I
CONCEITOS DE MULHERES SOBRE SUA MENSTRUAÇÃO*
Mária Yui Shinohaa** Luila Coa Bezera ** Ângela Megumi Takagi***
RESUMO: Dando prosseguimento às pesquisas anteioes realizadas pelo Núcleo de ssistência paa o Autouidado da Mulher (NAAM) sobre aspetos relatios à mens truação, desenvolvemos um trabalho que estudou os conceitos de 705 mulheres sobre sua menstruação. Foram utilizadas informações do banco de dados do NAM, obtidos na aplicação do Histórico de Saúde da Mulher no Município de Vagem Grande Paulista. O coneito mais elatado pelas mulheres foi o Nomal. Isto talvez explique os dados obtidos em trabalhos anteriores, onde muitas mulheres nada fazem para aliviar os sintomas dolorosos da menstruação. O aesso a estes conceitos próprios é impotante para elaborar uma assistência de enfermagem de qualidade respeitando as cenças e valores dentro da cuHua das mulheres.
ABSTRACT: Procceding earlier researches achieed by Assistane Nucleus for the Self-cae of Woman (ANS) about menstruation aspets, we deeloped a wok that studied concepts of 705 women about their menstruation. Bank of data rom the ANSW gave informations obtained in employnent at the Historie ofWoman's HeaHh in Vargem Grande Paulista. The concept more elated was normal. Perhaps, it explains the data obtained in ealier works, where many women do nothing to relieve the painful symptoms of menstruation. The acess to these proper conepts is impotant to elaborate a nusing assistane with quality, respeting convitions and valuables within the women's culture.
UNITERMOS: Menstruaão - Saúde da Mulher - História Oral.
1. INRODUÇÃO sobre a menstruação, na tentativa de compeen
der melhor essas ações de autocuidado na nos sa população.
O presente estudo é um seguimento dos trabalhos realizados pelo Núcleo de Assistência paa o Autocuidado da Mulher - NAM, sobre o tema menstruação. Obsevamos que nesses trabalhos(7), as mulheres atendidas pelo NAM elatavam sintomatologia doloosa durante o pe ríodo menstrual e executam ações de autocui dado para alívio destes sintomas, sem necessa iamente procurar o seviço proissional, por pro vavelmente conviverem com estes problemas. Decidimos, então aproundar o conhecimento
COMFORT e COMFORT(3) citam que o po cesso da menstuação sempre intrigou a civili zação humana. Associava-se o períOdO da menstruação à magia, acreditando-se que, se uma mulher menstruada izesse um pão, a mas sa não creseria; que se izesse uma geléia, ela jamais icaria no ponto, e assim por diante.
O Antigo Testamento da BfBLlA sagrada(1 ) diz: A mulher que no tempo ordináio soe in6-modo, será separada duante sete dias. Todo
Trabalho apresentado omo Tema Livre nO 5° Congreo Brasileiro de Enfermagem. Olinda-Recife, 28 de novembro a 3 de dezembro de 1 94.
Alunas de graduaao da Eola de Enfermagem da Universidade de sao Paulo. Membros do Núcleo de Asitência para o Autocuidado da Mulher (NAAM).
Enermeira Obtétrica. Membro do NAAM.
que a toca, será impuro até a tarde.
SNODEN e CHRISTIAN(6) citam as dife rentes visões em algumas culturas. Para o isla mismo, a mulher é considerada impura e não é permitido aproximar-se dela até que esteja lim pa, noamente. Em países como Egito, rndia, Jamaica, Iugoslávia e Filipinas é desaconselhá vel a visita às mulheres menstuadas por amigos ou parentes, principalmente para gestantes e puérperas, pois a mulher menstruada é conside rada uma ameaça a saúde eprodutiva e fétil destas. No Egito a mulher menstruada é mais susceptíel aos espíritos sobrenatuais, passan do por crises idênticas ao nascimento de uma criança. Em grande pate da (ndia, Filipinas e Egito as mulheres menstruadas evitam os cam pOs paa não prejudicarem a atividade agrícola.
EIL(8) analisa o luxo menstrual colocan do-o dentro de um mundo viscoso e pegajoso. A viscosidade é objeto de epulsão desde a mais tenra idade. O pegajoso escapa às três catego rias que são: sólido, líquido e gasosos, situando se entre o sólido e o líquido. SARTRE citado por EIL(8) airma que nós consideramos a viscosi-. dade como uma foma ignóbil da eistência,
estando ela assim relacionada ao luxo mens trual, ciando uma imagem repulsiva.
BUCKLEY e GOTLlEB(2) mostram que os valores e signiicados do tabu da menstruação não existem isolados, mas ocorem dentro de um onteto, especialmente relacionados à reli gião. O signiicado e o valor da menstruação, de uma ceta cultura, devem ser determinados no loal, e não podem ser descritos com base em conceitos pé-estabelecidos ou originados de outras culturas.
De aodo com SNODEN e CHRIS TIAN(6), o fator psicossocial tem um papel impor tante na atitude rente à menstruação. A mulher menstruada é vista pela sociedade como mal humorada, irritada. A menstruação não é sim plesmente um pocesso isiológico, mas está flgado a vaiáveis psicológicas sociais e cultu rais. Como todas as mulheres menstruam, elas estão sujeitas aos mesmos tabus culturais de restrição, segregação e discriminação. Contudo, a mulher individualmente é apaz de diferenciar ada sangramento nas dimensões de quantida de, duração e forma, o qual ocorre num ceto intevalo de tempo e regularidade. Juntamente com as araterísticas sociais do próprio
sangra-mento, a menstruação tem um significado indi viduai para cada mulher. Assim, a mulher tem duas pecepções do sangramento: uma da sua real eperiência e outra como um membro den to da sociedade a qual sofe inluências dos significados que são atribuídos à menstruação. A interação destas duas pecepções irá afetar as atitudes e a descrição do eento.
Ao estudarmos as questões ligadas à mens truaão, chamou-nos a atenção que no trabalho realizado por TAKAGI, BENITES e SHINOHA A(7), um terço das mulhees de uma comuni dade, apesar de apresentarem sintomas doloro sos no periodo menstual, nada faziam para alíio destes sintomas.
É
também relevante a colocação feita por SNODEN e CHRIS TIAN(6), de que as atitudes das mulhees em relação à menstuação são afetadas pela intera ção das suas percepções sobe este aconteci mento em suas vidas, sendo a compreensão deste fato de grande impotância paa o plane jamento de uma inteenção de enfermagemmais adequada e efetiva. Principalmente quan do estabelecemos a nossa atuação tendo omo referencial a teoria de OREM(5), na qual o indi víduo é visto como tendo a capacidade de pati car atividades em seu próprio beneício, para manutenção contínua de sua vida, saúde e bem estar. Esta teoria tem como núcleo a habiidade inata que o homem tem para cuidar de si óio, sendo eta inluenciada por práticas, crenas e hábitos, que fazem pate da cultura e do grupo a que o indivíduo petence.
Deta forma, sentimos a neessidade de aproundar nossos conhecimentos quanto aos coneitos das mulheres sobe sua menstruação, sendo este o objetivo deste trabalho.
2. MATERIAL E MÉTODO
Em 1 986 o Núcleo de Assistência para o Auto cuidado da Mulher (NAAM) , iniciou suas atiidades de assistência que compreendem: consulta de enfermagem, realização de grupo de oientação e visitas domiciliaes no municípiO de Vagem Grande Paulista, omplementada om atiidades de pesquisa desenvolvidas com su pote logístio da Escola de Enfermagem da Univesidade de São Paulo.
Para onsulta de enfermagem é utilizado instrumento de oleta de dados, o histórico da
saúde da mulher, que se divide em três pates:
I. Histórico Auto-Apliado com quetões aber tas, 11. Entevista com questões semi-estrutura das, 111. Eame Físico (Anexo).
A pate I é preenchida pela própria mulher, desde que ela seja capaz de ler e escreer. Diante de sua impossibilidade, essa pate é peenchida com a ajuda de um dos integantes do NAM. As pate 11 e 111 são preenchidas pelos integrantes do núcleo, a patir das espostas e achados obtidos na consulta.
Para realizaao do presente estudo foram utilizadas, a patir do bano de dados do NAAM, as respostas da questão 08 da pate 11: O que
ê aha que sSo as eas?
População
A populaao onstitui-se de 705 mulheres que pocuraram o NAAM para realizaao de eame de preenao de câncer ginecolgico no período de 1 988 a 1 991 . Foram encaminhadas por médios da própria unidade básia de saúde de Vagem rande Paulista ou ompareeram por iniciativa própria.
Local de Estudo
O trabalho oi realizado no município de Var gem Grande Paulista, a 65km da cidade de São Paulo, no chamado cintuSo ede de São Paulo. Apresenta uma população estimada de 35.000 -habitantes atendidos em quatro unidades bási as de saúde.
Deinição. de Tenos
Para melhor estudamos os conceitos da mulheres sobre sua menstruaçao resolemos agupá-Ias em categorias. São elas: Nomal, Saúde, Limpeza, Ovulaçao, Boa/Ruim, Outros e Não respondeam.
Nonal: para esta ategoria, utilizamos a de inição de COMFORT e COMFORT(3), em que menstuaçao é um processo de desen olimento da mulher, desde a pubedade até por volta dos 50 anos com desprendi mento da amada de células uterinas e san gramento pela vagina. Tem ciclo aproximado de 28 dias, sendo que se interrompe durante a gestaçao.
Diidimos essa categoria, Nomal, em
sub-categorias: Feminilidade, Fisiológico e Repodu ção.
Feminiidade: incluímos nesta su-categoria as mulheres que relataam a menstruaçao como próprio da mulher, seu aráter, seu modo de ser e pensar ou viver, ressaltando o rtual de passagem de menina para moa, com o início da nenstuaçao até o seu témino com a menopausa(4).
Fisiológio: fazem pate desta sub-categoria respostas elaionadas ao desprendimento da amada de células uterinas, com sanga mento pela vagina, que ocorre num ciclo de aproximadamente de 28 dias, om em média 5 dias de duação.
ReroduçSo: nesta sub-categoria inseimos e spostas sobre gravidez e geraçao de filhos. Saúde: para esta categoria, onsideramos as
respostas em que menstuação é o bem estar físico e mental, sendo que sua ausência acar reta problemas de saúde.
A ategoia Saúde foi sudividida em: Inte raI (do oganismo como um todo) ou Parcial (como exemplo a saúde mental). ' Limeza: define-se essa categoia como
expul-SA0 de sujeia ou sangue sujo do oganismo da mulher e a p�rificação do copo.
Esta categoia foi sudividida em: Umpeza global (do corpo como um todo) ou Umeza local (de uma determinada pate do orpo, como por exemplo, do úteo).
Ovulação: nesta categoria inserimos espostas onde as mulheres relatam a saída do óvulo na menstruaçao.
Bo/Ruim: foram incluídas nesta ategoria re spostas onde as mulheres expressaram sua mentruação omo uma coisa boa, e lacionado-a com o prazer sexual ou como uma coisa ruim, que inomoda.
Outros: inseimos nesta as respostas que não foam inluídas em nenhuma da� categorias anteioes.
Não responderam: foram incluídas nestá, as mulheres que não sabiam referir sobre as reras e as que não esponderam ade quaíamente à pegunta. Ente estas, haviam respostas relacionadas aos sin tomas da menstuaçao, como por exemplo: cefaléia, cólica ,que fazem pate do trabalho anteior.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1 : Distribuição em categorias dos dife rentes onceitos das mulhees sobre sua mens tuaão. NAAM, São Paulo, 1 993.
CATEGORIAS N° %
NORMAL 296 6 5
SAÚDE 84 1 0 3
LIMPEA 77 9 5
OVULAçÃO 23 2 8
BOA/RUIM 1 3 1 6
OUTROS 09 1 1
NÃO RESPONDERAM 31 0 38 2
TOTAL· 81 2 1 00 O
• Algumas mulheres apreentaram mais de uma repota, potanto, o número total de resotas é uerior ao total de mulheres o estudo.
A tabela 1 apresenta 81 2 (1 00%) respostas relacionadas aos conceitos das mulheres rente sua menstruação. A maior incidência foi da ca tegoria N onal, com 296 (36,5%) respostas, sendo que essa categoria foi diidida em sub-ca tegorias Feminlidade, Fisiológico e Reodu çao. Seguida deta categoria 84 (1 0,3%) mulhe res deram respotas relacionadas à Saúde; nes ta ategoria a mulher elata a Saúde como sen do Interal ou Pacial. Com um total de 77 (9,5%) respostas suge a categoria Limeza, sudividi da em Umeza global ou local. A ategoria
Ovulação apaece com 23 (2,8%) respostas, seguda da categoia Boa/Ruim com 13 (1 ,6%) respostas. Apareeram 9 (1 ,1 %) respostas que não se enaiaram em nenhuma das categoias acima ctadas.
Veriiou-se que na categoria Não espon deam, 3 1 0 (38,3%) mulheres não apesenta ram espostas, ou as apresentadas não tinham nenhuma relação com a pegunta. Esse fato pode estar relacionado às escassas infomaçõ es dadas a estas mulhees em relaão a sua menstruação, devido à eduação sexual ser pouco disutida nas escolas, dentro da pópria família e nos ostos de saúde, que não se preo cupam em passar informaão às mulheres. En globamos também, nesta categoria, a ausência de resostas deido ao preenchimento incom pleto do Históio pelos membros do NAAM.
Tabela 2: Distribuição dos conceitos das mu lheres sobe sua mentruaão inseridas na Ca tegoria Nonal e suas respetivas sub-catego rias. NAAM, São Paulo, 1 993.
CATEGORIA SUB-CATEGORIA N° % FEMINILIDADE 1 43 48 3
NORMAL REPRODUÇÃO 77 26 o
FISIOLóGICO 76 25,7
TOTAL 26 1 00 o
Diante da tabela 2, erificamos um total de 296 (1 00%) espostas que apareceam na cate goria Nonal, sendo que 1 43 (48,3%) respostas comõem a su-categoria Feminlidade, 77 (26,0%) respostas petencem a subategoria
Reoduao e 76 (25,7%) respostas são da su
categoria Fisológio.
A su-categoia Feminilidade apresentou
um maior número de respotas, mesmo compa rando com as outras ategorias Saúde, Lime za, vulação e B/Ruim. Num leantamento realizado or SNODEN e CHRISTIAN(6} sobre as cenças das mulheres sobre sua menstrua ção, foi obsevado que este processo é conside rado necessário para sua feminilidade, que vai ao encontro da sub-categoria Feminilidade e da categoria Nonal utilizadas neste trabalho. Per cebeos a impotância da mentruação omo uma condição para a sua eitência omo mu lher, e ao mesmo tempo obseva-se a aeitação da menstruação como uma imposição da própria natureza. Como exemplo uma das expressões das mulheres:
... uma oma de entir mulher . .. sem ela nao pode viver
... deve ser da mulher, já naeu paa isso ...
É também expressada pelas mulheres omo tual de passagem, como sendo um ponto de pada para o início do ser mulher, onde a ciana amaduece poque menstuou. Como exemplo de respostas dai mulheres:
... oeo da ente, quando passa de menina paa oça ...
Na sub-categoria Reroduçao foam agru padas 77 (27%) respostas, relacionando a menstuação como uma foma de contole para a mulher saber se está grávda, além de popor cionar a apacdade de geração de ilhos. Entre as respotas, as mulh�es citam:
as eras fazem a eaçJo do ilho, quando paa, a mulher enraida.
A sub-categoria Fisiológio aparece com um número de respostas quase equivalente à sub ategoria
Redu�o, 76 (25,7%).
Veriica-se nesta su-ategoria, que a mulher tem noção de seu aparelho repodutor, aimando que sua menstruação está relacionada om codiicações sofridas pelo ovário e útero. Entre as expressões as mulhees citam:... É
quando o ciclo da enstuaçJo temina, muda e comea a menstua çJo.. . . Sangramento que em do útero e tem que sair.
Tabela 3: Distribuição das formas de expressão das mulheres sobre sua menstruação que foram incluídas na Categoria Saúde e suas su-ca tegorias. NAM, São Paulo, 1 993.
CATEGORIA SUB-CATEGORIA N° %
SAÚDE INTEGRAL 59 70 2
PARCIAL 25 29,8
TOTAL 84 1 00 O
Conforme a tabela 3, a categoria Saúde apesenta um total de 84 (1 00%) respostas. Esta ategoria difere do referido no trabalho de SNODEN e CHRISTIAN(6) onde as mulheres vêm a menstruação omo doença, enquanto que neste estudo as mulhees relacionam a presen a da menstruação omo saúde e a ausência deta como doença. Sudividimos esta atego ia em Saúde integral e parcial.
A sub-categoia Interal aparece em desta que com um númeo de 59 (70,2%), onde foram incluídas respostas relacionadas ao bem-estar integral ou do oganismo omo um todo, por exemplo:
... É a saúde da ente, se nJo deser
a gente ica doenteNa sub-categoria pacial, incluímos as res postas de 25 (29,8%) mulheres que relaciona am a ausência da menstruação com danos à saúde, especificamente à saúde mental, como exemplo de citações de mulheres temos:
. . . Se nJo tem regra todo mês ica lelé ... A menstuaçJo em porque se subir para a cabeça a pessoa pode icar
louca
O que nos chama a atenção, por ser este um conceito muito difundido em nossa cultura, ata vés das gerações, onde as alterações da mens tuação leariam a distúrbios mentais como a loucura.
Tabela 4: Distribuição dos conceitos das mu lheres sobre sua menstruação inseridas na a tegoia Limpeza e suas sub-categorias. NAM, São Paulo, 1 993.
CATEGORIA SUB-CATEGORIA N° %
LIMPEZA GLOBAL 68 88 3
LOCAL 09 1 1 7 TOTAL 77 1 00 O
Segundo SNODEN e CHRISTIAN(6), as mulheres vêem a menstuação como sujeira, no entanto, no pesente estudo obsevamos que as mulheres expressam ser o produto de sua mens tuação omo sujeia, mas, o pocesso da mens-. tuação em si, é visto como limpeza. Assim,
conforme obsevamos na tabela 4, a categoria Limeza foi dividida em duas sub-ategorias:
Limpeza Global e Local. No que diz respeito à Limpeza Global enontramos 68 (88,3%) res
postas, onde as mulheres elacionam a mens tuação como uma limpeza ou purificação do oganismo. Como exemplo temos:
. . . Limpeza do oganismo . . .
é a pate impura do sangue que é eliminada
Quanto à sub-categoria Limpeza Local en contramos 9 (1 1 ,7%) mulheres que expressam ser a menstruação uma forma de limpeza de uma pate do orpo, mais especificamente o úteo, como na resposta:
Sangue sujo que vem do úteo .. .
Temos, ainda, a categoia Ovulação, onde obsevamos que 23 (2,8%) mulhees elacionam a menstuação om a ovulação, demonstrando
�
través de um onhecimento mesmo que vago, Incompleto ou inadequado, que existe uma es teita relaão da eliminação do sangue mens tual com a ovulação e ausência de fecundação, emboa não consigam expliar o fenômeno em sua totalidade .A ategoria BoaRuim foi elaborada a patir das respostas de 1 3 (1 ,6%) mulheres. Enquanto
algumas colocam ser a menstruação uma oisa chata, que incomoda, outas encaram este mes mo aconteimento como algo bom para elas, mesmo que seja para sevir de peteto paa livá-Ias de uma situação aparentemente insatis fatória como na resposta:
. . . Dias que descansa do maido.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
o estudo tomou possível veriiar os conei tos próprios que as mulhees têm deste período e possibilitou inferir que alguns aspetos são congruentes com o conhecimento cientíico pro issional. Assim sendo pudemos obsevar que 296 (36,5%) mulhees consideram a mentrua ção omo um acontecimento normal em sua vida
e para a sua condição de mulher. Isto talvez explique os dados obtidos por TAAGI , BENI TES e SHINOHARA7) onde um terço das mu lheres que referem sintomas doloosos da mens truação nada fazem paa aliviá-los. Este fato nos leva a considerar que proissionais da área de saúde, especiiamente, a enfemagem ligada à saúde da mulher, devam ter aesso à estes coneitos póprios, para que possam elaborar uma assistência de enfermagem de qualidade. Nesse sentido, o objetivo da assistência à saúde é de capacitar a mulher a desenvolver ações de autocuidado, respeitando suas crenças e valo res dento de sua própria cultura. Este estudo foi uma tentativa de compreensão dos dados en contrados, dento desta pespetiva.
REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS
1 . BIBUA Sagada. 9 ed. SAo Paulo: Paulinas, 1 955. p.1 39: Levltico cap.1 5 veso 1 9 e 0.
2. BUCKLEY, T.; GOTTLlEB, A. Blood Maic: the Anthro ology of mentruation. Berkeley: Univerity of Cali ónia Press, 1 988. p.51 -3: Mentrual images, mea-. nings and valuesmea-.
3. COMFORT, A. e COMFORT, J. ACB do Amore do Sexo:
orientaAo sexual pra adoleentes. SAo Paulo: Abril Cultural, 1 980. p.8-9: Os marcos iniciais: mentrua Ao e ejaculaAo.
4. FERREIRA, A.B. de H. Noo iionáio da I/ngua ou uesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1 985. p. 768.
5. OREM, P.E. Nuing:conepts ofpractice. New York: Me Gaw HiII Book, 1 985.
6. SNOIDEN, R. e CHRISTIAN, B. Patems and pecep ions ofmensuaion. Manuka: Iorld Health Organi zation, 1 83.
7. TAAGI, A.M., BENITES, E.S. e SHINOHARA, M.Y.
Estudos das açJes de autocuidado alaivas a disme noéia em mulhees de uma omunidae ual, 1 991 (mimeo).
8. EIL, P. M/Us o sexo. Belo Horizonte: Itatiaia, 1 976. p.43-4.
Reebido para publicaêo em 28.1 2.93
ANEXO
ÁREA: HISTÓRICO DE SAÚDE DA MULHER
PARTE I: HISTÓRICO AUTO-EXPLICA 1VO
01 . Nome: ___________ _
Data de nasc.: _
,
_,
_Ficha família: R.G. : ___ _ 02. Ocupaão: _________ _
03. Endereço: __________ _
Ponto de referência: _______ _ 04. Idade
Menos de 1
�
anos ( )De 1 5 a 25 anos ( )
De 25 a 35 anos ( ) De 36 a 45 anos ( ) De 46 a 55 anos ( ) . De 56 a 65 anos ( )
Mais de 66 anos ( ) . 05.Cor
Branca ( )
Pada ( )
Amarela ( )
Preta ( )
06. Estado Civil
Solteira ( )
Casada ( )
Desquitada ( )
Separada judicialmente ( )
Divociada ( )
Separada ( )
Viúva ( )
Amasiada ( )
(vive f companheiro)
07.Qual sua Religião? _______ _
08.Grau de Instrução (estudo)
Primeiro grau ompleto ( )
incompleto ( )
Que série: ___ _
Segundo grau completo ( )
incompleto ( )
Que série: ___ _
Univesitário completo ( )
incompleto ( )
Que séie: ___ _
Analfabeto ( )
09.Quando deseram as primeiras Regras? (incômodo)
Antes dos 1 0 anos ( ) ente 1 0 e 1 2 anos ( ) ente 1 2 e 1 5 anos ( )
Após 1 5 anos (
)
Nunca apresentou ( )
1 0.De quanto em quanto tempo aparecem ou apareciam as Regras?
Uma vez ente 20 e 25 dias ( ) Uma vez ente 26 e 30 dias ( ) Uma vez ente 31 e 35 dias ( ) Uma vez em mais de 36 dias( ) De modo iregular ( )
1 1 .Quantos dias ostuma icar com as Regras? Até 3 dias ( )
De 3 a 6 dias ( )
De 6 a 1 0 dias ( ) Mais de 1 0 dias ( )
1 2.Quando foram suas últimas Regras?
Há menos de 1 mês ( )
Há mais de 1 mês ( )
Há mais de 2 meses ( )
Há mais de 4 meses ( )
Há mais de 6 meses ( ) Há mais de 1 ano ( ) Há mais de 2 anos ( ) Há mais de 5 anos (
)
Há mais de 1 0 anos ( )
1 3.A senhora acha que está grávida atualmen te?
Sim ( ) Não ( )
1 4.A senhoa apresentou algum sangramento por baixo, fora das egras nestes últimos tempos?
Sim ( ) Não ( ) Não lembo ( )
1 5.Quando?
Há alguns dias ( ) Há uma semana ( )
Há algumas semanas ( )
Há um mês ( )
Há mais de um mês ( ) Há alguns meses ( )
1 6.Quantas vezes?
Uma vez ( )
Duas ezes ( )
Três ezes ( )
Mais de três vezes ( )
1 7.A senhora tem algum tipo de corrimento? Sim ( ) Não ( )
1 8. Há quanto tempo?
Há 1 mês ( )
Há mais de 2 meses ( ) Há mais de 4 meses ( ) Há mais de 6 meses ( )
Há 1 ano ( ) 1 9. De que cor é o corrimento?
Branco ( )
Amaelo ( )
Tansparente ( )
Esvedeado ( )
Com sangue ( )
Outra cor ( )
Qual: _. _____________ _
20.Tem cheio? Sim ( ) Não ( )
21 .Tem sentido coceira nas pates de baixo?
Sim ( ) Não ( )
22.Com que idade a senhora teve sua primeia relação sexual?
Antes dos 1 5 anos ( )
Entre 1 5 e 1 8 anos ( ) Após 1 8 anos ( )
23.Sente dor durante ou após uma relação se xual?
Sim( ) Não ( ) As vezes ( ) 24.Tem sangramento durante ou após uma re
laão sexual?
Sim ( ) Não ( ) As vezes ( )
25.Qual o número de ezes que a senhora os-tuma ter relações sexuais?
Váias vezes ao dia ( ) 2 a 3 vezes por semana ( )
1 vez por semana ( )
1 vez em quinze dias ( ) 1 vez em mais de quinze dias( )
26.Quantos companheiros a senhora já teve?
Um ( )
Dois ( )
Três ( )
Quatro ( )
Mais de cinco ( )
27.A senhora sente vontade de ter relações sexuais?
Sim ( ) Não ( ) As vezes ( ) 28.A senhora ia satisfeita após as relações
sexuais?
Sim ( ) Não ( ) As vezes ( ) 29.A senhora usa algum destes métodos para
evitar ilhos?
Pílulas ( ) Diafagma ( )
DIU ( )
Geléias ( )
Potetor (camisinha) ( ) Nenhuma das anteriores ( ) Outos métodos ( )
Quais: ____________ _
30.Durante quanto tempo usa ou usou anticon-cepcionais?
Há menos de 1 ano ( )
Um ano ( )
Dois· anos ( )
Três anos ( ) Quatro anos ( )
Cinco anos ( ) Mais de cinco anos ( )
31 .A senhora já esteve grávida alguma vez? Sim ( ) Não ( ) Não sei ( ) 32.Quantas vezes?
Uma ( ) Seis ( )
Duas ( ) Sete ( )
Três ( ) Oito ( )
Quatro ( ) Nove ( ) Cinco ( )Mais de noe ( ) 33. Quantos ilhos a senhora teve? Nenhum ( ) Cinco ( ) U m ( ) Seis ( ) Dois ( ) Sete ( ) Três ( ) Oito ( ) Quatro ( ) Mais de oito ( )
34.Que tipos de pato a senhora tee?
Nomal ( )
Cesariana ( )
Fóreps ( )
35.Com que idade teve seu primeiro ilho? Antes dos 1 5 anos ( )
Entre 1 5 e 1 8 anos ( ) Entre 1 8 e 30 anos ( ) Após os 30 anos ( ) 36.Já proocou algum aboto? Sim ( ) Não ( )
37.Quantos?
Um ( ) Três ( ) Dois ( ) Mais de tês ( )
38.Como fez o aboto? _______ _
39.A senhora ou alguém da sua família teve ou
tem alguma dessas doenças?
Diabetes Sim ( ) Não ( )
Quem: ____________ _
Pressão alta Sim ( ) Não ( )
Quem: _____________ _
Problema no coação Sim ( ) Não ( )
Quem: _____________ _
Problema mental Sim ( ) Não ( )
Quem: ____________ _
Câner Sim ( ) Não ( )
Quem: ____________ _
Outras. Qual: __________ _
Quem: ____________ _
40.Alguém da sua família moreu por alguma dessas doenças?
Quem: ____________ _
Qual doença: __________ _
41 .A senhora trabalha fora de sua casa? (aso
nJo,
não precisa responder às demias ques tões)Sim ( ) Não ( )
42.Quantas horas a senhora trabalha por dia? Menos de 6 horas ( )
De 6 a 8 horas ( ) Mais de 8 horas ( )
43.0 que a senhoa acha do seu trabalho? Está satisfeita ( )
Sente-se pressionada ( )
Feliz ( )
Pretende mudar ( )
Não gota ( )
44.A senhora está exposta no seu trabalho?
A
umidade ( )A
poeia ( )A
radiação ( )A
umaça ( )A produtos químicos ( )
Ao fio ( )
Ao calor ( )
Nenhuma das anteriores ( )
45.0bsevações: _________ _
PARE 11: ENTREVISTA gras?
01 .Qual foi o motivo da última consulta média?
1 0.Você utiliza algum tratamento para o
orrei-mento? Qual? _________ _
02.Qual o motio da consulta atual?
1 1 .0 que a senhoa acha do sangramento fora
das Regras? _________ _
03. Cite os problemas de saúde que a senhoa resolve sozinha: ________ _
1 2.A senhora já apresentou alguma doença ve-04.Como costuma resoler estes problemas? nérea? Fez tratamento? _____ _
OS.Quando tem poblemas de saúde, além do 1 3.A senhora utiliza dogas? Quais? __ _
médico, quais sao as pessoas que ocê pro-cura?
1 4.A senhora tem o hábito de beber elou fumar?
06. Você sente alguma oisa durante as Regras?
O quê? ___________ _ 1 S.Condições atuais de saúde:
Repouso: ____________ _
80no: _____________ __
Atividade ísica: _________ _
Hidrataçao, __________ _
07.0 que você faz para se sentir melhor nessas
ocasiões? __________ __
Alimentaçao: __________ __
Higiene:
08.0 que você acha que sao as Regras? _ ---
-09.Já fez algum tratamento para descer as
PARTE 111: EXAME F
í
SICONome: ____________ _ R.G.: ___ _ Ficha Família: ___ _
Sinais viais
T: --- PA: ___ _
Cabeça/pescoço (gânglios, dor, tumoração):
Mamas
Aspeto da pele: _ � _______ _
Dor. _____________ __
Nódulos: ____________ _
Secreção: ____________ _
Outras alterações: _________ _
Autoexame de mamas
Conhecimento, époa do ciclo, mamilos: _
Abdômen : __________ __
Sistema geniturinário
Queixas:
( ) Cistocele ( ) Disúria
( ) I ntercorências
( ) Retocele ( ) POlaciúria
( ) Outros
Quais: _____________ _
Paredes vaginais: _________ _
Secreçes
Aspedo: _____ � ______ _ Quantidade: ____ �--____ _
dor: _____________ _
Cor: ______________ _
Perineo ( ) Intego
( ) Roto - Grau de rotura: .-_____ _ Presença de lesões: ________ _
Colo
Características macroscópias: ____ _ Teste de Schiller
( ) Negativo ( ) Politivo
Impressão geal (postua quanto à paticipar na entevista): __________ _
Intercorrências gerais obsevadas: __ _
Conduta: ___________ _