..
REVISIJ.ANDO
A
OBRÀ-DECELESTIN FREINET- LIMITES E POSSIBILIDADES DE m'4A
..
"'. .
,,"
....PP,oPOSTA DE EJUCI\Çl.O POPULAR NA F;SCPLt\ !)U'BLICA -.\
Anne-Marie Mi Zon OZive-ira'·
.
'\REVISITANDO A OBRA DE CELESTIN freiセet@
- Limites e possibilidades de uma
proposta de educação popular na escola pGblica
-Anne-Marie Miton Oliveira
Dissertação submetida como requisito pa!
cia1 para a obtençi6du g!au de mestre
em Educação
Orientador:
. Gaudênaio Frigotto
- Rio de
Janeiro-Fundação Getulio Vargas
Instituto de Estudos Avançados em Educação
d・セ。イエ。ュ・ョエッ@ de Administração de Sistemas Educacionais
1989
-Aos Alunos da Escola Pública
Brasi-leira e is ウオ。セ@ Professoras, que
・ウエゥケ・イ。ュNーイセウ・ョエ・セ@ durante todo es
te trabalho.
-.
'\AGRADECIHENTÓS
Ao g。オ、セョ」ゥッ@ Frigotto que, mtiito mais do que orien
tador, foi um ゥョ」・セエゥカ。、ッイ@ de todos os instantes
durante este trabalho e, acima de tudo, um grande
amigo.
- aoGjッウセ。イ@ Braga Martha que, COm incansivel ー。」ゥセョM
cia, revisou o texto e a quem devo incontiveis me lhorias na redação.
- A Francine Douillet,. ュゥャセエ。ョエ・@ do movimento Freinet
, .
que, pela 」ッ・イセョ」ゥ。@ de uma vida inteiramente dedi-cada
à
educação popular na própria escola pública,suscitou meu entusiasmo, amizade e profunda admira
çao.
A Rémy Bobichon, Pierre Lespine e Jean-Michel
La-beyrie, pela honestidade e profundidade com que イ・セ@
ponderam às minhas perguntas, esclarecendo
das, desfazendo equívocos e permitindo que
dúvi-este
trabalho se aproximasse um pouco mais do seu ideal: desvelar o verdadeiro rosto-de-célestin
-•
o
S U M Á R I O
Pago
INTRODUÇAO
...
1PRBIEIRO CAPITULO - RAIzES E fundaセQentos@ DA ESCOLA
PUBLICA FRANCESA ••••••••• ". • • •• • • • • • • •• •• • • • • • • • • 14
1. ESTRUTURA econoセョca@ DO. PAIs - SUA FORMAÇAO histoセ@ ""
R I CA ... セ@ • . . • . . . .' . . . . . . . . . . . . . . . . • . 1 5
2. FORMAÇAO SOCIAL FRANCESA •••••••••••••••••••••••• " 19
3. CONSEQUENCIAS NO PLANO DAS IDEIAS: REPUBLICANISMO
E S O C I AL I S セQP@ ... .
4. A POLíTICA E"DUCACIONAL DOS REPUBLICANOS NO PODER.
4 1 -" A "B • a a t Ih L' " a al c a ... " a . • . " "
4.2 - A ッイァセョゥコ。 ̄ッ@ do ensino sob a tutela do Estado
23
38
38
e suas 」ッョウ・アuセョ」ゥ。ウ@ contradit6rias ... 41
"4.3 - Os professores primários enquanto intelectuais
do regime .republicano ... セN@ 54
NOTAS" DO PRIMEIRO CAPITULO ... 67
SEGUNDO CAPrTULO - AO REENCONTRO DA FRANÇA DE celeセ@
TIN FREINET ... . セ@... -... .. ' ... ". . 70
1. CONTEXTO ECONOMICO' ••••••••••••• セNNNNNNNNNNNNNNNN@ 71
1.1 - O contexto econ6mico antes de 1914 ... セ@ 71
1.2 - "Guerra - Crise - Guerra" - a evolução econ6mi.
ca da França de 1914 a 1945
.
. .
.
.
. . .
. .
.
. .
.
. .
.
セ@ 761.3 - A evolução econ6mica da França ap6s 1945 . . . 8 3
2. EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE •••••••••••••••••••••••••••
2.1 - A セッ」ゥ・、。、・@ francesa às vésperas da Primeira
87
Guerra Mundial ... ' ... -o. 87
",
2.2 - A sociedade francesa de 1914 a 1945 ...•. 89
2.3 A sociedade francesa, ap6s 1945
...
100-•
Sセ@ AS FORÇAS POLrTICAS PRESENTES
...
'1063.1 - As forças po1iticas antes da Primeira Guerra
Mundial ... a.. • • • • • • • • • • • • • • 106
3.2 - As forças políticas entre 1914 e 1945 ... 116
3.3 - As iOTças políticas セ@
apos 1945 ... . 136
4. O CORPO DOCENTE, SUAS ORGANIZAÇOES E MOVIMENTOS. 142
4.1
-
O corpo docente4.2 .- O corpo docente
4.3
-
O corpo docenteantes de
de 1914 a
-
1945apos
1914
...
1945
...
...
142
150
173
NOTAS.DO SEGUNDO CAPrTULO ... セ@ 189
TERCEIRO CAPrTULO - RESGATANDO AS RArZES POLfTICAS
DA PROPOSTA 'PEDAGÓGICA DE FREINET ... セNNNNNNNNN@ 195
1. OS LIMITES DE TODA TENTATIVA BIOGRÁFICA... 197
2. O EDUCADOR FREINET: "UMA RICA SrNTESE DE MÚLTIPLAS
RELAÇOES" •.•••...•...••....••.•...•....•. 203
. 2 • 1 - A in fân c i a ... _ ... セ@ . 2 O 3
2.2 A Escola Normal ... 214
2.3 -' A experiência da guerra .•... 235
2.4 - O magistério. A primeira classe e o Bョ。ウ」ゥュ・セ@
to de uma pedagogi.a popular" ... ',' : 242
3. A RELAÇÃO ENTRE TEDRIA E prticaセ@ O ITINERÁRIO IN
TELECTUAL DE FREINET E O SEU PROJETO
POLrTICO-p.E-.
.
DAGO G I CO •••••• *. . . . . . . . . . 24 5
4. O "MATERIALISMO ESCOLAR" ...•... 290
4.1 - As "ferramentas" e "técnicas" da proposta frei.
netiana: seu surgimento e sua integração num'
complexo dinimico ...•.•... セ@ ... .
4.2 - Uma "ferramenta" humana: o movimento Freinet e
290
a cooperativa do ensino laico ... 232
"
S. O "CASO SAINT-PAUL" E SEU SIGNIFICADO NA OBRA DE
FREINET • • • • • • • • • • • • • a . . . - • ., 346
-Pago
6. A EXONERAÇÃO DO ENSINO .POBLICO E A ATUAÇÃO NA
FRENTE POPULAR . . . " . . . 349
7. A GUERRA E A RUPTURA COM A PRÁTICA ESCOLAR ... 353
8. A LIBERTAÇÃO
...
3599. A POLEMICA coセ@ INTELECTUA1S DO PC E A SArDA DO
P ART I DO •...• ' ... = ... '. ... . . ... 361
10. EVOLUÇÃO DO MOVIMENTO FREINET E PERSPECTIVAS
ATUAIS ... ,... 409
NOTAS DO TERCEiRO CAP!TULO ... 413
CONCLUSÃO: UMA S!NTESE PROVISÓRIA ... セNNNNNNNNN@ 427
NOTAS DA CONCLUSÃO 457
,.
BIBLIOGRAFIA ... 4 S9
..
-R E S U M O
Esta dissertação 。セ。ャゥウセ@ a obra que cセャ・ウエゥョ@ Frei
net, professor primirio pfiblito 、セウ・ョカッャカ・オ@ na Fiança
en-tre 1920 e 1966. Esta セ「イ。@ ウセ@ se torna 」ッセーイ・・ョウ■カ・ャ@ em profundidade, se recolocada no contexto ウV」ゥッM・」ッョbュゥ」ッLーセ@
lítico e educacional em que foi gerada: a formação do cap!
talismo ヲイ。ョ」セゥL@ com suas ー・」オャゥ。セゥ、。、・ウ@ e o エセーッ@ de,soci! dade que engendrou; o regime republicano na$cidó 'da Revolu
ção de 1789, que atinge seu auge no final do ウセ」オャッ@ XIX e início do ウセ」オGャッ@ XX, com o advento da Terceira República;
セ@ escola pública, pedra angular deste regime e palco da 「セ@
talha pela definj tiva instauração' do republicanismo no país e, finalmente, o corpo docente, principal, ator desta
bata-.'
lha.Paralelamente
ã
análise da セッョウッャゥ、。 ̄ッ@ do 」。ーゥエセ@lismo ヲイ。ョ」セウL@ e do regime republicano que セL@ então sua ex pressão política, o trabalho analisa os movimentos
socia-ャセウエ。ウ@ surgidos das pr6prias セッョエイ。、ゥ・ウ@ inerentes ao
ti-po de capitalismo ゥューャセョエ。、ッ@ na fイセョ。Z@ sua evolução entre divisões e reunificações rumo a duas ァイ。ョ、セウ@ エ・ョ、セョ」ゥ。ウ@
a reformista e a revolucioniria - e O paulatino ・ョカッャカゥュ・セ@
to de uma parce la cres cente dos professores, nessas duas ten
、セョ」ゥ。ウ@
ã
medida que se desvencilhavam do papel de inte1ectuais do regime republicano que lhe fora atribuído na セーッᆳ ca da promulgação das Leis Fundamentais da Instrução Pfib1i
ca (1882-1886).
-•
cVQセウエゥョ@ Freinet €, ao mesmo tempo, um exemplq de
continuidade e de ruptura dessa evolução. Pertencente,
pe-lo menos at6 meados dos anos 30, i fração revolucion5ria
do sindicalismo docente, ele consegue levar at€ as Gltimas
conseqüências a concretização material de uma proposta
pedagógica -, as teses desta fração quanto i escola ーg「ャセᆳ
ca francesa. Consegue, também, ser o iniciador de um
movi-mento pedagógico que, embora sujeito a avanços e recuos, continua sua obra e ・ョカセャカ・@ atualmente milhares de-
docen-tes na França e no mundo.
Na Gltima parte do trabalho, discute-se, entre ou
tros, a ーッャ↑ュゥセ。@ que op6s fイセゥョ・エL@ no início dos anos 50,
a intelectuais do PCF. Esta セッャ↑ュゥ」。@ pode ter implicaç6es
importantes para o debate atual no campo educacional no
Brasil.
Em conclusão, o trabalho faz sugest6es para uma apropriação autêntica da proposta freinetiana no atual con
texto educacional brasileiro .
-R
セ@S U H
セ@Ce ュセュッゥイ・@ est une 。ョ。ャケセ・@ セ・@ lloeuvre 。」」ッセーャゥ・@
en France entre 1920 et 1966 par cセャ・ウエゥョ@ Freinet,
insti-tuteur publico On ne peut comprendre cette oeuvre en
pro-fondeur sans la replacer dans le contexte ウッ」ゥッMセ」ッョッュゥアオ・@
et politique au sein duquel elle a セエ↑@ produite: le 」。ーゥエセ@
lisrrie français, sa formation et ses particulari エセウ[@ le type
de ウッ」ゥセエセ@ qu'il a ・ョァ・ョ、イセ[@ le イセァゥュ・@ イセーオ「ャゥ」。ゥョ@ qui", ne
de ャ。ᄋrセカッャオエゥッョ@ de 1789, a atteint son 。ーッァセ・@ i la fin du
XIXeme siecle et au 、セ「オエ@ du"XXeme siecle, avec l'avenement
de la Troisieme rセーオ「ャゥアオ・[@ ャBGセ」ッャ・@ publique, enfin, clef
de カッセエ・@ de ce イセァゥュ・@ et エィセゥエイ・@ de la bataille pour llins
tauration 、セヲゥョゥ@ ti ve du イセーオ「ャゥ」。ョゥウュ・@ en France, ainsi que
son corps enseignant, principal acteur de cette bataille.
Tout ・セ@ analysant la consolidation du capitalisme
français et du rêgime イセーオ「ャゥ」。ゥイゥ@ qui en ・セエ@ alors
l'ex-pression politique, l'auteur セエオ、ゥ・@ les mouvementssocialis
tes surgis des 」ッョエイ。、ゥ」エゥッョウMュセュ・ウ@ de セ・@ type de capita-lisme implantê en Frapce, leur êvolution, parmi divisions
ét rêunifications, . vers deux grandes tendances: la: t;endance rêformiste et la tendance イセカッャオエゥッョョ。ゥイ・N@ De nombreux ins
tituteurs s'engagent progressivement au sein de chacune dlelles, au fur et ã mesure qu'ils abandonnent le rôle d'in
tellectuels du rêgime rêpublicain qui leur avait ←エセ@ attri
buê lors de la promulgation des Lois Fondamen tales de lllns
truction Publique (1882-1886).
cVャ」セエゥョ@ Freinet est, tout
a la fois, un symb6lc
d.e continuité et de rupture de cette évolution. Appartcnant,
jusque vers le milieu des annêes 30, i la fraction
révolu-tionnaire du syndicalisme enseignarit, il parvient i porter
jusqu'i ャセオイウ@ 」ッョウセアオ・ョ」・ウ@ ultimes - la concrétisation
ma-térielle d'un projet ーセ、。ァッァゥアオ・@ - les エィセウ・ウ@ de 」・エセ・@
fraction au sujet de l' école publique française. Il est aussi
l'initiateur d'un mouvement pédagogique qui, avec ャ・セ@
pro-ァイセウ@ et reculs que cela peut comporter, continue son oeu\'re
et réunit de nos jOUTS des mill.iers d'enseignants
bien en France qu'i l'étranger.
aussi
La 、・イョゥセイ・@ parti e du travail analyse, entre
au-tres,· la polémique qui a opposé Freinet i un
grouped'in-tellectuels du PCF au début des années 50. Cette ーッャセュゥアオ・@
présente des implications importantes pour les débats
actuellement en cours sur la question de l'éducation au Brésil.
En concluslon, l'auteur offre quelques sugestions
dans le sens d'une appropriation authentique de la pédago-gie Freinet dans l'actuei contexte brésilien.
-introduᅦェセo@
A intenção inicial deste trabalho era explorar a!
guns caminhos concretos pa;a a pratica dos educadores que,
estando profissionalmente inseridos em instituições de
Es-tado, quisessem co?tribuir para a construção de uma socie
dade mais democrática.
Enquanto profissional ・セァ。ェ。、。L@ principalmente,em
atividades de capacitação de professores e supervisores de
educação básica deadul.tos, defrontá;amo-nos com varios アオ・セ@
エゥッョ。ュ・ョエッウZセ@ possível implementar uma educação realmente
a serviço dos interesses populares nas instituições de
Es-tado? Que caracteristicas deveria ter ・ウセ。@ セ、オ」。 ̄ッ_@ Que
procedifuentos concretos e que ーイ£エゥセ。ウ@ pedag6gicas tinham
maiores oportunidades de nos ·levar rumo a este objetivo?
. "- Quais deles eram カゥ£カ・セウ_@ Em suma: -propunhamo-nos
traba-lhar essencialmente ao ョ■カ・セ@ do concreto e da ação, mesmo
que teorizada. Essas inquietações se alimentavam de um
in-tenso e envolvente debate no campo educacional que se esbo
ça no inicio dos anos 60, é truncado pelo golpe de 64 e re
tomado acesamente no finar da década de 70.
Neste confronto de inquietações, um autor em paI"
-ticular, 。エセ@ por razões pessoais que indicaremos adiante,
-*
parecia responder aos nossos anseios e esperavamos apoiar
grande parte da nossa reflexão nos caminhos por ele
explo-rados.
,
...
rio que, entre os anos 20·c ÜO tinha elaborado e posto em
pritica uma proposta pedag6gica que nos parecia ao mesmo
tempo simples e profunda, concreta e impregnada de toda
uma filosofia de vida com a qual. sentíamos muita afinidaJe.
Para além das nossa$ preocupaçoes quotidianas, pa!
tilhivamos, com mui tos educadores bràsileiros,. de ·uma Nセ@
se-rie de セオ・ウエゥッョ。ュ・ョエッウ@ sobre o real sentido da ação
educa-tiva na nossa sociedade:
Em que medida era esta açao o ュッエッセ@ do ᄋ、・ウセョカッャM
vimento social e pessoal (como'afirmavam os "otimistas em
educação")? Ou, ao contririo, um mero mecanismo de
reprodu-."
ção da dominação social (como asseguravam as teses Bイ・ーイセ@
duti vistas")? Ou ainda, como j i apontavam mui tas reflexões
do início da década de 80, um espaço a ser preenchido no
bojo das contradições da ウッ」ゥ・、。、セQ@
Frente a isso, seria ·possível como desejávamos
implementar uma educação a serviço das camadas
popula-res no seio das instituiçõ.es de Estado? Em outras
pala-vras: seria possível implementar ·uma educação ·p.opular na
escola pública ou isso configuraria apenas uma ilusão?
No trabalho, ーイッ」ャセュ£カ。ュッウ@ como pré-requisito da
nossa açao o "respeitar e valorizar a cultura.do aluno,
seu saber". Muitos autores, no entanto, afirmavam que o
objetivo principal devia ser, antes de tudo,
transrnitir-lhe o saber científico. Existiria ali uma contradição? On
de estaria a atitude correta?
. \.
3
tre aqueles que viam, principalmente, na açao educativa um
meio de'''ensinar a 。ーセ・ョ、・イBL@ que enfatizavam, em 」ッョウ・アu↑セ@
cia, os ュセエッ、ッウ@ de ensino, e aqueles para quem educar era,
primordialmente, "transmitir conteúdos sistematizados", que
colocavam em segundo plano' a questão dos procedimentos.
Percebíamos intuitivamente que essas oposições es
tavam, sem dúvida; desempenhando um papel positivo na medi
da em アセ・@ obrigavam a uma reflexão e
i
revisão de concei-tos ji cristalizados, mas que prêcisavam, no entanto, sersuperadas, sob pena de se エイ。ョウヲッイュ。セ・ュ@ em bloqueio, de es
terilizar toda açao.
Qtieríamos セク。ュゥョ。イ@ ᄋエ。ュ「セュ@ estes questionamentos i
luz da obra de Freinet. Intuíamos que, na sua pritica de
educado.r, ele os tinha encontrado e queríamos saber como
ele os tinha - ou nao sUI?erado ..
Sabíamos, no entanto, que toda tentativa de "apli:.
car Freinet" no Brasil, sem, uma reflexão maior sobre o アオセ@
dro no qual se tinha situado sua ação, teria por 」ッョウ・アu↑セ@
eia levar-nos a uma visão acrítica de sua obra e a uma ーイセ@
tica conseqUentemente eivada de ingenuidade. Sentíamos ne
cessidade de procurar as raiões reais e profundas que o ti
nham ゥューオャウゥッョ。、セN@ Para 」ッューイ・・セ、・イ⦅セセ。@ ッ「イセL@ era ーイ・セセセッ⦅@
operar um B、セエッオイBL@ uma passagem pela teoria que nos ajudas
se a observar, por tris do imediatamente observivel (o cor
p.o da "pedagogia Freinet", com suas エセ」ョゥ」。ウ@ e seus instru
mentos); 6 sentido concreto, mais profundo de sua obra.
Foi assim que, sem que abríssemos mão de
nos-so trabalho se alterou, ー。ウウ。セ、ッ@ a assumir uma
·preJominantemente "arqueológica".
4
dimensão
Procuraremos, a seguir, delinear com mais clare
za a nossa proposta definitiva:
.
Através de suas açoes e de seus escritos, Freinet
dialogou com o seu tempo, confrontou-se com a problemática
social e educacional de sua época, enfrentou essa problemá
tica com a consciência que lhe era então possível ·alcançar.
Neste sentido, sua obra foi um avanço considerável e, até
certo ponto, "revolucionário" urna vez que ensejou o
surgi-mento do novo que estava prestes a nascer do velho. A ァイ。セ@
de repercussão que teve não pode ser atribuída somente a
urna genial originalidade. Acreditamos, ao contrário, com
Goldmann, que "os indivíduos excepcionais são aqueles que
exprimem a consciência coletiva melhor e de uma maneira mais
precisa que os セオエイッウ@ membros do grupo". 1 Freinet, sem
dú-vida, foi um desses indivíduos, sabendo expressar de forma
privilegiada os anseios, desejos e projetos dos docentes
da セーッ」。@ frente aos desafios concretos.que a prática educa
tiva lhes propunha.
Entretanto e isto nem sempre é percebido com
clareza セオ。@ obra foi エ。ュ「セュL@ forçosamente, limitada no
tempo e no espaço. Existe, em verdade, uma multiplicidade
de possiveis leituras da obra de Freinet Ce ャ・ゥエオイ。セ@ aqui,
significa, além do estudo dos seus escritos, o acesso ao
todo orgânico prática e teoria - constituido セッイ@ essa
·
"
5
Num primeiro nivel, h5 aquela leitura que chamaria
1110S de 1 i tera 1 (ou, para usa r um termo em moda, de
"funda-mentalista"). Geralmen'te, o pressuposto básico dessa
lei-tura é que tudo, na obra de' Freinet ,deve ser respei taclo ao
pé da letra, exatamente nos termos em que foi formulado.
Qualquer modificação é uma traição. A pedagogia
Freinet-assim definida - passa a ser encarada como universalmente
válida para qualquer época, lugar e セッョエ・クエッ@ social. Basta
aplicar a "receita", que tudo de\[e funcionar como
previs-to. Assume, não raramente, neste caso, as conhecidas fei
çoes de um "pacote"'.
Por trás destà leitura, o que existe é uma visão
a-histórica da pedagogia, que se apresenta, então, comouma
」ゥセョ」ゥ。@ aut6noma, capaz, por si só 、・セ・ウーッョ、・イ@ i ーイッ「ャ・ュセ@
tica ,educacional (ela, também, descontextual{zada e
consi-derada como uma realidade independente).
Esta é, ゥョヲ・ャゥセュ・ョエ・L@ uma leitura bastante comum
entre os admiradores (e críticos) de Freinet. Ora se
pre-conizam.indiscriminadamente suas "técnicas", sem confrontá
las verdadeiramente com as necessidades e os desafios colo
cados pela realidade educatiya concreta na qual se
traba-lha, ora· se condenam essas セ・ウュ。ウ@ técnicas, taxadas de
in-ァセョオ。ウL@ inadequadas ou infecundas por não responderem li
nearmente a uma problemática em muito diferente daquela ーセ@
ra a qual foram formuladas. Ora "salvadora", ora "ilusó
ria", a pe4agogia Freinet é ゥァオ。ャュ・ョエ・セ@ em ambos os casos,
mistificada.
recolo-b
cnr Freinet no seu contexto, extrair o sentido hist6rko de
sua obra sem, contudo, propor-se ainda a ultrapassar os li
mites daquela conjuntura:
A maior parte do ョセウウッ@ trabalho situa-se nesta
perspectiva e gostar!amos, mais uma vez, de recorrer a Lu
cien Goldmann para definir nQssa ゥョエ・ョ ̄ッセ@
."
"Partindo do princípio fundamental do peE.
samento dialetico - isto e,do princípio
segundo o アオ。セ@ o conhecimento dos fatos
empíricos permanece absttato e"
superfi-cial enquanto ele ョセッ@ foi concretizado
por sua ᄋゥョエ・ァイ。セッ@ ao único conjunto que
permite ultrapassar o fenômeno parcial
( •.. ) para, chegar a sua essência
con-creta e, ゥューャゥ」ゥエセュ・ョエ・L@ para chegar a
sua significação ョセッ@ cremos que o peE.
samento e a obra de um autor possam ser compreendidos pur si mesmos se
permane-cermos no Rlano dos escritos e, mesmo,
no plano das leituras e das influências.
o
pensamento e apenas um aspectopar-cial de uma realidade menos abstrata: o
homem vfvo セ@ lnteiro. E este, P9r sua
vez, e apepas um elemento da conjunto
que e o grupo social. Uma ideia, uma
obra sã recebe sua verdadeira ウゥァョゥヲゥ」セ@
çao quando e integrada ao conjunto de
uma vida e de um comportamento. Alem dis
so, acontece freqUentemente que o
com-portamento que permite compreender a
obra nio e do autor e sim de um grupo
social (ao qual o autor pode ou ョセッ@ ー・セ@
tencer) e, sobretudo, quando se trata
.
"
7
Mesmo supondo que algu6m fosse capaz de ler toda
q enorme produção escrita de fイ・ゥョ・エセ@ ainda assim, não
po-deria ter uma compreensao profunda do sentido de sua obra,
"chega r à sua es sênc ia concxeta". c。セ、。@ livro, cada a rt igo
representa a resposta a オュセ@ conjuntura dada e constitui,
também, a síntese teórica (precária) elaborada naquela 」ッセ@
juntura pelo autor, frente aos desafios que lhe eram coloca
dos tanto no plano educacional como no plano econ6mico e
social .. sem o conhecimenro dessa conjuntura e da estru
tura na qual se manifesta - corremos o perigo de dar uma
interpretação completamente ・アオゥカッ」。、セ@ i real intenção do autor. Um exemplo disso é a utilização muito freqUente do
concei to freinetiano de "Educação do Trabalho" en,quanto me
ro recurso didático para tornar o ensino セ。ゥセ@ atraente; o
que constitui uma indubitável deturpação deste conceito.Ou
tro exemplo é a recente instrução do Ministério francês da
.. Educação que recomenda a prática do "texto livre" em todas
as ・ウ」ッャセウL@ retirando-lhe, contudo, a ーイゥョセゥー。ャ@ função que
Freinet lhe atribuía: a de provocador da ação educativa co
mo um todo.
Abstraídas do conjunto em que nasceram, as técni
cas pedagógicas ゥョエイッ、オコゥ、。セGーッイ@ Freinet podem, como bem
o di z ia EI ise. sua. mulher, "j us t ifica
r .
todas .as ideologiªS_,inclusive as mais reacionárias".
No Brasil, isto pode significar, em especial, um
ー・セゥァッZ@ o da pedagogia Freinet ser transplantada - sob for
ma de "pacote" como um mero receituário didático, desem
. '\
8
petuar um certo "colonialismci pedagÓgico", infelizmente não
raro entre nós.
aャセュ@ disso, a parte que se tornou mais conhecida
aqui de sua obra セ@ aquela que foi editada (e エイ。、セコゥ、。I@ em
.
livros. Na grande maioria dos casos, estes livros são os
que escreveu no final da vida. Se, p-or um lado, constituem
uma sintese ゥョ・ウエゥセゥカ・ャ@ da ・クー・イゥセョ」ゥセ@ de toda'uma vida,
por outro lado refletem ーセウゥV・ウ@ impregnadas de um certo
misticismo e de uma セゥウ ̄ッ@ nitidamenti metafisica da educa
çao. A ーッャセュゥ」。@ que opôs Freinet a intelectua-is do seu pa!.
tido, o Partido Comunigta fイ。ョ」セウL@ セ ̄ッ@ deixa de ser revela
dora neste aspecto. Ahalisi-Ia-emos tentando, na- medida
do possível, ultrapassar o tom apaixonado que assumiu アオ。セ@
do surgiu,
4-dos 50.
no inlcio anos
,
A nosso ver, a parte mais crfati va e concreta da
obra" de Freinet situa-se nos anos 20 e 30. Veremos no
ca
-pítulo III em que se fundamenta esta opinião.
Tampouco hi como entender Freinet a partir de sim
pIes relatosbiogrificos, por mais detalhados e ricos que
sejam (O livro de Elise Freinet "Naissance d'une pセ、。ァッァゥ・@
Populaire",3 イ・カ・ャ。セウ・@ exemplar neste sentido) pois, ao
concentrar-se sobre a- "personagem principal", as biografias
tendem, via 4e regra, a colocar num segundo plano todo o
」ッョエ・セエッ@ アオセL@ nas palavras de Goldmann, pode lhe dar sua
",:erdádeirasignificação". Tendem, assim, a favorecer, as
interpretações mitificadoras deste personagem, que aparece
então como "único", "genial", '·insubstituível" (o que,
9
o uso quc sc !'lodc fazcr do·s scus aportc.s.)
fイ」ゥョセエ@ incarna, reflete atrav6s de sua individua
.
.1 idade, üma real idade mu"i セッ@ mais r ica e compl cxa elo que sua
simples ・クゥウエセョ」ゥ。@ pode deixar transparecer. Ele セ@ a
ex-,
pressao de um todo que o オャゥセ。ー。ウウ。@ mas do qual ele セ@
par-te intimamenpar-te imbricada e atuanpar-te.
Definir este "todo", ainda que de forma
provisó-ria e ーイ・」£イゥ。セ@ foi a nossa tentativa.
Mas a nossa pre.ocupaçao nunca foi merame'nte "ar-.
qúeológica". Corno já dissemos; a busca de urna certa ・ク・ァセ@ I
se, do sentidQ mais profundo da obra de Freinet, antes de
tudo, alimentou-se dos desafios atuais e candentes que nos
propunha a atual realidade educacional brasileira. Foi "a
partir do Brasil" que, o tempo todo, quisemos questionar
fイ・ゥョ・エセ@ o'
E isto nos leva ao que chamaríamos de "terceiro ni
yel de leitura" deste autor, o qual supõe,
obrigatoriamen-te, que se tenha passado ーセャッ@ segundo e, ·como etapa empir!
」セL@ pelo primeiro エ。ュ「セュN@
o
terceiro nível de leiturã seria, na nossa opi-nião, aquele que, baseado numa análise 、ゥ。ャセエゥ」。@ da obrasileira, tentaria confrontar セウウ。ウ@ duas realidades para
identificar as questões fundamentais que as unem para a16m
do tempo e d.o espaço. Então, a pa rt i r daí, busca r-se - ia
apropriar a herança de Freinet, reconstruindo-a e
transfor-mando-'-a. num 。オエセョエゥ」ッ@ .'processo de aeu1 turação. Tentaremos
. '\
10
lançar propostas neste sentido na nossa conclusão.
Definido o "caminho metodológico", veremos agora
corno 'elese concretizou' neste trabalho. Do "todo" ã
"par-te", qual foi o' i tinerário seguido?
Num primeiro tempó, tendo em vista que Freinet se
defirie a si ュ・ウュセ@ antes de tudo e muito ・ョヲ。エゥ」。ュ・ョエセ@ como
"simples professor' primário", quisemos conhecer um pouco
melhor o sentido real e profundo desta expressa0 na
socie-dade em que viveu. Isto nos levou a セ・ウアオゥウ。イ@ as raizes da
escola pfiblica ヲイ。ョ」・ウセL@ seu surgimento no final do ウセ」オャッ@
XIX, as intenções que animavam seus. fundadores e, para 。ャセュ@
destas, o sentido que assumiam, historicamente, para
aque-la sociedade, as paaque-lavras "instrução pfiblica", de'sde a fun
dação da Repfiblica, na Revolução de 1789.
Sentimos, paralelamente, a ョセ」・ウウゥ、。、・@ de investi
gar um pouco melhor as feições e contradições desta
socie-dade que.engendrou a escola pfiblica ヲイ。ョ」・ウセ@ e o lugar que
nela era atribuído ao professor primário.
Estas buscas constituíram o essencial do primeiro
capitulo que fizemos terminar no momento em que Freinet nas
ceu, às カセウー・イ。ウ@ do ウセ」オャッ@ XX.
O segundo capitulo foi セセ、ゥ」セ、ᄎ⦅@ ao セーイッヲオョ、。ュ・セAッ@
da 」ッョェオョエオイセ@ em que Freinet desenvolveu sua obra: essenci
almentc a França da primeira metade do ウセ」オャッ@ XX.
Estuda-mos sua evolução econõmica entre dois conflitos mundiais e
urna crise ciconõmica de proporções 。エセ@ セョエ ̄ッ@ ignoradas. S3
.
"
11
do: a Rcvoluç5o Russa. 1\nal ゥウ。ュッウセ@ qI11 conseqUência, as
rc-percussões poiiticas e ideo16gicas daquela evolução
econ6-mica.e destes acontecÍmentos na sociedade francesa e, ー。セ@
ticularmente, no corpo 、ッ」・セエ・@ prim5rio.
o
terceiro capitulo, por sua vez, e dedicado ao estudo contextualizado da obra de"Frelnet. Tentamos, oquanto possivel, ゥ、・ョエゥヲゥ」セイ@ os nexos que ャゥァ。セ@ esta obra
a uma proposta politica, ela mesma iritegrante de todo um
pro j eto "soe ial is ta de s oc fedade .. Es te, projeto era compa rt
i.
lhado por urna fração pequena porém extremamente atuante docorpo docente primirio セ@ Freinet fazia parte dela.
E
es-se projeto que, na ョッウセ。@ opinião, fornece a chave para a
compreensão do sentido ーイッヲオセ、ッ@ de ウオセ@ obra.
A nossa conclusão se estrutura em tres partes. Na
primeira セ@ tentamos identificar os eixos funda-mentais que
permitem entender o personagem Freinet e sua proposta ーセ@
、。ァVァゥ」セN@ Na segunda parte, colocacios o que, a nosso ver,
constitui o eixo central e hist6ricodesta proposta. Na
terceira parte, finalmente, nos propomos levantar direções
para a pesquisa e a experimentação educacionais no Brasil,
,
visando urna genuina apropriação e aculturação da obra de
Freinet ilqui.
Para terminar, gostariamosde registrar aqui o
que representou para n6s este trabalho, o que ele
signifi-cou no plano pessoal .
. Em 1970 viemos para o Brasil.· Viemos, no sentido
estrito da expressão, com "espí-rito de emigrante": para 」セ@
•
1 2
mo-nos completamente. Todo ーセョウ。ュ・ョエッ@ que nos levasse de
セッャエ。@
a
França parecia-nos quase uma traição ao novo paIs.Abs6rvemos com paixão a ョッカセ@ cultura e, イ。ーゥ、。ュ・セ@
te, nos sentimos completamente brasileira. Mas, com Ó ー。セ@
sar dos ailOs, as "traições" foram-se tornando cada vez mais
freqUentes e isto nos 。ョァセウエゥ。カ。@ muito: não se negam
impu-nemente as pr6prias raizes. Xa verdade, 。ュセカ。ュッウ@ ゥァオ。ャュ・セ@
te ッセ@ dois paIses, mas viviamos ainda este fato como uma
divisão, uma contradição.
Realizar esta dissertação significou então para
nos '. além de um ganho intelectual ゥョ・ァセカ・ャL@ a
possibilida-de possibilida-de atingir uma sintese - sintese real - quanto i
nos-sa pr6pria identidade. Foi voltando a nosnos-sa 」オャエオイセ@ de
origem, indo is suas raizes, que nos tornamos mais capazes
de integrar a cultura e as raIzes do nosso paIs de adoção.
Este Bゥョカ・ョエセイゥッBLョッ@ sentido gramsciano da palavra, foi
uma ・クー・イゥセョ」ゥ。@ extremamente grata e ・ョイゥアセ・」・、ッイ。@ sob
to-dos os aspectos. Não nos perdoarIamos esquecer de revelar
NOTAS DA INTRODUÇÃO
1
-
Go1umann, Lucien. Le D1:eu1959, p. 27.
2
-
Idem, p. 16-17.3
-
Freinet, E1ise. NaissanceParis, Maspero, 1981. .
•
o
o'
Caqhé. Paris,
d'une pédagogie
13
Ga11imard,
Popu Zaire.
'.
o
セ@ PRIMEIRO CAPITULO
RAíZES E FUNDAMENTOS
DA セscola@ POBtICA FRANCESA
IS
Enquanto instituição destinada à sociali::ação dos
jndivfduos e à formação de Um consenso social, a escola pQ
blica francesa situa-se, antes de tudo, ao nfvel da ウオー・イ・セ@
trutura.
Acreditamos no enXanto que, para entender suas raf
zes e fundamentos, seja necessário analisar, pelo menos nas
grandes linhas, as caracterfsticas da estrutura econ6mica
que a produz e com a qual interage dialeticamente enquanto
um dos objetos da disputa· que opõe as diferentes
econ6micas presentes na França entre 1920 e 1966.
forças
1. ESTRUTURA ECONOMICA DO p . .\fs - suA, formaᅦNセo@ HIST6RICA
. As estruturas econ6micas francesas da primeira me
ta de do ウセ」オャッ@ XX apresentam.as caracterfsticas de um cap!
. " tal ismo j á plenamente consol idado. - No entanto, para 」ッューイセ@
・ョ、セMャ。ウ@ na sua ッイゥァゥョ。ャゥ、セ、・L@ セ@ preciso ・セエ・ョ、・イ@ suas ba
ses históricas.
Foi a partir do ウセ」オャッ@ XVII que o modo de
produ-çao capitalista se generalizou nos principais países
oci-dentais. No entanto, esta generalização se fez, para cada
um, segundo ri tmose modelos próprios. -A França, em pa.1=-t!
cular, teve .uma evolução bastante distinta da dos demais
países europeus. Certas caracterfsticas, já enraizadas des
de a formação da Nação, deram ao capitalismo ヲイ。ョ」セウ@ ッセゥ・ョ@
tações peculiares cuja ゥョヲャオセョ」ゥ。@ se faz sentir, em alguns
"-16
tes: o centralismo do Estado e a grande import5ncia, naeco
nomia, das pequenas unidades proclutjvas.
o
centralismo 」ウセ。エ。ャ@ começa a se manifestar des de o século X e não pára de crescer e se consolidar à medida que o poder real conseguc/suplantar o feudalismo,
per-fazendo a unificação da Nação por voita do século ,XVI.
'o
seu aca'bamento coincide com a época áurea do absolutismo re
aI, na segunda metade do século XVII e no século XVIII. A
Revolução Francesa, ao reprimir os chamados movimentos
fe-deralistas (originados nas províncias), apesar de estes lhe
serem favoráveis, 」ッョエイゥ「オセオ@ para イ・ヲッイセイ@ a エ・ョ、セョ」ゥ。@ cen
,"
tralizadora, que teve seu auge na época de Napoleão.
O centralismo do Estado teve uma ゥョヲャオセョ」ゥ。@
mar-cante na formação do capitalismo ヲイ。ョ」セウ@ e na sua
consoli-dação no século XIX. O centro econ6mico'do país é a cap!
tal, Paris, para onde 」ッョカ・セァ・ュ@ vias férreas e estradas,
onde se concentra a vida cultural e onde nascem os movimen
tos políticos, revoluções.e greves que se expandem depois
para'oresto do país. O sistema educativo nào,·fogeà
re-gra: altamente centralizado e hie!arquizado, recebe
dire-trizes, até os mínimos dctalhes, da capital.
qセ。ョエッ@
à
ー・イウゥウエセョ」ゥ。L@ na atividade produtiva de, -
-grande número de pequenas empresas, pequenas propriedades
rurais, pequenos estabelecimentos comerciais, trata-se de
um traço antigo. Em 1780, mais da metade do solo ヲイ。ョ」セウ@
já estava em maos de pequenos e médios proprietários. A
Revolução s6 fez acentuar esta エ」ョ、セョ」ゥ。@ ao entregar aos
camponeses e pequenos burgueses das cidades as terras'
J 7
.proprjadas da nobreia e do' clero. Não se deve esquecer,
al6m disso, que at6 a segunda guerra mundial, a França era
um pars de ーッーオャセ ̄ッ@ セイ・、ッュゥョ。ョエ・ュ・ョエ・@ rural. Dar decorre
o peso polItico do campesinato, principalmente com a
ins-tauração, no meio do ウセ」オャッ@
xix,
I 、ッGウオヲイセァゥッ@ universal.No campo da produçãci de manufaturados', com o
de-clInio das antigas corporações medievais, surge toda uma
variedade de artesãos independentes que, trabalhando sozi
nhos ou junto com alguns empregados, formam a base das ーセ@
quenas e ュセ、ゥ。ウ@ empresas cujo nGmero セ@ ・ャ・カセ、イウウゥュッ@ em to
do o paIs.
"
o
mesmo ocorre com o pequeno 」ッュセイ」ゥッ@ varejista que reina incontestavelmente 。エセ@ a segunda metade do secu-lo XX. (Somente por volta dos anos cinqUenta, inspirados
no modelo americano, surgem os ーイゥセ・ゥイッウ@ supermercados. No
entanto, ainda hoje, estes estão longe de suplantar o
pe-queno 」ッュセイ」ゥッ@ em muitas grandes cidades, princípalmente Pa
ri s) .
e
claro que o ゥューッイエセョエ・@ papel desempephado, no crescimento do capitalismo ヲイ。ョ」セウ@ pelas pequenas e ュセ、ゥ。ウ@unidades produtivas não significa que não houve desenvolvi
mento da ァイセュ、・@ indGstria, do grande comércio .e 。エセL@ numa
certa medida, da agricultura extensiva na França.
o
secu -lo XIX e, mais precisamente,o
Segundo iューセイゥッ@ (1852-1870)セ@ a セーッ」。@ do surgimento das principais indGstrias
metalGr-gicas e エセクエ・ゥウL@ apoiadas nas descobertas cientIficas e na
mecanização dos processos de produção; dás grandes obras
de infra-estrutura; da exploração intensiva dos ュゥョセセゥッウ@
18
. (em particular o carvão). Não 115 dGvidas de que, a partir
.
セN@dal, começa a se dar uma real concentração do capital. Mas
estefen6meno, comum i todos os principais pafses ・オイッー・オセ@
ocorre na França bem mais ゥ。イ、ゥ。セ・ョエ・@ e, ウッ「イ・エオセッL@ com me
nor intensidade. A pequena empresa continua, 。エセ@ a ウ・ァオセ@
、セ@ guerra mundial, a dominar' setores inteiros 'da indGstiia e do 」ッュセイ」ゥセ@ sobretudo o varejista.
A aliança do centralismo estatal e da pequena uni
dade produtiva, muito forte na セーッ」。@ em que Celestin Freinet
セゥカ・オL@ deu ao capitalismo , ヲイ。ョセセウ@ feições que lhe são
mui-to próprias: forte presença do セウエ。、ッ@ na economia e, a nao
ser na セーッ」。@ do Segundo iューセイゥッ@ ou recentemente (a partir
dos anos 60), pouco incentivo
ã
concentração de capital. OEstado, desempenha as funções de regulador das forças
eco-n6micas, ュ。ョエセョ、ッ@ as condições ョ・セ・ウウゥイゥ。ウ@ ao jogo livre
da concorrênc'ia entre iguais. A pequena burguesia, adepta,
na sua maioria, das teses do liberalismo primitivo, pede
ao Estado. que a proteja das monopólios, garantindo-he um
mercado cativo: o território ョセ」ゥッョ。ャ@ e as 」ッQVセゥ。セZ@ Esta
セ@ também a razão pela qual os sucessivos governos, inclusi
ve os republicanos, tenderam a implementar polfticas ーイッエセ@
19
2. forセエ[|c_|o@ セ@ SOe: IAL F1U\NCl:SA
Quando tentamos analisar, em suas grandes lirihas,
as razões hist6ricas que levaram a economia francesa a as
sumir com- t'anta força esta configuração, consta tamos um fa
to importante: セ@ que a consolidação do capitalismo na fイ。セ@
ça deu-se paralelamente セ@ luta pela instauração definitiva
da República.
Esta foi proclamada, em 1792, durante a Revolução
que levou a burguesia a suplantar a aristocracia na direção
política do país.
No entanto', se a Revolução de 1789 fo i,
incontes-tavelmente, uma revolução burguesa, não se pode considerar
a burguesia'como uma classe homogênea セ@ por isso. cabe
in-dagar que sentido as várias frações desta classe
atribui-ram ao processo\
à
medida que travavam contra a nobreza eo clero e, エ。ュ「セュL@ contra o emetgente ーイッャセエ。イゥ。、ッL@ lutas
que culminaram, ao final do ウセ」オャッ@ XIX, com a plena
conso-lidação do capitalismo e, também, com a instauração'defini
tiva do regime イ・ーオ「セゥ」。ョッN@
Antes da Revolução, o papel da alta burguesia na
economia se 1 imi tava" essenc ialmente, セウ@ finanças e ao ァイ。セ@
de com6rcio (principalmente com6rcio exterior). Algumas
poucas famílias detinham manufaturas, mas estas 、・ウG・ュー・ョィセ@
vam um papel secundário no campo da produção de bens, o
qual pertencia, na sua quase totalidade, セ@ pequena, 「オイァオセ@
5ia e aos artesãos. Já a grande propriedade rural estava
"
20
Quando cxplodiu a RC\"oluç<io, o çonjunto da hllrgllc I'" -_ 6ia e do povo das cidades - principalmente Paris - se
uniu, num primeiro momento, numa frente única a favor. da
abolição dos privilégios. セi。ウL@ rapidamente, as
divetgên-cias come.çéHam a aparecer. Boa parte da aI ta burguesia era
a favor da manutenção de uma monarquia "constitucional" ッセ@
de o rei teria· poderes ャゥュゥエ。、ッセ@ mas permaneceria o chefe
supremo da Nação. Seria uma liberalização do ウゥウエ・ュセ@
vi-gente, mas nao sua abolição.
Outra parte da grande· burguesia queria a
supres-sao da monarquia e a instauração de um regime republicano,
mas se recusava a ver o povo dele participar. Em outras
palavras, o que desejava era um governti elitista, do qual
s6· poderia tomar parte quem fosse possuidor de alguma
for-tuna. Na Assembléia, formavam o grupo dos "Girondins", co
nhecido por sua aversão as massas e por sua hostilidade a
Paris, cidade operiria, considerada o ・ーゥセ・ョエイッ@ da
agita-çao popular.
No outro extremo do espectro político, os Bセャッョエ。r@
nards" constitu{am, na ウウ・ュ「ャ←セ。L@ um grupo político ヲッイュセ@
do, na sua maioria pela pequena burguesia. Herdeiros dos
Fil6sofos das Luzes, tinham convicções republicanas revolu
cionirias e plena 」ッョウ」ゥセョ」ゥ。@ de que, sem aliança com o ーセ@
vo, a Revolução estava fadada ao fracasso
Cc
nesta セ@epoca
que nasce uma tradição de aliança entre pequena burguesia
e ヲイ。セ・ウ@ urbarias do povo que, embora 」ッョエイ。、ゥエVイゥセ@ c, por
isso, ウオェ・ゥエセ@ a avanços, recuos e revezes, vai constituir
21
de cVャ・ウエゥョfセ・ゥョ・エIN@
A partir de 1792, o povo parisiense força a , uma
radicalização da Revolução. Os Montagnards se tornam a for
ça hegem6nica e, em 1793, tonseguem, pelo que se poderia
"
chamar de "revolução n:'l revolução", eliminar completamente
os Girondins da cena ーッャイエゥ」セN@ Começa o segundo ... "
. perloao
da r・カッゥオ ̄ッセ@ o mais radical na aplicaçãb dos princípios
republicanos. Foi nesta fase, que ficou conhecida sob o
apelido de "o Terror", que se deu a maioria das .execuçoes
na guilhotina de opositores ao. regime, priricipalmente mem
,
bros do clero e da nobreza. Muitos Girondins foram tamb6m
"
eliminados na ocaSlao.
A セゥエVイゥ。@ do regime republicano parecia
definiti-va. Mas a alta burguesia continuava a deter a arma
finan-ceira. . AI ij ada do' poder, ela espe'rava o momento da revan
che.
Este momento chegou com a ascensao de Napoleão que,
embora um.Montagnard na ッイセァ・ュL@ passou a.governar, quando
proclamou o iューセイゥッL@ apoiado ョセュ@ pacto ーッーオャゥウセ。@ que tinha
como bases a alta 「オイセオ・ウゥ。@ e frações .• principalmente
ru-rais, do povo.
At6 1870, com um breve intervalo para a Segunda
Repablica.em 1848, as diversas frações (fundiiria,
f·inan-ceira, comercial e ゥョ、オウエセゥ。ャI@ da alta burguesia, cada uma
por sua vez, fizeram aliança com os sucessivos detentores
monarquistas ou imperiais do trono, visando a implementar
seu projeto de dominação política e econ6mica. s6 tardia
mente a grande burguesia se engajou na corrente
..
•
o
.'
ョ。セ@ Ela a combateu at6 onde foi possivel.
Diante de todos estes acontecimentos, podemos con
cluir que, entre os mais ゥューッイエ。ョエセウ@ ator.es da Revolução de
1789, estiveram a pequena e a média burguesia em aliança com
o operaria·do urbano. São estas frações que, junto com os
camponeses, formavam o ァイッセウッ@ do que, no antigo イ・ァゥュセL@ se
costumava chamar de "Tiers-Etat".l Nutridas com a
filoso-fia iluminista, a pequena e a média burguesia ヲッイ。セ@ as ver
dadeiras idealizadoras do pensamento revolucionirio セZ@ t・ーセ@
blicano. Eliminadas do poder politico durante 80 ano's, de 1795 a 1875, elas reassumemo.governo em 1879, quando se
exaure defini tivameI1te o modelo ュッョセイアオゥ」ッLG@ devido 'ãderro ta do" Império em Sedati (1870) c is ヲイ。」セウウ。、。ウ@ tentativas
dos legitimistas e orleanistas de se reestabelecera reale
za, através inclUsive de um golpe de Estado.2 Ao eliminar
os monarquistas i direita, a pequena e a média burguesia
tiveram também o cuidado de イ・」qャッ」セイ@ numa.posição
subal-terna seu antigo aliado, o proletariado, consentindo. no ウ。セ@
grento epis6dio da Comuna de Paris, promovido pelas forças
".
conservadoras. Asseguravam, assim, de forma 、オイ。、オイセ@ sua
suprem.acia .
•
o
3. CONSEQUG0JC IAS NO PL\:':O DAS I DL 1.\S: REPUBL I C\:J I SMO
ESO-CIALISMO
Em 1879, a RepGblica セ@ 、セヲゥョゥエゥカ。ュ・ョエ・@ instaurada
na fイ。ョ。セ@ .tendo, pois, como sua principal base polItica a
pequena e a ュセ、ゥ。@ burguesia (comerciantes, 。イエ・ウ ̄ッウLー・アオセ@
nos e ュセ、ゥッウ@ empresirios ou proprietirios rurais, ーイッヲゥウウゥセ@
nais liberais e funcionirios pGblicos).
A pequena burguesia se diz, ヲイ・アu・ョエ・ュ・ョエ・セ。ョエゥM
capitalista. Na verdade, longe de se opor a proprledade
privada que ela considera como garantia da liberdade dos
indivIduos, セL@ ·como j i foi visto anteriormente, apenas ーイセ@
fundamente avessa i formação de monop6lios. Por ゥウセッLーイ・A@
siona o Estado para que naciOIlalise os setores-chave da
economia e os bancos. Desempenha, neste sentido, um papel
·conservadorna evolução do capitalismo francês, freando o
desenvolvimento'da grande indGstria· e a co?centração do ca
pita!".
Pela sua filosofia política, os republicanos se
separam,i 、ゥイ・ゥエセ、ッウ@ liberais セL@ i esquerda, dos sociali!
tas. Os primeirds, predominantes na alta burguesja,
valo-rizam, 。ョエ・セ@ de mais nada, a manutenção integral da ordem
social. Quanto aos segundos, são portadores de um novo ーイセ@
jeto de sociedade, o qual implica numa mudança revolucioni
ria das relações sociais. Os republicanos rejeitam essa
ゥ、セゥ。@ pois, na·6tica dos seus interesses, que ・ャアセ@
...
·nam-se ョ・」・ウウセイゥッウ@ para que sejam concretizados os ideais
de 1789.
Assim se foi セオ「、ゥカゥ、ゥョ、ッ@ a ィ・イ。ョセ@ da grande
Re-volução. Naquela data, 「uャセァオ・ウゥ¢N@ , e povo podiam • .linda 。ーセ@
recer como uma única cJasse. 1 Os 。ョエ。ァッョゥセュッウ@ que viriam a
ウセー。イゥMャッウ@ s6 foram surgindo'no. decorrer do ウセ」オャイゥ@ XIX, セ@
medida que a burguesia se áfirmava como única detentora dos
meios de produção, relegando o proletariado à mera condi-ção de vendedor de sua força de trabalho. À antiga . divisão.
da sociedade em "três estados'" (nobreza, clero e tiers-état) t
sucede todo オセ@ espectro político novo que se cristaliza
ap6s a instauração da República e permanece intacto duran
te quase todo o período em que Freinet desenvolve sua obra:
à direita, uma minoria de monarquistas e de liberais; no
centro, os republicanos, cuja ala セウアオ・イ、。@ forma, a partir
do final do ウセ」オャッ@ XIX, o partido. radical: à esquerda, os
. socialistas, dos quais se separam, em 1920, os comunistas,
que vão constituir a extrema esquerda do movimento ッー・イセ@
-··---rio.
Mas, "esquerda", "cen:tro", "direita" sao
expres-...
soes que, embora correntemente usadas,. podem levar a serlOS
equívocos セセ@ interpretação. Como em todas as sociedades
de classes, existem fundamentalmente duas forças na socie
dade francesa da época. Evidentemente, cada uma tem suas
nuanças, suas fraç6es, mais ou menos radicais. As duas ーセ@
dem iambém, como fizeram freqUentemente no período, ーイッュセ@
ver alianças conjunturais que as unem para além dos
2S
as separa na ・ウウセョ」ゥ。N@
A primeira destas forças, dominante desde a Revo
lução, セᄋ。@ 」ャ。ウウセ@ 「オイセオ・セ。@ cuja fração republicana se tO!
na hegemônica após a derrota de Sedan. A segunda surge do
próprio triunfo da 「オイァオ・ウゥセ@ I セオ←L@ ao constituir-se como classe 'dominante, constitui エ。ュ「セュ@ オセ。@ 」ャセウウセ@ セッュゥー。、。Z@ . a
massa dos proletários onde os 'movimentosanárco-socialistas
vao encontrar um terreno favorável de expansão.
Todavia, pelas próprias características do 」。ーゥエセ@
lismo francês onde predominam, na セーッ」。Nᄋ@ pequenas ・ューイセ@ I
sas nas quais os patrões ainda têm muita proximidade com
.'
seus empregados - , esta divisão fundamental nem sempre e
-percebida com clareza. Os governos podem, com relativa facilidade promover alianças conciliatórias (o melhor
exem-pIo delas foi a chamada "Union s。」イセ・B@ ("União Sagrada")
que congregou. todo o país em torno do governo, derrubando todas as oposições políticas, quandó este declarou guerra
i Alemanha em agosto de 1914. Ela representou uma revira-·--volta extraordinária dos ー。イエゥ、ッセ@ de esquerda セオ・L@ 。エセ@ a
vespera, em oposição frontal com o governo militarista e nacionalista do republicano pッゥョ」。イセL@ eram ferrenhamente in
ternacionalistas e pacifistas).
Nestas cónêlições, embora fundamentalmenteõpõstos nos seus interesses e postulados iniciais quanto a organi-zação econômica e política' do país. republicanos e socia-listas têm muitos valores em comum e se influenciam
mutua-mente.
Isto explica a facilidade com que se formou a ali
26
. ança イ。、ゥ」。ャMウッ」ゥ。ャゥウエセ@ qúe constitui a base de boa parte
dos' governos 、セ@ primeira metade do s6culo
xx.
Ela セ@ aex-pressão セッャイエゥ」セ@ de セュ。Gウ_」ゥ・、。、・@ onde os antagonismos fun
damentais nao sao claramente percebidos por urna parcela si&
nificativa da população.
Para entendermos melhor esta aliança'e corno ela
foi possível, achamos importante destacar, com maior prec!
são, as grande? linhas doutrinárias dessas duas forças. f
necessário, em especial, buscar entender com maior clareza
o que as separa e o que as une· para podermos compreender ュセ@
lhor a influência que urna exerceu sobre a outra e que
am-"
bas exerceram sobre o corpo docente francês. Freinet, em
bora tenha evoluído para um caminho próprio e original nes
te sentido, não deixou de ser, エ。ュ「セュL@ expressão das ideo
logias e movimentos que ー・イュ・。カ。ュセ。ウ@ ッイァセョゥコ。V・ウ@ de
pro-fessores primários da sua セーGッセ。N@ Entender os fundamentos
filosóficos 、セウエ。ウ@ duas correntes Hセ@ republicana e a ウッ」ゥセ@
lista) セ@ essencial para compreendermos, na sua 」ッューャ・クゥ、セ@
,,- - de, a formação do pensamento deste autor enquanto -,membro
de uma classe ウッ」ゥ。ャBエイ。「。ャセ。セッイ@ inserido numa determina
da categoria profissional, militante de movimentos polít!
cos e de movimentos da socfedade civil.
- . -
-Os governantes republicanos que assumem o poder
em 1879 nao têm, propriamente, uma teoria política, pelo
menos consignada corno tal, em obras escritas. Suas fontes
teóricas ヲッセュ。ュL@ na realidade, um leque bastante amplo e
・」ャセエゥ」ッN@ A isto se açrescenta um empiFismo pr5tico do
"
27
política, desta teoria アャャセ@ fundamenta os extraordinários
avanços científicos da época.
No entanto, podemos dizer que, à herança da Revo-lução francesa, duas correntes filos6ficas se 。」イ・ウ」・セエ。ュ@
para ・ク・イセセイ@ uma ゥョヲャオセョセゥ。@ preponderante na formação do pensamento político dos fundadores da Terceira República.
. .
São elas o positivismo de Augusto Comte e a moral kantiana.
Do positivismo, eles adotam a famosa visão dos
エイセウ@ "estados" (teol6gico, metafísico e científico). Neウーセ@
ram levar a sociedade francesa a ingressar no estado cien
tÍfico ou positivo e a libertar-se de toda e qualquer
in-ヲャオセョ」ゥ。@ religiosa.. Aqui está a fonte de sua decidida 0E
ção pela laicização da sociedade.
Positivista, também, é a visão que eles エセュ@ desta
mesma sociedade: um corpo vivo e hierarquizado, onde cada
membro tem uma função a desempenhar. A visão ィゥ・イ。イアオゥコセ@
da é .temperada, como veremos adiante, ー・ャセ@ preceito
(revo-lucionário) de igualdade: ele reza que todos os cidadãos
エセュ@ o mesmo valor perante a sociedade,. qualquer que seja
sua ocupação ou イゥアオセコ。@ セ@ por isso, todos devem beneficiar
se dos mesmos direitos. Hセ。@ prática, por motivos· 6bvios, tal preceito
é
mais セッイュ。ャ@ que real).-A influência do kantismo é mais sutil e menos evi
denciada habitualmente nos estudos. Foi carreada por um grupo de intelectuais calvinistas que participaram.dos prl
meiros governos republicanos, principalmente na ârea de 」、セ@
caça0. O principal deles foi Fernand Buisson, um
"
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fundador da rede de Escolas Normais.
Do kantismo, os republicanos adotaram a ゥ、セゥ。@ da
・クゥウエセョ」ゥ。@ 、セ@ uma moral natural, eイ・セ・ョエ・@ em todos os
ho-mens, fundada nas ・クゥァセョ」ゥ。ウ@ da 」ッョウ」ゥセョ」ゥ。@ livre e
inde-pendente ae' toda ゥョヲャオセョ」ゥ。@ religiosa. Tal visão vai ser
amplamente difundida pelas Escolas Normais e vai formar a
base da "moral laica" que analisaremos posteriormente.
Assim, ao racionalismo "científico" positivista
aliava-se, nos fundamentos filos6ficos da doutrina republ!
cana, a preocupação em definir uma moral liberta da fé que
se ?creditava ser a base de uma sociedade "moderna". Perfa
zia-se, desse modo,' uma ideologia coerente e um senso
co-mum, já que, ao encontrar consenso na sociedade de então
(o que se pode compreender melhor a partir da perspectiva
elaborada posteriormente por Gramsci), constituíam as
ba-ses éticas da 」セョウッャゥ、。 ̄ッ@ do capitalismo liberal como sis
tema econômico.
Esta doutrina vai encontrar um meio ー。イエゥ」オャ。イュ・セ@
te favorável de desenvolvimento na maçonaria, sociedade ウセ@
creta, "irmandade" (e. anti-Igrejà, segundo muitos), cujos
métodos de trabalho se fundam no livre exame caro aos fil6
sofos do século XVI I I, e na rej e ição de toda verdade revela
da.
A maioria dos grandes chefes republicanos ー・イエ・セ@
ceu i maçonaria e a ela tamb6m aderiu uma parte
considerá-vel dos セイッヲ・ウウッイ・ウ@ primários da época que encontravam
ne-la o calor humano e o ambiente intelectual de que necessi
. '\
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Tais セイ。ュ@ as bases filosóficas da açao política
.
dos jovens イ・ーオ「ャゥ」。ョッセN@ A ela se aliava, como dissemos
anteriormente, um empirismo que não deve ser confundido com
pragmatismo ou relativismo. Pelo 」ッョセイゥイゥッL@ toda sua açao
no governo teve como objetivo a efetiva aplicação dos prig
cípios doutrinirios que ji tinham definido e dos quais nug
ca abriram mão, meimo que os limites セ。@ pritica política
os tenham levado freqUentemente a avanços e recuos.
Em que consistiam esses princípios? Basicamente,
eles giravam em torno de エイセウ@ grandes, orientações: republi
canismo, ャ。ゥ」ゥセュッ@ e nacionalismo.
Qual era, na essência, o conteúdo do que se
con-vencionou chamar de republicanismo na França do final do
século XI.X e primeira metade do século .. XX? :E importante ・セ@
」ャ。イ・」セMャッL@ pois, em outras épocas (por exemplo na Roma an
.. tiga) ou em outras formaç6es ウ」ゥッMーセャ■エゥ」。ウL@ (por exemplo
nos Estados Unidos ou no Brasil), esta palavra p6de tomar
sentidos bastante diferentes.
Em 1879, na Frànça, além da rejeição i ordem so-cial monirquica, que ji foi mencionada, o
abrigava outros significados. O primeiro,
republicanismo
inspirado em
Jean-Jacques Rousseau,_ via na n。⦅セッ@ a. ç9.munidade .. dos cida
dãos e no sutrigio universal a fonte de todos os poderes.
A visão de democracia dos republicanos tem um dos seus
pi-la.1'cs no voto consciente do cj dadão. Disto decorre a grag
de ゥューッイエセイゥ」ゥ。@ atribuída セ@ escola como meio de levar os ci
dadãos a se tornarem capazes de votar racionalmente.