λ
-ALN: Autmatos Lineares Não-Determinístiosom
λ
-TransiçõesB.C.BEDREGAL 1
,GrupodeLógia,Linguagem,Informação,TeoriaeApliações
LoLITA,DepartamentodeInformátiaeMatemátiaApliadaDIMAp,
Univer-sidadeFederaldoRioGrandedoNorteUFRN,CampusUniversitário,59072-970
Natal,Brazil.
Resumo. Neste trabalho introduziremos a lasse dos autmatos lineares
não-determinístiosom
λ
-transições. Baseadosnumanovaformanormalpara gramáti-aslineares,provamosquealassedelinguagensaeitaporestetipodeautmatoéexatamentealassedaslinguagenslineares. Mostramosaindaque,análogoaoque
oorre omosautmatosnitose omosautmatosompilhas, aexistêniadas
λ
-transiçõesemumautmatolinearnão-determinístionãosigniaquenãopossaserdenidoumautmatolinearnão-determinístiosem
λ
-transiçõesquereonheça a mesmalinguagem. Ou seja, asλ
-transições não aumentamo poder de aeita-ção destesautmatos e portanto podemser dispensadasdomodelo. Finalmente,apresentamosumaapliaçãodestesautmatosnoontextodebioinformátia.
Palavras-have. Linguagenslineares,gramátiaslineares,formanormal,
autma-toslinearesnão-determinístios,
λ
-transições.1. Introdução
AlassedaslinguagenslinearesseloalizadentrodahierarquiadeChomskyentre
aslinguagensregulareseaslivresdeontexto. Oprinipalmodeloomputaional
para estalassede linguagenssãoasgramátiaslineares. Esta gramátiapermite
geraradeiasfazendoasamentos entre prexose suxosde subadeiasdaadeia
asergerada. Esta apaidadedeasamentosfazomqueestalassedelinguagens
ontenhaa maioriadas linguagens livresde ontextousuais. Assim, por exemplo
a linguagemdos palíndromose
{a
n
b
n
:
n
≥
1
}
, que geralmente são usadasomo
exemplos de linguagens livres de ontexto quenão são regulares, são na verdade
linguagens lineares. Umexemplode umalinguagemqueé livredeontextoeque
nãoélinearé:
{a
n
b
n
a
m
b
m
:
n, m
≥
1
}
.
Emtermos de autmatos,naliteraturahá pelo menostrês modelosdiferentes
paraalassedaslinguagenslineares: Umtipoespeialdeautmatonitodeduas
tas [22, 12℄, tradutores nitos [22, 20℄ e autmatos ompilha que exeutam no
máximo uma voltapara qualquer entrada [11, 12, 14, 3, 13℄. Apesar dos méritos
deadaumdessesmodelos,elesnãosãonaturaisnemintrínseos,poisonsideram
1
elementosexternosaomodelo. Porexemplo,notipoespeialdeautmatonitode
duastas,aentradaédivididanasduastas,detalmodoqueasegundataontém
oreverso do pedaço mais àdireita da adeiade entrada. Note que osautmatos
usuais(autmatosnitosdeterminístios,autmatosompilha,máquinasdeTuring
mesmo a de duas tas , et.) assumem que a entrada inteira está na ta de
entradaaomomentode iniiaraomputação. Assim,estemodelonão possuiesta
araterístianatural. Alémdisso,aesolhadeondedividirassimomoareversão
dapartedireitaéfeitaexternaaomodelo. Portanto,estemodelonãoénemnatural
nem intrínseo. O tradutor nito também divide aentrada em duas partes, mas
asoloanuma úniataseparadasporumsímboloespeial,sendoqueasegunda
parte éinvertida. Assim, analogamenteao modeloanterior, tradutoresnitos não
são intrínseosnem naturais. Finalmente, uma vez que avoltano autmato om
pilha éummovimento oqualdereseapilha preedido poroutroqueaumenta a
pilha,oautmatoompilhaomnomáximoumavoltaélaramentenão natural.
Umavezquearestriçãoaoautmatoompilhadepoderfazernomáximoumavolta
não fazpartedaestruturadoautmato (sóanalisamosaposterioriseoautmato
ompilhasatisfazounãoestarestrição)estemodelotambémnãoéintrínseo.
Nesteartigopropomosummodelode autmatosalternativospara alassedas
linguagenslinearesquehamaremosautmatoslinearesnão-determinístiosom
λ
-transições,que donossoponto devistaémaisnaturalesimplesqueosmostrados
anteriormente. Além disso, nosso modelo é intrínseo e próprio, no sentido que
não é uma restrição de algum tipo de autmato. Outra vantagem do autmato
propostoomrespeitoaosoutrosmodeloséqueeleestendeosautmatosnitos
não-determinístios (afn), ouseja todo afn éumautmato linear não-determinístio
(aln).
Por outro lado, os
λ
-movimentos nas lasses habituais de autmatos não sãoesseniaisparaosmodelos. Assim,porexemplo,
λ
-movimentonãoaumentaopoderomputaionalde aeitaçãode autmatos nitos(ver,porexemplo,[14℄), nem de
um autmato om pilha (ver, porexemplo, [12℄) e nem das máquinas de Turing
(Tese de Churh). Neste trabalho, provamos que os aln não têm seu poder de
aeitaçãoaumentadoemfunçãodautilizaçãode
λ
-movimentos.O artigo está organizado omo segue. Na seção 2. apresentamos o oneito
de gramátias lineares e das linguagens geradas por tais gramátias assim omo
duas novas formas normais para essas gramátias. Na seção 3. introduzimos o
oneitodeautmatoslinearesnão-determinístiosom
λ
-transiçõeseaslinguagensaeitas por estes autmatos enquanto na seção seguinte mostramos que a lasse
das linguagensaeitas poresses autmatos éalasse daslinguagens lineares. Na
seção5.mostramosqueos
λ
-movimentos nãoaumentamopoderdeaeitaçãodosautmatos lineares não-determinístiose portanto podemos presindir deles. Na
seção 6. apresentamos uma apliação dos aln no estudo de sequênias de DNA
2. Gramátias Lineares
Como usual, uma gramátiaformal
G
é uma quádruplahV, T, S, P
i
ondeV
éumonjuntonitodesímbolosvariáveis,
T
éumonjuntonitodesímbolosterminaiseportanto
V
∩
T
=
∅
,S
∈
V
éavariáveldeiníioeP
⊆
(
V
∪
T
)
+
×
(
V
∪
T
)
∗
éo
onjunto deproduções. Paresordenados
(
x, y
)
∈
P
sãodenotadosporx
→
y
.Denição 2.1. Umagramátia
G
=
hV, T, S, P
i
élinear,seadax
→
y
∈
P
étalque
x
=
A
ey
=
uBv
paraalgumA, B
∈
V
eu, v
∈
T
∗
. Umavariável
A
∈
V
seráhamada linear à esquerda seadaprodução
A
→
y
∈
P
ouy
∈
T
∗
ou
y
=
Bz
para algum
z
∈
T
+
e
B
∈
V
. Analogamente, uma variávelA
∈
V
será hamadalinear à direita seadaprodução
A
→
y
∈
P
ouy
∈
T
∗
ou
y
=
zB
para algumz
∈
T
+
e
B
∈
V
. UmagramátialinearG
estánaforma normal linear(fnl),seadavariável
A
∈
V
ouélinearàdireitaouélinearàesquerda.Assim, em uma gramátia linear, ada produção em
P
tem nolado esquerdoumavariávelenoladodireitoumaadeiaomnomáximoumavariável(orestante,
sehouver,sãosímbolosterminais),semqualquerrestriçãodaposiçãodessaeventual
variável.
Notequeuma variável
A
emumagramátialinearserálinearàdireita elinearàesquerda,ao mesmotempo,apenasquandotodasasproduçõestendo
A
noladoesquerdo,têmnoseuladodireitoumaadeiaompostaapenasporsímbolos
termi-nais. Notetambémquediferentementedafnl,aformanormallinearusual(fnlu)
[23,12,5℄,permitequehajaduasproduçõesomomesmoladoesquerdo,masom
seusladosdireitosdireitosdiferindonaposiçãodavariável:emumadasproduções,
avariáveloorrenaposiçãomaisàesquerda,enquantonaoutraproduçãoavariável
oorrenaposiçãomaisàdireita. Observeque,seumagramátialinearestánafnl
entãotambémestánafnlu,porémumagramátianafnlupodenãoestarnafnl.
Comousual,paraada
u, v, w
∈
(
V
∪
T
)
∗
e
A
∈
V
,uAw
⇒
uvw
seexisteumaprodução
A
→
v
∈
P
. Seja⇒
∗
ofehoreexivoetransitivode
⇒
. A linguagemgeradaporumagramátia
G
éL
(
G
) =
{w
∈
T
∗
:
S
⇒
∗
w}
Linguagensgeradasporgramátiaslinearessãohamadaslinguagenslineares.
Lema 2.1. Seja
G
umagramátia linear. ExisteumagramátialinearG
′
nafnl
tal que
L
(
G
) =
L
(
G
′
)
.
Demonstração. Sem perda de generalidade, podemos assumir que agramátia
G
não ontémproduçõesunitárias 2
. Para ada
A
∈
V
eu
∈
T
+
seja
Au
=
{A
→
uBv
∈
P
:
paraalgumB
∈
V
ev
∈
T
+
}
. Se
Au
6
=
∅
entãosubstituaadaproduçãoA
→
uBv
∈
Au
emP
pelasproduçõesA
→
uC
eC
→
Bv
,ondeC
éumavariávelnova,eadiione
C
aV
. Nesteponto,adaprodução temaforma:2
Produções unitáriassãoproduções da forma
A
→
B
. Atransformação de umagramátia linearemuma gramátialinearequivalente (ousejaquegera amesmalinguagem)livredetaisA
→
uB, A
→
Bu
orA
→
u
paraalgum
u
∈
T
∗
e
A, B
∈
V
. SeavariávelA
∈
V
nãoénemlinearàdireitanemlinear à esquerda, então substitua ada produção
A
→
Bv
∈
P
pelas produçõesA
→
C
eC
→
Bv
, ondeC
éuma variávelnova, eadiioneC
aV
. A gramátiaresultante estánafnleéequivalente àgramátiaoriginal.
Umagramátialinear
G
estánaformanormallinearforte(fnlf)seestánafnleosladosdireitosdasproduçõessãodaforma
aA
ouAa
paraalguma
∈
T
∪{λ}
e
A
∈
V
∪ {λ}
.Proposição2.1. Seja
G
umagramátialinear. ExisteumagramátialinearG
b
na fnlftal queL
(
G
) =
L
(
G
b
)
.Demonstração. Primeiroobtenhaafnlde
G
seguindooalgoritmodesritonoLema2.1eemseguidaapliqueoseguintealgoritmo:
Paraada
A
∈
V
ea
∈
T
,seA
a
=
{A
→
ya
∈
P
:
|y| ≥
2
ou
y
∈
T
} 6
=
∅
,entãoadiione uma variávelnova
B
aV
, removadeP
asproduçõesemA
a
eintroduza
asproduções
A
→
Ba
eB
→
y
,para adaA
→
ya
∈
A
a
.
Depois, de forma análoga, para ada
A
∈
V
ea
∈
T
seAa
=
{A
→
ay
∈
P
:
|y| ≥
2
ouy
∈
T
} 6
=
∅
, então adiione uma variável novaB
aV
, removade
P
as produçõesemAa
eintroduza asproduçõesA
→
aB
eB
→
y
, paraadaA
→
ay
∈
Aa
.Oresultadoéumagramátialinearnafnlfequivalentea
G
.3. Autmato Linear Não-Determinístio om
λ
-TransiçõesUmautmatolinearnão-determinístioom
λ
-transições 3(
λ
-aln),onsistededoisonjuntosnitosdisjuntosdeestados(
Q
eP
)algunsdosquaisserãoonsi-deradosomoestadosdeaeitação,umatadeentradainnitaàdireitaedividida
em élulas,ada uma dasquais omportaum símbolo deum alfabeto de entrada
(ouo símbolol espeialque representao onteúdoem brano),duas abeças
lei-toras e uma unidade de ontrole que administra a onduta do
λ
-aln de aordoom a onguração orrente. A exeução do
λ
-aln omeça om uma adeia nata de entrada, om a abeça leitora esquerda apontando para osímbolo mais à
esquerdana taeaabeçaleitoradireita apontandopara osímbolo(diferente de
brano)mais àdireita nataetendoomoestadoorrente umestadopertenea
umsubonjuntoespeialde
Q
∪
P
, hamadode onjunto de estadosiniiais. Umpasso omputaional num
λ
-aln é feito omo segue: a unidade de ontrole, emfunçãoda lasseque pertene oestadoorrente,usaaabeça leitoraesquerdaou
direita para lerumsímbolo data, logomoveuma élula paraadireita aabeça
3
Otermolinearaquiédevidoaofatodeaeitarlinguagenslinearesdiferentementedos
leitoraesquerda,asooestadoorrentepertençaa
Q
,ouumaélulaparaesquerdaa abeça leitora direita, aso o estado orrente pertença a
P
. Ao mesmo tempomuda, seguindouma esolha não-deterministia, para umestado de um onjunto
depossíveisestados. Aunidadedeontroledeum
λ
-alntambémadmitemudardeestadosemmoverasabeçasleitoras,istoésemlersímbolosdatadeentrada. A
omputaçãopáraquandoumaabeçaleitoraruzaaoutra,asooestadoorrente
nesse momentosejadeaeitaçãoo
λ
-alnaeita aadeiadadaomoentrada, asoontrárioarejeita. Agura1ilustraumarepresentaçãoesquemátiadeum
λ
-aln.Formalmente,um
λ
-alnéumasêxtuplaM
=
hQ, P,
Σ
, δ, I, F
i
ondeQ
eP
sãoonjuntosnitosdisjuntosdeestados,
Σ
éumonjuntonitodesímbolosdeentrada(alfabeto),
I
⊆
Q
∪
P
éoonjuntodeestadosdeiníio,F
⊆
(
Q
∪
P
)
éumonjuntode estados de aeitação e
δ
: (
Q
∪
P
)
×
(Σ
∪ {λ}
)
−→
℘
(
Q
∪
P
)
é a função de
transição 4
.
Analogamenteaautmatosnitos,ada
λ
-alntemassoiadoumgrafodirigidohamadodiagramadetransição. Aúniadiferençaomosdiagramasdetransição
de autmatos nitos está na forma omo distinguimos os estados de
Q
om osestadosde
P
. Paraosprimeirosusamos írulosenquanto paraosoutros usamosquadrados. Assim,umautmato nitonão-determinístiopodeservistoomoum
λ
-alnondeP
=
∅
. Portanto,λ
-alnéumaextensãonaturalparaautmatosnitosλ
-não-determinístios.Estado
atual
Unidade de
Controle
Cabeça de
leitura
esquerda
Fita de Entrada
Cabeça de
leitura direita
Figura1: Representaçãoesquemátiadeum
λ
-aln.Umadesriçãoinstantânea(DI)deum
λ
-alndeveregistraroestadoorrente,oquerestalerdaadeiadeentradaequalabeçaestáativa. Assim,umaDIéum
par
(
q, w
)
∈
(
Q
∪
P
)
×
Σ
∗
signiandoquerestaaindaler
w
nataequeoestadoatualé
q
. Aabeçaleitoraqueestáativaédeduzidaapartirdoestadoorrente.Osímbolo
⊢
denotaráummovimentodeuma DIaoutraDI.Assim,paraadaq
∈
Q
,q′ ∈
Q
∪
P
,p
∈
P
,w
∈
Σ
∗
e
a
∈
Σ
∪ {λ}
4
Observequeousodeumonjuntodeestadosomosendoestadosiniiaisnãoéartiial,uma
vezquehádiversosautoresqueusamonjuntosdeestadosiniiaisemsuadeniçãodeautmatos.
(
q, aw
)
⊢
(
q′, w
)
épossívelse,esomente se,(sss)q′ ∈
δ
(
q, a
)
e(
p, wa
)
⊢
(
q′, w
)
épossívelsss
q′ ∈
δ
(
p, a
)
.Usamos
∗
⊢
paraofehoreexivoetransitivode⊢
,ouseja∗
⊢
representaumaquantidadearbitráriademovimentos.
Alinguagemaeitaporum
λ
-alnM
éoonjuntoL
(
M
) =
{w
∈
Σ
∗
: (
q0, w
)
⊢
∗
(
qf, λ
)
paraalgum
qf
∈
F
eq0
∈
I}
4.
λ
-aln's e Linguagens LinearesPrimeiromostraremosqueadalinguagemaeitaporalgum
λ
-alnélinear.Teorema 4.1. Seja
M
=
hQ, P,
Σ
, δ, I, F
i
umλ
-aln. Entãoexiste umagramátialinear
G
tal queL
(
M
) =
L
(
G
)
.Demonstração. Seja
G
=
hQ
∪
P
∪ {S},
Σ
, S, P
′
i
onde
P
′
=
{qi
→
aqj
:
a
∈
Σ
∪ {λ}, qi
∈
Q, qj
∈
Q
∪
P
e
qj
∈
δ
(
qi, a
)
}∪
{pi
→
qj
a
:
a
∈
Σ
∪ {λ}, pi
∈
P, qj
∈
Q
∪
P
eqj
∈
δ
(
qi, a
)
}∪
{qf
→
λ
:
qf
∈
F
} ∪ {S
→
q0
:
q0
∈
I}
Claramente,
L
(
M
) =
L
(
G
)
.Observação 4.1. Obviamente quando
I
=
{q0}
para algumq0
∈
Q
∪
P
, pode-mos usar o próprio
q0
omo variável iniial eapagar toda oorrênia deS
emG
.Inlusonoasode
I
⊆
Q
ouI
⊆
P
poder-se-iausaraténiadeeliminaçãodepro-duções unitárias usualmenteapliadas em gramátias livres de ontexto, onforme
exempliado em[14 , 7, 19,5℄.
Notequeagramátia
G
resultantedaprovaestánafnlf.Agoraprovaremosqueadalinguagemlinearéaeitaporum
λ
-aln.Teorema4.2. Seja
G
=
hV, T, S,
P
b
i
umagramátialinear. Entãoexisteumλ
-alnM
talqueL
(
G
) =
L
(
M
)
.Demonstração. Sem perda degeneralidadepodemosassumirque
G
estánafnlf.Seja
Q
=
{A
∈
V
:
A
é uma variável linear à direita} ∪ {C}
, ondeC
6∈
V
eP
=
{A
∈
V
:
A
éumavariávellinearàesquerda}
. Então,M
=
hQ, P, T, δ,
{S}, F
i,
onde
F
=
{C}
eparaadaA
∈
Q
∪
P
ea
∈
T
∪ {λ}
,δ
édenidaporδ
(
A, a
) =
(
{B
∈
V
:
A
→
aB
∈
P
b
ouA
→
Ba
∈
P
b
}
,seA
→
a
6∈
P
b
{B
∈
V
:
A
→
aB
∈
P
b
ouA
→
Ba
∈
P
b
} ∪ {C}
,seA
→
a
∈
P
b
Notequeosalgoritmosnosteoremas4.1e4.2sãoduais,nosentidoqueapliando
umeem seguidaooutrosemprevoltaremosaooriginal.
Observetambémque,omeanismodeparadadosaln,apesardenãoexplíitado
emsuaformulaçãomatemátia,podeserformalizadoatravésdanoçãodeDIomo
segue: quandoforahadoumaDI
(
q, λ
)
apartirdomovimentodeumaoutraDI(porexemplo,
(
q
′
, a
)
⊢
(
q, λ
)
), estamosnasituaçãoem queuma abeça leitoraruza a
outra eportantoaexeuçãodoalnpára.
5.
λ
-Movimentos são DesneessáriosUm
λ
-alnsemλ
-transiçõesserádenominadodeautmatolinearnão-determi-nístio(aln).
Os
λ
-movimentos nas lasses usuais de autmatos não são esseniais para osmodelos. Por exemplo,
λ
-movimentos não aumentam o poder omputaional deaeitaçãode autmatosnitos (veja,porexemplo,[14℄), deautmatos ompilhas
(veja,porexemplo,[12℄)nemdemáquinasdeTuring(pelatesedeChurh). Assim,
resulta razoávelesperar que aln e
λ
-aln tenhamexatamente o mesmo poder deaeitação. Porém,quandouma
λ
-transiçãoemumλ
-alnoorreentredoisestadosde diferentes tipos não éóbvioomo podemoseliminá-la semalterara linguagem
aeitapeloautmato.
Teorema 5.1. Seja
M
=
hQ, P,
Σ
, δ, I, F
i
umλ
-aln. EntãoexisteumalnM
′
tal
que
L
(
M
) =
L
(
M
′
)
.
Demonstração. Oseguintealgoritmomostraomo obtertalaln
M
′
:
1. Adiione a
I
qualquer estadoq
para o qual exista umaλ
-transição de umestado
q0
∈
I
aq
. Repetir este passo até não onseguir adiionar qualquernovoestadoa
I
.2. Paraada
λ
-transição deumestadoq
′
∈
Q
∪
P
aumestado
q
′′
∈
Q
∪
P
:
(a) Apague-adodiagramadetransição,e
(b) Paraadaestado
q
∈
Q
∪
P
ea
∈
Σ
∪ {λ}
,seháumatransiçãorotuladapor
a
desdeq
aq
′
,entãoadiioneumanovatransição,tambémrotulada
por
a
,deq
aq
′′
.
6. Apliação
Linguagens formais têm diversas apliações que vão além do desenvolvimento de
ompiladores. Porexemplo,podemserapliadosemriptograa[24℄,em
proessa-mentodigitaldeimagens[15℄,embiologiamoleular[2℄,emteoriadaoptimalidade
[18℄, emreonheimentosdegestosdaLIBRAS[6℄,et. Aquiapresentaremosuma
6.1. Palíndromos
Palíndromos,ousejaadeiasquetêmomesmoresultadoquandolidasdaesquerda
paraadireita oudadireita paraesquerda, emboraaparentemsermerosjogos
lin-guístios ou uma onstrução interessante em teorias dos números (por exemplo,
o estudo dos númerosprimos que são palíndromos em sua representaçãodeimal
[10℄)têmapliaçõesimportantesnoestudodesequêniasdeDNA.Anoçãode
pa-líndromos sobre um alfabeto
Σ
pode sergeneralizada poronsiderar uma funçãoφ
: Σ
→
Σ
daseguinte forma:λ
éumφ
-palíndromoea
∈
Σ
é umφ
-palíndromosomentese
a
=
φ
(
a
)
. Sew
∈
Σ
∗
éum
φ
-palíndromoentãoawφ
(
a
)
tambémseráumφ
-palíndromo,paratodoa
∈
Σ
.Umafunção
ψ
: Σ
∗
→
Σ
éuma involuçãomóra(antimóra)seéinvolutiva,
ouseja
ψ
◦
ψ
=
IdΣ
∗
eparatodou, v
∈
Σ
∗
,
ψ
(
uv
) =
ψ
(
u
)
ψ
(
v
)
(ψ
(
uv
) =
ψ
(
v
)
ψ
(
u
)
)[16,17℄.
Proposição6.1. Seja
φ
: Σ
→
Σ
umainvolução. Então,asfunçõesφ,
e
φ
b
: Σ
∗
→
Σ
∗
denidas reursivamentepor
e
φ
(
λ
) =
φ
b
(
λ
) =
λ,
φ
e
(
wa
) =
φ
e
(
w
)
φ
(
a
)
eφ
b
(
wa
) =
φ
(
a
)
φ
b
(
w
)
são,respetivamente,involuçõesmóraseantimóras.
Demonstração. Trivial.
Claramente,
φ
b
(
w
) =
φ
e
(
w
)
R
=
φ
e
(
w
R
)
,onde
w
R
éaadeiareversade
w
.Teorema 6.2. Seja
φ
: Σ
→
Σ
uma involução ew
∈
Σ
∗
. Então
w
é umφ
-palíndromo sss
w
=
φ
b
(
w
)
Demonstração. A base da indução(
λ
ea
∈
Σ
tal quea
=
φ
(
a
)
) é trivial. Comohipóteseindutivaonsidereum
φ
-palíndromow
∈
Σ
∗
talque
w
=
φ
e
(
w
)
. Então,e
φ
(
awφ
(
a
)) =
φ
e
(
wφ
(
a
))
φ
e
(
a
) =
φ
e
(
φ
(
a
))
φ
e
(
w
)
φ
(
a
) =
awφ
(
a
)
.Em[16,17℄éusadaasegundapartedeste teoremaomodeniçãoprimitivade
θ
-palíndromo,ondeθ
: Σ
∗
→
Σ
∗
éumafunçãoinvolutivaeantimóra. Porém,nas
provasderesultadosem[17℄usamdefato
φ
b
. UmdessesresultadoséaProposição7 eoLema9,ondeprovamquedadoumainvoluçãoantimóraθ
sobreumalfabetoΣ
,oonjuntodosθ
-palíndromos,Pθ
,éumalinguagemlivredeontextonãoregular.Masaquirenaremosmaisesseresultado.
Teorema 6.3. Seja
φ
: Σ
→
Σ
umainvolução. EntãoPφ
é umalinguagem linear(determinístia).
Demonstração. Seja
∆ =
{a
∈
Σ :
a
=
φ
(
a
)
}
. EntãooalnM
=
h{q0}, P,
Σ
, δ,
{q0}, F
i
tal que
P
=
{pa
:
a
∈
Σ
}
,F
=
{q0} ∪ {pa
:
a
∈
∆
}
, e para todoa
∈
Σ
,6.2. DNA e Palíndromos
Osáidos nuléios fazemparte das élulas vivasesão responsáveispelo
armaze-namento e transmisão dainformação genétia assim omo pela síntese preisa de
proteínas. Osáidosnuléiossão asbiomoléulasque ontémasinformações
ge-nétiaseportanto sãofundamentaispara oontroleelular. Elasestãoompostas
de subunidadeshamadasdenuleotídeos(áidofosfório,açúar,base puríniae
base pirimidínia). Existem dois tiposde áidos nuléios: áidos
desoxirribonu-léios(DNA)eáidosribonuléios(RNA). Umamoléulade DNAestáformada
por umapentose(açúar formadopor5arbonos),umáido fosfórioeuma base
nitrogenada. Háquatro possíveistiposde bases nitrogenadasno DNA- Adenina
(A),Citosina(C), Guanina(G)eTimina(T)-asquaispodemserlassiadasem
purínias (A eG) epirimídias (Ce T).Estas quatro bases ligam-se ao açúare
ao fosfato para formar DNA ompleto numa estrutura de dupla hélie [1℄. Cada
hélieformaumaadeia(sequênia)debasesnitrogenadas,detalformaqueháum
emparelhamentodeambas,onetandoadabasedeumaadeiaomumabaseda
outraadeia,fazendouma espéiedeponteentreambasasadeias. Estas ligações
sópodem serfeitasentre basesdotipo
A
omT
edotipoC
omG
, oquelevaatrataressasbasesomoomplementares.
Numnível maisabstrato,podemosonsiderar asbases nitrogenadasomoum
alfabeto
Σ =
{A, C, G, T
}
. Afunçãoθ
: Σ
→
Σ
denida porθ
(
A
) =
T
,θ
(
T
) =
A
,θ
(
C
) =
G
eθ
(
G
) =
C
élaramente involutiva.θ
éonheidaomoainvoluçãodeWatson-Crik,porteremsidoeles(JamesWatsoneFranisCrik)quepropuseram
em 1953 o modelo de dupla hélie para o DNA e portanto esse aparelhamento
entre bases omplementares. Um
θ
-palíndromo é onheido omo palíndromo deWatson-Crik[17℄.
θ
-palíndromoseoutrostiposderedundâniasoorremomfrequêniasemsub-adeias de DNA (veja por exemplo [21℄). Uma questão que torna importante o
estudo destas sequênias é que alguma enzimas têm a apaidade de reonheer
palíndromosparadepoisremovê-los,provoandoumamutaçãonoDNA.Neste
sen-tido,omodemonstradonoTeorema6.3,os
λ
-alnpodemserumaferramentaútilparaesse tipodepesquisa. Porexemplo,o
λ
-alndaFigura 2éapazdedetetarseumDNA ontémumsegmento quesejaum
θ
-palíndromodetamanho superiorouiguala
2
n
,para algumn
≥
3
,mesmo quesuasmetadesestejam separadaspordiversasbasesnitrogenadas.
7. Considerações Finais
Estetrabalhointroduzummodelodeautmatosintuitivoesimplesparalinguagens
lineares que estende de maneiranatural os autmatos nitos não-determinístios
om
λ
-transições (λ
-afn). Mais ainda, osλ
-aln são intrínseos, no sentido quenão onsideram agentes externosao modelo, omo oorreom osoutros modelos
de autmatos para esta lasse de linguagens. Outra propriedadeinteressante dos
Figura2:
λ
-aln quedetetaem umDNAaoorrêniadealgumθ
-palindromodetamanhomaiorouiguala2n.
estendem de modo natural
λ
-afn, no sentido que todoλ
-afn é umλ
-aln omP
=
∅
.Nesteartigotambémprovamosque,analogamenteaoasodeautmatosnitos,
autmatos om pilha e máquinas de Turing, os
λ
-movimentos não aresentampoderomputaionala
λ
-aln.Comouma formade mostrarautilidade deste novoformalismo,apresentamos
umaapliaçãoemsequêniaspalindrmiasdeDNA.Depasso,apresentamosnovos
resultadosteóriosnestaárea.
Asimpliidadedasprovasnesteartigoadvemdasimpliidadedomodelooqual
seria outra vantagem deste modeloquando omparadoom osoutrosmodelosde
autmatosparaalassedaslinguagenslineares.
Comotrabalhosfuturospretende-seestudaralgumassublasesdealn,omopor
exemploautmatoslinearesdeterminístios(ald)eompararalassedelinguagens
aeitasporaldomalgumasdaslassesdelinguagenslinearesapresentadasem[9℄
equesãohamadasdedeterminístias. Emseguida poderiamosestabeleeruma
hierarquia innita de lasses de linguagens iniiando dessa lasse de linguagens
lineares determinístias até alasse daslinguagens lineares, deforma análoga à
hierarquiadelinguagenslivresdeontextoem[4℄.
Agradeimentos
Agradeço aosrevisoresannimospelas suassugestõesque ajudaramamelhorara
qualidade do artigo assim omo ao meu aluno de doutorado, Anderson de Paiva
Cruz,pelarevisãonalesugestõesfeitas.
Abstrat. Inthispaperwe introduethe lassof linearnon-deterministi
provethatthelassoflanguagesaeptedbysuhautomataisexatlythelassof
linearlanguages. Alsoweshowthat,analogouslytoniteautomataandpushdown
automata, theoorrenesof
λ
-transitions inanon-deterministilinearautomaton notmeansthatnotbepossibledeneanon-deterministilinearautomatawithoutλ
-transitionswhihaeptthesamelanguage.Thus,λ
-transitionsnotinreasestheaeptanepowerofthislassofautomataandthereforeanbedispensed. Finally,
wepresentanappliationofthisautomataintheontextofbioinformatis.
Keywords. Linear languages, linear grammars, normal form, non-deterministi
linearautomata,
λ
-transitions.Referênias
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