Estudo comparativo de testes sorológicos no diagnóstico imunológico da neurocisticercose.

Texto

(1)

Rev. Inst. IVIed. trop. São Pau[o

29(6) :367 -373, novembro-de zembro, l9B7

ESTUDO COMPARATIVO DE TESTES SOROTóGICOS NO DIAGNóSTICO IMUNOLóGIGO DA NEUR(rc¡SNCERCOSE

c¿rmen silvia de Melo PTaLARISSI (1), Adelatde Josê vaz (1), tua lllaria Carv¿lho de SoUza 11),

Par¡lo Muffio NåKÁMUBA o), Eide Dias cÂMARÆio (r), r[arcos v¡n¡cius d¿ srLva (z) & Mirthes UEDA (1)

RESIIMO

Estudamos comparativamente quatro técnicas imunológicas para o diagnóstico da neurocisticercose (NC), utilizando tíquido cefalorraquiano

ir,cn¡

como espé

cime clÍnico: as reaçöes de fixação de complemento (RtrE), hemaglutinacã,o pãs-siva (RIIA), imunofluorescê'ncia indireta

(RIF) e

teste imunoenzimrítico uf,fSe.

Foram ensaiadas 125 amostras de LCR de pacientes com NC comprovada

e

g4 amostras de r,cR do grupo cÒntrole (60 de pacientes com quadros elínicos neu_ rológicos diversos e 84 de pacientes supostamente normais).

os

índices d.e sen

sibilidade

e

especificldade obtidos para

os

testes foram, respectivamente, de

48,OVo

e

90,4Vo para

a

RF!C; 88,BVo

e

g6,BVo para,

a RIÍA;

gïp

e

ggþTo

píta

a

RrF

e

97,6vo e g8,g7o para

o

teste

ELrsÂ.

a

diferença significativa

(p

i

o,os) obse¡vada entre ,os testes permite concluir que o melhor teste para

o

diagnósti

co de NC

foi

o teste ELISA seguido das reações de If.A e IF.

üNrrERMo's: Neurocisticercose; LÍquido cefalorraquiano; rmunodiagnóstico da ùeurocisticercose.

A

neurocisticercose humana destaca_se

en-tre

as

afecções

do

sistema nervoso centrat causadas

por

parasitas, pela elevada

freqüên-cia

e

prÍncipalmente pela gravid.ade aas te,

sões que acarreta, sûnstituindo problema de saúde pública de interesse em nosso meio.

.4, infestação

do

sistema nervoso

e

seus

envoltórios pelo Clstic.ercus cellulosac,

_

neu-rocisticercoss

a

pode determinar alterações no líquido cefalorraquiano indicadoras da

rea-ção

inflamatória.

LANGE, em 1940rz concei_

tuou

a

"síndrome liquórica

da

neurocisticer_

cose", caracte¡izada fr¡ndamentalmente pela

ocorrência

de

pleocitose, eosinofilorraquia e anticotpos especÍficos detectados através da

reação de fixação

de

complemento. Outros

TNTRODnçÃo

(f) SeCáo de Sorologia do Instituto .Adolfo Lutz de SÉo paulo, SI,., Brasil.

(2) Seção de Sorologfa do rnstttuto'.{dolfo Lutz e Hospitêt Þnilió Ribas, são pauto, Sp., Brasil.

EnalQFeço rlars corrsslrcndêlrd8: IÌ¡8. ca,rmen s. de Melo PialÍ¡rissi. rñstituto Adolfo Lutz. Seção de Sorologia. Av.

Dr. Arn¿ldo, 355. CEF 01246. São pa!'lo, Sp., Brasil.

367 autores têm encontrado baixa sensibilidade e

limitada especificidade para esta reação

quan-do aplicada em soro ou líquiquan-do cefalorraquia.

¡6 7,8,{,r4.

Com

o

desenvolvimento de métodos imu-nológicos mais sensíveis

e

específicos, as téc-nieas sorológicas têm sido utilizadas no

diag-nóstico da neurocisticercose com maior cou-fiabilidade r¿.

A

reação de hemaglutinação passiva, em-pregada,

mais

freqtientemente

no

soro, tem

aprbsentado resultados variáveis3)6,L1?'o. .A

reação de imunofluorescência indireta utilizan

do

fragmentos 15

ou

cortes histotógicos ro dg

(2)

PIALARISSI, C. S. de M; VAZ, A. J.; SOUZA, A. M. C. de; NAKAMURA, P. M.; CAMÂRGo, E. D.; SILVA' M. V. &

UÐA, M. - Estudo comparativo ate test€s sorológicos no diagnóstico imunológico da neurocisticercose. ReY.

hst. Med. trop. São Paulo, 29:367-373, 1987.

soro ou líquido cefalorraquiaino com bons re' sultados 7,2J0,13,r6. Recentemente, o teste

imu-noenzimático

ELISA

(En4yme-Linked Immu'

nosorbent Assay) vem sendo aplicado ao

diag-nóstico da neurocisticercose por apresentar

al-ta

sensibilidade

e

especificidade 5,6,1a,1e.

Considerando que

a

resposta imune na neurocisticercose, som produçáo de anticorpos específicos freqüentemente se restringe às es'

truturas que circundam o parasita 18'22,

estuda-mos

o

comportamento de diferentes técnicas imunológicas, avaliando sua eficiência

na

de-tecçáo desses anticorpos no líquido cefalorra-quiano.

MATERIÁL

E

METOIX)S

1.

Antígenos:

a,.

Extrato Antigênico Salino Total (ST):

o

antígeno ST

foi

utilizado nas reações de

fi-xação

de

complemento (RFC),

hemaglutina-ção passiva (RHA)

e

no

ieste ELISA tendo

sido preparado conforme metodologia

descri-ta por

COSTAS. O extrato antigênico obtido

foi

liofilizado em alíquotas de 1

ml e

arma-zenado

a

4'C. A

sua earactertzagão

foi

feita quanto às concentrações proteica pelo método de BRADFORD a e polissacarídica pelo método

da antrona2s.

b.

Antígeno Particrfado:

o

antígeno de

partículas de cisticercos

foi

utilizado fixado a

lâmieas de microscopia para a reação de

imu-nofluorescência indireta

(RIF),

e

foi

prepa-rado segundo MAGIIADO

e

cols. ls, com

algu-mas modificações. Os cisticercas lavados e congelados foram secos em dessecador à

tem-peratura ambiente.

O

material

foi

triturado

em gral

e

peneirado

em

tamis

de

abertura

0,297 mm,

"tyler"

48 (Granutest,

Brasil).

Os fragmentos tamisados foram lavados em etanol

(Merck, Brasil)

por

três vezes,

e

novarnente lavados em acetona bidestilada. As partículas

obtidas foram secas em dessec-¿dor

a

vácuo

por 24 horas e então ressuspensas em solução

salina tamponada com fosfatos, PBS

pII

7,2 (Fosfatos 0,01M-Na,Cl 0,14M) na proporçáo de 1 rng para 20

ml.

Após rápida decantação das

partículas maiores,

o

sobrenadante

foi

distri-búdo

em lâminas

de

microscopia, cerca de 40 partÍculas ¡x)r ca¡npo de 400X. As lâminas,

368

após secagem

a

37'C,

foram

conservad¿s a

-zVC, embrulhadas uma

a

uma.

2.

Amostras de líquido cefalorraquiano (LCR): fora,m ensaiadas 125 amostras de LCR de pa. cientes com neurocisticercose comprovada. O

grupo controle estudado

foi

constituído por

34 amostras de LCR, de indivíduos

supostamen-te normais e por 60 amostras de IÆR de pa'

cientes com outros quadros clínicos neuroló-gicos, mas isentos de cisticercose (meningites 38; neurossÍfilis 13; tumores 4; hidrocefalia 2; cefaléia

2;

acidente vassular cerebral 1).

3.

Testes sorológicos:

ø". Reaçáo

de

Fixação

de

Complemento

(RFC):

foi

empregada a microtécnica da RFC

utilizando

o

antígeno ST,

de

acordo com a metodologia descrita por FER'IIEIRA e cols.z,

com modificações nos volumes. Os LCR

ro-ram diluÍdos em placas de microtitulação de

poliestireno (Inlab, Brasil) de fundo em U, na razá,o

2 a partir

de 1:2, volume

final

de 0,05

ml,

em solução salina contendo Íons Cálsio

e Magnésio (NaCl 0,15M; CaC.lr 0,15mM; MgCl,

0,5

mM).

A

cada cavidade da placa adicio. nou-se 0,025

ml

de antígeno diluído segundo

seu

título na

Ínesma solução,

e

0,05

ml

de

soro normal

de

cobaio (complemento)

con-tendo

5

unidades hemolíticas

50%.

Após 1 hora a 3?"C

foi

adicionado o sistema

hemolítÍ-co

(hemácias de carneira

a

1,4Vo sensibiliza. das. com uma unidade exata

de

hemolisina

produzida ern coelho), 0,025

ml

por

cavidade'

e

a placa

foi

incubada por 30 minutos a 37"C

e

t

hora à temperatura ambiente, após

o

que

foi

feita

a

leitura.

b.

Reação

de

Hemaglutinaçáo Passiva (RH.å,): hem¿icias de caineiro a 5% foram sen

sibilizadas com

o

extrato antigênico ST, peta

metodologia descrita

por

IM.A,I

*

"o¡s

rr,

fi-cando

o

reagente de uso

a

0,67o, A. reação

foi

realizada em placas de microtitulação de

poliestireno (Inlab, Brasil), de fundo em V.

As amostras de LCR foram diluÍdas em duas

séries de cavidades

da

placa,

na

razáio 2,

t

partir de 1:1, em volume de 0,025 ml, em PBS

E|EI 7,2 contendo O,l'Vo de soroalbumiha bovina (Difco,

USA).

.4. uma das séries adicionou-se 0,025

ml

de hemácias sensibilizadas

e

à outra

(3)

PIALAR'ISSI' C. S' dþ M.i VAZ, A' J.; SOUZA, Â. M. C.

'IE; NAKAMI'R,A, P. M.; CAIVIAR,GO, E. D.; SILVA, M. V. & rtEDå" Inst. Med. M' - trop. Estudo São paulo, comparativo de testes sorológicos no d.iagnóstico imunológico da neurõcisticercose. RÊv.

29:86?-8?8, 199?,

foi

agitada

e

deixada em repouso

à

tempera-tura

ambiente

por

2 horas, e então

foi

reali-?"ada a leitura.

c.

Reação de fmunofluorescência Indireta (R.IF):

a

RIF

foi

realizada segundo

a

técnica

de MACHADO

e

cols. 15, send.o emþregado o

conjugado anti.gamaglobulina

humana-isotio-cianato de fluoresceína (Instituto Adolfo Lutz,

lote 33).

d.

Teste imunoenzimático, ELISA: placas

de poliestireno de fundo em

U

foram sensibi_

lizadas eom

o

antígeno ST, d.iluído conforme

o

título

em solução tamponada carbonato-bi_

carbonato (NarCQ 0,0r2M; NaH@, 0,08M; pH

9,6), no volume de 0,1 ml

por

cævidade. Após 18 horas

a

4C, as placas foram lavad.as três vezes em PBS

pH

?,4 (NaCl 0,18M; fosfatos

0,02M) contendo 0,05%

de

Tween-20 (Sigma,

USA)

-

PBS-T.

A

cada cavidade d.a placa adicionou,se 0,1

ml

das amostras de LCR,

pu-ro e suas di.luições na razáo 2, em PBS-T con_

tendo 0,5Vo ìde gelatina (Difco, USA),

e

a placa foi incubada por 45 minutos a B?"C. Após

três

lavagens, adicionou-se 0,1

ml

do

conju_ gado, anti,IgG humana-fosfatase alcalina

(Sig-ma Chem. Co., USA) diluído a l:1600 em

pBS-TG.

A

placa

foi

submetida

a

novo ciclo d.e

incubaçáo

e

lavagens

e

a

cada cavidade adj-cionou-se 0,1

ml

da sotução cromógena

(p-ni-trofenil-fosfato dissódico em solução de

dieta-nolamina

lM,

pH g,B, na proporção de 1 mgl

ml) e a

placa

foi

incubada

por

B0 minutos

a

3?C.

A reaçã,o êhzimática

foi

interrompida pela adição de 0,05

ml

de NaOIf ZM e

a

rea.

tividade avaliada em, espÞctrofotômetro para

leitura automática de placas (Titertek

Muttis-kan,

f'low

Lab., USA),

em

comprimento d.e

onda de 405 nm.

4.

Aruílise EstatÍstica:

a

média geométrrca

dos títulos

foi

calcrrlada com os títulos codi_

ficados pela fórmula lo+J2y/zr 23. para

o

es,

tudo

comparativo

dõf

testes sorológicos

fo-ram analisados os lndÍces estatísticoss, e apli-cado o teste Q de Cochran¿o.

RES[]LTÁI}OS

As concentrações protéica e polissacarídica

do extrato antigênico salino total (ST), obtido

de 200 cisticercos em volume

final

de 20 ml,

foram respectivamente de 6,1 mg/ml e 5,2 mg/

ml.

A

atividade antigênica do antÍgeno ST foi avaliada

por

titulação em bloco, frente

a

lf-quidos cefalorraquianos padrões positivo. e

ne-gativo, para determinação das concentra{ões

a

serem utilizadas nas reações de fixação de complemento (RFC), de hemaglutina4ão

passi-va

(RHA)

e

teste imunoenzimático (ELISA). Na RFC

foi

ohtida

a

concentração antigênica

ótima de 40 ¡r.g Þor cavidade da placa. A con

centração

de

30 Fg/ml

foi

escolhida para a sensibilização das hemácias utilizadas na RHA, coriro o reagente de uso é diluÍdo 10 vezes, pa.

ra

cada

mililitro

de hemácias utiliza,mos B ¡rE

de proteÍna antigênica. Na figura 1 são apre

sentados os resultados

do

teste ELISA para

os líquidos cefalorraquianos, padrões positivo

e

negativo, .diluídos nø raz,áo 2,

a partir

de

1:1,

e o

àntígeno

ST

nas concentraçÕes de

5, 10, 20 e 40 ¡.rg/ml'. Foram consideradas po.

sitivas

as

diluições

com

densidades ópticas

(DO) iguais ou maiores que 0,100 (.,cut off").

A

concentração de

l0

pe/ml ou 1 ,¡rg por cr}

vidade

foi

escolhida para

a

sensibilização das plaeas.

Na tabela.l são apresentados os resultados

dos testes sorológicos para

as

amostras d.e

LCR dos dois grupos estudados: pacientes com neurocisticercose

e

grupo

controle.

As

dis-tribuições

da

freqüência dos títulos das 125 amostras de LCR, dos pacientes com

neurocis-ticercose são apresentadas

na

figura

2.

Na

tâbela

2

são apresentadas as médias

geomé-tricas desses títulos (MGT).

A sensibilidade (S) expressa como porcen

tagem de positividade

e

a

especificidade (E)

expressa como porcentagem de negatividadg

com os respectivos intervalos de confiança de

9li% de probabilidade, obtidas para oS testes realizados, são apresentadas

na

tabela

B.

O

fndice de Youden

(S+E-l)

foi

calcula<lo pa.

ta

eada testê, e é. apresentado na mesma ta-bela.

Para avaliação

da

concordância entre os testes, os resultados das 219 amostras de LCR estudadâs, foram classificados como reagentes

e não-reagentes

e

analisados comparativamen

te.

Os índices de co-positiv,idade; co,negativi-dade e concordância das reações são

apresen-tados na tabela 4.

(4)

PIAI¡AnISSI, C. S. de M.., VAZ, A, J.; SUZ.A, A, M. C. ale; NAKAMUR.â,, p. M.; CAMÀRCrO, t. D.; STLVA, M. V. & IIE)A,, M. - Estudo comparatlvo de testæ sorológicos no diagùóstico fnu¡ológico da Deurocisticercose. Bey. Itrst. Med. froB. São Paulo, 29:367-37¡t, 198?.

3 c c

o

a D o !

a s a

ê

FiS. I - LeDsldades ópticas obtid¿s para as diluiçþes d.os soros (1.4) e lÍquidos cefalor¡aquianos (l-B) para paalrões positivo (a) e'negativo (b) no teste ET,IS.A, utitizando extrato salino total do qy$fueruus cellulosa€ ¡as co¡¡ceûtraçõqs de

i5 p*lmt (-.-.-), tO pclnt (-), 20 þClmr (--, e 40 p,clmt r...).

TABELA I

Dlstribuição dos lfquidos cefalomaqulanos dos grupos de pacientes com neu¡ocisticercose l¿) e contlole. (b), segu¡ato

teste sorológico

Dllrlção

!l:

-¡#

ora

I

o..

!n'

: o.' a ô o.l

ì-LK

RFC o

b

ìR

RHA

85

o

b

RIF

2

l4

9t

t7t3t666 -t

o. b

1 I

t620ß2tt4t39to4

93t-t2

o

b

*

excluío¡s as axosrRAs arrrcorpLEuExf REs

DISCUSSÃO

Foram estudadas as reações de fixação de

complemento (RFC), hemaglutinação passiva

(RHA) e

o

teste imunoenzimático ET,ISA, uti: lizando extrato antigênico salino

total

(ST), e a reação de imunofluorescência ind,ireta (RIF)

utilþando como antÍgeno partículas

de

cisti-'cercos fixadas a lâminas, para pesquisa de

an-ticorpos anti-Qsticercus cellulosae em líquido cefalorraquiano.

3?0

t6

Dílrlçio (t: )

3 - 2 ? 2 A 9 t7 t3 t2 2t 7 I t2 4 5

93t-12 6a QA 256 5t2 to24 20a€ ¡l(x¡6 ot92 >8t92

¡3 t3 t2 t3 t5 7 3 4 5 2

A

avalta4áo da atividade antigênica do

ex-trato

ST

nas reações, demonstrou seu bom rendirnento, que ao lado da facilidade de pßs

paração

e

bom

desempenho com relação à

especificidade, indicam-no para

o

prqtaro de reagentes em larga escala.

Na figura 1 foram ap¡eselrtada"s as distri-buições dos títulos obtidos nos testes para oS 125 LCIì de pacientes com

neurocisticerco-se.

Os maiores tftulos

forarr

observados no

ÍOTAL

I ¡5

t25

94

t25

94

t25

(5)

PTÁI,AN'ISSI' C. S.

'Iþ M.i VAZ, A. J.; SOI'ZA, Â. M. 9. 'IE; NAK.å',R'-..ô., P. M.; CAMARGO, T. D¡I SILVA, M. V. & rIEÐA' M' - tstutlo oomparativo ale testes sorológicos no diagnóstico imunológico da neurocistic€rcose. Bev. Inst. Med. trop. São paulo, 29:86?-A?A, tgg?.

FiC. .? - Fleqüéncia (o/o) dos tÍtulos de 12â lÍquiafos ¡orológicos.

TABEL.A II

Média Geométrica dos tftulos dos ¡fquidos cefalo¡r"¿quiar¡G

dos pacientes com neurocisticercose, segunalo teste sorãtógico

TESTE

IÍG T

* EXCLUíOAS AS AI¡OSTRAS ANTIGOI'PLEM€NTARES TÁBELA III

Sensibilidade, especificidade com os respectivos intervalos de confiança, (IC) e fndice de youden, segrjndo teste so_

rológico realizado no lfquido cefalorraquiano RFC

*

lr9

RHA

s

5rl

cofalorraquianos de p8cientes com neurocistioercose ¡os testes

RIF

IFG

sfLst Drof I FsÞFdFmr lû1È¡ ¡ærl

rûrL lÉt

23r6

NHA

RIF

ELISA

55 a8,O

r25 (39.O - sto)

TAÐEI.A IV

fridices do co-positividade, có-negêtividÀde e conoordånc¡a

entre os testes

ELI SA

ilr r¡ r25 (tt,2 - xr)

258,9

teste ELISA,

o

que é sonfirmado pelas MGTs

obtidas (tabela 2).

O

comportamento dos te,stes, quanto às sensibilidade e especificidade, tabela B, sugere que sejem empregadas técnicas mais sensíveis pa,ra o diagnóstico da neurocisticercose,

quan-do se estuda o líqr¡ido cefalorraquiano. A R¡'C apresentou

a

mais baÍxa sensibÍlidade (49%),

ro9 a?t2

125 {ar,z - 93.2}

\iqct

rçsrÈ--t2? 97,6

t25 (94,9 - ræ) ESTIE

'CgEl Ydt llct

fLItA,ñu

a5

g (4r,4 , $,4)

91 96,8

* (95,2 - tæ)

Àl|^

O0r¡0Ë¡nYtl.of

93 9€,9

9a ($.7 - tæ)

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94,9

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o,89

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ffir

o.86

o,55

lt¡ rIFC

o¡ a6

* Etct¡,loß ta

^¡o¡ttl¡ Amt@ttcguE

Ínferior

a

obtida

por REI$IfLIIO e

cols.z+.

que obsel$ara,m 7t% de positividadg utilizan

do

antÍgeno de cistioercos t¡:¡rtados com a,ce,

tona( A

especificidade

da

RFC (90,4%) foi

considerada boa e, se exclufumos as oito amo$

tras

do

grupo controle com resultado

preju-dicado pela anticomplementariedade,

a

especi-ficidade calculada seria de g8.,gqo,

o

que está de acordo com dados de literatura z,s,zr. A

¿ur-ticomplementariedade de 18 amostras das 2lg estudadas (8,2lol não era esperada, e poderia

ser explicada pelas ligeiras xantocromia e tur.

371 o,9 r

o.$

o,98

o,38

o,99

cotml¡ßn

o,58

o,99

or9a

o,94

qs5

o,99

o,73

o,98

(6)

PIALAR'ISSI, C. S. de NLi VAZ, A. J.; SOUZA, A. M. C. det NAK.âMURA, P. M.; CÁI\4ARGO, E. D.; SILVA, M. V. &

IlÐå., M. - Estudo comparativo de testes sorológicos no diagnóstico irhunológico da' ner¡rocisticercose. f,èY. Inst. Med, trop. São Paulo, 29:36?-373, 1987.

vação dessas amostras, presentes mesmo a,pós

centrifuga4ão.

A

RHA apresentou sensibilidade

e

especi-ficidade (88,8qo

e

g6,8Vo) muito melhores que

os

obtidos

por

BIAGI

e

cols.3,

de

10% de positividade no estudo da RIIA aplicada a LCR

de

pacþntes com neurocisticercOse. Nossos

resultádos também foram superiores aos de

MARTINEZ-CAIRO

e

cols. 17,

eüe

obtrveram

sensibilidade

de

68% estudad¡do LCR previa,

mente concentrado cinco vezes.

Â

RIF

também resultou em þons índices

de

sensibilidade

e

especificidade, respectiva.

mente de 87,2%

e

g8,9Vo, comparáveis aos já dlescritos palaa reação realizada no I,cR LPI'o,13. Contudo,

no

nosso estudo

a

RIF

comportou-se muito melhol que

a

RFC, ao contrário do

que

LMAMENTOIs

e BASSI e cols.z haviam

descrito, par?ú as duas reações.

O

teste imunoenzimático ELISA

apresen-tou alta

sensibilidade @75%>

e

especificif,a-de

(gï,g,%), como

era

esperado para

o

tes-te 5/6.14,19.

O

estudo

do

comportamento

dos

testes

sorológicos

foi

realizado

pela

aplicaçã,o' do teste estatístico Q de Cochran. Obtivemos que

os

testes comportaram-se diferentemente en'

tre

si'

(p <

0.05) e, p€la anál,ise 2x2 (teste

de

McNemar) dos testes concluimos que o

melhor teste para diagnóstico da

neurocisticer-cose

foi o

teste ELISA, seguido das neações

de

IF

e HA que comportar¿un-se igualmente. Considerando que

a

RFE aínda

é o

teste

mais difundido quando se investiga a.

neuro-cisticercose e,, ainda, que somente reargentes

imunológicos

pata

a

tealizaçáa

das

RFC e

RIF são correntemente encontrados no

oomér-cio, sugerimos que também

a

RIf,A

e

princi-palmente

o

teste ELISA, sejam empregados

como auxÍlio

no

diagnóstico

e

em

possfveis levantamentos epidemiológicos,

pala

que pos-samos avaliar

a

real prevalência da neurocÍs, ticercose em nosso meio.

STIMMARY

Corn¡larative study

of

serologica.l tcsts in

¡mmunological dia,gnosis

for

neurocgrsticercosls

372

Four immunological techniques were

eva-luated

for

the detection

of

anttbod,ies

to

Gys. ticercus cellulosae in cerebrospinal fluid (CSF): complement fixation test (CF), passive

haem-magglutination

test

(PHA), indirect immur¡o-fluorescence

test

(IF)

and the en4ymelinked

immunosorbent assay

(ELISA).

One-hundred twent¡r-five CSF from patients wúth confirmed neurocysticercosis a,nd 94 CSF from

a

control group (60 from patients suffering from

neuro-logical disorders other

than

neunocysticercol

sis

and 34

from

presumably healthy indivi-duals) were assayed. The sensitivity and

spe-cifioity

of

the

tests were determined, which

were, AB.OVo and, 90.4%

for

CF"; B88Vo and 96.8Vo

far

PiHA; 87.27o and 98.90/o

for IF,

and 97.60/o ancl 98$Vo

for

ELISA, respectively. Tfie'

re

{¡/€re significative differences among the

tests and these allowed

to

conclude

that

the best immunodiagnostic test

for

neurocysticer.

cosis was ELISA, followed

by PIIA

and

IF

tests.

AGRÁDECIME}TIIOS

Agradecemos .aos

Dr.

Aluízio

de

Barros Barreto Machado e Dr. Gilberto Eduardo

Bas-si

pelas amostras de líquido oefalorraquiano.

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Referências