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Academic year: 2017

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Efeitos do trabalho sobre a saúde de adolescentes

Effects of work on the health of adolescents

1 Departamento de Saúde Ambiental, Faculdade de Saúde Pública, USP. Av. Dr. Arnaldo 715, 01246-904, São Paulo SP. [email protected] 2 Departamento de Fundamentos da Enfermagem, Faculdade de Enfermagem, UERJ. Frida Marina Fischer 1 Denize Cristina Oliveira 2 Liliane Reis Teixeira 1

Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira 1 Mariana Almeida do Amaral 1

Abstract This study evaluated life and work conditions and their im pact on the health and psychological developm ent of adolescents. A num ber of 354 high school students, 14 to 18 years old, studying during evening period took part in this study. Data were collected using free evocation technique and questionnaires. Data on sleep during the weekdays were ob-tained using questionnaires, filled out by stu-dents regarding life and work conditions, health symptoms and illness. Data were analyzed with software EV OC 2000 for the social represen-tations, and T-Student, ANOVA, Mann-Whit-ney e Kruskal-W allis tests were em ployed for analyze health and sleep conditions. Differ-ences were found am ong worker students who reported shorter m ean sleep durations and: m ales, feeling sleepy at work and classes, re-ferring to tougher psychological dem ands at work, working as salesperson, earning m ore than 1 minimum monthly wage, working more than 6 hours per day or 20 hours per week, working in noisy environment or polluted with gases and vapors. The representation of work am ong teen workers point a contradiction be-tween recognizing work as a moral positive val-ue to psychosocial developm ent and identity construction, and the negative consequences due to precocious exposure to physical and psy-chological workloads.

Key wo rds Teen workers, Health conditions, Sleep duration, Social representations

Resum o O estudo analisa conseqüências do trabalho para as condições de vida, saúde e de-senvolvimento psicossocial de adolescentes. Par-ticiparam do estudo 354 estudantes de 14 a 18 anos, do ensino m édio, período noturno. A análise das representações foi realizada a par-tir da coleta de evocações livres. Os dados sobre sono foram obtidos por m eio de questionários, sobre auto-percepções acerca das condições de vida e trabalho, sintom as de saúde e doenças. A análise de dados foi realizada com o software EVOC 2000 e SPSS. Constataram-se diferenças significativas na duração m édia de sono entre os adolescentes: os trabalhadores relataram m enores m édias de duração de sono. Entre os trabalhadores, referiram dorm ir m enos os que sentem sono no trabalho e nas aulas, têm m aiores exigências psicológicas no trabalho, ganham acim a de 1 salário m ínim o m ensal, jornadas acima de 6 horas diárias ou acima de 20 horas sem anais, trabalham em local baru-lhento e com presença de gases e vapores. As representações do trabalho entre os jovens apontam contradição entre o seu reconheci-m ento coreconheci-m o valor reconheci-m oral positivo para o de-senvolvim ento psicossocial e a construção da identidade, e as conseqüências negativas decor-rentes da exposição a cargas físicas e psicoló-gicas precocem ente.

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Introdução

A presen ça de adolescen tes n a força de traba-lho tem sido encorajada pela sociedade, inclu-sive sendo prática incentivada através de políti-ca governamental expressa pelo Programa Pri-m eiro EPri-m prego. O ingresso precoce de jovens n o trabalho é legalizado pela legislação brasi-leira.

O trabalho desenvolvido precocemente por adolescen tes pode ser fator decisivo em su as vidas, poden do ter con seqüên cias positivas e tam bém negativas ao seu desenvolvim ento fí-sico e pfí-sicossocial, especialm en te em fu n ção da competição que se estabelece entre as ativi-dades de trabalho extra-escolar ou domiciliar e as atividades escolares, de esporte e lazer, portan to aqu elas qu e possibilitam u m m eio sau -d ável -de form ação psicológica e social -do jo-vem . Em m etrópoles com o São Paulo m uitos adolescentes que freqüentam o ensino público precisam trabalhar para ajudar a compor o or-çam en to fam iliar, colocan do, m uitas vezes, a atividade escolar em segundo plano (Fischer & Oliveira, 2003a).

Em nosso país, segundo dados do censo de 2000, cerca de 9 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos estão inseridos no mercado de traba-lho (IBGE, 2000). Para os adolescentes, o tra-balho tem um significado mais profundo, liga-do intimamente com a maturidade e a emanci-pação econ ôm ica (Mieln ik, 1987). A situação socioecon ôm ica em que se en con tra a fam ília é um outro motivo que pode levar o adolescen-te ao trabalho, adolescen-tendo consisadolescen-tenadolescen-te influência nas suas decisões, até m esm o n a freqüên cia esco-lar. Esse fato m antém o círculo vicioso da po-breza, fazendo com que crianças e adolescentes torn em -se adultos que pouco poderão passar a seus filhos, além da heran ça da m iséria e da marginalização (Abreu, 2002).

O trabalho precoce, geralm en te, prom ove efeitos n egativos n o desen volvim en to físico e edu cacion al, im pedin do o jovem de dedicar-se a atividades extracu rricu lares, com o ativi-dades lúdicas e sociais próprias da idade, tra-zendo isolamento dos jovens entre seus pares e fam iliares, bem com o sen do respon sável pelo atraso escolar. Esses danos são de difícil superação porque há um tem po certo para viven -ciar as várias etapas da formação da adolescên-cia (Oliveira et al., 2001). Igualmente grave, são as doen ças e aciden tes decorren tes das ativi-d aativi-des realizaativi-das n o trabalho. Na con ativi-dição ativi-de aprendiz, o trabalho dos adolescentes tem sido

legitim ado, m as freqüen tem en te prevalece o aspecto produtivo sobre o educativo, além de n em sem pre haver con dições apropriadas de saú de e segu ran ça n o trabalho (Fischer et al., 2003b, Kassouf et al., 2001).

Os apren dizes, usualm en te, descon hecem seus direitos trabalhistas, subm etendo-se a si-tuações arriscadas, insalubres e inadequadas, a salários aviltan tes, trabalhan do horas-extras, não se protegendo adequadamente dos riscos e das péssim as con dições de trabalho em geral (Fischer et al., 2000, 2003a, b; Parker, 1997).

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precoce-m ente, ainda nuprecoce-m precoce-m oprecoce-m ento de escolarização obrigatória.

Esse processo de exclusão escolar se desen-volve a partir da associação do trabalho a valo-res m orais, a um m elhor futuro do que aquele reservado ao jovem em função da sua inserção social, ao esforço pessoal e como forma de con-tornar problem as urbanos, tais com o o envol-vimento com drogas ilícitas e a marginalidade, con form e observado em estudo desen volvido por Oliveira et al. (2001).

Para efeito deste trabalho considera-se que as representações sociais são indispensáveis pa-ra a com preensão da dinâm ica social e das re-lações dos indivíduos com seu ambiente social, tornando-se, assim , um elem ento essencial na com preensão dos determ inantes dos com por-tamentos e das práticas sociais, particularmen-te no que se refere à prática do trabalho entre estudantes adolescentes.

Neste trabalho entende-se por representa-ções sociais um a form a de conhecim ento so-cialm ente elaborada e com partilhada, que tem um a finalidade prática e contribui para a cons-trução de um a realidade com um a um conjunto social, con form e proposto por Jodelet (1989). Um a representação social é tam bém , segundo o criador da teoria (Moscovici, 1978), um con-junto de conceitos, proposições e explicações ori-ginadas na vida cotidiana no curso de com uni-cações interpessoais, que funciona como uma es-pécie de “teoria do senso comum”.

Dado que o presente estudo está vinculado à teoria do núcleo central de Abric (1994), po-de-se ressaltar que a m esm a propõe que as re-presentações sociais têm seu conteúdo organi-zado em dois sistemas internos – central e peri-férico, cada um dos quais possuindo funções e características específicas. Os poucos elem en-tos cogn itivos do sistem a ou n úcleo cen tral, por serem con sen su ais, m ais estáveis, e liga-dos à história do gru po e algo in depen den tes do con texto im ediato, con ferem à represen -tação o seu sign ificado básico e organ izam os dem ais elem entos periféricos. Já o sistem a pe-riférico, con stituído de um n úm ero m aior de idéias acerca do objeto representado, faz a in-terface en tre o n úcleo cen tral e as situações e práticas concretas da população, incorporando as experiências e histórias individuais dos seus m em bros e se m ostran do, assim , n ão apen as m ais sen sível à in fluên cia do con texto social im ediato, m as tam bém m ais flexível na orien-tação dos com portam entos que nele se desen-rolam (Abric, 1994; Sá, 1996; Oliveira, 1996).

O trabalho do adolescente reveste-se de par-ticularidades que o colocam como questão po-lêmica e ainda longe de qualquer consenso so-bre os seus benefícios e prejuízos, sejam eles à saúde física, à formação da personalidade, à so-cialização, à escolarização, etc. Sabe-se da ca-rência de dados brasileiros sobre o assunto, par-ticularm en te em gran des cen tros urban os, n a medida em que esse tema apenas recentemente passou a ser discu tido e a gerar posições qu e n aturalizam o trabalho n a adolescên cia e ou -tras que o tratam como problema social.

Objetivos

Avaliar as variáveis associadas às condições de vida, trabalho e à duração de sono entre estu-dantes do período noturno.

Analisar o conteúdo e a estrutura das repre-sentações sociais de estudantes do período no-turno sobre o trabalho e a relação trabalho-es-cola.

Metodologia

Critérios de inclusão

Para se obter o grupo de estudantes traba-lhadores foi utilizado como critério a inclusão de todos os adolescen tes que referiram traba-lhar. Trabalho foi definido como “toda ativida-de sistemática em que há uma obrigatoriedaativida-de de desenvolver tarefas, em horários e períodos pré-determ inados, seja no am biente dom ésti-co, seja para terceiros, com ou sem remunera-ção, tendo ou não vínculo empregatício forma-lizado”. Para o grupo de alunos não trabalhado-res, foram con siderados aqueles que registra-ram n o question ário que n un ca trabalharegistra-ram , ou seja, n u n ca estiveram expostos aos riscos oferecidos pelo trabalho. Alunos desem prega-dos são aqu eles qu e já estiveram expostos ao trabalho, mas que não estavam trabalhando no m om en to da pesqu isa, em bora procu rassem emprego.

População participante do estudo

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Do total de alunos matriculados nesse período na escola (695), apenas 397 alunos (58%) eram da faixa etária escolhida para este trabalho (en-tre 14 e 18 anos completos). Desses, 43 estudan-tes não participaram do estudo (20 abandona-ram a escola, 15 foabandona-ram transferidos, 4 não acei-taram participar e 4 n ão foram en con trados), totalizando 354 sujeitos.

Termo de consentimento

Este estudo foi aprovado pelo Com itê de Ética da Facu ldade de Saú de Pú blica da USP. Todos os alu n os qu e aceitaram participar do estudo assin aram o Term o de Consentim ento Livre e Esclarecido.

Avaliação das condições de vida, saúde e trabalho

Foram coletadas informações a respeito das condições sociodemográficas, condições de saú-de, dores no corpo, horários de dormir e acor-dar durante a sem ana e fim de sem ana, cochi-los, queixas relacionadas ao sono, sensação de son olên cia e can saço duran te a vigília. Foram obtidas as seguintes informações acerca das va-riáveis ocupacionais: situação ocupacional, lo-cal de trabalho e função exercida, salário, jor-nada de trabalho, ambiente de trabalho e esca-las de controle no trabalho (Karasek, 1985).

Na an álise estatística dos dados, para a comparação de duas médias foi utilizado o tes-te t-Studen t e n a com paração de três ou m ais médias foi utilizada a análise de variância a um fator (ANOVA), caso as variâncias dos grupos fossem homogêneas. Quando as variâncias não foram hom ogên eas, foi utilizado o teste n ão param étrico correspon den te, a saber, Man n -Whitn ey (com paração de du as m édias) ou Kruskal-Wallis (com paração de três ou m ais médias). As variâncias foram comparadas utili-zan do o teste de Levèn e. Em todas as an álises foi considerado o nível de significância de 5%.

Caracterização das representações sociais

O estudo das representações sociais foi de-sen volvido com a coleta de dados através de evocações livres para a an álise estru tu ral das representações. Foram coletadas evocações li-vres entre todos os 354 adolescentes, que rece-beram a instrução de escrever em uma ficha as primeiras cinco palavras ou expressões que lhes

ocorressem em relação ao term o in dutor tra-balhar e estudar.

Para o tratamento dos dados foi utilizado o software Evoc 2000 (Vergès, 2000), que auxi-liou n a an álise do con teúdo e da estrutura da representação social do trabalho a partir da re-lação trabalho-estudo.

Partiu-se da premissa de que os termos que atendessem, ao mesmo tempo, aos critérios de evocação com m aior freqüência e nos prim ei-ros lugares, supostam en te teriam um a m aior im portância no esquem a cognitivo do sujeito, ou seja, se con figurariam com o hipóteses de núcleos centrais da representação social. (Abric, 1994; Sá, 1996; Oliveira, 1996). Considerou-se que as palavras que se situam no quadrante su-perior esquerdo são, muito provavelmente, ele-mentos do núcleo central da representação es-tudada; aqueles situados nos quadrantes supe-riores direito e inferior esquerdo são elementos interm ediários, ou prim eira e segunda perife-ria; e aquelas localizadas no quadrante inferior direito são elementos mais claramente periféri-cos (Sá, 1996, 1998).

Essas hipóteses serão objeto de verificação da centralidade através da análise de similitude, que é expressa em um a represen tação gráfica indicando a força das ligações obtidas a partir de um índice de co-ocorrência, entre as catego-rias construídas a partir dos term os evocados, conforme proposto por Flament (1994; 2001).

Resultados

Características da população

Participaram do estu do 354 alu n os, sen -d o 57,3% dos estu dan tes do sexo m ascu lin o e 42,7% do sexo feminino. Em relação aos há-bitos de vida, 10,7% dos estu dan tes fu m am regularm en te e destes, 58,2% fum am há m ais de 1 an o. En tre os que referiram in gestão de bebida alcoólica (n = 225 estudan tes ou 63,6% dos estudados), 50,7% já esteve de ressaca. En-con tram os forte associação en tre o hábito de fumar e consumo de bebidas alcoólicas; 95,2% dos que fumam também bebem (c2<0,01). Pra-ticam atividade física, 85,3% dos estudan tes, sen do o fu tebol (35%) e a dan ça (36,9%) as prin cipais atividades m en cion adas. Destes, 30,5% praticam atividades físicas en tre 2 e 3 vezes por semana.

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referi-ram sentir cansaço (em algum lugar do corpo), m oleza (55,1%) sonolência diurna (46,3%), e dores no corpo (62,2%). Os locais mais referi-dos de dor são m ú ltiplas localizações (46%), colun a (18%), m em bros superiores (10%) e membros inferiores (12%). Analisando especi-ficamente os membros superiores e inferiores, 22% adolescentes referiram sentir dor apenas nesta localização e 26% a referiram associada a outras localizações, o que dá um a prevalência de 48% de referência de dor nos m em bros su-periores e inferiores, entre a população de es-tudo. Apenas 34% dos adolescentes não referi-ram nenhum tipo de dor.

Características ocupacionais

À época da coleta de dados, 184 estudantes responderam ser trabalhadores, 85 informaram estar desem pregados e 85 se declararam n ão trabalhadores.

Os principais postos de trabalho foram: em escritórios e bancos (40,8%), comércio em lo-ja, farmácia e banca de jornal (14,1%); em su-perm ercado, açougue, quitan da e feira (6%); bar, padaria, lanchonete e restaurante (7,1%) e em casa (6,5%). As funções m ais exercidas fo-ram balconista (16,8%), auxiliar administrati-vo, marketing, financeiro (11,4%), ajudante ge-ral (11,4%), recepcion ista, secretária (12%) e “Office” boy (14,7%). En tre os adolescen tes trabalhadores e desem pregados, 28,5% referi-ram jornadas diárias acim a de 8 horas; 43,7% dos respondentes relataram jornadas semanais acima de 40 horas.

Fatores de risco associados à menor duração de sono

Os dados de sono aqui apresentados se ba-seiam em duas fontes: a referência da duração de son o n os dias da sem an a (n = 354). A com -paração de m édias de duração de sono segun-do variáveis sociodemográficas, de estilo de vi-da e de trabalho para todos os estuvi-dantes mos-trou que houve diferenças estatisticamente sig-nificativas entre as médias de duração de sono e série e trabalho. Quem estuda na 1asérie re-latou maior duração de sono do que quem está na 3asérie do ensino médio (496,7 min e 447,3 m in respectivam en te) (p= 0,005). Os adoles-centes que trabalham possuem, em média, me-n or du ração de some-n o do qu e aqu eles qu e me-n ão estão trabalhando (440,7 min e 516,4 min res-pectivamente) (p<0,001).

Entre os adolescentes que trabalham , hou-ve associações significativas entre os adolescen-tes que relataram menor duração de sono e: ser do sexo masculino, estudar na 2aou 3asérie do ensino m édio e os que referem sentir sono no trabalho e n as aulas (Tabela 1). Em relação às variáveis de controle no trabalho, os adolescen-tes que relataram m aior duração de son o, em m édia, são aqueles que: possuem m en or exi-gência psicológica no trabalho e menor insegu-rança no trabalho.

An alisan do as variáveis relativas ao am -bien te de trabalho, observa-se qu e os adoles-cen tes que relataram m aior duração de son o, em m édia, foram : os qu e trabalham em casa, com parados aos que trabalham n o com ércio (lojas ou superm ercado, etc.), os que referem ganhar até 1 salário m ínim o por m ês, com pa-rados à aqueles que referem ganhar entre 1,1 a 2,0 SM ou mais que 2 SM. Em relação à jorna-da de trabalho diária, os adolescentes que tra-balham m en os do qu e 6 horas diárias relata-ram maior duração de sono do que os demais, o mesmo acontecendo com aqueles que traba-lham m en os que 20 horas sem an ais. Por últim o, quan do se an alisaúltim as con dições do aúltim -bien te de trabalho, verifica-se que os adoles-centes que referem que seu local de trabalho é barulhento e existem gases e vapores relataram menor duração de sono, em média.

Conteúdo e estrutura da representação social do trabalho e da relação trabalho-estudo

Na tabela 2 são m ostrados os elem en tos centrais e periféricos da representação do tra-balho analisada a partir das evocações aos ter-m os Trabalhar e Estudar.

No con jun to da an álise, e tam bém n o n ú -cleo central, observa-se que as referências ne-gativas associadas à dupla jornada, representa-da pelas ativirepresenta-dades de trabalho e estudo, foram as m ais freqü en tes. O gru po evocou palavras que apontam as dificuldades enfrentadas pelos jovens tais como “cansativo”, “difícil”, “necessi-dade”, “m uita responsabili“necessi-dade”, “estressante”, “ruim”, “correria” e “conciliar”.

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necessá-9 7 8

Tabela 1

Estatística descritiva da duração média de sono para os adolescentes que trabalham, segundo variáveis sociodemográficas, de saúde e de trabalho.

Variável Categoria n média (dp*) min-max p**

Sexo Masculino 101 429,9 (102,4) 240-720 < 0,01t

Feminino 83 469,1 (118,0) 240-720

Série 1omédioa 73 469,0 (123,5) 240-720 0,05 A

2omédiob 57 438,2 (104,4) 240-660 (ab,c)

3omédioc 54 431,0 (98,4) 250-660

Sono no trabalho não 162 446,7 (110,0) 240-720 0,013t

sim 21 397,1 (76,1) 300-570

Sono nas aulas nãoa 54 479,4 (115,6) 240-720 <0,001A

simb 32 381,3 (84,8) 240-600 (ab;p=0,050)

às vezesc 98 439,4 (100,7) 270-720 (bc;p=0,050)

Exigências psicológicas 18-28a 68 463,1 (113,1) 250-720 0,007A

no trabalho*** 29-32b 59 449,3 (104,3) 270-660 (ac; p=0,050)

33-48c 57 404,9 (95,6) 240-720

Insegurança 3-4a 72 423,4 (102,4) 240-720 0,015A

no trabalho*** 5-11b 95 441,9 (106,0) 240-720 (ac; p=0,050)

12-22c 17 506,8 (115,9) 330-720

Local de trabalho serviçosa 75 452,9 (109,2) 240-720 0,020A

comércio (lojas)b 26 409,6 (78,9) 250-540 (e>b,c,e; p=0,050) comércio (alimentos)c 11 401,8 (100,6) 300-660

comércio (bebidas)d 13 425,8 (104,9) 315-720

na residênciae 12 527,1 (115,9) 360-720

outrosf 47 429,5 (108,4) 240-630

Salário mensal nada (0)a 17 487,4 (108,3) 315-720 0,003A

(em SM) até 1,0 SMb 32 489,1 (121,6) 330-720 (b>c,d; p=0,050)

1,1-2,0 SMc 91 424,8 (100,6) 240-720

2,1 e + SMd 44 420,2 (96,5) 240-630

Jornada diária até 6,0 horasa 53 496,5 (104,2) 240-720 <0,001A

6,1-8,0 horasb 65 422,8 (106,7) 240-720 (a<b,c; p<0,05)

8,1 e + horasc 63 404,0 (86,1) 300-660

Jornada semanal até 20,0 horasa 23 512,0 (99,7) 360-720 0,001 A

20,1-30,0 h.b 19 462,9 (89,9) 300-630 (a<c,d,e; p<0,05)

30,1-40,0 h.c 54 438,7 (109,9) 240-720

40,1-50,0 hd 68 412,5 (101,3) 240-720

50,1 e + horase 17 408,2 (91,2) 300-630

Ambiente barulhento não 118 457,4 (112,2) 240-720 0,003t

sim 66 410,7 (91,8) 240-660

Ambiente com não 146 450,7 (111,3) 240-720 0,003t

gases e vapores sim 38 402,0 (81,4) 300-660

*dp: desvio padrão

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rios à sobrevivência. No trabalho desenvolvido por Pinheiro (1999), a necessidade econômica aparece como justificativa para o trabalho para 39% da população de jovens estudados, segui-da pela independência financeira com 31,2%, e em terceiro lugar os motivos ligados ao prazer de trabalhar, ao am adurecim ento e perspecti-vas de um futuro melhor.

A palavra “bom” expressa um sentido sim-bólico positivo e rem ete à dim ensão m oral do trabalho, na qual são expressos os valores que enaltecem o trabalho em quaisquer circunstân-cias n egan do os seus efeitos n egativos, com o um ideal moral do homem, portanto determi-n ado socialm edetermi-n te. Tradiciodetermi-n alm edetermi-n te o traba-lho tem sido visto a partir de u m a expressão moral, como bom, nobre, dentre outros atribu-tos, o que parece determ in ar o aparecim en to dessa evocação. A palavra “esforço” denota, ao mesmo tempo, um atributo pessoal necessário para suportar a dupla jornada, e a reafirmação da dureza da concom itância dessas atividades. Autores com o Mieln ik (1987) e Pin heiro (1999) referem os baixos salários, poucas horas de son o, m en or tem po para recreação e lazer, redução do tem po para o estudo, dificuldades para se alimentar e desinteresse pelo estudo co-m o conseqüências da dupla jornada

trabalho-estudo. Finalmente, essa representação é estru-turada a partir dos term os “cansativo” e “difí-cil”, que expressam a sobrecarga da con com i-tância do trabalho com o estudo.

Os elem en tos periféricos próxim os – qua-dran te superior direito e in ferior esquerdo – denotam um conteúdo positivo da representa-ção, a partir das evocações “futuro”, “essencial”, “responsável”, mas também negativo, presente n os term os “m uita respon sabilidade”, “estres-sante”, “ruim”, “correria”, “estudar” e “conciliar”.

A positividade da dupla jornada relaciona-se à crença em ganhos psicossociais e de que os m éritos pessoais possibilitam superar as difi-culdades derivadas das duas atividades, além de ser represen tado com o n ecessário e hon roso, por dar mostras da capacidade de luta e deter-minação dos jovens. A palavra “futuro” foi evo-cada com o um desses elem entos positivos, re-tratan do a cren ça de que o trabalho precoce pode assegu rar experiên cia profission al qu e perm ita m elhor qualidade de vida e a supera-ção da con disupera-ção de classe ocupada pelos ado-lescentes. As evocações “muita responsabilida-de” e “estressante” refletem a falta de experiên-cia no trabalho, o excesso de tarefas e, espeexperiên-cial- especial-m ente, exigências psicossociais incoespecial-m patíveis com o momento de desenvolvimento do jovem

Tabela 2

Estrutura da representação social do trabalho a partir do termo indutor “trabalhar e estudar” no grupo de estudantes do período noturno, pela freqüência média e pela ordem média de evocação (OME). São Paulo, 2002.

O.M.E < 2,8 Ž 2,8

Freqüência Freq. OME Freq. OME

44 Cansativo 215 2,0 Futuro 66 3,2

Difícil 75 2,0 Muita 62 3,0

responsabilidade

Bom 55 2,7 Estressante 46 3,0

Necessidade 55 2,6

Esforço 54 2,3

Freqüência Freq. OME Freq. OME

< 44 Essencial 42 2,5 Falta de tempo 34 3,2

Responsável 33 2,2 Atrapalha o estudo 33 3,0

Ruim 32 2,5 Sono 27 3,1

Correria 25 2,3 Aprender 26 3,0

Estudar 22 2,6 Acordar cedo 24 3,1

Conciliar 20 2,7 Amadurecimento 24 3,5

Força de vontade 24 2,9 Relacionamento 18 3,6

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9 8 0

trabalhador, com o por exem plo, a concorrên-cia implícita ao trabalho, o estabelecimento de relações interpessoais diversificadas e m otiva-das por relações de poder e diversificados inte-resses, dentre outras.

Na periferia distan te – quadran te in ferior direito – podem ser observados term os positi-vos e n egatipositi-vos, reafirm an do a con tradição presente na representação do trabalho. A posi-tividade foi expressa nos vocábulos “aprender”, “am adurecim ento”, “relacionamento” e “força de vontade” e relaciona-se ao crescimento pes-soal e ao conteúdo pedagógico do trabalho. A n egatividade n as palavras “falta de tem po”, “atrapalha o estudo”, “sono” e “acordar cedo” manifestou-se na indicação das formas como o trabalho e o estu do execu tados n u m a m esm a jornada de 24 horas afetam a saúde e o desem-penho escolar.

Destacan do os agravos à saú de, as evoca-ções “sono”, “acordar cedo”, “falta de tempo” e “tem po” expressam o recon hecim en to da in -com patibilidade da con-com itância trabalho e estudo, nos moldes como vem sendo desenvolvido em países com o o Brasil, de form a com -petitiva e não educativa. Por sua vez, as evoca-ções “apren der”, “am adurecim en to”, “relacio-nam ento” e “força de vontade” representam o trabalho a partir dos ganhos a longo prazo, co-m o preparação para a vida e para o co-m ercado de trabalho, presen tes n as referên cias às fun -ções do trabalho relacionadas à criatividade e ao futuro profission al. Nesse aspecto deve-se destacar qu e, em bora a evocação “apren der” faça pensar num a atividade que gera aprendi-zado, a realidade observada n a descrição das características ocupacion ais da am ostra estu-dada não sustenta essas afirmações. As funções ocupadas pelos joven s refletem atividades re-petitivas e sem n en h u m grau de especializa-ção, como balconista, auxiliar administrativo e ajudante geral.

Para integrar a discussão geral da represen-tação da relação trabalho-estudo sugese re-fletir sobre as observações de Flam ent (2001): N a realidade, a periferia da representação serve de pára-choque entre uma realidade que a ques-tiona e um núcleo central que não deve m udar facilm ente. Os desacordos da realidade são ab-sorvidos pelos esquem as periféricos que, assim , asseguram a estabilidade (relativa) da represen-tação.

Essa função de pára-choque, destacada por Flam en t, pode ser observada n a presen ça de evocações positivas e negativas no último

qua-dran te. Parece que esses esquem as n ão en tra-ram em an tagon ism o en tre os joven s estuda-dos, a ponto de mudar a representação do tra-balho. Os elem en tos periféricos apresen tados suportam as m últiplas discordâncias da alter-nância do trabalho com o estudo, por um lado, porque o trabalho contribui para o amadureci-mento pessoal, possibilita novas experiências e a independência econômica; e, por outro, por-que causa danos à saúde, gera aborrecimentos, represen ta um a obrigação, e com pete com o tempo destinado ao estudo e ao lazer.

Cabe apontar que, nos dados observados, é a prática social dos adolescentes que desenca-deia as represen tações sociais, um a vez que o grupo analisado é formado, na sua quase tota-lidade, por jovens trabalhadores. Daí a impor-tância do contexto social no qual esses jovens estão inseridos, onde predomina a necessidade econ ôm ica e a con tribuição n ecessária para a renda familiar, como já descrito no trabalho de Kinney (1993).

Neste trabalho, a verificação da hipótese de cen tralidade foi realizada com a an álise de si-militude, que será apresentada na figura 1.

Na figura 1 observa-se que a categoria “can-sativo” é aquela que organiza a representação do trabalho quan do vista a partir da relação trabalho-estudo, denotando os prejuízos e difi-culdades causados pelo trabalho. As ligações m ais fortes observadas nessa figura expressam significados negativos da relação trabalho-estu-do, presente nas categorias “perdas”, “difícil”, “necessidade” e “tempo”. Essas categorias dão o significado prim eiro da representação para os jovens estudados, reforçando e especificando a análise dos quadrantes apresentada na tabela 2. As ligações menos fortes são expressas pelas categorias “relacionam ento”, “determinação” e “dinheiro” expressando o caráter subordinado desses significados na representação analisada.

O conjunto dos elementos presentes na re-presentação social do trabalho quando analisa-da a partir analisa-da relação trabalho-estudo pode ser m elhor com preen dido levan do-se em con ta su a organ ização em torn o de três dim en sões: dim en são prática; dim en são econ ôm ica e di-mensão psicossocial.

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A dimensão psicossocial remete aos ganhos e perdas para o desenvolvimento do jovem tra-balhador, representando, por um lado, as difi-culdades enfrentadas pelos jovens na dupla jor-nada trabalho-estudo e, por outro, as suas con-seqüências para a formação da auto-imagem e da identidade, como se o trabalho possibilitas-se a agilização do depossibilitas-senvolvimento ao permitir uma maior identificação com o adulto, presen-te na capresen-tegoria “muita responsabilidade”, “rela-cionamento” e “determinação”.

A dim en são econ ôm ica é coadju van te n a an álise da represen tação da relação trabalho-estudo. Expressa não só os benefícios econômi-cos do trabalho, m as especialm ente a necessi-dade econômica que o determina, e é manifes-ta nas categorias “dinheiro” e “necessidade”.

D iscussão e conclusões

Se perguntarmos quais são as atividades que os adolescentes m ais apreciam , dorm ir será um a delas. Estudos conduzidos por autores brasilei-ros (Machado et al, 1998; Vin ha et al, 2002; Teixeira, 2002) m ostraram qu e a du ração de sono entre adolescentes fica prejudicada quan-do têm de acordar muito cequan-do para ir à escola, ou ir trabalhar. A associação en tre trabalho e redução de son o foi observada n este estudo.

Acordar mais cedo e a menor duração do sono indicam que o horário de trabalho atua com o potente sincronizador e/ou m ascarador do ci-clo vigília-sono em adolescentes. O fato de ter que trabalhar durante o dia obriga o estudante a acordar mais cedo e isso contribui para a pri-vação parcial de sono, devido à diminuição da duração do sono noturno. As conseqüências da privação parcial do son o n otu rn o du ran te os dias de sem an a podem ser verificadas a partir da m aior dificuldade para acordar e da m enor qualidade do sono, e são destacadas nas repre-sentações dos jovens.

Fischer et al.(2000), ao analisarem a dura-ção de son o de adolescen tes trabalhadores e n ão trabalhadores do in terior de São Paulo, constataram que a m enor duração de sono es-tava associada aos estudan tes trabalhadores que têm jorn ada in tegral de trabalho, sen tem son o duran te o trabalho e n as aulas, e perce-bem a qu alidade do local de trabalho com o pior. No presente estudo, a m enor duração de sono também foi associada aos estudantes tra-balhadores que trabalham em locais e funções com maiores exigências (físicas e mentais), que enfrentam condições desfavoráveis relativas à falta de con trole n o trabalho, que trabalham em locais insalubres. Um dos efeitos conheci-dos do ruído, além de provocar perdas auditi-vas, é o de perturbar o sono: os trabalhadores

86 88 88 93

23 Tempo 100

90 91 93

93

92 20 Perdas

09 Difícil 19 Necessidade

13 Estudar 18 Muita responsabilidade 24 Depende

10 Dinheiro

07 Determinação

21 Relacionamento

03 Cansativo Trabalhar e Estudar

Figura 1

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9 8 2

que estão em locais ruidosos têm m ais distúr-bios de son o e dorm em m en os (Ruten fran z, Knauth & Fischer, 1989).

Os efeitos da redução de sono se fazem sen-tir no trabalho e durante as aulas: quem dorme menos tem maior sonolência. Neste estudo ve-rificamos que mesmo em locais onde aparente-mente as atividades são “leves”, tais como escri-tórios, bancos, foi observada redução da média de sono diário.

Um a im portan te parcela dos estudan tes avaliados n esta pesquisa exercia jorn adas de trabalho superiores a oito horas diárias, o que certam ente restringe ou torna difícil conciliar o trabalho com o estudo.

A representação social observada revela al-gumas facetas que cumprem a função de justi-ficar o trabalho e a sobrecarga representada pe-la concom itância trabalho-estudo. Para os jo-ven s estudados, o trabalho n as con dições ob-servadas exige um a justificativa plausível que dê significado à continuidade do mesmo. Ape-sar de realista, a justificação funciona como um “am ortecedor” psicológico que contribui para a permanência do trabalho em quaisquer con-dições. Essa fun ção justificatória, n o en tan to, n ão é su ficien te para an u lar a am bivalên cia diante do trabalho, resultando em imagem ne-gativa que ancora a relação trabalho-estudo no can saço e n o estresse físico e psicológico. No entanto, essa sobrecarga é aceita como inevitá-vel para a con stru ção de u m fu tu ro diferen te daquele das fam ílias de origem dos joven s, e que pode ser superada através do maior empe-n ho, um a vez que traz recom peempe-n sas a loempe-n go prazo que justificam o seu enfrentamento.

Com o conclusões da análise das represen -tações sociais do trabalho pode-se afirmar que essas represen tações apon tam para um a con -tradição en tre o recon hecim en to do trabalho como valor moral, positivo para o desenvolvi-m ento psicossocial e a constituição da identi-dade, e os problem as que decorrem de um a carga física e psicológica precoce. Os com pro-metimentos para a saúde fazem parte dessa re-presentação, ora se apresentando em forma de autoculpabilização, ora associados às condições de trabalho e à privação do sono.

Esses resultados trazem implicações impor-tan tes para as práticas de cu idados dirigidas aos joven s trabalhadores, um a vez que apon -tam para im agen s específicas desse grupo po-pulacion al que m erecem ser con sideradas n as práticas edu cativas e n o plan ejam en to das ações de saúde a eles dirigidas.

A visão ingênua de associar apenas a expe-riência profissional a um a m elhor inserção no mercado de trabalho e a um melhor futuro po-de e po-deve ser po-desmistificada entre os jovens, no sentido de evitar a sua saída precoce da escola (m otivada apenas por essa crença), e tam bém de prevenir os agravos à saúde decorrentes da sobrecarga trabalho-estudo.

As relações existentes entre o trabalho, a es-cola, a privação de sono e a sonolência diurna são assuntos de grande interesse para professo-res, pedagogos e outros profissionais envolvi-dos n a educação, pois há um esforço coletivo para a melhoria das condições de aprendizado. A partir do momento em que todos estão cien-tes desses problemas, as preocupações mais fre-qüentes voltam-se para os prejuízos ao desem-pen ho escolar, devido à m en or con cen tração, menor vigilância e atenção, e lapsos de memó-ria. Soma-se a estes aspectos o reduzido tempo de permanência na escola, a impossibilidade de dedicar-se aos estudos fora do horário escolar, as freqü en tes au sên cias e atrasos às au las e a evasão escolar.

Este estudo sugere a n ecessidade de in ter-venção na organização social, principalm ente na organização escolar. Alterações nos horários escolares, como por exemplo, aulas aos sábados para os estudantes trabalhadores e início m ais tardio das au las n o período n otu rn o, são im -portantes para o melhor aproveitamento esco-lar. As mudanças devem priorizar as necessida-des de sono necessida-desses estudantes, mas não podem esquecer as comunidades (profissionais da área de educação, pais, etc) que estão envolvidas.

Além da intervenção na organização esco-lar, são necessários treinamentos gerais e espe-cializados, que garan tam aos adolescen tes a realização de atividades que de fato lhes tragam benefícios palpáveis, m ais que o de apenas re-ceberem m iseráveis pagam en tos para su a so-brevivência e, por vezes, a de sua família. Acre-dita-se que, perante os resultados da pesquisa, a escola poderá se tornar um fator im portante na difícil tarefa de tentar resgatar o papel da fa-m ília na vida dos adolescentes trabalhadores.

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Agradecimentos

FAPESP e CNPq pelo apoio financeiro; aos demais mem -bros da equipe de trabalho: Marcio Lombardi Jr (bolsista de Iniciação Científica FAPESP); Roberta Nagai (bolsista de Treinamento Técnico FAPESP); prof. dr. Celso Pereira de Sá, do Instituto de Psicologia da UERJ; profadra Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP; e draSharon Cooper, da A& M University System , Texas, USA (consultores das análises de represen tações sociais, estatística e epidem iologia).

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Artigo apresentado em 15/8/2003 Aprovado em 16/10/2003

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