S o m b r e a m e n t o d o s C a f è z a i s (1) (2) II - R e s u l t a d o s d o 4.° biênio (1959/1960)
C. GODOY JUNIOR E. A. GRANER
E. S. A. "Luiz d e Q u e i r o z "
(1) Trabalho realizado com ajuda do I. B. C.
1. — I N T R O D U Ç Ã O
O sombreamento dos cafèzais é problema que, ultima-mente, vem despertando o interesse dos técnicos e dos lavradores. Apresenta essa prática agrícola muitas vantagens e as desvantagens principais, segundo resultados de várias observações, se resumem na maior incidência da broca e na queda da produção.
Em trabalhos anteriores ( G R A N E R e G O D O Y J U N I O R , 1960) relatamos os resultados da Secção de Fitotecnia da Escola "Luiz de Queiroz", relativos a três biênios (1953/1958); os resultados então obtidos para as condições de Piracicaba confirmaram- em linhas gerais, as desvantagens principais mencionadas.
Informações relativas a mais um biênio (1959/1960) foram estudadas e são discutidas e apresentadas no presente trabalho.
2. — M A T E R I A L E M É T O D O
Dados de mais um biênio foram obtidos no cafèzal velho da Secção de Fitotecnia da Escola "Luiz de Queiroz", constituído de covas principalmente da variedade "Nacional", plantadas há cerca de 40 anos, alinhadas em quadrado de 4m de lado. Nesse cafèzal foi instalado, em 1947, na sua parte central, um sombreamento com ingazeiro (Ingá edulis Mart.) plantado nas linhas dos cafeeiros e no espaçamento de 8 x 8m, resul-tando assim duas partes não sombreadas, designadas por lotes ao sol de cima e de baixo do sombreamento.
O ensaio, visando a comparação entre os lotes sombrea-dos e não sombreasombrea-dos, foi planejado em parcelas de 49 covas ( 7 x 7 ) , cada tratamento compreendendo três parcelas delimi-tadas ao acaso, sendo três na parte sombreada e seis na parte a pleno sol (três no lote de cima e três no lote de baixo do sombreamento).
A quantidade de água do solo foi determinada nos dois anos estudados, no período mais seco de cada um dos dois anos. Os dados obtidos estão incluídos no quadro n.° 1, cada valor sendo a média das três determinações correspondentes às parcelas.
3. — R E S U L T A D O S
Os mesmos característicos estudados em publicação ante-rior ( G R A N E R e G O D O Y J U N I O R , 1960), a saber: produção, porcentagem de broca, porcentagem de frutos verdes, de
maduros e de secos, relação café da roça/ café beneficiado, relação café coco/ café beneficiado e peneira média foram analisados separadamente para cada ano e conjuntamente para o biênio em questão.
3. 1 — Ano de 1959
Na época mais seca do ano de 1959, após cerca de dois meses sem chuva (junho e julho de 1959)- foram coletadas amostras de terra de todas as parcelas e a duas diferentes profundidades (0-30cm e 70-100cm), para análise da umidade. Os valores médios das três parcelas de cada um dos três lotes (dois a pleno sol e um sombreado) estão contidos no quadro n.° 1.
Comparados os valores da umidade atual então obtidos, com os valores determinados para a umidade de murchamen-to, constata-se que, na parte superficial, praticamente não havia água disponível nos lotes a pleno sol, enquanto que no lote sombreado ainda havia certa reserva de umidade. Já na camada mais profunda (70-100 c m ) , havia água disponível em todos os lotes.
Os valores de F foram calculados para todos os caracte-rísticos estudados, tanto para tratamentos como para repetições. Esses valores estão contidos no quadro n.° 2. Verifica-se, por eles, que para todos os característicos
frutos maduros, porcentagem de frutos secos, rendimento df 100 litros de café da roça e relação café beneficiado para caft coco.
Comparando-se as médias contidas no quadro n.° 4, poi intermédio das diferenças mínimas significativas, calculada! pelo método de Tukey, constata-se que a porcentagem d< broca foi significativamente diferente entre os tratamentos no limite de 1% de probabilidade, sendo praticamente duas vezes maior no lote sombreado quando comparada às porcen tagens dos lotes a pleno sol.
A porcentagem de frutos verdes foi significativamente di ferente entre os lotes, no limite de 5%, sendo maior no lot( sombreado do que nos dois lotes a pleno sol. A porcentagen de frutos maduros foi também no mesmo limite de 5%, dife rente entre o lote sombreado e o lote a pleno sol, de cima, sendo menor para o lote sombreado. Quanto à porcentagem d(
frutos secos, houve diferença significativa, no limite de 5% d< probabilidade, entre o lote sombreado e o lote a pleno sol, de baixo, sendo também menor para o lote sombreado.
O rendimento de 100 litros de café da roça indicou, nc limite de 5% de probabilidade, diferenças significativas entre
o lote sombreado e os dois lotes a pleno sol, sendo meno: para o lote sombreado.
Finalmente, a relação café beneficiado/café coco tambén mostrou, no mesmo limite de probabilidade, diferença signi ficativa entre o lote sombreado e o lote a pleno sol, de cima, com maior rendimento para o lote sombreado.
3. 2 — Ano de 1960
Como no ano de 1959, foram tomadas amostras de tern de todas as parcelas, em duas profundidades e no período mail
N o quadro n.° 4 estão contidos os valores de F calcula-los para todos os característicos estudados, tanto para ratamentos como para repetições. Verifica-se nesse quadro íaver diferença significativa para tratamentos, no limite de .% de probabilidade, apenas para a porcentagem de broca; rara os demais característicos estudados e para as repetições ) valor de F é insignificante.
N o quadro n.° 5 estão reunidas as médias dos caracterís-icos em estudo. Em relção à porcentagem de broca- como iconteceu no ano anterior, na parte sombreada é ela aproxi-nadamente duas vezes aquela dos dois lotes a pleno sol.
S. 3 —-Biêno 1959/1960
O quadro n.° 6 contém os valores de F calculados para ratamento, repetições, ano e interação ano x repetições, ano Í tratamentos e tratamentos x repetições. N o limite de 1% de Drobabilidade, esses valores são significantes para tratarrien-;os no que se refere à porcentagem de broca e à relação café )eneficiado/café coco e para ano, no que concerne à porcen-;agem de broca. Constata-se assim uma incidência diferente ia broca em diferentes anos.
N o limite de 5% de probabilidade, os valores de F são ãgnificantes para tratamentos quanto aos característicos: porcentagem de frutos verdes, porcentagem de frutos madu-ros, porcentagem de frutos secos e rendimento de 100 litros le café roça; para ano, quanto à porcentagem de frutos naduros, rendimento de 100 litros de café da roça- relação café beneficiado/café coco e peneira média; para interação m o x repetições, apenas para rendimento de 100 litros de café ia roça e relação café beneficiado/café coco; para interação m o x tratamento apenas para porcentagem de broca.
Comparando-se as médias contidas no quadro n.° 7, por meio das respectivas diferenças mínimas significativas calculadas pelo método de Tukey, verifica-se uma situação correspondente àquela da análise feita para ano de 1959.
4. — R E S U M O E CONCLUSÕES
Queiroz" são relatados no presente trabalho, complementando assim aqueles de três biênios (1953/1958) já descritos em trabalho anterior ( G R A N E R e G O D O Y J U N I O R , 1960).
Os resultados obtidos, analisados estatisticamente em relação à produção porcentagem de broca, porcentagem dos frutos verdes, de maduros e de sêcos, rendimento de 100 litros de café da roça, relação café beneficiado/café côco e peneira média, permitiram as conclusões seguintes:
a ) os lotes sombreados e não sombreados, em 1959 e 1961 e no biênio 1959/1960, não apresentaram diferença; significativas quanto à produção;
b ) as porcentagem de broca continuaram a ser, aproxi¬ madamente, nos lotes sombreados, duas vêzes maiores que as porcentagens dos lotes a pleno sol, sendo essa: porcentagens diferentes para cada ano;
c ) as porcentagens de frutos verdes, de maduros e de secos dependem do ano e da época da colheita. Consi¬
derando o biênio 1959/1960 e colheita ao mesmo tem po dos lotes sombreados e não sombreados, a porcen¬ tagem de frutos verdes foi maior para os lotes som¬
breados, a porcentagem de frutos maduros foi menor nos lotes sombreados e, conseqüentemente, a porcen¬ tagem de frutos secos também foi menor nos lotes sombreados.
d ) o rendimento de 100 litros de café da roça foi menor para os lotes sombreados, quando comparados com os lotes a pleno sol.
e ) a relação café beneficiado/café côco apresentou rendi¬ mento mais favorável para os lotes sombreados.
5. — S U M M A R Y
This paper deals with data obtained in 1959 and 1960 in shaded and unshaded coffee plots at Piracicaba, São Paulo, Brazil.
The results can be summarized as follows :
b ) the percentage of coffee berry borer infestation was hi-gher in shaded plots as compared with unshaded ones; c ) the percentage of green, ripened and dry fruits depends
of the year and of the harvest time. In the same harvest time, both for shaded and for unshaded plots the
percen-tages in the shaded plots were higher for green fruits and lesser for ripened and dry fruits;
d ) coffee fruits brought from the field in the harvest time yielding up in unshaded plots as compared with shaded ones ;
e ) the relation grains/dry fruits was better in shaded plots.
6. — L I T E R A T U R A C I T A D A
A N D R A D E , E. N A V A R R O , 1936 — C u l t u r a de c a f é à sombra. R e v i s t a do D e p a r t a m e n t o N a c i o n a l d o C a f é 6: 222-235. (
B E R G A M I N , J A C O B , 1944 — S o m b r e a m e n t o e broca. R e v i s t a d o D e p a r t a m e n t o N a c i o n a l d o C a f é . 23: 181-184 e 23: 1009-1014.
B E R G A M I N , J A C O B , 1945 — O S o m b r e a m e n t o dos c a f è z a i s e a " b r o c a do c a f é " . R e v i s t a do D e p a r t a m e n t o N a c i o n a l d o C a f é . 25: 627-638.
C A M A R G O , R O G É R I O , 1949 — S o m b r e a m e n t o dos c a f è z a i s . B o l e t i m de A g r i c u l u r a , n.° único. S e c r e t a r i a da A g r i c u l t u r a do E s t a d o de S ã o P a u l o .
F O N S E C A , J. P I N T O , 1939 — A b r o c a e o s o m b r e a m e n t o dos c a f è z a i s . R e v i s t a d o I n s t i t u t o d o C a f é . 25: 678-680.
F R A N C O , C. M . , — 1948 — O p r o b l e m a d o s o m b r e a m e n t o dos c a f è z a i s e m S ã o P a u l o . C e r e s 8: 37-51 e B o l e t i m da S u p e r i n t e n d ê n c i a dos S e r v i ç o s d o C a f é . A n o 22: 708-717.
F R A N C O , C. M . , 1951 — A á g u a d o solo e o s o m b r e a m e n t o dos c a f è z a i s n a A m é r i c a C e n t r a l . B r a g a n t i a . 11: 99-119.
F R A N C O , C. M . , 1951 — Q u a n t i d a d e de á g u a t r a n s p i r a d a p e l o c a f e e i r o s o m b r e a d o e p e l o i n g a z e i r o . B r a g a n t i a 11: 121-125.
G O M E S , F. P I M E N T E L , 1954 — A c o m p a r a ç ã o e n r e m é d i a s n a análise da v a r i â n c i a . A n a i s da E s c o l a " L u i z d e Q u e i r o z " 11: 1-12.
K R U G , C. A . , 1940 — O c á l c u l o d a " p e n e i r a m é d i a " n a s e l e ç ã o d o c a f e e i r o . R e v i s t a d o I n s t i t u t o d o C a f é 26: 123-127.
M E N D E S , C. T . , 1950 — O s o m b r e a m e n t o d o s c a f è z a i s . R e v i s t a d e A g r i c u l t u r a 20: 229-260.
M E N D E S , C. T . , 1950 — O s o m b r e a m e n t o dos cafèzais. R e v i s t a de A g r i c u l t u r a 25: 213-223.
M E N D E S , J. E T E I X E I R A , 1941 — M a t u r a ç ã o d o café. R e v i s t a d o I n s t i t u t o d o C a f é . 28: 585-594 e 28: 1020-1031.
M E N D E S , J. E T E I X E I R A , 1944 — O s o m b r e a m e n t o e os c a f è z a i s paulistas. B o l e t i m d a S u p e r i n t e n d ê n c i a dos S e r v i ç o s d o Café. A n o 19: 257-267.
M E N D E S , L U I Z , O . T., 1940 — O s o m b r e a m e n t o d o c a f e e i r o e a b r o c a d o c a f é . R e v i s t a d o I n s t i t u t o d o C a f é . 15: 1578-1584.