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Nietzsche Germanófobo.

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Academic year: 2017

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Cad. Nietzsche, São Paulo, v.I n.35, p. 165-167, 2014. 165 Nietzsche Germanófobo

Nietzsche Germanófobo

*

Anônimo

Resumo: Artigo publicado em 1915, na revista carioca Fon-Fon. De autor anônimo, o texto procura afastar Nietzsche dos eventos relativos à Primeira Guerra Mundial. Para tanto, o autor resenha a tradução de Henri Albert de alguns aforismos de Nietzsche, que ressaltam, de um lado, as inclinações culturais do filósofo pela França e, de outro, o seu antigermanismo.

Palavras-chave: Nietzsche – Henri Abert – França – Alemanha

Na Opinião, Henri Albert, o claro tradutor francês de

Niet-zsche, apresenta novas provas do antigermanismo do filósofo, pu-blicando aforismos pouco conhecidos fora das fronteiras alemãs. Em 1880, Nietzsche escrevia: “Eu não posso suportar a vida na Alemanha, o espírito de mesquinhez e de servilismo penetra em tudo, desde aos pequenos jornais dos burgos e aldeias, até os artis-tas e cientisartis-tas mais eminentes. Acrescente a isso uma arrogância de pobres de espírito diante de todos de todos os homens e povos independentes. Por isso é que é que se é dominado sempre pela inquietude e pressa do presente, não se cuida do futuro e passa-se o tempo com censuras reciprocas. Os alemães imaginam que a força deve manifestar-se com dureza e crueldade: entretanto eles gostam

* Texto publicado na revista Fon-Fon. Rio de Janeiro, ano 09, N. 22, em 29 de Maio de

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Cad. Nietzsche, São Paulo, v.I n.35, p. 165-167, 2014.

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Anônimo

de serem sujeitos e de admirar, e é quando se sentem embaraçados com a sua fraqueza, sua insensibilidade com relação a tudo, e go-zam intimamente do seu terror”.

O orgulhoso servilismo alemão provoca em Nietzsche explo-sões de desprezo. Ele não tem palavras bastante vivas para carac-terizar as pretensões germânicas de domínio universal: “Termos entusiasmo pela Alemanha ‘acima de tudo’, pelo império alemão, eis aí duas coisas para as quais não somos suficientemente imbe-cis!”. E mais: “A Alemanha acima de tudo, é o mot d’ordre mais

absurdo que se poderia dar. Por que então Alemanha? Eis aí o que pergunto a mim mesmo, uma vez que a Alemanha não vale e não representa qualquer coisa que seja de um valor superior ao que outras potências têm representado até agora!”.

Nessa ocasião Nietzsche estava escrevendo a sua Vontade de poder, e na mesma época se propunha escrever um suplemento às Considerações inatuais. Um dos seus tratados deveria intitular-se: Tudesco. Essa obra ficou apenas em esboço, mas não pode

duvi-dar do que seria esse livro se o autor tivesse chegado a realizar as suas intenções. Alguns títulos dos capítulos: “A alma do criado”, “A corrupção do sangue”, “A tartufice moral”, “A falta de cari-nho”, “Os retardatários”, “A brutalidade”, “A independência da França”, “O professor alemão e o oficial”, “A estupidez alemã”, etc. não se imaginária, lendo esses títulos – pergunto Henry Albert – estar lendo inventivas francesas contra a Alemanha? Na tomava sempre o partido da França. Dizia que toda a cultura do mundo era francesa. Previa que a Europa estava para entrar na era clássica da guerra e, de fato, não se assustava com a Rússia. Esperava antes do império moscovita uma salutar reorganização da Europa. Escreveu a respeito: “A Rússia é como a Igreja, pode esperar!”. Mas formu-lava também a esperança de que a nação vitoriosa, consciente da sua força, seria finalmente capaz de “decretar a paz” e essa paz, para ele, não podia de fato ser uma paz alemã.

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estragado sempre tudo quanto era feito e se fazia de bom no mundo. É celebre a sua frase: “Há filósofos alemães? Poetas alemães? Bons livros alemães? perguntam-se no estrangeiro. Eu enrubesço, mas com a fisionomia cínica que me é própria mesmo nos casos mais difíceis, respondo: Sim, Bismarck”.

Abstract: Article published in 1915, in the magazine Fon-Fon, from Rio

de Janeiro. Of an anonymous author, the text tries to separate Nietzsche from the events relative to the First World War. To do that, the author reviews the translation of Henri Albert of some aphorisms that highlight, on the one hand the philosopher’s French cultural inclinations and on the other, his antigermanism.

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