F
itossanidade |
Artigo
lagarta-do-cartucho
Érika do Carmo Ota (1,2 *); André Luiz Lourenção (3); Aildson Pereira Duarte (3); Edison Ulisses
Ramos Junior (4); Marcio Akira Ito (5)
(1) Instituto Agronômico (IAC), Programa de Pós-Graduação, Avenida Barão de Itapura, 1481, 13020-902 Campinas (SP), Brasil. (2)Faculdade Santa Bárbara (FAESB), Curso de Agronomia, Rua XI de Agosto, 2900, 18277-000 Tatuí (SP), Brasil.
(3) IAC, 13020-902 Campinas (SP), Brasil.
(4) APTA, Polo Regional do Sudoeste Paulista, Rodovia SP 250, Km 232, Caixa Postal 62, 18300-970 Capão Bonito (SP), Brasil. (5) Embrapa Agropecuária Oeste, Caixa Postal 661, 79804-970 Dourados (MS), Brasil.
(*) Autora correspondente: [email protected]
Recebido: 22/abr./2010; Aceito: 11/maio/2011
Resumo
A constituição genética de cada cultivar de milho é fator preponderante para determinar o nível de dano provocado pela lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae); contudo, são escassas as informações sobre o desempenho de diversas cultivares comerciais em relação ao ataque da praga. Objetivou-se, neste trabalho, identificar cul -tivares de milho menos danificadas pela lagarta-do-cartucho em condições de campo, visando aprimorar o manejo em áreas com histórico de altas infestações da praga e fornecer subsídios para programas de melhoramento genético. O trabalho foi realizado no período da safra de verão, anos agrícolas de 2006/2007 e 2007/2008; e da safrinha, ano agrícola 2007 nos mu-nicípios de Capão Bonito (SP), Tatuí (SP) e Coroados (SP). Em cada campo experimental foram realizados dois experimentos, sendo um para híbridos simples e triplos (HST) e outro para híbridos duplos e variedades (HDV). O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com três e quatro repetições para HST e HDV respectivamente. Avaliou-se a injúria foliar provocada pela lagarta-do-cartucho após infestação natural, com base em escala de notas variando de 1 a 10. Constatou-se diferença significativa entre as cultivares em relação à injúria da lagarta-do-cartucho pelo teste F (P<0,05). Os resultados permitiram concluir que as cultivares DKB 390 (híbrido simples) e DKB 979 (híbrido triplo) são menos danificadas, constituindo germo -plasma promissor quanto à resistência à lagarta-do-cartucho.
Palavras-chave: Spodoptera frugiperda, Zea maysL., praga, resistência de plantas a insetos.
Performance of maize cultivars in relation to fall armyworm
Abstract
The genetics of maize cultivars is one of the factors that influence on damage level caused by fall armyworm, Spodoptera frugiperda(J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae); however, there is no information about performance of commercial cultivars for this pest attack. The aim of the present research was to identify maize cultivars less damaged by the fall armyworm under field conditions, which could be used as an additional tool for managing the pest in areas with history of high infestations, as well as for genetic breeding programs. The experiments were accomplished during the summer season 2006/2007 and 2007/2008; and off-season 2007, in Capão Bonito (SP), Coroados (SP) e Tatuí (SP). Two experiments were set up in each area, one with simple and triple hybrids (HST) and other with double hybrids and varieties (HDV). The experimental design was in randomized blocks, with three and four replications for HST and HDV, respectively. The leaf injury caused by fall armyworm under natural infestation was evaluated using a rating scale ranging from 1 to 10. There were significant differences among cultivars for leaf injury, with the cultivars DKB 390 (simple hybrid) and DKB 979 (triple hybrid) being less damaged. These cultivars may serve as potential sources of resistance against the fall armyworm.
Bragantia, Campinas, v. 70, n. 4, p.850-859, 2011 851 Tolerância do milho à lagarta-do-cartucho
1. INTRODUÇÃO
O milho é o cereal mais cultivado no Brasil, com área plantada estimada em 12,5 milhões de hectares e produ-ção em torno de 40,8 milhões de toneladas (Agrianual, 2007). Pode ser encontrado no mercado interno para consumo humano ainda na espiga ou já processado (grão enlatado, curau, mingau), sendo, no entanto, a maior parte de sua produção, destinada à alimentação de aves, suínos e bovinos.
O plantio sucessivo da cultura do milho tem promo-vido a formação de uma verdadeira ponte biológica para a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda (J.E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae), uma espécie polífaga considerada praga-chave da cultura.
O ataque da praga é mais comum no período vege-tativo da planta quando provoca injúrias foliares, porém tem sido observado o ataque do pendão e da espiga duran-te o estádio reprodutivo. A injúria foliar pode ocasionar queda na produtividade da cultura em vista da redução da área fotossintética (Gallo et al., 2002).
Sérios danos têm sido provocados pela lagarta-do-car-tuchona cultura do milho, especialmente pela dificuldade de seu controle. A queda na produtividade da cultura do milho, devido ao ataque da praga, pode atingir 60% de-pendendo da cultivar e época em que o ataque se verifica (Cruz et al., 2008).
Para reduzir a população da praga a níveis abaixo do nível de dano econômico o produtor utiliza os defensivos agrícolas de forma frequente e intensa e, muitas vezes, ex-clusiva. No entanto, a eficiência do controle químico tem sido reduzida em consequência da seleção de populações re-sistentes, sendo este fato constatado para alguns piretroides e organofosforados (Omoto et al., 2000; Diez-Rodrigues e Omoto, 2001; Cruz et al., 2006). Esta quebra de resistência por parte da lagarta-do-cartucho também pode vir a ocorrer no milho transgênico (Bt), o qual teve sua comercialização aprovada recentemente no Brasil, caso não seja realizado um manejo adequado da cultura (Shelton et al., 2000).
Outra tática para uso no manejo integrado da praga é a utilização de cultivares resistentes, as quais vêm sendo ex-ploradas em programas de melhoramento genético, através de cruzamentos “topcrosses” entre linhagens S2 e a popu-lação original dos materiais utilizados (Widstrom et al., 1992). Viana e Potenza (2000) mostraram que as plantas resistentes interferem no desenvolvimento e no comporta-mento da praga, promovendo a possibilidade do uso mais racional dos produtos químicos, melhorando consequen-temente a produtividade e reduzindo os custos médios dos produtores. O uso deste material, portanto, apresenta as mesmas vantagens que o milho Bt em relação ao benefício ao meio ambiente, além de não exigir conhecimentos espe-cíficos e técnicas adicionais para sua utilização.
Devido à importância socioeconômica da cultura do milho, à perda representativa de produtividade ocasionada
pela lagarta-do-cartucho e à quantidade reduzida de recur-sos alternativos para seu controle visando ao manejo inte-grado da praga, este trabalho teve como objetivo identificar cultivares de milho com menor nível de injúria da praga, em condições de campo, fornecendo subsídios para progra-mas de melhoramento genético e de manejo integrado de pragas (MIP) em áreas com histórico de altas infestações.
2. MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado em condições de campo, no pe-ríodo da safra de verão, ano agrícola de 2006/2007 em Capão Bonito (SP) (24°00’S; 48°22’W; 702 m altitude) e Tatuí (SP) (23°17’S; 47°52’W; 609 m altitude); no período de outono-inverno (safrinha), ano agrícola de 2007, em Capão Bonito (SP) e Coroados (SP) (21°24’S; 50°17’W; 417 m altitude); e período da safra de verão, ano agrícola de 2007/2008, em Tatuí (SP).
Em cada campo experimental foram realizados dois experimentos, sendo um para híbridos simples e triplos (HST) e outro para híbridos duplos e variedades (HDV). A variedade AL Bandeirante e o híbrido triplo DKB 350 foram incluídos como padrões agronômicos nos dois tipos de experimentos. Foram avaliadas no total 107 cultivares de milho (Tabela 1) quanto à injúria foliar provocada pela lagarta-do-cartucho, que constituíram os tratamentos dos experimentos realizados.
O delineamento experimental foi em blocos comple-tamente casualizados, com três repetições para o experi-mento de milho do tipo HST e quatro repetições para HDV. Cada parcela foi constituída por quatro linhas de 5 m de comprimento, espaçadas de 0,9 m, totalizando 18 m2 e uma população equivalente a 55 mil plantas ha-1, sendo realizadas as avaliações nas duas linhas centrais de cada parcela experimental.
A semeadura foi realizada manualmente, sendo a adubação estabelecida de acordo com o resultado da análise de solo e a adubação nitrogenada de cobertu-ra, de acordo com a produtividade esperada (Tabela 2), conforme Raij et al. (1997).
Bragantia, Campinas, v
. 70, n. 4, p.850-859, 2011
Cultivar Empresa Tipo
Experimento
Cultivar Empresa Tipo
Experimento
Verão Safrinha Verão Verão Safrinha Verão 2006/2007 2007 2007/2008 2006/2007 2007 2007/2008
DKB 350 Dekalb HT X X X AGN 20A06 Agromen HT X X
AG 2040 Agroceres HD X X X BM 810 Biomatrix HS X X
AG 2060 Agroceres HD X X X DKB 499 Dekalb HT X X
AG 5020 Agroceres HT X X X Cargo Syngenta HD X X
AS 1535 Agroeste HSm X X X AG 8021 Agroceres HS X
AS 1567 Agroeste HS X X X XGN 6101 Agromen HS X
AS 1570 Agroeste HS X X X XGN 6201 Agromen SI X
AS 1575 Agroeste HS X X X DAS 8480 Dow AgroSciences HS X
AGN 2012 Agromen HD X X X DAS A525 Dow AgroSciences SI X
AGN 30A06 Agromen HS X X X BRS 2020 Geneze e Brasmilho HD X
AL Bandeirante CATI V X X X PL 1335 Geneze e Brasmilho HT X
AL Ipiranga CATI V X X X A 4454 Nidera HD X
AL Piratininga CATI V X X X BX 1200 Nidera HS X
CD 308 Coodetec HD X X X 30K64 Pioneer HS X
DG 501 Datagene HT X X X SHS 5080 Santa Helena HS X
DKB 390 Dekalb HS X X X AGN 35A42 Agromen HD X
DKB 747 Dekalb HD X X X XGN 6110 Agromen SI X
DAS 2B587 Dow AgroSciences HS X X X Balu 551 Balu HD X
DAS 2B688 Dow AgroSciences HT X X X B 7414 Balu HT X
DAS 2B710 Dow AgroSciences HS X X X BM 2202 Biomatrix HD X
FTH 510 FT Sementes HS X X X BMX 67 Biomatrix SI X
FTH 950 FT Sementes HT X X X Elite Datagene HS X
BRS 1030 Geneze e Brasmilho Brasmilho HS X X X Turbo Datagene HD X
SG 6418 Guerra HD X X X DKB 330 Dekalb HS X
IAC 8333 IAC HSs X X X DAS 2C520 Dow AgroSciences HS X
RBX 030 Riber HT X X X BRS 1010 Geneze e Brasmilho HS X
XB 8010 Semeali HD X X X SG 6010 Guerra HS X
Impacto Syngenta HS X X X IAC V3 IAC VE X
Somma Syngenta HT X X X A 2555 Nidera HS X
AG 7010 Agroceres HS X X BX 974 Nidera HS X
AS 1548 Agroeste HS X X 30F87 Pioneer HT X
AGN 20A20 Agromen HS X X 30K75 Pioneer HSm X
AGN 25A23 Agromen HD X X Exceler Syngenta HT X
AL 34 CATI V X X Garra Syngenta HT X
DKB 979 Dekalb HT X X AG 7088 Agroceres HS X
BRS 1031 Geneze e Brasmilho Brasmilho HS X X AS 1592 Agroeste HS X
BRS 1035 Geneze e Brasmilho HS X X AGN 30A04 Agromen HS X
RBX 031 Riber HT X X XGN 6311 Agromen HS X
SHS 4080 Santa Helena HD X X Balu 580 Balu HT X
XB 8030 Semeali HS X X BMX 60 Biomatrix SI X
Tracktor Syngenta HD X X DAS 2B707 Dow AgroSciences HS X
AG 1051 Agroceres HD X X GNZ 9410 Geneze e Brasmilho HSm X
AG 8060 Agroceres HS X X IPR 115 IAPAR HS X
AG 8088 Agroceres HS X X BE 9203 Monsanto SI X
AL Alvorada CATI V X X BE 9510 Monsanto SI X
DKB 455 Dekalb HT X X BX 1149 Nidera HS X
DKB 789 Dekalb HTm X X BX 1382 Nidera HS X
30F35 Pioneer HS X X PZ 240 Primaiz HS X
30F53 Pioneer HS X X PZ 242 Primaiz HT X
30F90 Pioneer HS X X PZ 677 Primaiz HD X
30K73 Pioneer HS X X RB 9108 Riber HS X
Maximus Syngenta HS X X XB 6012 Semeali HS X
Bragantia, Campinas, v. 70, n. 4, p.850-859, 2011 853 Tolerância do milho à lagarta-do-cartucho
Em geral, no momento da avaliação da injúria foliar causada por S. frugiperda, as plantas de milho estavam no estádio de desenvolvimento vegetativo V4 (Ritchie et al., 2003), ou seja, com quatro folhas expandidas. Após as ava-liações, foi realizado o controle químico da lagarta-do-car-tucho com duas pulverizações, sendo a primeira logo após as avaliações com teflubenzuron (15 g ha-1 de i.a.) + lam-bdacialotrina (7,5 g ha-1 de i.a.) e a segunda, uma semana depois com metomil (130 g ha-1 de i.a.) + lambdacialotrina (7,5 g ha-1 de i.a.).
A injúria média observada em cada campo experimen-tal foi submetida à análise de variância individual, utilizan-do-se o teste F (p<0,05), sendo as médias das cultivares comparadas pelo teste de Duncan. Foram realizadas tam-bém análises estatísticas conjuntas da injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho, por safra e ano de avaliação, com os tratamentos comuns, verificando-se o efeito entre ‘mentos’, ‘locais’ e a interação ‘tratamento x local’. Os trata-mentos comuns a todas as safras e locais avaliados também foram submetidos à análise de variância conjunta.
Avaliou-se ainda a produtividade média de grãos com umidade corrigida para 13%, colhendo-se as espigas e de-bulhando-se os grãos das duas linhas centrais das parcelas. Calculou-se o índice de correlação, em cada experimento, entre os valores médios por cultivar da injúria provocada pela lagarta-do-cartucho e da produtividade de grãos, ve-rificando sua significância pelo teste t.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas análises de variância individuais foi constatada dife-rença entre as cultivares apenas nos experimentos de hí-bridos de milho simples e triplos avaliados em Tatuí (safra de verão de 2007/2008) e em Capão Bonito (safrinha de 2007) e de híbridos de milho duplos e variedades instala-dos em Capão Bonito (safrinha de 2007) e Tatuí (safra de verão de 2006/2007) (Tabela 3).
No experimento de híbridos de milho simples e tri-plos, em Capão Bonito, no período da safrinha de 2007, destacaram-se as cultivares BRS 1010, Garra, SG 6010, DKB 390, DAS 2B710 e DKB 979 pela menor nota mé-dia de injúria foliar provocada pela lagarta-do-cartucho e diferirem das cultivares mais danificadas (Tabela 4). No período da safra de verão de 2007/2008, em Tatuí, apesar do baixo nível de infestação, constatou-se diferen-ça entre as cultivares, sendo BRS 1030, AG 5020, DKB 789, DKB 499 e NBX 8315 as que tiveram as menores notas (Tabela 4).
Nos experimentos de híbridos de milho duplos e va-riedades, as cultivares com menores notas médias de in-júria foliar foram AL 34 e DKB 350, em Tatuí (safra de verão de 2006/2007) e IAC 8333, em Capão Bonito (sa-frinha de 2007). Ressalta-se que essas cultivares não tive-ram o mesmo destaque quanto aos menores danos foliares em ambos os experimentos (Tabela 5).
Local Modalidade Semeadura Adubação Produtividade Média
Semeadura Cobertura HST HDV
Data kg ha-1 NPK kg ha-1(1) Fonte(2) kg ha-1 kg ha-1
Capão Bonito verão 2006/2007 25/11/2006 350 08-28-16 120 Uréia 4.236 4.366
Capão Bonito safrinha 2007 23/03/2007 440 08-28-16 110 Uréia 7.566 5.422
Coroados safrinha 2007 21/03/2007 300 04-14-08 68 Uréia 2.471 1.919
Tatuí verão 2006/2007 08/11/2006 380 08-28-16 90 S.A. 7.240 6.362
Tatuí verão 2007/2008 20/11/2007 300 09-17-17 120 Uréia 9.306 8.078
Tabela 2. Caracterização da data de semeadura, adubação de semeadura NPK (N, P2O5 e K2O) e cobertura nitrogenada dos experimentos e produtividade média
(1)Quantidade de nitrogênio. (2) S.A. = sulfato de amônio.
Local Modalidade Tipo Cultivar Análise de variância da injúria
Média Efeito cultivar CV
número (nota) (%)
Capão Bonito Verão de 2006/2007 HST 45 5,2 ns 25,0
Capão Bonito Safrinha de 2007 HST 40 6,3 * 8,8
Coroados Safrinha de 2007 HST 40 6,4 ns 9,1
Tatuí Verão de 2006/2007 HST 45 6,0 ns 14,0
Tatuí Verão de 2007/2008 HST 45 2,7 * 38,5
Capão Bonito Verão de 2006/2007 HDV 22 6,6 ns 13,7
Capão Bonito Safrinha de 2007 HDV 24 6,4 * 7,7
Coroados Safrinha de 2007 HDV 24 6,7 ns 9,1
Tatuí Verão de 2006/2007 HDV 22 5,6 * 13,2
Tatuí Verão de 2007/2008 HDV 22 3,6 ns 34,5
Tabela 3. Resultados das análises de variância individuais da injúria provocada pela lagarta-do-cartucho em cada experimento isoladamente
Cultivar Capão Bonito Cultivar Tatuí
Nota (1) σ Nota (1) σ
A 2555 7,0 a 0,0 30F90 4,7 a 1,1
DKB 330 7,0 a 0,0 30F35 4,7 a 0,4
AS 1535 7,0 a 0,0 RB 9108 4,7 a 0,4
DKB 350 6,7 ab 0,4 AS 1592 4,3 ab 0,4
Exceler 6,7 ab 0,4 AS 1575 4,3 ab 0,4
AG 7000 6,7 ab 0,4 DG 501 4,0 a-c 0,7
30K75 6,7 ab 0,4 30K73 4,0 a-c 0,0
0AS 1548 6,7 ab 0,4 DAS 2B707 3,7 a-d 0,4
Somma 6,7 ab 0,4 PZ 240 3,7 a-d 0,4
AS 1567 6,7 ab 0,4 AG 8060 3,3 a-e 1,1
30F87 6,7 ab 0,4 BX 1149 3,3 a-e 1,5
BRS 1035 6,7 ab 0,4 BE 9510 3,3 a-e 0,4
AS 1575 6,7 ab 0,4 IPR 115 3,3 a-e 1,1
AGN 20A20 6,7 ab 0,4 FTH 950 3,3 a-e 1,6
AGN 20A06 6,7 ab 0,4 AL Piratininga 3,0 a-f 0,7
FTH 950 6,7 ab 0,4 DAS 2B688 3,0 a-f 0,0
AL Bandeirante 6,3 a-c 0,4 BE 9203 3,0 a-f 1,2
AG 5020 6,3 a-c 0,4 PZ 242 3,0 a-f 0,7
DG 501 6,3 a-c 0,4 AGN 20A06 3,0 a-f 0,7
BX 974 6,3 a-c 0,4 FTH 510 3,0 a-f 1,4
DAS 2C520 6,3 a-c 0,4 BMX 60 3,0 a-f 0,8
AS 1570 6,3 a-c 0,4 AGN 30A06 3,0 a-f 1,2
FTH 510 6,3 a-c 0,4 BM 810 3,0 a-f 1,4
RBX 030 6,3 a-c 0,4 AS 1535 2,7 a-f 0,4
BMX 67 6,3 a-c 0,4 BX 1382 2,7 a-f 0,4
BRS 1030 6,0 a-d 0,7 XB 6012 2,7 a-f 0,8
Elite 6,0 a-d 0,0 XGN 6311 2,7 a-f 1,1
DAS 2B587 6,0 a-d 0,0 30F53 2,7 a-f 0,8
DAS 2B688 6,0 a-d 0,7 DKB 455 2,3 b-f 1,1
Impacto 6,0 a-d 0,7 DAS 2B710 2,3 b-f 0,8
RBX 031 6,0 a-d 0,0 DAS 2B587 2,3 b-f 1,1
XGN 6110 6,0 a-d 0,7 AG 8088 2,3 b-f 0,4
AG 7010 6,0 a-d 0,0 AS 1567 2,3 b-f 0,4
B 7414 6,0 a-d 0,7 AG 7088 2,3 b-f 0,8
BRS 1010 5,7 b-d 0,4 Maximus 2,3 b-f 1,1
Garra 5,7 b-d 0,4 AS 1570 2,3 b-f 0,4
SG 6010 5,7 b-d 0,4 RBX 030 2,3 b-f 1,1
DKB 390 5,3 cd 0,4 DKB 350 2,0 c-f 1,2
DAS 2B710 5,3 cd 0,4 A 2555 2,0 c-f 0,7
DKB 979 5,0 d 0,7 Somma 2,0 c-f 0,0
DKB 390 2,0 c-f 0,7
Impacto 2,0 c-f 0,7
AGN 30A04 2,0 c-f 0,0
Balu 580 2,0 c-f 0,7
GNZ 9410 1,7 d-f 0,4
BRS 1030 1,3 ef 0,4
AG 5020 1,3 ef 0,4
DKB 789 1,0 f 0,0
DKB 499 1,0 f 0,0
NBX 8315 1,0 f 0,0
Média (2) 6,3 2,7
Erro-padrão 0,1 0,1
F (5%) 2,2 * 2,4 *
CV (%) 8,8 38,5
Tabela 4. Notas médias de injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho em híbridos de milho simples e triplos no estádio vegetativo V4, em experimentos realizados no período da safrinha de 2007, em Capão Bonito, e no período da safra de verão 2007/2008, em Tatuí
(1)Média de notas apresentadas em uma escala de 1 a 10 (Tseng et al., 1984), sendo 1 = planta sem danos visíveis e 10 = planta quase ou completamente morta. Médias
Bragantia, Campinas, v. 70, n. 4, p.850-859, 2011 855 Tolerância do milho à lagarta-do-cartucho
Cultivar Tatuí σ Cultivar Capão Bonito σ
Nota (1) Nota (1)
AL Piratininga 6,5 a 0,6 Turbo 7,0 a 0
A 4454 6,5 a 0,3 AL Bandeirante 6,8 ab 0,3
BRS 2020 6,3 ab 0,3 BRS 2020 6,8 ab 0,3
CD 308 6,3 ab 0,5 BM 2202 6,8 ab 0,3
AGN 25A23 6,0 a-c 0 Cargo 6,8 ab 0,3
AGN 2012 5,8 a-c 0,5 DKB 747 6,5 ab 0,3
XB 8010 5,8 a-c 0,5 AGN 35A42 6,5 ab 0,3
DKB 747 5,8 a-c 0,5 AL 34 6,5 ab 0,3
IAC 8333 5,8 a-c 0,5 AL Ipiranga 6,5 ab 0,3
SG 6418 5,8 a-c 0,5 SHS 4080 6,5 ab 0,3
SHS 4080 5,8 a-c 0,3 XB 8030 6,5 ab 0,3
AL Ipiranga 5,5 a-c 0,7 IAC V3 6,5 ab 0,3
AL Alvorada 5,5 a-c 0,6 DKB 350 6,3 a-c 0,5
Tracktor 5,5 a-c 0,3 Tracktor 6,3 a-c 0,3
AG 2040 5,3 a-c 0,5 XB 8010 6,3 a-c 0,3
AG 2060 5,3 a-c 0,5 AGN 25A23 6,3 a-c 0,3
XB 8030 5,3 a-c 0,5 AL Piratininga 6,3 a-c 0,3
AL Bandeirante 5,0 bc 0 SG 6418 6,3 a-c 0,3
AG 1051 5,0 bc 0,6 Balu 551 6,3 a-c 0,3
30F87 5,0 bc 0,4 AGN 2012 6,0 bc 0
DKB 350 4,8 c 0,5 AG 6040 6,0 bc 0
AL 34 4,8 c 0,5 CD 308 6,0 bc 0
AG 2040 6,0 bc 0
IAC 8333 5,5 c 0,6
Média2 5,6 6,4
Erro-padrão 0,0 0,1
F (5%) 2,0 * 1,8 *
CV (%) 13,2 7,7
Tabela 5. Notas médias de injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho em híbridos de milho duplos e variedades durante o estádio vegetativo V4, em experimentos realizados no período da safra de verão de 2006/2007, em Tatuí, e safrinha de 2007, em Capão Bonito
(1)Média de notas apresentadas em uma escala de 1 a 10 (Tseng et al., 1984), sendo 1 = planta sem danos visíveis e 10 = planta quase ou completamente morta. Médias
seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Duncan. (2)Média dos tratamentos em cada local de avaliação. *significativo (p<0,05) O menor dano foliar observado em algumas cultivares
indica menor consumo pela lagarta-do-cartucho, eviden-ciando, assim, resistência do tipo não-preferência. O uso de cultivares com este tipo de resistência, aliado ao controle químico, poderia auxiliar na manutenção da população da praga em níveis moderados, otimizando seu manejo. No en-tanto, avaliando acessos de milho para a resistência à lagarta-do-cartucho, Lima et al. (2006) verificaram, em condições de laboratório, que os acessos mais consumidos (AM 013, RO 009 e MA 002), que corresponderiam a maior dano no campo, foram aqueles que proporcionaram as menores via-bilidades de lagartas, detectando resistência por antibiose. Neste caso, mesmo ocorrendo na planta maior dano foliar, quando comparada às demais, constastou-se sua resistência causando mortalidade na fase larval; provavelmente, ocor-reu maior consumo para compensar a menor concentração de nutrientes essenciais na planta ao desenvolvimento do inseto. Viana e Potenza (2000) também observaram que os genótipos mais atrativos e mais consumidos pelas lagar-tas foram em geral, os menos adequados à sua biologia.
Por outro lado, Silveira et al. (1997) relatam que nem sempre a viabilidade larval é afetada sensivelmente
por acessos resistentes, pois registraram alta viabilida-de viabilida-de larvas alimentadas com o acesso Zapalote Chico, considerado um dos menos adequados ao desenvolvi-mento de S. frugiperda em estudo anterior (Vendramim e Fancelli,1988). Além disso, Wiseman et al. (1981) e Williams et al. (1983) observaram alto nível de antibio-se e não preferência alimentar para o genótipo resistente MpSWCB-4 e baixo nível de antibiose associado à não-preferência alimentar para o ‘Antigua 2D-118’.
Fator de variação GL SQ QM F Safra de verão de 2006/2007, em Tatuí e Capão Bonito
Blocos 2
Locais (L) 1 48 48,1 41,9 *
Tratamentos (T) 44 63 1,4 1,2 ns
T x L 44 51 1,1 0,7 ns
Resíduo 178 279 1,6
Total 269 440
Safrinha de 2007, em Capão Bonito e Coroados
Blocos 2
Locais (L) 1 1 0,5 1,6 ns
Tratamentos (T) 39 32 0,5 2,7 *
T x L 39 12 0,3 0,8 ns
Resíduo 158 62 0,4
Total 239 106
Safra de verão de 2006/2007, safrinha de 2007 e safra de verão de 2007/2008
Blocos 2
Locais (L) 4 408 101,9 91,0 *
Tratamentos (T) 11 20 1,8 1,6 ns
T x L 44 49 1,1 1,3 ns
Resíduo 118 106 0,9
Total 179 583
Tabela 6. Quadrados médios e significância nas análises de variância conjuntas entre locais, de acordo com a modalidade de
cultivo e ano de avaliação, para injúria causada por S. frugiperda na
cultura do milho, em híbridos simples e triplos
* = significativo pelo teste F (p<0,05); ns = não significativo.
Fator de variação GL SQ QM F
Safra de verão de 2006/2007, em Tatuí e Capão Bonito
Blocos 3
Locais (L) 1 46 46,0 38,7 *
Tratamentos (T) 21 21 1,0 0,8 ns
T x L 21 25 1,2 1,5 ns
Resíduo 129 103 0,8
Total 175
Safrinha de 2007, em Capão Bonito e Coroados
Blocos 3
Locais (L) 1 5,7 5,7 27,7 *
Tratamentos (T) 23 8,6 0,4 1,9 ns
T x L 23 4,7 0,2 0,6 ns
Resíduo 141 48,8 0,3
Total 191 67,7
Safra de verão de 2006/2007, safrinha de 2007 e safra de verão de 2007/2008
Blocos 3
Locais (L) 4 277 69,2 99,5 *
Tratamentos (T) 10 10 1,0 1,4 ns
T x L 40 28 0,7 0,8 ns
Resíduo 122 137 1,1
Total 219 452
Tabela 7. Quadrados médios e significância nas análises de variância conjuntas entre locais, de acordo com a modalidade de
cultivo e ano de avaliação, para injúria causada por S. frugiperda na
cultura do milho, em híbridos duplos e variedades
* = significativo pelo teste F (p<0,05); ns = não significativo.
Cultivar Capão Bonito e Coroados σ
Nota (1)
DKB 330 7,0 a 0
30K75 6,8 ab 0,3
AS 1535 6,8 ab 0,2
DKB 350 6,7 a-c 0,2
AG 7000 6,7 a-c 0,2
AS 1548 6,7 a-c 0,2
A 2555 6,7 a-c 0,3
Somma 6,7 a-c 0,2
BRS 1035 6,7 a-c 0,2
AS 1575 6,7 a-c 0,2
AGN 20A20 6,7 a-c 0,2
FTH 950 6,7 a-c 0,2
Exceler 6,5 a-d 0,2
AS 1567 6,5 a-d 0,3
DAS 2B688 6,5 a-d 0,3
FTH 510 6,5 a-d 0,2
AL Bandeirante 6,3 a-e 0,2
AG 5020 6,3 a-e 0,2
DG 501 6,3 a-e 0,2
BX 974 6,3 a-e 0,2
DAS 2C520 6,3 a-e 0,2
AS 1570 6,3 a-e 0,2
DAS 2B587 6,3 a-e 0,2
30F87 6,3 a-e 0,2
Riber 030 6,3 a-e 0,2
AGN 20A06 6,3 a-e 0,2
B 7414 6,3 a-e 0,3
BRS 1030 6,2 b-f 0,3
Elite 6,2 b-f 0,2
XGN 6110 6,2 b-f 0,3
BRS 1010 6,0 c-f 0,3
Riber 031 6,0 c-f 0
BMX 67 6,0 c-f 0,2
DAS 2B710 5,8 d-f 0,3
Garra 5,8 d-f 0,3
SG 6010 5,8 d-f 0,3
AG 7010 5,8 d-f 0,2
Impacto 5,7 ef 0,4
DKB 390 5,5 f 0,2
DKB 979 5,5 f 0,4
Média2 6,3
Erro-padrão 0,1
F (5%) 1,4
CV (%) 9,1
Tabela 8. Notas médias de injúria foliar causada pela
lagarta-do-cartuchoem híbridos de milho simples e triplos durante o estádio
vegetativo V4, na análise conjunta dos experimentos realizados em Capão Bonito e Coroados, na safrinha 2007
(1) Média de notas apresentadas em uma escala de 1 a 10 (Tseng et al., 1984), sendo
1 = planta sem danos visíveis e 10 = planta quase ou completamente morta. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Duncan. (2) Média dos
Bragantia, Campinas, v. 70, n. 4, p.850-859, 2011 857 Tolerância do milho à lagarta-do-cartucho
Figura 1. Notas médias de injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho nas cultivares de milho comuns a todos os experimentos de
híbridos simples e triplos e erro-padrão da média para as notas de cada cultivar.
!
7,06,0
5,0
Nota média de dano
4,0
3,0
2,0
BRS1030 DKB390 AS1567 DKB350 Impacto A2555 AG5020 AS1570 Somma AS1535 AS1575 DG501 1,0
Cultivares de milho
Figura 2. Notas médias de injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho, nas cultivares de milho comuns a todos os experimentos de híbridos duplos e variedades e erro-padrão da média para as notas de cada cultivar.
!
7,06,0
5,0
Nota média de dano
4,0
3,0
2,0
1,0
Cultivares de milho
DKB 350 SG 6418 IAC 8333 AGN 2012
AL Bandeirante
AL Ipiranga AG 2060 XB 8010
CD 308 DKB 747
AL Piratininga
Na análise conjunta de Coroados e Capão Bonito, safrinha 2007, os híbridos DKB 330, 30K75 e AS 1535 com os maiores valores de dano, diferiram de BRS 1010, Riber 031, BMX 67, DAS 2B710, Garra, SG 6010, AG 7010, Impacto, DKB 390 e DKB 979 (Tabela 8). O bai-xo nível de injúria proporcionado por BRS 1010, DAS 2B710, Garra, SG 6010, DKB 390 e DKB 979 é coerente com o da análise individual de Capão Bonito discutido anteriormente, com exceção de Riber 031 e BMX 67.
Não houve correlação da produtividade das cultiva-res de milho com as notas de injúria foliar causada pela lagarta-do-cartucho. As pulverizações realizadas para o controle químico da lagarta favoreceram a recuperação da área foliar e, por esse motivo, os danos não foram severos
ao ponto de sobrepujar as diferenças de potencial produti-vo entre os materiais. O que prevaleceu na produtividade das cultivares nos experimentos avaliados foi a adaptação dos materiais aos ambientes e outros fatores, tais como doenças, que não foram controladas.
análises de variância individuais com as menores notas não foram relacionadas pelos baixos valores de injúria foliar da lagarta-do-cartucho em todas as avaliações.
Contudo, a variabilidade dos resultados é elevada, visto o alto valor do coeficiente de variação em cada local. O fato decorre de inúmeros fatores, como a interferência do am-biente na diferenciação das cultivares e a ocorrência da pra-ga e de seus inimigos naturais, influenciando a magnitude do ataque e a expressão do dano. Por outro lado, o conheci-mento do desempenho das cultivares a partir desses experi-mentos reduz o tempo de pesquisa e os recursos financeiros requeridos, quando comparado a estudo mais profundo com a mesma quantidade de material. As cultivares que se destacaram quanto ao dano da lagarta-do-cartucho podem então ser avaliadas quanto à produtividade, com e sem o controle da praga, para detectar a tolerância da planta além do estudo dos fatores que estão conferindo menor dano fo-liar (antixenose) da lagarta-do-cartucho.
Apesar da maioria dos estudos de resistência de milho à lagarta-do-cartucho ser feita em laboratório com o ob-jetivo de se detectar resistência do tipo antibiose, segundo Paterniani (1978), a resistência por tolerância possui vanta-gens como ser regida por genes diferentes dos demais com-ponentes da resistência e reforça esses comcom-ponentes quando presente, além de reduzir a possibilidade de aparecimento de biótipos por não afetar a população do inseto, se ajustando bem em um programa de melhoramento genético.
A detecção de material resistente à lagarta-do-cartucho tem sido realizada mediante comparações entre material genético de coleções de germoplasma (Leite et al., 2008; Cunha et al., 2008; Reis e Miranda Filho, 2003), nem sempre com características agronômicas desejáveis. Já o presente trabalho foi realizado com materiais comerciais e, se confirmada a resistência, as cultivares que se destacaram poderão ser priorizadas, juntamente com seus progenito-res, para introduzir esta característica em outros materiais, pois já possuem elevado potencial produtivo.
AGRADECIMENTOS
Aos pesquisadores Eduardo Sawasaki e Maria Elisa Paterniani, do IAC, pelas sugestões e aos funcionários de apoio Fabiana Alves Cruz, Obede Pires Correa e José Angelino de Paula, pela colaboração no desenvolvimento dos experimentos. Ao Eng.º Agr.º José Henrique de Jesus Chiiarato, do Convênio Casa de Agricultura/CATI e Prefeitura Municipal de Coroados, pelo manejo do experimento de milho safrinha. Ao INCT Interações Planta-Praga.
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