SINUGRAFIA DIRETA VIA SEIO SAGITAL SUPERIOR NA CRIANÇA.
CONTRIBUIÇÃO PARA SUA INTERPRETAÇÃO
O S W A L D O RlCCIARDI C R U Z *
A importância cada vez maior da patologia venosa intracraniana
justi-fica os trabalhos tendentes a visibilizar, radiològicamente, os seios da
dura-mater. A angiografia cerebral, por via carotídea, como é feita
rotineira-mente, não permite contrastar esses condutores sangüíneos com a constância
desejável e a necessária clareza. A ausência ou a imprecisão das imagens
dos seios durais, na maioria das angiografias comuns, é explicável em parte
pela diluição do contraste na última fase da circulação cerebral e,
principal-mente, pelo emprego de séries de radiografias com reduzido número de
cha-pas, separadas por intervalos de tempo relativamente longos. Este último
inconveniente poderia ser contornado mediante séries com maior número de
radiografias ou, melhor ainda, com o emprego da cineangiografia. Estes
re-cursos, entretanto, encontram-se ainda em fase de aperfeiçoamento, não
sen-do, no momento, utilizáveis na prática. Por essas razões, alguns autores
foram levados ao emprego de métodos mais adequados para o estudo dos
seios da dura-mater, sendo levados, afinal, à injeção de substâncias
contras-tantes diretamente no sistema sinusal — sinugrafia direta — método que
elimina, pelo menos, o inconveniente da diluição do contraste. A sinugrafia
direta, permitindo o estudo da morfologia e da permeabilidade rios seios da
dura-mater, é, atualmente, o melhor meio de que dispomos para objetivar,
no vivo, a obstrução desses canais venosos.
T e s e de d o u t o r a m e n t o a p r e s e n t a d a à F a c u l d a d e de M e d i c i n a da U n i v e r s i d a d e de S ã o P a u l o ( C a d e i r a de C l í n i c a N e u r o l ó g i c a ) , d e f e n d i d a e m 7 d e d e z e m b r o de 1957.
* P l a n t o n i s t a de N e u r o c i r u r g i a no P r o n t o S o c o r r o d o H o s p i t a l das C l í n i c a s da F a c u l d a d e de M e d i c i n a d a U n i v e r s i d a d e de S ã o P a u l o .
O método comporta limitações facilmente compreensíveis. A t é o
momen-to, a sinugrafia direta permite estudar apenas uma parte do sistema sinusal
intracraniano, pois somente o seio sagital superior tem sido usado como via
para a introdução de substâncias radiopacas; evidentemente, assim só podem
ser visibilizados os seios venosos que carreiam o sangue venoso desde o ponto
puncionado até à veia jugular interna, isto é, seio sagital superior, seios
oc-cipitais e seios transversos.
Por outro lado, para a interpretação correta dos achados radiográficos
e sua aplicação ao diagnóstico, será preciso considerar eventualidades em que
os seios venosos não são normalmente contrastáveis. Assim, a ausência de
contrastação dos seios occipitais é destituída de significado patológico, pois
a oclusão destes seios ocorre, em grande número de casos, em função do
de-senvolvimento ontogênico normal. Excepcionalmente, um dos seios
transver-sos também pode faltar, em conseqüência de desvio no desenvolvimento
em-brionário. Importante, porém, é lembrar que a falta de um dos seios
trans-versos no sinugrama não significa, obrigatoriamente, que esteja obstruído por
um processo ontogênico; esta ausência pode ser aparente, atribuível a simples
variação anatômica que altere as relações recíprocas entre o seio sagital
su-perior, o seio reto e os seios transversos, o que, conseqüentemente, modifica
a dinâmica do fluxo do sangue venoso.
É evidente que a distinção entre oclusão patológica e variação anatômica
de um seio durai tem grande valor prático. O reconhecimento da oclusão
orgânica, pelo estudo radiológico, nem sempre é fácil e grandes erros podem
ser cometidos, se não forem bem conhecidos os variados aspectos do
sinu-grama normal. Daí o interesse de trabalhos visando a estudar os aspectos
radiológicos normais dos seios venosos intracranianos, em indivíduos de várias
idades.
A freqüência com que têm ocorrido, em crianças, afecções atribuíveis a
bloqueios da circulação encefálica de retorno, levou-nos ao presente trabalho,
com o qual visamos a contribuir para o estudo radiológico de alguns seios
venosos da dura-mater (seio sagital superior, seios occipitais e seios
transver-sos), em crianças normais, mediante a introdução de substâncias radiopacas
diretamente no seio sagital superior.
Nosso trabalho é dividido em quatro partes: na primeira, fazemos uma
recordação sumária da anatomia dos seios da dura-mater, focalizando suas
variações, especialmente aquelas referentes à parte do sistema sinusal, a cujo
estudo radiológico nos dedicamos; na segunda, expomos os dados radiológicos
que obtivemos; na terceira, interpretamos e comentamos os resultados,
con-frontando os dados anatômicos e os elementos sinugráficos; a quarta parte
encerra as conclusões.
B R E V E R E C O R D A Ç Ã O A N A T Ô M I C A D O S S E I O S D A D U R A - M A T E R
t ú n i c a i n t e r n a , de n a t u r e z a e n d o t e l i a l ; e n t r e e s t a s duas c a m a d a s , h á t ê n u e e s t r a t o d é t e c i d o c o n j u n t i v o , c o n t e n d o f i b r a s e l á s t i c a s , q u e se c o n t i n u a m n o t e c i d o f i b r o s o da d u r a m a t e r . N o i n t e r i o r d e g r a n d e n ú m e r o dos seios d u r a i s e x i s t e m t r a b e c u l e s , i s o -l a d a s ou e m r e t í c u -l o s , f i n a s o u espessas, c u r t a s o u -l o n g a s , q u e r e d u z e m a -luz desses c o n d u t o r e s d o s a n g u e v e n o s o . D e s t i t u í d o s d e v á l v u l a s , os* seios d u r a i s são i m ó v e i s e p o u c o e x t e n s í v e i s .
A t o p o g r a f i a e as r e l a ç õ e s r e c í p r o c a s dos seios d u r a i s t ê m s e r v i d o de c r i t é r i o p a r a sua c l a s s i f i c a ç ã o . A d o t a m o s a c l a s s i f i c a ç ã o r e f e r i d a p o r T e s t u t2 1
, s e g u n d o a q u a l os seios da d u r a m a t e r s ã o d i v i d i d o s e m t o r c u l a r i a n o s e a t o r c u l a r i a n o s , c o n -f o r m e t e n h a m ou n ã o r e l a ç ã o c o m o " t o r c u l a r d e H e r o p h i l o " .
E m v i r t u d e das d ú v i d a s q u e p o d e r i a m r e s u l t a r da t r a d u ç ã o da p a l a v r a " t o r c u l a r " , p r e f e r i m o s e m p r e g a r a e x p r e s s ã o " c o n f l u e n t e dos s e i o s " p a r a d e s i g n a r a f o r -m a ç ã o a n a t ô -m i c a d e n o -m i n a d a " t o r c u l a r d e H e r o p h i l o " . D a -m e s -m a f o r -m a , e -m subst i subst u i ç ã o a o s subst e r m o s " subst o r c u l a r i a n o s " e " a subst o r c u l a r i a n o s " , e m p r e g a r e m o s os subst e r m o s " c o n -f l u e n c i a i s " e " n ã o c o n -f l u e n c i a i s " .
Os seios c o n f l u e n c i a i s , ou s e j a m , a q u e l e s q u e se o r i g i n a m ou t e r m i n a m n o c o n -f l u e n t e d o s seios, s ã o : seio s a g i t a l superior, seios t r a n s v e r s o s , s e i o r e t o e seio o u seios o c c i p i t a i s . Os seios n ã o c o n f l u e n c i a i s s ã o : seios c a v e r n o s o s , seio i n t e r c a v e r noso, seios p e t r o s o s s u p e r i o r e s , seios p e t r o s o s i n f e r i o r e s , p l e x o b a s i l a r , seio e s f e n o -p a r i e t a l de B r e s c h e t e seio s a g i t a l i n f e r i o r . P a r a este t r a b a l h o só i n t e r e s s a o es-t u d o dos seios c o n f l u e n c i a i s .
Seios confluenciais e confluente dos seios
1. O seio sagital superior ( s e i o l o n g i t u d i n a l s u p e r i o r ) é í m p a r , de s i t u a ç ã o m e d i a n a , a c o m p a n h a n d o o b o r d o c o n v e x o d a f o i c e d o c é r e b r o e e s t e n d e n d o s e d a a p ó f i s e c r i s t a g a l i à p r o t u b e r â n c i a o c c i p i t a l i n t e r n a ; da f r e n t e p a r a t r á s e n t r a e m r e l a ç ã o , s u c e s s i v a m e n t e , c o m a a p ó f i s e c r i s t a g a l i , c o m a c r i s t a f r o n t a l e c o m a g o -t e i r a l o n g i -t u d i n a l , e s c a v a ç ã o na l i n h a m e d i a n a da f a c e i n -t e r n a d o osso f r o n -t a l , da s u t u r a i n t e r p a r i e t a l e do o c c i p i t a l ; i n i c i a - s e , a n t e r i o r m e n t e , a o n í v e l d o b u r a c o c e g o , seja p o r u m s i m p l e s f u n d o de s a c o , seja p o r u m a v e i a p r o v e n i e n t e d a p a r e d e óssea: p o s t e r i o r m e n t e , se l a n ç a n o c o n f l u e n t e dos seios. E m c o r t e f r o n t a l , e s t e seio v e n o s o t e m f o r m a t r i a n g u l a r c o m base c u r v i l i n e a s u p e r i o r : a f a c e s u p e r i o r se a d a p t a à g o t e i r a l o n g i t u d i n a l ; as f a c e s l a t e r a i s se r e l a c i o n a m c o m os b o r d o s s u p e r i o r e s dos h e m i s f é r i o s c e r e b r a i s ; os b o r d o s l a t e r a i s d i r e i t o e e s q u e r d o se c o n t i n u a m c o m a d u r a - m a t e r d a c a l o t a c r a n i a n a ; o b o r d o i n f e r i o r se c o n t i n u a c o m a f o i c e do c é r e b r o . E s t e s e i o v e n o s o r e c e b e , c o m o a f l u e n t e s , as v e i a s da p a r t e a n t e r i o r do l o b o o r b i t á r i o , as v e i a s d a f a c e i n t e r n a e da m e t a d e s u p e r i o r d a f a c e e x t e r n a dos h e m i s f é r i o s c e -r e b -r a i s ( v e i a s a s c e n d e n t e s ) . M e -r e c e m p a -r t i c u l a -r a t e n ç ã o , d e n t -r e as v e i a s c e -r e b -r a i s a n a s t o m ó t i c a s : a v e i a a n a s t o m ó t i c a a n t e r i o r , o u v e i a d e T r o l a r d , q u e e s t a b e l e c e c o -m u n i c a ç ã o e n t r e o seio s a g i t a l s u p e r i o r e o seio c a v e r n o s o o u o s e i o p e t r o s o supe-r i o supe-r ; a v e i a a n a s t o m ó t i c a p o s t e supe-r i o supe-r , ou v e i a de L a b b é , q u e se d i supe-r i g e d o s e g m e n t o h o r i z o n t a l d o seio t r a n s v e r s o à v e i a de T r o l a r d , o u d i r e t a m e n t e a o s e i o s a g i t a l sup e r i o r . O s e i o s a g i t a l s u sup e r i o r r e c e b e , a i n d a , c o m o a f l u e n t e s , m a s n ã o de f o r m a d i -r e t a , as v e i a s m e n í n g e a s m é d i a s e v e i a s d i p l ó i c a s e, t a m b é m , as v e i a s e m i s s á -r i a s de S a n t o r i n i , q u e o p õ e m e m r e l a ç ã o c o m as v e i a s e x t r a c r a n i a n a s , a t r a v é s dos b u r a -c o s p a r i e t a i s .
v e i a do v e s t í b u l o . D u a s v e i a s e m i s s á r i a s e s t a b e l e c e m c o m u n i c a ç ã o e n t r e estes seios e o s i s t e m a v e n o s o e x t r a c r a n i a n o : a m a i s c o n s t a n t e é a v e i a m a s t ó i d e a , que, a t r a -v é s d o b u r a c o m a s t ó i d e o , a t i n g e a p o r ç ã o -v e r t i c a l d o s e i o t r a n s -v e r s o . A e m i s s á r i a o c c i p i t a l c o m u n i c a o s e i o t r a n s v e r s o , ou o c o n f l u e n t e dos seios, c o m as v e i a s d i p l ó i cas, a t r a v é s d e u m b u r a c o e s c a v a d o na p r o t u b e r â n c i a o c c i p i t a l i n t e r n a ; esta e m i s s á -ria p o d e a t r a v e s s a r t o d a a espessura d o osso, a n a s t o m o s a n d o - s e c o m um r a m o da v e i a o c c i p i t a l . O u t r o t i p o de c o m u n i c a ç ã o e v e n t u a l é d a d o p e l o s e i o p e t r o s c a m o s o , que, p a r t i n d o d o s e i o t r a n s v e r s o , a o n í v e l do l i m i t e i n t r a c r a n i a n o do b u r a c o r a s g a d o p o s t e r i o r , c r u z a o b o r d o s u p e r i o r d o r o c h e d o e se l a n ç a , a p ó s p e r f u r a r a e s c a m a do t e m p o r a l , e m u m dos a f l u e n t e s da v e i a j u g u l a r e x t e r n a ( v e i a t e m p o r a l s u p e r f i c i a l ou t e m p o r a l p r o f u n d a ) .
3. O seio reto, i m p a r e m e d i a n o , s i t u a - s e a o l o n g o da base da f o i c e do c é r e b r o , s o b r e a p a r t e m e d i a n a da t e n d a do c e r e b e l o . T e m a f o r m a de p r i s m a t r i a n g u l a r , c o m a base r e p o u s a n d o s o b r e a t e n d a do c e r e b e l o e u m a a r e s t a s u p e r i o r q u e se c o n t i n u a c o m a f o i c e d o c é r e b r o . E s t e seio r e c e b e , e m sua p a r t e a n t e r i o r , o seio s a g i t a l i n f e r i o r , as v e i a s c e r e b r a i s p r o f u n d a s ( v e i a s de G a l e n o ou c e r e b r a i s i n t e r n a s ) e as c e -r e b -r a i s i n f e -r i o -r e s ou v e i a s b a s i l a -r e s — -r e u n i d a s , o u n ã o , e m u m t -r o n c o c o m u m , a a m p ô l a de G a l e n o — q u e r e c o l h e m o s a n g u e das p a r e d e s v e n t r i c u l a r e s , dos c o r p o s e s t r i a d o s , de g r a n d e p a r t e d o c e n t r o o v a l e d a s p o r ç õ e s m e d i a i s da base do c é r e b r o . O seio r e t o r e c e b e , t a m b é m , o s a n g u e d a v e i a c e r e b e l o s a s u p e r i o r ( v e i a v e r m i a n a ) , p r o v e n i e n t e da p a r t e s u p e r i o r d o c e r e b e l o . P e l a sua e x t r e m i d a d e p o s t e r i o r , o seio r e t o se l a n ç a no c o n f l u e n t e dos seios.
4. O seio occipital ( s e i o o c c i p i t a l p o s t e r i o r ) é o m e n o r dos seios v e n o s o s da d u r a - m a t e r e o m a i s v a r i á v e l q u a n t o a o d e s e n v o l v i m e n t o . Q u a n d o p r e s e n t e , t e m i n i c i o e x t e r n a m e n t e a o b u r a c o o c c i p i t a l p o r u m p e q u e n o g r u p o de v e i a s q u e se c o -m u n i c a -m c o -m a s p r i -m e i r a s v e i a s i n t r a - r a q u i d i a n a s e c o -m a p o r ç ã o t e r -m i n a l d o s e i o t r a n s v e r s o ; daí, d i r i g e s e p a r a t r á s e d e p o i s p a r a c i m a , i n d o a t i n g i r , p r ó x i m o à p r o -t u b e r â n c i a o c c i p i -t a l i n -t e r n a , u m dos seios -t r a n s v e r s o s ou o c o n f l u e n -t e dos seios. E s -t e seio c o n s t i t u i , assim, u m a a n a s t o m o s e e n t r e as e x t r e m i d a d e s d o seio t r a n s v e r s o : r e -cebe v e i a do c e r e b e l o , da d i p l o e e da d u r a - m a t e r ; p o d e ser ú n i c o ou d u p l o , s e g u i n d o , na s e g u n d a p o r ç ã o d e seu t r a j e t o , de u m l a d o , o u u m de c a d a l a d o , a c r i s t a o c c i p i t a l . B r o w n i n g e s t u d a n d o o s i s t e m a sinusal d o f e t o e d o r e c é m n a s c i d o , e n c o n -trou c o m g r a n d e f r e q ü ê n c i a o seio o c c i p i t a l .
O confluente dos seios (prensa de Herophilo, torcular de Herophilo,
tor-cular) apresenta inúmeras variações que, desde longa data, têm preocupado
cirurgiões a anatomistas, segundo os quais, o seio sagital superior, o mais
volumoso dos seios que chega a este confluente, dirigir-se-ia para o seio
trans-verso direito, enquanto o seio reto se continuaria com o seio transtrans-verso
es-querdo. Aliás, os anatomistas referem que o maior afluxo de sangue venoso
do encéfalo se dá para o seio transverso direito que, na maioria dos casos,
teria luz mais ampla do que o esquerdo. Várias teorias baseadas em
argu-mentos anátomo-fisiológicos, embriológicos e filogenéticos foram propostas
para explicar essa predominância do fluxo venoso intracraniano para a direita.
Segundo Woodhal
2 2>
2 3, Edwards
61") O t i p o reservatório comum c o n s t i t u i o t i p o c l á s s i c o de c o n f l u e n t e tfos seios. D a c o n f l u ê n c i a dos s e i o s s a g i t a l s u p e r i o r , r e t o e o c c i p i t a l , r e s u l t a u m a f o r m a ç ã o í m p a r e m e d i a n a , na q u a l t ê m o r i g e m os seios t r a n s v e r s o s . E m b o r a seja o m a i s c o n h e c i d o , e s t e t i p o de c o n f l u e n t e sinusal é d o s m e n o s f r e q ü e n t e s ( f i g . 1 ) . Este t i p o de v a r i a ç ã o f o i e n c o n t r a d o p o r E d w a r d s 0
e m 6 d e n t r e 50 casos, por W o o d h a l - - ,: 3
e m 9 d e n t r e 100 c a s o s e, p o r B r o w n i n g 1
e m 36 d e n t r e 100 casos.
2v) O t i p o plexiforme ( b i f u r c a d o ) r e s u l t a de p a r a d a no d e s e n v o l v i m e n t o e m b r i o l ó g i c o . E x i s t e m d o i s c a n a i s na f a s e e m b r i o n á r i a d o d e s e n v o l v i m e n t o o n t o g e n é -t i c o , de cuja l u s ã o r e s u l -t a o seio s a g i -t a l s u p e r i o r ( f i g . 2 ) .
do seio r e t o — a o m e n o r , n o caso de s e r e m d e s i g u a i s — f o r m a n d o u m dos seios t r a n s v e r s o s , u s u a l m e n t e o d i r e i t o ; c ) s e n d o o seio s a g i t a l s u p e r i o r , d u p l o na sua p o r ç ã o t e r m i n a l e o seio r e t o , único, e s t e se u n e a um dos r a m o s d o seio s a g i t a l s u p e r i o r , f o r m a n d o u m dos seios t r a n s v e r s o s , e m g e r a l , o e s q u e r d o . N o s ú l t i m o s d o i s s u b t i p o s é q u e se n o t a a m a i o r d i f e r e n ç a no c a l i b r e dos dois seios t r a n s v e r s o s . É f r e q ü e n t e a a n a s t o m o s e e n t r e os seios t r a n s v e r s o s , p o r i n t e r m é d i o d e u m c a n a l , c a n a l d e c i r c u l a ç ã o c r u z a d a , q u e se e s t e n d e e n t r e eles. Este t i p o de v a r i a ç ã o f o i e n c o n t r a d o p o r E d w a r d s0
e m 24 d e n t r e 50 casos, e p o r W o o d h a l2 2
, -3
e m 56 d e n t r e 100 casos. B r o w n i n g1
e m 300 casos, e n c o n t r o u 64 q u e c l a s s i f i c o u c o m o v a r i a ç õ e s p l e -x i f o r m e s , i n c l u i n d o e n t r e estas as v a r i a ç õ e s t i p o i p s i l a t e r a l c o m c i r c u l a ç ã o c r u z a d a e c o n s i d e r a n d o a r b i t r á r i a a s e p a r a ç ã o d e s t a s f o r m a s a n a t ô m i c a s e m u m t i p o à p a r t e ( f i g . 2 ) .
3<?) N o t i p o ipsilateral, o seio s a g i t a l s u p e r i o r se d i r i g e p a r a u m dos l a d o s , g e -r a l m e n t e o d i -r e i t o , c o n t i n u a n d o - s e d i -r e t a m e n t e c o m o seio t -r a n s v e -r s o c o -r -r e s p o n d e n t e ; o seio r e t o se d i r i g e p a r a o l a d o o p o s t o , c o n t i n u a n d o s e , e m g e r a l , c o m o seio t r a n s -v e r s o e s q u e r d o . N a m a i o r i a dos casos, o seio t r a n s -v e r s o , q u e r e c e b e o s a n g u e d o seio s a g i t a l s u p e r i o r , é o de m a i o r c a l i b r e . N e s t a v a r i e d a d e de d i s t r i b u i ç ã o dos seios d u r a i s é f r e q ü e n t e a e x i s t ê n c i a de a n a s t o m o s e e n t r e os seios t r a n s v e r s o s , seja p o r u m c a n a l ú n i c o m a i s ou m e n o s c a l i b r o s o , seja p o r d o i s ou m a i s ( f i g . 3 ) . Este t i p o de v a r i a ç ã o foi e n c o n t r a d o p o r E d w a r d sβ
e m I S d e n t r e 50 casos, e p o r W o o d h a lS í
, ϊ :
' e m 31 d e n t r e 100 casos.
en-c o n t r a d o p o r E d w a r d s1 1
e m 3 d e n t r e 50 casos, e por W o o d h a l 2
,2 3
e m 4 d e n t r e 100 casos.
5o) O t i p o occipital, r a r a m e n t e o b s e r v a d o , consiste, f u n d a m e n t a l m e n t e , na p e r s i s t κ n c i a d e um ou a m b o s seios o c c i p i t a i s , m u i t o d e s e n v o l v i d o s , p o d e n d o , a l g u m a s v e z e s , v e r i f i c a r s e i n v e r s γ o do s e n t i d o da c o r r e n t e s a n g ό í n e a e m seu i n t e r i o r . Q u a n d o essa i n v e r s γ o de c o r r e n t e o c o r r e , o seio o c c i p i t a l , d e a f e r e n t e , passa a f u n c i o n a r c o m o e f e r e n t e do c o n f l u e n t e sinusal, f a z e n d o as v e z e s d e um dos seios t r a n s v e r s o s ( f i g . 5 ) . Esse t i p o de v a r i a η γ o f o i d e s c r i t o p o r W o o d h a l2 2
, : !
, q u e n γ o o c o n s i d e r o u p e r c e n t u a l m e n t e , d a d a sua e x t r e m a r a r i d a d e no a d u l t o . A m a i o r f r e q ό κ n c i a dos seios o c c i p i t a i s na c r i a n η a nos l e v o u a i n c l u i r esse q u i n t o t i p o d e v a r i a η γ o e m nosso e s t u d o .
E S T U D O R A D I O L Σ G I C O D O S S E I O S D A D U R A M A T E R
Sicard e ο ο ΐ .
1 8·
1 0foram os primeiros a injetar, diretamente no seio sa
gital superior, uma substância radiopaca com o intuito de estudar,
radiològi-camente, os seios da dura-mater; com via de acesso anterior e mediana,
pra-ticavam, sob anestesia local, uma trepanação, expondo esse canal venoso e
injetando um meio de contraste iodado lipossolúvel (Lipiodol); colocado o
paciente em decúbito dorsal, com a cabeça em declive, bloqueavam as veias
jugulares internas, por compressão digital, a fim de retardar o fluxo venoso
intracraniano e, por conseguinte, o trânsito do meio de contraste. Mais
tarde, Frenckner
8utilizou técnica idêntica para injetar meio de contraste
hidrossolúvel (Thorotrast a 3 5 % ) . Ulteriormente, este a u t o r
0modificou a
via de acesso ao canal venoso, fazendo pequeno orifício sobre a sutura
inter-parietal, através do qual puncionava o seio sagital superior. Dixon
4>
5inje-tou contraste hidrossolúvel (Neo-Skiodan) diretamente no seio transverso.
Recentemente, Ray e col.
1-'.
1 5·
1 6estudaram os seios durais, empregando via
de acesso semelhante à de Sicard e c o l .
l s>
1 9, e inserindo um cateter no canal
venoso através de uma incisão feita em sua parede superior. Guidetti
1 1realizou a sinugrafia direta em 4 casos de meningeoma parassagital. Ellis
7,
Ingrahan e Matson
1 2, Carrea
2, realizaram a sinugrafia direta em crianças
puncionando o seio sagital superior, através da fontanela bregmática. Em
nosso meio, Lefèvre e col.
1 3A substância radiopaca injetada no seio sagital superior, seguindo a
di-reção da corrente sangüínea, permite a visibilização radiológica desse canal
venoso, dos seios transversos e das veias jugulares internas; são contrastados,
também, quando presentes, os seios occipitais. Assim, a sinugrafia direta,
via seio sagital superior, permite o estudo radiológico dos seios confluenciais
— com exceção do seio reto — e das veias jugulares internas. A
modifica-ção do quadro sinugráfico básico foi tentada por alguns autores, assunto ao
qual voltaremos em outro capítulo.
Todas as publicações sobre a radiologia contrastada dos canais durais
atestam as dificuldades da interpretação do exame, em virtude da falta de
uma sistematização do quadro sinugráfico normal. Ray e col.
1foram os
únicos que realizaram o exame no adulto normal de modo sistemático.
Material e técnica.
N o s s o m a t e r i a l c o n s t a de 50 casos, t o d o s d e c r i a n ç a s i n t e r n a d a s no H o s p i t a l das C l í n i c a s , q u e n ã o a p r e s e n t a v a m q u a l q u e r m a n i f e s t a ç ã o de o r d e m n e u r o l ó g i c a . A i d a d e dessas c r i a n ç a s v a r i a v a de 3 d i a s a 21 m e s e s ; 27 e r a m d o s e x o f e m i n i n o o 23 do s e x o m a s c u l i n o . D a s õO c r i a n ç a s , 43 e r a m b r a n c a s , 5 p a r d a s e 2 p r e t a s . N a g r a n d e m a i o r i a , essas c r i a n ç a s f o r a m i n t e r n a d a s e m v i r t u d e d e s e r e m p o r t a d o r a s d e q u a d r o d i s p é p t i c o a g u d o , s a l v o a l g u n s casos d e a f e c ç õ e s b r o n c o p u l m o n a r e s . E m n e n h u m de nossos casos h o u v e n e c e s s i d a d e de t r e p a n a ç ã o . P a r a c o n f r o n t o c o m os a s -p e c t o s n o r m a i s , a -p r e s e n t a m o s os q u a d r o s r a d i o l ó g i c o s de 5 casos -p a t o l ó g i c o s .
E s t u d o s de S i c a r d e c o l ., s
, 1 9
, de H a g u e n a u e G a l l y 1 0
, de F r e n c k n e r8
,9
e de R a y e c o l . " , ''', 1 C
, q u e c o m p r o v a r a m , no h o m e m , a i n o c u i d a d e do m é t o d o , j u s t i f i c a m o nosso m o d o de p r o c e d e r , e m p r e g a n d o - o e m c r i a n ç a s .
O s e g u i m e n t o desses casos, a p ó s a r e a l i z a ç ã o da s i n u g r a f i a d i r e t a , foi f e i t o e m um p e r í o d o q u e v a r i o u de t r ê s a q u a t r o s e m a n a s . E m n e n h u m d e l e s se o b s e r v o u q u a l q u e r a n o r m a l i d a d e q u e pudesse ser r e l a c i o n a d a c o m o e x a m e . E m a p e n a s um caso, q u e r e l a t a r e m o s o p o r t u n a m e n t e , r e g i s t r o u - s e um a c i d e n t e , d e c o r r e n t e de u m a f a l h a t é c n i c a , n ã o se t e n d o s e q u e r o b t i d o a s i n u g r a f i a .
N a t é c n i c a da s i n u g r a f i a d i r e t a v i a seio s a g i t a l s u p e r i o r , p o d e m ser c o n s i d e r a -das t r ê s fases c o n s e c u t i v a s :
a . Punção do seio — A t é c n i c a da p u n ç ã o sinusal v a r i a , c o n f o r m e se t r a t e de c r i a n ç a c o m f o n t a n e l a b r e g m á t i c a a i n d a a b e r t a , ou de p a c i e n t e n o q u a l o p r o c e s s o de o s s i f i c a ç ã o d o c r â n i o j á se t e n h a c o m p l e t a d o , p e l o m e n o s e m e x t e n s ã o .
T r a t a n d o s e de p a c i e n t e s nos q u a i s o p r o c e s s o de o s s i f i e a η γ o da f o n t a n e l a b r e g m α t i c a j α se t e n h a c o m p l e t a d o , a p u n η γ o d o seio s a g i t a l s u p e r i o r , p a r a a r e a l i z a η γ o d a s i n u g r a f i a d i r e t a , r e q u e r u m a t r e p a n a η γ o f r o n t a l m e d i a n a .
P u n c i o n a d o o seio s a g i t a l s u p e r i o r , u m a a s p i r a η γ o c o m s e r i n g a p e r m i t i r α v e r i f i c a r se a p o n t a da a g u l h a se e n c o n t r a ou n γ o c o r r e t a m e n t e i n s e r i d a na luz d o c a n a l v e n o s o . E m caso p o s i t i v o , o s a n g u e v e n o s o f l u i r α f a c i l m e n t e ; e m caso de p u n η γ o d e f e i t u o s a , h a v e r α r e s i s t κ n c i a γ a s p i r a η γ o e c o l a p s o das p a r e d e s do t u b o p l α s t i c o .
b . Injeções de contraste — S γ o u t i l i z a d o s 10 a 12 m l de N o s i l a n a 35% ( α c i d o N a c ι t i c o 3 : 5 b i i τ d o 4 p i r i d o n a d i e t a n o l a m i n a ) ou p r o d u t o s i m i l a r . O t e m p o g a s t o p a r a c o m p l e t a r e s t a i n j e η γ o v a r i a d e 2 a 3 s e g u n d o s . A r a d i o g r a f i a ι t i r a d a du r a n t e a i n j e η γ o da s u b s t â n c i a r a d i o p a c a , a n t e s de s e r e m i n j e t a d o s os ú l t i m o s 2 m l . I m e d i t a m e n t e a p ó s a i n j e ç ã o , o p a c i e n t e a p r e s e n t a , e m g e r a l , c u r t o acesso de tosse, d e v i d o , s e g u n d o p a r e c e , à i r r i t a ç ã o b r o n c o p u l m o n a r p r o d u z i d a p e l o c o n t r a s t e a o a t r a -v e s s a r a p e q u e n a circulaçã.o. A s e n s i b i l i d a d e a o c o n t r a s t e é -v e r i f i c a d a c o m i n j e ç ã o p r é v i a d e 2 m l na v e i a .
dis-p o s t o de m o d o q u e o r a i o c e n t r a l , c o m d i r e η γ o h o r i z o n t a l , i n c i d a e m u m dis-p o n t o si t u a d o 2 c m a c i m a da a r c a d a z i g o m α t i c a e 2 c m a d i a n t e d o c o n d u t o a u d i t i v o e x t e r n o , a p r o x i m a d a m e n t e . A r o t a η γ o da c a b e η a do p a c i e n t e , nessa i n c i d κ n c i a , e v i t a a s u p e r p o s i η γ o das i m a g e n s dos seios t r a n s v e r s o s ; essa l i g e i r a r o t a η γ o da c a b e η a f o i a d o t a d a , a p r o x i m a d a m e n t e , na m e t a d e dos casos. A p r i n c í p i o passou d e s p e r c e b i d o o i n c o n v e n i e n t e da s u p e r p o s i η γ o de p a r t e d o s i s t e m a de p e r f u s γ o s o b r e a i m a g e m d o c r â n i o ; e n t r e t a n t o , t r a t a - s e , a nosso v e r , i e i n c o n v e n i e n t e de o r d e m e s t é t i c a , q u e n ã o i n t e r f e r e c o m a i n t e r p r e t a ç ã o do s i n u g r a m a . Q u a n t o a o s v a l o r e s e l é t r i c o s d a e x p o s i ç ã o , j u l g a m o s d i s p e n s á v e l q u a l q u e r r e f e r ê n c i a , u m a v e z q u e c a d a r a d i o l o g i s t a e m p r e g a u m a t é c n i c a d e sua p r e d i l e ç ã o .
T a n t o a p u n ç ã o d o c a n a l v e n o s o , c o m o a i n j e ç ã o de c o n t r a s t e são, e m g e r a l , b e m t o l e r a d a s , n ã o sendo n e c e s s á r i a a n e s t e s i a ou q u a l q u e r s e d a ç ã o d o p a c i e n t e . A t r e -p a n a ç ã o , q u a n d o n e c e s s á r i a , é f e i t a sob a n e s t e s i a l o c a l . A -p ó s a r e a l i z a ç ã o d o e x a m e , a a g u l h a é r e t i r a d a e o s a n g r a m e n t o , d e v i d o à p u n ç ã o , é f a c i l m e n t e e s t a n c a d o por m e i o d e c o m p r e s s ã o l o c a l .
A p u n ç ã o d o seio s a g i t a l s u p e r i o r p o d e o f e r e c e r a l g u m a d i f i c u l d a d e , seja d e v i d o à s i t u a ç ã o a n ô m a l a d o seio, seja p o r q u e a a g u l h a t e n h a sido i n t r o d u z i d a p a r a f o r a d o p l a n o m e d i o s s a g i t a l . N e s t e s casos, p o d e - s e t e n t a r p e n e t r a r no seio s a g i t a l supe-r i o supe-r , a t supe-r a v é s de u m a de suas p a supe-r e d e s l a t e supe-r a i s , m o d i f i c a n d o a p o s i ç ã o da a g u l h a . Q u a n d o e s t a m a n o b r a r e s u l t a i n e f i c a z , a a g u l h a d e v e ser r e t i r a d a e r e i n t r o d u z i d a e m o u t r o p o n t o . E m c a s o de p u n ç ã o d u v i d o s a , j u l g a m o s p r e f e r í v e l s u s p e n d e r o e x a -m e , a d i a n d o - o p a r a o u t r a o p o r t u n i d a d e . E s t a p r e c a u ç ã o se b a s e i a e -m u -m c a s o e -m q u e h o u v e d i f u s ã o d o c o n t r a s t e , e m v i r t u d e de p u n ç ã o d e f e i t u o s a d o seio s a g i t a l su-p e r i o r ; o c o n t r a s t e i n j e t a d o f o r a da luz do c a n a l v e n o s o d i f u n d i u - s e na s u su-p e r f í c i e de u m dos h e m i s f é r i o s c e r e b r a i s , d e t e r m i n a n d o i m e d i a t a crise c o n v u l s i v a de t i p o f o c a i . N o d i a s e g u i n t e a c r i a n ç a j á n a d a a p r e s e n t a v a d e p a r t i c u l a r ; as c o n v u l s õ e s h a v i a m d e s a p a r e c i d o e a r a d i o g r a f i a do c r â n i o n ã o m o s t r a v a s e q u e r v e s t í g i o do c o n t r a s t e ( f i g . 7 ) .
-cυes v a s c u l a r e s . O b l o q u e i o do f i u x o v e n o s o i n t r a c r a n i a n o , m e d i a n t e c o m p r e s s γ o b i l a t e r a l da v e i a j u g u l a r i n t e r n a n o a t o d a i n j e η γ o d o c o n t r a s t e , c o m i n t u i t o de m o d i f i c a r o q u a d r o s i n u g r α f i c o b α s i c o , f o i r e a l i z a d o p o r S i c a r d e c o l .1 9
, s e g u n d o os q u a i s essa m a n o b r a p e r m i t e " o r e t a r d o d o t r â n s i t o do l i p i o d o l e a c o n t r a s t a ç ã o d o seio c a v e r n o s o , d e s e n h a n d o e m c o r o a o l a g o p e r i t ú r c i c o " . E n t r e t a n t o , R a y e c o l .1 4
,1 5
,1
" n ã o c o n s e g u i r a m o m e s m o r e s u l t a d o ; s e g u n d o estes a u t o r e s , o b l o q u e i o das v e i a s j u g u l a r e s i n t e r n a s a p e n a s i n t e n s i f i c a a c o n t r a s t a ç ã o dos seios c o n f l u e n c i a i s a c i m a m e n -c i o n a d o s .
T a i l a r a c h e c o l .2 0
, i n j e t a n d o o c o n t r a s t e na e x t r e m i d a d e a n t e r i o r d o seio s a g i t a l superior, d e s c r e v e r a m a " s i n u g r a f i a b a s a l " , p o n d o e m e v i d ê n c i a as v e i a s f r o n t o r b i -t á r i a s e o seio da p e q u e n a asa do e s f e n ó i d e . E m 6 de nossos casos o b -t i v e m o s , c o m a m a n o b r a d o b l o q u e i o j u g u l a r b i l a t e r a l , o a u m e n t o de c o n t r a s t a ç ã o dos seios c o n -f l u e n c i a i s , j á v i s i b i l i z a d o s s e m essa m a n o b r a , e a d e m o n s t r a ç ã o d e a l g u m a s v e i a s p e r t e n c e n t e s a o s i s t e m a v e n o s o c e r e b r a l s u p e r f i c i a l ( f i g . 8 ) .
A nosso v e r , de i n t e r e s s e p r á t i c o , é a c o m p r e s s ã o de u m a das v e i a s j u g u l a r e s i n t e r n a s e n o v a i n j e ç ã o de c o n t r a s t e , q u a n d o u m dos seios t r a n s v e r s o s n ã o t i v e r sido v i s i b i l i z a d o p a r c i a l ou t o t a l m e n t e o u nos casos e m q u e os seios t r a n s v e r s o s t e n h a m c a l i b r e s d i f e r e n t e s . Essa m a n o b r a p e r m i t e , n ã o r a r o , o d i a g n ó s t i c o d i f e r e n c i a l e n t r e v a r i a ç ã o a n a t ô m i c a e o c l u s ã o sinusal a d q u i r i d a . E m d o i s de nossos casos ( c a s o s 40 e 4 6 ) , o p r i m e i r o s i n u g r a m a m o s t r o u q u e o e s c o a m e n t o v e n o s o se p r o c e s s a v a a t r a v é s de u m só dos seios t r a n s v e r s o s . E s t e a s p e c t o p o d e r i a s u g e r i r q u e se t r a t a s s e de c a s o d e d e r i v a ç ã o u n i l a t e r a l o u de o c l u s ã o do seio c u j a i m a g e m f a l t a v a ; a c o m p r e s s ã o da v e i a j u g u l a r i n t e r n a , h o m ô n i m a a o seio t r a n s v e r s o p e r m e á v e l , t o r n o u v i s í v e i s a m b o s os seios t r a n s v e r s o s , d e m o n s t r a n d o t e r s i d o c i r c u n s t a n c i a l o e s c o a m e n t o v e n o s o uni-l a t e r a uni-l ( f i g . 9 ) . É i n t e r e s s a n t e a s s i n a uni-l a r q u e , e m u m d e uni-l e s ( c a s o 4 6 ) , n o v a i n j e ç ã o d e c o n t r a s t e , a g o r a s e m c o m p r e s s ã o j u g u l a r , m o s t r o u q u e a m b o s os seios t r a n s v e r s o s se t o r n a r a m c o n t r a s t á v e i s . O m e s m o f a t o , i s t o é, e s c o a m e n t o c i r c u n s t a n c i a l , o c o r r e u e m o u t r o s q u a t r o casos, n ã o i n c l u í d o s n e s t e t r a b a l h o .
-z a d o p e l a t ι c n i c a de r o t i n a d e t e r m i n a d o seio v e n o s o . N γ o e n t r a r e m o s a q u i na a n α lise das c a u s a s q u e p o d e m i n t e r f e r i r n e s t a s c i r c u n s t â n c i a s .
Resultados.
A n a l i s a n d o as s i n u g r a f i a s d i r e t a s das 50 c r i a n ç a s c u j o e x a m e n e u r o l ó g i c o e r a n o r m a l , v e r i f i c a m o s que, e m t o d o s os casos, o e s c o a m e n t o do s a n g u e v e n o s o i n t r a -c r a n i a n o se f a z i a p o r a m b o s os seios t r a n s v e r s o s . Os seios t r a n s v e r s o s e m 27, ou seja 54% dos casos ( c a s o s 2, 4, 5, 8, 9, 11, 13, 14, 16, 17, 20, 21, 24, 26, 28, 29, 31, 36, 38, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46 e 47) t i n h a m c a l i b r e s e n s i v e l m e n t e i g u a l ; e m 12, ou seja e m 24% dos casos ( c a s o s 3, 10, 19, 22, 23, 27, 32, 34, 35, 37, 49 e 5 0 ) e r a m a i o r o c a l i b r e d o s e i o t r a n s v e r s o e s q u e r d o e, e m 11, ou seja e m 22% dos casos ( c a s o s 1, 6, 7, 12, 15, 18, 25, 30, 33, 39 e 4 8 ) o seio t r a n s v e r s o d i r e i t o e r a o m a i s c a l i b r o s o ( f i g . 1 0 ) . A s s i m , nossos r e s u l t a d o s n ã o c o n c o r d a m c o m os d a q u e l e s q u e a s s i n a l a m h a v e r p r e d o m i n â n c i a , q u a n t o a o c a l i b r e , d o seio t r a n s v e r s o d i r e i t o s o b r e o e s q u e r d o .
A r e g i γ o d o c o n f l u e n t e dos seios se c a r a c t e r i z o u e m 23 casos ( 4 6 % ) , p e l a v i s i b i l i z a η γ o de u m s e i o s a g i t a l s u p e r i o r , q u e , s e m se d i v i d i r , se l a n η a v a na z o n a da c o n f l u κ n c i a , a s s u m i n d o a s p e c t o c i r c u l a r o u t r i a n g u l a r e de o n d e s a i a m os seios t r a n s v e r s o s d i r e i t o e e s q u e r d o ; esses casos e s t γ o r e u n i d o s no q u a d r o 1. D o s casos q u e a p r e s e n t a v a m e s t a v a r i e d a d e d e c o n f l u κ n c i a sinusal, e m 12, os dois seios t r a n s v e r s o s e r a m s e n s i v e l m e n t e i g u a i s ( c a s o s 2, 4, 5, 8, 9, 11, 13, 14, 16, 17, 20 e 2 1 ) ; e m 6 ( c a s o s 1, 6, 7, 12, 15 e 1 8 ) , o seio t r a n s v e r s o m a i s c a l i b r o s o e r a o d i r e i t o e, e m 5 ( c a s o s 3, 10, 19, 22 e 2 3 ) , p r e d o m i n a v a o c a l i b r e d o seio t r a n s v e r s o e s q u e r d o . O seio o c c i p i t a l e s t a v a p r e s e n t e e m 5 casos d e s t e g r u p o ( c a s o s 1, 8, 19, 20 e 2 1 ) . E m d o i s casos ( c a s o s 1 e 1 8 ) f o i o b s e r v a d a c i r c u l a η γ o c r u z a d a na r e g i γ o d o c o n f l u e n t e dos seios, r e p r e s e n t a d a p o r p e q u e n o c a n a l v e n o s o e n t r e os seios t r a n s v e r s o s ( f i g . 1 2 ) .
32, 34, 35 e 3 7 ) , o m a i o r c a l i b r e c o r r e s p o n d i a a o seio t r a n s v e r s o e s q u e r d o . E m 11 casos ( c a s o s 26, 28, 30, 32, 33, 34, 36, 37, 38, 39 e 4 2 ) , o c a l i b r e do seio t r a n s v e r s o e r a s e n s i v e l m e n t e i g u a l a o c a l i b r e do r a m o c o r r e s p o n d e n t e d e r i v a d o da b i f u r c a e γ o d o seio s a g i t a l s u p e r i o r ; nos r e s t a n t e s ( c a s o s 24, 25, 27, 29, 31, 35, 40, 41, 43, 44 e 4 5 ) , essa i g u a l d a d e na c a l i b r a η γ o n γ o foi o b s e r v a d a ( f i g . 1 3 ) . O seio o c c i p i t a l e s t a v a p r e s e n t e e m 10 d e s t e s casos ( c a s o s 24, 28, 29, 33, 34, 35, 38, 39, 40 e 4 5 ) . A c i r c u l a η γ o c r u z a d a a t r a v ι s de c u r t o c a n a l c o m u n i c a n d o e n t r e si os seios t r a n s v e r s o s , foi o b s e r v a d a e m 10 casos ( c a s o s 27, 29, 32, 33, 34, 35, 40, 42, 43 e 4 4 ) .
A s v e i a s j u g u l a r e s i n t e r n a s f o r a m v i s i b i l i z a d a s e m 40 casos ( q u a d r o 4 ) .
E m 22 ( c a s o s 5, 7, 11, 15, 16, 17, 20, 21, 24, 25, 26, 27, 29, 31, 33, 36, 38, 41, 42, 43, 44 e 4 5 ) , o c a l i b r e dessas v e i a s e r a s e n s i v e l m e n t e i g u a l ; e m 9 ( c a s o s 1, 6, 8, 9, 18, 30, 39, 48 e 4 9 ) , h a v i a p r e d o m i n â n c i a da v e i a j u g u l a r i n t e r n a d i r e i t a e, nos 9 r e s t a n t e s ( c a s o s 3, 10, 22, 23, 28, 32, 34, 35 e 5 0 ) , p r e d o m i n a v a o c a l i b r e da v e i a e s q u e r d a . E m 31 destes 40 casos ( c a s o s 1, 3, 5, 6, 10, 11, 16, 17, 18, 20, 21, 22, 23, 24, 26, 29, 30, 31, 32, 34, 35, 36, 38, 39, 41, 42, 43, 44, 45, 48 e 5 0 ) , as v e i a s j u g u l a r e s i n t e r n a s a p r e s e n t a v a m c a l i b r e p r o p o r c i o n a l a o dos seios t r a n s v e r s o s c o r r e s p o n d e n t e s : e m 9 ( c a s o s 7, 8, 9. 15, 25, 27, 28, 33 e 4 9 ) , h a v i a d i s c o r d â n c i a e n t r e o c a l i b r e dessas v e i a s e o dos seios t r a n s v e r s o s ( f i g . 1 6 ) .
SINUGRAFIA DIRETA NA CRIANÇA
285
Fig. 16 — Aspectos sinugráficos que ilustram quanto ao calibre das veias ju-gulares internas. Em A (caso 16), veias juju-gulares internas de idêntico calibre que seguem seios trunsversos também de calibre idêntico. Em Β (caso 22), predominância do calibre da veia jugular interna esquerda em relação ao da direita, mantendo a predominância do calibre dos seios transversos correspon-dentes. Em C (caso 28), os seios transversos têm calibre semelhante, ao passo que os calibres das veias jugulares internas são desiguais, predominando o
da esquerda.
Fig. 17 — Aspectos sinugráficos mostrando anomalias do seio sagital superior. Em A (caso 30), esse canal venoso inicia sua bifurcacão 5 on acima da região do confluente dos seios. Em Β (caso 37), o seio durai tem caráter duplo em sua porção média. Em C (caso 29), aspecto plexiforme da porção terminal
E m 5 dos casos ( c a s o s 7, 15, 25, 27 e 3 3 ) , c m q u e as v e i a s j u g u l a r e s i n t e r n a s e r a m do m e s m o c a l i b r e , o seio t r a n s v e r s o d i r e i t o p r e d o m i n a v a e m 4 ( c a s o s 7, 15, 25 e 3 3 ) , a o passo q u e , e m a p e n a s u m ( c a s o 2 7 ) , e r a m a i o r o seio t r a n s v e r s o e s q u e r d o .
Variações anatômicas de seios v e n o s o s i n t r a c r a n i a n o s f o r a m o b s e r v a d a s e m 3 casos, e r e l a c i o n a v a m s e a o seio s a g i t a l s u p e r i o r : n u m d e l e s ( c a s o 3 0 ) , a b i f u r c a η γ o desse c a n a l v e n o s o se i n i c i a v a 5 c m a c i m a da r e g i γ o d o c o n f l u e n t e dos seios; n o s e g u n d o ( c a s o 3 7 ) , o seio s a g i t a l s u p e r i o r e r a d u p l o e m p e q u e n a e x t e n s γ o de sua p o r η γ o m ι d i a , t e r m i n a n d o e m t r o n c o ú n i c o no c o n f l u e n t e sinusal ( n ã o e n c o n t r a m o s r e f e r ê n c i a s a e s t a a n o m a l i a nos t r a b a l h o s q u e c o m p u l s a m o s ) ; no t e r c e i r o ( c a s o 2 9 ) , o seio s a g i t a l s u p e r i o r a p r e s e n t a v a a s p e c t o p l e x i f o r m e e m q u a s e t o d a a e x t e n s ã o , b i -f u r c a n d o - s e p o u c o a c i m a da r e g i ã o do c o n -f l u e n t e , d a n d o u m r a m o s i m p l e s p a r a o seio t r a n s v e r s o d i r e i t o . N e s t e ú l t i m o c a s o 29 e s t a a n o m a l i a a s s o c i a v a - s e a u m s e i o o c c i p i t a l e a u m c a n a l de c i r c u l a ç ã o c r u z a d a de g r o s s o c a l i b r e ( f i g . 1 7 ) .
I N T E R P R E T A Ç Ã O D O S R E S U L T A D O S . C O N F R O N T A Ç Ã O E N T R E OS D A D O S A N A T Ô M I C O S Ε OS E L E M E N T O S S I N U G R A F I C O S
Na sinugrafia, o contraste, injetado no seio sagital superior, é levado na
direção da corrente sangüínea, dirigindo-se, na maioria dos casos, para
am-bos os seios transversos, como ocorreu em todos os 50 sinugramas que
cons-tituem o material deste trabalho.
O predomínio do seio transverso direito na drenagem do sangue venoso
intracraniano — noção estabelecida pelos estudos anatômicos — não encontra
confirmação neste trabalho. Os dados por nós obtidos, neste particular,
es-tão de acordo com os achados de Ray e c o l .
1 5-
1 0que, em estudo sistemático
realizado em 20 adultos normais, não observaram predominância significativa
de calibre de um ou outro seio transverso.
Considerando, porém, as diferentes combinações nas relações de
continui-dade entre o seio sagital superior e o seio reto, como afluentes, e os seios
transversos, verifica-se que, em certos casos, mesmo na ausência de qualquer
processo patológico oclusivo, um dos seios transversos pode deixar de
apare-cer. É o que ocorre quando apenas um dos seios transversos recebe o
san-gue do seio sagital superior, ao passo que o outro recebe, apenas, o sansan-gue
do seio reto (variação ipsilateral). Por outro lado, quando se trata de
va-riação plexiforme de seio reto bifurcado, um dos seios transversos recebe
sangue, apenas do seio reto, enquanto o outro recebe parte do sangue do
seio reto e a totalidade do sangue proveniente do seio sagital superior. Nesta
eventualidade, o sinugrama poderá mostrar apenas o seio transverso que
re-cebe sangue das duas origens ou, ambos os seios, dependendo do calibre do
ramo do seio reto que estabelece comunicação com o seio sagital superior.
Na mesma ordem de idéias, convém lembrar que, embora excepcionalmente,
um dos seios transversos pode não existir, em conseqüência de
desenvolvi-mento ontogênico defeituoso.
seio sagital superior, do seio reto e dos seios transversos. A verificaηγo do
modo pelo qual estes seios durais se interrelacionam nγo tem apenas inte
resse teσrico; conforme o tipo dessas relaηυes, a oclusγo de um dos seios
transversos por um trombo, tanto poderα ser altamente nociva para o pa
ciente, como poderα nγo acarretar distúrbio algum na circulação venosa
in-tracraniana.
Assim, nos casos em que o seio sagital superior e o seio reto convergem
para um reservatório comum no qual se originam os seios transversos, o
bloqueio de um destes não acarretará, na generalidade dos casos, prejuízo
de monta; a totalidade do sangue que chega ao reservatório poderá passar
pelo seio transverso do lado oposto. O mesmo poderá acontecer nas
varie-dades plexiformes e na variação ipsilateral, se houver um canal
estabelecen-do circulação cruzada entre os estabelecen-dois seios transversos. Nas variedades
plexi-formes, mesmo na ausência de canal de circulação cruzada, a oclusão de um
dos seios transversos não interferirá, de maneira ponderável, sobre a
circula-ção encefálica de retorno.
Entretanto, na eventualidade de falta congênita de um dos seios
trans-versos (variação unilateral), a oclusão patológica do único seio transverso
funcionante acarretará distúrbios circulatórios de conseqüências imprevisíveis;
em caso de variação ipsilateral, na qual o seio sagital superior se continua
com um dos seios transversos, enquanto o outro recebe exclusivamente o
san-gue do seio reto, a oclusão de um dos seios transversos também acarretará
graves transtornos circulatórios. Aplicando estes fatos à tática cirúrgica, é
fácil deduzir quanto ao valor da sinugrafia, em face da contingência de ligar
um seio transverso, pois esta ligadura, pelo menos em certos casos, poderá
até acarretar a morte do paciente.
Infelizmente, a sinugrafia direta via seio sagital superior, em virtude de
não haver passagem do contraste pelo seio reto, não permite a identificação
de todas as variações sinusais, anatômicamente conhecidas, dos seios venosos
confluenciais. O método não permite a distinção entre a variação unilateral
e a variação ipsilateral, a não ser que, no caso desta última, exista um canal
de circulação cruzada. Também as variações do confluente dos seios venosos
tipo reservatório comum ou ipsilateral, com circulação cruzada, assim como
a variação plexiforme de seio reto bifurcado, não podem ser distinguidas entre
si, embora certos caracteres morfológicos possam sugerir a existência deste
ou daquele tipo.
Do ponto de vista prático, o importante é que, quando o sinugrama não
permitir a visibilização de um dos seios transversos, se faça o diagnóstico
diferencial entre uma oclusão patológica e a falta da imagem desse seio
de-vida a simples variação anatômica. Os elementos para esse diagnóstico
di-ferencial serão expostos adiante.
Em caso de variaηγo tipo unilateral, o seio transverso visibilizado cons
titui a via única de retorno do sangue intracraniano. Sua ligadura é, a
nosso ver, incompatível com a vida, a não ser que haja comunicação ampla
entre a circulação venosa intracraniana e a extracraniana. Em caso de
con-fluência sinusal de tipo ipsilateral, sem circulação cruzada, cada um dos seios
transversos constitui a via de escoamento do sangue de um território que
lhe é próprio; neste caso, a ligadura de um dos seios transversos acarretará
graves distúrbios circulatórios no território encefálico correspondente. Nestas
duas eventualidades, portanto, a ligadura de um seio transverso é perigosa.
Nas restantes variedades de confluência dos seios da dura-mater,
haven-do comunicação entre os seios transversos, a ligadura cirúrgica ou a oclusão
patológica de um desses seios não terá grandes repercussões, pois a totalidade
do sangue venoso intracraniano poderá passar a se escoar através do seio
transverso indene
O fato de terem aparecido ambos os seios transversos, em 100% de nossos
sinugramas, significa que é rara a drenagem venosa intracraniana por um
seio transverso apenas. Isto não quer dizer, evidentemente, que sejam
excep-cionais as variedades de confluência sinusal de tipos ipsilateral e plexiforme
com seio reto bifurcado; a existência de circulação cruzada, de regra nesses
casos, é que garante o fluxo do sangue venoso do encéfalo por ambos os seios
transversos, constituindo, por assim dizer, uma válvula de segurança em caso
de oclusão de um deles.
As variações occipitais — consideradas por Woodhal -
ycomo verdadeiras
anomalias — têm importância na eventualidade de ser necessária a ligadura
dos seios occipitais. Nessas variações, os seios occipitais constituem a
prin-cipal e, em alguns casos, mesmo, a única via de escoamento do sangue
ve-noso intracraniano; nestas eventualidades a ligadura destes seios veve-nosos terá
graves conseqüências.
Não há dificuldade para a distinção entre os dois grupos de modalidades
de confluência sinusal, conforme haja ou não comunicação entre os seios
transversos: no caso de não haver comunicação ou quando haja seio
trans-verso único, o contraste injetado no seio sagital superior fluirá apenas para
um seio transverso; caso contrário, ambos os seios transversos serão visíveis
no sinugrama. Pode acontecer, porém, por motivos que nos escapam, que
um canal de circulação cruzada não funcione normalmente, mas que se torne
funcionante quando um dos seios transversos é obliterado artificial e
momen-taneamente; esta circunstância foi observada em dois casos de nossa série
(casos 40 e 46), mediante a compressão digital da veia jugular interna
cor-respondente ao seio transverso visibilizado.
A ausκncia da imagem de um dos seios transversos, mesmo apσs com
pressγo da veia jugular interna contralateral, associada a um seio sagital
superior bifurcado na sua porηγo terminal, sσ pode ser interpretada como
devida a uma oclusγo patolσgica. Os ramos divergentes, resultantes da dico
tomia do seio sagital superior, sγo destinados um para cada seio transverso,
garantindo a passagem do contraste para ambos os lados; conseqόentemente,
se a substância radiopaca não penetrou em um deles, este seio está ocluído
por processo patológico (fig. 18).
A presença de um canal de circulação cruzada na região da confluência
dos seios serve, também, para distinguir entre a oclusão orgânica e a simples
variação anatômica.
No caso representado pela figura 19, se não existisse canal de circulação
cruzada, não haveria elemento algum para o diagnóstico diferencial.
O diagnσstico de oclusγo do seio sagital superior pela sinugrafia poderα
parecer, ΰ primeira vista, muito simples. Entretanto, o único caso que
ti-vemos até agora, oferecia sérias dificuldades para a interpretação do
sinu-grama; não ousamos firmar o diagnóstico de trombose do seio sagital
supe-rior, revelada ulteriormente pela autópsia; a punção do seio sagital superior
fora difícil e parte do contraste, refluindo pelo orifício de penetração da
agulha, ficara espalhada nas suas adjacências (fig. 22). Embora estes
ele-mentos depusessem a favor do diagnóstico de oclusão patológica, também
po-deriam ter ocorrido em conseqüência de punção defeituosa. S c o t t
1 7e Ellis
7,
frente a casos de trombose do seio sagital superior, também se viram diante
de problema idêntico, no que se refere às dificuldades técnicas da punção
sinusal.
S U M Á R I O Ε C O N C L U S Õ E S
Este trabalho, sugerido pela freqüência dos quadros clínicos atribuíveis
a oclusão dêste ou daquele seio da dura-mater, tem por escopo o estudo
radiológico dos seios durais mediante injeção de substância radiopaca
dire-tamente no seio sagital superior.
Dado o grande número de variações anatômicas dêsses canais venosos,
a parte central dêste trabalho é representada pelo estudo de 50 casos de
crianças cujos quadros clínicos nada apresentavam atribuível a qualquer afec¬
ção sinusal. Cinco casos patológicos incluídos também no material desta tese
são utilizados apenas para maior objetivação do conceito de normalidade.
Esta modalidade de exame não permite o estudo de todo o sistema sinusal, o
que limita, até certo ponto, as indicações da sinugrafia direta.
As conclusões a que chegamos pela análise de nosso material são as
seguintes:
2. A tιcnica do exame ι fαcil, permitindo, se necessαrio, sua repetiηγo
imediata.
3. O exame foi bem tolerado e inσcuo em todos os 50 casos utilizados
para a elaboraηγo dκste trabalho.
4. Das variaηυes do confluente dos seios descritas pelos anatomistas,
apenas trκs sγo passíveis de identificaηγo radiolσgica: tipo reservatσrio co
mum, tipo plexiforme (com seio sagital superior bifurcado) e tipo occipital.
As variaηυes tipo ipsilateral (com circulaηγo cruzada) e plexiforme (com seio
reto bifurcado), nγo sγo passíveis de identificaηγo radiolσgica por este mι
todo.
5. Radiolςgicamente, sγo mais freqόentes as variaηυes tipo reservatσrio
comum e plexiforme (com seio sagital superior bifurcado). O tipo occipital
ι menos encontrado. A maior freqόκncia da confluκncia sinusal de tipo re
servatσrio comum, em contraste com os achados anatτmicos, decorre do fato
de estarem incluídos nessa variaηγo os tipos ipsilateral (com circulaηγo cru
zada) e plexiforme (com seio reto bifurcado).
6. Sγo raros os casos de derivaηυes unilaterais do fluxo venoso intra
craniano, atravιs do confluente dos seios.
7. Nossos achados radiolσgicos nγo assinalam predominância da
drena-gem venosa intracraniana por um dos seios transversos.
8. A sinugrafia direta via seio sagital superior, pela direção do fluxo
venoso, permite o diagnóstico de oclusões orgânicas situadas: a) no seio
sa-gital superior, a jusante do local da puncão; b) na origem de um dos seios
transversos ao nível do confluente, sòmente quando existir seio sagital
supe-rior bifurcado ou canal de circulação cruzada; c) nos seios transversos.
9. Êste método não permite o diagnóstico: a) das oclusões
incomple-tas dos canais venosos durais; b) da oclusão de um dos seios transversos
em sua origem, na ausência de um seio sagital superior bifurcado ou de um
canal de circulação cruzada, pois não seria possível diferençá-los das
varia-ções do tipo unilateral ou ipsilateral sem circulação cruzada.
10. A manobra de oclusão digital da veia jugular interna tem valor
re-levante quando não fôr visibilizado um dos seios transversos; sòmente essa
manobra permite decidir entre um bloqueio orgânico e um bloqueio
aparen-te, devido a circunstâncias ocasionais.
S U M M A R Y A N D C O N C L U S I O N S
Contribution to direct sinugraphy in children injecting opaque medium
into the superior sagittal sinus.
Assuming that some clinical disturbances are produced by the occlusion
of dural sinuses, the author made a X-ray study of these venous channels
after injecting opaque medium directly into the superior sagittal sinus.
children whose disturbances could not be attributed to any sinus lesion.
For better illustration of the concept of normality, five supplementary pa
thological cases are presented.
Considering that the direct sinugraphy permits radiographic examinations
only downtream the site of the injection, the method is naturally limited in
its indications.
Accordingly with his findings, the author concludes:
1. Direct sinugraphy by introduction of the opaque medium into the
superior sagittal sinus is indicated for the examination of the confluent
sinuses, except the straight one.
2. Its execution is technically easy and may be repeated at once if
necessary.
3. It is well tolerated, for no inconvenient consequences were observed
in any of the studied cases.
4. From the several variations of sinusal confluence reported by the
anatomists, only three may be radiographically identified: common reservoir
type, plexiform type (with a bifurcated superior sagittal sinus) and occipital
type. The ipsilateral type (with a crossed circulation) and the plexiform
type (with a bifurcated straight sinus) variations cannot be radiographically
detected by the method.
5. Under Xray examination, the common reservoir and plexiform (with
a superior sagittal bifurcated sinus) types are more frequent and the oc
cipital type is less found. In spite of the anatomical data, the greater fre
quency of the common reservoir type of sinusal confluence is only illusory,
for in that group are included the ipsilateral (with a crossed circulation)
and plexiform (with a bifurcated straight sinus) types.
6. Cases of intracranial venous circulation with unilateral derivation
through the sinusal confluence are seldom observed.
7. Predominance of intracranial venous drainage through one of the
transverse sinuses was not noticed.
8. The direct sinugraphy through the superior sagittal sinus, because
of the venous blood flow, allows the diagnosis of organic occlusions placed:
(a) in the superior sagittal sinus downstream the site of the injection; ( b )
in the origin of one of the transverse sinuses near the confluence, but only
when there is a bifurcated superior sagittal sinus or a crossed circulation
channel; ( c ) in the transverse sinuses.
9. The method is not fitted for diagnosing: ( a ) incomplete occlusions
of the dural venous channels; ( b ) occlusion of either transverse sinuses in
their origin when there is no bifurcated superior sagittal sinus or crossed
circulation channel, since it could not be discriminated from the variations
of the unilateral or ipsilateral type without a crosses circulation.
R E F E R Ê N C I A S
1. B R O W N I N G , Η . — T h e c o n f l u e n c e o f d u r a i v e n o u s sinuses. A m . J. A n a t . , 93:307330 ( n o v e m b r o ) 1953. 2 . C A R R E A , R . — O b s e r v a c i o n e s s o b r e las h i d r o c e f a lias. M a l f o r m a c i o n e s d i s r α f i c a s de la fossa c r a n e a n a p o s t e r i o r . A c t a N e u r o l . ( B u e n o s A i r e s ) , 2:315340, 1956. 3 . C H I A R U G I , G. — A n a t o m i a d e l l ' U o m o , v o l . 2, 3√ e d i η γ o . S o c i e t ΰ E d i t r i c e L i b r a r i a , M i l γ o , 1930, p α g s . 583606. 4 . D I X O N , O . J. — T h e p h y s i o d y n a m i c s o f i n t r a v a s c u l a r fluid i n j e c t i o n s f o r r o e n t g e n o g r a p h i c studies. A n n . O t o l . , R h i n o l . a. L a r y n g o L , 44:387 ( j u l h o ) 1935. 5. D I X O N , O. J. — R e s e a r c h studies in v i s u a l i z a t i o n o f t h e v a s c u l a r supply o f t h e h e a d and n e c k . T r . A m . A c a d . O p h t h a l m . a. O t o l a r y n g o l . , 39:351366, 1934. 6. E D W A R D S , E . A . — A n a t o m i c v a r i a t i o n s o f c r a n i a l v e n o u s sinuses. T h e i r r e l a t i o n s t o t h e e f f e c t o f j u g u l a r c o m p r e s s i o n in l u m b a r m a n o m e t r i c tests. A r c h . N e u r o l , a. P s y c h i a t . , 26:801814 ( o u t u b r o ) 1931. 7 . E L L I S , R . W . B . — I n t e r n a l h y d r o c e p h a l u s f o l l o w i n g c e r e b r a l t h r o m b o s i s in an i n f a n t . P r o c . R o y a l Soc. M e d . , 30:768772 ( f e v e r e i r o ) 1937. 8. F R E N C K N E R , P . — S o m e e x p e r i m e n t s w i t h v e n o s i n o g r a p h y . A c o n t r i b u t i o n to t h e d i a g n o s i s o f o t o g e n o u s sinus t h r o m bosis. A c t a O t o l a r y n g o l . ( E s t o c o l m o ) , 20:477485, 1934. 9 . F R E N C K N E R , P . — S i n o g r a p h y : A m e t h o d o f r a d i o g r a p h y in t h e d i a g n o s i s o f sinus t h r o m b o s i s . P r o c . R o y a l S o c . M e d . , 30:413422 ( d e z e m b r o ) 1936. 1 0 . H A G U E N A U ; G A L L Y — E x p l o r a t i o n li¬ p i o d o l ι e r a c h i m ι d u l a i r e e t c r a n i o c ι r ι b r a l e . J. de R a d i o l , et d ' E l e c t r o l . , 13:369382 ( j u l h o ) 1929. 1 1 . G U I D E T T I , Β . — L a s e n o g r a f i a nei m e n i n g i o m i p a r a s a g i t a l l i . Sist. N e r v . ( M i l γ o ) , 6:467472 ( j u n h o ) 1954. 1 2 . I N G R A H A N , F . D . ; M A T S O N , D . D . — N e u r o s u r g e r y o f I n f a n c y and C h i l d h o o d . C h a r l e s C. T h o m a s , S p r i n g f i e l d , 1954, p α g s . 132, 154 e 402. 1 3 . L E F Θ V R E , A . B . ; Z A C L I S , J.; V A L E N T E , Μ . I . — T r o m b o ¬ f l e b i t e i n t r a c r a n i a n a e m c r i a n η a . C o n f i r m a η γ o d i a g n σ s t i c a p e l a s i n u g r a f i a . A r q . N e u r o P s i q u i a t . , 4:347350 ( d e z e m b r o ) 1955. 1 4 . R A Y , Β . S.; D U N B A R , Η . S. — T h r o m b o s i s o f t h e s u p e r i o r s a g i t t a l sinus as a c a u s e o f p s e u d o t u m o r c e r e b r i . T r . A m . N e u r o l . A s s . , 72:1217 ( j u n h o ) 1950. 15. R A Y , B . S.; D U N B A R , H . S.; D O T T E R , C. T . — D u r a l sinus v e n o g r a p h y as a n aid t o d i a g n o s i s o f i n t r a c r a n i a l disease. J. N e u r o s u r g . , 8:2337 ( j a n e i r o ) 1951. 1 6 . R A Y , B . S.; D U N B A R , H . S.; D O T T E R , C. T . — D u r a l sinus v e n o g r a p h y . R a d i o l o g y , 57:477486 ( o u t u b r o ) 1951. 1 7 . S C O T T , M . — C a s e o f a m y o t o n i a c o n g e n i t a a s s o c i a t e d w i t h o c c l u s i o n o f t h e s a g g i t a l sinus and b i l a t e r a l s u b d u r a l h y g r o m a . D e m o n s t r a t i o n o f o c c l u s i o n b y d i o d r a s t s i n o g r a p h y . J. P e d i a t . , 34:181194 ( f e v e r e i r o ) 1949. 1 8 . S I C A R D , J. Α . ; H A G U E N A U , J. — É t u d e c r i t i q u e de q u e l q u e s m ι t h o d e s de l o c a l i s a t i o n des t u m e u r s c ι r ι b r a l e s . L ' E n c ι p h a l o ¬ g r a p h i e l i p i o d o l ι e s i n u s o v e i n e u s e . P r e s s e M ι d . , 10:145150 ( 4 f e v e r e i r o ) 1928. 1 9 . SI¬ C A R D , J. Α . ; H A G U E N A U , J.; W A I L I C H , R . — E n c ι p h a l o g r a p h y l i p i o d o l ι e sinuso¬ v e i n e u s e c h e z l ' h o m r n e . P r e s s e M ι d . , 16:248 ( 2 5 f e v e r e i r o ) 1928. 2 0 . T A L A I R A C H , J.; D A V I D , M . ; F I S C H G O L D , H . ; A B O U L K E R , J. — F a l c o t e n t o r i o g r a p h i e et sinuso¬ g r a p h i e b a s a l e . P r e s s e M ι d . , 29:724727 (23 m a i o ) 1951. 2 1 . T E S T U T , L . — T r a i t ι d ' A n a t o m i e H u m a i n e , v o l . 2, 7√ e d i η γ o . O. D o i n , P a r i s , 1921, p α g s . 295321.
2 2 . W O O D H A L , B . — V a r i a t i o n s o f c r a n i a l v e n o u s sinuses in t h e r e g i o n o f the t o r c u l a r H e r o p h i l i . A r c h . Surg., 33:297315 ( a g τ s t o ) 1936. 2 3 . W O O D H A L , B . — A n a t o m y o f c r a n i a l b l o o d sinuses w i t h p a r t i c u l a r r e f e r e n c e to t h e l a t e r a l . L a r y n g o scope, 49:966 ( o u t u b r o ) 1939.