• Nenhum resultado encontrado

O setor energético e a redefinição do estado brasileiro

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "O setor energético e a redefinição do estado brasileiro"

Copied!
52
0
0

Texto

(1)

--~

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESCOLA BRASILEIRA DE ADl\.fiNISTRAÇÃO PÚBLICA

CADERNOSEBAP

MARÇO DE 1995

o

SETOR ENER6ÉTICO E A REDEf1NIÇÃO DO

ESTADO

BRASILEIRO

CADERNOS EBAP

Rio de Janeiro - Brasil

(2)

CADERNOS E B A P

Publicação da ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA da FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS para diwlgação, em caráter preliminar, de trabalhos acadêmicos e de consultoria sobre Administração Pública.

DIRETOR DA EBAP

Annando S. Moreira da Cunha

CHEFE 00 DE.".. DE PESQUISA E PUBUCAÇOES

Fernando Guilherme Ten6rio

EDITORA RESPONsAVEL

Deborah

Moraes

Zouain

COMnt EDITORIAL

Corpo docente da EBAP

EDITORAÇÃO

Grupo Editorial da EBAP

o

texto ora diwlgado é de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), sendo pennitida a

sua reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.

CORRESPOND~NCIA:

CADERNOS EBAP

Praia de Botafogo, 190, sala 508 Botafogo - Rio de Janeiro -RJ CEP 22.253-900

Telefones: (021) 536-9145 551-8051

(3)

.'

T

Faça já sua assinatura dos CADERNOS EBAP por

RSS,87

e receba, ao longo do

ano, seis exemplares. Você terá, sem dúvida, a oportunidade de refletir sobre importantes temas da administração pública brasileira.

CADERNOS EBAP

&com

Bntsilc:in& de Adlllinislntçiío Públiw da Fundaçio Getulio Vargas

Departamento de Pcaquiaa c Public:açõcs Praia de Botafogo, 190, Sala .508

Botafogo - Rio de Janeiro -RJ 22253 - 900

A Editora

CADASTRO: CADERNOS EBAP

NOIIle: ... .

In81:ituiçio: ...•....•...•...•...

Endereço: ... .

Cidade: ... .

País: ... ..

Código postal: ... ..

Data: ... .! ... .! ... .

(4)

RlNDAÇÂO GETYllO VARGAS

REVISTA DE ADMINISTRAÇAO PUBLICA

RAP

-ASSINAnJRA DE REVlSD1 TÉCNlCO-ACADÊMICA INDICA

PROFISSIONAlISMO

VOCÊ TERÁ A OPORTUNIDADE DE LER IMPORTANTES MATÉRIAS SOBRE:

GESTÃO INTEGRADA DE PROGRAMAS PÚBliCOS

POLÍTICAS PÚBLICAS: SAÚDE, .~OCIAI .. , MEIO AMBIENTE ETC.

PROCESSO DECISÓRIO

GERÊNCIA DE ORGANIZAÇ()ES E EMPRESAS PÚBliCAS

VIS/TE A LIVRARIA DA FGII.

DISPOMOS DE NOMEROS AVUlSOS.

INFORMAÇOES E ASSINATURAS

FLTNDAÇÃO GETULIO VARGAS - ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO Pé.TBUCA

-EBAP-P.R.AlA DE BOTAFOGO, 190 -5" ANDAR TEL 5J6-9U5

551-8051

(5)

.

'

o

primeiro passo

é

o

reconhecimento de suas necessidades .

A Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio

Vargas oferece seus 41 anos de experiência ao Setor Público e Privado.

DCT - Departamento de Consultoria Técnica

(6)

SUMARIO

Pago

APRESENTAÇÃO

O CONFLITO SOCIAL: ÉTICA. ORGANIZAÇOeS E ESTADO ... 01

EMPRESA PÚBLICA, ÉTICA E MERCADO ... ... 13

o ESTADO NO SeTOR PRODUTIVO BRASILEIRO DE PETRÓlEO ... 23

A ELETROBRÁS NO CONTEXTO DA ADMINISTRAÇÃO PúBLICA BRASILEIRA. 31

(7)

.

.

f

o

presente CADERNOS EBAP tem o propósito de examinar a presença do

setor energético dentro de um Estado com seu papel redeftnido.

A exposiçlo aborda, inicialmente, o papel do Estado como promotor de

mudanças estruturais, encarado como SolUça0, até meados dos anos 70,

quando começa a perder sua capacidade de promover mudanças estruturais, surgindo, a partir desse momento, a visao do Estado enquanto problema.

Em seguida, aponta para o que se denominou de "terceira onda" de reflexAo sobre o papel do Estado, centrada no reconhecimento da importancia de sua capacidade de promover ajustes estruturais .

Neste contexto, procurou-se examinar o impacto de um posslvel abandono do

setor produtivo estatal, que pode ocorrer n10 só através de mudanças na

Constituiçlo vigente, ou ainda, pela inclusão das empresas produtivas do Estado no processo de privatizaçlo.

As considerações aqui colocadas partem de experiências profissionais

especificas nas empresas Eletrobrás, Furnas e Petrobrás.

Pretende-se discutir, também, o posicionamento da empresa estatal no que

tange a sua relaçlo com a sociedade e sua contribuiçlo para a superaçlo da

crise econ6mico-social.

Nlo há a intençao do diagn6stico, apenas de praticar o direito e o dever de

exercer posiçlo a respeito dos fatos.

Todos os trabalhos foram elaborados, em setembrol93, para a disciplina Teorias da Administraçlo Pública, ministrada pelo Prof. Fernando Guilherme

Too6rio, do Curso Intensivo de P6sGraduaçAo em Administração Pública

(8)

o

CONFLITO SOCIAL: ÉTICA, OR6ANlZAÇÕES E ESTADO

José Carlos d. Freitas Felix

1 - IIITRODUÇÃO

Os preceitos sociais geraram para o homem uma relação de

interdependência que o induziram a procurar formas de organização para

diminuir o tempo gasto na execução de determinadas atividades,

principalmente aquelas relacionadas com suas necessidades primárias e de

segurança.

(9)

.

.

f

2 - TERRA, CAPITAL E PODER: AS RAZÕES AtTICAS

Resguardando-se a época das investigações, reconhece-se que

o discernimento humano imptica apropriação de valores que determinam seu

modua vlvendl.

Neste sentido, o objeto da ética apresentado por George

Edward Moore (1974), nAo difere daquele apresentado pela CNBB (1993).

No entanto, a argumentação de Max Weber (1974) provoca um

deslocamento que altera o foco

("Lembra-te de que tempo é dinheiro".

"Lembra-te de que o crédito é dinheiro". "Lembra-te deste refrão: o bom

pagador é dono da bolsa alheia ". "As mais insignificantes

aç~es

que afetem o

crédito de um homem deve ser consideradas")

de discussão, pois nos traz o

conceito de poder pecuniário, como princípio de dignidade humana, bem

como procura justificar

("Alguns éticos daquele tempo, especialmente

da

escola nominalista, aceitaram como fato o desenvolvimento de formas

de

negócio capitalista e tentaram,

não

sem contradições, justificá-Ias, mais

especialmente o comércio, como necessárias, e a "indústria" que nele se

desenvolvem, como fonte de lucros legitima e eticamente inquestionável ... "

p.

203) a apropriação ética das variáveis econômicas.

Para complementar esse preâmbulo, pode-se agregar

à

ética

protestante

os conceitos formulados por Thorstein Veblen (1974), onde

existe uma análise sociológica fundamentada em parâmetros pecuniários (tiA

instituição

de

uma classe ociosa é o resultado de uma discriminação, bem cedo

estabelecida, entre diversas funçlJes, segundo a qual algumas são dignas e

outras indignas. Estabelecida a discriminação, as funções dignas são aquelas

(10)

3

diárias rotineiras em que nenhum elemento espetacular existe"

p. 282), de onde

se deduz a existência de um novo foco de investigação dos princrpios éticos.

Desta forma, a fragmentação da sociedade não pode ser

atribuída a indivíduos ou a qualquer grupo étnico, mas sim

à

escassez

controlada de bens economicamente valorizados. A

estes

atribui-se o valor

intrínseco do poder, que, conforme preconiza AMn ToffIer (1980), tem a

função de alvo imóvel que, para ser atingido,

é

necessário que as

formalidades sejam postergadas. Na utilização de qualquer recurso para a

obtençAo do poder devem ser observadas caracterrsticas econômicas do

foco ético contemporâneo (

"Os membros da comunidade que não atingem este

padrlJo de proeza ou de riqueza, indefinidos embora, sofrem na estima de seus

companheiros: conseqiJentemente sofrem também na sua própria estima,

que

a base usual da própria estima é o respeito dos outros. Somente os indivlduos

de temperamento excepcional conseguem, diante

da desaprol'açOo

da

comunidade, conservar em última análise a própria estima. Aparentemente,

existem exceções a esta regra, especialmente entre pessoas

de

fortes convicções

religiosas;

mas estas exceções aparentes

não

se podem considerar como

exceções reais, porque tais pessoas se apoiam, usualmente, na aprovaçlJo

presunúvel, de alguma testenlUnha sobrenatural de suas açlJes .... ", p. 293).

É

esse

paradigma (" ...

Não é a propriedade que importa ... é o controle. E como

Exec:u/ivu-Chefe é isso que eu tenhu. Vamos ter uma assembléia dos acionistas

na próxima semana e tenho

97%

dos votos. E possuo apenas mil ações. O

controle

é

o que

é

importante para mim ... Ter o controle deste

grande

animal e

usá-lo

de

uma maneira construtiva,

é

o que eu quero, mais do que fazer coisas

tolas que outros querem que eu faça",

p. 75) que fomenta a necessidade

de

(11)

-

...

.

.

razões econômicas, contrapondo-se, desta forma, ao ethos

mythos

fundamentado pelo

myatlkos

na interpretação dos teólogos.

Observa-se, portanto, que o indivíduo usa de seu arbítrio para

apropriar-se dos valores reconhecidos como verdadeiros, pelo

ethos

mythos,

difundidos pelos sacerdotes ou pelo elhos

aeconomlcu,

emancipado pelos conceitos neoliberais, buscando compensar a ausência do

ethos cultura,

cujas variáveis têm aplicação social i ntegrativa ,

universalmente reconhecida, e que em suas características subjetivas exige

maior participação do homem que, para apropriar-se de seus fatores, teria

que dissipar energia intelectual ao invés de utilizar-se da terra, capital e do

poder para refazer seus princípios éticos.

3 - A SOCIEDADE E SUAS OR6ABIZAÇÕES

A evolução das organizações mostra seu caráter serviente, como

a define Amitai Etzioni (1964), com relação à sociedade que se abriga nos

seus fins, como demonstra Peter F. Drucker

({Ia interdependência das

organizações

é

diferente

de

qualquer coisa que o tenno tenha significado antes.

É

claro que o falo de que nenhum homem é ilha na sociedade não é novidade.

Também

ndo

é novidade que todos nós, inclusive o ermttdo, só podemos viver à

nossa própria maneira porque existe a garantia

de

que muitas outras pessoas

trabalharão para nós ",

p. 201) que, ao caracterizar o comportamento

do

indivíduo na sociedade (Smith, 1974), evidencia a dependência da

comunidade em relação aos serviços das instituições.

No entanto, a absorção de novas tecnologias fez surgir o

paradigma organizacional conflitante com a pluralidade cultural da sociedade,

(12)

5

que as transformações ocorridas nas linhas de produção. Este fato

fundamenta o aparente paradoxo da dicotomia da organizaçAo e sociedade

pois, na verdade, o foco do conflito

está

no

ethos aeconomlcu

dos

indivíduos que dirigem as organizações, orientados pelos principios

neo-liberais proferidos por Milton Friedman que, apesar

de

ser conhecedor das

conseqüências decorrentes da aplicação do paradigma da economia

clássica, preconizado por Adam Smith (1974), nlo se abstem em readaptar

o

laluez-'aire

à sociedade pós-modema.

Observa-se que as etapas

de

transformação de um produto ou

serviço exigem que as organizações se adaptem, constantemente, às

necessidades do usuário. A "racionalidade instrumental" (TerlÓrio, 1993) não

representa a

prax/s

administrativa

do

mundo pós-moderno, pois, segundo

Alvin ToffIer (1985),

é

imperativo a capacidade de readaptação das

organizações às exigências do mercado. Conseqüentemente, as barreiras

ao avanço da "racionalidade substantiva" (Tenário, 1993) 010 estio na razão

tecnológica em si, mas no seu uso como instrumento

de

poder e dominação.

O comportamento administrativo do

'actotum

fundamenta-se, por um lado,

nas razões do grupo econômico que representa (Melhikov, 1978), e, por

outro, nos valores econômicos gerados na própria sociedade, que, despida

de princípios éticos baseados em razões sócio-culturais, classifica as

organizações segundo parâmetros econômicos e não pelo seu grau de

(13)

.,

".

4-ADMU~TRAÇAoPÚBUCA:

O PARADOXO DA pmOmDADE

BRASILEIRA

A conjuntura internacional sempre influenciou, de alguma

maneira, na formulaçAo de políticas das regiões descolonizadas: programas

econômicos que beneficiaram os países asiáticos ou os conflitos sobre

delimitaçao

de

fronteiras do continente africano; no caso brasileiro,

evidencia-se o patrulhamento ideológico que, em consonância com a interpretação de

John Kenneth Galbraith (1988), implicou conseqüências devastadoras para a

administração pública.

o

desenvolvimento econômico propiciado pela Teoria Keynesiana

(Keynes, 1988), defrontou-se no Brasil com algumas particularidades que

colaboraram para a formação do labirinto de análise das instituições

públicas, tais como: a necessidade de modernizaçao das organizaçOes

públicas, que atuavam segundo o paradigma liberal (Smith, 1974): o

imperativo da implementaçao de organizaçOes que servissem de base ao

efetivo avanço econômico e tecnológico, sem, no entanto, transgredir os

conceitos ideológicos (H ...

Com a Guerra Fria, porém, a palavra planejamento

adquiriu uma grave conotaçOo ideológica.

Os países comunistas MO só

socializaram a propriedade, o que não parecia ser forte possibilidade nos

Estados Unidos, como pllRJejaram, o que parecia mais perigoso ainda. Como a

liberdade naqueles palses se achava circunscrita, seguia-se, pois que o

planejamento era algo que a soctedade ltbertária deveria evttar ... ",

p. 29)

assimilados pela classe dirigente do país.

Baseando-se nestas razões, o modelo administrativo mais

(14)

7

implementaçAo dos conceitos werberianos (Weber, 1974), principalmente

pelas características classificadas como "tipo ideal", que acolhem,

perfeitamente, o comportamento neo-colonialista da classe dominante

brasileira, que mantém o Estado refém dos conceitos que caracterizam as

capitanias hereditárias

(Jomal

do

Brasil,

1993), tanto para as organizações

da administração direta, quanto para as empresas públicas destinadas a

substituir a incapacidade de investimento do setor privado.

Observa-se, portanto, que o paradigma burocrático, quando

aplicado às instituições públicas da administração direta, adequa-se

perfeitamente, excluindo-se as disfunções provocadas pela influência política

e a relação

de

poder reivindicada pela classe dominante. Estes fatores, aliás,

comprometem a eficácia das organizações, como comprova Peter Orucker

(1984) ao analisar o desempenho das entidades prestadoras de serviços.

As razOes desenvolvimentistas aliadas às razões

comportamentais fizeram surgir uma empresa pública caracterizada pela

exigência de um modelo paramétrico, que otimiza a eficácia

de

suas metas e

aumenta sua eficiência ao apropriar-se da tecnologia moderna desenvolvida

por um paradigma administrativo contingencial, no seu aspecto operacional

relativo aos objetivos.

Portanto, nestes fatores, assenta-se o paradoxo da

administração pública brasileira, que impOe ao governo a dificil tarefa de

definir uma política que compatibilize os interesses dos vários setores da

sociedade, sem desviar-se dos fins e objetivos do Estado. No entanto, pelas

razões já descritas, o Estado foi induzido a optar, prioritariamente, pela

implantação de organizações que absorvessem tecnologia de ponta em

.

.

(15)

Ir

..

detrimento da consolidação, manutenção e investimento nas instituições

prestadoras de serviços.

A vulnerabilidade do Estado brasileiro a pressões de grupos

sociais induz à observaçAo de Thomas Paine ( "...

Todas as entidades

precisam ser eficientes. Como geralmente

nOo

há concorrência no campo dos

serviços, falta às entidades que operam nessa área aquele controle extemo e

forçado de suas despesas a que estão submetidas as empresas nos mercados

conco"enciais. Alas o problema básico dessa entidade não

é

a de suas altas

despesas e sim o dafalta de eficácia. Algumas

dela~

são até muito eficiente, mas

têm a

propensão

de fazer

as

coisas e"adas" -

Drucker,

1984,

p.

158),

que

remete aos govemOQ a existência de distinções sociais ('~4

sociedade

é

produzida pelas nossas necessidades, e

o

governo pela nossa maldade: a

primeira promove positivamente a nossa ventura unindo os nossos afetos,

enquanto o segundo o faz negativamente refreando os nossos vícios. A primeira

é uma patrocinadora, o segundo um presumidor" -

Paine, 1973, p. 51),

antagonizado por John F. Kennedy

("Não pergunte o que sua pátria pode

fazer por

voc~

- pergunte o que você pode fazer por sua pátria" -

Friedman, s/d, p. 11) que induz o cidadão americano a comprometer-se com as políticas do

govemo, no sentido de consolidar as instituições públicas e fortalecer o

Estado. Semelhante acontece no Brasil através do falacioso slogan "Brasil,

ame-o, ou deixe-o", amplamente divulgado nos anos 70, cujo objetivo era

criar condições para o desenvolvimento e absorção de tecnologia nos

setores definidos como economicamente prioritários (Galbraith, 1988), fato

que levou

à

modernização e implantação de empresas, como a Petrobrás,

Eletrobrás e Furnas (4.11), cuja eficiência transforma-as em alvo da

ambição econômica dos neoliberais que, a pretexto da necessidade de

(16)

9

empresas, tal qual ocorre com o sistema previdenciário, a educação pública

e o sistema de saúde.

S -

CONCLUSItO

A evidência de que as organizações surgiram em função da

necessidade humana, define que o seu perfil será sempre o reflexo do

comportamento social.

Ressalta-se que a prática do heteronomismo pelo coletivo social,

que transfere para as organizações e, até mesmo para a Ciência

Administrativa, o desconforto de se ter o

ethos cultura

relegado

à

posição

secundária, em relação ao

ethos aeconomlcu,

induz o homem a acentuar

o comportamento informal nas organizações e uma postura classista

emulativa

(Jornal do Brasil,

1993). Nem mesmo a condição de professor e

intelectual consegue evitar o comportamento classista e a prática da

emulação social.

As evidências permitem a conclusão de que o equilíbrio social só

será atingido quando a divisa0 do trabalho não significar divisão social,

quando a tecnologia estiver a serviço do homem e não o inverso, ou quando

o Estado deixar de servir a grupos sociais e impor-se como instrumento de

aglutinação social.

.

(17)

'.

6 - RUERtNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CNBB:

Ética:

pessoas e

sociedade,

XXXI Assembléia Geral. ltaici, São

Paulo, 28/4 a 7/5/93, São Paulo, Ed. Paulinas. 1993.

DRUCKER, peter F.

Introduçlo

à

Admlnlstraçlo.

Tradução de Cartos A.

Malferrari, ~ edição, SAo Paulo, Ed. Pioneira

1984.

_ _ _ _ _ _ _

,. Uma

era de

descontinuidade

(Orientação para uma sociedade em mudança). Círculo do livro S/A.

ETZIONI, Amitai.

Organlzaç6es

modernas.

Tradução de Miriam

l.

Moreira leite.

ea

edição, livraria Pioneira Editora,

1964.

FRIEDMAN, Milton.

Capitalismo

e

liberdade,

com colaboração de Rose D.

Friedman. Tradução de luciana Carti,

3

a edição, São Paulo, Ed. Nova

Cultural.

GALBRAITH, John Kenneth. O novo estado industrial. Tradução

de

Leônidas Gontijo de Carvalho. Os

Economistas,

3a edição, São Paulo,

Nova Cultural, 1988 .

JORNAL DO BRASIL.

Caderno

Cidade

(Dossiê acusa o Presidente do

TRT do Rio). Domingo, 27/6/93, p. 30.

Entrevista. Darcy Ribeiro. Domingo, 1117/93,

p.13.

KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda.

Tradução de Mário R. da Cruz.

Os Economistas,

Ed. Nova Cultural,

(18)

II

MELHIKOV, A.M. A estrutura de classes dos estados unidos.

Coleção

Perspectivas do Homem.

Vol. 121, Capo 5. Tradução de J. Geraldo

Guimarães, Ed. Civilização Brasileira S/A, 1978.

MOORE, George Edward. Princípios éticos.

Os Pensadores,

1

a

edição,

Vol XLII, , 9/74.

PAINE, Thomas. Senso comum. Da Origem e do plano

de

Governo em

Geral, com concisas observações sobre a constituição inglesa.

Os

Pensadores.

1

a

edição, Vol. XXIX, Abril Cultural, 11/73.

SMITH, Adam. Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das

nações.

Os Pensadores,

1

a

edição, 1/74.

TENÓRIO, Fernando G.

Tem

razão a

administração?

Teorias da

Administração Pública - CIPAD/EBAP/FGV, 1993.

TOFFLER, Alvin.

A terceira

onda.

Tradução de João Távora, 1

a

edição,

Ed. Record, 1980

A empresa f1exlve/.

Tradução de A.B. Pinheiros de

Lemos, 3

a

edição, Ed. Record, 1985.

TRABALHOS APRESENTADOS NO CIPAD-EBAP/FGV-93/94: JUNIOR,

Haroldo Barroso.

Fumas

Programa

Nuclear

e

Sociedade.

BATIAGLlA, Wagner C.

A

Eletrobrás

no

Contexto

da

Administração Pública Brasileira.

QUINTÃO, Carlos Eduardo R.G.

O Estado,

com

papel

redefinido,

no

setor produtivo

do

Petróleo

no

Brasil.

MARTINELLI, Hasenclever S.

Empresa Pública. Étlca

e

Mercado.

(19)

"

VEBLEN, Thorstein .. Emulação Pecuniária. Capo 11. Os Pensadores. 1a

edição, Vol. XL,

2174.

WEBER,

Max.

A

ética protestante e o espírito do capitalismo. Capo

11

e

V.

Os

Pensadores.

18 edição, Vol. XXXVII, 5f74, Abril Cultural.

_ _ _ _ _ . Ensaios de sociologia e outros escritos. Seleção de Maurício

Tragtenberg. Os Pensadores. VoI. XXXVII, 1a edição, 5174, Abril

(20)

13

EMPRESA PÚBLlCA_ ÉTICA E MERCADO

Hasenclever S. Martinelli

"O reino da liberdade só começa realmente quando cessa o trabalho que é

determinado pela necessidade e pelas consideraç6es mundanas".

Karl Marx

"Pense nas estrelas que vemos à noite, esses vastos mundos que jamais

poderemos atingir. Eu anexaria os planejas, se pudesse."

Cecil Rhodes

1 -

INTRODUÇÃO

Ao se ler qualquer jornal ou revista especializada, ao se ligar a TV,

depara-se com um assunto chave: o papel do Estado na economia de mercado.

Ou seja, qual o papel a ser desempenhado pelo Estado, para que

possa

atender as reais necessidades da populaçao em serviços básicos como: transportes,

habitaçao, saúde e educaçao. Nesse sentido, as discussOes sobre a relevancia

ou nao do Estado estar presente como força produtiva no mercado tornam cada

vez mais este assunto importante, devido aos vários interesses que concorrem

para sua expticaçao, enquanto fenômeno econômico-polftico-socia', do próprio

desenvolvimento capitalista. Por mais que correntes neoliberais desejem que o

Estado nao interfira no mercado, em algum momento isso se faz necessário,

devido à própria incapacidade do mesmo de se auto-regular.

Na abordagem marxista, o Estado

é

tido como representante da

classe dominante e, por conseguinte, por mais contraditório que

possa

parecer, ao interferir na economia o faz para beneficiar e garantir que a propriedade e os

meios de produçao continuem nas maos

da

burguesia. Ou seja, o Estado, ao \.

(21)

)

final, legitima o poder da propriedade individual, pelo fato de nAo abrir

possibilidade para uma transformação da mesma em coletiva.

Já a abordagem liberal ou neoliberal, considera o Estado como o

grande responsável da crise estrutural, quando este intervem no mercado. Pois,

ao fazê-Io, desorganiza os "instrumentos naturais" que 510 a oferta e a procura,

elementos reguladores das necessidades e demandas sociais.

Diante de duas posiçOes antagônicas quanto

à

atuaçAo do Estado na economia e sua função social, vive-se hoje uma realidade favorável à segunda

teoria, devido aos vários acontecimentos, como o fim da URSS e do bloco

socialista e do "sucesso" de medidas neoliberais em alguns pafses que adotam

uma polftica de mercado mais ortodoxo, onde o Estado tem pouca presença.

Os defensores da economia de mercado e da reforma estrutural no

Brasil estêo cada vez mais certos dos maleflcios que o Estado representa na

economia. Por isso, diariamente há um bombardeio de informações nos meios de

comunicação, a respeito da incapacidade do setor público em atender às

necessidades sociais e gerenciar atividades tidas como exclusivas do setor

privado, reforçando a visão que o Estado tem que atuar única e exclusivamente,

em áreas básicas no atendimento a populaçao, como já descrita acima. Será isto

verdadeiro no Brasil e no mundo, ou

é

mais uma maneira de restringir a questão

do papel do Estado a áreas onde os investimentos &ao altos e poucos lucrativos,

deixando para a iniciativa privada, ou transferindo para a mesma, atividades

altamente lucrativas (para grupos empresariais).

Como virou moda afirmar que o únICO caminho para o pais sair deste

atoleiro econômico e social que se encontra é privatizando as empresas públicas,

cabe uma reflexêo se é desta maneira que recuperaremos o sentido público do

(22)

15

degradante. de um pafs que tem 2/3 de sua populaçlo vivendo na miséria. onde

os recursos públicos escassos sêo consumidos pela corrupção e pelo descaso

das autoridades públicas, por uma indefiniçao do "sentido público das

instituiç6es" e seu dever para a sociedade como um todo.

Por isso. o presente trabalho tem como objetivo principal levantar a

questlo da funçlo da empresa pública no momento atual e sua contribuiçao para

a superaçao da crise econOmico-social. que vivemos. tendo em vista ser o Brasil a

oitava economia industrial do mundo.

Outro ponto importante é saber se podem conViver ética e mercado,

dentro de uma vido mais humana e menos tecnicista. nas relaç6es de produção

existentes, onde a razao instrumental

é

levada a sobrepor os valores da razao

substancial.

Outro aspecto. é a atual crise da Modernidade. Vivida pelos palses

desenvolvidos. que coloca problemas que provocam a reflexlo sobre a realidade e

o futuro do pais.

2 -

PARA. ONDE VAMOS!

o

Brasil se encontra num impasse: tem que moderniZar sua economia e, ao mesmo tempo, resgatar sua enorme divida social, acumulada por

várias décadas de descaso governamental com a populaçAo, onde 213 da mesma

encontra-se fora dos beneficios gerados por uma economia que

é

a oitava do

mundo industrial.

As afirmações do incisivas quanto ao tempo perdido pelo paIs,

devido à falta de uma reforma profunda na estrutura do Estado, ou seja, só se

i.

(23)

-'

conseguirá recuperar o tempo perdido quando se privatizar as empresas públicas,

com o argumento de que são empresas ineficientes e que nao conseguem

competir sem subsldios do governo e que

dao prejulZo

a

Naçao. Além,

é

claro,

de estarem sem capacidade técnico-gerencial adequada para os tempos

modernos, devido

à

falta de uma vi&ao mais clara sobre a realidade, ao

"corporativismo" que reduz a interesses particulares o que deveria ser público. Ou

seja, &ao uma "caixa preta".

É

a Tecnocracia das Estatais.

Essas afirmaçOes sao feitas diariamente nos meios de comunicaçao,

e toma confuso saber o real papel da empresa pública no contexto atual. Por isso,

tem-se, InfelIZmente, o processo

de

privatiZaçao como o único melo "eficaz" de

recuperar a capacidade do Estado de voltar a investir em áreas sociais, segundo

os arautos do neoliberalismo no Brasil e no exterior.

Ora, cabe uma pergunta. Será passlvel ao paIs sair desta crise sem

a participaçao do setor público produtivo, ou só privatizando as empresas estatais

rentáveis, ·como tem sido feito até agora, é que o Estado conseguirá resolver os

graves problemas que nos afligem, como a miséria e a fome?

(24)

17

3 - O CASO PETROBRÁS

A privatizaçlo da Petrobrás é a mais polêmica de todas. E por quê?

Sua criaçao é o resultado de uma campanha nacional em defesa de uma

matéria-prima, considerada ainda o "Ouro Negro" do mundo, responsável por guerras e

pelo desenvolvimento de todos os

pafses.

Por isso, chega a ser ridiculo os motivos apresentados para a privatizaçAo da Petrobrás. Alguns dados a respeito

dessa empresa publicados pela Revista norte.americana FORDES 510 bem

consideráveis. Ela publicou, em julho de 1992, matéria intitulada "Petrobrás:

Brazilian technology for the wordy", que destaca o prêmio recebido na O. T. C. (Offshore. T echnology Conference Award) pelos recordes mundiais estabelecidos

com a tecnologia de produçao em águas profundas.

A revista Petroleum Intelllgence Weekly, ediçêo de novembro de

92, divulgou a seguinte classificação da Petrobrás: - 180 Companhia de petróleo

do mundo; maior rndice de crescimento desde 1987, entre as 50 maiores

empresas do mundo do setor de petróleo; IIder mundial na produção em águas

profundas; 10a do mundo em capacidade de refino. Essas informaçOes

demonstram, por si só, a importância da Petrobrás para o desenvolvimento do

pais e o que vem a representar para a

economia

nacional sua privatizaçao (para

'.

t

as multinacionais, devido ao seu valor, 120 bilhOes de dólares. Para Harper, da <

Texaco: "as multinacionais estêo interessadas na América Latina devido

à

reserva

de 123,8 bilhOes de barris e pelo muito a explorar e produzir. Mesmo porque os

Estados Unidos consomem 15 milhOes de barris/dia, produzem apenas metade e

suas reservas, de 32 bilhOes de barris, dêo apenas para dez anos" (Lobo, 1994,

p. 25). Temos um exemplo claro da importancia do petróleo, como da Petrobrás

contribuir, nas mlos do Estado, para questOes estratégicas em termos do futuro

(25)

O objetivo de revelar alguns feitos da Petrobrás, com informações de

revistas estrangeiras,

é

levantar algumas questOes de como se conseguiu

estruturar uma empresa de petróleo com eficiência comprovada

internacionalmente em apenas 40 anos de existência. Por isso, não se justifica a

pretensao de privatizá-Ia, argumentando ineficiência de seus funcionários, ou

porque fere o mercado por ter o monopólio do setor, a não ser por entreguismo,

tomando a economia cada vez mais dependente externamente das potências que

querem áreas de reservas de petróleo, garantindo desta maneira matéria-prima

para suas economias continuarem a crescer.

o

sucesso da Petrobrás reside no fato de como ela foi criada, ou seja, com uma ampla mobilização da consciência nacional em torno da questão

-' estratégica do petróleo. Sua estrutura organizacional nao foi afetada pelo

empreguismo dominante no paIs. Até pelo tipo de profissional que necessita nesta

área, exige uma seleçao de pessoal qualificado. Outra coisa, reside no fato de ter

uma área de recursos humanos forte, que possibilitou ter um plano de cargos e

carreiras como nenhuma outra estatal no paIs. E, apesar de ultimamente, ter-se

um presidente em média a cada seis meses, isto não consegue abalar o moral de

seus funcionários. O tipo ideal de burocracia Weberiano se enquadra na estrutura

organizacional da Petrobrás, com certeza, pelas caracterlsticas destacadas

acima.

Isto vem a provar que nao interessa &e a empresa é pública ou

privada para atuar no mercado. Ou seja, precisa, isso sim, é responder e

corresponder às reais necessidades da populaçao.

É

princIpio de sentido público

do dever cumprido para com o povo, que investiu através de impostos, ter a

satisfaçao de ver a capacidade de uma empresa brasileira que contribui e poderia

contribuir mais, assim como outras empresas públicas, para o desenvolvimento

do pais e do povo, ao invés de enriquecer grupos industriais, com seus lucros que

(26)

19 coisa. Esses grupos pouco contribuem para a diminuiçAo das diferenças sociais,

pois só visam os lucros cada vez maiores. Ou seja, a razão instrumental até as

últimas conseqOências, deixando a razao substantiva sempre no segundo plano.

4 - ÉTICA

E MERCADO; CONCLUSÃO

Como se pode conjugar modernidade e ética com uma visao de mercado, se o mundo atualmente está dMdido em 1/3 da humanidade na

prosperidade e 2/3 na pobreza. E isto sem levar em consideraçao os problemas

existentes nas economias desenvolvidas, de desemprego, de pobreza etc. Ou

seja, o futuro

é

tao incerto quanto o presente. Basta verificar o último relatório da

Organizaçao para a Cooperação e o Desenvolvimento EconOmico (OCDE) que

mostra que mais de 35 milhOes

de

pessoas estarao vivendo sem perspectiva

profissional no universo dos pafses desenvolvidos. A maioria delas sem qualquer esperança de reencontrar uma ocupaçao economicamente ativa. No quadro a

seguir, "o fantasma do desemprego" atinge os pafses desenvolvidos e ricos do

mundo, em 1994.

1/' ...

Desempregados (mlhOes)

81-80

I

1991

I

1992 1993 1994

Alemanha 2,1 2,6 3,0 3,9 4,4

Estados Unidos 8,2 8,4 9,4 8,9 8,4

1,5 1,4 1,4 1,7 1,8

7,4 7,4 7,9 8,3 8,6

20,3 21,2 23,3 24,4 24,7 7,1 7,2 8,1 9,6 10,0 Total da OCCE 28,1 29,4 32,5 35,1 35,7

...

(27)

-'

O importante, diante de um quadro têo grave e assustador como

este, que demonstra a crise da modernidade, é refletir sobre o papel que tem a

desempenhar o setor público, para a superaçao da crise econOmico-social que

atravessa o pais. O papel do Estado e das empresas públicas é de fundamental

importAncia para discutirmos uma nova ética produtiva, que vise o homem como

valor, e nao simplesmente como pura mercadoria descartável a qualquer

momento.

Existe, atualmente, uma pseudo-verdade histórica que é o mercado

como SOlUça0 para todos os males da sociedade. Isto é mais um MITO, que o

sistema vem tentando nos convencer, em tomo de uma modernidade baseada na

racionalidade instrumental visando, única e exclusivamente, o lucro a qualquer

preço. Isto, acarreta perda de valores sociais, aumentando as diferenças e os

antagonismo existentes na sociedade.

O Estado nao pode agir como uma empresa privada, simplesmente.

Nêo pode se tomar uma máquina perfeita, onde os cidadêos do só números. O

papel dos administradores públicos deve ser de recuperar sua importância como

cidadAos responsável pelo sentido e defesa dos interesses da populaçao.

As privatizaçOes atualmente realizadas no Brasil assemelham-se ao

processo ocorrido na África, no Zaire, a grosso modo. O Estado brasileiro

é

visto

como uma mercadoria, onde tudo tem que ser vendido como opçao para fazer

caixa às dfvidas contraldas no passado.

É

o Estado predatório, disfarçado de

moderno. Desfaz-se de patrimônio acumulado durante décadas de sacrifrcio do

povo brasileiro, como é o caso da CSN, a preço irrisório. Isto, além de anti-ético,

empobrece o Estado no momento em que mais precisa de recursos para se

(28)

21 A literatura especializada tem demonstrado,

de

forma muito clara,

que o sentido de desenvolvimento de um pais depende basicamente do Estdo

conseguir criar as condiçOes ideais para que tenha uma burocracia forte, capaz

de prover o aparelho de Estado com funcionários à altura das necessidades dos

objetivos traçados pelo governo. Isto

é

ser moderno e ético.

Outro aspecto importante

é

a questão do poder local, ou seja, a

descentralizaçao da administraçao pública como alternativa democrática para o

fortalecimento das instituiçOes, no

controle

dos tecnoburocrátas, e na cobrança de polfticas sociais consoantes com as reais necessidades da comunidade. Isto

é

modernidade, ou seja, o controle social sobre o dinheiro público e sua correta

utilização pelo Estado. Só desta maneira se contrói uma nova ética social, que

representa a construçao, ou melhor, a reconstruçao da

pólls,

com base em valores das instituiçOes democráticas e socialmente controladas pelo poder local,

através de suas várias maneiras de poder fiscalizador, como de conselhos

comunitários, por exemplo.

A polftica neoliberal, além de falaciosa, é também altamente

concentradora de rendas. Por isso, leva a desigualdades sociais, sem limites.

É

antagônica por essência ao bem-comum. Ou seja, no fundo é a negação a médio

prazo da própria

pólis,

ou seja, da cidade humana.

Desmistificar o mercado como agente regulador de atividades

econômicas sem intervençao do Estado só mesmo na Teoria Econômica, porque

na prática, torna-se necessário seu controle social, para restabelecer os valores,

ou seja, da ética privada para a ética pública.

A cada processo de privatização, conclufdo com a venda de

empresas públicas, ficamos mais próximos da África. Cabe ao administrador lutar

por uma nova maneira de administraçAo do bem público, através de modelos que

(29)

-'

possibilitem às empresas públicas cumprirem seu

pape',

com eficiência,

responsabilidade e sempre com senso do sentido público, como meta a ser

cumprida, visando o bem estar coletivo.

Para finalizar, por mais anomalias ou disfunçOes que apresente o

aparelho de Estado, o estudo da administração pública

é

fundamental para o

governo e também para a sociedade, por tornar possfvel uma açao governamental

mais eficiente, moderna, viável, consoante com valores sociais desejáveis.

5 -

RERRÊNCIAS BIBLI06ItÁf1CAS

LOBO, Thereza C. América Latina abre mercado de petróleo. Rio de Janeiro,

Jornal do Brasil,

1994,

p.

25.

O.T .. C.

Oftshore Techno/ogy

Conference

Award.

Conferência realizada

anualmente, em Huston, Texas.

EUA.

OECD.

Economlc Outlook,

junho de 1993.

PETROLEUM INTELLlGENCE WEEKLY. Texas, 1992.

Obs.:

Os países membros da OCDE são: Ám1lia, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Alemanha. Grécia, Islândia, Irlanda. Itália, Luxemburgo, Holanda. Noruega, Portugal, Suécia, Espanha. Suíça, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Finlândia,

(30)

o

ESTADO

.NO SETOR PRODUTIVO

BRASILEIRO DE PETRÓLEO

23

Carlos Edu.mo R.G. Qulntão

1 -

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem o propósito de examinar a presença do setor produtiVo

do petróleo dentro de um Estado com seu papel redefinido. A exposição aborda,

inicialmente, o papel do Estado como promotor de mudanças estruturais, ar

encarado como SOlUça0, até meados dos anos 70, quando o Estado começa a

perder sua capacidade de promover mudanças estruturais, surgindo, a partir

desse momento, a visao de Estado enquanto problema.

Em seguida, aponta para o que se denominou de "terceira onda" de

reflexa o sobre o papel do Estado, centrada no reconhecimento da importancla da

capacidade do Estado como promotor de ajustes estruturais.

'-\.

Neste contexto, procurou-se examinar o impacto de um possfvel ,,'

abandono do setor produtivo de petróleo pelo Estado, o que pode ocorrer nao

através de mudanças na Constituiçao vigente, com a quebra do monopólio ou,

ainda, pela inclusão da PETROBRÁS no processo de privatizaçao.

Conclui o trabalho por apresentar a proposta de uma PETROBRÁS

redefinida, porém, dentro de um contexto marcado pela presença do Estado na

área de petróleo, onde o monopólio exercido pela Companhia continue a ser

(31)

."

'.

! -

DESENVOLVIMENTO

A intervençao estatal é certamente um dos assuntos de economia e

polftica mais intensamente debatidos neste século. Há duas razOes para isso,

como afirma Bresser Pereira, uma factual e outra ideológica. "Por razOes

factuais, a intervençao estatal na economia

é

relevante porque os governos, em todo mundo, em parses ricos ou pobres, de qualquer ideologia, estio

permanentemente intervindo no mercado. Por razOes

ideológicas,

face os

diversos graus de intervenção estatal serem um critério básico para distinguir o

conservador do liberal, os neoliberais dos progressistas ou keynesianos". (Bresser

Pereira, 1992)

A teoria do desenvoMmento defendia a tese de que os aparelhos do

Estado podiam ser usados para promover a mudança estrutural da economia e foi

marcada por forte consenso keynesiano.

Até o inrcio dos anos 70, o Estado cumpre o papel de promotor das

mudanças estruturais, surgindo, a partir dos anos 80, a nova imagem do Estado

enquanto problema, por perder sua capacidade de promotor de mudanças

estruturais.

Nessa conjuntura o liberalismo entrou na crista da onda e se

transformou em panacéia.

Teorias minimalistas do Estado limitavam o âmbito de ação efetiva do

(32)

25

Na realidade, nao há prova de que o Estado ideal seja o minimalista. Da mesma forma, dizer, em princfpio, que a intervenção estatal

é

eficaz ou ineficaz nao tem sentido.

Ela pode ser eficiente ou ineficiente, necessária ou desnecessária, reduzida ou crescente, dependendo de cada situaçao especffica.

!.I -

O lISTADO COllO CI!NTllO DH PBOCIISSO DH AJlJSTB

ESTIlllTllllAL

É

fato, independentemente das diVersas posições ideológicas, que o Estado permanece central ao processo de mudança ou ajuste estrutural.

É inegável que o Estado teve e continua tendo um papel fundamental no desenvolvimento dos pafses do Leste e Sudeste Asiático, começando pelo Japao, e depois a Grécia, Formosa, Cingapura, Malásia e, mais recentemente, a Tailândia e Indonésia.

Assim, entende-se que a proposta, ao contrário do objetivo dos neoliberais, nAo seria o Estado mfnimo, mas a reforma do Estado de maneira que este se torne novamente capaz de formular e complementar polfticas econômicas .. : efetivas, ou seja, a sua reconstruçao e o "reconhecimento da Importância da capacidade do Estado, no sentido da perrcia dos seus tecnocratas e de uma estrutura institucional durável e efetiva

é

a principal caracterfstica do que se pode denominar de 'terceira onda' de pensamento sobre o papel do Estado na sociedade". (Evans, 1992)

(33)

"

R"a - A PRIISEKÇA DO SETOR PIlODlITlI'o ESTATAL

o

modelo de desenvolvimento brasileiro fundou-se, a exemplo do ocorrido em outros pafses de industrializaçao tardia, em uma particular simbiose

entre setor público, capital privado nacional e capital estrangeiro.

Ao Estado coube coordenar esta aliança, além de assumir diretamente

a responsabilidade por investimentos de vulto em infra-estrutura, dado o caráter

incipiente do capital privado nacional.

No caso do Brasil, o Estado sempre teve presença marcante na

economia desde a implantaçao da República. Remonta a década de 30 a idéia de

.;

que

o Estado deveria desempenhar a tarefa principal de vencer as barreiras ao desenvolvimento capitalista. Mas somente na década de 40 começou a atuar

decisivamente no setor produtivo.

Foi a partir de três setores de base da economia - siderurgia, petróleo e

energia elétrica - que

se

constituiu o núcleo do segmento estatal da economia.

Após 1950 o Estado retoma, como na primeira metade da década de

40, uma intervençâo consciente no processo de industrializaçAo. Neste sentido

vale destacar a constituiçêo do BNDE em 1952, que ganha relevo como tentativa

de equacionamento da questao da captaçao de recursos e do financiamento do

investimento.

Em

1953

foi decretado o monopólio do petróleo com a criaçao da

(34)

27

Sob o impulso do Plano de Metas do governo Kubitschek (1956-1960) a

industrialização brasileira sofreu transformações estruturais decisivas.

o

Plano consistiu em um esforço intensivo de industrialização em curto espaço de tempo, articulado diretamente pelo Estado.

Foi neste momento que o setor produtivo estatal tomou corpo, com a

materialjzação simultanea de vários projetos de grande porte.

A partir de 1968 até 1973, o crescimento econômico acelerou-se, dando

Infclo ao perfodo conhecido por "Milagre Brasileiro", caracteriZado peta crlaçao de

um número significativo de empresas estatais.

A partir de 1974 testemunhou-se o inIcio da reversao do ciclo

expansivo. Neste momento, o limite que começou a se impor originou-se das

restriçOes externas, com a crise internacional que começou a se declinar em

1973, com a

eclosão

do primeiro choque do petróleo.

A face externa da crise tem sua origem no processo de endividamento

externo crescente dos anos 70, para financiar os déficits em conta corrente

gerados com o primeiro choque do petróleo e os investimentos do setor produtivo

do Estado. É importante registrar que as empresas estatais foram utilizadas para

captar recursos externos.

Em 1970, sucedeu-se mais uma crise do petróleo, em meio

à

ascensao

das taxas de juros internacionais. A recessao mundial que se seguiu afetou

drasticamente a performance econOrnica do pais.

A face interna da crise, nao menos grave, resultou de uma acentuada

deterioração das finanças públicas.

(35)

."

Foi neste contexto que surgiu o processo de privatização das empresas estatais.

R.4 - PETIlOBIlÃS (PIllI'ATlZAÇAo OU 1I0XfJPÓUO)

A economia do petróleo compreende um elemento de risco que lhe é especIfico. Embora os derivados do petróleo, de aplicação quase tIo generalizada como a energia elétrica, possam ser supridos, no caso de diminuiçao da produçao interna pela importação, essa possibilidade tem suas IimitaçOes. A situação de dependência do exterior em que já se encontra o pais continuaria a agravar-se. Um racionamento no suprimento do produto poderá ocorrer em virtude do

peso

que venha a representar para o balanço de pagamentos a compra de quantidades crescentes de petróleo no exterior.

Essa insegurança em que se encontra o Brasil em relação ao petróleo, além de afetar diretamente as atividades que dele dependem, enfraquece a posiçao do paIs nas suas relaçOes econômicas. A orientação da poIltica econômica nacional não tem sido, nos últimos anos, em relação a essa indústria, a mais recomendável. A insuficiente aplicaçao de recursos na produçao de novos campos já descobertos poderá custar caro ao pafs.

(36)

29 desenvolvimento medíocre. Por outro lado, a solução empresa privada estrangeira

importaria em transferir para o exterior importantes poderes de decisão.

Se uma tal situação é aceitável em numerosos setores de atividade,

certamente nao o é em relaçao ao petróleo.

Do lado da empresa estatal há o risco de continuidade da interferência

governamental na gestao da PETROBRÁS, na utilizaçao da polltica de preços

públicos como instrumento de controle inflacionário, com suas conseqOências

nefastas nos investimentos da Companhia.

3 -

CONCLUSÃO

8.1 -

A PETROBRÁS RE.DEI'lNllJA

A PETROBRÁS, constitucionalmente responsável por abastecer o

mercado nacional de derivados de petróleo, nao se deve deixar inibir pela crise

que enfrenta hoje, uma das maiores que já conheceu. Ao contrário, deve

vislumbrar na crise o que ela

é

de fato: um convite ao descortino e um desafio ao

engenho.

A oportunidade que surgiu para reflexão aposta no sentido de que é

fundamental manter no Brasil o centro de decisOes numa atividade critica: a

produçao e o suprimento de petróleo e seus derivados. O monopólio exercido pela

PETROBRÁS precisa continuar a ser agente fomentador de desenvolvimento e

nao inibidor da criatividade nacional. Imobilizada pelo Estado a PETROBRÁS atua

no mercado mas nao pode responder aos seus estfmulos.

(37)

.

'li

A cura está na inovaçao de seu estatuto poUtico e administrativo,

passando a ser controlada por formas inovadoras de autonomia (Contrato de

Gestao) , direçao própria, planejamento de longo prazo, estratégias de

desenvolvimento, capacidade de inovaçao tecnológica e tendo o mercado como

critério de seu próprio desempenho. Deve inserir-se no contexto da 'erceira

onda", perseguir o interesse geral da sociedade como objetivo, produzindo em

função do bem-estar do conjunto, da sociedade, e nao para gerar lucros para

acionistas ou proprietários particulares .

• - BIBU06R1tFIIt

BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. A crise do Estado. Rio de Janeiro, Nobel,

1922.

CNI.

Seminário Internacional sobre Prlvatlzação

e

Desestatlzação, 1989.

EVANS, Peter.

The

State

as Problem and SoIutlon.

Princeton University Press, 1992.

FIGUEIREDO, Vilma.

Desenvolvimento

dependente

brasileiro

(industrialização, classes sociais e Estado). Rio de Janeiro, Zahar

Editores, 1978.

FORUM NACIONAL. A crise brasileira e a modemização da sociedade. Rio

de Janeiro, José Olympio Editora, 1990.

IPEA. Empresa pública no Brasil - uma abordagem multidisciplinar.

BrasUia, 1980.

MONTEIRO, Jorge Vianna. Macroeconomia do crescimento do governo.

INPES/lPEA, 1990.

(38)

A. EI.ETROBRÍtS NO CONTEXTO DA. ADMINISTRAÇÃO

PUBLICA BRASILEIRA.

31

Wilgner Costa Battaglia

1 - INTltODUÇÃO

A crescente utilizaçao da eletricidade nos últimos 15 anos do Século

XIX e as novas descobertas feitas no mesmo perfodo, causaram grande impacto

econômico: os Estados Unidos e alguns pafses da Europa constituem suas

primeiras empresas para gerar energia elétrica, possibilitando sua utilizaçao em

grande escala.

No Brasil, as "principais experiências com essa energia se faz no

inicio de 1879, com a permissao a lhamas Edson de introduzir aparelhos e

processos inventados pelo engenheiro norte-americano" (Cabral, Cachapuz e

Lamarao, 1988, p. 29).

Somente no final do ano de 1945 há uma efetiva intervençao do

governo federal na produçao de energia elétrica, com a criaçao da Companhia

Hidrelétrica do sao Francisco (CHESF), sendo permitida "a participaçao de

estados, municfpios da regiao do sao Francisco, os institutos de previdência e

particulares. A administraçao ficaria sob a responsabilidade de um presidente e

três diretores, eleitos pelos acionistas por um periodo de quatro anos"(Cabral,

Cachapuz e Lamarão, 1988, p. 51).

Em 1954 foi proposta a criaçao da Eletrobrás que seria responsável

por estudos e projetos, construçao e operaçao de linhas de transmissao e

(39)

.'

elétrico. Em 1962 a Eletrobrás foi efetivamente criada sem a parte referente

à

implantação da indústria pesada de material elétrico.

o

presente trabalho, por razao metodológica, foi dividido em dois perrodos: da criaçao da Eletrobrás até a chamada democratizaçao do Brasil

(1982) e da democratização até os dias de hoje.

2 -

AItDMINlSrRAçÃO ANTES DA DEMOCRATIZAÇÃO

Apesar do setor elétrico brasileiro sofrer forte influência das

empresas de energia elétrica norte-americanas, nao baseou seu sistema

administrativo totalmente nos modelos dessas empresas: somente algumas

funçOes foram introduzidas (contabilidade, controle de contrato, etc ... ).

Nao existia uma burocracia formal implantada: pode-se falar em uma

tecnoburocracia, em razao da especificidade da organização. Desde o infcio

havia um grande predomfnio dos engenheiros elétricos, criando-se um forte

sistema informal interno que se baseou na experiência adquirida por esses

técnicos na CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais) e na Universidade de

Engenharia de ltajubá (MG) e aplicada na administraçao da organizaçao .

Aspectos como tarefas orientadas por normas escritas, regras e

normas técnicas fixadas para o desenvolvimento de cada cargo, recrutamento por

concurso (provas meritórias), nao existiam até entao na Eletrobrás, permitindo a

utilizaçao fisiológica da organizaçao. Todo o primeiro escala0 era escolhido por

indicaçao polftica, geralmente pelos governadores ou bancada estadual de

deputados em razao do grande

peso

das concessionárias estaduais no setor elétrico. Do mesmo modo, a ascensão aos escalOes gerenciais intermediários

nao é feita através de processo padrao de promoçao interna e sim na base de

(40)

33

cargos e apoiadores

é

a essência da açao na organizaçao. Os primeiros

necessitam de apoio dos poHticos e os últimos, por sua vez, devem receber

incentivos suficientes para evitar que o apoio que têm se desvie para outros"

(Evans, 1993, p. 146).

Isso levou a um forte sentimento de corporativismo no interior da

organização, sendo as diferenças internas resolvidas sem afetar a eficiência e

eficácia da organizaçao.

É

importante ressaltar que o ambiente organizacional nao confirmou a hipótese de que a "competiçao pelo ingresso no serviço governamental

é

em

parte uma competição por rendas, conceituada em termos primários como

corrupçao", nao tendo assim papel preponderante no fornecimento do bem

coletivo (energia elétrica) (Evans, 1993, p. 84).

S -

A ADMINISTRAÇÃO APÓS A DEMOCRATIZAÇÃO

Com a democratizaçao do Brasil surge no Rio de Janeiro, no

sindicato dos engenheiros, um movimento para criar-se associaçOes de

empregados que representariam, a principio, os interesses dos assalariados, já

que os sindicatos tinham sido desmantelados pela ditadura militar.

Em 1983 foi criada a Associaçao de Empregados da Eletrobrás.

Pouco tempo depois de sua fundação e contando com a participação indireta do

presidente da época, Mario Bhering, torna-se um "subsistema" na administraçao

da Eletrobrás.

Existiu desde a sua criação uma preocupação crescente com o papel

da Eletrobrás no contexto sócio-econOmico do pafs, atestado com os dois

(41)

..

.

na sua história, a organizaçao abre se a um debate externo sobre sua atuaçao

como empresa pública e divulga dois Balanços Sociais da Eletrobrás,

patrocinados pela Associação, onde 75% dos empregados teve oportunidade de

expressar seus pontos de vista e suas expectativas em relação à organização.

Partindo do princIpio que a Eletrobrás tem um papel público, "na

medida que é parte de um ambiente social maior"(CNBB, 1993, p. 146), incluiu-se

nas suas preocupaçOes as relaçOes da organização com seus empregados, com

a sociedade brasileira e a organizaçao enquanto detentora de um saber

técnico-cientIfico.

Do ponto

de

vista do relacionamento com seus empregados foi

notável o avanço das relaçOes internas, com ênfase no racional substantivo,

possibilitando maior participação através de comissOes paritárias, acesso aos

cursos de promoçao profissional, implantação de algum critério de ascendo

profissional de modo meritório, a discussao da introdução de novas tecnologias e

principalmente a solicitaçao e o respeito às opiniOes internas de qualquer de seus empregados.

Em relação à sociedade brasileira houve grandes mudanças ao meio

circundante: começam a surgir problemas que nao eram do conhecimento da

sociedade. O de maior impacto é a questêo ecológica. O crescimento da

consciência ecológica da população provoca a criação da Associação dos

Atingidos pelas Grandes Barragens. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial exige

que toda usina a ser financiada tenha um projeto

de

impacto ambiental. A fim de

responder essas novas demandas é criado o Departamento de Meio Ambiente.

Finalmente, em relação ao saber técnico-cientffico, com a formulação

dos planos decenais houve um rico debate com outros atores externos ao seu

(42)

35 associações de classe permitiram chegar-se a um consenso em relaçao ao futuro

do setor elétrico brasileiro.

Atualmente, findado o "furacAo collorido" J a Eletrobrás sofre seus

efeitos mais profundos e imediatos. A reduçao do seu corpo funcional, obrigando

muitos a aposentadoria prematura, leva consigo uma parte importante da cultura

técnico-administrativa e desestrutura a organizaçao. O ambiente recessivo se

reflete no calote generalizado das concessionárias estaduais de energia elétrica,

que se negam a pagar a energia elétrica fornecida pelas empresas do sistema

Eletrobrás.

4 -

CONCLUSÃO

Apesar dos problemas enfrentados ao longo de sua existência, a

Eletrobrás soube muito bem usar o "seu jeito" como organizaçao para superar os

obstáculos e tornar-se nAo só a maior empresa brasileira bem como uma das

mais eficientes do mundo, apresentando fndices de qualidade iguais ou melhor

aos das grandes empresas similares dos pafses desenvolvidos.

Para finalizar, a certeza de que a participaçao do contribuinte no

Conselho de Administraçao da Eletrobrás, debatendo o modefo energético que

melhor se adequa às condições do Brasil, é tão importante quanto os aspectos da

organizaçao interna da empresa.

.

(43)

r

.

J

..

5 -

REFERÊNCIAS BIBU06RÃ.FICAS

CABRAL, LIgia M.; CACHAPUZ, Paulo B. e LAMARÃO, Sérgio

T.

Panorama

do Setor de Energia Elétrica

no

Brasil.

Rio

de

Janeiro, Memória da

Eletricidade, 1988.

CONFER~NCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

Ética:

pessoa e

sociedade.

Rio de Janeiro, Fundaçao Getulio Vargas, Manual EBAP/CIPAD,

1993.

EVANS, Peter. O Estado como Problema e Solução. Rio de Janeiro.

(44)

37

~AS.

PR06RAMA NUCLEAR E SOCIEDADE

Haroldo Barroso Junior

1 -

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo descrever algumas caracterfsticas

especrticas

do

ambiente administrativo em Furnas Centrais Elétricas S.A.

As considerações aqui colocadas retratam a experiência pessoal de

11 anos de atividades profissionais numa unidade regional (Central Nuclear de

Angra) dessa organizaçao.

Fumas, enquanto operadora e proprietária da Central Nuclear,

transforma-se em alvo da insatisfaçao popular. O estigma da responsabilidade por

algo inoportuno, "perigoso" e realizado com recursos públicos está sedimentado

junto à populaçêo.

Pretende-se aqui discutir o posicionamento da empresa no que tange

a sua relaçao com a sociedade. Nao há a intençao de diagnóstico, apenas de

praticar o direito e o dever de exercer posiçao a respeito dos fatos.

A responsabilidade, inerente a toda e qualquer empresa pública, de

gerar beneffcios para a sociedade, nao se pode restringir apenas

à

qualidade e

confiabilidade do produto ou serviço sob sua responsabilidade, mas também à

democratizaçao do processo produtivo através do estabelecimento de um

ambiente permanente de discussão com o corpo funcional e a sociedade.

...

(45)

""

.

2 -

DESENVOLVIMENTO

Em 1972, durante o governo de exceçao e seu "milagre econômico", foi implantado o Programa Nuclear Brasileiro. Desde essa

época

dispensa o governo qualquer discussao com a sociedade sobre a viabilidade técnica, econômica e polftica do empreendimento, evitando assim a canalizaçao de atençOes sobre as intençOes bélicas do mesmo. (Stieen, 1993)

Deve-se esse fato nao só ao momento polftico caracterizado pelo autoritarismo, mas também

à

nao identificaçao da necessidade de um programa de esclarecimento público, apoiado pela mfdia, com objetivo exclusivo de demonstrar a importância do empreendimento para o desenvolvimento do setor elétrico nacional.

A falta desse esclarecimento traz

à

populaçao, principalmente entre os habitantes das comunidades próximas ao empreendimento, sentimento de dúvida e medo.

Paralelamente a esse fato, dá-se infcio

à

formaçao do corpo funcional e entram em vigor os primeiros contratos para a construçao e montagem das usinas .

o

processo de seleçao de funcionários privilegia o mérito na maior parte dos casos e indicações polfticas para alguns cargos com alto poder de decisao. Surgem dúvidas a respeito dos contratos, veiculadas pela imprensa.

Referências

Documentos relacionados

O Museu Digital dos Ex-votos, projeto acadêmico que objetiva apresentar os ex- votos do Brasil, não terá, evidentemente, a mesma dinâmica da sala de milagres, mas em

nhece a pretensão de Aristóteles de que haja uma ligação direta entre o dictum de omni et nullo e a validade dos silogismos perfeitos, mas a julga improcedente. Um dos

Equipamentos de emergência imediatamente acessíveis, com instruções de utilização. Assegurar-se que os lava- olhos e os chuveiros de segurança estejam próximos ao local de

Para Vilela, embora a locação de bens móveis não seja contrato de prestação de serviços (aquele que dá origem a uma obrigação de fazer, enquanto a locação gera a obrigação

A prova do ENADE/2011, aplicada aos estudantes da Área de Tecnologia em Redes de Computadores, com duração total de 4 horas, apresentou questões discursivas e de múltipla

O objetivo deste experimento foi avaliar o efeito de doses de extrato hidroalcoólico de mudas de tomate cultivar Perinha, Lycopersicon esculentum M., sobre

17 CORTE IDH. Caso Castañeda Gutman vs.. restrição ao lançamento de uma candidatura a cargo político pode demandar o enfrentamento de temas de ordem histórica, social e política

O enfermeiro, como integrante da equipe multidisciplinar em saúde, possui respaldo ético legal e técnico cientifico para atuar junto ao paciente portador de feridas, da avaliação