para iruitos e aminhos
Fabriio Siqueira Benevides
Dissertação Apresentada
ao
Instituto de Matemátia e Estatístia
da
Universidade de São Paulo
para
Obtenção de Título de Mestre
em
Ciênias
Área de onentração: CiêniasdaComputação
Orientador: Prof. Dr. Yoshiharu Kohayakawa
Durante a elaboração deste trabalho o autor reebeu auxílio naneiro
para iruitos e aminhos
Esteexemplar orrespondeàredação nalda
dissertaçãodevidamenteorrigidaedefendida
por Fabriio Siqueira Benevides e aprovada
pelaomissão julgadora.
São Paulo, 10 de junhode 2007
Bana examinadora:
Prof. Dr. Yoshiharu Kohayakawa (presidente) IME-USP
Prof. Dr. Carlos Gustavo Tamm de AraujoMoreira IMPA
A Deus, por oloar as pessoas ertas em meu aminho e por me emprestar todas as
ferramentas neessárias aomeu desenvolvimento inteletual e moral.
Ao ProfessorDr. Yoshiharu Kohayakawa, pelaorientaçãosegura,sem a qualnão seria
possívelarealização deste trabalho.
AoProfessor Dr.JozefSkokan,peloinentivo nafasenaldestetrabalho e pelos v
alo-rosos insights.
AoProfessorDr.PauloFeoloeaosdemaismembrosdabanapelauidadosaleitura
dessa dissertação e pelos valorosos onselhos que vieram amelhorar signiantemente
o texto.
À Fundação deAmparo à Pesquisa do Estado de SãoPaulo(FAPESP) e aoConselho
Naional de Desenvolvimento Cientío e Tenológio (CNPq), pelas onessões das
bolsasde estudoparaa realização deste trabalho.
Aosmeus olegas de turma do Institutode Matemátia e Estatístia da Universidade
de São Paulo, pela alorosa reeptividade e pelos bons momentos em que estivemos
juntos. Voêsrealmente meajudaram muitonessa aminhada.
Gostaria de agradeer também a toda minha família por me proporionar o
ambi-ente de amor onde tive a sorte de reser. Meus irmãos, unhada e sobrinhos foram
partiularmenteimportantes.
Tambémsougratoespeialmenteaomeuirmãoeàminhairmã por sempreteremsido
exemplos devida paramim.
Finalmente, Estareiemdébito eternoommeus paise omJuliana pelaompreensão,
paiêniaintermináveleenorajamentosquandoesteserammaisneessários. Paraeles,
OsprinipaisobjetosdeestudonestetrabalhosãoosnúmerosdeRamseyparairuitos
e olema daregularidade deSzemerédi. Dados grafos
L
1
, . . . , L
k
,onúmerode RamseyR
(
L1, . . . , L
k
)
é o menor inteiroN
tal que, para qualquer oloração omk
ores das arestas dografoompleto omN
vérties,existe umaori
paraaqual alassede or orrespondente ontémL
i
omo um subgrafo. Estaremos espeialmente interessados no asoem queosgrafosL
i
sãoiruitos.Diversos resultados sobre este tema surgiram na última déada. No apítulo 1,
enuniamos alguns desses resultados, inluindo umresultado original. No apítulo 2,
apresentamos umbreve histório sobre teoriade Ramsey etodas asdenições básias
neessárias paraaqueles que não estão familiarizados om a área. Em seguida,
intro-duzimosolema daregularidadeeexibimosumaapliaçãodestelemaemumproblema
em que temos interesse. No apítulo 4, exibimos umaprova detalhada de umreente
lema de estabilidade sobre emparelhamentos grandes em
3
-olorações de grafos quaseompletos. Estelemaseráneessárionaprovadoresultadoprinipaldoapítulo5,que
The main objets of interest inthis work are the Ramseynumbers for yles and the
Szemerédiregularitylemma. Forgraphs
L
1
, . . . , L
k
,theRamseynumberR
(
L
1
, . . . , L
k
)
istheminimumintegerN
suhthatforanyedge-oloringoftheompletegraphwithN
verties byk
olorsthere existsa olori
for whih the orresponding olor lass on-tainsL
i
asasubgraph. WearespeiallyinterestedintheasewherethegraphsL
i
are yles.Many results about this theme were obtained in the last deade. In hapter 1,
we enumeratesome of these results, inluding an original one. In hapter 2, we state
the basi denitions, speially for those who are not familiar with this subjet, and
give an historial overview of Ramseytheoryitself. Inthe nexthapter, we introdue
the regularity lemma and we exhibit an appliation of this lemma in a problem of
our interest. In hapter 4, we show a detailed proof of a very reent stability lemma
about large mathings in a
3
-oloring of an almost omplete graph. This lemma willbeneessaryintheproof ofthemainresultofhapter5,whih isthemain produtof
Agradeimentos v
Resumo vii
Abstrat vii
1 Introdução 1
2 Coneitos básios e histório 5
2.1 Breve histório da teoriade Ramsey . . . 5
2.2 Colorindo arestas degrafos . . . 8
2.3 Ramsey paragrafos. . . 11
2.4 Teoremas de densidade . . . 14
3 Lema da regularidade 17 3.1 Uma apliaçãodo lemada regularidade . . . 22
4 Um lema de estabilidade 25 4.1 Ferramentas e resultados do tipoRamsey . . . 28
4.2 Prova dolema 4.1. . . 34
4.2.1 Caso 1 daprova: existe uma4-partição . . . 37
4.2.2 Caso 2 daprova: existe umaomponentemonoromátia grande 40 4.2.3 Prova dolema 4.11: reduzindo oloraçõesextremais fraas . . . . 51
5 Ramsey para iruitos pares 57 5.1 Prova doteorema . . . 59
5.2 Caminhos e iruitosemgrafos densos . . . 62
5.3 Prova doslemas5.3e 5.5 . . . 65
5.4 Prova dolema 5.4. . . 72
Introdução
Dados grafos
L
1
, . . . , L
k
,o número de RamseyR
(
L
1
, . . . , L
k
)
é o menor inteiroN
tal que,paraqualqueroloraçãoomk
oresdasarestasdografoompletoomN
vérties, existe umaori
paraaqual a lassede ororrespondenteontémL
i
omo subgrafo. Começamos exibindo alguns resultados para os asos em quek
é igual a2
ou3
e os grafosL
i
sãotodosiruitosoutodosaminhos.Oasoemquetemosapenasduasoreseosgrafos
L
1
,L
2
sãoaminhosfoiresolvido ompletamente há algum tempo em [15 ℄. SeP
n
denota um aminho omn
vérties, sabe-seque, paran
≥
m
≥
2
,R
(
P
n
, P
m
) =
n
+
j
m
2
k
−
1
.
Em partiular, temosque
R
(
P
n
, P
n
) =
3n
−
2
2
.
Demodosemelhante,oasoemqueosgrafos
L
1
,L
2
sãoiruitosfoiompletamente soluionado por Bondy e Erd®s em [4 ℄. Reentemente, Károlyi e Rosta onseguiramrefazer este trabalho de forma simplese autoontida em[20 ℄. Este resultadopode ser
resumido no teoremaa seguir,onde
C
n
denotaumiruito detamanhon
. Teorema 1.1. Sejam3
≤
m
≤
n
inteiros. EntãoR
(
C
n
, C
m
) =
6
,
m
=
n
= 3
,
4
,
n
+
m/
2
−
1
,
m, n >
4
,
sãopares,max
{
2
m
−
1
, n
+
m/
2
−
1
}
, m
épar en
é ímpar,2
n
−
1
,
asoontrario.resultados sobre situaçõespartiulares. Vejamos alguns resultados reentes. Bondy e
Erd®s, ainda em[4℄,onjeturaram que, se
n >
3
é ímpar,entãoR
(
C
n
, C
n
, C
n
) = 4
n
−
3
.
Duranteumbomtempo,houvepouosavançosnadireçãodeprovartalonjetura.
Até que, em1999, uzak[23℄ provou quese
n
éímpar entãoR
(
C
n
, C
n
, C
n
) = 4
n
+
o
(
n
)
,
(1.1)quando
n
→ ∞
. Reentemente, Kohayakawa, Simonovits e Skokan [19 ℄ onseguiram melhorar o teoremaaima. Eles provaramo teoremaa seguir.Teorema 1.2. Existe uminteiro
n
0
talque paratodon > n
0
,n
ímpar, temosR
(
C
n
, C
n
, C
n
) = 4
n
−
3
.
Contudo, o aso em que
n
é par é bastante diferente do aso em quen
é ímpar. Reentemente, Figaje uzak [10 ℄ obtiveram umresultado assintótioparaeste aso,mesmo quandoosiruitospossuemtamanhosumpouo diferentes.
Teorema 1.3. Dados
α
1
,α
2
,α
3
>
0
,temosR
(
C
2
⌊
α1n
⌋
, C
2
⌊
α2n
⌋
, C
2
⌊
α3n
⌋
) = (
α1
+
α2
+
α3
+ max
{
α1, α2, α3
}
+
o
(1))
n,
quando
n
→ ∞
. Istoimplia que, empartiular, paran
par temosR
(
C
n
, C
n
, C
n
) = 2
n
+
o
(
n
)
,
quandon
→ ∞
.
Pouo depois, independentemente, Gyárfás, Ruszinkó, Sárközy e Szemerédi [17 ℄
provaram um resultado semelhante, porém maispreiso, paraaminhos, onrmando
uma onjetura deFaudreee Shelp [9℄.
Teorema 1.4. Existe uminteiro
n
0
talque, paratodon > n
0
,temosR
(
Pn, Pn, Pn
) =
2
n
−
1
, n
ímpar,2
n
−
2
, n
par.Duranteestetrabalhodemestrado,emonjuntoomJozefSkokan[2 ℄,onseguimos
provar queo resultadojusto,
R
(
C
n
, C
n
, C
n
) = 2
n,
A prova faz usodo lema da regularidade de Szemerédi e de um lema de estabilidade
de [17℄ sobre emparelhamentos grandes em
3
-olorações de grafos quase ompletos.Ao estudarmos a prova desse lema de estabilidade, ahamos um pequeno deslize na
análise deumdossubasos dessaprova. Essedeslize aabounosmostrandoque havia
um erro no próprio enuniado do lema. Contudo, esse erro foi failmente orrigido,
deixando o enuniado do lema um pouo mais frao do que o original, e mesmo om
esta versãomaisfraaépossívelprovar oteoremaprinipalde [17 ℄e onossoresultado
parairuitos.
Noapítulo2,fazemosumbreveresumohistóriosobreteoriadeRamseyemgeral.
Apresentamos entãodiversosoneitosbásiose xamosalgumanotação. Em seguida,
introduzimos o lema da regularidade e ilustramos uma apliação deste lema em um
problemaemquetemosinteresse. Noapítulo4,exibimosumaprovadetalhadadolema
de estabilidademenionado aima. Amotivação paratal apítuloétermos umaprova
autoontida do nosso resultado original, o teorema 5.1. Contudo, o leitor ansioso em
veraprovadesteteoremasópreisaentenderoenuniadodolema deestabilidade4.1,
Coneitos básios e breve histório
2.1 Breve histório da teoria de Ramsey
Os teoremas do tipo Ramsey têm sido extensivamente estudados durante a última
déada. Elesenquadram-senalassedeproblemasquehamamosdeextremais. Neste
tipodeproblema,normalmenteprouram-sefunçõeslimiaresparaotamanhodeertas
estruturas de modoque sempresejapossívelenontrarnestasumadada subestrutura.
De erta forma, teoremas do tipo Ramsey armam que não existe o aos absoluto
dentro de tais estruturas gerais, o que torna o assunto bastante motivador. Façamos
umbreve resumohistório.
Em 1928,o jovemmatemátiobritânio Frank Plumpton Ramseyesreveu um
ar-tigointituladoOnaprobleminformallogi,publiadonoProeedingsoftheLondon
Mathematial Soiety em1930. Este artigo tratava de um problema algorítmio em
lógia proposiional. Nele, Ramsey prova um resultado puramente matemátio, hoje
onheido omo teorema de Ramsey. Tal teorema, que a prinípio era apenas mais
uma ferramenta noartigo, aabou mostrando ter maior relevânia do que o problema
original desse artigo.
Denição 1. Uma oloração om
r
ores, ou simplesmente umar
-oloração, de um onjuntoS
é uma funçãof
:
S
→ {
1
, . . . , r
}
qualquer. Em geral, ao exibirmos uma oloração, espeiamosumafamília de subonjuntosdeS
,{
S
1
, . . . , S
r
}
,tal queS
i
=
{
s
∈
S
:
f
(
s
) =
i
}
é oonjunto dosvérties quereeberam aori
.Teorema 2.1(Ramsey). Seja
G
umonjunto innito esejamk
er
inteirospositivos. Então, paratoda oloração da família dossubonjuntos omk
elementos deG
omr
ores existe um subonjunto innito monoromátioF
deG
,ou seja,tal quetodosos subonjuntos deF
omk
elementos têm amesma or.Teorema 2.2 (Ramsey, versão nita). Dados inteiros
k
,r
en
, existe uminteiroN
0
tal quepara todoN
≥
N
0
e todo onjuntoG
omN
elementos temosque: para toda oloração da família dos subonjuntos omk
elementos deG
omr
ores existe um subonjunto monoromátioF
deG
,ouseja, talquetodosossubonjuntosdeF
omk
elementos têma mesmaor, talque|
F
|
=
n
.Denição 2. Dados
k
,r
en
,denotamosomenorinteiroN
0
omapropriedadeaima porR
r
(
n
;
k
)
.Observação. Àsvezes,estamosinteressadosnoasoassimétrioondeparaadaor
i
é dadouminteiron
i
espeiandootamanhodoonjunto monoromátioquequeremos enontrar na ori
. Por exemplo, para duas ores, dados inteirosn
1
,n
2
ek
, existe um inteiro,que tomamos menor possível,R2
(
n1
, n2
;
k
)
tal que, se|
G
| ≥
R2
(
n1, n2
;
k
)
, então, em toda oloração da familia dos subonjuntos omk
elementos deG
om duas ores, existe um onjunto monoromátioF
i
de ori
tal que|
F
i
|
=
n
i
parai
igual a1
ou2
. Isso segue diretamente do teorema anterior já queR2
(
n1, n2
;
k
)
≤
R
2
(
n
;
k
)
onden
= max
{
n
1
, n
2
}
. Parasimpliar a notaçãodenotamosR
(
n
1
, n
2
;
k
) :=
R
2
(
n
1
, n
2
;
k
)
Pouo antes de Ramsey enuniar seu teoremasobre oloraçõesde onjuntos, Issai
Shur, aluno de Frobenius e inueniado bastante por este, estudava olorações de
númerosnaturais. Umdosresultados obtidos porShur éo teoremaa seguir.
Denição 3. Denotamos o onjunto dos
n
primeiros inteiros positivos,{
1
,
2
, . . . , n
}
, por[
n
]
.Teorema 2.3 (Shur). Para todo inteiro positivo
r
, existe um inteiron
=
S
(
r
)
tal que, paratoda oloraçãof
: [
n
]
→
[
r
]
,dosn
primeiros inteiros positivosomr
ores, existemx, y
∈
[
n
]
tais quef
(
x
) =
f
(
y
) =
f
(
x
+
y
)
, ou seja,x
,y
ex
+
y
possuem a mesma or.Talproblemaapareeuemumatentativade Shur dedar umaprovaelegantepara
a versão modular da onjetura de Fermat: ele aabou onluindo que a equação
x
m
+
y
m
≡
z
m
( mod
p
)
possui solução inteira para todom
e todo primop
suien-temente grande. Ele tinha interesses bastante variados na matemátia. Ao tentarresolver um problema sobre a distribuição de resíduos quadrátios, deparou-se om a
seguintequestão: seráqueparatodointeiro
k
existeumn
talquetodaoloraçãode[
n
]
omduasorespossuiumaprogressãoaritmétiamonoromátiadetamanhok
? Shur onjeturou que sim, mas não onseguiuresolver o problema. Após algum tempo emaberto, o problema hegou aos ouvidos de Bartel Leendert van derWaerden e outros
estudantes em Göttingen. Em 1927, van der Waerden deu uma resposta armativa
paraa questão, onrmando aonjetura deShur.
Para instigarauriosidadedoleitoremostraromooteoremadeRamseypodeser
usadonasmaisdiversasáreasde matemátia, exibimosaquiumaprova doteoremade
Erd®s-Szekeres (1935).
Teorema 2.5 (Erd®s-Szekeres). Dado um inteiro
n
, existe um inteirof
(
n
)
tal que todoonjunto depelomenosf
(
n
)
pontosnoplano,semtrêspontosolineares,ontém umsubonjunto de tamanhon
queforma umn
-ágonoonvexo.Prova. Armamos que é suiente tomar
f
(
n
) =
R
(
n,
5; 4)
. Tome um onjunto def
(
n
)
pontos no plano onde não há três pontos olineares. Temos que mostrar que existemn
deles que formam umn
-ágono onvexo. Vamos olorir ada onjunto de quatro desses pontos om uma de duas ores: usamos a or1
se esses quatro pontosformam, emalguma ordem, umquadrilátero onvexo, aso ontrário, usamosa or
2
.Pelaesolha de
f
(
n
)
,o teoremade Ramseynosdiz que:1. ou existem
n
desses pontos tais que quaisquer4
deles formam um quadrilátero onvexo;2. ouexistem
5
dessespontostaisquequaisquer4
delesnãoformamumquadriláteroonvexo.
Suponha que o primeiro aso aontee e onsidere os tais
n
pontos. Armamos que estes pontos formamum polígono onvexo. Se essa armação fosse falsa, entãoaenvoltória onvexa dos
n
pontosonsistiria det
pontos, para algumt < n
. Ospontos restantes estariam dentro dot
-ágono determinado pela envoltória onvexa destest
. Chamamosessespontosdepontosinternos. Agora,sezermosumatriangularizaçãodot
-ágonoentão,omonãohátrês pontosolineares,umdospontosinternos,digamosx
, airádentrodeumdostriângulos. Opontox
juntamenteomosvértiesdessetriângulo nãoformamumquadriláteroonvexo. Issoéumaontradição. Logo,ospontosformamo
n
-ágonoonvexo desejado.Suponha agora que o segundo aso aontee e onsidere os tais
5
pontos. Comoquaisquer
4
delesformamumquadriláteronavoenãohá3
delesolineares, aenvol-tória onvexa desses
5
pontosdeve serum triângulo. Logo,2
pontos estão no interiordesse triângulo. A reta que passa por eles divide o plano em dois semi-planos, um
dos quaisdeve onter exatamente dois vérties da envoltória onvexa. Essesdois
vér-ties juntamente om osdois pontos internos formam umquadrilátero onvexo. Mas
isto ontradiz a esolha dos
5
pontos. Logo, na verdade, este segundo aso não podeaonteer.
Nas últimas duas déadas, teoria de Ramsey deixou de ser um emaranhado de
problemas e teoremas etornou-se umasubdisiplina oesadaanálise ombinatória. É
possívelaté enontrar livros espeíos sobre o assunto, por exemplo, [16℄. Contudo,
2.2 Colorindo arestas de grafos
Neste trabalho estudamos apenas olorações da família dossubonjuntos de dois
ele-mentosde
[
n
] =
{
1
,
2
, . . . , n
}
. Noteque issoequivale a estudar olorações dasarestas de umgrafoompleto omn
vérties.Sempre que falarmos de oloração de um grafo
G
estaremos nos referindo a uma oloração das arestas deG
. Esrevemos ordem para nos referirmos ao número de vértiesde umgrafoe tamanho paranosreferirmos aonúmerode arestas. Umaliqueé um subgrafo ompleto de um grafo. Elaé monoromátia se foi atribuída a mesma
or paratodasassuas arestas. Uma notação bastante omumem teoriade Ramseyé
a seguinte.
Denição 4. Esrevemos
n
→
(
l
)
r
se para toda
r
-oloração do grafo ompleto omn
vérties podemos enontrar uma lique monoromátia de ordeml
. Mais geralmente, esrevemosn
→
(
l
1
, . . . , l
r
)
se, para qualquerr
-oloração do grafoompleto omn
vérties, podemos enontrar uma lique monoromátia de ordeml
i
da ori
paraalgum1
≤
i
≤
r
.Denição 5. Afunção de Ramsey
R
(
l
1
, . . . , l
r
) :
N
r
→
N
denotaomenor inteiro
n
tal quen
→
(
l1
, . . . , lr
)
.
Ademais, dados
l
1
, . . . , l
r
, dizemos queR
(
l
1
, . . . , l
r
)
é o número de Ramsey del
1
, . . . , l
r
.Usamos também
n
→
(
l
)
para denotar a mesma oisa quen
→
(
l, l
)
en
→
(
l
)
2
. DomesmomodoR
(
l
)
é usadoparadenotarR
(
l, l
)
. Éimportanteobservarqueopapel das ores no grafo não é simétrio. Por exemplo, suponha que queremos provar queR
(
l1, l2
) =
n
,paraertosinteirosl1
< l2
en
. Empartiular,temosqueprovarquedada uma2
-oloração do grafo ompleto omn
vérties, om as ores1
e2
, onseguimos ahar umalique de ordeml
1
da or1
ou umalique monoromátia de ordeml
2
da or2
. Contudo, se aharmos uma lique monoromátia de ordeml1
na or2
ainda não resolvemos oproblema. Por outro lado, éfáil veriar queR
(
l
1
, l
2
) =
R
(
l
2
, l
1
)
.Como ilustração,vamos exibirumaprovade umaversão doteoremade Ramsey,a
sabera versão paraoloração de arestas de um grafoompleto. As provas dasoutras
versõesqueenuniamos sãosemelhantes a esta.
Teorema 2.6 (Ramsey). A função
R
deRamsey estábemdenida, isto é,paratodar
-upla(
l
1
, . . . , l
r
)
∈
N
r
existe
n
talqueProva. Façamos primeiro o aso em que
r
= 2
. Para tanto, faremos indução sobrel
1
+
l
2
. NotequepodemosassumirqueR
(1
, l
) =
R
(
l,
1) = 1
paratodol
,porvauidade. Ademais, é trivial veriar queR
(
l,
2) =
R
(2
, l
) =
l
para todol
. Isto é mais do que suiente paraa baseda indução. Agoratomel
1
, l
2
>
1
e suponha,omo hipótese de indução, queR
(
l
1
, l
2
−
1)
eR
(
l
1
−
1
, l
2
)
existem. Armamos queR
(
l1, l2
−
1) +
R
(
l1
−
1
, l2
)
→
(
l1, l2
)
.
Seja
G
o grafo ompleto omn
vérties,n
=
R
(
l
1
, l
2
−
1) +
R
(
l
1
−
1
, l
2
)
. Fixe uma2
-oloraçãoχ
de G.Esolha umvértiex
∈
V
(
G
)
qualquer e denaV
1
=
{
y
∈
V
(
G
) :
χ
(
x, y
) = 1
}
,
V
2
=
{
y
∈
V
(
G
) :
χ
(
x, y
) = 2
}
=
V
(
G
)
−
V
1
− {
x
}
.
Então
|
V
1
|
+
|
V
2
|
=
n
−
1
,de modo que 1.|
V
1
| ≥
R
(
l
1
−
1
, l
2
)
ou2.
|
V
2
| ≥
R
(
l
1
, l
2
−
1)
.
Suponha que (1)oorre. Pela denição de
R
,o onjuntoV
1
possui umalique mono-romátia daor2
deordeml
2
oupossuiumaliquemonoromátia daor1deordeml
1
−
1
. Noprimeiro aso, já enontramosoque queríamos. No segundoaso, podemos aresentarx
à lique deordeml
1
−
1
e obter umalique de ordeml
1
da or1
donde também enontramoso quequeríamos. Oasoemque(2)
oorreé análogo.Finalmente, o aso em que
r >
2
também é tratado de maneira análoga. Basta fazermos aindução sobrel
1
+
. . .
+
l
r
apósveriar abasee que2 +
r
X
i=1
(
R
(
l
1
, . . . , l
i
−
1
, l
i
−
1
, l
i+1
, . . . , l
r
)
−
1)
→
(
l
1
, . . . , l
r
)
.
Apartir destaprovaonluímos também que
R
(
l, k
)
≤
R
(
l, k
−
1) +
R
(
l
−
1
, k
)
.
E a partirdesta equação e do fato de que
R
(1
, l
) =
R
(
l,
1) = 1 =
l
−
1
0
é fáil provar
por induçãoque
R
(
l, k
)
≤
k
+
l
−
2
k
−
1
.
Em partiular, no asoemque
l
=
k
,temosR
(
l
)
≤
2
l
−
2
l
−
1
Teorema 2.7. Valeque
2
l/2
≤
R
(
l
)
≤
2
2l
−
2
.
Prova.Oladodireito da inequaçãoé umaonseqüêniada observaçãoaima,já que
2
l
−
2
l
−
1
≤
2
2l
−
2
√
l
≤
2
2l
−
2
.
Para a segunda parte, usamos o método probabilístio de maneira bastante simples.
Considere umgrafoompleto
G
omn
vértiesepinteadaarestadeG
omumaentre duasoresomprobabilidadeiguala1
/
2
paraadaoreindependenteparaadaaresta. ParaW
⊂
G,
|
W
|
=
l
, onsidere a variável aleatória indiadoraX
W
tal queX
W
= 1
seG
[
W
]
émonoromátio eX
W
= 0
asoontrário. SejatambémX
=
P
W
X
W
. Sen <
2
l/2
temos,
E
(
X
) =
=
E
X
W
X
W
!
=
X
W
E
(
X
W
) =
X
W
P
(
X
W
= 1)
=
X
W
2
1
2
(
2
l
)
=
n
l
2
1
−
(
2
l
)
≤
n
l
l
!
·
2
1+
2
l
·
1
2
l
2
/2
≤
2
l/2
l
·
2
1+
2
l
l
!
·
1
2
l
2
/2
=
2
1+
2
l
l
!
<
1
.
Logo, existe umaoloração do grafoompleto om
n
vérties,n
=
2
l/2
, quenão
possuiliquemonoromátia deordem
l
.Como onseqüêniado teoremaaima temosque
√
2
≤
lim inf
R
(
s
)
1/s
≤
lim sup
R
(
s
)
1/s
≤
4
.
Calular o valor de
lim
R
(
s
)
1/s
éum problemaemaberto. Na verdadenem sequer
sabemos se este limite existe. Entre os problemas que envolvem o omportamento
assintótio dafunção de Ramseyeste é umdos maisélebres.
Sobreoproblemadealularovalorexatode
R
(
s
)
,aindaqueparavalorespequenos des
, sugerimos a ótima resenha [24 ℄. Enerramos esta seção om um texto de Paul Erd®squeexpressaoquãodifíiléomputaionalmenteenontrarestesvaloresexatos:Suponhaqueumespíritomalignonosdiga: Amenosquevoêsdesubram
o valor de
R
(5)
,eu exterminarei a raçahumana. Nossa melhor estratégia seriatalvez fazeromquetodososomputadores domundoe ientistasdaomputação trabalharem juntos nisto. Por outro lado, se ele perguntasse
2.3 Teorema de Ramsey para grafos
Uma generalizaçãonatural dosnúmerosde Ramseyé aseguinte.
Denição 6. Dados
r
grafosG
1
, . . . , G
r
,denimos o número de Ramsey genera-lizadoR
(
G
1
, . . . , G
r
)
omoo menor inteiroN
talqueseasarestas dografoompleto omN
vérties sãooloridas omr
ores,existe umsubgrafo monoromátio da ori
isomorfo aG
i
para algum1
≤
i
≤
r
. Para simpliar a notação também denimos, paraum grafoG
,R
(
G
) :=
R
(
G, G
)
.Vejaqueestamosinteressadosemenontrarografo
G
i
simplesmenteomosubgrafo do grafo induzido pelas arestas da ori
, mas não exigimos queG
i
seja um subgrafo induzido deste. Assim,aexistênia deR
(
G1, . . . , Gr
)
é umaonseqüêniaimediatado teorema de Ramsey original. Este, por suavez, é equivalente a tomar adaG
i
omo um grafo ompleto. Oleitor que estiver uriosoem saber mais sobre o aso induzidopodeonsultar, por exemplo,aseção
5
.
3
de [16 ℄.Étrivialveriarentãoque
R
(
G
1
, . . . , G
r
)
≤
R
(
|
G
1
|
, . . . ,
|
G
r
|
)
,onde|
G
i
|
éaordem deGi
. Ointeressante équeparaertos grafosGi
o número à esquerdaé muitomenor do queo número àdireita. Defato,váriosdosteoremasqueveremosàfrentemostramque
R
(
G
1
, . . . , G
r
)
é da ordem de uma função linear para algumas lasses de grafos enquanto queR
(
l1, . . . , lr
)
é pelo menos uma exponenial emmin
{
l1, . . . , lr
}
, omo é fáil onluir apartirdo teorema2.7.Notação 7. Em geral, quando não estamos enumerando uma seqüênia de grafos,
usamos o índie subsrito
n
para indiar que a ordem de umgrafoGn
én
. Ademais faremos as seguintes onvenções:C
n
é um iruito,P
n
é um aminho, eK
n
é um grafo ompleto, todosomn
vérties. Assim os tamanhos deC
n
eP
n
sãon
en
−
1
respetivamente. Além disso, om erto abuso de notação, usaremosTn
sempre que quisermos falar sobreumaárvoregenériade ordemn
. Otamanho deT
n
én
−
1
.Paraenerrarestaseçãomostraremosalguns resultadossimplesemteoriade
Ram-sey paragrafos.
Umfatointeressante,mas de fáilveriação, é que
R
(
G, H
)
≥
(
χ
(
G
)
−
1)(
c
(
H
)
−
1) + 1
,
onde
χ
(
G
)
é onúmero romátio deG
ec
(
H
)
éaordem damaior omponenteonexa deH
. Para ver isto basta exibir uma2
-oloração de um grafo ompleto de ordem(
c
(
H
)
−
1)(
χ
(
G
)
−
1)
que não possui uma ópia deG
na or1
nem uma ópia deH
na or2
. Paratanto, bastapartiionar osvértiesdeK
(c(H
)
−
1)(χ(G)
−
1)
em(
χ
(
G
)
−
1)
onjuntosV1, . . . , V
χ(G)
−
1
deordem(
c
(
H
)
−
1)
. Eentão pintartodasasarestasomas duasextremidades em onjuntos distintosda partiçãooma or1
easdemaisarestasUmaapliação desseresultado é oteorema aseguir.
Teorema 2.8. Para todos
s, t
≥
2
temosR
(
K
s
, T
t
) = (
s
−
1)(
t
−
1) + 1
.Prova. O fato de que
R
(
K
s
, T
t
)
≥
(
s
−
1)(
t
−
1) + 1
é uma apliação direta do fato anterior. Para provar adesigualdadeontrária, onsidereuma2
-oloraçãodeumgrafoompletoom
n
= (
s
−
1)(
t
−
1) + 1
vérties. SejaG
1
osubgrafo induzidopelasarestas
da or
1
eG
2
osubgrafo induzido pelas arestasdaor
2
(G
2
é oomplemento de
G
1
).
Suponha que
G
1
não ontém
K
s
omo subgrafo. Então um onjunto independente deG
2
tem ordem no máximo
s
−
1
. Logo,χ
(
G
2
)
≥ ⌈
n/
(
s
−
1)
⌉
=
t
. Armamos
que
G
2
possui um subgrafo
H
2
de grau mínimo pelo menos
t
−
1
. Admitindo isto, é fáil ver queH
2
ontém uma ópia de
T
t
. De fato, podemos assumir indutivamente que ahamosTt
−
1
⊂
H
2
, onde
Tt
−
1
=
Tt
−
x
ex
é umafolha qualquer deTt
. Sejay
o vizinho dex
emT
t
. Comoy
tem pelo menost
−
1
vizinhos emH
2
, pelo menos um
dessesvizinhos, digamos
z
,nãopertene aT
t
−
1
. Logo,o subgrafo deH
2
induzido por
T
t
−
1
∪
z
laramente ontém umaópiadeT
t
. Resta provar a existênia deH
2
. Suponha o ontrário, ou seja, que
G
2
nãopossui
um subgrafo de grau mínimo pelo menos
t
−
1
. Então todo subgrafoH
deG
2
tem
grau mínimo no máximo
t
−
2
, ou seja, possui um vértie de grau menor ou igual at
−
2
. Em partiular, o grafoHn
=
G
2
tem umvértie
xn
de grauno máximot
−
2
. SejaH
n
−
1
=
H
n
\ {
x
n
}
. NovamenteH
n
−
1
possuiumvértiex
n
−
1
degrau nomáximot
−
2
. Faça entãoH
n
−
2
=
H
n
−
1
\ {
x
n
−
1
}
. Continue fazendo isto até que todos os vérties deG
2
tenham sido enumerados. Agora, a seqüênia
x1, . . . , xn
é talque adax
i
é adjaente ano máximot
−
2
vérties anteriores a ele. Entãoumalgoritmo guloso paraolorir osvérties deG
2
usaria no máximo
t
−
1
ores,umaontradição.Notação 8. Dados dois grafos
G
= (
V
(
G
)
, E
(
G
))
eH
= (
V
(
H
)
, E
(
H
))
, tais queV
(
G
)
∩
V
(
H
) =
∅
,o grafouniãoG
∪
H
é denidosimplesmenteomoG
∪
H
= (
V
(
G
)
∪
V
(
H
)
, E
(
G
)
∪
E
(
H
))
.
Ademais, parauminteiro
k
,denimoskG
omoa uniãodek
ópias disjuntasdeG
. Outro resultado simples que também pode ter bastante utilidade é o que segueabaixo.
Teorema 2.9. Para quaisquergrafos
G, H
1
, H
2
,onde
V
(
H
1
)
∩
V
(
H
2
) =
∅
,R
(
G, H
1
∪
H
2
)
≤
max
{
R
(
G, H
1
) +
|
H
2
|
, R
(
G, H
2
)
}
.
Em partiular,
R
(
G, sH
)
≤
R
(
G, H
) + (
s
−
1)
|
H
|
. Prova. Sejan
= max
{
R
(
G, H
1
) +
|
H
2
|
, R
(
G, H
2
)
}
e suponha que o grafo
K
n
sejaor
1
. Então, omon
≥
R
(
G, H
2
)
,deve existirum grafo
H
2
na or
2
. Removendo-seeste grafode
K
n
aindasobram pelomenosR
(
G, H
1
)
vérties. Logo,o graforesultante
deveonterum
H
1
daor
2
. Assim,oK
n
ontém umH
1
∪
H
2
naor
2
. Istoompletaa provada primeira desigualdade.
Agora, dadosgrafos
G
eH
,fazendoH
1
= (
s
−
1)
H
e
H
2
=
H
,temosque
R
(
G, sH
)
≤
max
{
R
(
G,
(
s
−
1)
H
) +
|
H
|
, R
(
G, H
)
}
=
R
(
G,
(
s
−
1)
H
) +
|
H
|
,
já que
R
(
G,
(
s
−
1)
H
)
≤
R
(
G, H
)
. Agora, é trivial provar a segunda desigualdade do enuniado usandoindução.Usandoo teoremaaima é possívelalular
R
(
sK
2
, tK
2
)
. Teorema 2.10. Ses
≥
t
≥
1
entãoR
(
sK
2
, tK
2
) = 2
s
+
t
−
1
.
Prova. O grafo
G
2s+t
−
2
=
K
2s
−
1
∪
(
t
−
1)
K
1
não ontéms
arestas independentes, ou seja, não ontémsK
2
. Ademais, seu omplemento não ontémtK
2
. Com isto, é trivial onluirqueR
(
sK
2
, tK
2
)
≥
2
s
+
t
−
1
.É trivialveriar também que
R
(
sK
2
, K
2
) = 2
s
. Assim, paraompletar a prova é suiente veriarqueR
(
sK
2
, tK
2
)
≤
R
((
s
−
1)
K
2
,
(
t
−
1)
K
2
) + 3
eusarinduçãosobre
min
{
s, t
}
. Comodeostume,sejan
=
R
((
s
−
1)
K
2
,
(
t
−
1)
K
2
) + 3
, onsidere uma2
-oloração deKn
e denote porG
i
o grafo induzido pelas arestas da
or
i
,parai
= 1
,
2
. SeG
1
=
K
n
entãosK
2
⊂
G
1
,ese
G
2
=
K
n
entãotK
2
⊂
G
1
,pois
n
≥
2
s
≥
2
t
. Caso ontrário, existemtrêsvérties, digamosx
,y
ez
,tais quexy
∈
G
1
,
xz
∈
G
2
. Agora,Kn
\ {
x, y, z
}
ontém ou um(
s
−
1)
K2
da or1
ou um(
t
−
1)
K2
da or2
. No primeiro aso, adiionamosa arestaxy
para enontrar o nossosK
2
. No segundo, adiionamos aarestaxz
e enontramos otK
2
.Finalmente, uma generalização do teorema anterior ([6℄) foi usada em um treho
da prova do lema 4.1 no apítulo 4,um dos foos prinipais neste trabalho, estudado
no artigo [17℄.
Teorema 2.11 (Cokayne e Lorimer, 1975). Dados
n
1
, . . . , n
t
≥
1
inteiros tais quen
1
= max
{
n
1
, . . . , n
t
}
entãoR
(
n
1
K
2
, . . . , n
t
K
2
) =
n
1
+ 1 +
t
X
i=1
(
n
i
−
1)
.
Corolário 2.12. Dado uminteiro positivo
n
valeque2.4 Teoremas de Ramsey versus teoremas de densidade
Em geral,umproblemadotipoRamseypodeserformuladodaseguintemaneira: dada
umaquantidade
r
deores,queremosdeterminarseemtodar
-oloraçãodeumonjunto deobjetospodemosenontrarumsubonjuntomonoromátiodessesobjetosomumadada propriedade. Estaquestãopode serformuladaemtermosde hipergrafos. Se
V
é o onjunto dos objetos que iremos olorir eE
é a família dossubonjuntos deV
que satisfazem umaertapropriedade então podemosformalizar apergunta omo: dadoohipergrafo
H
= (
V, E
)
,éverdadeque,emtodar
-oloraçãodeV
,existeumahiperaresta monoromátia, ou seja, um onjuntoe
∈
E
tal que osvérties pertenentes ae
⊂
V
possuemtodosa mesmaor? Issonosmotiva afazer adenição aseguir.Denição 9. Dado um hipergrafo
H
, seu número romátioχ
(
H
)
é o menor inteiro talqueexiste umaoloraçãodosvérties deH
onde nenhumadashiperarestas deH
émonoromátia. Vejaqueistoéumageneralizaçãonaturaldonúmeroromátio paragrafos.Umoutrotipode problemaé relaionado à próxima denição.
Denição 10. Dado um hipergrafo
H
= (
V, E
)
, denimos a função de TuránT
(
H
)
omo o menor inteiroT0
tal que para todo subonjuntoV
′
de
V
om pelo menosT0
vértiesexistee
∈
E
tal quee
⊂
V
′
. Dena
τ
(
H
) =
T
(
H
)
/
|
V
(
H
)
|
. Notação 11. Para umonjuntoS
euminteirol
denotamosS
l
:=
{
F
⊂
S
;
|
F
|
=
l
}
.Emgeral,nãosabemosomoalular
T
(
H
)
. MasovalordeT
(
H
)
éonheidopara ertas famílias de hipergrafos. Por exemplo, onsidere o hipergrafoH
n
= (
V
n
, E
n
)
, ondeV
n
=
[n]
2
e
E
n
=
{
S
2
:
S
∈
[n]
l
}
, para alguml
. Veja que alularT
(
H
n
)
é equivalenteaenontraro menornúmerode arestast
talquetodografoomn
vérties e pelo menost
arestas possui uma lique de ordeml
. Um importante teorema de densidade éoteoremade Turán [30℄quenosdá ovalor exatodeT
(
H
n
)
. Veja também o livro deBollobás [3 ℄.???
Teorema 2.13. Dados
n
el
,o menor inteirot
tal que todo grafo omn
vérties et
arestas possuiumalique de ordeml
é dado port
=
t
(
n, l
) = 1 +
n
2
−
k
m
+ 1
2
−
(
l
−
1
−
k
)
m
2
,
Vamos agora fazer uma breve omparação entre propriedades do tipo Ramsey e
propriedadesdedensidade. Dadoumhipergrafo
H
euminteiror
,onsidereasseguintes armações:A
:
χ
(
H
)
> r
;
B
:
τ
(
H
)
≤
1
/r.
E, paraumaseqüênia de hipergrafos
H
n
= (
V
n
, E
n
)
,onsidere asarmações aná-logas:A
∗
:
χ
(
H
n
)
> r,
quandon
→ ∞
;
B
∗
:
τ
(
H
n
)
≤
1
/r
quandon
→ ∞
.
Asarmações
A
eA
∗
sãoarmaçõesdotipo Ramsey. Enquanto queasarmações
B
eB
∗
são armações de densidade. A armação
A
diz que, se as hiperarestas deH
foremoloridas omr
ores, então enontraremos uma hiperarestamonoromátia. A armaçãoB
diz que, se um onjunto de vérties não é muito pequeno, então ele ontém umahiperaresta deH
. Émuito fáil veriara validade doseguinteteorema. Teorema 2.14. Valem asseguintesimpliações: (i)B
impliaA
;(ii)B
∗
implia
A
∗
.
Contudo, as impliações reíproas,
A
impliaB
eA
∗
implia
B
∗
são falsas.
Considere, por exemplo, suas interpretações para teoriade Ramsey lássia(omo na
seção 2.2), onde o onjunto das arestas de um grafo é
r
-olorido e queremos ahar uma lique monoromátia de ordeml
. Preisamente, se olharmos novamente para os hipergrafosH
n
= (
V
n
, E
n
)
, ondeV
n
=
[n]
2
e
E
n
=
{
S
2
:
S
∈
[n]
l
}
, temos umaseqüênia
(
H
n
)
para aqual valeA
∗
enão vale
B
∗
.
De fato, veja que a armação
χ
(
H
n
)
> r
é idêntia an
→
(
l
)
r
. Assim, pelo teorema 2.6 (Ramsey), a seqüênia{
H
n
}
satisfazA
∗
. Por outrolado, o teorema 2.13
nosdiz queseesrevermos
n
= (
l
−
1)
m
+
k
om0
≤
k < l
−
1
,entãoT
(
H
n
) = 1 +
n
2
−
k
m
+ 1
2
−
(
l
−
1
−
k
)
m
2
.
Logo,lim
n
→∞
τ
(
H
n
) = 1
−
1
l
−
1
.
Para
r
≥
2
el
≥
4
temos que1
−
1
l
−
1
>
1
/r
de modo queB
∗
é falsa. Esta mesma
onstrução nosdáexemplos dehipergrafospara osquais
A
impliaB
nãovale. Umdosmais famososteoremas de densidade é o teoremade Szemerédi, quegene-raliza oteorema 2.4(vander Waerden).
Teorema 2.15 (Szemerédi [28 ℄). Para todo inteiro
l
e realε >
0
existe um inteiroO teorema de van der Waerden foi provado em 1927. Em 1936, Erd®s e Turán
onjeturaram o teoremaaima. Para
l
= 2
o teorema étrivial. Oasopartiular em quel
= 3
foiprovado em1953 por Roth [25℄. Em 1969,oasopartiular emquel
= 4
foiprovado porSzemerédi [27℄ e elemesmoprovou o teoremageral aima em1973. ALema da regularidade de Szemerédi
Alguns problemas emteoriaextremaldosonjuntospodemser resolvidosusando
ape-nas ténias de matemátia elementar. Em outros faz-se neessário o uso de ténias
sostiadas, omo o lema da regularidade de Szemerédi e lemas de estabilidade. Em
Teoria de Ramseyparagrafos,este é oaso dosproblemas nosartigos [5 ,19, 23℄, que
tratam de números de Ramsey para iruitos ou aminhos envolvendo mais de três
ores, para os quais até agora não existem provas elementares. Nas seções seguintes
falaremos sobre os resultados obtidos nestes artigos. Agora nos onentraremos na
prinipal ferramenta usadanestesartigos.
Olemadaregularidade temsemostradoumadasmaispoderosasferramentaspara
lidaromproblemasextremais. Daíamotivaçãoemestudá-lo. Estelemafoionebido
originalmenteomo umlema auxiliarna prova doteorema 2.15. Basiamente, ele nos
diz quequalquer grafopode ser, de erto modo, aproximado por uma uniãode grafos
bipartidospseudo-aleatórios. Assim,olemadaregularidadenosajudaaarregarertos
resultados, que sãotriviais na lasse dos grafos aleatórios, para a lasse de grafos em
geral, onde provavelmente seria mais difíil provar que essas propriedades valem. As
seguintes deniçõestornam preiso oque aabamosde dizer.
Denição 12. Dadosumgrafo
G
= (
V, E
)
eonjuntosX, Y
⊂
V
disjuntos,denimose
(
X, Y
) =
e
G
(
X, Y
) =
|{
xy
∈
E
:
x
∈
X, y
∈
Y
}|
. E paraX
,Y
não vazios também denimos adensidade do par(
X, Y
)
emG
omod
(
X, Y
) =
d
G
(
X, Y
) =
e
(
X, Y
)
|
X
| · |
Y
|
.
Denição 13. Seja
ε >
0
. Dado um grafoG
e dois onjuntos de vérties disjuntosA, B
⊂
V
(
G
)
, dizemos que o par(
A, B
)
éε
-regular se para todosX
⊂
A
eY
⊂
B
satisfazendotemos
|
d
(
X, Y
)
−
d
(
A, B
)
|
< ε.
(3.1) Denição 14. Dizemos que umpar(
A, B
)
éε
-regular om densidaded
se(
A, B
)
éε
-regular ed
(
A, B
) =
d
.Istonosdiz,essenialmente, queasarestasentreosonjuntos
A
eB
seomportam omo asde um grafobipartido aleatório, onde ada aresta tem probabilidaded
(
A, B
)
de pertenera talgrafo.Proposição3.1. Opar
(
A, B
)
éε
-regularnografoG
seesomenteseéε
-regularemG
, o omplemento deG
.Prova.Bastaobservarque
d
G
(
A, B
) = 1
−
d
G
(
A, B
)
,paratodosA
⊂
V
(
G
)
,B
⊂
V
(
G
)
disjuntos. Assim,naequação (3.1) temos|
d
G
(
X, Y
)
−
d
G
(
A, B
)
|
=
|
(1
−
d
G
(
X, Y
))
−
(1
−
d
G
(
A, B
))
|
=
|
d
G
(
X, Y
)
−
d
G
(
A, B
)
|
.
Denição 15. Dado um vértie
x
e umonjunto de vértiesY
, denimosdeg(
x, Y
)
omo onúmero devizinhos dex
emY
,ouseja,deg(
x, Y
) =
|{
y
∈
Y
: (
x, y
)
∈
E
(
G
)
}|
. Proposição3.2(Amaioriadosvértiespossuigraualto). Seja(
A, B
)
umparε
-regular om densidaded
,sobre umgrafoG
qualquer. DadoY
⊂
B
tal que|
Y
|
> ε
|
B
|
,temos que|{
x
∈
A
: deg(
x, Y
)
≤
(
d
−
ε
)
|
Y
|}| ≤
ε
|
A
|
.
Prova.Suponha por absurdoque existe
Y
⊂
B
,|
Y
|
> ε
|
B
|
tal que|{
x
∈
A
: deg(
x, Y
)
≤
(
d
−
ε
)
|
Y
|}|
> ε
|
A
|
.
Seja
X
=
{
x
∈
A
: deg(
x, Y
)
≤
(
d
−
ε
)
|
Y
|}
. Temos quee
(
X, Y
) =
X
x
∈
X
deg(
x, Y
)
≤
(
d
−
ε
)
|
X
| · |
Y
|
,
e portanto
d
(
X, Y
)
≤
d
−
ε,
o queontrariao fatode
(
A, B
)
serε
-regular.O lema a seguir sobre pares regulares, além de interessante por si só, será
parti-ularmente importante na prova do teorema prinipal do apítulo 5. Informalmente,
elenosdizqueumgrafobipartidosuientemente grandeombipartição
V
1
∪
V
2
onde(
V1, V2
)
éumparε
-regularpossuiaminhosdequasetodosostamanhospossíveisentre quase todososparesdevértiesv
′
∈
V
1
,v
′′
∈
V
Observação. Ao denirmos onstantes durante o enuniado de um teorema/lema,
omo no seguinte, usaremos omo índie subsrito da onstante o número desse
teo-rema/lema (no lugar do tradiional índie
0
). Isto failita futuras referênias a taisonstantes.
Lema 3.3. Seja
G
umgrafobipartido ombipartiçãoV1
∪
V2
tal que|
V1
|
=
|
V2
|
=
n
. Suponhaque(
V
1
, V
2
)
éε
-regularomdensidadepelomenosα/
4
,paraalgum0
< α
≤
1
e0
< ε <
0
.
01
α
. Entãoexisten
3.3
talquesen > n
3.3
,entãoparatodo par devértiesv
′
∈
V1
,v
′′
∈
V2
, onde
deg(
v
′
)
,
deg(
v
′′
)
≥
αn/
5
, e todo
l
, onde1
≤
l
≤
n
−
5
εn/α
, temos queG
ontémum aminho deomprimento2
l
+ 1
onetandov
′
e
v
′′
.
Prova. Tome
v
′
e
v
′′
omo aima. Considere primeiro o aso em que
1
≤
l
≤
αn/
6
. SejaV
i
−
=
{
v
∈
V
i
: deg(
v
)
< αn/
5
}
,
parai
= 1
,
2
.
Comoαn/
5
<
(
α/
4
−
ε
)
n
,pelaproposição 3.2,|
V
−
i
| ≤
εn
. Assim, sedenirmosV
i
+
=
Vi
\
V
i
−
,
temos que
|
V
+
i
| ≥
(1
−
ε
)
n
. Jogandoforaalguns vérties deV
+
1
eV
+
2
,podemos obterˆ
V
1
⊆
V
1
+
eV
ˆ
2
⊆
V
+
2
,tais que|
V
ˆ
1
|
=
|
V
ˆ
2
| ≥
(1
−
ε
)
n
ev
′
∈
V
ˆ
1
,v
′′
∈
V
ˆ
2
. É fáil ver que o subgrafoH
induzido porV
ˆ
1
∪
V
ˆ
2
tem grau mínimopelomenosαn/
5
−
εn
. Construa gulosamente um aminho de omprimento2
l
−
2
, digamosP
2l
−
2
=
v
0
v
1
. . . v
2l
−
2
, tal quev
0
=
v
′
e
V
(
P
2l
−
2
)
⊆
V
ˆ
1
∪
V
ˆ
2
\ {
v
′′
}
. Ouseja, omee esolhendo
v
0
=
v
′
e dado
que foram esolhidos
v
0
, . . . , v
i
−
1
, esolhav
i
omo qualquer vértie da vizinhança dev
i
−
1
emH
quenãopertença a{
v
0
, . . . , v
i
−
1
} ∪ {
v
′′
}
. Talvértie
v
i
existepoisl
≤
αn/
6
edeg(
v
i
−
1
)
≥
αn/
5
−
εn
,eportantodeg(
v
i
−
1
)
−
l
≥
1
. ParaextenderP
2l
−
2
demodoa obterumaminhoquetermineemv
′′
etenhaomprimento
2
l
+ 1
,bastamostrarqueG
ontémumaaresta{
v
2l
−
1
, v
2l
}
deNH
(
v
2l
−
2
)
\
(
V
(
P
2l
−
2
)
∪{
v
′′
}
)
para
NH
(
v
′′
)
\
V
(
P
2l
−
2
)
. Neste aso,P
2l+1
=
P
2l
−
2
v
2l
−
1
v
2l
v
′′
=
v
0
. . . v
2l
v
′′
será o aminho queprouramos. De fato, talaresta existe já que,|
N
H
(
v
2l
−
2
)
\
(
V
(
P
2l
−
2
)
∪ {
v
′′
}
)
| ≥
αn/
5
−
εn
−
αn/
6
−
1
> εn
e analogamente
|
N
H
(
v
′′
)
\
V
(
P
2l
−
2
)
|
> εn.
Assim,pela
ε
-regularidadede(
V
1
, V
2
)
,adensidade entreessesdoisonjuntosnãopode ser nula.Agora suponha que
αn/
6
≤
l
≤
n
−
5
εn/α
e já onstruímos um aminho de om-primento2
l
−
1
, digamosP
2l
−
1
=
v
0
v
1
. . . v
2l
−
1
,ondev
0
=
v
′
e
v
2l
−
1
=
v
′′
. Neste aso
a estratégia é diferente: queremos aumentar este aminho substituindo uma de suas