academic year: 2017

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Sat isfação profissional da equipe de enferm agem do SAMU/ N at al1

Professional sat isfact ion of t he m em bers of t he nursing t eam w orking at SAMU/ N at al

Sat isfacción profesional del equipo de enferm ería do SAMU/ N at al

Renata Moreira Cam posI, Glaucea Maciel de FariasI I, Cristiane da Silva Ram osI I I

1 Part e da Dissert ação de Mest rado intit ulada “ Satisfação da equipe de enferm agem do Serviço de Atendim ent o Móvel às Urgências ( SAMU) no am biente de trabalho” .

I Enferm eira. Mestre em Enferm agem . Plantonist a do SAMU/ Nat al- RN. E- m ail: renat am co@hot m ail.com.

I I Enferm eira. Dout ora em Enferm agem Professora do Depart am ento de Enferm agem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte ( UFRN). E- m ail: [email protected] .br.

I I I Enferm eira, Mestranda do Program a de Pós- Graduação em Enferm agem da UFRN. Plant onist a do Hospital do Coração. E- m ail:

cristiane_ram [email protected] .br. RESUMO

Est udo explorat ório descrit ivo, prospectivo, quant it at ivo, realizado no SAMU/ Natal, para identificar o nível de satisfação profissional da equipe de enferm agem e verificar o grau de im port ância at ribuída a cada um dos com ponent es da sat isfação profissional: aut onom ia, int eração, “ st at us” profissional, requisit os do t rabalho, norm as organizacionais e rem uneração. A população foi de 60 profissionais, com dados coletados de j aneiro a fevereiro de 2005. Ut ilizam os o I SP. Predom inou o sexo fem inino ( 54,9% ) ; idade entre 36 a 45 anos ( 60,8% ) ; casada ( 58,8% ) , 82,4% possuem filhos entre 05 e 09 anos ( 30,8% ) ; 78,4% eram técnicos e 21,6% enferm eiros, form ados entre 11 a 15 anos ( 27,5% ) ; 81,8% dos enferm eiros t êm especialização; 29,4% t rabalha de 11 a 15 anos na urgência; 58,8% t rabalha a m ais de 02 anos no SAMU; 72,6% t em horário fixo, 41,2% diurno e 53% not urno; 84% escolheu t rabalhar nest e serviço; dest es 76,3% realizam cuidados diretos; 96,1% gostam e estão satisfeitos. Dos enferm eiros 90,9% recebem de 05 a 10 salários m ínim os e 70% dos técnicos de 02 a 05; at ribuiram o com ponent e aut onom ia o m ais im port ant e. O nível at ual de satisfação foi o “ stat us” profissional. O nível real de sat isfação calculado ret rat a est arem m ais sat isfeit os com aut onom ia. O I SP foi 8,6, indicando um a equipe pouco satisfeita.

Descrit ores: Equipe de Enferm agem ; Sat isfação no Em prego; Serviços Médicos de Em ergência.

ABSTRACT

Descript ive explorat ory st udy, prospect ive and quant it at ive approach, perform ed in t he Medical Regulat ion Cent ral of SAMU/ Natal, aim ing to ident ify t he level of professional sat isfact ion of the m em bers from t he nursing t eam working at SAMU/ Nat al; and verifying t he degree of im port ance at t ribut ed by t he professionals t o each of t he com ponent s of Professional Satisfaction: autonom y, interact ion, professional “ status” , work requirem ents, organizational rules and rem uneration. The population was com posed by 60 professionals, with data colleted from January to February from 2005. We used Professional PSR instrum ent to collect the data. The result s dem onstrated predom inance of t he fem ale gender ( 54,9% ) ; aged between 36 and 45 years old ( 60,8% ) ; m arried ( 58,8% ) , 82,4% with children, 30,8% aged bet ween 05 and 09; 78,4% were nursing technicians and 21,6% nurses, form ed from 11 to 15 years ( 27,5% ) ; 81,8% nurses have specializat ion, 29,4% of t he t eam has been working from 11 to 15 years at the urgency area, 58.8% work for m ore t han 02 years at SAMU, 72,6% of the t eam m em bers have fixed work schedules; 41,2% during the day shift and 53% during the night shift. Regarding to the reason of to be working on SAMU, 84% chose to work in t he service, and am ong these 76,3% perform direct care; 96,1% like and are sat isfied t o work in t he service. Regarding t he rem unerat ion, 90, 9% of the nurses receive 05 to 10 m inim um wages; 70% of the technicians receive - 2 to 05 m inim um wages. We indentified t hat the nursing team considered t he Autonom y com ponent as the m ost im portant . We ident ified that they were m ost satisfied wit h the Professional “ Status and the real professional sat isfact ion level, calculated t hrough statist ics, however, t hese professionals are m ore satisfied with Autonom y. The PSR in our work was of 8,6, indicat ing t hat t he nursing t eam has lit t le sat isfact ion on t heir work environm ent .

Descript ors: Job Sat isfaction; Nursing, Team ; Em ergency Medical Services.

RESUMEN

Est udio exploratorio descript ivo, prospectivo, cuant itativo, realizado en el SAMU/ Natal, para identificar el nivel de sat isfacción profesional del equipo de enferm ería y verificar el grado de im portancia atribuido a cada uno de los com ponentes de sat isfacción profesional: aut onom ía, int eracción, “ estatus” profesional, requisitos del trabaj o, norm as organizacionales y rem uneraciones. La población fue de 60 profesionales y los dados fueron colectados ent re enero y febrero de 2005 utilizando el I SP. Predom inó el sexo fem enino ( 54,9% ) ; en edades entre 36 hast a 45 años ( 60,8% ) ; casadas ( 58,8% ) . El 82,4% t iene hij os ent re siendo 30,8% de ellos con edad ent re 5 y 9 años ( 78,4% eran técnicos y 21,6% enferm eros, form ados entre 11 hast a 15 años ( 27,5% ) ; 81,8% de los enferm eros t ienen especialización; 29,4% t rabaj an de 11 a 15 años en urgencia; 58,8% trabaj a m ás de dos años en el SAMU; 72,6% tiene horario fij o, siendo el 41,2% en horario diurno y 53% en nocturno; 84% escogió t rabaj ar en est e servicio; de ést os, 76,3% realizan cuidados directos; 96,1% les gust a su t rabaj o y est án sat isfechos en el servicio. De los enferm eros, 90,9% reciben de cinco hasta 10 salarios m ínim os, y 70% de los t écnicos de 2 hast a 5; at ribuyeron el com ponent e aut onom ía com o el m ás im port ante. El nivel act ual de sat isfacción fue el “ st at us” profesional. El nivel real de sat isfacción calculado ret rata est ar m ás sat isfecho con la aut onom ía. El I SP fue 8,6; indicando un equipo poco sat isfecho.

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I N TRODUÇÃO

O sistem a de saúde deve ser capaz de acolher toda a clientela com agravo a saúde fora do am biente hospitalar prestando- lhe atendim ento e redirecionando- a para os locais adequados de tratam ento( 1). Com base nest a necessidade, foi instituído, no Brasil, o Atendim ento Pré- Hospitalar ( APH) que corresponde aos cuidados prestados na cena do acidente e transporte da vítim a até chegar ao Hospit al de Referência, com vida e o m ínim o de conseqüência possível( 1).

Com est a visão, o Minist ério da Saúde, im plem entou a assistência pré- hospitalar no âm bito do Sist em a Único de Saúde ( SUS) , at ravés da portaria nº . 1864/ GM de 29/ 09/ 2003, est abelecendo, assim , o Serviço de Atendim ento Móvel de Urgência ( SAMU)( 1). Nesse cont exto, este serviço surge com o ordenador da assistência, enquant o form a de respost a às dem andas de urgência, sej a no dom icílio, no local de trabalho, em vias públicas, ou aonde o pacient e vier a precisar.

Para atingir o obj etivo do SAMU, é necessário um a equipe m ultiprofissional integrada e preparada para refletir positivam ente sobre o paciente, um a vez que as possibilidades de sua recuperação est ão diret am ent e relacionadas com a rapidez e eficiência dos serviços prestados na urgência.

Essa equipe é com posta por m édicos, enferm eiros, técnicos de enferm agem e os condutores que devem ter, além da capacitação em urgência, disposição pessoal para a atividade, capacidade para trabalhar em equipe, iniciativa, equilíbrio em ocional e autocontrole, atuando dentro dos lim ites e critérios necessários na prestação de um cuidado hum anizado.

Com suas funções pré- estabelecidas esses profissionais sofrem de intensa pressão pela necessidade de t er respostas rápidas em relação aos casos com que se deparam em seu dia- a- dia. Enfrentam tam bém situações lim ítrofes de vida e sofrim ento, e, portanto, estão num processo const ant e de aj ust es e reaj ust es para alcançarem o equilíbrio. Esta exigência de m anter a sintonia se deve ao ritm o acelerado de trabalho e à constante presença de fatores intervenientes que colaboram com o desgaste dest es profissionais, podendo gerar insat isfação no t rabalho( 1).

Dentro dessa abordagem , com preendem os que o ser hum ano é ao m esm o t em po, obj et o e agent e do cuidar, passível de ser influenciado pelas características e elem entos ocupacionais do trabalho, em seu bem - est ar físico, m ent al e social. Dessa form a, entendem os que o indivíduo pode est ar tecnicam ente qualificado para ocupar det erm inada função na equipe, m as pode não se aj ust ar às condições psicossociais que a m esm a exige. Percebem os, porém , que o equilíbrio interno de um a instit uição de saúde pode ser afet ado pelo nível de

satisfação dos profissionais que ali trabalham e concluím os que a satisfação das necessidades na situação de trabalho é de fundam ental im portância para m elhorar a sua produtividade e est á diretam ente ligada à m otivação( 2- 3).

A satisfação é responsável pelo crescim ento e desenvolvim ent o pessoal e organizacional e ocorre quando o profissional não é m otivado( 2). O aut or refere que satisfação profissional acontece quando conseguim os um resultado alm ej ado( 2- 3).

A satisfação no trabalho é tam bém considerada um dos indicadores de QVT e sua m edida tem sido ut ilizada em est udos no Brasil e no ext erior( 4).

Partindo do pressuposto de que a m otivação leva à sat isfação, ist o é, a sat isfação é definida com o o estado em que o trabalhador tem disposição e vontade de trabalhar produtivam ente( 4). Porém , a m otivação é o im pulso para a satisfação, e, em geral, visa ao crescim ento e desenvolvim ento pessoais e, com o conseqüência, o organizacional, sendo vist a com o o grau de vontade e dedicação de um a pessoa na tentativa de desem penhar bem um a tarefa. O indivíduo só se m otiva quando se sente estim ulado para isso, sendo a necessidade que energiza o com portam ento, a disposição ou vontade para trabalhar produtivam ente( 4).

Por estas razões, e por ser o SAMU um serviço de atividades tão com plexas e estressantes, que dem andam um desgast e físico e em ocional tão intenso, entendem os com o de extrem a relevância diagnost icar a sat isfação dos profissionais de enferm agem dentro do seu contexto de trabalho no SAMU/ Natal, a fim de entender os fatores que podem levar à satisfação de suas necessidades, m elhorando, assim , a qualidade de suas vidas e os cuidados prestados à sociedade.

Partindo do pressuposto j á m encionado, elaboram os alguns questionam entos: qual o nível de satisfação dos m em bros da equipe de enferm agem que trabalham no SAMU? Qual o grau de im portância atribuída pelos profissionais de enferm agem do SAMU a cada um dos com ponentes da satisfação profissional: aut onom ia, int eração, “ st at us” profissional, requisitos do trabalho, norm as organizacionais e rem uneração?

Baseadas nestas questões obj etivam os: identificar o nível de satisfação dos profissionais de enferm agem do SAMU/ Natal e verificar o grau de im portância atribuída pelos profissionais de enferm agem a cada um dos com ponentes da sat isfação profissional: aut onom ia, int eração, “ st at us” profissional, requisitos do t rabalho, norm as organizacionais e rem uneração.

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um a pesquisa que trata da satisfação profissional dos enferm eiros que trabalham no SAMU/ Chile( 5). Schm idt( 6) enfoca que estudos desta natureza são rest ritos, principalm ent e envolvendo t oda a equipe de enferm agem . Porém existem outras áreas nas quais estão sendo desenvolvidos pesquisas sobre esta tem ática( 7- 9).

METODOLOGI A

Estudo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa, e dados prospectivos, realizado na

Central de Regulação Médica do SAMU»Natal que

realiza um a m édia de 6,7 m il atendim entos m ensais( 1).

A pesquisa foi realizada foi o SAMU/ Nat al, cuj a equipe de enferm agem é form ada por 12 enferm eiros, sendo 01 o coordenador de enferm agem e 48 técnicos de enferm agem , totalizando 60. Alguns profissionais por razões diferent es não part iciparam da coleta. Sendo assim a população estudada foi de 51 profissionais e os dados foram coletados de j aneiro a fevereiro de 2005 nos t rês turnos de trabalho.

Para que a pesquisa fosse realizada, o proj eto foi enviado e aprovado pelo Com it ê de Ét ica da Universidade Federal do Rio Grande do Nort e cuj o registro é 136- 04 de acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde n0. 196/ 96( 10). Os dados foram colet ados durant e os t rês t urnos e dias de trabalho, após a leitura e assinatura do Term o de Livre Consent im ent o.

O inst rum ent o ut ilizado foi um quest ionário, denom inado- Í ndice de Satisfação Profissional ( I SP) , traduzido e validado para a língua portuguesa do qual obt ivem os aut orização prévia da aut ora( 11).

O I SP é com posto por três partes ( A, B e C) , com a finalidade de avaliar o nível de sat isfação da equipe de enferm agem em relação a seis

com ponentes profissionais: autonom ia, interação, “ st at us” profissional, requisitos do t rabalho, norm as organizacionais, rem uneração, e identificar a im portância relativa que eles atribuíam a esses com ponentes, relacionando a m edida da situação atual de trabalho com a m edida de expectativas em relação ao trabalho.

Para análise dos dados sociodem ográficos e profissionais, utilizam os a estatística descritiva ( Parte A) . Na determ inação do I SP ( Parte B) criam os um a m atriz de freqüência absoluta para identificar os com ponentes m ais selecionados, m ostrando a im portância atribuída em relação aquele com ponent e.

A seguir, os valores absolutos foram divididos pelo tam anho da população ( freqüência relativa) . As percentagens foram então convertidas em desvio – padrão ( m at riz Z) e a correção dos escores Z, para elim inar os valores negat ivos para elim inar o m aior núm ero deles. Para calcular os com ponentes de ponderação, aplicam os o fat or de correção, ao valor da m édia dos Z escores.

O m elhor fator de correção é aquele que equilibra a m aior núm ero negativo possível. A pesquisadora responsável pela elaboração do I SP( 12) ut ilizou o fator de correção 3,1. No Brasil, a tradutora dessa escala( 3,11), esse fator foi de + 2,5.

Com o aj ust e da m at riz Z, cada com ponent e recebeu um valor denom inado - coeficiente de ponderação que m ede o nível de im port ância atribuída que varia entre 0,9 a 5,3( 11).

Em relação ao escore da escala de atitude, agrupam os os ítens por com ponentes e criam os as m atrizes de freqüências de respostas com a finalidade de fazer um a análise situacional prévia dos padrões de respostas. Fizem os então a inversão dos escores positivos, para determ inar o escore total da escala com o vem os no Quadro 1:

Quadro 1 : Esquem a para inversão dos escores da escala de atitudes

Escore original 1 2 3 4 5 6 7

Escore invertido 7 6 5 4 3 2 1

A seguir criam os m atrizes de distribuição de freqüência das respostas, por com ponent e. O núm ero gerado pelo com ponente é denom inado Escore Tot al do Com ponente ( total da som a dos valores atribuídos aos it ens e dividido pelo núm ero da população) que é um valor ponderado. Em seguida esses valores foram divididos pelo núm ero total dos com ponent es, gerando os escores m édios dos com ponentes da escala, quando obtivem os a classificação do nível at ual de sat isfação.

No próxim o passo fizem os a som a tot al dos seis com ponentes e calculam os o Escore Tot al da Escala, que varia entre 44 a 308, fornecendo os níveis totais de satisfação. Calculam os tam bém o Escore Médio da Escala, obtido pela som a do escore m édio, dividindo

pelo num ero de com ponentes, cuj a variação é de 01 a 07.

Em seguida, esses valores foram divididos pelo núm ero tot al dos itens total dos com ponent es, gerando os Escores Médios do com ponente da Escala, t raduzindo o nível at ual de sat isfação.

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RESULTADOS E DI SCUSSÃO

Quant o à caract erização da população, houve um a discreta predom inância do fem inino ( 54,9% ) . Historicam ente, a enferm agem é um a profissão predom inantem ente fem inina, fato este constatado nas pesquisas realizadas por vários autores( 3,6,11,13).

Predom inou a faixa etária entre 36 a 45 anos ( 60,8% ) apontando um a equipe de enferm agem relativam ente j ovem , indo de encont ro aos achados de que a m aioria dos profissionais encontra- se na faixa etária m ais produtiva de suas vidas( 5,14). Um a unidade de urgência exige a presença de pessoas j ovens e ágeis, pois a idade é um fator que intervém positivam ente na qualidade da assistência na urgência( 15).

A m aioria é casada 30 ( 58,8% ) , o que corrobora com os dados encontrados na literatura( 5- 6,13). O casam ento representa um aspecto im portante para os enferm eiros, influencia direta ou indiretam ente na prática profissional, principalm ente no que diz respeito à concepção errônea do caráter de subm issão da profissão. Existe na m ente dos profissionais de enferm agem m enos esclarecidos a concepção de que a enferm agem deve ser subm issa à m edicina, com o a m ulher deve ser subm issa ao hom em( 16).

Quanto a prole, 82,4% da população possuem filhos, destes 61,9% apenas 01, e 30,8% dos filhos estão na faixa etária entre 05 e 09 anos. O núm ero e a idade dos filhos pode influenciar no nível de satisfação no trabalho, pois para suprir as suas necessidades básicas são exigidos esforços extras, os quais som am - se as dificuldades dos serviços, result ando em sent im ent os de im pot ência e frust ração( 14).

De acordo com a form ação profissional, 78,4% eram t écnicos de enferm agem e 21,6% enferm eiros. Os t écnicos/ auxiliares de enferm agem cont inuam sendo a m aioria na equipe de saúde( 6,13- 14). I sso reforça a realidade do nosso país, pelo fato de existir um grande núm ero de escolas form adoras e a ênfase dada pelo governo federal aos cursos profissionalizantes, em particular ao Program a de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enferm agem ( PROFAE) .

Quant o ao t em po de form ação, percebem os que 27,5% t êm de 11 a 15 anos de form ado, 27, 5% não inform aram o tem po de form ação e 19, 6% tem de 16 a 20 anos. Alguns autores dizem que o profissional com m aior tem po de form ado possui um potencial m aior de experiência podendo apresent ar m ais segurança no desem penho de suas funções. Ent ret ant o, advert em para o cuidado desse profissional, não cair no com odism o e se interessar em aprim orar os seus conhecim ent os, opt ando pelo dom ínio de rotinas( 15).

Em relação a t er especialização, 81,8% dos enferm eiros tinham especialização. É ressaltado que

um serviço de urgência requer níveis elevados de conhecim entos e capacitação, e os profissionais devem estar preparados para oferecer um cuidado de elevado nível, em benefício do pacient e( 11,15).

Quanto ao tem po de serviço, 29,4% trabalham de 11 a 15 anos na área de urgência. Segundo a legislação vigente em nosso País, três anos é o período m ínim o considerado para a est abilidade profissional( 15). Alguns autores encontraram m aior nível de sat isfação ent re os t rabalhadores com m enor tem po na em presa( 17). Em relação ao t em po de t rabalho no SAMU, 58,8% trabalham há m ais de 02 anos. O t em po m aior de t rabalho num det erm inado setor pode ser considerado um indicativo de sat isfação no t rabalho. Por out ro lado, num est udo sobre o desgaste em ocional e os setores de trabalho, foi verificado que os profissionais de enferm agem que t rabalhavam no set or de urgência alcançaram os m aiores escores de desgaste profissional.

Quanto ao horário de trabalho, 72,6% possuem horário fixo o que é posit ivo em t erm os de organização da rotina diária. Um a característica do trabalho da enferm agem em instituições hospitalares é o t rabalho em t urnos, com o um a m aneira de garantir assistência de enferm agem durante 24h, que pode ser operacionalizado nas m odalidades de turnos fixos ou alt ernant es de t rabalho, segundo determ inação institucional( 3).

Nesse sentido, são considerados com o efeitos negativos a m odalidade de turnos alternantes, pois pode produzir prej uízos na qualidade do sono im pedindo o bom rendim ento físico, dim inui o nível de at enção e perturba sensivelm ente a coordenação m ot ora e o rit m o m ent al( 18).

Houve hom ogeneidade no que se refere ao turno de trabalho: 41,2% no período diurno e 53% no período noturno. Um est udo sobre os turnos de 12 horas, com o acont ece no SAMU, m ost ra que nesse tipo de j ornada existe um aum ento do volum e de t rabalho, da fadiga e queda no desem penho, m esm o favorecendo o aj ust e de folgas( 19).

Acerca do t rabalho noturno, alguns autores, alertam que este horário de trabalho interfere na disposição das pessoas para dorm ir, pois alteram o ritm o biológico, sendo um a am eaça para saúde, podendo levar a um desgaste físico e m ental e, conseqüent em ente, o aparecim ento de transtornos fisiológicos ( alteração de hábitos de sono e alim entação) . Acrescentam que os trabalhadores do plant ão noturno nunca repõem tot alm ente o sono, pois não conseguem dorm ir bem durante o dia. Destacam tam bém que o sistem a de plantões, tanto diurnos em fim - de- sem ana, com o os not urnos, prej udica a vida social e fam iliar dos indivíduos, gerando sentim entos de desvantagem e isolam ento social( 18).

(5)

escolheram trabalhar neste serviço, e destes 76,3% realizam predom inant em ent e cuidados diret os aos pacientes. Em pesquisa realizada com enferm eiras na UTI detectou- se que o trabalho desenvolvido nessas unidades era m arcado pelo prazer e satisfação gerado pelo cuidar direto e pela aproxim ação hum ana, caracterizando um processo em inentem ente assistencial. I sto im plica na m otivação do trabalho da equipe de enferm agem( 3).

O assistir e estar próxim o ao paciente reflete a essência do trabalho da enferm agem e a prestação de cuidados diretos consiste na m ais significativa causa de satisfação no trabalho entre os enferm eiros( 6). Afast ar- se do obj et o de t rabalho e distanciar- se da assistência direta são tidas pelos enferm eiros com o razões de sofrim ento e insatisfação no t rabalho( 16). A escolha do local de t rabalho é um dos fatores que influencia de form a positiva na satisfação e produtividade( 13).

Nesse estudo tem os um dado bastante relevante, pois 96,1% dos m em bros da equipe de enferm agem gostam e est ão satisfeitos em trabalhar no SAMU. Explicam os esse dado pelo fat o do SAMU, enquanto serviço de urgência m óvel, possuir profissionais com perfil adequado e capacitado para trabalhar nessa área, e que trabalham porque gostam e escolheram trabalhar nest e serviço. No estudo sobre a satisfação de enferm eiras na atenção à urgência da Província de Concepción, no Chile, as profissionais m ais satisfeitas são aquelas que t rabalham no set or de urgência e UTI( 5).

Quanto à rem uneração dos enferm eiros, 90,9% inform aram receber de 05 a 10 salários m ínim os; quanto aos técnicos de enferm agem , 70% inform aram receber de 02 a 05 salários m ínim os.

Analisando a questão salarial ao nível nacional, destaca- se a forte desigualdade existente ent re trabalhadores organizados no que diz respeito à rem uneração. No ano de 2002, a rem uneração m édia

dos brasileiros, baseando- se no salário m ínim o vigente na época ( R$ 240,00) , na região Central do país foi de 4,2 salários m ínim os; na região Nort e e Sudeste 04 salários m ínim os; na região Sul foi de 3,6 salários m ínim os e na Nordest e 2,8 salários. Percebem os que a profunda recessão que atravessa o país se reflete com m ais int ensidade nos Est ados da região Nordeste do Brasil, e tem provocado desem prego e perda do poder aquisitivo da população. Ressaltam os ainda que, segundo dados da Pesquisa de Dom icílio de 2003, 31,7 m ilhões de em pregados recebem at é um salário m ínim o m ensal, correspondendo a 40% do total de ocupados no país( 1,16).

Quant o aos benefícios, 11,51% inform aram não receber nenhum benefício, dado esse explicado pelo fato do serviço fornecer apenas o vale transport e, porém est e não foi cit ado t alvez por não o considerarem com o um benefício. O estacionam ento, citado por 15,7% dos respondent es, não é suficiente para todos os funcionários que possuem autom óvel, fato este que leva alguns terem que estacionar fora do prédio da sede do SAMU. Os financiam entos e em préstim os ao qual se referem 27,5% da equipe são descont ados diret o no cont ra- cheque do servidor.

Acredit am os que a rem uneração em form a de benefício é um m eio capaz de aum ent ar os provent os do profissional e, conseqüentem ente, a sua situação sócio- econôm ica. Os benefícios recebidos pelos funcionários são um a font e im portante de satisfação no t rabalho( 6,13).

N ível de sat isfa ção profissional - im port ância at ribuída aos com ponent es do I SP

Ao calcularm os os coeficientes de ponderação dos com ponentes, foi possível classificá- los por ordem de im portância atribuída identificada na Figura 1, do m enos para o m ais im port ant e.

Figura 1: Classificação dos com ponentes do I SP, por ordem de im portância at ribuída pela equipe de enferm agem do SAMU. SAMU/ Nat al/ RN, 2005

MENOS I MPORTANTE MAI S I MPORTANTE

St at us Profissional Norm as Organizacionais Requisitos do Trabalho I nt eração Rem uneração Aut onom ia

O com ponent e considerado m ais im port ant e pela equipe de enferm agem , para a sua satisfação profissional, foi Aut onom ia com o coeficient e de ponderação de 4,417. Esse dado é consistente com est udos realizados, quando a equipe de enferm agem classificou esse com ponente com o o m ais im portante para a sat isfação profissional( 3,11,13).

O enferm eiro enquant o adm inist rador da assistência e prestador dos cuidados m ais com plexos da unidade que atua, deve ter no seu cotidiano profissional a autonom ia e a delegação de atividades, m as isso norm alm ent e não ocorre de m aneira

sat isfat ória( 13).

Em seguida, aparece o com ponent e Rem uneração, classificado com o o segundo m ais im portante para a satisfação profissional, tam bém encontrado em estudo j á citado( 11) que aponta a hipótese de que Rem uneração é um fator gerador de insatisfação profissional, m as não é o principal determ inante da satisfação profissional, segundo o nível de im portância atribuído pelas enferm eiras de UTI s.

Quant o à sat isfa ção profissional percebida

(6)

enferm agem / m édico, através do item 06 (Em m eu t rabalho, os m édicos geralm ent e cooperam com a

equipe de enferm agem) , do 19 (Em m eu serviço, há

m uit o t rabalho em equipe ent re a enferm agem e os

m édicos) e do 37 (Os m édicos dest e ser viço

geralm ent e com preendem e apreciam o que a equipe

de enferm agem faz) , observam os que a equipe de

enferm agem sente que há um a interação entre eles e os m édicos do SAMU.

As relações hum anas são vist as com o sendo à base do trabalho do profissional de saúde, um a vez que não se pode separar o fisiológico do psicológico. Dessa form a, é errôneo pensar na ação do profissional dissociada da interação, pois este é um instrum ento básico no processo que t orna possível o relacionam ento entre os m em bros de um a equipe( 20).

Porém , em relação ao item 35 (Eu gost aria que os m édicos daqui m ost r assem m ais respeit o pelas habilidades e conhecim ent os da equipe de

enferm agem) , 54,9% da equipe concordam que

gostaria que os m édicos m ostrassem m ais respeito. Dados apontam para as dificuldades no relacionam ento profissional entre enferm eiros e m édicos, com o conseqüência da hegem onia da prática m édica vigente na assistência à saúde, onde a tom ada de decisão é do dom ínio m édico( 6).

No que se refere à interação entre a equipe de enferm agem o item 03 (Em m eu serviço, o pessoal de enferm agem se dispõe, e se aj udam uns aos

out ros, quando “ as coisas est ão corridas”) e o 16 (Em

m eu serviço, exist e m uit o t rabalho em equipe e cooperação ent re os vários níveis do pessoal de

enferm agem) apresentaram elevado grau de

concordância, expressando a exist ência de t rabalho em equipe e cooperação entre os vários níveis do pessoal de enferm agem . Os dem ais itens tiveram freqüências sem elhantes de respostas entre os dois pólos.

Sabem os que se alguns setores de um hospital são m ais desgastantes, com o as UTI s, centro cirúrgico, pela m aior carga de trabalho que possuem , e um a característica atribuída a esses setores fechados, é o fato de restringir a interação social, vist a com o fat or am bient al que, por si só, t raz desgaste físico e m ental aos profissionais que ali at uam( 12). No SAMU, devido ao grande núm ero de ocorrências, a passagem do plantão é m uito rápida, e apesar da equipe m ost rar at ravés das respost as que existe interação entre eles, esta não foi percebida em nossas observações durante a coleta de dados.

Alguns aut ores( 3,6,11,13) concordando com os dados da nossa pesquisa, m ostram que as enferm eiras e auxiliares de enferm agem tam bém estão m ais satisfeitos com o sub- com ponente interação com a equipe de enferm agem . Outra pesquisa( 16) revelou que, apesar de existir um a relação de am izade entre as enferm eiras, identificou pouca satisfação nas relações interpessoais,

constatada nas dificuldades relacionadas à liderança e ao com ando, egoísm o na elaboração da escala de plant ões, det enção de conhecim ento e com pet itividade de cunho negat ivo.

O item 13 (Eu sint o que t enho part icipação suficient e no planej am ent o da assist ência para cada

t ipo de at endim ent o) detectam os que 84,3% da

equipe de enferm agem concordam que tem part icipação suficient e no planej am ent o da assistência para cada tipo de atendim ento. Já no item

17 (Eu t enho m uit as responsabilidades e pouca

aut oridade) , 56,9% dos respondentes concordam ter

m uitas responsabilidades e pouca aut oridade, e no

item 26 (Um a grande dose de independência é

perm it ida, se não r equerida de m im) , 49%

concordam que a independência só é perm itida quando requerida do próprio profissional.

Em nosso trabalho esse com ponent e ( aut onom ia) foi considerado com o m ais im port ant e pela equipe de enferm agem , na sua satisfação profissional, corroborando com dados de algum as pesquisas( 3,11,13).

A aut onom ia é um dos elem entos que confere m aior profissionalização e prestígio a um a ocupação, atendendo a dem andas individuais de inserção social que, no caso da enferm agem , é introduzida ou reforçada na sua form ação educacional( 11).

A falta de autonom ia e lim itação do âm bito de ação dos enferm eiros na UTI em ergem com o fat ores negativos do trabalho, e que a organização da assistência hospitalar não favorece a afirm ação de um cam po de ação m ais aut ônom o para esse profissional em virtude das desigualdades na distribuição do poder( 3).

A insat isfação com a Aut onom ia apresent ada pelos auxiliares de enferm agem se relaciona à falta de planej am ento, da existência de instrum entos form ais para a organização do serviço e do m odelo de gestão adotado. Com o tam bém sua subordinação ao enferm eiro, que não o insere no processo de tom ada de decisão nas questões que afetam diret am ent e o serviço. No cont ext o da enferm agem , a participação e autonom ia profissional devem cam inhar j untas no processo de assist ência( 13).

De acordo com o it em 02 (A enferm agem não é am plam ent e reconhecida com o sendo um a profissão

im port ant e) , 70,6% da população estudada concorda

que a enferm agem não é um a profissão reconhecida com o im port ante. Acerca disso, a falta de reconhecim ento e respeito pelo trabalho realizado pela enferm agem , causa um fort e im pact o na im agem e na auto- estim a desses profissionais( 13).

(7)

e para os enferm eiros sobram às tarefas periféricas( 16).

Mas, de acordo com o item 11 (Em m inha

m ent e, não t enho dúvidas: o que eu faço em m eu

t rabalho é r ealm ent e im port ant e) , para 94,1% dos

profissionais de enferm agem do SAMU, o que eles fazem realm ente é im portante, e o item 34 (Eu m e sint o orgulhosa( o) ) quando falo com out ras pessoas

sobre o que faço no m eu t rabalho) revela que 88,2%

sentem orgulho do seu trabalho. Em um estudo realizado( 6) foi percebido que o profissional de enferm agem reconheceu a im port ância de sua profissão, m as que é necessário provar o seu papel essencial e que m erece ser respeit ado com o as dem ais profissões da área da saúde.

Quando questionado sobre o item 04 (Nest e serviço, o pessoal de enferm agem t em m uit o

t rabalho adm inist rat ivo e burocrát ico) , vem os que

72,5 % da população discordam desta afirm ação, contrapondo- se a concepção de que o enferm eiro at ua m uitas vezes em área adm inist rativa, executando t arefas isoladas e não com patíveis com a sua form ação. A esse fat o podem os at ribuir a natureza das atividades desenvolvidas pelo SAMU que exige dos profissionais cuidados diret os relacionados ao atendim ento de urgência tanto no local do event o com o nas am bulâncias(5- 6).

No item 22 (Eu est ou sat isfeit a( o) ) com os t ipos

de at ividades que realizo em m eu t rabalho) ,

destacam os a freqüência de respostas de 90,2% da população, que dizem est ar satisfeitos com os tipos de at ividades que realizam no t rabalho.

Quanto ao item 29 (Eu t enho t em po suficient e

para a assist ência diret a ao pacient e) , detectam os

que 80,4% concordam que há tem po suficiente para a assistência direta ao paciente. Esse dado é coerent e, pois, na realidade, esses profissionais que trabalham no atendim ento pré- hospit alar m óvel fazem prioritariam ente a assistência direta. O cuidado direto, caract erizando um a ação de atendim ento à saúde, valoriza e concebe um a equipe de enferm agem que at ua j unt o ao pacient e( 5).

Alguns aut ores( 5) observaram que a variável que produz m aior satisfação nos enferm eiros do SAMU diz respeito às atividades do trabalho que não são m onótonas e nem repetitivas, m as envolvem bastante estresse e põe em risco a saúde, devido às próprias características do trabalho.

O item 18 (Nest e t r abalho não exist em oport unidades suficient es de prom oção para o

pessoal de enferm agem) aponta que 70,6% da

população afirm am não existir oportunidades de prom oção para o pessoal de enferm agem . Em um a pesquisa realizada( 5) a variável prom oção apareceu com o geradora de insatisfação no grupo dos enferm eiros do SAMU, que consideram as chances de prom oção m uito lim itadas e quando existem são pouco transparentes, j á que nem sem pre são dadas

as pessoas m ais com pet ent es.

Houve certa contradição no que se refere ao planej am ento da assistência de enferm agem , pois o item 05 (Em m eu serviço, a equipe de enferm agem t em cont role suficient e sobre a progr am ação de seu

próprio t ur no de t rabalho) t eve 64,7% de

concordância, j á no item 40 (Eu t enho t odo o poder que quero no planej am ent o de norm as e

procedim ent os dest e serviço) , houve um a

discordância de 60,8% . O m esm o aconteceu entre o

item 12 (Exist e um a grande lacuna ent re a

adm inist ração dest e serviço e os problem as diários

da equipe de enferm agem) com concordância de

54,9% e o 33 ( Neste serviço, as decisões adm inistrativas interferem m uito na assistência ao paciente) teve um a discordância de 60,8% , quanto à adm inist ração do serviço.

A adm inist ração dos serviços de saúde não se preocupa com o bem - estar do pessoal de enferm agem , ao m esm o tem po em que m antém um a certa distância dos problem as e dificuldades enfrent adas pela enferm agem . É visto t am bém que um a política organizacional autoritária e rígida dificulta a com unicação e o acesso aos níveis m ais elevados da gestão do serviço, im pedindo a participação dos trabalhadores na tom ada de decisões, gerando sentim ento de desprazer, fadiga e t ensão. Não é difícil encont rar organizações onde há um a grande distância entre a adm inistração e os problem as do serviço de enferm agem( 16).

Quanto ao item 42 (A( s) chefia( s) de

enferm agem geralm ent e consult a( m ) a equipe nos

problem as diários e procedim ent os) , revela que

64,7% da equipe em estudo concordam que a chefia de enferm agem os consulta nos problem as diários. Alguns aut ores( 5) m ostram em seu trabalho que a chefia e a política de prom oções são as que têm m aior peso na sat isfação profissional. O chefe de um a equipe, além de suas qualidades técnicas e int electuais, deve possuir flexibilidade nas at it udes e decisões, visão integral do trabalhador e do am bient e que o cerca, e adotar um a postura de líder para corresponder às exigências da instituição, conduzindo

sua equipe da m elhor form a possível( 13). A

organização do trabalho em equipe e dos m étodos de adm inistração m ais flexíveis são de sum a im portância para a sat isfação profissional( 6).

Ao analisar os dados sobre rem uneração,

percebem os nos item 01 (Meu salário at ual é

sat isfat ório) , que 51% dos respondentes não est ão

satisfeitos com o salário atual, e no item 08 (Tenho a im pressão que grande part e do pessoal de enferm agem desse serviço est á insat isfeit a com seu

salário) , 58,8% concordam que grande part e do

pessoal de enferm agem desse serviço tam bém está insat isfeit a com seus provent os.

(8)

equivalente aos esforços despendidos por este no desem penho de sua função, pois som ent e assim , poderem os elevar a satisfação para com est e com ponente.

O baixo nível salarial im põe um a influência negativa na percepção de satisfação profissional, por

parte do trabalhador de enferm agem( 5). A

rem uneração é de grande valia para a enferm agem , um a vez que o salário, em função da responsabilidade da cat egoria, é m uito baixo e precisa ser m ais adequado às habilidades e ao nível de conhecim ent o, a fim de se t ornar um m ecanism o eficaz do estado de satisfação( 16). Os salários

oferecidos, na sua grande m aioria, são baixos e decorrem da pouca valorização ao t rabalho m anual e da conotação caritativo- religiosa que ainda acom panha o t rabalho da enferm agem hospit alar( 18).

Os baixos salários das cat egorias da enferm agem foram apont ados com o um a das causas de m aior insat isfação. Em virt ude disso, vem à t ona que a m aioria dos trabalhadores de enferm agem é obrigada a optar por m ais de um em prego, o que leva essa categoria a perm anecer no am biente de trabalho, a m aior parte do tem po de suas vidas produtivas, podendo haver prej uízo para sua qualidade de vida( 6).

Figura 2 : Classificação dos com ponent es do I SP, por ordem do nível at ual de satisfação, considerando- se o com ponente interação com o único, percebido pela equipe de enferm agem do SAMU. SAMU/ Natal/ RN, 2005

MENOS SATI SFEI TA MAI S SATI SFEI TA

Norm as organizacionais Requisitos do Trabalho Rem uneração I nt eração Aut onom ia St at us Profissional

Ao analisarm os a relação exist ent e ent re o nível de sat isfação profissional at ual e o nível de im portância atribuído aos com ponent es da satisfação

profissional pela equipe de enferm agem , observam os dissonâncias com o m ostra o Gráfico 1.

Gráfico 1 : Proporção ent re o nível de im port ância at ribuída e o nível atual de satisfação identificado, em relação aos com ponentes da satisfação profissional,

pela equipe de enferm agem do SAMU. SAMU/ Nat al/ RN, 2005

Pelo Gráfico 1 vem os que os com ponentes cuj o nível de satisfação percebida alcançou e superou o nível de im port ância at ribuída foram requisit os do trabalho, status profissional, norm as organizacionais e interação.

O ponto relevante dessa interseção é o fato de “ Status” Profissional ter sido classificado em sexto e últim o lugar no nível de im portância atribuída e ser o

(9)

“ Status” Profissional.

O com ponente Autonom ia foi considerado pela equipe de enferm agem com o o m ais im portante para sua satisfação profissional neste estudo ( Quadro 1) , no ent ant o, não foi o com ponent e com o qual sent iam - se m ais sat isfeit os. Esse achado t am bém é consistente com estudos j á m encionados( 3,11), quando explicam essa ocorrência ao fato de que a organização hospitalar não favorece um cam po de ação m ais aut ônom o para a enferm eira, em virt ude das desigualdades na distribuição do poder, que se detêm na equipe m édica. I sso pode explicar a razão dos auxiliares de enferm agem não est arem sat isfeit os com est e com ponent e, pela falt a de planej am ent o da assistência e do m odelo de gestão adotado nos serviços, de subordinação aos enferm eiros( 13).

A I nt eração t am bém foi considerada um dos com ponentes m ais im portantes na satisfação profissional da equipe de enferm agem . Ent ret ant o, foi apenas com o sub- com ponente interação entre a equipe de enferm agem que eles sentiram - se m ais satisfeitos. O sub- com ponente interação com a

equipe m édica não foi percebido de form a sat isfat ória, assim com o aos com ponentes com os quais a equipe de enferm agem sentiu- se m enos satisfeita ( rem uneração, requisitos do trabalho, norm as organizacionais) sendo esses achados condizentes com alguns estudos( 3,6,11).

O fraco desem penho do com ponente Requisitos do Trabalho pode ser atribuído a um a possível influência negativa do com ponente Norm as Organizacionais, considerado o segundo determ inante m enos im portante da satisfação no trabalho da enferm agem do SAMU, e o que causa m aior insatisfação.

O desequilíbrio entre o nível de im portância atribuído e o nível de satisfação percebido em relação ao com ponent e Rem uneração é um achado expressivo, porém não surpreendente, considerando-se a situação econôm ica do país, descrita na página 07 deste trabalho.

Na Tabela 1, são apresentados os escores num éricos obt idos at ravés da aplicação do I SP.

Tabela 1 : Escores num éricos e variações do I SP. SAMU/ Nat al/ RN, 2005

Com ponent e

I . Coeficient e de Ponderação da Escala ( Part e B)

I I . Escore Tot al do Com ponente da Escala ( Part e C)

I I I . Escore Médio do Com ponente da

Escala ( Pare C)

I V. Escore com ponente aj ust ado ( I x I I )

Rem uneração 4,04 20,02 3,34 13,48

Autonom ia 4,42 24,31 3,47 15,34

Requisitos do

trabalho 1,64 13,2 3,30 5,42

St at us

Profissional 0,92 26,16 4,36 4,01

Norm as

Organizacionais 0,95 22,65 3,24 3,07

I nteração ( Geral) 3,03 27,12 3,39 10,27

Escore t ot al da escala: 1 3 3 ,4 7 ( variação de 4 4 - 3 0 8 ) Escore m édio da escala: 3 ,5 ( variação de 1 – 7 )

Í ndice de sat isfação profissional: 8 ,6 ( variação de 0 ,9 – 3 7 ,1 )

Pela Tabela 1 podem os observar que os sub-com ponent es da int eração não foram calculados e isso se deve ao dom ínio dos coeficientes de ponderação dos com ponentes, que não considera os sub- com ponent es.

A coluna I desta Tabela 1 corresponde à im portância atribuída aos com ponentes da satisfação profissional, as colunas I I e I I I a satisfação percebida, am bas j á discutidas ant eriorm ent e.

Mostram os t am bém o Escore Total da Escala que corresponde à som a dos Escores Totais dos Com ponentes da Escala ( coluna I I ) que foi de 133,47. A variação desse escore é de 44 a 308, sendo que quant o m aior o valor, m aior a sat isfação com o trabalho. No trabalho de Lino( 11) o escore tot al foi de 137,91, Matsuda( 13) na análise dos resultados de enferm eiras obteve 164, 86 e para os auxiliares 158,61, em Schm idt( 6) esse valor foi de 170, Lino( 3)

obt eve 141,89.

O Escore Médio da Escala que nesse estudo foi de 3,5, e a variação possível é de 01 a 07. Alguns trabalhos que utilizaram a m esm a m etodologia obtiveram escores m édio de 3,8; 3,7 em relação às enferm eiras e 3,6; 3,81 e 3,85 para os auxiliares enferm agem( 3,6,11,13) .

(10)

Gráfico 2 : Classificação dos com ponentes segundo nível de satisfação profissional da equipe de enferm agem do SAMU. SAMU/ Nat al/ RN, 2005.

Quant o ao I SP, St am ps( 12) refere que na m aioria das pesquisas, este índice situa- se entre 12 e um m áxim o de 37. Tom ando com o referência esse dado, o I SP de nosso estudo ( 8,6) , significa baixa satisfação profissional.

Valores m uito sim ilares ao de nosso estudo e que caracteriza a pouca satisfação da enferm agem foram encont rados em alguns t rabalhos( 3,11) cuj o I SP foi de 9,6 e 9,53 respectivam ent e. No ent ant o em outra pesquisa( 13), o autor detect ou um I SP de 12,08 para as enferm eiras e de 11,33 para as auxiliares.

O Gráfico 2 m ostra a represent ação do verdadeiro nível de satisfação profissional da equipe de enferm agem do SAMU/ Natal, que é um a m edida ponderada entre o quant o de im portância à equipe atribuiu aos com ponentes e o quanto ela percebeu- se satisfeita em relação a eles, apoiando a prem issa que o fenôm eno satisfação profissional é m ultivariado e influenciado por diversos fatores( 11).

Na realidade, a equipe de enferm agem está m ais sat isfeit a com Aut onom ia, Rem uneração, I nt eração, Requisitos do Trabalho, “ Status” Profissional e Norm as Organizacionais.

Lino( 11) de form a sem elhante tam bém encontrou

com o prim eiro com ponente da real satisfação no trabalho das enferm eiras a Autonom ia, diferenciando um pouco na seqüência dos dem ais com ponent es, “ St at us” profissional, I nt eração, Rem uneração, Requisitos do Trabalho e Norm as Organizacionais. Porém out ro aut or( 13) det ect ou que a sat isfação real das enferm eiras foi com Rem uneração, I nt eração, Aut onom ia, Norm as Organizacionais, Requisit os do Trabalho e “ Status” Profissional, e os auxiliares de enferm agem que diferenciaram apenas na ordem de um com ponente, foi com os seguint es com ponent es: Rem uneração, I nt eração, Norm as Organizacionais,

Aut onom ia, Requisit os do Trabalho e “ St atus” Profissional. Lino( 3) obteve a seguinte classificação, prim eiro foi “ St at us” Profissional, a seguir Aut onom ia, I nt eração, Rem uneração, Requisitos do Trabalho e por últ im o o com ponente Norm as Organizacionais.

Pelos resultados apresentados vem os a im portância da identificação do nível real de sat isfação profissional e a im port ância de cada com ponente.

CON CLUSÕES

Concluím os que, quanto à caracterização sociodem ográfica dos participantes; houve um a discreta predom inância do sexo fem inino ( 54,9% ) ; com faixa et ária ent re 36 a 45 anos ( 60,8% ) ; casada ( 58,8% ) ; 82,4% possuem filhos, destes 61,9% apenas 01, e 30,8% dos filhos estão na faixa etária entre 05 e 09 anos; 78,4% eram técnicos de enferm agem e 21,6% enferm eiros; 27,5% tem de 11 a 15 anos de form ado; 09 ( 81,8% ) inform am ter especialização; 29,4% da equipe trabalha de 11 a 15 anos na área de urgência; 58,8% trabalham há m ais de 02 anos no SAMU; 72,6% possui horário fixo de trabalho. Houve hom ogeneidade no que se refere ao turno de trabalho, isto é, 41,2% exerce suas atividades no período diurno e 53% no noturno; 84% escolheram t rabalhar no SAMU, e dest es 76,3% realizam predom inant em ent e cuidados diret os aos pacientes.

Det ect am os que 96,1% gost am e est ão satisfeitos em trabalhar no SAMU; 90,9% dos enferm eiros inform aram receber de 05 a 10 salários m ínim os; quanto aos técnicos de enferm agem , 70% recebem de 02 a 05 salários m ínim os; 50,1% não recebem nenhum benefício adicional; em relação ao nível de im portância atribuída aos com ponentes da

13,48

15,34 5,42

4,01 3,07

10,27

Rem uneração Aut onom ia Requisistos do

Trabalho Status Profissional

Norm as Organizacionais

(11)

satisfação profissional, a equipe considerou o com ponent e Aut onom ia com o m ais im port ant e, seguido do com ponent e Rem uneração, I nteração, Requisit os do t rabalho, Norm as Organizacionais e “ Status” Profissional.

I nferim os que o nível atual de satisfação profissional a equipe estava m ais satisfeita com “ St at us” Profissional, Aut onom ia, I nt eração, Rem uneração, Requisitos do Trabalho e Norm as Organizacionais; o nível real de satisfação profissional, da equipe m ostrou está m ais satisfeita com Aut onom ia, Rem uneração, I nt eração, Requisitos do Trabalho, “ Status” profissional e Norm as organizacionais; o I SP foi de 8,6 indicando que a equipe de enferm agem do SAMU/ Natal está pouco satisfeita no am biente de trabalho.

Os resultados m ostraram as diferentes dim ensões que com põem a satisfação profissional e em que nível se encontrava a equipe de enferm agem do SAMU/ Nat al.

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Artigo recebido em 31.06.08.

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Figura 2 : Classificação dos com ponent es do I SP, por ordem  do nível at ual de satisfação, considerando- se o  com ponente interação com o único, percebido pela equipe de enferm agem  do SAMU
Tabela 1 : Escores num éricos e variações do I SP. SAMU/ Nat al/ RN, 2005  Com ponent e  I
Gráfico 2 : Classificação dos com ponentes segundo nível de satisfação  profissional da equipe de enferm agem  do SAMU

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