FUNDAÇ~O
GETOLIO VARGAS
INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM
EDUCAÇ~ODEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇAO DE SISTEMAS EDUCACIONAIS
RUMOS PARA INTERPRETACAO DA
AVAllACAO EDUCACIONAL
LUZETE ADELAIDE PEREIRA
Tese submetida ao Instituto de Estudos Avan
çados em Educação (IESAE)-F.G.V. -
como re
quisito parcial para obtenção do grau de
Mest~e
em Educação
,
RIO DE JANEIRO
RUMOS PARA INTERPRETAÇÃO DA
AVALIAÇÃO EDUCACIONAL
A dois grandes amigos:
, meus- pais
Jacinto e Adelaide
i v
S U M ~ R I O
=============
P~G .
APRESENTAÇl1:0
...
viRESUMO • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • v i i i
RESUMt .•.••••..•••••..•.•..•..•.••..•••••••.••...•.. x
CAP. I - CONFIGURAÇAO ATUAL DA AVALIAÇl1:0
EDUCACIO-N A L •••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 1
Referências Bibliográficas
CAPo 11 - A INFLUtNCIA DOS MODELOS DE AVALIAÇl1:0 NO
PENSAMENTO EDUCACIONAL DE ESTUDIOSOS BRASI
20
L E I ROS . . . 22
Referências Bibliográficas
·
... .
50CAP, III - MATRIZ TEDRICA DOS MODELOS DE AVALIAÇAO •. 53
Referências Bibliográficas
·
... .
63CAPo IV - OS LIMITES DA AVALIAÇl1:0 .•••...•...
0.. ....
64CAPo V - DIMENS~O SOCIAL DA AVALIAÇAO EDUCACIONAL .•. 91
Referências Bibliográficas .•.. ... ..•.• 114
CAP. V I UMA DIREÇAO PARA A AVALIAÇAO DO DESEMPENHO 00
ALUNO ..•..•...•...•... 115
Referências Bibliográficas. ... ...•.. ... 127
APRESENTAÇÃO
Rumos para interpretação da avaliação educacional é o
titulo mais correto para um trabalho que pretende trazer a tona
uma discussão, em geral, adiada. A prática da avaliação na es
cola e alguns estudos oficiais no Brasil, partem de uma aceita
çao, explicita ou não, dos pressupostos formulados por uma de
terminada corrente, caracterizada pela predominância do caráter
técnico da avaliação.
A intenção expressa neste trabalho é a de retomar a
avaliação, nela projetando o conjunto de determinações sociais
que definem sua natureza e forma, inclu~ive tentando posicioná-la diante do prestigio que assume o seu caráter técnico.
Inutil falar do esforço que isto representou, dada a
aus~ncia de um corpo te6rico realmente consistente sobre o as
Muitos foram os caminhos percorridos para hoje,
ga-nhar a forma que se apresenta, forma que só foi possível a pa~
tir das críticas formuladas pelo Professor Orientador LUIZ ANTO
R E S U M O
Estudos atuais mais sistemãticos sobl'e avaliação
edu-cacional têm, sucessivamente, privilegiado o exame do seu cara
ter técnico. Uma série de teóricos filiam-se a este tipo de
postura que se resume em operacionalizar a prãtica de
avalia
-çao, indicando um conjunto de procedimentos a serem seguidos,
para transformã-la num processo objetivo e eficaz.
No Brasil, a projeção desse modo de pensar é uma cons
tante nos escritos examinados de alguns estudiosos sobre o as
sunto, e se apresenta ostensivamente nas diretrizes emanadas dos
orgaos oficiais de educação. Tanto num,como noutro caso, obser
va-se a aceitação incondicional do quadro teórico definido nos
estudos de tendência tecnicista, projetados sobre a avaliação.
A partir destas constatações tentou-se relacionar a
ma de carãter exclusivamente t~cnico com a matriz teõrica que o engendra. Esta matriz foi localizada no quadro de explicação
teleolõgico ou funcional, subordinada
ã
lõgica formal, cujo co~te~do permite tornar legitimo o trata~ento da avaliação como um
problema de caracteristicas predominantemente t~cnicas.
Por~m, ao ser assim trat.ada, a avaliação fica sujeita
a alguns limites. são os limites a ela impostos decorrentes da
matriz teorica adotada pelos estudiosos da avaliação de tendên
cia tecnicista, cuja parcialidade impede a anãlise do conjunto
de implicações incidentes sobre a prática de avaliação. A estes
somam-se os limites reais.
A superação de alguns limites impostos
ã
avaliação educacional ensejam a investigação, no conjunto de relações so
ciais vigentes nas sociedades, das funções sociais cumpridas p!
lo aparelho escolar. Neste contexto ~ possivel imputar a ava liação o desempenho de diferentes papéis conforme a perspectiva
politica a ela atribuida e
ã
escola.Mas o caminho de superaçao das restrições da prática
de avaliação encontra-se na prôpria escola, quando ela se tran~
forma no instrumento real de formação do homem enquanto ser co
R
r
S U Mr
===========
Des etudes actue11es p1us systematiques sur 1
'eva1ua-tion en matiere d'educa'eva1ua-tion ont, succesivement, privilegie 1 'e
xamen de son caractere technique. P1usieurs theoriciens ont
adopte cette attitude, qui se resume
a
rendre operante la pratique de 1 'eva1uation, en indiquant une serie de procedures
a
etresuivies pour la rendre objective et efficaceo
Au Bresi1, 1 'a~plication de cette maniére de penser est une constante dans les ouvrages examines de quelques spe-,
cialistes en la matiere et apparait visiblement dans les direc
tives provenant des organismes officiels d'education. Nous avons
observe aussi bien dans un cas que dans,l 'autre, 1 'acceptation
inconditionnel1e du cadre theorique defini dans 1es etudes de
tendance techniciste, appliquees
a
1 'evaluation.A partir de ces constatations, nous avons essaye de
cation comme un probleme exclusivement technique et la matrice
theorique qui 1 'engendre. Cette matrice a ete localisee dans
le cadre de 1 'explication teleologique ou fonctionnelle
subor-donnee ã la logique formelle, dont le- contenu permet de justi
fier le traitement de 1 'evaluation comme un probleme de
carac-teristiques a predominance techniques.
Toutefois, 1 'evaluation ainsi traitee reste soumise a
quelques limites. Ce sont les limites provenant de la matrice
theorique, adoptee par les specialistes de 1 'evaluation de ten
d a n c e t e c h n i c i s te d o n t 1 a p a r t i a 1 Oi t e em p ê c h e l' a n a 1 y s e d e l' e n
semble des implications incidents sur la pratique de 1
'evalua-tion. A celles-la s'ajoutent les limites reelles.
L'affranchissement des quelques limites imposees a
1 'evaluation educationnelle nous amene ã rechercher les
fonc-tions sociales accompl ies par l'organisation scolaire dans l'en
semble des relations qui existent dans les societes. Dans ce
contexte, i l est possible d'attribuer ã l'evaluation l'accompl.!.s
siment de plusieurs rôles selon la perspective politique qui
lui est attribuee de même qu'ã 1 'ecole.
Mais le chemin de 1 'affranchissement des restrictions
de la pratique de 1 'evaluation se trouve dans 1 'ecole elle-même,
quand elle se transforme en un instrument reel de formation de
1 'homme comme être collectif et qui participe effectivement de
CONFIGURAÇÃO ATUAL DA AVALIAÇÃO EDUCACIONAL
O estabelecimento da avaliação tem sido considerado a
ultima etapa do processo de planejamento, como forma de confron
tar a execução com a proposta contida na previsão.
Tem acompanhado a pratica do planejamento a prolifer~
ção de tecnicas cada vez mais requintadas para a sua elaboração,
conformadas pela postura que as orientam e o conteudo proposto.
Na area da educação a avaliação, apesar de contornos
diferenciados ao longo dos tempos, tem representado uma
preocu-pação constante e alvo de estudos sistematicos.
Os estudos sobre avaliação educacional, refletindo a
contornos peculiares a maneira de pensar a educação.
Os modelos de avaliação propostos e analisados
dife-renciam-se por dirigir-se a diferentes aspectos do processo ed~
cativo e niveis do sistema de ensino; no primeiro caso se dest~
ca o exame do desempenho docente, do metodo ou dos recursos de
ensino, do curriculo, enquanto que no outro o foco de atenção
se transfere para uma escola, ou conjunto de escolas, para um
municipio, região, estado, etc.
Apesar dos diferentes aspectos e nlveis para os quais
os estudos sobre avaliação educacional se voltam, e
indiscutl-vel que o seu objeto ~, em ~ltima instância e fundamentalmente, a analise do desempenho do aluno, pois toda a estrutura
educa-cional so existe e funciona em razão de pessoas que se pretende
sejam escolarizadas e educadas.
Na analise empreendida neste trabalho, parte-se do r~
conhecimento desta convergência acima assinalada,
resguardando-se as peculiaridades caracterizadoras dos diferentes modelos de
avaliação, propostos pelos diversos estudiosos do assunto, aqui
enfocados.
Existe uma s~rie de questões preliminares, cujo estu do convem ser explicitado antes do envolvimento naquelas
refe-rentes ao conte~do propriamente dito dos modelos, dada a contra
versia que ensejam. O esclarecimento destas questões definirão
um determinado âmbito da pratica da avaTiação' em educação.
Uma destas questões refere-se ã diferença entre
ava-liação e pesquisa educacional. A amplitude da açao compreendi-
-da por estas duas ativi-dades parece marcar a distinção basica
Enquanto a avaliação poderá supor a pesquisa, aquela
-ve-se ainda acrescida da tarefa de emitir necessariamente um j~
gamento de valor sobre um determinado fenômeno, indicando seu
mérito, defeito ou qualidade.
Em geral a avaliação educacional é vista como um pr~
cesso que ao fornecer informações devidamente classificadas con
soante determinados critérios de explicação cientffica, implfc!
tos ou não, opera no sentido de orientar as decisões, por outro
lado a pesquisa educacional estaria voltada predominantemente p~
ra a explicação cientffica do fenômeno educacional, insentando
se da emissão de julgamentos valorativos.
o
procedimento rigoroso em avaliação esti relacionadocom a explicação cientffica emitida pela pesquisa educacional e
a recorrência
ã
sua metodologia. Esta relação faz sentidoen-quanto a avaliação tem por base a emissão de julgamento de va
lor sobre o desempenho diferenciado dos alunos e busca-se um
procedimento mais racional e compreensivo.
A avaliação até onde utiliza procedimentos
cientffi-cos da pesquisa poderã ser mais objetiva e racional, condições
que tendem a se tornarem mais complexas quanto mais penetram na
área de valoração do elemento buscado.
A questão axio16gica, embora presente na pesquisa,
-
eo fundamento da avaliação e, na ãrea educacional, ganha em com
plexidade por estar dirigida ao comport~mento' do indivfduo. A reciprocidade da questão axio16gica presente na ava
liaçâo e na pesquisa repete-se quando se afirma a possibilidade
de ser a avaliação um campo pr6prio de pesquisa, assim como as
contro-versia se reduz ao se estabelecerem as fronteiras de açao da
pesquisa e da avaliação, definidas em quatro campos: pesquisa
educacional e de avaliação e avaliação educacional e de pesqul
sa.
No caso da pesquisa de avaliação e avaliação de
pes-quisa, o âmbito extrapola ã ação do sistema de ensino por reu
nir possibilidades de aplicação em outras ~reas. E esta tem si do uma tarefa reivindicada para a educação. Na verdade es ta
questão refere-se ao monopólio de exerclcio da avaliação em g~
ral pelo educador como avaliador, considerando-a campo
exclusi-vo da educação, talvez pela experiência adquirida na escola,
local onde esta pratica e uma exigência formalizada e
constan-te.
A relação entre medir e avaliar e outra discussão pr~
sente nos escritos sobre avaliação, muitas vezes fundindo-se am
bos os conceitos. Noutras situações a mensuração
e
colocada como condição indispensavel de objetividade da avaliação, ignora~
do-se frequentemente as restrições que lhes são próprias ou que
surgem quando da sua aplicação para certos fenômenos presentes
na situação educacional.
Scriven, um estudioso reconhecidamente aceito entre
seus pares, diz que:
"avaliação
e ( ... )
uma atividade metodológica que consiste ( ... ) na coleta,e combinação de dados relativos ao desempenho, com um conjunto ponder~Tyler, considerado o precursor deste movimento que
culmina nas propostas de modelos, diferentemente de Scriven ,
restringe a avaliação as questões de curriculo e de ensino, as
pectos diretamente envolvidos no proc~sso instrucional. A defi
nição proposta indica a avaliação e medida se confundindo:
lIava liação consiste fundamentalmente em
determi-nar em que medida os objetivos educacionais es-tão sendo alcançados pelo programa do curriculo do ensinoll .(2)
Como medir e avaliar nao se anulam mas, em geral, se
completam, qualquer discussão mais profunda não ultrapassarâ a
explicação de que, neste caso, a mensuraçao e
-
utilizada pa raquantificar desempenho. A avaliação compete basear-se nestes
dados para emitir o julgamento de valor correspondente
ã
IIquan-tidadell
do desempenho registrado.
o
desempenho apresentado pelo aluno terâ umaequiva-lente valoração, a qual
e
baseada na comparação com "padrões internos ou externos" ao grupo.
Na avaliação baseada em critérios, segundo alguns
au-tores, se utiliza padrões externos ao grupo; a nota consignada
ao aluno independe do seu desempenho perante a turma e da prQ
pria turma. Deriva-se de um ideal estabelecido aprioristicame~
te e poderâ registrar-se o caso de nenhum aluno obter, por exem
pIo, a nota mâxima.
Na avaliação baseada em norma~, alguns autores
colo-cam que a nota é atribulda de acordo com o desempenho global da turma, e aqui o melhor desempenho sera distinguido pela nota
mais alta.
Ao introduzir-se a consideração da avaliação como um
o julgamento de decisões alternativas" (3), criou-se a polêmica
sobre a competência da decisão, onde alguns defendem esta atri
buição para o próprio avaliador e outros acham mais prudente d~
legâ-la para elementos não envolvidos· na avaliação. Mas a que!
tão da competência de decisão não poderá ser analisada
isolada-mente, pois ela decorre do tipo de planejamento existente e da
autonomia das agências escolares.
Outras questões existem paralelas às de conteudo mas,
sao estas ultimas que emprestam efetivamente a configuração p~
culiar dos modelos de avaliação utilizados na área educacional.
A determinação de objetivos para o processo educativo
reflete uma exigência universal; sua presença
ê
marcada em to das as propostas dos modelos de avaliação por permitir que a avaliação parta de um confronto entre os objetivos contidos no
planejamento, os desenvolvidos e os efetivamente alcançados.
Alguns autores elaboram seus modelos considerando a
necessidade de objetivos como fator resolvido; outros, porem ,
-dedicam ao assunto maior atenção.Há uma variedade de denominações atribuída aos obj~
tivos sem haver igual correspondência de ideias novas. As
ca-tegorias mais usuais sao: objetivos comportamentais, instrucio
nais, operacionais e expressivos, e quanto ao nível a que eles
se referem classificam-se em objetivos gerais e especificos.
As distinçoes entre estas denominações devem-se ao ni
vel onde se desenrola a ação educacional e à amplitude do plan~
jamento educacional, à ênfase do modelo a determinados aspectos
e a consideração do desempenho do aluno como efeito das
diver-sas interações ou, apenas, do ensino formal (instrução).
A tentativa de criação de uma linguagem comum
facili-.
tadora da comunicação entre os profissionais da educação e a
busca de maior unidade de procedimentos na ordenação dos resul
tados educacionais, trouxe uma das contribuições mais
interes-santes na area da avaliação educacional, expressa numa classifi
cação dos objetivos educacionais.(4)
O empreendimento da obra onde esta idéia se apresenta
e audacioso. Ha o interesse quase nunca manifesto em outros es
tudos em
lIindagar sobre a natureza dos fenômenos com os quais tratamos ( ... ) hierarquizando-os de forma que se manifestem algumas de suas propriedades ~
senciais, bem como as interrelações destas pro-priedadesll
• (5)
Sugerem o comprometimento do professor com uma deter
minada concepção de mundo, recomendando para, na pratica docen
te, ser esta tarefa orientada com o auxllio de uma filosofia de
terminada e uma teoria de aprendizagem. Acrescentam a
necessi-dade de provimento de informações acerca do aluno, para que a
seleção e ordenação dos objetivos (hierarquização) tenham um a
licerce mais fecundo.
Mager (6) contribui, e se percebe uma clara
continui-dade e complementaricontinui-dade ã obra de Bloom, com a "operacionaliz~
çãoll da taxionomia introduzindo a descr~ção de objetivos em te.!:.
mos de IIminimos essenciais ll a serem apresentados pelos alunos.
O objetivo devera ser redigido de tal sorte a expre~
sar a conduta final do aluno em termos observaveis, com o uso
oferecidas para o processamento da aprendizagem e os critérios
considerados satisfatôrios para a aceitação da conduta.
Se quando se planeja hã a determinação de objetivos,
eles nao poderão, em tese, ser desprezados no momento da execu
ção ou avaliação do planejamento. Scriven todavia apresenta
u-ma possibilidade de proceder-se a avaliação sem referência a ob
jetivos (ASa).
A Asa significa o desconhecimento inicial, pelo ava
liador, dos objetivos desenvolvidos para tornar possivel a de
tectação de todos os resultados obtidos, planejados ou não. 1s
to evitaria o risco de haver qualquer contãgio provocado pelo
conhecimento previo dos objetivos dada a possibilidade de alcan
çarem-se outros objetivos nem sempre correspondentes, exclusiva
mente, aos previstos.
a desconhecimento do objetivo deverã cessar junto com
o processo de coleta de dados, pois so poderão ser considerados
resultados não previstos a partir de uma comparação entre a pr~
posta e o resultado, tarefa impossivel de ser efetuada sem re
correr-se aos objetivos.
Para o cumprimento desta avaliação o avaliador não p~
derã ser um elemento envolvido na execução, esclarecendo
Scri-ven que os objetivos dos quais a ASa "está livre são os objet..:!.
vos do produtor ou professor ou qualquer outra pessoa
envolvi-dali. (7)
Esta modalidade de avaliação pode rã localizar, no co~
fronto entre objetivos previstos e executados, falhas não perc!
bidas, fazendo a atenção voltar-se para os efeitos reais, e nao
ASO cria-se um substituto, segundo o autor, para a ret5rica da
intenção que inunda os planejamentos.
No que se refere aos objetivos parece que a maior di
ficuldade não está relacionada ao conhecimento previo ou
igno-rância do objetivo, pois é de supor-se que, tanto ao professor
quanto aos 5rgãos centrais da educação, interessam as mesmas in
formações referentes aos efeitos da educação e as condições em
que ela ocorre: evasão, efetividade dos métodos e técnicas de
ensino, conteudo escolar, produtividade x recursos financeiros,
niveis de aprendizagem, etc. A dificuldade cresce proporciona!
mente ao estado de generalização dos dados e ã magnitude das de
cisões, em relação ao nivel e ã forma em que são adotadas.
Esta linearidade dos niveis de avaliação manifesta-se,
também, nos momentos propostos para a sua açao. A previsão dos
momentos sofre algumas variações quanto ã quantidade, porem
e-les aparecem, sem grande diferença de conteudo e objetivo, em
todas as considerações sobre a avaliação.
Para Tyler faz-se "necessário fazer uma apreciação da
fase inicial e outra mais tarde para identificar as mudanças que
talvez estejam se processando" (8), sugerindo, outrossim, a ne
cessidade de uma "avaliação de seguimento", ou seja, ap6s cessa
da a ação educacional formal.
Os conceitos de avaliação formativa e somativa intro
duzidos por Scriven, onde a ultima pode,ser tomada como equiv~
lente ã expressão "mais tarde" de Tyler, representam as idéias
mais rigorosas e concretas sobre os momentos da avaliação.
diagn6s-tica, a avaliação educacional pode rã ser traduzida em quatro mo
mentos: diagnóstica, inicial, formativa e somativa.
Não incluimos a avaliação de seguimento porque sua
expressa0 está apenas representada no pensamento de Tyler.
r
pr~vãvel que esta situação decorra da dificuldade da sua execução:
para ser empreendida precisariam ser isolados definitivamente ou
tros efeitos de aprendizagem produzidos após cessada a ação da
escola.
A avaliação diagnóstica (semelhante a avaliação de
contexto) caracteriza-se por examinar situações independentes
do sistema de ensino, mas que exercem influências sobre ele (as
condições geográficas, as condições sociais, do meio, os
recur-sos materiais disponíveis, etc.). A consideração destes elemen
tos permite correta adequação do planejamento ao meio e, segu~
do Bloom, esta avaliação permite situar e colocar o aluno
ade-quadamente no contexto da instrução e deve ocorrer antes de se
dar início ao processo educativo formal.
As restrições, as disponibilidades, os aspectos
co-muns e regulares que caracterizam os alunos dentro de um deter
minado nível de ensino (idade, sexo, interesses, inteligência,
metodos e recursos de ensino, etc.), são definidoras da avalia
ção de entrada (ou inicial, de insumo, ou "input"); são as con
dições que, diretamente, exercem influências na estruturação do
planejamento após a fixação dos objetivos mais gerais.
Concomitantemente ao desenrolar do processo
ensino-aprendizagem ou ã execução de qualquer outro planejamento, exer
ce-se a avaliação formativa (ou de processo), contribuindo no
consolidação de qualquer "produto final" sâo utilizadas informa
-çoes para orientar sua forma enquanto dura a operaçao. Com
is-to o produis-to vai sendo conformado a cada instante, de acordo
com as deficiências apresentadas, evitando-se o acumulo de
fa-lhas cuja correçao ficaria transferida para o final de todo um
processo.
Segundo Bloom, talvez a caracterIstica principal da ~
valiação somativa seja um "julgamento feito sobre o estudante,
professor ou currIculo, com o objetivo de determinar a
efetivi-dade da aprendizagem ap5s ter ocorrido" (9). A informação retl
rada neste momento em que se procede ã avaliação somativa perml
te orientar a consignação de notas ao aluno.
A verificação e comparaçao do desempenho obtido por
currIculos rivais, permitindo determinar a superioridade de ca
da um, e uma outra função atribuida por Scriven
ã
avaliaçãoso-mativa.
Esta função de avaliação somativa introduz o metodo
experimental comparativo voltado para a situação educacional, e
isto tem sido alvo de criticas sobre sua provavel irrelevância.
As crIticas apresentadas referem-se
ã
impossibilidade de gener~lizar as conclusões decorrentes da comparação entre currIculos
examinados para outras experiências. Alem disto e considerado
-mais importante, por alguns estudiosos, a avaliação de desemp~
nho do aluno.
Scriven refuta a critica alegando que se a comparaçao
entre dois determinados curriculos não proporciona informações
significativas para serem utilizadas com outros curriculos
ofere-cidas, etc.), então, nem o m~todo nao comparativo poderi ser u-tilizado para promover estudos entre currlcu10s atuais e exp!
riências futuras.
A ênfase no desempenho docente, nas questões de efeti
vidade de um currlcu10, nos recursos e t~cnicas de ensino nao conseguem eliminar ou reduzir a necessidade de, em qualquer ati
vidade de avaliação educacional, se levar em conta a anilise do
rendimento alcançado pelo aluno.
Scriven, apesar de ter sua preocupaçao maior dirigida
para a questão do currlculo, ji demonstrou noutras colocações
que tambem inclui o desempenho do aluno como fator a ser consi
derado na avaliação. Alem disto, introduz uma IIlista de verifi
caça0 que pode ser utilizada praticamente para qualquer produto
ao qual a linguagem possa se referir".(lO)
Eisner, um estudioso da avaliação, preocupado at~ cer to ponto e de uma determinada forma com o aspecto social
subja-cente
ã
sua pritica, faz referência ao desempenho ao aluno aoafirmar que:
"0 grande fracasso dos esforços para avaliar os efeitos de escolaridade esti na diferença entre o que os al unos querem e podem fazer ( ... ), o te~
te e aplicado num contexto em que os alunos pr~
duzem não o que farão em situações tlpicas da vi da mas como podem se haver em circunstâncias ar-tificiaisll.(ll)
Preocupado especialmente com a avaliação da conduta
final do aluno encontra-se Mager. Todavia, este autor
atribui-lhe um objetivo bastante original ao afirmar que:
tos para medir a profundidade e extensão das ten
d~ncias dos alunos; estamos tão somente interes-sados em descobrir se tais tend~ncias são positl vas ou negativas ll .(12)
Aparece nesta colocação a preocupação do autor com
u-ma questão filosófica, posicionando-se de foru-ma singular e con
trastante com a ess~ncia de suas ideias, veiculo de uma postura essencialmente voltada para o problema tecnico-operacional da a
valiação.
o
retorno ao tratamento da avaliação como um problemade ordem tecnica aparece em Bloom quando, ao referir-se a avalia
ção do desempenho do aluno, diz que uma das propostas da
taxio-nomia de objetivos educacionais e esclarecer IIsobre todos os me
ios sobre os quais os alunos se modificam em uma direção especí
fica ( ... ) e a análise do tipo de aprendizagem que ocorreull
(13)
Referindo-se ao criterio extrinseco e intrínseco da a
valiação, Popham posiciona-se quanto ã necessidade de
conside-rar o desempenho do aluno nesta atividade, considerando 110 crite
rio extrinseco da avaliação um indicador baseado no comportame~
to do aluno supostamente produzido como consequência do
ensi-no".(14)
Para Cronbach, avaliação e uma atividade orientada ta~
bem pela 11 • • • coleta e uso de informações para tomar decisões
( ... ) acerca dos alunosll.(15)
o
processo de coleta de dados sobre o desempenho do aluno tem requerido o uso de testes; porem, dado o alto custo, a
complexidade e o longo tempo demandado para a sua validação, em
geral eles só são utilizados em situações cujo numero de
A rotina da avaliação tem evidenciado tendências mais
acentuadas para a utilização de provas com questões objetivas,
instrumento mais próximo do rigor atribuido aos testes, sem que
outras t~cnicas deixem de ser recomen~adas.
Segundo Stake (16), existem nove métodos de
avalia-ção: teste, autocrítica, transação-observação, análise de ge~
tão, grupo de prestígio, pesquisa pedagógica, determinada, con
traditória e análise de política social. O uso destes m~todos
~ estimado para qualquer nível ou momento da avaliação, porem isto não significa que eles atendam todas as situações devido ã
diversidade de informações e, segundo o autor, ã variação das
normas e aspirações do publico interessado na avaliação.
A predominância de um ou outro m~todo numa determina-da área deve-se a uma consideradetermina-da existência de avaliações deno
minada lIoficial ll e lIoficiosall •
Outras contribuições se avolumam na tentativo de op~
racionalizar ou explicitar o processo de avaliação e, dada as
suas singularidades, merecem ser mencionadas.
Bloom explora uma nova modalidade de aprendizagem a
partir dos ensinamentos de Caroll, onde será possivel alcançar
índices de desempenhos elevados, indiferenciadamente por todos os alunos, pela manipulação de variáveis relacionadas especial
mente ao tempo e ã utilização da estrategia de ensino adequada.
Exemplificando esta chamada lIaprendizagem para o dom! nioll
- tentativa de superar as propostas.. baseadas na
confirma-ção da curva normal - temos a seguinte situaconfirma-ção:
IIse um aluno necessita de 10 horas para aprender
X, e se gasta 8 horas de estudo, ele aprenderá apenas 80% da tarefa. Se ele puder inventar uma estrategia pela qual o 'tempo necessárioll
diminuido e o Itempo efetivamente gastai possa ser ampliado conforme o aluno, a aprendizagem p~
ra o domTnio deve ser posslvelll.(l7)
A introdução de elementos da crltica da arte ao
pro-cesso de avaliação e a contribuição de Eisner, vista como um
complemento qualitativo aos procedimentos quantitativos
utili-zados.
Segundo ele, lia crTtica e especialmente apropriada p~
ra articular os resultados unicos e personallsticos tão altame~
te estimados por aqueles que se queixam da impessoalidade da e~
cola ll (18). Este recurso nao e considerado totalmente subjetivo
porque,
lIé um metodo empTrico e sua adequação e testada no próprio trabalho ( ... ) como muito do que e im portante no ensino e na aprendizagem e recorren-te e regular, isto e, as qualidades não são tão fugidias, a critica pode contribuir neste senti
dOIl .(19)
Pelo visto, Eisner não tem qualquer ilusão quanto a
"subjetividade" atribuTda à avaliação e quanto ao próprio meto
do proposto. A analogia feita entre o papel do avaliador e do
crltico de arte, e a recorrência ao empirismo, como forma de a
tenuar os efeitos de subjetividade e adquirir um caráter mais
pessoal, e perfeita ao considerar que o elemento descrito deve
ser visto no próprio trabalho criticado. Logo, falha a critica
e a avaliação se a descrição não tiver ~eu correspondente ime-diato no objeto ou ato sujeito às prerrogativas deste metodo.
Stake estabeleceu uma classificação (20) dos modelos
de avaliação, situando suas dimensões em posições extremas e an
1) avaliação formativa e recapitulativa
2) avaliação oficiosa e oficial
3) avaliação de caso particular e para generalização
4) avaliação de produto e de proce~so
5) avaliação descritiva e apreciativa
6) avaliação pré-determinada e reacional
7) avaliação global e analltica
8) avaliação interna e externa
r
considerado improvavel o aparecimento isolado de ca da uma destas dimensões e"existem certas correlações entre as d-iversas di mensões ( ... ). Por exemplo, um estudo de avalia ção interna sera, provavelmente, mais formativo do que recapitulativo e formulara mais descrição do que apreci ação". (21)
A consideração da avaliação como problema de
caracte-risticas exclusivamente técnicas tem sido a justificativa utill
zada para apresenta-la como um instrumento neutro, apolltico e
isento de quaisquer interferências de outra natureza do que as
arroladas até aqui.
Nestes modelos, o aspecto social como fator
interve-niente no nivel de rendimento do aluno quando e mencionado nao
e distinguido com qualquer analise mais apurada. No
enfrenta-mento de tal questão ocorrem três alternativas: a) atribuir um
carater irrelevante ou reducionista ao fato; b) ignorar a po~
slvel relação; ou c) considera-la um problema que extrapola a
"competência" atribuida pelos estudiosos aos modelos propostos.
Scriven propõe a distinção entre fins e papéis da av~
liação (22), mas apesar da expectativa que estes nomes sugerem
de caráter técnico, verifica-se, pela leitura, que elas nao as
ultrapassam.
Como fins da avaliação considera-se a preocupaçao com
os processos, procedimentos, programas, etc. Quanto aos papeis
cumpridos pela avaliação, Scriven aprecia a contribuição ~
poss.,!.
ve1 de ser prestada integrando uma dimensão do treinamento de
pessoal, de experimentos educacionais, da aplicação do
currícu-lo, da análise de recursos didáticos, etc.
Esta distinção coincide, quanto aos fins, àquela ant~
riormente citada, qual seja a da avaliação voltada para diferen
tes aspectos do processo educativo e, quanto ao papel, aponta
para o que foi citado como pesquisa de avaliação.
Mager tenta reduzir as imp1icaçpes da avaliação a ou
tras questões imposstveis de serem chamadas de tecnicas e, com
isto, isenta-se da exigência de rigor requerida para todo e
qualquer procedimento humano mais racional. Para ele se,
11 • • • a1 guma nota deve ser dada deve ser para nos
-mesmos. Uma vez que o estudante raramente ve e nunca sente os efeitos diretos de uma avaliação de tendências, podemos ficar um tanto menos
cupados com a perfeição de nossas prãticas mediçãoll. (23)
pre~
de
Este autor que, numa referência anterior, mostrava-se
preocupado com a questão filosófica sobre "tendências negativas
e positivas", parece agora negar a própria avaliação. Porem, na
verdade, a preocupação do avaliador e de que, na prãtica, o alu
no e o individuo distinguido com a nota, independentemente de
sentir ou nao os efeitos desta lIavaliação de tendências ll .
processo, produto) a capacidade interna de equacionar os probl~
mas relativos ao julgamento de valor e às dificuldades de mens~
ração do desempenho do aluno, inerentes ao processo de avalia
ção, pois
110 uso da medida deve ter como base criterios que evidenciem algum sistema de valor, (mas) os ava-liadores não têm meios seguros para determinar qual o sistema de valor que serviria melhorll.(24)
r,
tambem, no rigor interno da teoria que Chadwick encontra o reconhecimento da austeridade atribuida aos modelos de
avaliação afirmando que, lia metodologia da avaliação segue uma
ordenação lógica similar à de outras atividades tambem transcor
rida entre marcos gerais do enfoque sistêmico lI .(25)
As tentativas de mudanças propostas para a escola,
dentre os seguidores desta linha teórica representada pelos mo
delos de avaliação, são freqVJentes, porem não tão lIinovadorasll •
Uma recomendação feita para a avaliação de inovações
pedagógicas indica a lIestrategia da avaliação iluminativall
• Es
te tipo de avaliação
lIexige mais que uma simples mudança de metodo: im plica tambem novos pressupostos, novos conceitos e uma nova terminologia. ( ... ) Como a avaliação iluminativa se concentra sobre o exame da inova ção como parte integrante do meio ... insiste-se resolutamente na (importância da) observação (ao nivel da escola) e na entrevista com professores e alunos participantesll .(26)
Este modelo, caracterizado metodologicamente de
IIci-berneticoll
, recorre ao meio, na medida em que ele IIfornece ll
in
"meio" do qual se origina, dai restringir-se às questões de lime
todos, pressupostos, conceitos e terminologias".
Os modelos de avaliação, dada a convergência de todos
os estudos conhecidos nesta ãrea, permitem a sua vinculação a
uma vertente teórica comum, tambem presente no pensamento dos
estudos publicados sobre a situação educacional brasileira, no
que se refere à avaliação.
r
sobre a influência desses modelosno pensamento de estudiosos brasileiros que vamos tratar em se
REFERtNCIAS BIBLIOGRAFICAS
(1) SCRIVEN, Michel. Perspectivas e procedimentos de avalia çao. In: BASTOS, Lllia da Rocha (org). Avaliação Edu-cacional 110 Petrópolis, Vozes, 1978, p. 127.
(2) TYLER, Ralph. Princlpios básicos de currlculo e de ensi-no. Porto Alegre, Globo, 1978, p. 98.
(3) STUFFLEBEAM, Daniel. Alternativas em avaliação educacio-nal. In: BASTOS, Lllia da Rocha (org). Avaliação Edu-cacional 11. op. cit., p. 127.
(4) BLOOM, Benjamin S. et alii. Taxionomia de objetivos edu-cacionais - domlnio cognitivo. Porto Alegre, Globo, 1977.
(5) Idem, p. 15.
(6) MAGER, Robert F. Objetivos para o ensino efetivo. Rio de Janeiro, SENAI, 1973.
(7) SCRIVEN, M. - op. cit., p. 54.
(8) TYLER, R. - op. cit., p. 99.
(9) BLOOM, B. - op. cit., p. 117.
(10) SCRIVEN, M. - op. cit., p. 14.
(11) EISNER, Elliot. Modelos emergentes para avaliação educa-cional. Rio de Janeiros, NUTESjCLATES, p. 90 (traduzi do de School Review. Chicago, aug.j1973).
(12) MAGER, Robert. Atitudes favorãveís ao ensino. Porto Ale gre, Globo, 1976. p. 76.
(13) BLOOM, B. - op. cit., p. 3.
(15) CRONBACH, Lee J. Course improvement trough eva1uation .
In: TAYLOR & COWLEY (org). Reading in curricu1um
eva-luation. Iowa, Wm. C. Brown, s.d., p. 11.
(16) STAKE, Robert. Nouve11es methodes d'evaluation des
pro-grammes d'enseignement. Paris, IIPE/UNESCO, 1975.
(17) BLOOM, Benjamin S. Aprendizagem para o domínio. Rio de
Janeiro, NUTES/CLATES, p. 37 (traduzido).
(18) EISNER, E. - op. cit., p. 10.
(19) Idem, p. 12.
(20) STAKE, R. - op. ci t., p. 2-5.
(21) Idem, p. 5.
(22) SCRIVEN, M. The methodology of evaluation. In: TAYLOR &
COWLEY, op. c i t. , p. 28- 48.
(23) MAGER, Ro Atitudes favoráveis ao ensino. Porto Alegre,
Globo, 1976. p. 76.
(24) STUFFLEBEAM, O. - op. cit., p. 26.
(25) CHAOWICK, Clifton. Educational evaluation. S.l, OEA, s.do
p. 14 (utilizamos uma tradução de Humberto Alencar de
Souza, mimeogr.).
(26) PARLETT e HAMILTON. In: GOLOBERG, Maria Amelia e SOUZA,
Clarilza Prado. A prática da avaliação. são Paulo, Cor
C A P
r
T U L
o
11
A INFLUtNCIA DOS MODELOS DE AVALIAÇAO NO
PENSAMENTO EDUCACIONAL DE ESTUDIOSOS BRASILEIROS
A contribuição dada por estudiosos brasileiros ã com
preensao da avaliação educacional é ainda incipiente, dado o p~
queno numero de estudos publicados e por não apresentarem qual
quer idéia mais genuína, ou propria ao exame da realidade educa
cional brasileira.
As obras, apesar de apresentarem certa consistência
sobre o assunto, não preconizam modelos de avaliação teoricamen
te distintos daqueles discutidos anteriormente. São concepçoes
oriundas de matriz teorica comum, sem, tampouco, superar
even-tuais restrições que pudessem ali estar contidas.
liza-se de imediato a apropriação das definições exploradas por
autores dos IImodelos de avaliaçãoll
quando e concedida
relevân-cia ã avaliação como instrumento provedor de lIinformações fund~
mentais para o processo de tomada de pecisõesll .(2) Concluem os
autores ser esta uma tarefa árdua e complexa por requerer
IIseleção de atributos que sejam significativos p! ra julgar o valor do que vai ser avaliado, proc~
dimentos que possam descrever estes atributos de maneira objetiva e precisa e sintese das evidên-cias alcançadasll .(3)
Adotam um novo enfoque de planejamento, concebido a
partir da teoria geral de sistemas por possibilitar
lIuma nova maneira de conceber a realidade que nos cerca e uma forma racional e cientifica de solu cionar problemas complexos ( ... ), uma direção s~
gura e eficiente para planejar, organizar e con trolar as questões educacionais, curriculares e de ensinoll .(4)
Afirmam que o uso deste novo enfoque de planejamento,
alem de permitir a rapidez de implementação de inovações escol!
res, representa uma adaptação a literatura educacional que, em
sua maioria e de um modo geral, emprega conceitos e termos sis
têmicos.
A obra discorre sobre este assunto e neste caminho, a
exemplo do que ocorre no livro Planejamento e Organização de
En-sino (5), o qual veicula seu conteudo atraves de um
ma-nual programado e declaradamente apoiam-se numa chamada
IIteo-ri a de te c n o 1 o g i a e d u c a c i o na 111
, p r o d u to . da t e o r i a g e r a 1 de s i s
temas aplicada ã educação.
gras esclarecedoras do processo de avaliação, tentando
extrapo-lar seu uso para as empresas. Filia-se
ã
matriz te6rica comumdos mo de los d e a v a 1 i a ç ã o, c o n v i v e n do, a o 1 o n g o d a o b r a, a s i dé i as
consagradas dos diferentes autores.
o
Ministerio da Educação e Cultura tem marcado prese~ça com a divulgação de textos referentes ã avaliação
educacio-nal. Dado o cunho oficial das ideias apresentadas e consideran
do o empenho, geralmente existente, na sua assimilação, pelas
instituições educacionais dos estados, presume-se a sua prese~
ça, na prãtica docente do educador brasileiro atingido pelo
"pensamento oficial" lançado sob}~e o processo educativo.
Na obra Metodologia para Avaliação do Desempenho da
Rede de Ensino Industrial (7) encontramos a proposta mais auda
ciosa em termos de uma metodologia de avaliação com possibilid~
des de aplicação, segundo os autores, em todos os nlveis e ra
mos de ensino. O modelo estrutura-se com base na teoria
econo-mica e de sistemas e nos postulados da flsica. Assim fica pe!
mitido considerar o aluno como "matéria prima" a ser "trabalha
dali pelo sistema com vistas ã "produção" mais elaborada do seu
desempenho. O desempenho do aluno é visto como "produto" e o
processo educativo semelhante ao processo de produção.
Da flsica são utilizados os conhecimentos de irradia
ção térmica para conceber processo anãlogo ã situação ensino-a
prendizagem.
t
por esta via que, indep~ndentemente de circuns tâncias sociais, o processo educativo formal pode serenquadra-do em conceitos tão precisos como os propostos.
Segundo os autores, o fluxo de conhecimentos
quanto que o conjunto do fluxo de conhecimentos incidente em
u-ma unidade discente e denominado lIirradiância ll . Dada a possibi
lidade de a unidade discente não reter toda a lIirradiânciall
são
utilizadas novas definições. liA parcela absorvida ( ... ) é
deno-minada absortância.
A
parcela não absorvida é chamadarefletân-ciall
.(8)
Continuando a analogia consideram que, assim como
nhuma superflcie material absorve toda a energia incidente
bre ela, fica razoãvel deduzir-se que as IImatérias primasll
ne
so
-nao
serao capazes de lIabsorverll todo o IIconhecimento transmitidoll •
(Para tornar posslvel a analogia os autores ignoram o lIaspecto
formativoll
da educação, tomando apenas o aspecto da
IItransmis-são de conhecimentosll
que, como fica expresso, oferece certas
vantagens).
IIEnquanto a energia de radiação define a idéia em termos quantitativos, a sua frequência (ou com-primento de onda) define-a qualitativamentell .(9)
Considerando os racioclnios anteriores, a ideia (co~
junto de conhecimentos formados pelo IIradiadorll
professor), la.!!.
çada no IIreceptorll aluno, medida pelos IItestes de qualidadell
irã possibilitar a mensuraçao qualitativa e quantitativa de gra.!!.
dezas educacionais.
Dentro deste ponto de vista as evasoes são
considera-das IIprodutos semi-acabados ll ou ainda lI~ubprodlJtosll (10), e os
repetentes e os evadidos que retornam â escola caracterizam a
IImassa' circulante do sistema ll . Os alunos evadidos, devido ao
fator reprovação, são IIprodutos defeituososll
que irão engrossar
A massa circulante, diferentemente dos alunos que
passaram numa primeira etapa nos IItestes de controle de qua1id~
dell, deverão submeter-se, novamente, a um processo de
transfor-mação correspondente a um II c ic10 da p~odução igual a um ano le tivo ll .(ll)
Socorrendo-se de conceito de Nélio Parra, o texto
A-valiação do Curriculo (12) trata do planejamento como lIum
cir-cuito elétrico ou mesmo um jogo onde as peças formam um conju~
to que, mesmo apresentando funções especificas, umas agem sobre
as outras, alterando o curso da a~ãoll (13), relacionando a ava
liação a todos os elementos constitutivos do planejamento curri
cular.
Se a avaliação está relacionada aos diversos compone~
tes do planejamento curricular, e se este é concebido consoante
os postulados de uma teoria determinada, conforme a evidenciada,
sua configuração estará sujeita aos limites da teoria adotada.
A definição de avaliação, apresentada de acordo com o
que chamam de IIsentença mapeada ll aponta, com maior garantia, p~
ra a teoria adotada. Colocada a sentença nos moldes da redação
convencional, fica assim a definição de avaliação:
lIum processo de coletar, analisar e interpretar e vidências no estãgio formativo, somativo e exte~
sivo de um processo de planejamento curricular, acerca de planos, operações e resultados, do po~
Esta definição abrange desde os niveis e momentos mais
amplos ate a celula da questão da avaliação educacional, qual
seja, o desempenho do aluno. Abrange, tambem, outras questões
como aquelas relativas ao problema axiológico, quantidade e qu~ lidade, etc.
Refere-se ainda
ã
função da avaliação educacional pr~vendo informações para a tomada de decisões acerca de mudanças
provãveis;
ã
definição de meios e fins do processo educativo; adescrição dos comportamentos observados.
Neste documento a repetição do procedimento
avaliati
-vo e apresentada como a garantia da ação objetiva da avaliação
dado o estimulo "ao emprego de procedimentos da avaliação siste
mãtica (para) assegurar que estas decisões sejam apoiadas pela
evidência objetiva".(15)
Enquanto o "aluno modificado" e considerado o
crite-rio de validade interna do planejamento, o efeito das habilida
des, atitudes e valores desenvolvidas na escola indicam sobre o
desempenho de papeis profissionais, sociais e culturais, os quais
irão determinar o criterio de validade externa. Neste sentido,
argumenta-se que se o desempenho destes papeis prediz sobre mu
danças desejadas na estrutura econõmica, tais
"mudanças sociais ( ... ) podem ser consideradas os criterios de validade externa de eficácia do planejamento curricular. ,Como o julgamento de e-ficãcia envolve as relações entre curriculo e so ciedade, seu criterio só pode ser os assim chama dos beneficios 'sõcio-econõmicos e culturais· da educação". (16)
Educacio-nais (17) é o titulo do documento discutido no "V Encontro de
Secretários da Educação e Representantes de Conselhos de
Educa-ção~ O trabalho pretende situar-se numa perspectiva que parte de uma análise do "modo antigoll
para uma reflexão sobre o IImodo
moderno" de enfocar problemas gerais e especificos da educação.
O ponto de vista sistêmico representa, para estes autores, o
modo de pensar "moderno".
Na introdução da discussão sobre avaliação e controle
observa-se que ela partirá de um contexto onde os avanços tecnQ
lógicos, especialmente o computador, serão os elementos
impres-cindiveis para a tomada de decisões. Pretendem destacar a
es-sência dos fatos, sem a proposição de esquemas concentuais
va-gos. O "vernãculoll
foi o caminho encontrado pelos autores para
a transcrição destas idéias, como forma de oposição a IImodelosll ,
11 C o i s i n h a s 11, 11 S e tas", " r e c e i tas", 11 r e c i c 1 a g e n s 11, e t c .
A competência da escola transcende aos limites, sob a
forma de controle decorrente da concepção de educação aceita.
A educação é vista como um elemento instaurador de comportame~
tos determinados nos individuos, implicando num certo tipo de
controle sobre o IImundo onde o educando se desenvolve, assim co
mo ( ... ) sobre as respostas do individuo ao mundo". (18)
A tomada de decisões a partir do processo de
avalia-çao segue um tipo muito especlfico no qlIe tange a participação
do aluno e da escola. Aceitam as restrições de autonomia e a
decisão sendo tomada por IIniveis" e obedecendo às determinações
do IIsupra sistemall
• são propostas algumas medidas para a toma
obje-tivos, dos meios e das implicações do custo-beneficio
associa-das a cada alternativa.
Apontam como dificuldade o conceito de escola
usual-mente impregnado de dogmas, crenças, valores. Os conceitos se
1 e c i o na dos c o m o o s e x i s te n t e s dão c o n ta de que 11 e s c o 1 anã o
é
templo, é caverna; ninguém educa ninguém: o individuo se educa;não
se pode medir os efeitos mais importantes do processos educacio
nal; educação é sagrada (e intocãvel)".(19)
A critica subjacente ao pensamente anterior faz supor
a crença da possibilidade indiscutivel de medir os efeitos mais
importantes do processo educacional. Esta crença conduz
ã
severidade na aplicação de medidas, quando os efeitos ou resultados
educacionais são imprecisos, sem registro, ou revelam a baixa
produtividade do sistema de ensino. Aconselham
"suspender muitas prãticas educacionais ou mesmo todo um sistema quando não se reconheçam os re-sultados que o sistema possa oferecer e o retor no (econômico ou não) obtido por certo tipo de i nvestimento". (20)
A avaliação cabe um papel essencial e determinante nes
ta decisão de fechar os "sistemas educacionais inoperantesu :
UE:' realidade que muitos sistemas educacionais ma
de produção,.,,(2l)
Nesta função tão "especifica" da avaliação os dados
têm apenas duas direções, e estas, conclusivas quanto
ã
utilidade: a de indicar sobre a continuidade ou supressão de um siste
ma.
Ao sistema de ensino caberia, isoladamente, a
respon-sabilidade de II pro duzir santos ou ( ... ) outras virtudes e ( ... )
tamb~m produzir desajustados e pecadoresll
• (2~) Segundo os auto
res deste documento seria possivel dizer desta
responsabilida-de pela utilização da avaliação sem referência a objetivos.
A esta função da avaliação junta-se a de
predominân-cia de anâlise dos aspectos econ~micos e, como na anterior hâ a convicção de separar, definitivamente, os efeitos da educação
formal e não formal, pois torna possivel isolar os efeitos da a
prendizagem acidental ocorrida fora da escola. A razão
encon-trada para tornar possivel este lIisolamento" dos tipos de apre.!!.
dizagem manifestadas pelo individuo decorre da consideração da
aprendizagem ocorrida fora do ambiente escolar como ineficiente
e incapaz de IIpromover desenvolvimento pleno e harm~nico".
o
aspecto econ~mico, decorrente de uma visãoempresa-rial da escola, expoe-se na explicitação dos elementos a serem
considerados na avaliação:
11- tipos e caracteristicas das oportunidades e 0E
ções oferecidas (ex.: eséolas, TV educativa, in~
trucional ou comercial, educação tribal ou fami liar, educação supletiva; alfabetização; madure za, etc.);
- quantidade de pessoas obtendo os resultados es perados;
- quantidade de atendimento a demanda de mão-de-obra;
- custos globais e parciais do sistemas; etclI.(23)
A preocupaçao expressa em forma de IIquantificaçãoll das
questões educacionais resulta numa tentativa de elidir os funda
mentos qualitativos e de outras ordens, subjacentes a prática
da avaliação.
A supressão ou a desplic~ncia no tratamento de probl! mas fundamentais da avaliação apresentam-se noutros momentos.
Os objetivos educacionais se, algumas vezes, são destacados co
mo presença indispensável, noutras poderão ser dispensados, p~
rem, em qualquer das formas, tratados de maneira peculiar.
A possibilidade de avaliar sem objetivo deve-se ao fa
to de que IImuitos dos objetivos educacionais ( .•. ) são
propos-tos por 1 ei s e costumes (e) ( ... ) se não sabemos exatamente os
objetivos ( ... ) todos somos capazes de delinear os objetivos p!
ra tais sistemas ll . (24) Em contrapartida a esta posição de que
qualquer pessoa estaria apta para propor os objetivos da educa
•
ção, acreditam que
ser avaliado ll .(25)
lia avaliação existe em função do objetivo a
E encontrar um fim para o processo dentro
do próprio âmbito da avaliação como meio resulta numa atividade
cujo sentido
e
desviado da função real, qual seja a de avaliaro desempenho do aluno diante de objetivos almejados.
Consideram compet~ncia da avaliação investigar sobre a causa de certos fenômenos que afligem a educação, tais como:
Estimula-se um certo tipo de procedimento de
investi-gaçao, o qual está baseado em problemas do tipo:
11
alunos mais bem nutridos aprendem mais? Se-rá que se elevarmos os' salários dos professores vamos obter melhor resultado? O tipo de carti-lha pode influir? 11. (26)
O problema etico, envolto no uso de pesquisa
experi-mental para responder o tipo de problema proposto, nao e, em
nenhum espaço, fonte de preocupaçao para os elaboradores deste
documento.
A postura diante da IIdemocratizaçãoll
das
oportunida-des educacionais e a IIsatisfaçãoll
do sistema de ensino estão re
fletidas em sugestões de recursos e meios, alguns deles hoje le
gitimados na iniciativa de por em prática a ideia de
privatiza-ção das universidades federais. As sugestões referem-se a
IIcobrar dos alunos; usar essencialmente, comple-mentarmente ou suplecomple-mentarmente: escolas, rádio, TV, instrução individualizada ou personalizada, i n s t r u ç ã o p r o g r a ma da, e sc o 1 a s v o 1 a n te s, 1 a b o r a t.Q rios, cursos por correspondência, exames tipo m~
dureza, cinema, livro texto, bibliotecas, proces so de seleção, times de ensino, etc. II .(27)
-Dispensando-se qualquer comentário sobre a forma uni
ficadora de tratamento de assuntos tão diferenciados considera
dos igualmente como meios, a contradição maior fica por conta
da proposta de cobrança do ensino. Se de um 1ado supõem a fal
ta de recursos para a educação, de outro disseminam-se outras
medidas de processamento de alto custo. Fica demonstrado, po~
tanto, a origem econômico-social do lIaluno posslvel ll
de freqlle.!!.
Estas pretensões para garantir a perfeita avaliação,
com índices cada vez mais elevados de desempenho dos alunos e o
exercício efetivo do controle, não levam em conta que e no f3rasil esti
mado,atualmente, em 7 milhões o numero-de crianças de 7 a 14 anos
sem escola, numero relativo, aproximadamente, a 50% do
contin-gente populacional desta faixa etaria. Porem, sem duvida, redu
zir ã metade um conjunto, torna possível formas mais eficazes
de educação.
Mas, parece decorrer de experiênciá pessoal pouco f~
liz dos autores o encontro com problemas, no nível em que sao
apresentados. Ao fazer o
"exame das leis, resoluções educacionais ou mesmo classicos livros de psicologia, filosofia ou ad ministração escolar, assim como visitas a insti tuições educacionais em varias partes do mundo confirmam as precarias bases sobre que ainda a-poiam as estruturas, funções e praticas existen tes em nossos sistemas escolares".(28)
elaboradores do documento Avaliação de Currlculo e
da Aprendizagem (29) procedem ã analise da avaliação
educacio-nal empreendida, especialmente, pelo sistema de ensino brasilei
ro, utilizando como ponto de partida a Lei 5.692/71, que traça
as diretrizes e bases para o ensino de 19 e 29 graus.
A avaliação sofre as intervenções de uma concepçao de
educação interpretada conforme a Lei 5.692/71. Sem
questionar-se sobre o conteudo e forma legais colocam como necessidade a
centralização do planejamento, controle e avaliação, cabendo a
escola a execuçao dos objetivos.
modi-ficações" nos objetivos educacionais vigentes at~ então; com is to, concluem sobre a exigência de alterar currlculos e a organi
zação do sistema de ensino para fazer cumprir o novo instituto
legal.
Aliando-se a outros pensamentos já expostos, os quais
consideram a educação como um sistema, fica coerente considerar
que o
"acompanhamento da execução do currículo depende de um fluxo regular de informações que possibili te realimentar sistematicamente o planejamento, atraves de ajustamento periódico das condições em que se desenvolve a execução e os objetivos que se pretende alcançar (e) ( ... ) visa obter os e lementos necessários para avaliá-la e, ao consta tar desvios, corrigí-los".(30)
Neste documento, a avaliação exclusiva, do curri.culo,
dos "beneflcios" por ele provocados, são instrumentos consider~
dos suficientes para informar sobre a sua execução e influir nas
decisões acerca de mudanças no processo, no qual o aluno ~ ele mento essencial, porem não computado.
No Brasil, os currículos do ensino de lQ e 2Q graus
sao definidos por aparato legal oriundo do Conselho Federal de
Educação, dos Conselhos Estaduais de Educação e das Secretarias
de Educação, logo, as IImudanças possíveisll
a serem operadas p~
la escola restringem-se a adaptações e adequações ã lei. Com is
to, a avaliação do currículo terã resultados necessariamente co
incidentes com os fins estabelecidos em'lei, ou seja, com um mo
delo ideal de operação que exclui a contribuição crítica do pro fessor, do aluno e da própria comunidade.
Pelas etapas previstas para a avaliação, vemos esta a
lIavaliação durante a elilboração do currículo ( ..• ) durante a execução: análise do currículo e laborado tendo em vista sua avaliação; avaliação do currículo em execução tendo em vista seu ape! fei çoamentoll
• (31)
Mas, apesar de esforços contrários, no sentido de ava
liar o currículo sem questionar-se sobre a situação do aluno,
ele
e
considerado no instante da elaboração de instrumentos eeste momento
e
esclarecedor da posição ocupada pelo aluno diante do pr5prio currículo. Segundo o documento,
IIpara acompanhar a execução do currículo e ava-liar seu desempenho,
e
necessário, pois, elabo-rar instrumentos ( ... ) 1 evando em conta as carac terísticas dos alunos ... 11.(32)Estabelecendo um marco entre avaliação de currículo e
avaliação da aprendizagem, recorrem ã Lei 5.692/71, destacada
como um instrumento legal que no seu artigo 14 reflete a preoc~
pação com a avaliação da qualidade do aprendido e que estaria
contrariando as disposições antigas apegadas ã quantidade.
Afirmando a disposição de dar ênfase ã qualidade do
ensino destacam IIOS estudos de recuperaçãoll , instituto
regula-mentado por aquela lei, proporcionad~ a dois tipos de aluno:
a) o aluno de aproveitamento insuficiente, com freqUência
i-gual ou superior a 75 %
b) o aluno com freqUência inferior a,75 % e igualou
supe-rior ao mlnimo estabelecido em cada sistema de ensino, com
aproveitamento suficiente, mas inferior a 80 % da escala
de notas ou menções.