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Aspectos neurológicos e eletrencefalográficos da toxoplasmose.

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Academic year: 2017

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ASPECTOS NEUROLÓGICOS E ELETRENCEFALOGRÁFICOS DA

TOXOPLASMOSE

ADHEMAR M . FIORILLO * JORGE ARMBRUST FIGUEIREDO * *

R U B E N S MOURA R I B E I R O * * *

Desde 1937, quando Wolf e Cowen

1 8

demonstraram a ocorrência da

to-xoplasmose na espécie humana, numeroso grupo de investigadores,

consti-tuído principalmente por obstetras e pediatras, passou a se interessar pelo

problema, em razão de natureza predominante congênita da moléstia.

En-tretanto, a forma tardia da toxoplasmose com acometimento visceral,

mus-cular, ocular e do sistema nervoso, evidencia em geral um quadro clínico

discreto ou, na maioria das vêzes, assintomático

12, 1 5

. N o que diz

respei-to ao sistema nervoso, a dificuldade do diagnóstico da respei-toxoplasmose,

decor-rente da impossibilidade de se demonstrar in vivo o comprometimento

cere-bral dos pacientes, torna necessária a utilização dos exames subsidiários

com intuito de obter apoio mais objetivo à suspeita clínica.

A oportunidade que tivemos de observar os aspectos neurológicos em

um grupo de pacientes com toxoplasmose, permitiu-nos realizar um estudo

descritivo e assinalar de maneira objetiva as alterações verificadas.

M A T E R I A L E M É T O D O S

O m a t e r i a l c o n s t a de 30 p a c i e n t e s c o m t o x o p l a s m o s e , c o m p r o v a d a p e l a p r e s e n ç a de c o r i o r r e t i n i t e e p e l a p o s i t i v i d a d e da r e a ç ã o S a b i n F e l d m a n . N o q u a d r o 1 f i g u r a m os d a d o s r e l a t i v o s à i d e n t i d a d e , s e x o e i d a d e dos p a c i e n t e s , a s s i m c o m o os r e -s u l t a d o -s da r e a ç ã o d e S a b i n - F e l d m a n cujo-s t í t u l o -s v a r i a r a m d e 1/64 a t é 1/8000.

C o m p l e m e n t a n d o os e x a m e s c l í n i c o s e n e u r o l ó g i c o s f o r a m f e i t a s r a d i o g r a f i a s do t ó r a x e do c r â n i o , e x a m e d o l í q u i d o c e f a l o r r a q u e a n o e e l e t r e n c e f a l o g r a m a . A s r e a ç õ e s s o r o l ó g i c a s d e W a s s e r m a n n , de M a c h a d o G u e r r e i r o e de f i x a ç ã o d e c o m p l e -m e n t o p a r a b r u c e l o s e f o r a -m n e g a t i v a s e -m t o d o s os casos.

R E S U L T A D O S

O e x a m e de l í q u i d o c e f a l o r r a q u e a n o f o i n e g a t i v o e m t o d o s os casos. O e x a m e r a d i o l ó g i c o m o s t r o u c a l c i f i c a ç õ e s i n t r a c r a n i a n a s e m 3 ( c a s o s 1, 2 e 7 ) . O e x a m e n e u r o l ó g i c o n a d a m o s t r o u e m 25 c a s o s ; e m 4 casos ( 8 , 11, 16 e 2 4 ) h a v i a e s t r a b i s

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m o e, e m u m ( c a s o 4 ) , foi a s s i n a l a d a d i m i n u i ç ã o d o r e f l e x o c o r n e a n o à e s q u e r d a . N e n h u m p a c i e n t e a p r e s e n t a v a crises c o n v u l s i v a s . E n t r e t a n t o , e m 22 casos, o u seja 73,4%, f o r a m r e g i s t r a d a s a l t e r a ç õ e s e l e t r e n c e f a l o g r á f i c a s , d i s t r i b u í d a s da s e g u i n t e f o r m a : d i s r i t m i a p a r o x i s t i c a ( 1 4 casos, ou seja 4 6 , 6 % ) ; d e s o r g a n i z a ç ã o do r i t m o ( 6 casos, o u seja 2 0 % ) ; a s s i m e t r i a de r i t m o ( 5 casos, ou seja 1 6 , 6 % ) . A s o m a dos r e s u l t a d o s e l e t r e n c e f a l o g r á f i c o s p a r c e l a d o s u l t r a p a s s a o v a l o r t o t a l e m v i r t u d e de u m m e s m o t r a ç a d o e v i d e n c i a r m a i s d e u m t i p o de a l t e r a ç ã o .

C O M E N T Á R I O S

Analisando os resultados dos exames neurológicos e liquóricos,

verifica-mos que pràticamente são nulos os dados patológicos. Por outro lado, os

registros eletrencefalográficos mostraram alterações em 73,4% dos casos,

percentagem bem maior que a usual em população normal

4, 5, 1 3

.

Portanto, o EEG dos pacientes com toxoplasmose é um método

semio-lógico útil, já que os achados neurosemio-lógicos são bastante precários e o estudo

radiológico do crânio nem sempre mostra calcificações cerebrais patológicas

2

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Considerando apenas os resultados eletrencefalográficos, são evidentes

os sinais de comprometimento cerebral observados em nossos pacientes em

virtude da alta incidência de alteração no ritmo de base.

Comparando nossos achados com os de Thiry

1 6

, Lelong e col.

8

, que

ana-lisaram os EEG de pacientes portadores de toxoplasmose adquirida,

regis-tramos as mesmas alterações assinaladas por aquêles autores e que são

sugestivas de processo lesional cerebral. Portanto, a presença de disritmia

paroxística e de desorganização do ritmo de base em elevada percentagem

em nossos pacientes, poderia constituir a única seqüela de um quadro me¬

ningo-encefalítico tão comum nesses pacientes

3, 6, 7, 9, 10, 11, 14, 17, 1 9

.

Os estudos eletrencefalográficos nos pacientes com toxoplasmose são

ainda pouco numerosos e é nosso intuito valorizar oportunamente a utilidade

do registro eletrencefalográfico nos casos com reação de Sabin-Feldman

significativamente positiva.

R E S U M O

Foram estudados do ponto de vista neurológico 30 pacientes portadores

de coriorretinite e com reação de Sabin-Feldman positiva para

toxoplasmo-se: não foram encontradas alterações de importância nos exames

neuroló-gicos; em três casos o exame radiológico mostrou calcificações

intracrania-nas; em todos os casos foi normal o exame de líquido cefalorraqueano.

A análise dos registros eletrencefalográficos evidenciou, entretanto, a

presença de anormalidades em 73,4% dos casos (disritmias paroxísticas,

de-sorganização do ritmo de base e assimetria entre a atividade elétrica dos

hemisférios cerebrais). O EEG é, portanto, um método útil para a

demons-tração de alterações cerebrais nos pacientes com toxoplasmose.

S U M M A R Y

Neurologic and electroencephalographic aspects of toxoplasmosis.

Thirty patients with chorioretinitis and positive Sabin-Feldman dye

test were studied concerning their neurologic aspects. There were no

strik-ing abnormalities in neurologic examination and skull X-rays. Otherwise

electroencephalographic studies indicate that 73.4% of the 30 patients showed

some degree of abnormalities. The most frequent changes consisted of

paroxysmal sharp waves patterns, diffuse desorganization changes and

as-symetrical brain waves activities. I t should be emphasized the high

in-cidence of electroencephalographic abnormalities in patients with

toxo-plasmosis.

R E F E R Ê N C I A S

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d e a l g u n a s c a r a c t e r i s t i c a s de l a a f e c c i ó n . A c t a N e u r o l . L a t i n o a m e r . , 6:257-288, 1960. 2. D Y K E , C. G.; W O L F , A . ; C O W E N , D . ; P A I G E , B . H . e C A F F E Y , J. — T o x o p l a s m i c e n c e p h a l o m y e l i t i s : V I I I . S i g n i f i c a n c e o f r o e n t g e n o g r a p h i c f i n d i n g s in t h e d i a g -nosis o f i n f a n t i l e o r c o n g e n i t a l t o x o p l a s m o s i s . A m . J. R o e n t g e n o l . , 47:830-841, 1962. 3. E I C K E - W E R N E R , J. — T o x o p l a s m o s e E n z e p h a l i t i s . N e r v e n a r z t 25:387-388, 1954. 4. G I B B S , F . A . ; G I B B S , E. L . e L E N N O X , W . C. — E l e c t r o e n c e p h a l o g r a p h i c c l a s -s i f i c a t i o n o f e p i l e p t i c p a t i e n t -s and c o n t r o l -s u b j e c t -s . A r c h . N e u r o l , a. P -s y c h i a t . , 5 0 : 111128, 1843. 5. G I B B S , F . A . ; G I B B S , E. L . e L E N N O X , W . C. — E l e c t r o e n c e p h a l o -g r a p h i c r e s p o n s e t o o v e r v e n t i l a t i o n a n d its r e l a t i o n a -g e . J. P e d i a t . , 23:497-505, 1943. 6. H A F S T R O M , T . — T o x o p l a s m i c e n c e p h a l o p a t h y : a f o r m o f m e n i n g o - e n c e ¬ p h a l o - m y e l i t i s in a d u l t t o x o p l a s m o s i s . A c t a P s y c h i a t . et N e u r o l . S c a n d i n a v . , 34: 310-321, 1959. 7. K R E S T S C H M E R , W . e S C H M I D T , E. — K o m p l i z i e r t e p s y c h o s e b e i t o x o p l a s m o s i s e n z e p h a l i t i s . A r c h . P s y c h i a t . , 193:3847, 1955. 8. L E L O N G , M . ; B E R -N A R D , J.; D E M O -N T S , G. e C O U V R E U R , J. — L a t o x o p l a s m o s e a c q u i s e : é t u d e d e 227 o b s e r v a t i o n s . A r c h . F r a n c . P é d i a t . , 17:281331, 1960. 9. P A I N E , R . S. — E m e r -g e n c i e s o f c e r e b r a l o r i -g i n . P e d i a t . C l i n . N . A m e r . , 9:87, 1962. 10. P I L L E R I , G. — B e i t r a g z u r p a t h o l o g i e d e r t o x o p l a s m a e n z e p h a l i t i s . M o n a t s s c h r . f. P s y c h i a t . u. N e u -r o l . , 127:250-272, 1954. 11. R E M I N G T O N , J. S.; J A C O B S , L . e K A U F M A N , H . E . — T o x o p l a s m o s i s in t h e a d u l t . N e w E n g l a n d J. M e d . , 262:180-186, 1960. 12. S A B I N , A . B . — T o x o p l a s m i c e n c e p h a l i t i s in c h i l d r e n . J A M A , 116:801-807, 1941. 13. S C H W A B , R . S. — E l e c t r o e n c e p h a l o g r a p h y in C l i n i c a l P r a c t i c e . W . B . S a u n d e r s C o . , P h i l a d e l phia, 1951. 14. S E X T O N , R . C ; E Y L E S , D . E. e D I L L M A N , R . E . — A d u l t t o x o -p l a s m o s i s . M e d i c i n e 14:366-377, 1953. 15. S U M , J. C. — A c q u i r e d t o x o -p l a s m o s i s . R e p o r t o f s e v e n cases w i t h s t r o n g l y p o s i t i v e s o r o l o g i c r e a c t i o n s . J A M A , 147:1641-1645, 1951. 16. T H I R Y , S. — É t u d e é l e c t r o c l i n i q u e d'un cas de t o x o p l a s m o s e . A c t a N e u r o l , et P s y c h i a t . B e l g . , 53:230-233, 1953. 17. W E T T I N G F E L D , R . F . ; R O W E , J. e E Y L E S , D . E. — T r e a t m e n t o f t o x o p l a s m o s i s w i t h p y r i m e t h a m i n e ( D a r a p r i m ) a n d t r i p l e s u l f o n a m i d e . A n n . I n s t . M e d . , 44:557-574, 1956. 18. W O L F , A . e C O W E N Jr., D . — G r a n u l o m a t o s e e n c e p h a l o m y e l i t i s d u e t o an E n c e p h a l i t o z o o n ( E n c e p h a l i t o z o i c e n c e p h a l o m y e l i t i s ) ; n e w p r o t o z o o n d i s e a s e o f m a n . B u l l . N e u r o l . I n s t . N e w Y o r k 6:306-371, 1939. 19. W O L H E I M , E. — Z u r K l i n ü k d e r E r w a c h s e n e n T o x o p l a s m o s e . M ü n c h e n . m e d . W c h n s c h r . , 94:194-199, 1952.

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