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Substituição de subprodutos de trigo pelo sorgo moído na alimentação de pintos.

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Substituição de Subprodutos de Trigo pelo

Sorgo moído na Alimentação de Pintos

A. P. T O R R E S

e

F. P I M E N T E L G O M E S

(2)

1 — I N T R O D U Ç Ã O

O sorgo (Sorghum vulgare) é u m cereal grandemente u s a d o n a s áreas de baixa pluviosidade, e m praticamente todo o m u n d o , notadamente naquelas m a i s quentes e secas, onde a cultura do m i l h o n ã o possa realizar-se economicamente.

Encontram-se variedades cultivadas t a n t o nos climas tro-picais e súbtropicaís, como nos temperados: n o Norte da China, Mandchúria, índia, toda a África, certas regiões da Europa e Estados Unidos. Neste ú l t i m o país t e m g a n h o maior importância nos Estados do Texas, O k l a h o m a , Kansas, Ne-braska, Novo México, Arizona, etc. N o Brasil sua cultura é pouco conhecida e n ã o t e m tido expansão, talvez por falta de u m a mecanização que a torne m a i s econômica.

O s sorgos são cultivados para diversos fins: para grãos, forragem, vassouras, açúcar, etc. A s variedades para grãos, dão u m cereal utilizado e m certas regiões n a alimentação h u -m a n a ,e-m substituição ao trigo, -m a s provavel-mente sua -maior produção se destine à alimentação dos animais e m lugar do milho.

A s variedades para grãos geralmente são de pequeno por-te, m a s a l g u m a s como as de Kafir, são tão desenvolvidas, que após a colheita de sementes, podem ser utilizadas c o m o for-ragem volumosa para o gado.

Outra variedade, u s a d a e m nossos experimentos, foi a Atlas, considerada u m híbrido entre u m sôrgo cerealífero e outro sacarino (forrageiro). D e acordo c o m M O R R I S O N

(1950) é u m a das variedades m a i s populares nos E.U.A. O Instituto Agronômico de C a m p i n a s t e m dado, especial atenção a esses e outros sorgos de dupla utilidade, que, depois de colhidos os cachos, possam ainda dar u m a substancial produção de forragem para os herbívoros, particularmente para os bovinos. A s plantas de sorgo são usadas c o m o forra-gem, quer verdes, quer fenadas, quer ensiladas, c o m o u s e m panículas.

A composição do grão é m u i t o parecida à dos outros ce-reais e m e s m o à do milho, do qual se distingue pôr ser m a i s pobre e m graxa e caroteno. A s sementes de muitos híbridos são u m pouco a m a r g a s devido ao seu alto teor de tanino

( M O R R I S O N , 1 9 5 0 ) , havendo u m a grande diferença de pala-tabilidade entre as variedades conhecidas.

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admite que as variedades de sementes brancas ou amarelas sejam m a i s apreciadas, porém conclui que na maioria dos experimentos e m que se empregaram Milo, Kafir, Hegari e K a l o , quer para galinhas poedeiras quer para pintos, estando a ração b e m balanceada, o sorgo teria u m valor equivalente a o do milho.

P A Y N É ( 1 9 3 4 ) , que realizou u m estudo comparativo do grão de sof go c o m o de m i l h o e o de trigo, c h a m a a atenção para o fato de muitos avicultores n ã o gostarem de usar o sorgo nas regiões e m que é produzido e atribui esta atitude, e m parte, aos métodos empregados n a colheita e armazena-m e n t o dos grãos. Geralarmazena-mente n a colheita se cortaarmazena-m os cachos, que são amontoados ao relento, onde, t o m a n d o chuva, m o f a m . Esses grãos cheios de bolores são depois misturados c o m grãos de boa qualidade e incorporados às rações. Diz Payne, que, se essa prática n ã o é fatal para as aves adultas, será pelo m e n o s desastrosa para os pintos.

O u t r a razão de fracasso n o emprego do sorgo é devido a n ã o se levar e m consideração sua pobreza e m vitamina A e m contraste c o m o m i l h o amarelo.

O sorgo após a colheita deve ser utilizado tão cedo quanto possível pelas fábricas de ração ou avicultores.

E m 1934 ( P A Y N E ) , o sorgo m a i s usado n a alimentação d e aves era o Kafir, seguido pelo Milo. O Kafir, n a maioria dos casos, deu melhores resultados que o Milo. Para este autor, n u m estudo das variedades de sorgo sobre a postura, classificou-os n a seguinte ordem: Controle, Kafir, M i l o e Sorgo. Esta última variedade — que recebeu o n o m e de Sorgo simplesmente, se mostrou m u i t o inferior, com elevado teor de tanino. Estudando a postura, incubabilidade dos ovos, morta-lidade, eficiência, chegou à conclusão que K a f i r o u Milo de boa qualidade podem substituir o milho, branco ou amarelo, quilo por quilo, n u m a ração de pintos e m crescimento ou ga-linhas poedeiras, quando adequadamente suplementados por outros nutrientes.

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E W I N G (1951) t a m b é m , fazendo u m a revisão bibliográ-fica, c h a m a atenção para o fato dos grãos colhidos contarem m u i t a umidade, freqüentemente esquentando e estragando-se n o a r m a z e n a m e n t o , por isso o sorgo só deve ser colhido quando b e m maduro. E m grande proporção n a farelada, di-m i n u i a palatabilidade e por conseqüência o consudi-mo. Cita vários outros ( H e y w a n g e M o r g a n , 1932; Smith, 1930; Payne; H a m m o n d , 1942; Melass, 1943) concordes em, que, quando con-venientemente suplementadas, certas variedades de sorgo, como Kafir, Milo, Hegari, p o d e m substituir parcialmente o milho, quer e m rações de poedeiras, quer de frangos.

E m ú l t i m a análise o sorgo, c o m o cereal, ocupa u m a po-sição secundária ao milho, porém quando o seu valor comer-cial fôr inferior a o desse cereal, pode ser interessante sua uti-lização n a s rações para aves.

2 — P L A N O G E R A L D O T R A B A L H O

O presente trabalho consta de três ensaios. N o primeiro fez-se u m a comparação entre as variedades A t l a s ( I A 3 4 ) , Kafir ou Hidrokafir ( I A 6 ) e d a W h i t e Afrikan x S u m a c

( I A 3 6 ) , esta e m panículas inteiras, moídas. Estes sorgos en-traram n a s rações n a proporção de 3 0 % , e m substituição aos farelos de trigo.

N o segundo experimento, procurou-se determinar a quan-tidade mais favorável de sorgo Atlas, aparentemente o melhor que poderia substituir igual proporção de farelos de trigo (fino e grosso), que estaria n a s proximidades de 7 % . C o m o este teor pareceu-nos baixo, admitimos que havia qualquer de-ficiência n o sorgo e m contraste c o m os subprodutos de trigo. I m a g i n a m o s que o excremento de vaca moído e seco, contendo fatores conhecidos e desconhecidos estimulantes do cresci-m e n t o poderia cobrir as deficiências do sorgo, visto não dis-pormos dé vitaminas e aminoácidos puros para nossos tra-balhos. O excremento de vaca j á fora experimentado nesta Escola ( B E R G A M I N , 1951) c o m bons resultados. Foi assim encetado o terceiro experimento, n o qual proporções variáveis de subprodutos de trigo e farinha de alfaia, foram substituí-dos por iguais proporções de sorgo e excremento de vaca seco ( 5 % ) .

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2 . 1 — Primeiro experimento

Substituição total dos resíduos de trigo de u m a ração, que os continha n a proporção de 3 0 % , por sorgo grão e panículas, moídos.

M A T E R I A L E M É T O D O

Neste primeiro experimento, iniciado e m 2 de j u n h o de 1954, tinha-se c o m o objetivo verificar se os 3 0 % de farelo e farelinho de trigo, correntemente usados pelos avicultores, nas rações de pintos, poderiam ser substituídos por grãos de sôrgo das variedades A t l a s e Kafir ou panículas inteiras de W h i t e Afrikan x S u m a c .

As panículas inteiras m o í d a s foram tentadas para se ve-rificar se se poderia eliminar a operação de debulha, o que seria interessante quando o criador produzisse o sorgo n a m e s m a propriedade.

Os grãos de sorgo utilizados f o r a m fornecidos pelo Ins-tituto Agronômico dê C a m p i n a s e as variedades correspondem aos seguintes n ú m e r o s de registro:

Atlas = I A 34

Kafir = Hydrokafir = I A 6 W h i t e Afrikan x S u m a c = I A 36.

A análise desses grãos, realizada no m e s m o Instituto, e a da panícula inteira realizada n o Laboratório de Bromatolo-gia da 5 .a

(6)

A composição de outros componentes das dietas, t a m b é m verificada pela etiqueta de garantia, foi a seguinte:

Essas composições são dadas ora por se tratar de produtos inferiores que fogem u m pouco ao c o m u m , ora por se tratar de produtos pouco usuais. Os demais produtos (milho a m a -relo, farinha de alfafa e farelo de algodão de 4 0 % , de boa qualidade) foram calculados de acordo com a tabela de T O R R E S ( 1 9 4 9 ) .

Não houve u m a escolha proposital dos componentes da ração básica o u ração que deveria servir de controle, m a s em-pregaram-se alimentos que estavam sendo usados n a alimen-tação dos rebanhos avtcolas da "Luiz de Queiroz".

Comparando a composição dos sorgos com os farelos de trigo (Quadro n . ° 1) verificou-se que, se houvesse u m a sim-ples substituição desses subprodutos de trigo pelos sorgos, ha-veria u m déficit de proteína que poderia afetar os resultados. Assim, para acertar o m e s m o nível de proteína n a s rações que levavam sorgo, foi necessário a u m e n t a r nelas o teor de farelo de amendoim.

A ração básica constou da mistura seguinte:

Milho amarelo moído fino 50,000 kg Farinha de carne e ossos ( 4 0 % ) 20,000 kg Farelo de a m e n d o i m 17,000 kg Farelo de algodão 8,100 kg T a n c a g e m de cacau 8,100 kg

(1) Farinha de carne e ossos, com 36% de fosfato de cálcio. (2) Nesta porcentagem, inclui a fibra.

(7)

Refinasil 8,100 k g Farinha de fêno de alfafa 5,000 k g Sal 1,000 k g Suplemento de Riboflavina 0,040 k g Sulfato de m a n g a n ê s 0,020 k g

A ração de controle ou t e s t e m u n h a levou:

R a ç ã o básica 117,410 k g Farelo grosso de trigo 25,000 kg Farelo fino de trigo 25,000 k g

A dieta R i constou de

R a ç ã o básica 117,410 kg Sorgo A t l a s (IA 34), grãos moídos 50,000 k g Farelo de a m e n d o i m 5,000 k g

A dieta R2,

R a ç ã o básica 117,410 k g Sorgo Kafi r ( I A 6 ) , grãos moídos 50,000 k g Farelo de a m e n d o i m 6,000 k g

A dieta R3,

R a ç ã o básica 117,410 k g Panículas de sôrgo W . A . X S.

(IA 36) moídas 50,000 k g Farelo de a m e n d o i m 6,000 k g

(8)

No experimento f o r a m usados 140 pintos de a m b o s os sexos da raça N e w Hampshire, divididos e m 4 lotes de 35. Não se fêz duplicação do lote pela razão acima exposta. A criação foi feita e m bateria metálica c o m aquecimento a eletricidade durante 24 dias. C o m 4 s e m a n a s os pintos passaram para ba-terias maiores sem aquecimento.

F o r a m feitas pesagens semanais durante o período expe-rimental de 6 semanas. N a pesagem inicial os pintos t i n h a m 3 dias de vida, tendo sido alimentados exclusivamente c o m quirera de milho amarelo, areia e á g u a para evitar "carry over".

R E S U L T A D O S

(9)

N o final do experimento observou-se o seguinte c o n s u m o de ração e m quilos.

A análise estatística deste experimento foi realizada n o Laboratório da Secção de Genética ( 1 9 .a Cadeira) da "Luiz

de Queiroz" sob orientação do prof. F . G . Brieger e auxiliares. C o m o a mortalidade foi desigual, sendo maior n o s grupos R3 ( 4 pintos) e R2 (3 pintos) d o q u e c o m o T e s t e m u n h a e Rx

( u m p i n t o ) , foram analisados t a n t o os dados ajustados, c o m o os originais.

O s resultados dessa análise m o s t r a m serem as diferenças entre os grupos que receberam sorgo e m substituição a o farelo de trigo altamente significativas. Isto j á se observa desde a 3 .a semana, o que só ocorre e m experimentos e m que as

dife-renças entre as rações são m u i t o acentuadas.

Nos quadros seguintes encontram-se os resultados ana-líticos obtidos n o Laboratório de Genética.

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D I S C U S S Ã O

Devemos, e m primeiro lugar, c h a m a r a atenção para o fato de a composição dos sorgos empregados não ter m u i t a correspondência c o m as análises americanas ( M O R R I S O N , 1 9 5 0 ) .

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O nosso produto é m a i s pobre e m proteína e graxa e m u i t o mais rico de fibra. A sua composição se mostra m e s m o inferior à das panículas inteiras m o í d a s da m e s m a variedade nos Es-tados Unidos. Q u a n t o ao híbrido W h i t e Afrikan x S u m a c

(IA 36) que foi usado sob a forma de farelo de panículas in-teiras, embora n ã o t e n h a m o s encontrado análise da m e s m a variedade para comparação, apresenta u m a composição satis-fatória se comparado c o m farelo de panículas de outras varie-dades de sorgo. N o Q u a d r o n . ° 1 nota-se t a m b é m que não h á m u i t a diferença n a composição do sorgo debulhado e m con-traste c o m o sorgo e m espiga. H á , porém, a ressalva de que as análises f o r a m feitas e m laboratórios diferentes, provavel-m e n t e c o provavel-m provavel-material colhido de aprovavel-mostra diversa.

Estas considerações são necessárias para esclarecer u m dos motivos, talvez o principal, de os resultados obtidos com o sorgo neste experimento serem inferiores aos que se deveria esperar pelas experiências americanas.

Pelo c o n s u m o reduzido das rações contendo sorgo, pode-se inferir serem elas m u i t o m e n o s palatáveis ou aceitáveis do que aquela contendo farelo de trigo. Este fato talvez t e n h a contribuído m a i s para reduzir o índice de conversão de 1:4,249 n a dieta c o m farelo de trigo para 1:5,35 a 1:5,9 n a rações c o m sorgo. C h a m a m o s a atenção para o fato de o teor de fibra total n a s dietas c o m sorgo ser apenas pouco m a i s ele-vada que n a dieta controle. E m parte, talvez e m grande parte, esta diferença possa ser atribuída à qualidade da fibra. Sabe-se que n a dieta das aves certas fibras c o m o as de feno de alfafa, dos farelos de trigo, apresentam u m efeito favorável, enquanto outras, como a do sabugo de milho, se não são prejudiciais, comportam-se c o m o u m material inerte, de simples "enchi-mento". Parece ser este o caso das fibras do sorgo.

Q u a n t o à aceitação, c o m o sabemos que alguns sorgos pos-suem u m princípio a m a r g o n a s cascas (especialmente os de casca escura) e que os farelos de trigo são m u i t o apreciados por todas as espécies domésticas, somos levados a admitir que as rações contendo tão alta percentagem de sorgo teriam u m m a u gosto acentuado. Isto nos levaria a concluir que, ou devemos combinar o sorgo com outros alimentos que lhe m a s -carem o gosto, tornando a ração mais palatável, ou reduzir a sua percentagem n a s misturas.

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C O N C L U S Ã O

A análise estatística n ã o permitiu constatar-se diferenças significativas entre as três variedades de sorgo utilizadas neste experimento, embora o IA-36 (panículas moídas) aparentasse ser inferior. Contudo, n ã o resta dúvida que n e n h u m deles foi capaz de substituir os farelos de trigo nas proporções utili-zadas n a dieta de controle deste ensaio.

2 . 2 — Segundo experimento

M A T E R I A L E M É T O D O

Este segundo experimento foi iniciado e m 16-8-54, ainda u m a época favorável aò desenvolvimento dos pintos. T e n d o verificado n o experimento anterior a inexequibilidade de subs-tituir 3 0 % da dieta, representados por farelo e farelinho de trigo, procuramos n o presente ensaio determinar a quantidade ideal de sorgo que poderia substituir igual quantidade daque-les resíduos de trigo, sem prejuízo para as aves.

Assim foram formuladas cinco dietas, c o m os m e s m o s componentes das rações do Experimento n . ° 1, exceto que se usou apenas u m a variedade de sorgo, que foi a IA-34 ou Atlas. A s dietas t i n h a m aproximadamente 2 1 % de proteína e as substituições de sorgo f o r a m feitas sem correção para este nutriente, visto que a diferença de composição n ã o era de molde a afetar significativamente os resultados n u m caso e m que foi provado que as acentuadas diferenças dos componen-tes contrastados não e r a m devidas a este fator.

A ração testemunha ( T a) levou 3 0 % de farelo e farelinho em partes iguais, a Rl n levou 7 % de sôrgo m o í d o e m

substi-tuição a igual peso desses produtos; a R2 a, 1 4 % ; a R3 a, 2 0 % ;

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A ração básica constou da seguinte mistura:

Milho amarelo moído 2 2 , 5 0 0 k g Farinha de carne e ossos 4 0 % . . . 9,000 k g

Farelo de a m e n d o i m , 7,500 k g Farelo de algodão 3,750 k g T a n c a g e m de cacau 3,750 k g Refinasil 3,750 k g

• F a r i n h a de alfafa 2 , 2 5 0 k g Delsterol 0,025 k g

Riboflavina, suplemento 0,020 k g Sulfato de m a n g a n ê s 0,010 k g Sal 0,500 k g

N ã o foi necessário incorporar cáicio n e m fósforo. Pro-curou-se fazer u m a ração tão simples q u a n t o possível e c o m alimentos baratos e relativamente inferiores para que os re-sultados n ã o fossem mascarados pela alta qualidade dos componentes.

Finalmente, as rações usadas foram as seguintes:

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Registraram-se os pesos até às 7 semanas. A p e n a s os re-sultados dos pesos finais foram analisados estatisticamente, fazendo-se a análise de variância e o estudo da regressão para as porcentagens crescentes de sorgo.

R E S U L T A D O S

O resultado das pesagens semanais acha-se representado através de suas médias n o Quadro n . ° 8.

Não foi calculada a eficiência das rações por terem-se perdido os dados relativos à sobra, porém a diferença de con-s u m o n ã o foi tão grande c o m o n o 1.° experimento.

Devido às mortes verificadas nos lotes das dietas R T a e R i a , para facilitar a análise de variância foi eliminado ao

(*) Média de 19, morreu um pinto sem causa determinada. (**) Dados perdidos.

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acaso u m indivíduo de cada u m dos demais tratamentos, fi-cando cada lote com 19 franguinhos.

O s resultados desta análise acham-se n o Quadro n . ° 9,

A s médias dos tratamentos, considerando a percentagem de sorgo, f o r a m as seguintes:

Aplicando o teste de Tukey, ao nível de 5 % , obtivemos

A

V 1 9

Por este teste as únicas diferenças significativas seriam relativas ao t r a t a m e n t o R i a ( 7 % ) , que se mostrou superior aos tratamentos R 2 a e R 4 a .

(16)

sorgo e que se m o s t r a r a m inferiores, procuramos aplicar o teste de Scheffé n a comparação desses dois grupos.

Então

Y = 3 m ( T a ) + 3 m ( R l a ) — 2 m ( R 2 a ) — 2 m ( R 3 a ) — 2 m ( R 4 a ) o que d á a o nível de 5 % de probabilidade,

S = 411,0.

Como, por outro lado,

Y = 3 X 654,2 + 3 X 693,2 — 2 X 597,4 — 2 X 606,8 — — 2 X 563,7

Y = 506,4

vemos que esses grupos diferem entre si significativamente, concluindo-se que os tratamentos T a e R i a poderiam ser to-m a d o s c o to-m o estatisticato-mente equivalentes entre si e superio-res aos demais.

E m b o r a a desigualdade de espaçamento das percentagens dificultasse os cálculos, foi feita u m a análise de regressão.

O s resultados obtidos encontram-se n o Q u a d r o n . ° 10 seguinte.

QUADRO N . ° 10

ANÁLISE D E REGRESSÃO DOS PESOS OBTIDOS PELO EMPREGO D E Q U A N T I D A D E S VARIÁVEIS D E SORGO A T L A S

A equação de regressão seria então

y = 675,26 — 3,677 X ,

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D I S C U S S Ã O

O e x a m e do Quadro n . ° 8, qüe resume os resultados d u -rante as 7 s e m a n a s d o t r a t a m e n t o experimental, parece de-monstrar que a incorporação de 7 % de sorgo e m substitui-ção a 7 % de farelo de trigo n u m a rasubstitui-ção contendo 3 0 % de farelo e farelinho de trigo seja antes benéfica que prejudicial. A diferença de 6% n o peso final favorável a esta substituição n ã o chegou a ser significativa a o tratamento estatístico, o que podemos atribuir ao pequeno n ú m e r o de animais n o s lotes e terse usado pintos dos dois sexos, o que concorre para o a u -m e n t o d a variação. U -m a diferença de 6% pode tornar-se significativa q u a n d o trabalhamos c o m lotes de m i l ou m a i s pintos, embora de a m b o s os sexos.

Se aceitássemos a equação de regressão, s e m restrições, haveria ligeira superioridade do t r a t a m e n t o T e s t e m u n h a (sem sorgo) sobre o d a ração R i a , pois a média esperada d o pri-meiro seria de 675,26 g e a do segundo, de 649,59 g. Este, entretanto, parece n ã o ser o caso. A idéia que se t e m é de que u'a menor proporção de farelos de trigo ( 2 3 % de farelo e farelinho n a R i a ) o u a incorporação de 7 % d e sorgo resulte e m u m a ração melhor, provavelmente devido ao seu maior valor energético.

De outro lado, as rações c o m 14 a 3 0 % de sorgo, e princi-p a l m e n t e a última, se m o s t r a m inferiores, o que princi-parece de-monstrar que o farelo e o farelinho t ê m qualquer cousa essen-cial (vitamina, aminoácido o u m i n e r a i s ) , que o sorgo n ã o t e m e que se deveria corrigir essa deficiência n a s rações c o m altas proporções de sorgo para que elas se tornassem t ã o eficientes q u a n t o as de farelo e farelinho.

A análise de variância dos pesos obtidos e m cada trata-m e n t o detrata-monstrou haver u trata-m a diferença significativa entre os resultados dos diversos tratamentos, e o teste de T u k e y de-m o n s t r o u que as únicas diferenças significativas f o r a de-m as obtidas entre as rações R i a contra R 2 a e R 4 a , ao nível de 5 % . Esse limite nos parece satisfatório para u m experimento desta natureza.

C o m o o exame do Quadro n . ° 8 dos resultados gerais pa-recia mostrar poderem classificá-los e m dois grupos, G r u p o I

(18)

de sorgo para nutrientes essenciais existentes nos subprodutos de trigo.

A análise de regressão e a equação determinada m o s t r a m u m a certa discordância, embora os diferentes métodos de aná-lise estatística empregados confirmem serem m a i s favoráveis doses menores de sorgo nas rações. Não foi, entretanto, esta-belecido qual seria esse teor.

Seria interessante a realização de u m outro experimento com doses m a i s baixas de sorgo não só para determinar a percentagem mais favorável e m que êle substituiria o farelo e o farelinho de trigo, como para permitir determinar u m a equação de regressão m a i s exata que provavelmente não seria retilínea.

C O N C L U S Ã O

Os resultados obtidos c o m a substituição de 7, 14, 20 e 307( de u m a ração contendo 3 0 % de farelo e farelinho de trigo, por igual teor de sorgo Atlas rhoído, m o s t r a m que 14 % ou mais era prejudicial n a s condições experimentais. O maior rendimento foi obtido com 7 % de sorgo. A proporção ideal estaria entre 0 e 1 4 % , provavelmente próxima de 7 % , o que poderia ser esclarecido fazendo u m ensaio e m que as proporções de sorgo variassem de dois em dois por cento. Contudo, desde j á pode-se assegurar que a incorporação de 7% de sorgo na ração, não só não trará prejuízo como poderá melhorá-la.

2 . 3 — Terceiro experimento

M A T E R I A L E M É T O D O S

O objetivo deste terceiro experimento foi o de corrigir as possíveis deficiências de sorgo, em relação aos farelos de trigo, por meio de u m suplemento barato e bastante accessível ao criador. I m a g i n a m o s que o excremento de vaca satisfaria a esta condição.

(19)

F o r a m formados lotes duplicados, d o s 2 sexos, e m c a d a tratamento, cada qual c o m 13 pintos. H o u v e 4 m o r t e s n o s 8 lotes.

Foi u s a d a u m a ração básica, abaixo descrita, complemen-t a d a c o m quancomplemen-tidades variáveis dst farelos de trigo o ü sorgo. O excremento de v a c a substituiu à farinha de a l f a i a n o s gru-p o s -exgru-perimentais.

R A Ç Ã O B A S A L

M i l h o amarelo m o í d o 3 5 k g Farinha de carne de 5 0 % . . . 10 k g Farelo de algodão 1 0 k g Farelo de coco 10 k g Ostra 1,5 k g Sal 1,0 k g Mistura vitamínica ( D e G ) 67,5 g

C O N T R O L E R2b

R a ç ã o basal 67 % R a ç ã o basal 6 7 % Farelo de trigo . . 15 % Farelo de trigo . . 5 % Farelinho de trigo 15 % Farelinho de trigo 5 % F a r i n h a de alfaia 5 % S o r g o m o í d o 20 %

(Proteína b r u t a . 1 9 , 1 % ) ^ d e y a c a 5 %

R i b (Proteína bruta . 18,7%)

R a ç ã o basal 67 % R b

Farelo de trigo . . 10 % „ 3

Farelinho de trigo 10 % R a c a o b a sa l

• • • • 6 7

%

Sorgo '. 10 % S o r

g ° m o í d o 3 0 % Exc. de vaca seco 5 % E^c. de vaca 5 %

(Proteína bruta . 18,9%) (Proteína bruta . 18,3%)

O cálculo da proteína bruta é presumível, baseado n a s tabelas de M O R R I S O N (1950) e de outros autores T O R R E S ,

( 1 9 4 9 ) .

O excremento de vaca foi preparado n a Secção, seco e m terreiro ao sol e posteriormente m o í d o p a r a incorporar a ração.

(20)

O s lotes foram formados escolhendo-se os mais- pesados de cada sexo primeiramente e distribuindo-os pelos diferentes grupos ao acaso, m a s de m a n e i r a a serem tão uniformes quanto possível.

R E S U L T A D O S

O resumo dos resultados acha-se descriminado pormeno-rizadamente n o Q u a d r o n . ° 11. /

Julgamos suficiente analisar estatisticamente os resulta-dos finais apenas (Quadro n . ° 1 2 ) .

O consumo de ração, considerando a existência de 102 k g inicialmente para todos os lotes, foi o seguinte:

O índice de eficiência determinado t e m u m valor bas-tante relativo, pois, c o m o j á assinalamos, a criação foi feita e m ambiente extremamente quente, n a pior época d o ano. Naturalmente as m e s m a s rações dariam u m índice m a i s fa-voráveis se usadas n a s estações m a i s frescas do ano. N ã o obstante, constitui m a i s u m elemento para apreciar o valor d a s rações utilizadas n o experimento.

D I S C U S S Ã O

O Quadro n. 11, que se encontra sob o título "Resultados", compreende a m é d i a de peso de todas as aves vivas de ambos os sexos e m todos os tratamentos.

O e x a m e desse Quadro, contudo, j á n o s dá, antes de apre-ciarmos os resultados d a análise estatística, u m a confirmação

(21)
(22)

de que doses crescentes de sorgo são a princípio favoráveis, m a s , além de certo limite s ã o cada vez m a i s danosas. C o m o o t e s t e m u n h a n ã o continha excremento de vaca, n ã o podemos ver mais u m a vez a v a n t a g e m de substituir, neste caso, 1 0 % dos 3 0 % de farelos de trigo usualmente empregados.

Confirmou-se, t a m b é m , a nossa previsão de que a adição de u m elemento que tivesse os nutrientes essenciais carentes n o sorgo e presentes nos farelos de trigo viria tirar a diferença entre os dois alimentos.

(23)

Verifica-se que h á significação estatística a o nível de 1% de probabilidade para o t r a t a m e n t o (porcentagem de sorgo) e para os sexos, m a s que a interação n ã o demonstra o menor índice de significação, isto é, os dois sexos se compor-t a m igualmencompor-te n o que se refere aos compor-tracompor-tamencompor-tos. Podemos então reunir os 3 g.l. d a interação aos 8 de repetições dentro dos tratamentos, obtendo assim u m resíduo c o m 11 g.l., c o m o se vê abaixo (Quadro 1 4 ) .

N o caso, cabe u m a decomposição dos graus de liberdade para tratamentos para investigar a equação de regressão, como foi feito a seguir.

São, pois, significativas os componentes quadráticos e cúbicos, o que m o s t r a que se trata de ü m caso de regressão de 3 . ° grau, de equação.

Y = 5619,4 — 792,71 x — 4 1 7 , 5 0 x2

-f- 3 7 0 , 8 3 x3

,

X 1 5

com x = , X = dose de sorgo.

(24)

O estudo dessa equação de regressão nos mostra u m m á -x i m o para X = 12,25% de sorgo, que corresponderia ao peso m á x i m o por lote de 6520 g para os m a c h o s e 5215 g para as fêmeas. Entretanto, c o m o se pode observar, m e s m o os lotes que receberam 3 0 % de sorgo, m a i s 5 de excremento de vaca, o desenvolvimento foi pelo menos equivalente ao da testemunha.

A análise estatística n ã o revelou interação entre trata-m e n t o e sexo, que parece existir. Sabe-se que as fêtrata-meas que recebem excremento de vaca crescem mais que as que não recebem e m virtude da presença de hormônios masculinos nesse produto. E n q u a n t o o peso médio dos grupos testemu-n h a s foram de 5300 e 3935 g respectivametestemu-nte para m a c h o s e fêmeas, os grupos c o m 3 0 % de sorgo pesaram 5255 e 4230 g. Naturalmente isso não se esclareceu n a análise devido a o pe-queno n ú m e r o de repetições.

Estimando-se a variação do acaso, t o m a n d o por base a variação dos animais dentro dos lotes (parcelas) obtivemos os seguintes resultados.

Para u m total de 13 animais o quadrado médio seria 13 x 4831 == 62.803. Este valor combina m u i t o b e m c o m o obtido anteriormente n a análise de variância (73.609) e mos-tra que podemos, e m caso de necessidade, t o m a r a variação dentro do lote para estimar o resíduo.

C O N C L U S Ã O

(25)

calcular-se que o a u m e n t o m á x i m o de peso nas condições ex-perimentais seria conseguido adicionando-se à ração básica

12,25% de sorgo Atlas, 17,75% de farelos de trigo e 5 % de excremento de vaca. Foi t a m b é m constatado que era possível substituir os 3 0 % de farelos de trigo de u m a ração, por igual quantidade de sorgo moído, q u a n d o os 5 % de farinha de al-faia eram t a m b é m substituídos por outro tanto de excremento de vaca seco.

3 — R E S U M O E C O N C L U S Õ E S

À procura de u m substituto p a r a o farelo e o farelinho de trigo, vários ensaios foram realizados c o m grãos de sorgo moído e m rações para pintos.

No primeiro, foi usada u m a ração basal, à qual se acres-centou 3 0 % de subprodutos de trigo, e às demais, 3 0 % de sorgo Atlas, Kafir e W h i t e Afrikan x S u m a c , êste e m pa-nículas. A s rações c o m sorgo produziram crescimento e con-versão nitidamente inferiores.

U m segundo ensaio foi feito substituindo os subprodutos de trigo por 7, 14, 20 e 3 0 % de sorgo A t l a s m o í d o tendo-se observado a maior eficiência ao nível de 7 % . Aliás nesse nível, poderia ser considerado equivalente ao testemunha. Para de-terminar a porcentagem mais favorável de sorgo a ser usada sugere-se fazer-se experimentos de 0 — 1 4 % , fazendo variar de 2 e m 2 % a porcentagem de sorgo.

A fim de cobrir as deficiências do sorgo e m relação ao farelo de trigo, n u m terceiro experimento, 5 % de farinha de alfafa, foram substituídos por igual quantidade de excremento de vaca nas rações que c o n t i n h a m 10, 2 0 e 3 0 % de sorgo. Essas rações foram t ã o boas o u melhores que a testemunha, tendo-se determinado que a substituição de 12,25% dos 3 0 % de subprodutos de trigo daria os melhores resultados n a s condições experimentais.

4 — A B S T R A C T

Searching for a substitute of wheat bran a n d wheat standard middlings in chick mashes, three experiments were carried out using ground sorghums.

(26)

I n another experiment, 7, 14, 2 0 a n d 3 0 % of s o r g h u m substituted equal percentages of those w h e a t by-products, the best results having been obtained with 7 % of A t l a s a n d 2 3 % of wheat by-products.

Finally, in a third experiment, 5 % of dried cow m a n u r e plus 10, 2 0 a n d 3 0 % of ground A t l a s s o r g h u m were substituted for 5 % of alfalfa h a y m e a l plus, respectively, 10, 20 a n d 3 0 % of wheat by-products. All results obtained from rations con-taining s o r g h u m were as good as or better t h a n t h a t given b y the ration including alfalfa h a y m e a l a n d only wheat by-products. U n d e r t h e conditions of this experiment, 5 % of cow m a n u r e plus 12,25% of s o r g h u m a n d 17,75% of wheat by-products is supposed to be the best combination to be recommended, this result having been attained t h r o u g h the study of the regression equation.

5 — B I B L I O G R A F I A C I T A D A

BERGAMIN, A., 1951 — O excremento da vaca na alimentação dos pintos em crescimento. Anais da E. S. A. L. Q., U. S. P. Separ. 151, Piracicaba.

EWING, W. R., 1951 — Poultry nutrition, 4.a ed. (rev.) pp. 1518, Amer.

Book Knick press, N. York.

HEUSER, G. F„ 1946 — Feeding Poultry, pp. 543, J. Wiley & Sons. Inc. N. York.

MORRISON, F. B., 1950 — Feeds and Feeding, 2 1 .a ed. Ithaca, N. York.

PAYNE, L. F., 1934 — The comparative nutritive value of sorghum grain, corn and wheat as poultry feeds. Bull. 268, Kansas St. Coll. of Agr. and Ap. Sci., Agr. Exp. St., Manhattan, Kansas. TORRES, A. P., 1949 — Alimentação das aves, pp. 90, Ed.

Melhora-mentos, S. Paulo.

6 — A G R A D E C I M E N T O S

O s autores agradecem e m especial aos colegas do Instituto Agronômico d e Campinas, Reynaldo Forster e M a r i o Purchio, pelo incentivo, fornecimento dos grãos de sorgo, e pelos esfor-ços iniciais de conduzir experimentos paralelos naquela localidade.

Agradecem a o prof. F. G . Brieger e seus auxiliares a análise estatística dos dados referentes ao primeiro experi-m e n t o , ao E n g . Agr. A r experi-m a n d o B e r g a experi-m i n , s u a colaboração n o controle experimental e finalmente ao Dr. Celso Lemaire de Moraes, da l .a Secção de Zootecnia, pela análise da

Referências

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