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Miastenia grave: tratamento com timectomia, corticóide e plasmaferese.

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Academic year: 2017

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MIASTENIA GRAVE

T R A T A M E N T O COM T I M E C T O M I A , C O R T I C Ó I D E E P L A S M A F E R E S E

ELZA DIAS-TOSTA * — RUBENS NELSON MORATO-FERNANDES **

R E S U M O — Após i n t r o d u ç ã o s o b r e a e t i o p a t o g e n i a d a m i a s t e n i a g r a v e e d i v e r g ê n c i a s q u a n t o à s v á r i a s m o d a l i d a d e s t e r a p ê u t i c a s , os a u t o r e s m o s t r a m os r e s u l t a d o s f a v o r á v e i s o b t i d o s com a t i m e c t o m i a i s o l a d a m e n t e (13 c a s o s ) : 15,3% com r e m i s s ã o c o m p l e t a (2 d e 13), 46,15% com m e l h o r a i m p o r t a n t e (6 c a s o s ) , 30,7% com m e l h o r a d e a p e n a s u m g r a u n a e s c a l a d e a t i v i d a d e (4 c a s o s ) . A a s s o c i a ç ã o d e c o r t i c o s t e r ó i d e e / o u p l a s m a f e r e s e elevou p a r a 14,8% a r e m i s s ã o (4 d o t o t a l d e 27 c a s o s ) ; 74% a p r e s e n t a r a m m e l h o r a (20 c a s o s ) , 7,4%, p i o r a (dois c a s o s ) e u m c a s o n ã o a p r e s e n t o u r e s p o s t a à s d i f e r e n t e s t e r a p ê u t i c a s . N a s u a c a s u í s t i c a m o s t r a m a i n d a q u e a c o r t i c o t e r a p i a d e v e e n t r a r como t e r a p ê u t i c a d e s e g u n d a l i n h a , d e v i d o a s e u s efeitos c o l a t e r a i s e à d i f i c u l d a d e n a r e s t i r a d a ; a p o n t a m a p l a s m a f e r e s e como t r a t a -m e n t o d a e -m e r g ê n c i a -m i a s t ê n i c a . F a z e -m a i n d a r e v i s ã o d a l i t e r a t u r a q u a n t o a o u s o d e o u t r o s i m u n o s s u p r e s s o r e s n ã o e s t e r ó i d e s .

Myasthenia g r a v i s : thymectomy, corticosteroid and plasmapheresis therapy.

SUMMARY — T h i s p a p e r r e v i e w s a 12 y e a r e x p e r i e n c e w i t h m y a s t h e n i a g r a v i s m a n a g e m e n t ( s u r g i c a l a n d d r u g t h e r a p y ) . A t o t a l of 27 p a t i e n t s w e r e s u b m i t t e d t o t h y m e c t o m y , a n d 12 o u t of 13 s h o w e d f a i r l y good r e s u l t s w i t h t h i s o n l y f o r m of t h e r a p y (15.3% w i t h c o m p l e t e r e m i s s i o n , 46.15% w i t h m a r k e d i m p r o v e m e n t a n d 30.7% w i t h m o d e r a t e i m p r o v e m e n t ) . T h e o t h e r 14 need e i t h e r a c o m b i n a t i o n of s u r g e r y a n d p l a s m a p h e r e s i s o r c o r t i c o s t e r o i d s w i t h t h e c u m m u l a t i v e r e s u l t s of: 14.8% of r e m i s s i o n (4 o u t of 27), 74% of i m p r o v e m e n t (20 o u t of 27), 7.4% of w o r s e n i n g (2 o u t of 27) a n d 3.7% w i t h o u t c h a n g e (1 o u t of 27). T w o o t h e r p a t i e n t s n o t s u b m i t t e d to s u r g e r y s h o w e d e i t h e r a s t a b l e s t a t e ot t h e i r s y m p t o m s o r a m i l d l y w o r s e n i n g . A n o t h e r e i g h t p a t i e n t s n o t s u b m i t t e d t o s u r g e r y could n o t b e hollowed u p . T h e a u t h o r s a l s o c o n c l u d e b y t h e v a l i d i t y of t h e u s e of p l a s m a p h e r e s i s i n m y a s t h e n i c c r i s e s l e a d i n g t o a t r a n s i e n t relief of t h e s y m p t o m s a n d s u g g e s t t h e u s e of c o r t i c o s t e r o i d s a s a second choice, d u e t o t h e i r u n d e s i r a b l e s i d e effects a n d difficulty i n t h e i r r e d u c t i o n a n d e l i m i n a t i o n w i t h o u t w o r s e n i n g t h e s y m p t o m s . O t h e r i m m u n o s u p p r e s s i v e d r u g s could b e u s e d in c a s e s in w h i c h t h o s e a b o v e cited t h e r a p i e s s h o w e d u n s u i t a b l e r e s u l t s .

A miastenia grave (MG) é patologia pouco freqüente ocorrendo numa incidência de 0 , 4 / 1 0 0 0 0 01 3

>2 2

, cujo quadro clínico já está bem definido, sendo s u a s características principais a oftalmoplegia, acometimento de musculatura proximal e bulbar, com flu-tuações e fatigabilidade importantes. O conhecimento de sua fisiopatologia, mostrando que está relacionada à presença de anticorpos anti-receptor de acetileolina na porção pós-sináptica da placa mioneural, é devido aos trabalhos pioneiros de Engel 8. Entre-tanto, ainda não se conseguiu estabelecer correlação estreita entre níveis de anticorpos circulantes e gravidade da doença. Quanto ao papel do timo na etiopatogenia da doença, Lisak e Barchi 14 citam a presença de antígeno no timo comum ao músculo, a presença de receptores de acetileolina, a presença de células no timo capazes de

U n i d a d e d e N e u r o l o g i a d o H o s p i t a l d e B a s e d o D i s t r i t o F e d e r a l ( H B D F ) : * M é d i c a N e u r o l o g i s t a , a t u a l m e n t e n o H o s p i t a l d e D o e n ç a s d o A p a r e l h o L o c o m o t o r ( H D A D / S A R A H ; ** Médico N e u r o l o g i s t a .

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produção de anticorpos contra receptores de acetilcolina que, portanto, sugerem

pato-logia intra-tímica. Haynes e c o l . n mostram que nos casos de timo atrófico ocorrem

mudanças no número de linfócitos T e sugerem que o timo atrófico produziria fator

responsável por essas mudanças ligadas ao nível de cortisol plasmático. É por isto

que o estudo da MG continua fascinante.havendo ainda outros fatos de difícil

expli-cação como a presença de timoma com sintomas miastênicos precedendo a descoberta

do tumor, timoma sem miastenia e finalmente o aparecimento de miastenia grave anos

após a retirada do tumor mediastinal, histológicamente provado tratar-se de

timo-ma 17.19. Com tal variedade de comportamento, é natural que surjam controvérsias

quanto à melhor forma de tratamento dessa patologia. Alguns autores 3,17,26,27 são

enfáticos em indicar a timectomia precoce, enquanto outros i relatam resultados

seme-lhantes nas duas condutas (cirúrgica e conservadora), quando afirmam que 'houve

influência da terapêutica na resposta clínica a curto e longo prazos nos pacientes

timectomizados e a longo prazo nos pacientes submetidos a tratamento conservador'.

Outros ainda levantam dúvidas sobre a efetividade da terapêutica cirúrgica,

consi-derando que as melhoras observadas seriam dependentes de flutuações espontâneas 16,36.

A este ponto de vista contrapõem-se Scadding e c o l .

2 6

, que mostram a baixa taxa

de remissão espontânea e a sua curta duração em casos não tratados.

Acreditamos, pois, oportuno relatar a experiência adquirida nestes 12 anos no

tratamento de pacientes com MG no HBDF e na clínica particular de um dos autores,

analisando o s resultados obtidos com tratamento cirúrgico, anticolinesterásicos,

corti-costeróides e plasmaferese, sendo desejável a publicação de maior número de

resul-tados de grupos estudiosos de MG, somando-se experiências para a solução de tão

grave problema.

C A S U Í S T I C A E M É T O D O S

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F o r a m r e a l i z a d o s e x a m e s l a b o r a t o r i a i s t a m b é m p a r a a verificação d a p r e s e n ç a de d o e n ç a s a s s o c i a d a s , como a s t i r e o i d e a n a s , do colágeno e o u t r a s ; os a c h a d o s são a p r e s e n t a d o s n a t a b e l a 2.

O t e m p o de s e g u i m e n t o v a r i o u de, d o i s m e s e s a 12 a n o s . P a r a c a d a m o d a l i d a d e t e r a -p ê u t i c a e s t u d o u - s e a r e s -p o s t a c o n s i d e r a n d o - s e t r ê s fases -p ó s - t i m e c t o m i a : a c u r t o -p r a z o — a t é u m a n o d e a c o m p a n h a m e n t o ; a m é d i o p r a z o — d e u m a d o i s a n o s d e a c o m p a n h a m e n t o ; a l o n g o p r a z o — a c i m a d e d o i s a n o s de a c o m p a n h a m e n t o . F o i a n a l i s a d a a i n d a a r e s p o s t a o b t i d a ao t r a t a m e n t o clínico p r é c i r ú r g i c o e foi r e a l i z a d o e s t u d o c o m p a r a t i v o dos n o s s o s r e s u l -t a d o s com os q u e e s -t ã o c i -t a d o s n a l i -t e r a -t u r a . A i n -t r o d u ç ã o de p r e d n i s o n a foi p r o g r e s s i v a a t é u m a dose m á x i m a q u e v a r i o u d e 70-100mg d i a r i a m e n t e , e em 4 casos ( I I B - 4 , I I B - 8 , I I B 9 , V3) e m p r e g o u s e a t é a dose d e 120150mg em d i a s a l t e r n a d o s . A d u r a ç ã o do t r a t a -m e n t o co-m o corticóide v a r i o u de dois -m e s e s a t r ê s a n o s d e s d e s u a i n t r o d u ç ã o a t é s u a r e t i r a d a ( n a q u e l e s casos em q u e se c o n s e g u i u s u s p e n d e r ) . A p l a s m a f e r e s e v a r i o u de 7-10 sessões, s e n d o t r o c a d o u m v o l u m e de lOOOml em c a d a s e s s ã o .

R E S U L T A D O S

A f a i x a e t á r i a em q u e se o b s e r v a m a i o r c o n c e n t r a ç ã o d e p a c i e n t e s coincide à c i t a d a n a l i t e r a t u r a : m é d i a de i d a d e de 26 a n o s p a r a o sexo f e m i n i n o (29,30), ou seja, h o u v e p r e d o m í n i o n a f a i x a e t á r i a d e 21-30 a n o s p a r a o s e x o f e m i n i n o ; p a r a o s e x o m a s c u l i n o , o b s e r v a m o s p r e d o m í n i o n a f a i x a d e 61-70 a n o s ( F i g . 1). N o s s o s r e s u l t a d o s q u a n t o à s dife-r e n t e s m o d a l i d a d e s t e dife-r a p ê u t i c a s e s t ã o dife-r e l a c i o n a d o s g l o b a l m e n t e n a s t a b e l a s 3 e 4 : 27 p a c i e n t e s s u b m e t i d o s a t i m e c t o m i a e 10 q u e r e c e b e r a m a p e n a s t r a t a m e n t o clínico.

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IIB-13, I I B - 1 4 ) . Os r e s u l t a d o s a l o n g o p r a z o dos 7 p a c i e n t e s c i t a d o s f o r a m d e r e m i s s ã o c o m p l e t a em u m caso (IIB-15) e de m e l h o r a em 6, evoluindo n a escala d e a t i v i d a d e de vida n o r m a l com esforço, p a r a v i d a n o r m a l com s i n a i s m í n i m o s de d o e n ç a (IIA-6) ou e v o l u í r a m a t é d o i s p o n t o s o u m a i s n a e s c a l a d e a t i v i d a d e (5 casos r e s t a n t e s ) , ficando 4 em e s c a l a d e a t i v i d a d e 7 e u m , em escala d e a t i v i d a d e 6. A n a l i s a n d o a m é d i o p r a z o t a m b é m o b s e r v a m o s m e l h o r a i m p o r t a n t e em u m caso ( I I B - 1 0 ) , q u e p a s s o u d a e s c a l a de a t i v i d a d e 4 p a r a 6 e, depois, p a r a 7. F i n a l m e n t e , a c u r t o p r a z o , t i v e m o s 5 casos, t e n d o h a v i d o : u m a r e m i s s ã o (IIA4) em p a c i e n t e q u e ao s e r e x a m i n a d o i n i c i a l m e n t e e s t a v a em escala de a t i v i -d a -d e 6 e t r ê s casos q u e o b t i v e r a m m e l h o r a (IIA-10, IIB-13, I I B - 1 4 ) . H o u v e u m p a c i e n t e (IIA-5) q u e , ao s e r r e a v a l i a d o 10 m e s e s a p ó s , a p r e s e n t o u p i o r a do q u a d r o (de e s c a l a d e a t i v i d a d e 7 p a r a 6). P a r a os 13 p a c i e n t e s s u b m e t i d o s a c i r u r g i a , os r e s u l t a d o s f o r a m os s e g u i n t e s , p o r t a n t o : 10 m e l h o r a s (seis a l o n g o p r a z o , u m a m é d i o p r a z o e t r ê s a c u r t o p r a z o de o b s e r v a ç ã o ) , d o i s casos de r e m i s s ã o (IIB-15 l o n g o p r a z o , IIA-4 c u r t o p r a z o ) e um caso de p i o r a ( I I A - 5 ) .

Os r e s u l t a d o s , com t r a t a m e n t o clínico a p e n a s , f i c a r a m p r e j u d i c a d o s p o r f a l t a de s e g u i -m e n t o ( v o l t a r a -m à s c i d a d e s d e o r i g e -m e p e r d e -m o s o c o n t a t o ) . A c o -m p a n h a -m o s dois c a s o s : u m do g r u p o I (1-1), q u e p e r m a n e c e u e s t a c i o n á r i o a t é q u a n d o se fechou o t e m p o d e inclusão no t r a b a l h o ; o u t r o , do g r u p o V (V-6), q u e t a m b é m se m a n t é m e s t a c i o n á r i o m a s com g r a v e s limitações, a d v i n d a s do a c o m e t i m e n t o d a m u s c u l a t u r a b u l b a r .

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longo p r a z o , u m a r e m i s s ã o (IIB-1) e d u a s m e l h o r a s (IIB-11, IV-1) e m a i s d u a s m e l h o r a s , a m é d i o p r a z o (1-3, V-7). Deve-se r e s s a l t a r q u e o c a s o I I B - 1 , q u e o b t e v e r e m i s s ã o a l o n g o prazo, n ã o se beneficiou d a p l a s m a f e r e s e s u g e r i n d o - s e , p o r t a n t o , q u e t a l evolução se deva à c i r u r g i a . O p a c i e n t e V7 q u e teve p i o r a no a c o m p a n h a m e n t o p r é o p e r a t ó r i o com a p l a s m a ferese, voltou a o e s t á g i o inicial, foi o p e r a d o e o b t e v e m e l h o r a com d o i s a n o s de a c o m p a -n h a m e -n t o .

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(7)

E s c a l a de E s c a l a de

Classificação T e m p o d e a t i v i d a d e a t i v i d a d e a p ó s T e m p o de clínica Caso d o e n ç a n o início t i m e c t o m i a t r a t a m e n t o

I I A 4 lOm 6 8 8m

5 9a 7 6 10m

6 13m 6 7 2a 6m

10 17a 6 7 3m

I I B 2 13m 4 6 10a 9m

5 7m 4 7 2a 3m

10 l a 2m 4 6 p / 7 2a

12 2a 4 8 P / 7 4a 6m

13 13m 5 6 2m

14 2a 5 6 l m

15 2m 5 8 2a 2m

V 1 9m 4 8 p / 7 2a 7m

4 7m 4 6 P / 7 12a

Tabela 5 — Pacientes com miastenia grave submetidos só a timectomia: 13 casos.

E s c a l a de E s c a l a de E s c a l a de Classifi- T e m p o E s c a l a de a t i v i d a d e com a t i v i d a d e a t i v i d a d e com

cação de a t i v i d a d e p l a s m a f e r e s e com p l a s m a f e r e s e T e m p o d e clínica Caso d o e n ç a no início p r é t i m e c t o m i a p ó s t r a t a m e n t o

I 3 5m 6 2 7 l a l m

I I B 1 4m 4 4 8 5a

4 2a 4m 4 5 5 l a 3m*

11 13a 4 5 p / 4 6 11a

IV 1 2m 1 4 4 7 p / 6** 2a 2m

V 2 l a 2m 3 4 7 l a 9m*

5 l a l l m 3 3 8

2a l m *

7 6m 5* * * 5 6 l a 9m

Tabela 6 — Pacientes submetidos a timectomia-{-plasmaferese: 8 i casos. *, usaram corticóide ; * *, realizou plasmaferese duas vezes; piorou com a evolução.

E s c a l a de E s c a l a d e E s c a l a de Classifi- T e m p o E s c a l a de a t i v i d a d e com a t i v i d a d e a t i v i d a d e com

c a ç ã o d e atividiade c o r t i c ó i d e após T e m p o de c o r t i c ó i d e clínica Caso d o e n ç a n o início p r é t i m e c t o m i a t r a t a m e n t o pós

I 2 10a 9m 5 — 5 6a lOm 7

I I B 4 2a 4m 4 7 5 l a 3m 7 p / 8

6 l a 2m 4 6 6 7m 6

7 l a 8m 3 3 5 2a l m

8 6rn 4 5 5a 3m 6 p / 5

9 8m 4 — 8 P / 5 4a 6

V 2 l a 2m 3 3 7 l a 9m

O 7m 3 3 6 2a 7

5 l a l l m 3 7 8 2a l m

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1IB-9). A m é d i o p r a z o , u m p a c i e n t e c h e g o u a t e r r e m i s s ã o m a s voltou a p r e c i s a r do a n t i c o l i n e s t e r á s i c o ficando classificado como m e l h o r a ( I I B - 4 ) , dois o u t r o s com m e l h o r a (V-2,

V-3) e, a c u r t o p r a z o , u m a m e l h o r a ( I I B - 6 ) . E s t e ú l t i m o caso v o l t o u à s u a c i d a d e d e o r i g e m o n d e a p r e s e n t o u f l u t u a ç õ e s i m p o r t a n t e s , c h e g a n d o a p a r a d a r e s p i r a t ó r i a e n e c e s s i d a d e de t r a q u e o s t o m i a p o r t r ê s m e s e s ; t i v e m o s n o t í c i a s dele r e c e n t e m e n t e (após fechado o p r a z o de i n c l u s ã o no t r a b a l h o ) , a i n d a se e n c o n t r a n d o com corticóide (acima de dois a n o s de p ó s - o p e r a t ó r i o ) . Q u a n t o aos efeitos c o l a t e r a i s do m e d i c a m e n t o f o r a m e n c o n t r a d o s C u s h i n g , acne, a m e n o r r é i a , ú l c e r a péptica, g a s t r i t e , c a t a r a t a , p o r o s e ó s s e a em f a l a n g e s , d i a b e t e s , a r t r a l -gias em g r a n d e s a r t i c u l a ç õ e s , f r a g i l i d a d e c a p i l a r , t e l a n g i e c t a s i a s , e d e m a d e m e m b r o s infe-r i o infe-r e s ( T a b e l a 8).

Ê n e c e s s á r i o s a l i e n t a r q u e u m p a c i e n t e s u b m e t e u - s e a t i m e c t o m i a e i r r a d i a ç ã o por t i m o m a n ã o i n v a s i v o (IIB-15) e e s t á com r e m i s s ã o d a doença, com dois a n o s e dois m e s e s de a c o m p a n h a m e n t o . O o u t r o caso de t i m o m a s u b m e t i d o a i r r a d i a ç ã o m e l h o r o u e c h e g o u à r e m i s s ã o no p r a z o de t r ê s a n o s , voltou a p i o r a r , teve q u e u s a r c o r t i c o s t e r ó i d e s em d o s e s a l t a s com r e l a t i v a m e l h o r a e, s o u b e m o s , faleceu de i n f a r t o de m i o c á r d i o , complicação esta talvez d e v i d a ao uso p r o l o n g a d o do c o r t i c o s t e r ó i d e (4 a n o s a p ó s t i m e c t o m i a ) . T i v e m o s c o n h e c i m e n t o de u m óbito o c o r r i d o d u r a n t e o a t o c i r ú r g i c o p o r m a s s a m e d i a s t i n a l com m i a s t e n i a g r a v e , p o r é m este caso n ã o e s t á incluído n e s t e e s t u d o p o r insuficiência d e d a d o s .

O e s t u d o a n á t o m o - p a t o l ó g i c o do t i m o revelou n í t i d a p r e d o m i n â n c i a de h i p e r p l a s i a (19 c a s o s ) , s e g u i d a do a c h a d o de a t r o f i a em t r ê s casos, h i p e r t r o f i a em dois e t i m o m a em dois casos.

C O M E N T Á R I O S

Em relação às doenças associadas à miastenia grave, conforme se mostra na

tabela 2, nossos dados repetem os da literatura 1.14,36, ressaltando-se a presença de

grande número de endocrinopatias. Algumas associações foram consideradas fortuitas

como enxaqueca e convulsões, pela sua alta incidência na população em geral, e

hemor-ragia subaracnóidea, por ter ocorrido uma única vez. Devemos, no entanto, chamar

a atenção para a presença de imunopatias associadas em nossa casuística de MG,

como tireoidite de Hashimoto, púrpura trombocitopênica e dados laboratoriais de

alte-ração de globulinas e imunoglobulinas.

Pudemos observar, na análise de nossos resultados (Tabela 9 ) , que pacientes do

grupo 11A, 11B e V obtiveram beneficios com o tratamento cirúrgico. A análise a longo

prazo mostrou que 7 dos pacientes submetidos somente a timectomia tiveram melhora

importante (remissão ou subida de mais de um grau na escala de atividade) e, a este

dado, poderia ainda se acrescentar o de um paciente que melhorou apenas um ponto

na escala. A este grupo temos ainda que adicionar aqueles que tiveram melhora

a médio e curto prazos e que ainda não tiveram acompanhamento suficiente para

serem incluídos entre os observados a longo prazo. Podemos, agora, comparar nossos

resultados com os de Scadding e c o l .

2 6

(9)
(10)

terem sido incluídos formas mais graves da doença, conforme os autores salientam,

houve taxa de remissão de 31,5%. Ressalta-se ainda, no grupo não operado, taxa

de piora elevada a quem então foi oferecido o tratamento com corticosteróides.

Final-mente, gostaríamos de salientar os dados de Buckingham e col.3 que, em estudo

retros-pectivo porém pareado para sexo, idade, gravidade de doença (de 563 pacientes, 104

foram timectomizados e, destes, apenas 80 foram incluídos para atender às exigências

de parear com 80 não operados) encontraram: remissão completa em 27 pacientes

cirúrgicos e em 6 casos clínicos; melhora em 26 cirúrgicos em comparação com 13

medicamentosos. Ainda a sobrevivência a longo prazo era maior entre os pacientes

operados (11 óbitos em comparação com 3 4 ) .

Ao analisar o tratamento com corticosteróides isoladamente, valemo-nos do estudo

de Pascuzzi e c o l .

2 3

que, tratando 116 pacientes, observaram remissão em 2 7 ( 6 % ) ,

bons resultados em 52,6% e maus em 19,8%, sendo que tiveram de indicar a

timec-tomia posteriormente em 51 pacientes dos 93 considerados como tendo resposta

satis-fatória à prednisona. Interessante assinalar que destes, 11 tinham timoma, dos quais

10 obtiveram melhora. Outro estudo relativo à eficácia do corticosteróide é o de

Sghirlanzoni e col.

2

8, que também obtiveram índice de melhora de 92% com o

trata-mento crônico de corticosteróide. Em ambos, porém, os autores são unânimes em

afirmar que os efeitos colaterais do medicamento estão longe de serem desprezíveis.

Nossos resultados mostram que tanto a timectomia como os corticosteróides têm lugar

no manejo terapêutico da MG, restando portanto caracterizar esse lugar. Pela análise

de nossos resultados e dos dados da literatura 5,6,14,23,27,28 sugerimos não usar o

corti-costeróide de rotina no pré-operatório devido não só aos efeitos colaterais, conforme

ocorreu principalmente com os casos V-5, I1B-4, IIB-8, mas principalmente pela

difi-culdade de retirada posterior, sendo, no entanto, recomendado em casos de restrição

importante da função respiratória que não melhora com a plasmaferese e

anticolines-terásicos, como nosso paciente V-5. Esta observação também é válida para o

pós-ope-ratório, sendo no entanto o emprego desta droga aceito naqueles casos em que o

paciente não consegue manter uma vida social e / o u economicamente ativa, mesmo

que seja a miastenia considerada ocular pura (caso 1-2, cuja ptose severa prejudicava

seus estudos).

Tivemos poucos casos analisados que foram submetidos à plasmaferese. No

entanto, desde que Pinching e col.

2

* publicaram os primeiros resultados do tratamento

de pacientes miastênicos com a plasmaferese, muitos outros grupos adotaram a

técnica 4,12,20

e

mostraram o efeito transitório da plasmaferese sobre as proteínas

séricas e anticorpos anti-receptor de acetilcolina. Ainda que o nível de anticorpos

circulantes anti-receptor de acetilcolina não seja estreitamente correlacionado à

gravi-dade da doença 35

)

observa-se que ocorrem remissões temporárias da miastenia após

plasmaferese e sua indicação primeira é, pois, a de tirar o paciente de crises

miastê-nicas. Afirma Matell 15 que, após o uso dessa técnica, não houve necessidade de se

lançar mão de traqueostomia nos últimos três anos em sua clínica de Estocolmo.

Como este autor, indicamos a plasmaferese para crises miastênicas e, também, a

con-sideramos como primeira escolha no pré-operatório de pacientes com diminuição

importante da capacidade vital ( 5 0 % ) , o que também preconizam Spence e c o l .

3 2

. Caso

não observemos resposta a esta medida terapêutica, então recorremos ao

corticos-teróide. Indicamos a plasmaferese também nos casos de piora no pós-operatório,

enquanto se aguarda o tempo preconizado (dois anos) para melhora com a timectomia,

o que se observou em três de quatro pacientes de nossa casuística, tendo sido já

relatados casos de remissão Drolongada após essa modalidade terapêutica 35.

Em nosso estudo, não tivemos qualquer caso em que se empregou

imunossu-pressor não-esteróide, porém é mostrado na literatura que estes medicamentos têm

suas indicações específicas e, também, muitas limitações. Afirmam os a u t o r e s

2 1

(11)

A utilização de timectomia como primeira escolha é advogada nas formas de miastenia predominantemente ocular, pela possibilidade de generalização posterior, para evitar o uso prolongado de anticolinesterásicos, cuja potencialidade de agravamento da lesão de placa mioneural foi demonstrada em animais 1 8 e sugerida em humanos 2

§ e, finalmente, pela possibilidade da existência de timomas sem expressão radiológica, porém constatados histologicamente 2 7 . pel a análise da relação risco x beneficio con-cluímos pela indicação da timectomia como primeira escolha, secundada pelos corti-costeróides e, posteriormente, outros imunossupressores. A plasmaferese, de validade temporária está indicada apenas como medida de urgência.

Ficamos, pois, aguardando melhor conhecimento da etiopatogenia da doença para que, com sua utilização, se disponha de tratamento de base científica adequada, como nos parece a proposição do uso de anticorpos anti-idiotípicos, já indicado em base experimental em animais 3 1 .

A g r a d e c i m e n t o s — Os a u t o r e s d e s e j a m e x p r e s s a r s e u s a g r a d e c i m e n t o s a t o d a a e q u i p e de N e u r o l o g i a do H B D F e d e N e u r o f i s i o l o g i a d o H D A L / S A R A H e H B D F , q u e p e r m i t i u a r e a l i -zação d e s t e e s t u d o , a o s r e s p o n s á v e i s p e l a C i r u r g i a s o b a o r i e n t a ç ã o d o D r . Manoel X i m e n e s N e t o e d e P l a s m a f e r e s e ( D r . Cid L . Vale e D r a . J u s s a r a S. O l i v e i r a ) .

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