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Mulher: sonho, razão e poder.

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Academic year: 2017

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(1)

MU LHER: SO N HO, RAZÃO

E

PODER

Flávia Regina Ramos Gonzaga

*

Cláudia Maria de Matos Penna

*

Mata Machado Verdi

*

RESUMO

-

O

texto a p resenta u ma síntese do fi l me

"Mulher: Sonho,

Razão e Poder",

no q u a l a s autoras d i scutem a s re l a ções d e pode r p resen­ tes n o cot i d i a n o d e u ma e nfe rmei ra .

O

eixo p r i n c i p a l se esta bel ece em to rno d a co n d i çã o da mu l he r e d a enferma g e m p rofiss i o n a l n a soci e d a d e b ra s i l e i ­

ra . A refl exão, en r i q u ec i d a c o m reco rtes de v á r i o s _ ltu d i osos contemporâ­ neos d o tema

"poder",

pe rco rre t rês mome ntos: - o confronto con sigo mesma , - o despe rta r pa ra a rea l i d a d e , e - a tomada d e co nsciência do po­ d e r .

O

o bj etivo do traba l ho fo i esta b e l ecer a trajetó r i a do p rocesso de a ma­ d u rec i me nto pessoa l e p rofi ssi o n a l que cu l mi na n u ma nova vi são de si e da p rofi ssão e r ecu pera a co nsci ênci a d a d i ve rsi d a d e e do potenc i a l de o po­ sição às fo rças q u e cond i c i o na m a rea l i d a d e i mpondo- l he novo r u mo .

A BSTRACT

-A synth esis of t h e fi l m "Woma n : d ream, reason a n d powe r" w h e r e the a u t h o r s d i scuss the r e l a t i o n s h i p of powe r p resented in a n u rse' s everyday l i fe . T h e p l ot i s a ro u n d a woma n a n d p rofessi o n a l n u rs i n g i n B ra z i l i a n soci ety. T h e ref l e x i o n , e n r iched by many co ntempo ra ry resea rches o n powe r th eme i dea g oes th rou g h th ree mome nts: h e rs e l f confro ntati o n , -awa ke n i n g to rea l ity a n d - powe r -awa re ness. T h e obj ective task h a s been to esta b l i s h the perso n a l a nd p rofess i o n a l g rowth looki ng fo r herse l f a n d fo r a p rofess i o n new v i ew.

1

INTROD UÇÃO

N6s, como efemeras, temos pcurado

nos últimos nos eletr

a

nossa prática no sen­

ido de retomr nossa hisória, questionr nos­

sos valoes, amplir nosso saber num contnuo

edimensionmento e abertura de novas pers­

ecivas que espondm ao contexto scio-polC­

ico em que nos inseimos.

No entnto, percebemos que, ao voltrmos

nosso olhr pra "o poissional", muitas vezes

nos espimos "do pticulr" , daquilo que nos

difeencia, do que nos impme ua m�eira

pr6pia de ser, peceer e agr no mundo. este

modo considemos que uma proissão como a

nfemagem, eminenemente feinina, raz em

si ços que geram ecliidades na foma de

er-e

socialmente como rabalho, de ticu­

lr-se com ouros processos de abalho, de es­

telecer elaçes intenas enqunto categoia

oissioal, eim no modo pr6pio. de imbi­

cr-se na inica scil.

om isto não desejaos apesentr ma

isão educionisa

à

complexa ede de aspctos

que devem ser consideados ao analis

o

s ci­

ticene

a

poissão. Aenas, escolhemos

como foco desta relexão

s

elações de

'

poder

que ermeiam o coidiano da enfereira, en­

quanto mulher que vive numa sociedade pa­

riarcal e enquanto proissional que está subme­

tida a um modelo hegemônico de organização

do tabalho em saúde que tende a reproduzir a

ordem social estabelecida.

A patir dessa idéia, esolveos bucr uma

foma de provocar a elexão e o debae do as­

sunto que não se tonasse apenas uma teori­

zação do tema, mas que relacionasse o eferen­

cial te6rico com a vivência diria essoal e pro­

issional. Além disso, emos como objetivo fa­

voecer um contato mais estimulane e dinmico

com os estudiosos do assunto, que normlente

não são cessíveis à nossa categoria e, ao mes­

mo tempo, meclá-los com fomas de expessão

mis univesis como a oesia e a música, mas

.

que eletem

a

análise ais cica

a

eli­

dade e o atual moento hist6ico-scial.

Considerndo os objeivos popostos, esco­

hemos coo esratégia de discussão do ema a

apesentação de um vídeo que aceditamos, sin­

eize m conjunto de idéias que

e

er m

• Enfemeias Mesrands em Assis!ncia de Enfemagem, Universidade Federal de Sna Caia

(2)

referencial para o debate.

2

MULHER, SONHO RAZÃO E PODER

Todo o desenvolviento do tema coe a patir de um personagem ictício que ensa em sua interioridade, na sua proissão, na sua con­ dição feminina e no mundo onde vive. Trata-se de uma enfereira que está questionando sua tajetóia de vida e s perspctivas de trnsfor­ mações individual e coletiva.

No prieiro momento, ela se enconta em uma ersectiva mis essoal onde elembra seus projetos, seus sonhos e ealiações e se depa com uma poesia citada por FREIRE2:

"Só conheço dois cminhos,

os esmos que apendi quando menina. Num, o coração e abre vedadeio desmanchado em mágoas,

lágrims e tistezas de amor. Noutro, sobeviver é imerativo

e a raiva alienta a vida.

A

pimeira altenativa

me descobre ulnerável e nua, e maa.

A

segunda e consome a doçura e o prazer moro.

E como, até hoje, me depro. na mesma, encuzilhada, escolho a vida".

(MARGARIDA

apud FREIRE2).

Desa fora, ela questiona as oções que fez ente a vida e como se percee subjugada em seu cotidiano, onde suas vontades estão frá­ geis dinte de outras vontades que lhe são im­ postas. Pensa o que epresenta como indíviduo e a postura que deve assumir ente ao uturo. Confronta-se consigo própria atavés de

GUATARI

e ROLNIK8:

"Quem é você? Você que ousa ter uma opinião, você fala em noe de quê? O que vcê vale na escala de valoes e­ conhecidos enquanto tais na sociedde?

A

e

coesponde sua fala? Que eti­ quea deia classiicr vcê? E somos obigados a assr a sinulaidade de nossa própia osição com o máxio de consisência. • . Só que isso é eüên­ teente imossível de fazeos sozi­ hos, pois ma osição implica sempe numa orgzção coleiva.

É

como e nosso deio e existência desabas­ se.

E

í

se ensa que a melhor coisa qe se tem a faer é calr e neioizr vloes" •

Assm" pssos pra um segunuu 1l1UIlCU­ to, onde o pensmento da ersonagem e deslo­ ca do fco pessoal ra o coletivo e ela elem­ bra eu eíodo de fomação oissional e o onexto s6ci-político que envolve a poissão. Ela analisa as ossibilidades de enrenteno e singulaização* que viabilizem foas de se oor a epodução dos modelos que sustentm a sutura vigente. Paa isso, considera necessá­ io mais do que a foça pessol, um pojeto olítico de transfomação que envolva uma mo­ biliação da categoia, mas que se mplie pra a dinâmica dos movientos sociais.

Neste momento, core seu encono com FOUCAULT4 e

GUATARJ5

que analisam:

"One não há pder, há esistêcia, e, no entnto, esta nunca se enconra em posição de exterioridade em elação ao pder ... Os ontos de esistência estão pesentes em toda ede de poder ( • . . ) os focos de resistência disseinm-e (. . .) rovocando o levnte de guos e indivíduos de aneira defmia, inla­ mando cetos ontos do copo, cetos momentos da vida, cetos tipos de co­ ortamento • . . E é cemente a codii­ cação estratégica desses ontos de e­ sistência que tona possível uma revo­ lução" •

(FQUCAULT4).

"A

luta de classes não passa mais sim­ plesmene or um ront delimitado enre os proletários e os burgueses, fcilen­ te detecável nas cidades, nos vilaejos; ela está igualmente inscrita através de numerosas estigas na pele e na vida dos explorados, pelas mrcas de autoi­ dade, de osição, de nível de vida; é peciso decifrá-la a par do vcabulá­ rio de uns e de outros, seu jeito de fa­

lr,

a ca de seus cros, a moda de suas oupas, ec. Não tem

m!

( • .• )

e

que seve ar a legitidde ds aspações

s

massas se o desejo é ne­ gado em todo o lugr one enta vir

à

tona na ealidade cotidiana? . . • Pois na ausência de deejo a energia se au­ tconsome sob a foa e sintoma, de inibição e anústia. E elo emo que já estão nessa, já pdim ter se dado conta destas coisas por si meso". (GUATRI8).

Passmos, ento, pa o

32

momeno em que ela toma consciência do oer que de eergr essa páica

e

orgizção coleiva. Ao eeer ese cmho, ela não espea·as

* Singulço - cÓ uado or GUA rr ARI, pa difeencir e indiidualidade qando aia que odo "po e

foalo sa ela singulridae" e qe a e fz "eeando, scindo, aglomeando dieões e difeenes ics". GUA rr ARI e ROLNIK8 ,(Micoolíi: coa do deejo, 1986, p.37)

(3)

ossíveis microransformações que possam ocorer. Com esta constatação ela se repora a uma situação de sua experiência poissional quando esabelece um diálogo que conrape a visão revolcionria

à

uma visão inc6gnita opo­ sicionista*. Com esse diálogo ela manifesta o seu econhecimento e compreensão das elaçôes de pder da realidade e declara seu potencial de conapô-Io. Porque esmo que não nos deixem corer, ainda andaemos; mesmo que não nos deixem andar, ainda moveemos; mesmo que não nos deixem mover, ainda podeemos ver; mesmo que não nos deixem ver, ainda sentie­ mos; mesmo que não nos deixem sentir, mesmo assim, ainda pensaremos ... Poque é no lie campo da consciência que geinm as trans­ fomaçes. "

No ennto, mobilizar esse potencial não é uma taefa simples, pois existe uma complexa ee de mcnismos sociais que buscam ocultar e sufocar qulquer iniciativa que visem sua eergência. Por isso

GOETHR

citado or

HELLER

7 aleta:

"Que não te despojem e teu sentido inicial.

É

fácil crer no que cê a multidão.

Foalece teu entendimento de um odo natral; diícil é saer o que é saber".

A

adversidade está justamente no reconhe­ cimento do poder que possui, na capacidade de união, na postura evolucionia que tem como m dos instumentos a pr6pia consução de a identidade individual e coletiva que vai mpulsionr a ação ransfoadoa. Com essa idéia, ela conclui sua relexão razendo como

proposição que guie sua prática o ensento de GRAMSCI apud FRIGOT03:

"Insuí-vos orque temos ncessidde de toda a nossa inteligência. Agiai-vos porque emos necessidade de tdo nos­ so entusiaso. rgnizi-vos porque emos necessidade de a a nosa for­ ça".

3

CONCLUSÃO

Como foi dito anteriomente ese rabaho buscou. como foco principal a ie das e­ lções e oer pesentes na sciedae atual e espciicamente na vida da mulherefeeia. No entanto, o texto aqui apesentdo é ua Sl­ ese com alguns elementos básicos que compem o oteiro oiginal do vídeo.

Nele, a ajetria da elexão do esona­ gm ercore rês momentos undmentais e in­ terelacionados: o conronto consigo emo, o depetar pra a realidade e a tomada

e

cons­ ciência do poder. Eses momenos naa mais são do que represenações do que julgmos er o pocesso contínuo de madureciento essol e roissional que nos toma capz de fzel a

escoha e nos engnjar ou no

à

luta de rs-.

fomação da ealidade e da construção cons­ ciente da hist6ria.

Esermos que este rabalho, alado os que já levantaam essas questões e a ou

.

s que podeão aproundá-las, enha conibuir paa as discusses que busquem o edimensionaento da prtica proissional da enfemagem. Não es­ quecendo que "aé aqui as possibilidades a mulher foram sufocadas e erdidas para l a hu­

manidade; já é empo, em seu inteesse e,no

e

odos, de deixá-la enim coer todos os (iscos, tenr a sote".

(BEAVOIR1).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BEAUVOIR, Simone. O segundo seo: a exeriência vivi­ da. 6 ed. Rio de Janeiro: Nova Fonteira, 1980.

2. FREIRE, Roberto. Ae e dê vexe. 8. ed. Rio de Janeiro: Guaabaa Koogan, 190.

3. FRIGOffO, Gaudêncio. Aula inaugural da fundação da Es­ ola Poliécnica e Saúde Joaquim Venâcio. Cadew de ade Pbia. ENPS/FIOCRUZ, 4 (4) outJdez.

1988.

4. FOUCAULf, Michel. Mcoica o pdr. 9. d. Rio de Jaeiro: GAAL. 1990. 295p.

5. GUA ff ARI, Felix. Revoluçes oeculares: pulsaçes oU­ tics do dsejo. 3. ed. São Paulo: Brsiliee. 1987. 229 p.

6. GUA f f ARI, Felix e ROLNIK, Suely. Mcropofa: caro­ raias do deejo. 2. d. Peróolis: Vozs, 1 986.

7. HELLER, Agns. O coao e a stóa. 3. d. Rio de Ja­ neio: Paz e ferra, 1989.

*

�ião i�cónia oposicioisa, segundo HELLER7 (p.

98- 106), é aquela que enconra-se em conraosição do mundo ell ue

VIV�.

Nao

� sen� a vonade

a rlidade, ofre com os paéis que tem que repreenar, ms o conegue mifesr-e, deor o

seu mc6guto. Nao é um confOmIsa, ms amouo chega a er um revolucionrio ( • • • ) é um reelde.

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