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Treatment of textile dyeing baths by photo-Fenton processes and evaluation of the reuse potentiality.

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Academic year: 2017

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TRATAMENTO DE BANHOS DE TINGIMENTO TÊXTIL POR PROCESSOS FOTO-FENTON E AVALIAÇÃO DA POTENCIALIDADE DE REUSO

Geovani Zanella, Mauro Scharf e Giovana Aparecida Vieira

Departamento de Química, Fundação Universidade Regional de Blumenau, 89012-900 Blumenau - SC, Brasil Patricio Peralta-Zamora*

Departamento de Química, Universidade Federal do Paraná, CP 19081, 81531-980 Curitiba - PR, Brasil Recebido em 16/6/09; aceito em 18/12/09; publicado na web em 8/4/10

TREATMENT OF TEXTILE DYEING BATHS BY PHOTO-FENTON PROCESSES AND EVALUATION OF THE REUSE POTENTIALITY. In this work the treatment of textile dyeing baths by a sequential reductive-oxidative process was evaluated, aiming its utilization in new dyeing process. The results demonstrated that reactive dyes can be easily degraded by reductive processes mediated by zero-valent iron, a fact that induces decolorizations of about 80%. Sequential photo-Fenton processes permit almost total removal of the residual color with elimination of 90% of the COD content. The reuse of treated residues permits the achievement of materials that attend practically all textile speciications, with exception of the color difference parameter (DE), which is unsatisfactory

toward the importation standards, but adequate for the national market. Keywords: dyeing; photo-Fenton; reuse.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o fenômeno de contaminação ambiental alcançou proporções globais, afetando o delicado balanço de muitos sistemas ecológicos. Dentro deste contexto, deve ser dado especial destaque à sistemática contaminação das águas naturais, compar-timentos que historicamente têm servido de vertedouro para uma grande variedade de resíduos domésticos e industriais.

Em função das pessimistas projeções relacionadas com a disponi-bilidade de água, a legislação tem se tornado cada vez mais restritiva, evoluindo continuamente no estabelecimento de padrões especíicos para o enquadramento de corpos de água, assim como de condições e padrões para o lançamento de eluentes (Resoluções CONAMA 357/2005 e 396/2008).

No contexto industrial, a incorporação de práticas que permitam o reuso da água se torna cada vez mais urgente, não apenas para satisfazer as imposições da legislação, mas também para diminuir o seu consumo e reduzir os custos de produção.1,2 Esta necessidade se mostra especialmente importante na área de beneiciamento têxtil, na qual o consumo médio de água costuma alcançar valores da ordem de 160 m3 por tonelada de ibra processada,3 principalmente em função de operações de branqueamento, mercerização, tingimento e lavagem.4 Os eluentes líquidos produzidos pela atividade têxtil se carac-terizam por apresentar elevada carga orgânica, alta concentração de sais e forte coloração, esta última característica associada à presença de corantes residuais. Em geral, estima-se que 15 a 50% da carga de corantes pode ser perdida nas etapas de tingimento e lavagem,5,6 o que torna evidente a necessidade de sistemas adequados de tratamento. Infelizmente, uma importante parcela destes corantes se mostra recalcitrante frente a processos biológicos convencionais, mesmo utilizando-se rotinas anaeróbias-aeróbias sequenciais.7

Em função das deiciências apresentadas pelos sistemas con-vencionais de tratamento, usualmente representados por processos biológicos e de coagulação química,8 novas alternativas de tratamen-to têm sido regularmente propostas. Dentro do contextratamen-to do reuso dos eluentes têxteis é possível destacar a associação de processos

biológicos com processos de ultra9 e nanoiltração,10 a utilização de processos de oxidação eletroquímica11 e, menos frequentemente, o uso de rotinas envolvendo processos físico-químicos, biológicos e de adsorção em carvão ativado.12

Embora muitos trabalhos atestem uma elevada capacidade dos processos Fenton em relação à remediação de eluentes têxteis contendo corantes,13-16 poucos estudos tratam da utilização destes processos em rotinas que permitam o reuso dos eluentes em ques-tão.17-19 Em geral, os poucos estudos realizados demonstram que o reuso dos eluentes somente é possível quando os processos Fenton são complementados com processos de troca iônica,17 iltração em membrana,18 ou coagulação química.19

Por sua vez, vários trabalhos demonstram a elevada eiciência de degradação de sistemas redutivos fundamentados no uso de ferro me-tálico20 e de sistemas Fenton aplicados na presença de ferro metálico,21 em relação à degradação de azo-corantes. Entretanto, poucos trabalhos relatam o tratamento de eluentes de tingimento e muito menos o desenvolvimento de rotinas de tratamento que viabilizem o reuso.

Neste trabalho, a potencialidade da associação de processos redutivos (mediados por ferro metálico) e oxidativos avançados (foto-Fenton) foi avaliada, em relação ao tratamento e reuso de eluentes de tingimento de ibras de algodão.

PARTE EXPERIMENTAL

Reagentes

Os corantes reativos amarelo intracom 3RL (C.I. 145, Yokcheire), vermelho intracom 3 SR (C.I. 195, Yokcheire) e preto reativo 5 (C.I. 20505, Dyestar) foram gentilmente fornecidos pela Siderquímica, em grau técnico de pureza. As suas estruturas químicas são apresen-tadas na Figura 1.

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Peróxido de hidrogênio (Peróxidos do Brasil, 50% m/m) foi utilizado como recebido, sendo conservado sob refrigeração. A sua concentração foi veriicada periodicamente por titulação perman-ganométrica.

Como fonte de ferro metálico foi utilizada lã de aço comercial (Assolan), constituída por ibras de aproximadamente 0,06 mm de di-âmetro e teor de ferro de cerca de 99% (m/m). Objetivando-se retirar óxidos que depositam na sua superfície, as ibras foram previamente lavadas com solução aquosa de H2SO4 (10% v/v).

Outros reagentes (ácidos, bases e sais) foram de grau analítico P.A. Estudos preliminares

A eiciência de degradação apresentada pelo processo redutivo foi preliminarmente avaliada em relação à degradação de um corante pa-drão (preto reativo 5), utilizado em concentração de 20 mg L-1. Nestes estudos foram avaliados os efeitos do pH, da vazão de alimentação e da espessura das ibras de palha de aço, monitorando-se a degradação do corante e a geração de formas solúveis de ferro. Posteriormente, a eiciência do processo oxidativo foi também avaliada, levando-se em consideração a degradação do substrato modelo.

Em ambos os casos foram utilizadas as condições de tratamento descritas no item Tratamento dos banhos.

Tingimento dos tecidos

Operações de tingimento foram realizadas em malha 100% algodão, com gramatura de 1,94 g cm-2.

Inicialmente, a malha foi submetida ao processo de purga, que objetiva a remoção de impurezas naturais e o aumento da ainidade da ibra pelos corantes. Com este propósito, a malha foi deixada em contato com uma solução contendo NaOH (1,5 g L-1), Sidertex SQ 70 (1,0 g L-1) e Sidertex EG 97 (1 g L-1), durante 30 min a 95 oC. Posteriormente, a malha foi lavada com água à fervura, objetivando-se a remoção de gorduras, ceras e óleos previamente saponiicados. Finalmente, a malha foi submetida à lavagem com solução aquosa de ácido acético (3 mol L-1), de maneira a recuperar a sua neutralidade.

Os tingimentos foram realizados em triplicata, utilizando-se 126 g de tecido e 1 L de banho (relação de banho 1:8), este último cons-tituído de: Sidertex DS 208 (1,5 g L-1), Sidertex NZ 130 (0,2 g L-1), Na2CO3 (5,15 g L-1), NaCl (60 g L-1), NaOH (1 g L-1) e os corantes reativos amarelo intracom 3RL (1,1% m/v), vermelho intracom 3 SR (0,50% m/v) e preto reativo 5 (0,44% m/v). O processo foi realizado a 60 oC por 90 min, em pH 10,5.

Após o tingimento, a malha foi lavada com água corrente e, posteriormente, por imersão em solução de ácido acético (3 mol L-1) e Sidertex EB 82 (2,0 g L-1). Finalmente, a ixação foi promovida por imersão da malha tingida em solução aquosa contendo Sidertex FX 305 (2,5% m/v).

Todas as operações de tingimento e lavagem foram realizadas em máquina de tingimento Mathis, modelo ALT 1.

Tratamento dos banhos

Após o processo de tingimento, os banhos exauridos (sem nenhu-ma diluição) foram tratados pelo processo redutivo, utilizando-se um sistema contínuo. Este sistema é formado por uma coluna de vidro de 26 cm de altura, 2,5 cm de diâmetro interno e volume útil de aproxima-damente 100 mL, recheada com 14 g de lã de aço comercial. A amostra de banho (3 L) teve o seu pH ajustado com solução aquosa diluída de H2SO4 (pH 3), sendo passada através da coluna com vazão de 15 mL min-1 (tempo de retenção de aproximadamente 6 min) com auxílio de uma bomba peristáltica Provitec (modelo DM 5000). As amostras foram coletadas em intervalos regulares, iltradas em membrana de acetato de celulose (0,45 mm) e submetidas a controle analítico.

Posteriormente, as amostras reduzidas foram adicionadas de pe-róxido de hidrogênio (concentração inal de 100 mg L-1) e submetidas ao processo foto-Fenton. Este processo foi aplicado em reator de vidro de 200 mL de capacidade, equipado com camisa para refrigeração por água e sistema de agitação magnética. A radiação foi proporcio-nada por uma lâmpada a vapor de mercúrio de 125 W, inserida na solução com ajuda de um bulbo de vidro Pyrex. As amostras foram coletadas em intervalos regulares, precipitando-se o ferro por adição de solução aquosa de NaOH (pH≈12). Posteriormente, as amostras foram iltradas em membrana de acetato de celulose (0,45 mm) e submetidas a controle analítico.

Reuso dos banhos tratados

Após tratamento pelo processo proposto, a água residual foi uti-lizada em novos processos de tingimento, os quais foram aplicados nas condições descritas a seguir.

Tingimento padrão: realizado com água destilada e seguindo-se a receita de tingimento da indústria.

Reuso 1: realizado com água tratada pelo processo proposto, adicionada de todos os auxiliares de tingimento indicados na receita original.

Reuso 2: realizado com água tratada pelo processo proposto, adicionada de todos os auxiliares de tingimento indicados na receita original, com exceção de Na2CO3 e NaCl, os quais foram apenas ajustados aos valores da receita (3000 mg L-1 de alcalinidade de 60 mg L-1 de NaCl).

Controles analíticos

Caracterização dos banhos

Antes e após o processo de tingimento, assim como após cada etapa do tratamento proposto, os banhos foram caracterizados por determinações de cor, demanda química de oxigênio, alcalinidade, cloretos e ferro solúvel.

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A cor foi avaliada espectrofotometricamente, utilizando-se es-pectrofotômetro HP 8452-A e cubetas de quartzo de 1 cm. A cor foi expressa em termos de absorvância no(s) comprimento(s) de onda de máxima absorção ou como área espectral integrada entre 350 e 700 nm.

A demanda química de oxigênio (DQO) foi determinada de acordo com metodologia padrão (APHA: 5220D),22 fundamentada em digestão em tubo fechado seguida de determinação espectrofotomé-trica. Curvas analíticas foram elaboradas com padrão de biftalato de potássio, na faixa compreendida entre 100 e 800 mg O2 L-1. O desvio padrão típico desta determinação foi da ordem de 12%.

A alcalinidade foi determinada de acordo com método padrão (APHA: 2320B),22 fundamentado em titulação ácido-base com padrão de ácido sulfúrico (0,1 mol L-1) até pH 4,5. O resultado foi expresso em miligramas de CaCO3 por litro.

A determinação de cloreto foi realizada por potenciometria direta (APHA: 2580 B),22 utilizando-se eletrodo seletivo e potenciômetro Quimis. Curvas analíticas foram elaboradas com padrão de NaCl, na faixa compreendida entre 5,0 x 10-4 e 7,5 x 10-2 mol L-1.

O teor de ferro solúvel foi determinado espectrofotometricamente, utilizando-se procedimento padrão (APHA: 3500D)22 fundamentado na reação de ferro(II) com 1,10-fenantrolina. O teor de ferro(II) foi determinado diretamente, enquanto a concentração de ferro(III) foi determinada após a redução com hidroquinona. Curvas analíticas foram elaboradas com padrão de sulfato ferroso amoniacal, na faixa de concentração compreendida entre 0,4 e 4,0 mg L-1.

Caracterização dos tecidos tintos

A intensidade colorística (K/S) foi obtida a partir da equação de Kubelka-Munke (Equação 1), enquanto que a diferença de cor residual (DE) foi calculada a partir da expressão apresentada na Equação 2.

K/S = (1-R)2/2R (1)

onde: K corresponde à absorção de luz pelo corante, S à medida da difusão da luz pelo substrato e R ao valor da remissão.

DE = ((DH)2 + (DC)2 + (DL)2)½ (2) onde: DH corresponde ao desvio de tonalidade, DC ao desvio de pureza e DL ao desvio de claridade.

Todos estes parâmetros foram determinados em espectrofotôme-tro de remissão Mathis, modelo Opespectrofotôme-tronik.

Com a inalidade de avaliar a resistência dos corantes na ibra, diversos ensaios de solidez foram realizados, utilizando-se metodolo-gias padrão e equipamentos especiicamente destinados a este tipo de controle. Dentro deste contexto é possível destacar o índice de solidez à fricção (norma técnica NBR 8432),23 à lavagem (norma técnica NBR 13062)24 e ao suor ácido e alcalino (norma técnica NBR 8431).25 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Estudos preliminares envolvendo a degradação de corante modelo

Inicialmente, inúmeros estudos foram realizados com o objetivo de veriicar o efeito de variáveis operacionais de relevância (ex. es-pessura e massa da ibra de aço, pH da solução de corante e vazão de alimentação) na degradação de corantes azo por processos redutivos mediados por ferro metálico. De maneira geral, foi constatado que ibras de menor espessura favorecem o processo de degradação, ba-sicamente em função da maior superfície disponível para ocorrência de reações redox. Por sua vez, o efeito do pH das amostras e da vazão de alimentação deve ser analisado com cautela, uma vez que baixos

valores de pH e vazões reduzidas proporcionam elevada eiciência de degradação, ao mesmo tempo em que viabilizam a geração de elevadas concentrações de formas solúveis de ferro. Em condições de máxima eiciência de degradação, isto é, baixas vazões de alimen-tação, baixos valores de pH e mínima espessura das ibras de aço, a concentração de formas solúveis de ferro ultrapassa o valor de 50 mg L-1, o que se mostra incompatível com o processamento de ibras de algodão, em função do dano catalítico causado por espécies férricas associadas a operações de lavagem com agentes branqueadores à base de peróxido.26

Em função destes argumentos, as condições de tratamento redu-tivo foram ixadas em pH 3, vazão de 15 mL min-1 e 14 g de lã de aço de menor espessura (0,06 mm). Nestas condições, a degradação do corante modelo (preto reativo 5) é bastante evidente (Figura 2), o que permite uma descoloração da ordem de 90%, levando-se em consideração o decaimento do sinal registrado no comprimento de onda de absorção máxima (592 nm). Tipicamente, o processo de descoloração envolve a degradação redutiva do grupo cromóforo azo, com formação de derivados aminados característicos.21

A permanência de intensos sinais na região ultravioleta (Figura 2), característicos de grupos aromáticos substituídos, demonstra uma capacidade de mineralização praticamente nula do sistema redutivo, o que aponta para a necessidade de processos oxidativos auxiliares. A este respeito, é importante salientar que a geração de formas solúveis de ferro(II), em concentrações entre 5 e 10 mg L-1, viabiliza a pos-terior aplicação de processos Fenton, o que corresponde à principal proposta deste trabalho.

A aplicação de processos foto-Fenton foi viabilizada pela adição de peróxido de hidrogênio, em concentração inal de 100 mg L-1. De maneira geral, tratamentos de 60 min permitiram a completa remoção da cor residual das amostras, assim como uma signiicativa remoção dos fragmentos que absorvem na região ultravioleta (Figura 2). O pequeno sinal residual centrado em 200 nm pode ser devido à presença de ácidos orgânicos, principalmente ácido oxálico, espécies que costumam se acumular no inal do processo.27

Em razão do processo foto-Fenton ter sido aplicado em pH pró-ximo de 3 e de ter envolvido concentrações relativamente baixas de ferro solúvel (5 a 10 mg L-1), a precipitação de óxidos férricos não foi observada durante o tratamento. Entretanto, a formação deste tipo de precipitados é bastante comum em processos que envolvem o uso de formas férricas, o que normalmente obriga à aplicação de processos adicionais orientados à sua remoção. Em geral, este tipo de precipitado pode ser removido com facilidade por processos de Figura 2.Modiicação do peril espectral do corante preto reativo 5 após tratamento redutivo (Corante: 20 mg L-1, pH: 3,0, vazão: 15 mL min-1, massa

de lã de aço: 12 g) e oxidativo (pH: 3,0, Fe2+: 8 mg L-1; H

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coagulação química seguida de decantação, processo este que, sendo parte de praticamente toda rotina de tratamento da indústria têxtil, não acrescentaria custos adicionais de relevância.

Estudos de degradação dos banhos de tingimento

Após tingimento, os banhos residuais foram tratados pela rotina redutiva-oxidativa proposta neste estudo, obtendo-se os resultados apresentados na Figura 3. De acordo com estes resultados, o pro-cesso redutivo induz uma signiicativa redução na cor do eluente, o que se manifesta como redução de absorvância da ordem de 85% no comprimento de onda de máxima absorção (540 nm). Na região ultravioleta, os sinais se modiicam sensivelmente. Entretanto, o forte sinal observado entre 210 e 230 nm atesta a presença de espécies aromáticas, resistentes a este tipo de tratamento. No processo redutivo a concentração de matéria orgânica (medida em termos de DQO) é reduzida a praticamente à metade do valor original, provavelmente por conta da coprecipitação em partículas de óxido férrico, produzidas pela corrosão das ibras de aço.

Por sua vez, o processo foto-Fenton permitiu a completa remoção da cor residual, assim como uma signiicativa remoção dos sinais característicos de espécies aromáticas. Neste tratamento sequencial, a DQO foi reduzida em aproximadamente 90%, o que atesta o avançado grau de degradação que o processo permite.

A sequência de tratamento provocou, adicionalmente, uma signi-icativa redução da alcalinidade dos banhos, parâmetro que alcançou valores da ordem de 100 mg L-1. Por sua vez, o teor de cloreto alcançou valores da ordem de 43 mg L-1.

Reuso dos banhos tratados

A água tratada pelo processo proposto foi utilizada em novos processos de tingimento, os quais foram identiicados como reuso 1 e 2, como explicado anteriormente. Para comparação, um tingimento padrão foi realizado em paralelo, com água destilada.

O primeiro parâmetro relevante a ser investigado nos estudos de reuso está representado pela avaliação da transferência dos corantes para a ibra têxtil (esgotamento). Nos resultados apresentados na Tabela 1 é possível observar que tanto em condições de tingimento padrão (água destilada), como nos ensaios envolvendo o reuso da água tratada, a transferência dos corantes para a ibra de algodão alcança valores superiores a 99%. Pelo menos em primeira análise, este resultado sugere uma elevada eiciência de tingimento e, portanto,

a viabilidade do reuso após o tratamento proposto. Adicionalmente, é possível observar que ambas estratégias adotadas em relação aos parâmetros de alcalinidade e teor de cloretos (reuso 1: adição das quantidades previstas na receita; reuso 2: ajuste das concentrações aos valores da receita) são equivalentes, proporcionando resultados bastante similares. Finalmente, a grande semelhança observada nos resultados dos reusos 1 e 2 atesta a boa repetibilidade do processo de tingimento, o que, consequentemente, atesta uma boa repetibilidade do sistema de tratamento proposto.

Como comentado anteriormente, o processo redutivo/oxidativo induz uma eiciente degradação da matéria orgânica, o que permite uma redução de cerca de 90% no teor de DQO. Embora a DQO residual seja de aproximadamente 2000 mg L-1, provavelmente em decorrência de fragmentos moleculares que se acumulam no inal do processo, não foi observada uma signiicativa inluência deste teor residual no processo de tingimento, haja vista a boa qualidade dos tecidos tintos pelas rotinas de reuso.

É importante salientar que grande parte do custo associado ao processo proposto está representada pela necessidade de fontes artiiciais de radiação. Recentemente, um equipamento para trata-mento contínuo de resíduos foi desenvolvido, o qual, operando com 4 lâmpadas a vapor de mercúrio de 125 W, permite o tratamento de aproximadamente 1 m3 de resíduo em 8 h de operação. Nestas condi-ções, o custo energético é equivalente ao consumo de 4 lâmpadas de iluminação pública, o que corresponde a valores inferiores a R$ 1,00.

Nas condições em que referido equipamento funciona (vazão de 2 L min-1), o tempo de retenção não ultrapassa 10 min. Portanto, a prática de tempos da ordem de 1 h implicaria na necessidade de ampliação de escala, a qual pode ser viabilizada pelo uso de lâmpa-das de 250 W. Obviamente que, neste caso, o custo do tratamento aumenta proporcionalmente.

Análise colorimétrica dos substratos

Após tingimento, os tecidos foram secos a temperatura ambiente e analisados por espectrofotometria de remissão, medindo-se os pa-râmetros de intensidade colorística (K/S) e diferença de cor residual (DE). Os resultados (Tabela 1) indicam valores de intensidade colo-rística (K/S) bastante próximos, com diferenças inferiores ao desvio padrão observado nas medições em replicata (0,77). Esta similaridade atesta a qualidade do tingimento realizado com água tratada.

Os valores de diferença de cor (DE), em relação ao tingimento padrão, são também apresentados na Tabela 1. De maneira geral, esta avaliação reproduz a percepção do olho humano, o qual consegue distinguir diferenças de cor equivalentes a DE de 0,2. De acordo com a norma especíica (norma DIN 6174,1979),28 valores de DE entre 1,5 e 3,0 correspondem a diferenças distinguíveis, de maneira geral não aceitas para a produção de tecidos destinados à importação (DE 1,0). Entretanto, valores de DE inferiores a 2,0 costumam ser considerados satisfatórios por empresas menos exigentes, principalmente quando os produtos são comercializados no mercado nacional.

A diferença de cor referida (Figura 1S, material suplementar) pode ser devida à interferência de algum subproduto gerado durante Figura 3. Modiicação do peril espectral do banho de tingimento após

tra-tamento redutivo (pH: 3,0, vazão: 15 mL min-1, massa de lã de aço: 12 g) e

oxidativo (pH: 3,0, Fe2+: 10 mg L-1; H

2O2: 100 mg L -1)

Tabela 1. Exaustão dos corantes e principais características dos tecidos tintos obtidos nos estudos de reuso

Tingimento Exaustão dos corantes (%) K/S (Diferença de cor)DE

Padrão >99 12,06

-Reuso 1 >99 13,59 1,94

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Tabela 2. Resultados da avaliação da solidez da cor nos tecidos tintos, em relação à fricção, lavagem e suor

Tingimento Fricção Lavagem Suor ácido Suor alcalino

Seco Úmido Transferência Substrato Transferência Alteração Transferência Alteração

Padrão 5,0 4,5 4,5 4,5 5,0 4,5 5,0 4,5

Reuso 1 5,0 4,5 4,5 4,0 5,0 4,5 5,0 4,5

Reuso 2 5,0 4,5 4,5 4,0 5,0 4,5 5,0 4,5

o processo de degradação. Entretanto, são necessários estudos com-plementares para elucidar este fato.

Os resultados de solidez da cor em relação à fricção (em seco e úmido), à lavagem e ao suor ácido e alcalino são apresentados na Tabela 2. Em razão dos valores apresentados pelos tecidos tingidos nas operações de reuso serem exatamente os mesmos que os apresentados pelo tecido tingido de acordo com a receita padrão, pode-se concluir que o reuso do eluente tratado permite uma ixação comparável àquela permitida pelo tingimento padrão.

Finalmente, é importante salientar que a DQO residual observada após cada ciclo de tratamento (entre 1500 e 2000 mg L-1) limita o número de ciclos de reuso, característica esta que depende, ainda, do tipo de cor utilizada no processo de tingimento. De maneira geral, observou-se que o tingimento com cores claras permite somente dois ciclos de reuso, enquanto que o tingimento com cores escuras, menos sensível à DQO residual, permite a realização de pelo menos quatro ciclos de reuso.

CONCLUSÕES

Processos redutivos, aplicados na forma de tratamento contínuo e na presença de lã de aço, permitem uma eiciente degradação de co-rantes em solução aquosa, o que permite uma eiciente remoção da cor (aproximadamente 90%), assim como a geração de íons ferrosos em concentração compatível com a aplicação subsequente de processos foto-Fenton (5 a 10 mg L-1). No processo foto-Fenton subsequente a cor residual é completamente removida, ao mesmo tempo em que a DQO é reduzida até valores da ordem de 10%.

O reuso das águas tratadas em novos processos de tingimento permitiu a obtenção de tecidos que atendem a praticamente todas as exigências da indústria. Exceção feita, somente, ao parâmetro de diferença de cor, que se apresenta elevado em relação aos padrões de importação, mas adequado para atendimento do mercado nacional. MATERIAL SUPLEMENTAR

Encontra-se disponível em http://quimicanova.sbq.org.br na forma de arquivo .PDF, com acesso livre. Na Figura 1S apresenta-se uma fotograia dos tecidos tingidos por procedimento padrão e por ensaios de reuso.

AGRADECIMENTOS

Ao Laboratório Têxtil do Departamento de Química da Fundação Universidade Regional de Blumenau, pela disponibilização de infra-estrutura para realização dos ensaios de tingimento, e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e Tecnológico (CNPq) pelo suporte inanceiro (Processo No 474066/2006-1).

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Material Suplementar

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TRATAMENTO DE BANHOS DE TINGIMENTO TÊXTIL POR PROCESSOS FOTO-FENTON E AVALIAÇÃO DA POTENCIALIDADE DE REUSO

Geovani Zanella, Mauro Scharf e Giovana Aparecida Vieira

Departamento de Química, Fundação Universidade Regional de Blumenau, 89012-900 Blumenau - SC, Brasil

Patricio Peralta-Zamora*

Departamento de Química, Universidade Federal do Paraná, CP 19081, 81531-980 Curitiba - PR, Brasil

Imagem

Figura 1. Estrutura química dos corantes amarelo intracom 3RL (A), vermelho  intracom 3 SR (B) e preto Reativo 5 (C)
Tabela 1. Exaustão dos corantes e principais características dos tecidos tintos  obtidos nos estudos de reuso
Tabela 2. Resultados da avaliação da solidez da cor nos tecidos tintos, em relação à fricção, lavagem e suor
Figura 1S. Fotografia dos tecidos tingidos por procedimento padrão e por  ensaios de reuso

Referências

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