MOTRICIDADE REFLEXA NA MORTE CEREBRAL
W I L S O N L . SANVITO
T a r e f a complexa é definir morte. A morte é u m processo e não um momento determinado como a lei precreve 5 5
. A caracterização do coma irre-versível ou morte cerebral — expressões empregadas como sinônimas, de acordo com a bibliografia consultada — tem constituido preocupação constante dos estudiosos. O problema, além dos aspectos práticos, assume importância porque a legitimação do conceito de morte cerebral ( M C ) envolve considera-ções de ordem filosófica, religiosa, ética, jurídica e médica 2
- 4 > 6
> 7
< 8 .1 1
. 2 4 . 3 6
> H 4 3 , 4 7 , 5 1 , 5 4 , 6 3 , 6 6 , 7 2 , 73_
Diversos critérios têm sido aconselhados para o diagnóstico de M C , que deve ser baseado no julgamento clínico auxiliado sempre por alguns exames complementares, entre os quais o eletrencefalograma avulta como o mais importante. N ã o existe, no estado atual dos conhecimentos médicos, critério único, plenamente satisfatório, para o diagnóstico de M C e nenhum procedi-mento técnico pode substituir o julgaprocedi-mento do médico. N a era da terapia intensiva e do transplante de órgãos a matéria de nosso estudo deixa de ter interesse apenas acadêmico, não podendo permanecer cristalizada nas defi-nições nem nas doutrinas. Dentro desta perspectiva o problema vem sendo equacionado, com revisão de critérios obsoletos e padronização de normas que permitam o diagnóstico precoce da M C . O u t r a vertente do problema, que aumenta a responsabilidade do médico, é representada pelo progresso técnico que colocou a serviço da Medicina u m complexo de aparelhos de rea-nimação e de manutenção de u m estado paradoxal a que chamamos "morte dissociada" (cérebro morto-coração v i v o ) , condição que freqüentemente con-funde e dificulta a decisão do diagnstico de M C . Nestes casos, quando esta-mos autorizados a suspender os recursos de reanimação? O assunto tem des-pertado a atenção não só de um ou outro médico isoladamente, mas de so-ciedades científicas. Deve também ser ressaltado que a manutenção do estado de morte cerebral prolonga o sofrimento dos familiares e gera freqüen-temente um problema de ordem social pela ocupação inútil de u m leito hospitalar.
Segundo W a l k e r7 6
, é axiomático que os direitos do paciente agônico de-v a m ser respeitos até o fim, porém, não é razoáde-vel que recursos extraordiná-rios de ressuscitação sejam utilizados apenas porque uma débil centelha de vida se m a t e m num órgão ou tecido.
C R I T É R I O S P A R A O D I A G N Ó S T I C O D E M O R T E C E R E B R A L
Critérios clínicos — A parada cardio-respiratria, elemento tradicional
para o diagnóstico de morte, não constitui em determinados casos u m
cri-tério adequado diante das aquisições recentes da reanimação.
E m 1959 Mollaret e G o u l o n
5 3enunciaram o conceito de "coma dépassé"
que, além da abolição total da funções da vida de relação, exige também
abo-lição das funções da vida vegetativa. Neste tipo de coma o paciente é
man-tido pelo emprego do respirador artificial e pelo tratamento do colapso
vas-cular (choque), de tal sorte que o referido estado se prolonga enquanto o
coração é capaz de assegurar a vascularização das principais vísceras. Desta
maneira, o paciente em "coma dépassé" pode ser comparado a uma
verda-deira "preparação coração-pulmão". Segundo palavras dos autores citados, tal
tipo de coma representa, ao mesmo tempo, uma conquista e u m aspecto
catas-trófico das modernas técnicas de reanimação. Ulteriormente, novas
publica-ções
3.
5.
2 2.
4 9>
5 2>
7 9vieram confirmar as asserções de Mollaret e Goulon.
E m 1968, u m comitê da "Harvard Medicai S c h o o l "
6 2estabeleceu u m
conceito de coma irreversível com o propósito de emitir u m novo critério de
morte. D e modo sucinto são assim definidas as características clínicas do
coma irreversível: coma profundo com ausência total de respostas aos
estí-mulos externos (dolorosos, sonoros ou luminosos); ausência de respiração
espontânea e de atividade reflexa; pupila geralmente em midríase paralítica;
abolição dos movimentos oculares, espontâneos ou provocados, seja pela
ro-tação da cabeça seja pela irrigação dos ouvidos com á g u a fria; abolição do
piscamento, da deglutição, dos reflexos corneanos e faríngeos; ausência de
atividade postural (rigidez de descerebração ou de decorticação). A o lado
deste quadro clínico é obrigatório que o traçado eletrencefalográfico seja
ise-létrico, sendo salientada a necessidade de registro simultâneo de
eletrocar-diograma. Feito o diagnóstico de coma irreversível o comitê recomenda a
abstenção de todo e qualquer tratamento e a suspensão da respiração
assis-tida. N e s t a última década várias publicações e reuniões internacionais têm
admitido este conceito e recomendado conduta semelhante
6>
7.
1 9.
2 9>
3 0.
3 2.
3 4.
3 5.
4 1 , 6 5 , 6 7 , 69_
Os critérios de morte cerebral atualmente aceitos, com algumas
modifi-cações, são aqueles emitidos por Schwab e al. (1963), Rosoff e Schwab
(1968)
6 5, Comitê da H a r v a r d (1968)
6 2e por Arfei (1970)
3.
A determinação do momento da morte, na maioria dos países, está sob
a responsabilidade legal do médico e assim deve permanecer. Todavia, é
aconselhável que a declaração de M C seja uma decisão tomada em
con-junto com u m ou mais colegas. A própria I g r e j a Católica, através de Pio
X I I (cit. por A d a m s e J é q u i e r
1) , admite que o diagnóstico de morte é da
competência exclusiva do médico, que deve empregar meios ordinários e
extraordinários para restaurar as funções vitais e a consciência do paciente,
Critérios eletrencefalográficos — Os resultados de u m cuidadoso estudo
neurológico longitudinal e o eletrencefalograma devem ser considerados juntos
para decidir o diagnóstico de M C .
O silêncio elétrico * persistente, principalmente quando de instalação
p r o g r e s s i v a
1 8, é dado subsidiário importante no diagnóstico de M C .
Entre-tanto, o traçado iselétrico isoladamente, mesmo que prolongado, não constitui
por si s elemento decisivo para o diagnóstico de morte do c é r e b r o
4 2. O
si-lêncio elétrico de instalação aguda (embolia gasosa, síncope cardíaca) pode
ser reversível
4 0>
4 4>
5 6.
5 9.
6 4, assim como o silêncio elétrico por intoxicação
bar-bitúrica
1 2>
2 5-
2 8>
3 8.
4 0>
4 8'
5 0>
6 7<
6 8. T a m b é m têm sido assinalados traçados
ise-létricos transitórios em alguns casos de encefalites
9e de hipotermias
pro-vocadas
7 1. O cérebro em regime de normotermia resiste a uma anoxia com
duração de 8 a 10 minutos, porém em condições de hipotermia (18-20°C) a
duração da anoxia e, portanto, do silêncio elétrico, pode ser consideravelmente
aumentada (até 30-40 minutos) sendo conseguida a recuperação dentro de
condições experimentais (preparados de cabeça isolada)
4 4. Mesmo no homem
é possível conseguir a recuperação após 20 minutos de anoxia em
hipoter-mia
7 1.
Outra variável do problema é a duração do traçado nulo a partir da
qual o silêncio elétrico é irreversível. A s opiniões a respeito deste
parâ-metro não são concordantes porém, para a Sociedade Americana de
Eletren-c e f a l o g r a f i a
6 8, dois traçados iselétricos (tendo cada registro a duração
mí-nima de 30 minutos), separados por u m intervalo de tempo de 24 horas,
cons-tituem prova suficiente para o diagnstico de M C , desde que inserida no
con-texto clínico e excluindo-se aquelas situações de intoxicação medicamentosa
(barbitúricos, meprobamato) ou de hipotermias. Este critério tem sido
endos-sado pela média de opinião dos eletrencefalografistas.
Antes de firmar o diagnóstico de silêncio elétrico é necessário respeitar
determinadas recomendações técnicas e metodológicas para o registro do
traçado
c.
1 0>
3 7.
4 4>
6 1>
6 5.
6 7' .
7 0. A s condições técnicas são as seguintes: a)
uti-lização de aparelho de registro comportando no mínimo 8 canais; b) a
ampli-ficação deve ser de 10 microvolts por m m e por breve período (5 a 10 s ) ,
devendo o registro ser testado em amplificação m á x i m a ou, pelo menos, em
amplificação na qual o ruído de fundo do aparelho não ultrapasse 1-2 mm
na calibração; c ) utilização de 10 eletrodos, no mínimo, dispostos de m a
-neira homogênea sobre o couro cabeludo; d) escolha de uma constante de
tempo de 0,3 s; e) proscrever a utilização de filtros de alta freqüência. A s
condições metodológicas s ã o : a) utilizar derivações bipolares a distâncias
relativamente curtas (5 a 6 c m ) e a longas distâncias; b) registrar
simul-taneamente o eletrocardiograma e o ritmo respiratório, com a finalidade de
reconhecer os artefatos do traçado; c) praticar estimulações sensoriais e
nociceptivas de intensidade suficiente; d) utilizar, durante a maior parte
do exame, derivações que explorem suficientemente a convexidade cerebral.
A l é m do eletrencefalograma de superfície, alguns a u t o r e s
8 0preconizam,
para o diagnóstico de M C , a implantação de eletrodos de profundidade para
a caracterização de silêncio elétrico cortical e diencefálico.
Critérios angvográficos — A angiografia cerebral, na opinião de alguns
autores
5»
1 4>
1 7>
2 6>
3 1.
3 3>
3 4-
4 5>
6 0>
1 6>
1 1>
7 8, é um exame importante na
confirma-ção do diagnóstico de M C . Nestes casos, a imagem angiográfica costuma
mostrar uma parada do contraste ao nível do forame magno ou do sifão
carotidiano, sem jamais ultrapassar o polígono de Willis. Este evento
tradu-ziria uma parada circulatória total, explicada por anoxia aguda que
determi-naria u m aumento da pressão intracraniana e da resistência cerebrovascular.
O espasmo vascular poderia atuar como u m fator adicional em determinados
casos, como na rotura de aneurisma intracraniano e/ou nos traumatismos
crânio-encefálicos. Entretanto, a parada circulatória absoluta não ocorre na
totalidade dos casos, o que tem levado alguns autores
2>
1 6a duvidar da
legiti-midade deste critério para o diagnóstico de M C .
Goodman e col.
2 3em mais de 500 perfusões cerebrais para angiografia
com radisótopos, efetuados com auxílio da câmara de cintilação, conseguiram
visibilizar as artérias cerebrais e os seios venosos e m todos os casos, com
exceção de três pacientes com suspeita de M C . Esta experiência, segundo
os autores, sugere que uma angiografia realizada com isótopo radioativo
desde que não evidencie presença de circulação cerebral é de grande valor
para a confirmação da impressão clínica de morte do cérebro. P a r a Brock
e c o l .
1 6um fluxo sangüíneo encefálico residual mínimo pode existir sem ser
evidenciado pela angiografia convencional, razão pela qual propõem a medida
da u m "clearance" de gás radioativo inerte (xenon 133), que forneceria
infor-mações mais precisas; a ausência de "clearance isotópico" durante período
excedendo a 30 minutos seria prova da parada circulatória e morte do cérebro.
Outros critérios — A l é m dos critérios precedentemente analisados, outros
têm sido sugeridos numa tentativa de possibilitar um diagnstico precoce e
preciso da M C . A ecoencefalografia pode, segundo Lepetit (cit. por A r f e i
3) ,
fornecer subsídios pelo desaparecimento dos ecos pulsáteis.
Estudos experimentais indicam que, quando o consumo de oxigênio cai
a 10% do normal, o eletrencefalograma torna-se iselétrico. A determinação
do consumo de oxigênio poderá constituir método útil para avaliar o estado
do cérebro, em virtude da simplicidade da técnica que requer apenas amostras
de sangue arterial e venoso. Todavia, poucos estudos de consumo do oxigênio
cerebral, após interrupção da circulação, têm sido r e a l i z a d o s
7 6.
Alguns autores
3»
6>
3 3.
7 5, recomendam o teste da atropina para o
diagnós-tico de M C . Este teste é baseado na administração de 1-5 m g de sulfato de
atropina e desde que não haja evidência de ação do centro cardio-inibidor,
traduzida por aceleração da freqüência cardíaca, significa que aquele centro
está morto.
Outros critérios têm sido preconizados, com resultados incertos ou
duvi-dosos, como é o caso da pesquisa do ácido lático no líquido cefalorraqueano
7 t 5C O M P O R T A M E N T O D O S R E F L E X O S E S P I N H A I S N A M O R T E C E R E B R A L
Desde os trabalhos pioneiros de Mollaret e Goulon (1959 )
5 3,
caracteri-zando o "coma dépassé", até a publicação do relatório do Comitê da H a r v a r d
(1968)
6 2, a arreflexia figurava como item obrigatório do coma irreversível. A
desentronização da arreflexia como elemento inalienável da M C vem
ocor-rendo nestes últimos anos
1-
3.
5>
1 7>
2 6>
3 3.
4 4>
4 9>
7 4>
7 6.
7 7, depois que a Associação
A l e m ã de Cirurgia eliminou, em 1968, a obrigatoriedade de arreflexia no quadro
da M C
1 7. Segundo B r o n i s c h
1 7, baseado em crônicas históricas, é possível a
obtenção dos reflexos patelares e aquileus até 8 minutos após a decapitação
do homem. Este relato vem em apoio daqueles que consideram a arreflexia
como sinal facultativo da M C . Gerstenbach (cit. por Bronisch
l7) verificou,
na M C , abolição dos reflexos profundos com conservação da atividade
idio-muscular. N o s dois casos de M C relatados por Bronisch havia persistência
dos reflexos cutâneo-abdominais.
Gros e col.
2 6, partindo do pressuposto de que na M C pode haver
preser-vação parcial ou global das funções medulares, distinguem duas formas de
reatividade medular. N a forma com liberação medular baixa (dorsolombar)
pode ser verificada, nos membros inferiores, a presença do reflexo
cutâneo-plan-tar bilateralmente, porém não se trata do reflexo normal, sendo a resposta
muito lenta com duração de 1 a 2 segundos após a estimulação; os reflexos
cremastéricos e cutâneo-abdominais podem estar presentes. N e s t a forma
ne-nhuma reatividade ou reflexo é encontrada nos membros superiores. N a s
for-mas com liberação medular total (alta e baixa) pode ser encontrado um
qua-dro semelhante ao precedente, porém aparece, sobretudo, uma reatividade
me-dular alta. Esta última pode ser provocada por estimulação cutânea
enér-gica dos membros superiores ou da parede torácica. Pode-se igualmente
provocar esta reatividade mediante flexão brusca da cabeça sobre o tórax, m a
-nobra que desencadeia uma estimulação medular por estiramento (não se
trata dos reflexos tônicos cervicais de M a g n u s e Kleijn, que poderiam fazer
pensar na intervenção de centros rombencefálicos). A resposta é
caracteri-zada por u m movimento discreto de abdução do braço acompanhado de forte
projeção para frente, enquanto o antebraço assume a postura em extensão
para, logo e m seguida, se colocar em flexão. N o conjunto, o membro
supe-rior estimulado realiza um verdadeiro movimento de abraço, cuja duração
é longa (2 a 3 segundos), voltando lentamente a sua primitiva posição. T a l
tipo de movimento pode ser desencadeado sobre os dois membros superiores
simultaneamente, pela flexão da cabeça.
É possível, também, observar-se na M C uma fase de arreflexia total
se-guida de reaparecimento de determinados reflexos e até de automatismos
me-dulares
3.
5»
2 0.
M A T E R I A L E M É T O D O S
clínicos, liquóricos, angiográficos, neurocirúrgicos e / o u anátomo-patológicos. Todos os pacientes f o r a m submetidos a e x a m e clínico-neurológico de rotina por ocasião d a admissão, porém desde que evidenciada a necessidade do e m p r e g o de técnica de r e a n i -m a ç ã o ( p o r a p n é i a ou p a r a d a c a r d í a c a ) , estes pacientes p a s s a v a -m aos nossos cuidados e m estreita c o l a b o r a ç ã o com a e n f e r m a g e m do Serviço de R e c u p e r a ç ã o .
D u r a n t e a evolução, desde a instalação do coma irreversível até o óbito, o e x a m e clínico v i s a v a f u n d a m e n t a l m e n t e as funções v e g e t a t i v a s e o q u a d r o neurológico. T o dos os pacientes a p r e s e n t a r a m apnéia e p e r m a n e c e r a m com respiração assistida ( m e -diante e m p r e g o do B i r d e / o u do T a k a o k a ) até o óbito; diariamente, e r a verificado se a abolição d a função respiratória persistia pelo desligamento do a p a r e l h o d u r a n t e três minutos. O e x a m e neurológico obedeceu à seguinte sistematização: 1) estado de consciência; 2) estado das pupilas; S) pesquisa d a sensibilidade dolorosa; Jl) r a ç ã o do tono m u s c u l a r ; 5) e x p l o r a ç ã o dos reflexos cefálicos e espinhais; 6) explo-r a ç ã o d a atividade idiomusculaexplo-r. P a explo-r t i c u l a explo-r ênfase foi d a d a à pesquisa d a motexplo-rici- motrici-dade reflexa, adotando-se a sistematização que se discrimina em seguida. Reflexos cefálicos (fotomotor, corneano, o r b i c u l a r das p á l p e b r a s , massetérico, o r o o r b i c u l a r , p a l -momentual e v e s t í b u l o - o c u l a r ) . O reflexo vestibulo-ocular foi e x p l o r a d o mediante a introdução de á g u a fria no conduto a u d i t i v o externo d u r a n t e 40 segundos, mantendo-se a cabeça do paciente a 30°; a estimulação e r a feita bilateralmente, com intervalo de 5 minutos entre u m lado e o outro, tomando-se o cuidado de proceder a u m e x a m e otoscópico antes d a p r o v a . Reflexos espinhais (estilorradiais, cubitopronadores, bici-pitais, tricibici-pitais, patelares, aquileus, cutâneo-abdominais, cremastéricos e cutâneo-plan-t a r e s ) . T a m b é m f o r a m pesquisados, mediancutâneo-plan-te escutâneo-plan-tímulos nocicepcutâneo-plan-tivos, os aucutâneo-plan-tomacutâneo-plan-tis- automatis-mos medulares, com a introdução d a m a n o b r a de f l e x ã o f o r ç a d a e sustentada d a cabeça sobre o t ó r a x a fim de surpreender automatismos nos m e m b r o s superiores. Todos os pacientes f o r a m submetidos a, no mínimo, 4 e x a m e s neurológicos d u r a n t e
C A S U Í S T I C A
cada período de 24 horas. Os pacientes f o r a m submetidos a mais de u m e x a m e ele-trencefalográfico, utilizando-se u m a p a r e l h o K a i s e r de 16 canais e tomando-se o cuidado de respeitar as condições técnicas e metodológicas preconizadas por v á r i a s entidades « \ 6 5
, 6 7 , 7 0
q u e têm estudado a M C .
C A S O 1 — O . C . B . , sexo masculino, branco, com 13 anos de idade, procedente de C a s a B r a n c a ( S P ) , foi admitido em 9-7-69 em coma profundo e apnéia. R e l a t a v a o pai que até 9769 p e l a m a n h ã o menino p a s s a v a bem q u a n d o , após despertar, a p r e -sentou crise convulsiva do tipo g r a n d e m a l e como, após a medicação, não recuperasse a consciência a f a m í l i a decidiu trazêlo p a r a S ã o P a u l o . D u r a n t e a v i a g e m o p a -ciente recuperou a consciência, conversou com a m ã e e portou-se com lucidez, porém pouco tempo depois apresentou cianose intensa e apnéia. Foi-lhe a p l i c a d a respiração artificial e levado a Jundiaí, onde foi feita e n t u b a ç ã o endotraqueal. C o m este q u a d r o foi admitido no Serviço de N e u r o l o g i a às 20 h o r a s do mesmo dia. Exame clínico-neurológico em 10-7-69: coma profundo, ausência de r e a ç ã o aos estímulos do-lorosos, midríase p a r a l í t i c a bilateral, a r r e f l e x i a superficial e p r o f u n d a , hipotonia m u s c u l a r , apnéia, choque e hipotermia. A t i v i d a d e idiomuscular presente. O líquido c e f a l o r r a q u e a n o ( p u n ç ã o suboccipital) mostrou-se f r a n c a m e n t e h e m o r r á g i c o e o ele-t r e n c e f a l o g r a m a revelou silêncio eléele-trico. C o m o diagnósele-tico de r o ele-t u r a de a n e u r i s m a e h e m a t o m a i n t r a c r a n i a n o foi submetido a p e r f u r a ç ã o parietal, que evidenciou e d e m a c e r e b r a l e h e m a t o m a i n t r a p a r e n q u i m a t o s o parietal direito. E m 11-7-69 o e x a m e p e r m a n e c i a inalterado, com exceção d a presença de automatismos nos m e m b r o s infe-riores p e l a aplicação de u m estímulo nociceptivo (esboço de r e t i r a d a dos m e m b r o s em tríplice f l e x ã o ) ; o t r a ç a d o eletrencefalográfico c o n t i n u a v a iselétrico. E m 12-7-69 as condições p e r m a n e c i a m i n a l t e r a d a s e o paciente veio a falecer às 21,30 horas.
C A S O 2 — A . P . S . , sexo feminino, b r a n c a , com 59 anos, a d m i t i d a em 10-7-69 em estado torporoso. N o s antecedentes imediatos, a p u r o u - s e que a paciente f o r a encon-t r a d a às 22,30 h o r a s do mesmo dia, em seu leiencon-to, em esencon-tado semiconscienencon-te. A parencon-tir desse momento não respondia às solicitações, não conseguia se m a n t e r sentada e não mais falou. E m 12-7-69 entrou em coma profundo e apresentou apnéia, ocasião em que foi e n t u b a d a e colocada sob r e s p i r a ç ã o assistida. E m 14-7-69 o e x a m e clí-nico-neurológico e v i d e n c i a v a : coma profundo, ausência de r e a ç ã o aos estímulos dolo-rosos, midríase p a r a l i t i c a bilateral, hipotonia m u s c u l a r , a r r e f l e x i a u n i v e r s a l com exceção dos reflexos cutâneo-abdominais, apnéia, choque e hipotermia. A t i v i d a d e idiomuscular presente. O líquido c e f a l o r r a q u e a n o ( p u n ç ã o suboccipital) e r a hemor-r á g i c o e o e l e t hemor-r e n c e f a l o g hemor-r a m a m o s t hemor-r a v a silêncio eléthemor-rico. V á hemor-r i o s e x a m e s neuhemor-roló- neurológicos realizados nesta d a t a e v i d e n c i a v a m a persistência dos reflexos c u t â n e o a b d o -minais e d a atividade idiomuscular. A paciente faleceu às 5,30 horas de 15-7-69. A necropsia mostrou h e m o r r a g i a c e r e b r a l no território da a r t é r i a cerebral média e s q u e r d a .
C A S O 4 — A . M . M . , sexo masculino, branco, com 60 anos, apresentou na m a n h ã de 12-10-69 q u a d r o c a r a c t e r i z a d o por mal-estar, vômitos, f r a q u e z a nos m e m b r o s do hemicorpo esquerdo, desvio d a boca p a r a a direita e p e r d a d a consciência. A o d a r e n t r a d a no hospital, às 10,00 horas, a p r e s e n t a v a p a r a d a cardiorespiratória r e a d q u i rindo os batimentos cardiacos após m a s s a g e m c a r d í a c a externa, porém, como p e r m a -necesse em a p n é i a foi e n t u b a d o e l i g a d o o a p a r e l h o de B i r d . O e x a m e a l g u m a s h o r a s m a i s tarde e v i d e n c i a v a : coma profundo, midríase p a r a l í t i c a bilateral, ausência de resposta aos estímulos dolorosos, hipotonia g e n e r a l i z a d a , a l é m de falência das f u n -ções v e g e t a t i v a s ( a p n é i a , choque e h i p o t e r m i a ) . D o s reflexos e s t a v a m presentes o bicipital esquerdo, os cubito-pronadores, o tricipital esquerdo, o p a t e l a r direito e os c u t â n e o - a b d o m i n a i s bilateralmente. O líquido c e f a l o r r a q u e a n o ( p u n ç ã o suboccipital) era f r a n c a m e n t e h e m o r r á g i c o e o e l e t r e n c e f a l o g r a m a m o s t r a v a silêncio elétrico. N o s dias subseqüentes os e x a m e s neurológicos e eletrencefalográficos p e r m a n e c e r a m i n a l -terados. E m 15-10-69 verificou-se abolição de todos os reflexos à exceção dos refle-xos cutâneo-abdominais e da atividade idiomuscular. O paciente faleceu às 4,00 h o r a s de 16-10-69.
C A S O 5 — A . O . , sexo masculino, preto, com 41 anos, apresentou em 23-11-69 q u a d r o caracterizado por pontadas n a c a b e ç a e nuca, seguidas de vômitos e p e r d a da consciência. Hospitalizado em 25-11-69 a p r e s e n t a v a c o m a profundo, hipotonia g e n e r a l i z a d a , a r r e f l e x i a p r o f u n d a , presença dos reflexos cutâneo-abdominais no lado direito e do sinal de B a b i n s k i bilateralmente. O líquido c e f a l o r r a q u e a n o ( p u n ç ã o suboccipital) e r a xantocrômico. E m 28-11-69 o paciente entrou em apnéia, porém, o e x a m e neurológico p e r m a n e c i a inalterado. E m 291169 o b s e r v a m o s o r e a p a r e c i -mento de determinados reflexos profundos (bicipital b i l a t e r a l m e n t e e o tricipital direito) e superficiais ( c u t â n e o - p l a n t a r b i l a t e r a l m e n t e e o cremastérico d i r e i t o ) ; os reflexos c u t â n e o - a b d o m i n a i s e r a m bem evidentes bilateralmente. A t i v i d a d e idiomus-c u l a r presente. T r a ç a d o eletrenidiomus-cefalográfiidiomus-co iselétriidiomus-co. E m 2-12-69 e r a m obtidos os seguintes reflexos: cutâneoabdominais bilateralmente, cremastéricos, c u t â n e o p l a n -tares, bicipitais e tricipitais. E m p r e g a n d o - s e a m a n o b r a de r o t a ç ã o da cabeça ou de f l e x ã o f o r ç a d a da cabeça sobre o t ó r a x obtinha-se movimentos de flexão dos antebraços sobre os braços q u e lentamente v o l t a v a m à posição primitiva. T a m b é m pela a p l i c a ç ã o de u m estímulo nociceptivo n u m dos m e m b r o s superiores a p a r e c i a movimento de r e t i r a d a do antebraço, sendo o fenômeno m a i s evidente no m e m b r o superior esquerdo. N o s m e m b r o s inferiores t a m b é m obtinha-se a r e t i r a d a em trí-plice f l e x ã o pela a p l i c a ç ã o de u m estímulo nociceptivo. U m segundo registro ele-trencefalográfico mostrou t r a ç a d o iselétrico. E m 3-12-69 a t é às 17,45 h o r a s o e x a m e neurológico p e r m a n e c i a inalterado, vindo o paciente a falecer às 18,00 horas.
C A S O 6 — M . R . S . , sexo feminino, b r a n c a , com 57 anos, apresentou e m 13-12-69 às 19,00 h o r a s m a l - e s t a r súbito a c o m p a n h a d o de f r a q u e z a no hemicorpo esquerdo. As 21 h o r a s do mesmo d i a entrou em coma e, às 23 horas, apresentou apnéia. A o e x a m e a paciente a p r e s e n t a v a - s e torporosa, com h e m i p l e g i a esquerda e e d e m a de p a p i l a b i l a t e r a l . O líquido c e f a l o r r a q u e a n o e r a h e m o r r á g i c o . E m 15-12-69 o e x a m e e v i d e n c i a v a : coma profundo, ausência de r e a ç ã o aos estímulos dolorosos, midríase p a r a l í t i c a bilateral, hipotonia g e n e r a l i z a d a , apnéia, choque e hipotermia. Dos r e -flexos e s t a v a m presentes os cutâneo-plantares, os aquileus, o patelar, o estilorradial e o cubitopronador esquerdos. A m a n o b r a de f l e x ã o f o r ç a d a d a c a b e ç a sobre o t ó r a x p r o v o c a v a , no m e m b r o superior esquerdo, esboço de f l e x ã o do a n t e b r a ç o sobre o braço. F o r a m feitos dois registros eletrencefalográficos ( e m 15 e 16-12-69) que m o s t r a r a m silêncio elétrico. A paciente faleceu em 16-12-69 a 1 h o r a .
paciente entrou em a p n é i a e choque e, a p a r t i r deste momento, passou a a p r e s e n t a r a r r e f l e x i a universal. O líquido c e f a l o r r a q u e a n o e r a h e m o r r á g i c o . O q u a d r o p e r m a -neceu i n a l t e r a d o até 20-4-70, ocasião que o e x a m e neurológico evidenciou: reflexos patelares, aquileus, estilorradiais, cubitopronadores, bicipitais e tricipitais presentes e hiperativos; cutâneo-abdominais presentes e mais evidentes no l a d o esquerdo. P e l a estimulação nociceptiva obtinha-se esboço de tríplice f l e x ã o em a m b o s os m e m b r o s inferiores. C o m a evolução as pupilas t o r n a r a m - s e puntiformes. Dois eletrencefa-l o g r a m a s , reaeletrencefa-lizados em 17 e 18-4-70, m o s t r a r a m traçados iseeletrencefa-létricos. O e x a m e neu-rológico p e r m a n e c e u inalterado até o óbito, que ocorreu às 22,30 h o r a s de 20-4-70.
C A S O 8 — M . G . R . L . A . , sexo feminino, b r a n c a , com 32 anos, foi a d m i t i d a em 27-5-70 em coma profundo por p r o v á v e l h e m o r r a g i a c e r e b r a l de n a t u r e z a discrásica. Paciente estava, h á 6 meses, e m t r a t a m e n t o de a n e m i a a p l á s t i c a d e t e r m i n a d a por cloranfenicol. N a d a t a de admissão foi s u b m e t i d a à p e r f u r a ç ã o f r o n t a l esquerda, ocasião em que se o b s e r v o u e d e m a c e r e b r a l e h e m o r r a g i a v e n t r i c u l a r . E m 28-5-70 a paciente apresentou apnéia às 15 horas, tendo n a ocasião o e x a m e neurológico m o s t r a d o o seguinte: coma profundo, midríase p a r a l í t i c a bilateral, reflexos p r o f u n -dos presentes e simétricos nos 4 m e m b r o s , reflexos superficiais aboli-dos. E m 29-5-70 o e x a m e prosseguia inalterado e o t r a ç a d o eletrencefalográfico e r a iselétrico. E m 30570 observouse c o m a profundo, ausência de r e a ç ã o aos estímulos dolorosos, m i -dríase p a r a l í t i c a bilateral, hipotonia g e n e r a l i z a d a , apnéia, choque e hipotermia. Dos reflexos e s t a v a m presentes os patelares, a q u i l e u s e os cutâneo-plantares. A flexão f o r ç a d a d a c a b e ç a sobre o t ó r a x p r o v o c a v a a f l e x ã o do a n t e b r a ç o sobre o braço. A a t i v i d a d e idiomuscular e s t a v a presente. U m segundo registro e l e t r e n c e f a l o g r á -fico mostrou t r a ç a d o iselétrico. O óbito ocorreu em 31-5-70 às 11,30 horas.
C O M E N T A R I O S
Os 15 pacientes estudados preenchiam as condições clínicas e
eletrence-falográficas preconizadas para o diagnóstico de M C . Apenas um paciente
(caso 7) não apresentava midríase paralítica na fase terminal.
N a M C pode haver persistência de atividade reflexa espinhal, ou então,
após u m a fase de arreflexia universal pode haver reaparecimento de
determi-nados reflexos e até o desenvolvimento de fenômenos de libertação piramidal
(hiperreflexia, sinais de automatismo m e d u l a r ) . A fenomenologia reflexa da
M C , corolário da atividade medular, pode ser encontrada em um número
ele-vado de pacientes desde que investigada insistentemente durante a evolução
do coma irreversível. E m nossa opinião não cabe mais a exigência de
arre-flexia universal no quadro clínico para se estabelecer o diagnóstico de M C .
Entretanto, a exigência de abolição dos reflexos cefálicos deve permanecer.
E m nossos casos verificamos ausência de todos os reflexos cefálicos. D e
par-ticular importância é a pesquisa do reflexo vestibulo-ocular, que tem se
reve-lado extremamente resistente
5 7>
5 8só desaparecendo nas lesões graves do
tron-co encefálitron-co. N a s intoxicações barbitúricas maciças pode otron-correr arreflexia
vestibulo-ocular t r a n s i t ó r i a
1 3,
5 8, desde que haja recuperação do paciente. Com
exceção desta eventualidade, a verificação de imobilidade absoluta dos globos
oculares (síndrome dos olhos congelados)
1 5.
2 1, após irrigação com á g u a fria,
é altamente sugestiva de coma irreversível. Os 15 pacientes do presente
estu-do mostraram arreflexia vestibulo-ocular, desde que ficou caracterizada a morte
Dos 8 pacientes com persistência de alguma atividade reflexa espinhal, em 2 (casos 1 e 7) ocorreu uma fase transitória de arreflexia universal subse-qüente à instalação do coma irreversível.
Dos reflexos superficiais merecem análise os cutâneo-abdominais, que persistiram em 5 pacientes (casos 2, 3, 4, 5 e 7 ) , sendo que em dois deles os reflexos reapareceram após u m curto período de arreflexia (casos 5 e 7 ) . Deve ser ressaltado que nestes dois últimos pacientes os reflexos e r a m mais evidentes no lado esquerdo. Esta assimetria nos leva a pensar, como B r o -nisch 1 7
, de que se trata de atividade reflexa propriamente dita e não de simples contração muscular obtida mediante irritação mecânica da parede abdominal. Segundo M a g e e4 e
, as vias anatômicas e fisiológicas para os ní-veis superiores de influência dos reflexos cutâneo-abdominais permanecem ainda sem explicação. Entretanto, importantes estudos neste sentido foram reali-zados por K u g e l b e r g e H a g b a r t h2 7
>3 9
que analisaram os reflexos cutâneo-abdominais por meio de técnicas eletromiográficas, concluindo que são refle-xos espinhais polissináptcos com u m a demora central mínima (3,55-5,4 m s ) É provável que existam centros suprasegmentares de facilitação e de inibição dos reflexos cutâneo-abdominais. E m casos de lesão piramidal unilateral fi-cariam abolidos os reflexos cutâneo-abdominais do lado hemiplégico porque atuariam os centros encefálicos de inibição enquanto que estariam sidera-dos os de facilitação. N a M C haveria destruição de ambos os centros e os reflexos cutâneo-abdominais, quando presentes, traduziriam atividade espinhal polissináptica livre de qualquer controle cerebral.
A persistência dos reflexos profundos e mesmo o desenvolvimento de automatismos traduzem atividade medular liberada do controle cerebral. A presença de automatismos nos membros superiores é menos freqüente (casos 5, 6 e 8) e traduz atividade medular alta.
E m todos os pacientes havia persistência da atividade idiomuscular. Finalmente, deve ser ressaltado o tempo de evolução desde a instalação do coma irreversível até o óbito que, em nossos pacientes, nunca ultrapassou o sétimo dia.
R E S U M O
O diagnóstico de m o r t e c e r e b r a l está baseado e m c r i t é r i o s clínicos, e l e ¬
t r e n c e f a l o g r á f i c o s e a n g i o g r á f i c o s . D o p o n t o de v i s t a clínico d e v e ser e v i
-denciado o seguinte q u a d r o : c o m a profundo, m i d r í a s e p a r a l í t i c a bilateral,
ausência de r e a ç ã o a qualquer e s t í m u l o e x t e r n o , apnéia, a r r e f l e x i a superficial
e profunda. D o ponto de v i s t a e l e t r e n c e f a l o g r á f i c o são necessários dois
registros, separados p o r u m i n t e r v a l o de 24 horas, evidenciando traçados ise¬
létricos. N o presente trabalho são estudados 15 pacientes c o m m o r t e c e r e
-b r a l c o m p r o v a d a do ponto de vista clínico e e l e t r e n c e f a l o g r á f i c o . E m 8
pacientes havia persistência de a t i v i d a d e r e f l e x a durante a fase de m o r t e c e
-r e b -r a l ( -r e f l e x o s p-rofundos e / o u s u p e -r f i c i a i s ) . F e n ô m e n o s de a u t o m a t i s m o s
S U M M A R Y
The reflex activity in the brain death
T h e diagnosis o f b r a i n d e a t h is based in clinical, e l e c t r o e n c e p h a l o g r a p h i c
and a n g i o g r a p h i c d a t a . T h e c r i t e r i a f o r diagnosis of brain d e a t h a r e : deep
c o m a w i t h u n r e c e p t i v i t y and unresponsiveness, no m o v e m e n t s o r b r e a t h i n g
( t h e p a t i e n t ' s r e s p i r a t i o n m u s t b e m a i n t a i n e d a r t i f i c i a l l y ) , b i l a t e r a l d i l a t e d
and f i x e d pupils, absence o f c o r n e a l r e f l e x e s , no response to c a l o r i c test,
absence of d e e p tendon r e f l e x e s a n d of t h e superficial a b d o m i n a l and p l a n t a r
r e f l e x e s , i s o e l e c t r i c E E G m a i n t a i n e d f o r t w e n t y - f o u r hours. T h e purpose o f
this study w a s to o b s e r v e the n a t u r a l c l i n i c a l courses of 15 p a t i e n t s w i t h b r a i n
death, s p e c i a l l y the d a t a c o n c e r n i n g the d e e p and s u p e r f i c i a l r e f l e x e s . F r o m
15 p a t i e n t s f u l f i l l i n g the c r i t e r i a of b r a i n death, 8 m a i n t a i n e d spinal r e f l e x e s
up t o the t i m e of c a r d i a c a r r e s t ; in f i v e o f these p a t i e n t s t h e s u p e r f i c i a l
a b d o m i n a l r e f l e x e s w e r e p r e s e n t and the r e f l e x e s o f spinal a u t o m a t i s m could
be e l i c i t e d . T h e s e r e s u l t s s h o w t h a t the absence o f d e e p and s u p e r f i c i a l r e
-f l e x e s c a n ' t be considered as essencial -f o r t h e diagnosis o-f b r a i n death.
R E F E R Ê N C I A S
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60. R e c o m m e n d a t i o n s o f t h e I n t e r n a t i o n a l C o m m i t t e e on H e a r t T r a n s p l a n t a t i o n . D i s . Chest 55:64, 1969.
6 1 . R e c o m m a n d a t i o n s p r o v i s o i r e s de l a C o m m i s s i o n de l a S o c i é t é D ' E E G e t de N e u r o -p h y s i o l o g i e C l i n i q u e de L a n g u e F r a n ç a i s e c h a r g é e d ' é t u d i e r les s i g n e s E E G de la m o r t c é r é b r a l e . R e v . N e u r o l . ( P a r i s ) 121:237, 1969.
6 2 . R e p o r t o f t h e a d h o c C o m m i t t e e o f t h e H a r v a r d M e d i c a l S c h o o l t o e x a m i n e t h e d e f i n i t i o n o f b r a i n d e a t h . A d e f i n i t i o n o f i r r e v e r s i b l e c o m a . J A M A 205: 337, 1968.
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