Exigência de treonina digestível para codornas de corte no período de
15 a 35 dias de idade
[Digestible threonine requirements for quail meat from 15 to 35 days of age]
A.P.S. Ton1, A.C. Furlan2, E.N. Martins2, E. Batista1, T. J. Pasquetti1, C. Scherer3, T.C.O. Quadros4, M.P. Nonaka5
1Aluno de pós-graduação em Zootecnia – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR 2Universidade Estadual de Maringá ‒ Maringá, PR
3
Aluno de pós-graduação – UNIOESTE ‒ Marechal Cândido Rondon, PR
4Aluno de pós-graduação – UNESP ‒ Jaboticabal, SP 5
Zootecnista autônomo
RESUMO
Estimou-se a exigência de treonina digestível (ThrD) para codornas de corte (Coturnix coturnix sp.) em fase de crescimento no período de 15 a 35 dias de idade. Foram utilizadas 1020 codornas com 15 dias de idade, não sexadas, distribuídas em um delineamento experimental inteiramente ao acaso, com seis porcentagens de adição de treonina digestível – 0,93; 1,00; 1,07; 1,14; 1,21 e 1,28% na dieta – , cinco repetições e 34 codornas por unidade experimental. Não houve efeito sobre o desempenho, o rendimento e a composição química da carcaça e sobre o balanço de nitrogênio com o aumento da porcentagem de treonina digestível na dieta. Houve aumento linear no consumo de treonina e no custo da ração por quilograma de peso vivo ganho com o aumento da porcentagem de treonina digestível. Concluiu-se que o melhor nível de treonina digestível avaliado foi suficiente para atender as exigências de codornas de corte, no período de 15 a 35 dias de idade.
Palavras-chave: aminoácidos sintéticos, balanço de nitrogênio, codornas, composição corporal, desempenho, rendimento de carcaça
ABSTRACT
The digestible threonine (DThr) requirements for meat quails (Coturnix coturnix sp) during growing phase from 15 to 35 days of age were estimated, using 1,020 quails with 15 days of age, of both sexes, distributed in a completely randomized design, with six levels of digestible threonine - 0.93; 1.00; 1.07; 1.14; 1.21 and 1.28% in diet, five replications and 34 quails per experimental unit. There was no effect on performance variables, carcass yield and chemical composition and nitrogen balance with the studied increase in digestible threonine levels. There was a linear increase in threonine intake and feed cost per kilogram of body weight gain with increasing levels of digestible threonine. It was concluded that the best level of threonine evaluated was sufficient to meet the requirements of meat quails, in the period from 15 to 35.
Keywords: body composition, carcass yield, quail, nitrogen balance, performance, synthetic aminoacids
INTRODUÇÃO
A criação de codornas para produção de carne é uma boa alternativa para obtenção de proteína de origem animal, pois suas instalações não necessitam de grandes investimentos, uma vez
Recebido em 8 de julho de 2011 Aceito em 11 de janeiro de 2013 E-mail: [email protected]
reconhecida por sua alta qualidade e palatabilidade, a criação de codornas tem despertado interesse de empresas avícolas para exploração comercial (Oliveira et al., 2005).
Em vários países, a preocupação com a questão ambiental impôs novo desafio aos nutricionistas e novo fôlego às pesquisas. A eficiência de utilização da proteína da dieta pelos animais é baixa, levando, como consequência, a uma grande excreção de nitrogênio nas fezes. Esse excesso pode ser reduzido por meio do fornecimento de rações mais eficientes, com redução no teor de proteína (Fraiha, 2002). A disponibilidade econômica dos aminoácidos industriais lisina, metionina, treonina e triptofano para aves e suínos, assim como a melhor avaliação dos ingredientes e dos requisitos nutricionais, permite aos nutricionistas formularem rações com menores níveis proteicos (Moura, 2004). A treonina é o terceiro aminoácido limitante para aves, precedido da metionina e da lisina, sendo o mais importante, sobretudo, nas fases mais avançadas do desenvolvimento da ave, porque a proporção de exigência de treonina para mantença é alta em relação aos demais aminoácidos em razão de seu grande conteúdo nas secreções intestinais endógenas (Fernandez et al., 1994). Segundo Corzo et al. (2007), mais da metade da treonina consumida é utilizada nos intestinos para as funções de mantença, sendo primariamente utilizada na síntese de mucina.
Apesar do crescente e recente interesse na atividade, ainda são escassas as pesquisas sobre exigências nutricionais que alicerçam a formulação de dietas de mínimo custo ou de máximo retorno para codornas de corte em fase de crescimento. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo estimar a melhor porcentagem de inclusão de treonina digestível para o máximo desempenho, rendimento e composição química da carcaça, a menor excreção de nitrogênio e a análise econômica da ração de codornas de corte (Coturnix coturnix sp.) em crescimento de 15 a 35 dias de idade.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado com 1020 codornas de corte, não sexadas, com 15 dias de idade e média de peso de 77,11g±0,88. As aves foram
distribuídas em um delineamento inteiramente ao acaso com seis porcentagens de treonina digestível, cinco repetições e 34 aves por unidade experimental. Aos 15 dias de idade, as aves foram pesadas e distribuídas conforme descrito por Sakomura e Rostagno (2007), buscando uniformizar as unidades experimentais. Ao final do experimento, foram realizadas a contagem das aves e a determinação da proporção macho e fêmea em cada unidade experimental. As aves foram alojadas em um galpão convencional, coberto com telha de fibra amianto e dividido em 30 boxes com 2,5m2 telados e com piso de terra batida, sendo utilizada casca de arroz como cama. O programa de iluminação utilizado foi de 24 horas por dia (natural + artificial) durante todo o período experimental.
As temperaturas máxima e mínima foram monitoradas durante todo o período experimental, sendo seus valores registrados às oito e às 16 horas, utilizando-se para este fim um termômetro de bulbo seco. As temperaturas
máxima e mínima médias foram,
respectivamente: 35 e 23ºC no período da manhã e 34 e 24ºC no período da tarde.
As dietas experimentais consistiram de seis porcentagens de inclusão de treonina digestível ‒ 0,93; 1,00; 1,07; 1,14; 1,21 e 1,28% ‒, isoproteicas, isoenergéticas, isocálcicas e isofosfóricas, formuladas à base de milho e farelo de soja (Tab. 1). A composição química e os valores energéticos dos alimentos foram os obtidos de Rostagno et al. (2005). Para atender às exigências nutricionais, adotaram-se as recomendações preconizadas por Scherer (2009) para lisina digestível e energia metabolizável e por Silva et al. (2009) para cálcio e fósforo disponíveis das dietas.
Tabela 1. Composição percentual e nutricional das rações experimentais para codornas de corte em crescimento (15 a 35 dias de idade)
Variável Treonina digestível (%)
0,93 1,00 1,07 1,14 1,21 1,28
Milho grão 65,928 66,062 66,199 66,334 66,470 66,605
Farelo de soja (45%) 28,283 28,096 27,910 27,722 27,539 27,353
Óleo de soja 0,822 0,787 0,751 0,716 0,683 0,647
Fosfato bicálcico 1,658 1,658 1,658 1,658 1,658 1,658
Calcário 0,304 0,304 0,304 0,304 0,304 0,304
L-Lisina HCL (78%) 1,150 1,155 1,160 1,166 1,172 1,177
DL-Metionina (98%) 0,726 0,728 0,728 0,730 0,731 0,733
L-Treonina (98%) 0,340 0,420 0,499 0,578 0,650 0,729
L-Triptofano (98%) 0,088 0,089 0,090 0,091 0,092 0,093
Sal comum 0,391 0,391 0,391 0,391 0,391 0,391
Suplemento mineral/vitamínico1 0,300 0,300 0,300 0,300 0,300 0,300
Antioxidante2 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010
Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00
Composição nutricional calculada
Proteína bruta (%) 20,00 20,00 20,00 20,00 20,00 20,00
Energia metab. (kcal/kg) 3.036 3.036 3.036 3.036 3.036 3.036
Cálcio (%) 0,61 0,61 0,61 0,61 0,61 0,61
Fósforo disponível (%) 0,41 0,41 0,41 0,41 0,41 0,41
Lisina digestível (%) 1,73 1,73 1,73 1,73 1,73 1,73
Metionina+cistina digest. (%) 1,24 1,24 1,24 1,24 1,24 1,24
Treonina digestível (%) 0,93 1,00 1,07 1,14 1,21 1,28
Triptofano digestível (%) 0,28 0,28 0,28 0,28 0,28 0,28
1 Suplementação vitamínica/mineral (níveis de garantia por kg do produto); vit. A – 4.500.000UI; vit. D3 – 1.250.000
UI; vit. E – 4.000mg; vit. B1 – 278mg; vit. B2 – 2.000mg; vit. B6 – 525mg; vit. B12 – 5.000µcg; vit. K3 – 1.007mg; pantotenato de cálcio – 4.000mg; niacina – 10.000mg; colina – 140.000mg; antioxidante – 5.000mg; zinco – 31.500mg; ferro – 24.500mg; manganês – 38.750mg; cobre – 7.656mg; cobalto – 100mg; 5odo – 484mg; selênio – 127mg.
2
BHT(Butil-hidroxitolueno).
As codornas foram pesadas semanalmente, e simultaneamente foram realizadas as pesagens das rações experimentais fornecidas, para a determinação do consumo de ração (g/ave), do consumo de treonina (g/ave), do ganho de peso (g), do peso corporal (g) e da conversão alimentar (g/g).
Para a determinação do rendimento de carcaça, aos 35 dias de idade, foram utilizadas quatro codornas ‒ dois machos e duas fêmeas ‒, por unidade experimental, selecionadas pelo peso médio (±10%) de cada unidade experimental ‒ 20 codornas por tratamento ‒, as quais foram submetidas a quatro horas de jejum, sendo sacrificadas por decapitação entre os ossos occipital e atlas, feita com tesoura. As aves foram sangradas por dois minutos em cone adaptado para codornas e escaldadas por 20 a 40 segundos à temperatura de 53-55ºC. A depena foi manual e as aves foram evisceradas por meio
de corte abdominal. Para o cálculo de rendimento de carcaça, foi considerado o peso da carcaça eviscerada, sem os pés e a cabeça, em relação ao peso vivo, o qual foi obtido individualmente antes do abate das aves. Para o rendimento de cortes, foi considerado o rendimento de peito e pernas (coxa e sobrecoxa) com pele e osso, sendo calculado em relação ao peso da carcaça eviscerada.
sacos plásticos devidamente identificados por tratamento e repetição e, posteriormente, foram moídos em moinho de carne industrial.
Os cortes moídos foram pesados,
homogeneizados e levados à estufa de ventilação forçada a 55ºC por 72 horas, para a realização da pré-secagem. Após a pré-secagem, os cortes foram moídos em moinho tipo martelo e encaminhados para as determinações analíticas em laboratório de nutrição e alimentação animal.
Foram determinados: matéria seca, umidade, proteína bruta, extrato etéreo e cinzas das carcaças, conforme metodologias descritas por Silva e Queiroz (2004), e calculadas as taxas de deposição de proteína (TDP = (QPcf – QPci)/PE), de gordura na carcaça (TDG = (QGcf
– QGci)/PE) e de energia retida na carcaça (ERC = 5,66 TDP + 9,37 TDG), conforme metodologias descritas por Fraga et al. (2008).
No período de 28 a 35 dias de idade, foi realizado um ensaio para determinação do balanço de nitrogênio, em que foram utilizados 150 machos – 25 codornas/tratamento ‒, com 28 dias de idade, os quais foram retirados das respectivas unidades experimentais do experimento de desempenho e alojados em gaiolas de arame galvanizado, com bebedouro tipo nipple, comedouro individual tipo calha e bandeja metálica individual, forrada com plástico, para coleta das excretas.
O delineamento experimental utilizado foi inteiramente ao acaso, em que as porcentagens de inclusão de treonina digestível utilizadas foram as mesmas do experimento de desempenho, totalizando seis porcentagem de treonina digestível, com cinco repetições e cinco aves por unidade experimental. As dietas experimentais foram pesadas no início e no final do ensaio de balanço de nitrogênio, sendo utilizado o óxido férrico (2%) na ração como marcador do início e do final do período de coleta das excretas. O período de coleta foi de cinco dias, sendo as excretas coletadas no período da manhã. Após cada coleta, as excretas foram acondicionadas em sacos plásticos, devidamente identificadas por tratamento e repetição e armazenadas em congelador. Ao final do período experimental, as excretas foram descongeladas, homogeneizadas, pesadas e mantidas em estufa de ventilação forçada a 55ºC
por 72 horas, para realização da pré-secagem. Após a pré-secagem, foram moídas em moinho tipo martelo e encaminhadas para a quantificação do teor de nitrogênio. Os teores de nitrogênio das dietas e das excretas foram obtidos pelo método de Kjeldahl, de acordo com Silva e Queiroz (2004).
Foi calculado o balanço de nitrogênio (g/dia) pela diferença entre o consumo de nitrogênio e a excreção de nitrogênio e o coeficiente de metabolizabilidade (%) do nitrogênio das dietas experimentais.
Foi realizada a análise econômica das rações determinando-se o custo de ração por quilograma de peso vivo ganho (Yi), segundo Bellaver et al. (1985).
Para a análise estatística dos dados, utilizou-se o SAEG (Sistema..., 1997). Os graus de liberdade referentes à inclusão de treonina digestível foram desdobrados em polinômios. A estimativa de exigência de treonina digestível foi obtida aplicando-se o modelo quadrático.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A inclusão de treonina digestível às dietas não influenciou (P>0,05) o consumo de ração (CR), o ganho de peso (GP), o peso corporal (PC) e a conversão alimentar (CA) no período de 15 a 35 dias de idade (Tab. 2). Resultados semelhantes foram obtidos por Baylan et al. (2006), que não observaram efeito dos diferentes níveis de treonina total (0,81 a 1,06%) para o desempenho de codornas japonesas no período de um a 35 dias de idade. Da mesma forma, Berres et al. (2007), ao avaliarem respostas de frangos de corte de 15 a 37 dias de idade, com aumentos graduais na relação lisina:treonina, também não verificaram efeito para as variáveis de desempenho estudadas com o aumento dos níveis de treonina digestível na ração.
diferentemente dos resultados observados no presente trabalho.
O aumento de treonina digestível promoveu aumento linear (P<0,05) no consumo de treonina (CT), que variou de 4,19 a 5,69g/ave. De acordo com a equação de regressão CT = - 0,505505 + 4,54215ThrD, para cada 1% de treonina digestível a mais na dieta, houve aumento no CT de 4,54g/ave no período de 15 a 35 dias de idade. A variação observada no CT, em razão do aumento da concentração de treonina na dieta, pode ser justificada pelo fato de o consumo de
ração não ter variado entre os tratamentos. Portanto, a menor porcentagem de treonina digestível estudada, 0,93%, foi suficiente para satisfazer as necessidades das codornas, sem comprometer o desempenho.
Deve-se levar em consideração que, apesar de os resultados de consumo de ração não terem apresentado efeito (P>0,05), os valores estão próximos aos dados obtidos por Albino e Barreto (2003), que citaram consumo médio diário de ração por ave entre 23 e 26g, para codornas japonesas na fase adulta.
Tabela 2. Valores médios de desempenho, rendimento de carcaça e custo de ração de codornas de corte no período de 15 a 35 dias de idade em função da porcentagem de treonina digestível
Variável Treonina digestível (%) CV Efeito1
0,93 1,00 1,07 1,14 1,21 1,28
Consumo de ração (g/ave) 449,98 452,14 444,94 448,12 454,24 448,02 2,852 NS Consumo de treonina
(g/ave)
4,19 4,52 4,76 5,06 5,45 5,69 2,962 Linear
Ganho de peso (g) 141,12 142,51 140,68 139,81 141,01 140,06 2,321 NS
Peso corporal aos 35 d (g) 218,19 219,91 217,25 216,88 217,80 217,53 1,378 NS
Conversão alimentar (g/g) 3,19 3,17 3,16 3,21 3,22 3,20 2,624 NS
Rendimento de carcaça (%)
69,43 69,93 69,13 69,69 68,48 70,14 2,433 NS
Rendimento de peito (%) 43,76 43,56 44,08 44,15 43,65 44,44 3,412 NS
Rendimento de pernas (%) 23,98 25,17 25,85 26,79 26,29 25,36 10,752 NS
Custo (R$/kg PV ganho) 2,55 2,57 2,60 2,67 2,72 2,74 2,565 Linear
Equação de regressão
CT = - 0,505505 + 4,54215ThrD; R2 1,00 Custo = 1,95487 + 0,625095ThrD; R2 0,97
1
Análise de regressão; NS – não significativo; CT – consumo de treonina.
Em trabalho realizado com frangos de corte de 24 a 38 dias de idade, alimentados com diferentes níveis de treonina digestível na dieta (0,565 a 0,715%), Atêncio et al. (2004) não observaram efeito sobre qualquer característica de desempenho avaliada, exceto o aumento linear no consumo de treonina. Os autores concluíram que o nível de 0,637% de treonina digestível, correspondente à relação lisina:treonina digestível de 60, foi suficiente para atender a exigência das aves para o máximo desempenho. De acordo com Rostagno et al. (2005), frangos de corte machos de desempenho regular apresentam exigências de treonina digestível de 0,72 e 0,68% no período de oito a 21 e 22 a 33 dias de idade. As codornas de corte podem ser favoravelmente comparadas com os frangos de corte em relação ao seu desempenho e ao acelerado crescimento.
o que sugere diferenças nas necessidades aminoacídicas entre essas espécies.
Os rendimentos de carcaça e de cortes nobres (peito e pernas) não foram influenciados (P>0,05) pelos níveis de treonina digestível nas rações (Tab. 2). Resultados semelhantes foram observados por Baylan et al. (2006), os quais não constataram diferença quando avaliaram o rendimento de carcaça de codornas japonesas aos 35 dias de idade, alimentadas com diferentes níveis de treonina total (0,81 a 1,06%). Corzo et al. (2007), ao avaliarem o rendimento de carcaça em frangos de corte aos 42 dias de idade, alimentados com porcentagens crescentes de treonina total (0,51 a 0,86%), verificaram efeito quadrático para peso de carcaça, com melhor estimativa de 0,72% de treonina total.
O aumento da porcentagem de treonina digestível na dieta promoveu aumento linear (P<0,05) do custo da ração por quilograma de peso vivo ganho (Tab. 2). Com o aumento dos aminoacídicos, houve maior inclusão de aminoácidos sintéticos, o que onerou o custo das rações. De acordo com a equação de regressão custo = 1,95487 + 0,625095ThrD, para cada 1% de treonina digestível a mais na ração, houve aumento no custo da ração de 0,63 R$/kg de peso vivo ganho.
Segundo Fisher (1994), os efeitos do incremento progressivo dos aminoácidos dietéticos nas aves
seguem uma hierarquia, a saber: exigência para máximo crescimento, exigência para melhor conversão alimentar, exigência para melhor carcaça com menos gordura, exigência para ótima composição de carcaça e exigência para maior peito. Observa-se, neste experimento, que o menor nível de treonina digestível (0,93%) avaliado foi suficiente para promover o máximo desempenho das aves.
Os teores de água, proteína bruta, gordura, cinzas, a taxa de deposição de proteína (TDP) e gordura (TDG) na carcaça e a energia retida na carcaça (ERC) de codornas de corte não foram influenciados (P>0,05) pela inclusão de treonina digestível (Tab. 3). Esses resultados estão de acordo com Soares et al. (1999), que não evidenciaram diferença na composição corporal de frangos de corte aos 42 dias de idade com o aumento dos níveis de treonina digestível (0,67 a 0,87%). Reginatto et al. (2000), ao avaliarem a suplementação de treonina em dietas de frangos de corte de 22 a 40 dias de idade, variando a energia e as relações energia:proteína, não observaram efeito sobre a composição da carcaça de frangos de corte em função da porcentagem de treonina digestível na dieta.
O balanço de nitrogênio (BN) e o coeficiente de metabolizabilidade do nitrogênio (CM) não apresentaram efeito (P>0,05) em função dos níveis de treonina digestível (Tab. 4).
Tabela 3. Valores médios da composição química da carcaça (CQC), taxa de deposição de proteína (TDP), taxa de deposição de gordura (TDG) e energia retida na carcaça (ERC) de codornas de corte aos 35 dias de idade em função da porcentagem de inclusão de treonina digestível
Variável Treonina digestível (%) CV Efeito1
0,93 1,00 1,07 1,14 1,21 1,28
CQC (%)
Água 63,78 63,89 63,99 63,02 64,07 64,15 1,9686 NS
Proteína 60,79 61,53 62,81 59,69 61,59 62,16 5,459 NS
Gordura 30,16 29,87 30,09 32,20 30,05 29,62 11,350 NS
Cinzas 11,26 11,22 11,29 10,98 11,28 11,60 8,881 NS
Taxa de deposição (g/dia)
Proteína 1,15 1,14 1,13 1,19 1,13 1,11 8,709 NS
Gordura 3,03 3,03 3,04 2,99 3,04 3,04 2,110 NS
Energia retida na carcaça (kcal/g)
34,83 34,87 34,89 34,77 34,88 34,82 0,533 NS
1
Tabela 4. Valores médios do balanço de nitrogênio (BN) e do coeficiente de metabolizabilidade do nitrogênio (CM) de codornas de corte no período de 28 a 32 dias de idade em função da porcentagem de inclusão de treonina digestível
Variável Treonina digestível (%) CV Efeito1
0,93 1,00 1,07 1,14 1,21 1,28
BN (g/dia) 3,13 2,79 3,37 3,01 2,81 2,90 6,510 NS
CM (%) 68,39 63,50 69,18 64,79 65,60 64,63 4,783 NS
1Análise de regressão; NS – não significativo.
Dozier et al. (2001), ao trabalharem com dieta contendo 18% de proteína bruta e 3.200 kcal EM/kg e duas porcentagens de treonina total (0,52 e 0,74%) para frangos de corte machos e fêmeas de 42 a 54 dias de idade, verificaram melhor retenção de nitrogênio e energia em frangos machos alimentados com a porcentagem mais alta desse aminoácido. De acordo com Rutz (2002), a carência de aminoácidos essenciais da dieta induz ao balanço negativo de nitrogênio, isto é, a perda é maior do que o consumo. A proteína para a qual o aminoácido essencial estiver faltando não pode ser sintetizada, e os outros aminoácidos que seriam incorporados na proteína serão metabolizados.
Embora não tenha sido verificado efeito significativo da porcentagem de treonina digestível sobre as variáveis analisadas neste estudo, exceto para consumo de treonina e custo da ração, observa-se que o balanço adequado dos aminoácidos permitiu a utilização deles de forma eficiente, sem promover danos ao desempenho das aves.
Considerando que há discrepância dos dados observados neste experimento com os resultados relatados nas literaturas, recomenda-se a realização de mais pesquisas para avaliação do desempenho e da estimativa dos níveis adequados de treonina digestível para codornas de corte em fase final de crescimento.
CONCLUSÃO
O melhor nível de treonina digestível avaliado foi suficiente para atender as exigências para máximo crescimento de codornas de corte, no período de 15 a 35 dias de idade. Sugerem-se novos estudos que avaliem níveis de treonina digestível menores que 0,93%.
AGRADECIMENTOS
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo suporte financeiro; aos grupos de pesquisa de nutrição de não ruminantes e melhoramento genético animal da Universidade Estadual de Maringá; e a todos que colaboraram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho.
REFERÊNCIAS
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