NA EDUCAÇÃO UNIVERSITÃRIA
SÔNIA DE MIRANDA BRANDÃO
ORIENTADOR ELIEZER SCHNEIDER
TESE DE MESTRADO,
Aprovada com indicação para publicação. - Requisito Parcial para a obtenção do
grau de mestre em educação.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM EDUCAÇÃO ÃREA DE PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
RIO DE JANEIRO 1979
Vepoi.6,
e.6tende o bJt.aço todo, inteiJt.o
E ~om
a outJt.a mão a.ó.6im na te.óta,
Caiu
em tal e.ótudo de meu Jt.o.óto
. Qual
.6e .óe o qui.óe.ó.óe de.óenhaJt.. A.ó.óim
6i~ouPoJt. muito tempo. En6im,
.óa~udindomeu
bJt.aço
Um
pou~oe a nJt.onte poJt. tJt.ê.6 veze.ó balançando,
A.6.6im paJt.a
~imae paJt.a baixo, ele exalou
Su.ópiJt.o tão pJt.06undo
e la.6timo.6o,
Que
paJt.e~eude.ópedaçaJt.-lhe
ovulto
inteiJt.o
E
a~abou-lheo .óeJt.. Feito i.6.6o, ele me .óolta
E
a
~abeçavoltando .6obJt.e a e.6pãdua,
PaJt.e~e a~haJt. .6eu
Jt.umo .6em
0.6olho.ó
Que
.óem auxIlio dele.ó, noi-.óe pela pOJt.ta
E,
at~ o6inal, p3.ó-lhe.6 a luz
em mim."
Shake.ópeaJt.e - Hamlet
Agradecimentos IV
Resumo VIII
Summary IX
Lista de quadros X
CAPíTULOS
I - INTRODUÇÃO
A- Aspectos gera1s da Comunicação nao verbal 1
B- Aspectos educacionais da Comunicação não-ver
bal 2
C- Objetivos do presente estudo
11- REVISÃO TE6RICA SOBRE COMUNICAÇÃO NÃO-VERBAL la. Parte
Interação
-1. e comunicaçao
2 • Proxemia e comunicaçao
-
não-verbal 3. Mecanismos fisiologicos e comun1caçao -4 • Interações parentais5. Interações sensor1a1S 6 . Interações posturais
7 • Interações dos movimentos 2a. Parte
-
As emoçoes-3a. Parte - As artes
III - A PESQUISA DE CAMPO A- Introdução
B- Delimitação do problema C- Delimitação da população D- Abordagem metodológica
1. Introdução: abordagem experimental 2. Amostragem
7
9 9 13 16 22 26 30 33 68
84
3. Variável independente 114
a) Historico 114
b) Características e aplicação do instru mento
c) Validação
4.
Variável dependente a. Introduçãob. Escolha das emoçoes
-c. Escolha da tecnica d. Plano de construção e. Validaçãof. Aplicação
5. Variáveis espúrias
E- 'Tratamento, análise e interpretação dos da-dos
1. Introdução
2. Teste da hipótese básica 3. Análise de acertos por cena
4. Análise dos acertos por tipo de emoçoes
-
. 5. Análise dos erros6. Análise dos resultados em relação
...
as variáveis intervenientes
7. Conclusões
IV -'CONCLUSÕES V - B IBL IOGRAFIA VI - QUADROS
116 119 120 120 120 122 122 123 125 126
126 129 130 134 135
137 143
Meu ma10r agradecimento
e
para minha colega e am1ga Eliane Ignez Monteiro Menezes, verdadeira orienta-dora deste trabalho.Ao Dr. Ozanan Coelho, DD. Ex-Governador do
Estado de Minas Gerais, cujo empenho pessoal e direto, en-quanto Vice-governador, me permitiu freqU~ntar e concluir meu Curso de Mestrado.
À Psicóloga Yeda Terezinha Inneco de Fidelis, na epoca estudante de psicologia, cuja constante e total colaboração enquanto estagiária, sem qualquer retribuição, quer financeira, quer de reconhecimento oficial de seu cur so, possibilitou a experiênéia desde o planejamento ate
à
realização.
Ã
mamae, nao só por seu incentivo, seus inte ligentesfieed
ba~Q~, como pelas traduções dos livros em 1n glês e francês, ~s vezes em horas tão difícieis.A papa1 e sua proverbial ajuda, ma10r do que se poderia esperar de um pa1, removendo tantas barreiras incentivando e acreditando no meu trabalho.
A meus 1rmaos, cunhadas e concunhados, sobre tudo da Moema e Filadelfo, que fizeram as vezes de pais de CeceIo e Claudinha.
A
Quiquia, tia-mãe, incentivadora e colabora dora.A meus colegas da Equipe de Desenvolvimento de Recursos Humanos do Hospital do IPSEMG, especialmente Marília pelo seu empenho direto e interessado nas muitas dificuldades que tive de atravessar, pela sua participação direta corno Juiz de meu instrumento. E
ã
Tê, amiga - 1rma de todas as horas.A Neílton e Roberto Brandão, do setor áudio-visual do Sistema Pitágoras de Ensino, cujo auxílio desin-teressado e pronto foi responsável pela filmagem, montagem, validação e reàlização do Teste de Sensibilização para a Comunicação não-verbal.
A Ronaldo Boschi e seu Centro de Pesquisas Teatrais, peças fundamentais na realização do Curso de
Co-mun~caçao não-verbal.
A Helvécio Ferreira e Palmira Barbosa, gra~
des atores m~ne~ros, que tao generosamente representaramas cenas do ''reste de Sensibilização para a Comunicação nao-ver bal."
A pierre Weil, Guiomar Santana Murta, Regi-naldo Teixeira, Guido de Almeida, Marília e Tê, ,Pedro Pau-lo Cava, Lenice Almeida, Maria Lúcia Goulart Dourado, Ma-ria Cecília Leite Mendonça, Noêmia Gellape todos autorida-des em comunicação não-verbal e que se prestaram a serem juízes do instrumento da experiência, permitindo sua vali-dação.
à Maria Helena Matta Machado, queridíssima prima, pelos excelentes trabalhos de datilografia.
À Rita Amelia Teixeira e Vanda Guimarães, ~r
mas de "vivença", cujo apoio e amizade, ma~s de urna impediram-me de esmorecer.
vez,
A todos os professores do Curso de Licencia-tura da FAE-UFMG - turno da manhã e da noite - do 29 semes tre de 1977 e a todos os alunos dos referidos Cursos, mas sobretudo a
Vicente Tadeu Buono
William Golino de Freitas Paulo Villani Marques Jose Antônio Neto
Said Pontes de Albuquerque Maria Lucia Meria Oliveira Dalila de Almeida Gomes Ofelia Coelho Costa Márcia Costa Caldeira
Maria Cristina Grijõ de Bruggen Maria Tereza Puntel Motta
Elizabeth Lomelino Cardoso Marília de Fátima Andrade Vera Silva Antônio Abreu
Lígia Maria de Almeida Mendes Maria das Graças do Carmo
sujeitos do Grupo Experimental do Curso de C.N.V .. marav~
lhosos companheiros numa experiência inesquecível, e Mauro França
Maurílio Milagres de Almeida Rosângela Barbosa Campos Maria Nice de Moura Faria Tania M.R. Cunha
Maraildes Domingues de Freitas Laudieme Nassif
Luiz Gonzaga Horta
Humberto Martins Teixeira Elizabeth Moreno
Maria lIma Carvalho
Sylverio Bosco de Resende Klaus Althoff
Eliane Sanches Ana Maria de Souza Glaucia Maria Gurgel Manuel Silva Ribeiro
sujeitos do Grupo de Controle no Teste de Sensibilização para a Comunicação não-verbal.
Aos professores do Curso de Mestrado do IESAE da FGV, Ramonaval Augusto Costa, Celia Lucia Monteiro de
A meu ex-marido, filhos, nora~,ã incansável D. Isabel, cuja valentia na retaguarda domestica deu-me o tempo e a tranquilidade indispensáveis para empreender es-te Mestrado, e a todos os que, direta ou indiretamenes-te, me ajudaram, todo o carinho e terna amizade de que sou capaz.
Trabalho experimental, CUJO objetivo e pro-var ser possivel uma aprendizagem de ma10r sensibilização da comunicação não-verbal, atraves de um curso
ção de Comunicações não-verbais. ~ precedido de
de intera-abordagem teórica mostrando a importância da comunicação não-verbale_ de como a Educação precisa se ocupar desta area. Apresenta,. em seguida, sugestoes para a aplicação dos resultados na formação de professores e propoe futuras pesqu1sas a
t i r da ora realizada.
VIII
par-This is an experimental work for testing the possibility of improving the training of non-verbal Commu-nication, through a special Interactive course on the sub-jetc.
The experimental research ~s preced by a theoretical approach showing the social importance of non-verbal Communication and how relevant i t ~s
Education, to lay stress on this area.
for general
At the part of this dissertation suggestions are apresented for the aplication of the research on the matter, based on this first ones.
QUADRO I A - Grafico mostrando a interação dos re-c e p t a d o r e s
ã
d i s t â n c i a da p e r c e p çã
o p r ~ ) xêmica de E. Hall.QUADRO I B - Grafico mostrando a interação visual, oral e auricular dos receptadores distância na percepção proxêmica .E. Hall.
-
a deQUADRO 11 - Esquema dos Estados de Ego segundo a
Pg.
154
155
Analise Transacional de Eric Berne. 156
QUADRO 111 - Modelo Teórico de Biodança. de R. TORO. 157
QUADRO IV - Os estados de vigilia e "àswàreness" segundo Feldenkrais.
QUADRO V A - Lista das Emoções segurldo Murray.
QUADRO V B - Lista das Emoções segundo Plutchik.
QUADRO VI - Divisão das Emoções segundo Krech e Crutchfield.
QUADRO VII - Lista de Emoções submetidas a Especi~· listas em comportamento.
QUADRO VIII- Lista de estimulação
ã
memoria emOC10 nal usadas pelos Atores Helvécio Fer-reira - Palmira Barbosa para eliciação das emoções representadas nas cenas f i l madas.QUADRO IX - Listagem das cenas Filmadas de Emoções submetidas aos Juizes do Teste de
Sen-158
159
159
160
161
162
sibilização da C0municação Não-Verbal. 168
da Avaliação dos Juízes do Teste de Sensibilização da Comunicação
Nãó-Verbal. 172
QUADRO XI - Folha de respostas do Teste "Sensibi:. 1iza ç ão da Comunicação Não-Verba1~.
QUADRO XII - Resultados do GE e do GC ao Teste de Sensibilização para a Comunicação
Não-173
Verbal. 175
QUADRO XIII - Quadro dos resultados do GE e doGC em relação às váriâveis que podem 1n terferir na Sensibilização da Comuni cação Não-Verbal.
QUADRO XIV - Escores do GE e do GC comparados a curva normal.
XI
176
A - Aspectos gerais da Comunicação não-verbal
A proposta do presente trabalho
...
e destacar da Ciincia Geral de Semiologia, tal como f6i proposta por Saussure, a Ciincia que trata do conjunto dos signos nao-linguísticos. A partir de várias conceituaçoes, fazer uma abordagem das relações como Movimento e com o Espaço. Re porta-nos-emos, em seguida, aos estudos de Interação nao-verbal, revistos por Argyle e outros teóricos.Faremos um breve apanhado sobre a
importân-c~a dos conceitos de Comunicação não-verbal, nas var~as
ciincias e tambem nas artes. Nos enfoques científicos, de ternos-emos nas Ciências Biológicas, notadamente na Etolo gia, fazendo um destaque especial
ã
Psicologia e suas A-plicações.Nas artes, nossa ênfase será nas Artes Cêni-cas: Teatro e dança.
Tendo em vista a construçao do instrumento para a variável dependente do presente estudo, faremos uma breve abordagem de teorias sobre as emoções, relevando! seus aspectos mais primitivos por serem os que mais nos
ressan neste trabalho.
inte-Em seguida, relataremos porque e como recor-tamos o problema que constitui o tema do presente estudo, clareando os seus conceitos e plano de tratamento. Isto f~
cilitará seu entendimento e interpretação dentro de sas intençoes.
nos-Na descrição da abordagem experimental, da-remos especial atenção
ã
descrição da construção e aplic~çao, quer do instrumento da variável dependente, quer da independente, por serem peças centrais do presente traba-lho e por serem ambos criadas para esta pesquisa.
se aplicaria com a finalidade de aperfeiçoar professor-aluno.
a interação
B - Aspectos Educacionais da Comunicação não-verbal.
Todo processo educacional, cada açao pedagó-gica, e uma interação. Muito se tem pesquisado sobre os as-pectos lógicos e formais desse processo. Mas o papel das relações mais primitivas e consequentemente mais
neas vem sendo relegado a segundo plano.
espontâ-Temos visto acontecer que planejamentos com ênfase nos aspectos cognitivos, apesar de sua excelente qualidade, _fracassaram em sua aplicação. Isto porque,ape-sar da perspectiva contemporânea de considerar o homem co-mo um todo, as atitudes dos que trabalham na proco-moçao da Saúde Mental são eminentemente intelectuais. O corpo é o grande esquecido, sobretudo no processo educacional, No entanto, manifestando-se através dele é que as emoçoes po-dem ser evidenciadas. Como as emoções corresponpo-dem a pro-cessos psicofisiológicos primários e não-lógicos do ser hu-mano, entender sua
"linguagem"
é ameaçador para a consc~enc~a.
Os processos mentais cognitivos conscientes sao colocados em oposição ao código corporal. Tornam-se e-laborados e encontram na linguagem oral formalizada formas cada vez mais abstratas (e menos ameaçadoras) de manifes-taçao. A cultura ocidental vai valorizando-os, num cres-cendo,
ã
medida em que fica surda e cega aos protestose-mocionais, tão evidentes na linguagem do corpo.
Esse processo de repressao e de tal modo institucionalizado, que o contato físico só permitido em circunstâncias extremamente especiais. A noção de
"pecami-no.60", "nojento", ".6ujo"
permanecem inconscientemente bar-rando toda tentativa de maior proximidade. E sendo o con-tado físico uma necessidade, muitas vezes estagem tem um alto preço.
aprendiza-Ha bem pouco tempo, uma criança de oito me-ses, filha de um casal bastante esclarecido, foi trazida do interior de Minas (mas de uma das cidades mais progressi-tas) para Belo Horizonte, a fim de ser submetida a uma ava-liação geral. Os pais, dolorosamente resignados, queriam testar a validade do diagnóstico feito por medicos de sua terra. Seu filho era retardado. Não firmava sequer a cabe-ça e o desenvolvimento fisico, apesar. da alimentação sa-dia, era inferior ao de uma criança de um mes.
Submetido a rigorosos exames neurológicos, gastro-enterológicos e glandulares, constatou-se que ne-nhum distúrbio, nestas areas, justificava o quadro. Após detalhada anamnese, constatou-se que a criança nunca era carregada ao colo. Atualmente, seu progresso e surpreen-dente. Os pa1S têm-lhe proporcionado toda a atenção carre-gando-a freqUentemente, inclusive quando despidos.
Sabemos, graças à genialidade de Freud, que as manifestações inconscientes existem e que correspondem às imperiosas necessidades básicas da pessoa. Foi ele quem conseguiu desvendar o "po!tque" das angústias causadas pela não satisfação destes impulsos e os motivos pelos quais o processo secundário os repr1me, nega, ~esloca ou sublima. Mas o próprio processo de psicanálise
ê
em1-nentemente verbal. O analista ao colocar-se atras do divã e portanto deixando fora do seu campo visual, o paciente que tambem nao o enxerga, impossibilita qualquer interação corporal.A este respeito, há uma interessante inter-pretaçao do Dr. J. A. Gaiarsa, sobre o que teria motivado Freud a escolher, da longa história de Édipo, tal como foi escrita por Sófocles, o capitulo que trata de seu casamen-to com a própria mae. Para se castigar do incescasamen-to, Édipo
cega-se. Tal auto-flagelo se repete na sessao de
psicaná-lise: o analista cega-se à qualquer interação corporal com o paciente, limitando-se a analisar, apenas, o que escuta. Já o próprio Freud, em seu estudo
tratan-d o tratan-deu m a c I i e n t e h i s t
é
r i c a, s e n t a da" Vi.6
ã
v i.6 "
com ele, foi abraçado por ela. Percebendo que na fase da transfe-rência, seria facil para um cliente de qualquer sexo pas-sar do imaginario ao ato, o que aumentaria ainda ma1s o risco de ser caluniado como corruptor, achou mais pruden-te, colocar-seã
uma distância pessoal afastada e nao in-tima (apesar de não saber da Proxemia, estudo desenvolvi-do bem mais tarde por Hall, como veremos). E este inciden-te da-lhe a chance de instituir a classica postura psica-nalítica; - CIente deitado no divã, analista assentado a-tras de sua cabeça - O que segundo ele, foi um felizaca-so: - as resistências e ansiedades defensivas são reduzi-das e a associaçao livre da-se mais fluida e rapida.
Contudo não lhe escapava o significado da Expres-sao Corporal, sobretudo como manifestação de emoções
turbadoras do indivíduo.
per-"Quando me.. pJr.oponho a de...6c.obJr.iJr. o que.. há
no
Zntimo da.6 pe...6.6oa.6, não pela pe..Jr..6ua.6iva
da
hipno.6 e.., ma.6 pe..la o b.6 e..Jr.vaç.ão .6 o bJr.e.. o qu e.. e..la.6
dize..m e.. Jr.e..ve..lam, .6e..mpJr.e.. pe..n.6e..ique.. a
:tMe..~ae..Jr.a
mai.6 di6Zc.il que.. paJr.e..c.ia. Que..m tem olho.6
pa-Jr.a ve..Jr. e.. ouvido.6 papa-Jr.a ouviJr., logo .6e..
c.onve..n-c.e..Jr.ã. de.. que.. ne..nhuma pe...6.6oa pode.. guaJr.daJr.
.6e..-gJr.e..do. Quando 0.6 lábio.6 .6ile..nc.iam, 0.6
de..do.6
6ic.am taboJr.ilando, a pe...6.6oa
ê
tJr.aZda a
c.ada
pa.6.6o.
A
taJr.e..6a de.. tOJr.naJr. c.on.6c.iente..
aquilo
que.. .6e.. e...6c.onde.. na me..nte humana, não pode.. .6e..Jr.
pe..Jr.6e..itame..nte.. Jr.e..alizada". 1
Mas, mesmo percebendo esta importância,
coe-rente com seu processo terapêutico eminentemente retórico, Freud não passou da descoberta
ã
pratica. Ao contrario, to-do o treino e toto-do aperfeiçoamento da"pJr.axi.ó"
psicanalí-tica deu-se numa sofispsicanalí-ticação verbal e uma intelectualiza-ção cada vez maior, a ponto de expulsar dos consultórios ascamadas mais
"atJr.a.6ada.6"
da população.contestado-res tais como Jung, Reich e Fromm, principalmente, provo-cando uma crise, ainda não resolvida. Esta revolução vem alterando a perspectiva histórica da Psicoterapia.
Como conseqUência, veio a necessidade de se atender a linguagem dos processos mais primitivos, de 1n-teraçao. O que vem sensibilizando os especialistas em re-lações humanas e as pessoas do mundo ocidental de uma ma-neira geral, sobretudo os mais jovens, gerando o g~ande
interesse atual pelas filosofias e religiões orientais, a introdução e criação de inúmeras técnicas, teatro e dança, com consequente aumento nelas da espontanéidade, descon-traça0 e sensibilidade nas relações interpessoais.
E o que tem a Escola a ver com tudo isto? Sendo ela a instituição mais poderosa na transmissão da cultura e portanto da Ideologia de um povo, vem sendo uma perpetuadora da desvinculação corpo/mente - uma janela a-berta para a tristeza.
Ainda que a
"in.te.nçã.o"
proclamada da Escola seja a de torná-la"viva"
"a.tiva", "agJtadâve.l",
"c.Jtia.ti-va",
a observação mais sumária da práxis pedagógicaeV1-dencia o contrário. O discurso democrático da sala de aula é constantemente desmentido pela eficiência com que rotu-los não-verbais classificam professores e alunos, ainda que estes rótulos sejam matreiramente mantidos inconscien-tes.
Este mascaramento é uma necessidade, já de-nunC1ava Reich, pois é ele que legitima a manutenção do poder,tal como existe, assegurada pela ruptura corpo-mente e ter/saber/fazer.
capaci-dade que entra a vantagem da rotulação, referendada por uma série de mecanismos de defesa, garantindo sua
manuten
-çao.-As reaçoes, de participantes de sessao de Psicodrama, aos video-tapes de suas expressões não-verbais durante as sessões, conforme narra a Dr.a Anne Ancelin Shutzenbergen, ilustram este processo - a surpresa e a re-gra geral j i que n mecanismo de negação torna-se impossi-vel de ser mantido, ante a evidência da imagem gravada. Se-gue-se a frustração e a depressão ante a tomada de cons-ciência de que seu corpo fala a verdade ainda que seu dis-curso seja mentiroso.
Uma experiência do tipo descrito acima faz nasCer a esperança.
Ainda que a Escola seja atualmente uma arena própria a tal processo de encenaçao, uma revolução nas ve-lhas interações pode ser possivel - Através de que me~os
poder-se-ia tornar nossos professores mais hábeis, menos
"incon~ciente~" na compreensão e uso da comunicação
nao-verbal? Seria possivel torná-los mais sensiveis aos signos
cinésicQs~: Que influência teria esta aprendizagem sobre
as atitudes do professor? Haveria melhora na interação pro-fessor-aluno? A aprendizagem seria mais significativa, e-ficiente, eficaz?
E
buscando respostas a estas perguntas que realizamos o presente estudo. Este estudo e esta proposta são fundamentados em pressupostos de autores tais como Ba-velas (citado por Mailhot)2 segundo os quais, podemos pre-ver que, teoremas por ele propostos se realizarão, se técnica escolhida para conscientizareficaz.
9S professores,
são os seguintes teoremas:
a
for
1) Quanto mais profundo o contato
psicológi-co, ma~s a comunicação humana terá possibilidade
autêntica.
de
2) Quanto ma~s integrada a Comunicação
ser
ver-bal e Cúmunicação não-verver-bal, mais a troca com o outro terá condição de ser autêntica.
3) Quanto mais a Comunicação se estabelecer de pessoa para pessoa, alem das personagens, máscaras,sta-tus e funções, mais possibilidades de ser autêntica.
4) Quanto mais as comunicações intragrupo fo-rem abertas, positivas e solidárias, mais as comunicaçoes intergrupos serao consequentemente mais autênticas,não ser-vindo para a evasão ou compensação a uma falta de comun~
caça0 interna no próprio grupo.
5) Quanto mais consumatórias forem as comu-nicações humanas, menos instrumentais e com mais possibi-lidades de serem alocêntricas e autênticas.
Isto quer dizer que, não basta que truçao lógica-verbal do que e transmitido seja
E preciso que todo o corpo fale da mesma coisa.
a cons-correta. Que
coerencia. E não que a expressão corporal desminta o
haja dis-curso. Por isto, e preciso treinar a acuidade do professor na interação não-verbal e sobretudo na integração desta com a interação verbal. Se esta aprendizagem e possível, toda a Educação progredirá.
c -
Objetivos do presente estudo.
Pretendemos demonstrar que e possível promo-ver a conscientização da Comunicação não-promo-verbal em futuros professores.
Numa primeira fase, precismos conhecer as suas características para verificar qual e a influência de-las no processo de conscientização.
Em uma segunda fase, elegeremos, atraves de dados mensuráveis, a eficiência deste processo na aqu~s~çao
NOTAS
1 FREUD, Sigmund. 1905. citado ~n Ha1l e Lindzey "Teorias da personalidade" p. 77-78.
11 - REVISÃO TEORICA SOBRE COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL.
la. Parte
1. Interação e Comunicação
As ciências humanas sao sempre c~enc~as
.
-
.
so-ciais. Isto porque, da mesma maneira que se tem como pressu-posto que o homem
-
e um ser que significa o mundo, tem-se co-mo correspondente o de que este significado se realiza na-
-comparaçao com o outro, seu semelhante isto e, 'na interação. E esta interação se da atraves da
comun~ca-çao. Portanto, qualquer estudo cientifico sobre a interação humana deve ter como marco teórico, uma teoria geral da
Co-.
-mun~caçao.
Esta ciência, criada por Saussure, chama-se Se-miologia:
liA
c.iênc.ia que e.ótuda a vida do.ó .óigno.ó
da v-i.da
.óo c.-i.al" 1
Numa construçao estruturalista, tem como ob-jeto o signo, relação entre ".ó-i.gni6-i.c.ante/.6-i.gni6ic.add~cujo
e~xo e sincrônico/diacrônico, isto e, a relação
temporo-es-pacial.
A linguistica e a parte da Semiologia que es-tuda os signos verbais; seu objetivo
ê
a língua:"S-i..óte.ma de. .ó-i.gno.ó vefl..ba-i..ó que exp.tvúnem
idu-a.ó e
ê
c.ompafl..ãve.l, pOfl.. -i..óto, ã e.óc.fl..ita,
ao
al6abeto do.ó .óufl..do.ó-mudo.ó, ao.ó fl..ito.ó
.óimbõ-lic.o.ó, ã.ó nOfl..ma.ó
de pol-i.dez, ao.6 .óinai.ó
m~l-i.tafl..e..ó, e.tc.. Ela
ê,
apena.6 o pfl..inc.-i.pal
.ói.6-tema d
e.6t
e.6 .6 -i..6t e.m a.6 " •
2o
presente estudo se propõe a considerar a comunicaçao ma~s primitiva: o sistema de s~gnosnao-ver-bais, referentes aos processos afetivos. Isso exclue de seu objeto o alfabeto dos surdos-mudos, os
Morse) e a escrita.
Para Chaim3 e outros,
"Comunic.aç.ão nã.o-ve.lLba.t
e:
c.onc.e.-i.tuada a
palL-tilL de.
~ua~ dióe.lLe.nç.a~e.ntlLe. Comunic.aç.ão
c.o~nitiva
e
Comunic.aç.ão ve.lLba.t, pode
~elLde6i-nida em
vã.tL-to~ ~ent-i.do~e. tende palLa um
va-.tOIL unZvoc.o e
univelL~a.t".Destes valores universais o ma~s importante é a comunicação afetiva, (a que mais nos interessa neste trabalho). Nela, a perda da significação precisa é compen-sada, num domínio cultural determinado, pela
comunicação emocional.
potência da
Cita ainda Chaim, que Kant já teorizava so-bre a Comunicação não-verbal - que seria o estudo da fisio
nom~a.
"alLte
de ju.tgalL um homem de. ac.olLdo c.om o que
~epode
velL de
~eu 6Z~ic.o,polL
c.on~e.guinte.ju.tgalL o intelLiolL pe.to extelLiolL - quelL
~e.tlLate
de
~eutipo de.
~en~ibi.e.idade,quelL
do
4pen~amento"
•
Esclarece ainda que a Comunicação não-verbal pode ser tratada sistematicamente, se bem que por metodos distintos da linguagem verbal.
5 . d .
-Mauss cons~ era que a Comun~caçao rrao-ver-bal significa as necessidades e atividades através das qua~s a sociedade marca o individuo. A expressão é sempre cultu-ral, mas comum a todos os membros da cultura.
Para Levi-Strauss6, a Comunicação não-verbal
ser~a a conjunção do fisiologico e psicologico do
simboli-co.
Para Lacan, o inconsciente é linguagem. Mes-mo que a manipulação consciente seja verbal, é significada num plano não-verbal.
tem dois momentos inseparáveis, o noetico-sujetivo - o Pac-to do significante - e o neomático - Objetivo
cado.
do
signifi-Como bem nota Argyle, é na interação que se processa qualquer comunicação. E sendo a Comunicação nao-verbal mais primitiva e anterior que a linguagem oral,
-
e provavelmente o primeiro processo de interação que se es-tabelece na relação da pessoa com o seu ambiente.8Como bem escreve Gaiarsa,
"O c.oJtpo 6a.la.
e.
of:, olhol.>
v~e.mmu-<..to a.nte.1.> da.
boc.a. a.pJte.nde.Jt a. a.Jtt-<"c.ula.Jt a.1.> pa.la.vJta.f:,,,.9'
A Comunicação não-verbal - na qual a expres-são facial, os gestos, a postura, a pOS1çao das pernas, tronco, cabeça, enfim, todo o corpo fala e nem sempre de maneira consciente - colore também a linguagem oral.
No dia-a-dia, observamos como muitas vezes a fragrante contradição entre o que é verbalizado e o que a expressão corporal confessa, é testemunho de que as pala-vras não correspondem aos reais sentimentos da pessoa que se manifesta.
Os psiquiatras atuais vêm considerando os sin-tomas da doença mental como um tipo de comunicação nao~er
bal, evidentemente regressivo, quando a fala fracassa na obtenção de atençao e amor.
No dizer de Argyle,
"no c.ompoJtta.me.nto I.>oc.-<..a.l huma.no
pa.Jte.c.e. QUe. I.>e.
ul.>a. o c.a.na.l não-ve.Jtba.l pa.Jta. ne.goc.-<..a.Jt
a.t-<..tu-de.I.>
-<..nt
e.Jt
pJt
e.
I.> I.> o a.-<..I.>
1a. o pa.I.> I.> o que. I.>
e.
uI.> a. o
c.
a.
-na.l ve.Jtba.l pJt-<-ma.Jt-<-a.me.nte. pa.Jta. tJta.nl.>m-<-t-<-Jt
~n-6 o Jtm a.
ç.
Õe.
I.> "
;t
DPara este autor, as funções principais da Co-rnun1caçao não-verbal são:
• sustentaçao da Comunicação verbal, complemen-tando o sentido da alocução, conseguindo sincronização, ob-tendo
"6eed-back",
assinalando a atenção e substituindo a16 fala.
Galahaml l, considera que os dois sistemas de comunicaçao, o verbal e o não-verbal, são distintos. O ver-bal e informativo, e não-verver-bal e comunicativo. Para se en-tender toda a mensagem não-verbal e preciso pesquisar:
1. o que
e
significativo na comunicação; 2. quanto da mensagem e notado e interpretado pelo receptor, relacionado com o que foi pretendido peloem~ssor.
- 12
Observaçoes feitas em 1972 por Kendon mostram que há uma correlação entre a extensão dos gestos e o ta-manho da mensagem não-verbal comunicada: mensagens ma~ores
correspondem a gestos mais largos. Esta relação não e in-tencional.
13
Para Le Boulch , a ciência do movimento huma-no apresenta uma dificuldade inicial de ser objeto de es-tudo de especialidades tão diferentes como letras, ciênci-cias, medicina, filosofia, história . . . alem de ferramenta de trabalho para cinesioterapeutas - reeducadores da psico--motricidade - professores da educação frsica~ ergoterapeu-tas e professores primários. Propõe, portanto, uma introdu-çao geral que embase estes enfoques profissionais diferen-tes para a ciência que chama de
HP.ôicocine.tica H.
Para ele, seu objeto e"não uma 60Jtma
.em .ôi, ... ma..6umamani6e.ôtaç.ão
'.6igni6icante' da conduta
de um homem em que
a unidade do
.6eJt
não
.6e
pode JteafizaJt
.6enao
no ato que inventa".
E se realiza na educação do movimento. Rejeita o dualismo ocidental, com base no pr~conceito cartesiano, que considera toda a educação para servir ao homem-máquina e que
frsica
"di6eJtencia a.ô
pJto6Ló.6õe.ô
vwbJte.ô da.6
um .6imple..6 automati.6mo ge..6tual".
Considera, portanto, o corpo como unidade, como totalidade primordi-al. Para o estudo do movimento, leva em conta a psico~og1a, a dialética-homem e suas relações com seu meio, a fi sio10gia, a sociologia, a filosofia e a psicanálise -
co-- . ... 14 mo prat1ca terapeut1ca.
Já cientistas americanos, citados por Fast tais como Birdwhiste11, Wei1, o proprio Fast e Shurtz de-no m i n a m tal c i ê n c i a d e C i n
e
s i c a " Ci
e.
n
úa n o v a ,
.6 U 9e..6 ti v a ,
chamada de. linguage.m
co~po~al".15
Birdwhiste11, tal como é citado por Fast e Weil, decompôs em elementos fundamentais todos os movimen
tos montando assim um sistema de notação para a linguagem corporal. A estes elementos atribuiu símbolos. Isto perml. tiria a construção de um alfabeto não-verbal, que, uma vez aprendidos permiti-nos-ia "le.~" as mensagens corporais e-mitidas. Do mesmo modo que os
".6on.6",
a combinação desteselementos fornece uma infinita gama de estruturações, pe~ mitindo a em1ssao e recepçao de mensagens não-verbais.Ch~
ma-se "po.6iC~o" a combinação destes elementos básicos.Uma mensagem completa, isto é, a sequência de posições
"ap~e..6e.ntac~o".16
2. Proxemia e Comunicação não-verbal
...
e aFast discute o conceito de "te.~~it5~io", que é teorizado brilhantemente por Ha1l, que denomina o seu estudo de "P~oxe.mia",
"e..6paco .6ocial e. pe..6.6oal e. a
pe.~ce.PC~oque.
ohome.m te.m
~
me..6mo".17
Para Hall, território ser~a um comportamento de reivindicação de urna área de modo característico e de-fensivo contra os membros de sua própria especie. O espa-çamento entre os territórios sao determinados por mecan~s
mos de distanciamento tais corno o de fuga, que é maior quan-to maior for o animal - e que quando é ultrapassado por a-nimal de outra espécie, mobiliza a fuga do primeiro - e o de distância crítica, que, se infringido pelo animal ~nva
sor, transforma o mecanismo de fuga em ataque.
Em termos de estrutura social, quanto ma~or
o
".ótatu.ó"
do animal no grupo, isto e, quanto mais dominan-te, maior espaço tem ele direito. Outro conceito interes-santee
o de d~.ótânQ~a.óoQiai.
Seria uma fita simbólica que limita o território do grupo,"amaJUtando-o".
limites, o animal se sente ansioso.
Fora destes
Do ponto de vista humano, a cultura impregna as noções de território. Conforme a permissão para maiorou menor proximidade ou para contato corporal, variam o tama-nho e a significação da ocupação de território pessoal ou de distância social.
Hall fez observação do distanciamento na cul-tura norte-americana, e dividiu-a em 4 grandes grupos, ca-da um subdividido em dois. são eles:
1) Distância íntima
1.1. fase prox~ma,
-
.
sem distanciamento; 1. 2. fase afastada ( de 15 a 45 em); 2) Distância pessoal.2.1. fase próxima (de 45cm a 80cm); 2 . 2 . fase afastada (de 80cm a 1,20m) .
3) Distância social - Nesta distância perde-se o limite de dominação, isto
é,
já nãoe
possível alcançar-se mutua-mente com as maos.4) Distância pública
4.1. fase próxima (3,50m a 7,50m). Nesta distância abr~ se a possibilidade para fuga e para armar-se defe~
sas.
E
preciso empregar-se já, um maior volume na-
-voz, mas nao e preciso gritar; 4.2 •. fase afastada. A partir de 7,SOm.
Para melhor entender-se as interações senso-riais e corporais nas várias distâncias, consulte-se o qu~ dro I-A e I-B, pg.154-lSS13
Se nos detivermos na análise do comportamento íntimo, poderemos entender melhor os aspectos afetivos da
interaçao humana e animal.
Hall chama de distância pessoal, a
"bolha"
invisível que separa um animal da mesma espécie de outro. Divide os animais em espécies
"de
c.ontato" -
onde a"bolha"
praticamente não existe e os de
"não-c.ontato" -
que evitam 18completamente o toque.
Seria a espécie humana
"de
c.ontato"
ou,,-- não
c.ontato"?
Observando o grosso modo as interações corpora-is, verificamos que, conforme a cultura, há comportamentos desde o que Desmond Morris chama de"c.ompoJttamento·
Znti.-,,19 _ . _
mo
ate a eV1taçao absoluta de toque, a ponto de conside r a r - s e "ta b
u"
q u a 1 que r p r o x i m i da de. P a r a M o r r i s, o to queé
biológico. É profundo e integral na vida intra-uterina. É buscado ansiosamente pelo~ bebis e proporcionado intermi-tentemente pelas mães. Isto pode ser feito através de con-tato físico direto - quer apertando a criança contra S1quer dando tapinhas, cujo código não-verbal quereria dizer que a mãe está próxima para proteger (quando toca o corpo do bebi) mas que não há nenhum perigo a temer (quando afa~ ta a mão). Pode também ser proporcionado simbolicamente a-través de ataduras-j. cue1ros, cobertores.
Para Morris, o tabu ocidental que impede o
"homo
~api.en~" de estabelecer contato corporal,".<.nt.<.m'<'dade. e..6pe.c..<.al.<.zada, .<..6to
e,
bU.6c.a/L
o
toque. de. pe..6.6oa.6 que. te.m d.<./Le..<.to.6
p/L06'<'.6.6.<.o-na~.6
de. 6azê-lo. A.6.6im, e.le. pode adoe.c.e./L
pa-/La te./L
otoque.
med~c.o,ou p/Loc.U/La/L
ma.6.6ag~.6-20
ta.6,
c.abe.le./Le.~/Lo,e.ng/Laxate.".
Ou, "am~zade.
c.om
.
."
-an~ma~.6 o que nem sempre 1m-plica em relações sexuais mas, na maioria das vezes, em es-treitas relações afetivas.
E ainda intimidade com objetos, usados como substituto de
"uma
.<.nt~m~dade./Le.al c.om out/LO
.6e./L
humano".
tais como c1garro, brinquedos, objeto de esti~aç~o, chicle-tes, travesseiros, etc., a-te objetos de estimulaç~o sexual. Muitas obras de arte convidam a intimidade. E finalmente,
".<.nt~m~dade. c.on.6~go
me..6mo",
na qual as m~os fundamental e empreendem:tem um papel
1) Ações de defesa (contra agressoes riais) •
senso-2) Aç~o de limpeza (coçar, esfregar, lavar).
3) S i n a i s e s p e c i a 1 i z a dos ( g e s tos sim b ó 1 i c o s) • 4) I nt1m1 a e cons1go mesmo. . . d d . 21
3. Mecanismos
fisio16gi~ose Comunicação
Dada a estruturaçao indiscutível entre a ho-meostasis, o comportamento íntimo, o território e a
alimen-taç~o suficiente e levando em conta que a Comunicaç~o n~o
verbal e, sobretudo, relacionada com a interaç~o emocional, detenhamo-nos rapidamente nos mecanismos fisiológicos
res--
.
ponsave1S por este processo.
comando dos movimentos voluntarios, a tomada de decisões a linguagem verbal, a audição, a memoria voluntaria da lin guagem, etc. O hemisferio direito
e
responsavel pelas emo ções primitivas (na região do hipotalamo), pelo equilíbrio hormonal (hipofise), a memória emocional (hipocampo) o con trole dos comportamentos instintivos (nGcleo~ amigdalinos). É menos desenvolvido, não dominante, mas, ao que tudo indi ca, é sede do que os psicanalistas chamam de Processo Pri-mario. O processo primarioé
a elaboração a nível inconsci ente do conteGdo do ido Apesar de possuir um mecanismo har mônico de;:funcionamento, nao obedece aos princípios logís-ticos do processo cognitivo. O que o comanda é o princípio do prazer.O Processo Secundario, 10 hemisfério esquerdo (nos canhotos
...
que e o elaborado pe-é ao contrario), obdece ao princípio de realidade e segue o esquema lógico e-pistemológico cognitivo, que possibilita a organizaçao do pensamento, de modo a ser transmitido e entendido. É o que possibilita a transmissao de conhecimentos e o progresso da Ciência.
Mas, se o processo primario
é
inconsciente o que possibilita a sua secundarização na forma de Sinto-mas dos comportamentos patolbgicos, quer como conteGdo dos sonhos relembrados, e na conscientizaçao do colorido emo-cional das experiências, é a mediação do corpo caloso. Não se pode falar de um processo puramente secundario e nem é possível, pela sua própria definição teórica, d'etectar cons cientemente um processo primario. As obras de arte sao o exemplo mais feliz de secundarizações, nos qua~s o comando seria do hemisfério direito.Outro aspecto notavel do funcionamento harmo nioso do sistema nervoso é o papel do sistema reticula~ que colocado acima do cerebelo (responsavel pelo equilíbrio)tem a ele atribuído as funções de regulação do sono e vigilia e da atenção.
doenças mentais, o que quer dizer que representa importan-te papel na significação das emoçoes.
A interdependência dos dois hemisférios é de tal maneira notável que, se um lado for anestesiado, o ou-tro assume as funções daquele. Mas,
o estudo das diferenças funcionais,
ai é que foi possivel a qualidade é diferen-te. Por exemplo, em relação
à
memória e verbalização de p~ lavras, as experiências so com o hemisferio esquerdo fun-c i o n a n do, p r o v a r a m que tal a t i v i d a de não . ;e
p r e j u d i c a da. Ma s,os a~pe~to~ não-ve~bai~ das mesmas não são percebidos, o
que e denominado desprosôdia. Os elementos prosódico~ dão
ã
palavra falada referências, uma expressividade ecolora-- . 22
çao bem part~culares. Paralelamente, pessoas com hemis-fério esquerdo inibido, tem dificuldade de compreensão do significado denominativo das palavras, sobretudo de termos abstratos, tem vocabulário pobre mas estão atentas e per-cebem sons não-verbais com mais facilidade e rapidez que em seu estado normal.
Por isto, é um cérebro integral comandando harmonicamente as ordens oriundas do hemisfério esquerdo e direito que torna possivel a coordenação perfeita de nos-sas açoes.
Não podemos deixar de enfatizar a importância da vinculação neurológica entre o arquiencefalo (parte ma~s antiga da formação cerebral) constituido pela região lim-bica, hipotãlamo, os núcleos cinzentos da base e a forma-ção reticular e o neoencéfalo-formado pelo córtex cerebral - sede das funções mais tipicamente humanas. Esta
vincula-23
çao se realiza nos primeiros meses de vida. Carballo co~
sidera, por isto, a relação mãe-filho simbólica e fundamen-tal para a completa maturação do feto humano, que nasce i-maturo e não totalmente desenvolvido, ao contrário dos fi-lhotes de outras espécies de mamiferos superiores.
tauração do sorriso aos três meses de vida do bebê nal de que a articulação neo-arquiencefalo foi bem
A
~ns--
e oordenados desde o córtex, controlados pela vontad~ guiados pelo pensamento. Outros, nem sempre conscientes, produzi-dos no arquiencefalo, impregnaproduzi-dos de afetividade e emoção.
Aqui, precisamos abrir um parentesis para 1n-troduzir o conceito de
"impninting"
a mensagens hipotali-micas, isto...
e, do arquiencefalo.Como j~ e do domínio dos psicólogos, experi-enC1as de Lorenz e seus colaboradores com animais, sobretu-do aves, trouxeram à área de aprendizagem, dasobretu-dos preciosos sobre a influencia desta em comportamentos instintivos.Re-tomemos o exemplo clássico do comportamento instintivo do patinho que segue a pata por onde ela vã, desde q!le-
"impni-ma" (impnintingl
sua cara como pr1me1ro estimulo visual as-sim que vem ao mundo. Lorenz colocou o seu rostoao invesda pata, neste primeiro campo visual do filhote. Tendo sido es-te o seu"impninting",
o patinho o seguiu por onde se mo-vesse, desprezando a mae.Assim, muitos comportamentos emocionais nao e x p 1 i c á v e i s a n i v e 1 d e c o n s c i e n c i a, s e r i a m r e s p o s tas a
"im-pninting~" não verbais muito primitivos que, apesar de sua
única apresentação, o foram no unico momento adequado para que o comportamento se instalasse.
Estendendo melhor este conceito, inserimos a-qui a s c o n t r-i b u i ç õ e s d a t e o r i a d e A n á 1 i s e T r a n s a c i o n a 1, de Eric Berne,24 no tocante às pesquisas do neurologista canadense Penfield e no instrumento chamado "Mandato~
Im-pu..t~one.~:
Mini
Angu.me.nto~e.
Angu.me.nto~de. Vida".
Penfield fez o mapeamento do cerebro humano, utilizando-se de estimulação cortical de pacientes epilep-ticos conscientes, sob anestesia local. Atraves da descri-çao dos pacientes de suas sensações a est~ estimulaçã~ po-de, nao só localizar os pontos lesados, cUJa excitaçao pro-vocava o ataque epileptico, como descobrir a zona da memó-ria emocional, na qual o evento era não
vivido com toda a sua carga afetiva.
-so evocado, mas
emo-ç8es antigas no cQrebro da pessoa.
o argumento de vida ou script - quer dizer -o r-oteir-o que a pess-oa segue e que leva a um final pre-de~
terminado inconsciente,
e
um dos seus instrumentos. Es ta-belece-se ate os 5 anos de idade. ~ a resposta da criança a in t e r a çõ
e s não - ver b a i s de seu s p a i s. E s tas in t e r a ço
e s são chamadas mandatos e podem ser impulsores e freiadores. Os impulsores geralmente são emitidos pela figura parental dri sexo oposto. Quer dizer, respondem a relação edipiana numa linguagem psicanalítica. Dizem ~ que a crLança deve fazer. Berne levanta CLnco impulsores básicos:1.
sê
perfeito 2. Agrada-me 3. Esforça-te 4 • Apressa-te 5.sê
forteOs mandatos freiadores sao emitidos pela fi-
-gura parental do mesmo sexo. Atendem a relação de :identi-ficação. Dizem ~ a criança deve fazer. Nesta relação, a Comunicação não-verbale
mais forte que nos impulsores .. Le-vanta a dialetica argumento-contra argumento (quee
o mini argumento ou mini script) e orienta a maioria dasções da pessoa pela vida afora.
intera-Alguns freiadores:
Não pense Não reaj a Não peça
Não sinta (choro, alegria, qualquer emoção). A possibilidade de interferir salutarmente no Argumento de Vida e possível atraves da substituição dos
. . . 25 .
Lmpulsores e freLadcres pelos permLssores • A cada Lmpul-sor negativo, corresponde um permisLmpul-sor, positivo, a saber:
Impulsor (-)
sê
perfeitoPermissor (+)
sê forte
Apressa-te
Esforça-te
Agrada-me
Podes pedir ajuda, sente a vida
Toma o tempo que necessi tas
Podes fazê-lo. Vive o a-qU1 agora.
Não preC1sa agradar a to-dos. Agrada a t i mesmo. Combinados com a pOS1çao existencial, que como o sujeito se situa diante da vida e com os mandatos o argumento de vida irá var1ar.
-
eA posiçao existencial é determinada a par-tir do conceito, n~o traduzível, de okeidade. Quer dizer" de se sentir bem ou mal em relação a si mesmo e dos outros em relação a si pr6prio.
são cinco as pOS1çoes existenciais.
.
.,..Eu ok Você nao ok
que é o quadro paranbico considera-se bom, mas nao pode confiar no mundo, pois todos são maus. Os heróis dos roman-ces e contos de Rubem Fonseca são quase sempre exemplos mui-to claros desta pos1çao (Caso MoreI - Feliz Ano Novo - O co-brador).
Eu nao ok Você ok
que é o quadro depressivo. Gervaise, de E •. Zola é bem ilus7 trativo, assim como as heroínas de Nelson Rodrigues.
Eu ok Você ok
quadro man1aco. (Por exemplo, o sujeito de piada do otimis-~ ta que, encontrando estrume de cavalo em seu sapato no dia de Natal, exulta, dizendo que ganhara um cavalo).
Eu não ok Você não ok
quadro nihilista. ( O personagem de "Ae.Jt0p0Jt;(:O" que tenta explodir o ser1a um bom exemplo).
Finalmente, os argumentos seriam:
Trepador - que usa sem etica todas as pessoas para
conse-Banal
guir seus objetivos, sem se permitir intimidade com as pessoas.
que se contenta com o que tem, nao inova, nao improvisa, não se envolve, ainda que dependa, nao se relaciona em autêntica intimidade.
Perdedor - que, ou fracassa sistematicamente em tudo que empreende, ou não tenta nada, ou tenta e conse-gue com brilhantismo grandes realizações para en-tão fracassar.
Triunfador - que conhece seu potencial, poe suas metas em posições alcançáveis, relaciona-se afetivamente com autenticidade e mútuas satisfações.
4.
Interações parentais.
Já v~mos como o ~er humano
e,
por definição,um ser social. Desde a concepçao, comunhão do espermatozol de-óvulo, um Homem nunca
é
um, solitário. Portanto, seu com-portamento se inicia no útero materno e os pais são biQlo-gica e socialmente as peças fundamentais na sua ,relação com o mundo.A estreita vinculação mae filho nos
pr~me~-ros anos de vida
é
importante~ não sõ no desenvolvimento hu-mano, mas tambem nos dos primatas super~ores cUJos filho-tes dependem da interação para aquisição de sua autonomia.Morris,Spitz e Leboyer foram alguns dos
teo-r~cos que estudaram a relação mãe/filho nos primeiros
tem-pos de vida.
. 25 l· .
Morr~s ana ~sa que a ~nteraçao uterina mae-filho tem profundas repercussões no desenvolvimento ritm-co, devido ao batimento cardíaco e os movimentos
v ~ r d a mãe, que r e p r e s e n t am s e n s a ç o e s e x t r e ma m e n t e
de ~r e
agradá-d á v e i s p a r a o f e to, m e r g u 1 h a d o no n i r v a n a d o I í qui do amn i
õ
tico.Spitz inici~ sua investigaçio atravis de fil magens desde o instante do nascimento do bebê ate 12 me-ses. sio extremamente interessantes suas observações da interaçio do olhar mie-filho durante a lactaçio.
o
sucesso do m~todo Leboyer, "na~ce~~o~~in-do",
tem muito a ver com o respeito pela linha de conti nuidade de vida intra/extra uterina, mudando, inclusive o conceito psicanalítico do trauma do nascimento, ao usar a prática da penumbra durante o parto, do banho tipico,da espera paciente do cessar das pulsações do cordio umbili-cal para o seu corte, enquanto a criança aguardajunto do
co~ação mate~no (cujo som
e
seu velho conhecido) e por 1Sto permanece calma e tranquila.
A necessidade de contato corporal, como algo que transcende
ã
necessidade de alimentoe
bem ilustrada pelas experiências (já de domínio público) sobre as maes-macacas de arame e de pano. Ainda que seja a mae de arame quem forneça alimento, os filhotes preferem o contato co~poral com a mie de pano, toda vez que se sentem ameaçados ainda que estejam com fome. Tambem buscam este contato as S1m que se alimentam na rígida e frígida
"mãe
de
a~ame".Mas, nao só o contato mie"filho e importante. As mesmas experiências mostram que a pr1vaçao de contato com outros filhotes da mesma especie tem para os macacos efeitos mais danosos do que a ausência da mie de pano.
Segundo estas, cr1anças muito pequenas sao capazes de 1n-terações afetivas e sobretudo cognitivas, estabelecendore-lações sociais de tal ordem, que demonstram o entendimento, o respeito e planificação temporo-espacial nos projetos que se propõe a fazer. A globalização da conduta envolvendo to-dos os aspectos do comportamento humano, de uma maneirahar mon1ca, e o mais notável aspecto percebido.
Se as experiências demonstram que a sociali-zaçao positiva e possível desde uma idade muito precoce, o que muda a conotação da importância da mãe nas interações da criança, que base ideológica estaria obnubilando estas constatações?
Às conferencistas chamam a atenção para o fa-to de preconceifa-tos científicos de observadores, interferi-rem na interpretação dos dados observados. Já Labov, quan-do pesquisava diferenças cognitivas entre crianças norte-americanas, brancas, do mesmo extrato subcultural seu, e crianças negras dos ghetos, conscientizara-se deste fenô-meno. O seu conceito de "p~ivaç~o cultu~al" atribuIdo is crianças negras foi modificado pelo fato de se encontrar entre seus colaboradores, um pesquisador negro. Este cien-tista pôde apontar aos colegas,.como as respostas das crián-ç a s e r a m i n t e r p r e t a das, a p a r t i r dos i g n i f i c a d o da"
p
a~ O le "
branca classe-media. Uma vez detectado tal preconceito,ve-rificou-se que não havia diferença qualitativa entre o pen-samento das crianças de ambas as classes.Esta descoberta tem profundas repercussoes nas interações, sobretudo nas pedagógicas. Ate que ponto o fracasso escolar e, sobretudo, o fracasso nas realizações vitais, tem como base estes preconceitos que minam incons-ciente e não verbalmente a interpretação do comportamento das crianças
"de..6aju.6tada.6"?
Toda a ideia sobre o pa1 e mediada - figura com quem se permite uma interação diade.
pela
o
paiquase sempre uma notícia - que vem pela boca da mãe.
mae
~
e
Dr. Ely Bonini Garcia, medico-terapeuta,con-sidera que o comportamento íntimo com a criança deve ser hetero-sexual. O bebê necessita ser acalentado tambem por figura masculina. A musculatura peitoral, diferente da ma-ciez dos seios femininos e a tonalidade mais grave da voz do homem, expandida no diafragma, e condição "~ine.
qu.a non"
para proporcionar um bom desenvolvimento afetivo.
A introjeção adequada dos dois modelos paren-tais e a melhor prevenção contra a proliferação da atitude cultural machista, que, paradoxalmente, e transmitida pela mae. Esta aprendizagem e extremamente significada no nível não-verbal. A tarefa, nitidamente matriarcal de cuidar das cr1anças, e
"ine.Jte.n:te."
ao sexo feminino e considerada l.n-feriorà
do pai provedor.- . l ' . l ' f - 26
Tambem Serge S1nc a1r, pS1cana l.sta rances, ainda que considere o
"c.oJtpo e.Jtôge.no"
como uma abstração, numa intelectualização bem característica da Psicanálise enfatiza a importância do papel paterno no desenvolvimento e asserçao sadia deste corpo. Neste processo, o pai "tem qua-tro funções:1) Genitor - no sentido de procriador.
2) Guardião da lei - mantem as referências e os limites espaciais e protege inclusive da mae, se esta preten-de infringir estes limites.
3) Fruidor o que experimenta e propicia prazer - extrai o gozo da mae. 4) Iniciador - o que permite a entrada do
fi-lho no mundo.
função da
".:teJtJta"
é prevalecente.o
assassinato do Pai (aqui significado como Pai/Mãe) se dã quando a pe'ssoa assume integralmente seu cor-po erogeno, atribuindo a si todas as funçõesternas.
S.
Interações Sensoriais.
paternas/ma-As primeiras formas de comunicaçao e conse-quentemente de significação do mundo estabelecidas peloser humano, sao feitas através dos sentidos.
Por isto, faremos um breve relato sobre os estudos das vãrias formas de interação sensorial, começan-do pelos olhos - "e!.l.:ta!.l
jan.ela!.l da alma",
comodito popular.
assegura o
Kendon descreve observações dos fatores nao-verbais das conversaçoes, tais como: troca de olhares, di-reçao corporal e sorr1SO.
Em relação
à
interação visual, mostra a1m-portância do olhar na manutenção do padrão da conversa0, e a relação entre o interesse so assunto para o emissor e a postura da cabeça.
Sobre a relação inconsciente entre a postura corporal e a mudança de tema, Scheflen fez interessantesob servaçoes.
Goffman estudou os sinais V1sua1S não-verbais
.
.
inconscientes que antecipam uma despedida.27 - .
freqUência de erros foi ma10r quando a cabeça estava de vies e os olhos de frente para o observador. Uma outra pesquisa sobre a interação visual e hierarquia social conclue que o status interfere na forma e duração do olhar e na distân-cia postural. Os líderes tendem a olhar os liderados com mais freqUência que estes a ele. O desvio do olhar nestas relações e interpretado como submissão e apagamento.
~ tambem muito significativa a que analisa a alteração do eletroencefalograma Rhesus quando observado por seres humanos.
experiência do macaco
Ralph Exline pesquisou a mútua interação V1-sual espontânea. Esta interação era significativamente al-terada ap~s a experiência em que os sujeitos eram envolvi-dos e descobertos em fraude por um colaborador ( f a t o que eles desconheciam).
Outro fato interessante foi a correlação 1n-versamente proporcional encontrada por Lambert e Lambert entre o índice de
"Ma.qu.ia.ve.i.i.ómo"
individual (medido atra-vés de um questionário) e a fugaã
interação visual com o experimentador.Outra experiência de Exline e descrita por Fast,28 e mostra a diferença da freqUência de interação visual entre pesquisador e sujeito, quando o assunto e pes-soal (menos freqUente) ou sobre recreação.
Morris observa como, sob a influênciadasemo-çoes, dilatam-se as pupilas ate tornarem-se um grande dis-co preto. As beldades italianas já sabiam deste efeito das emoçoes e pingavam gotas de beladona para cr1ar este
efei-. f· efei-. 1 29 to art1 1C1a mente.
O Dr. Edward H. Hess observa tambem a dilata çao involuntária da pupila na presença de algo agradável.
au-to-percepçao, como demonstra a constataçao de uma mulher com várias internações psiquiátricas: "P~eci~o
me
cuida~,
poi~ meu~ olho~ j~ e~t~o e~gazeado~".
Muitos aspectos da interação olfativa são de domínio público. Sabemos da grande importância que tem o odor entre todas as especies mamíferas, como meio de comu-nicação. O faro do cachorro e tema de muitos filmes infan-tís. As renas comunicam perigo por um odor característico dos cascos. Os gambás usam seu gaz fetido como defesa. O macho detecta o período do C10 da fêmea, a quilômetros de distância, pelo olfato. A excitação sexual entre homem/mu-lher tem seu odor característico, quase sempre tabu. O me-do provoca uma sume-dorece de cheiro característico. O suor axilar dos adolescentes tem tambem uma intensidade caracte rística. O hálito e outro odor, objeto de muitos tabus e hábitos culturais, fundamental no comportamento sexual.
O odor corporal e o hálito são tambem sinais para um especialista em comportamento. Nossa experiência de trabalho com camadas miseráveis da população, quer crian-ças, quer adultos, nos tornou capazes de detectar o odor que chamamos cheiro de fome cronica. O mesmo cheiro se des-prende de pessoas de melhor situação econom1ca, quando su~ metidas a regime alimentar muito rigoroso. Os psiquiatras e os psicoterapeutas sabem reconhecer e distinguir o odor da raiva e o odor esquizofrênico. A Dr.a Katleen Smith pro-vou que os ratos distinguem prontamente o cheiro
esqüizo-f ren1CO de outros o ores. ~ . d 30
O paladar e a preferência por este ou aquele alimento ou lugar, são fortemente impregnados pelo olfato. As interações não-verbais da boca são muito r1cas e extremamente enfatizadas sobretudo nas relações psi coterapêuticas. Por isto, faremos agora um breve apanhado de seu aspecto mais geral, para retomar sua importância nas tecnicas de interação não-verbal. É o primeiro orgao erõ-geno, e por isto, extremamente importante
sexua1S - quer simbólicas, quer afetivas.
dotada de grande flexibilidade muscular, abundante
irriga-4'
çao sangu1nea e linfática, intensa e especializada enerva-çao, é dos órgãos que mais detem padrões culturais de com-portamento. ~ o mais sujeito a controle voluntário, poden-do expressar sentimentos que o sujeito não experimenta e, muitas vezes, ser desmentida por outros S1na1S corpora1S não tão sujeitos
i
censura. Mesmo assim, quando o sentimen to inconsciente é muito forte, a boca pode espontâneamente assum1r uma posição denunciadora, surpreendendo a própria pessoa, quando constata seu sinal.Para Morris, cialmente aceito, da vagina
e
um substituto simbólico, so-(assim como a língua é do pe-nis) e o uso do batom teria uma nítida finalidade sensual de sugerir a ruborização labial da vulva, na excitação se-xual.Os ouvidos sao obviamente importantes nas in-teraçoes verbais. ~ o veículo de captação de tonalidade afetiva das emissões orais. Também a musicalidade, (tom, r í t -mo, harmonia, volume) tem no ouvido o seu veículo.
E
ex-tremamente importante distinguirmos "ouvi~" (de predominâ~
cia do lobo direito) de "e..6c.uta~" (ato voluntário comanda-do pelo lobo esquercomanda-do). As emoções tem papel central na se-leção e na distorção do que e ouvido para o que é escutado. Os lingUistas pesquisam fartamente o e1XO
".6igni6ic.ante. "
".6gni6ic.ado"
que trata exatamente da estruturaçao entre a denotação e a conotação. A conotação varia, inclusiv~ con-forme a entonação da voz, a posição do termo na sentença no período, o contexto, etc. ( O programa de TV -"FantãI.:J-tic.o"
apresentou uma homenagem póstuma a Procópio Ferreira na qual ele, em geniais interpretações, conotou diferente-mente a mesma frase.)indepen-dente deste trabalho. As faces, orelhas, maxilar, queixo testa, cabelos, ainda que importantes, so serao
menc~ona-dos na estruturaçao global e integradora das mensagens não-verbais.
6. Interação Postural
Analisando as atitudes posturais, comecemos com a postura da cabeça. Para tal, introduzamos o conceito de
"nuto,,31,
queé
o ato de mover a cabeça para frente e para trás, em aprovaçao. Os gestos de aproximação e dista~ciamento da cabeça, tido como
"Intimo"
para Hall,podem sig-ni f icar a d i f e rença ent re a cons e rvação da fron t ei ra do ego e o "p e.1l. d e.1l. -.6e."
n o ou t r o •Lowen considera a glabela entre as sobrance-lhas como a sede do ego. E é a cabeça, a sede do que ele
-chama de mecanismos de
"c.all.ga".
Quer dizer, e por ela que se carrega o organismo de energia - que e descarregado pe-la metade inferior do corpo. Voltaremos a este conceito ao deacrevermos_ as terapias de contato e corporais,31 no conceito de limite corporal e transe.
sobretudo
Passemos as expressoes manua~s. As maos sao as principais detentoras do sentido do tato que, apesar de difundido em todo o corpo, é aí especializado. Elas sao extremamente expressivas, mas sofrem aprendizados e inibi-ções culturais. Existem sinais arquétipos na expressão ma-nual. Um deles é cumprimentar com a mao direita - a mão da arma, mostrando a intenção amistosa dos que se cumpr~men
tam. O poema "A.6