• Nenhum resultado encontrado

Nos caminhos do sagrado: conhecimento e valorização como conservação dos acervos têxteis arquidiocesanos de Mariana/MG e São Luis do Maranhão

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Nos caminhos do sagrado: conhecimento e valorização como conservação dos acervos têxteis arquidiocesanos de Mariana/MG e São Luis do Maranhão"

Copied!
396
0
0

Texto

(1)

NOS

Conhecimento e v

têxteis arquidio

UNIVE

CAMINHOS DO SAGRADO:

valorização como conservação

ocesanos de Mariana/MG e Sã

IVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERA ESCOLA DE BELAS ARTES /UFMG

2013

:

dos acervos

ão Luis/MA

(2)

NOS CAMINHOS DO SAGRADO:

Conhecimento e valorização como conservação dos acervos têxteis

arquidiocesanos de Mariana/MG e São Luis do Maranhão

SORAYA APARECIDA ÁLVARES COPPOLA

Belo Horizonte

(3)

NOS CAMINHOS DO SAGRADO:

Conhecimento e valorização como conservação dos acervos têxteis

arquidiocesanos de Mariana/MG e São Luis do Maranhão

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Artes.

Área de Concentração: Arte e Tecnologia da Imagem

Orientador: Prof. Dr. Luiz Antônio Cruz Souza

Belo Horizonte

(4)

Coppola, Soraya Aparecida Álvares, 1970-

Caminhos do sagrado: conhecimento e valorização dos acervos têxteis arquidiocesanos de Mariana/MG e São Luiz do Maranhão./ Soraya Aparecida Álvares Coppola. - 2013

395 f: il.

Orientador: Luiz Antonio Cruz Souza

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, 2012

1. Paramentos – Conservação – Teses 2. Tecidos – Conservação – Teses 3. Tecidos – Brasil – História – Teses 4. Arte – Conservação e Restauração – Teses I. Souza, Luiz Antonio Cruz, 1962 – II.

Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Belas Artes IV. Título.

(5)
(6)

Ao professor Dr. Luiz Antônio Cruz Souza pela inquestionável confiança, orientação, estímulo, paciência e prontidão me receber nesta orientação e me atender na solução dos problemas práticos e teóricos decorrentes do desenvolvimento desta tese.

Aos membros da banca examinadora pela leitura e avaliação do trabalho.

Aos membros da banca de qualificação profa. Dra. Yacy-Ara Froner e professora profa. Dra. Isolda Maria Mendes pela leitura e orientação na formatação do trabalho.

Ao membro da banca examinadora prof. Dr. Antônio Fernando Batista dos Santos, pelas infindáveis discussões e pela troca generosa de materiais. Obrigada pela confiança.

Ao prof. Dr. Luciano Migliaccio pela orientação, confiança, paciência e prontidão em sempre me atender na solução teórica decorrente da pesquisa histórica da arte desenvolvida nesta tese e ao prof. Marcos Tognon pela orientação prestada na UNICAMP.

À prof. Dra. Maria João Seixas de Melo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa pela recepção, confiança e prontidão em me orientar na pesquisa realizada em Portugal em 2011.

À prof. Dra. Maria Giusepina Muzzarelli (UNIBO/IT) pela recepção, confiança e prontidão em me orientar na pesquisa realizada na Itália no período de 2002/2004 e 2011.

Aos diretores e membros das equipes de Conservação-restauração dos Museus: Instituto dos Museus e da Conservação de Portugal (IMC-PT), Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa (MNAA-LX), IBC (Emilia-Romagna), Museu Gandini de Modena, Museu Histórico e Artístico do Maranhão, Museu de Arte Sacra de São Luis do Maranhão, Museu de Artes Visuais de São Luis do Maranhão, Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana.

As sempre atenciosas e queridas Selma Otília e Renata Novais do Laboratório de Ciência da Conservação (Lacicor), pelo carinho, estímulo e auxílio indispensável nas práticas laboratoriais.

Aos meus colegas e membros da equipe do Lacicor, professores Alessandra Rosado, Yacy-Ara Froner, Magali Melleu Sehn, Isolda Mendes, Willi de Barros, Alexandre Leão, Paulo Batista e Lucienne Elias pelo apoio e incentivo constante.

Aos professores do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis e demais membros da equipe do Cecor, aos professores do curso de Design de Moda, pelo apoio e confiança durante a execução deste trabalho.

A Zina Pawilovsk pela eficiência no seu cargo de secretaria da Pós–graduação, pelo imenso carinho e atenção.

Aos meus amigos e aos meus familiares, família Álvares Coppola e família Alves Esteves, que acompanharam este trabalho e todas as dificuldades acadêmicas, profissionais e pessoais que o intercedeu, mas que, com o amor, carinho e confiança, foi concluído.

(7)
(8)

sua circulação no Brasil entre 1750 e 1816 - enfocado através de uma proposta de sistematização do estudo e catalogação de objetos têxteis eclesiásticos, visando seu conhecimento, valorização e justa conservação, passível de ser introduzida nos museus brasileiros. Referido argumento apresenta-se de grande importância para diferentes áreas do conhecimento, uma vez que pouco se sabe sobre os tecidos no Brasil, questão fundamental para o entendimento da locação de certas coleções brasileiras. Tendo os resultados sobre o estudo do acervo têxtil do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana/MG, propomos um confronto destes dados com algumas peças do acervo de São Luis do Maranhão, ambas as arquidioceses historicamente correlatas em referido período, cujos laços se estendiam ao, então, Reino de Portugal. O estudo será feito através da construção de processos de investigações coordenados, analisado em associação aos diversos métodos e metodologias aplicados em alguns museus internacionais. Os resultados históricos e artísticos foram aferidos, através de alguns métodos da História da Arte realizados no Laboratório de Ciência da Conservação - LACICOR/UFMG, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Antônio Cruz Souza.

(9)

in Brazil between 1750 and 1816 – focused through a proposition of systematization of the study a cataloguing of ecclesiastic’s textiles objects, aim your knowledge, valorization and a great conservation, passable to be introduce in the Brazilian museums. This argument is very important for different areas of the knowledge, once that the history of textiles in Brazil is little known, a fundamental question to understanding the location of the national collections. Given that we have the results of the study of the ecclesiastic’s permanents of the Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana/MG, we suggest a confrontation of this dates with some ecclesiastic’s textiles objects of the collection of São Luis do Maranhão, both archdiocese historically corresponded in the same period being connected with the Kingdom of Portugal. This study was made through the construction of the processes of multiple investigations, analyzed in association with different methods and methodologies used in some international museums. The historical and artistic results were gauge through some scientific methods of the Technical Art History realized on LACICOR/UFMG, oriented by Prof. Dr. Luiz Antônio Cruz Souza.

(10)

FIGURA PÁGINA

01 Fachada atual da Real Fábrica das Sedas 35

02 Símbolo da Real Fábrica das Sedas gravado na capa de um dos livros da contabilidade

36

03 Capa das Instituições das Companhias Gerais do Grão-Pará e Maranhão (A) e de Pernambuco e Paraíba (B).

41

04 Pano da costa 43

05 Pano de Bixo, Txan e d’Obra 43

06 Capitanias em 1709 e em 1789. 60

07 Capa do “Livro dos Regimetos dos Officiaes mecânicos da mui nobre e sêpre leal cidade de Lixboa, 1572”.

62

08 Alois Riegl 87

09 Estrutura metodológica da Ficha técnica têxtil a partir das análises formais de Alois Riegl

110

10 Níveis de atuação em preservação, conservação e restauração 114

11 Teóricos fundamentais do século XIX ao XXI 119

12 Representações gráficas de paramentos antigos: cota, casula, sandália 126 13 Vestes dos Bispos (Arcebispos), Cardeais (Vestes de Cerimônia) e Papa

(Vestes Pontificais)

132

14 Vestes externas: casula, dalmática, mitra, véu de cálice, pluvial, estola e manípulo. Luvas, sapatos e meias pontificais. Acervo do MAS de São Luis do Maranhão

133

15 Vestes corais dos Bispos. Acervo do MAS de São Luis do Maranhão 134

16 Veste coral dos bispos e dos cardeais 134

17 Veste cerimonial dos bispos e dos cardeais 135

18 Vestes do Papa 135

19 Catedral Metropolitana (1760) da Arquidiocese de São Luis. Antiga Igreja reformada Nossa Senhora da Luz, erigida pelos Jesuítas.

142

20 Pombal e seus irmãos, Paulo de Carvalho (Inquisidor Geral) e Francisco Xavier de Mendonça Furtado (Ex-Governador e Capitão Geral da Capitania do Grão-Pará e Maranhão). Afresco do Palácio de Oieiras.

144

21 Vista geral da Sé de Mariana e Praça Cláudio Manoel. Foto Eliane Lordello

147

22 Sede do MHAM, do MAS e do MAV 152

23 Sede do APEM 153

24 Conceição (Museóloga), Maria Luiza (Diretora do MHAM) e funcionárias do MHAM

155

25 Equipe do MAV, Sr. Firmino (Restaurador) e Maria da Conceição (Museóloga do MHAM)

155

26 Cômodo e mapotecas do MAV 155

27 Remoção e organização do acervo 155

28 Fachada do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana. 162

29 Fachada da Casa do Barão de Pontal de Mariana. 162

30 Paramentos dos acervos de São Luis e de Mariana 165

31 Composição da Ficha Técnica 168

32 Colorchecker e escala de medidas 171

33 Microscópio estereoscópio Nikon mod. Smz 800 173

(11)

38 Capa de “Dell’Arte di tingere in filo di seta, in cotone, in lana ed in pelle” 188

39 Capa de “Arte de la tintura de sedas”. 188

40 Capa do “Tratado instructivo y practico sobre el arte de la tintura”. 188

41 Capa de “De L’Industrie Françoise”. 188

42 Capa do Tratado “L’Arte della seta in Firenze del secolo XV”. 189 43 Capa do “Tratado del arte de hilar, devanar, doblar y torcer las sedas”. 189 44 Desenvolvimento das casulas. 1-Primitiva e Românica, 2- Gótica, 3- de

San Borromeo, XVI, 4- Romana, 5- Romana moderna, 6-Alemã moderna, 7- Estilo rococó espanhola.

191

45 Modelos de casulas modernas alemãs (A), italiana (B) e espanhola (C). 192 46 Casula em tecido lhama branca bordada e galão dourado (F/V)/Acervo do

MAS de São Luis. Casula em tecido damasco e lampasso de seda (V) e em tecido cetim de seda bordada com fios de seda e fios metálicos (V)/Acervo do MAAS de Mariana.

194

47 Dalmática em tecido lhama dourada bordada e galão dourado. Acervo do MAS de São Luis

196

48 Dalmáticas em tecido damasco. Acervo do MAAS de Mariana. 196

49 Dalmática romana e alemã 197

50 Dalmáticas francesa e italiana, século XVII e XVIII 197

51 Dalmáticas espanholas, século XVI e XVII 197

52 Paramentos em damasco verde do MAS e do MAAS (frente e verso) 202

53 Detalhe do damasco verde da Casula do MAS 203

54 Detalhe do damasco verde da Casula do MAAS 204

55 Iconografias do MAAS semelhante às iconografias n° 1 e 3 e iconografia n° 2 do MAS

205

56 Detalhes da iconografia n° 2 do MAS e da iconografia da dalmática em damasco verde do MAAS

206

57 Paramentos em damasco vermelho do MAS e do MAAS (frente e verso) 206

58 Detalhes das Casulas do MAS e do MAAS 207

59 Iconografia n°1 e 3 da casula do MAS 208

60 Iconografia n°2 da casula do MAS e do MAAS 208

61 Iconografia da casula do MAAS 208

62 Paramentos em brocado amarelo do MAS e do MAAS (frente e verso) 209

63 Véu de cálice do MAAS 209

64 Véu de ombros em tafetá de seda ricamente bordado. Acervo do MAAS 213

65 Mitras bordadas. Acervo do MAAS 214

66 Casulas em cetins de seda e canelado de seda ricamente bordados. Acervo do MAAS

214

67 Dalmática e clipeus em cetins de seda ricamente bordados. Acervo do MAAS

214

68 Chapéu cardinalício bordados. Acervo do MAAS 215

69 Canhões de luvas bordados. Acervo do MAAS 215

70 Casulas bordadas. Acervo do MAS 216

71 Sapatos e mitras bordados. Acervo do MAS 216

(12)

Casula. Acervo do MAS

75 Bordados em alto relevo com fios metálicos: Pluvial e Casulas. Acervo do MAS

217

76 Bordados com fios coloridos de seda: Casula e Dalmática. Acervo do MAS

218

77 Motivos de Frisos 219

78 Motivos de entrelaçamentos 220

79 Franjas de Estola e Véu de Cálice. Acervo do MAS 221

80 Franjas de Capa de Asperges e Mitras. Acervo do MAAS. 221

81 Galões metálicos dourados do MAAS e do MAS e galão metálico prateado do MAS

223

82 Galões metálicos dourados do MAAS e do MAS 224

83 Galões metálicos dourados do MAS/São Luis 224

84 Galões do acervo do MAAS/Mariana: 225

85 Galões e retroses do acervo do MAS/São Luis 225

86 Agentes de degradação e deterioração natural 226

87 Fatores humanos e ambientais de degradação 227

88 Localização dos edifícios onde estão os acervos da arquidiocese (objetos e documentos) de São Luis/MA

233

89 Sacristia da Catedral da Sé da Arquidiocese de São Luis/MA 233

90 Localização do acervo têxtil no MAV de São Luis/MA 234

91 Remoção do acervo têxtil no MAV de São Luis/MA (A e B) 235

92 Estado geral de degradação do acervo do MAS de São Luis 236

93 Estado geral de degradação do acervo do MAS de São Luis 236

94 Planta baixa do primeiro pavimento da Casa do Barão de Pontal/Mariana 237 95 Exemplos de degradações encontradas no acervo do MAAS/Mariana 240

96 Exemplo de Brocatel de algodão 244

97 Exemplo de Brocatel 244

98 Exemplo de Brocatel de algodão e seda 244

99 Tecido. Terminologia técnica. 248

100 Tela/Tafetá 250

101 Sarja 250

102 Cetim de 8 250

103 Tela/Tafetá 251

104 Sarja 251

105 Cetim de 5 251

106 Amostra de base tafetá 251

107 Amostra de base cetim 252

108 Brocado em execução 253

109 Trama brocada verso 253

110 Trama lançada 253

111 Amostra de Brocado 254

112 Amostra de Brocatel 254

113 Brocado verso 255

114 Amostra de Damasco 256

115 Amostra de Lamê 256

(13)

119 Forma fitomórfa isolada (A) e formas fitomórfas em contorno vegetal (B) e formas fitomórfas e zoomórfas em contorno geométrico (C)

263

120 Forma zoomórfa apresentando contrastes diferentes. 264

121 Pierre Vallet; frontispício do livro “Le jardin du roy trés crestien Loys III, Rei da França e de Navara, dedicado a la Royne, mer de sa M” e prancha de desenho.

266

122 Basilius Besler 266

123 Prancha do “Hortus Eystettensis” 266

124 Capa do “Hortus Floridus” e prancha de desenho, p.25. 267

125 Capa do “Tratado dell’arte della pittura, scoltura et architettura”. 268 126 Capa de “Le dessinateur, pour les Fabriques d’etoffes d’or, d’argent et de

soie”.

269

127 Detalhe de construção do desenho têxtil – “Mise en carte”. Jean Revel, 1733.

269

128 Capa do “Discorso intorno alle imagine sacre et profane” 272 129 Capa do “Trattato della pittura e scultura. Uso e abuso loro: composto da

um theologo e da um pittore”

272

130 Capa de “Delle cose gentilesche e profane trasportate ad uso e adornamento delle chiese”

273

131 Capa do“Tractado das significações das plantas, flores, e fructus que se referem na sagrada escriptura”

274

132 Capa do “Mondo simbólico”, 274

133 Capa do “De simboli trasportati al morale” 274

134 Livros de catalogação do acervo têxtil do MNAA de Lisboa 282

135 Fichas técnicas do acervo têxtil do MNAA de Lisboa 282

136 Frontal, Casula, dalmática, manípulo e estola em damasco brocado com fio metálico dourado do MAAS

284

137 Frontal e Casula em damasco brocado com fio metálico dourado do MAAS

285

138 Pluvial, Casula, Clipeus, Retalho de tecido em damasco brocado com fio metálico dourado do MAAS

286

139 Paramentos do MAS e do MAAS (frente e verso) 287

140 Paramentos do MAS e do MAAS (frente e verso) 288

141 Tecidos dos paramentos do MNAA de Lisboa 289

142 Detalhe do brocado do MNAA de Lisboa (FIG.141) e dalmática do MAAS/MG (Grupo no.1)

290

143 Detalhe tecido brocado MNAA. Pássaros diversos A, B, C e D. 291 144 Imagens comparativas de Pássaro (geral) (A), Papagaio (B), Águia (C) e

Pavão (D)

291

145 Imagem de Borboleta 291

146 Representação da Fênix 291

147 Detalhe tecido brocado MNAA. Flores diversas A, B, C e D. 294

148 Detalhe tecido brocado MNAA. Bouquet central 294

149 Narciso 294

150 Lírio 294

(14)

(Grupo no.2)

155 Detalhe tecido brocado MNAA. Flores diversas A, B, C, D 297

156 Rosa 297

157 Partes da planta Cânfora 299

158 Partes da planta Salsaparrilha 299

159 Flores de Violeta (A), Madressilvas (B) e Margaridas simples e dobrada (C)

299

160 Detalhe do damasco brocado de seda branca do MNAA 302

161 Detalhe do damasco brocado de seda branca do MNAA e escudo do MAAS/MG (Grupo no.3)

302

162 Partes da planta Parreira (Videira) 302

163 Dalmática da Sé Patriarcal de Lisboa, pertencente a conjunto de Dom José de Mendonça. (Ficha 23 e 24)

303

164 Detalhe dos tecidos do MNAA/LX e do MAAS/MG (Grupos n°4 e n° 5) 304 165 Detalhes do tecido do grupo n° 1/Damasco do MNAA de Lisboa 305 166 Detalhes do tecido do grupo n° 2/Damasco do MNAA de Lisboa 306

167 Rapport do tecido do grupo n° 3 307

168 Partes da planta Palma 308

169 Partes da planta Romã 308

170 Partes da planta Dormideira ou Papaver 310

171 Partes da flor e fruto da Dormideira ou Papaver 310

172 Fetos 310

173 Motivo a palme 311

174 Motivo a corone 311

175 Motivo a tre fiori 311

176 Casula de Vila Viçosa, Século XVI/XVIII 312

177 Dalmática de Vila Viçosa, Século XVI/XVIII e Detalhe do tecido da Dalmática de Vila Viçosa, Século XVI/XVIII

312

178 Pluvial em damasco brocado da Sé de Lamego 314

179 Damasco italiano, genovês, século XVII 314

180 Livro com estampa para tecido e damasco produzido para decoração residencial

315

181 Pluvial em damasco, 1690-1750, França 315

182 Paramento do MAS/MA 317

183 Conjunto Casula, estola, manípulo e véu de cálice, ca. 1860-1880, lamê dourado N° inv. N64

318

184 Paramento do MAS/MA 318

185 Paramento do MAS/MA 319

186 Paramento do MAS/MA 319

187 Iconografias fitomórfas do século XIX: Mostarda (A), Trigo (B) e feto (C) 320

188 Detalhe de paramento do MAS/MA 322

189 Detalhe da etiqueta do paramento do MAS/MA da FIG.237 322

190 Paramentos do MAS/MA 323

(15)

01 Levantamento do acervo arquidiocesano do MAS de São Luis do Maranhão do século XVIII e XIX

157

02 Levantamento do acervo arquidiocesano do MAAS de Mariana/MG do século XVIII e XIX

163

03 Amostras removidas e analisadas no Lacicor – Soraya Coppola/2012 177

04 Análise 1 - Composição do tecido decorativo 180

05 Análise 1 - Técnica Têxtil 180

06 Análise 2 - Composição do tecido decorativo 182

07 Análise 2 - Técnica Têxtil 182

08 Análise 1 – Análises e Resultados 201

09 Amostras – Soraya Coppola/2012 243

10 O acervo do MAAS/MG 245

11 O acervo do MAS/MA 246

QUADROS

QUADRO PAGINA

01 Tecidos importados no Maranhão 44

02 Relação dos gêneros encontrados nos registros das comarcas do Rio das Velhas e Serro Frio

58

03 Livro de Inventário dos teares que existem na Capitania de Minas. Vila de São João Del Rei,1786.

72

04 Análise 1 - Tecidos selecionados para a análise comparativa nacional 173 05 Análise 2 - Tecidos selecionados para a análise comparativa

internacional

175

06 Análise 2 - Análise comparativa das tipologias têxteis nacionais e internacionais

181

07 Metodologia de Alois Riegl 1 333

(16)

INTRODUÇÃO 18

CAPITULO 1

CONTEXTUALIZAÇÃO DA HISTÓRIA ECONÔMICA DOS TECIDOS EM PORTUGAL E NO BRASIL: PRODUÇÃO, COMÉRCIO E CIRCULAÇÃO ENTRE 1750 E 1816

31

1.1. Os tecidos em Portugal no século XVIII: uma questão político-econômica 33

1.2. Os tecidos no Brasil no século XVIII 37

1.2.1. Os tecidos e os caminhos para as Minas 47

1.2.2. A produção têxtil no Brasil 59

CAPITULO 2

OS TECIDOS COMO FONTE DOCUMENTAL: HISTÓRIA DA ARTE COMO HISTÓRIA DA TÉCNICA

82

2.1. Alois Riegl: o valor documental dos objetos culturais 85

2.2. Os tecidos como objeto da História da Arte 94

2.3. Os tecidos como objeto da História da Arte Técnica 102

2.4. Os tecidos como objeto da Conservação 111

CAPITULO 3

CONHECIMENTO E VALORIZAÇÃO COMO EIXO DA CONSERVAÇÃO DOS ACERVOS TÊXTEIS

123

3.1. Os artefatos da Igreja: os paramentos sagrados 125

3.2. As arquidioceses de São Luis e de Mariana: uma parte da história da Igreja no Brasil

137

3.3. Os acervos têxteis eclesiásticos de São Luis/MA e de Mariana/MG 147 3.3.1. O acervo têxtil da arquidiocese de São Luis/Maranhão 151 3.3.2. O acervo têxtil da arquidiocese de Mariana/Minas Gerais 158

CAPITULO 4

EXPERIMENTAÇÃO 166

4.1. Análise científica dos tecidos: os materiais, as técnicas têxteis e os desenhos

166

4.1.1. As análises preliminares de estudo do objeto têxtil 167 4.1.1.1. Análise dos materiais têxteis do MAS de São Luis e do MAAS

de Mariana

173

4.1.1.1.1. A coleta de amostras 176

4.2. Resultados das análises científicas 178

4.2.1. Analise 1: Paramentos do MAS de São Luis e do MAAS de Mariana 178 4.2.2. Analise 2: Paramentos do MAS de São Luis, do MAAS de Mariana e

do MNAA de Lisboa

180

CAPITULO 5

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 183

PARTE 1 183

5.1. Da história da arte técnica têxtil: História da Arte, da Conservação e da Ciência da Conservação aplicada ao estudo do acervo têxtil do MAS de São

(17)

5.1.1.1.1. A formação dos desenhos e cores nos tecidos dos acervos do MAS de São Luis e do MAAS de Mariana

198

5.1.1.2. Da analise formal e estilística dos bordados e guarnições 210 5.1.2. Da analise do estado de conservação: a vulnerabilidade dos materiais têxteis

226

5.1.2.1. Do acervo arquidiocesano do MAS de São Luis/Maranhão 232 5.1.2.2. Do acervo arquidiocesano do MAAS de Mariana/Minas Gerais 237 5.1.3. Da analise cientifica dos tecidos: material e técnicas utilizadas 241

5.1.3.1. Os materiais e as técnicas dos paramentos do MAS de São Luis e do MAAS de Mariana

243

PARTE 2 257

5.2. Da analise formal, estilística e científica dos tecidos dos acervos nacionais (MAS e MAAS) em comparação aos tecidos de acervos internacionais (Portugal, Espanha, Itália, França e Inglaterra).

257

5.2.1. Análise formal e estilística dos tecidos internacionais: história da arte como história da técnica

258

5.2.2. Análise formal e estilística dos paramentos sagrados têxteis 277

CONSIDERAÇÕES FINAIS 335

REFERÊNCIAS 341

(18)

INTRODUÇÃO

conh a d

A presente tese “N conservação dos acervos tê tem como objetivo relevant as peças dos acervos arqu abordagem do processo de dos processos próprios da C

Buscamos direciona ter a presença da Ciência proposta de conservação do metodologia como o conhec questiona acerca de seus lim que todo conhecimento tem como estes valores podem conhecimento, possibilitand em que o objeto foi desvela

Estaremos no decor entre 1750 e 1816, buscand indicativos quanto às suas artístico e, assim, quanto têxteis”, observando estes o

O recorte temporal i se ao reinado de D. José I regência de D. João VI (17 1 CASTORIADIS, 1999, p.135.

‘‘Não pode haver obra não rotineira do nhecimento sem paixão assim definida, sem a dedicação total do sujeito a seu objeto’’.1

Nos caminhos do sagrado: conhecimento têxteis arquidiocesanos de Mariana/MG e São ante o estudo comparativo dos paramentos sagr rquidiocesanos selecionados e a reflexão me de conhecimento e análise de objetos têxteis, a a Conservação de bens culturais.

nar nossa reflexão tendo sempre em mente a qu ia no âmbito dos métodos e técnicas da His dos objetos têxteis, tendo “como pressupostos hecimento crítico dos caminhos do processo ci limites e possibilidades.” (MARTINS, 2004, p tem um compromisso com valores, veremos em ser apresentados a partir da associação d ando um reconhecimento real e unificado, ind elado.

correr do trabalho refletindo quanto à história ndo investigar através de sua tipologia, materia as prováveis origens, quanto à sua qualidade,

ao “conhecimento e valorização como cons objetos nos específicos museus em que estão i l indicado aborda o período da história colonia I (1750-1777), ao reinado D. Maria I (1777-1 1792-1816), antes de sua nomeação a Rei (181

to e valorização como ão Luis do Maranhão”, agrados apontados entre metodológica quanto à , assim, dos preâmbulos

questão: o que significa História da Arte, numa os uma compreensão de científico, que indaga e , p.289). Reconhecendo s no âmbito das Artes, de diferentes áreas do independente da cultura

ia dos tecidos no Brasil rialidade e historicidade, e, seu valor histórico e onservação dos acervos

o inseridos.

(19)

a história de Portugal e a história do Brasil a uma perspectiva de produção manufatureira têxtil, circulação e comércio destes produtos, tendo Portugal como eixo fundamental destes cruzamentos.

Ainda hoje, a realidade histórica do estudo dos tecidos no Brasil, “pode ser vista como um hiato, caracterizada por uma circunstância específica de descontinuidade, lacuna, fissura, fenda, falta de alguma coisa” (PAULA, 2004, p.56), referindo-se não somente ao efetivo desconhecimento e desinteresse histórico pelos tecidos no país, mas também à ausência de ações de conservação e restauração desta tipologia de acervo, presente em diferentes coleções nacionais. Estes hiatos podem ser comprovados pelas poucas especificações e detalhamentos (uso de termos amplos e vagos) encontrados nas informações arquivísticas, seja no rol de mercadorias arroladas nos documentos dos navios, seja em relação aos produtos que circulavam no Brasil Colonial.

Esta proposta é uma continuidade das investigações iniciadas em 20022 que resultou na dissertação de Mestrado3 que compreendeu o estudo de 272 paramentos sagrados e o processo de inventário oficial4 dos bens móveis do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana – MAAS/MG5, no qual o acervo têxtil (assim como as outras tipologias de bens móveis) foi catalogado, juntamente com o acervo da Igreja do Pilar de Ouro Preto.6 Partindo do estudo detalhado do conjunto do acervo têxtil do MAAS de Mariana, com paramentos do século XVIII e XIX, criamos uma possibilidade de referência para estudos e análises comparativas com outros acervos têxteis, privilegiando sua tipologia formal (paramentos) e focando em sua estrutura têxtil (iconografia, materiais, tecnologia empregada, razões de produção e influências culturais).

Na segunda metade do século XVIII a história da atual Arquidiocese de Mariana foi entrelaçada na história de outras Arquidioceses brasileiras, principalmente, em relação à Arquidiocese de São Luis do Maranhão, de cuja sede veio tomar posse, como primeiro bispo

2 COPPOLA, 2002. 3

COPPOLA, 2006.

4 Projeto realizado no segundo semestre de 2005, contando com a equipe composta por especialistas em

conservação e restauração de bens culturais móveis, historiadores e pesquisadores do IPHAN. O trabalho foi coordenado pelo Dr. Antônio Fernando Batista dos Santos (IPHAN) e pelo professor Dr. Luiz Antônio Cruz Souza (Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e Cientista da Conservação), gerenciado pela Msc. Alessandra Rosado (Mestre em Artes Visuais e especialista em conservação e restauração de bens culturais móveis) e pela equipe Helaine Dias e Lino Yunkes (Especialistas em conservação e restauração de bens culturais móveis), Msc Lucienne Almeida Dias, Msc Soraya Coppola e Msc Dulce Consuelo (Mestres em Artes Visuais e especialistas em conservação e restauração de bens culturais móveis), Olinto Rodrigues dos Santos Filho (IPHAN), Dr. Célio Macedo Alves (Doutor em História), Cláudio Nadalin (Fotógrafo) e Gabriel Fernandes Santos (Assistente de Fotografia).

5 Referido museu será indicado a partir de então pela sua sigla MAAS/MG. 6

(20)

da então Diocese de Mariana, Dom frei Manuel da Cruz. Neste sentido, propomos aqui um estudo comparativo entre os acervos de referidas arquidioceses, buscando aprofundar os conhecimentos quanto à história de seus acervos, refletindo, paralelamente, sobre os tecidos no Brasil Colonial.

Sua justificativa se dá pela necessidade de se pesquisar o valor histórico, técnico e artístico destes acervos, partindo de sua materialidade e apresentação atual, que se propõe aqui através da construção de processos de investigações coordenados e pelo confronto primordial de análises de diferentes áreas do conhecimento, objetivando um maior conhecimento sobre os tecidos no Brasil. A aplicabilidade desta ação é reconhecida como medida de preservação e conservação passível de ser multiplicada nos diversos acervos têxteis locados em diferentes tipos de museus brasileiros.

A metodologia elegida é a análise, cuja reflexão nos permite passar pelo crivo de diversos métodos e metodologias de áreas de conhecimento diferenciadas, privilegiando a interdisciplinaridade como eixo formador. A elaboração do conhecimento histórico abordou diferentes correntes metodológicas da historiografia contemporânea, buscando cruzar seus dados com aqueles obtidos através das metodologias aplicadas da História da Arte e da Ciência da Conservação. Atualmente, referida associação é privilegiada através das metodologias intercessoras de práticas interdisciplinares propostas pela Arqueometria7 e pela História da Arte Técnica, que acreditamos ser um eixo norteador, de grande valor, ao estudo dos objetos do patrimônio.

Assim, as análises históricas, técnicas e materiais apresentam-se como processos colaboradores ao intuito do objetivo desta proposta, cujos resultados, aproximados ao estudo comparativo dos paramentos sagrados apontados entre as peças selecionadas dos acervos, darão suporte ao conhecimento e análise de objetos têxteis. Nesta reflexão metodológica se destacada a autonomia da disciplina da Conservação, seu âmbito de atuação e sua diferenciação em relação à Restauração, cuja abrangência se apresenta de forma significativa quanto às práticas efetivas que devem nortear as ações contemporâneas de proteção dos bens culturais.

E é neste sentido que se deve verificar nossa fala, como conservadores que associam as metodologias próprias da área às metodologias da História da Arte Técnica, onde as

7 Segundo ROSADO, 2011, p.19, apud CASTELLANO, 2002. Arqueometria é a aplicação das ciências

(21)

metodologias da História Geral e da História da Arte são os pilares da construção do conhecimento, associado às análises técnicas e materiais dos objetos artísticos.

Para alcançar o objetivo proposto, realizou-se o processo de levantamento8 do acervo de paramentos da Arquidiocese de São Luis (que se encontra no Museu de Arte Sacra de São Luis do Maranhão – MAS/MA9). Após esta ação, foram selecionados dos acervos do MAAS/MG e do MAS/MA alguns conjuntos de peças de provável produção no século XVIII, escolhidas por sua semelhança iconográfica e técnica. Das peças selecionadas foram removidas amostras para a realização de análises dos materiais, cujos resultados foram fundamentais para as associações e reflexões quanto às análises formais e estilísticas dos paramentos, tecidos e adornos, visto que, como tipologia de produto, os têxteis permeiam um extenso e diversificado universo de conhecimentos e seu estudo requer um variado cruzamento de informações, que sozinhas se tornariam quase vazias, sem forças.

Neste pensamento, necessariamente, os tecidos são analisados através da história de sua produção, bem como dos procedimentos para a sua conservação, por meio da relação direta do conhecimento histórico e técnico como instrumentos de valorização. Na abordagem histórica de sua produção, acompanhamos a história econômica de Portugal e do Brasil Colonial, visto a relação direta da Arquidiocese do Maranhão com a Sé de Lisboa. No período definido, a produção têxtil foi abordada de forma generalizada, onde a especificidade da aura do “sagrado” será indicada a partir do momento da inserção da análise específica dos acervos selecionados. Isto porque, salvo alguns estudos de acervos eclesiásticos realizados em diferentes países, comprovadamente de produção local e datados até o século XVII, a produção de paramentos católicos carece de informações históricas precisas, principalmente no que concerne ao século XVIII.

Até a progressiva efetivação da industrialização a partir da primeira metade do século XIX, a produção dos tecidos, de modo geral e em todos os reinos (levando em consideração as diferenças culturais), era realizada de forma intermitente, não somente com a utilização de instrumentos manuais, tipos e graus de especialização diversos, mas também na sua locação

8 Segundo a Pontificia Commissione per i Beni Culturali della Chiesa - PCBCC, p.18, o processo de proteção do

acervo eclesiástico inicia-se com o preenchimento das fichas de inventário e catalogação, sendo seguida pela gestão do inventário realizado e do catálogo a ser publicado. Disponível em:

http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_commissions/pcchc/index_it.htm. Acessado em 12 de maio de 2010. Neste sentido, apesar de não ser um procedimento oficial conduzido pelo órgão responsável pelo patrimônio nacional, IPHAN, consideramos o procedimento realizado como sendo desta natureza, sendo

primeiramente feito o levantamento das peças, averiguando sua quantidade e qualidade, para, posteriormente, dar seqüência ao inventário, ou seja, o fichamento de cada peça do acervo têxtil do MAS de São Luis/MA.

(22)

desconcentrada, permitindo uma diversificação de tipologias de produção, desde a caseira até a industrial10.

A pesquisa de referências textuais deste trabalho foi uma das etapas mais desafiadoras e enriquecedoras, pois a produção dos tecidos no século XVIII, com exceção feita à produção francesa, tem sido objeto de pesquisas isoladas, não somente no Brasil, mas também em outras culturas, o que dificulta o recolhimento de dados para serem confrontados entre si. Tratar a produção têxtil no século XVIII, abordando um confronto analítico de seus tipos em relação aos mercados aos quais deveria se dirigir e, portanto, abordando a circulação de seus produtos, também é ainda tema de pouca abrangência, visto que, em diferentes culturas, a análise quantitativa e qualitativa da produção têxtil local (maioria interiorana, produzindo tecidos simples, de uso cotidiano e de caráter tradicional) é de difícil acesso (quando existentes), devido à falta de documentação e resquícios materiais da época, salvo raras exceções.

Alguns núcleos europeus de produção encontravam-se junto a importantes cidades, centros políticos e econômicos que, de uma forma ou de outra, concentravam a organização do escoamento oficial da maior parte dos produtos nacionais direcionados para o mercado interno, mas, principalmente, para o mercado externo, buscando sempre superar a concorrência estrangeira e dominar uma maior multiplicidade de compradores.

Nestes grandes centros europeus onde se concentravam as produções têxteis, a fiscalização e controle direto e efetivo produziam efeitos através de uma maior quantidade e qualidade dos produtos. Ali também podemos verificar a inserção de instrumentos modernos ou inovadores a cada época, implantados como modelo de superamento das formas domésticas de produção, numa corrida frenética para superar a concorrência estrangeira, recaindo tamanho esforço no desenvolvimento de manufaturas luxuosas, incentivadas pelas classes que poderiam consumi-las, ou seja, os representantes do Estado, de acordo com suas hierarquias.

A partir da segunda metade do século XVIII encontramos, ainda, uma situação singular e concorrente ao tipo de produção de luxo até então valorizada: os tecidos de algodão estampados. Referida situação se apresentou por volta de 1750, quando da primeira Revolução Industrial, sendo efetivada após a Revolução Francesa, quando tal produção se torna objeto de valorização ideológica, econômica e social, sendo absorvida por diferentes

10

(23)

classes sociais, apresentando seus produtos, neste sentido, diferentes iconografias, aplicações e qualidades.

Neste espírito de desenvolvimento, as inovações colocadas, principalmente pela produção inglesa e francesa, em concomitância ao novo processo de desenvolvimento dos modelos da cultura moderna pós-Revolução Francesa e do século XIX, corroboraram para o surgimento de novos modos e modas do vestir, onde, pouco a pouco, os tecidos de algodão estampados ganharam o mercado ao lado da milenar e valorizada seda, substituindo-a em algumas peças do rol de uso formal, principalmente os diurnos. No entanto, não abordaremos esta produção, visto que, apesar de encontrarmos exemplares de paramentos sagrados confeccionados em algodão estampado, sua influência não alcançará de forma efetiva, nem alterará as características destes em referido período.

Apresentamos, então, no primeiro capítulo, uma análise resumida da história econômica dos tecidos em Portugal e no Brasil Colonial durante o século XVIII e início do XIX. A produção, comércio e circulação dos tecidos em Portugal são tratados por diversos autores portugueses11, partindo da apresentação do desenvolvimento econômico, político e social, onde podemos observar questões culturais, necessidades locais, técnicas, matérias-primas, comércio e circulação dos tecidos, bem como as influências recebidas, direta ou indiretamente, através da produção estrangeira oriunda da França, Inglaterra, Itália, Espanha, da Ásia e do Oriente.

O fomento intelectual de dois nomes portugueses se destaca neste estudo histórico e econômico específico, direta ou indiretamente. São eles Jorge Borges de Macedo e Jorge Miguel Viana Pedreira, cujas publicações, de relevada completude e seriedade na abordagem do tema, incluindo reflexões históricas pertinentes ao mercado brasileiro, servirão de diretrizes basilares à estrutura da análise que propomos. O primeiro autor dá ênfase ao período pombalino, apontando os problemas encontrados ao se tentar contar a história da indústria portuguesa no século XVIII, contribuindo para o entendimento da relação da história de Portugal e a história do Brasil Colonial até 1777, através da avaliação do papel das companhias de comércio criadas por Pombal. No segundo autor encontramos o estudo de um período mais amplo, que vai desde a administração de Pombal até o ano de 1830, abordando o período de D. Maria I e de D. João VI, em que as tipologias de produção têxtil são o objeto através do qual o autor faz sua reflexão quanto aos problemas regionais de produção e

11

(24)

circulação, abordando ainda, o papel do Estado e dos negociantes (homens de grosso trato12) neste contexto. Ambos os trabalhos nortearam o direcionamento crítico desta pesquisa, em relação à produção têxtil portuguesa e aos produtos estrangeiros que circulavam em Portugal neste recorte temporal, abordados com o fim de verificação da possibilidade da vinda de diferentes tipologias têxteis para o Brasil Colonial.

Outras inúmeras fontes portuguesas foram apoiando a construção destas análises em relação ao objeto estudado, tais como relatos descritivos ou instrutivos de testemunhas ativas e coetâneas à época, bem como fontes legais e diretrizes jurídicas vigentes então, que já determinavam as ações, em relação à produção têxtil portuguesa. No primeiro caso, temos os exemplos máximos de José Acúrsio das Neves (1766-1834)13, autor de um dos raros relatos da formação, administração e produção têxtil portuguesa, publicado em 1827 e o Padre Raphael Bluteau (1638-1734), autor da obra “Instrucção sobre a cultura das amoreiras, e a creação dos bichos da seda”, de 1679. Quanto às fontes legais e diretrizes jurídicas, partimos do “Livro dos Regimêtos dos Officiaes mecanicos da mui nobre e sêpre leal cidade de Lixboa” (1572), publicado e prefaciado pelo Dr. Vergílio Correa em 1926 e seguimos com diferentes Ordenações e regulamentos específicos à produção têxtil, além de observar as Leis Pragmáticas vigentes.

Estando clara a realidade da produção têxtil em Portugal, apresentaremos dados sobre a realidade da produção, comércio e circulação dos tecidos no Brasil, fundamentando as bases para uma reflexão mais abrangente sobre os acervos em estudo. A relação entre Portugal e o Brasil Colonial é levantada através de diversas produções bibliográficas de autores brasileiros e portugueses, onde podemos vislumbrar o comércio e a circulação de produtos no Brasil, principalmente em relação às mercadorias importadas, das quais os tecidos sempre foram citados como importantes produtos do trato, reconhecidos como principal motivo da

12 “O comerciante de grosso trato ou “a grosso”, denominação típica do século XIX, era, antes de tudo, o

homem que se dedicava aos vários segmentos do comércio, diversificando suas atividades para outras áreas, como a agricultura, a condução de tropas, a pecuária e ao empréstimo de dinheiro a juros (prestamista ou capitalista).” (FAGUNDES, 2009, p.1). Era o homem de negócio, que além do comércio escravo atuava em diferentes setores do mercado interno e externo, seja em Portugal como nas colônias.

13

(25)

permanência dos brasileiros14 na segunda metade do século XVIII no comércio com o Oriente.

Averiguou-se que quanto ao comércio dos produtos no Brasil o século XVIII, este resta ainda pouco estudado, se comparado à bibliografia que abrange um estudo sistemático dos séculos XVI e XVII, através dos mapas de cargas que chegavam aos portos brasileiros, bem como do século XIX, que se encontra relativamente documentado. Os estudos até então concluídos nos colocam diversos questionamentos quanto ao comércio e circulação dos produtos importados em geral e, especificamente, quanto aos tecidos (sobre sua procedência, qualidade e o mercado a que se destinavam). Um dos motivos deste problema é que

Os especialistas da história além-mar em geral têm o costume de respeitar a antiga separação administrativa dos dois vice-reinos do Brasil e da Índia, preferindo, assim, as análises regionais aos estudos comparativos. Geograficamente opostos, estes territórios eram governados por uma mesma hierarquia metropolitana que os consideravam como um conjunto no qual ele precisava manter certa coerência, e o comércio dos escravos e os produtos destinados ao trato, é um dos exemplos que prova a existência de uma rede de trocas entre os dois espaços. (CARREIRA, 1997, p.21)

Inserimos, neste pensamento, nosso recorte temporal, no qual partimos das ações do período pombalino e atravessamos a fase de transição política, econômica e social da história do reino de Portugal em relação às outras potências européias, onde podemos inserir o mercado brasileiro, antes do retorno de D. João VI a Portugal e da posse de D. Pedro I no Brasil. Propomos, assim, novas abordagens sobre a história dos tecidos introduzidos e circulados no Brasil entre 1750 e 1816, partindo dos eixos arquidiocesanos de Mariana e de São Luis, unindo os caminhos que os separam, através de uma rota que liga estes eixos sagrados àquele da Sé Metropolitana, em Lisboa, Portugal.

Veremos no segundo capítulo as possíveis abordagens metodológicas do conhecimento dos tecidos como fonte documental, percorrendo a História da Arte através de da história da técnica artística, apresentando-os como objeto de estudo direcionado à prática da Conservação e da História da Arte Técnica, colocando-os como objetos artísticos complexos, cujo estudo aproxima, de modo necessariamente interdisciplinar, áreas diversas.

O caminho tradicional até então apresentado em diversas publicações tem sido o de introduzir os tecidos através de sua história cronológica e geral. Aqui daremos outro rumo às nossas reflexões, analisando os objetos em associação à história da tecnologia têxtil, da

14 Veremos a seu tempo que os brasileiros citados são personagens singulares que faziam parte da política

(26)

ornamentação e das investigações científicas iniciais dos bens culturais, contribuindo para a formação de uma história específica dos paramentos sagrados.

Através da proposição metodológica oriunda da História da Arte, veremos que desde o final do século XVIII, em conformidade com a mentalidade e os recursos de cada época, e segundo objetivos específicos, alguns expoentes já abordavam os tecidos, visando conhecer os fazeres técnicos e artísticos, prática da atual disciplina História da Arte Técnica. Apesar desta abordagem se apresentar, historiograficamente, quanto à questão dos materiais e das técnicas, de maneira isolada (desde a Encyclopedie de Diderot, passando por diversas observações e apresentações teóricas de historiadores e restauradores), encontraremos no final do século XIX e início do século XX um período de estudo diferenciado em relação aos materiais têxteis.

São norteadores os pensamentos e as reflexões do historiador da arte e conservador austríaco, Alois Riegl, cuja formação inicial em Direito e Filosofia se transformará na base de seu pensamento teórico, construído através de sua experiência profissional diretamente em contato com os objetos artísticos e culturais, aos quais relevava seu valor documental. Sua metodologia, baseada em sua teoria histórica e artística refletida em sua prática conservativa, desenvolveu o processo de inventário do acervo têxtil do Österreichischen Museum für Kunst

und Industrie - MAK15 (Museu Austríaco da Arte e da Indústria) em Viena, no final do século XIX, e que ainda hoje se encontra como base de catalogação de referido museu. Seu método pode ser verificado em suas publicações, através das quais podemos conectá-lo ao estudo dos tecidos, como objeto artístico e como documento histórico, sendo vistos através de sua ornamentação, seu material, sua técnica e sua cultura.

Riegl foi um teórico que em seu curto período de vida produziu um conjunto denso de estudos sobre os objetos artísticos, atuando na vida acadêmica como Catedrático da Escola de Viena16 e como representante máximo da Comissão de proteção dos monumentos austríacos. Como estudioso das Artes, inicia suas reflexões no MAK, onde foi diretor, dedicando-se aos tapetes orientas e à coleção de tecidos antigos.

Desta experiência publica diversas obras17, das quais abordaremos “Antigos tapetes orientais” (1891), “Problemas de Estilo” (1893), “Gramática Histórica das Artes Visuais”

15

Hoje, sua denominação é Österreichisches Museum für angewandte Kunst / Gegenwartskunst (Museu Austríaco de Artes Aplicadas /Arte Contemporânea)

16 Denominada, originalmente, Institut für Kunstgeschichte der Wiener Universität

17 Cronologicamente, em seus títulos originais: Die Mittelalterliche Kalender Illustration (1889);

(27)

(1899) e “O Culto moderno dos monumentos” (1903), provenientes de traduções dos originais para o Italiano18, a partir de 1980.

Referente aos tecidos como objeto da História da Arte, abordamos “Antigos tapetes orientais” (1891) e “Problema de estilo” (1893) que são consideradas suas obras basilares, refletindo sobre seu pensamento teórico como produto de sua prática conservativa no MAK em Viena. Na primeira obra, Riegl toma posição no confronto da arte industrial, enquanto que, na segunda, desenvolve uma crítica aos paradigmas historiográficos dominantes, partindo sempre do reconhecimento empírico conduzido sobre os materiais, sobretudo daqueles com os quais trabalhou, os têxteis, fornecendo indicações úteis para o estudo das técnicas e do simbolismo, mas também para a gênese destes produtos artísticos, que permanecia desconhecida. Como objeto da História da Arte, os tecidos são abordados por Riegl dentro da forma produtiva e da forma artística não ausente de mecanicismo (que se apresenta como histórico e dinâmico), em cujo produto se verifica um fazer artístico significativo e em cuja forma e superfície são possíveis ver os valores com os quais o historiador desenvolveu a sua teoria.

Em relação aos tecidos como objeto da História da Arte Técnica, podemos direcionar a obra de Riegl “Gramática Histórica das Artes Visuais” (1899), onde o teórico nos apresenta uma metodologia do estudo dos objetos artísticos, objetivando seu conhecimento histórico, artístico, material e técnico para seu inventário. Esta obra apresenta a passagem do pensamento de Riegl sobre os objetos artísticos dentro da História da Arte, principalmente os materiais têxteis, a uma metodologia aplicada, de cunho arquivístico, à conservação, direcionada ao conservador especificamente interessado na história dos materiais, da técnica e do saber fazer artístico apresentado pelo objeto (hoje, a História da Arte Técnica).

Neste sentido, os tecidos serão analisados como um produto oriundo de um saber fazer, que se apresenta em um saber fazer artístico e um saber fazer técnico, conforme sua aproximação ou distância à autonomia de criação, à mecanização e à autenticidade de sua produção. Referida posição não vislumbra a discussão sobre os problemas teóricos e metodológicos da História da Arte sobre a questão da hierarquia instituída entre artes maiores e menores. Não é este nosso objetivo. Nossa abordagem, seguindo o pensamento riegliano,

e 1923); Das holländische Gruppenporträt (1902); Der moderne Denkmalkultus (1903); Die Entstehung der

Barockkunst in Rom (1908);

18 A maioria de suas obras foi abordada através das traduções de Sandro Scarrocchia, professor do Departamento

de Projetação e Artes Aplicadas da Accademia di Belle Arti Brera (Milão). Scarrocchia, incentivado por Andrea Emiliani, ao final dos anos 70 foi estudar as obras de Alois Riegl no Instituto de História da Arte da

(28)

visa contribuir para a verificação do processo de museificação dos acervos em estudo, colocando-os como importantes documentos históricos e técnicos que devem ser conservados. Quanto aos tecidos como objeto da Conservação, o texto referendado é “O Culto moderno dos monumentos” (1903), que marca a passagem de Riegl, da História da Arte para os monumentos e a Conservação; do valor artístico para o valor documental dos objetos culturais. Partimos de um projeto de reforma institucional da conservação austríaca, inédito até 1995, onde o autor vê a tutela moderna dos monumentos como disciplina autônoma e o conceito de “monumento” diverso da abrangência atualmente conhecida. “O autor empreende uma reflexão que se funda muito mais no valor outorgado ao monumento do que no monumento em si, tratando valor não como categoria eterna, mas como evento histórico.” (ZERNER, 1995, p. 434)19.

No terceiro capítulo trataremos da importância do conhecimento e valorização como eixo da conservação dos acervos têxteis. Mesmo sendo os objetos têxteis passíveis de serem abordados por diferentes áreas, acreditamos que a área da Conservação, como disciplina autônoma, junto a Historia da Arte e História da Arte Técnica, pode ser o eixo primordial deste diálogo, resgatando, através do saber fazer, as conexões do objeto com sua época e sua produção. Através do estudo dos paramentos têxteis sagrados da Igreja católica, de seu universo específico, de seus conceitos, tipos e significados, abordaremos assim, a história dos acervos selecionados e de suas respectivas arquidioceses, na qual as tipologias têxteis poderão servir de instrumento conversor e norteador das aproximações e distâncias, das circulações de produtos e influências entre São Luis (porto de entrada e mercado) e Mariana (mercado interno).

Abordar os paramentos sagrados e sua conservação significa conhecê-los em diversos aspectos, resgatando, através do conhecimento, o conceito de valorização do objeto, visto como documento histórico. Significa apresentar, através dos têxteis, um universo passado, cujo tempo era sincronizado a específicos rituais direcionados à população em geral, não somente com intuitos espirituais, mas que agregavam orientações e exerciam controle de caráter político e social.

Como objetos da Conservação, veremos que as ações desta área serão definidas como base do estudo de referidos acervos, partindo do levantamento do acervo do MAS de São Luis/Maranhão, do inventário do acervo têxtil do MAAS de Mariana/Minas Gerais, bem como da observação do histórico percurso de uso e preservação, relacionado à história das

(29)

respectivas arquidioceses. Através deste estudo e análise fica clara a significativa quantidade de ambos os acervos nacionais, mostrados em seu conjunto, cujo valor histórico se multiplica significativamente pela sua possibilidade de se apresentar como base norteadora de futuras comparações e estudos.

No capítulo quatro, dentro da História da Arte Técnica, indicamos os procedimentos experimentais utilizados nas análises científicas dos tecidos que compõem os acervos, bem como, os instrumentos necessários à sua execução e as metodologias utilizadas, ou seja, as bases das análises histórica, formal, estilística e científica, no intuito de reconhecimento de seus materiais e técnicas específicas, dados fundamentais para a análise histórica e artística capaz de apontar prováveis centros de produções, associados às especificidades estilísticas e iconográficas apresentadas em sua decoração.

Apresentamos, assim, os procedimentos técnicos que podem ser aplicados aos objetos têxteis, cujos resultados podem apresentar os tecidos como produto mediador coeso para o desenvolvimento de pesquisas em outras áreas do conhecimento. Ter os próprios tecidos como objeto material de estudo nos facilita como foco de análise, conectando o universo histórico, basilar para as reflexões de produção, ao universo da Conservação, da Restauração e da Ciência da conservação.

No capitulo cincoanalisamos os resultados descritos no capítulo anterior, dividido em duas partes, primeiramente entre os acervos nacionais e, em seguida, entre estes e alguns acervos internacionais. Neste momento costuraremos todas as informações colocadas no percurso da construção desta tese, conectando todos os resultados entre si através da apresentação da abordagem num contexto unívoco, onde História da Arte, História da Arte Técnica e Conservação apresentam-se num processo convergente.

Partimos de uma contextualização histórica e didática sobre o processo de criação do desenho técnico têxtil no século XVIII e XIX, através de sua iconografia (suas formas, representações e cores), inserindo este processo dentro do contexto da produção da arte sagrada, cujo significado simbólico é de relevante valor. Referidas estruturas são os instrumentos utilizados na análise formal e estilística comparativa dos paramentos selecionados dos acervos do MAS/MA e do MAAS/MG, através dos tecidos, passamanerias, bordados e guarnições.

(30)

fichas individuais que se encontram em anexo (ANEXO A). Referida reflexão se apresenta como base consistente para a comparação destes acervos nacionais com objetos de acervos internacionais, objeto da segunda parte deste capítulo, no intuito de refletir sobre a possibilidade da atribuição da proveniência de algumas tipologias têxteis a algumas regiões européias.

Veremos aqui, como o pensamento de Alois Riegl e sua metodologia são atuais e podem contribuir com o estudo dos tecidos e sua conservação, através de suas colocações apresentadas em sua obra “Gramática histórica das artes visuais” (1899). Com este exemplar, Riegl demonstra sua intenção de promover a autonomia da História da Arte e de demonstrar a importância científica da análise da linguagem figurativa e ornamental para a Historiografia da História da Arte e, em geral, para a História da Cultura.

(31)

No século XVIII, s formais e estilísticas dos tec o Brasil como eixo nortea comparação. Assim, diagno e não singular, pois, mesm características próprias, o m política e social ampla, à através da história geral q economia mundial.

Partimos, então, de P produção industrial20, que europeus, indicando, direta das produções encontradas socioeconômico, onde os t necessários para o entendim e consumo), seguindo uma universo de diversidades (d estado de proteção e liberda de seu valor como patrimôn

20

Industrial aqui denota um senti artigos de necessidades básicas e

CAPITULO 1

CONTEXTUALIZAÇ

ECONÔMICA DOS T

E NO BRASIL: PRO

CIRCULAÇÃO ENTR

, segundo a história da produção têxtil e a tecidos em estudo, não poderíamos iniciar nos teador. O Brasil será nosso eixo referencial,

nosticamos a necessidade de se contar esta hist esmo na possibilidade de existência de uma o mercado brasileiro se insere dentro de uma c à qual estava submetido e subjugado, embor l que sua produção colonial nada tinha de p

e Portugal, da história de sua produção têxtil in ue estará diretamente envolvida nas economia ta e indiretamente, as prováveis origens, proced as nas coleções aqui estudadas. Trilhamos um s tecidos podem ser vistos como objetos din dimento das relações criadas (o contexto e as c

ma linha recente de estudos internacionais e (do comércio interno, da circulação dos prod rdade do comércio), visando o resgate de sua h

ônio cultural.

ntido diverso daquele empregado no século XIX. Indica s e artísticos.

ÇÃO

DA

HISTÓRIA

S TECIDOS EM PORTUGAL

RODUÇÃO, COMÉRCIO E

TRE 1750 E 1816

a proposta de análises ossa investigação tendo l, nosso termômetro de istória de forma coletiva a produção têxtil com a conjuntura econômica, bora possamos perceber e passiva, comparada à

inserida no contexto de mias de diversos reinos cedências ou influências um caminho histórico e dinâmicos e potenciais, s condições de produção e buscando revelar um rodutos, da legislação e a história e a construção

(32)

A história dos tecidos nos possibilita verificar o desenrolar de duas histórias complementares, mas paralelas: da tecnologia21 têxtil e da arte dos ornamentos. Entendemos ser a associação dos dois caminhos a estrada mais segura e necessária à elaboração de uma proposta de sistematização do estudo dos tecidos e à conservação têxtil, visto que no decorrer das narrativas bibliográficas estas histórias pouco se encontraram. Estas duas propostas não são disjuntivas, mas focam em estruturas de análise diversas, originando a história da produção têxtil e a história dos tecidos. Na primeira o foco está no desenvolvimento dos processos de produção, dos instrumentos, das técnicas e inovações tecnológicas. Na segunda vemos o desenvolvimento de formas artísticas visuais aplicadas à especificidade técnica da produção têxtil na qual se desenvolvem, segundo a História da Cultura, da Arte e, dentro desta, da ornamentação. Referidas representações visuais se apresentam no decorrer de sua história, através de diferentes estilos, seguindo modelos geométricos (abstratos) ou figurativos (naturais).

A história da tecnologia têxtil de cada época é determinada através da identificação de três grupos de componentes dos tecidos: a matéria-prima (fibras e fios); a forma do entrelaçamento dos fios (técnicas têxteis) e a manipulação do produto (tingimento, estamparia e acabamento). A história dos ornamentos têxteis (hoje Design Têxtil22) deve ser considerada em relação a dois momentos diversos quando abordamos um tecido: em relação à sua matéria-prima e à tecnologia empregada e em relação ao estudo da evolução histórica de sua ornamentação, associada aos diferentes produtos artísticos da época e em direta conexão com a evolução histórica em uma determinada cultura.

Se seguirmos a história da tecnologia de produção, da antiguidade à Idade Média, o processo de fiação será o primeiro a sofrer algumas evoluções, que com o tempo serão acompanhadas de algumas pontuais inovações apresentadas no processo de tecelagem. Este desenvolvimento técnico sempre andou paralelamente ao desenrolar da história dos ormanentos têxteis, visto que todo e qualquer motivo ornamental deve ser criado dentro das possibilidades técnicas disponíveis para a remetição do desenho técnico têxtil para o tear.

Se observarmos o percurso histórico proposto atualmente por diversos autores, veremos que o desenvolvimento técnico possibilitará a produção de preciosos tecidos, que

21 Tecnologia (do grego

τεχνη — "ofício" e λογια — "estudo") é um termo que envolve o conhecimento técnico e científico, além das ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento.

22 No pensamento moderno do design têxtil existem duas correntes divergentes quanto à sua abordagem, sendo

(33)

com o passar dos tempos e sob a influência engenhosa de determinadas culturas, se apresentaram cada vez mais coloridos e com detalhada ornamentação. Seguindo a história dos ornamentos têxteis verificamos que as transformações e influências aconteceram de forma mais extensa, do Oriente para o Ocidente, sendo que, em relação aos paramentos sagrados, as formas visuais passaram das representações simbólicas pagãs às representações religiosas, sempre tendo a natureza como fonte inspiradora e levando em consideração o valor da iconografia na disseminação da doutrina cristã.

1.1.

OS TECIDOS EM PORTUGAL NO SÉCULO XVIII: UMA QUESTÃO

POLÍTICO-ECONÔMICA

No último quartel do Século XVII deu-se o início do desenvolvimento, no reino português, de um programa manufatureiro23, fomento atribuído ao III Conde de Ericeira, Luís de Meneses (1632-1690), Vedor da Fazenda da repartição dos Armazéns e Armadas no reinado de D. Pedro II (1683-1706). Elegeu, então, os setores de importância para o crescimento do Estado, ou seja, que fabricavam produtos de luxo, indispensáveis à aristocracia e grupos poderosos.

Luís de Meneses se apoiava nas ideias mercantilistas (que Jean-Baptiste Colbert havia implantado na França) introduzidas em Portugal por Duarte Ribeiro de Macedo (1618-1680), nas quais se inscrevem as medidas legislativas anti-sumptuárias e da obrigação de utilização de panos nacionais (p.ex. a Pragmática de 1677) que visavam tornar Portugal o mais independente possível da produção estrangeira. À primitiva organização doméstica e artesanal opunha-se um sistema manufatureiro, ainda que limitado, com legislação semiprotecionista, reorganizando as indústrias existentes e implantando novas fábricas.

O testemunho do padre Rafael Bluteau (1638-1734) em 1679, que dentre outros interesses dedicou-se à promoção da produção de seda, indica que a fábrica dos teares de Lisboa começou em 1678 com um tear de fitas, armando-se, no ano seguinte, com cinquenta teares para a fabricação de

Tafetás, gorgorões, galas, primaveras, setins, e telas (...) ampliada com outros gêneros de manufaturas, como meias, que se fabricavão em grande quantidade em teares vindos da Inglaterra; e com hum moinho de torcer a seda (...) com hum grande numero de fusos. (BLUTEAU, 1769, p.57).

23 Este programa (a partir do último quartel do século XVII) exercerá maior influência nos lanifícios, cujo

consumo era grande e largamente fornecido pela concorrência internacional, desequilibrando a balança

(34)

Neste contexto, o Vedor tomou medidas importantes desde 1680, correspondendo-se com Luís de Vasconcelos e Sousa (1635-1720) na Inglaterra, para promover o estabelecimento de fábricas de panos no Reino de Portugal. Através das Pragmáticas, Portugal institui medidas de defesa e incentivo da produção nacional, como em 1686, quando se renovou a proibição da importação de lanifícios e outros, por um prazo de dois anos. Mas apesar das proteções, pela qualidade e necessidade, os lanifícios ingleses nunca deixaram de circular no reino português, mesmo que ilegalmente. Em 1687 foi proibida expressamente a entrada de panos estrangeiros, negando-lhes o despacho nas alfândegas, cujos efeitos poderiam ser vistos, onde as fábricas nacionais já conseguiam suprir os panos para o Reino e as Conquistas, vestir as tropas do Exército e da Marinha e exportar.

Em 1690, publica-se o “Regimento das Fábricas dos Pannos”24 (fruto da ampliação do regimento anteriormente promulgado por D.Sebastião em 1572), que buscou salvaguardar o padrão de qualidade dos produtos de lã, fortalecer o controle do Estado sobre uma indústria dispersa e rebelde à organização em corporações de ofícios, e evitar panos mal feitos e falsificados. Da Grã-Bretanha vieram mestres e oficiais estrangeiros do ofício da lã, como criados de D. Catarina de Bragança, que viúva (desde 1685) de Carlos II (Rei da Grã-Bretanha) passou a residir em Portugal desde 1692, fato a que fez referência Bluteau25. Com a orientação destes mestres, foram estabelecidos teares de panos de lã nas vilas do Fundão, Covilhã, Redondo e Portalegre, cuja proteção resultou na fabricação de produtos já de qualidade, frutos da ação do Regimento de 1690.

O III Conde de Ericeira, além dos estabelecimentos fabris nacionais, buscou aperfeiçoar a navegação e comércio com os territórios ultramarinos para facilitar o afluxo de matérias-primas, e a colocação dos produtos manufacturados nacionais fora do Reino, dos quais, na Bahia, Rio de Janeiro e Maranhão vemos algumas notícias. Assim, a partir do final da primeira metade do século XVII, diversas companhias do comércio começaram a surgir (e desaparecer), tais como, a Companhia Geral do Comércio do Brasil (06/02/1649); a Companhia de Cacheu e Rios de Guiné (19/05/1676); a Companhia do Estanco do Maranhão e Pará (12/02/1682); a Companhia de Cachéu e Cabo Verde (03/01/1690), dinamizando, enquanto existiram, o comércio nos portos de Lisboa e Porto.

24

Os Regimentos das Fábricas dos Pannos partia das determinações dos Regimentos do sistema das corporações de ofícios, sendo os estatutos pelos quais os oficiais se regiam. O regimento inicial, de 1572, contendo 96 capítulos foi acrescido de 11 capítulos por D. Pedro II, para torná-lo condizente com a "mudança e variedade dos tempos e á experiência do que melhor convinha", foi a Magna Carta da indústria dos lanifícios em Portugal. Esteve em vigor durante mais de dois séculos e meio, até ser ab-rogado em 1834, na monarquia constitucional.

Imagem

FIGURA 01: Fachada atual da Real Fábrica das Sedas  FONTE: Arquivo Soraya Coppola, 2011
FIGURA 03: Capa das Instituiçõe Fonte
FIGURA 04: Pano da costa  FIGURA 05: Pano de Bixo, Txan e d’Obra  FONTE: BRÜSER & SANTOS, 2002, p.539
FIGURA 06: Capitanias em 1709 e em 1789..  FONTE: http://pt.wikipedia.org/ficheiro
+7

Referências

Documentos relacionados

7." Uma outra doença que como já disse, pode confundir-se também com a siringomielia, é a esclerose lateral amiotró- flea; mas n'esta doença, além de ela ter uma evolução

Desta forma, este estudo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada, por acadêmicas do 5º período do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de

Desta maneira, vemos que Rousseau conclui do homem natural que este tende a viver sem se aglomerar em grupos, sociedades, e, mesmo quando começa a se agrupar, ou contar

Como irá trabalhar com JavaServer Faces voltado para um container compatível com a tecnologia Java EE 5, você deverá baixar a versão JSF 1.2, a utilizada nesse tutorial.. Ao baixar

Para se poder constatar as diferenças no comportamento dos elementos metálicos estruturais, sujeitos ao carregamento cíclico, foram incorporados níveis de esforço axial constantes

A prevalência global de enteroparasitoses foi de 36,6% (34 crianças com resultado positivo para um ou mais parasitos), ocorrendo quatro casos de biparasitismo, sendo que ,em

Este trabalho buscou, através de pesquisa de campo, estudar o efeito de diferentes alternativas de adubações de cobertura, quanto ao tipo de adubo e época de

Taking into account the theoretical framework we have presented as relevant for understanding the organization, expression and social impact of these civic movements, grounded on