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Declínio da tecnologia WAP 1.0 no Brasil: o papel dos modelos de negócios

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(1)

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA

CURSO DE MESTRADO EXECUTIVO

DECLÍNIO DA TECNOLOGIA WAP 1.0

NO BRASIL: O PAPEL DOS MODELOS

DE NEGÓCIOS

DISSERTAÇÃO APRESENTADA À ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE

(2)

AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a algumas pessoas especiais que me ajudaram a finalizar este trabalho e a concluir este curso de mestrado executivo:

- Primeiramente, ao meu orientador, cujos conselhos, críticas e muita paciência ajudaram a tomar este trabalho uma contribuição significativa para a Fundação e minha vida acadêmica;

- À banca examinadora, cujas observações deram o toque final para melhorar ainda mais este

trabalho;

- Aos meus pais, minha irmã e minha namorada, cUJo apOIo, carinho e paciência foram cruciais nos momentos mais dificeis;

(3)

sUMÁRIO

1. PROBLEMÁTICA

1.1 Contextualização do Problema

1.1.1 A Primeira Geração de Sistemas Móveis 2

1.1.2 A Segunda Geração de Sistemas Móveis 4

1.1.3 A Evolução da Terceira Geração de Serviço Celular (Sistemas Móveis) 6

1.1.4 As Tecnologias W AP 1.0 e 3G 8

1.2 O Problema da Pesquisa 11

1.3 Os Objetivos da Pesquisa 11

1.4 As Hipóteses da Pesquisa 12

1.5 A Delimitação do Estudo 13

1.6 A Relevância do Estudo 15

2. REFERENCIAL TEÓRICO 17

2.1 Comércio Eletrônico Móvel (M-Commerce) 17

2.1.1 Sistemas Eletrônicos de Pagamento 18

2.1.2 Investimentos no M-Commerce 20

2.1.3 Alguns Pontos sobre o M-Commerce 22

2.2 Modelos de Negócios na Web 25

2.2.1 Tipologia de Modelos de Negócios 27

2.2.2 Aplicabilidade de Modelos de Negócios à Tecnologia W AP 1.0 40

3. METODOLOGIA 45

3.1 Tipo de Pesquisa 45

3.2 Universo e Amostra 46

3.3 Seleção dos Sujeitos 46

3.4 Coleta de Dados 47

3.5 Tratamento dos Dados 47

3.6 Limitações do Método 50

4. LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS 52

4.1 Survey 53

4.2 Entrevista 54

(4)

5. ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS 56

5.1 Análise de Freqüência 57

5.2 Nível de Satisfação 66

5.2.1 Nível de Satisfação com os Serviços W AP 1.0 67

5.2.2 Nível de Satisfação com os Serviços de Compras e Transações W AP 1.0 71

5.3 Relações de Dependência entre Variáveis 74

5.3.1 Nível de Satisfação (Serviços W AP) x Nível de Satisfação (Compras W AP) 77

5.3.2 Nível de Satisfação (Serviços WAP) x Freqüência de Uso do Celular 82

5.3.3 Nível de Satisfação (Compras WAP) x Freqüência de Uso do Celular 83

5.3.4 Nível de Satisfação (Serviços W AP) x Renda Mensal Familiar 85

5.3.5 Nível de Satisfação (Serviços W AP) x Idade 87

5.3.6 Nível de Satisfação (Compras WAP) x Renda Mensal Familiar 88

5.3.7 Nível de Satisfação (Compras WAP) x Idade 90

5.3.8 Observações Preliminares 92

6. ANÁLISE DAS ENTREVISTAS 98

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 109

REFERÊNCIAS 111

GLOSSÁRIO 115

ANEXO A - QUESTIONÁRIO APLICADO 120

ANEXO B - ENTREVISTA APLICADA 123

ANEXO C - COMÉRCIO ELETRÔNICO (E-COMMERCE) 124

(5)

RESUMO DA DISSERTAÇÃO

o

surgimento dos telefones celulares foi uma grande revolução nas telecomunicações,

pois as pessoas poderiam se comunicar de qualquer lugar, mesmo em movimento. No

entanto, a grande demanda obrigou a criação de novos sistemas digitais de telefonia, com

mais qualidade nas ligações, capacidade de transmissão de voz, dentre outros.

Posteriormente, surgiu uma demanda que não queria apenas mais qualidade, mas também

a disponibilização de serviços disponíveis a partir do celular. Isto originou o uso da

tecnologia WAP.

Focalizando o estudo no mercado brasileiro, a tecnologia WAP foi anunciada como a

responsável por trazer a Internet utilizada nos computadores convencionais diretamente

para o celular. Entretanto, diversos problemas relativos ao uso e custo desta tecnologia

indicaram claras desvantagens da Internet no celular em comparação com a Internet

convencional. Isto tomou a tecnologia W AP um fracasso de crítica no Brasil.

Esta dissertação busca comprovar o fracasso da la versão da tecnologia W AP - W AP 1.0

- e a participação dos modelos de negócios utilizados na derrocada desta tecnologia no

(6)

ABSTRACT

The sprouting of the cellular telephones was a great revolution in telecommunications,

therefore people could communicate themselves from any place, even in movement.

However, a great demand compel/ed the creation of new digital systems of telephony, with

more quality in callings, greater capacity of voice transmission, amongst others. La ter,

this demand wanted not only more quality, but also availability of services from a cel/ular

phone. This originated the use of W AP technology.

Focusing this study in Brazilian market, WAP technology was announced as the

responsible for bringing the Internet used in conventional computers directly to cellular

phones. However, many problems related to handling and cost of this technology had

shown clear disadvantages of the Internet in cel/ular phones in comparison to the

conventional Internet. It turned WAP technology afailure of criticism in Brazil.

This dissertation tries to prove the failure of 1 st version of WAP technology WAP l. O

-and the participation of the business-oriented models used in the fall of this technology in

(7)

1. PROBLEMÁ TICA

1.1. Contextualização do Problema

o

surgimento da telefonia celular foi considerado uma revolução no mercado de

telecomunicações, pois, em teoria, as pessoas poderiam passar a se comunicar de qualquer

lugar do planeta. Os primeiros sistemas de telefonia celular surgiram em 1979 no Japão e

em 1983 nos EUA (ver em www.3g.com.br). No entanto, o aumento da demanda tomou

necessário o desenvolvimento de novos sistemas digitais, chamados posteriormente de 2a

geração de celulares. A princípio, estes, além da maior capacidade de transmissão de voz,

ofereciam vantagens como mais segurança, maior qualidade nas ligações, dentre outras.

Além disto, começaram a surgir serviços com base em transmissão de dados, com o

objetivo de transformar o celular em uma ferramenta não apenas de comunicação mas,

também, de informação e entretenimento.

Entretanto, devido a diversos fatores, a tecnologia disponível - W AP - se tomou um

fracasso de critica. Seus usuários foram levados a pensar que teriam em suas mãos a

mesma Internet usada nos computadores, mas, na realidade, havia uma série de

desvantagens em relação à Internet convencional, i.e., ausência de gráficos, conexão lenta

e cara e dificuldades na utilização de serviços e jogos, dentre outras.

Com isto, conforme será explicado adiante, o objetivo principal deste trabalho é

identificar quais foram os principais fatores que causaram o fracasso na implantação da

tecnologia W AP 1.0 no mercado brasileiro, baseando o estudo na análise de seus modelos

(8)

de uma maneira geral, entende-se que eles sejam o método escolhido pela empresa para

fazer negócios e, com isto, gerar receita - base da sustentação e sobrevivência de qualquer

organização (Rappa, 2002). A partir deles, são definidas as estratégias de marketing,

vendas, cobrança, atendimento, dentre diversas outras, para se obter receita. Além disto,

Rappa (2002) também afirma que os modelos de negócios ganharam grande importância

por começarem a ser caracterizados como propriedades intelectuais, passíveis de proteção

através de patentes.

A seguIr, é mostrado um histórico de cada geração de celulares, explicando sua

importância em cada época e também o que está por surgir - a chamada 3a geração de

celulares.

1.1.1. A Primeira Geração de Sistemas Móveis

Os Laboratórios Bell da AT&T desenvolveram o conceito do celular em 1947, sendo que,

em 1970, a própria AT&T propôs a construção do primeiro sistema telefônico celular de

alta capacidade de transmissão de voz, que ficou conhecido pela sigla AMPS, ou seja,

Advanced Mobile Phone Service. Em 13 de Outubro de 1983, o primeiro sistema celular

nos EUA entrava em operação comercial em Chicago. No entanto, a NTT (Nippon

Telephone & Telegraph) havia se antecipado, colocando um sistema semelhante ao AMPS

em operação, em 1979, na cidade de Tóquio, no Japão (ver em www.3g.com.br).

A partir de sua primeira geração, o serviço celular passou a funcionar através da divisão

de uma cidade ou região em pequenas áreas geográficas denominadas células, sendo cada

(9)

potência. Quando a chamada de um celular alcança uma torre de transmissão e recepção, a

mesma é transferida para o sistema de telefonia fixa regular. Cada célula possui diversos

canais com o objetivo de prover serviços para muitos usuários simultaneamente. Na

medida em que um usuário se movimenta na cidade, o sinal do seu telefone celular passa

automaticamente de uma célula para outra, sem sofrer interrupção (ver em

www.3g.com.br).

Na Europa, a primeira geração de celulares era composta de diversos sistemas. O NMT

(Nordic Mobile Telecommunications), adotado pelos outros países nórdicos, o TACS

(Total Access Communications System), adotado no Reino Unido, Itália, Áustria, Espanha

e Irlanda, o CASO, adotado na Alemanha e Portugal, o Radiocom 2000, adotado na França

e o RTMS, adotado na Itália. Todos esses sistemas eram bastante parecidos entre si, sendo

que as principais diferenças concentravam-se no uso do espectro de freqüência e no

espaçamento entre canais - como exemplos, podem-se citar os sistemas AMPS e o T ACS.

Essa pnmelra geração de sistemas celulares caracterizava-se, basicamente, por ser

analógica, utilizando modulação em freqüência para voz e modulação digital FSK

(Frequency Shift Keying) para sinalização. O acesso à canalização era obtido através do

FDMA (Frequency Division Multiple Access). O tamanho das células situava-se na faixa

de 500 metros a 10 quilômetros, sendo permitido o handoff ou handover (transferência

automática de ligações de uma célula para outra). Possibilitava, igualmente, o roaming

(transferência automática de ligações entre sistemas) entre os diferentes provedores de

(10)

1.1.2. A Segunda Geração de Sistemas Móveis

Em função da pressão da demanda, particularmente nos EU A, onde o sistema analógico

havia atingido o limite de sua capacidade de transmissão de voz nas maiores áreas

metropolitanas, e pela necessidade de se ter um sistema Pan Europeu na Europa, foi dado

início ao desenvolvimento de novos sistemas digitais. A princípio, estes, além da maior

capacidade de transmissão de voz, ofereciam as seguintes vantagens sobre os analógicos:

técnicas de codificação digital de voz mais poderosas, maior eficiência espectral, melhor

qualidade de voz, uso mais fácil da comunicação de dados e maior facilidade na

criptografia da informação transmitida (o que influi diretamente na segurança e

privacidade).

Como resultado desse esforço, surgIram os sistemas GSM (Groupe Speciale

Mobile/Global Systemfor Mobile Communications) na Europa, o TDMA (Time Division

Multiple Access), o CDMA (Code Division Multiple Access) nos EUA e o PDC (Japanese

Personal Digital Cellular) no Japão. O TDMA divide o tempo de um canal que opera em

uma determinada freqüência em um certo número de partes, designando cada uma das

diversas conversações telefônicas para cada uma dessas partes (ver em www.3g.com.br).

O CDMA, um forte concorrente do TDMA, é um sistema proprietário desenvolvido pela

empresa QUALCOMM, baseada em San Diego, nos EUA. O sistema utiliza a técnica de

espalhamento espectral e foi originalmente utilizado pelos militares para espalhar o sinal

em uma faixa de espectro bastante larga, tomando as transmissões dificeis de serem

(11)

Existe, também, o CDMA de banda larga (Broadband CDMA ou B-CDMA), com a

patente em poder da empresa InterDigital. Essencialmente, o B-CDMA opera partilhando

o espectro de freqüência com as demais tecnologias celulares existentes (ver em

www.3g.com.br).

o

GSM foi adotado como padrão europeu em meados dos anos 80 e introduzido

comercialmente em 1992. O GSM pOSSUI uma arquitetura aberta, o que permite a

combinação de equipamentos de diferentes fabricantes, possibilitando assim a manutenção

a preços baixos. A seu favor, contabiliza-se, ainda, uma larga infra-estrutura já

implantada, com mais de 150 redes celulares do tipo GSM-900, DCS-1800 e PCS-1900

(ver em www.3g.com.br).

Em resumo, os serviços de comunicações de segunda geração são baseados em sistemas

com desempenho muito superior ao dos analógicos - alguns com capacidade, no mínimo,

três vezes superior à dos sistemas de primeira geração. Eles se caracterizam, em geral,

pela utilização de tecnologia digital para transmissão tanto de voz quanto de sinalização

(ver em www.3g.com.br).

Por fim, os sistemas móveis de segunda geração sofreram uma evolução na qual podem

ser utilizadas maiores velocidades de comunicação e transmissão de dados gerados por

cada usuário. Esta evolução acabou sendo denominada como "a segunda geração e meia

dos serviços celulares", também conhecida como 2,5G (ou também lxRTT, como

(12)

traz algumas diferenças e beneficios, se comparada com a segunda geração, quais sejam

(Telefônica Celular, 2002):

• Utilização de velocidade de transmissão de até 144Kbps - esta velocidade é 10

vezes maIS rápida do que a velocidade atual utilizada pela rede CDMA

(14,4Kbps);

• Possibilidade de transmissão de dados em pacotes - a cobrança pelo tempo de

transmissão deixa de existir e surge a cobrança baseada na quantidade de dados

trafegados durante a navegação do cliente (em bytes);

• Aumento da capacidade de transmissão de voz - a rede 2,5G pode dobrar a

capacidade de transmissão de voz, permitindo mais usuários falando em uma

mesma área. Isto pode se traduzir em melhoria de qualidade das ligações

(Telefônica Celular, 2002).

A "geração 2,5" de sistemas móveis celulares já é considerada uma evolução significativa,

em comparação com os sistemas 2G, principalmente no item velocidade. No entanto,

como será visto a seguir, a terceira geração de serviços celulares promete avanços ainda

maiores - não apenas na velocidade e qualidade de ligações, mas também em serviços e

na própria interface, possibilitando inclusive o uso de recursos multimídia.

1.1.3. A Evolução da Terceira Geração do Serviço Celular (Sistemas Móveis)

Mesmo com os sistemas móveis de segunda geração ainda não totalmente amadurecidos e

firmemente estabelecidos, já se trabalha intensamente no desenvolvimento da terceira

geração dos mesmos. Este desenvolvimento vem sendo liderado, mais uma vez, pela

(13)

-Radiocommunications sector) e ETSI (European Telecommunications Standard Institute).

O objetivo é criar um sistema móvel de terceira geração, que está sendo denominado

UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) (ver em www.3g.com.br).

Progressos significativos já foram obtidos, como, por exemplo, a reserva de 230 MHz de

espectro, com a aprovação de 127 países, na World Administrative Radio Conference

(WARC) em 1992 (verem www.3g.com.br).

A topologia provável desse novo sistema móvel será baseada em uma forma de arquitetura

mista de células. Células de tamanho variável serão implementadas com dimensionamento

adequado para áreas geográficas específicas, em função das diferentes demandas de

tráfego. Células diminutas, chamadas de picocélulas, instaladas em interiores, serão

versões melhoradas das atuais tecnologias sem fio, com handsets, isto é, aparelhos de

assinante, pequenos e leves; células maiores, ou seja, microcélulas e macrocélulas,

poderão operar segundo características evoluídas a partir do GSM. Handsets diferentes

precisarão reconhecer e operar indistintamente em pico, micro e macrocélulas. Ou seja, o

objetivo é criar uma plataforma de rede sem fio, oferecendo aos usuários a possibilidade

de acesso através de ondas de rádio. Esta plataforma pode ser extensão do sistema

telefônico do escritório quando o usuário se encontra no trabalho, um telefone móvel

convencional quando ele se encontra ausente ou ainda um telefone principal de sua

residência quando ele estiver em casa.

A evolução em direção aos serviços de telecomunicações móveis UnIVerSaIS, UMTS,

(14)

de um padrão independente para o UMTS seria injustificável dado o enorme investimento

para a viabilização das redes celulares digitais já em uso (ver em www.3g.com.br).

o

objetivo do UMTS é prover um padrão universal para as comunicações pessoais com

apelo do mercado de massa e com a qualidade de serviços equivalente à rede fixa. Na

visão UMTS, um sistema de comunicações deverá suportar diversas facilidades: (1)

portadoras realocáveis e banda atribuível sob demanda (por exemplo, 2 Mbps para

comunicações em ambientes internos e pelo menos 144 kbps para ambientes externos); (2)

variedade de tipos de tráfego compartilhando o mesmo meio; (3) tarifação adequada para

aplicações multimídia; (4) serviços personalizados; (5) facilidade de implementação de

novos serviços (por exemplo, utilizando ferramentas de rede inteligente); (6) WLL

(Wireless Local Loop) de banda larga, etc. O WLL de banda estreita tem sido utilizado em

substituição aos fios/cabos de cobre para conectar telefones e outros dispositivos de

comunicação com a rede de telefonia comutada pública, ou PSTN (Public Switched

Telephone Network) (ver em www.3g.com.br).

Especificamente em relação ao UMTS, três quesitos são bastante considerados: (1) rádio

acesso de banda larga; (2) roaming inteligente; e (3) alta capacidade. O GSM, em sua

evolução natural, é considerado capaz de atender também a esses quesitos.

1.1.4. As Tecnologias W AP 1.0 e 3G

Segundo Taurion (2001), muitas vezes confunde-se 3G com um W AP mais veloz. W AP

1.0 (Wireless Application Protocol) é o protocolo que permite o acesso à Internet pelo

(15)

Markup Language) são lidas no pequeno visor do aparelho celular, por intennédio de um

navegador especial.

De acordo com Taurion (2001), o W AP reconhece que celulares não são computadores

pessoais e que a maioria dos serviços e usos da Internet adotados pelos usuários nos

micros não será de utilidade em celulares, em movimento. Assim, o W AP focaliza as

aplicações diretamente relacionadas com os celulares, suas limitações e as necessidades

dos usuários. Uma das conseqüências é o uso de tecnologias específicas para trabalhar em

velocidades de transmissão mais lentas (nonnalmente entre 9,6 e 14,4 Kbps,

disponibilizadas pelo W AP 1.0).

Por exemplo, ao contrário da Internet convencional, que geralmente segue um caminho

tortuoso para enviar infonnações de um servidor a um micro, no W AP reconhece-se que

este caminho é único. Ou seja, do servidor W AP ao celular não existem caminhos

alternativos. Assim, o W AP não precisa remontar pacotes de dados que chegam, pois ele

sabe que a ordem de chegada dos pacotes é exatamente a mesma da ordem de envio pelo

servidor. O software para gerenciar esta transmissão, portanto, é mais leve.

Taurion (2001) comenta que a interface com o usuário também reconhece as limitações do

celular, sua tela pequena e seu teclado nada prático para entrada de dados. Portanto, o

W AP assume que a Internet para celulares é diferente da Internet para computadores

pessoais e sua riqueza de recursos visuais. Além disso, a tecnologia WML é considerada

primitiva quando comparada a linguagens de programação modernas. Na verdade, o

WML está diretamente relacionado com as limitações de capacidade computacional dos

(16)

Quanto à tecnologia 3G (3a geração de celulares), muito se pergunta se ela conseguirá

superar as restrições do WAP.

Segundo a 3G-Generation (2000), a tecnologia 3G é, na verdade, uma denominação dada

à tecnologia UMTS (Universal Mobile Telecommunications System). A UMTS é uma

tecnologia de transmissão de dados, tais como voz digitalizada, vídeo e multimídia, com

velocidade bastante superior à da tecnologia W AP 1.0 e baseada nos padrões de

comunicação GSM. Em resumo, a UMTS pode ser considerada como uma versão bem

mais avançada da tecnologia WAP 1.0, porém usando padrões diferentes e que possam

suportar aplicações com recursos multimídia e com maior velocidade.

Taurion (2001) afirma que no quesito velocidade, o ganho da tecnologia UMTS é bastante

considerável, se comparada com a tecnologia W AP 1.0. Estima-se que as taxas de

transmissões serão bem mais altas, variando de 2Mbps para aparelhos imóveis a 384 Kbps

quando em movimento, como nos automóveis. A velocidade de transmissão é adaptável às

condições de cada terminal. O 3G adapta a velocidade de transmissão às condições

ambientais do celular. Quando em movimento, a velocidade é menor.

Mesmo em movimento, as velocidades atingidas nesta geração de celular são bem maiores

que as obtidas por usuários domésticos dos computadores convencionais onde,

normalmente, a conexão máxima obtida é de 56 Kbps. Taurion (2001) acredita que isto

pode abrir um novo cenário de oportunidades de novos serviços.

(17)

estão sendo muito elevados, as empresas deverão cobrar um valor relativamente alto pelos

seus serviços, de modo a recuperar estes investimentos em tempo hábil. Assim, os preços

tenderão a ser altos e, provavelmente, até mais altos que no W AP 1.0.

Taurion (2001) afirma que, por outro lado, os recursos computacionais destes novos

aparelhos serão bem maiores, com microprocessadores mais potentes e com maIOr

capacidade de memória. Isto leva a outro problema a ser resolvido: o consumo de energia.

As baterias serão muito exigidas e precisariam evoluir ainda mais, para oferecerem o

serviço adequadamente. Espera-se que a tecnologia 3G promova a convergência entre as

comunicações sem-fio e a Internet. Mas, como em qualquer tecnologia, há pontos

positivos e também limitações. Com isto, compreender quais foram os pontos que

causaram o declínio da tecnologia W AP 1.0 é necessário como experiência para a criação

de novos serviços nas tecnologias que estão por vir.

1.2. O Problema da Pesquisa

A pesquisa visa analisar a ascensão e queda da tecnologia W AP 1.0 no Brasil. Dessa

forma, o estudo visa responder a seguinte questão: "Por que, depois de alardeada com

grande otimismo, a tecnologia W AP entrou em declínio no mercado Brasileiro?"

1.3. Os Objetivos da Pesquisa

(18)

OBJETIVO FINAL: Identificar os pnnclpals fatores causadores do declínio da

tecnologia WAP 1.0 no mercado brasileiro, fundamentando o estudo dos modelos de

negócios adotados.

OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS.

• Analisar os modelos de negócios utilizados para a introdução da tecnologia

W AP 1.0 no mercado Brasileiro.

• Identificar os principais fatores considerados na estratégia de implementação

da tecnologia W AP 1.0 no mercado Brasileiro.

• Analisar o nível de aceitação da tecnologia W AP 1.0 no mercado de Internet

Móvel Brasileiro.

1.4. As Hipóteses da Pesquisa

Muitos fatores relevantes contribuíram para que a tecnologia W AP sofresse declínio no

mercado Brasileiro. No entanto, há alguns fatores fundamentais que devem ser levados em

consideração:

• Os modelos de negócios utilizados - considerados como fatores fundamentais para

o sucesso ou fracasso de um empreendimento comercial, não apenas no mercado

de Internet Móvel;

• Os sistemas usados (TDMA, CDMA), tanto de transmissão de dados quanto de

capacidade das interfaces utilizadas;

• As interfaces disponibilizadas para uso da tecnologia W AP 1.0 - tipos de

aparelhos onde o protocolo W AP 1.0 era disponibilizado, como, por exemplo,

(19)

• o

grau de complexidade de uso, tanto dos aparelhos quanto dos aplicativos;

• A pouca atratividade dos serviços disponíveis em W AP 1.0.

• O modelo de preços, aqui entendido como o modo de cobrança pelo uso de

aplicativos W AP - por exemplo, se por assinatura mensal, tempo de conexão,

número de conexões, etc. - e seu valor.

• A estratégia de Marketing utilizada, superestimando o potencial dos servIços

associados à tecnologia WAP 1.0. através da promessa da "Internet Móvel no

celular".

Assim, as seguintes hipóteses (nula e alternativa) serão testadas, nesta pesquisa:

HO: O fracasso relativo à implantação dos serviços W AP 1.0 em celulares de segunda

geração não tem relação com a utilização de modelos de negócios considerados

inadequados.

HI: O fracasso relativo à implantação dos serviços W AP 1.0 em celulares de segunda

geração deve-se à utilização de modelos de negócios considerados inadequados.

1.5. A Delimitação do Estudo

Este estudo está inserido em um contexto que envolve todo o mercado de telefonia móvel.

Este mercado inclui desde serviços de voz - a telefonia em si - até serviços de dados já

existentes (e-mail, serviços de localização, notícias, informações em geral, jogos, etc.),

(20)

No entanto, não é possível estudar-se todo esse contexto, simplesmente através de um

único trabalho, pois uma série de variáveis está envolvida. Apenas para citar as mais

gerais, podem-se incluir as tecnologias utilizadas, as gerações de telefones e os serviços

disponíveis.

o

foco deste trabalho será, portanto, especificamente o estudo das principais causas do

declínio da tecnologia W AP 1.0 no mercado brasileiro, com ênfase na análise dos modelos

de negócios associados à introdução desta tecnologia.

o

escopo do trabalho também envolverá os tipos de serviços e aparelhos que utilizam a

tecnologia W AP 1.0, além de mercados e estratégias. Os serviços abordados serão

basicamente os que envolvem a tecnologia W AP 1.0. Os aparelhos sem fio estudados

serão basicamente os telefones celulares pois, apesar de existirem outros aparelhos como

Pocket PCs e Palms, dentre outros, o funcionamento, tamanho da tela e a interface variam

entre os diversos tipos de aparelhos existentes. Isto certamente influi nas possibilidades de

serviços a serem disponibilizados em cada aparelho, o que expandiria em demasia o

escopo deste trabalho.

Dentre as gerações de telefonia existentes, serão estudadas as tecnologias usadas na 2a

geração (2G) de celulares, que fundamentaram os modelos de negócios voltados para o

uso comercial da tecnologia WAP. Não farão parte do trabalho diferenças entre marcas,

telefones celulares específicos e seus acessórios. Geograficamente, o mercado brasileiro

(21)

Por fim, alguns temas da estratégia de implantação do W AP 1.0 também serão estudados,

como: fatores estratégicos considerados na implementação da tecnologia W AP 1.0; nível

de aceitação pelo mercado dos serviços baseados em tecnologia W AP 1.0; características

príncipais dos modelos de negócios envolvendo a tecnologia W AP 1.0; análise de

resultados dos principais serviços W AP 1.0 e estudo das principais causas de insucesso

dessa tecnologia, através da análise da modelagem de preços e previsão de demanda; além

da análise geral de causas intangíveis para a não aceitação da tecnologia WAP 1.0.

1.6. A Relevância do Estudo

o

surgimento do telefone celular foi uma grande revolução no mercado de

telecomunicações, pois as pessoas passaram a poder se comunicar, ao menos em teoria, de

qualquer lugar do planeta. A 2a geração de celulares melhorou tais comunicações móveis

e, juntamente a isto, começaram a surgir serviços de modo a transformar o celular em uma

ferramenta não apenas de comunicação, mas, também, de informação e entretenimento.

Entretanto, a tecnologia disponível - W AP 1.0 - ainda não era compatível com a

estratégia de marketing a ela associada, a qual prometia a "Internet no seu telefone". Tal

marketing levou o mercado a comparar a "Internet móvel" com a Internet disponível em

computadores desktop, com clara desvantagem para a primeira. Alguns fatores

desapontaram profundamente os usuários, que foram levados a pensar que teriam em suas

mãos a mesma Internet usada nos computadores, i.e.: ausência de gráficos, conexão lenta

(22)

Com isto, o uso da tecnologia W AP 1.0 caIU gradativamente, criando uma demanda

reprimida por dispositivos móveis cujas tecnologias fossem maIS rápidas, atraentes,

baratas e úteis. Isto deve abrir espaço para novas tecnologias que estão surgindo, como

GSM/GPRS e a 3a geração de celulares.

Com estas informações, este trabalho pretende expor quais foram as causas do declínio da

tecnologia W AP 1.0 no mercado brasileiro, introduzida com enorme retumbância pelas

empresas responsáveis. Além disto, o foco principal será a análise de modelos de

negócios, pois acredita-se que eles são a base de um negócio bem sucedido no mundo

digital, já que erros cometidos em sua elaboração e execução podem comprometer o

desempenho de uma empresa no mercado. Além disto, esta análise pode servir de

experiência para as novas tecnologias que estão para surgir, de modo a que empresas não

(23)

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Comércio Eletrônico Móvel (M-Commerce)

o

M-Commerce - também chamado de mobile commerce ou comércio eletrônico móvel

-é classificado como qualquer transação monetária conduzida atrav-és de uma rede móvel

de telecomunicações usando, como interface, um aparelho de comunicação, informação e

pagamento como um celular ou um palmtop. O m-commerce, na verdade, é um comércio

eletrônico feito por um usuário em movimento. Exemplos incluem a compra de uma lata

de refrigerante numa máquina específica, ou a execução de transações financeiras via

telefone celular (Rask e Dholakia, 2000).

Segundo Rask e Dholakia (2000), enquanto os EUA se tomaram líderes no comércio

eletrônico (também chamado de e-commerce), a Europa e Japão adquiriram a liderança no

m-commerce. Eles afirmam que a maior distinção entre m-commerce e e-commerce é o

fato do primeiro contar os minutos e o segundo o dinheiro. Isto é, no e-commerce, o

negócio depende basicamente do valor da transação feita através do computador; no

m-commerce, além do valor pago pela transação, o cliente também paga pelo valor dos

minutos utilizados no celular, por exemplo. Além disto, o e-commerce é feito em um lugar

fixo - normalmente em frente a um computador -, enquanto que o m-commerce se destaca

por sua mobilidade.

Rask e Dholakia (2000) afirmam que são previstas três áreas principais de impacto do

comércio eletrônico no marketing e na competição entre as empresas: maiores níveis de

(24)

superposição das fronteiras do marketing B2B (business to business) e B2C (business to

consumer), o que poderá aumentar a responsabilidade da segmentação de mercados; e a

possibilidade de transformações nas estruturas das indústrias. A principal implicação

gerencial disso é que as firmas que não se tomarem portais móveis poderão se tomar

fornecedores de tais portais. Estes fornecedores terão que formular estratégias bem

focalizadas para fornecer suas aplicações aos portais móveis.

2.1.1. Sistemas Eletrônicos de Pagamento

Albertin (2001) afirma que as transações eletrônicas costumam ser bem sucedidas quando

as trocas financeiras entre compradores e vendedores podem ser simples, seguras, baratas

e aceitas universalmente. Ele comenta que métodos tradicionais de pagamento como

cheques, "docs" eletrônicos, entre outros, não são adequados para a interação em tempo

real dos sistemas de comércio eletrônico. Sistemas de pagamento não adequados podem se

tomar um forte fator de impedimento para o crescimento do comércio eletrônico como um

todo - tanto o convencional como o móvel.

Segundo Albertin (2001), os principais sistemas de pagamento para o comércio eletrônico

são: 1) dinheiro eletrônico (e-cash), 2) cartão inteligente, 3) cartão de crédito e 4) cartão

de débito, a seguir detalhadas.

• Dinheiro Eletrônico. Existem dois tipos de dinheiro eletrônico: os cartões pré-pagos

(por exemplo, cartões de telefonia) e os sistemas genuinamente eletrônicos, onde o

dinheiro digital não existe na forma física. Este toma-se útil nas transações via

(25)

para o vendedor. Albertin (2001) afirma que o dinheiro eletrônico é um novo sistema

de pagamento eletrônico, combinando as facilidades das redes de computadores com

segurança e privacidade. Ele tem quatro propriedades: valor monetário,

interoperabilidade, possibilidade de recuperação e segurança. No entanto, existem

algumas restrições a serem consideradas, como limitação do tempo de validade do

dinheiro eletrônico, o número de operações que podem ser realizadas durante um

periodo de tempo, dentre outras.

• Cartão Inteligente. Os cartões inteligentes possuem dinheiro armazenado. O saldo é

guardado no próprio cartão e as compras realizadas são abatidas deste saldo. Segundo

Albertin (2001), tais cartões são utilizados em países como Alemanha, França e Japão

para pagar ligações telefônicas públicas, transporte e programas de fidelidade, dentre

outros. Os cartões inteligentes reduzem as despesas de manipulação de dinheiro e as

perdas causadas por fraude, melhorando a facilidade e segurança de pagamento para o

comprador.

• Cartão de Crédito: Albertin (2001) comenta que pesquisas indicam a utilização dos

cartões de crédito em mais de 90% de todas as transações realizadas na Internet. As

transações via cartão de crédito são consideradas dentre as mais seguras atualmente

-requisito fundamental para as transações comerciais eletrônicas. Albertin (2001)

afirma que os pagamentos com cartões de crédito nas redes online dividem-se em três

categorias:

Pagamentos utilizando detalhes originais do cartão: troca de dados do cartão de

crédito, não criptografados, sobre uma rede pública, telefônica ou Internet. É o

(26)

Pagamentos utilizando detalhes criptografados do cartão: considerados maIS

seguros, levando porém a transações maIS caras devido à sua maIOr

complexidade.

Pagamentos utilizando verificação de terceiros: o terceiro serve como

intermediador, coletando e aprovando os pagamentos de um cliente a outro. É

uma maneira de solucionar problemas de segurança e verificação de dados.

• Cartão de Débito: Albertin (2001) comenta que a transação VIa cartão de débito

funciona de forma semelhante ao cartão de crédito. O comprador, ao adquirir um

produto ou serviço, passa seu cartão em um dispositivo de pagamento automático e

este faz o roteamento, através da rede, para o banco do cliente, a fim de obter a

autorização de débito - normalmente através de uma senha introduzida pelo

comprador. Se aprovado pelo banco, os fundos são debitados na conta do cliente e

transferidos para a conta do vendedor. Tais transações são realizadas no sistema

bancário e a segurança é garantida pelos bancos.

2.1.2. Investimentos no M-Commerce

Segundo Dorman (2001), o e-commerce já está sendo utilizado há alguns anos, mas

somente a partir de 2000 ele se estabeleceu como um grande canal de negócios. Com o

m-commerce, começa a surgir um novo tipo de mercado para a venda de produtos e serviços.

Os negócios podem ser feitos de forma diferenciada, com valor agregado e com formas de

pagamento como as apresentadas anteriormente, só que agora em movimento. Dorman

(2001) comenta que são indicadas projeções de crescimento acentuado para o e-commerce

nos próximos anos, fazendo com que as grandes corporações tenham projetos de páginas

(27)

de comércio eletrônico já executados ou a executar. Dorman (2001) afirma que segundo

dados do Fundo Monetário Internacional e da Universidade de Texas, em 1999 a Internet

movimentou cerca de US$ 301 bilhões nos Estados Unidos, ficando atrás somente da

indústria automobilística, que movimentou US$ 350 bilhões naquele país.

Baseados nestes números, novos segmentos como m-commerce tendem a receber grandes

investimentos, pois são mercados ainda pouco explorados. Atualmente no Brasil, o

m-commerce é utilizado principalmente em serviços de home banking. Dorman (200 I)

comenta que grande parte dos principais bancos nacionais - Banco do Brasil, Real ABN,

Bradesco, Itaú, etc. - possui serviço de mobile banking disponível para seus clientes, com

as transações podendo ser feitas via dispositivo móvel. No entanto, Dorman (2001)

ressalta que a segurança continua a ser o grande fator de preocupação para o cliente - o

sistema trabalha diretamente nas contas dos mesmos, e uma falha pode trazer sérios

problemas para a credibilidade da instituição financeira. Dorman (200 I) afirma que outra

vantagem para os bancos é o menor custo de uma transação via rede sem fio. Segundo

pesquisas na rede bancária, nas agências o custo de uma transação chega a US$ 1,10; já

via dispositivo móvel, o custo é de US$ 0,01 (Dorman, 2001).

Acreditando no desenvolvimento da Internet Móvel, Dorman (2001) comenta que as

empresas de telecomunicações na Inglaterra pagaram ao governo cerca de US$ 35 bilhões

no leilão das licenças da tecnologia 3G (3a geração de celulares), somente para a utilização

do espectro de rádio. Isto corresponde a aproximadamente US$ 600 por habitante da

(28)

2.1.3. Alguns pontos sobre o M-Commerce

Um dos pontos positivos da tecnologia móvel é saber onde o cliente se encontra, o que ele

comprou no último acesso e quais páginas ele visitou. Tais informações são muito

valiosas para a publicidade de uma página de comércio móvel, pois baseada nelas, uma

empresa pode oferecer determinado produto para um cliente, de acordo com seu perfil,

gosto pessoal ou localização.

Sabendo a localização de cada cliente - desde que dentro de sua área de cobertura -, e

descobrindo seus hábitos através de cruzamento de dados, as operadoras de telefonia

móvel podem fazer diversos tipos de análise. No entanto, segundo Dorman (2001), tais

análises são possíveis apenas tecnicamente. Elas não são feitas por dois motivos: alto

custo das ferramentas de exploração e o caráter sigiloso de tais informações - estas

informações normalmente não são propositadamente fornecidas pelos clientes e as

empresas de telefonia temem reações se eles se sentirem monitorados.

Outro problema existente nas aplicações de Internet Móvel é a falta de utilização de

recursos multimídia. Segundo Dorman (2001), não é possível utilizar imagens, vídeo e

sons na Internet Móvel, o que causa frustração para a maioria dos usuários. Por exemplo,

o segmento de jogos é a área mais prejudicada pela falta de recursos multimídia. Há vários

jogos disponíveis em W AP 1.0, mas são em modo texto e excessivamente simples.

Outro sério problema na Internet Móvel é o modelo de precificação utilizado para cobrar o

acesso a Internet via dispositivos móveis, sendo este também um dos fatores que

(29)

comenta que existem, atualmente, dois modelos de cobrança existentes: um proveniente

do sistema de telefonia e outro vindo do sistema de Internet. As operadoras telefônicas

normalmente cobram por minuto; na Internet, os grandes provedores cobram pela

quantidade de dados enviados pelas suas redes. Com relação aos serviços de mensagens

curtas (chamados de SMS - Short Message System) , as operadoras de telefonia também

utilizam este segundo modelo.

Por fim, vale lembrar que existem alguns fatores que causam resistência nas pessoas ao

uso do comércio móvel. Uma pesquisa feita pela Forrester Research em Statistics for

Mobile Commerce (2001) indica, na Tabela 1, os principais obstáculos para o uso do

comércio eletrônico móvel por parte dos consumidores. Dentre eles, aproximadamente

50% tiveram preocupações com relação à segurança das transações financeiras, e entre

48% e 50% se preocupavam com a complexidade de seu uso (medo de ter uma

experiência ruim ao experimentar o comércio eletrônico móvel e dificuldades de

entendimento de seu funcionamento). Vale lembrar que, na pesquisa, mais de uma opção

poderia ser escolhida.

I Obstáculo Via Celular

Preocupações de segurança em transações via cartão de crédito 52%

Medo de má experiência de uso 35%

Não entendem como poderia funcionar 16%

Outros 11%

Nunca ouviram falar 10%

Fonte: Forrester Research, 2001

Tabela 1 - Obstáculos que previnem consumidores de adotar o M-Commerce

Via PDA 47%

31% 16% 13% 12%

Tabela original disponível no sUe http://www.epaynews.com/statístícs/mcommstats.html#36

(30)

Com tais obstáculos e com uma tecnologia ainda bastante recente, é natural que os

consumidores não se sintam confortáveis com o comércio móvel. Isto é mostrado na

Tabela 2, também gerada pela Forrester Research em Statistics for Mobile Commerce

(2001). Sua pesquisa mostra que aproximadamente 85% dos consumidores

norte-americanos entrevistados se sentem desconfortáveis ou totalmente desconfortáveis com o

uso do M-Commerce.

i

Nível de Conforto Via Celular ViaPOA

Muito desconfortável 65% 61%

Desconfortável 21% 24%

Neutro 6% 7%

Confortável 6% 6%

Bastante confortável 2% 2%

Fonte: Forrester Research, 2001

Tabela 2 - Nível de conforto de consumidores norte-americanos no uso do M-Commerce

Tabela original disponível no sUe http://www.epayncws.com/statistics/mcommstats.html#36

em 07/03/2003.

o

comércio móvel, conforme comentado anteriormente, é um meio de se fazer negócios

ainda bastante recente e, como tal, apresenta falhas comuns à sua juventude. No entanto,

problemas em segurança e complexidade de uso costumam ser os principais causadores de

fracasso na adoção de uma tecnologia. Com isto, é recomendável priorizar a busca de

soluções para estes tipos de problemas, de forma que as aplicações de comércio móvel

(31)

2.2. Modelos de Negócios na Web

Segundo Rappa (2002), dentre diversos assuntos relacionados a Internet e a Internet

Móvel, o conceito de modelos de negócios é, possivelmente, o aspecto mais discutido e

menos entendido. Há muita discussão sobre o papel da Internet na mudança de modelos de

negócios tradicionais, mas pouco entendimento do seu real significado.

Rappa (2002 p. 1) considera modelo de negócios como

"um método de fazer negócios no qual a empresa pode se sustentar, isto é,

gerar receita. O modelo de negócios mostra como a companhia irá gerar

dinheiro ao especificar como estará posicionada na cadeia de valor. "

Timmers (1998 p. 4), por sua vez, procura dar uma definição mais literal para modelo de

negócios. Ele o define como

"uma arquitetura para o produto, serviço e informação fluírem, incluindo

uma descrição dos vários atores de negócios e seus papéis; uma descrição

dos beneficios potenciais para os diversos atores de negócios; e uma

descrição das fontes de receita. "

Timmers (1998) comenta que diversas arquiteturas de modelos de negócios podem ser

construídas, ao integrar-se diferentes padrões de interação com integração, na cadeia de

valor. Como exemplo, ele cita que uma loja eletrônica (electronic shop) tem um tipo de

interação com o usuário de Um para um; isto é, uma relação de uma loja específica com um

(32)

interação N para um (sendo N equivalente ao número de lojas existentes no shopping)

-i.e., cada usuário pode, potencialmente, ter relações com N lojas daquele shopping.

Além da relação entre integração na cadeia de valor e padrões de interação com usuários,

Timmers (1998) destaca o estado da arte da tecnologia como principal fator de viabilidade

para implementação dos modelos de negócios. Quanto à viabilidade comercial, ele

considera que este tópico é um assunto completamente distinto, fazendo parte da análise do

modelo de marketing.

Em geral, após analisar diversos negócios na Internet e projetos-piloto, Timmers (1998) faz

algumas considerações:

• Diversos modelos de negócios podem ser viabilizados através de tecnologias de

informação e comunicação;

• Apesar de ser bastante importante, o estado da arte da tecnologia é apenas um dos

critérios de seleção do modelo de negócios a ser adotado;

• A tecnologia em si não fornece um caminho para a seleção de um modelo de negócios,

em termos comerciais;

• A definição de novos modelos de negócios pode guiar o desenvolvimento tecnológico;

• Muitos dos modelos de negócios viáveis ainda não foram comercialmente testados.

Timmers (1998) procura destacar que apesar de suas considerações mostrarem que existe

potencial para a aplicação de uma grande gama de diferentes modelos de negócios, apenas

uma pequena parte deles é aplicada na prática. No entanto, Rappa (2002) alerta que apesar

de ratificar a afirmação de que a Internet provoca a criação de diversos modelos de

(33)

comércio tradicional - pode-se citar como exemplo os leilões. O leilão é considerado uma

das mais antigas formas de corretagem e foi largamente utilizado para fixar preços de

produtos agrícolas, itens raros como antigüidades, peças de arte, dentre outros. Segundo

Rappa (2002), a Internet popularizou o modelo de leilão e expandiu sua aplicação para uma

grande gama de serviços e produtos. Além disto, uma empresa pode combinar vários tipos

diferentes de modelos como parte de sua estratégia geral de negócios pela Internet. Por

exemplo, empresas geradoras de conteúdo podem combinar os modelos de assinatura e os

baseados em anúncios.

Por fim, Rappa (2002) comenta que os modelos de negócios podem ter grandes variações

quanto ao seu grau de complexidade. Um modelo simples pode envolver basicamente a

venda de um produto ou serviço, onde os ganhos devem ser maiores que os custos, gerando

lucro. Por outro lado, um modelo mais complexo pode ser exemplificado através da

transmissão de programas de rádio e televisão - os geradores dos programas fazem parte de

uma rede de distribuidores, geradores de conteúdo, anunciantes, usuários finais, cuja noção

de quanto dinheiro é gerado e de quem o gera não fica muito clara para o leigo.

2.2.1. Tipologia dos Modelos de Negócios

Rappa (2002) afirma que os modelos de negócios na Internet foram definidos e

classificados de diversas maneiras, com o objetivo de tentar criar-se uma taxonomia que

seja de fácil compreensão. No entanto, ele alerta que tais classificações não são definitivas

(34)

As classificações básicas de modelos de negócios definidas por Rappa (2002) são as

seguintes, a seguir explicadas: Corretagem, Propagandas, Infomediário, Mercantil,

Manufatura, Afiliação, Comunitário, Assinatura, por Uso.

a) Modelo de Corretagem (Brokerage Model)

Segundo Rappa (2002), corretores são criadores de mercado: eles trazem compradores e

vendedores e facilitam transações. Os corretores costumam atuar em diversos tipos de

mercados: business-to-business (B2B),business-to-consumer (B2C) ou

consumer-to-consumer (C2C). Por este papel de facilitador de negócios, os corretores normalmente

cobram uma comissão por cada transação concluída. Os modelos de corretagem incluem:

Transações em Mercados (Marketplace Exchange): são disponibilizadas uma série de

serviços relacionados ao processo de transação, desde a assessoria de mercado até

negociação e finalização da burocracia. A transação pode ocorrer independentemente

da indústria ou entre pessoas/empresas dentro de uma mesma indústria de atuação. O

corretor normalmente cobra do vendedor uma comissão baseada no valor da transação.

Também podem existir taxas fixas para cadastro.

Comunidades de Transações de Negócios (Business Trading Community): Também

chamado de Comunidade Vertical na Internet (Vertical Web Community). Ela atua

como uma fonte de interação e informações para um mercado vertical em particular. A

comunidade pode conter informações sobre produtos, notícias diárias pertinentes ao

(35)

Ordens de Compra e Venda (Buy/Sell Fulfillment): O cliente especifica as ordens de

compra ou venda de um produto ou serviço, incluindo preço, condições de entrega,

etc., e o corretor cobra uma comissão do comprador e/ou do vendedor pela transação.

Sistema de Coleta por Demanda (Demand Collection System): Também apelidado

como o modelo "diga o seu preço". O possível comprador declara um valor final por

um produto ou serviço e o corretor procura um vendedor disposto a fazer a transação.

Corretagem por Leilão (Auction Broker): Basicamente um serviço de condução de

leilões para os vendedores (pessoas fisicas ou jurídicas), onde o corretor cobra do

vendedor uma comissão baseada no valor final da transação. Uma variante desta

modalidade é o leilão reverso, onde o comprador declara um valor máximo pelo qual

deseja pagar por um produto ou serviço e vence o lance vendedor que oferecer o preço

mais baixo.

Corretagem por Transação (Transaction Broker): uma empresa terceirizada fica

responsável por finalizar a transação entre vendedor e comprador.

Corretagem por Recompensa (Bounty Broker): Aqui é oferecida uma recompensa ou

prêmio para que o corretor encontre um item de dificil disponibilidade - pessoa,

informação, produto, idéia, etc.

Distribuidor (Distributor): Este caso é uma operação de catálogo que conecta um

grande número de empresas manufatureiras com compradores de varejo e atacado. O

corretor facilita a transação entre os distribuidores franqueados e seus parceiros de

negócios.

Agente de Busca (Search Agent): Este é um agente (mecanismo ou página na Internet)

que busca o preço e disponibilidade de um bom serviço ou produto especificado pelo

(36)

Shopping Virtual (Virtual Mali): Neste caso, o serviço é de hospedagem de lojas

virtuais. O shopping nonnalmente cobra taxas de instalação (setup) mais uma taxa

mensal e/ou por transação feita. Shoppings mais sofisticados fornecem serviços de

transações automáticas e oportunidades de relacionamento de marketing.

Looney e Chatterjee (2002) também incluem outros modelos de corretagem, mostrados a

segUIr:

Modelo de Consulta (Inquiry Modei): Neste modelo, as empresas fornecem seus

serviços de corretagem da maneira tradicional e, adicionalmente, seus clientes podem

acessar infonnações sobre suas contas pessoais pela Internet. Entretanto, neste modelo

não é possível realizar transações online. Este modelo é utilizado por empresas

"Clique e Tijolo" (explicado no item "d" desta seção).

Modelo por Camadas (Layered Modei): Considerado uma evolução do modelo de

consulta, no modelo por camadas é possível executar todas as funções oferecidas pela

empresa tanto da fonna tradicional quanto pela Internet. O nível de uso da Internet

para transações e visualização de infonnações é adaptado para cada cliente.

Modelo de Desconto (Discount Model): Neste modelo, em vez de controlar os

investimentos de seus clientes, a empresa corretora trabalha como consultora. Ela

fornece aos seus clientes ferramentas, pesquisas e infonnações educativas para que

eles possam tomar decisões conscientes sobre seus investimentos. Ao remover a

necessidade de intennediação, tais empresas oferecem uma redução substancial nas

comissões.

Modelo E-Broker (E-Broker Modei): Dos modelos citados por Looney e Chatterjee

(37)

que desejam tomar decisões com o máximo de independência, sem necessidade de

ajuda profissional. Isto é fornecido através da disponibilização de ferramentas e

pesquisas que auxiliem na tomada de decisões, além de infra-estrutura para execução

eletrônica do máximo possível de transações e da forma mais rápida e econômica

possível.

b) Modelo baseado em Propagandas (Advertising Model)

De acordo com Rappa (2002), o modelo baseado em propagandas é uma extensão do

tradicional modelo baseado em comerciais na mídia. O criador do comercial - neste caso,

uma empresa ou página na Internet - fornece conteúdo (não necessariamente de graça) e

serviços (e-mail, salas de bate-papo, fóruns, etc.) adicionados a propagandas na forma de

anúncios em banners. Os banners podem ser a fonte principal ou única de receita do

criador do comercial, e este pode ser uma empresa fornecedora ou distribuidora de

conteúdo. Segundo Rappa (2002), este modelo só funciona quando o volume de visitantes

é grande ou altamente específico. Abaixo são mostrados alguns exemplos:

Portal (Portal): É um ponto de entrada na Internet, normalmente um mecanismo de

busca que inclui serviços e/ou conteúdos diversificados. Um alto volume de visitantes

pode tomar as propagandas lucrativas e permitir maior diversificação dos serviços por

parte da página.

Portal Personalizado (Personalized Portal): Permite a personalização da interface e do

conteúdo da página. Isto tende a aumentar a lealdade dos visitantes devido ao tempo

(38)

Portal de Nicho (Niche Portal): É um portal especializado em um nicho de mercado

bem definido. Por exemplo, uma página cujo perfil principal de visitantes é de

compradores de artigos de casa, mulheres jovens e pais recentes pode atrair

anunciantes que estejam dispostos a pagar um valor bastante atraente para atingir

aquele tipo de audiência (um valor premium).

Classificados (Classifieds): Eles listam itens postos a venda ou procurados para

compra. Taxas por listagem são comuns, mas pode também haver uma taxa para se

tomar membro da página.

Usuários Registrados (Registered Users): São páginas baseadas em conteúdo cujo

acesso é grátis, mas requer dos usuários que se registrem. O registro permite o

rastreamento de padrões de utilização da página e, com isto, gera dados com grande

valor potencial para campanhas de propagandas direcionadas ou de nicho.

Colocação Paga Baseada em Busca (Query-based Paid Placement): Neste caso, são

vendidas posições privilegiadas de links ou propagandas na página ou uma propaganda

baseada em termos específicos escritos em uma busca (por exemplo, se um usuário

escreve "flores" em um mecanismo de busca, a página seguinte aparecerá com os

resultados, juntamente com propagandas de lojas virtuais de flores).

Propaganda Contextual (Contextual Advertising): São desenvolvedores de produtos

gratuitos (freewares) que incluem propagandas em seus produtos. Por exemplo, as

últimas versões do ICQ (um mecanismo gratuito de bate-papo) incluem diversos

anúncios que são mostrados em janelas dentro do produto, enquanto seus usuários

(39)

c) Modelo Infomediário

De acordo com Rappa (2002), dados sobre clientes e seus hábitos de consumo são

valiosos, principalmente quando esta informação é cuidadosamente analisada e usada

como foco para campanhas direcionadas de marketing. Ao mesmo tempo, dados coletados

sobre empresas e seus produtos são úteis para os consumidores, servindo como base para

avaliar uma possível compra. Algumas empresas funcionam como infomediária, isto é,

empresas que intermediam informações e, assim, ajudam compradores e/ou vendedores a

entender e analisar um dado mercado. A seguir estão alguns exemplos:

Redes de Propagandas (Advertising Networks): É um serviço que fornece propagandas

em banners para uma rede de páginas na Internet, possibilitando aos propagandistas

lançar grandes campanhas de marketing. Ao usar cookies, o operador da rede de

propagandas coleta dados de usuários na Internet que podem ser usados para analisar a

efetividade de marketing.

Serviços de Mensuração de Audiência (Audience Measurement Services): São

agências de pesquisa de audiência (visitações) em páginas e/ou mercados na Internet.

Marketing de Incentivo (Incentive Marketing): É um modelo baseado na lealdade do

cliente. Ele fornece incentivos ao cliente como pontos ou cupons para o cliente fazer

compras em empresas associadas ou conveniadas. Os dados coletados sobre os

usuários são vendidos para servirem de base para campanhas de marketing

direcionadas.

Metamediário (Metamediary): Ele facilita transações entre comprador e vendedor

(40)

mas ele não se envolve na transferência direta e física de bens e serviços entre as

partes.

d) Modelo Mercantil (Merchant Model)

Rappa (2002) comenta que esse modelo se baseia normalmente em vendedores de

produtos e serviços no varejo e atacado. As vendas podem ser feitas com base em listas de

preços ou leilões. Em alguns casos, os serviços e produtos podem ser exclusivos na

Internet, sem existir uma versão nas vendas tradicionais. Algumas modalidades estão

exemplificadas abaixo:

• Mercador Virtual (Virtual Merchant): Também chamado de e-tailer - é um mercador

que opera basicamente através da Internet.

• Mercador por Catálogo (Catalog Merchant): Neste caso, os pedidos são feitos pelo

correio após a consulta de um catálogo de produtos via Internet. Ele combina o uso de

correios, telefone e Internet.

• "Clique e Tijolo" ("Chck and Mortar''): Esta nomenclatura foi muito usada quando as

primeiras empresas tradicionais começaram a usar a Internet como canal de vendas.

Ele representa basicamente uma empresa tradicional de vendas no varejo ("Tijolo")

utilizando a Internet ("Clique") como mais um canal de vendas de seus produtos.

Entretanto, Gillenson e Prasarnphanich (2003) apontam possíveis outras estratégias

para este modelo, tais como: atendimento em lojas físicas de pedidos feitos via rede

(i.e., busca de produtos, trocas, reparos), reserva de produtos via rede para compra em

(41)

Vendedor de Bits (Bit Vendor): É um mercador que atua única e exclusivamente com

produtos digitais e serviços, conduzindo sua venda e distribuição pela Internet.

e) Modelo de Manufatura (Manufacturer Model)

Segundo Rappa (2002), este é um modelo que se baseia no poder da Internet em permitir

que uma empresa manufatureira (ex.: uma companhia que cria um produto ou serviço)

chegue diretamente ao cliente e, com isto, diminua o número de intermediários no canal

de distribuição. O modelo de manufatura pode ser bem sucedido se baseado em eficiência,

melhoria do serviço ao cliente ou um melhor entendimento das preferências do cliente. A

principal forma de utilização desse modelo está explicada a seguir:

Integração de Conteúdo à Marca (Brand Integrated Content): Rappa (2002) comenta

que, normalmente, empresas manufature iras costumam utilizar propagandas como

forma de construir conhecimento entre os consumidores - o chamado conhecimento da

marca. Para isto, costumam utilizar meios de propaganda em massa, como rádio,

jornais, revistas, televisão, dentre outros. A Internet acabou se tomando mais um meio

de transmissão de propaganda, com possibilidades de maior integração com os

consumidores do que seus antecessores - um exemplo disto é a possibilidade de se

fazer pequenos filmes na Internet que misturam propaganda e entretenimento.

f) Modelo de Afiliação (AjJiliate Model)

Rappa (2002) comenta que os portais, em geral, procuram alcançar um grande volume de

(42)

oportunidades de compra para qualquer usuário que esteja navegando em suas páginas. O

seu método para estimular este comportamento é o de oferecer incentivos financeiros para

páginas afiliadas - normalmente através de percentagem nos lucros. Em geral, a página

afiliada tem um link ou banner que o leva diretamente à página da empresa que usa este

modelo. No final, o dinheiro conseguido pela empresa afiliada normalmente depende de

sua performance - se ela não gera vendas (e, conseqüentemente, receita), ela também não

representa custo para a empresa afiliadora.

g) Modelo Comunitário (Community Model)

Rappa (2002) afirma que a viabilidade do modelo comunitário está fortemente baseada na

lealdade de seus usuários - eles normalmente fazem um alto investimento emocional e de

tempo nas páginas, sendo que, em alguns casos, eles também fornecem regularmente

dinheiro ou conteúdo. Além disto, com base em estudos da McKinsey e Júpiter Media

Metrix (Brown et aI, 2002), Krieger e Muller (2003) afirmam que membros de

comunidades são clientes melhores que pessoas anônimas. Segundo os autores, isto ocorre

pelo fato de comunidades trazerem grandes contribuições para dois aspectos importantes

ao comércio eletrônico: conversão e fluxo regular de visitantes. Segundo Rappa (2002),

este fluxo regular de visitantes leais pode trazer oportunidades para empresas baseadas em

propagandas, infomediários ou portais especializados. Outra fonte de renda deste modelo

também pode ser a cobrança de uma assinatura mensal para disponibilizar serviços extras.

Abaixo são mostrados alguns exemplos:

Modelo de Contribuição Voluntária (Voluntary Contributor Model) - Este modelo se

Imagem

Tabela  2,  também  gerada  pela  Forrester  Research  em  Statistics for  Mobile  Commerce
Tabela 3 - Aplicabilidade dos modelos de negócios à tecnologia W AP 1.0
Tabela 5 - Cálculo do valor qui-quadrado - Nível de Satisfação com os Serviços W AP
Tabela 8 - Cálculo do valor qui-quadrado - Nível de Satisfação com os Serviços de  Compras e Transações W AP
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