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Ceratite dendritiforme em usuários de lentes de contato

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Academic year: 2017

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Arq Bras Oftalmol 2003;66:539

CARTA AO EDITOR

Caro editor,

Temos acompanhado um aumento importante no número de casos de ceratite infecciosa causada por Acanthamoeba no

ambulatório de Doenças Externas e Córnea da Universidade Federal de São Paulo. Até o início da década passada este pro-tozoário era uma causa incomum de ceratite. Entretanto, atra-vés da análise dos dados do nosso laboratório, observamos que houve um aumento importante do número de pacientes acometidos por esta infecção(1).

Devido às dificuldades no manejo clínico destes pacientes e ao freqüente comprometimento da visão(2), consideramos

que as medidas de prevenção são a melhor abordagem para limitar o impacto desta doença na nossa sociedade. Os usuá-rios de lente de contato devem ser bem orientados quanto aos cuidados com as suas lentes (e.g. não usar salina caseira, abolir o uso de soro fisiológico como solução única na manu-tenção das lentes), e até mesmo desestimulados a usá-las quando detectamos falhas na higiene das lentes.

Após a instalação da infecção, o tratamento é normalmente demorado e de alto custo(3). A ceratite por Acanthamoeba

apresenta duas formas distintas e a eficácia do tratamento depende da forma clínica na qual se detectou a infecção. A forma epitelial é a mais precoce. Nesta fase o parasita está limitado ao epitélio e há maior probabilidade de recuperação. Posteriormente, há invasão do estroma da córnea (forma estromal), com intensa inflamação e necrose. Nesta fase tardia, a eficácia do tratamento é significativamente menor(4).

O maior empecilho ao tratamento na fase epitelial é a demo-ra no diagnóstico. Dudemo-rante esta fase a infecção pode não ser diagnosticada pois apresenta características inespecíficas como irregularidade epitelial, ceratite ponteada e defeito epite-lial. Além destes achados, uma forma semelhante à ceratite dendritiforme, leva freqüentemente ao diagnóstico

equivoca-do de ceratite herpética(3). Nos nossos pacientes este tem sido

o fator mais importante de diagnóstico tardio.

Como sugestão, recomendamos uma abordagem específi-ca em pacientes usuários de lente de contato com diagnóstico de ceratite dendritiforme, especialmente naqueles nunca antes diagnosticados com ceratite herpética. Nestes pacientes, con-sideramos que ainda que o oftalmologista considere ceratite herpética como primeiro diagnóstico, deva ser feito o debrida-mento da lesão, recomendado tanto para ceratite herpética quanto para ceratite por Acanthamoeba(3-6). O material

reco-lhido deve ser enviado para análise laboratorial, quando dis-ponível, que inclua análise direta e cultura em meio especial para Acanthamoeba.

Apesar do aumento do custo do manejo destes pacientes, consideramos que o grave acometimento visual em pacientes usualmente em idade produtiva que a infecção por Acantha-moeba pode causar justifica o cuidado adicional. A análise do

custo/benefício da abordagem que propomos, entretanto, so-mente seria possível com o cálculo exato da freqüência e etiologia da ceratite dendritiforme em usuários de lentes de contato na nossa população.

R E F E R E N C I A S

1. Hofling-Lima AL. Infecções oculares exógenas por bactérias, fungos e parasi-tas. [monografia em CD-ROM]. São Paulo; 2002.

2. Freitas D. Infecções emergentes em oftalmologia; ceratite por Acanthamoeba

[tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 2000

3. Alvarenga L, Freitas D, Hofling-Lima AL. Ceratite por Acanthamoeba. Arq Bras Oftalmol 2000;63:155-60.

4. Kumar R, Lloyid D. Recent advances in the treatment of Acanthamoeba

keratitis. Clin Infect Dis 2002;35:434-41. 5. Sharma S. Keratitis. Biosci Rep 2001;21:419-44.

6. Freitas D, Alvarenga L, Hofling-Lima AL. Ceratite herpética. Arq Bras Oftalmol 2001;64:81-6.

Ceratite dendritiforme em usuários de lentes de contato

Lenio Souza Alvarenga1

Denise de Freitas2

1Doutor em Oftalmologia, Setor de Doenças Externas Oculares e Córnea, Departamento

de Oftalmologia - Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.

2Livre-Docente, Professora do curso de Pós-Graduação em Oftalmologia, Departamento

de Oftalmologia - Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.

Endereço para correspondência: Denise de Freitas. Universidade Federal de São

Paulo - (UNIFESP) - Depto. de Oftalmologia

Referências

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