As cam p an h as ed u cativ as co n tra o cân cer
Cancer education cam paigns
COSTA, Man u ela Castilh o Coim bra; TEIXEIRA, Lu iz An ton io. As cam p an h as ed u cativas con tra o cân cer. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio d e Jan eiro, v.17, su p l.1, ju l. 2010, p .223-241.
Re su m o
Discu te a trajetória d as cam p an h as ed u cativas con tra o cân cer, seu p ap el n a p olítica d e con trole d a d oen ça e su a evolu ção en tre 1920 e 1950. Através d as im agen s p od e-se p erceber a p erm an ên cia d e con ceitos d o cam p o d a can cerologia su rgid os n o in ício d o sécu lo XX. Diagn óstico p recoce e tratam en to m éd ico esp ecializad o form avam o bin ôm io q u e em basava os argu m en tos m éd icos sobre a alta
p ossibilid ad e d e cu ra d a d oen ça. A esses term os som ava-se u m a n oção d e p reven ção q u e p recon izava: evitar as cau sas extern as d e irritação d os tecid os seria a p rin cip al form a d e p roteção. Em bora a estética d essas cam p an h as se ten h a tran sform ad o ao lon go d os an os, bu scan d o atrair o p ú blico e ch am ar su a aten ção p ara os p erigos d a d oen ça, a base d e su a con cep ção p erm an eceu a m esm a.
Palavras-ch ave: cam p an h as ed u cativas; con trole d o cân cer; Serviço Nacion al d e Cân cer; Mario Kroeff; Brasil.
A b st ra ct
The article explores the history of cancer education cam paigns, their role in disease control policies, and the changes they underwent between 1920 and 1950. Through im ages, we see how concepts that arose in the early twentieth century have persisted in the field of cancerology. Medical argum ents about the great likelihood of curing the disease were grounded on two things: early diagnosis and specialized m edical treatm ent. The notion of prevention also figured in, with the m ain form of protection believed to be avoidance of any external cause of tissue irritation. Although the aesthetics of these cam paigns has shifted over tim e, including efforts to attract the public and call their attention to the dangers of the disease, their conceptual basis has rem ained the sam e.
Keywords: education cam paigns; cancer control; National Cancer Service (SNC); Mario Kroeff; Brazil.
Manuela Castilho Coim bra Costa
Historiadora
Rua Ibituruna, 89/ bloco 1/ 703 20271-021 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
Luiz Antonio Teixeira
Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz Av. Brasil, 4036/403
21040-361– Rio de Janeiro – RJ – Brasil
A
s cam p an h as ed u cativas visan d o à p reven ção d o cân cer, tão com u n s em n ossos d ias, con stitu em u m a d as gran d es p reocu p ações d e saú d e p ú blica em d iversas p artes d o m u n d o. No Brasil, a cad a an o são elaborad as cam p an h as con tra o fu m o; d e estím u lo a h ábitos alim en tares sad ios; d e restrição ao ban h o d e m ar em d eterm in ad os h orários; e d e in cen t ivo ao au t oexam e d e m am a e à p rát ica d e exam es gin eco ló gico s p erió d icos p ara m u lh eres com m ais d e 40 an os. Além d isso, a cad a 31 d e m aio (Dia Mu n d ial sem Tabaco), 29 d e agosto (Dia d e Com bate ao Fu m o) e 27 d e n ovem bro (Dia d e Com bate ao Cân cer) são elaborad as in terven ções em lu gares d e gran d e circu lação, com o p raças ou estações d e m etrô das gran des m etróp oles brasileiras. Nessas ocasiões cartazes p rocu ram dem on strar os m ales cau sad os p elo h ábito d e fu m ar, e p rofission ais orien tam sobre h ábitos m ais sau d áveis. Sua in ten ção é m obilizar a sociedade para participar da preven ção e in tervir de form a din â-m ica, suscitan do o question aâ-m en to e, con sequen teâ-m en te, a â-m udan ça de coâ-m portaâ-m en to. Segu in d o as d iret rizes d a O rgan ização Mu n d ial d a Saú d e e d a In t ern at io n al Un io n Again st Cân cer, a elaboração e d ivu lgação d essas cam p an h as são ações cen trais n a p olítica d e con trole d a d oen ça, coord en ad a e em p arte execu tad a p elo In stitu to Nacion al d o Cân cer (In ca), d o Min istério d a Saú d e. A elaboração d essas cam p an h as e d esses p rogram as tem com o base a con cep ção m éd ica d e q u e o con trole d o cân cer rep ou sa sobre d ois p ilares: o estím u lo a h ábitos caracterizad os p ela m ed icin a com o sau d áveis, o q u e se acred ita red u zir, so brem an eira, su a in cid ên cia, e o d iagn ó st ico p reco ce, q u e se baseia n a n o ção d e q u e q u an t o m ais ced o a d o en ça fo r d iagn o st icad a m aio res serão as ch an ces d e êxit o n o tratam en to. Essa form a d e con ceber o con trole d a d oen ça n ão é n ova, p ois, h istoricam en te, a n oção d e p reven ção esteve ligad a d e m od o ín tim o ao cân cer. Desd e o sécu lo XVIII, as açõ es relacio n ad as ao m eio am b ien t e, às co n d içõ es d e t rab alh o e a h áb it o s sau d áveis fo ram co n sid erad as co m p o n en t es d a ú n ica fo rm a d e d im in u ir o risco d e se co n t rair a doen ça. Até m eados do sécu lo XX, a p reven ção teve im p ortân cia eq u ivalen te à da terap êu tica, u m a vez q u e evitar a d oen ça era, n a m aior p arte d os casos, a p ossibilid ad e d e salvam en to.Mario Kroeff e as campanhas contra o câncer
O cân cer é cu rável se fo r t rat ad o a t em p o .
As m an ifest açõ es in iciais são d iscret as e variam co m as m ú lt ip las lo calizaçõ es q u e p o d e t o m ar a d o en ça n o co rp o h u m an o .
Desco n fie d o s p eq u en o s t u m o res cu t ân eo s q u e t en d em a au m en t ar o u q u e se u lceram (n ódu los, sin ais...); das u lcerações persisten tes da lín gu a ou dos lábios; dos en du recim en tos d a m am a, m esm o in d olores; d e tod a p erd a san gu ín ea sem cau sa ap aren te, m orm en te n as m u lh eres n a ép oca d a m en op au sa; d os tran storn os d igestivos p ersisten tes; d as alterações p erm an en t es d a vo z (ro u q u id ão ) et c.
Faça exam es de tem po em tem po, m esm o n a ausên cia de qualquer sin tom a para descoberta d e p ossíveis lesões, n a su a fase in icial.
O Serviço Nacio n al d o Cân cer at en d e p ara exam e a q u alq u er p esso a at acad a d e lesão su sp eita, acon selh an d o a terap êu tica in d icad a (Kroeff, 1947, p .368).
as con cepções de saúde pública am erican as, popularizadas pela Fun dação Rockefeller, passaram a ter n essas atividades u m a altern ativa às autoritárias ações de saúde baseadas prin cipalm en te n a im posição de m edidas obrigatórias a um a população passiva. In icialm en te voltadas para a popularização da preven ção de doen ças evitáveis, pela in corporação de h ábitos sim ples – com o o uso de calçados para evitar a dissem in ação de algum as verm in oses –, a educação em saúde logo se am pliaria em diversos cam pos, dan do origem a profissões práticas e in stituições de saúde específicas. In stitutos de h igien e, en ferm eiras de saúde pública, exam es periódicos, vigilân cia san itária passaram a ser im portan tes in strum en tos de um a saúde pública cada vez m ais voltada para um a postura ativa da população, pron ta a assim ilar os preceitos saudáveis pela edu cação.
Das h istórias in fan tis d e Mon teiro Lobato, valorizan d o as tran sform ações n a vid a d o Jeca a p art ir d a m u d an ça d e seu s h ábit o s, elabo rad as n o in ício d a d écad a d e 1920, às cartilh as d e ed u cação em saú d e criad as p elo Serviço d e Ed u cação em Saú d e d o Min istério d a Ed u cação e Saú d e, n a d écad a d e 1940, o cam p o d a ed u cação em saú d e foi-se am p lian d o e en globan d o n ovas d oen ças, q u e aos p ou cos tam bém p assavam a ser con sid erad as evitáveis. Hoje, ele u ltrap assa em m u ito a n oção d e p reven ção d e d oen ças esp ecíficas ru m o à n oção d e p rom oção d a saú d e, d efin ição q u e abran ge a p op u lação, n os m ais d iversos asp ectos d e su a vid a. Tal tran sform ação, im p u lsion ad a p ela ação d o Estad o e p ela socied ad e civil, p od e red u n d ar n a m elh oria d e su as con d ições d e vid a e saú d e.
Em relação ao cân cer, as p rim eiras ações ed u cativas su rgiram ain d a n a d écad a d e 1920, q u an d o algu n s m éd icos, p reocu p ad os com a am p liação d os ín d ices d a d oen ça, com eçaram a elaborar p eq u en os p an fletos orien tan do sobre a p reven ção e o d iagn óstico p recoce, q u e d istribu íam em seu s co n su ltórios. Nas d u as d écad as segu in t es, essa p rática foi bastan te u tilizada n os p ostos e con su ltórios gin ecológicos, com o objetivo de esclarecer as m u lh eres sobre a n ecessidade de exam es gin ecológicos p eriódicos com o form a de detecção p recoce d o cân cer cervical.
tratam en to esp ecial: em 1929, Kroeff teve su a tese p u blicad a n o Correio da Manhã e, q u ase d ez an os d ep ois, em 1938, a in au gu ração d o Cen tro d e Can cerologia foi n oticiad a n os p rin cip ais jorn ais d a ép oca, assim com o su as ativid ad es e fu tu ros p rojetos. A p au ta ‘cân cer’, n a im p ren sa, aju d ava a reforçar a esp ecialid ad e d a can cerologia, além d a id en tid ad e p rofis-sion al desses m édicos
Em ou tu bro d e 1936, logo ap ós ter fu n d ad o o Cen tro d e Can cerologia d o Rio d e Jan eiro, Kroeff d irigiu -se d iretam en te aos jorn ais com o objetivo d e d eslan ch ar cam p an h a e p rop a-gan d a con tra a d oen ça:
Reu n i o s jo rn alist as, n u m a en t revist a co let iva, p ara p ed ir a co labo ração d a im p ren sa n a cam p an h a co n t ra o cân cer, o ra in iciad a p elo go vern o , co m a criação d o In st it u t o d e Can cerologia, n o Serviço de Assistên cia Hospitalar do Distrito Federal. O papel da im pren sa p o d e ser, n esse sen t id o , d e cap it al im p o rt ân cia ... . Co m o o gran d e p ú b lico n ad a sab e a resp eito d a d oen ça, cu m p re-n os a tarefa d e d ifu n d ir largam en te certas n oções p ráticas d e can cerologia, por m eio de con selh os e pequen as n otícias publicadas em jorn ais, em cartazes su gest ivo s, p regad o s p elo s m u ro s, em fo lh et o s, d ist rib u íd o s a gran el, em co n ferên cias p o p u lares, em p alest ras p elo rád io , et c., et c., p ara assim at rair o s d o en t es a exam e e tratam en to ... . A p rofilaxia d o cân cer fica sen d o assim , em ú ltim a an álise u m a q u estão d e p rop agan d a. A im pren sa poderá desem pen h ar relevan te serviço edu cacion al e san itário, se quiser colaborar con osco, com o Cen tro de Can cerologia, on de se en con tram agora reun idos, os m eios clássicos d e tratam en to p ara a gran d e m assa p op u lar (Kroeff, 1947, p .285).
Em 1941 tran sform ações n o âm bito d o Min istério d a Ed u cação e Saú d e d eterm in aram a criação d e d iversos serviços fed erais relacion ad os a d oen ças esp ecíficas. En tre eles estava o Serviço Nacion al d e Cân cer (SNC), p rim eira estru tu ra d e âm bito n acion al voltad a p ara o con trole desse m al. En tre as atribu ições d o n ovo serviço estavam as p esq u isas relacion adas à doen ça, as ações p reven tivas p ara seu con trole e o tratam en to d os can cerosos. Esse tip o d e at ribu ição n ão era p ecu liarid ad e d o SNC; p elo co n t rário , fazia p art e d a n o ção m ais geral d e saú d e p ú blica d a ép oca, q u e tin h a n a ed u cação san itária im p ortan te cam p o d e ação . No en t an t o , essa p o ssib ilid ad e se aju st ava co m p let am en t e ao p ro jet o q u e vin h a sen do p osto em p rática p or Kroeff.
No an o seguin te à criação do SNC, Mario Kroeff viajou para os Estados Un idos – en tão p aís d e referên cia n a organ ização de serviços e pesquisa sobre o cân cer. Seus prin cipais objetivos eram con h ecer a organ ização in stitu cion al e as técn icas lá u tilizad as con tra a d oen ça e com prar u m a pequ en a qu an tidade de rádio, para dar in ício ao serviço de radiologia a ser m on tado n o In stituto do Cân cer. Nos EUA, Kroeff tom aria con h ecim en to do gran de n úm ero de ações educativas n o cam po da preven ção do cân cer, lá existen tes (Kroeff, 1947).
Em pouco tem po surgiram n ovas in iciativas n o cam po da propagan da educativa. En tre elas d estaca-se a p arceria com a Rád io d o Min istério d a Ed u cação e Saú d e (Rád io MEC), q u e a p artir d e 1942 p assou a irrad iar m en salm en te, d u ran te q u ase u m an o, con ferên cias p rod u zid as p elo SNC p ara os m éd icos d as regiões m ais afastad as d o p aís. Gran d e p arte dessas p alestras focalizava os sin tom as p rin cip ais, relacion ados aos tip os m ais com u n s de cân cer. É tam bém d essa ép oca a p rod u ção d e u m film e sobre o cân cer p elo p róp rio Mario Kroeff e tam bém voltad o p ara a d ivu lgação d os d iversos asp ectos d a d oen ça, visan d o à p rom oção de seu diagn óstico p recoce. A p elícu la seria ap resen tada em sessões esp eciais de algu n s cin em as do Distrito Federal, Bah ia, São Paulo e Rio Gran de do Sul (Carvalh o, 2006). Para ser ju sto com a h istória é im p ortan te afirm ar q u e Kroeff n ão estava sozin h o, n em era p ion eiro n as ações d e ed u cação em saú d e em relação ao cân cer. Mu ito em voga n os Estad os Un id os n os an os 1930, essas in iciativas, n o Brasil, foram fortem en te in cen tivad as p elo can cero lo gist a p au list a An t o n io Pru d en t e q u e, at ravés d a Asso ciação Pau list a d e Com bate ao Cân cer, q u e d irigia, p rom oveu d iversas ativid ad es ed u cativas voltad as p ara o cân cer, q u e tam bém fu n cion avam com o form as d e in cen tivar a arrecad ação d e fu n d os p ara a criação d e u m h osp ital p ara a Associação. Ain d a em 1946, Pru d en te in stitu iu em São Pau lo a Cam p an h a Con tra o Cân cer, visan d o am p liar a p rop agan d a sobre a d oen ça. Nesse m om en to, além d e am p la d istribu ição d e p an fletos exp lican d o a d oen ça e as form as d e p reven ção, foi m on tad a u m a exp osição n o cen tro d a cid ad e d e São Pau lo, q u e obteve gran d e su cesso d e p ú blico (Teixeira, Fon seca, 2007).
Em 1948 veio à lu z a p rim eira Exp osição Ed u cativa d o SNC. A m ostra foi m on tad a em u m a loja alu gad a n o cen tro d a cid ad e d o Rio d e Jan eiro, com recu rsos obtid os ju n to à in iciativa p rivad a. In au gu rad a p elo p resid en te Du tra e, segu n d o Kroeff (1947), vista p or m ais d e d u zen tas m il p essoas, a exp osição con tava com d iversas fotografias d e d oen tes e su as lesões, e tam bém com ilu strações d o artista Joh n Rabon g, q u e visavam in cen tivar as ações d e p reven ção. Em sin ton ia com as con cep ções d e Kroeff, o d iscu rso exp ositivo d a m ostra objetivava o fortalecim en to d e u m a n ova form a d e con ceber a d oen ça, n ão m ais m o st ran d o o cân cer co m o u m est igm a, m as d est acan d o o asp ect o d e ser cu rável e, se d iagn osticad o logo n o in ício, tratável.
Tan to n as exp osições ed u cativas com o n as cam p an h as, veicu lad as em rád ios ou atra-vés d e p an fletos, cartazes e d em ais m ateriais im p ressos, era com u m a u tilização de algum as im agen s e m etáforas específicas. Em relação às im agen s, a m ais corren te era a do caran gu ejo, sím bolo d a d oen ça e sem p re ap resen tad o com o figu ra aterrad ora, p ron ta a d estru ir su as vítim as. Tam bém m u ito freq u en tes eram as im agen s d e ferid as e d eform ações cau sad as p ela d oen ça. Estas eram alvo d e críticas d e d iversos m éd icos, tem erosos d e q u e esse tip o d e im agen s p u d esse favorecer a can cerofobia, afastan d o a p op u lação d os exam es e tratam en tos. No en tan to, Kroeff ju stificava a ap resen tação d esse tip o d e im agen s p ostu lan d o q u e, em vez d e afastar a p op u lação d a m ed icin a, q u an d o ap resen tad as em correta m ed id a, agia n o sen tid o d e alertar a p op u lação sobre d oen ça (Kroeff, 1947).
Outro aspecto in teressan te dessas cam pan h as diz respeito à frequen te represen tação das m ulh eres n os pan fletos e cartazes, em virtude de con stiuírem público fun dam en tal, um a vez q u e a p reven ção ao cân cer cervical, a p artir d a d écad a d e 1940, p assou a ser im p ortan te objeto de postos gin ecológicos relacion ados à saúde pública – as m ulh eres, en tretan to, eram sem p re m ostrad as com o vitim as im p oten tes e aterrorizad as, n ão ap resen tan d o q u alq u er ação n o sen tido de se proteger con tra a doen ça. Essa form a de represen tação em m uito difere da que se observa n os Estados Un idos, on de as cam pan h as con tra o cân cer cervical foram in iciadas por gru pos de m u lh eres politicam en te en gajadas, qu e dem an davam a am pliação d as açõ es d e p reven ção à d o en ça. Nesse p aís, a p ro p agan d a d e p reven ção ao cân cer n orm alm en te represen ta a m ulh er com o cidadã ativa n a busca de seus direitos.
No q u e tan ge às tem áticas exibid as, além d o bin ôm io já ressaltad o, referen te à d escoberta p recoce d a d oen ça, e à n ecessid ad e d e tratam en to esp ecializad o, sobressaem as alu sões aos tip os d e cân ceres e su a gravid ad e, a p reocu p ação com a ação d e ch arlatões, a ap resen tação d os sin tom as m ais característicos d a d oen ça em su a fase in icial, algu m as n oções básicas d a biologia d a d oen ça q u e m ostram su a base celu lar e a n ecessid ad e d e p reven ção fren te a su bstân cias irritan tes q u e estariam relacion ad as ao su rgim en to d a d oen ça.
O últim o aspecto característico dessas cam pan h as que preten dem os ressaltar diz respeito à con cepção do cân cer com o flagelo aterrador que ataca todas as n ações e se apresen ta com o gran de in im igo a ser com batido. Há m ais de um a década, o h istoriador fran cês Patrice Pin ell m ostrou q u e, a p artir do in ício do sécu lo XX, o cân cer se tran sform ou de doen ça rara e descon h ecida em flagelo dos tem pos m odern os, con tra o qual toda a sociedade se deveria m obilizar. Mais tem ido à m edida que m ais con h ecido, ele passava a ser alvo de m ovim en to social que colocou em ação Estados e sociedades n a criação de in stituições cien tíficas e de assistên cia, de legislações específicas e de n ovas form as de organ ização profission al, com o objetivo de con trole do m al (Pin ell, 1992). No caso do Brasil, essa visão do cân cer com o flagelo de gran de proporções é facilm en te observável n as im agen s veiculadas n as cam pan h as. Caran gu ejos q u e d estroem cid ad es e assolam socied ad es in d ep en d en tem en te d o p eríod o tem poral ou do espaço geográfico são o sím bolo desse flagelo a ser com batido.
d a d oen ça. Paralelam en te às exp osições efetu ava-se cam p an h a ed u cativa sobre a d oen ça, d ifu n d id a p ela im p ren sa escrita e rad iofôn ica.
Con clu in d o, ressaltam os q u e en tre a segu n d a m etad e d a d écad a d e 1930 e a d écad a d e 1940, a p rop agan d a ed u cativa con tra o cân cer firm ou -se com o asp ecto cen tral d as ações d e con trole d a d oen ça. Fortem en te im p u lsion ad as p ela ação d e Mario Kroeff e seu s segui-dores, exposições, program as radiofôn icos, film es e produ ção gráfica faziam parte d e u m a est rat égia d e d ivu lgação d o s p receit o s d e p reven ção vigen t es à ép o ca, d est acan d o -se a descoberta p recoce da doen ça e o tratam en to esp ecializad o. Hoje su bstitu ída p or in iciativas com base n a ch am ad a p reven ção p rim ária – segu n d o a q u al os m od os d e vid a sau d áveis estão n a base d a p reven ção –, essas ações foram d e gran d e im p ortân cia n ão só n a d ivu lgação d o p roblem a d o cân cer e d e su a p reven ção, m as tam bém n o p rocesso d e fortalecim en to in stitu cion al d o Serviço Nacion al d o Cân cer e n a m od elagem d o cam p o d a can cerologia.
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Figura 11: Detalhe da Exposição Educativa de 1948. (acervo família Kroeff )