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Modelo teórico de estatística interna

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2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS

ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

MODELO TEÓRICO DE ESTATÍSTICA INTERNA

VILA REAL,2015

Autor: José Alberto da Silva Godinho

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Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, cumprindo o estipulado no artigo 10º do regulamento do CRUP da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Paulo Jorge dos Santos Nunes Valente Simões.

(3)

À minha esposa Sílvia e aos meus filhos Gonçalo e Mateus.

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Agradecimentos

Ao culminar este périplo impõe-se remeter algumas palavras a todos os que connosco estabeleceram maior cumplicidade.

Ao Professor Doutor Paulo Jorge dos Santos Nunes Valente Simões pela sua total disponibilidade e, pelo desafio constante, encorajamento, respeito pelas nossas fragilidades e capacidade de orientação, esperamos que este trabalho corresponda às expectativas depositadas.

Ao meu colega José Manuel, pela disponibilidade prestada na recolha de dados e na consecução deste trabalho.

Ao professor Carlos José Mourato Lopes Furtado, responsável pela realização do ficheiro de análise de recolha de dados.

A todos os meus atletas do Grupo Desportivo Guiense por todo o envolvimento demonstrado neste projeto.

A quem sempre teve uma palavra de carinho, interesse e incentivo para a realização deste estudo.

Aos meus pais, pelos valores transmitidos ao longo de todos estes anos.

À minha esposa Sílvia e aos meus filhos Gonçalo e Mateus, por toda a compreensão pela minha ausência.

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ÍNDICE GERAL

Índice de Tabelas V

Índice de Gráficos VI

Índice de Anexos VII

Resumo VIII

Abstract IX

Capítulo I – Introdução 1

1. Estrutura do Trabalho 3

2. Enquadramento e Pertinência do Estudo 4

3. Aplicabilidade na área da Educação Física 6

4. Definição do Problema 7

5. Definição de Hipóteses 8

Capítulo II – Revisão da Literatura 9

2.1. Modelo Teórico de Estatística Interna 10

2.1.1. Teorias de Suporte e Explicativas do Comportamento dos

Indivíduos na sua Relação com os Objetivos Apresentados 11

2.1.2. Níveis de Análise 12

2.2. Futebol na Atualidade 12

2.3. Observação e Análise de Jogo 15

2.3.1. A Importância do Processo de Observação e Análise nos Jogos

Desportivos Coletivos 15

2.3.2. Análise Quantitativa e Qualitativa 19

2.3.3. Treinadores: A Subjetividade da sua Análise 23

2.3.4. Evolução da Análise de Jogo 26

2.3.4.1. Estudos Univariados 32

2.3.4.2. Estudos Multivariados 33

2.3.5. Análise da Performance no Futebol: A sua Importância na

Comunicação e no Planeamento 33

Capítulo III – Metodologia 36

3.1. Metodologia 37

3.1.1. Caracterização da Amostra 37

3.1.2. Procedimentos 37

3.1.3. Recolha e Registo de Imagens 38

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3.1.4.1. Variáveis Dependentes 39

3.1.4.2. Variáveis Independentes 42

3.1.5. Observação e Registo de Dados 43

3.1.6. Questionário Aplicado 44

3.1.6.1. Fiabilidade Intra-Observador 44

3.1.7. Procedimentos Estatísticos 45

Capítulo IV – Apresentação dos Resultados 46

4.1. Apresentação Descritiva dos Resultados dos Jogadores nos 3 Jogos 47

4.1.1. Jogo Guiense x Alvaiázere 47

4.1.2. Jogo Guiense x Moita do Boi 48

4.1.3. Jogo Guiense x Ansião 49

4.1.4. Resultados dos Três Jogos e Somatório da Prestação da Equipa 50

4.1.5. Resultados da Equipa nos Três Jogos 51

4.2. Apresentação Descritiva dos Resultados das Varáveis Dependentes

em Estudo 52

4.2.1. Apresentação do Impacto deste Projeto sobre o Modelo de Jogo 52

4.2.2. Prestação Desportiva 53

4.2.3. Compromisso/Envolvimento entre o Atleta e a Equipa 54

4.2.4. Menor Conflito/Maior Coesão 54

Capítulo V – Discussão dos Resultados 55

Capítulo VI – Conclusões 63

6.1. Conclusões 64

6.2. Limitações 65

6.3. Recomendações 66

Capítulo VII – Bibliografia 67

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ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1: Amostra 37

Tabela 2: Tabela de Descrição das Variáveis Ofensivas 39

Tabela 3: Tabela de Descrição das Variáveis Defensivas 40

Tabela 4: Tabela dos Resultados das Variáveis Ofensivas 40

Tabela 5: Tabela dos Resultados das Variáveis Defensivas 41

Tabela 6: Tabela dos Resultados das Variáveis Disciplinares 41

Tabela 7: Tempo de Jogo dos Jogadores Utilizados 42

Tabela 8: Jogadores Utilizados nos 3 Jogos 42

Tabela 9: Jogadores que Entraram na Equipa Inicial nos 3 Jogos 43

Tabela 10: Jogadores que Jogaram a Totalidade do Tempo nos 3 Jogos 43

Tabela 11: Tabela de Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X

Alvaiázere 47

Tabela 12: Tabela de Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X Moita do

Boi 48

Tabela 13: Tabela de Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X Ansião 49

Tabela 14: Tabela de Resultados dos Jogadores nos Três Jogos Observados 50

Tabela 15: Tabela de Resultados da Equipa nos 3 Jogos 51

Tabela 16: Tabela Relativa às Respostas dos Indivíduos ao Modelo de Jogo 52

Tabela 17: Tabela Relativa à Prestação Desportiva 53

Tabela 18: Tabela Relativa ao Compromisso/Envolvimento 54

Tabela 19: Tabela relativa à variável menor conflito/maior coesão 54

Tabela 20: Ranking dos jogadores no 1º jogo 58

Tabela 21: Ranking dos jogadores no 2º jogo 59

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ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Gráfico dos Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X

Alvaiázere 47

Gráfico 2: Gráfico dos Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X Moita do

Boi 48

Gráfico 3: Gráfico dos Resultados dos Jogadores no Jogo Guiense X Ansião 49

Gráfico 4: Gráfico dos Resultados dos Jogadores nos 3 Jogos 51

Gráfico 5: Gráfico dos Resultados da Equipa nos 3 Jogos 56

Gráfico 6: Gráfico dos Resultados das Variáveis Ofensivas 56

Gráfico 7: Gráfico dos Resultados das Variáveis Defensivas 57

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ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo 1: Questionário

Anexo 2: Frequências dos jogadores no jogo Guiense X Alvaiázere Anexo 3: Frequências dos jogadores no jogo Guiense X Moita do Boi Anexo 4: Frequências dos jogadores no jogo Guiense X Ansião Anexo 5: Questionários dos jogadores

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MODELO TEÓRICO DE ESTATÍSTICA INTERNA

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real – Portugal

INTRODUÇÃO

A intenção deste projeto foi estudar o impacto da proposta de um modelo teórico de estatística interna, nos jogadores, ao nível da consciência do modelo de jogo, da sua prestação e da dos colegas, bem como, vir melhor a perceber da parte do treinador a prestação dos seus jogadores e como esta se expõe no modelo de jogo.

METODOLOGIA

O estudo teve uma amostra constituída pelas ações individuais ofensivas, defensivas e disciplinares dos jogadores de uma equipa de futebol durante 3 jogos. Após a sua aplicação os jogadores chegaram à aferição da escala que varia entre -100 pontos e 100 pontos. Esses valores foram atribuídos ás ações ofensivas, defensivas e disciplinares. No final dos três jogos de observação foi entregue um questionário, no sentido de ver respondida a nossa pergunta “Qual o impacto da nova

proposta estatística?”, com o objetivo de melhor perceber como a proposta estatística vem a afetar ou

não os jogadores ao nível da consciência do modelo de jogo.

RESULTADOS

De acordo com os dados podemos assumir que o modelo estatístico tem a capacidade de explicar as modificações dos níveis quantitativos das ações técnicas avaliadas. Vem também definir quantitativamente a valorização das ações técnicas de todos os jogadores numa plataforma comum de pontos que permite criar um “ranking” de importância destes no jogo. Permitiu também num segundo nível, comparar a soma destes como equipa e compara as suas prestações entre jogos.

CONCLUSÕES

Conclui-se que este modelo permite criar um “ranking”, que de outra seria impossível definir com base em frequências. Permite de forma única comparar qualquer jogador entre si, independentemente da posição que ocupa em campo ou ações técnicas executadas. Ao treinador este tipo de modelo veio permitir perceber qual o grau de influência em campo de cada jogador.

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THEORETICAL MODEL OF INTERNAL STATISTICS

University of Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real – Portugal

INTRODUCTION

The intention of this project was to study the impact of the proposal of a theoretical model of internal statistics on the players, at the level of awareness of the model of the game, of their

performance and their coleagues', as well as to reach a better understanding, on the part of the coach, of the performance of his players and how this comes across in the model of the game.

METHODOLOGY

The study sample was made up of the individual ofensive, defensive and disciplinary actions of the players of a football team during 3 games. After its application, the players arrived at the standardisation of the scale, which ranges from -100 points to 100 points. Those values were attributed to the ofensive, defensive and disciplinary actions. At the end of the 3 games under observation, a questionnaire was handed out in order to obtain the answer to our question, 'What is

the impact of the new statistical proposal?', with the aim of better understanding how the statistical

proposal will or will not affect the players with respect to their awareness of the game model.

RESULTS

According to the data, we may assume that the statistical model has the capacity to explain the modifications of the quantative levels of the technical actions evaluated. It also defines

quantitatively the appreciation of the technical actions of all the players in a communal platform of points, which allows for the creation of a ranking of their importance in the game. It also allowed, on a second level, for a comparison of these as a team and a comparison of their performances between games.

CONCLUSIONS

One concludes that this model allows for the creation of a ranking which would otherwise be impossible to define on the basis of frequencies. It allows, in a unique form, for the comparison between any players, independently of the position they occupy in the field, or of the technical actions carried out. To the coach, this type of model has allowed an understanding of the degree of influence of each player in the field.

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Atualmente o futebol é uma modalidade desportiva que desperta grande interesse e produz um considerável impacto na sociedade. Este facto realça a importância de o conhecer, analisar e compreender melhor, nas vertentes social, financeira ou desportiva. O futebol moderno deixou pois de ser uma simples manifestação cultural/desportiva ou uma forma de divertimento, sendo encarado hoje como um produto comerciável, que ambiciona proporcionar espetáculo aos seus adeptos. Considerando o impacto que a modalidade possui, o erro e as fracas prestações são cada vez menos toleradas a diferentes níveis, sejam eles dos jogadores, da equipa técnica ou até da área diretiva.

A procura do sucesso tem-se revelado cada vez mais importante, procurando-se que os atletas e equipas atinjam níveis de performance elevados, por forma a obterem sucesso em todas as competições (Silva, 2005). Este aspeto ganha ainda mais relevância se considerarmos que o futebol tem vindo igualmente a demonstrar uma tendência evolutiva nos seus processos, o que o torna mais rico e complexo. Esta riqueza tem permitido que as equipas de alto nível se tenham aproximado e se equilibrassem em termos de rendimento. Garganta (1997) acrescenta mesmo que, no futebol de alto nível, é cada e mais notório a importância dos pormenores na resolução de um jogo. Este aspeto revela-se ainda mais determinante à medida que a competição avança, pois a qualidade da prestação técnico-tática das equipas tem tendência a aumentar e o equilíbrio de forças é mais evidente. Assim, não é de estranhar que os jogos se tenham tornado mais equilibrados e os resultados nivelados, sendo frequente encontrarmos ao longo da época jogos que registam resultados de 0-0, 1-0, 1-1 (Casanova, 2009) e 2-1 (Bessa, 2010).Neste contexto de grande equilíbrio, certas situações podem adquirir um papel fundamental, influenciando não apenas no desenrolar das ações dos jogadores, mas também no resultado final do jogo (Corbellini, 2010).

Nesta perspetiva, e em virtude do forte mediatismo que o futebol está sujeito atualmente, tem-se observado a nível das opiniões dos especialistas das diversas áreas ligadas à modalidade, ou em simples conversas de bancada dos adeptos, que existe um aumento na preocupação da análise dos fatores que contribuem para o sucesso das equipas, procurando-se sempre uma associação desses fatores com o rendimento desportivo das equipas e respetivos intervenientes (Duarte, 2009). Parece-nos assim imprescindível que treinadores e investigadores que trabalham na área de análise do jogo identifiquem as razões do sucesso das equipas, bem como procurem identificar os fatores que influenciam o desempenho individual e coletivo nos desportos coletivos, mais especificamente no futebol.

Por outro lado, dado que a performance no futebol é o produto da interação de uma multiplicidade de fatores, os quais assumem diferentes graus de importância/ impacto em

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função de diversos condicionalismos (Silva, 2000), o conhecimento dos mesmos, é extremamente importante para o processo de treino. Baseado neste tipo de conhecimento treinadores e investigadores, tentam promover melhorias não só no processo de treino mas também na procura de selecionar critérios fiáveis na escolha dos seus atletas, bem como na condução da equipa em competição (Silva, 2005). A necessidade de se jogar ao mais alto nível requer que os treinadores e clubes adotem os melhores meios existentes para melhorar o seu desempenho (Carling, 2001). Neste sentido, um dos aspetos fundamentais passa pela obtenção de informação pontual e objetiva sobre as atuações dos jogadores em competição (García, 2000).

Sampaio (2000) considera que a análise do jogo pode adquirir um papel fundamental, podendo assumir duas formas distintas: i) uma, centrada nas opiniões dos treinadores na análise em tempo real do jogo, análises qualitativas; ii) e outra, centrada em minuciosos processos estatísticos, ou seja, na quantificação dos fatores determinantes da performance dos jogadores. Com a realização deste trabalho, pretendemos dar o nosso contributo para que o futebol continue a evoluir e se torne uma modalidade mais estudada e menos sujeita à subjetividade.

1. ESTRUTURA DO TRABALHO

O primeiro capítulo deste trabalho, faz referência à introdução, onde é realizada uma breve contextualização e apresentação do estudo, a sua aplicabilidade na área da educação Física, bem como objetivos e hipóteses consideradas na investigação.

No segundo capítulo, será realizada a revisão da literatura, no sentido de compreender o estado atual dos conhecimentos relativamente ao assunto em estudo, recolhendo opiniões de vários autores e resultados de estudos considerados pertinentes para fundamentarem as nossas ideias. Este capítulo apresenta-se dividido em duas fases fundamentais: a primeira visou a compreensão do futebol na atualidade e a sua complexidade; a segunda pretendeu enquadrar os pressupostos inerentes à análise do jogo, demonstrando a evolução metodológica e instrumental da análise de jogo, bem como a evolução e tendências dos estudos realizados nesta área, assim como a análise da performance no futebol e qual a sua influência no planeamento para o sucesso das equipas.

No terceiro capítulo encontra-se a metodologia, onde é realizado o enquadramento metodológico do estudo, em que são expostos todos os métodos e procedimentos usados na realização do estudo, bem como são referidos os aspectos ligados à selecção da

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amostra e respectiva caracterização. Identificando-se também, os instrumentos de avaliação, os procedimentos de análise e tratamento de dados.

No quarto capítulo, será feita a apresentação dos resultados obtidos através da análise e tratamento dos dados obtidos. Seguidamente no quinto capítulo, será realizada a discussão dos resultados, onde serão analisados os dados obtidos e realizada a respetiva discussão.

O capítulo sexto sintetiza as principais conclusões obtidas, identificando também algumas limitações na concretização deste e são apresentadas recomendações para futuras investigações na área do nosso estudo.

Por último, o sétimo capítulo apresenta todas as referências bibliográficas consultadas para a elaboração desta investigação.

2. ENQUADRAMENTO E PERTINÊNCIA DO ESTUDO

No futebol a prestação individual é determinante para o resultado de um jogo e, consequentemente para o sucesso das equipas, consequentemente é um dos aspetos que tem recebido considerável atenção nos estudos realizados no futebol (James, Jones & Mellalieu, 2004). No entanto, dado que, no futebol atual, existe um baixo número de golos marcados e se regista uma baixa variação no marcador, os dados obtidos não são suficientes para identificar determinantes estatisticamente significativos. Na mesma perspetiva, quando olhamos para o resultado de um jogo, para além de sabermos qual a equipa vencedora e vencida, ficamos a saber a frequência de ações manifestadas por jogador, não conseguindo no entanto, avaliar o impacto de um jogador e da sua performance na equipa. Neste sentido, torna-se pertinente obter dados complementares através da análise de diferentes variáveis/ fatores para se entender a lógica do jogo (Hughes & Bartlett, 2002). A performance dos atletas, suporta-se numa lógica complexa de acontecimentos de certa forma previsíveis e imprevisíveis que, em muitos casos, a sua posterior justificação é de difícil concretização (Castelo, 2011). Com efeito, quando estamos perante uma equipa que teve, por exemplo, mais iniciativa, controlo e oportunidades para concretização do objetivo de jogo, considera-se que o resultado espelha a sequência lógica de aplicação desses acontecimentos/ fatores. Todavia, muitos são os resultados que não derivam desses fatores mais visíveis, mas que espelham a complexidade do jogo de futebol, tornando-se difícil a perceção da relação entre a causa e o efeito. Isto significa que, os resultados não se suportam em aspetos tão óbvios como os indicados. Por vezes, tende-se

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mesmo a justificar um dado resultado, estabelecendo-se a ideia errada que, o resultado do jogo não tem lógica ou o papel do acaso é o mais decisivo (Lago, 2005).

“A mudança que se distingue atualmente no desenvolvimento desportivo no mundo é, sem dúvida a aplicação da ciência aos problemas do desporto e, em especial, a utilização

de uma tecnologia cada vez mais aperfeiçoada e apoiada em dados científicos” (Crespo,

1981). Se esta citação era aplicada em 1981, atualmente com a procura incessante pela

winning formula, devido às exigências da nossa sociedade e das exigências competitivas

cada vez mais elevadas do desporto, a interação entre a ciência e o fenómeno desportivo é mais intensa e obcecante.

Atualmente, no início do 3.º milénio, um século e meio depois da classe universitária britânica o ter separado do Rugby, o Futebol ganhou uma importância inesperada mesmo para os mais otimistas. Um conjunto de regras simples conjugado com a sua natureza expansiva, levou-o a converter-se no entretenimento preferido e mais popular nos cinco continentes do mundo (Grinvald, 1999).

“O futebol é um jogo desportivo coletivo, no qual os intervenientes (jogadores) estão

agrupados em duas equipas numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa

luta incessante pela conquista da posse da bola (respeitando as leis do jogo), com o objetivo de a introduzir o maior número de vezes possível na baliza adversária e evitá-los na sua própria baliza, com vista à obtenção da vitória” (Castelo, 1994). É por isso uma modalidade desenvolvida com um altíssimo nível de incerteza e imprevisibilidade, o que faz refletir uma lógica interna caótica fazendo-nos sentir confundidos com o número e com a enorme variabilidade de elementos, relações, interações ou combinações sobre os quais assenta o funcionamento do jogo (Rosnay,1977).

Para descodificar toda a complexidade de um jogo de futebol, a análise de jogo tem sido uma ferramenta valiosa para muitos treinadores e investigadores. Queirós (1986) sustentava que a investigação futura ao nível do futebol se deveria centrar na quantificação e qualificação das ações de jogo através das observações sistemáticas dos comportamentos dos jogadores e das equipas em jogo. No futebol, a competição tem sido a fonte de informação mais privilegiada para a utilização do método observacional (Dufour, 1993; Gerisch & Reichelt, 1993). Portanto, treinadores e investigadores tem procurado esclarecimento acerca da performance diferencial dos jogadores e das equipas, na tentativa de determinar fatores condicionantes do rendimento desportivo e acima de tudo perceber a forma como eles se inter-relacionam para induzirem eficácia (Garganta, 2001).

A análise de jogo é um ramo fundamental, essencialmente para tentarmos perceber que padrões, que ações comportamentais se associam à eficácia das equipas e assim ser uma fonte rica de informação para investigadores e treinadores, para assim aumentarmos o

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conhecimento sobre o conteúdo do jogo. Garganta, (2001) têm destacado a importância da

análise de jogo para o processo de treino – a valoração, recolha, registo, armazenamento e

o tratamento dos dados através da observação das ações de jogo e dos comportamentos dos jogadores ou das equipas, por isso, é atualmente uma ferramenta imprescindível para o controlo, avaliação e reorganização do processo de treino e de competição e cada vez mais determinante na otimização do rendimento dos jogadores e das equipas.

A observação é por isso a principal fonte de informação que possuem os treinadores (Riera, 1995) e o seu grande objetivo é separar meras opiniões empíricas de feitos científicos (Garganta, 2000). Treinadores e investigadores procuram constantemente através da análise de jogo dados que permitam obter sucesso na performance, isto é, procuram comportamentos de jogo que induzam eficácia na competição.

Conhecendo estes pressupostos, é fundamental encontrar indicadores de qualidade de jogo de alto nível que permitam sistematizar os conteúdos, de forma a propormos metodologias adequadas aos processos de ensino do Futebol de alto rendimento e também de formação. É pela vontade de tornar o futebol cada vez mais científico, e sobretudo, percebê-lo melhor, que recorremos à Metodologia Observacional, uma vez que neste contexto de incerteza e aleatoriedade que é o jogo de Futebol, pretende-se perceber alguma ordem no aparente caos, detetar a regularidade e o aleatório, e procurar a estabilidade na imensa variabilidade. Encontrar um carácter de regularidade e de probabilidade de determinadas variáveis do jogo relativamente a outras, que ultrapasse o mero conceito de sorte ou acaso. David Low (2002) afirma que estas análises têm como objetivo fundamental tentar encontrar fatores chave da performance que levam ao sucesso desportivo.

Independentemente do grau de importância que possamos imputar aos fatores que contribuem efetivamente para o resultado do jogo, por mais reduzida ou ampliada que seja a sua manifestação perante a nossa observação/ análise, o que temos que compreender e, o que na realidade tem valor é, o decisivo contributo dos diferentes fatores interligados entre si, que por vezes, não são tão óbvios perante os nossos olhos, mas que apresentam real importância para a performance dos atletas. A pertinência do estudo, está diretamente relacionada pelo facto de não existirem investigações que procurem analisar as performances dos atletas no jogo, através de uma escala definida por eles próprios.

3. APLICABILIDADE NA ÁREA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

A avaliação em Educação Física, é reconhecidamente um dos maiores sistemas complexos e subjetivos na escola. A divergência entre avaliadores e a forma de avaliar é

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díspar simplesmente pelo facto de estarmos a analisar variáveis comportamentais, analisar variáveis em execução contínua e muito dependentes do observador. Na escola e divergentemente do desporto de competição, os resultados não são medidos por critérios de vitória ou derrota, ou ainda marcou golo ou não. O modelo proposto poderá com sucesso ser uma alternativa no momento formal de avaliação em desportos coletivos porque pretende valorizar as ações dos seus praticantes, não dependendo do resultado final de um jogo ou da equipa em que o aluno foi colocado aquando do momento de avaliação indo de encontro aos princípios pedagógicos que a escola deve defender.

Assim, trazendo o aluno para dentro do sistema de avaliação pretende-se criar maior grau de compromisso e empenho da sua parte bem como o seu reconhecimento dos critérios de avaliação.

Que modificações “sofre” o modelo. Ajustamento da escala de acordo com os critérios da escola. Avaliar princípios comuns entre as modalidades coletivas por exemplo: defesa individual, posicionamento na defesa à zona, ação ofensiva com bola; ação ofensiva sem bola, etc.

Para finalizar este ponto, vivemos uma época em que a Educação Física não entra na equação matemática para o cálculo da média para fins universitários à exceção dos cursos de desporto. Sem dúvida encontramo-nos numa encruzilhada entre credibilizar com maior rigor a disciplina e ao mesmo tempo torná-la mais atrativa. Propomos que após a aplicação em treino e competição, o modelo deverá ser testado na área pedagógica, de resto com acontece na metodologia de treino, novas regras ou outro e qualquer assunto que nasce na competição e finaliza nas matérias lecionadas na escola.

4. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Um dos passos difíceis deste projeto consiste na centralização de uma única pergunta que desejássemos ver respondida. O que desejamos saber? O que desejamos ver respondido com esta intervenção? A forma resumida que melhor expõe o propósito deste estudo será:

Qual o impacto da nova proposta estatística?

OBJECTIVOS DO ESTUDO

Terminado o enquadramento teórico e delimitação do problema do nosso estudo, definimos como objetivo geral vir a melhor perceber como a proposta estatística vem a afectar os jogadores ao nível da consciência do modelo de jogo, conhecimento do impacto

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da sua prestação e da dos colegas, bem como, vir melhor a perceber da parte do treinador a prestação dos seus jogadores e como esta se expõe no modelo de jogo.

Objetivos Específicos

Tendo em consideração o exposto acima podemos dividir em dois objetivos: A- Análise da prestação do jogador individualmente

B- Análise da prestação dos jogadores no modelo de jogo (sectores)

5. DEFINIÇÃO DE HIPÓTESES

No sentido de atingir os objetivos específicos referidos, formulámos algumas hipóteses para a investigação. A proposta de Almeida & Freire (2003), para definir hipótese é a seguinte: “por hipótese entende-se, pois, a explicação ou solução mais plausível de um problema”. Assim as hipóteses a investigar no decurso do presente estudo, devem ser testáveis, relevantes e justificáveis. Tendo em consideração os dois quadrantes podemos abrir as seguintes hipóteses gerais alternativas:

A- Análise da prestação do jogador individualmente:

A1-H1: O modelo estatístico tem a capacidade de explicar as modificações dos níveis

quantitativos das ações técnicas avaliadas.

A1-H0: O modelo estatístico não tem a capacidade de explicar as modificações dos

níveis quantitativos das ações técnicas avaliadas.

A2-H1: O modelo tem a capacidade de descriminar o impacto dos jogadores nos

jogos (sectores).

A2-H0: O modelo não tem a capacidade de descriminar o impacto dos jogadores nos jogos (sectores).

A3-H1: Existe modificações dos níveis de percepção dos jogadores sobre o seu

impacto na prestação da equipa.

A3-H0: Não existem modificações dos níveis de perceção dos jogadores sobre o seu

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2.1. Modelo Teórico de Estatística Interna

(proposta de Paulo Simões, 2014)

A estatística veio criar um referencial métrico de avaliação indispensável para a prestação desportiva. Porém tem sido optado apenas o seu uso numa intenção mais comparativa entre jogadores, perdendo qualquer referência de análise interna da dinâmica própria de uma equipa. Com isto em mente pretende-se ter como objetivo criar um modelo estatístico que vise acima de tudo o reconhecimento interno entre os seus pares e uma análise da prestação de todos os seus elementos em perfis de evolução jogo a jogo e por esse meio venha a permitir também uma análise por posição em campo e por sectores. Este tipo de abordagem terá certamente impacto em todos os jogadores sobre a forma de percecionar uniformemente os critérios de análise bem como tornar indiscutível a valorização do comportamento de cada elemento.

Assim propõem-se que, a escala seja definida, não por frequências, mas sim por uma escala que tenha por intervalo -100 a 100 pontos. Todas as ações técnicas ou mesmo táticas relevantes dentro do modelo de jogo e valorizadas pelo treinador serão alvo de atribuição de um valor. É neste ponto que a nossa proposta objetiva trazer inovação. A escala é construída pelos próprios jogadores em sessões de mediação com a presença do treinador. Independentemente da posição em campo do jogador este participará na definição do valor de referência às suas ações bem como às ações dos demais. O período de aferição da escala ao grupo constitui em si um plano formativo no qual o treinador melhor perceberá o nível de compreensão dos jogadores sobre a sua filosofia de jogo e o que valoriza. O registo de uma escala atribuídas às frequências registadas induz uma análise qualitativa per se, que satisfaz ao mesmo tempo a exigência da análise quantitativa de jogo. Este tipo de abordagem tornará os jogadores mais conscientes das decisões do treinador e sem dúvida procurará criar maior aceitação dos mesmos, esperando baixar os níveis de conflito entre jogadores e para com o treinador. Um exemplo disto mesmo, acontece quando o treinador decide realizar uma substituição ou quem joga de início de acordo com o adversário.

Por outro lado, é normal o anonimato dos jogadores que não marquem golo ou que não tenham prestações de maior visibilidade. No entanto, nunca foi criado um nível de impacto por ranking, de acordo com a opinião dos próprios. Esperamos vir a descobrir com

a ajuda dos próprios jogadores, uma ordem de impacto onde os jogadores “menos visíveis”

podem e devem vir a ser valorizados. Este ponto torna-se fundamental para a valorização de todos os elementos que estão na vida da equipa e não apenas em quem marcou golo.

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_________________________________________________________________________________ Obviamente, esta valorização irá ter repercussões não só nos jogadores, mas também nas decisões do treinador, na forma como planeia e organiza os seus treinos e jogos.

Resumidamente, pretende-se criar uma estatística de maior validade interna criando critérios tomados como próprios e intransmissíveis mas com a possibilidade de se replicar dentro da mesma base de dados. Esse tipo de abordagem não pretende e não pode ser comparável entre equipas, a não ser o aspeto da forma como estas valorizam determinada ação técnico-tática dentro do modelo de jogo do treinador. Esperamos por fim tornar os treinadores mais conhecedores da equipa que têm em sua posse e habilitá-los a melhores decisões.

2.1.1. Teorias de Suporte e Explicativas do Comportamento dos Indivíduos na sua Relação com os Objetivos Apresentados.

As teorias dos objetivos de realização formuladas por Nicholls (1984), Dweck (1986), Elliott & Dweck (1988) e Ames (1992) citados por Cruz (1996), referem que os indivíduos são motivados para demonstrarem elevados níveis de capacidade e para evitarem a demonstração de baixa capacidade (definida por uma escala métrica na nossa proposta). Acrescentamos que numa equipa este tipo de comportamento de exibição da habilidade pessoal não só é comparada com os jogadores das outras equipas mas também entre colegas da mesma equipa. Caso contrário não existiria a “luta” pelo lugar inicial na equipa. Segundo as perspetivas dos autores supracitados, as conceções de capacidade pessoal dos indivíduos baseiam-se em dois tipos de orientação nos seus objetivos.

Uns baseiam a sua competência, capacidade e sucesso, recorrendo a critérios normativos e a processos de comparação social, por exemplo ter melhor rendimento que os colegas. Este conceito está claramente definido na nossa proposta de escala como algo em que eles fazem parte na sua construção e interpretação.

Outros consideram que a sua capacidade e competência é definida pela consequência do seu comportamento em atingir objetivos auto referentes e pessoais. Neste ponto a nossa proposta toma em conta o perfil de evolução do jogador aferido e aceite pelo próprio, ao longo dos jogos.

(23)

_________________________________________________________________________________ 2.1.2. Níveis de Análise

Neste primeira fase de teste da proposta em causa não iremos ter como alvo a análise motivacional ou qualquer outra dimensão psicológica mas sim perceber o impacto nos níveis de prestação dos jogadores e aceitabilidade da escala como útil pelos jogadores e treinadores. Assim iremos analisar:

1- Perfis de evolução dos jogadores jogo a jogo e “ranking”; 2- Análise entre sectores de campo ao longo dos jogos efetuados; 3- Análise da prestação da equipa ao longo dos jogos efetuados; 4- Questionário sobre o impacto da proposta (análise descritiva).

2.2. Futebol na Atualidade

O Futebol é um jogo desportivo coletivo (Castelo, 2006; Garganta, 1997) onde os jogadores se organizam em duas e equipas criando um complexo conjunto de relações de cooperação e oposição, num ambiente repleto de aleatoriedade e imprevisibilidade (Garganta & Gréhaigne, 1999).

De acordo com Garganta (1997, p.21) “ O Futebol é um jogo desportivo coletivo que ocorre num contexto de elevada variabilidade, imprevisibilidade e aleatoriedade, no qual as equipas em confronto disputando objetivos comuns.

Como tal a essência dos jogos desportivos coletivos, no qual o futebol a parte, traduz -se pelas constantes relações de cooperação entre os jogadores da mesma equipa e oposição entre as duas equipas (Garganta & Pinto, 1995, citados por Bessa 2009), sendo que nestas últimas, Castelo (2004) acrescenta que se trata de uma luta incessante pela conquista da posse de bola com a finalidade da equipa marcar o maior número possível de golos na baliza adversária e evitar que o oponente marque na sua.

O jogo de futebol caracteriza-se pois, por uma permanente relação de forças, ou seja, pela simultânea relação de cooperação e de oposição que a cada momento induz uma dinâmica relacional coletiva que suscita nos jogadores a realização de julgamentos e a tomada de decisões. Nesta perspetiva, o jogo de futebol pode ser considerado algo imensamente complexo, muito por força da vasta rede de relações que se estabelecem no seu decorrer (Ferreira, 2010), o que lhe confere um carater imprevisível, aleatório ou mesmo caótico.

Fácil será depreender que neste desporto, não existem 2 situações iguais. É no entanto possível identificar um conjunto de regularidades e hipóteses que torna viável e

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_________________________________________________________________________________ credível o treino e toda a preparação dos jogadores (Cunha e Silva, 1995). Admitindo esta complexidade do jogo nas mais diversas fases as competências para jogar decorrem de imperativos que sucedem da necessidade de encontrar respostas adequadas às diferentes configurações que o jogo apresenta face ao seu carácter aleatório e imprevisível (Garganta, 1997).

Neste sentido, treinadores e investigadores têm procurado esclarecimento acerca da performance diferencial dos jogadores e das equipas, na tentativa de determinar fatores condicionantes do rendimento desportivo e acima de tudo perceber a forma como eles se inter-relacionam para induzirem eficácia (Garganta, 2001).

Sabemos no entanto, que pela natureza e diversidade dos fatores que concorrem

para o rendimento, o jogo de futebol evidencia uma estrutura multifatorial de grande complexidade sendo apontado como aquele de entre os demais JDC, que comporta um maior grau de indeterminismo (Dufour, 1991). Esta característica tem sido responsável pelas acentuadas dificuldades encontradas sempre que se pretende avaliar o rendimento de um jogador ou de uma equipa (Garganta, 1997). Perante o exposto e dada a realidade muito complexa do futebol a relação de oposição entre duas equipas o número elevado de elementos que interagem tanto de forma negativa como de forma positiva a imprevisibilidade das ações e os diferentes meios que podem ser utilizados fazem com que a procura e identificação dos atores que influenciam o sucesso desportivo não seja uma tarefa fácil (Sampaio, 2000). Pollard, Reep & Hartley (1998), referem mesmo que a ação contínua e o ambiente dinâmico que caracteriza o futebol dificulta a realização de uma análise objetiva da performance.

Se associarmos a estes aspetos as alterações que o futebol tem vindo a sofrer ao

longo dos anos, as quais condicionam a importância de diversos fatores no desenrolar do jogo, implica a que os treinadores e investigadores se atualizem e definam concretamente que tipo de análises devem efetuar (Cunha, 2007).

Assim, se explica o crescente interesse por parte da investigação científica na

realização de estudos sobre os fatores de rendimento, com o intuito de aumentar o conhecimento sobre os mesmos e consequentemente conseguir melhorar a qualidade do jogo. O futebol deixou de ser considerado apenas um jogo, reunindo atualmente o estatuto de atividade profissional altamente remunerada, estando revestido de um crescente interesse comercial, político e social (Ali, 1988, citado por Silva, Castelo & Santos, 2011) altamente dependente da obtenção de sucesso. Aliado a este aspeto, o facto de o futebol ter vindo a adquirir uma grande importância na sociedade, leva a que lhe sejam impostas mais e maiores exigências tendo-se passado de uma fase de empirismo e amadorismo para uma

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_________________________________________________________________________________ fase em que a compreensão em torno dos fatores que induzem o resultado, a performance e o record assumam uma importância cada vez maior (Lucas, 2001).

Segundo Castelo (2010, p.3), “Independentemente dos paradigmas, ideias,

convicções e conceções, intrínsecas a cada um de nós, nas mais diversas formas de intervenção sobre o jogo (adepto, jornalista, treinador, diretor, jogador, entre outros), a verdade é que temos assistido ao longo dos tempos, a uma constante evolução do jogo de futebol.” A evolução tem ocorrido no sentido de, cada vez mais as principais preocupações estarem voltadas para os aspetos defensivos, invertendo o objetivo do jogo, que deixa de ser o de marcar golo, para passar a ser impedir que a equipa adversária o consiga fazer (Cunha, 2007). Segundo Garganta (1998) estas opiniões fazem com que as equipas recorram com maior frequência a sistemas e esquemas táticos demasiado defensivos. Não é de estranhar portanto que expressões como: jogo ultra defensivo; cerebral de hiper contenção, sejam cada vez mais frequentes nos meios de comunicação social. Perante o exposto, um dos maiores problemas do futebol atual, consiste em criar oportunidades de golo, já que relativamente aos demais desportos coletivos, o futebol tem um baixo índice de concretizações, expresso pelo número de ações ofensivas realizadas e os golos obtidos (Castelo, 1992). As estimativas dizem que em cada cem ataques, só dez terminam com um remate à baliza, e destes dez apenas um origina golo (Dufour, 1993).

Barreira, (2006) referem ainda que embora o futebol seja entendido como um jogo entre dois grupos com interesses antagónicos, mas com objetivos comuns, esta tarefa tem-se afigurado extremamente difícil pelo que, muitas vezes com uma simples finalização o resultado do jogo pode ser decidido. Para além deste facto, verifica-se que o jogo de futebol é mais rápido, os jogadores têm menos tempo para decidir, assim como para agir. Isto acontece em grande parte porque atualmente as equipas são cada vez mais defensivas procurando quase exclusivamente não sofrer golos ao invés de tentar alcançar o golo, através do «jogo pelo jogo» ou simplesmente praticando um «bom futebol». Deste modo e, considerando as alterações que o jogo tem vindo a sofrer, será expectável um maior equilíbrio entre as equipas, criando-lhes enormes dificuldades quer na aquisição de tempo, quer de espaço para jogarem. Será fundamental que as equipas sejam capazes de criar desequilíbrios na equipa adversária, através de rápidas alterações tanto de atitudes como de ações tornando-se deste modo necessário que as equipas sejam capazes de dominar cada momento do jogo (Barbosa, 2009).

Nesse sentido, verifica-se que os treinadores são coagidos a conferir cada e maior importância a todos os momentos do jogo, para que possam acautelar uma derrota ou garantir uma vitória, tornando-se desta forma preponderante estudar exaustivamente os adversários bem como preparar a equipa para todos os detalhes dessas diferentes

(26)

_________________________________________________________________________________ circunstâncias (Casanova, 2009). Por outro lado, apesar de ainda existirem muitos treinadores que continuam a acreditar no físico e no psicológico isoladamente, ou mesmo na convicção que a sorte e aleatoriedade do jogo são cruciais para o seu desfecho, grande parte dos treinadores sabem que é a disciplina tática, o lado da ordem que condiciona todo esse sistema multivariável, dinâmico e complexo a um território de confiança, legitimando

assim os seus investimentos (Laranjeira, 2009). É neste contexto que “... no âmbito dos

jogos desportivos coletivos, a valência da análise de jogo tem vindo a constituir um argumento de crescente importância” (Garganta, 1998).

2.3. Observação e Análise de Jogo

Na literatura este tipo de estudos tem sido denominado diferentemente com diversas expressões de entre as quais se destacam: 1- Observação do Jogo (game observation), 2- Análise do jogo (match analysis).

Estas diferenças de terminologia podem significar coisas bem distintas. Observação

do jogo reporta a determinados aspetos recolhidos e registados durante a partida em tempo

real, enquanto que a análise do jogo diz respeito à recolha e colecção de dados em tempo diferido. Para Olsen (1997), a análise do jogo deveria servir para corrigir os diversos erros decorrentes da observação do jogo.

Todavia, atentando nas expressões mencionadas constata-se que elas aludem a diferentes etapas dum mesmo processo, ou seja, quando se pretende analisar o conteúdo de um jogo é necessário observá-lo, para anotar ou registar informações consideradas importantes. Talvez por isso, a expressão mais utilizada na literatura seja a de análise do

jogo, considerando-se que, pelo seu alcance semântico, ela engloba diferentes fases do

processo, nomeadamente, a observação dos acontecimentos do jogo, a notação dos dados e a sua interpretação (Franks, I. Gaoodman, 1986).

2.3.1. A Importância do Processo de Observação e Análise nos Jogos Desportivos Coletivos

O desporto tem experimentado ao longo dos tempos uma tendência significativa, a ponto de se constituir num dos grandes temas da nossa época (Silva, 1991). O estudo do jogo a partir da observação e análise do comportamento dos jogadores e das equipas tem

(27)

_________________________________________________________________________________ vindo a constituir uma fonte de conhecimento muito importante para a renovação, adequação e correção dos processos de treino nos desportos coletivos.

O futebol, segundo a definição de Teodorescu, pode ser englobado no grupo dos jogos desportivos coletivos, já que é uma modalidade caracterizada por um processo organizado de cooperação, realizado através da coordenação das acções dos jogadores de uma equipa - desenrolado em condições de luta com os adversários - os quais, por sua vez, coordenam as suas acções para desorganizar a cooperação dos jogadores da primeira equipa.

Segundo Oliveira, o estudo dos jogos desportivos coletivos é enquadrado em estruturas muito próprias que nos permitem analisar e identificar os diferentes elementos comuns que caracterizam a sistematização e organização do conhecimento. Por outro lado, o estudo detalhado do jogo e do jogador tem produzido um conjunto de conhecimentos essenciais para a direcção e condução do processo de treino e competição nos jogos desportivos coletivos (Sampaio, 1997).

Lucas (2001) afirma que temos assistido a uma evolução do futebol, sustentada no estudo, sistematização, padronização e estruturação de meios e métodos, com o objetivo de controlar e perceber as variantes e os condicionalismos do jogo. Nesta perspetiva fazem cada vez mais parte deste mundo, áreas como a fisiologia a psicologia a análise da performance a biomecânica, a estatística e a metodologia do treino, entre outras. Atualmente o treinador de futebol dispõe de um conjunto de informações e dados provenientes de vários quadrantes que podem contribuir para a melhoria do rendimento da sua equipa (Lucas, 2001).

Acompanhando esta tendência, Sampaio (1994) refere mesmo que para que o treinador possa desempenhar cabalmente as tarefas que lhe são exigidas nas atividades com os seus atletas, é fundamental que conheça quais os fatores que condicionam a

performance desportiva, bem como a forma como se desenvolvem esses fatores em

situações concretas. Segundo Moutinho (1991), a análise e observação do jogo tem sido referida unanimemente pela literatura especializada como importante e decisiva no processo de preparação desportiva nos jogos desportivos coletivos. Garganta (1997) refere que a observação e análise de jogo são meios indispensáveis para a identificação dos atores que influenciam a performance desportiva e devem ser considerados na orientação da equipa durante o jogo e na organização do processo de treino. Carling, Williams e Reilly (2005) são da mesma opinião referindo que a análise de jogo é vista como um processo vital que permite aos treinadores recolherem informações objetivas, podendo estas serem usadas para fornecer «feedback» sobre desempenho das suas equipas ou jogadores. Este aspeto torna-se mais relevante se considerarmos que os treinadores são propensos a fazer

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_________________________________________________________________________________ julgamentos subjetivos e podem ser incapazes de recordar eventos de forma fiável, pelo que é fundamental coincidir esses julgamentos com a análise do jogo, juntando sinergias capazes de otimizar o processo de formação dos seus jogadores e equipas (Hughes & Franks, 2004).

É evidente que um treinador depende largamente da obtenção de informação para poder tomar decisões sobre o caminho a seguir na modelação da performance da sua equipa (Silva, P., 2006), e assim fornecer «feedback» preciso, correto e eficaz aos seus atletas e sua equipa. A análise de jogo tem portanto como funções fundamentais diagnosticar, compilar e tratar os dados recolhidos e disponibilizar informação sobre a prestação dos jogadores e das equipas, permitindo identificar as ações realizadas por aqueles e as exigências que lhe são colocadas para as produzirem (Garganta, 1998). Assume-se assim como, uma valiosa fonte de informação que permite aos treinadores providenciarem um «feedback» eficaz e bastante conclusivo sobre os comportamentos individuais e coletivos, realizados durante o jogo (Costa, 2010).

Para Carling et al. (2005), a análise do jogo é a gravação objetiva de eventos comportamentais que ocorrem durante a competição. Estes autores consideram que o objetivo principal da análise do jogo é identificar os pontos fortes da própria equipa, que possam ainda ser desenvolvidos, e as suas fraquezas, procurando a sua melhoria. Para a avaliação efetiva dos pontos fortes e fracos é essencial, no entanto, o conhecimento dos fatores contextuais que podem afetar o desempenho (Carling et al., 2005;Taylor, Mellalieu, James & Shearer, 2008.

Para além deste aspeto a identificação das razões do sucesso das equipas é igualmente um dos alvos principais dos estudos realizados na área de análise do jogo e, particularmente, no futebol (Hughes & Bartlett, 2002).

Segundo Garganta (2001), a análise da performance nos jogos desportivos enquanto instrumento pode ter ainda como finalidade: i) a configuração de modelos da atividade dos jogadores e das equipas; ii) a identificação dos traços da atividade cuja presença/ausência se correlaciona com a eficácia de processos e a obtenção de resultados positivos; iii) o desenvolvimento de métodos de treino que garantam uma maior especificidade e, portanto superior transferibilidade e iv) a indiciação das tendências evolutivas das diferentes modalidades desportivas.

Volossovitch (2008) salientam ainda que, a análise da performance nos jogos desportivos deve considerar duas dimensões, do processo. Ou seja, a descrição das condutas dos jogadores e da sua eficácia no tempo, e o resultado ou seja, o produto final destas condutas procurando assegurar o enquadramento temporal das ações registadas com uma ênfase particular no equilíbrio do resultado e nas condutas do adversário.

(29)

_________________________________________________________________________________ Complementando esta ideia, Sampaio (1994) acrescenta ainda que o processo de análise do jogo tem início na observação do mesmo, com o intuito de registar um conjunto de informações consideradas importantes que serão sujeitas a um tratamento e de seguida a interpretações em tempo real ou à posteriori. Este processo, do ponto de vista objetivo e recorrendo às estatísticas do jogo está mais desenvolvido no basebol (Sampaio, 2000) e só mais recentemente é que os investigadores começaram a explorar esta forma de analisar o jogo, noutras modalidades, como é o caso do futebol.

Seguindo esta lógica, Borrie (2000) refere que a análise de jogo quando reduzida às suas componentes essenciais é um processo de observação e registo. A análise da performance desportiva em desportos individuais e de equipa são assim uma consequência natural da observação (Silva, 2006). Garganta (2001), apresenta uma opinião idêntica ao referir que a análise de jogo é entendida como o estudo do jogo a partir da observação da atividade dos jogadores e das equipas.

Silva, (2006) reporta-se à observação, como uma base da investigação que consiste

na familiarização com uma situação ou um fenómeno, na sua descrição e posterior análise, com o objetivo de fazer surgir uma hipótese coerente com o corpo de conhecimentos anteriormente estabelecidos. Assim, segundo Silva (2006) primeiro observam-se e registam-se os acontecimentos considerados importantes e posteriormente analisam-registam-se. Este autor considera que a observação do jogo engloba apenas a recolha e coleção de dados da partida em tempo real enquanto a análise de jogo diz respeito recolha e coleção de dados em tempo diferido, sendo que os eventuais erros cometidos durante a observação poderão ser corrigidos à posteriori durante o processo de análise.

É imprescindível que o método de análise eleito permita o acesso a informação relevante e útil para o processo de treino, pois não obstante o recurso a meios sofisticados, a proliferação de bases de dados não garante, por si só, o acesso a informação pertinente para treinadores e investigadores (Garganta, 2001). Para contornar este problema torna-se indispensável dar um sentido aos dados recolhidos, explorando-os de forma a garantirem o acesso à informação considerada importante (Garganta, 1997). Por outro lado, em numerosos estudos (Rodrigues, 2004; Garganta, 2001; Ortega, 2002; Franks & McGarry, 1996) também tem sido reforçada a importância da análise do jogo para o processo de treino. Estes autores referem que a valorização, recolha, registo, armazenamento e tratamento dos dados a partir da observação das ações de jogo são atualmente ferramentas imprescindíveis para o controlo, avaliação e reorganização do processo de treino e competição nos jogos desportivos coletivos.

Assim, considera-se que com a análise de jogo é possível incrementar os conhecimentos acerca do jogo e definir a forma como podemos modificar ou potenciar

(30)

_________________________________________________________________________________ determinados comportamentos ou que tipo de estratégias o treinador pode utilizar para tentar alcançar o melhor resultado possível, melhorando assim a qualidade do rendimento individual e coletivo, através da organização das situações de treino (Calligaris, Marella & Innocenti, 1990; Garganta, 1998, 2000, 2001).

Para Garganta (2001), a análise do jogo entendida como o estudo do jogo a partir da observação da atividade dos jogadores e das equipas, tem vindo ao longo dos tempos a constituir um argumento de crescente importância. O mesmo autor, afirma que recolher, codificar, tratar e interpretar os dados relativos ao jogo, são passos importantes que possibilitam produzir informação útil, visando a otimização do rendimento dos jogadores e das equipas. Claudino (1993), reforça esta ideia, afirmando que a observação do comportamento desportivo nos jogos desportivos coletivos é considerada como fator essencial para a avaliação das características fundamentais das equipas e jogadores e consequente intervenção do treinador.

Para se conseguir atingir os mais elevados níveis de rendimento, o planeamento do treino deverá então partir da análise racional da estrutura das ações de jogo, bem como da análise da situação em que estas acontecem e dos atores que as caracterizam (Sampaio, 2002). Sendo assim, a informação obtida com base na análise do jogo, relativamente aos aspetos que assumem um carácter determinante na performance dos jogadores, deverá ser um importante contributo no planeamento das suas sessões de treino, otimizando situações de estratégia, que diminuam a ocorrência do erro e favoreçam o sucesso coletivo. Perante o exposto, e tendo em consideração todos estes aspetos aqui mencionados, consideramos que a análise de jogo é uma área fundamental para a evolução e entendimento disciplinado do futebol, pretendendo, essencialmente perceber que padrões e que ações comportamentais se associam à eficácia das equipas, sendo igualmente uma fonte rica de informação para os investigadores e treinadores na procura do aumento do conhecimento sobre o conteúdo do jogo.

2.3.2. Análise Quantitativa e Qualitativa

Os jogos desportivos coletivos têm sido analisados historicamente a partir de diferentes perspetivas tendo estas possibilitado um constante avanço no conhecimento sobre estas modalidades, gerando, por sua vez, novas estruturas de ensino e novos sistemas de treino, proporcionando desta forma uma melhoria do jogo e da qualidade dos jogadores (Cantón, Ortega & Contreras, 2000).

(31)

_________________________________________________________________________________

Na literatura disponível são descritos diferentes tipos de análise que procuram

caracterizar o jogo de futebol. A saber: análises meramente quantitativas (Grant Williams & Reilly, 1999a; Sousa & Garganta, 2001), análises qualitativas do rendimento (Grant, Williams & Reilly, 1999b; Lanham, 2005; Tenga, Holme, Ronglan & Bahr, 2010ª,b) e análises vocacionadas para a modelação do jogo (Castelo, 1992; Bloomfield, Polman & O’Donoghue 2005; Kuhn, 2005; Lago, Casais, Dominguez & Sampaio, 2010b).

Tojo (2011) apresenta, uma classificação complementar referindo que a análise de situações de jogo pode ter uma dimensão quantitativa, qualitativa ou quanti-qualitativa e está relacionada tanto com a recolha de dados como com a interpretação do rendimento em competição e treino.

Certo é que a forma de codificação da informação do jogo tem gerado alguma controvérsia no que diz respeito à escolha de métodos qualitativos ou quantitativos para analisar a performance (Silva, P., 2006). Importa pois debruçarmo-nos sobre estas duas formas de análise, com o intuito de tentar perceber a sua pertinência e objetivos.

Para Garganta (1998), a análise quantitativa pode ser entendida como um processo

de registo dos comportamentos observados, possíveis de serem quantificados ao longo do jogo e que nos permite obter informações mais concisas e objetivas. Além disso permite aumentar a quantidade de informação disponível possibilitando a realização de avaliações das performances individuais e coletivas, quer transversal quer longitudinalmente. Bolt (2000), refere que a análise quantitativa consiste na medição da performance e é geralmente expressa em números.

A análise qualitativa por sua vez é baseada na análise da impressão que retiramos daquilo que vemos (Frank, 1985). Erdmann (1991) e Lees (2002) referem que uma análise do tipo qualitativo está normalmente associada à subjetividade o que pode constituir um juízo o impreciso e ambíguo da performance. Neste sentido, Bota e Colibaba-Evulet (2001) referem que ao longo do tempo a investigação científica esforçou-se para encontrar soluções pertinentes para objetivar as apreciações individuais mesmo que em certa medida essas tentativas dessem resultados aproximados pois segundo estes autores o aproximado é sempre melhor que o subjetivo.

Partindo deste pressuposto, Oliveira (1993) defende que a análise de jogo deve

abranger o maior número de elementos do jogo passíveis de uma expressão quantitativa de forma a conferir exaustividade e objetividade ao processo de análise.

Júnior, Gaspar e Siniscalchi (2002) referem que uma das formas mais utilizadas para

se avaliar o desempenho em jogo é a análise estatística. Segundo estes autores a estatística de jogo é utilizada mundialmente e existem critérios que definem previamente cada um desses indicadores para garantir a objetividade das observações e da

(32)

_________________________________________________________________________________ quantificação. Dufour (1989) encara a análise estatística como uma tentativa de corrigir o juízo subjetivo. O mesmo autor refere que o tratamento estatístico demonstra a relação dialética que se estabelece entre a análise técnica e a estrutura e organização do jogo.

Corroborando com esta premissa, nas pesquisas efetuadas às análises das

performances no futebol verifica-se que existem muitos estudos baseados em análises quantitativas e poucos baseados em análises qualitativas (Tenga & Larsen, 1998). Segundo Garganta (1998, 2001), a opção tem recaído sobre sistemas de observação que concedem destaque à análise descontextualizada das ações do jogador ao produto das ações ou comportamentos, à dimensão quantitativa das ações e às situações que culminam no objetivo do jogo. No entanto, segundo os mesmos autores estes estudos não revelam a verdadeira complexidade do futebol.

Nesta linha de pensamento a análise quantitativa realizada de forma isolada conduz por vezes a dados irrelevantes, pouco concretos e pouco conclusivos, sobre o que determina a performance no futebol dado que segundo Borrie, Jonsson & Magnusson (2002) a performance desportiva consiste numa série complexa de inter-relações entre uma grande variedade de variáveis. Portanto segundo os mesmos autores a simples frequência de dados não é capaz de capturar e expressar a totalidade da complexidade da performance.

Marques (1995) refere ainda que não existia, até esta data, nenhum sistema de análise quantitativa do jogo que por si só fornecesse toda a informação contida num jogo. Este só teria validade se fosse associado ao conhecimento acumulado que os treinadores possuem sobre o jogo.

Pensa-se portanto que a solução poderá passar por aumentar a relevância da análise qualitativa não esquecendo a análise quantitativa. Ou seja, é aconselhável a combinação dos dois tipos de análise, qualitativa e quantitativa (Costa, 2010).

Morrison (2000) partilha esta opinião e acrescenta que o treinador deve possuir

outras ferramentas para verificar a sua opinião. Assim, a combinação de uma análise subjetiva com uma análise objetiva pode constituir uma ferramenta muito eficaz desde que os critérios analisados sejam específicos e a interpretação e processamento dos dados seja concisa e construtiva. Para Maia (2001), deve exigir-se um grande rigor na elaboração de categorias de estudo, na delimitação adequada e precisa do seu conteúdo e na sua operacionalização sendo este um processo heurístico que deve assegurar um equilíbrio entre as análises qualitativas e quantitativas.

Garganta, (1998) partilha desta opinião considerando que a construção de sistemas de observação devem englobar categorias integrativas cuja configuração permita passar da análise centrada na quantidade das ações realizadas pelos jogadores, à análise centrada na qualidade das ações de jogo, no seu conjunto. Garcia (2000) corrobora esta opinião e refere

(33)

_________________________________________________________________________________ que se devem cruzar os procedimentos de análise do tipo qualitativo com os resultados obtidos através de análises quantitativas.

O treinador pode, ao realizar uma análise de um determinado jogo fazê-lo de acordo com uma perspetiva meramente numérica ou estatística na qual ele apenas pretende saber o número de vezes que determinados acontecimentos A, B ou C acontecem, ou então por uma análise também ela quantitativa e qualitativa na qual o treinador pretende qualificar, classificar e interpretar os acontecimentos do jogo através dos resultados numéricos e estatísticos obtidos na observação.

O que se pretende é que o treinador seja o mais objetivo e rigoroso possível, no que concerne à análise de jogo, utilizando para isso instrumentos claros e fiáveis, evitando de certa maneira aquilo que Coelho e Silva (1991) designa por “olhómetro”, tão utilizado pelos adeptos das equipas. Desta forma, o treinador evita os erros que podem resultar de uma observação espontânea, que muitas vezes é influenciada em grande medida pelo resultado final. Este aspecto, adquire maior importância na medida em que as exigências impostas às equipas são cada vez maiores, seja através dos patrocinadores ou dos próprios adeptos, obrigando os treinadores a serem rigorosos nas suas análises, podendo tirar desta forma o máximo rendimento das suas equipas, otimizando estratégias vencedoras.

A análise quantitativa não permite apenas aumentar a quantidade de informação sobre um jogo; ela é, além disso, um produto permanente que permite e possibilita a realização de comparações com as prestações dos jogos seguintes. Ainda que os dados quantitativos não possibilitem predizer o comportamento futuro dos jogadores, ou das equipas, (já que o que caracteriza a prestação dos jogadores e equipas de excepção é, precisamente, a imprevisibilidade e adaptabilidade dos seus comportamentos), isso não quer dizer que não nos seja útil. A quantificação do jogo permite caracterizar os padrões de comportamentos, o que é constante nas prestações, assim como detectar os pontos fracos e fortes das equipas (Marques, 1990).

A observação e análise do jogo assumem ainda maior importância, se tivermos em atenção que os treinadores conseguem apenas recordar 12% do que aconteceu num jogo. (Frank, 1985, citado por Coelho e Silva, 1991). Outro estudo realizado por Franks & Miller (1996), citados por Garganta (1998), revela que, mesmo os treinadores de Futebol mais experientes e de nível internacional, apenas retiveram 30% dos elementos que mais influenciaram o sucesso num jogo.

Para Sarmento (1990, citado por Coelho e Silva, 1991), é imprescindível que o acto de observar se apresente sistematizado. Assim, para que qualquer processo de análise tenha fiabilidade e validade, é necessário desenvolver sistemas e métodos de observação que possibilitem o registo de todas os factos relevantes do jogo, produzindo-se deste modo

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_________________________________________________________________________________ informação objectiva e quantificável (Gaspar, 2001, citado por Júnior, Gaspar & Siniscalchi, 2002).

Quando há uma tentativa de fazer uma análise quantitativa nos jogos desportivos coletivos torna-se imprescindível determinar, então, quais são as condições iniciais ou condições de fronteira, de forma a construirmos um referencial válido para a nossa realidade. Por outro lado, é sempre preciso ter em conta que é uma realidade em constante transformação; daí a necessidade de ajustamentos permanentes na definição destas condições de fronteira (Marques, 1990).

Todos estes autores que foram citados anteriormente, todos eles falam ou opinam relativamente às análises de jogo de natureza quantitativa, não referenciando por uma vez de análises de jogo de natureza qualitativa. Até hoje os objetivos das análises de jogo resumem-se na sua generalidade em saber quantos passes, remates, golos, faltas, ações ofensivas e defensivas realizam as equipas ao longo de um jogo. Através destes dados, os autores realizam a apresentação dos resultados utilizando técnicas de estatística descritiva, que se apresentam vazias de significado, uma vez que, esses dados não são classificados nem qualificados, existindo desta forma uma ausência da perspetiva interna da realidade evidenciada em cada partida de futebol.

2.3.3. Treinadores: A Subjetividade da sua Análise

A informação que os treinadores obtêm da observação e análise dos jogos não traduzem por si só a realidade do jogo havendo a necessidade de os números serem complementados com os conhecimentos dos treinadores ou investigadores (Sampaio, 1997). Podemos mesmo dizer que a análise quantitativa só tem validade se for associada ao conhecimento que os treinadores possuem sobre o jogo, sendo o inverso igualmente verdadeiro. Ou seja, não existe treinador que sem qualquer sistema de análise quantitativa a apoiá-lo, consiga realizar um retrato fiável do jogo (Marques, 1990).

Considerando que o futebol é um jogo de opiniões e, paixões muitos são os treinadores e dirigentes que basearam e continuarão a basear as suas estratégias e táticas nas suas opiniões (Silva, P., 2006). Este tipo de observações não só é pouco válida, como é também normalmente imprecisa (Hughes, 1996), já que os treinadores de futebol tendem a emitir opiniões subjetivas sobre os fatores determinantes do resultado do jogo fazendo com que as suas conclusões variem muito (Ortega, 1999). Estas emissões de opiniões subjetivas são extensíveis a todos os observadores e aumentam com o número e variabilidade dos eventos de jogo (Garganta, 2001). Salientamos ainda que a análise da prestação dos

Imagem

Tabela 1 - Amostra  Nome  Idade  Posição
Tabela 3. Tabela de Descrição das Variáveis Defensivas  Ações Defensivas
Tabela 5. Tabela dos Resultados das Variáveis Defensivas  Ações Defensivas
Tabela 7 – Tempo de Jogo dos Jogadores Utilizados
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Referências

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