--~
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
ESCOLA BRASILEIRA DE ADl\.fiNISTRAÇÃO PÚBLICA
CADERNOSEBAP
MARÇO DE 1995
o
SETOR ENER6ÉTICO E A REDEf1NIÇÃO DO
ESTADO
BRASILEIRO
CADERNOS EBAP
Rio de Janeiro - Brasil
CADERNOS E B A P
Publicação da ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA da FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS para diwlgação, em caráter preliminar, de trabalhos acadêmicos e de consultoria sobre Administração Pública.
DIRETOR DA EBAP
Annando S. Moreira da Cunha
CHEFE 00 DE.".. DE PESQUISA E PUBUCAÇOES
Fernando Guilherme Ten6rio
EDITORA RESPONsAVEL
Deborah
Moraes
ZouainCOMnt EDITORIAL
Corpo docente da EBAP
EDITORAÇÃO
Grupo Editorial da EBAP
o
texto ora diwlgado é de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), sendo pennitida asua reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
CORRESPOND~NCIA:
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Praia de Botafogo, 190, sala 508 Botafogo - Rio de Janeiro -RJ CEP 22.253-900
Telefones: (021) 536-9145 551-8051
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RlNDAÇÂO GETYllO VARGAS
REVISTA DE ADMINISTRAÇAO PUBLICA
RAP
-ASSINAnJRA DE REVlSD1 TÉCNlCO-ACADÊMICA INDICA
PROFISSIONAlISMO
VOCÊ TERÁ A OPORTUNIDADE DE LER IMPORTANTES MATÉRIAS SOBRE:
•
•
•
•
GESTÃO INTEGRADA DE PROGRAMAS PÚBliCOS
POLÍTICAS PÚBLICAS: SAÚDE, .~OCIAI .. , MEIO AMBIENTE ETC.
PROCESSO DECISÓRIO
GERÊNCIA DE ORGANIZAÇ()ES E EMPRESAS PÚBliCAS
VIS/TE A LIVRARIA DA FGII.
DISPOMOS DE NOMEROS AVUlSOS.
INFORMAÇOES E ASSINATURAS
FLTNDAÇÃO GETULIO VARGAS - ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO Pé.TBUCA
-EBAP-P.R.AlA DE BOTAFOGO, 190 -5" ANDAR TEL 5J6-9U5
551-8051
.
'o
primeiro passo
é
o
reconhecimento de suas necessidades .
A Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio
Vargas oferece seus 41 anos de experiência ao Setor Público e Privado.
DCT - Departamento de Consultoria Técnica
SUMARIO
Pago
APRESENTAÇÃO
O CONFLITO SOCIAL: ÉTICA. ORGANIZAÇOeS E ESTADO ... 01
EMPRESA PÚBLICA, ÉTICA E MERCADO ... ... 13
o ESTADO NO SeTOR PRODUTIVO BRASILEIRO DE PETRÓlEO ... 23
A ELETROBRÁS NO CONTEXTO DA ADMINISTRAÇÃO PúBLICA BRASILEIRA. 31
.
.
f
o
presente CADERNOS EBAP tem o propósito de examinar a presença dosetor energético dentro de um Estado com seu papel redeftnido.
A exposiçlo aborda, inicialmente, o papel do Estado como promotor de
mudanças estruturais, encarado como SolUça0, até meados dos anos 70,
quando começa a perder sua capacidade de promover mudanças estruturais, surgindo, a partir desse momento, a visao do Estado enquanto problema.
Em seguida, aponta para o que se denominou de "terceira onda" de reflexAo sobre o papel do Estado, centrada no reconhecimento da importancia de sua capacidade de promover ajustes estruturais .
Neste contexto, procurou-se examinar o impacto de um posslvel abandono do
setor produtivo estatal, que pode ocorrer n10 só através de mudanças na
Constituiçlo vigente, ou ainda, pela inclusão das empresas produtivas do Estado no processo de privatizaçlo.
As considerações aqui colocadas partem de experiências profissionais
especificas nas empresas Eletrobrás, Furnas e Petrobrás.
Pretende-se discutir, também, o posicionamento da empresa estatal no que
tange a sua relaçlo com a sociedade e sua contribuiçlo para a superaçlo da
crise econ6mico-social.
Nlo há a intençao do diagn6stico, apenas de praticar o direito e o dever de
exercer posiçlo a respeito dos fatos.
Todos os trabalhos foram elaborados, em setembrol93, para a disciplina Teorias da Administraçlo Pública, ministrada pelo Prof. Fernando Guilherme
Too6rio, do Curso Intensivo de P6sGraduaçAo em Administração Pública
o
CONFLITO SOCIAL: ÉTICA, OR6ANlZAÇÕES E ESTADO
José Carlos d. Freitas Felix
1 - IIITRODUÇÃO
Os preceitos sociais geraram para o homem uma relação de
interdependência que o induziram a procurar formas de organização para
diminuir o tempo gasto na execução de determinadas atividades,
principalmente aquelas relacionadas com suas necessidades primárias e de
segurança.
.
.
f
2 - TERRA, CAPITAL E PODER: AS RAZÕES AtTICAS
Resguardando-se a época das investigações, reconhece-se que
o discernimento humano imptica apropriação de valores que determinam seu
modua vlvendl.
Neste sentido, o objeto da ética apresentado por GeorgeEdward Moore (1974), nAo difere daquele apresentado pela CNBB (1993).
No entanto, a argumentação de Max Weber (1974) provoca um
deslocamento que altera o foco
("Lembra-te de que tempo é dinheiro".
"Lembra-te de que o crédito é dinheiro". "Lembra-te deste refrão: o bom
pagador é dono da bolsa alheia ". "As mais insignificantes
aç~esque afetem o
crédito de um homem deve ser consideradas")
de discussão, pois nos traz oconceito de poder pecuniário, como princípio de dignidade humana, bem
como procura justificar
("Alguns éticos daquele tempo, especialmente
daescola nominalista, aceitaram como fato o desenvolvimento de formas
denegócio capitalista e tentaram,
nãosem contradições, justificá-Ias, mais
especialmente o comércio, como necessárias, e a "indústria" que nele se
desenvolvem, como fonte de lucros legitima e eticamente inquestionável ... "
p.
203) a apropriação ética das variáveis econômicas.
Para complementar esse preâmbulo, pode-se agregar
à
ética
protestante
os conceitos formulados por Thorstein Veblen (1974), ondeexiste uma análise sociológica fundamentada em parâmetros pecuniários (tiA
instituição
deuma classe ociosa é o resultado de uma discriminação, bem cedo
estabelecida, entre diversas funçlJes, segundo a qual algumas são dignas e
outras indignas. Estabelecida a discriminação, as funções dignas são aquelas
3
diárias rotineiras em que nenhum elemento espetacular existe"
p. 282), de ondese deduz a existência de um novo foco de investigação dos princrpios éticos.
Desta forma, a fragmentação da sociedade não pode ser
atribuída a indivíduos ou a qualquer grupo étnico, mas sim
à
escassezcontrolada de bens economicamente valorizados. A
estes
atribui-se o valorintrínseco do poder, que, conforme preconiza AMn ToffIer (1980), tem a
função de alvo imóvel que, para ser atingido,
é
necessário que asformalidades sejam postergadas. Na utilização de qualquer recurso para a
obtençAo do poder devem ser observadas caracterrsticas econômicas do
foco ético contemporâneo (
"Os membros da comunidade que não atingem este
padrlJo de proeza ou de riqueza, indefinidos embora, sofrem na estima de seus
companheiros: conseqiJentemente sofrem também na sua própria estima,
jáque
a base usual da própria estima é o respeito dos outros. Somente os indivlduos
de temperamento excepcional conseguem, diante
da desaprol'açOo
dacomunidade, conservar em última análise a própria estima. Aparentemente,
existem exceções a esta regra, especialmente entre pessoas
defortes convicções
religiosas;
mas estas exceções aparentes
nãose podem considerar como
exceções reais, porque tais pessoas se apoiam, usualmente, na aprovaçlJo
presunúvel, de alguma testenlUnha sobrenatural de suas açlJes .... ", p. 293).
É
esse
paradigma (" ...Não é a propriedade que importa ... é o controle. E como
Exec:u/ivu-Chefe é isso que eu tenhu. Vamos ter uma assembléia dos acionistas
na próxima semana e tenho
97%dos votos. E possuo apenas mil ações. O
controle
éo que
éimportante para mim ... Ter o controle deste
grandeanimal e
usá-lo
deuma maneira construtiva,
éo que eu quero, mais do que fazer coisas
tolas que outros querem que eu faça",
p. 75) que fomenta a necessidadede
-
....
.
razões econômicas, contrapondo-se, desta forma, ao ethos
mythos
fundamentado pelo
myatlkos
na interpretação dos teólogos.Observa-se, portanto, que o indivíduo usa de seu arbítrio para
apropriar-se dos valores reconhecidos como verdadeiros, pelo
ethos
mythos,
difundidos pelos sacerdotes ou pelo elhosaeconomlcu,
emancipado pelos conceitos neoliberais, buscando compensar a ausência do
ethos cultura,
cujas variáveis têm aplicação social i ntegrativa ,universalmente reconhecida, e que em suas características subjetivas exige
maior participação do homem que, para apropriar-se de seus fatores, teria
que dissipar energia intelectual ao invés de utilizar-se da terra, capital e do
poder para refazer seus princípios éticos.
3 - A SOCIEDADE E SUAS OR6ABIZAÇÕES
A evolução das organizações mostra seu caráter serviente, como
a define Amitai Etzioni (1964), com relação à sociedade que se abriga nos
seus fins, como demonstra Peter F. Drucker
({Ia interdependência das
organizações
édiferente
de
qualquer coisa que o tenno tenha significado antes.
É
claro que o falo de que nenhum homem é ilha na sociedade não é novidade.
Também
ndoé novidade que todos nós, inclusive o ermttdo, só podemos viver à
nossa própria maneira porque existe a garantia
deque muitas outras pessoas
trabalharão para nós ",
p. 201) que, ao caracterizar o comportamentodo
indivíduo na sociedade (Smith, 1974), evidencia a dependência da
comunidade em relação aos serviços das instituições.
No entanto, a absorção de novas tecnologias fez surgir o
paradigma organizacional conflitante com a pluralidade cultural da sociedade,
5
que as transformações ocorridas nas linhas de produção. Este fato
fundamenta o aparente paradoxo da dicotomia da organizaçAo e sociedade
pois, na verdade, o foco do conflito
está
noethos aeconomlcu
dosindivíduos que dirigem as organizações, orientados pelos principios
neo-liberais proferidos por Milton Friedman que, apesar
de
ser conhecedor dasconseqüências decorrentes da aplicação do paradigma da economia
clássica, preconizado por Adam Smith (1974), nlo se abstem em readaptar
o
laluez-'aire
à sociedade pós-modema.Observa-se que as etapas
de
transformação de um produto ouserviço exigem que as organizações se adaptem, constantemente, às
necessidades do usuário. A "racionalidade instrumental" (TerlÓrio, 1993) não
representa a
prax/s
administrativado
mundo pós-moderno, pois, segundoAlvin ToffIer (1985),
é
imperativo a capacidade de readaptação dasorganizações às exigências do mercado. Conseqüentemente, as barreiras
ao avanço da "racionalidade substantiva" (Tenário, 1993) 010 estio na razão
tecnológica em si, mas no seu uso como instrumento
de
poder e dominação.O comportamento administrativo do
'actotum
fundamenta-se, por um lado,nas razões do grupo econômico que representa (Melhikov, 1978), e, por
outro, nos valores econômicos gerados na própria sociedade, que, despida
de princípios éticos baseados em razões sócio-culturais, classifica as
organizações segundo parâmetros econômicos e não pelo seu grau de
.,
".
4-ADMU~TRAÇAoPÚBUCA:
O PARADOXO DA pmOmDADE
BRASILEIRA
A conjuntura internacional sempre influenciou, de alguma
maneira, na formulaçAo de políticas das regiões descolonizadas: programas
econômicos que beneficiaram os países asiáticos ou os conflitos sobre
delimitaçao
de
fronteiras do continente africano; no caso brasileiro,evidencia-se o patrulhamento ideológico que, em consonância com a interpretação de
John Kenneth Galbraith (1988), implicou conseqüências devastadoras para a
administração pública.
o
desenvolvimento econômico propiciado pela Teoria Keynesiana(Keynes, 1988), defrontou-se no Brasil com algumas particularidades que
colaboraram para a formação do labirinto de análise das instituições
públicas, tais como: a necessidade de modernizaçao das organizaçOes
públicas, que atuavam segundo o paradigma liberal (Smith, 1974): o
imperativo da implementaçao de organizaçOes que servissem de base ao
efetivo avanço econômico e tecnológico, sem, no entanto, transgredir os
conceitos ideológicos (H ...
Com a Guerra Fria, porém, a palavra planejamento
adquiriu uma grave conotaçOo ideológica.
Os países comunistas MO só
socializaram a propriedade, o que não parecia ser forte possibilidade nos
Estados Unidos, como pllRJejaram, o que parecia mais perigoso ainda. Como a
liberdade naqueles palses se achava circunscrita, seguia-se, pois que o
planejamento era algo que a soctedade ltbertária deveria evttar ... ",
p. 29)assimilados pela classe dirigente do país.
Baseando-se nestas razões, o modelo administrativo mais
7
implementaçAo dos conceitos werberianos (Weber, 1974), principalmente
pelas características classificadas como "tipo ideal", que acolhem,
perfeitamente, o comportamento neo-colonialista da classe dominante
brasileira, que mantém o Estado refém dos conceitos que caracterizam as
capitanias hereditárias
(Jomal
doBrasil,
1993), tanto para as organizaçõesda administração direta, quanto para as empresas públicas destinadas a
substituir a incapacidade de investimento do setor privado.
Observa-se, portanto, que o paradigma burocrático, quando
aplicado às instituições públicas da administração direta, adequa-se
perfeitamente, excluindo-se as disfunções provocadas pela influência política
e a relação
de
poder reivindicada pela classe dominante. Estes fatores, aliás,comprometem a eficácia das organizações, como comprova Peter Orucker
(1984) ao analisar o desempenho das entidades prestadoras de serviços.
As razOes desenvolvimentistas aliadas às razões
comportamentais fizeram surgir uma empresa pública caracterizada pela
exigência de um modelo paramétrico, que otimiza a eficácia
de
suas metas eaumenta sua eficiência ao apropriar-se da tecnologia moderna desenvolvida
por um paradigma administrativo contingencial, no seu aspecto operacional
relativo aos objetivos.
Portanto, nestes fatores, assenta-se o paradoxo da
administração pública brasileira, que impOe ao governo a dificil tarefa de
definir uma política que compatibilize os interesses dos vários setores da
sociedade, sem desviar-se dos fins e objetivos do Estado. No entanto, pelas
razões já descritas, o Estado foi induzido a optar, prioritariamente, pela
implantação de organizações que absorvessem tecnologia de ponta em
.
.
Ir
..
detrimento da consolidação, manutenção e investimento nas instituições
prestadoras de serviços.
A vulnerabilidade do Estado brasileiro a pressões de grupos
sociais induz à observaçAo de Thomas Paine ( "...
Todas as entidades
precisam ser eficientes. Como geralmente
nOohá concorrência no campo dos
serviços, falta às entidades que operam nessa área aquele controle extemo e
forçado de suas despesas a que estão submetidas as empresas nos mercados
conco"enciais. Alas o problema básico dessa entidade não
éa de suas altas
despesas e sim o dafalta de eficácia. Algumas
dela~são até muito eficiente, mas
têm a
propensão
de fazer
ascoisas e"adas" -
Drucker,1984,
p.
158),
queremete aos govemOQ a existência de distinções sociais ('~4
sociedade
éproduzida pelas nossas necessidades, e
o
governo pela nossa maldade: a
primeira promove positivamente a nossa ventura unindo os nossos afetos,
enquanto o segundo o faz negativamente refreando os nossos vícios. A primeira
é uma patrocinadora, o segundo um presumidor" -
Paine, 1973, p. 51),antagonizado por John F. Kennedy
("Não pergunte o que sua pátria pode
fazer por
voc~- pergunte o que você pode fazer por sua pátria" -
Friedman, s/d, p. 11) que induz o cidadão americano a comprometer-se com as políticas dogovemo, no sentido de consolidar as instituições públicas e fortalecer o
Estado. Semelhante acontece no Brasil através do falacioso slogan "Brasil,
ame-o, ou deixe-o", amplamente divulgado nos anos 70, cujo objetivo era
criar condições para o desenvolvimento e absorção de tecnologia nos
setores definidos como economicamente prioritários (Galbraith, 1988), fato
que levou
à
modernização e implantação de empresas, como a Petrobrás,Eletrobrás e Furnas (4.11), cuja eficiência transforma-as em alvo da
ambição econômica dos neoliberais que, a pretexto da necessidade de
9
empresas, tal qual ocorre com o sistema previdenciário, a educação pública
e o sistema de saúde.
S -
CONCLUSItO
A evidência de que as organizações surgiram em função da
necessidade humana, define que o seu perfil será sempre o reflexo do
comportamento social.
Ressalta-se que a prática do heteronomismo pelo coletivo social,
que transfere para as organizações e, até mesmo para a Ciência
Administrativa, o desconforto de se ter o
ethos cultura
relegadoà
posiçãosecundária, em relação ao
ethos aeconomlcu,
induz o homem a acentuaro comportamento informal nas organizações e uma postura classista
emulativa
(Jornal do Brasil,
1993). Nem mesmo a condição de professor eintelectual consegue evitar o comportamento classista e a prática da
emulação social.
As evidências permitem a conclusão de que o equilíbrio social só
será atingido quando a divisa0 do trabalho não significar divisão social,
quando a tecnologia estiver a serviço do homem e não o inverso, ou quando
o Estado deixar de servir a grupos sociais e impor-se como instrumento de
aglutinação social.
.
••
'.
6 - RUERtNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Ética:
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Tradução de Cartos A.Malferrari, ~ edição, SAo Paulo, Ed. Pioneira
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Tradução de A.B. Pinheiros de
Lemos, 3
aedição, Ed. Record, 1985.
TRABALHOS APRESENTADOS NO CIPAD-EBAP/FGV-93/94: JUNIOR,
Haroldo Barroso.
FumasPrograma
Nucleare
Sociedade.BATIAGLlA, Wagner C.
A
Eletrobrásno
Contextoda
Administração Pública Brasileira.
QUINTÃO, Carlos Eduardo R.G.
O Estado,
com
papel
redefinido,no
setor produtivodo
Petróleono
Brasil.MARTINELLI, Hasenclever S.
Empresa Pública. Étlcae
Mercado.
"
•
VEBLEN, Thorstein .. Emulação Pecuniária. Capo 11. Os Pensadores. 1a
edição, Vol. XL,
2174.
WEBER,
Max.A
ética protestante e o espírito do capitalismo. Capo11
eV.
Os
Pensadores.
18 edição, Vol. XXXVII, 5f74, Abril Cultural._ _ _ _ _ . Ensaios de sociologia e outros escritos. Seleção de Maurício
Tragtenberg. Os Pensadores. VoI. XXXVII, 1a edição, 5174, Abril
13
EMPRESA PÚBLlCA_ ÉTICA E MERCADO
Hasenclever S. Martinelli
"O reino da liberdade só começa realmente quando cessa o trabalho que é
determinado pela necessidade e pelas consideraç6es mundanas".
Karl Marx
"Pense nas estrelas que vemos à noite, esses vastos mundos que jamais
poderemos atingir. Eu anexaria os planejas, se pudesse."
Cecil Rhodes
1 -
INTRODUÇÃO
Ao se ler qualquer jornal ou revista especializada, ao se ligar a TV,
depara-se com um assunto chave: o papel do Estado na economia de mercado.
Ou seja, qual o papel a ser desempenhado pelo Estado, para que
possa
atender as reais necessidades da populaçao em serviços básicos como: transportes,habitaçao, saúde e educaçao. Nesse sentido, as discussOes sobre a relevancia
ou nao do Estado estar presente como força produtiva no mercado tornam cada
vez mais este assunto importante, devido aos vários interesses que concorrem
para sua expticaçao, enquanto fenômeno econômico-polftico-socia', do próprio
desenvolvimento capitalista. Por mais que correntes neoliberais desejem que o
Estado nao interfira no mercado, em algum momento isso se faz necessário,
devido à própria incapacidade do mesmo de se auto-regular.
Na abordagem marxista, o Estado
é
tido como representante daclasse dominante e, por conseguinte, por mais contraditório que
possa
parecer, ao interferir na economia o faz para beneficiar e garantir que a propriedade e osmeios de produçao continuem nas maos
da
burguesia. Ou seja, o Estado, ao \.)
•
final, legitima o poder da propriedade individual, pelo fato de nAo abrir
possibilidade para uma transformação da mesma em coletiva.
Já a abordagem liberal ou neoliberal, considera o Estado como o
grande responsável da crise estrutural, quando este intervem no mercado. Pois,
ao fazê-Io, desorganiza os "instrumentos naturais" que 510 a oferta e a procura,
elementos reguladores das necessidades e demandas sociais.
Diante de duas posiçOes antagônicas quanto
à
atuaçAo do Estado na economia e sua função social, vive-se hoje uma realidade favorável à segundateoria, devido aos vários acontecimentos, como o fim da URSS e do bloco
socialista e do "sucesso" de medidas neoliberais em alguns pafses que adotam
uma polftica de mercado mais ortodoxo, onde o Estado tem pouca presença.
Os defensores da economia de mercado e da reforma estrutural no
Brasil estêo cada vez mais certos dos maleflcios que o Estado representa na
economia. Por isso, diariamente há um bombardeio de informações nos meios de
comunicação, a respeito da incapacidade do setor público em atender às
necessidades sociais e gerenciar atividades tidas como exclusivas do setor
privado, reforçando a visão que o Estado tem que atuar única e exclusivamente,
em áreas básicas no atendimento a populaçao, como já descrita acima. Será isto
verdadeiro no Brasil e no mundo, ou
é
mais uma maneira de restringir a questãodo papel do Estado a áreas onde os investimentos &ao altos e poucos lucrativos,
deixando para a iniciativa privada, ou transferindo para a mesma, atividades
altamente lucrativas (para grupos empresariais).
Como virou moda afirmar que o únICO caminho para o pais sair deste
atoleiro econômico e social que se encontra é privatizando as empresas públicas,
cabe uma reflexêo se é desta maneira que recuperaremos o sentido público do
15
degradante. de um pafs que tem 2/3 de sua populaçlo vivendo na miséria. onde
os recursos públicos escassos sêo consumidos pela corrupção e pelo descaso
das autoridades públicas, por uma indefiniçao do "sentido público das
instituiç6es" e seu dever para a sociedade como um todo.
Por isso. o presente trabalho tem como objetivo principal levantar a
questlo da funçlo da empresa pública no momento atual e sua contribuiçao para
a superaçao da crise econOmico-social. que vivemos. tendo em vista ser o Brasil a
oitava economia industrial do mundo.
Outro ponto importante é saber se podem conViver ética e mercado,
dentro de uma vido mais humana e menos tecnicista. nas relaç6es de produção
existentes, onde a razao instrumental
é
levada a sobrepor os valores da razaosubstancial.
Outro aspecto. é a atual crise da Modernidade. Vivida pelos palses
desenvolvidos. que coloca problemas que provocam a reflexlo sobre a realidade e
o futuro do pais.
2 -
PARA. ONDE VAMOS!
o
Brasil se encontra num impasse: tem que moderniZar sua economia e, ao mesmo tempo, resgatar sua enorme divida social, acumulada porvárias décadas de descaso governamental com a populaçAo, onde 213 da mesma
encontra-se fora dos beneficios gerados por uma economia que
é
a oitava domundo industrial.
As afirmações do incisivas quanto ao tempo perdido pelo paIs,
devido à falta de uma reforma profunda na estrutura do Estado, ou seja, só se
i.
-'
conseguirá recuperar o tempo perdido quando se privatizar as empresas públicas,
com o argumento de que são empresas ineficientes e que nao conseguem
competir sem subsldios do governo e que
sódao prejulZo
a
Naçao. Além,
é
claro,
de estarem sem capacidade técnico-gerencial adequada para os tempos
modernos, devido
à
falta de uma vi&ao mais clara sobre a realidade, ao
"corporativismo" que reduz a interesses particulares o que deveria ser público. Ou
seja, &ao uma "caixa preta".
É
a Tecnocracia das Estatais.
Essas afirmaçOes sao feitas diariamente nos meios de comunicaçao,
e toma confuso saber o real papel da empresa pública no contexto atual. Por isso,
tem-se, InfelIZmente, o processo
deprivatiZaçao como o único melo "eficaz" de
recuperar a capacidade do Estado de voltar a investir em áreas sociais, segundo
os arautos do neoliberalismo no Brasil e no exterior.
Ora, cabe uma pergunta. Será passlvel ao paIs sair desta crise sem
a participaçao do setor público produtivo, ou só privatizando as empresas estatais
rentáveis, ·como tem sido feito até agora, é que o Estado conseguirá resolver os
graves problemas que nos afligem, como a miséria e a fome?
17
3 - O CASO PETROBRÁS
A privatizaçlo da Petrobrás é a mais polêmica de todas. E por quê?
Sua criaçao é o resultado de uma campanha nacional em defesa de uma
matéria-prima, considerada ainda o "Ouro Negro" do mundo, responsável por guerras e
pelo desenvolvimento de todos os
pafses.
Por isso, chega a ser ridiculo os motivos apresentados para a privatizaçAo da Petrobrás. Alguns dados a respeitodessa empresa publicados pela Revista norte.americana FORDES 510 bem
consideráveis. Ela publicou, em julho de 1992, matéria intitulada "Petrobrás:
Brazilian technology for the wordy", que destaca o prêmio recebido na O. T. C. (Offshore. T echnology Conference Award) pelos recordes mundiais estabelecidos
com a tecnologia de produçao em águas profundas.
A revista Petroleum Intelllgence Weekly, ediçêo de novembro de
92, divulgou a seguinte classificação da Petrobrás: - 180 Companhia de petróleo
do mundo; maior rndice de crescimento desde 1987, entre as 50 maiores
empresas do mundo do setor de petróleo; IIder mundial na produção em águas
profundas; 10a do mundo em capacidade de refino. Essas informaçOes
demonstram, por si só, a importância da Petrobrás para o desenvolvimento do
pais e o que vem a representar para a
economia
nacional sua privatizaçao (para'.
t
as multinacionais, devido ao seu valor, 120 bilhOes de dólares. Para Harper, da <
Texaco: "as multinacionais estêo interessadas na América Latina devido
à
reservade 123,8 bilhOes de barris e pelo muito a explorar e produzir. Mesmo porque os
Estados Unidos consomem 15 milhOes de barris/dia, produzem apenas metade e
suas reservas, de 32 bilhOes de barris, dêo apenas para dez anos" (Lobo, 1994,
p. 25). Temos um exemplo claro da importancia do petróleo, como da Petrobrás
contribuir, nas mlos do Estado, para questOes estratégicas em termos do futuro
O objetivo de revelar alguns feitos da Petrobrás, com informações de
revistas estrangeiras,
é
levantar algumas questOes de como se conseguiuestruturar uma empresa de petróleo com eficiência comprovada
internacionalmente em apenas 40 anos de existência. Por isso, não se justifica a
pretensao de privatizá-Ia, argumentando ineficiência de seus funcionários, ou
porque fere o mercado por ter o monopólio do setor, a não ser por entreguismo,
tomando a economia cada vez mais dependente externamente das potências que
querem áreas de reservas de petróleo, garantindo desta maneira matéria-prima
para suas economias continuarem a crescer.
o
sucesso da Petrobrás reside no fato de como ela foi criada, ou seja, com uma ampla mobilização da consciência nacional em torno da questão-' estratégica do petróleo. Sua estrutura organizacional nao foi afetada pelo
empreguismo dominante no paIs. Até pelo tipo de profissional que necessita nesta
área, exige uma seleçao de pessoal qualificado. Outra coisa, reside no fato de ter
uma área de recursos humanos forte, que possibilitou ter um plano de cargos e
carreiras como nenhuma outra estatal no paIs. E, apesar de ultimamente, ter-se
um presidente em média a cada seis meses, isto não consegue abalar o moral de
seus funcionários. O tipo ideal de burocracia Weberiano se enquadra na estrutura
organizacional da Petrobrás, com certeza, pelas caracterlsticas destacadas
acima.
Isto vem a provar que nao interessa &e a empresa é pública ou
privada para atuar no mercado. Ou seja, precisa, isso sim, é responder e
corresponder às reais necessidades da populaçao.
É
princIpio de sentido públicodo dever cumprido para com o povo, que investiu através de impostos, ter a
satisfaçao de ver a capacidade de uma empresa brasileira que contribui e poderia
contribuir mais, assim como outras empresas públicas, para o desenvolvimento
do pais e do povo, ao invés de enriquecer grupos industriais, com seus lucros que
19 coisa. Esses grupos pouco contribuem para a diminuiçAo das diferenças sociais,
pois só visam os lucros cada vez maiores. Ou seja, a razão instrumental até as
últimas conseqOências, deixando a razao substantiva sempre no segundo plano.
4 - ÉTICA
E MERCADO; CONCLUSÃO
Como se pode conjugar modernidade e ética com uma visao de mercado, se o mundo atualmente está dMdido em 1/3 da humanidade na
prosperidade e 2/3 na pobreza. E isto sem levar em consideraçao os problemas
existentes nas economias desenvolvidas, de desemprego, de pobreza etc. Ou
seja, o futuro
é
tao incerto quanto o presente. Basta verificar o último relatório daOrganizaçao para a Cooperação e o Desenvolvimento EconOmico (OCDE) que
mostra que mais de 35 milhOes
de
pessoas estarao vivendo sem perspectivaprofissional no universo dos pafses desenvolvidos. A maioria delas sem qualquer esperança de reencontrar uma ocupaçao economicamente ativa. No quadro a
seguir, "o fantasma do desemprego" atinge os pafses desenvolvidos e ricos do
mundo, em 1994.
1/' ...
Desempregados (mlhOes)
81-80
I
1991I
1992 1993 1994Alemanha 2,1 2,6 3,0 3,9 4,4
Estados Unidos 8,2 8,4 9,4 8,9 8,4
1,5 1,4 1,4 1,7 1,8
7,4 7,4 7,9 8,3 8,6
20,3 21,2 23,3 24,4 24,7 7,1 7,2 8,1 9,6 10,0 Total da OCCE 28,1 29,4 32,5 35,1 35,7
...
-'
O importante, diante de um quadro têo grave e assustador como
este, que demonstra a crise da modernidade, é refletir sobre o papel que tem a
desempenhar o setor público, para a superaçao da crise econOmico-social que
atravessa o pais. O papel do Estado e das empresas públicas é de fundamental
importAncia para discutirmos uma nova ética produtiva, que vise o homem como
valor, e nao simplesmente como pura mercadoria descartável a qualquer
momento.
Existe, atualmente, uma pseudo-verdade histórica que é o mercado
como SOlUça0 para todos os males da sociedade. Isto é mais um MITO, que o
sistema vem tentando nos convencer, em tomo de uma modernidade baseada na
racionalidade instrumental visando, única e exclusivamente, o lucro a qualquer
preço. Isto, acarreta perda de valores sociais, aumentando as diferenças e os
antagonismo existentes na sociedade.
O Estado nao pode agir como uma empresa privada, simplesmente.
Nêo pode se tomar uma máquina perfeita, onde os cidadêos do só números. O
papel dos administradores públicos deve ser de recuperar sua importância como
cidadAos responsável pelo sentido e defesa dos interesses da populaçao.
As privatizaçOes atualmente realizadas no Brasil assemelham-se ao
processo ocorrido na África, no Zaire, a grosso modo. O Estado brasileiro
é
vistocomo uma mercadoria, onde tudo tem que ser vendido como opçao para fazer
caixa às dfvidas contraldas no passado.
É
o Estado predatório, disfarçado demoderno. Desfaz-se de patrimônio acumulado durante décadas de sacrifrcio do
povo brasileiro, como é o caso da CSN, a preço irrisório. Isto, além de anti-ético,
empobrece o Estado no momento em que mais precisa de recursos para se
21 A literatura especializada tem demonstrado,
de
forma muito clara,que o sentido de desenvolvimento de um pais depende basicamente do Estdo
conseguir criar as condiçOes ideais para que tenha uma burocracia forte, capaz
de prover o aparelho de Estado com funcionários à altura das necessidades dos
objetivos traçados pelo governo. Isto
é
ser moderno e ético.Outro aspecto importante
é
a questão do poder local, ou seja, adescentralizaçao da administraçao pública como alternativa democrática para o
fortalecimento das instituiçOes, no
controle
dos tecnoburocrátas, e na cobrança de polfticas sociais consoantes com as reais necessidades da comunidade. Istoé
modernidade, ou seja, o controle social sobre o dinheiro público e sua correta
utilização pelo Estado. Só desta maneira se contrói uma nova ética social, que
representa a construçao, ou melhor, a reconstruçao da
pólls,
com base em valores das instituiçOes democráticas e socialmente controladas pelo poder local,através de suas várias maneiras de poder fiscalizador, como de conselhos
comunitários, por exemplo.
A polftica neoliberal, além de falaciosa, é também altamente
concentradora de rendas. Por isso, leva a desigualdades sociais, sem limites.
É
antagônica por essência ao bem-comum. Ou seja, no fundo é a negação a médio
prazo da própria
pólis,
ou seja, da cidade humana.Desmistificar o mercado como agente regulador de atividades
econômicas sem intervençao do Estado só mesmo na Teoria Econômica, porque
na prática, torna-se necessário seu controle social, para restabelecer os valores,
ou seja, da ética privada para a ética pública.
A cada processo de privatização, conclufdo com a venda de
empresas públicas, ficamos mais próximos da África. Cabe ao administrador lutar
por uma nova maneira de administraçAo do bem público, através de modelos que
-'
possibilitem às empresas públicas cumprirem seu
pape',
com eficiência,
responsabilidade e sempre com senso do sentido público, como meta a sercumprida, visando o bem estar coletivo.
Para finalizar, por mais anomalias ou disfunçOes que apresente o
aparelho de Estado, o estudo da administração pública
é
fundamental para ogoverno e também para a sociedade, por tornar possfvel uma açao governamental
mais eficiente, moderna, viável, consoante com valores sociais desejáveis.
5 -
RERRÊNCIAS BIBLI06ItÁf1CAS
LOBO, Thereza C. América Latina abre mercado de petróleo. Rio de Janeiro,
Jornal do Brasil,
1994,p.
25.O.T .. C.
Oftshore Techno/ogy
Conference
Award.
Conferência realizadaanualmente, em Huston, Texas.
EUA.OECD.
Economlc Outlook,
junho de 1993.PETROLEUM INTELLlGENCE WEEKLY. Texas, 1992.
Obs.:
Os países membros da OCDE são: Ám1lia, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Alemanha. Grécia, Islândia, Irlanda. Itália, Luxemburgo, Holanda. Noruega, Portugal, Suécia, Espanha. Suíça, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Finlândia,o
ESTADO
.NO SETOR PRODUTIVO
BRASILEIRO DE PETRÓLEO
23
Carlos Edu.mo R.G. Qulntão
1 -
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem o propósito de examinar a presença do setor produtiVo
do petróleo dentro de um Estado com seu papel redefinido. A exposição aborda,
inicialmente, o papel do Estado como promotor de mudanças estruturais, ar
encarado como SOlUça0, até meados dos anos 70, quando o Estado começa a
perder sua capacidade de promover mudanças estruturais, surgindo, a partir
desse momento, a visao de Estado enquanto problema.
Em seguida, aponta para o que se denominou de "terceira onda" de
reflexa o sobre o papel do Estado, centrada no reconhecimento da importancla da
capacidade do Estado como promotor de ajustes estruturais.
'-\.
Neste contexto, procurou-se examinar o impacto de um possfvel ,,'
abandono do setor produtivo de petróleo pelo Estado, o que pode ocorrer nao
só
através de mudanças na Constituiçao vigente, com a quebra do monopólio ou,
ainda, pela inclusão da PETROBRÁS no processo de privatizaçao.
Conclui o trabalho por apresentar a proposta de uma PETROBRÁS
redefinida, porém, dentro de um contexto marcado pela presença do Estado na
área de petróleo, onde o monopólio exercido pela Companhia continue a ser
."
'.
! -
DESENVOLVIMENTO
A intervençao estatal é certamente um dos assuntos de economia e
polftica mais intensamente debatidos neste século. Há duas razOes para isso,
como afirma Bresser Pereira, uma factual e outra ideológica. "Por razOes
factuais, a intervençao estatal na economia
é
relevante porque os governos, em todo mundo, em parses ricos ou pobres, de qualquer ideologia, estiopermanentemente intervindo no mercado. Por razOes
ideológicas,
face osdiversos graus de intervenção estatal serem um critério básico para distinguir o
conservador do liberal, os neoliberais dos progressistas ou keynesianos". (Bresser
Pereira, 1992)
A teoria do desenvoMmento defendia a tese de que os aparelhos do
Estado podiam ser usados para promover a mudança estrutural da economia e foi
marcada por forte consenso keynesiano.
Até o inrcio dos anos 70, o Estado cumpre o papel de promotor das
mudanças estruturais, surgindo, a partir dos anos 80, a nova imagem do Estado
enquanto problema, por perder sua capacidade de promotor de mudanças
estruturais.
Nessa conjuntura o liberalismo entrou na crista da onda e se
transformou em panacéia.
Teorias minimalistas do Estado limitavam o âmbito de ação efetiva do
25
Na realidade, nao há prova de que o Estado ideal seja o minimalista. Da mesma forma, dizer, em princfpio, que a intervenção estatal
é
eficaz ou ineficaz nao tem sentido.Ela pode ser eficiente ou ineficiente, necessária ou desnecessária, reduzida ou crescente, dependendo de cada situaçao especffica.
!.I -
O lISTADO COllO CI!NTllO DH PBOCIISSO DH AJlJSTB
ESTIlllTllllAL
É
fato, independentemente das diVersas posições ideológicas, que o Estado permanece central ao processo de mudança ou ajuste estrutural.É inegável que o Estado teve e continua tendo um papel fundamental no desenvolvimento dos pafses do Leste e Sudeste Asiático, começando pelo Japao, e depois a Grécia, Formosa, Cingapura, Malásia e, mais recentemente, a Tailândia e Indonésia.
Assim, entende-se que a proposta, ao contrário do objetivo dos neoliberais, nAo seria o Estado mfnimo, mas a reforma do Estado de maneira que este se torne novamente capaz de formular e complementar polfticas econômicas .. : efetivas, ou seja, a sua reconstruçao e o "reconhecimento da Importância da capacidade do Estado, no sentido da perrcia dos seus tecnocratas e de uma estrutura institucional durável e efetiva
é
a principal caracterfstica do que se pode denominar de 'terceira onda' de pensamento sobre o papel do Estado na sociedade". (Evans, 1992)"
R"a - A PRIISEKÇA DO SETOR PIlODlITlI'o ESTATAL
o
modelo de desenvolvimento brasileiro fundou-se, a exemplo do ocorrido em outros pafses de industrializaçao tardia, em uma particular simbioseentre setor público, capital privado nacional e capital estrangeiro.
Ao Estado coube coordenar esta aliança, além de assumir diretamente
a responsabilidade por investimentos de vulto em infra-estrutura, dado o caráter
incipiente do capital privado nacional.
No caso do Brasil, o Estado sempre teve presença marcante na
economia desde a implantaçao da República. Remonta a década de 30 a idéia de
.;
que
o Estado deveria desempenhar a tarefa principal de vencer as barreiras ao desenvolvimento capitalista. Mas somente na década de 40 começou a atuardecisivamente no setor produtivo.
Foi a partir de três setores de base da economia - siderurgia, petróleo e
energia elétrica - que
se
constituiu o núcleo do segmento estatal da economia.Após 1950 o Estado retoma, como na primeira metade da década de
40, uma intervençâo consciente no processo de industrializaçAo. Neste sentido
vale destacar a constituiçêo do BNDE em 1952, que ganha relevo como tentativa
de equacionamento da questao da captaçao de recursos e do financiamento do
investimento.
Em
1953
foi decretado o monopólio do petróleo com a criaçao da27
Sob o impulso do Plano de Metas do governo Kubitschek (1956-1960) a
industrialização brasileira sofreu transformações estruturais decisivas.
o
Plano consistiu em um esforço intensivo de industrialização em curto espaço de tempo, articulado diretamente pelo Estado.Foi neste momento que o setor produtivo estatal tomou corpo, com a
materialjzação simultanea de vários projetos de grande porte.
A partir de 1968 até 1973, o crescimento econômico acelerou-se, dando
Infclo ao perfodo conhecido por "Milagre Brasileiro", caracteriZado peta crlaçao de
um número significativo de empresas estatais.
A partir de 1974 testemunhou-se o inIcio da reversao do ciclo
expansivo. Neste momento, o limite que começou a se impor originou-se das
restriçOes externas, com a crise internacional que começou a se declinar em
1973, com a
eclosão
do primeiro choque do petróleo.A face externa da crise tem sua origem no processo de endividamento
externo crescente dos anos 70, para financiar os déficits em conta corrente
gerados com o primeiro choque do petróleo e os investimentos do setor produtivo
do Estado. É importante registrar que as empresas estatais foram utilizadas para
captar recursos externos.
Em 1970, sucedeu-se mais uma crise do petróleo, em meio
à
ascensaodas taxas de juros internacionais. A recessao mundial que se seguiu afetou
drasticamente a performance econOrnica do pais.
A face interna da crise, nao menos grave, resultou de uma acentuada
deterioração das finanças públicas.
."
Foi neste contexto que surgiu o processo de privatização das empresas estatais.
R.4 - PETIlOBIlÃS (PIllI'ATlZAÇAo OU 1I0XfJPÓUO)
A economia do petróleo compreende um elemento de risco que lhe é especIfico. Embora os derivados do petróleo, de aplicação quase tIo generalizada como a energia elétrica, possam ser supridos, no caso de diminuiçao da produçao interna pela importação, essa possibilidade tem suas IimitaçOes. A situação de dependência do exterior em que já se encontra o pais continuaria a agravar-se. Um racionamento no suprimento do produto poderá ocorrer em virtude do
peso
que venha a representar para o balanço de pagamentos a compra de quantidades crescentes de petróleo no exterior.
Essa insegurança em que se encontra o Brasil em relação ao petróleo, além de afetar diretamente as atividades que dele dependem, enfraquece a posiçao do paIs nas suas relaçOes econômicas. A orientação da poIltica econômica nacional não tem sido, nos últimos anos, em relação a essa indústria, a mais recomendável. A insuficiente aplicaçao de recursos na produçao de novos campos já descobertos poderá custar caro ao pafs.
29 desenvolvimento medíocre. Por outro lado, a solução empresa privada estrangeira
importaria em transferir para o exterior importantes poderes de decisão.
Se uma tal situação é aceitável em numerosos setores de atividade,
certamente nao o é em relaçao ao petróleo.
Do lado da empresa estatal há o risco de continuidade da interferência
governamental na gestao da PETROBRÁS, na utilizaçao da polltica de preços
públicos como instrumento de controle inflacionário, com suas conseqOências
nefastas nos investimentos da Companhia.
3 -
CONCLUSÃO
8.1 -
A PETROBRÁS RE.DEI'lNllJAA PETROBRÁS, constitucionalmente responsável por abastecer o
mercado nacional de derivados de petróleo, nao se deve deixar inibir pela crise
que enfrenta hoje, uma das maiores que já conheceu. Ao contrário, deve
vislumbrar na crise o que ela
é
de fato: um convite ao descortino e um desafio aoengenho.
A oportunidade que surgiu para reflexão aposta no sentido de que é
fundamental manter no Brasil o centro de decisOes numa atividade critica: a
produçao e o suprimento de petróleo e seus derivados. O monopólio exercido pela
PETROBRÁS precisa continuar a ser agente fomentador de desenvolvimento e
nao inibidor da criatividade nacional. Imobilizada pelo Estado a PETROBRÁS atua
no mercado mas nao pode responder aos seus estfmulos.
.
'li
A cura está na inovaçao de seu estatuto poUtico e administrativo,
passando a ser controlada por formas inovadoras de autonomia (Contrato de
Gestao) , direçao própria, planejamento de longo prazo, estratégias de
desenvolvimento, capacidade de inovaçao tecnológica e tendo o mercado como
critério de seu próprio desempenho. Deve inserir-se no contexto da 'erceira
onda", perseguir o interesse geral da sociedade como objetivo, produzindo em
função do bem-estar do conjunto, da sociedade, e nao para gerar lucros para
acionistas ou proprietários particulares .
• - BIBU06R1tFIIt
BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. A crise do Estado. Rio de Janeiro, Nobel,
1922.
CNI.
1°
Seminário Internacional sobre Prlvatlzaçãoe
Desestatlzação, 1989.EVANS, Peter.
The
State
as Problem and SoIutlon.
Princeton University Press, 1992.FIGUEIREDO, Vilma.
Desenvolvimento
dependente
brasileiro
(industrialização, classes sociais e Estado). Rio de Janeiro, Zahar
Editores, 1978.
FORUM NACIONAL. A crise brasileira e a modemização da sociedade. Rio
de Janeiro, José Olympio Editora, 1990.
IPEA. Empresa pública no Brasil - uma abordagem multidisciplinar.
BrasUia, 1980.
MONTEIRO, Jorge Vianna. Macroeconomia do crescimento do governo.
INPES/lPEA, 1990.
A. EI.ETROBRÍtS NO CONTEXTO DA. ADMINISTRAÇÃO
PUBLICA BRASILEIRA.
31
Wilgner Costa Battaglia
1 - INTltODUÇÃO
A crescente utilizaçao da eletricidade nos últimos 15 anos do Século
XIX e as novas descobertas feitas no mesmo perfodo, causaram grande impacto
econômico: os Estados Unidos e alguns pafses da Europa constituem suas
primeiras empresas para gerar energia elétrica, possibilitando sua utilizaçao em
grande escala.
No Brasil, as "principais experiências com essa energia se faz no
inicio de 1879, com a permissao a lhamas Edson de introduzir aparelhos e
processos inventados pelo engenheiro norte-americano" (Cabral, Cachapuz e
Lamarao, 1988, p. 29).
Somente no final do ano de 1945 há uma efetiva intervençao do
governo federal na produçao de energia elétrica, com a criaçao da Companhia
Hidrelétrica do sao Francisco (CHESF), sendo permitida "a participaçao de
estados, municfpios da regiao do sao Francisco, os institutos de previdência e
particulares. A administraçao ficaria sob a responsabilidade de um presidente e
três diretores, eleitos pelos acionistas por um periodo de quatro anos"(Cabral,
Cachapuz e Lamarão, 1988, p. 51).
Em 1954 foi proposta a criaçao da Eletrobrás que seria responsável
por estudos e projetos, construçao e operaçao de linhas de transmissao e
.'
•
elétrico. Em 1962 a Eletrobrás foi efetivamente criada sem a parte referente
à
implantação da indústria pesada de material elétrico.o
presente trabalho, por razao metodológica, foi dividido em dois perrodos: da criaçao da Eletrobrás até a chamada democratizaçao do Brasil(1982) e da democratização até os dias de hoje.
2 -
AItDMINlSrRAçÃO ANTES DA DEMOCRATIZAÇÃO
Apesar do setor elétrico brasileiro sofrer forte influência das
empresas de energia elétrica norte-americanas, nao baseou seu sistema
administrativo totalmente nos modelos dessas empresas: somente algumas
funçOes foram introduzidas (contabilidade, controle de contrato, etc ... ).
Nao existia uma burocracia formal implantada: pode-se falar em uma
tecnoburocracia, em razao da especificidade da organização. Desde o infcio
havia um grande predomfnio dos engenheiros elétricos, criando-se um forte
sistema informal interno que se baseou na experiência adquirida por esses
técnicos na CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais) e na Universidade de
Engenharia de ltajubá (MG) e aplicada na administraçao da organizaçao .
Aspectos como tarefas orientadas por normas escritas, regras e
normas técnicas fixadas para o desenvolvimento de cada cargo, recrutamento por
concurso (provas meritórias), nao existiam até entao na Eletrobrás, permitindo a
utilizaçao fisiológica da organizaçao. Todo o primeiro escala0 era escolhido por
indicaçao polftica, geralmente pelos governadores ou bancada estadual de
deputados em razao do grande
peso
das concessionárias estaduais no setor elétrico. Do mesmo modo, a ascensão aos escalOes gerenciais intermediáriosnao é feita através de processo padrao de promoçao interna e sim na base de
33
cargos e apoiadores
é
a essência da açao na organizaçao. Os primeirosnecessitam de apoio dos poHticos e os últimos, por sua vez, devem receber
incentivos suficientes para evitar que o apoio que têm se desvie para outros"
(Evans, 1993, p. 146).
Isso levou a um forte sentimento de corporativismo no interior da
organização, sendo as diferenças internas resolvidas sem afetar a eficiência e
eficácia da organizaçao.
É
importante ressaltar que o ambiente organizacional nao confirmou a hipótese de que a "competiçao pelo ingresso no serviço governamentalé
emparte uma competição por rendas, conceituada em termos primários como
corrupçao", nao tendo assim papel preponderante no fornecimento do bem
coletivo (energia elétrica) (Evans, 1993, p. 84).
S -
A ADMINISTRAÇÃO APÓS A DEMOCRATIZAÇÃO
Com a democratizaçao do Brasil surge no Rio de Janeiro, no
sindicato dos engenheiros, um movimento para criar-se associaçOes de
empregados que representariam, a principio, os interesses dos assalariados, já
que os sindicatos tinham sido desmantelados pela ditadura militar.
Em 1983 foi criada a Associaçao de Empregados da Eletrobrás.
Pouco tempo depois de sua fundação e contando com a participação indireta do
presidente da época, Mario Bhering, torna-se um "subsistema" na administraçao
da Eletrobrás.
Existiu desde a sua criação uma preocupação crescente com o papel
da Eletrobrás no contexto sócio-econOmico do pafs, atestado com os dois
..
.
•
na sua história, a organizaçao abre se a um debate externo sobre sua atuaçao
como empresa pública e divulga dois Balanços Sociais da Eletrobrás,
patrocinados pela Associação, onde 75% dos empregados teve oportunidade de
expressar seus pontos de vista e suas expectativas em relação à organização.
Partindo do princIpio que a Eletrobrás tem um papel público, "na
medida que é parte de um ambiente social maior"(CNBB, 1993, p. 146), incluiu-se
nas suas preocupaçOes as relaçOes da organização com seus empregados, com
a sociedade brasileira e a organizaçao enquanto detentora de um saber
técnico-cientIfico.
Do ponto
de
vista do relacionamento com seus empregados foinotável o avanço das relaçOes internas, com ênfase no racional substantivo,
possibilitando maior participação através de comissOes paritárias, acesso aos
cursos de promoçao profissional, implantação de algum critério de ascendo
profissional de modo meritório, a discussao da introdução de novas tecnologias e
principalmente a solicitaçao e o respeito às opiniOes internas de qualquer de seus empregados.
Em relação à sociedade brasileira houve grandes mudanças ao meio
circundante: começam a surgir problemas que nao eram do conhecimento da
sociedade. O de maior impacto é a questêo ecológica. O crescimento da
consciência ecológica da população provoca a criação da Associação dos
Atingidos pelas Grandes Barragens. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial exige
que toda usina a ser financiada tenha um projeto
de
impacto ambiental. A fim deresponder essas novas demandas é criado o Departamento de Meio Ambiente.
Finalmente, em relação ao saber técnico-cientffico, com a formulação
dos planos decenais houve um rico debate com outros atores externos ao seu
35 associações de classe permitiram chegar-se a um consenso em relaçao ao futuro
do setor elétrico brasileiro.
Atualmente, findado o "furacAo collorido" J a Eletrobrás sofre seus
efeitos mais profundos e imediatos. A reduçao do seu corpo funcional, obrigando
muitos a aposentadoria prematura, leva consigo uma parte importante da cultura
técnico-administrativa e desestrutura a organizaçao. O ambiente recessivo se
reflete no calote generalizado das concessionárias estaduais de energia elétrica,
que se negam a pagar a energia elétrica fornecida pelas empresas do sistema
Eletrobrás.
4 -
CONCLUSÃO
Apesar dos problemas enfrentados ao longo de sua existência, a
Eletrobrás soube muito bem usar o "seu jeito" como organizaçao para superar os
obstáculos e tornar-se nAo só a maior empresa brasileira bem como uma das
mais eficientes do mundo, apresentando fndices de qualidade iguais ou melhor
aos das grandes empresas similares dos pafses desenvolvidos.
Para finalizar, a certeza de que a participaçao do contribuinte no
Conselho de Administraçao da Eletrobrás, debatendo o modefo energético que
melhor se adequa às condições do Brasil, é tão importante quanto os aspectos da
organizaçao interna da empresa.
.
r
.
J
..
5 -
REFERÊNCIAS BIBU06RÃ.FICAS
CABRAL, LIgia M.; CACHAPUZ, Paulo B. e LAMARÃO, Sérgio
T.
Panoramado Setor de Energia Elétrica
no
Brasil.
Rio
de
Janeiro, Memória da
Eletricidade, 1988.
CONFER~NCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
Ética:
pessoa esociedade.
Rio de Janeiro, Fundaçao Getulio Vargas, Manual EBAP/CIPAD,1993.
EVANS, Peter. O Estado como Problema e Solução. Rio de Janeiro.
37
~AS.
PR06RAMA NUCLEAR E SOCIEDADE
Haroldo Barroso Junior
1 -
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo descrever algumas caracterfsticas
especrticas
do
ambiente administrativo em Furnas Centrais Elétricas S.A.As considerações aqui colocadas retratam a experiência pessoal de
11 anos de atividades profissionais numa unidade regional (Central Nuclear de
Angra) dessa organizaçao.
Fumas, enquanto operadora e proprietária da Central Nuclear,
transforma-se em alvo da insatisfaçao popular. O estigma da responsabilidade por
algo inoportuno, "perigoso" e realizado com recursos públicos está sedimentado
junto à populaçêo.
Pretende-se aqui discutir o posicionamento da empresa no que tange
a sua relaçao com a sociedade. Nao há a intençao de diagnóstico, apenas de
praticar o direito e o dever de exercer posiçao a respeito dos fatos.
A responsabilidade, inerente a toda e qualquer empresa pública, de
gerar beneffcios para a sociedade, nao se pode restringir apenas
à
qualidade econfiabilidade do produto ou serviço sob sua responsabilidade, mas também à
democratizaçao do processo produtivo através do estabelecimento de um
ambiente permanente de discussão com o corpo funcional e a sociedade.
...
""
.
•
2 -
DESENVOLVIMENTO
Em 1972, durante o governo de exceçao e seu "milagre econômico", foi implantado o Programa Nuclear Brasileiro. Desde essa
época
dispensa o governo qualquer discussao com a sociedade sobre a viabilidade técnica, econômica e polftica do empreendimento, evitando assim a canalizaçao de atençOes sobre as intençOes bélicas do mesmo. (Stieen, 1993)Deve-se esse fato nao só ao momento polftico caracterizado pelo autoritarismo, mas também
à
nao identificaçao da necessidade de um programa de esclarecimento público, apoiado pela mfdia, com objetivo exclusivo de demonstrar a importância do empreendimento para o desenvolvimento do setor elétrico nacional.A falta desse esclarecimento traz
à
populaçao, principalmente entre os habitantes das comunidades próximas ao empreendimento, sentimento de dúvida e medo.Paralelamente a esse fato, dá-se infcio