Março 2008
G E T U L I O
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S Ã O P A U L O P A R T I C I P AT I VA
I
nformação é o que falta para que a sociedade se interesse mais pelo que acontece com sua cidade, é o que pensa o advogado Paulo Lo-mar, autor do projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal, PLO 08/07. Promulgada dia 19 de fevereiro deste ano pela Câmara Municipal de São Paulo, exige a apresentação de um Plano de Metas pelos prefeitos, além da prestação de contas à população, a cada seis meses, do que realiza no mu-nicípio. A proposta foi apresentada pelo Movimento Nossa São Paulo, em agosto passado. A idéia não é apenas estimular maior comprometimento dos governos municipais com a população, mas tam-bém a de incentivar maior participação da sociedade na gestão pública.“Um dos objetivos do movimento é investir em educação cidadã, mas essa é uma mudança cultural, ela não ocorre de uma hora para outra”, diz Maurício Broinizi, coordenador da secretaria-exe-cutiva do Nossa São Paulo. Criado em maio do ano passado, o movimento atua com cerca de 400 organizações não go-vernamentais e visa otimizar o trabalho dessas ONGs usando, para isso, indica-dores e pesquisas de percepção sobre a cidade. Como não possui hierarquias e se constitui na forma de rede, o movi-mento conta com a assistência do Ins-tituto São Paulo Sustentável, uma OS-CIP, espécie de ONG com certificado emitido pelo governo federal. Segundo sua assessoria, “o Movimento não apóia causas, ele trabalha com transparência na informação e na gestão pública”. Seu slogan é a busca por uma São Paulo justa e sustentável e, para isso, o movimento quer estimular a formação fiscalizadora da sociedade civil.
“A população é carente de informa-ções, então, quanto mais acesso tiver a dados, mais clareza terá do que é possível
fazer, podendo cobrar melhor. Mas isso é um processo”, constata Lomar. “Com a participação e cobrança do cidadão, haverá maior continuidade nas políticas públicas. O que se tem constatado é que as cidades que adotaram a continuidade, avançaram”, afirma. “E a informação é fundamental para que a gente se dê con-ta da cidade onde vivemos, de suas dife-renças regionais, e, assim, cobrar maior justiça na distribuição de prioridades e investimentos”, diz Broinizi.
O texto aprovado na Câmara foi ins-pirado no modelo aplicado em Bogotá, Colômbia. Lá a participação da popu-lação é fundamental. “O munícipe não participa do processo de gestão pública apenas quando elege seus representan-tes, ele tem o direito de influir durante todo período, inclusive na proposta e aprovação de projetos”, afirma Lomar, que formulou esse projeto inspirado na experiência colombiana.
Responsabilidade com a gestão
Para a sociedade ficar atenta à ad-ministração pública, acompanhando as mudanças no seu espaço, Nossa São Paulo tem no site ( www.nossasaopau-lo.org.br) o Observatório Cidadão, com informações e indicadores econômicos, políticos, ambientais e culturais das 31 subprefeituras do município. “É obri-gação do poder público dar visibilidade às informações sobre a administração pública”, diz Broinizi. “É importante fornecer informações sobre as políti-cas que estão sendo pensadas. Quanto mais a população souber, mais apren-derá, seu senso crítico vai adquirindo qualidade”, frisa Lomar. O advogado também acredita que mudanças ou aperfeiçoamentos de leis, como ocorreu com a PLO 08/07, devem ser resultado de um consenso entre poder público e uma sociedade madura: “A mudança
depende muito da conscientização da sociedade. Às vezes pensamos que fazer novas leis mudará a realidade, como se tivessem um poder mágico de mudar a realidade. Nenhuma lei tem esse po-der”, observa. “É preciso mudar a atitu-de atitu-de votar e transferir a responsabilida-de para o candidato eleito. O certo é se comprometer, ter co-responsabilidade com a gestão. Além de fazer a sua parte, pagar os impostos, o eleitor tem de con-trolar a atuação do governante eleito”, completa Broinizi.
Transparência política
O princípio da co-responsabilidade a que se refere Broinizi será a base de sustentação da nova emenda aprovada, pois nela não consta nenhuma sanção aos governantes que não estabelecerem seu Plano de Metas ou descumpri-lo. “Temos que tomar uma série de atitudes dentro dessa lógica de co-responsabili-dade. A sociedade civil, as empresas, os empresários, as organizações não go-vernamentais, os movimentos sociais devem cobrar, participar mais e mudar essa cultura. Isso é fundamental para a democracia dar certo. Ao mesmo tempo devem monitorar para que a gestão do prefeito seja transparente, democráti-ca”, destaca. “Não cumpriu, está fora. A maior punição é a publicidade contra. A punição é o voto”, acredita a ex-ces-tinha da seleção brasileira de basquete Hortência, integrante da organização Atletas pela Cidadania, que partici-pa do movimento. A vereadora Sonia Francine (PPS) acredita que o projeto é um aperfeiçoamento do que já existe e reforça: “Precisamos de coisas mais pal-páveis, mais concretas para ir avaliando durante a gestão”. Acompanhar e cobrar é o que faz o Nossa São Paulo, mas sua atuação só faz sentido se a sociedade também ficar de olho.