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Testes do pH do exsudato para sementes de milho.

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TESTES DO pH DO EXSUDATO PARA SEMENTES DE MILHO

1

1Aceito para publicação em 30.12.2001; parte da Dissertação de Mestrado

do primeiro autor; trabalho realizado com apoio financeiro do Centro Internacional de Melhoramento do Milho e Trigo (CIMMYT).

2Engo Agro, Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (INIA);

ALEXANDER CHÁVEZ CABRERA2 E SILMAR TEICHERT PESKE3

RESUMO - Com a finalidade de verificar os resultados para genótipos de milho e simplificar o processo por meio da avaliação individual e massal das sementes, desenvolveu-se o presente estudo. Foram utilizados 32 lotes de sementes de milho em dois experimentos. O primeiro visou a avaliação individual do pH do exsudato das sementes, empregando concentrações de uma solução indicadora (SI) composta de carbonato de sódio e fenolftaleína, e períodos de embebição de sementes. O segundo visou a avaliação massal das sementes em duas modalidades: (i) do tempo necessário até desaparecimento da coloração rosa forte do meio contendo sementes, água destilada e SI agregada ao início da prova, (ii) quantidade da SI necessária para colorir o exsudato das sementes após embebição em água destilada. A germinação e o vigor (teste de frio) foram correlacionados com os dados obtidos no teste de pH do exsudato. Baseado nos resultados concluiu-se que é possível determinar a viabilidade das concluiu-sementes pelo teste de pH do exsudato massal, porém, apresenta relação mediana com o teste de frio. O processo de determinação da viabilidade das sementes pelo teste de pH do exsudato individual que melhor relaciona-se é o utilizado a SI após 20’ de embebição. Na avaliação massal, é possível determinar que lotes de sementes de baixa qualidade requerem mais de 0,7ml da SI para mudar de coloração, após 25min. de embebição. Termos para indexação: Zea mays L., testes rápidos, qualidade das sementes.

PH OF SEED EXUDATE TESTS FOR CORN SEEDS

ABSTRACT - The work was undertaken with objectives to ratify and determine the possibility to use the pH of seed exudate using the bulk system for corn seeds. It was used 32 seed lots. Two studies were conducted. The first one consisted of evaluating the seed individually through the pH of seed exudate test using sodium carbonate and phenolphthalein solution (IS) at different concentrations and imbibition time. The second study was based on evaluating the seed as a bulk system using two ways: (i) determining the time necessary to change the color of the seed exudate when the IS was added with the imbibition water, (ii) determining the quantity of the SI necessary to change the color of the seeds exudate after a time of imbibition. For the studies the seeds were cutted through the embryo. The tests conducted on normal seeds were the standard germination and vigor (cold test) which were correlated with pH of seed exudate test. Based on the result the following conclusions were taken: it is possible to determine corn seed viability through pH of bulk seed exudate, but presents an average relationship with cold test; the process to determine corn seed viability using the pH of individual seed exudate performs better using 20 min. of imbibition and 8g of Na2CO3 liter-1 of water + phenolphthalein at 0.5%; and it is possible to determine through the pH of bulk seed exudate test that low quality seed lots require 0.7ml of the IS to change color after 25 min. of imbibition.

Index terms: Zea mays L., quick tests, seed quality.

Programa de Investigación en Maíz, Cajamarca-Perú; telf: 51-44-923648; e-mail: [email protected]; bolsista do CIMMYT.

3Engo Agro, Ph.D., FAEM/UFPel; Cx. Postal 354, 96010-900, Pelotas-RS;

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INTRODUÇÃO

O teste de germinação, parâmetro oficial utilizado para avaliar a qualidade fisiológica das sementes, requer de sete a 28 dias para a obtenção dos resultados, para a maioria das espécies, período considerado longo para atender os interes-ses comerciais dos produtores de sementes. Assim, a necessi-dade do surgimento de métodos rápidos para estimar a viabi-lidade de sementes é reconhecida por instituições de pesqui-sa do mundo inteiro. A rapidez na avaliação possibilita o des-carte de lotes de semente com qualidade inadequada, na re-cepção da unidade de beneficiamento de sementes, com con-seqüente economia dos custos do provável processamento desnecessário.

A perda da integridade ou descontinuidade das membra-nas, com a conseqüente lixiviação de íons (Chen & Burris, 1991 e Roberts, 1973), açúcares, grãos de amido, corpos protéicos (Spaeth, 1986; Spaeth, 1987 e Ratclif et al., 1993) e metabolitos voláteis (Khan, 1994 e Martin et al., 1991), em quantidades diferentes em função do grau de deterioração das sementes, possibilita o emprego de testes rápidos para avali-ar a viabilidade e o vigor. Sementes com baixa viabilidade e vigor apresentam maior lixiviação de solutos que sementes vigorosas e com alta germinação, isto se relaciona com a bai-xa emergência no campo (Wilson-Jr. et al., 1992; Woodstock & Grabe, 1967; Howarth & Stanwood, 1993 e Hampton, 1995). Açúcares, ácidos orgânicos e íons (entre os quais H+)

contribuem na acidificação do meio e provocam a diminui-ção do pH do exsudato de sementes; as mais deterioradas apresentam maior lixiviação e, consequentemente, exsudatos com maior poder tampão. Em contrapartida, as sementes menos deterioradas lixiviam menos, propiciando um menor poder tampão na água de embebição (Peske & Amaral, 1994). Podem ser usadas muitas soluções indicadoras para medir esse pH, uma delas é a fenolftaleína. O teste de pH do exsudato com fenolftaleína foi utilizado para determinar a viabilidade de sementes de soja, por Amaral & Peske (1984), e de feijão por Fernandes et al. (1987). Estes autores, consideraram como viáveis as sementes cujos exsudatos se apresentavam com coloração rosa fraco ou incolor e concluíram que o período de 30 minutos de embebição é o mais eficiente para estimar o poder germinativo das sementes.

Mondragón (1987) trabalhando com embriões de milho livres de endosperma e usando uma solução de 8,0g litro-1de

água com fenolftaleína a 2%, obteve resultados que correlacionavam com a germinação. Esse autor conseguiu os mesmos resultados com sementes cortadas pelo eixo longitu-dinal do embrião embebidas durante 15’, e resultados

simila-res quando as mesmas sementes foram submetidas ao teste de tetrazólio. Montenegro (1991) também utilizou sementes cortadas de milho e embebidas por 25’ em água destilada, concluindo que o teste de pH do exsudato pode ser utilizado para estimar com rapidez a viabilidade das sementes, com uma concentração de 7,5g de Na2CO3 litro-1 de água com

fenolftaleína a 0,5% na solução indicadora.

Com a finalidade de ratificar os resultados do teste de pH do exsudato para genótipos de milho e simplificar o pro-cesso pela avaliação individual e massal das sementes desen-volveu-se o presente estudo.

MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório Didático de Aná-lise de Sementes, da Faculdade de Agronomia “EAná-liseu Maciel”, da Universidade Federal de Pelotas. Utilizaram-se 32 lotes de semente de milho amarelo dentado da variedade de livre polinização Marginal 28 Tropical, procedente do Perú. A germinação e o vigor (teste de frio) dos lotes variou de zero a 99% e de zero a 96%, respectivamente. As sementes utilizadas estavam livres de defensivos químicos na sua su-perfície. As avaliações foram: teste de germinação - condu-zido, com quatro repetições de 50 sementes, em rolo de papel germitest, umedecido com água na proporção de 2,5 vezes o peso do papel seco, em germinador a 25oC (Brasil, 1992); teste defrio - conduzido de forma similar ao teste de germi-nação, com a diferença de que as sementes foram colocadas no germinador a 10oC por sete dias, para depois passarem

por mais sete dias a 25oC.

Realizaram-se dois tipos de estudo: o primeiro (teste in-dividual) relacionou a qualidade de cada uma das sementes, pelo teste de pH do exsudato, com os testes de tetrazólio e de frio; o segundo (teste massal) relacionou a qualidade das se-mentes em conjunto, através do teste de pH do exsudato, com os testes de germinação e de frio. Nos dois estudos utilizou-se uma solução indicadora (SI) composta de carbonato de sódio + fenolftaleína (Na2CO3 + C20H14O4). O carbonato de sódio foi dissolvido em água destilada e fervida, em quanti-dades de 7,5; 8,0; 8,5; 9,0 e 9,5g para cada litro de SI (Tabela 1). Simultaneamente, foram dissolvidos 5,0g de fenolftaleína em 500ml de álcool etílico absoluto (C2H5OH), mais 500ml de água destilada e fervida. Estas duas soluções foram mistu-radas na proporção 1:1. No preparo se teve em consideração as precauções descritas por Montenegro (1991). Os estudos foram conduzidos na temperatura de 20-25°C.

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1 e 32 lotes de sementes. Cada semente foi antes de embeber, cortada longitudinalmente através do embrião e depois em-bebida (as duas partes iguais) em 3ml de água destilada con-tida em células individualizadas. Foram empregados três pe-ríodos de embebição: 20’, 30’ e 45’. Ao final de cada perío-do, adicionou-se uma gota da SI a cada uma das células que continham as sementes, mexendo-as imediatamente com um agitador de vidro. A avaliação foi realizada comparando a coloração do exsudato de cada célula com uma célula pa-drão-testemunha (prova em branco). Foram identificados dois grupos de células: aquelas com a coloração rosa similar a da testemunha (sementes viáveis) e aquelas que não apresenta-ram coloração (sementes mortas).

As mesmas sementes avaliadas por meio do pH do exsu-dato, foram avaliadas pelo teste de tetrazólio (AOSA, 1983). As sementes foram lavadas em água destilada para eliminar o excesso de álcool e embebidas em rolo de papel germitest du-rante 18 horas a 25°C. Após a embebição e com a ajuda de um bisturi, uma das partes de cada uma das 200 (4x50) semente foi cortada longitudinalmente, pela segunda vez (para o teste de tetrazólio), através do eixo embrionário. Imediatamente foram transferidas para a solução de tetrazólio a 0,05% contida num recipiente de vidro de 200ml, em suficiente quantidade para cobrir as sementes e permitir a absorção da solução. Após três horas, foram avaliadas cada uma das sementes, separan-do-as em dois grupos: viáveis e não viáveis (AOSA, 1983).

Combinando os três períodos de embebição e as três con-centrações da SI, obteve-se um experimento com nove trata-mentos que foram aplicados a cada um dos lotes, em duas repetições de 100 sementes cada. Para cada tratamento foram obtidos os coeficientes de correlação e de regressão linear simples entre as porcentagens de plântulas normais do teste de germinação padrão e do teste de frio, porcentagens de se-mentes vivas por meio do teste de pH do exsudato e as por-centagens de sementes viáveis e não viáveis através do teste de tetrazólio. Os resultados do teste do pH do exsudato foram relacionados com os dados dos testes de viabilidade e vigor.

Teste massal do pH do exsudato de sementes -usaram-se as cinco soluções indicadoras (Tabela 1) e 32 lotes de sementes. Realizaram-se duas modalida-des de acondicionamento e avaliação. Em ambas modalidades foram usadas sementes cortadas de acor-do ao indicaacor-do no teste individual. a) Modalidade I.

Visou determinar o período (seg.) requerido para que um recipiente adequado (copo de acetato de 200ml) contendo sementes, água destilada e SI, alterasse sua coloração desde o rosa forte do início à transparente ao final da prova. 50 sementes foram cortadas e em-bebidas em 50ml de água destilada + SI. A solução indicadora foi aplicada ao início da prova em duas quantidades: 0,5 e 1,0ml. Obteve-se dez tratamentos (cinco SI x duas quantida-des) que foram aplicadas a cada lote com duas repetições de 50 sementes cada. b) Modalidade II. Consistiu em verificar a quantidade da SI (ml) necessária para colorir o exsudato de 50 sementes embebidas em 50ml de água destilada por 25’, contidas num copo de acetato de 200ml de capacidade. A titulação realizou-se com o auxílio de uma pipeta calibrada de vidro, agitando o copo constantemente desde o início da titulação até a obtenção da coloração rosa forte. Utilizou-se como parâmetro de avaliação a quantidade de cada uma das SI’s aplicadas a cada lote em duas repetições de 50 sementes cada. Semelhante ao experimento individual, também foram obtidas as relações, entre a viabilidade e o vigor com os re-sultados do teste do pH do exsudato, nas duas modalidades. TABELA 1. Concentração e pH das soluções indicadoras usadas

no teste do pH do exsudato de sementes de milho.

Concentração g/l Solução indicadora

Na2CO3 C20H14O4

pH final da solução indicadora

A 7,5 5,0 10,47

B 8,0 5,0 10,51

C 8,5 5,0 10,54

D 9,0 5,0 10,60

E 9,5 5,0 11,09

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Teste individual do pH do exsudato de sementes - as diferenças de viabilidade e vigor mostradas entre os 32 lotes estudados foram devidas às diferentes datas de produção e colheita e, sobre tudo, aos diferentes sistemas de produção de semente no litoral norte do Perú, onde foi produzida a semente.

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Quando foram relacionados os resultados obtidos por meio do pH do exsudato das sementes embebidas por 20’, com a porcentagem de sementes viáveis pelo teste de tetrazólio o coeficiente foi mais alto (r = 0,95) com o emprego da solu-ção B do que com as soluções A e ou C (r=0,81 e ou r=0,79, respectivamente) (Tabela 2). A ilustração gráfica das rela-ções, com suas respectivas equações e coeficientes de deter-minação encontram-se na Figura 1.

Com o aumento do período de embebição para 30’ e 40’, a tendência foi a mesma, isto é, os maiores coeficientes foram atingidos com o emprego da soluçãoB. Contudo, salienta-se que com o aumento do período de embebição, a re-lação tornou-se mais baixa (Tabela 2). Indepen-dente do período de embebição das sementes, o teste de germinação correlacionou-se melhor que o teste de frio quando as sementes foram avaliadas pelo do teste de pH do exsudato em-pregando uma solução com 8,0g de Na2CO3 li-tro de água + fenolftaleína à 0,5%. O teste de tetrazólio apresentou melhor correlação que a germinação com o pH do exsudato devido à metodologia, pois foram utilizadas as mesmas sementes nos testes do pH do exsudato e tetrazólio, enquanto para o teste de germinação foram utilizadas outras sementes, mesmo sen-do sen-do mesmo lote.

Os resultados são semelhantes aos obtidos em experimentos similares com sementes de milho híbrido por Montenegro (1991), determi-nando-se que a SIdeveria ter 7,5g Na2CO3 litro-1 de água +

fenolftaleína a 0,5% e que as sementes deveriam permanecer 25’ em embebição. Portanto, os dados ratificaram que o teste individual de pH do exsudato, realizado em sementes corta-das de milho foi eficiente devido à sua alta relação com a viabilidade das sementes, apesar dos resultados de Montenegro (1991) indicarem que a concentração de carbonato de sódio da SI seja de 7,5g.litro-1 de água, para um período de

embebição de 25’. Os resultados obtidos no presente trabalho diminuíram o período de embebição em 5’, porém, aumenta-ram a concentração de carbonato de sódio em 0,5g.litro-1 de

água.

Santana et al. (1998) trabalhando com nove lotes de mi-lho híbrido, com metodologia similar a do presente trabami-lho, diferenciando-se principalmente na concentração da fenolfta-leína que foi de 1,0% em vez de 0,5% e no acondicionamen-to, em que as sementes de milho foram escarificadas na co-roa, obtiveram resultados similares, em que constataram uma estreita relação com a germinação das sementes, quando uti-lizados 30 min. de embebição. O maior período de embebição constatado deve-se ao fato da maior concentração de fe-nolftaleína utilizada para elaboração da solução indicadora

Salienta-se que seria importante determinar se os mes-mos resultados podem ser obtidos com sementes de outras variedades de milho: variedades de livre polinização ou hí-bridos de linhagens, dentados ou duros, apesar de já se co-TABELA 2. Teste de pH do exsudato individual em sementes de milho.

Correlação (r) entre os resultados do teste do pH do exudato, com diferentes concentrações da solução indica-dora e períodos de embebição, com a germinação e o vigor das sementes.

Período de embebição

Testes 20’ 30’ 45’

Solução indicadora

... r ...

A 0,67 0,60 0,56 G (% de plântulas normais) B 0,91 0,76 0,68 C 0,76 0,65 0,40

A 0,63 0,57 0,41 TF (% de plântulas normais) B 0,73 0,48 0,59 C 0,69 0,53 0,57

A 0,81 0,69 0,63 TZ (% de sementes germináveis) B 0,95 0,86 0,81 C 0,79 0,76 0,16

† Correspondem à quantidade de carbonato de sódio, em gramas por litro de água, presente na solução indicadora da Tabela 1: A = 7,5; B = 8,0 e C = 8,5.

G = germinação; TF = teste de frio; TZ = teste de tetrazólio.

y = 0,87x - 0,92 R2 = 0,83

y = 1,14x - 19,4 R2 = 0,53

y = 1,2x - 17,5 R2 = 0,90

0 20 40 60 80 100

0 20 40 60 80 100

% Sementes vivas (pH do exsudato)

% Teste de germinação

Teste de frio Teste de tetrazólio

FIG. 1. Relação entre pH do exsudato individual de sementes de milho, embebidas durante 20’ empregando a solução indicadora de 8,0g de Na2CO3 litro-1 de água

+ fenolftaleína à 0,5%, com a germinação, o vigor pelo teste de frio e a viabilidade pelo teste de tetra-zólio.

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---y = 144,2-76,5x R2 = 0,83

y = 113,8-66,9x R2 = 0,52

0 20 40 60 80 100

0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2

Gasto da solução indicadora (ml)

%

Teste de germinação

Teste de frio nhecer os resultados com híbridos (Montenegro, 1991

e Santana et al., 1998 ) obter-se agora com uma vari-edade.

Teste massal do pH do exsudato de sementes -a) Modalidade I. Observa-se, na Tabela 3, alta

cor-relação (r=0,82) entre os testes de pH do exsudato (tempo que tarda em desaparecer a coloração rosa forte do meio contendo sementes + água + 1,0ml da solu-ção E) e a viabilidade das sementes (Figura 2). A cor-relação é menor (r=0,69) com o menor vigor das se-mentes (Figura 2). Já, quando se empregou no teste de pH do exsudato 0,5ml da solução, os coeficientes de determinação baixaram à r=0,62 com a viabilida-de e r=0,42 com o vigor das sementes (Tabela 3).

Verifica-se na Figura 2 que para um lote de se-mentes de milho com 80% de germinação, submetido ao tes-te do pH do exsudato aplicando 1,0ml da solução E ao início da prova, o tempo que tardará em desaparecer a coloração rosa forte do exsudato das sementes será de 663 seg. (11 min. e 03 seg.). Num lote de baixa viabilidade (por exemplo 50% de germinação), esse tempo diminuirá até 390 seg. (6min. e 30 seg.). Isto é, quanto maior for a viabilidade da semente maior será o tempo que o exsudato permanecerá com colora-ção rosa. Na Figura 2, a relacolora-ção entre pH do exsudato massal com o vigor das sementes não é alta. Para um lote com os mesmos 80%, no teste de frio, serão necessários 912 seg. (15 min. e 12 seg.). Assim, demonstra-se que lotes de alto vigor requerem mais tempo para mudar de coloração seu exsudato devido à quantidade de soluto no meio. b) Modalidade 2.

Na Tabela 3 observa-se uma correlação negativa (r = -0,91) entre a quantidade ou gasto da solução E (capaz de colorir até o rosa forte ao meio contendo as sementes embebidas em água destilada) e a viabilidade das sementes. Na Figura 3, constata-se que uma amostra de sementes de milho com 80% de germinação, embebidas durante 25’ em 50ml de água des-tilada, utilizará 0,84ml de uma solução com 9,5g de Na2CO3 litro-1 de água + C

20H14O4 à 0,5%, para titular seu exsudato

até obter uma coloração rosa forte. Num lote com 50% de germinação empregar-se-á 1,23ml da mesma solução para se obter a coloração.

Enquanto a semente de milho em estudo tenha maior viabilidade, o gasto da SI numa concentração igual a 9,5g de Na2CO3 litro-1 de água + C

20H14O4 à 0,5%, será menor ou

igual a 0,5ml. Aparentemente, um gasto da solução, nessa concentração, entre 0,5 e 0,7ml equivale a amostras de se-mentes de milho com viabilidade entre 80 e 100%. A relação entre pH do exsudato massal com o vigor das sementes não é alta (Figura 3). Para um lote com 80%, no teste de frio, são

FIG. 2. Relação entre pH do exsudato massal de sementes de milho, empregando 1,0ml da solução indicadora de 9,5g de Na2CO3 litro-1 de água + fenolftaleína à 0,5%

ao início da prova, com a germinação e o vigor das sementes.

y = 7,06+0,11x R2 = 0,67

y = 0,1x - 11,2 R2 = 0,48

0 20 40 60 80 100

0 200 400 600 800 1000

Tempo para descoloração (seg.)

%

Teste de germinação

Teste de frio TABELA 3. Teste de pH do exsudato massal em sementes de

milho. Correlação (r) entre o período que tarda em desaparecer a coloração do exsudato e a viabilidade das sementes, e entre o gasto da solução indicadora E após 20’ de embebição e a viabilidade das sementes.

G TF

Modalidades do teste de pH do exsudato massal

... r ...

Modalidade 1: Período (s)

- Com 5,0ml de solução E 0,62 0,42

- Com 1,0ml de solução E 0,82 0,68

Modalidade 2: Gasto (ml)

- Gasto da solução E -0,91 - 0,72

G = germinação; TF = teste de frio. Solução indicadora E (Tabela 1).

FIG. 3. Relação entre pH do exsudato massal de sementes de milho, embebidas durante 25’ empregando solução indicadora de 9,5g de Na2CO3 litro-1 de água +

fenolftaleína à 0,5%, com a germinação e o vigor das sementes.

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necessários 0,51ml da solução, enquanto que para os mes-mos 80%, no teste de germinação, são necessários 0,33ml a mais da solução para mudar de coloração.

Segundo os resultados do teste massal do exsudato (Ta-bela 3), a quantidade empregada ou gasto da SI se correlaciona melhor com a viabilidade e o vigor, porém negativamente, do que o tempo de desaparecimento da coloração do exsudato.

É possível que o teste massal do pH do exsudato apre-sente a desvantagem de não distinguir uma amostra contendo muitas sementes de alta qualidade e algumas sementes mor-tas, de outra amostra com todas as sementes de qualidade regular. Contudo, deve recomendar-se que a amostra, além de ser representativa do lote em estudo, não contenha semen-tes danificadas ou quebradas.

Como todo organismo vivo, a semente deve reagir de maneira diferente frente aos fatores externos que a rodeiam. Quando a semente é cortada e imediatamente imersa em água, esta sofre dois tipos de estresse: abertura e exposição violen-ta de seu interior que esteve até esse momento em equilibrio de repouso e a pressão que exerce a água para ocupar os es-paços intercelulares do endosperma e do embrião. O proces-so de embebição e lixiviação não é igual em uma semente que embebe água de forma rápida, em relação à uma outra onde a embebição é lenta e progressiva, e mais ainda com seu pericarpo completo. No primeiro caso, a lixiviação deveria ser bem mais rápida do que no segundo, contudo, é possível que a semente reaja evitando o fluxo fácil de solutos de seu interior.

Por outro lado, existem alguns fatores que influem na embebição de água, como a maturidade da semente no mo-mento da colheita, a higroscopicidade da semente, o tipo de endosperma, a quantidade e o agrupamento dos paquetes de grãos de amido no endosperma e a difusividade da umidade, os quais são diferentes nas sementes de milho. Inclusive, essa diferença deve ocorrer entre sementes de igual formato, den-tro de uma mesma amostra, pertencente ao mesmo lote. Estes e outros fatores, ainda desconhecidos, favorecem ou limitam a lixiviação de íons e solutos.

A semente de milho é diferente da semente de legumi-nosas no que se refere à cobertura externa, pois possui pericarpo, ao contrário do tegumento das leguminosas. Além disso, existe a camada de aleurona e o endosperma que en-volvem o eixo embrionário. As leguminosas, em geral, care-cem de endosperma. Essa é uma das razões pelas quais no teste de pH do exsudato deve-se cortar a semente de milho para obter melhores resultados. Contudo, durante o teste, embora o embrião esteja exposto ao efeito da água, ainda permanecem aderidos a ele o endosperma e a camada de

aleurona no momento da embebição. Sabe-se que a camada de aleurona nos cereais cumpre um papel importante. No milho doce, por exemplo, um vigor baixo das sementes está associado à uma camada de aleurona não funcional. As ca-madas de aleurona das sementes de cevada acidificam seu entorno, porém, não se tem conhecimento de que isto ocorra nas sementes de milho. Estas situações indicam que o meio de embebição, antes da avaliação do exsudato das sementes de milho, está sujeito a fatores extra-embrionais fazendo com que o pH seja alterado e, obviamente, sua avaliação.

CONCLUSÕES

A estimativa da viabilidade das sementes de milho pelo teste do pH do exsudato individual, é melhor obtida utilizando a solução indicadora após 20 minutos de embebição à con-centração de 8g de Na2CO3 litro-1 de água;

o processo de determinação da viabilidade de sementes de milho por meio do teste do pH do exsudato massal apre-senta alta confiabilidade;

o processo de avaliação do vigor das sementes de milho por meio do teste do pH do exsudato massal apresenta rela-ção mediana com o teste de frio;

no teste do pH do exsudato massal é possível determinar que lotes de sementes de baixa qualidade requerem mais de 0,7ml da solução de 9,5g de Na2CO3 litro-1 de água com

0,5% de fenolftaleína para mudar de coloração.

REFERÊNCIAS

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TABELA 1. Concentração  e  pH das soluções indicadoras usadas no teste do pH do exsudato de sementes de milho.
FIG. 1. Relação entre pH do exsudato individual de sementes de milho, embebidas durante 20’ empregando a solução indicadora de 8,0g de Na 2 CO 3  litro -1  de água + fenolftaleína à 0,5%, com a germinação, o vigor pelo teste de frio e a viabilidade pelo te
TABELA 3. Teste de pH do exsudato massal em sementes de milho. Correlação (r) entre o período que tarda em desaparecer a coloração do exsudato e a viabilidade das sementes, e entre o gasto da solução indicadora E após 20’ de embebição e a viabilidade das s

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