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Alterações eletrocardiográficas em dermatomiosite e polimiosite.

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(1)

w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Alterac¸ões

eletrocardiográficas

em

dermatomiosite

e

polimiosite

Leticia

Miranda

Alle

Deveza,

Renata

Miossi,

Fernando

Henrique

Carlos

de

Souza,

Andrea

Yukie

Shimabuco,

Maria

Helena

Sampaio

Favarato,

José

Grindler

e

Samuel

Katsuyuki

Shinjo

FaculdadedeMedicina,UniversidadedeSãoPaulo,SãoPaulo,SP,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem1demaiode2014 Aceitoem17deagostode2014

On-lineem24deoutubrode2014

Palavras-chave:

Corac¸ão Dermatomiosite Eletrocardiograma

Miopatiasinflamatóriasidiopáticas Polimiosite

r

e

s

u

m

o

Introduc¸ão: Acometimentocardíaconasmiopatiasinflamatóriaséfrequente. Eletrocardio-grama(ECG)podemostrarindíciosdesseacometimentoesuasalterac¸õesdevemserbem conhecidasedescritas.

Objetivos:Devidoàescassezdetrabalhosnaliteratura,analisamosasalterac¸õesdeECGem pacientescomdermatomiosite(DM)epolimiosite(PM)eascomparamoscomumgrupo controle.

Métodos:EsteestudotransversalcomparouECGsde86indivíduossemdoenc¸as reumatoló-gicas(controles)com112pacientes(78DMe34PM),de2010a2013.Tambémcomparamos osECGsentreDMePM.

Resultados: Característicasdemográficas,comorbidadesealterac¸õesdeECGforam seme-lhantesentrecontrolesepacientes(p>0,05),excetopelamaiorfrequênciadesobrecarga deventrículoesquerdo(SVE)nospacientes(10,7%vs.1,2%;p=0,008).Características demo-gráficas,comorbidades,manifestac¸õesclínicaselaboratoriaistambémforamsemelhantes entreosgruposPMeDM,excetoporlesõescutâneasapenasempacientescomDM.Um terc¸odospacientesapresentoualterac¸õesdeECG,queforammaisprevalentesemPMdo queemDM(50%vs.24,4%,p=0,008).Sobrecargadecâmarasesquerdas(SCE),distúrbiosdo ritmoedaconduc¸ãoforammaisencontradosemPMdoqueemDM(p<0,05paratodos), sobretudoobloqueiodivisionaldoramoanterossuperior.

Conclusões:Encontramosalterac¸õesdistintasdeECGentrePMeDMefrequênciaaumentada deSVEempacientesquandocomparadoscomcontroles.Investigac¸ãodoacometimento cardíaconessasdoenc¸asdeveserconsideradamesmoempacientesassintomáticos, espe-cialmenteemsetratandodePM.Maisestudossãonecessáriosparacorrelacionarosachados deECGcomoutrosexamescomplementares,manifestac¸õesclínicas,atividadedas miopa-tiaseevoluc¸ãoparaoutrasdoenc¸ascardíacas.

©2014ElsevierEditoraLtda.Todososdireitosreservados.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](S.K.Shinjo).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.08.013

(2)

Electrocardiographic

changes

in

dermatomyositis

and

polymyositis

Keywords:

Heart

Dermatomyositis Electrocardiogram Idiopathicinflammatory myositis

Polymyositis

a

b

s

t

r

a

c

t

Introduction: Cardiacinvolvementisfrequentininflammatorymyopathies. Electrocardio-gram(ECG)mayshowevidenceofthisinvolvementanditschangesshouldbewell-known anddescribed.

Objectives: Duetothelackofstudiesintheliterature,weconductedananalysisoftheECG findingsinpatientswithdermatomyositis(DM)andpolymyositis(PM),comparingthem withacontrolgroup.

Methods: Thiscross-sectionalstudycomparedtheECGof86individualswithnorheumatic disorders(controls)with112patients(78DMand34PM),during2010to2013.TheECG findingsbetweenDMandPMwerealsocompared.

Results: Demographiccharacteristics,comorbiditiesandECGabnormalitiesweresimilar betweencontrolsandpatients(p>0.05),exceptforahigherfrequencyofleftventricular hypertrophy(LVH)inpatients(10.7%vs.1.2%,p=0.008).Demographiccharacteristics, comor-bidities,clinicalandlaboratorymanifestations,werealsosimilarbetweenthegroupsPM andDM,exceptforthepresenceofcutaneouslesionsonlyinDM.Onethirdofthepatients hadECGabnormalities,whichweremoreprevalentinPMthanDM(50%vs.24.4%,p=0.008). LVH,leftatrialenlargement,rhythmandconductionabnormalitiesweremorefrequentin PMthanDM(p<0.05forall),especiallytheleftanteriorfascicularblock.

Conclusions: WeshoweddistinctECGchangesbetweenDMandPMandahigherfrequency ofLVHinpatientscomparedtocontrols.Investigationofcardiacinvolvementshouldbe consideredeveninasymptomaticpatients,especiallyPM.Furtherstudiesarenecessaryin ordertodeterminethecorrelationofECGfindingswithothercomplementarytests,clinical manifestations,diseaseactivityandprogressiontoothercardiacdiseases.

©2014ElsevierEditoraLtda.Allrightsreserved.

Introduc¸ão

Dermatomiosite(DM)epolimiosite(PM)sãomiopatias infla-matórias imunomediadas caracterizadas pela presenc¸a de fraqueza muscular proximal progressiva dos membros. Na DM,aindaocorremalterac¸õescutâneastípicas,como helió-tropo e/ou sinal de Gottron. Além disso, manifestac¸ões extramusculares, como envolvimentos articular, cardiopul-monar e do trato gastrintestinal, também podem estar presentesnessasdoenc¸as.1,2

Particularmente oacometimentocardíaco emmiopatias inflamatóriasidiopáticaspodeocorrerem9%-72%doscasos, dependendodométododiagnósticousadoedaselec¸ãodos pacientes.3-6

Entre os pacientes com envolvimento cardíaco, as manifestac¸õesclínicassãoinfrequentesequandopresentes estãorelacionadas,principalmente, àinsuficiênciacardíaca congestiva.6,7Emcontrapartida,aimensamaioriados

paci-entes é assintomática e caracterizada especialmente por alterac¸õesno sistema de conduc¸ão, hipertrofia e dilatac¸ão de câmaras cardíacas e disfunc¸ão diastólica do ventrículo esquerdo.4,5

Até o presente momento, há escassez de trabalhos na literatura que avaliam especificamente alterac¸ões de eletrocardiograma (ECG) em miopatias inflamatórias idiopáticas.3-5,7-13 Quandoexistem,limitam-se basicamente

a descric¸ões vagas e breves de achados eletrocardiográfi-cos nessa populac¸ão.7,9,10,12,13 Além disso, nenhum desses

trabalhos7,9,10,12,13apresentavaumgrupocontrole,nem

ana-lisousistemáticaecomparativamenteaspossíveisalterac¸ões eletrocardiográficasencontradasempacientescomDMePM, oquenosmotivouafazeresteestudo.

Materiais

e

métodos

O presenteestudoétransversaleunicêntrico.Foram avali-ados 112pacientesconsecutivoscomDMePM,segundoos critériosdeBohanePeter,14,15entre2010e2013,em

acompa-nhamentononossoservic¸o.Nãoforamincluídosospacientes com DM amiopática, miopatias inflamatórias associadas a outrascolagenoses, neoplasiasoumiopatiasdeoutras cau-sas.Comogrupocontrole,foramselecionados86indivíduos ambulatoriais, sem história de doenc¸as reumáticas. Todos os participantes do presente estudo apresentavam idade

≥18anos,nãofaziamusodedrogasantiarritmogênicasnem apresentavamhistóriadeangina,palpitac¸ões,infartoagudo domiocárdio,insuficiênciacardíaca,valvopatiase/ou hiperti-reoidismo.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética local [HC 0039/10].

(3)

deECG;sexo;manifestac¸õesclínicas(sintomas constitucio-nais,disfagia,acometimentoarticular[artritee/ouartralgia]); acometimentopulmonar (confirmado por tomografia com-putadorizada: presenc¸a de pneumopatiaintersticial, lesões em“vidro-fosco” ou de faveolamento); alterac¸õescutâneas (heliótropo,pápulasdeGottron,úlceras,calcinose,vasculite cutânea,“V’’dodecote,sinalde“xale”);alterac¸ões laborato-riais (nívelséricode creatinofosfoquinase[CPK], com valor de referência 24-173 U/L, feito pelo método automatizado cinético;fator antinuclear avaliado porimunofluorescência indireta,comousodecélulasHep-2comosubstrato,anticorpo anti-Jo-1pormétododeimmunoblotting).

Tambémforamobtidosdadosdemográficosede comor-bidades (hipertensão arterial sistêmica, hipotireoidismo e

diabetesmellitus)detodososparticipantes.

Um ECG de repouso de 12 derivac¸ões foi solicitado a todospacientespara opresenteestudo,foramfeitose lau-dados no Servic¸ode Eletrocardiologia domesmo Instituto.

Ogrupocontrolefoicompostoporindivíduossequenciaisque haviam feitoECGno mesmoservic¸o,em suamaioria para pré-operatóriodecirurgiasnãovasculares/cardíacas.Foram analisadasnoestudoasseguintesalterac¸ões eletrocardiográ-ficas:distúrbiosdoritmo(extrassistoliaventricular,arritmia sinusal, fibrilac¸ão atrial, ritmo ectópico atrial, taquicardia supraventricular, bloqueio atrioventricular e extrassisto-lia supraventricular), sobrecargas de câmaras (ventrículos esquerdo edireito, átrios esquerdoedireito), distúrbios da conduc¸ão(bloqueiodoramodireito[BRD],bloqueiodoramo esquerdo [BRE], bloqueio divisional do ramo anterossupe-rior[BDAS])ealterac¸õesdifusasdarepolarizac¸ãoventricular (ADRV).Asalterac¸õesencontradasforamcomparadasentreos gruposcontrole,PMeDM.

Os resultados foram expressos como média±desvio padrão(SD),mediana[interquatil25%-75%]ouporcentagem (%).Paraaanáliseestatística,foramusadostestestde Stu-dentedeMann-Whitney,paravariáveiscontínuas,etestesde

Tabela1–Dadosdemográficos,clínicosecomorbidadesdospacientes(dermatomiositeepolimiosite)edogrupocontrole

Controle(n=86) DM/PM(n=112) *p

Médiadeidade(anos) 49,0± 15,3 48,9± 15,4 0,944

Sexofeminino 70(69,0) 80(71,4) 0,923

Tempodedoenc¸a(anos) - 5[2-12]

-Comorbidades

Hipotireoidismo 10(11,9) 15(13,4) 0,877

Hipertensãoarterial 31(36,9) 51(45,5) 0,231

Diabetesmellitus 16(19,0) 17(15,2) 0,654

Alterac¸õeseletrocardiográficas 30(35,8) 36(32,1) 0,761

1item(A,B,CouD) 26(31,0) 29(25,9) 0,525

2itens(A,B,CouD) 4(4,8) 5(4,5) 1,000

3itens(A,B,CouD) 0 2(1,8)

-4itens(A,B,CeD) 0 0 1,000

(A)Alterac¸õesdoritmo 7(8,1) 12(28,6) 0,631

Extrassistoliaventricular 2(2,4) 3(2,7) 1,000

Arritmiasinusal 0 3(2,7)

-Fibrilac¸ãoatrial 1(1,2) 1(0,9) 1,000

Ritmoectópicoatrial 0 2(1,8)

-BloqueioA-VdeIgrau 2(2,4) 3(2,7) 1,000

Taquicardiasupraventricular 0 1(0,9)

-Extrassistoliasupraventricular 2(2,4) 1(0,9) 1,000

Alterac¸ãode1subitemdoA 7(8,3) 10(8,9) 1,000

Alterac¸ãode2subitensdoA 0 2(1,8)

-Alterac¸ãode3oumaissubitensdoA 0 0 1,000

(B)Sobrecargadecâmaras 3(3,6) 13(11,6) 0,063

Ventricularesquerdo 1(1,2) 12(10,7) 0,008

Ventriculardireito 0 0 1,000

Atrialesquerdo 2(2,4) 5(4,5) 0,607

Atrialdireito 0 0 1,000

Alterac¸ãode1subitemdoB 3(3,6) 9(8,0) 0,237

Alterac¸ãode2subitensdoB 0 4(3,6)

-Alterac¸ãode3oumaissubitensdoB 0 0 1,000

(C)Distúrbiodeconduc¸ão 6(7,1) 6(16,0) 0,766

BDAS 4(4,8) 5(4,5) 1,000

BRD 1(1,2) 1(0,9) 1,000

BRE 1(1,2) 1(0,9) 1,000

Alterac¸ãode1subitemdoC 6(7,1) 5(4,5) 0,766

Alterac¸ãode2subitensdoC 0 1(0,9)

-Alterac¸ãode3subitensdoC 0 0 1,000

(D)Alterac¸õesdifusasdarepolarizac¸ãoventricular 18(21,4) 14(12,5) 0,161

(4)

Tabela2–Dadosdemográficos,clínicos,laboratoriaisecomorbidadesdospacientescomdermatomiositeepolimiosite

Total(n=112) DM(n=78) PM(n=34) ap

Médiadeidade(anos) 48,9±15,4 49,1±15,9 48,3±14,3 0,789

Sexofeminino 80(71,4) 58(74,4) 22(64,7) 0,298

Tempodedoenc¸a(anos) 5[2-12] 6[3-15] 4[1-10] 0,121

Manifestac¸õesclínicas

Sintomasconstitucionais 27(24,1) 19(24,4) 8(23,5) 0,565

Disfagia 27(24,1) 20(25,6) 7(20,6) 0,329

Acometimentoarticular 46(41,1) 31(39,7) 15(44,1) 0,661

Acometimentopulmonar 37(33,0) 28(35,9) 9(26,5) 0,329

Lesõescutâneas

Heliótropo 65(58,0) 65(83,3) 0

-PápulasdeGottron 73(65,2) 73(93,6) 0

-Úlceras 32(28,6) 8(10,3) 0

-Calcinose 10(8,9) 10(12,8) 0

-Vasculitecutânea 11(9,8) 11(14,1) 0

-“V’’dodecote 9(8,0) 9(11,5) 0

-Sinaldexale 3(2,7) 3(3,8) 0

-Alterac¸õeslaboratoriais

CPKinicial(U/L) 723[244-4012] 533[170-3748] 2076[728-4868] 0,221

Fatorantinuclear 49(43,8) 36(46,2) 13(38,2) 0,437

Anticorpoanti-Jo-1 8(7,1) 4(5,1) 4(11,8) 0,261

Comorbidades

Hipotireoidismo 15(13,4) 10(12,8) 5(14,7) 0,770

Hipertensãoarterial 51(45,5) 37(47,4) 14(41,2) 0,541

Diabetesmellitus 17(15,2) 10(12,8) 7(20,6) 0,390

CPK,creatinofosfoquinase;DM,dermatomiosite;PM,polimiosite.

a Comparac¸ãoentreospacientescompolimiositeedermatomiosite.

qui-quadradooudeFisher,paradadoscategóricos.Esses cál-culos foram feitoscom o programa de computador STATA versão 7.0 (STATA, CollegeStation, TX, EUA). Valores de p<0,050foramconsideradosestatisticamentesignificativos.

Resultados

Ascaracterísticasgeraisdos112 pacientes(DM ePM)edo grupo controle (n=86) estão apresentadas na tabela 1. Os dadosdemográficoseascomorbidadesforamsimilaresem ambososgrupos(p>0,05).OsachadosdeECGtambémforam semelhantes,excetopelamaiorfrequênciadeSVEnos paci-entes,quandocomparadosaogrupocontrole(10,7%vs.1,2%; p=0,008).Asalterac¸õesderitmoforammaisfrequentesnos pacientesemrelac¸ãoaoscontroles,porémsemsignificância estatística(28,6%vs.8,1%;p=0,631).

Umaanálise adicional quecomparou 78 DM e34 PM é apresentadanatabela2.Ospacientes comDMePMforam comparáveisquantoadadosdemográficos,clínicos, laborato-riaisequantoacomorbidades,excetopelapresenc¸adelesões cutâneasapenasempacientescomDM.

Umterc¸odospacientesapresentavaalterac¸ões eletrocar-diográficas(tabela3),asquaisincluíamalterac¸õesdoritmo (extrassistoliaventricular, arritmiasinusal, fibrilac¸ão atrial, ritmo ectópico atrial, bloqueio A-V de I grau, taquicardia supraventricular,extrassistoliasupraventricular),sobrecarga de câmaras (átrio e ventrículo esquerdos) e distúrbios da conduc¸ão(BDAS,BRDeBRE)eADRV.Apresenc¸adealterac¸ões foiencontradacommaiorfrequênciaempacientescomPM quandocomparadoscompacientescomDM(50%vs.24,4%,

p=0,008).Maisdeumaalterac¸ãodeECGporpacientefoi obser-vadaapenasemPMenenhumcasofoirelatadoempacientes comDM.Nenhumsujeitodoestudoapresentoualterac¸õesem câmarasdireitas.

Asfrequênciasdealterac¸õesdoritmoedesobrecargade câmarasforammaioresempacientescomPMquando compa-radoscomoscomDM(p=0,007ep=0,003;respectivamente). TantoaSVEquantoadeátrioesquerdoforampredominantes empacientescomPM(p=0,007ep=0,029,respectivamente) (tabela3).Fibrilac¸ão atrial,extrassistolia supraventriculare bloqueioatrioventriculardeprimeirograuforamobservados apenasempacientescomPMenenhumcasofoirelatadoem pacientescomDM.Taquicardiasupraventricularfoiobservada emapenasumcasoemtodooestudo,empacientecomDM.

Distúrbiosdeconduc¸ãotambémforammaisencontrados empacientescomPM(p=0,010),comdestaqueparaoBDAS (p=0,029).NenhumpacienteapresentouBRDouBREnogrupo DMemcomparac¸ãoaumcasodecadanogrupoPM.

Discussão

(5)

Tabela3–Dadosdemográficos,clínicos,laboratoriaisecomorbidadesdospacientescomdermatomiositeepolimiosite

Total(n=112) DM(n=78) PM(n=34) p

Alterac¸õeseletrocardiográficas 36(32,1) 19(24,4) 17(50,0) 0,008

1item(A,B,CouD) 29(25,9) 19(24,4) 10(29,4) 0,367

2itens(A,B,CouD) 5(4,5) 0 5(14,7)

-3itens(A,B,CouD) 2(1,8) 0 2(5,9)

-4itens(A,B,CeD) 0 0 0 1,000

(A)Alterac¸õesdoritmo 12(28,6) 4(5,1) 8(23,5) 0,007

Extrassistoliaventricular 3(2,7) 1(1,3) 2(5,9) 0,166

Arritmiasinusal 3(2,7) 2(2,6) 1(2,9) 1,000

Fibrilac¸ãoatrial 1(0,9) 0 1(2,9) 0,304

Ritmoectópicoatrial 2(1,8) 1(1,3) 1(2,9) 0,517

BloqueioA-VdeIgrau 3(2,7) 0 3(8,8)

-Taquicardiasupraventricular 1(0,9) 1(1,3) 0

-Extrassistoliasupraventricular 1(0,9) 0 1(2,9)

-Alterac¸ãode1subitemdoA 10(8,9) 3(3,8) 7(20,6) 0,008

Alterac¸ãode2subitensdoA 2(1,8) 1(1,3) 1(2,9) 0,517

Alterac¸ãode3oumaissubitensdoA 0 0 0 1,000

(B)Sobrecargadecâmaras 13(11,6) 4(5,1) 9(26,5) 0,003

Ventricularesquerdo 12(10,7) 4(5,1) 8(23,5) 0,007

Ventriculardireito 0 0 0 1,000

Atrialesquerdo 5(4,5) 1(1,3) 4(11,8) 0,029

Atrialdireito 0 0 0 1,000

Alterac¸ãode1subitemdoB 9(8,0) 3(3,8) 6(17,6) 0,022

Alterac¸ãode2subitensdoB 4(3,6) 1(1,3) 3(8,8) 0,083

Alterac¸ãode3oumaissubitensdoB 0 0 0 1,000

(C)Distúrbiodeconduc¸ão 6(16,0) 1(1,3) 5(14,7) 0,010

BDAS 5(4,5) 1(1,3) 4(11,8) 0,029

BRD 1(0,9) 0 1(2,9)

-BRE 1(0,9) 0 1(2,9)

-Alterac¸ãode1subitemdoC 5(4,5) 1(1,3) 4(11,8) 0,029

Alterac¸ãode2subitensdoC 1(0,9) 0 1(2,9) 1,000

Alterac¸ãode3subitensdoC 0 0 0 1,000

(D)Alterac¸õesdifusasdarepolarizac¸ãoventricular 14(12,5) 10(12,8) 4(11,8) 1,000

A-V,atrioventricular;BDAS,bloqueiodivisionalanterossuperior;BRD,bloqueioderamodireito;DM,dermatomiosite;PM,polimiosite.

comparados aos pacientes com DM, sobretudo pela maior

frequênciadesobrecargadecâmarasesquerdas,dealterac¸ões deritmoedapresenc¸adeBDASnoprimeirogrupo.

Atéagora,háescassezdetrabalhosqueavaliamalterac¸ões

eletrocardiográficas empacientes com DM ePM e quando

presentes se limitama uma casuística pequena e/ou com

ausênciadeumgrupocontrole,7,9,10,12,13 diferentementedo

presenteestudo.Asalterac¸õesdeECGemmiopatias inflama-tóriasidiopáticasocorremem33%-72%.3-5,7-13

NossosdadosmostramqueSVEestavapresentedeforma significativaempacientescomDMePM,quando compara-doscomogrupocontrole.Alémdisso,umaanáliseadicional mostrouapersistênciadesobrecargadecâmarasesquerdas empacientescomPM,quandocomparadosaospacientescom DM.Esseachadopoderiaserjustificadopelaaltaprevalência dehipertensãoarterialsistêmica,comumenteencontradaem pacientescomDMePM,16,17 emboratenhasidosemelhante

à prevalênciado grupo controle. É necessário, no entanto, avaliaro tempoe o graude hipertensão arterial sistêmica nessesindivíduos,assimcomoseucontrolepressórico.Ainda podetercontribuídoparaasobrecargadascâmaras esquer-dasaprópriafisiopatogênesedaDMedaPM.Háindíciosda presenc¸adeinfiltradodecélulasinflamatóriasmononucleares noendomísioenasáreasperivascularesdemiocárdio,assim comodegenerac¸ãode miócitoscardíacos eáreas defibrose

miocárdica.12,13,18,19Esseprocessoinflamatórionomiocárdio

podelevararemodelamento,comalterac¸ãoanatômicae fun-cional do miocárdio e, em última análise, a umapossível disfunc¸ãoventricularesquerda,alémdecardiomiopatia res-tritivaeinsuficiênciacardíaca.Sendoassim,asalterac¸õesde ECGpodemserumachadoprecocedessascomplicac¸ões.

Corroborando nossosdados, Sharrattet al.10 mostraram

quecincodos13pacientescomPMapresentavamalterac¸ões cardíacas vistas por exame clínico, ECG e/ou radiografia de tórax. Desses cinco, quatroapresentavam alterac¸ões de disfunc¸ãoventricularesquerda,vistasporECG.JáGonzalez etal.4observaram,emcasuísticade32pacientes,apresenc¸a

dedisfunc¸ãodiastólicadoventrículoesquerdoem42%dos casos. Schwartz et al.11 compararam 59 portadores de DM

juvenilcom59indivíduossadioseobservaramquesomente ospacientesapresentavamdisfunc¸ãodiastólica (ventricular esquerda)subclínica,oquemostraquetalalterac¸ãoéinerente àdoenc¸a(DMjuvenil).

(6)

anormalidadesnessapopulac¸ão:extrassístolesatriaise ven-triculares,taquicardiaatrial,taquicardiaventricular,fibrilac¸ão atrial, bloqueio de conduc¸ão atrioventricular, bloqueios de ramo,ondas Q anormaise alterac¸õesinespecíficas de seg-mentoST-T.3,4,6,7

Emestudoscomautópsia,foramencontradasalterac¸ões histológicasnosistemadeconduc¸ãocomapresenc¸ade infil-tradodelinfócitosefibrosede nódulosinoatrial,18,19 o que

podejustificarapresenc¸adosachadosdeconduc¸ãoem paci-entescommiopatiasinflamatóriasidiopáticas.

Nossoestudotemcomolimitac¸ãonãoapresentaravaliac¸ão cardíaca estrutural, nem avaliac¸ão quanto à inflamac¸ão domiocárdio. Noentanto, como o acometimentocardíaco constitui fator de pior prognóstico para os pacientes com miopatias,20 oECGpodeservir como ferramentanão

inva-siva,barataepráticaparaavaliac¸ãoinicialederastreamento desseproblema.Outrofatorlimitanteéonãoestabelecimento decorrelac¸ãodosachadosdeECGparticularmentecoma ati-vidadedadoenc¸a(DM/PM).Alémdisso,devemosconsiderar queaescassezdediferenc¸aseletrocardiográficasencontradas entrepacientesecontrolestambémpodesedeveraviésde selec¸ão,jáqueogrupocontrolefoiprovenientedosetorde pré-operatório(eclínicamédica)comfrequênciade comorbi-dadessemelhanteàdospacientesepodemapresentarmaior frequênciadealterac¸õeseletrocardiográficas doque indiví-duossaudáveis.Entretanto,acreditamosqueesseviésnãofoi expressivo,devidoaofatodequeamaioriadosECGnogrupo controlefoifeitaempacientesenvolvidosempré-operatórios decirurgiasnãocardíacas/vasculares.

Em síntese, observamos maior frequência de SVE em pacientes com miopatias inflamatórias. Além disso, houve distinc¸ãodeachadosdeECGentreospacientescomDMePM, commaiorprevalênciadesobrecargadascâmarasesquerdas ededistúrbioderitmoedeconduc¸ãoempacientescomPM, quandocomparadoscomosportadoresdeDM.

Maisestudossãonecessáriosparadeterminaracorrelac¸ão dosachados de ECGcom outrosexames complementares, manifestac¸ões clínicas,atividade das miopatias e evoluc¸ão paraoutrasdoenc¸ascardíacas.

Conflitos

de

interesse

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Referências

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