• Nenhum resultado encontrado

A oferta agregada e o mercado de trabalho

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "A oferta agregada e o mercado de trabalho"

Copied!
67
0
0

Texto

(1)

Mario Henrique .Simonsen

e

Rubens Penha Cysne 1988

(2)

A OFERTA AGREGADA E O Jl.1ERCADO DE TRABALHO

5.1) As relações de produção clãssico-keynesianas

Examinemos as relações de produção a curto prazo em nossa pt:onond::l com um iínico pr0dllt-.O. Té'P1rf""l セ@ ュセセイHGャ・イZHGiョッヲtャゥ。@ nO()

clássica quanto a keynesiana admitem uma relação estável a curto prazo entre o volume de emprego N e o produto real Y:

Y

=

f (N) (5.1)

onde a chamada "função de produção a curto prazo" f(N) supoe-se crescente, estritamente côncava, diferenciável, com f(O)=O e tal que a produtividade média do trabalho f(N)/N tenda para zero quando N tender para o infinito (Figura 5.1). A estabi-lidade da função f(N) resulta da hipótese de que, a curto ーイセ@ zo, sejam dados o estoque de capital, o conhecimento tecnoló-gico e a estrutura das empresas. Como esses fatores são fixos, a produção Y relaciona-se ao emprego N de acordo com a lei dos rendimentos decrescentes, isto é, por uma função

crescen-te e estritamencrescen-te côncava. Presume-se que nada se possa ーイッ、セ@

zir sem algum trabalho (f (N) =0) e que, pela invariabilidade do estoque de capital e do conhecimento tecnolégico, a ーイP、オエゥカセ@

dade média do trabalho caia abaixo de qualquer カ。ャッセ@ positivo dado para volumes excessivos de emprego. Quanto

ã

hipótese de diferenciabilidade, ela consta da especificação do m0delo por comodidade analitica.

Y

(3)

I

'.

figura 5.3.

p/w

セMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM .. -. y .

Figura 5.3

A título àe exemplo, suponhamos que a função de prQ dução a curto prazo seja dada por:

Y

=

cNa (C>Oi O<a<l)

A curva de procura de mão de obra se obtém igualando-se o sa-lário real à produtividade marginal do trabalho:

ou seja:

W

=

acN a-I p

I

p l-a

N = {ac -} W

Intróduzindo-se essa expressa0 de N na função de produção a curto prazo chega-se

-

a oferta agregada:

I a

Y

=

c l-a (a

1:..)

l-a W

Note-se que as três relações, a função de a curto prazo, a procura de mão de obra e a oferta são perfeitamente interligadas, no sentido de que o

produção agregada conheci-mento de urna delas implica o das duas outras. A análise acima mostrou como, a partir da função de produção a curto prazo,PQ dem-se determinar a procura de mão de obra e a oferta agrega-da. Suponhamos que se conheça a curva de procura de mão de o-bra, W =g(N). Então, corno g(N)

=

f'(N), e corno f(O)=O (nada

(4)

se produz sem trabalho):

f (N)

=

S

NO

g(x)dx

Em suma, conhecida a curva de procura de mao de obra, a fun-ção de produfun-ção a curto prazo obtém-se pelas áreas delimita-das por essa curva, corno na figura 5.4. Das duas, obtém-se a oferta agregada pelas regras já estabelecidas.

w/P

I

N Figura 5.4

Admitamos, finalmente, que se conheça a curva de o-ferta agregada Y

=

h(P/W). Tomando-se a função inversa:

Corno P

=

W

e como Y=O para N=O:

1

f I (N)

-1

h (y)dy

= dN

dY

(5)

p/w

Figura 5.5

A título de exemplo, tomemos a curva de oferta 。ァイセ@

gada anteriormente deduzida:

ou seja:

I a

T-a

_p} l-a

y

=

c {a

P

=

W

I

W

y l-a

a

Da relação obtida segue-se que:

N

=

I

l-a

S

y

y-a-O '

dy

y l/a

= {-}

c

o que nos leva de volta

à

função de produção Y

=

cHa .

(6)
(7)

5.2) O teorema de agregaçao

Uma descrição precisa do modelo neo-clássico e key-nesiano admite uma economia cujo único produto seja obtido por m empresas competitivas, com funções de produção a curto pra-zo fl(Nl),f2(N2), .•• ,fm(Nm)' Nk indicando o volume de emprego

ésima

na k empresa. O teorema de agregaçao mostra que essa eco nomia funciona como se fosse uma única empresa, que

COL_ funçã -: de :: _'odl" "ãc .

tivesse

f(N)= max {fI (N l )+·· .+fm(Nm)

I

Nl +·· .+Nm= Ni Nl セ@ Oi •• • N

m セ@ O} (5.4)

e que maximizasse o seu lucro, tomando como dados o preço P do produto e o salário nominal W. Em suma, a função de produ-ção associaria a cada nível de emprego N o máximo de produto possível de se obter, distribuindo-se adequadamente N entre as m empresas.

Para provar o teorema, indiquemos por Nl, ..• ,Nm as posições de equilíbrio do emprego nas várias empresas ao sis-tema preços-salários (p,W). Admitiremos que P e W sejam ambos positivos. Como as empresas maximizam seus lucros nessa posi-ção de equilíbrio, para quaisquer níveis de emprego Nl, ••• Lnセ@

.

. .

.

.

.

. .

. . .

.

.

.

.

.

. . .

.

.

.

.

.

ou, somando membro a membro:

P(fl

(N

l )+·· .+fm(Nm» - W(Nl +··

·-tN

m} セ@ P(fl (Nl )+·· .+fm(Nm»-W(Nl +·· ·-tNm) (5.5)

Seja

N

o emprego total Nl+ ••• +Nm ao sistema preços-salários (P,W). Indiquemos por (Nl, ..• ,Nm) uma outra distribuição qual quer desse mesmo emprego total entre as m empresas. Então, 」セ@

(8)

1-ou seja:

Isso prova que a economia ッーセイ。@ sobre a função de produção a-gregada definida pela expressão 5.4: f(N}

=

fl(Nl}+ .... KヲュHnセL@

isto

é,

o emprego total N se distribui entre as empresas de modo a gerar o máximo possível de produto. Para provar a se-gunda parte do teorema, seja N

=

Nl+ ... +Nm o emprego total de equilíbrio ao sistema de preços-salários (P,W). Indicando por N um outro nível de emp.Lego total, e supondo· f(N}'=f l (Nl )+ ... +

fm(Nm), isto

é,

que (Nl, ... ,Nm) seja a distribuição por ・ューイセ@

sas de N que gere o máximo de produto, segue-se, de (5.5)que: Pf(N) -

wN

セ@ Pf(N} - WN

o que prova que a economia se comporta como se resumisse a u-ma empresa única, com função de produção f(N), e que u-

maximi-zasse seu lucro tomando P e W como dados.

Note-se que se as funções de produção das diferentes empresas forem crescentes, diferenciáveis e estritamente côn-cavas, o mesmo acontecerá com a função de produção agregada. Com efeito, da definição (5.4) resulta que, na posição de e-quilíbrio, as produtividades marginais do trabalho se igualam em todas as empresas, equivalendo

ã

produtividade marginal do trabalho na função de produção agregada:

f' {N}

=

f' I {N } 1

=

= f' (N )

m m (5.6)

Aumentando-se o emprego N, pelo menos numa empresa i o empre-go N. deve aumentar. Por hipótese, fI' (N I ) , ... ,f'(N ) sao to-1 m m

das funções decrescentes dos respectivos níveis do ・ューイ・ァッLーセ@ la hipótese de concavidade estrita das funções de ーイッ、オ￧ ̄ッNlセ@

go, a relação (5.6) implica o aumento do emprego em todas as empresas quando se aumenta o total N. Daí se conclui que f '(N)

é

positiva e decrescente em N, isto

é,

que a função de produ-çao agregada

é

crescente e estritamente côncava.

(9)
(10)

5.3) A oferta de mao de obra e o conceito de pleno emprego

Na análise precedente, P indica o preço recebido ーセ@ las empresas por unidade do produto por elas fabricado, o ーイセ@

duto único da economia. A unidade de consumo dos trabalhado-res, no entanto, pode ter outra expressão, pois: i) os traba-lhadores podem destinar parte de sua renda a compra de produ-tos importados; ii) sobre a cesta de consumo dos trabalhado-res o Governo pode lançar impostos indiretos ou introduzir sub sidios. No presente セャカイッ@ admitlremos que:

a) os trabalhadores dispendam uma fração l-a de sua renda na aquisição do produto fabricado no pais ao preço P, e a fração complementar a em produtos importados, cujo preço cm moeda nacional セ@ igual a EP', p' designando o seu preço ・クエ・セ@

no (em moeda estrangeira) e E a taxa de câmbio; (O <a <1); b) sobre a cesta de consumo dos trabalhadores inci-dam impostos indiretos

à

alíquota t (os subsidios podem ser tratados como impostos indiretos negativos.

Isto posto, pelo que vimos no capitulo IV (equação 4.6), o índice do custo de vida dos trabalhadores será ・クーイ・セ@

so por:

ou,

Q = (l+t)P l - a (EP,)a

pI

lembrando que a taxa real de câmbio se expressa por 0=E P a

Q = (lTt)P0 (5.7)

Admite-se usualmente que a oferta NS de mao de obra seja função do salário real W/Q (isto セL@ do salário nominal deflacionado pelo custo de vida dos trabalhadores) ,com o for-mato descrito na figura 5.6: 。エセ@ certo salário real crítico

(W/Q) I a oferta de mão de obra cresce, pelo maior incentivo

aos trabalhadores de se empregar nas empresas ao ゥョカセウ@ de vi-ver na economia de ウオ「ウゥウエセョ」ゥ。N@ Mas que, para salários a16m de (W/Q) I a oferta de mão de obra caia. Esse

é

o chamado

(11)

W/Q

(W/Q)

Figura 5.6

Genericamente, o conceito de pleno emprego

é

o de i

gualdade entre oferta e procura de ュセッ@ de obra. Para apresen-tarmos com precisa0 a idéia, várias observações devem ser fei tas.

Primeiro, é preciso expressar a oferta e a procura de ュセッ@ de obra em termos do salário deflacionado pelo mesmo índice de preços. Pelo que vimos acima, a oferta de ュセッ@ de o-bra

é

ヲオョ￧セッ@ NS = G(W/Q). Contudo, a procura é ヲオョ￧セッ@ do ウ。ャセ@

rio deflacionado pelo preço recebido pelos produtores, de a-cordo com a já vista ・アオ。￧セッZ@

W

=

f' (N)" P

-Introduzindo a expressa0 (5.7), segue-se que a procura de mao de obra, em termos de salários deflacionados pelo custo de vi da dos trabalhadores,

é

dada por:

W

Q

=

f' (N)

(1+t)0a (5.8)

(12)

W/Q

N

Figura 5.7

vUQ

Procura

Procura

N

セ@ _________________________________ N セMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMセMMMMMM

Figura 5.8.a Figura 5.8.b

Isto posto, define-se o salário real de pleno ・ューイセ@

go como sendo o correspondente ã intersecção das curvas de o-ferta e procura de mão de obra na figura 5.7. Ele obviamente depende da conformação da função de produção a curto prazo da economia e da oferta' de mão de obra. Has depende também da 」セ@

ga tributária indireta sobre os assalariados e da taxa realde câmbio. Com efeito, pela expressão (5.8), um aumento de t ou de 0 deslocam para baixo a curva de procura de mão de obra: o salário, deflacionado pelo custo de vida dos trabalhadores,cai para um mesmo volume de emprego. Isso é facilmente comprcensi vel, pois a relação Q/p aumenta, e o que as empresas ・ウエ ̄ッゥャゥセ@

(13)

À primeira vista, somos tentados a supor que a eco-nomia a pleno emprego ocupa tantos homens-hora quanto os indi cados pela abcissa da intersecção da curva de oferta e procu-ra de mão de obprocu-ra, N na figuprocu-ra 5.7. Em muitos casos adotare-mos essa hipótese simplificadora, para maior comodidade anal! tica. Contudo, essa descrição omite uma característica essen-cial do mercado de trabalho: trata-se de um mercado imperfei-to, onde as informações não ci:rculaD instantâneamente.Corro tal,

costumam coexistir trabalhadores desempregados e vagas nao

-h ·d S . - ' . -4 MセG@ d·

F-_e,-.lc J as _,as __ ,lpre":;L _. E" BャイNcセ@ " .n:.I.' J,--=_._ .. 2 ---J..JS_y, J. nu

- セ@ d セ@

tiremos que a percentagem V de vagas em relaçao a N (v= G-J -H)

IN)

seja função decrescente da percentagem U de 、・ウ・ューイ・ァ。、ッウLエ。セ@

「セュ@ em relação a & Hu]HセMnIOFI@ como na figura 5.9. Com efeito, como os desempregados エセュ@ Dais tempo para procurar empregos do que aqueles que apenas desejam uma ocupaçã'J melhor ,quanto maior o contingente de desempregados, mais depressa são preenchidas as vagas existentes. Num certo ponto, U e V se igualam: tra-ta-se da chamada taxa natural de desemprego, ou da taxa nor-mal de desemprego friccional, que indicaremos por d. Isto ーッセ@

to, diremos que a economia se encontra a pleno emprego quaI1do:

U

d

-N

=

N (l-d)

/ / /

/

/

,,-/

/

セMMMMMMMMMMMMセ、セMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMv@

Figura 5.9

o

produto potencial, ou produto a pleno emprego e dado por

Y

=

f(N(l-d». A sua determinação conjuga as curvas de oferta e procura de mão de obra, desconta a taxa natural de desemprego e recorre セ@ função de produção a curto

como na figura 5.10.

(14)

セMMMMMMMMMMMMMMMMMMMlMMMMMMMMMMMMMn@ - I

N (1.- 0\

W/Q

Figura UNャPセ@ __________________ セセ@ _________ セ@

N

Naàa exige que, em determinado instante, uma econo-mia se encontre exatamente no ponto de equilíbrio de 、・ウ・ューイセ@

go friccionaI em que U=V=d. セ@ possível que U >

v,

o que carac teriza uma situação de desemprego. Ou que U < V, o que marca

uma posição de hiper-emprego.

Quando se desprezam as imperfeições do mercado de trabalho, tomando-se d=O, admite-se que a economia sempre se equilibre sobre a curv'a de procura de mao de obra. Com efei to, nesse caso, as empresas não têm razao para empregar mais ou セ@ nos homens-hora do que desejam, desde que não avancem além da oferta de mão de obra. (O hiper-emprego, nesse caso, é uma im possibilidade teórica, já que não há trabalho escravo nas so-ciedades modernas). Caso se levem em conta as fricções, o em-prego

é

o determinado pela curva de procura de mão de obra des contada a percentagem V de vagas.

Note-se que, tal como apresentado, o conceito de pleno emprego significa apenas B。オウセョ」ゥ。@ de desemprego

invo-luntário" não friccionaI. t; possível, porém, que, dentro des-se conceito, o salário real de pleno emprego des-seja tão baixo

I

I

í

i ,

I

I

I

I

I

I

1

\

i,

(15)

I

que grande parte da força de trabalho prefira ficar na econo-mia de subsistência. Essa e a chamada situação de desemprego estrutural, comum em muitos palses subdesenvolvidos, e indica da na figura 5.11. Obviamente essa situação, que pode ser so-cialmente dramática, s6 se corrige levantando a curva de pro-cura de mão de obra pelas empresas. Um artiflcio de curto ーイセ@

zo seria reduzir a tributação indireta sobre o consumo dos trabalhadores ou valorizar a taxa real de câmbio, mas essas I1U

n b:.. J.S ーッ、・セᄋ@ de-:-: N[エ。「セ⦅セNᄋ@ セ。イ@ セ@ .:>rç NLQセᄋ@ tr セjヲGNZBᄋ@ - ry- .J b-: .mço

de pagamentos. A solução só se consegue a longo prazo, pela a cumulação de capital e pelo progresso tecno16gico.

W/Q

I IN

I max

Figura 5.11 N

Medir o desemprego estrutural é tarefa ゥョ、ゥァ・ウセ。L@

pois envolve um juizo de valor: qual o volume ideal de empre-go. Na figura 5.11 poderíamos arbitrar que esse volume de

i-- N - N

deal é o máximo N e definir a taxa em questao caro max O

max N

max

defeito 6bvio é que essa definição implicitamente admitiria que qualquer aumento de salário real que levasse os indivlduos

a optar por maior lazer, ingressando na fase reversa da curva de oferta de mão de obra, seria um mal para a sociedade.Em ウセ@ ma a idéia de desemprego estrutural,embora bastante ウゥァョゥヲゥ」セ@

(16)

5.4) A hip6tese custos-margens

Na 。ョセャゥウ・@ das secções 5.1 e 5.2 descrevemos a

pro-duçâo por um modelo de concorrªncia perfeita, nos moldes se-guidos pelos ョ・ッM」ャセウウゥ」ッウ@ e por Keynes. Urna ressalva impor-tante セ@ que esse セ@ um mau retrato das sociedades industriais modernas, dominadas pelos 01igop61ios e pela concorrªncia mo-nopolista. Uma ヲッイュオャ。￧セッ@ alternativa admite que o preço P do

p .... OL...lto ッ「エZZBセッ@ イNセ@ ー。■セ@ セN[@ de:..._.L"mL . ....: _Ji __ c_I __ •. '::'_ 。LMセ@ 」セウエNセNj@ va

イゥセカ・ゥウL@ isto e, aos ウ。ャセイゥッウL@ urna certa margem de lucro:

p

=

1 b

\\1 ( 1 +m) (5.10 )

onde b indica a produtividade média do trabalho (isto セL@ o nu mero de homens-hora ョ・」・ウウセイゥッウ@

ã

obtençâo de uma unidade de produto), m a margem de remuneração do capital, sobre os cus-tos vari5veis. Na versão mais simples, bem supoe-se ゥョ、・ー・セ@

dentes do nível de produto e de emprego. Nesse caso, chega-se a curvas infinitamente ・ャセウエゥ」。ウ@ para a oferta agregada e pa-ra a procupa-ra de mão de obpa-ra:

P l+m

W b

W

Q

b

a (l+m) (1+t)0

(5.11)

(5.12)

a última expressão indicando que o ウ。ャセイゥッ@ real, qualquer que seja o nível de emprego, é função crescente da produtividade média do trabalho, e decrescente da carga エイゥ「オエセイゥ。@

indire-ta, das marges de oligop61io e da taxa real de câmbio. implícita, na 。ョセャゥウ・@ acima, a funçâo de produção:

Y

=

bN (5.13)

Fica

o

defeito da análise acima é que ela leva a uma con clusâo empiricamente inaceitàvel: se os trabalhadores força-rem o aumento do ウ。ャセイゥッ@ real acima do ponto de equilIbrio da f6rmula (5.12), o nível de emprego cair5 a zero (já que a cur

(17)

guc-da. Nesses casos, pela análise acima, um aumento da carga エイセ@ butária ind:LrC'ta ou urna desvalorização real da taxa de câmbio desempregaria tod.a a população. Em suma, embol:a atrativa pelu sua simplicidade, a hipótese de que bem independam do n{vcl de emprego parece incompatIvel com a realidade.

Assj.m, o mais plausIvel é supor que b decresça l+m

com o aumento do nIvel de emprego, o que nos leva a uma curva de procura de mao de obra decrescente em relação ao salário real, tal como na 。ョセャゥウ・@ da ecOrromia competitiva. Uma forte razao para isso é que, corno a curto prazo o estoque d.e capi-tal considera-se dado, a produtividade média do trabalho b de ve cair com o aumento do emprego N.

e

possIvel reforçar o re-sultado supondo que m se mantenha constante ou aumente com o nIvel de atividade econõmica (e de emprego), isto é, supondo as margens constantes ou pró-cIclicas. Essa, porém, é uma ィゥーセ@

tese controversa: tanto no oligopólio quanto na própria con-corr5ncia perfeita, as margens tanto podem ser pró-cIclicas quanto anti-cIclicas, isto é, m pode cair com o aumento do eUI prego.

(5.10) pólio,

Para ilustrar esse ponto, vale notar que a fórmula serve nao apenas para descrever uma economia em 01i90

-mas abrange também o modelo competitivo já analisado W

=

f

I (N) ,

se-anteriormente. Basta tomar b

=

f(N)/N. Como P gue-se que:

l+m

=

f(N) Nf I (N)

ou seja, l+m é a relação entre a produtividade média e a mar-ginal do trabalho, no caso da economia competitiva. Essa rela ção tanto pode ser crescente, decrescente ou constante com N.

o

que não é plausIvel supor é que as margens sejam a tal ponto anticIclicas que b/(l+m) seja função crescente do nIvel de emprego. Com efeito, no caso chegariamos a uma curva ascendente de procura de ュセッ@ de obra, como na figura 5.12: ョセ@ mentando o salário real aumentaria a procura de mão de obra.

(18)

brio instável: uma baixa de salários aumentaria o excesso de oferta de mão de obra, ao invés de elevar o excesso de procu-ra.

W/Q Oferta

...- Demanda

N Figura 5.12

Apesar da pouca plausibilidade, a curva de procura de mao de obra ascendente e acreditada por certos economistas da escola estruturalista. A explicação usual, a de que os ッャセ@

gopólios aplicam margens de lucro anticíclicas, está longe de ser convincente. Com efeito, para que isso levasse a uma cur-va ascendente de procura de mão de obra seria preciso admitir bem mais, que l+m caisse, com o aumento do emprego, mais de-pressa do que a produtividade média do trabalho. Contudo, o fato de os salários reais terem subido em certas fases de re-cuperação e baixado em alguns períodos de recessão (corno no Brasil, em 1965), é utilizado corno apoio empírico a essa hiP9 tese. Diga-se de passagem, não se trata de uma originalidade estruturalista, mas de uma sugestão de John Dunlop feita em 1938, dois anos apos a publicação da Teoria Geral do Emprego de Keynes.

A questão e que a curva de procura de mao de

-

obra pode deslocar-se a curto prazo, e esses deslocamentos podem ァセ@

(19)

tri-butária indireta sobe e se desvaloriza a taxa real de -camJJ10, L"

como ocorreu no Brasil em 1965, e em 1983, a curva em アオ」ウエセッ@

se desloca para baixo. Nesse caso,

é

perfeitamente possível que ao mesmo tempo caiam os salfirios reais e o nlvel ae cm')re L _

go, como nG passagem dos pontos P l para P2 na figura 5.13.

W/Q

N Figura 5.13

(20)

5.5) Salários e juros reais

Qual o efeito sobre 03 salários de um aumento da taxa real de juros? Dentro das hip6teses clássico-kcynesianas, o efeito セ@ nenhum. De fato, a curto prazo o estoque de capi-tal é dado. Assim sendo, o seu custo é, do ponto de vista da empresa, um custo fixo, e que em nada altera suas decisões de

ーイッ、オ￧セッ@ e ヲッイュ。￧セッ@ de preços. Juros reais mais altos ウゥァョゥヲセ@

cam apenas menores lucros para as empresas endividadas e maio res para as credoras liquidas.

Essa visão é contestada pelos estruturalistas e por muitos empresários, que se dizem obrigados a repassar os cus-tos financeiros aos preços. Isto posto, quanto maiores os ju-ros reais, menos sobre para a remuneração real do trabalho.

A contes tação merece certo crédito, pois a curto ーイセ@ zo, os fatores variáveis não se limitam à mão de obra, mas エ。ュ「セュ@ abrangem o capital circulante. Uma maneira de formali-zar o argumento consiste em admitir que a função de produção a curto prazo seja expressa por:

(O < k < 1) (5. 14)

Isso significa que, com um emprego N, as empresas podem obter um produto Y=f(N), desde que concomitantemente mantenham um estoque kY de capital circulante (I). Esse estoque vale kPY, custando, em termos reais, kPYr, onde r indica a taxa real de

juros. Isto posto, a economia competitiva, tratará de maximi-zar:

PY - kPYr - Wl'.J P (l-kr) f (N) - vJN

o

que leva a relação:

w

P

= (l-kr)f'(N)

ou, introduzindo a fórmula do custo de vida (5.7):

w

Q

= (l-kr) f' (N) (l+t) 8a

(21)
(22)

5.6) A curva de equi!lbrio emprego-salãrio real

Pelo que foi visto nas secçoes anteriores, a

deman

-da de mao de obra exprime-se· por:

Nd

=

G (W/Q)

onde o segundo membro é uma função decrescente do salário re-al, e que depende da função de produção a curto prazo, da La-xa real de câmbio, da carga tributária indireta e, possivel-mente, da taxa real de juros.

As imperfeições do mercado de trabalho impedem que o equillbrio do emprego N se localize exatamente sobre a cur-va de procura de mão de obra. N

é

igual a Nd menos as vagas

セ@

ferecidas pelas empresas セvN@ Por seu turno, pela definição de taxa de desemprego, N

=

N(l-U). Segue-se que:

d

-N

=

N(l-U+V) (5.16)

Pela hip6tese já apresentada anteriormente, a taxa de vagas V

é função decrescente da taxa de desemprego U. Conclui-se as-sim que:

Nd

=

'í'(U) ('í' ' (U) < O) ou seja:

Nd

=

'í' ( N-N

-N

Como N

é

dado, segue-se que o equillbrio do emprego N e fun-ção crescente da demanda de mão de obra, e portanto funfun-ção de crescente do salário real W/Q. Para um dado salário real, o equillbrio do emprego encontra-se algo abaixo da procura de

_ _ d -

.-mao de obra, como na figura 5.14, ja que N

=

N -NV, e Ja que a percentagem de vagas nunca cai a zero. A diferença Nd_N =

NV

cresce com o nivel de emprego, como indica a curva. Um 」ッイッャセ@

(23)

W/Q

Figura 5.14

procura equilíbrio

(24)

5.7) O desvio do produto e a lei de Okun

o

desvio h do produto em determinado período é defi nido como o logaritmo neperiano da イ・Q。￧セッ@ entre o produto

e

-fetivo Y e o produto a pleno emprego Y:

h

=

ln Y (5.17)

y

ou, equivalentemente, se y==ln Y e y=ln

Y:

h

=

y-y (5.18)

o

desvio

é

positivo quando セ@ economia se encontra00 hiper-emprego; nulo em pleno emprego, e negativo quando hâ 、セ@

semprego invo1untãrio. Note-se que, para valores de Y

relati

-vamente próximos a Y:

h == ln {l + y:y} セ@ y

y-y

-Y

ou seja, a menos de erros de segunda ordem, h mede o afastà-mento relativo do produtivo efeitivo err. _relação à posição de ーャセ@

セ@ y-y

no emprego. A tltu10 de exemplo, se = -0,05, h = ln 0,95=

-0,0513. y

Indicando por Y=f (l\l) a função de produção a curto ーイセ@ zo, por N o nIvel de emprego correspondente à intersecção das curvas de oferta e procura de mão de obra, por d a taxa natu-ral de desemprego friccional, e por U a taxa efetiva de desem prego:

h = In f(N(l-U) - ln f(N(l-d))

o que mostra que, dados N e d, o desvio do produto é função decrescente da taxa de desemprego. Corno N e d são fixos, e co mo h=O para U=d, a expressão acima pode ser reescrita sob a

forma:

h == G(d-U) (G(O)=Oj G' (d-U) > O) (5.21)

A chamada lei de Okun セ@ a aproximação linear da

(25)

tural e efetiva descreve-se por uma reta passando pelaorisem, como na figura S.15.

h

d-U Figura 5.15

Supondo-se fixas as curvas de oferta e procura de mão de obra, o salário real é funcão crescente da taxa de de-セ@

semprego, como se viu na secção anterior. Como U, por seu tur no, e função decrescente de h, chega-se à relação, que sera muito usada mais adiante:

w - q

=

CP(h) (CP'(h) <O) (S.22)

(26)

5.8) Dinâmica salarial e convergência para o pleno emprego

Uma economia converge automaticamente para o pleno emprego ou pode manter-se em equilíbrio com desemprego

invo-ャオョエセイゥッ_@ A macroeconomia ョ・ッ」ャセウウゥ」。@ admitia a primeira hipª

tese, e os monetaristas modernos trataram de イ・ウウオ」ゥエセMャ。N@ No meio tempo, sob o impacto da Grande Depressão da década de 1930, Keynes e seus discípulos teorizaram sobre a ーッウウゥ「ゥャゥ、セ@

de de equilíbrio macroeconômico com desempreqo.

o

desemprego keynesiano típico, decorrente da insu-ficiência de demanda agregada, ウ・イセ@ analisado no capí tulo VIII. Contudo, mesmo no contexto clássico, numa h"ipótese a economia poderia equilibrar-se com desemprego: se, pela ação do Gover-no e dos sindicatos, os salários reais fossem rigidamente fi-xados acima do ponto de equilíbrio entre a oferta e da procu-ra de mão de obprocu-ra. Esse é o chamado desemprego clássico, des-crito na figura 5.16. Analiticamente, basta supor na equação

(5.22) que w-q > cp (O) •

W/Q

(piso)

Figura 5.16

(27)

excm-5.27

pIo, a Inglaterra enfrentou forte onda de desemprego no final de década de 1970 quando foi introduzido o imposto sobre valo res adicionados, elevando a carga エイゥ「オエセイゥ。@ indireta. Na mes ma linha, a valorização do dólar em 1983 e 1984 agravou o ーイセ@ blema do desemprego na maioria dos países europeus.

Do ponto de vista dos trabalhadores, a rigidez real de salârios significa exp6-los ao desemprego 」ャセウウゥ」ッN@ Contu-do, a resistência

à

baixa dos ウ。ャセイゥッウ@ reais pode defender a

t d

セᄋ@

w

.

massa otai esa arlOS セMM N, dlnua que d セオエゥエ。@ Ud úiminui-Q

ção de N. Isso ocorre se e somente se a elasticidade da ーイッ」セ@

ra de mão de obra em relação ao salârio real for, em valor ab soluto, menor do que 1. Implicitamente, essa hipótese é ・ョ」。セ@

pada por qualquer Governo que decrete um salârio mínimo. Com efeito, se a elasticidade da procura de mão de obra fosse, em valor absoluto, maior do que 1, o estabelecimento do saJ.ãrio mínimo seria duplamente 」ッョ、・ョセカ・ャZ@ por limitar o emprego e por reduzir a massa total de salários.

De qualquer forma, a rigidez de ウ。ャセイゥッウ@ reais nao leva a um equilíbrio macroeconômico eficiente, ainda que pro-teja o total das folhas de pagamento. Um resultado melhor se-ria possível deixando que a economia fosse levada ao pleno ・セ@ prego e transferindo para os assalariados recursos tirados dos capitalistas via tributação.

Pode-se alegar que a absoluta rigidez de salãrios reais é urna hipótese pouco plausível, a menos que sustentada por um amplo seguro desemprego. Com efeito, a não ser nessa lu

pótese, os desempregados tratarão de forçar alguma baixa de salários reais. Com base nessa observação, os monetaristas a-pelam para duas hipóteses que levam

ã

convergência para o ーャセ@

no emprego, como se indica na figura 5.17:

i) as curvas de oferta e procura de mao de obra man tém-se inalteradas no tempo;

(28)

W/Q

oferta

jMセイ」@ セ[GMGMMM __

equilibrio

セMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM N

Figura 5.17

Analiticamente, a segunda das hipóteses acima equi-vale a supor que a taxa de crescimento instantânea dos salá-rios reais

é

dada por:

w - q

=

F(h) (F(O)=Oi FI (h) > O) (5.23) Como a primeira hipótese leva

à

equação (5.22) chega-se a:

ou seja:

<p I (h)

h

=

F (h)

h

=

F(h)

<p I (h)

(5.24)

como o segundo membro

é

uma função decrescente de h e que se anula para h=O, conclui-se, como na figura 5.18, que h 」ッョカ・セ@

ge para zero, isto é, que a economia tende para o pleno ・ューイセ@ go.

h

(29)

Embora elegante e 。エセ@ certo ponto plausivel, o mode lo セ@ omisso num ponto essencial, a velocidade de convergência para o pleno emprego. A ti tulo de exemplo, suponhamos tP (h) =a-bh

e F(h)

=

ch, onde b e c são constantes positivas. Pela equa-çao (5.24):

.

c

h

=

--

h b o que implica:

In h

--

=

--

( t

h o b

1

Tomando h

=

h , conclui-se que q tempo T necessário para 2 o

que o desvio do produto caia

à

metade do inicial セ@ daào por:

T

=

b In 2 c

Conforme o parâmetro b/c, esse tempo pode ser muito curto ou muito longo. Matematicamente, em qualquer caso h converge pa-ra zero. Mas, economicamente, entre a convergência rápida e a convergência lenta há o mesmo abismo que separa o monetarismo de keynesianismo.

Note-se, por outro lado, que a demonstração exige

-que as curvas de oferta e procura de mao de obra se mantenham inalteradas, sem o que a função tP(h) se deslocaria no tempo.

Com tais deslocamentos, não mais se prova a convergência para o pleno emprego. A セ■エオャッ@ de exemplo, suponhamos que w-q

=

a-bh

+

gt e F(h)

=

ch. Pela equação (5.23):

-bh

+ g = ch

Agora, h não mais converge para zero, mas para g/c.

(30)

5.9} Salários nominais rígidos

Em meados da década de 1930 já havia suficiente evi dência empírica de que os trabalhadores resistiam ao corte de salários nominais por meio de greves, protestos, reduçâo na eficiência do trabalho, etc. A resistência, no caso, não era sinônimo de rigidez absoluta: casos houve em que os salários nominais cairam, como nos Estados Unidos entre 1929 e 1933. Mas significava assimetria nas velocidades de ajustamento: os salários nominais aumentavam rapidamente nos períodos de ex-cesso de procura de mão de obra, mas só cediam a passos mui-to lenmui-tos nas fases de desemprego.

Essa resistência não era estranha aos economistas neoclássicos, mas parecia resultar de um comportamento irra-cional dos trabalhadores. Com efeito, o que lhes deveria in-teressar não era o salário nominal, e sim o real. Assim, quem reagisse a um corte de salário nominal deveria resistir com igual intensidade a compressão do seu poder aquisi ti vo pelo 。セ@ mento do custo de vida. Na época, as greves destinadas a res-taurar o poder de compra dos trabalhadores estavam fora do caro po de observação dos economistas. Por conseguinte, a resistên cia dos salários nominais à queda só se podia atribuir à ilu-sao monetária dos trabalhadores, isto é, à confusâo entre va-lores nominais e reais. Urna confusão que nao deveria durar mui to tempo, já que poucos se iludem por prazos longos.

No Capítulo 2 da Teoria Geral do Emprego, Keynes en controu urna explicação extremamente hábil para o fato de os trabalhadores resistirem à queda dos salários nominais, mas nâo à diminuição do seu poder aquisitivo pelas altas do custo de vida. A hipótese keynesiana é que, em épocas de desemprego, os trabalhadores aceitam algum corte real de salários.Masque, os empregados de cada empresa resistam ao corte de seus salá-rios relativamente aos que são pagos pelas outras ・ューイ・ウ。ウNnセ@

(31)

es-tará, de fato, ameaçando cortar a remuneraçao relativa de seus empregados, o que lhe custará caro em termos de greves, redu-çao na eficiência do trabalho, etc. E assim, por falta de quem puxe a fila, aumenta o desemprego sem que caiam os salários nominais.

Keynes observa que esse problema de sincronização das decisões desaparece quando um aumento do custo de vida com prime o padrão de vida de todos os trabalhadores, ou quando uln Governo \..ota:".L táriu JecrE \..d üfl. cv.ctl.. gcr ... : de ... .Lb. ... :iv.:i. Em

nenhum desses casos os trabalhadores têm por que reagir, já que ninguém e humilhado com a redução do salário relativo.

A teoria salarial keynesiana supõe, explicitamente, que a mobilidade dos trabalhadores entre diferentes empresas e ocupações seja bastante reduzida a curto prazo. Essa é uma hipótese plausível, e essencial para sedimentar sua teoria de rigidez dos salários nominais. Com efeito, se o trabalhador pudesse ser tratado como um insumo fungível, qualquer empresa poderia baixar salários nominais despedindo todos os seus エイセ@ balhadores e contratando substitutos mais baratos. Nesse

pon-to, Keynes distancia-se tanto de Marx como de Walras. Em "O Capital" o salário baixaria em épocas de desemprego pela ーイ・セ@ são do exército industrial de reserva. Nos "Elementos de Eco-nomia Pura" o leiloeiro trataria de ajustar os salários de mo do a igualar a oferta e a procura de mão de obra. Na análise keynesiana nem há um leiloeiro walrasiano que acerte o merca-do de trabalho, nem uma fila de candidatos a emprego que amea ce desalojar todos os trabalhadores em cada empresa.

Há visível parentesco entre a teoria keynesiana da rigidez nominal dos salários e o dilema dos prisioneiros de A.W.Tucker, uma das construções primordiais da teoria dos

(32)

ele confessar e você nao, os dez anos de reclusão serao seus. Ambos confessando, seis anos de xadrez para cada um. Bem, e possIvel que nenhum de カッ」セウ@ confesse, e aI a pena ficarâ em três anos. Nas pense, e você· confessará".

A tabela abaixo, construída nos moldes tradicionais da teoria dos jogos, mostra os "pay-offs" (isto é, os possI-veis resultados do jogc) para qualquer dos prisioneiros. Os numeros representam, em valor absoluto, os anos de cadeia, e o sinal menos .Lembra que I quantu me-ilS .Longa Cl pend, pior.

Estratégia do prisioneiro Estratégia do colega Confessar Não Confessar

Confessar -6 -2

Não confessar -10 -3

Fisicamente impossibilitado de entrar em conluio com o colega, cada prisioneiro fará seus cálculos: se meu parcei-ro confessar, é melhor que eu também confesse: serão seis a-nos de cadeia ao invés de dez; e se ele não confessar, também é melhor que eu confesse, pegando dois anos em vez de três.As sim, ambos confessam e pegam seis anos de cadeia. Se o con-cluio fosse possível, ambos ganhariam não confessando, e to-mando apenas três anos de prisão. O exemplo mostra que os e-quilIbrios de jogos não cooperativos, isto é, daqueles que em não se permite a formação de coaliz6es, nem sempre maximizam o bem estar de seus participantes.

O mérito da teoria salarial keynesiana é que ela se antecipou a teoria dos jogos nao cooperativos, a qual descre-ve como funcionam os mercados na ausência de um leiloeiro wal rasiano. Imaginando que as únicas estratégias dos empregados de cada empresa sejam aceitar ou resistir ao corte de sa15-rios nominais, e que seu objetivo seja evitar a queda de saJª rio relativRm2nte ao pago pelas outras empresas, chega-se cxセ@

(33)

estratégia é resistir ao corte.

(34)

5.10) A curva de Phillips

A hip6tese de 、ゥョセュゥ」。@ salarial introduzida na

sec

-çao 5.8 admite que a taxa de crescimento dos salários reais se ja função crescente do desvio do produto, ou seja, ou função decrescente da taxa de desemprego:

w -

q

= F(h) (F' (h) > O; F(O)

=

O)

o

inconveniente dessa hip6tese セ@ que ela presume que os salários nominais sejam revistos continuamente em ヲオョ￧セッ@

das variações do índice do custo de vida e do desvio do ーイッ、セ@

to. Um modelo mais realista deve supor que os salários so se reajustem em intervalos fixos de tempo. Nesse caso, ーッイセュL@ e

essencial observar que no início do período t, quando se de-termina o logaritmo wt do salário nominal do período, o

loga-ritmo qt do índice do custo de vida ュセ、ゥッ@ do período ainda e desconhecido. Consequentemente, a lei apresentada de 、ゥョセュゥ」。@

salarial deve ser adaptada de modo a estabelecer que a taxa esperada de crescimento dos salários reais (e nao a efetiva) セ@ que é função crescente do hiato do produto:

(5.25)

onde アセ@ indica o logaritmo do custo de vida ュセ、ゥッ@ esperado ーセ@

ra o período t. Como a taxa ュセ、ゥ。@ de inflação esperada para o período t

é

dada por:

(5.26)

a nova lei de 、ゥョセュゥ」。@ salarial expressa-se por:

(F'(h) >0; F(Ü) ::0) (5.27)

(35)

a explicitou no Livro I de "O Capital" e Irving Fisher a ex-plorou com extraordinãria habilidade num estudo publicado em 1926. Num artigo de 1958 A.W. Phillips sugeriu, com base na experiência bri tânica de 1862 a 1957, que a taxa de 」イ・ウ」ゥョャHセョ@

to dos salãrios nominais fosse ヲオョ￧セッ@ decrescente da taxa de desemprego, como na figura 5.19. A sugestão de Phillips cor-responde ao caso particular da equação 5.27 em que se supoe セ@ gual a zero a taxa esperada de inflação ョセN@ O artigo original,

。ャセュ@ de usar エセ」ョゥ」。ウ@ estatlsticas pouco convencionais,não in

dicava quaLquer イ。コセッ@ セ・Vイゥ」。@ pctra que a セ。a。@ de セセ・「」ゥュ・ョエッ@

dos salários nominais fosse tanto maior quanto menor a taxa de desemprego. Em 1960, Lipsey, além de reconfirmar a curva de Phillips pelas エセ」ョゥ」。ウ@ usuais de regressão, encontrou essa justificativa te6rica. A demanda excedente de mão de obra, em termos relativos, seria a diferença entre as taxas de vagas e de desemprego:

Nd-r1

=

V-U

A

N

. d A

jã que N

=

N + NV

=

N(l-U+V). Na ausência de estatiticas so-bre vagas, Lipsey supôs que V fosse função decrescente de U. Isto posto, em termos relativos, a demanda excedente de mao de obra seria função decrescente da taxa de desemprego. De a-cordo com a versão de Samuelson da lei da oferta e da procu-ra, a taxa de crescimento dos salãrios deveria ser função cres cente dessa àemanàa excedente. Estava assim teoricamente ex-plicada a curva de Phillips.

A lei de Okun levou a conclusão de que a relação de Phillips podia ser reformulada de modo a exprimir a taxa de crescimento dos salãrios nominais como função crescente ão des vio do produto. Finalmente, em 1968, Friedman e Phelps ゥ、・ョエセ@

ficaram importante omissão na relação original de Phillips: o que poderia ser função estável da taxa de desemprego nao se-ria a taxa de crescimento dos salãrios nominais, mas a taxacs perada de crescimento dos salârios reais. Assim, era ゥョ、ゥウー」セ@

(36)

varia em um ponto de percentagem a curva de Phillips. Ou, e-quivalentemente, que a curva indicada na figura 5.19 deveria marcar nas ordenadas wエMwエ⦅ャMョセL@ e nao apenas Wt-Wt _l .

Figura UNャYセMMMMMMMM ______________ セセセ@ ________ __

u

A adição da taxa esperada de inflaçã? ョセ@ à lei de variação dos ウ。ャセイゥッウ@ nominais marca a chamada "teoria acele-racionista" óa curva de Phillips. Tanto por raz6es teóricas quanto diante da evidência empírica

é

difícil contestar a ーイセ@ sença do termo ョセ@ no segundo membro da equação (5.27). O que se pode pôr em dúvida é a estabilidade da função F(h), a qual

é

frequentemente perturbada pela ação do Governo e dos sindi-catos. Assim, é possível melhorar a equação acrescentando ao seu segundo membro um choque salarial Zt:

(5.28)

A equação acima é conhecida como "relação de PhilJips dos salários". Dela é possível deduzir urna outra que liga ta-xas de inflação a desvios do produto, e que assume a maior im portãncia na 。ョセャゥウ・@ da óinãmica da inflação, a chamada curVil

-de Phillips dos preços. Para tanto notemos que, pela equaçao (5.22):

(37)

(5.30)

o termo v t indicando o efeito, sobre o salãrio real, de uma eventual modificações da função セHィIN@ Por outro lado, a taxa efetiva de inflação IT t e dada por:

(5.31)

-Combinando as equaçoes (5.28) a (5.31) e 、・ヲゥョゥョセッ@

o 」ィアセ・@ 3é oferta u t

=

Zt-Vt:

(5.32)

que e a relação de Phillips de preços. O choque de oferta u t diz-se adverso quando for positivo, favorãvel quando for ョ・ァセ@ tivo. Como Zt セ@ a taxa de crescimento dos salãrios nominais forçada pela ação do Governo ou pelas maiores exigências dos sindicatos, e corno v t セ@ a taxa de crescimento do salãrio real a pleno emprego, os fatores que podem originar um choque de oferta adverso são:

i) aumentos de salãrios nominais forçados pela in-tervenção do Governo ou de maiores exigências dos sindicatos;

ii) quedas na produtividade do trabalho; iii) aumentos nas margens de oligopólio;

iv) desvalorizações reais da taxa de câmbio; v) aumentos da carga tributãria indireta; vi) cortes de subsídios;

vii) aumentos da taxa real de juros.

-No início da 、セ」。、。@ de 1960, a teoria nao

acelera-cionista da curva de Phillips popularizou a idéia de que a in fIação era o preço ゥョ・カゥエセカ・ャ@ para se manter baixas taxas de desemprego. Com efeito, tornando tiセ@

=

O na equação (5.32) omi-tindo-se o choque de oferta u t e fixando o desvio do produto em ht

=

ht_l

=

h, a taxa de inflação correspondente sera:

(38)

rr

ou seja, uma função decrescente da taxa de desemprego. A teo-ria aceleracionista mudou radicalmente essa concepçao, ao

su

-bstituir a equaçao acima por:

rr - rr

e

=

F(h) (5.34)

mostrando que, para ウオウエ・ョセ。イ@ indefinidamente um desvio

posi-tivo do produto seria necessãrio manter a taxa efetiva de in-flação sempre acima da taxa de inin-flação esperada. Isso não cos tuma ser factível, pois os agentes econômicos não se deixam burlar com tanta facilidade. A iongo prazo

e

de se prever que as duas taxas coincidam, e que portanto o desvio do produto tenda a zero.

Nos termos colocados por Friedman, a curva de Phillips a curto prazo, ao supor dada a taxa de inflação ・ウーセ@ rada

rr

e , estabelece uma relação decrescente entre a inflação e taxa de desemprego como na figura 5.20.a. Mas torna-se

ver-tical a longo prazo, quando se toma

rr

=

rr

e , como na figura 5.20.b, levando a taxa de desemprego para o seu nível natural Uo' Assim, a teoria aceleracionista equivale à hipótese de ta xa natural de desemprego, ou de curva de Phillips vertical a longo prazo.

TI

U o

L-__ セ@ ____ セセセMMセセMMMMMMMMMオ@ lMセ@ __________ セ@ ______________ U

Figura 5.20.a Figura 5.20.b

(39)

e se se aà.mi te que ht -+

h,

segue-se que F (h)

=

O, e que portan-to h

=

O. Em outras palavras, se o desvio do produto convergir para algum ponto, será para zero. Apenas não

é

possivel ァ。イ。セ@

tir, a priori, que a sequência ht seja convergente. A título de exemplo, suponhamos que <p (h)

=

c-dh e que F (h)

=

kh. Toman-do, na equação (5.32) I u t

=

O e TI

t

=

ou seja:

(k-d)h t _l

+

dh t

=

O

h t

=

d-k

d

e

TI t , resulta:

Se o desvio inicial do produto ho for diferente de zero, a se quência acima converge para zero se e somente se o módulo

(d-k)/d for inferior a um. Corno d e k são positivos, isso corre se e somente se k < 2d. Se tivéssemos k > 2d e TI t

=

de

em todos os períodos, o desvio do produto oscilaria ・クーャッウゥカセ@ mente.

Do ponto de vista empírico, a possibilidade de cIos explosivos com uma taxa de inflação constante (caso que a taxa esperada obviamente converge para a efetiva)

ci-em

(40)

5.11) Efeitos colaterais da política anti-inflacionária

Atê que ponto a イ・」・ウウセッ@ セ@ o preço inevitável a pa-gar pelo combate

à

ゥョヲャ。￧セッ_Ga@ teoria aceleracionista da cur-va de Phillips fornece o arcabouço teórico para a discussão do problema.

Suponhamos que, até o período OI a economia se

en-contre a pleno emprego (h=O) I com uma taxa de ゥョヲャ。￧セッ@

cons-tante TI. Admitamos que se deseje baixar a taxa de lnflação no período 1, no qual, por hipótesel ョセッ@ há choques de oferta.

Que acontecerá com o produto e o emprego no período I?

Tomando, na equação (5.32) I ho = O e uI = O, ッ「エセュM

se:

Como セHィI@ é ヲオョ￧セッ@ decrescente de h, conclui-se que uma re-cessão no período 1 é inevitável se e somente se TIl -

tiセ@

< O, isto é, se a taxa efetiva de inflação cair abaixo da esperada. Se os agentes econômicos fossem capazes de ler o futuro na palma de suas mãos, tomando tiセ@

=

TI t , o combate à ゥョヲャ。￧セッ@ na da custaria em termos de recessão: os salários, assim como to dos os demais contratos, seriam reajustados por uma ゥョヲャ。￧セッ@

esperada inferior à passada. Na década de 1970, os teóricos das expectativas racionais, comandados por Robert Lucas e Thomas Sargent acenaram com essa possibilidade: bastaria que o Banco Central anunciasse uma política de austeridade monetá ria digna de todo crédito pelos agentes econômicos, e a ゥョヲャセ@

çao cederia rapidamente, num tratamento praticamente indolor. As experiências de combate

à

inflação do início da década de

1980 ョセッ@ confirmaram esse otimismo da teoria das expectativas racionais. Ainda assim, resta uma importante mensagem: a

re-カ・イウセッ@ das expectativas é condição fundamental para que os ウセ@

crifícios do combate à ゥョヲャ。￧セッ@ sejam os menores possíveis.

A teoria mais aceita das crises de estabilização su p5e que as expectativas inflacionárias se formem a partir da

- e

experiancia passada. Na vers50 mais simples, ela supoe TIt =

TI l' isto セL@ que a taxa de inflaçDo esperada para o período

(41)

t-t seja igual à observada no periodo imediatamente anterior.Ad mitamos que as expectativas se formem por essa regra, que a e conomia se encontre em pleno emprego no período O com uma ta-xa de inflação

=

TIO' e que se pretenda, após n ー・イ■ッ、ッウL「。セ@

xar a taxa de inflação para TIL' trazendo de volta a economia ao pleno emprego. Abstraindo choques de oferta, o que

aconte-セ@

cera no mei.o tempo?

Tomando a equaçao (5.32), segue-se que:

TIl - TIO

=

セHoI@ - セHィャI@

TI 2 - TIl

=

セHィャI@ - セHィRI@ + F(h l )

...

o que implica:

=

セ@ (hn - l )

= </l(h ) -n

- セHィョI@

+

F(hn _ l )

セ@ (O)

+

F (h ) n

(5.35)

Como TIL < TIo' o custo do combate à inflação é uma tem porada recessiva de hiatos do produto, nos termos da equaçao acima. No caso particular em que F (h)

=

kh:

TIL - TIO k

(5.36)

o

conteúdo econômico das equaçoes acima

é

razoavel-mente intuitivo. Enquanto a economia permanecer a pleno ・ューイセ@

(42)

-çao passada, de acordo com a teoria da curva de Phillips, fa-cilitando a queda da ゥョヲャ。￧セッ@ no perIodo seguinte,e assim con secutivamente.

A teoria aceleracionista da curva de Phillips asse-gura que os sacrifIcios de combate à ゥョヲャ。￧セッ@ ウセッ@ apenas tem-porários, e nisso ela difere profundamente da カ・イウセッ@ original, que admitia que o preço da estabilidade de preços pudesse ser

a イ・」・ウウセッ@ permanente. (Diga-se de passagem, uma カ・イウセッ@

deqe-nerada da セ・ッイZ。@ ac_Ieracionist_ アセR@ ウセーオセ・セセ・@ tiセ@ - TIt- l , mas que tomasse F(h)

=

O chegaria à mesma 」ッョ」ャオウセッ@ da teoria ori

ginal da curva de Phillips). Contudo, o problema prático não

é saber se a イ・」・ウウセッ@

é

permanente ou apenas temporária, mas a sua 、オイ。￧セッ@ e intensidade. Nesse ponto, a teoria aceleracio nista transfere a resposta para o formato da curva F(h). Tome mos, por exemplo, o caso em que F(h)

=

kh. A equaçao (5.36) ãei xa aos administradores de política econômica a opçao gradua-lista de pouca イ・」・ウウセッ@ por muito tempo, ou a do choque com muita recessao por pouco tempo. Em qualquer hipótese, a soma dos hiatos acumulados durante o perIodo de エイ。ョウゥ￧セッ@ é direta mente proporcional à baixa projetada TIO - TIL da taxa de infla

-çao, e inversamente proporcional ao coeficiente k. Isso sign!

-fica que, para baixos valores de k, a recessao, embora materna ticamente temporária, pode tornar-se socialmente insuportável.

Um fator adicional de 」ッューャゥ」。￧セッ@

é

que o combate à ゥョヲャ。￧セッ@ frequentemente precisa ser precediào de ajustes fis-cais e de balanço de pagamentos, os quais exigem choques des-favoráveis de oferta, ou por aumentos de impostos indiretos, cortes de subsídios, ou desvalorizações reais da taxa de cam-bio. Essas chamadas altas corretivas de preços elevam de fato

(43)

rindo urna política de acomodação, isto

é,

urna política que mantenha a economia sempre a pleno emprego. De acordo com a equação (5.32), isso deixa as diferenças entre a inflação efc ti va e a esperada ao sabor dos choques de oferta: se ht =h

t-l =0; e

ITt - ITt

=

ut (5.37)

supondo que a taxa de inflação esperada coincida com a obser-vada no período anterior:

(5.38;

isto

é,

os choques de oferta passam a determinar as variações da taxa de inflação.

A idéia muito difundida entre políticos e empresa-rios de que a inflação deve ser combatida pelo aumento da ーイセ@ dução é qualitativamente justificada pela equação (5.38): se o Governo opta por uma política de acomodação, a queda da ta-xa de inflação só pode ser provocada por choques de oferta

ta

voráveis. O crescimento econômico, deslocando para cima acuE

va de procura de mão de obra, corno resultado da acumulação de capital e do progresso tecnológico, detona choques desse ti-po. Apenas o seu efeito é bastante lento. Choques repetidos de 3% ao ano sao a exceçao e nao a regra.

-

-

Eles podem ser usa-dos para provocar pequenas baixas da taxa de inflação, corno ocorreu no Brasil entre 1968 e 1973. Mas, por certo, nao àis-põem de suficiente vigor para fazer despencar altas taxas de inflação. Por outro lado, em períodos de crescimento econômi-co podem oeconômi-correr também choques adversos de oferta, por ュオ、。セ@

(44)

cípio de 1980.

Uma receita importante para abreviar os sacrifícios de combate à inflação é a 。、セ￧ ̄ッ@ de políticas de rendimentos, ou seja, de controles de salários e preços. Ela é ・ウー・」ゥ。ャュ・セ@

te atrativa quando a rigidez da função de ajustamento F(h)tor na as variações de salários nominais pouco sensíveis às flu-tuações do emprego. O exemplo mais drástico é o congelamento de salários e preços: força-se, por decreto, TIt

=

O e wt=W

t_

r

Se a economia comporcar-se segundo o decreto, a ゥョlセ。￧ ̄ッ@、・ウセ@

parecerá sem qualquer sacrifíco. (Presume-se que não haja 」ィセ@ ques de oferta). Com efeito, rompe-se de um golpe o elo entre a inflação passada e a futura, ou seja, o problema da reali-mentação, evitando-se o ciclo recessivo que se origina com um aumento de salários reais incompatível com

que só cede pela permanência do desemprego

-do se passa como se, na equaçao (5.32), se

o pleno emprego, e involuntário).

Tu-e

force IT t

=

O.

Não falta quem objete às políticas de rendimentos.U ma objeção estritamente dogmática é que elas interferem no li vre funcionamento dos mercados. Trata-se de uma crítica teolõ gica, que pressupõe que a mão invisível a que se referia Adam Smith funcione melhor à solta do que com a ajuda do Governo. Uma objeção de natureza administrativa, é que os controles em questão são fáceis de idealizar mas difíceis de implantar. U-ma outra ressalva lembra que o mundo real é bem U-mais complica do do que os modelos macroeconômicos, com reajustes salariais sincronizados e economias com um único produto: os 」ッョァ・ャ。ュ・セ@

tos podem imobilizar uma estrutura de preços relativos incom-patível com o equilíbrio setorial dos mercados e com a efici-ência econômica. Os controles também podem ser frustrados, a menos que consigam a reversao das expectativas: é inútil

de-e

(45)

5.12) Salários indexados

Denomina-se ゥョ、・ク。￧セッ@ o reajuste autoreãtico de ーイ・セ@ taç6es contratuais de acordo-com algum Indice de preços. No caso dos salários, duas modalidades de indexação merecem ser discutidas:

a) a ゥョ、・ク。￧セッ@ perfeita: nessa forma, os saláriosno minais se reajustam instantaneamente na ーイッーッイ￧セッ@ dos

aumen-tos do 」オウセッ@ dp カゥ、セ[@

b) a ゥョ、・ク。￧セッ@ defasada: nessa variante os salários nominais se reajustam em intervalos constantes de tempo, na proporçao do aumento do custo de vida 、・ウ、セ@ o Gltimo イ・。ェオウエセ@

mento.

Obviamente a ゥョ、・ク。￧セッ@ perfeita e uma ゥ、・。ャゥコ。￧セッL@

ェセ@ que a 。ーオイ。￧セッ@ dos Indices do custo de vida leva algum エ・セ@ po. Contudo, há formas de aproximá-la, a mais popular sendo a do ponto de disparo (gatilho): os salários nominais se rea-justam em x% sempre que a alta do custo de vida desde o últi-mo aumento alcançar esses x%. A Bélgica e a Dinamarca adota-vam esquemas desse tipo até o inIcio da década de 1980, toman do x=2%.

Teoricamente, a ゥョ、・ク。￧セッ@ perfeita equivale a tor-nar rIgidos os salários reais, fazendo

(46)

exatamente ao nível do salário real de pleno emprego. Mais abl da, mesmo que consigam essa coincidência inicial, o salário real de pleno emprego dificilmente se manterá inalterado no tempo. Com choques favoráveis de oferta, a 。、。ーエ。￧セッ@ ョセッ@ cos-tuma ser difícil, pois quando há hiper-emprego patrões e em-pregados facilmente concordam em elevar salários reais. Contu do, com choques desfavoráveis, e que baixam o salário real de pleno emprego, a ゥョ、・ク。￧セッ@ perfeita se transforma numa fábri-ca de desemprego permanente.

A equação (5.39) leva a lei de dinâmica salarial:

HセNTPI@

segundo a qual a taxa de crescimento dos salários nominais e

a ゥョヲャ。￧セッ@ do período. Urna maneira de aperfeiçoá-la seria

to-rnar:

(5.41)

onde ct indica o logaritmo do salário real de pleno emprego no período t. Essa é a regra de ゥョ、・ク。￧セッ@ instantânea ajusta-da por choques de oferta. Adroi tindo que a economia comece er,l pleno emprego, a regra em アオ・ウエセッ@ mantém o equilíbrio do mer-cado de trabalho em todos os períodos subsequentes. A questâo prática é calcular o coeficiente de ajuste ct-C t - l , e sobretu do torná-lo politicamente aceitável quando for negativo, ex-purgando a ゥョヲャ。￧セッ@ pelos choques adversos de oferta.

Supondo que os reajustes salariais se sincronizem no início de cada período, a ゥョ、・ク。￧セッ@ defasada substitui a lei de dinâmica salarial (5.40) por:

(5.42)

Subtraindo de ambos os membros qt-qt-l

=

TIt obtém-se:

(47)

inflação. Dessa equação resulta imediatamente que:

(w t -q ) -t (w o -q ) o

=

TI o - TI t (5.44)

Das duas filtimas expressoes, ッ「エセュMウ・@ os seguintes efeitos da política de indexação salarial defasada, amplamente aplicada no Brasil desde 1968:

a) se o salário real de pleno emprego se ュ。ョエセュ@ i-nal terado no tempo, e se a economia parte de uma inf lac;;.'ão cons tante TIo num quadro de pleno emprego, U CUSLO da Ledução da taxa de inflação

é

o desemprego permanente, e nao apenas tem-porário;

b) num regime de indexação defasada é sempre possí-vel praticar uma polítiea de acomodação que mantenha a econo-mia em pleno emprego, fazendo wt-qt セ@ c t ' onde c t indica o

logaritmo do salário real de pleno emprego no instante t. O preço dessa política de acomodação é deixar a taxa de

infla-- ,

-çao a merce dos choques de oferta, fazendo TIt_l-Ilt

=

ct-Ct_l.A inflação sobe ou desce conforme os choques de oferta sejam 、」セ@

favoráveis ou não.

Essas duas observações resumem a teoria da inflação inercial, e que numa palavra diz que a indexação defasada セ@ o grande realimentador da inflação: a inflação presente resulta da própria inflação passada, mais ou menos os efeitos de cho-ques de oferta. Bem entendido, essa teoria se aplica exclusi-vamente a países com indexação generalizada, como セ@ o caso do Brasil. Ela explica convicentemente por que a inflação baixou entre 1968 e 1973, quando os choques de oferta eram todos fa-voráveis. Por que saltou de cerca de 20% ao ano até 1973 para a ュセ、ゥ。@ de 37% ao ano entre 1974 e 1978, o período 」ッューイ・・ョ、セ@

(48)

de reajustes se transforma de anual em semestral, ã de se prever que a antiga taxa anual de ゥョヲャ。￧セッ@ passe a ser a nova taxa de aumento dos preços a cada seis meses, exatamente o (;U2

ocorreu na virada de 1970 para 1980. A teoria tambãnl explica por que, er:1 1983, a inflação subiu do patamar ae 100% para m::U.s de 200% ao ano, por força da desvalorização real da taxa de câmbio, dos aumentos de impostos indiretos e cortes de subsí-dios. Seria exagero expJ.icar a inflação brasileira apenas ps-la sua dimensão inercial. Mas, não ã possivel ignorar essa d! mensao corno um dos determinantes fundamentais das aI t.as de ーイセ@

Imagem

Figura  5.8.a  Figura  5.8.b
Figura  UNャPセ@ __________________  セセ@ _________  セ@
Figura  UNャYセMMMMMMMM ______________  セセセ@ ________ __  u
Figura  5.20.a  Figura  5.20.b

Referências

Documentos relacionados

The analysis of the expressive and instrumental gestures, from the perspective of the body as a transitory space of relations and instrument, as a multisensory space, showed that the

Apresentaremos a seguir alguns resultados que serão fundamentais para obtermos uma generalização dos teoremas das seçãos anterior para uma versão com tempo contínuo. Consideremos

Ingressa-se, então, no tema sobre a litigância climática, a qual consiste em um elemento essencial para dinâmica funcional do constitucionalismo climático global, na

xii) número de alunos matriculados classificados de acordo com a renda per capita familiar. b) encaminhem à Setec/MEC, até o dia 31 de janeiro de cada exercício, para a alimentação de

Quanto aos objetivos específicos da pesquisa, estes são: investigar como os jovens percebem as representações e os significados sobre as relações de poder estabelecidas; conhecer

Este cuidado contínuo com a qualidade de cada processo inerente à acção de formação é ainda reforçado com a garantia de repetição de qualquer acção de

Nessa situação temos claramente a relação de tecnovívio apresentado por Dubatti (2012) operando, visto que nessa experiência ambos os atores tra- çam um diálogo que não se dá

O score de Framingham que estima o risco absoluto de um indivíduo desenvolver em dez anos DAC primária, clinicamente manifesta, utiliza variáveis clínicas e laboratoriais