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Fenilcetonúria: estudo clínico e mediante biópsia cerebral.

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Academic year: 2017

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FENILCETONÚRIA.

E S T U D O C L Í N I C O E M E D I A N T E B I Ó P S I A C E R E B R A L

A R O N J . D I A M E N T * ;

A N T O N I O B . L E F È V R E * *

A fenilcotonúria, t a m b é m chamada oligofrenia fenilpirúvica, pertence ao grupo de distúrbios conhecido c o m o "erros inatos do m e t a b o l i s m o " , sendo incluída entre as enzimopatias, isto é, moléstias cm que se reconhece a falta de um enzima identificado. D e s c r i t a e m 1934 por A . F õ l l i n g , somente em 1947 é que Jervis demonstrou que a doença o c o r r e em v i r t u d e da difi-culdade de h i d r o x i l a r a fenilalanina ( F A L ) em tirosina. E m 1953, o m e s m o autor demonstrou que a enzima e m questão, a fenilaninahidroxilase do f í -gado, é inativa nos pacientes fenilcetonúricos.

Julgamos i m p o r t a n t e o assunto, pois até 1964, enquanto não pesquisá-v a m o s com m a i o r interesse, não assinalamos caso a l g u m . Depois que c o m e ç a m o s a pesquisa, de dois anos a esta parte, a moléstia foi verificada em 6 pacientes, objeto deste estudo. Já estamos estudando mais um caso. N ã o temos dados estatísticos quanto à incidência da moléstia e m nosso meio, porém, além dos 7 casos que observamos, F . N ó b r e g a , que t a m b é m se dedica à pesquisa, dessa moléstia, já colecionou 14 casos 1 1

em 3 anos. A incidência no resto do mundo é v a r i á v e l , seja em r e l a ç ã o à população em geral, seja em relação à população nosocomial. A s melhores estatísti-cas, feitas na I n g l a t e r r a e Suécia, se r e f e r e m à incidência de 3,5 a 6 casos por 100.000 habitantes ;

.

A fenilcetonúria ( F N C ) é moléstia transmitida recessivamente por um gen autossômico A

- 4

. Os h e t e r o z i g o t o s são normais e não e x c r e t a m o ácido fenilpirúvico Pode-se, porém, reconhecê-los por um teste de sobrecarga com F A L . M ã e s com F N C t i v e r a m filhos oligofrênicos, p o r é m não fenil-cetonúricos, sugerindo que a F A L ou seus m e t a b ó l i t o s seriam capazes de lesar o c é r e b r o do feto a t r a v é s da p l a c e n t a1 1

.

(2)

O defeito fundamental na F N C está na falta de hidroxilação da

fenila-lanina ( F A L ) em tirosina por ausencia da enzima que catalisa esta reação

no fígado

]

.

3

-

7

.

1 3

.

1 4

<

1 ?

.

2 2

. Esta enzima — a fenilalanina-hidroxilase —

con-tém duas frações: a fração I (lábil), existente no fígado, é que falta

gené-ticamente na F N C ; a fração I I (estável), largamente distribuida pelos

te-cidos do organismo, está presente na F N C . Para que a reação de

hidro-xilação se processe há necessidade de um co-fator não proteico, a

tetra-hidropteridina, além da presença da

nicotinamida-adenina-dinucleótide-fos-fato reduzido ( N A D P H + H + ) , que mantém o co-nicotinamida-adenina-dinucleótide-fos-fator ativo

l

<

l r

. Não

ha-vendo esta hidroxilação, a F A L se acumula, e segue vias metabólicas

aces-sórias, produzindo metabólitos que atingem níveis altos no sangue e se

cretam pela urina. O que mais nos interessa é o ácido fenilpirúvico,

ex-cretado em altos níveis com positividade dos testes qualitativos. Além dele

há produtos de sua transformação, como o ácido fenilático, o ácido

fenila-cético e o ácido o-hidroxifenilafenila-cético, além de outro metabólito, a

fenileti-lamina

1 ?

, que se excreta sob a forma de ácido p-hidroxifenilacético. O

ácido fenilacético reage com a glutamina e é excretado na urina, dando o

cheiro característico dos pacientes fenilcetonúricos (cheiro de "gaiola de

rato", ou de "urina de rato" ou de "biotério"

, 3

) . A inibição parcial da

ti-rosinase, enzima que metaboliza a tirosina pelo excesso de F A L no meio

circulante, explica a côr clara da pele, dos olhos e dos fâneros dos doentes,

pois a produção de melanina diminui

3

. Nesta enzimopatia há transtornos

secundários no metabolismo do triptofano, havendo excreção, na urina, de

ácido i n d o l a c é t i c o

3

-

1 4

. Os ácidos fenilpirúvico, fenilático e fenilacético

inibem a enzima 5-hidroxitriptofano-decarboxilase, que faz a decarboxilação

do 5-hidrotriptofano ( 5 - H T P ) em 5-hidroxitriptamina ( 5 - H T A ) ou

seroto-nina

J

-

3

.

Baseadas nas alterações bioquímicas conhecidas até agora na FNC, as

hipóteses aventadas para explicar o déficit mental são: 1) inibição do

transporte de aminoácidos livres no cérebro pela F A L

1 2

; 2) inibição da

for-mação de serotonina pela F A L e/ou seus metabólitos na fase de

decarbo-xilação do 5-HTP para 5 - H T A

5

.

1 5

.

1 6

; 3) inibição da decarboxilação do

ácido glutâmico para ácido gama-aminobutírico e seus derivados, deficiência

esta também comprovada na F N C

1 2

-

1 H

.

O paciente que vai apresentar fenilcetonúria é normal ao nascimento,

pois o fígado materno protege o feto. A F A L aumenta nas primeiras

se-manas com a alimentação láctea, porém o ácido fenilpirúvico pode não

aparecer na urina até a 5* semana de vida extra-uterina. Daí a inutilidade

do "teste das fraldas" realizado nos berçários. O quadro clínico da F N C ,

quando instalado, apresenta apenas retardo psicomotor global, sem sinais

focais ao exame neurológico

3

.

1 3

.

1 4

>

1 T

. Inicialmente pode haver vômitos

cons-tantes e rebeldes, irritabilidade acentuada, com choro persistente; 90% dos

pacientes têm pele clara e delicada, sujeita a eczemas e outras dermatites,

cabelos louros ou claros e olhos azues ou v e r d e s

3 1 3 1 4 1 7

. Porém, não há

necessidade destes sinais físicos para se suspeitar de F N C , pois, em nosso

meio já existem 4 casos descritos em negros, além de 8 referidos na

lite-ratura mundial

8

-

1 3

(3)

psicomotor estabelecido, costumam apresentar movimento de báscula do

corpo e cabeça quando sentados, dificilmente visto com tal freqüência em

outras encefalopatías infantis. A urina dos pacientes tem cheiro

caracte-rístico, de "gaiola ou urina de rato" ou, de "biotério", ou como dizem os

argentinos "olor mohoso"

7

; tal cheiro impregna uma enfermaria onde esteja

internado um paciente com F N C . Nos casos avançados pode haver sinais

extrapiramidais. O QD é variável, a moléstia já tendo sido assinalada em

pacientes com inteligência normal

1

>

3

.

O déficit psicomotor é mais acentuado nos primeiros anos, decaindo

com o aumento da idade cronológica. Convulsões ocorrem em 25 9r dos

casos e mais nos 2 a 3 primeiros anos de vida, sendo dificilmente

contro-ladas pelos anticonvulsivantes. Alterações eletrencefalográficas são

descri-tas em 95% dos casos

1 3

>

2 2

, sem características específicas, podendo

apare-cer ondas sharp, espícula-ondas, hipsarritmia, ou simplesmente atividade

elé-trica de baixa voltagem.

Poucos são os casos de F N C nos quais tenha sido feito exame

necros-cópico

3

>

4

, tendo sido verificadas redução da substância branca e gliose

fi-brosa associada com alguma proliferação astrocítica, podendo haver

desmie-linização lenta e gradual em áreas focais. C r o m e

4

chama a atenção para

o fato de que os pacientes fenilcetonúricos mais velhos apresentarem

alte-rações patológicas indistinguíveis das encontradas na moléstia de Schilder

(leucodistrofia sudanófila não inflamatória). Pouco se sabe sobre a

pato-logia daqueles casos de F N C com Q I mais elevado ou dos tratados com

dieta, porém, técnicas histoquímicas aplicadas em cérebros histológicamente

normais, revelaram diminuição dos teores de cerebrosídios e de colesterol,

o que fala a favor de falhas na mielinização

4

. Atrofias corticais,

verifica-das mediante pneumencefalografias, foram referiverifica-das

1 3

.

O diagnóstico deve ser suspeitado em toda criança com retardo

psico-motor global precoce, sem sinais focais, mormente se a pele, os cabelos e

os olhos forem claros. O teste inicial mais fácil de se fazer é com o

per-cloreto férrico a 10%, em tubo ou nas fraldas, e que só se positiva quando

o nível de F A L no sangue ultrapassa 15 mg% (normal: 1 a 3 m g % )

2

>

2 0

.

O "teste das fraldas" não deve ser feito em berçários, pois nas primeiras

5 semanas o nível de F A L é baixo e, sim, em todas as clínicas de

Pueri-cultura ou nos Serviços especializados, a partir do primeiro mês de vida.

O teste dá à urina uma côr verde-oliva em 1 a 2 minutos e que dura até

15 minutos, desaparecendo a seguir. Atualmente se faz o teste em larga

escala com o Phenistix

1

, material embebido com o reagente. Outro teste

qualitativo é com a 2-4-dinitrofenilidrazina

£ 0

(4)

tran-saminação e excreção de F A L , explicando porque o teste pode ser negativo,

mesmo em indivíduos afetados

1 7

. A comprovação deverá ser feita pela

dosagem de F A L no sangue pelos seguintes métodos: indiretos (de

Uden-friend e Cooper, dosando indiretamente a feniletilamina, empregando o

Strep-tococcus faecalis e de Guthrie, verificando a inibição do crescimento do

Bacillus subtilis); diretos (de Berry, mediante cromatografia em papel com

falhas devido ao processo de eluição de manchas, mediante cromatografia

de alta voltagem e pelo método enzimático de La Du e Michael

1 0

, que parece

ser o mais rápido e simples). O diagnóstico de certeza pode ser feito

do-sando na urina o ácido fenilpirúvico (método de Penrose e Quastel, citado

per David e col.

6

) ou por aminoacidúria e cromatografia mono ou

bidimen-sional.

C A S U Í S T I C A

C A S O 1 — V . L . S . , 4 a n o s de i d a d e , f e m i n i n o , c ô r b r a n c a , i n t e r n a d a e m 9-10-1G64 ( R . G . 725.117). A o s 4 meses d e i d a d e os pais n o t a r a m q u e a c r i a n ç a e r a m u i t o n e r v o s a , "se b a t i a " m u i t o e n ã o r e c o n h e c i a os f a m i l i a r e s . A p a c i e n t e sus-t e n sus-t o u a c a b e ç a c o m um. a n o de i d a d e , s e n sus-t o u c o m 2 a n o s e 6 meses, a n d o u c o m 3 anos e 8 meses. N ã o f a l a . D e s d e j u n h o de 1964 c o m e ç o u a r e c o n h e c e r pai e m ã e e p r e s t a a t e n ç ã o a e s t í m u l o s a u d i t i v o s . P a r t o n o r m a l , a t e r m o . C h o r o u l o g o a o n a s c e r . Os pais n e g a m i c t e r í c i a n e o n a t a l . A o s 8 m e s e s de i d a d e a p r e s e n t o u q u a d r o d e r m a t o l ó g i c o r o t u l a d o c o m o e c z e m a . Os pais s ã o p r i m o s e m s e g u n d o g r a u . O pai p a r e c e d é b i l m e n t a l . M ã e e s t á e m t r a t a m e n t o h o s p i t a l a r , c o m t u b e r c u l o s e p u l m o n a r . O pai t e m c a b e l o s escuros, assim c o m o o u t r o s m e m b r o s da f a m í l i a , e x c e t o u m a i r m ã d o p a c i e n t e q u e é r e t a r d a d a e t e m c a b e l o s c a s t a n h o - c l a r o s e o l h o s a z u e s ( c a s o 2 ) . U m i r m ã o é n o r m a l . A a v ó p e l o l a d o m a t e r n o é l o u r a . U m a p r i m a p e l o l a d o p a t e r n o é l o u r a e d e m o r o u a f a l a r . O i t o p r i m o s p e l o l a d o p a t e r n o f a l e c e r a m , u m d e e n c e f a l i t e ( s i c ) . D u a s t i a s p e l o l a d o m a t e r n o e s t ã o in-t e r n a d a s e m n o s o c ô m i o p s i q u i á in-t r i c o ( q u a d r o 2 ) . Exame físico — P a c i e n in-t e de p e l e c l a r a , c l h o s c l a r o s e c a b e l o s c a s t a n h o s . F í g a d o a u m d e d o d o r e b o r d o costal e i n d o l o r . Exame neurológico — P e r í m e t r o c r a n i a n o de 49 c m . N í t i d o r e t a r d o psí-q u i c o . P a c i e n t e h i p e r a t i v a , c o l o c a n d o t u d o na b o c a . N ã o f a l a , n e m esboça pal a v r a s ; t e m g o r g e i o . P r e e n s ã o e m p i n ç a . M a r c h a c o m b a r e de s u s t e n t a ç ã o a pal a r g a d a , s e m d e s e q u i l í b r i o s . H i p o r r e f l e x i a p r o f u n d a s i m é t r i c a nos m e m b r o s i n f e r i o -res;! nos m e m b r o s s u p e r i o r e s os r e f l e x o s s ã o d i f í c e i s de o b t e r . R e s t a n t e s r e f l e x o s p r o f u n d o s e s u p e r f i c i a i s n o r m a i s . F u n d o s o c u l a r e s n o r m a i s . Exames

complemen-tares — Reações sorológicas para sífilis n e g a t i v a s . Exame de liqüido cefalorra-queano (LUR), em punção suboccipital, n o r m a l . Eletroforese das proteínas do LCR

n o r m a l . Eletroforese das proteínas séricas n o r m a l . Radiografias do crânio n o r m a i s .

Pneumencefalograma n o r m a l . Eletrencefalograma n o r m a l . Biopsia cerebral * (do lobo frontal direito) n o r m a l . Pesquisa de ácido fenilpirúvico na urina p o s i t i v a . Dosagens da fenilalanina ( c r o m a t o g r a f i a de a l t a v o l t a g e m * * ) n o s o r o : 28,7 m g % ;

no L C R 29 m g % ; na u r i n a = 73 m g % . Diagnóstico de desenvolvimento de

Ge-sell: v i d e q u a d r o 4.

* A g r a d e c e m o s a f e i t u r a dos e x a m e s h i s t o p a t o l ó g i c o s a o D r . L . C. M a t t o s i n h o F r a n ç a ( C h e f e da S e c ç ã o d e A n a t o m i a P a t o l ó g i c a d o H o s p i t a l do S e r v i d o r P ú -b l i c o do E s t a d o d e S ã o P a u l o ) .

(5)

C A S O 2 — S.A.S., 2 a n o s d e i d a d e , s e x o f e m i n i n o , c ô r b r a n c a , i n t e r n a d a e m 30111964 ( R . G . 725.089). A o s 4 m e s e s de i d a d e os pais n o t a r a m q u e n ã o b r i n -c a v a , n ã o o u v i a e n ã o e n t e n d i a o q u e se l h e f a l a v a ; n u n -c a m a n t e v e a -c a b e ç a ; n u n c a b a l b u c i o u . N a s c i d a de p a r t o n o r m a l , a t e r m o . N e g a c i a n o s e p e r i n a t a l e i c t e r í c i a n e o n a t a l . N e g a c o n v u l s õ e s . P a i s b r a n c o s , p r i m o s e m s e g u n d o g r a u , os r e s t a n t e s a n t e c e d e n t e s f a m i l i a r e s sendo i d ê n t i c o s a o c a s o 1 ( g r á f i c o 1 ) . Exame

físico — P a c i e n t e c l a r a , o l h o s a z u e s e c a b e l o s c a s t a n h o - c l a r o s . H é r n i a u m b i l i c a l . Exame neurológico — P e r í m e t r o c r a n i a n o de 46 c m . D e s p r o p o r ç ã o c r â n i o - f a c i a l ,

c o m p r e d o m í n i o d a f a c e . C o n t a c t u a p e l a v i s ã o e a u d i ç ã o . F a l a e m í m i c a a u s e n tes. S e g u e os e s t í m u l o s l u m i n o s o s , às v e z e s . C h o r o i n a r t i c u l a d o . A t i t u d e o b r i g a -t ó r i a e m d e c ú b i -t o d o r s a l c o m pés e m c a d á v e r ; q u a n d o c o n -t r a r i a d a f i c a e m d e c ú b i -t o l a t e r a l , c o m p l e t a m e n t e f l e t i d a ( a t i t u d e f e t a l ) . N ã o se m a n t é m s e n t a d a , d e pé, n e m c o m a p o i o . N ã o s u s t e n t a a c a b e ç a . M o v i m e n t a ç ã o v o l u n t á r i a escassa, m o v i m e n -t a n d o os m e m b r o s c o m p o u c a f r e q ü ê n c i a . E s -t i m u l a d a f o r -t e m e n -t e ( c o m b e l i s c õ e s o u a l f i n e t a d a s ) r e t i r a o m e m b r o e x c i t a d o a p ó s l o n g o p e r í o d o d e l a t ê n c i a . À s p r o v a s d e r e c h a ç o , q u e d a d o m e m b r o i n f e r i o r d i r e i t o e m f l e x ã o - a b d u ç ã o e m a i s r a p i d a m e n t e q u e o m e m b r o o p o s t o , q u e g e r a l m e n t e t e m q u e d a a t i v a ou é susten-t a d o . F o r ç a m u s c u l a r d i m i n u í d a n o m e m b r o i n f e r i o r d i r e i susten-t o . C o o r d e n a ç ã o n o r m a l . H i p o t o n i a g e n e r a l i z a d a e s i m é t r i c a . N ã o c o n t r o l a e s f i n c t e r e s . P a l a v r a a u s e n t e . T o d o s os r e f l e x o s p r o f u n d o s , dos m e m b r o s s u p e r i o r e s e i n f e r i o r e s , p r e s e n t e s e si-m é t r i c o s . S u c ç ã o e v o r a c i d a d e p r e s e n t e s . P r e e n s ã o d o t i p o t r a n s i t ó r i o , nas si-m ã o s . M o r o , M a g n u s K l e i j n e m a r c h a r e f l e x a a u s e n t e s . S e g u e e s t i m u l o l u m i n o s o , v ê o b -j e t o s c o l o c a d o s p e r t o d e seu r o s t o . C o m u m s o m f o r t e se assusta e t e m u m " a b a l o " , c o m m o v i m e n t o s de e x t e n s ã o e a b d u ç ã o dos m e m b r o s s u p e r i o r e s . E s t r a -b i s m o -b i l a t e r a l c o n v e r g e n t e . A -b a l o s o c u l a r e s e m s u r t o s q u a n d o f i x a u m o -b j e t o e, às v e z e s , e s p o n t a n e a m e n t e . R e f l e x o s p u p i l a r e s à luz n o r m a i s . F u n d o s o i u l a r e s n o r m a i s . Exames complementares — Reações sorológicas para sífilis n e g a t i v a s .

Raios X de crânio n o r m a l . LCR e m p u n ç ã o s u b o c c i p i t a l n o r m a l . Eletroforese das proteínas do soro c o m d i s c r e t o a u m e n t o d a g l o b u l i n a a l f a - 2 . Eletrcncefalograma

c o m d i s r i t m i a difusa c o n t í n u a c o n s t i t u í d a p o r o n d a s l e n t a s i r r e g u l a r e s , d e l t a e t e t a , d e v o l t a g e m e l e v a d a , c o m e s p í c u l a s i n t e r c a l a d a s , d e m o d o i r r e g u l a r .

Pneumen-ventriculograma n o r m a l . Pesquisa de ácido fenilpirúvico na urina n e g a t i v a . Do-sagens de fenüalanina ( p o r c r o m a t o g r a f i a d e a l t a v o l t a g e m ) n o s o r o = 17,8 m g % ;

n o L C R = 1 5 , 3 % ; na u r i n a = 67 m g % . Biopsia cerebral ( f r o n t a l d i r e i t a ) n o r m a l .

Teste de desenvolvimento de Gesell: v i d e q u a d r o 4.

C A S O 3 — R . B . P . , 2 a n o s e 10 meses d e i d a d e , s e x o m a s c u l i n o , c ô r b r a n c a , i n -t e r n a d o e m 2-6-1966 ( R . G . 806.678). D e s d e os 6 m e s e s de i d a d e o s pais a c h a v a m q u e n ã o se d e s e n v o l v i a c o m o as o u t r a s c r i a n ç a s . D o s 3 a o s 7 meses d e i d a d e a p r e s e n t a v a t r e m o r e s da c a b e ç a , q u e i n c l u s i v e o c o r r i a m d u r a n t e o sono. D e s a p a r e c e r a m c o m m e d i c a ç ã o ( G a r d e n a l e G a b a x ) . D o s 12 a o s 24 m e s e s o d e s e n v o l v i -m e n t o p a r o u ( s i c ) . C o -m g i n á s t i c a , a p a r t i r d e s t e -m o -m e n t o , c o -m e ç o u a s e n t a r s o z i n h o , d e s c e r d o sofá, m u d a r d e d e c ú b i t o s . D e s d e 20-5-1966 c o m e ç o u a a n d a r s e m a p o i o , h a v e n d o p r o g r e s s o p a r a l e l o d a f a l a e da c a p a c i d a d e d e c o m p r e e n d e r . D e s d e os 10 m e s e s d e i d a d e a p r e s e n t a - s e i r r i t a d o , a g r e s s i v o , m o r d e n d o a m ã e e o u t r a s pessoas, c o m g r i t o s d e i m p a c i ê n c i a , s o n o a g i t a d o e a c o r d a c h o r a n d o d u r a n t e a n o i t e . S u s t e n t o u a c a b e ç a c o m 7 a 8 m e s e s . S e n t o u c o m a p o i o a o s 10 meses e s e m a p o i o c o m 2 a n o s e 4 m e s e s ; e s t á i n i c i a n d o a a n d a r só a g o r a ; p r i m e i r a s p a l a v r a s c o m 2 a n o s ; r e c o n h e c e a m ã e desde 12 m e s e s e os o u t r o s f a m i l i a r e s desde os 2 a n o s . N e g a c o n v u l s õ e s . U m a i r m ã c o m 10 m e s e s d e i d a d e a p r e s e n t a a m e s m a m o l é s t i a . Exame físico — T e m c a b e l o s lisos, l o u r o s , b r i l h a n t e s e sedosos. P e l e c l a r a e íris c a s t a n h o - c l a r a . Exame neurológico — A p r e s e n t a d i s l a l i a , a t r o f i a t e m p o r a l b i l a t e r a l d a s p a p i l a s e e s t r a b i s m o c o n v e r g e n t e b i l a t e r a l . Exames

(6)

Pneu-mencefalograma n o r m a l . Pesquisa de ácido fenilpirúvico na urina ( t e s t e c o m o

p e r c l o r e t o f é r r i c o ) : p o s i t i v o . Dosagem de fenilalanina no sangue: * 25,7 m g % .

Teste de Gesell ( e m 1 1 - 6 - 1 9 6 6 ) : v i d e q u a d r o 4. Teste de Brunet-Lézine: *~ v i d e

q u a d r o 5.

C A S O 4 — M . B . P . , 1C meses de i d a d e , s e x o f e m i n i n o , c ô r b r a n c a , i n t e r n a d a e m 2-6-1886 ( R . G . 806.677). A p r e s e n t a r e t a r d o p s i c o m o t o r e a o se d e i t a r r e f e r e a m ã e q u e a c r i a n ç a a p r e s e n t a o s c i l a ç õ e s da c a b e ç a p a r a os l a d o s . O r e t a r d o foi o b s e r -v a d o p e l o s pais d e s d e os 6 meses de i d a d e ; d i f i c u l d a d e na p r e e n s ã o dos o b j e t o s com d i s c r e t o s t r e m o r e s ; s e n t a c o m d i f i c u l d a d e desde os 8 meses de i d a d e , q u a n d o c c m e ç c u a s u s t e n t a r a c a b e ç a . Os pais a c h a m a c r i a n ç a m u i t o " b r a n c a " , m e s m o r e l a t i v a m e n t e a o i r m ã o de 3 a n o s d e i d a d e ( c a s o 2 ) , c o m m o l é s t i a s e m e l h a n t e . T e m a l e r g i a à lã, a p r e s e n t a n d o , a o seu c o n t a t o , p r u r i d o na c a b e ç a e v e r m e l h i d ã o nos o l h o s . N a s c i d a a t e r m o , de p a r t o n o r m a l . N e g a c o n v u l s õ e s ou o u t r a s m o l é s -tias. T o m o u u m a d o s e a e Sabin c o m 5 meses. Exame clínico — P e l e m u i t o c l a r a , c a b e l o s e o l h o s c l a r o s . Exame neurológico — M o s t r o u a p e n a s e x a l t a ç ã o dos r e -f l e x o s p r o -f u n d o s , p o r é m s i m é t r i c o s , a r s i m c o m o t a m b é m o o r o - o r b i c u l a r . F u n d o s o c u l a r e s n o r m a i s . Exames complementares — Raios X de crânio n o r m a l . Idade

óssea e m t o r n o d e 7 m e s e s . Raios X de ossos longos n o r m a l . Pneumencefalogra-ma: v e n t r í c u l o s l a t e r a i s d i s c r e t a m e n t e d i l a t a d o s ( c o r n o s f r o n t a i s ) e d e s i t u a ç ã o

n o r m a l ; d i l a t a ç ã o dos sulcos c e r e b r a i s , m a i s no h e m i s f é r i o d i r e i t o — q u a d r o de a t r o f i a c e r e b r a l difusa p r e d o m i n a n d o no h e m i s f é r i o d i r e i t o . Eletrencefalograma n o r m a l . Pesquisa de ácido fenilpirúvico na urina ( p e r c l o r e t o f é r r i c o ) : p o s i t i v o .

Dosagem de fenilalanina no sangue: 2 7 , 8 % . Teste de Gesell: v i d e q u a d r o 4. Teste de Brunet-Lézine: v i d e q u a d r o 5.

C A S O 5 — C . M . P . , 14 a n o s de i d a d e , s e x o f e m i n i n o , c ô r b r a n c a , i n t e r n a d a e m 2 5 7 i r " 5 ( R . G . 810.424). D e s d e 5 a 6 m e s e s de i d a d e c o m e ç o u a a p r e s e n t a r " r e -p u x õ e s " -p e l o c o r -p o , q u e d u r a v a m a l g u n s s e g u n d o s , sem -p e r d a d e c o n s c i ê n c i a , às v e z e s corr. e m i s s ã o d e g r i t o s ; i n i c i a l m e n t e t a l f e n ô m e n o se r e p e t i a u m a a duas v e z e s p o r c c . n a n a ; c o m o t e m p o , a f r e q ü ê n c i a e a i n t e n s i d a d e de t a i s " c r i s e s " a u m e n t a r a m , c h e g a n d o a t ê - l a s duas a t r ê s v e z e s p o r dia. C o n c o m i t a n t e m e n t e , a c r i a n ç a f i c a v a m u i t o n e r v o s a , i n q u i e t a e, às v e z e s , a g r e s s i v a . T e m g r a n d e d i -f i c u l d a d e n o a p r e n d i z a d o . S e m p r e a p r e s e n t o u u r i n a d e c o l o r a ç ã o a m a r e l o - e s c u r a , de o d o r f é t i d o , q u e i m p r e g n a v a os t e c i d o s e m a n c h a v a a r o u p a . D e 5 a n o s p a r a cá m e l h o r o u , n ã o m a i s a p r e s e n t a n d o os " r e p u x õ e s " , t o r n a n d o s e m a i s c a l m a e c o m -p r e e n s i v a , -p o r é m a i n d a i r r i q u i e t a . N e g a c o n v u l s õ e s . N a s c e u a t e r m o , de -p a r t o n o r m l . A n d o u c o m 1 a n o e m e i o e c o m e ç o u a f a l a r c o m 2 anos, f a l a n d o a t é o m o m e n t o s o m e n t e p a l a v r a s m o n o s s i l á b i c a s ; n u n c a a p r e n d e u a f a l a r c o r r e t a m e n t e . A n t e c e d e n t e s f a m i l i a r e s : v e r caso 6. Exame clínico — C a b e l o s c a s t a n h o - c l a r o s , p e l e c l a r a e o l h o s v e r d e s . Exame neurológico — P a c i e n t e d e s p e r t a , a g i t a d a e c h o rosa. C o n t a c t u a p e l a v i s ã o e a u d i ç ã o . E m i t e a p e n a s a l g u m a s p a l a v r a s m o n o s s i l á b i c a s , q u a n d o s o l i c i t a d a . N í t i d o r e t a r d o m e n t a l . R e f l e x o s p r o f u n d o s t o d o s p r e -sentes e s i m é t r i c o s . Fundos oculares n o r m a i s . Exames complementares —

Eletrencefalograma n o r m a l ( e m 3 8 1 9 6 6 ) . EleEletrencefalograma ( e m 1 1 1 0 1 9 6 6 ) : d e

-s o r g a n i z a ç ã o difu-sa da a t i v i d a d e e l é t r i c a c e r e b r a l , c o m a c e n t u a d o c o n t i n g e n t e de o n d a s t e t a . LCR e m p u n ç ã o s u b o c c i p i t a l — n o r m a l . Eletroforese das proteínas

do LCR normal. Eletroforese das proteínas do soro: l e v e a u m e n t o d a s g l o b u l i n a s

a l f a - 1 e beta. Pneumencefalograma n o r m a l . Biopsia cerebral ( f r o n t a l ) : n o r m a l .

Pesquisa de ácido fenilpirúvico na urina ( p e r c l o r e t o f é r r i c o a 1 0 % ) : p o s i t i v o .

Do-* A g r a d e c e m o s as d o s a g e n s d e F A L p e l o m é t o d o e n z i m á t i c o d e L a D u e M i c h a e i a o D r . F e r n a n d o José da N ó b r e g a ( d a C á t e d r a de P e d i a t r i a da E s c o l a P a u l i s t a de M e d i c i n a , S e r v i ç o d o P r o f . A z a r i a s de A . C a r v a l h o ) .

(7)

sagem de fenilalanina no sangue: 27,2 m g % . Dosagem de fenilalanina sérica pós-dieta: 16,6 m g % . Teste de Gesell: v i d e q u a d r o 4. Teste de Brunet-Lézine: v i d e

q u a d r o 5.

C A S O 6 — C . L . P . , 2 a n o s e 6 m e s e s d e i d a d e , s e x o m a s c u l i n o , c ô r b r a n c a , in-t e r n a d o e m 13-7-1966 ( R . G . 802.520). N o in-t a r a m os f a m i l i a r e s q u e c o m 7 meses a c r i a n ç a n ã o s u s t e n t a v a a c a b e ç a . N ã o se i n t e r e s s a v a p e l o a m b i e n t e . S u s t e n t o u a c a b e ç a a o s 12 m e s e s . S e n t o u e e n g a t i n h o u aos 2 a n o s . A u r i n a da c r i a n ç a m a n c h a v a as f r a l d a s e t i n h a o d o r f o r t e e d e s a g r a d á v e l . E n x e r g a e o u v e b e m . N ã o e n t e n d e o r d e n s e n ã o f a l a . N ã o r e c o n h e c e os f a m i l i a r e s . A p a n h a o b j e t o s e os a t i r a f o r a c o m d e s i n t e r e s s e . S e n t a d o , b a l a n ç a o c o r p o e c a b e ç a e m â n t e r o e r e t r o p u l s õ e s . N a s c i d a a t e r m o , d e p a r t o n o r m a l . C h o r o u l o g o a o n a s c e r . N ã o r e f e r e c i a n o s e ou i c t e r í c i a . P a i s s a u d á v e i s , n ã o c o n s a n g u í n e o s . U m a i r m ã de 14 a n o s d e i d a d e c o m a m e s m a m o l é s t i a ( c a s o 5 ) . D o l a d o m a t e r n o : sete tios c o m p e l e c l a r a , c a b e l o s lourus, e o l h o s c a s t a n h o - c l a r o s . D o l a d o p a t e r n o : 1C t i o s c o m c a b e l o s c a s t a n h o - c l a r o s , o l h o s a z u e s ou v e r d e s e p e l e b r a n c a ; um f a l e c e u de c â n c e r de g a r g a n t a ; um é r e t a r d a d o , d e p e l e b r a n c a , o l h o s v e r d e s e c a b e l o s c a s t a n h o s .

Exame clínico — C a b e l o s c a s t a n h o - r u i v o s e o l h o s a z u e s ; p e l e c l a r a . Exame neu-rológico — P a c i e n t e a g i t a d o , n ã o c o l a b o r a n d o a o e x a m e ; n ã o a t e n d e o r d e n s e

cha-m a d o s , i n c l u s i v e p e l o seu n o cha-m e . N ã o f a l a e n ã o e n t e n d e . P e r cha-m a n e c e s e n t a d o ou de pé n o l e i t o , c o m m o v i m e n t o s e s t e r e o t i p a d o s , c o m e x t e n s ã o e f l e x ã o d o t r o n c o ou e n t ã o , l a t e r a l i z a ç ã o da c a b e ç a . O u t r a s v e z e s p e r m a n e c e c o m o o l h a r f i x o e m sua m ã o . M a n t é m - s e de pé a p e n a s c o m a p o i o . D e a m b u l a c o m a p o i o , e m e s t a d o d e p â n i c o , t e n d e n d o l o g o a se a g a c h a r , e m a t i t u d e s i m i e s c a . C o o r d e n a ç ã o n o r m a l . H i p o t o n i a m u s c u l a r g e n e r a l i z a d a , s e m p r e d o m í n i o s . R e f l e x o s p r o f u n d o s nos m e m bros i n f e r i o r e s , n o r m a i s e s i m é t r i c o s ; nos m e m b r o s s u p e r i o r e s , n ã o o b t i d o s os t r i c i p i t a i s ; e s t i l o r r a d i a i s c o m resposta i n f e r i o r b i l a t e r a l ; b i c i p i t a i s p r e s e n t e s e s i m é t r i cos. C u t â n e o p l a n t a r e s e m e x t e n s ã o , b i l a t e r a l m e n t e . P r e e n s ã o dos a r t e l h o s p r e -sente, d e m o d o t r a n s i t ó r i o e n ã o p e r m a n e n t e . Fundos oculares n o r m a i s . Exames

complementares — Raios X de crânio n o r m a l . Raios X de ossos longos — d e s

-c a l -c i f i -c a ç ã o difusa d i s -c r e t a ( f a l t a d e p e n e t r a ç ã o ? ) ; r e p e t i d o , f o i n o r m a l .

Eletren-cefalograma n o r m a l ( e m 18-5-1966 e e m 11-10-1966). Eletroforese das proteínas do LCR — a u m e n t o d i s c r e t o da p r é - a l b u m i n a e da g l o b u l i n a g a m a . Eletroforese das proteínas do soro: a u m e n t o das g l o b u l i n a s a l f a - 1 e a l f a - 2 . L C R e m p u n ç ã o

s u b o c c i p i t a l — n o r m a l . Pneumencefalogram: c i s t e r n a m a g n a a u m e n t a d a ; c i s t e r n a i n f u n d í b u l o - q u i a s m á t i c a a u m e n t a d a ( ? ) . Fundos oculares ( r e p e t i ç ã o ) : p a p i l a s de c o l o r a ç ã o p á l i d a e a s p e c t o c é r e o . Biopsia cerebral ( f r o n t a l ) n o r m a l . Pesquisa de

ácido fenilpirúvico na urina ( p e r c l o r e t o f é r r i c o a 1 0 % ) : p o s i t i v o . Dosagem de fenilatanina no sangue: 27,5 m g % . Dosagem de fenilalanina no sangue pós-dieta:

33,0 m g % . Teste de Gesell: v i d e q u a d r o 4. Teste de Brunet-Lézine: v i d e q u a d r o 5.

C O M E N T Á R I O S

(8)
(9)
(10)

das globulinas alfa-1 e beta; no caso 6, aumento das globulinas alfa-1 e

alfa-2. Julgamos que os resultados destas eletroforeses, tanto no LCR como

no sangue, são inexpressivos, apesar do leve aumento da globulina beta num

único caso ( 5 ) , fato referido na proporção de 8/17 casos de Brown e col.

(cit. por Allan e M o s s

1

) . Radiografias do crânio foram feitas em 4 casos

(1, 2, 4 e 6) sendo normais. Na literatura há referência à desmineralização

de cssos longos nos pacientes fenilcetonúricos; fizemos tal estudo nos casos

3, 4 e 6, todos normais. Embora haja referência à alta incidência de

alte-rações eletrencefalográficas, estas somente foram evidenciadas em 2 de

nossos casos: no caso 2 foi assinalada disritmia difusa contínua por ondas

teta e delta com espículas intercaladas e, no caso 5, desorganização difusa

da atividade elétrica por ondas teta. Interessante notar que, em ambos os

cases, os pneumencefalogramas resultaram normais. O caso 4, no qual a

pneumencefalografia mostrou atrofias cerebrais difusas no hemisfério

direi-to, é o que apresenta o menor retardo psicomotor (60% de Q.D. ao Gesellh

Em outro caso (6) o pneumencefalograma não demonstrou atrofias

eviden-tes, mas, apenas, aumento da cisterna magna e possivelmente da cisterna

infundíbulo-quiasmática, provavelmente devido a atrofias subcorticais.

Fo-ram feitas 4 biópsias cerebrais (casos 1, 2, 5 e 6) e todas mostraFo-ram

te-cidos normais. É interessante assinalar que a biopsia cerebral já é exame

de rotina, a ponto de ser considerada, por alguns, como exame

complemen-tar que oferece menos perigo que a ventriculografia

9

. Não fizemos provas

histoquímicas.

Os testes para fenilcetonúria foram realizados, em todos os casos, como

ferma de detecção, inicialmente na urina, com a pesquisa de ácido

fenil-pirúvico; somente no caso 2 este teste resultou negativo, apesar de o

diag-nóstico ter sido confirmado pela dosagem de fenilalanina no sangue. Nos

dois primeiros casos as dosagens de F A L foram feitas mediante

cromato-grafia de alta voltagem e, nos restantes, pelo método enzimático de La Du

e Michael (quadro 3 ) .

Os testes que realizamos foram somente de desenvolvimento, dado que

os retardos mentais eram muito acentuados para a determinação de Q.I.

(quadros 4 e 5 ) .

Procuramos tratar nossos casos com dietas especiais, com teor baixo

em F A L *, além do uso de alimentos com teor também baixo naquele

ami-n o á c i d o

1

-

2 1

. Assim, temos dado os seguintes alimentos com teor de F A L

(por 100 g de alimento) : 0,7 no feijão; 0,9 na carna de vaca; 0,4 no pão;

0,5 na clara de ôvo; 0,1 no coração; 0,5 na carne de porco; 0,4 no arroz

branco; 0,6 no trigo integral; 0,19 no leite de vaca. O ideal seria o

Albu-maid X P

1

, produzido na Inglaterra, isento de F A L e ao qual se pode

adi-cionar aqueles alimentos com teores baixos em F A L . Temos procurado

do-sar a F A L sérica antes e após a instalação destas dietas, porém, ainda é

muito cedo para se analisar os resultados, assim como para dizer algo

sobre a melhora psíquica que, mesmo em casos tardios, alguns autores

(11)
(12)
(13)
(14)

gam poder reduzir com estas dietas. Assim, no caso 6, apesar da dieta e

dos cuidados tomados, a F A L sérica pós-dieta foi maior que a pré-dieta;

descobriu-se depois que comia os restos da dieta geral das outras crianças

da enfermaria ou estas davam seus alimentos ao paciente. Quando se

em-prega tais dietas é necessário se tomar cuidado com o desenvolvimento da

síndrome de deficiência de F A L

1 8

, pois tal aminoácido é essencial à vida

humana, mesmo para o paciente fenilcetonúrico.

R E S U M O

Foram relatados 6 casos de fenilcetonúria (oligofrenia fenilpirúvica),

sendo os pacientes, irmãos dois a dois, pertencentes a três famílias

distin-tas. Foram feitos estudos genealógico, clínico e laboratorial, incluindo a

dosagem de fenilalanina sérica. O interesse maior foi o de mostrar a

nor-malidade do estudo histopatológico realizado por meio de biópsias cerebrais

em 4 casos, apesar de não ter sido feito estudo histoquímico, atualmente

considerado como necessário. Esta normalidade das biópsias não teve

qual-quer relação com o nível mental, com as alterações eletrencefalográficas

cu com atrofias cerebrais assinaladas em alguns casos mediante

encefalo-grafia gasosa. Todos os casos foram tratados com dieta especial (tipo Lo¬

fenalac) complementada com alimentos de baixo teor em fenilalanina.

Do-sagens de fenilalanina sérica estão sendo feitas antes e depois do uso de

tais dietas, sendo ainda muito cedo para qualquer conclusão.

S U M M A R Y

Phenylketonuria: clinical and cerebral biopsy studies

Six cases of phenylketonuria ( P K U ) are reported. The patients

be-long to three different families — three siblings. Genealogic, clinic and

laboratorial studies have been done, including serum phenylalanin. The

im-portant aim was to show the normality of the histopathology performed

through cerebral biopsy in four cases. Histochemical study has not been

done. The normal cerebral biopsy did not show correlation with mental

level, electroencephalographic alterations or with cerebral atrophies which

were found in two cases by air encephalography. All cases have been

treated with special diet (Lofenalac) and some food with low phenylalanin

level. After and before the diet phenylalanin determinations have been

done, nevertheless, it is very soon indeed to conclude anything by now.

R E F E R Ê N C I A S

(15)

2 . C A L D O N A Z Z O , C. — O l i g o f r e n i a f e n i l p i r u v i c a . R a s s . Studi p s i c h i a t . 47:629-647, 1958.

3. C R O M E , L . & P A R E , C. M . B . — P h e n y l k e t o n u r i a . A r e v i e w a n d a r e p o r t o f p a t h o l o g i c a l f i n d i n g s in f o u r cases. J. M e n t . Sc. 106:862-883, 1960.

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15. P A R E , C. M . B . ; S A N D L E R , M . & S T A C E Y , R . S. — T h e r e l a t i o n s h i p b e t w e e n d e c r e a s e d 5 - h y d r o x y i n d o l e m e t a b o l i s m a n d m e n t a l d e f e c t in p h e n y l k e t o n u r i a . A r c h . D i s . C h i l d h . 34:422-425, 1959.

16. P E R R Y , T . L . ; H A N S E N , S.; T I S C H L E R , B . & H E S T R I N , M . — D e f e c t i v e 5 - h y d r o x y l a t i o n o f t r y p t o p h a n in p h e n y l k e t o n u r i a . P r o c . S o c . e x p . B i o l . ( N . Y . ) 115:118-123, 1964.

17. R A M O S , J. L . & N O B R E G A , F . J. — P r e v e n ç ã o da d e f i c i ê n c i a m e n t a l c o n -s e q u e n t e a d e f e i t o -s h e r e d i t á r i o -s do m e t a b o l i -s m o . R e v . p a u l . M e d . 66:96-120, 1965.

18. R O U S E , B . M . — P h e n y l a l a n i n e d e f i c i e n c y s y n d r o m e . J. P e d i a t . 69:246-249, 1966.

(16)

of t h e n e u r o l o g i c a l d e f e c t in p h e n y l k e t o n u r i a a n d b r a n e h e d - c h a i n k e t o n u r i a . M e t a b o l i s m 10:393-402, 1961.

2 0 . W O O L F , L . I . — T e s t s f o r p h e n y l k e t o n u r i a . C e r e b . P a l s . B u l l . 3:249-254, 1961.

2 1 . W O O L F , L . I . — N u t r i t i o n in r e l a t i o n t o p h e n y l k e t o n u r i a . P r o c . N u t r . S o c . 21:21-29, 1962.

2 2 . W O O L F , L . I . — R e c e n t w o r k on p h e n y l k e t o n u r i a a n d m a p l e s y r u p u r i n e d i s e a s e ( l e u c i n o s i s ) . P r o c . r o y . Soc. M e d . ( S e c t i o n o f N e u r o l o g y ) 55:824-826, 1962.

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