~\o
TRANSPORTE
INTERMODAL DE
CARGAS
AGRICOLASE
SUAS INTERFACES
NO BRASIL
Aluno: Antonio Luiz de Carvalho
Orientador: Prof. Marcos A. Vasconcelos
Fundação Getulio Vargas ..zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Escola deAdmillisb'açiio
de Empresas de Slo Pau lo "
Biblioteca ~
(S) (S) N
'-(O "'<tINDICE
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAIntrodução
Importância do Estudo
Caracterização do Sistema Agro-Industrial
CAPITULO I - SOJA
Histórico da soja
Estimativa das cargas futuras - Complexo soja
A industria esmagadora de soja
O "custo Brasil" e a indústria de esmagamento de soja
Infra-estrutura e logística
Remuneração recebida na fazenda pela venda da soja
As Novas Fronteiras
Fluxos na Nova Fronteira
Macro-Região Oeste Macro-Região Noroeste Macro-Região Norte Macro-Região Sul Macro-Região Sudeste 1 2 3 6zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 7 8 12 17 19 23 24 27 28 39 40 42 42 43 43 44 45
46
49
51 52 53 53 54 55 72 8594
97 Macro-Região LesteOs sistemas de logística na Nova Fronteira
Conclusão
CAPITULO 11 - ARROZ Arroz
Tipos de cultura orizicola no Brasil
Custos de produção do arroz
Canais de distribuição do arroz
Beneficiamento de arroz no Rio Grande do Sul
Destino do arroz gaúcho beneficiado, no consumo interno
Logística de distribuição do arroz gaúcho
Análise das alternativas de transporte na distribuição fisica do arroz gaúcho
Análise comparativa das alternativas de transporte
Conclusões
Bibliografia e referências
Introdução
Objetivo do Trabalho
O objetivo do trabalho é analisar o transporte intermodal de cargas agrícolas e suas
interfaces no Brasil.
Devido ao grande numero de combinações possíveis, decidiu-se concentrar os estudos
na movimentação de grãos, e dentro desta alternativa escolheu-se a soja que é o principal item
da pauta de exportações agrícolas brasileira, superando o tradicional café (MRE
(I) -Cacex), e o
arroz que é o principal item de consumo alimentar no Brasil (MAA
(2) -Ministério da
Agricultura e do Abastecimento).
Esta análise envolverá a movimentação dos produtos escolhidos para estudo, desde a
fonte produtora, passando pela unidade de beneficiamento ou industrialização, até chegar ao seu
ponto de entrega, incluindo: embalagem (quando o transporte não é for granel), modal de
transporte utilizado, interfaces de transferência e armazenagem, quantidades movimentadas de
cada produto típico e a pesquisa de custo porta-a-porta.
Como conclusão será feita uma avaliação critica dos procedimentos logísticos
encontrados e feitas sugestões para melhorar a qualidade e reduzir os custos totais nas
movimentaçõesdas cargas estudadas.
Dentre os grãos produzidos no Brasil, a soja representou em 1997 cerca de 44,65% da
produção total de grãos (ver quadro Produção de Grãos no Brasil) e representou cerca de 10,8%
do total da pauta de exportação brasileira, sendo o principal produto agroindustrial exportado
(ver quadro Exportações Brasileiras - Principais Produtos).
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAProdução de Grãos no Brasil
--- ---zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA... .... .... -- --- --- .... --- --- -- -- --
--1994 1995 1996 1997
--- ... ... ... . .... ... ... ... ... ... --- ... ... ... ... ... --- --- ... .... 00.0 •• •• Produção de grãos - mil toneladas 75.174 79.376 73.611 77.565
Milho 32.487 36.275 32.185 34.633
Soja 24.912 25.651 23.562 26.433
Trigo 2.092 l.534 3.359 2.450
Feijão 3.368 2.946 2.822 2.991
---Outros grãos l2.315 12.970 11.683 1l.058
.... .. -- ... Café (em coco) - mil toneladas 2.613 l.858 2.686 l.694
:
Fonte: mGE (3)
Exportações Brasileiras - Principais produtos
Em US$ milhões FOB1994 1995 1996 1997
Valor 0/0 ValorzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA% Valor % Valor % Produtos.p.rimários 15.564 35,7 16.787 36,1 18.071 37,8 20.254 38,2
Café (inc~.so~*vel) ... 2.558 .. 5,9 2.426 5,2 2.095 4,4 3.094 5,8
Soja 4.135 9,5 3.820 8,2 4.458 9,3 5.729 10,8
Cacau e derivados 281 0,6 117 0,3 162 0,3 116 0,2
Açúcar ... ... 983 2,3 1.817 3,9 1.491 3,~. 1.770 3,3
Suco de laranja 986 2,3 1.105 2,4 1.392 2,9 1.003 1,9
Carne 1.334 3,1 1.297 2,8 1.509 3,2 1.563 2,9
. Min~rio de F~, Mg, e~c. 2.500 .. 5,7 2.746 5,9 2.933 .. 6,1 3.061 5,8
Fumo em folhas 694 ),6 769 ... 1,7.. 1.029 ...2,2 l.091 2,1
Produtos industrializados 27.981 64,3 29.720 63,9 29.676 62,2 32.732 61,8
M.aterialde tr(illsp()rte.. 4.660 10.,7 4.259 .... 9,2 4.750 9,9.. 6.758 12~~.
.. . ... ".. .. .. ... .. ... .. .. . ... ..
Maqs, einstr. mecânicos 2.878 6,6 3.050 6,6 3.150 6,6 3.393 6,4
Equip. elétr. e eletrônicos 1.404 3,2 1.505 3,2 1.584 3,3 l.783 3,4
... ..J;>~oduto~:m~~úr.gic()~ 6.081 .. .1.4,0 6.593 .. ~4,2. 6.261 ..1311 6.018.. 11:.4
P~odutosquímico~ 2.841 6,5 3.348 },2. 3.464 7,3 3.829 7,2
. . ...
Madeiras e manufaturas 1.066 2,4 1.135 2,4 1.110 2,3 1.218 2,3
...~alçados e .l)ro~s.de..co~o 1.674... .. ... 3.,.8 1.550 . . 3,3 ...1.712 3,6 l.663 3,1
o ••• ..
Derivados de petróleo 1.131 2,6 774 .. 1,7 927 1,9 973 1,8
Papel e celulose 1.794 4,1 2.705 5,8 1.935 4,1 l.991 3,8
Produtos têxteis 1.378 3,2 1.328 2,9 1.272 2,7 l.250 2,4
.. .. . .. .... ... ... ... ... .... ... .... .. . .. .. . .
Total 43.545 100,0 46.506 100,0 47.747 100,0 52.986 100,0
Fonte: SecexlMICT
Importância do Estudo
A agropecuária representa cerca de 12% do PIB nacional, considerando-se apenas o
valor da produção. Quando se usa o conceito moderno de "agribusiness" (que abrange a soma
total das operações de produção e distribuição de insumos e novas tecnologias agrícolas,
produção propriamente dita, armazenamento, transporte, processamento e distribuição dos
produtos agrícolas e seus derivados), a participação do complexo agro-industrial alcança mais
de 35% do PIB, evidenciando o efeito multiplicador que esse setor exerce sobre a economia
como um todo e sobre o interior do País em particular (André Pessoa - Assessor MIC).
o
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBABrasil apresenta grande potencial de crescimento para sua produção agrícola, pois conta com clima favorável que possibilita duas ou mais safras por ano; grandes extensões deáreas agricultáveis ainda não aproveitadas; disponibilidade de água; produtores e agroindústrias
com bom nível tecnológico; demanda mundial por alimentos em crescimento; e, acima de tudo,
um grande potencial de aumento no consumo interno.
Apesar de todo esse potencial, a agricultura brasileira não vem crescendo a taxas
expressivas nos últimos anos. É portanto fundamental, que sejam resolvidos os principais
problemas que afligem a agroindústria brasileira, que são o crédito agrícola e a infra-estrutura
logística (Trevisan - Tendências do Agribusiness Brasileiro (4) - 1999).
Ao se dedicar à analise transporte intermodal de cargas agrícolas e suas interfaces, este
estudo espera contribuir para a melhor compreensão dos problemas logísticos ligados ao
"agribusiness" brasileiro.ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
C a ra cteriza cã o d o S istem a A g ro -in d u stria l
Ainda não esta longe o tempo em que agricultura era sinônimo de plantação e de
sistemas rústicos, concebidos para a subsistência. Toda a operação era feita na "fazenda", desde
a produção dos insumos, cultivo e armazenagem até a comercialização da safra.
Na década de 80, surgiram no Brasil complexos agro-industriais ou sistemas de
"agribusiness", que deram nova dimensão e profissionalismo ao setor. O termo "agribusiness"
apareceu pela primeira vez em 1957, nos Estados Unidos, agrupando num só conceito o total
das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, de produção nas unidades
agrícolas, de armazenamento, de processamento e distribuição dos produtos agrícolas e seus
subprodutos. Começa assim a abordagem sistêmica, que passou a considerar grupos do
complexo agro-industrial.
Contrariando as projeções de retração da economia para 1999, o setor agrícola nacional
deve registrar crescimento de 0,8% do PIB, o que reafirma sua expressividade no
desenvolvimento do País (Trevisan - Tendências do Agribusiness Brasileiro - 1999).
Em dezembro de 1998, segundo dados da Conab, apenas a produção do algodão em
caroço, amendoim em casca, arroz em casca, banana, batata-inglesa, cacau, café-coco,
cana-de-açúcar, feijão, fumo em falha, laranja, milho, mandioca, soja, tomate e trigo representaram uma
receita de US$ 39,8 bilhões. Comparada às safras anteriores, as áreas ocupadas pelos setores do
"agribusiness" permaneceram relativamente estáveis: entretanto, a produção aumentou, o que
sugere crescimento da atividade agrícola no Brasil de forma mais produtiva.
Produção Agrícola Brasileira de Grãos
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA,
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(Area
e Tonelada)
90 ~ - - - .
80 + - -.-- ..- :zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 70 +...-... ...••...••...
60+··· ...-···-···" ...=
50 40
30
20
10
o
80 85 90 95 98
Data
Fonte: CONAB· Extraído do Agroanalysis FGV· Abr/99
o
grande limitador da expansão da área cultivada foram os custos logísticos embutidos no custo total da produção agrícola em áreas mais distantes somado ao custo de fazer o grãochegar ao ponto de consumo. Como nos demais setores da economia, modernização dos
processos agrícolas vem fazendo com que a mão-de-obra retida nessa atividade tenda a
diminuir. Em países desenvolvidos, apenas 3% da população em idade de trabalho atua no setor
agrícola; nos países de renda mais baixa, chega a 44% desta população. (Trevisan - Tendências
do Agribusiness Brasileiro - 1999).
No transporte intermodal, em particular, surge também o problema da coordenação das
atividades de contratação de vários prestadores de serviço de transporte, transbordo, etc. Esta
dificuldade pode ser suprida pelo melhor conhecimento das operações logísticas por parte do
embarcador ou pela contratação de operadores logísticos.
Segundo Dornier e outros, no livro Global Operations and Logistics, pág. 11:
"The totallogistics service package is the result of a logical sequencing of ínterim steps.
At each step, an intermediate provision of service occurs that contributes, ultimately, to the final
result."
Segundo uma pesquisa preparada pela "The Ohio State University", coordenada pelos
professores B. La Londe e M. Cooper, intitulada "Partnerships in Providing Custumer
Service-A Third Party Perspective", pag 33:
"Despite problems, the amount of intermodal traffic is increasing. Carriers and shippers
are seeking to reduce costs while maintaining or increasing service. Since different modes offer
different trade-offs concerning price, speed, consistency, and security, one hedge for the shipper
is to combine services to obtain an acceptable level on critical variables."
O custo total dos transportes é fundamental para o desenvolvimento de uma nação. Uma
das características das nações desenvolvidas, quando comparadas com as nações em
desenvolvimento é o seu relativo baixo custo de transporte. Ballou, Ronald H., em seu livro
"Basic Business Logistics - Transportation, Materials Management, Physical Distribuition", 2zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAnd Edition, pag 97, comenta:
One need on1y contrast the economics of a developed nation with those of a developing
nation to see the part that transportation plays in creating a high level of economic activity. With
the advent on inexpensive and readily available transportation services, the structure of the
economy changes toward that of developed nations. More specifically, an improved
transportation system contributes to (1) greater competition in the marketplace, (2) greater
economics of scale in production, and (3) reduced prices for goods"
Um fator que deve colaborar para facilitar a utilização do transporte através de vários
modais é a regulamentação do OTM - Operador de Transporte Multimodal. (Ver legislação em
anexo). As operações logísticas intermodais, através de um OTM têm a vantagem de haver um
único responsável por todas as operações que envolvem um transporte porta-a-porta. Neste
caso, o OTM emite ao embarcador um único conhecimento de transporte que cobre o
transporte, desde o recebimento da mercadoria, até a sua entrega no destino final, independente
dos modais que serão utilizados.
C a p itu lo I - S o ja
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAHistórico da soja (Informativo ABIOVE
(6) -Agregando valor na cadeia da soja)
A soja foi trazida ao ocidente não para alimentar pessoas, mas para a produção de
dinamite. Em 1908 a indústria química inglesa produzia milhares de toneladas de dinamite para
atender a demanda imposta pela construção do canal do Panamá. Não havia óleo de linhaça e
algodão suficientes para gerar a glicerina necessária. O óleo de soja foi a alternativa
emergencial. Entre 1900 e até o início da 2
8Guerra Mundial a população rural pouco dependia
dos alimentos industrializados. A demanda estava aquecida para produtos manufaturados não
alimentícios como os automóveis e seus materiais de revestimento e moldagem (resinas,
plásticos e tintas). Havia também mercado para explosivos (utilizados na abertura de estradas e
minas) e para os eletrodomésticosque começavam a substituir a força fisica dentro de casa.
A crise de 1929 reduziu a renda de forma cruel. Preocupado em gerar receita no meio
rural, onde se concentravam seus potenciais compradores de automóveis, Henry Ford acionou o
centro tecnológico da Ford para que criasse valor na cadeia do agribusiness. A alternativa foi
buscar tecnologias e fontes não tradicionais para a produção de materiais. Fibras para os
estofamentos e resinas foram desenvolvidasa partir da soja.
A explosão de consumo de alimentos industrializados nas últimas décadas beneficiou
principalmente a soja por ser o elo fundamental para a viabilização da produção de proteínas
animais de ciclo curto (aves, suínos e peixes). Em paralelo o óleo vegetal substituiu a banha e a
gordura bovina por ser mais saudável e barato. Hoje o óleo de soja sofre concorrência do óleo
de palma (de custo ainda mais baixo) e dos óleos ainda mais saudáveis (como o de canola e
girassol). Mesmo assim, é consumido em mercados emergentes, ávidos por produtos mais
nobres do que as dietas de carbohidratos.
Demanda para proteína vegetal - Não se vislumbra ameaça para a crescente demanda de
proteínas vegetais. Quer como matéria-prima para animais de ciclo curto (aves, peixes e suínos)
ou como insumo direto (proteínas funcionais para alimentos tradicionais e proteínas nutricionais
para bebidas, dietas etc). A veiculação dos beneficios das isoflavonas intimamente ligadas às
proteínas isoladas da soja na imprensa científica dos últimos três anos, traz um impulso novo
nessa indústria. Sem receio de errar estamos no começo de um novo ciclo no agribusiness: o
ciclo dos produtos
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAnutraceuticos.São alimentos com propriedades medicinais preventivas. As
descobertas das propriedades das isoflavonas quanto à compensação hormonal na menopausa e
da redução do colesterol LDL, explicam a disputa recente pelo controle de empresas como
Protein Technologies International pelos gigantes da química e da biotecnologia.
Demanda para óleo de soja - Para este produto a concorrência será acirrada. A palma, apesar
de ter limitação de plantio entre os paralelos +5° e _5° da linha do equador, é uma cultura de
baixo custo devido à alta produtividade por hectare. Salvo a ocorrência de eventual embargo
para novos plantios por razões ecológicas (destruição das selvas tropicais nativas), o óleo de
palma estará competindo com o óleo de soja em inúmeras aplicações.
A tendência das autoridades e da mídia em educar os jovens para uma menor ingestão de
calorias, também trará alguma retração (não detectada até agora) de consumo. Nosso
metabolismo animal é suficientemente sábio para saber o limíte inferior, mas as substituições
irão ocorrer. Uma alternativa para a qual o Brasil deve estar atento é a área de pesquisa de
produtos ecologicamente corretos derivados de óleo de soja (combustíveis, plásticos, etc). Hoje
o petróleo tem custo extremamente baixo se comparado aos óleos vegetais. Mas no futuro,
quando a soja estiver sendo industrializada no coração do país, passará a ter sentido que parte da
potência dos tratores venha da combustão do óleo de soja e não somente do óleo árabe ou do
óleo sugado a dois míl metros na bacia de Campos.
Estimativas das Cargas Futuras - Complexo Soja
(Ver nota)Introdução
o
mercado mundial de soja e derivados movimenta cerca de 17 bilhões de dólares,
sendo o farelo com óleo de soja responsáveis por cerca de 57% desse total.
Contudo, a tendência ao acirramento da concorrência nos próximos anos e fatores
restritivos à competitividade no mercado mundial podem afetar a soja brasileira caso esses
obstáculos não sejam superados.
Das principais causas explicativas do acirramento da concorrência internacional e da
aparente inviabilidade da manutenção da posição alcançada pelo Brasil em 1996, quando as
exportações de farelo e de óleo bruto de soja representaram respectivamente 33,8% e 22.3% do
total do comércio mundial citam-se:
• manutenção das políticas de incentivo às suas exportações por parte dos Estados
Unidos e dos países da União Européia;
• entrada de novos países no comércio internacional descia;
• maior participação no comércio de óleo bruto de soja> de produtos substitutos,
como óleo de palma e óleo de canola;
• desregulamentação do comércio mundial;
• políticas restritivas à entrada da soja brasileira
Nota: Resumo do relatório da
Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes - GEIPOT Corredores Estratégicos de Desenvolvimento: Relatório Final - PaI! 97
Em contrapartida, por parte do Brasil, há ainda hoje, certos fatores restritivos
à
competitividade da soja no mercado mundial:
• baixa produtividade e elevados custos de produção;
• elevada capacidade ociosa da indústria processadora:
• elevado custo do capital de giro para aquisição da matéria-prima:
• elevados custos de armazenagem e de transporte;
• elevada carga tributaria incidente sobre produtos e insumos;
• existência de um grande mercado interno e portanto, de um maior crescimento
do consumo interno.
Isso tudo leva alguns organismos mundiais a fazerem projeções pessimistas sobre a
participação do Brasil no comércio mundial da soja.
Mas há fatores positivos que podem reverter essas tendências negativas, principalmente
quando colocados em um cenário de estabilização econômica, com elevado crescimento a partir
da virada do milênio.
De tato, a indústria de soja no Brasil possui plantas industriais modernas, com economia
de escala e sem defasagem tecnológica. Além disso, processam-se hoje, no país inovações
direcionadas ao desenvolvimento de sementes, com características de ácidos graxos que
atendem aos requisitas de saúde.
E, embora a alta capacidade ociosa do parque industrial seja responsável pela baixa
rentabilidade do setor, verifica-se, com as mudanças que vêem ocorrendo na carga tributária e
com o acirramento da concorrência interna, uma aceleração do processo de reestruturação do
setor industrial da soja.
Em decorrência, há fechamento de plantas industriais de baixa capacidade de
processamento e/ou localizadas em regiões onde de menor produtividade de soja, por isso, a
manutenção da participação do Brasil no mercado mundial é urna hipótese viável, aqui
assumida.
Prevê-se que o farelo e o óleo de soja, exportados pelo Brasil possam permitir, em
2015. uma participação do pais no comércio mundial, com, respectivamente cerca de 36% e
25% do total. Para que isso possa ocorre há necessidade de
• incorporar novas áreas potenciais, principalmente nos estados de Mato Grosso,
Rondônia, Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí;
• aumentar a produtividade agrícola da soja, alcançando-se, em 2015, a média. de
3,2 tonlha;
• reduzir os custos de transporte e de armazenagem;
•
eliminar os encargos tributários sobre produtos e insumos (ICMS);
• acelerar a reestruturação industrial iniciada com consequente redução da
capacidade ociosa,
• produzir melhor aproveitamento das economias de escala;
• criar condições mais favoráveis para pesquisa agrícola (lei de proteção dos
cultivares).
Nessa suposição que de fato vem ocorrendo, pode-se afirmar que há muitas
chances do Brasil vir a aumentar sua participação no comércio internacional do complexo
soja-grão, farelo e óleo bruto No caso da exportação de soja em grão espera-se um aumento
significativo da participação do país no total do comercio mundial passando dos atuais 10,9%
para cerca de 14%.
Os quadros a seguir mostram a possível evolução do comércio internacional de
soja em grão, farelo de soja e óleo de soja:
PONMLKJIHGFEDCBAC O M É R C IO IN T E R N A C IO N A L D E S O JA E M G R Ã O
2000 - 2005 - 2015ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
E X P O R T A D O R 2 .0 0 0 2 .0 0 5 2 .0 1 5zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Estados Unidos 25.000 26.000 35.500
Brasil 3.750 5.000 8.000
Argentina 3.000 4.800 7.900
Canadá 350 300 100
China 180 150 50
União Européia * 350 400 600
Américas Central e do Sul 2.600 3.150 4.500
Outros 170 200 350
T O T A L 3 5 .4 0 0 4 0 .0 0 0 5 7 .0 0 0
Fonte: GEIPOT
'" Comércio entre países.
C O M É R C IO IN T E R N A C IO N A L D E F A R E L O D E S O JA
2000 - 2005 - 2015zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(10zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA3
ton)
EXPORTADOR
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA2 .0 0 0 2 .0 0 5 2 .0 1 5Estados Unidos 5.900 5.800 5.100
Brasil 12.300 12.500 15.000
Argentina 9.300 10.000 10.900
Canadá 25 30 70
China 85 70 30
União Européia * 3.650 3.850 4.200
India 2.800 3.800 4.400
Américas Central e do Sul 1.340 1.600 1.800
Outros 350 350 500
TOTAL
3 5 .7 5 0 3 8 .0 0 0 4 2 .0 0 0Fonte: GEIPOT
*Comércio entre países.
C O M É R C IO IN T E R N A C IO N A L D E Ó L E O D E S O JA
2000 - 2005 - 2015
EXPORTADOR
2 .0 0 0 2 .0 0 5 2 .0 1 5Estados Unidos 915 1.020 1.200
Brasil 1.950 2.000 2.100
Argentina 1.970 2.150 2.500
China 85 30 O
União Européia * 1.050 1.000 800
Malásia 120 130 350
Asia/Oceania 120 130 550
Américas Central e do Sul 320 470 800
Outros 70 70 50
TOTAL
6 .6 0 0 7 .0 0 0 8 .3 5 0Fonte: GEIPOT
*Comércio entre países.
A
indústria esmagadora de soja
A indústria mundial de esmagamento de soja é uma indústria dinâmica onde devem
ocorrer muitas mudanças, principalmente durante a primeira década do ano 2000. Esta
industria, no Brasil, até a década de 60 caracterizava-se por ser constituída de inúmeras
pequenas e médias unidades de propriedade familiar que esmagavam caroço de algodão,
amendoim e mamona. Quando a produção de soja iniciou sua expansão no inicio dos anos 70,
muitas destas unidades passaram também a esmagar soja. (História da Industria Esmagadora de Soja - Embrapa) (Ver nota)
A figura abaixo apresenta a cadeia completa da soja:nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A CADEIA COMPLETA DA SOJA
Processadores de Alimentos
Óleos RefinadosmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBArL:l
Óleos Hidrogenados ProcessadoreszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ~
Óleos Interesterificados de Ração
O
Tocoterol ~
Proteína Texturizada Serviços de
~
Proteína Concentrada Alimentação
Proteína Dietética rL:l
Fibra Dietética Nutri / Pharma
Z
O
Isofla vórias U
Lecitínas
Química Fina
'-- __ ---, SEMENTES
I
FERTILIZANTES r-"-'---'---' DEFENSIVOSEQUIPAMENTOS
Fonte: Informativo ABIOVE - Edição Especial
Nota: Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária História da Indústria Esmagadora de Soja Publicado na Internet - http\\www.embrapa.br
A
indústria de esmagamento da soja
Analisando o estudo do Rabobank InternationaI
(8)feito pela sua divisão de Food
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA&Agribusiness Research intitulado "The crushing industry in Brazil and Argentina" extraímos as
seguintes conclusões:
O setor de óleo vegetal, a nível global, será dominado por um pequeno numero de
empresas multinacionais. A liberalização dos mercados criou uma concorrência a nível global
e as grandes multinacionais possuem não somente uma significativa vantagem em termos de
custo, mas muitas delas também têm presença efetiva nas maiores regiões produtoras de grãos.
Esta concentração mundial da industria esta tendo como resultado a eliminação ou absorção das
pequenas industrias pelas empresas de grande porte
Apesar da agressividade das grandes multinacionais, umas poucas companhias
domésticas sobreviverão. Aquelas cuja presença em um mercado regional é forte devido a
laços de amizade com os produtores, possuem instalações modernas e bom financiamento, terão
um papel regulador nestes mercados domésticos. Entretanto, as operações dirigidas à exportação
serão dominio quase exclusivo das multinacionais, que possuem capacidade financeira para
investir em transporte e instalações portuárias, o que lhes dá vantagens no atendimento aos
mercados mundiais.
As
estruturas
proprietárias
das
industrias
esmagadores
esta
mudando
rapidamente no Brasil. A liberalização do mercado, a estabilidade macroeconômica, o grande
crescimento do potencial tanto do fornecimento como da demanda de óleos vegetais extraídos
de grãos ou caroços, a melhoria da infra-estrutura e a crescente importância do Brasil como uma
base para exportações, são fatores que têm atraído os investidores estrangeiros ao setor de soja
brasileiro. Com a industria brasileira agora se concentrando e internacionalizando a passos
rápidos, é de se esperar que em um futuro próximo Cargill, Bunge, ADM e Dreyfus dominarão
o mercado, com exceção de umas poucas companhias domésticas que terão atuação no ambiente
doméstico ou em nichos de mercado. A figura a seguir mostra a evolução da participação das
cinco maiores esmagadoras mundiais (ADM, Cargill, Bunge, Ag Processing e Central Soya) no
mercado brasileiro:
Concentração das cinco maiores esmagadoras mundiais no Brasil
60
51 50
40
30
20
10
O
1990 1995/96 1997/98
A concentração mostrada na figura da pagina anterior ainda esta bastante abaixo dos padrões
americanos ou europeus, onde cerca de 80% da capacidade esmagadora estavam nas mãos das
grandes multinacionais.
o
domínio das multinacionais na industria do esmagamento de grãos
Segundo o relatório do Rabobank International, os principais países esmagadores de grãos são:
USA (21,1% do volume total), EU (13,5% do volume total), China (13,1% do volume total),
Índia (9,2% do volume total), Brasil (8,8% do volume total) e Argentina (7,5% do volume
total). Estas seis nações juntas compõem 73% de todo o óleo de sementes oleaginosas produzido
mundialmente. Elas podem ser agrupadas pela maturidade de suas indústrias:
Indústrias
maduras:
Estados Unidos e União Européia, onde a indústria é
caracterizada pelos altos indices de concentração, operações em grande escala e alta capacidade
de uso.
Indústrias em maturação: Brasil e Argentina, onde os índices de concentração estão
crescendo rapidamente, com as multinacionais entrando e investimentos novos e em grande
escala na capacidade de esmagamento.
Indústrias
imaturas: China e Índia, onde a indústria caracteriza-se pelo alto
envolvimento governamental, um grande número de pequenas empresas, operações em pequena
escala e baixa capacidade de uso.
Aindústria de esmagamento nos Estados Unidos
A indústria de esmagamento nos Estados Unidos é a maior do mundo. Em 1997 ela
esmagou cerca de 46 milhões de toneladas de grãos. A indústria é altamente concentrada, com
cinco companhias controlando 80% da capacidade total de esmagamento. As principais
empresas são: ADM, Cargill, Bunge, Ag Processing e Central Soya.
A ADM e a Cargill aumentaram as suas capacidades através da aquisição de plantas
pertencentes anteriormente
à
AE Staley e Raiston Purina e tambem forçando pequenas empresasa fecharem suas portas.
Em 1982 ainda haviam 52 empresas atuando no esmagamento de grãos. Em 1987 este
número caiu para 48, em 1992 para 20 e em 1998 só existiam 12. O mais recente
desaparecimento da indústria de esmagamento americana foi a Quincy Soybean que era a sexta
maior empresa até ser comprada pela ADM.
A indústria de esmagamento européia
A indústria européia de esmagamento esmaga cerca de 30 milhões de toneladas por ano.
Aqui a indústria é ainda mais concentrada do que nos Estados Unidos, com três companhias
controlando 80% da capacidade. Cargill e ADM possuem 60% do total, com Cercol (EBS), a
terceira, com 19% da capacidade total. A indústria de esmagamento européia esta passando por
um processo de racionalização nesta última década como uma resposta para a supercapacidade.
A última contração ocorreu no início de 1998, quando a Cargill quatro instalações de
esmagamento na Bélgica e Alemanha da VandeMoortele (anteriormente a quarta maior empresa
européia).
A indústria de esmagamento brasileira
A indústria esmagadora brasileira processa cerca de 20 milhões de toneladas de grãos
por ano. A indústria esta seguindo uma tendência na direção da concentração e
desnacionalização, com as maiores multinacionais americanas e européias entrando ou
aumentando a sua participação no mercado. Atualmente, as principais multinacionais possuem
cerca de 51zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA% da capacidade total de esmagamento. Elas são: Bunge, Cargill, Coimbra (Louis
Dreyfus), ADM e Refinadora de Óleos Brasil. Algumas delas tornaram-se participantes do
mercado recentemente, como é o caso da Bunge que comprou o controle da Ceval no fim de
1997 e a ADM que comprou quatro unidades de esmagamento da Sadia na mesma época.
V o lu m es d e S o ja E sm ag ad o szyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(Milhões de Tons)
1992
1993
1994
1995
1996
1997
USA
34,45 34,71 33,68 38,25 37,87 40,38EU
13,46 13,38 12,92 15,09 14,21 15,08jihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAArgentina 8,23 8,25 8,9 9,1 10,36 10,47
Brasil 14,78 16,58 18,86 21,31 20,4 18,88
Fonte: Oil World
V o lu m es T o tais d e G rão s E sm ag ad o s
(Milhões de Tons)
1992
1993
1994
1995
1996
1997
USA
39,52 39,5 40,7 44,24 43,11 45,88EU
25,81 24,71 25,76 29,03 28,26 29,92Argentina 12,8 11,71 12,84 14,87 16,32 16,56
Brasil 15,06 17,46 19,85 22,1 21,11 19,63
Fonte: Oil WorldzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A figura abaixo mostra a capacidade instalada de processamento de oleaginosas em
cada estado do Brasil:
o
"custo Brasil" e a industria de esmagamento de sojaSegundo o relatório do Rabobank International (8) os principais problemas do chamado
"custo Brasil" que afetam a industria do esmagamento de grãos são:
Ineficiência da infra-estrutura - falta de interfaces adequadas, estradas em mau estado,
falta de oferta de sistemas baratos de armazenagem, etc.
Juros altos - em relação à relativa estabilidade da moeda brasileira, os juros brasileiros
podem ser considerados entre os mais altos do mundo, principalmente quando comparados com
os praticados nos países desenvolvidos.
Câmbio - até o começo de 1999 havia uma defasagem acentuada entre o real e o dólar
americano. Com a desvalorização do real no primeiro trimestre de 1999, a situação tornou-se
mais favorável para a exportação.
Tributação - Em setembro de 1996, foi aprovada uma importante modificação na
política tributária, através da Lei Complementar nº 87, conhecida como "Lei Kandir".
Finalmente o Congresso Nacional libertava o
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAagribusinessdo pesado ônus do ICMS nas
exportações. Esse alívio na carga tributária prop.orcionouao sojicultor um incremento na receita
de venda de soja na ordem de 15%, através da elevação dos preços recebidos. Esse efeito salutar
colaborou na capitalização do produtor e estimulou a expansão do cultivo dessa oleaginosa.
Como resultado, a colheita rompeu, pela primeira vez, a marca dos trinta milhões de toneladas.
Entretanto, a desoneração das exportações dos derivados de soja o farelo e o óleo de soja
--não foi completa, como ocorreu na exportação da matéria-prima
in natura.Assim é que a
indústria continua pagando o ICMS no processo produtivo para exportação. Isso ocorre
freqüentemente e todas as vezes que a indústria localizada em um estado tem que adquirir
matéria-prima em outra unidade da Federação, na elaboração de produtos destinados
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAàexportação. Estas transferências interestaduais, que são sujeitas ao pagamento de 12% de ICMS,
decorrem da necessidade de redirecionar o excedente de matéria-prima existente em alguns
estados, para indústrias localizadas em outras unidades federativas em que a oferta é inferior à
demanda da indústria ali instalada. Na atual temporada, por exemplo, os estados do Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás dispõem de um excesso de 6,8 milhões de toneladas de
soja, já descontada a demanda das indústrias locais, que poderiam (e deveriam!) ser enviadas a
unidades processadoras localizadas no Paraná e São Paulo. Essa movimentação, contudo,
implica no pagamento de aproximadamente R$ 200 milhões em ICMS pelas indústrias
brasileiras que se dispusessem a industrializar essa soja; ao passo que não se paga um centavo
sequer de tributo, se a soja for exportada
in natura.Como decorrência dessa distorção absurda,
parcela expressiva de matéria-prima está sendo exportada
in naturapela própria indústria que
passa a atuar nessas operações como mera empresa comercial exportadora, tendo presente que a
tributação interestadual compromete a margem industrial, inviabilizando a utilização dessa soja
na industrialização interna. Como nas operações seguintes, tanto na exportação do farelo e óleo
de soja (operações isentas) como na venda interna desses produtos, em que o farelo é
normalmente contemplado com diferimento e o óleo, integrante da cesta básica, tem sua base de
cálculo reduzida para 7%, a indústria que adquire sua matéria-prima em outro estado se vê
impossibilitada de utilizar o crédito correspondente (12%) ao tributo pago na aquisição.
Consequentemente, as indústrias passaram a padecer de um mal crônico que enfraquece a saúde
financeira: o acumulo estrutural de créditos de ICMS.
Incidência de Impostos na Exportação dos Derivados da SojazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Fazenda Transporte Interno
Esmagamento da Soja
Transporte Interno
Transporte Internacional
ICMS PIS COFINS Incidência de Impostos
Isenção de Impostos na Exportação da Soja "in natura"
Fazenda Transporte
Interno
Transporte Internacional
Infra-estrutura e logística
Situação atual
No Brasil, segundo a ABIOVE - Ass. Bras. da Ind. de Óleos Vegetais, cerca de 67% da
soja produzida é transportada por rodovia, que é o modal de superficie mais caro para transporte
a longa distância.
Transporte de Soja no Brasil
(1997)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Ferroviário 28%
67% Hidroviário
5%
Fonte:ABIOVE
A figura abaixo, cujos dados foram extraídos do estudo patrocinado pela FIRJAN,
intitulado "Infra-Estrutura de Longo Alcance Para o Desenvolvimento Sustentado" coordenado
pelo
Eng,Eliezer Batista da Silva mostra as tarifas para distintas modalidades de transporte:
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBATARIFAS PARA DISTINTAS MODALIDADES DE TRANSPORTE (USS/t.km)
E
~
i
0,03I/)
:::I 0,05
0,04
0,02
0,01
o
Rodovia Rodovia Fluvial Curta Longa Brasil (600 km) (1.500 km) (Atual)
Ferrovia Fluvial Cabotagem Privatizada (USA) (USA)
Brasil Brasil (Futuro) (Futuro)
Na Argentina, o transporte ferroviário e o hidroviário também são subutilizados no
transporte da soja. A diferença em relação ao Brasil é que as distâncias médias no transporte
rodoviário são menores, dentro de uma média compreendida entre 250 km e 300 km, assim, o
custo total de transporte não é tão alto como no Brasil, onde alem das maiores distâncias
percorridas, o mau estado de conservação das estradas também colabora para o aumento dos
custos de transporte (Rabobank Intemational).
Transporte de Soja na Argentina
(1997)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Ferroviário 17%
Fonte: Rabobank lntemational
82%
A figura abaixo apresenta os custos médios dos fretes na Argentina, por modalidade de
transporte:
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBATARIFAS PARA DISTINTAS MODALIDADES
DE TRANSPORTENA ARGENTINA
(US$/t.km)
0,07
0,06
0,05
]
0,04 .:::::~ 00
:;:J 0,03
0,02
0,01
o
Rodoviário Ferroviário Hidroviário
Fonte: Rabobank International
O custo médio de transporte nos Estados Unidos é menor do que no Brasil ou na
Argentina porque o transporte hidroviário é o modal de transporte usado com mais frequência.
Quando se calcula a média dos gastos em transporte de soja nos Estados Unidos, obtém-se
0,016 US$/ton.km enquanto que no Brasil esta média esta em tomo de 0,036 US$/ton.km e na
Argentina em tomo de 0,058 US$/ton.km (1997) (Rabobank Intemational).
Afigura abaixo mostra a matriz de transporte nos Estados Unidos:
Transporte de Soja nos Estados Unidos (1997)
FerroviáriozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 23%
Rodoviário
16%
Fonte: ABIOVE
Hidroviário
61%
A figura abaixo apresenta os custos médios dos fretes nos Estados Unidos, por
modalidade de transporte:nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
TARIFAS PARA DISTINTAS MODALIDADES
DE TRANSPORTE NOS USA
(US$/t.km)
0,050
-,---0,045
-j---0,040
-f'-'-"~ó7'-E
0,035.=.::
0,030 ~~0,025
0,020
0,015
0,010
0,005
0,000
Rodoviário Ferroviário Hidroviário
Fonte: Rabobank Intemational Custos Portuários
Os custos portuários brasileiros estão entre os mais caros do mundo para exportação de
soja, a média esta em tomo de US$ 8 / tonelada, enquanto que nas principais nações
concorrentes, como a Argentina e Estados Unidos, esta em tomo de US$ 3 / tonelada. Nos
portos de Santos e Paranaguá, os custos estão em tomo de US$ 12/ tonelada e US$ 9/ tonelada,
respectivamente. Entretanto a privatização destes portos, aliada
àconcorrência crescente,
gradualmente deverá reduzir este custo.
A Argentina está mais adiantada que o Brasil em termos de privatização de portos e na
construção de novos portos privados, resultando em um sistema portuário maior e mais
eficiente. O aumento da capacidade de armazenagem e carregamento reflete em um menor
tempo de espera para os navios e portanto uma significativa redução no custo de transporte no
destino :final.
A tabela abaixo mostra a evolução dos custos de embarque e tempos de carregamento
do navio por hora trabalhada ( "Prancha") na Argentina:
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBATempos de Carregamento e Custos Médios Portuários na Argentina
1990 1997zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Carregamento do Navio (1.000ton/hora) 30,20 45,90
Custos Médios Portuários (US$/ton) 8,00 3,00
Fonte: Rabobank
Remuneração recebida na fazenda pela venda da soja
Apesar da competitividade brasileira na produção de soja, o "Custo Brasil" agrega uma
substancial pressão no custo :final da soja brasileira, tanto no mercado interno como no
internacional. A planilha a seguir apresenta a relação entre o valor FOB da soja e o valor
recebido na fazenda produtora de soja:
Efeito do Custo Brasil
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAna
Competitividade
Brasileira
na
Exportação de Soja
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(USD/ton)
Descrição Brasil USA Argentina
1-Valor FOB no Porto 220 220 220
2- Frete até o Porto * 33 15 14
3- Custos Portuários 8 3 3
4- Imposto de Exportação ** O O 8
5-Valor na Fazenda 179 202 195
6- Relação (1/5) 81% 92% 89%
Obs: ••Distância e fretes médios até o porto
••••Imposto de Exportação de Soja na Argentina 3.5% (Retenciones)
Fonte: ABIOVE - 1998
Em muitos casos, o "dono da soja" esta se tornando o "dono da logística" com o
objetivo de reduzir custos, como acontece em outras atividades agrícolas no Brasil, como a
laranja (Grupo Fisher), o açúcar (Coopersucar), etc., onde companhias exportadoras de soja
investem em logística. Um exemplo é o Grupo André Maggi, localizado no Estado do Mato
Grosso, que investiu em um novo corredor de exportação no norte para evitar os 2.500 km de
estrada até o porto de Paranaguá (PR). Isto permite que o Grupo exporte a produção de soja da
região via rios Madeira e Amazonas até o porto de Itacoatiara, onde a soja é embarcada para
Rotterdam, economizandomais de 20% nos custos totais de transporte.
As novas fronteiras
A fronteira agrícola esta se expandindo para o norte e para o oeste do Brasil, atraindo
fazendeiros, indústrias de processamento de soja e comerciantes para estas novas áreas de
produção onde a terra é mais barata. Analisando a posição dos novos corredores logísticos as
empresas podem se posicionar na ao longo destas rotas mais eficientes, aumentando a sua
vantagem competitiva.
Éo caso da Argentina, onde as companhias estão localizando-se
próximas ao rio Paraná, onde o frete fluvial até a bacia do Prata, permite grandes reduções no
custo total de transporte.
Áreas aptas para a produção de grãoszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Afigura abaixo, extraída do IBGE (3), mostra as áreas aptas para o cultivo de grãos no
Brasil:jihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
AREAS APTAS PARA A PRODUÇÃO DE GRÃos
r··--- ...·zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
i.., .~---~
L E G E
N DAÁREAS PARA CULTIVO DE GRÃos
Das áreas mostradas na figura acima, as regiões sul, sudeste, as regiões do Mato Grosso
do Sul, sul de Goiás e sudoeste de Minas Gerais, já se encontram em uma fase mais avançada de
ocupação do solo. As áreas restantes, que compreendem parte da região amazônica, Rondônia,
Mato Grosso, centro e norte de Goiás, Tocantins, noroeste de Minas Gerais, oeste da Bahia,
oeste do Piauí e sul do Maranhão, constituem a nova fronteira agricola, pelo seu grande
potencial de produção e baixa ocupação (IBGE / MAA). A figura abaixo mostra as regiões da
nova fronteira
jihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAA NOVA FRONTEIRAzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
-"'/ ..../)..
) ....;
r---···
'.~...-..~•...ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
L E G E N D A
ÁREAS PARA CULTIVO DE GRÃOS
':'::::<:::~«:::-:-:::::-:>:'-:nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
.2..(Y·,L{,
''''''''.(
COIII;:o.lIt~
; '.\
(mlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA OCEANQ
ATLi"Y1'ICO
o
Governo Federal determinou a cnaçao de um Grupo Intenninisterial, com
representantes do Ministério dos Transportes - MT(1O)e do Ministério da Agricultura e do
Abastecimento - MAA, para analisar os "missing links" dos eixos logísticos que atendem as
novas fronteiras agrícolas.
Baseando-se nos resultados dos estudos divulgados pelo Grupo Intenninisterial vamos
dividir a nova fronteira em regiões que estarão associadas não só aos eixos de transporte
existentes como também os planejados pelo Governo.
Existem muitas maneiras de se analisar a adequação de cada moda! para cada sistema
logístico de transporte, baseando-se no conceito prático de que, no transporte de cargas de baixa
densidade de preço e a granel, o transporte rodoviário é recomendável para distâncias curtas,
isto
é,inferiores a 300 km, e para grandes distâncias, deve-se usar o moda! ferroviário ou
hidroviário, a nosso critério, dividimos a nova fronteira "central" em 6 macro-regiões, ás quais
associamos um provável fluxo de transporte. A figura abaixo mostra estas 6 regiões. As regiões
dentro dos Estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará e Estados do Nordeste serão
analisadas independentemente.
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA:..---_.. .;.::~
'00ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
L E G E N D A
(:::::1 [email protected] 1EHi liliiii [®Kil __
ÁREAS APTAS PARA CULTIVO DE GRAosjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
FLUXOS NA NOVA FRONTEIRA
OCEANOmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
.-tllÁIV1'lCO
Superpondo-se
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAàfigura anterior o mapa básico dos modais de transporte no Brasil,
tirado do Banco de informações dos Transportes - GEIPOT - MT de 1998, obtém-se a figura
abaixo:
jihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBASISTEMAS DE LOGíSTICA DA NOVA FRONTEIRA
L;;LJ W§ZmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBANff@ _ bWfi __
ÁREAS APTAS PARA CULTIVO DE GRÃOS
- RODOVIA
••••••• RODOVIA A CONSTRUIR - FERROVIA
••••••• FERROVIA A CONSTRUIR
T PORTOS
.---_./.;
: \
...
-L E G E
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAN D AnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(J('EANO
A1'L4NI1CO
Macro-Região Oeste
A Macro-Região Oeste abrange o Estado de Rondônia e oeste de Mato Grosso. A
grosso modo, podemos destacar dois eixos intennodais, para a soja produzida na região escoar.
o
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAp rim eiro eixo in term o d a lé em direção ao norte, indo por via rodoviária da região
produtora até Porto Velho, utilizando a estrada a BR-364 e a partir de Porto Velho até
ltacoatiara, por via fluvial. Em ltacoatiara faz-se a transferência da soja para os navios
graneleiros que a levarão para os diversos clientes no mundo.
Esta operação esta sendo realizada com sucesso pelo Grupo André Maggi, cuja
subsidiária a Hennasa S.A. que opera o terminal em Porto Velho, no rio Madeira, investiu cerca
de US$ 33 milhões até julho/98 em instalações portuárias.
Oporto de ltacoatiara, com
capacidade para movimentar 3 milhões de toneladas/ano de grãos, recebe navios
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAPanamaxde
até 80.000 toneladas DWT e dispõe de um silo com capacidade para até 90.000 toneladas,
destinado à soja proveniente de Porto Velho. Segundo o diretor-superintendente da empresa, o
custo total do transporte, até o convés o navio, via Porto Velho é de US$ 65/tonelada, contra
US$ 1I0/tonelada do modal rodoviário para embarque em Paranaguá (PR) (Revista Global nO7
- julho de 1998).
A figura abaixo esquematiza esta rota:
jihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA_Trw;;PI;JINQtilg.w
l-= tg o ;t.P o u t'C
••.. NCIIv;t)1ma!-zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
•....,"'"'"
Porto de Porto Velho
Localizado à margem direita do rio Madeira, 2 km a jus ante da cidade do mesmo nome,
tem acesso rodoviário pelas BR-319, BR-364 e BR-425. As instalações fisicas são compostas de
três terminais, um para embarcações Ro-Ro, outro chamado Pátio da Gruas, desprovido de cais
de atracação, e um terceiro, onde é movimentada carga geral, equipado com flutuante de
acostagem de 115 m de extensão e cinco berços, ligado à terra por uma ponte metálica de 113,5
metros. A profundidade nos berços varia de 2,5m a 17,5m, dependendo do regime das águas do
rio. Dispõe de um armazém para carga geral com 900 m2. (GEIPOT)
Resumo do rio Madeira, entre Porto Velho e a sua foz no rio Amazonas:
o
baixo Madeira, considerado desde pouco a montante da cidade de Porto Vclho até sua foz, no Amazonas, estende-se por cerca de 1.060 Km, com uma profundidade mínima de 2, 10me sofre um desnível de 19m, apresentando uma declividade média de 1,7 crn/Km. Este trecho é
francamente navegável durante o ano todo. Geralmente, o rio apresenta largura superior azyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAIkm;
com muitas ilhas ao longo de seu curso, algumas de extensão considerável. Durante as
estiagens, emergem bancos de areia (que mudam de posição na época das enchentes) e baixios,
que obrigam os pràtieos a reduzir a velocidade das embarcações. (Banco de Informações dos
Transportes - GEIPOT - 1998)
Porto de Itacoatiara
Administrado pela Companhia Docas do Estado do Maranhão está localizado na
margem esquerda do rio Amazonas, a cerca de 110 milhas de Manaus. É um porto flutuante
(balsa) de 60m de comprimento, ligado a terra por uma ponte móvel de 50m. O porto apresenta
atualmente algumas deficiências, como o fato de não dispor de rebocadores para auxiliar nas
manobras dos navios, que são realizadas em local afetado pela existência de forte correnteza.
(GElPOT)
Comparativo dos custos totais - Monomodal Rodoviário x Intermodal (Rodo-Fluvial)mlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Soja - Transporte de Sapezal
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa
Rotterdam
Situação no Passado
Origem Destino Modal Operação Frete Distancia {US$/ton~ {km~ Sapezal (Mn Santos (SP) Rodoviário Transporte 52,60 2.311
Embarque
11,50 no Porto
Santos (SP) Rotterdam Marítimo 17,55
Custo Total 81,65
Fonte: Rabobank International-1997
Soja - Transporte de Sapezal
a
Rotterdam
Situação Atual
Origem Destino Modal Operação Frete Distancia
{US$/ton~ {km~ Sapezal (Mn Porto Velho (RO) Rodoviário Transporte 33,50 900
Porto Velho (RO) Transbordo 2,40
Porto Velho (RO) Itacoatiara (AM) Fluvial 18,70 1.115 Embarque
5,75
Itacoatiara (AM) no Porto
Itacoatiara (AM) Rotterdam Fluvial/Marítimo 12,30
Custo Total 72,65
Fonte: Rabobank International-1997
Segundo o Grupo Maggi, em artigo publicado na revista Global nO 7 - julho 1998, a
tendência é aumentar a plantação de soja na região de Rondônia, em regiões mais próximas de
Porto Velho, o que acarretará uma redução no custo do transporte rodoviário. Com o aumento
da
experiência do Grupo Maggi, os custos operacionais de transbordo em Porto Velho e de
embarque no navio, no porto de Itacoatiara, também tendem a diminuir. Se a soja for produzida
mais ao sul de Mato Grosso, o aumento da distância a ser percorrida por estradas pode tomar a
alternativa de exportação de soja via Porto Velho menos atrativa.
o
segundo eixo intermodal, mais indicado para as áreas agrícolas na parte sul da
"Região Oeste" da "Nova Fronteira Central", próximas a Vila Bela da Santíssima Trindade e
Cuiabá seria o transporte rodoviário até Cáceres, utilizando basicamente a BR-174 e BR 070, e
a partir de Cáceres por via fluvial, pelos rios Paraguai e Paraná, até a Bacia do Prata, onde a soja
seria transferida para o navio no porto de Buenos Aires ou em Nueva Palmira no Uruguai.
A figura abaixo mostra as Bacias do Paraguai e Paraná, a partir de Cáceres
In fo rm a çõ es S o b re O R io P a ra g u a i (G E IP O T )zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Em seu curso total o Paraguai tem uma extensão de 2.621 Km até sua foz, no rio
Paraná; o trecho brasileiro, aqui considerado, percorre, aproximadamente 1.693 Km das
nascentes à desembocadura do rio Apa. O trecho de Corumbá a Cáceres, com uma extensão de
720 quilômetros, é de grande importância, pois os demais meios de transporte que tem acesso à
região de Cáceres não podem competir com a navegação, apesar das dificuldades que esta
encontra ao longo da via fluvial.
O rio Paraguai, em estado natural pode ser considerado como bastante satisfatório para a
navegação, necessitando, todavia, ser melhorado em alguns trechos para ter condições ótimas de
navegabilidade. Dentro do território brasileiro, estas condições se dão a partir da foz do rio Apa
a Cáceres, numa extensão total de 1.323 Km.
Da foz do rio Apa a Corumbá, numa extensão de 603 Km, temos o melhor estirão, do
ponto de vista da navegabilidade. Neste trecho se faz navegação internacional, porquanto o rio
serve de fronteira, em longo percurso, do Brasil com a Bolívia e com o Paraguai.
Os pontos mais rasos se dão no passo Piúva (Km 1.338 a 1.343), passo Coimbra (Km
1.322) e passo Santa Fé (Km 1.285). O que causa maior empecilho à navegação é o Piúva, que
chega a atingir menos de 0,90 m de profundidade nas fortes estiagens.
Pode-se citar a ponte ferroviária Barão do Rio Branco, situada pouco a montante de porto
Esperança, como sendo o único obstáculo artificial de relevo no trecho a montante da foz do
Apa que causa dificuldades à navegação.
O balizamento implantado pela Marinha do Brasil é da melhor qualidade e
impecavelmente mantido. As únicas recomendações para a sua melhoria são no sentido de
aumentar a densidade dos sinais e balizas luminosas e adaptá-las mais prontamente às mudanças
do leito do rio.
Nos periodos de enchente, embarcações com mais de 100 toneladas atingem facilmente
São Luís de Cáceres. Nas épocas de estiagem, porém, é necessário efetuar em Descalvados, o
alívio das embarcações, ou fazer o transbordo de cargas para outros barcos menores.
A frota que trafega pelo rio Paraguai acima de 50 T P B é composta de 54 chatas, 1
autropropelido, 6 empurradores e 10 rebocadores, sendo que a maior parte desta frota pertence
ao Serviço de Navegação da Bacia do Prata S.A., significando 80% do total das embarcações.
C u sto s n a a ltern a tiv a R o d o - H id ro (F lu v ia l) v ia P a ra g u a i/P a ra n á
Na Argentina existem grandes instalações para esmagamento de soja. Estas
esmagadoras podem adquirir a soja produzida no Brasil, Paraguai e eventualmente Bolívia,
utilizando o transporte fluvial para transporte até a Argentina. Como a soja brasileira exportada
é isenta de impostos, e o transporte fluvial, neste caso, pode ser considerado um transporte de
exportação, também isento de impostos, estas esmagadoras estão em uma situação mais
competitiva que as esmagadoras brasileiras. Algumas destas esmagadoras Argentinas estão
localizadas ao longo da hidrovia, entre os portos fluviais de San Martín e General Lagos.
(Rabobank Intemational)
As tabelas a seguir, resumidas de um estudo feito pela Bolsa de Comercio de Rosário-'!',
mostra que pode ser mais barato transportar a soja
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin naturade Mato Grosso ou Mato Grosso do
Sul por via fluvial até a Argentina, esmagar no destino e exportar os produtos da Argentina do
que processar a soja no Brasil e exportar os produtos por portos brasileiros
PONMLKJIHGFEDCBAS o ja - T ran sp o rte d e M ato G ro ssoihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa R o tterd am via S an M artinmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Situação F u tu razyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Origem Destino Modal Operação Frete (US$/ton)
Chapada dos Porto de Piuba
Rodoviário 12,00
Parecís (MT) (MT)
Transbordo para
Barcaças de 500 3,00 toneladas
Porto de Piuba
Corumbá (MS) Fluvial 10,00
(MT)
Transbordo para
Barcaças de 3,00 1.500 toneladas
Corumbá (MS) Porto San Martin Fluvial 16,00 (Argentina)
Desembarque
3,00 em San Martin
Esmagamento
8,00 em San Martin
Custos de
Embarque no 2,00 Navio
Porto de San
Martin Rotterdam FluviallMaritimo 19,00 (Argentina)
Custo Total 76,00
Fonte: Bolsa de Comercio de Rosario - 1998
As tabelas a seguir apresentam os custos estimados, considerando a mesma origem da
soja (Chapada dos Parecis - MG) e o mesmo destino (Rotterdam), considerando a situação
atual, que é o transporte rodoviário até Ponta Grossa -
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP Ronde a soja
éesmagada e
posteriormente os produtos embarcados pelo porto de Paranaguá. Uma situação futura seria
substituir o transporte rodoviário até Ponta Grossa pelo transporte ferroviário via Ferronorte,
quando esta estiver implantada.
PONMLKJIHGFEDCBAS o ja - T ran sp o rte d e M ato G ro sso a R o tterd am via P aran ag u ã
S itu ação A tu alzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Origem Destino Modal Operação Frete (US$/ton)
Chapada dos Ponta Grossa
Rodoviário 80,00
Parecís (MT) (PR)
Esmagamento
em Ponta Grossa 15,00 (PR)
Ponta Grossa
Paranaquá (PR) Rodoviário 8,00 (PR)
Custos de
Embarque no 9,00 Navio
Porto de
Rotlerdam Maritimo 15,00
Paranaguá
Custo Total 127,00
Fonte: Bolsa de Comercio de Rosario - Julho 1998
S o ja - T ran sp o rte d e M ato G ro sso d o S u la R o tterd am via S an M artin
S itu ação F u tu ra
Origem Destino Modal Operação Frete (US$/ton)
Dourados (MS) Porto Murtinho Rodoviário 8,00 (MS)
Transbordo para
Barcaças de 3,00 1.500 toneladas
Porto Murtinho
San Martin Fluvial 13,00
(MS) Transbordo para 3,00 Esmagamento Esmagamento 8,00 em San Martin
Custos de
Embarque no 2,00 Navio
Porto de San
Martin Rotterdam FIuvial/M ariti mo 19,00 (Argentina)
Custo Total 5600
Fonte: Bolsa de Comercio de Rosario -1998
Soja - Transporte de Mato Grosso
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa
Rotterdam via Paranaguã
Situação Futura - Via Ferronorte
Origem Destino Modal Operação Frete (US$/ton)
Chapada dos Ponta Grossa
FerroviáriozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA50,00
Parecís (MT) (PR)
Esmagamento
em Ponta Grossa 15,00
(PR) Ponta Grossa
Paranaguá (PR) Rodoviário 8,00
(PR)
Custos de
Embarque no 9,00
Navio Porto de
Rotterdam Maritimo 15,00
Paranaguá
Custo Total 97,00
Fonte: Bolsa de Comercio de Rosario - Julho 1998
Investimentos a serem feitos pela Argentina em dragagem no
rroParaná - Bolsa de
Comercio de Rosario
A dragagem do rio Paraná permitirá que navios maiores e mais pesados naveguem ao
interior até o porto de General San Martin. Atualmente, os navios devem ser "aliviados" em
portos de águas profundas, como Neocochea, Quequém ou Bahia Blanca. Entretanto, a
dragagem em áreas específicas do canal a uma profundidade de 36 pés (12 m) tornará isto
desnecessário, o que significa uma economia considerável. Adicionalmente, a melhoria da
navegabilidade do rio, pode conduzir a uma redução no custo de transporte na "descida" do rio
de US$ 2,80 a US$ 1,00 por tonelada.km para a soja. Muitas esmagadoras localizadas ao longo
do rio Paraná são de grande porte, com capacidade de esmagamento em torno de 6.000
toneladas/dia, e muitas têm o seu próprio porto ao longo do rio. Quando os navios puderem ser
carregados totalmente e os custos de transporte reduzirem, espera-se que os portos ao longo do
rio Paraná ganhem maior importância em termos de exportação de soja, enquanto que os portos
tradicionais como, por exemplo, Neocochea e Bahia Blanca continuem sendo as principais
instalações para exportação de óleo de girassol.
o
mlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAImpacto da Dragagem nos Custos de Frete San MartinzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA-->RotterdamPassado Atual Futuro
Profundidade do Porto (pés)
Custo Médio do Frete (US$/ton)
28
25,5
32
19,5
36
14,5
Fonte: Bolsa de Comercio de Rosario
o
Intergovernmental Waterway Committee (Comissão Hidroviária Intergovernamental)Através da assinatura de um acordonmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAtripartite com a United Nations e o Inter-American
Developmente Bank, o Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai pretendem estimular
investimentos em infra-estrutura na hidrovia. Adicionalmente, esta Comissão esta encarregada
dos estudos do impacto econômico e ambiental, bem como da viabilidade técnica da hidrovia. A
preocupação ambiental é muito importante para a região do Pantanal brasileiro onde a
navegação intensiva pode prejudicar o ecossistema nos alagados.
o
sistema Tietê - Paranáo
sistema Tietê - Paraná é um dos sistemas hidroviários mais bem desenvolvidos do Brasil e tem um grande potencial pela ligação a Santos pela ferrovia (Ferroban - ex-Fepasa).Grandes empresas ligadas a grãos e óleos estão construindo terminais próprios ao longo do rio,
antecipando sua crescente importância no transporte de soja que aumentará ainda mais quando
investimentos na barragem de Itaipú permitirem a sua transposição, possibilitando exportar a
soja produzida nos Estados do sul brasileiro via Nueva Palmira - Uruguai. Por outro lado, as
esmagadoras Argentinas poderão ser supridas por estas mesmas fontes produtoras. (Bolsa de
Comercio de Rosário).
Transporte Ferroviário na Macro-Região Oeste (Futuro)
A figura abaixo mostra esquematicamente as ferrovias brasileiras:zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
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ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA.: ; : B ia S IjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Prinei .-i::s FerN:IWÍII:5 {FevJI998}
Estrado de Feno GaraJÓô
'litlrJ·:I.;'I d"-l Fel((:
Vrráic· Mina;
FerrO/io SI.J.AtlõntiooS.A.
0::i1_~
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• H.f'r f""';o amo"",hl.çá<>
- - - -. Io"",.ia Plcnoia::la
A Ferronorte, ver mapa acuna,
é
a ferrovia projetada para acionar o desenvolvimento dasregiões agrícolas dos Estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e oeste do Pará.
A Ferronorte, no seu projeto de implantação, foi dividida em trechos a serem construídos. Estes
trechos são:
a) Santa Fé do Sul (SP) ~ Alto Araguaia (MS)
b)
O
trecho Aparecida do Taboado (MS)-7
Alto Taquari (MS) encontra-se em faseadiantada de construção. Com o término da construção da ponte rodo-ferroviária sobre o
rio Paraná, com extensão de 2.60Om, entre as cidades de Santa Fé do Sul (SP) e Aparecida
do Taboado (MS), as obras aumentaram o seu ritmo e a previsão é de que este trecho
esteja implantado até o ano 2002. O trecho Alto Taquarí (MS) ~ Alto Araguaia (MS)
ainda não teve a sua construção iniciada. (GEIPOT)
c) Alto Araguaia (MS) -7 Uberlândia (MG)
Esta etapa, com 771 km em bitola mista interligará o Alto Araguaia, no Mato Grosso do
Sul com Uberlândia, em Minas Gerais. Nessa localidade interligará com a linha da
Ferrovia Centro-Atlântico. Em Alto Araguaia se interligará com as etapas I, que liga Alto
Araguaia a Aparecida do Taboado - Santa Fé do Sul; e etapa II que liga Alto Araguaia a
Cuiabá. São complementares a este projeto, as melhorias operacionais da malha existente
da FCA - Ferrovia Centro-Atlântico e da Ferroban (Ex-Fepasa). (GEIPOT)
d) Alto Araguaia (MS) -7 Cuiabá (MT)
Este trecho encontra-se em fase de planejamento (GEIPOT)
e) Cuiabá (MT) ~ Porto Velho (RO)
Este trecho encontra-se em fase de planejamento (GEIPOT)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
f) Cuiabá (MT) ~ Santarém (PA)
Este trecho encontra-se em fase de planejamento (GEIPOT)
As informações acima, extraídas do trabalho do GEIPOT denominado "Corredores
Estratégicos de Desenvolvimento" - Relatório Final - Fev/99, nos leva
à
conclusão que o moda!Rodo-Ferroviário ainda demandará alguns anos até se tomar viável para as áreas agricolas da
"Macro-Região Oeste".
Macro-Região Noroeste
Esta Macro-Região situa-se no centro e norte do Estado do Mato Grosso, abrangendo os
municípios de Lucas do Rio Verde, Porto dos Gaúchos e Sinop entre outros.