MESTRADO EM FINANÇAS E ECONOMIA EMPRESARIAL
ELISA JUNQUEIRA DE ANDRADE PAIVA
DETERMINANTES DE LURATIVIDADE DE EMPRESAS APOIADAS
PELO PROGRAMA BNDES DE DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA
DE
SOFTWARE -
BNDES PROSOFT EMPRESA
ELISA JUNQUEIRA DE ANDRADE PAIVA
DETERMINANTES DE LUCRATIVIDADE DE EMPRESAS APOIADAS
PELO PROGRAMA BNDES DE DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA
DE
SOFTWARE - BNDES PROSOFT EMPRESA
Dissertação de Mestrado apresentada à Escola de Pós-G raduação em Economia da Fundação Getúlio Va rgas como req uisito para a obtenção do título de Mestre em Finanças e Economia Empresarial
Orientador: Angelo Luiz Roc ha Polydoro
Paiva, Elisa Junqueira de Andrade
Determinantes de lucratividade de empresas apoiadas pelo Programa BNDES de Desenvolvimento da Indústria de Software - BNDES PROSOFT Empresa 1 Elisa Junqueira de Andrade Paiva. - 2015 .
51 f.
Dissertação (mestrado) - Fundação Getulio Vargas, Escola de Pós-Graduação em Economia .
Orientador: Angelo Luiz Rocha Polydoro. Inclui bibliografia.
1. Empresas - Lucratividade. 2. Empresas - Inovações tecnológicas. 3. Empresas - Avaliação. I. Polydoro, Angelo. 11. Fundação Getulio Vargas. Escola de Pós-Graduação em Economia. III . Título.
., FGV
ELISA JUNQUEIRA DE ANDRADE PATVA
"DETERM INANTES DE RENTAB ILIDADE DE EMPRESAS
APOIADAS PELO PROGRAMA BNDES DE DESENVOLVJME TO
DA INDÚSTRIA DE SOFTWARE- BNDES PROSOFT EMPRESA"
Di ssertação a presentada ao C urso de M estrado Pro fissio na l em Economia E mpresarial c fo inanças ela Esco la ele Pós-Graduação em Economia para obtenção elo grau ele Mestre em Economia Empresaria l c Finanças.
Data ela de rcsa: 25/05/20 15
ASSINATURA DOS MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA
/\n gé ) Lui z Rocha Po lydo ro Orientador (a)
Que me apoiou e inspirou durante todos os
dias da minha vida .
Ao meu namorado, Felipe, meu economista
e "monitor", que tanto me ajudou na
execução da dissertação e também a manter
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente ao meu orientador, Angelo Polydoro, pelo apoio e por
acreditar em mim . Aproveito e estendo o agradecimento à Gisele e ao Vitor, por
sempre me ajudar a encontrar soluções para todas as dificuldades ao longo do
curso .
À minha equipe de trabalho , sempre compreensiva diante dos momentos em que a cabeça estava longe. À Malu e ao André, pela sua disposição para opinar e discutir os caminhos desta pesquisa .
Aos amigos que surgiram nas salas da FGV, nos estudos aos finais de semana e
madrugadas adentro. À Vivian , que já é uma parceira de tantos anos, e também aos novos colegas, Débora, Ricardo , Manu, Dani e todos os outros. Um agradecimento
especial aos parceiros de orientador, Camilla e Ramón , pela força nesse finalzinho .
Aos demais amigos, que foram capazes de compreender as ausências, sempre com
sorrisos e um carinho imenso.
À Ana Flor, que não só dividiu seu pai comigo nos últimos meses, como compreendeu minha necessidade de estudar "o tempo todo". Sem contar com as
ocasiões em que a pequena me ajudou a esquecer do computador e enxergar o
mundo ao meu redor.
Finalmente, à minha família , pela compreensão nesse período com tantas
demandas externas. Especialmente , agradeço ao Vovô Abelardo , que esteve me
inspirando lá de cima e, tenho certeza, está muito orgulhoso agora !
RESUMO
Este estudo objetiva analisar fatores que impactam a lucratividade de companhias beneficiadas com o Programa para Desenvolvimento da Indústria Naciona l de
Software e Serviços de TI - BNDES PROSOFT. A análise da lucratividade permeia diversos estudos no país e no exterior e é de suma importância para a realização de políticas públicas de qualidade.
Para a avaliação, foram elencados diferentes aspectos microeconômicos, incluindo informações contábeis, de emprego, localização da empresa, segmento de atuação, entre outros, utilizando a metodologia de dados em painel.
Dentre os resultados obtidos, pode-se destacar o impacto positivo do nível da escolaridade da equipe, lucratividade observada no exercício anterior, maior retorno das empresas menores frente às de maior porte . Houve penalidade no lucro daquelas companhias voltadas para fabricação de hardware , com equipes maiores. Constatou-se, também , um decréscimo no lucro de empresas no ano em que contrataram financiamentos com o BNDES, estas que foram posteriormente beneficiadas, no momento da implantação do projeto.
This paper seeks to examine elements that have impact in the profitability of companies who have benefited with BNDES' program focused on developing Brazilian's software and IT services industry. The analysis of profitability pervades a number of studies in Brazil and abroad and is of utmost importance for constructing effective public policies.
The criteria for the evaluation included different microeconomic aspects, like accounting information , employment, companies ' location and operating segment, among others, using panel data method .
Among the results obtained , one can highlight the positive impact of employee's school background , former year's profitability, the greater return of smaller firms when compared to bigger ones. Companies focused on hardware showed lower profitability, as did the ones with more employees. Evidence also suggested that signing a financing contract with the Brazilian Development Bank (BNDES) decreased companies' profits, which were later benefited , as of implementing the project.
ASES BNDES BPO PITCE
PROSOFT
ROA ROB RO L S&STI TFP TIC TJLP
LISTA DE SIGLAS
Associação Brasileira das Empresas de Software
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Terceirização de processos de negócios
Pol ítica Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior
Programa para Desenvolvimento da Indústria Na cional de Software e Serviços de TI
Retorno sobre ativo Receita operacional bruta Receita operacional líquida
Software e serviços de TI
Fator de produtividade tota l
2 BNDES PROSOFT ... 14
2.1 Ca ract erização do Set or ... ... ... 14
2.2 Histórico ... ... 17
2.2.1 PROSOFT Empresa ... 21
2.2.2 Outros subprogramas ... .. ... 23
2.3 Dem ais instrumentos de apo io ao set or .. .. ... 24
3 An álise ... ... .. ... ... ... .. .. .... .. ... .. ... ... ... .. ... 26
3.1 Base de dados ... 26
3.2 M etodologia ... ... ... ... ... ... ... .. ... ... 31
3 .2.1 Modelo Base ... .... ... 32
3.2.2 M odelo propo st o por Sa lm an e Yazdanfar ... ... ... 34
3.2.3 Modelo BNDES ... ... 35
3.2.4 M odelo Segmentação de Equipe ... 36
3.2.5 M odelo Re laçõ es Ext eriores .... .. ... .. ... 37
3.2.6 M odelo Estrut u ra Corporati va ... .. ... ... 38
3.2.7 M odelo Segmento de Atuaçã o ... ... .. ... .. ... ... .. 39
4 Resultados ... ... ... 40
4 .1 M odelo Base ... .. ... 40
4.2 M odelo pro post o por Salman e Ya zd anfar ... ... 41
4.3 M odelo BN DES ... 41
4 .4 M odelo Segm entação de Equ ipe .... ... ... 42
4.5 M odelo Relações Exteriores ... ... 43
4.6 M odelo Est rutura Co rpo rativa ... .. .. ... .. .. ... ... ... 44
4. 7 M odelo Segm ento de Atu ação ... 45
5 Conclusão .... ... ... ... ... ... .. 46
12
1 Introdução
Criado em 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) , empresa pública federal , é hoje o principal instrumento de financiamento
de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da
economia, com uma atuação que combina as dimensões social, regional e
ambiental.
O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos,
aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços . Além disso, o Ban co
atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina
financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o
desenvolvimento social , cultural e tecnológico .
O BNDES tem o compromisso histórico com o desenvolvimento de toda a sociedade
brasileira, em alinhamento com os desafios mais urgentes da dinâm ica social e
econômica contemporânea . Dentro deste paradigma são desenvolvidos programas e
linhas de financiamento variadas que visam viabi lizar investimentos em
determinados setores do país, sempre visando a aplicação responsável de seus
recursos .
Dessa forma , é de extrema importância a avaliação rotineira do impacto das
supracitadas iniciativas, de forma a buscar resultados ótimos com sua apli cação.
O presente estudo visa aumentar a compreensão sobre os fatores que influenciam a
lucratividade das empresas apoi adas por meio do Programa para Desenvolvimento
da Indústria Nacional de Software e Serviços de TI - BNDES PROSOFT. No caso,
foram elencadas variáveis microeco nômicas que pudessem ser usadas como
instrumentos para análises de operações futuras ou mesmo como insumos pa ra
elaboração de novas políticas.
Utilizando dados em painel para a avaliação, foram obtidos os resultados
Tabela 1 -Resultados da análise
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P Lucratividade t-1 0.4783 -0,3319 Crescimento ROB 0,0053 0,0040 Base
Porte 0,0842
-Constante (0,0198) 0,3160 Lucratividade t-1 0,4372 -Cresci mento ROB 0,0041 0,0240
Porte 0,0262 0,3880
Sa lman e Yazdanfar 0,3985 ROA 0,1051
-Cres cimento TFP 0,0028 0,2130
Idade 0,0003 0,8780
Quantidade de funcionários (0,0064) 0,1800
Constante O,Q288 0,5490
Lucratividade t-1 0,4693 -Cresci mento ROB 0,0051 0,0050
Porte 0,0680 0,0150
BNDES 0,3587
Ano contra to (0,1023) 0,0700 Ano projeto 0,0509 0,3990
Constante 0,0425 0,1490
Lucrativida de t-1 0,4154 -Cresci mento ROB 0,0050 0,0017
Porte 0,034 5 0, 2260
Equipe 0,3555 Func. Desenvolviment o 0,1000 0,0970 Func . Superior 0,0124 0,7560
Func. Pós 0,233 6 0,0310
Constante (0,0428) 0,1280 Lucra tivi dade t -1 0,4671 -Crescimento ROB 0,0054 0,0050
Porte 0,0887
-Relações Ext eri ores 0,3383 Capita l Bra sileiro 0,0488 O,Q280 ROB Exportação (0,0845) 0,5020 Func. Exportação (0,0003) 0,0710 Ativos no Exteri or 0,0241 0,3600 Constante (0,0673 ) 0,0180 Lucrativi dade t-1 0,4747 -Crescimento ROB 0,0058 0,0020
Porte 0,0708 0,0020
Estrutura 0,3410
Reg ião SE (0,005 1) 0,8420
Aquisições (0,0358)
-Constant e 0,0031 0,9040
Luc rativi dade t-1 0,4358 -Crescimento ROB 0,0056 0,0010
Porte 0,0391 0,1930
Data center {0,0004) 0,1110
BPO (0,0010) 0,2020
Segmento 0,3589 Hardware {0,0011) 0,2000
Dese nv software 0,0008 0,0270 Comere software próprio 0,0010 0,0020 Comere software terceiros 0,0051 0,0250 Outros serviços 0,0012 0,0570 Constante (0,0365) 0,1480
1-l
É interessante observar o impacto positivo de fatores como a escolaridade da equipe, porte reduzido de empresas, foco no segmento de software frente a
hardware , data center, BPO e outros, data da implantação do projeto finan ciado com o BNDES, entre outros, na lucratividade das companhias analisadas.
Paralelamente, este estud o encontrou evidências de penaliza ção da lu cratividad e devido a aquisições, contratação de finan ciamento com o BNDES e tamanho da equipe, por exemplo. Tais resu ltados serão discutidos em detalhe no capítulo 4 .
2 BNDES PROSOFT
2.1 Caracterização do Setor
O setor de software e serviços de TI (S&STI) é bastante abrangente e , ainda que não seja simples definir uma tipolog ia definitiva para as empresas do setor, Medrado e Rivera , em 2013, resumiram o universo conforme o quadro abaixo .
Tabela 2-Ca racterização do setor de software e serviços de TI
s. antivirus e produtos ra o usuário final ·
ç os corre ao a
em TI ; desenvolvimento de aplicativos sob encomenda, implantação e customização; integração de sistemas e migração de dados;
manutenção de sistemas, atendimento e suporte qualificados; e treinamento para de TI.
center: centrais de processamento e armazenamento de dados, incluindo modelos comerciais, como terceirização, cofocation, hosting, cloud computing, gerenciamento de ambientes e infrastructure as a
uu;'"'""'"'"' process outsourcing (ITES-BPO): serviços intensivamente baseados em TI, que incluem, por exemplo: call/contact center, serviços de impre ssão,
tercei rização de RH ou contabilidade utilizando de forma intensiva recursos de TI.
Fonte: Adaptado de Medrado e Rivera (20 13).
três tipos de software (infraestrutura, ferramenta e aplicativos) , que diferem entre si
por sua fina lidade e pelo tipo de usuários. As empresas de software produto, ou
pacotes, desenvolvem programas de computador e os comercializam , tipicamente ,
por meio de licenças de uso ou como serviço (software as a service - SAAS). Os
serviços correlatos ao desenvolvimento de software (também denominados "serviços
correlatos" ou "serviços de software", por simplificação) envolvem todas as
atividades realizadas , tipicamente, por empresas que desenvolvem software sob
encomenda.
Já os chamados serviços de TI englobam data centers e os chamados business
process outsourcing (BPO). Este último é um serviço contratado na forma de
outsourcing (terceirização) em que o provedor possui responsabilidade total sobre o
processo. Nos casos em que o serviço pode ser provido apenas por meio do uso
intensivo de TI , os serviços de BPO passam a ser qualificados como information
techno/ogy enabled services (ITES), sendo chamados, portanto, de ITES-BPO.
Nessa categoria , enquadram-se os cal/ centers e contact centers (GUTIERREZ;
ALEXANDRE , 2004). Diferentemente dos serviços de software, a TI (hardware e
software) no ITES-BPO é simplesmente um meio para prestar serviços para outros
setores da economia, como atendimento e suporte a clientes , impressão de
documentos e arquivamento, contabilidade , gestão de informações financeiras e
suporte médico. O quadro a seguir, também apresentado por Medrado e Rivera em
2013, sumariza os motivos do apoio do BNDES PROSOFT para os segmentos
16
Tabela 3-Motivação do apoio do BNDES
Segmento Motivação do apoio do BNDES
- Concentra a "inteligência" dos processos e produtos - Economia cria tiva : elevado valor agregado e mão de
Software obra qualificada
(produ tos e - Elevado potencial de escalabilidade e geração de serviços de margens
software) - Redução de impacto/melhoria do resultado no
balanço de serviços
- Competência estratégia do país
- Melhoria na produtividade das empresas brasileiras (redu ção de custos de TI)
- Geração de oportunidades em computação em nuvem , mobilidade e comunicação máquina a
Data center máquina (machine to machine, M2M), entre outras, no
país
- Imperativo para acomodar o crescimen to da demanda de tráfego de dados
- Estratégico para a soberania do país (reten ção do tráfego de dados localmente)
- Relevância social: intensivo em mão de obra , primeiro emprego e primeiro con tato com TI (inclusão social)
ITES-BPO - Oportunidade de formar grandes grupos, que, com o tempo, agregam valor aos serviços com potencial de exportação
- Melhoria na produtividade das empresas brasileiras
Fonte: adaptado de Medrado e Rivera (2013) .
Ainda no âmbito do PROSOFT, houve também o apoio a empresas de hardware .
Consideradas particularmente inovadoras, tais companhias não possuíam um
instrumento no BNDES para viabi lizar seu financiamento. Dessa forma , era prática
comum enquadrar tais operações no Programa . Com a criação da linha FI NEM
Inovação, tais projetos foram redirecionados .
Pesquisa disponibilizada pela ABES (201 4) aponta o Brasil como
r
maior investidordo mundo em TI (considerando apenas o mercado interno), sendo o maior da
América Latina (46% do total do bloco) , com investimentos totalizando
US$ 60 bilhões. Destes, US$ 34,8 bilhões destinam-se a hardware,
US$ 14,0 bilhões a serviços de TI e os US$ 11 ,2 bilhões restantes a investimentos
2.2 Histórico
O Programa para Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços de
TI - BNDES PROSOFT, criado em 19971, possibilitou ao BNDES uma atuação
estruturada frente ao setor por meio de:
• fortalecimento de empresas nacionais - apoio a investimentos produtivos,
inovação, processos de consolidação e internacionalização empresarial; e
• atração de empresas multinacionais que posicionem o Brasil em suas
estratégias globais de desenvolvimento, com agregação significativa de va lor
local e/ou exportação a partir do País . (BNDES , 2015 <
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes pt/lnstitucionai/Apoio Financeir
o/Programas e Fundos/Prosoft/index.html >)
O Programa evoluiu ao longo dos seus 18 anos de vigência , refletindo o aprendizado
do Banco em suas versões . Em sua primeira forma , o Programa procurava integrar
elementos de remuneração variável ao financiamento , ou seja, o custo final do
financiamento estava atrelado ao desempenho financeiro das beneficiárias. Havia
ainda nesta versão uma restrição ao porte das empresas elegíveis , que deviam
necessariamente ser classificadas como pequenas. O PROSOFT contava também
com um limite máximo de R$ 3,5 milhões no valor do financiamento .
Quando o Governo Federal lançou a Política Industrial Tecnológica e de Comércio
Exterior (PITCE), em março de 2003, houve a inclusão do segmento software entre
os quatro setores prioritários para a adoção de medidas específicas2, dada sua
importância estratégica para toda a economia. Neste cenário houve em 2004 a
reestrutu ração do PROSOFT, que passou a permitir o apoio a empresas de todos os
portes e a contar com três subprogramas: PROSOFT Empresa- destinado ao apoio
de planos de negócio; PROSOFT Comercialização - para o apoio à aquisição de
software nacional ; e PROSOFT Exportação - para financiar a exportação de
software brasileiro, de forma a se aproximar dos objetivos listados pelo Governo na
PITCE. Uma avaliação da ABD I, rea lizada em 2006, declarou o atendimento das
ações listadas na Política , destacando o PROSOFT como o principal instrumento de
crédito disponível na PITCE.
1
O programa começou a operar de fato em 1998 (com a primeira cont ratação em 1999).
2
18
Dentre os subprogramas existentes, o responsável pelo maior volume de ope rações,
tanto em quantidade (43 %), quanto em valores (85 %), foi o PROSOFT Empresa,
como ilustra a tabela abaixo.
Tabela 4- Estratificação das operações do PROSOFT
Contratados (em Outros estágios
Total (em R$ mil) %Total R$mil) (em R$ mil)
Prosoft Empresa 3,695,276 384,855 4,080,13 1 85%
Prosoft Comercialização 110,797 7,275 11 8,072 2%
Prosoft Exportação 580,067 9,999 590,066 12%
Total 4,386,139 402,130 4,788,269 100%
Fonte: BNDES (agregação própria) .
Finalmente, em suas versões mais recentes, houve a ampliação de escopo da
atuação do programa, incluindo o conjunto de atividades que englobam não apenas
as operações de software produto ou software embarcado, mas também todos os
segmentos que tratam de software como um serviço ou que prestam serviços
fortemente suportados por TI (ITES-BPO) e os centros cativos de TI (captive
centers) - que têm potencial papel relevante na ampliação de exportações.
Os próximos gráficos demonstram a aceitação do Programa no mercado, que se
tornou ainda mais relevante após a realização dos ajustes.
N° de Operações Contratadas Acumulado
500
400 +--- ~~ ~
300 +--- ~ ~~~---- -.
200 4-- -- ---~~~-=-..a~:!!!::~
100 +--- - --____:~~::._
o
4.- ~~;:jj:S;II ~-. ...,~~..,.,~~~ h- ~...,- Prosofl Errp
- Pros. Comere
- Pros EJCPOrt
- Total Prosdt
Gráfico 1: Acumulado de operações contratadas no âmbito do PROSOFT Fonte: BNDES (agregação própria).
O volume de operações foi crescente , principalmente após a reestruturação de
2004, com destaque para o subprograma PROSOFT Comercialização. O gráfico
seguinte, no entanto, explícita sua menor relevância em termos de volume de
transações , foi o maior responsável pela utilização de recursos do Programa no
período analisado. Paralelamente, o subprograma voltado para exportação não
apresentou resultados expressivos no que tange sua aceitação no mercad o.
5.000.000 4.000.000 3.000.000 2.000.000 1.000.000
Valor das Contratadas Prosoft Acumulado
1 ,.---,
- Prosoh E..-p
--e--Pros Comere.
_.._. Total Prosctt
Gráfico 2: Acumulado de valores contratadas no âmbito do PROSOFT Fonte: BNDES (agregação própria) .
Vale destacar, ainda, a aceleração recente na contratação dos projetos via PROSOFT Empresa , tanto em termos absolutos, quanto comparados ao PROSOFT Comercia lização, que se tornou menos representativo nos últimos exercícios.
60
50 40
30
20
10
o
N° de Operações Contratadas Prosoft
.. nl
n.
nl
n.
n. ,--,
1-1
• Total Prosoft o Prosft Export • Proso fi Comere
~
IJ
c Prosofl Emp
Gráfico 3: Quantidade de opera ções contratadas no âmbito do PROSOFT Fonte: BNDES (agregação própria).
J
I
~
r---:
I
, • .JjValor Anual das Contratadas Prosoft
800.000 700.000
:::::; 600.000
r-:E 500.000 1
-~ 400.000 - 1
-...
300.000
~ -
-"'
200.000>
100 000
I
I
I -
--
r-b
-- ~ - · • n
• J
r.
-(1• TotaJProsofl DProsoft C a nerc. D Proso11: Em p.
Gráfico 4: Valor das operações contratadas no âmbito do PROSOFT Fonte: BNDES (ag regação própria) .
20
Vale reforçar que o crescimento significativo das operações, tanto em quantidade,
como em valores contratados , para o período pós-2004 , deve-se ao Programa ter se
tornado realmente relevante para o setor. No que tange sua abrangência física , o
PROSOFT foi contratado por companhias de 11 estados distintos no país, estando
presente em todas as regiões . Sua atuação mais significativa foi Sudeste, com 74%
das operações realizadas . A região Sul consolidou 19% das operações, enquanto a
região Norte contou apenas com um projeto apoiado. O volume de operações por
unidade federativa está listado abaixo.
Tabela 5-Operações do PROSOFT por Unidade Federativa
Estado N" Operações
AM 1
BA 2
DF 6
GO 1
MG 10
PE 1
PR 5
RJ 23
RS 18
se
6SP 82
Total Geral 155
Fonte: BNDE S (agregação própria).
Tal conce ntração é justificada pelo próprio perfil dos investimentos em TI no Brasil,
Sudeste, 14,53 % para o Sul , 10,9% na Região Centro Oeste e 10,1% no Nordeste.
A região Norte conta com apenas 3,7% dos investimentos em TI realizados no país.
2.2.1 PROSOFT Empresa
Objeto principal deste estudo, o PROSOFT Empresa distingue sua atuação de
acordo com o segmento de atuação da beneficiária, oferecendo condições distintas
para empresas de software e serviços de software e para empresas de ITES-BPO. A
operação pode ser direta (pleito real izado diretamente ao BNDES) ou indireta (tendo
um agente financeiro como intermediário entre a empresa pleiteante e o BNDES) .
Um aspecto destacável do PROSOFT é seu pioneirismo no BNDES, tendo servido
como in spiração para a criação de programas de desenvolvimento voltad os para
outros setores, como saúde (BNDES PROFARMA) , economia da cu ltura (BNDES
PROCUL T), design (BNDES PRODESIGN) , entre outros .
Medrado e Rivera, em 2013 , listaram algumas das características que fizeram do
PROSOFT Empresa um marco para a instituição:
• Financiamento direto a partir de R$ 1 milhão3, quando o Banco realiza operações
diretas apenas com va lores acima de R$ 1 O milhões. Ponto de grande relevância para companhias de menor porte, majoritárias no setor e concentradoras de
inovação.
• Possibilidade de dispensar garantias reais para financiamentos de até
R$ 10 milhões. Empresas do setor de TI investem majoritariamente em intangíveis,
sem necessariamente possuir bens imóveis para oferecer como garantia para os
financiamentos. Dessa forma , estas companhias intensivas em capital intelectual
puderam acessar o BNDES. Há, no entanto , a exigência de que a empresa se torne
uma S.A. a fim de adotar melhores práticas de governança como contrapartida.
• Apoio ao plano de negócios, sem necessidade de um projeto específico. As
operações são avaliadas de acordo com sua estratégia e objetivos finais , como a
migração para uma nova plataforma tecnológica , por exemplo. Este ponto é
relevante quando se considera trata-se de um setor caracterizado por uma dinâmica
3
de ciclos rápidos de inovação. Sendo assim , um tratamento flexível no apolo
financeiro para contemplar as naturais flutuações no direcionamento dos
investimentos é de suma importância.
Tais características foram imprescindíveis para a aceitação do Programa no
mercado. Os ajustes realizados em 2004, como a possibilidade de apoio a
companhias de qualquer porte, mostraram-se bastante efetivas, culminando no
aumento significativo da quantidade de operações e valores contratados, como se
pode observar no gráfico a seguir.
800
700
600
500
400
300
200
100
Prosoft Empresa (RS M l hõc~) 23
99 00 01 02 03 04
os
06 07 08 09 10 11 12 1 3 14 15*Gráfico 5: Operações realizadas no âmbito do PROSOFT Empresa Fonte: BNDES (agregação própria).
- i/.Jior Contr.l!Jt:o
No período entre 1998 e março de 2015, foram contratados cerca de R$ 3,7 bilhões
em 155 operações pelo PROSOFT Empresa . O valor médio das operações foi de
cerca de R$ 23,8 milhões, enquanto o valor mediano foi de somente R$ 4,1 milhões,
indicando que a maior parte das operações contratadas envolveu valores reduzidos .
Vale ressaltar que os valores médios cresceram significativamente após a revisão do
Programa, em 2004 , quando passaram a financiar também as grandes empresas.
Além disso, 80% do total contratado na modalidade estão concentrados nas 16
maiores operações realizadas . Paralelamente, as 124 operações de menor valor
(80 % do total de operações) respondem por apenas 11 , 74% do total de
contratações do PROSOFT Empresa. A distribuição dos projetos por valor
Tabela 6- Operações do PROSOFT estratificadas por valor
Operações Contratadas W Operações
Até 1 mi lhão 16
Entre 1 milhão e 10 milhões 111
Maior que 10 milhões 28
Total 155
Fonte: elaboração própria
O subprograma conseguiu atingir companhias de todos os portes, mantendo seu
foco principal naquelas de menor porte, como demonstra o gráfico a seguir. Ainda
assim , o valor das operações realizadas com empresas de porte MPE (micro e
pequenas) representou apenas uma pequena fração (2,47%) do total contratado.
Vale reforçar que o atingimento das companhias menores é de extrema importância
para o setor, que é composto majoritariamente por elas. A Associação Brasileira das
Empresas de Software (ASES), em sua prévia do relatório "Mercado Brasileiro de
Software: panorama e tendências, 2014", relata que 86% das suas associadas são
micro, pequenas ou médias.
Participação por Porte
• Media
O G rande
Gráfico 6: Operações do PROSOFT estratificadas por porte das beneficiárias Fonte: BNDES (agregação própria).
2.2.2 Outros subprogramas
Como mencionado anteriormente, o PROSOFT contou também com os
subprogramas Comercialização e Exportação.
O primeiro tem por objetivo financiar compradores de soluções nacionais. O software
financiado deve ser previamente credenciado no BNDES e está sujeito à verificação
24
financiados. Este subprograma é operado somente de forma indireta, via agente
financeiro .
Já o PROSOFT Exportação tinha duas modalidades: Pré-Embarque , que fornecia
capital de giro para o desenvolvimento de software por uma empresa brasileira; e
Pós-Embarque, que financiava o comprador estrangeiro da solução nacional. Uma
avaliação do BNDES constatou que o mesmo não alcançou os resultados
esperados, sendo cancelado na última revisão do PROSOFT, em 2013.
2.3 Demais instrumentos de apoio ao setor
A partir dos anos 2000, foram lançados e aperfeiçoados outros instrumentos que
ganham cada vez mais relevância no apoio ao setor de S&STI : o Cartão BNDES e
os fundos de venture capital/priva te equity e capital semente.
A Figura 1 ilustra os principais instrumentos de apoio do BNDES ao setor de S&STI
vigentes na época da avaliação, em 2013. Vale ressaltar que, atualmente, o
PROSOFT Exportação não está mais disponível.
'"'> Prosoft
Empresa · ~ Pro s oft
Comercialização e Expo rtação
Financiamento e equity para o
Plano de Negócios
Fornecedor
Financiamento Aquisição Insumos, Eqwp. e Serviços
[2
Cartão BNDES* )•
Empresa
..
Equity
( '"') BNDESPar
J
Aporte• Fund_os de InvestimentoFmanciamento Aquisição e Exportação de Software
Cliente
Financiamento Aquisição de Software
{ "> Cartão BNDES*
J
• Somente M PM E
O Cartão BNDES é um importante instrumento de apoio a micro, pequenas e médias
empresas (MPMEs) de todos os setores da economia. Trata-se de um instrumento
de apoio indireto, consistindo em um crédito pré-aprovado, de até R$ 1 milhão, para
aquisição de produtos credenciados . Ta is produtos incluem computadores, sistemas
de segurança, mobiliário, entre outros. Vale ressaltar que o Cartão passou a aceitar
o cadastro também de softwares e certificações , colaborando com este setor de
forma mais direta.
Desde o início da operação do PROSOFT, em 1998, até março de 2015, o BNDES
apoiou o setor com aproximadamente R$ 5,98 bilhões, dos quais mais de 80 % foram
devidos ao Programa. A tabela abaixo resume os prin cipais números alcançados
pelos instrumentos de apoio.
Tabela 7-Apoio do BNDES ao setor de software e serviços de TI
Carteira Operações /Projetos R$ mil
Pro soft 417 4,778,270
Prosoft Empresa 178 4,080 ,131
Contratadas+ Aprovadas 160 3,743 ,877
Outros estág1os 18 336,254
Prosoft Comercialização 236 118,072
Prosoft Exportação 3 580,067
Cartão BNDES Total 122,108 1,197,787
Cartão aquis1ção de Software 57,137 771 ,810
Cartão consumo das empresas de TI 64 ,971 425,977
Total (Prosoft +Cartão) 122,525 5,976,057
• Os dados do "Cartão consumo das empresas TI" excluem o co nsumo destas em software
Fonte : BNDES (agregação própria).
O credenciamento das empresas desenvolvedoras e dos produtos de software
nacionais é feito simultaneamente para o PROSOFT Comercialização
e
para o Cartão BNDES.No que tange os fundos de investimentos, o setor pode ser apoiado tanto através de
fundos voltados para inovação ou mesmo de fundos destinados especificamente ao
setor de TICs.
Ademais , o apoio do BNDES transcende os instrumentos específicos voltados para
o setor, e este também se beneficia de sua política de apoio somente à aquisição de
software de origem nacional , válida para todas as linhas de financiamento
26
3 Análise
3.1 Base de dados
O presente estudo se utilizou de pesquisa real izada com empresas apoiadas pelo PROSOFT no momento de sua renovação , em 2013 . 41 empresas apoiadas pelo Programa responderam a um questionário, conforme abaixo, viab ilizando à
Instituição avaliar os impactos de sua atuação.
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Figura 2: Questionário de avaliação do PROSOFT Fonte: BNDES .
Utilizando-se da metodologia do Quadro Lógico, ou Logframe, a mesma adotada
pelo Banco Mundial para monitorar e avaliar seus projetos, Medrado e Rivera (2013)
separam as empresas em grupos de análise e de controle e obtiveram insumos para
a avaliação dos resultados observados com o Programa até então e para a
elaboração de propostas para sua nova versão. Os principais resu ltados obtidos
Tabela 8- Resultados da avaliação do PROSOFT
Objetivo Indicadores (2006 a 2011) GA GC
Evolução do faturamento (mediana do crescimento
18,3 16,1
annual individual em pontos percentuais)
Evolução de empregos formais (mediana do
11 ,0 15,9 crescimento annual individual
em pontos percentuais) % de empresas que lideram
processos de fu sões e 41 ,7 15,9
Empresas nacionais aquisições
Evolução do % de fotalecidas, maiores e
empregados com n ível internacionalizadas
superior (mediana do 5,0 2,8
crescimento anual em pontos percentuais)
Evolução do % de pessoal ocupado em P&D (médi a do
5,8 1,5 crescimento individual em
pontos percentuais)
Evolução do faturamento por empregado (mediana do
9,0 1,2 crescimen to individual em
pontos percentuais)
Fonte: adaptado de Medrado; Rivera , 20 13.
A avaliação da pesquisa , somada a uma análise do crescimento da penetração do
software nacional no Brasil , levou os pesquisadores à conclusão "que o BNDES
PROSOFT Empresa teve um impacto positivo não desprezível nas emp resas
atendidas em seu objetivo de fortalecer empresas nacionais e tornar produtos e
serviços de TI brasileiros mais competitivos. " (MEDRADO; RIVERA, 2013)
O presente estud o, no entanto, não tem como objetivo a avaliação do PROSOFT ou
mesmo a com petitivid ade das empresas do setor, mas compreender os fatores que
levam companhias apoiadas pelo Programa PROSOFT Empresa a se diferenciarem
em sua lucratividade.
Para tal foi necessário , além das informações providas pelos questionários, levantar
dados de relatórios de análise e acompanhamento dos projetos e das
demonstrações financeiras das companhias. Ao final, foram mantidas 32
28
para a totalidade dos indicadores utilizados durante o período de 2006 a 2011 ,
formando, assim , um painel balanceado.
A base de dados foi concluída com 32 empresas, com estratificação conforme
tabelas e gráficos a seguir. A justificativa para a escolha das variáveis analisadas
será apresentada no próximo item (3.2) deste documento.
Tabela 1 O- Primeira estratificação da base de dados
Fonte: BNDES (agregação própria) .
Tabela 11 -Segunda estratificação da base de dados
* Ressalte-se que os respondentes da pesquisa informaram o percentual das receitas diante de cada segmento de negócio, podendo cada empresa estar listada
em mais de um segmento.
É interessante observar a pluralidade existente entre as empresas observadas, com grande variação em todos os aspectos avaliados. Tal variabilidade justifica a necessidade do presente estudo, que permitirá uma compreensão mais profunda do comportamento da lucratividade destas companhias.
Outra avaliação relevante cerca o desempenho médio das firmas no período avaliado. Enquanto a tendência de crescimento do faturamento é indiscutível, a lucratividade, retorno sobre ativo e fator de produtividade total médios tem um comportamento mais irregular, com uma aparente tendência de recuperação nos últimos exercícios desta análise.
ROB M édia
250000
200000
150000 100000 50000
o
2006 2007 2008 2009
Gráfico 7 : ROB média da amostra Fonte: BNDES (agregação própria).
2010 2011
LL/AT Médio
0.25
0.2
0.15 0.1 0.05
o
2007 20Cll 2009
Gráfico 8: LLIAT médio da amostra Fonte: BNDES (agregação própria).
30
2010 2011
O retorno sobre ativo, medido pela relação entre receita líquida e o ativo total ,
aparenta uma tendência de redução entre 2007 e 2009, com posterior recuperação
nos dois exercícios seguintes.
2 45
2,4
2,35 2,3 2.25 2.2 2.15 2,1 2.05
2
2007
ROA Médio
20Cll 2009
Gráfico 9: ROA média da amostra Fonte: BNDES (agregação própria).
2010 2011
Finalmente, o fator de produtividade total médio foi negativamente impactado em
1 .1
1.08 1 ,06 1.04 1.02 0,98 0 .96 0 .9.! 0 .92 0 ,9
2006
TFP Médio
2007 2008 2009
Gráfico 9: TFP médio da amostra Fonte: BNDES (agregação própria).
3.2 Metodologia
2010 2011
O estudo da lucratividade vem despertando interesse de pesquisadores de diversas
disciplinas, que visam estudar seu comportamento frente diferentes estratégias de
mercado (NARVER; SLATER, 1990), diversificação de negócios (RUMEL T , 2006) ,
responsabilidade social (AUPPERLE et a/. , 1985), desenvolvimento de capacitações
dinâmicas (GRÜNBAUM; STENGER, 2014) entre outros, ou mesmo diferenças entre
setores de bens e serviços (ANDERSON et ai., 1997), porte das empresas
(GLANCEY, 1998) e impacto das mídias sociais (RISHIKA et a/. , 2012).
O presente documento visa identificar o impacto de diferentes indicadores na
lucratividade das empresas do setor de S&STI apoiadas pelo BNDES através do
PROSOFT Empresa. Para tal , após o levantamento das possíveis variáveis
explicativas4, definiu-se um modelo base e fo ram introduzidas variáveis em blocos,
separando-as por temática , de forma a avaliar seus efeitos separadamente.
Ressalte-se que, ainda que muitos autores tenham utilizado a relação lucro bruto
sobre ativo total como forma de medir a lucratividade das companhias (SALMAN ;
YAZDA NFAR, 2012), para o presente estudo foi adotado o índice lucro líquido sobre
ativo total. Essa escolha deu-se devido á observação das demonstrações financeiras
das empresas avaliadas que, frequentemente, apresentavam inconsistência na
classificação de custos e despesas.
4
32
A opção por análise dos dados em painel deu-se por se tratar de uma técnica
estatística de destaque na literatura e pela possibilidade de ganhos com seu uso em
análises finance iras (DUARTE
e
f a/. , 2007}, além de apresentar a vantagem derelevar a heterogeneidade individual :
Assim, os dados em painel sugerem a existência de características
diferenciadoras dos individuas, entendidos como "unidade estatística de
base". Essas características podem ou não ser constantes ao longo do tempo, de tal forma que estudos temporais ou seccionais que não tenham em conta tal heterogeneidade produzirão, quase sempre, resultados fortemente enviesados. (MARQ UES, 2000)
Outras características levantadas por Marques, 2000, foram uma maior quantidade
de informação, maior variabilidade dos dados, menor colinearidade entre as
variáveis, maior número de graus de liberdade e maior eficiência na estimação.
A análise dos dados em painel envolveu estimativas com uso de efeitos aleatórios,
uma vez que algumas das variáveis testadas são co nstantes para cada empresa ao
longo dos anos, inviabilizando sua avaliação por efeitos fixos .
3.2.1 Modelo Base
Foi estruturado um modelo inicial (Mode lo Base) , bastante simplificado, formado por
duas variáveis consideradas relevantes para a determinação da lucratividade das
empresas estudadas.
A partir deste modelo, serão incorporadas novas variáveis , agrupadas de acordo
com sua natureza, resultando nos demais modelos a serem testados .
Sendo assim, o Modelo Base foi desenhado conforme abaixo:
Yt =a + 131 Ln X11 + l32 Yt-1 + l33 Xt3 + Et t = 1, 2, ... T
Y = lucratividade (razão entre lucro líquido e ativo total)
X1 =crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB)
a) Variável dependente defasada
A manutenção de lucratividade das firmas ao longo dos anos é um indicador
escolhido como representante de uma variável de persistência da lucratividade
(HAWAWINI et a/. , 2003; SCHUMACHER; BOLAND, 2005). Lucros observados
anteriorme nte permitem à companhia investir e se desenvolver, ou seja, quanto
maiores forem os resultados anteriores, maiores as habilidades da empresa em
manter sua vantagem competitiva (SALMAN; YAZDANFAR , 2012).
b) Crescimento
Glancey defendeu em seu estudo sobre rentabilidade em pequenas empresas de
1998 que uma taxa de crescimento elevada pode levar a aumento da lucrativid ade
devido ao ganho de eficiência oriundo da curva de aprendizagem.
c) Porte
Nesse caso foi utilizado porte da companhia no momento da contratação do projeto
com o BNDES, de acordo com os critérios adotados pela Instituição para sua
classificação, a saber:
Tabela 12 - Classificação de porte de empresas segundo o BNDES
Classificação Receita operacional bruta annual
Miroempresa Menor ou igual a R$ 2,4 milhões
Pequena empresa Maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões
Média empresa Maior que R$ 16 mi lhões e menor ou igual a R$ 90 milhões
Média-grande empresa Maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões
Grande e mpresa Maior que R$ 300 milhões
Fonte: adaptado de BNDES, 2015 <
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes pt/lnstitucionai/Apoio Financeiro/porte .html>
Para simpl ificar o modelo, empresas micro e pequenas foram agrupadas, assim
34
3.2.2 Modelo proposto por Salman e Yazdanfa r
Em 20 12, Salman e Yazdanfar levantaram inúmeras referências visando estruturar seu modelo para estudo de lucratividade em micro empresas suecas. Escolheu-se o modelo proposto pelos autores supracitados para avaliação uma vez que 17 das 32 empresas avaliadas neste documento foram classificadas como micro, pequenas ou médias. Dessa forma , procurou-se um modelo que levasse tais aspectos em consideração.
Yt = a + P1 Ln x t1 + P2 Yt-1 + p3 Xt3 + P4 Ln Xt4 + P5 Ln Xt5 + P6 Xt6 + P7 Xt7 + Et t = 1, 2,
... T
Y
=
lucratividade (razão entre lucro líquido e ativo total)X1
=
crescimento das vendas (logaritm o da variação da ROB) Yt-1 = variável dependente defasada em um períodox 3 =porte
x4 =tamanho (logaritmo do número de funcionários)
X5 =crescimento do TFP (logaritmo da variação do TFP calculado) X5 = ROA (razão entre ROL e ativo total)
x 7 =idade
Além das já mencionadas variáveis , foram incluídas:
a) Tamanho da firma
A adoção da quantidade dos funcionários deu-se não apenas devido a referências na literatura sobre seu impacto na lucratividade das empresas (DILLIN G-HANSEN, 2005 ; GSCHWANDTNER, 2005; HARDWICK, 1997; WINTER , 1994; WYN , 1998), como também pelo interesse na relação entre criação de empregos e porte das firmas (SALMAN ; YAZDANFAR , 2012)
b) Idade da empresa
reputação , que, combinadas a economias dinâmicas de escala, as levam a obter maiores margens.
c) Crescimento do fator de produtividade total (TFP)
Salman e Yazdanfar (2012) relacionam altos índices de TFP a elevada lucratividade, uma vez que ganhos de produtividade, com custos de produção reduzidos , alta qualidade do produto final ou maior volume de produção utilizando menos insumos, levam a lucros maiores.
Inicialmente fo i necessário calcu lar o TFP das empresas estudadas. Para tal foi utilizada uma função de Cobb-Douglas, simplificada conforme abaixo:
Ln Yti = 13o+ Eti + 13K Ln Kti + 13L Ln Ltl t
=
1, 2 , .. .Td) Retorno sobre ativo (ROA)
O indicador ROA pode ser definido como a proporção entre o volume líquido de vendas e o ativo total da compan hia. Salman e Yazdanfar (2012) entendem ser uma boa aproximação para a eficiência de uma firma , já que alterações de produtividade impactam esse indicador e , conseq uentemente , a lucratividade. Dessa forma , variações no ROA irão antecipar possíveis flutuações na lu cratividade das firmas .
3.2.3 Modelo BNDES
Neste bloco, visou-se analisar as consequências da contratação ou desenvolvimento de projetos em parceria com a instituição.
Yt =a+ l31 Ln Xt1 + l32 Yt-1 + l33 Xt3 + 134 Xt4 + 13s Xts + Et t = 1, 2 , ... T Y = lucratividade (razão entre lucro líquido e ativo total)
X1 = crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB) Y1_1 =variável dependente defasada em um período
x 3 =porte
X4 = ano do contrato (ano em que foi assinado o contrato de colaboração financeira com o BNDES)
Xs = ano do projeto (exercício em que foi atestada a concl usão do projeto)
36
A minuta padrão de contrato do BNDES contém diversas exigências frequentemente
não observadas anteriormente em firmas de menor porte. A exigência de auditoria
de balanços, restrição de distribuição de dividendos e outras que visam garantir o
equilíbrio financeiro e governança das beneficiárias estão entre as cláusulas
tipicamente observadas em operações do PROSOFT. Assim , é comum os primeiros
balanços surgirem com resultados piores, dadas as exigências das empresas
auditoras. Por outro lado, são esperados retornos com o fortalecimento da
governança das empresas.
b) Ano de término do projeto apoiado pelo BNDES
Em muitos casos são apoiados desenvolvimentos de novas plataformas, de novos
segmentos de negócios ou mesmo evolução do parque atual das empresas. Há a
expectativa de que, finalizados os investimentos e conclu ído o projeto , haja a
conquista de um novo mercado, aumento de participação ou mesmo ganhos de
eficiência, impactando a lucratividade das firmas .
3.2.4 Modelo Segmenta ção de Equipe
Avaliou-se , então, a relação entre a qualificação das equipes e percentual de
funcionários dedicados às atividades de pesquisa e desenvolvimento com a
lucratividade das companhias .
Y t =a+ ~ 1 Ln X t1 + ~ 2 Y t-1 + ~ 3 Xt3 + ~4 Xt4 + ~ 5 X t5 + ~ 6 X t6 + Et t = 1, 2, ... T
Y = lucratividade (razão entre lucro líquido e ativo total)
X1
=
crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB)Y1•1 = variável dependente defasada em um período
x3
=porteX4 = funcionários dedicados a P&D (razão entre o número de funcionários dedicados
a P&D e a quantidade total de colaboradores)
X5 =funcionários com nível superior completo (razão entre o número de funcionários
com nível superior completo e a quantidade total de colaboradores )
X6 = funcionários com pós-graduação (razão entre o número de funcionários com
pós-graduação e a quantidade total de colaboradores)
O PROSOFT permite, entre outros investimentos, o financiamento dos gastos com
pesquisa e desenvolvimento, incluindo remuneração de equipe própria. Mais do que
capital de giro que seria o salário do restante do pessoal da empresa, o BNDES
entende ta is despesas como investimentos, que permitirão à companh ia obter
produtos mais competitivos no mercado. Dessa forma , a relação entre pessoal
alocado em tarefas de pesquisa e desenvolvimento e lucratividade da firma
é
deextrema relevância .
b) Qual ificação das equipes
A contratação de funcionários com nível superior e pós-graduação pode trazer
benefícios à companhia , que poderá oferecer produtos com mais tecnologia
embarcada ou melhor adaptados para seu mercado. No entanto, tais pessoas
representam custos mais elevados para a empresa, que podem ser
proporcionalmente superiores a seus impactos positivos na lucratividade.
3.2.5 Modelo Relações Exteriores
A relação da empresa com o mercado internacional, seja por possu ir em sua
sociedade cap ital próprio estrangeiro, ou mesmo por exportar, podem ser relevantes
para as com panhias analisadas, formando , então, este novo modelo.
Yt
=
a + 131 l n X11 + 132 Yt-1 + l33 Xt3 + 134 Xt4 + 13s Xts + 136 Xt6 + 137 X17 + Et t=
1, 2, ... TY = lucratividad e (razão entre lucro líquido
e
ativo total)X1 = crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB)
Y1. 1 = variável dependente defasada em um período
x3
=porteX4 = receita com exportação (percentual da receita oriunda de exportação)
X5 = funcionários dedicados à exportação (razão entre o número de funcionários
dedicados à exportação e a quantidade total de colaboradores)
X6 = ativos no exterior (variável dummy informando se há ou não ativos da
companhia no exterior)
X7 = nacionalidade do capital (variável dummy para empresas de capital
majoritariamente nacional ou majoritariamente estrangeiro)
38
Tal indicador também é de interesse elevado, uma vez que já houve iniciativas por
parte do BNDES em viabilizar o financiamento à exportação de softwares e serviços
de TI brasileiros que foram descontinuadas devido a baixa procura por esses
instrumentos no mercado (MEDRADO ; RIVERA, 2013) . Um percentual da receita
com exportação permite à empresa sofrer menos com eventuais crises no país. Por
outro lado, sua participação em economias mais maduras e competitivas reduz suas
margens.
b) Funcionários dedicados ao setor de exportação
Com interpretação similar à anterior, esse indicador poderia ser utilizado pelo
BNDES para avaliar a possibilidade de incluir equipe de vendas dedicadas ao
mercado externo como item financiável em projetos futuros .
c) Existência de ativos no exterior
A existência de ativos no exterior reduz a exposição das empresas ao risco Brasil ,
podendo aumentar sua lucratividade. Em contrapartida , dependendo do mercado
escolhido, sua lucratividade pode estar aquém daquela obtida nacionalmente.
d) Nacionalidade do capital
As empresas estudadas foram classificadas como majoritariamente brasileiras ou
majoritariamente estrangeiras de acordo com a sua estrutura societária no momento
da pesquisa. Entende-se que empresas com elevada participação estrangeira
podem ter acesso a outras linhas de crédito e estar sujeitas a exigências de
governança diferenciadas das empresas nacionais.
3.2.6 Modelo Estrutura Corporativa
Estuda-se a relação entre porte da empresa , sua política de aquisições e localização
e sua lucratividade.
Yt = a + 131 Ln Xt, + l32 Yt-1 + l33 Xt3 + 134 Xt4 + 13s Xts + Et t = 1, 2, ... T
Y = lucratividade (razão entre lucro líquido e ativo total)
X1 = crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB)
x3
=porteX4 = aquisições (quantidade de aquisições realizadas pela companhia naquele
exercício)
X5
=
região (variável dummy representando a região Sul ou Sudeste)a) Aquisições
A quantidade de empresas adqu iridas pela beneficiária no exercício pode ser
determinante para sua lucratividade, uma vez que as novas companhias
incorporadas costumam vir de um cenário de lucratividade que as torna ram atrativas
para a aquisição ou a perspectiva de sinergias entre as firmas despertou tal
interesse.
b) Região
Entende-se que a política fiscal adotada por determinados estados ou mesmo a
proximidade com canais de distribuição , universidades ou empresas parceiras
possam ser relevantes para a lucratividade das companhias.
3.2.7 Modelo Segmento de Atuação
Finalmente, buscou-se compreender os efeitos dos diferentes segmentos de
atuação das empresas em seus lucros.
Y t = a + ~ 1 Ln X11 + ~ 2 Y t-1 + ~ 3 Xt3 + ~ 4 X t4 + ~ s X ts + ~ s X ts + ~ 7 X t7 + ~ a X ta + ~ g X t9 +
~ 10 X t10 + Et t
=
1' 2, 0 0 0 TY
=
lu cratividade (razão entre lucro líquido e ativo total) X1 = crescimento das vendas (logaritmo da variação da ROB) Y1_1 = variável dependente defasada em um períodox3
=porteX4 a X10
=
segmento (razão entre a receita obtida com o segmento de data center,hardware, desenvolvimento de software , comercialização de software próprio,
comercialização de software de terceiros , BPO, outros serviços de TI e outros e a
receita total da firma)
40
O setor de software e serviços de TI é bastante diverso, podendo incluir empresas
com características distintas. Sendo assim, o faturamento das companhias
estudadas foi segmentado (percentualmente) em receitas com data center,
hardware , desenvolvimento de software, comercialização de software próprio,
comercialização de software de terceiros, BPO (terceirização de processos de
negócios) , outros serviços de TI e outros, de forma que a soma da participação de
todos os segmentos na receita da firma some 100%.
4 Resultados
4.1 Modelo Base
A primeira regressão retornou o seguinte quadro:
Ta bela 13 - Resultado modelo base
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P
Lucratividade t -1 0,4783
-0,3319 Crescimento ROB 0,0053 0,0040 Base
0,0842
Porte
-Constante (0,0198) 0,3160
Fonte: BNDES (agregação própria).
Foi necessário utilizar a opção robust, que corrige o modelo para a presença de
heterocedasticidade, já que um teste residual realizado no Stata indicou sua
existência . O fato de haver indícios de variâncias distintas entre as observações
viola os pressupostos dos modelos econométricos.
Em todos os modelos espera-se R-quadrados reduzidos , uma vez que as análises
realizadas se limitaram a avaliar indicadores microeconômicos e, espera-se,
variáveis macroeconômicas também teriam contribuição relevante na lucratividade
das companhias.
Isto posto, partiu-se de um modelo base com R-quadrado de 0,3319. Todas as
variáveis explicatórias escolhidas são estatisticamente significativas, com impactos
positivos na lucratividade, de acordo com as expectativas iniciais e resultados de
Empresas de porte reduzido se mostraram beneficiadas frente às maiores . Suas
estruturas enxutas podem faci litar a adaptação ao período adverso analisado. Tal
resultado contraria a teoria exposta por Glancey, em 1998, que defendeu a relação
positiva entre porte e lucratividade dada a expectativa de economias de escala e a
confirmou em seu estudo de pequenas firmas.
4.2 Modelo proposto por Salman e Yazdanfar
Tabela 14-Resultado modelo Salman e Yazdanfar
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P
Lucratividade t-1 0,4372
-Crescimento ROB 0,0041 0,0240
Porte 0,0262 0,3880
ROA 0,1051
-Salman e Yazdanfar 0,3985
Crescimento TFP 0,0028 0, 2130
Idade 0,0003 0,8780
Quantidade de func ionários (0,0064) 0,1800
Constante 0,0288 0,5490
Fonte: BNDES (agregação própria).
Neste caso, observa-se o aumento do R-quad rado em cerca de 20%. A variável de
maior significância , fora daquelas do modelo base, foi o retorno sobre ativo
(impactando a lucratividade positivamente). O tama nho da companhia (medido por
sua quantidade de funcionários) foi o único indicador redutor de lucro, en quanto a
evolução da produtividade e a idade da firma corroboraram com seu desempenho
positivo.
4.3 Modelo BNDES
Tabela 15-Resultado modelo BNDES
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P
Lucratividade t-1 0,4693 -Cres cimento ROB 0,0051 0,0050
Porte 0,0680 0,0150
BNDES 0,3587
(0,1023)
Ano contrato 0,0700
Ano projeto 0,0509 0,3990
Constante 0,0425 0,1490
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Com impacto menor no R-quadrado , os efeitos do relacionamento com o BNDES
mostraram-se negativos inicialmente (no momento da contratação da operação) ,
com recuperação posterior (na implantação do projeto). Tal efeito é, possivelmente,
fruto da auditoria das demonstrações financei ras das empresas e exigências de
reestruturações internas para aumento de governança. Como a amostra analisada é
composta majoritariamente por empresas de porte reduzido, pode-se esperar que
grande pa rte destas não contasse com balanços auditados inicialmente e
demandasse investimentos para cumprir com as exigências de governança .
Ainda que não tenha se mostrado relevante na análise , há indícios que projetos
financiados pelo BNDES corroborem com o crescimento dos lucros das companhias.
4.4 Modelo Segmentação de Equipe
Tabela 16-Resultado modelo estrutura de equipe
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P
Lucratividade t- 1 0,4154
-Crescimento ROB 0,0050 0,0017
Porte 0,0345 0,2260
Equipe 0,3555 Func. Desenvolvimento 0,1000 0,0970
Func. Superior 0,0124 0,7560
Fun c. Pós 0,2336 0,0310
Constante (0,0428) 0,1280
Fonte: BNDES (agregação própria).
Também sem grandes impactos no R-quadrado comparado ao modelo base, ter
equipe dedicada a atividades de P&D e funcionários com pós-graduação
mostraram-se relevantes para as empresas. Estes indicadores e o percentual da equipe com
4.5 Modelo Relaç ões Exteriores
Tabela 17-Resultado modelo relações exteriores
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P Lucratividade t-1 0,4671 -Crescimento ROB 0,0054 0,0050
Porte 0,0887
-Relaçõe s Exteriores 0,3383 Ca pi ta l Brasileiro 0,0488 0,0280 ROB Exportação (0,0845} 0,5020 Func. Exportação (0,0003} 0,0710
Ativos no Exterior 0,0241 0,3600
Consta nte (0,0673) 0,0180
Fonte: BNDES (agregação próp ria).
Os coeficientes negativos observados nos dois indicadores relacionados a
exportação evidenciam uma dificu ldade das empresas em competir no mercado
externo , sendo necessário aceitar menores margens para garantir seu faturamento.
Este resultado não deve ser interpretado como uma inviabilidade de competir no
exterior, logicamente , mas deve ser um ponto de atenção para a elaboração de
políticas futuras. Vale reforçar que o período analisado (2006 a 2011) envolveu uma
grande crise internacional, onde empresas exportadoras podem ter ficado mais
vulneráveis que aquelas atuantes apenas no país .
Verifica-se, também , uma vantagem de empresas com capital majoritariamente
nacional frente empresas de capital estrangeiro . Tal indicador pode ter sido
impactado pela crise internaciona l, fazendo com que os investidores de fora do país
limitassem aumentos dos investimentos no Brasil para reduzir se us riscos ,
diminuindo consequentemente a perspectiva de lucratividade da companhia. Outra
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4.6 Modelo Estrutura Corporativa
Tabela 18 - Resultado modelo estrutura corporativa
Modelo Overall R-sq Variável Coeficiente Teste P
Lucratividade t-1 0,4747 -Cresciment o ROB 0,0058 0,0020
Porte 0,0708 0,0020
Estrutura 0,3410
Região SE (0,0051) 0,8420
Aquisi ções (0,0358)
-Const ante 0,0031 0,9040
Fonte: BNDES (agregação própria) .
A região que abriga a estrutura da sede das empresas mostrou-se pouco re levante
para sua lucratividade. Tal fato pode ser esperado diante da homogeneidade
observada na amostra, que contém apenas companhias localizadas nas regiões Sul
e Sudeste. Além disso, localização pode ter maior impacto quando avaliada no nível
de Estado, ou mesmo município , de forma a representar corretamente o efeito de
políticas fiscais ou mesmo benefícios por proximidade com centros de pesq uisa e
afins. No entanto, devido a quantidade reduzida de observa ções disponíveis, tal
avaliação tornou-se inviável.
Finalmente, aquisições impactam negativamente a lucratividade de empresas no
período em que ocorrem . Possíveis fatores que podem explicar tal resultad o incluem
os elevados custos advocatícios e com consultorias para a realização de due
diligences, além de redundâncias operacionais que surgem ao incorp ora r novas