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Influência das comorbidades na capacidade funcional de pacientes com artrite reumatoide.

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(1)

w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Influência

das

comorbidades

na

capacidade

funcional

de

pacientes

com

artrite

reumatoide

Wanessa

Vieira

Marques

a,∗

,

Vitor

Alves

Cruz

b

,

Jozelia

Rego

b

e

Nilzio

Antonio

da

Silva

b aFaculdadedeMedicina,UniversidadeFederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil

bServic¸odeReumatologia,HospitaldasClínicas,FaculdadedeMedicina,UniversidadeFederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem22deagostode2014 Aceitoem28dejaneirode2015

On-lineem16dejulhode2015

Palavras-chave:

Artritereumatoide Comorbidades Capacidadefuncional Mobilidade

r

e

s

u

m

o

Objetivos:Investigaraassociac¸ãodascomorbidadescomalimitac¸ãodamobilidadeecom aincapacidadefuncionalempacientescomartritereumatoide(AR),bemcomoidentificar oindicadordecomorbidademaisapropriadoparadeterminaressaassociac¸ão.

Métodos:Em um estudo transversal foram incluídos 60 pacientes com AR por um períodode11meses.Comorbidadesforamavaliadaspormeiodetrêsindicadores:(i)número totaldecomorbidades(NCom);(ii)índicedecomorbidadedeCharlson(ICC);e(iii)índice decomorbidadefuncional(ICF).Aatividadedadoenc¸afoiavaliadapeloÍndicede Ativi-dadedaDoenc¸a28(DAS-28/VHS).AcapacidadefuncionalfoimensuradapeloQuestionário deAvaliac¸ãodaSaúde(HAQ)eamobilidadefoimensuradapelostestessenta-levantada cadeiracincovezes(TSL)etimedgetupandgo(TUG).Aanáliseestatísticafoifeitapormeio deregressãomúltiplalog-linearStepwisecomníveldesignificânciade5%.

Resultados:Nomodelofinal,apenasofatorcomorbidades(ICF)esteveassociadoà mobili-dade(TSLeTUG).OescorenoICFexplicou19,1%davariabilidadedoTSL(coeficientede determinac¸ão[R2]=0,191)e19,5%davariabilidadedoTUG(R2=0,195).Emrelac¸ãoà

incapa-cidadefuncional(HAQ),osfatoresassociadosforamofatorcomorbidades(ICF)eaatividade dadoenc¸a(DAS-28/VHS)queemconjuntoexplicaram32,9%davariabilidadedoescoredo HAQ(R2ajustado=0,329).

Conclusão:Ascomorbidadesestãoassociadascomalimitac¸ãodamobilidadeea incapaci-dadefuncionalempacientescomAR.OICFdemonstrouserumindicadordecomorbidade apropriadoparadeterminaressaassociac¸ão.

©2015ElsevierEditoraLtda.Todososdireitosreservados.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](W.V.Marques).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2015.01.009

(2)

The

impact

of

comorbidities

on

the

physical

function

in

patients

with

rheumatoid

arthritis

Keywords:

Rheumatoidarthritis Comorbidities Physicalfunction Mobility

a

b

s

t

r

a

c

t

Objectives:Toinvestigatetheassociationofcomorbiditieswithmobilitylimitationand func-tionaldisabilityinpatientswithrheumatoidarthritis(RA)andtoidentifywhichcomorbidity indicatoristhemostappropriatetodeterminethisassociation.

Methods:SixtyRApatientswereenrolledinacross-sectionalstudyforaperiodof11months. Comorbidities wereassessed usingthreeindicators: (i)thetotal numberof comorbidi-ties(NCom);(ii)theCharlsoncomorbidityindex(CCI);and(iii)thefunctionalcomorbidity index(FCI).DiseaseactivitywasassessedusingtheDiseaseActivityScore28(DAS-28/ESR). FunctionalcapacitywasmeasuredusingtheHealthAssessmentQuestionnaire(HAQ),and mobilitywasmeasuredusingTimedUpandGoTest(TUG)andFiveTimesSitToStandTest (FTSTS).Statisticalanalysiswasperformedusingastepwiselog-linearmultipleregression withasignificancelevelof5%.

Results: Inthefinalmodel,onlycomorbidity(FCI)wasassociatedwithmobilitylimitation (FTSTSandTUG).TheFCIscoreexplained19.1%ofthevariabilityoftheFTSTS(coefficientof determination[R2]=0.191)and19.5%oftheTUGvariability(R2=0.195).Withregardto

func-tionaldisability(HAQ),theassociatedfactorswerecomorbidity(FCI)anddiseaseactivity (DAS-28/ESR),whichtogetherexplained32.9%ofthevariabilityoftheHAQscore(adjusted R2=0.329).

Conclusion:Comorbiditieswereassociatedwithmobilitylimitationandfunctionaldisability inRApatients.TheFCIprovedtobeanappropriatecomorbidityindicatortodeterminethis association.

©2015ElsevierEditoraLtda.Allrightsreserved.

Introduc¸ão

Artrite reumatoide (AR) é uma doenc¸a inflamatória sistê-mica,crônicaeprogressiva,queacometepreferencialmente amembranasinovialdas articulac¸õesepodeacarretar um comprometimentogeralnoestadofuncionaldospacientes.1

Oestudo da incapacidadefuncional edosfatores asso-ciados a ela na AR é relevante, uma vez que o estado funcional está relacionado com outros desfechos clínicos nessapopulac¸ão,taiscomomortalidade,2,3 perdada

capaci-dadelaboral4,5eusoderecursosdesaúde.6,7

Háevidências crescentesque apontampara o efeito do fatorcomorbidadesnaincapacidadefuncionalempacientes comAR.Radneretal.8,9demonstraramainfluêncianegativa

dascomorbidadesemtodososdomíniosdacapacidade fun-cional,independentementedoníveldeatividadedadoenc¸a. Michaudetal.,10emumestudolongitudinal,demonstraram

queaidadeacimade65anoseapresenc¸adecomorbidades foramosprincipaisfatorespreditoresdaperdadacapacidade funcionalnaAReessesfatoresnãoligadosaotratamentoda ARexercerammaiorefeitonaprogressãodoescore mensu-radopeloQuestionáriodeAvaliac¸ãodaSaúde(HAQ)doqueo efeitodotratamentocombiológicos.

OestudodeNortonetal.11apontouumaprevalência

con-sideráveldecomorbidadesnomomentododiagnósticodaAR equeaumentaaolongodaevoluc¸ãodadoenc¸a.Apóso segui-mentode15anos,81%dospacientescomARapresentavam comorbidadese,alémdisso,ascomorbidadesestiveram rela-cionadascommortalidadeeperdadacapacidadefuncional

nesses pacientes.11 Emumestudolongitudinalde11 anos,

VandenHoeketal.12observaramqueascomorbidades

somá-ticaseadepressãoassociaram-seàdiminuic¸ãodacapacidade funcional.É conhecido na literatura que as comorbidades são condic¸ões comuns nessa populac¸ão. Em média cada paciente com AR apresenta 1,6comorbidade etal número aumentacomaidade.13,14Nessesentido,temsurgidoo

inte-resse de pesquisadoresem estudarascomorbidadese seu impacto emdiferentes desfechosclínicosnaAR,tais como hospitalizac¸ão,mortalidade,comprometimentona funciona-lidadeecustosmédicos.13-15

Comorbidade édefinidacomo umadoenc¸a oucondic¸ão médica que coexiste com a doenc¸a de interesse, identifi-cada,nessecaso, pelaAR.13 várias formasdeavaliaras

comorbidades.13,15Aavaliac¸ãodoimpactodascomorbidades

emdiferentesdesfechosclínicosnaARégeralmentefeitapor meio deumasimplescontagemdonúmero de comorbida-des existentesapartir deumalista específicaestabelecida pelos pesquisadores.15 Usando essa forma de abordagem,

cadacondic¸ãoéigualmentepontuada,semdistinc¸ãodepesos entreelas.15

Outraforma demensurarascomorbidadesenvolveusar índicesdecomorbidadesvalidadosparapredizerdeterminado desfecho clínico.13 Amaioria dos índicesde comorbidades

édesenvolvidoparadeterminarmortalidade,comoéocaso do índice de comorbidade de Charlson (ICC)16 edo índice

de Kaplan-Feinstein.17 OICCfoi desenvolvidoporCharlson

etal.16econtémumalistacom19condic¸ões.Cadauma

(3)

desenvolvidoespecificamentepara predizerfuncionalidade, que é o caso do índice de comorbidade funcional (ICF).18

OICFfoidesenvolvidoporGrolletal.18comumapopulac¸ão

deamericanosafetadosprincipalmenteporproblemas orto-pédicos.FoiusadooQuestionáriodeQualidadedeVida(SF-36) paraquantificaracapacidadefuncionaldosindivíduos.

Osestudosqueapontaramaassociac¸ãoentre comorbida-deseincapacidadefuncional8-12avaliaramafuncionalidade

pormeiodoQuestionáriodeAvaliac¸ãodaSaúde(HAQ)e/ou pelocomponentedefunc¸ão físicadoQuestionáriode Qua-lidadedeVida(SF-36)queforamdesenvolvidosparaavaliar acapacidadefuncionaldospacientesematividadesdevida diária. Nenhum desses estudos agregou testes de mobili-dadenaavaliac¸ãodafuncionalidade.Assim,osmencionados estudos8-12 não analisaramaassociac¸ão das comorbidades

comalimitac¸ãodamobilidadeempacientescomAR. Afinalidadedopresenteestudofoiinvestigaraassociac¸ão das comorbidades, avaliadas por meio de três indicadores decomorbidades(númerototaldecomorbidades,ICCeICF) com alimitac¸ãoda mobilidade eaincapacidade funcional empacientescomAR, bemcomo identificarqualo indica-dordecomorbidadeéomaisapropriadoparadeterminaressa associac¸ão.

Métodos

Desenhodoestudoeparticipantes

FoifeitoumestudotransversalformadoporpacientescomAR paraavaliaraassociac¸ãodascomorbidadescomalimitac¸ãoda mobilidadeecomaincapacidadefuncionalnessesindivíduos. Sessentapacientesparticiparamdoestudoeforam recru-tados no ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicasda Faculdadede MedicinadaUniversidade Federal deGoiás(UFG)emGoiânia,de13desetembrode2012a22de agostode2013.

Nomomentodainclusão,todosospacientespreencheram oscritériosdeclassificac¸ãodoAmericanCollegeof Rheuma-tology(ACR 1987) paraAR.19 Foramexcluídos aquelescom

internac¸ãohospitalardevidoàafecc¸ãoagudanosseismeses anterioresàentrevistae presenc¸adealguma incapacidade temporáriaqueoimpossibilitassedefazerostestesde mobi-lidade(porexemplo,fraturadepé).

OestudofoiaprovadopeloComitêdeÉticaemPesquisado HospitaldasClínicasdaUFGeosparticipantesassinaramo termodeconsentimentolivreeesclarecido.

Instrumentosdeavaliac¸ão

Nomomentodainclusãonapesquisa,ospacientes respon-deram a um questionário padronizado, incluindo detalhes sobre:(i) aspectos demográficos,tais comoidade, gênero e etniaautorreferida;(ii)positividadedofatorreumatoide(FR); (iii)durac¸ãodadoenc¸a;(iv)comorbidadesexistentes;(v) histó-riadequedasnos12mesesanterioresàentrevista;(vi)usode auxiliadordemarcha;(vii)medicamentosemuso;(viii) hábi-tosdevida,taiscomohistóriadetabagismo(atual,passado oununca)epráticadeexercíciosfísicos.Talquestionáriofoi

complementadocomosdadoscontidosnosprontuáriosdos participantes.

Nessequestionáriopadronizado,ascomorbidadesforam avaliadas por meio de uma lista de doenc¸as crônicas em concordância com aquelas contempladas pelos índices de comorbidadesICC16eICF.18Foiassinaladatambémapresenc¸a

deoutrasdoenc¸ascrônicasrelatadaspelospacientese veri-ficadas em prontuário médico que não constavam desses índices. A partir desses dados coletados, as comorbidades forammensuradaspormeiodetrêsindicadores:(i)número total de comorbidades (NCom);(ii) escoreobtido no ICC;e (iii)escoreobtidonoICF.

OICCécompostoporumalistade19comorbidades.Cada doenc¸atemumpesoquevariade1a6,estabelecidodeacordo comoriscodemortalidadedeumano.16Oescoreobtidono

ICCédadopelasomatóriadetodasascomorbidadespresentes comosseusrespectivospesoseresultaemumnúmeroque podevariarde0a33.16

OICFconsisteemumalistacom18comorbidadesenão hádiferenc¸adepesosentreelas.18 OescoredoICFéobtido

pela soma de todas as comorbidadespresentes e varia de 0a18.18

Noitem«doenc¸asdotecidoconjuntivo»contempladono

ICCfoiconsideradacomocondic¸ãocomórbidaapresenc¸ade lúpus eritematoso sistêmico, polimiosite, doenc¸a mista do tecidoconjuntivoepolimialgiareumática,comosugeridopor Charlson et al.16 noICF, noitem artrite,foi considerada

apenasapresenc¸adeosteoartrite.

Aatividadedadoenc¸afoiavaliadapormeiodoÍndicede AtividadedaDoenc¸abaseadoem28articulac¸õesenovalorda VHS(DAS28/VHS).20

Para avaliara limitac¸ão da mobilidade foram aplicados os testes:(i) senta-levantadacadeiracinco vezes(TSL);21e

(ii)timedgetupandgo(TUG).22

OtesteTSLéusadoparaavaliarforc¸amuscularde mem-bros inferiores,mobilidade e risco de quedas.21,23,24 Nesse

testeécronometradootempogastopelopacientepara levan-taresentardacadeiraporcincovezesconsecutivasomais rapidamente que conseguir, sem usar a forc¸a dos brac¸os. Quanto maiorotempogasto paracompletaroteste,pioré amobilidadedoindivíduo.21

OtesteTUGéusadoparaidentificarpacientescomriscode quedaserestric¸ãodemobilidade.22,25Parafazeresseteste,o

indivíduocomec¸asentadoemumacadeiracombrac¸os,comas costasapoiadasnoencostodacadeira.Emseguidaésolicitado aopacienteficardepé(podeseapoiarnosbrac¸osdacadeira), andartrêsmetrosnavelocidadedesuamarchahabitual,virar, retornarparaacadeiraesentar-senaposic¸ãoinicial.Otempo gastoparacompletarotesteécronometradoequantomaior essetempo,pioréamobilidadedoindivíduo.22

A incapacidade funcional foi mensurada por meio do escore obtido no Questionário de Avaliac¸ão da Saúde (HAQ).26,27

Análiseestatística

(4)

Foi feita uma análise de regressão via Quase--Verossimilhanc¸a28 com func¸ão de variância proporcional

à médiae func¸ão de ligac¸ão logarítmicacom o intuitode investigar a associac¸ão dos indicadores de comorbidades (NCom, ICC e ICF) com a limitac¸ão da mobilidade (TSL e TUG)ecomaincapacidadefuncional(HAQ).Para controlar oefeito das variáveis de confusão,foi feitoum modelode regressãolog-linear multivariadopelo métodoStepwise.As potenciais variáveis de confusão escolhidas foram: idade, gênero, durac¸ão da doenc¸a, prática de exercícios físicos, presenc¸adoFRpositivoeescorenoDAS28/VHS.

Omodelofinalda análisederegressãomúltiplapara as variáveisdependentesTSL, TUGeHAQfoidenominado de regressãolog-linearStepwise.

A comparac¸ão entre os indicadores de comorbidades paraverificarqualfoi omaisapropriadoparadeterminar a associac¸ãodascomorbidadescomalimitac¸ãodamobilidade ecomaincapacidadefuncionalempacientescomARfoifeita pormeiodacomparac¸ãodoscoeficientesdedeterminac¸ão(R2)

dosmodelosajustadoscomcadaumdosindicadores.29

Oníveldesignificânciaestatísticafoide5%.O software usadonaanálisedosdadosfoioRversão3.0.1.

Resultados

Característicasdosparticipantes

Participaramdoestudo60pacientes.Natabela1estão sinte-tizadasascaracterísticasdospacientes.

Natabela2estãorepresentadasascomorbidadesque

com-põemosíndicesde comorbidadesICCeICF,assimcomoo númerodepacientesafetadosporcadacomorbidadepresente nessesíndices.AprevalênciadecomorbidadesdadapeloICC foide21,7%,ouseja,13pacientesapresentarampelomenos uma comorbidade quando avaliados por esse indicador. E quandoavaliadospeloindicadorICF,49pacientes apresenta-rampelomenosumacomorbidade(81,7%).

Os pacientes apresentaram outras comorbidades além daquelas representadas na tabela 2, tais como fibromial-gia,anemia,epilepsia,hipotireoidismo,síndromedeSjogren secundáriaearritmiacardíaca.Dessaforma,aprevalênciade comorbidadesdadapeloNcomfoide90%,ouseja,54pacientes apresentarampelomenosumacomorbidade.

Análisedaassociac¸ãodascomorbidadescomalimitac¸ão damobilidadeecomaincapacidadefuncional

Oresumodasanálisesderegressãolog-linearunivariadasdos fatoresassociados àlimitac¸ãodamobilidade(TSL eTUG) e aincapacidadefuncional(HAQ)empacientescomARestão representadosnatabela3.

Os fatores independentes que explicaram significativa-mente parte da variabilidade do TSL no modelo univari-ado foram: idade (coeficiente de determinac¸ão [R2]=0,074;

p=0,023), gênero masculino (R2=0,058; p=0,049), durac¸ão

dadoenc¸a(R2=0,056;p=0,042),escoredoNCom(R2=0,121;

p=0,005) e escore do ICF (R2=0,191; p<0,001). Os fatores

independentesassociadosàvariabilidadedoTUGnomodelo univariadoforam:idade(R2=0,063;p=0,052),escoredoNCom

Tabela1–Característicasdosparticipantes

Características Valores

Demográficas

Idade,média(DP)(mín-máx),anos 59(9,1)(43-80)

Mulheres,n(%) 53(88,3%)

Etniaautorreferida,n(%)

Caucasoide 26(43,3%)

Africana 11(18,3%)

Parda 23(38,3%)

PositividadedoFR,n(%) 43(71,7%)

Durac¸ãodadoenc¸a,média(DP)(mín-máx),anos 11,5(8,9)(0,4-30)

Históriadequedas,n(%) 16(26,7%)

Usodeauxiliadordemarcha,n(%) 8(13,3%)

Tabagistasouex-tabagistas,n(%) 37(61,7%)

Praticantesdeexercíciosfísicos,n(%) 10(16,7%)

Avaliac¸ãodascomorbidades

EscoreNCom,média(DP)(mín-máx) 3,6(2,1)(0-8)

EscoreICC,média(DP)(mín-máx) 0,25(0,51)(0-2)

EscoreICF,média(DP)(mín-máx) 2,0(1,5)(0-5)

Avaliac¸ãodaatividadedadoenc¸a

VHS,mediana(IIQ),mm/hour 22,5(10,5-34,5)

DAS28/VHS,média(DP)(mín-máx) 3,7(1,4)(0,5-6,8)

Avaliac¸ãodamobilidade

TSL,mediana(IIQ),segundos 12,5(10,5-20,4)

TUG,mediana(IIQ),segundos 12,8(10,9-16,3)

Avaliac¸ãodacapacidadefuncional

EscoreHAQ,media(DP)(mín-máx) 1,07(0,76)(0-3)

DP,desviopadrão;IIQ,intervalointerquartil;FR,fatorreumatoide; NCom,númerototaldecomorbidades;ICC,índicedecomorbidade deCharlson; ICF,índice decomorbidadefuncional;VHS, Veloci-dadedeHemossedimentac¸ão;DAS28/VHS,ÍndicedeAtividadeda Doenc¸abaseadoem28articulac¸õesenovalordaVHS;TSL,teste senta-levantadacadeiracincovezes;TUG,testetimedgetupandgo; HAQ,QuestionáriodeAvaliac¸ãodaSaúde.

(R2=0,144;p=0,005)eescoredoICF(R2=0,195;p=0,001).

osfatoresindependentesassociadosàvariabilidadedoHAQ nomodelounivariadoforam:durac¸ãodadoenc¸a(R2=0,047;

p=0,040), escore do NCom (R2=0,077; p=0,012), escore do

ICF (R2=0,178; p<0,001) e DAS28/VHS (R2=0,244; p<0,001)

(tabela3).Ascurvasderegressãolog-lineardosprincipais

fato-resindependentesassociadosàvariabilidadedamobilidade (TSLeTUG)edacapacidadefuncional(HAQ)estão represen-tadasnafigura1.

No modelo final de regressão log-linear Stepwise, em relac¸ãoaosfatoresassociadosàlimitac¸ãodamobilidade(TSL e TUG),apenas ofator comorbidades avaliadopelo ICF foi significativo(tabela4).Ovalordoexponencialdocoeficiente beta(exp␤)paraaassociac¸ãoentreoICFeoTSLfoide1,128 (intervalodeconfianc¸ade95%[IC95%]1,062-1,201;p<0,001) e para o TUG foi de 1,172 (IC 95% 1,073-1,285; p=0,001)

(tabela4).

(5)

Tabela2–Comorbidadesquecompõemoíndicede comorbidadedeCharlsoneoíndicedecomorbidade funcionaleonúmerodepacientesafetados

Comorbidades n

Osteoporoseb 28

Artrite(osteoartrite)b 27

Déficitsvisuais(catarata,glaucoma,degenerac¸ãomacular)b 17

Obesidadee/ouIMC>30kg/m2b 12

Doenc¸adotratogastrointestinalsuperior(úlcera,hérnia, refluxo)a,b

11

Diabetesmellitustipo2a,b 9

Depressãob 5

Ansiedadeousíndromedopânicob 3

Déficitsauditivos(dificuldadedeouvir,mesmo comaparelhosauditivos)b

3

Insuficiênciacardíacacongestivaa,b 1

Doenc¸avascularperiféricaa,b 1

Doenc¸acerebrovasculara,b 1

Doenc¸apulmonarobstrutivacrônicaa,b 1

Asmab 1

Doenc¸aneurológica(doenc¸adeParkinson)b 1

Doenc¸adotecidoconjuntivoa 0

Doenc¸ahepática(leve,moderadaousevera)a 0

Anginab/Infartodomiocárdioa,b 0

Doenc¸adegenerativadosdiscos(estenoseespinal, oulombalgiacrônicasevera)b

0

Demênciaa 0

Hemiplegiaa 0

Doenc¸arenalmoderadaouseveraa 0

Tumorsólidonãometastáticoa 0

Leucemiaa 0

Linfomaa 0

Tumorsólidometastáticoa 0

Aidsa 0

ICC,índicedecomorbidadedeCharlson;ICF,índicedecomorbidade funcional;IMC,índicedemassacorporal.

a ComorbidadepresentenoCCI. b ComorbidadepresentenoFCI.

emconjunto,32,9% da variabilidadedo escoredoHAQ(R2

ajustado=0,329)(tabela4).

Comparac¸ãoentreosindicadoresdecomorbidades

OICFmostrou-seoindicadordecomorbidademais apropri-adoparadeterminar aassociac¸ãodas comorbidadescom a limitac¸ãodamobilidade(TSL eTUG) ecomaincapacidade funcional(HAQ)empacientescomAR,deacordocomos valo-resdoscoeficientesdedeterminac¸ão(R2)dosindicadoresde

comorbidades(NCom,ICCeICF)(tabela3).

OvalordoR2paraaassociac¸ãoentreoICFeoTSLfoide

0,191;paraoTUGfoide0,195;eparaoHAQfoide0,178.Jáo valordoR2entreoNComeoTSLfoide0,121;paraoTUGfoi

de0,144;eparaoHAQfoide0,077.EovalordoR2entreoICC

eoTSLfoide0,021;paraoTUGfoide0,000;eparaoHAQfoi de0,000(tabela3).

Discussão

Esteestudodemonstrouaassociac¸ãodascomorbidadescom a limitac¸ão da mobilidade e a incapacidade funcional em

pacientescomAReapontouoindicadorICFcomoumíndice decomorbidadeapropriadoparadeterminaressaassociac¸ão. Nopresenteestudo,naanálisemúltipladosfatores associ-adosàlimitac¸ãodamobilidade,apenasofatorcomorbidades, avaliadopeloescoredoICF,contribuiuparaexplicarparteda variabilidade no desempenho dostestesTSL eTUG.O ICF foiresponsávelporexplicar19,1%davariabilidadedoTSLe 19,5%davariabilidadedoTUG.Aproporc¸ãodavariabilidadedo escoredoHAQexplicadopelasvariáveisnomodelofinalfoide 32,9%.Aatividadedadoenc¸a,mensuradapeloDAS28/VHS,foi aprincipalvariávelresponsávelporexplicarpartedessa vari-abilidade,seguidapelascomorbidades,avaliadaspeloescore doICF.Nomodelofinal, apósoICFeoDAS28/VHS explica-rempartedavariabilidadedoescoredoHAQeoICFexplicar parte da variabilidade do TSL e TUG, as demais variáveis analisadasnãoconseguiramcontribuirsignificativamentena explicac¸ãodalimitac¸ãodamobilidadeedaincapacidade fun-cional,oquedemonstraaimportânciadofatorcomorbidades frenteàsdemaisvariáveisanalisadas,taiscomoidade,gênero, durac¸ãodadoenc¸a,práticadeexercíciosfísicosepositividade doFR.

AincapacidadefuncionalnaARtemcomocaracterística sermultidimensionaleestarassociadacomdiversosfatores alémdofatorcomorbidades,8-12como,porexemplo,dor,30,31

limitac¸ão na mobilidade articular,30 destruic¸ão de

cartila-gemarticular,32diminuic¸ãodaforc¸amuscular,31durac¸ãoda

doenc¸a33eatividadedadoenc¸a.31

Aassociac¸ãodascomorbidadescomaincapacidade funci-onalnaARtemsidodemonstradaemalgunsestudos,8-12nos

quaisosautoresavaliaramacapacidadefuncionaldos paci-entespormeiodequestionáriosdeavaliac¸ãodeatividadesde vidadiária(HAQe/ouSF36).

Donossoconhecimento,esteéoprimeiroestudoem paci-entescomARadeterminaraassociac¸ãodascomorbidades comalimitac¸ãodamobilidademensuradapormeiodetestes cronometrados,TSLeTUG.

Reforc¸aaimportânciadoestudoda mobilidadenaARo fatodeessadoenc¸aserresponsávelporumcomprometimento geralnoestadofuncionaldospacientes,causarprejuízonas atividadesdevidadiária,naforc¸amuscularenamobilidade eelevaroriscodequedasdessapopulac¸ão.31,34,35

Oriscode quedaspodeseravaliadopormeio dotempo gasto nafeituradostestesTSLeTUG24,25,36e,emparalelo,

estudostêmdemonstradoumpiordesempenhonessestestes empacientescomARquandocomparadoscomapopulac¸ão semAR.37,38

Bohleretal.36demonstraramqueaatividadedadoenc¸ae

aincapacidadefuncional(HAQ)empacientescomARse cor-relacionaramcomumpiordesempenhonostestesTSLeTUG, porémosautoresnãoavaliaramaassociac¸ãodas comorbida-descomoriscodequedas.Jamisonetal.39demonstraramque

pacientescomARcomhistóriadequedasapresentavamum maiornúmerodecomorbidadesdoqueaquelessemhistória dequedasechamaramaatenc¸ãoparaaassociac¸ãoentreas comorbidadeseaocorrênciadequedasnessapopulac¸ão.Da mesmaformaqueBohleretal.,36Jamisonetal.39não

estuda-ramaassociac¸ãodascomorbidadescomodesempenhoem testesdeavaliac¸ãoderiscodequedas(TSLeTUG).

(6)

Tabela3–Análisedosfatoresindependentesassociadoscomalimitac¸ãodamobilidade(TSLeTUG)eincapacidade funcional(HAQ)

Variáveisindependentes Variáveisdependentes

TSL TUG HAQ

Idade,anos R2 0,074a 0,063a 0,002

Gêneromasculino R2 0,058a 0,010 0,000

Presenc¸adeFRpositiva R2 0,000 0,000 0,000

Durac¸ãodadoenc¸a,anos R2 0,056a 0,020 0,047a

Praticaalgumexercíciofísico R2 0,000 0,003 0,013

EscoreNCom R2 0,121b 0,144b 0,077b

EscoreICC R2 0,021 0,000 0,000

EscoreICF R2 0,191b 0,195b 0,178b

DAS28/VHS R2 0,033 0,056 0,244b

TSL,testesenta-levantadacadeiracincovezes;TUG,testetimedgetupandgo;HAQ,QuestionáriodeAvaliac¸ãodaSaúde;R2,coeficientede

determinac¸ão;FR,fatorreumatoide;NCom,númerototaldecomorbidades;ICC,índicedecomorbidadedeCharlson;ICF,índicedecomorbidade funcional;DAS28/VHS,ÍndicedeAtividadedaDoenc¸abaseadoem28articulac¸õesenovalordaVHS.

Log-linearesunivariadas.

a Significativocomp0,05. b Significativocomp0,01.

quedas aumentado.34-37,39,40 Asquedas, por suavez, estão

relacionadas com a ocorrência de fraturas e essas apre-sentam como consequência possível o comprometimento nafuncionalidadeepioram,dessa forma,oprognósticoda doenc¸a reumatológica.35 Vale ainda destacar a prevalência

aumentadadeosteoporosenospacientescomAR.11,13,15Em

nossoestudo,28pacientes(47%)apresentaramosteoporose, umacomorbidadederiscoparafraturas.37,41

Nopresenteestudo,avaliamosaassociac¸ãodas comorbi-dadescomalimitac¸ãodamobilidadeeincapacidadefuncional

DAS28/VHS

ICF ICF

TSL TU

G

HA

Q

HA

Q

30

10

3

2

1

0

3

2

1

0

2 4 6

0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5

15 20

20 40 60

25

E(TUG) = exp{2,43 + 0,159(ICF)} E(TSL) = exp{2,46 + 0,116(ICF)}

E(HAQ) = exp{–1,05 + 0,282(DAS–28)} E(HAQ) = exp{–0,42 + 0,217(ICF)}

ICF

0 1 2 3 4 5

Figura1–Curvasderegressãolog-lineardosprincipaispreditoresdavariabilidadedamobilidade(TSLeTUG)

(7)

Tabela4–Influênciadacomorbidade(ICF)edaatividadedadoenc¸a(DAS28/VHS)namobilidade(TSLeTUG) enacapacidadefuncional(HAQ)

Variáveisdependentes Variáveisindependentes exp(␤) IC95% p R2ajustado

TSL ICF 1,128 1,062–1,201 <0,001 0,191

TUG ICF 1,172 1,073–1,285 0,001 0,195

HAQ ICF 1,167 1,054–1,290 0,005 0,329

DAS28/VHS 1,279 1,132–1,451 <0,001

TSL,testesenta-levantadacadeiracincovezes;TUG,testetimedgetupandgo;HAQ,QuestionáriodeAvaliac¸ãodaSaúde;exp(␤),exponencial docoeficientebeta;IC95%,intervalodeconfianc¸ade95%;R2,coeficientededeterminac¸ão;ICF,índicedecomorbidadefuncional;DAS28/VHS,

ÍndicedeAtividadedaDoenc¸abaseadoem28articulac¸õesenovalordaVHS. Regressãolog-linearmultivariadaStepwise.

empacientescomARpormeiodacontagemdonúmerototal decomorbidades(NCom)epormeiodoescoreobtidonos índi-cesICCeICF.

O ICF mostrou-se o indicador de comorbidade mais apropriado para determinar essa associac¸ão quando com-paradocomosindicadoresNComeICCemnossaamostra. A associac¸ãodas comorbidadesavaliada pelo ICF foi mais fortedoquequandomensuradapeloNCom.Talresultadoera esperado,vistoqueoICFfoidesenvolvidoespecialmentepara predizerfuncionalidade.18Reforc¸aesseachadoofatodeque

ospacientescomARanalisadosapresentaramcomfrequência comorbidadespresentesnoICF,condic¸õesessasclaramente associadascomlimitac¸ãofuncional.18

Jáaausênciadeassociac¸ãodas comorbidadesavaliadas peloICCemnossaamostra,apesardeoutrosestudosterem demonstradoessa relac¸ão com ouso doICC,8,9,11 pode ser

explicadadeduasformas.Primeiramenteemvirtudedeesse índicetersidodesenvolvidoparapredizermortalidade.16Eem

segundolugarnãofoiencontradaumaquantidaderazoávelde comorbidadesemnossaamostraquefazempartedocálculo doICC,oquepodeterprejudicadoacapacidadedesseíndice depredizerfuncionalidadeemnossospacientes.Necessita-se talvezdeumaamostramaior,umavezqueascomorbidades quecompõemoICC nãosãoaquelas maisfrequentemente encontradasempacientesambulatoriaiscomAR.8,9,11

Onossoestudoapresentaalgumaslimitac¸õesemrelac¸ão àforma de identificac¸ão das comorbidades,que sebaseou emrelatosdepacienteseemprontuáriosmédicos.Foi,dessa forma, sujeita a subdiagnósticos se comparada com uma buscasistemáticadeenfermidades.Alémdisso,noindicador NComforamconsideradastodasascomorbidadesrelatadas pelospacientesepresentesemprontuáriomédico,sem esta-belecercritérios específicossobrequaisdoenc¸as seriam ou nãoconsideradas.Talmétodopodeter prejudicadoa capa-cidadedoindicadorNComdedeterminaraassociac¸ãocom aincapacidadefuncionalemnossaamostra,vistoqueoutros estudosapontaramessaassociac¸ão.10-12Destaca-se,assim,a

importânciadeconhecerquaissãoasprincipais comorbida-desresponsáveisporimpactarafuncionalidadeempacientes comARe,assim,obterummelhorcritérionomomentode estabelecerascomorbidadesassociadasaostatusfuncional dessapopulac¸ão.

Arelevânciadopresenteestudoestáemapontaroefeito dascomorbidadesnalimitac¸ãodamobilidadee consequente-mentenoriscodequedasempacientescomAR,vistoqueos testesusadosTSLeTUGsãorecomendadosparaavaliarrisco

dequedas.Alémdisso,chamaaatenc¸ãoparaousodoICF comoumaopc¸ãodeavaliac¸ãodoimpactodascomorbidades nafuncionalidadenaAR.

Concluindo,ascomorbidadesempacientescomARestão associadascomalimitac¸ãodamobilidadeeaincapacidade funcionaleoindicadorICFéumíndicedecomorbidade apro-priadoparadeterminaressaassociac¸ão.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

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Referências

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