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Video-assisted roux-en-y hepaticojejunostomy.

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HEPATICOJEJUNOSTOMIA EM “Y” DE ROUX VIDEOASSISTIDA

VIDEO-ASSISTED ROUX-EN-Y HEPATICOJEJUNOSTOMY

Marcus Vinicius Dantas de Campos Martins, TCBC-RJ1 Djalma Ernesto Coelho Neto2 Ivan Drummond Filho, TCBC-RJ3

1. Cirurgião Geral do Hospital Municipal Lourenço Jorge-RJ.

2. Fellow em Endoscopia Digestiva da Universidade de Louisville-EUA. Residente da Cirurgia Geral do Hospital Munici-pal Lourenço Jorge-RJ.

3. Chefe da Cirurgia Geral do Hospital Municipal Lourenço Jorge-RJ.

Recebido em 16/2/2000

Aceito para publicação em 19/9/2000

Trabalho realizado no Hospital Municipal Lourenço Jorge — Rio de Janeiro-RJ.

Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões — Vol. 28 – no 2 — 153

INTRODUÇÃO

Inúmeras são as técnicas propostas para o tratamento da coledocolitíase. A anastomose biliodigestiva reserva-se para os casos de doença recorrente, cálculos de gran-des proporções, via biliar muito dilatada e associação de cálculo e estenose. O desenvolvimento das técnicas lapa-roscópicas nos permite atualmente, nesses casos, realizar tal operação por videolaparoscopia como no caso descri-to abaixo.

RELATO DO CASO

MS, feminino, 34 anos, com episódios repetidos de dor no hipocôndrio direito e diagnóstico ultra-sonográfico de colelitíase e coledocolitíase. Foi submetida à colangio-pancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) que iden-tificou uma via biliar bastante dilatada (mais de 2,0cm) com múltiplos cálculos em seu interior (Figura 1). Reali-zada papilotomia endoscópica e coledocolitotomia, sem no entanto conseguir o completo clareamento da via biliar. Indicado então, tratamento cirúrgico, sendo a proposta ini-cial a colecistectomia videolaparoscópica seguida de anas-tomose biliodigestiva também por essa via de acesso.

Em 16/12/99, sob anestesia geral, a paciente foi sub-metida a tratamento cirúrgico videolaparoscópico. Foram utilizados cinco trocartes, sendo quatro deles posicionados da forma convencional para a colecistectomia e um quinto trocarte de 10mm na região subcostal esquerda. Ao inventá-rio da cavidade pudemos observar vesícula biliar de paredes finas e, após a dissecção do pedículo biliar, identificamos ducto cístico fino e curto e canal colédoco de grandes pro-porções (Figura 2A). Abriu-se o ducto cístico e através de um cateter de peridural aí colocado foi realizada a colangi-ografia peroperatória. Esse exame mostrava uma via biliar dilatada contendo um cálculo grande em seu interior. Após tratamento do ducto e artéria cística e liberação parcial da

vesícula biliar de seu leito, procedeu-se coledocotomia am-pla e instrumentação com cateter biliar do tipo “Fogarty”, com retirada do cálculo aí presente (Figura 2B). Realizada então o coledocotomia transversal com fechamento do coto distal. Foi identificada por videolaparoscopia a alça jejunal desejada para a anastomose em “y”. A indisponibilidade de um grampeador linear cortante laparoscópico foi fator

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MARCUS VINICIUS DANTAS DE CAMPOS MARTINS E COLABORADORES

154 — Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões — Vol. 28 – no 2 sivo na opção de realizar a jejuno-jejunostomia de maneira

convencional. Ampliada a incisão do trocarte subcostal es-querdo por onde foi exteriorizada a alça escolhida. Após ligadura dos vasos do meso, executou-se a secção dessa alça com grampeador linear cortante seguida de jejuno-jejunos-tomia látero-lateral também com sutura mecânica. Recolo-cadas as alças para dentro da cavidade abdominal, a parede abdominal foi fechada nessa localização e refeito o pneu-mopeitônio. Foi realizada então a hepaticojejunostomia tér-mino-lateral com pontos separados de vicryl 3-0 por video-laparoscopia (Figura 2C e D). A seguir foi feita a colecistectomia e a drenagem de cavidade.

A paciente evoluiu sem maiores complicações, rece-bendo alta hospitalar no sétimo dia.

DISCUSSÃO

A atual abordagem da coledocolitíase é algo contro-versa. Inúmeras opções endoscópicas, laparoscópicas e la-parotômicas podem ser utilizadas. A definição exata de que terapêutica é mais adequada para cada caso individualiza-do é fundamental.

As grandes dilatações da via biliar, os cálculos gran-des, os cálculos recidivantes e a associação de cálculo com

estenose são as principais causas de falha no tratamento endoscópico. Nessas situações, o tratamento cirúrgico ain-da se impõe como melhor opção. O desenvolvimento ain-das técnicas laparoscópicas nos permite atualmente realizar as anastomoses biliodigestivas por essa técnica, reproduzin-do os mesmos resultareproduzin-dos da técnica aberta.

Dentre as anastomoses biliodigestivas, a mais comu-mente utilizada é a coledocoduodenostomia. Algumas sé-ries publicadas como a de Tinoco3, mostram a exeqüibili-dade do procedimento por via laparoscópica, tanto na doença litíasica como nas neoplasias de pâncreas. No en-tanto, esse tipo de anastomose látero-lateral, proporciona a formação de uma bolsa em fundo cego no colédoco termi-nal. O acúmulo, a longo prazo, de restos alimentares pro-porciona episódios infecciosos com colangite ascendente, entidade conhecida como sump syndrome.

Para evitar tal complicação, a opção de realizar a anastomose da via biliar com uma alça jejunal exclusa ga-nha importância, principalmente no doente jovem. No caso descrito, todo tempo cirúrgico relacionado à via biliar foi realizado pelo método laparoscópico. Porém, a jejuno-je-junostomia foi feita através de uma incisão subcostal es-querda de 5cm, uma vez que não havia a disponibilidade de grampeador linear cortante para laparoscopia, o que, sem dúvida, abreviou e simplificou o procedimento.

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HEPATICOJEJUNOSTOMIA EM “Y” DE ROUX VIDEOASSISTIDA

Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões — Vol. 28 – no 2 — 155

REFERÊNCIAS

1. Gurbuz AT, Watson D, Fenoglio ME. Laparoscopic chole-dochoduodenostomy. Am Surg 1999; 65(3): 212-4 2. De Aretxabala X, Bahamondes JC.

Choledochoduodenos-tomy for common bile duct stones. World J Surg 1998; 22(11): 1171-4

3. Tinoco R, El-Kadre L, Tinoco A. Laparoscopic choledo-choduodenostomy J Laparoendosc Adv Surg Tech A 1999; 9(2):123-6

ABSTRACT

Management of common bile duct stones in the era of laparoscopic surgery is controversial. The biliary anastomosis is indicated in case of large common bile duct, recurrent stones, giant stones and concomitant common bile duct stricture and duct stones. The development of laparoscopic techniques permits to perform this type of surgery laparoscopically as well as the open procedure.

Key Words: Common Bile Duct Calculi; Laparoscopy.

4. Tocchi A, Costa G, Lepre L, et al. The long-term of hepati-cojejunostomy in the treatment of benign bile duct strictures. Ann Surg 1996; 224(2): 163-8

Endereço para Correspondência:

Dr. Marcus Vinicius Dantas de Campos Martins Av. das Américas 505/203

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