Tiago Filipe Lopes Braz
Relatório De Estágio
Implementação de programa de exercício como complemento
às aulas de Educação Física: Impacto na aptidão aeróbia e IMC
de adolescentes com 12 e 13 anos.
Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário
Orientadores: Professor Doutor Paulo Vicente João
Professora Maria Conceição Carrilho
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO JUNHO, 2014
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Tiago Filipe Lopes Braz
Relatório De Estágio
Implementação de programa de exercício como complemento
às aulas de Educação Física: Impacto na aptidão aeróbia e IMC
de adolescentes com 12 e 13 anos.
Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário
Orientadores: Professor Doutor Paulo Vicente João
Professora Maria Conceição Carrilho
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO JUNHO, 2014
III
Índice
Índice ... III Índice de Tabelas e Gráficos ...IV Agradecimentos ...VI Resumo... VII Abstract ... VIII
CAPÍTULO I... 1
Introdução ... 2
1. Estágio - Expetativas e Realidade... 3
2. Estágio - A escola e tarefas de ensino-aprendizagem ... 7
2.1. A Escola ... 7
2.2. Unidades Didáticas ... 7
2.3. Planos de Aula ... 9
2.4. Práticas de Ensino Supervisionadas ... 9
2.5. Avaliação ... 12
2.5.1. Avaliação Diagnóstica ... 13
2.5.2. Avaliação Formativa ... 13
2.5.3. Avaliação Sumativa ... 14
2.6. Estudo de Turma ... 14
3. Estágio - Atividades desenvolvidas ... 19
3.1. Corta Mato ... 19 3.2. Tribol ... 19 3.3. Outras atividades ... 21 Conclusão ... 22 Bibliografia I ... 23 CAPÍTULO II ... 24 Resumo... 25 Abstract ... 26 Introdução ... 27 Metodologia ... 29 Resultados ... 31 Bibliografia II ... 36
IV
Índice de Tabelas e Gráficos
Tabela 1 - Fator de ponderação para os domínios psicomotor, cognitivo e socioafetivo. ... 12
Tabela 2 - Caracterização da amostra do estudo de turma. ... 15
Tabela 3 - IMC e agilidade (percursos vaivém) Feminino e Masculino. ... 17
Tabela 4 - Percentagem da população portuguesa pré-obesa e obesa. ... 27
Tabela 5 - Valores de referência FITNESSGRAM para a Aptidão Aeróbia e o IMC em adolescentes de ambos os sexos de 12 e 13 anos. ... 30
Tabela 6 - Caracterização da Amostra e Resultados obtidos. ... 31
Gráfico 1 - Evolução da prevalência da pré-obesidade e da obesidade em Portugal. ... 27
Gráfico 2 - Prevalência do excesso de peso em adolescentes (10-16) de 34 países. ... 28
Gráfico 3 - Evolução IMC (Kg/m2). ... 32
V
Documento apresentado à UTAD, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2º Ciclo de Estudos em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Paulo Vicente João e da Professora Maria Conceição Carrilho.
VI
Agradecimentos
Embora se trate de um trabalho individual, a elaboração deste não seria viável sem a colaboração de um conjunto de pessoas que para a realização do mesmo em muito contribuíram. Assim, presto aqui o meu sincero agradecimento.
À Professora orientadora Maria Conceição Carrilho por representar uma referência, o modelo a seguir que qualquer estagiário necessita. Pela simpatia, amabilidade e disponibilidade total, pelos conselhos, sugestões e valiosos conhecimentos transmitidos, pelo seu rigor e exigência, o meu sincero obrigado.
Ao Professor Doutor Vicente agradeço a disponibilidade, os conselhos e a enorme vontade demonstrada em fazer de nós pessoas, estudantes e professores mais competentes, confiantes e autossuficientes.
Aos meus pais, pelos valores transmitidos, pelo apoio e incentivo constante, pela fé que em mim depositaram nos bons e maus momentos e pelo suporte financeiro fruto do seu árduo trabalho.
A toda a minha família, que pela sua simples existência fazem de mim um ser mais feliz e mais capaz.
À Ana, por ser a minha companheira de todos os momentos, pela influência positiva que desempenha na minha vida, por instigar a minha competência e por ser o meu porto seguro.
Agradeço aos colegas estagiários e a todo o grupo de educação física da Escola Secundária Camilo Castelo Branco pela convivência, companheirismo, pelos sábios conselhos e por todo apoio prestado.
Aos meus alunos, pelo seu empenho e pelo grande ambiente criado nas aulas. Uma menção especial aos alunos que participaram no estudo presente neste documento, pela disponibilidade, dedicação e compromisso.
Aos meus amigos, por estarem presentes quando mais preciso e a todos os que de alguma forma me marcaram neste capítulo da minha vida que agora termina, muito obrigado.
VII
Resumo
O presente documento foi elaborado no âmbito do estágio pedagógico do 2º ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e visa relatar a experiência vivida enquanto professor estagiário na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, bem como, todas as atividades desenvolvidas no desempenho da função ao longo do ano letivo. O estágio representa a ponte de ligação entre o universo académico e a realidade profissional que ambicionamos alcançar, consolidando o saber adquirido ao longo de todo o processo formativo, através da comunhão entre os conhecimentos teóricos previamente adquiridos e a possibilidade de os colocar em prática numa base diária em contexto escolar.
O Relatório é composto por dois capítulos. O Capítulo I é de caráter predominantemente reflexivo, representa um exercício descritivo que se pretende autocrítico, nele são apresentadas as diversas dimensões do estágio pedagógico, destacando-se as experiências vividas, as dificuldades sentidas, a sistematização de todo o processo ensino-aprendizagem, um estudo sobre a turma A do 7º ano e as atividades desenvolvidas. O capítulo II ostenta um carácter mais académico e destina-se à apredestina-sentação de um artigo realizado com badestina-se no estudo científico dedestina-senvolvido ao longo do estágio pedagógico, oferecendo o seu título ao presente documento. Participaram no estudo 10 adolescentes saudáveis e com excesso de peso, com o intuito de aferir os efeitos da aplicação de um programa de exercício físico complementar às aulas de educação física no Índice de Massa Corporal (IMC) e Aptidão Aeróbia (VO2Máx). Os participantes foram divididos em dois grupos de forma equitativa, estando 5 indivíduos sujeitos ao programa de exercício complementar e os restantes 5 frequentando apenas as aulas de educação física, realizando-se um pré-teste antes do início do programa e um pós pré-teste após seu término. Para o tratamento dos dados procedeu-se a uma análise descritiva e comparativa (Wilcoxon signed test). Os resultados encontrados sugerem que programas de características similares contribuem para o aumento dos níveis de aptidão aeróbia, diminuição dos valores de IMC e, consequentemente, para uma possível melhoria na aptidão física relacionada com a saúde em adolescentes.
Com o trabalho desenvolvido, procura-se comprovar a evolução e a solidificação de competências que as vivências do estágio proporcionam, demonstrando um conjunto de aptidões aos níveis pedagógico, científico e relacional que possibilite responder de forma satisfatória aos desafios e exigências profissionais que no futuro se apresentem. Palavras-Chave: Estágio Pedagógico, Professor, Adolescentes, IMC, Aptidão Aeróbia.
VIII
Abstract
The present document was developed within the pedagogical teaching practice of the 2nd cycle in Teaching Physical Education in Primary and Secondary Education of the University of Tras-os-Montes and Alto Douro (UTAD) and aims at reporting the experience as a trainee teacher at Escola Secundária Camilo Castelo Branco, as well as, all the activities developed in the performance of the function throughout the school year. The internship is the bridge between the academic world and the professional reality we desire to achieve, consolidating the knowledge acquired over the entire learning process, through the communion between the theoretical knowledge acquired previously and the possibility of putting it into practice on a daily basis in school context.
The report consists of two chapters. Chapter I is mainly of reflective nature, represents a descriptive exercise intended to be self-critical, in it are presented the different dimensions of the pedagogical teaching practice, highlighting the experiences, the difficulties encountered, the systematization of the whole teaching-learning process, a study about the 7th A class, as well as, the activities developed.
Chapter II is academic in nature and is intended to submit an article developed on the basis of a scientific study conducted alongside the pedagogical teaching practice, offering its title to this document.
Participated in the study, ten healthy and overweight adolescents, in order to measure the effects of the implementation of a exercise program to complement physical education classes in Body Mass Index (BMI) and Aerobic Capacity (VO2max). Participants were divided in two groups equally, with five individuals undergoing to the supplementary exercise program and the remaining five attending only the physical education classes. A pre-test was performed before the beginning of the program and a posttest after its termination. For the treatment of the data, a descriptive and comparative (Wilcoxon signed test) analysis was held.
The results suggest that programs with similar characteristics contribute to increase aerobic capacity levels, decrease BMI and hence to a possible improvement in health-related fitness of adolescents.
The developed work seek to demonstrate an evolution and consolidation of skills provided by the internship experiences, showing a range of aptitudes at pedagogical, scientific and relational levels which allows to respond in a satisfactorily to the professional challenges and demands future presents.
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Introdução
Este capítulo visa narrar a experiência vivida como integrante do núcleo estágio de Educação Física da Escola Secundária Camilo Castelo Branco (ESCCB) no desempenho da função de Professor Estagiário desta disciplina às turmas A do 7º Ano e B do 12º.
Após anos de aquisição de conhecimentos, na sua esmagadora maioria, teóricos, o estágio representa a 'prova de fogo' sobre a nossa vocação, apetência, capacidade para a aplicação destes de forma consistente e sistemática em contexto (quase) profissional. Este é, portanto, o marco fundamental da nossa formação enquanto docentes, a pedra angular que remata todo o processo. Para Jesus (1996), o estágio representa um período fundamental na carreira de qualquer professor, uma vez que marca o início da carreira e aparecem algumas das experiências profissionais mais marcantes. Nesta etapa, os professores sentem grande necessidade de desenvolvimento profissional e procuram retirar todo o conhecimento possível das sugestões e interação com professores mais experientes. Finalmente, é uma fase em que existem acompanhamento e supervisão constantes, o que potencia a aquisição de uma série de skills e rotinas fundamentais para o aumento da confiança nas suas capacidades e para o correto desempenho das funções de docente no futuro.
Zeichner (1993) refere que a ação reflexiva é fundamental no reportório de habilidades de qualquer professor, uma vez que oferece soluções lógicas para as dificuldades que a prática naturalmente origina. Esta ação implica capacidade para a autocrítica, para a consideração ativa, rigorosa e permanente sobre as conceções formadas a partir das convicções e da própria prática. Assim, apresentam-se neste capítulo um conjunto de reflexões sobre as experiências vivenciadas ao longo do ano letivo, divididas em três dimensões: Estágio - Expetativas e Realidade; Estágio - A Escola e Tarefas de Ensino-Aprendizagem; Estágio - Atividades Desenvolvidas.
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1. Estágio - Expetativas e Realidade
Foi com um misto de entusiasmo, nervosismo e até alguma nostalgia que iniciei o ano letivo, por se tratar de uma experiência completamente desconhecida, por se tratar de todo um novo contexto que até então só conhecia no papel de aluno e por se tratar da etapa derradeira de um percurso universitário, que tanto me ofereceu, não só de um ponto de vista académico, como também em muitas outras dimensões do meu ser.
Encarei este desafio como a forma idónea para aplicar na prática todo o conhecimento que me foi transmitido em anos prévios, desde o início da licenciatura ao primeiro ano do segundo ciclo de estudos. Desde o meu ponto de vista, este estágio representaria o culminar de um objetivo há anos estabelecido. Desde o início que tinha a perfeita noção de que iria experienciar um processo de aprendizagem, de consolidação de conhecimentos prévios, que em caso de sucesso, me permitiria uma evolução e valorização pessoal que se poderia traduzir num grande aumento no capital de confiança nas minhas capacidades para desenvolver com qualidade o papel de docente. Acima de tudo, o sucesso no desenvolvimento das minhas funções iria autorrealizar-me. O aprofundamento científico, os diferentes meios, o contacto diário com professores experientes e com os colegas estagiários, a organização e gestão escolar, eram pretextos suficientes para acreditar que a realização de um bom trabalho estava ao meu alcance.
Desde logo tive a noção que o estágio seria a etapa mais marcante e decisiva da minha formação porque, na prática, seria o contexto onde colocaria à prova todo o conhecimento entretanto adquirido, bem como, a adaptabilidade das características inatas da minha personalidade ao desempenho da função docente.
Abordei o estágio como abordo todos os desafios que a vida me apresenta, com boa disposição, humildade e total abertura para aprender com tudo e todos os que me rodeiam, pois acredito que esta é a receita para uma boa adaptação a um meio desconhecido e sobretudo, para potenciar todo o processo de evolução cognitiva e pessoal. A adaptação foi também facilitada por nos termos deparado com uma Professora Orientadora Cooperante
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extremamente competente e afável, sempre disponível para nos auxiliar quando apresentamos dúvidas e com enorme experiência como docente, representando o modelo e referência que qualquer professor estagiário e inexperiente necessita. Digno de realce é também o excelente ambiente que existe entre os docentes integrantes do grupo de Educação Física que nos acolheu de forma magnífica e nos prestou auxílio sempre que necessitámos, como por exemplo, nas atividades organizadas no âmbito das nossas obrigações de estágio.
Inicialmente tinha claro quais as dimensões pedagógicas sobre as quais me sentia mais inseguro - instrução, feedback, gestão de recursos e disciplina - logo, foquei-me em trabalhar nestes aspetos desde o primeiro dia e com as preciosas opiniões e sugestões da Professora Orientadora e das minhas colegas estagiárias ao longo do ano letivo, evoluí de forma notória terminando o estágio com muita confiança nas minhas capacidades relativamente a estas dimensões.
A minha principal preocupação no início do ano letivo centrava-se no fato de que iria desenvolver as Unidades Didáticas (UD) de Ginástica e Natação, modalidades com as quais tinha tido o último contacto no primeiro ano da licenciatura, em que o foco era 'aprender a fazer' ao invés de 'aprender a ensinar', logo, se por um lado me sentia naturalmente apreensivo, pelo outro sentia-me entusiasmado pelas possibilidades de aprendizagem sobre a abordagem a modalidades individuais, uma vez que sempre foquei o meu interesse em desportos coletivos.
Assim, para alcançar o sucesso delineei algumas estratégia que passariam por colocar e debater ideias com a orientadora - cujas modalidades de eleição eram precisamente ginástica e natação - e com as colegas estagiárias, retirar o maior conhecimento possível das aulas que me competiam observar, consultar programas da disciplina, livros e documentos técnicos, bibliografia específica e fichas de exercícios, bem como, antecipar variantes e estratégias no momento do planeamento para dificuldades ou facilidades que certamente apareceriam no decorrer das aulas.
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Analisando todos os objetivos a que me propus, sinto que atingi a grande maioria das metas definidas no início do ano letivo. A maior evolução que experienciei foi no domínio das modalidades abordadas e sobretudo, no capítulo da intervenção pedagógica, no contacto direto com os alunos, ou seja, a verdadeira prática do ensino. A interação com os alunos e a constatação da sua evolução ao longo das aulas, respeitando a individualidade de cada um deles, é o grande prazer que retiro da experiência de ensinar e o que ultimamente certifica a qualidade da intervenção pedagógica. Assim, após ter chegado o fim, as sensações de satisfação e de dever cumprido caracterizam o meu estado de espirito. Além de tudo o já referido, sinto-me muito mais capacitado para produzir de forma autónoma, contínua e consistente todas as tarefas de planeamento, reflexão e observação, nomeadamente, planos de aula, unidades didáticas, planos anuais, balanços e relatórios. Os conselhos e sugestões da Professora Orientadora baseados na sua experiência contribuíram de forma decisiva para este desenvolvimento, o que realça a importância da supervisão pedagógica em todo o processo ensino- aprendizagem.
Sinto-me extremamente satisfeito com a minha experiência de estágio, algo que poderá não ser transversal a todos os meus colegas. Numa perspetiva de aperfeiçoamento do estágio pedagógico em anos vindouros, acho pertinente deixar algumas sugestões e recomendações para o futuro. Aparecem como cítrica construtiva uma vez que tudo é passível de evolução.
Desde logo a definição de critérios e regulamentos uniformes, com limites bem estipulados e previamente definidos relativamente ao número de aulas, número de observações, número de turmas e número de unidades didáticas. Não só limites mínimos como também máximos, para que não ocorram disparidades entre a quantidade de trabalho produzido pelos estagiários.
Da minha experiência, destaco a importância de lecionar em diferentes ciclos de ensino, que neste momento não é de caráter obrigatório, uma vez o estágio está inserido num plano de estudos com a designação de '2º ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário'. Só desta forma poderemos experienciar as enormes diferenças entre o que é ensinar em
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diferentes ciclos e perceber que cada um deles tem especificidades e características muito próprias e únicas, que nos obrigam a adotar estratégias e abordagens completamente diferentes, mesmo que para a mesma modalidade. Finalmente e devido à existência de apenas três supervisores para todos os núcleos de estágio que não são devidamente creditados pelo seu trabalho, acredito que a universidade deveria realizar um acompanhamento mais próximo aos estagiários, disponibilizando mais e melhores recursos para o desenvolvimento do espirito crítico, empreendedor e inovador na realização das tarefas e atividades de sua competência. Estou convicto que esta formação de atitudes e valores é um fator essencial nesta área de estudos, fomentando a dinâmica e proatividade que, nos dias que correm, são tão valorizadas no mundo do trabalho.
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2. Estágio - A escola e tarefas de ensino-aprendizagem 2.1. A Escola
A Escola Secundária Camilo Castelo Branco (ESCCB) encontra-se em funcionamento desde 1848. Tendo sido elevado à categoria de Liceu Central em 1911, passa a receber, em 1914, por proposta do Reitor, a designação de Liceu Central de Camilo Castelo Branco, tendo em consideração o alto valor intelectual e educativo do grande escritor. Na sequência das reformas do Estado Novo, retoma a designação primitiva de Liceu Nacional e, finalmente, em 1978, no contexto das reformas de Veiga Simão e do pós 25 de Abril, é batizada com o nome de Escola Secundária de Camilo Castelo Branco. Atualmente, figura nos documentos oficiais como Escola Secundária c/ 3º Ciclo Camilo Castelo Branco (Projeto Educativo ESCCB, 2013).
A população discente é caracterizada por uma grande diversidade social e económica, sendo a escola frequentada por um número significativo de alunos oriundos de classes desfavorecidas do ponto de vista económico e social. Cerca de 34% dos alunos são subsidiados (Projeto Educativo ESCCB, 2013). A escola, apesar de estar situada num edifício histórico e não ter pavilhão desportivo, oferece boas condições de ensino, apresenta uma excelente estrutura de organização e administração escolar e é rica em recursos humanos e materiais.
2.2. Unidades Didáticas
Com base na planificação anual para cada modalidade imposta pela escola, idealizada a partir do programa da disciplina de educação física, competiu-me elaborar as Unidades Didáticas (UD) das modalidades que iria abordar, nomeadamente, Ginástica de solo e aparelhos, ao longo do primeiro período e Natação no segundo. Em Anexo I pode consultar-se a sequencialização de conteúdos executado para a modalidade de Natação.
Com base nas características e particularidades da população alvo, nos recursos temporais, humanos e materiais disponíveis, definem-se objetivos, traçam-se metas e desenha-se o caminho a seguir para os alcançar, através de métodos e estratégias que incidem nos diversos domínios em que
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pretendemos verificar evolução. A UD é o documento guia de todo o processo ensino-aprendizagem, deve ser maleável e ajustável em todos os momentos, em função da interação e troca de informação constante entre professor e alunos.
Segundo Bento (2003), o ato de planificar representa a interpretação do docente de como as pretensões inerentes aos programas do sistema de ensino são passíveis de aplicabilidade prática na sua realidade escolar.
Relativamente à UD de Ginástica, após a realização da avaliação diagnóstica em que constatei que o nível médio da turma era muito baixo e que os alunos sentiam grandes dificuldades mesmo nos conteúdos mais básicos como, por exemplo, os rolamentos, tomei a decisão de dedicar grande parte da UD a um trabalho de base, focado sobretudo nos conteúdos elementares, com o intuito de preparar convenientemente os alunos para o ano letivo seguinte onde irão abordar novamente a modalidade. Assim, decidi adaptar os objetivos comportamentais terminais propostos às capacidades reais da turma e após o término desta UD, estou contente com a decisão tomada e com o trabalho desenvolvido ao longo do período, que se traduziu em resultado satisfatórios, com os alunos a evoluírem significativamente.
Relativamente à UD de Natação, após a realização da avaliação diagnóstica, constatei que o nível médio da turma era satisfatório nas técnicas de crawl, costas e bruços e muito baixo na técnica de mariposa, algo perfeitamente natural visto que a grande maioria dos alunos nunca tinha tido qualquer tipo de experiência de aprendizagem da referida técnica. Logo, tomei a decisão de estabelecer como principal foco da UD o trabalho de base para o desenvolvimento da técnica de mariposa, recorrendo a aquecimentos específicos para consolidar as restantes técnicas de natação. Após o término desta UD, estou satisfeito com a decisão tomada e com o trabalho desenvolvido ao longo do período, que se traduziu em resultados bastante positivos, com os alunos a evoluírem de forma significativa, sobretudo na técnica de mariposa.
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2.3. Planos de Aula
"Cada aula é uma situação didática específica e singular, onde objetivos e conteúdos são desenvolvidos com métodos e modos de realização da instrução e do ensino, de maneira a proporcionar aos alunos conhecimentos e habilidades, expressos por meio da aplicação de uma metodologia compatível com a temática estudada" (Takahashi, Fernandes, 2004, p.114). O plano de aula representa uma planificação a curto-prazo e segundo Lewy (cit. por Évora, 2005), tem como objetivo prever, definir e criar as condições necessárias a uma correta execução do processo de ensino. Deve ainda identificar recursos disponíveis, bem como estratégias na sensibilização e motivação dos alunos, diretrizes de informação a transmitir e, finalmente, ser suscetível de retroação e ajustamentos.
Desta forma, considero o plano de aula um instrumento fundamental para o dia-a-dia do professor, no entanto, e pelo facto da sua conceção estar assente em previsões e suposições, devemos ser capazes de adaptar-nos de forma rápida e ágil a situações não contempladas pelo mesmo, através de decisões imediatas que permitam manter a integridade do processo de ensino.
“Elaboração do plano, realização do plano, controlo do plano, confirmação ou alteração do plano” (Bento 2003, p.16).
Após a execução, levanta-se novamente a importância da ação reflexiva, que me permitiu evitar a repetição do erro, consolidar as decisões acertadas e facilitar a planificação da aula seguinte. Tudo isto, aliado às preciosas sugestões e opiniões da orientadora e das colegas de estágio, fazem-me sentir que evoluí em cada uma das aulas que lecionei.
Em Anexo II poderão consultar-se 2 exemplos de planos de aula de cada uma das UD desenvolvidas.
2.4. Práticas de Ensino Supervisionadas
Relativamente às aulas propriamente ditas, foquei-me em aplicar o modelo que me foi transmitido ao longo de todo o processo formativo. No que diz respeito à minha postura em contexto de aula, inicialmente procurei apresentar-me de
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forma rígida, serena e algo intransigente, de forma a marcar o meu espaço enquanto figura de comando a ser respeitada em todos os momentos. Com o passar do tempo, com o sentimento de conquista do respeito dos alunos, fui permitindo, de forma progressiva, maior autonomia e liberdade. Apenas um aluno me colocou alguns problemas no capítulo disciplinar pela tendência recorrente para destabilizar e dispersar, no entanto, tendo em conta que é um caso transversal a todas as disciplinas, considero que o consegui manter sempre sobre o meu controlo, terminando a minha intervenção pedagógica com um excelente relacionamento com este aluno e com todos os outros. Segundo Aranha (2004), a dimensão disciplina alude a procedimentos e destrezas de ensino que fazem parte do reportório do professor para atenuar e modificar comportamentos desviantes e promover comportamentos apropriados.
Planeei as aulas com o intuito de ter os alunos constantemente motivados e empenhados, para tal, procurei proporcionar situações de aprendizagem diversificadas e ajustadas ao nível de aptidão dos alunos, usando e abusando do incentivo no decorrer das mesmas.
Algumas das minhas inseguranças inicias estavam relacionadas com a instrução, com a minha capacidade para comunicar de forma clara e acessível aos alunos, logo foquei-me em desenvolver a habilidade de transmitir apenas os conhecimentos e conteúdos relevantes de forma simples, coerente e percetível. Com o decorrer das aulas, impactou-me especialmente a importância e eficácia do feedback, uma vez que antes deste estágio apenas o tinha usado de forma pontual e isolada em momentos de avaliação e que em pouco ou nada contribuía para modificar o comportamento dos seus alvos. Com o transcorrer das aulas, com a continuidade, repetição, sistematização do mesmo, demonstrou ser um dos instrumentos fundamentais para o sucesso da minha intervenção pedagógica.
Aranha (2004, p.31) refere que "a dimensão instrução tem por âmbito todos os comportamentos e destrezas técnicas de ensino que fazem parte do repertório do professor para comunicar informação pertinente."
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Procurei estar sempre próximo dos alunos, mantendo-me em constante alerta para comportamentos e situações de risco, fenómenos com probabilidades elevadas de surgir em modalidades como ginástica e natação, no entanto e felizmente, nenhuma ocorrência digna de registo sucedeu.
Relativamente à sua estrutura, as aulas iniciaram-se com uma instrução introdutória à aula em que se referiam normas de conduta e segurança e se informavam os alunos sobre os objetivos da aula e em como estes se inseriam na sequência da UD ou se relacionavam com aulas anteriores, explicando-se finalmente em que consistia o aquecimento. Após o aquecimento, reuniam-se os alunos para a instrução, demonstração e organização do exercício seguinte, repetindo-se este ritual após o término de cada objetivo operacional. As aulas concluíam-se com um balanço final, em que transmitia as minhas sensações aos alunos sobre o seu desempenho, colocando questões sobre os conteúdos transmitidos, dúvidas ou dificuldades. Por fim, informavam-se os alunos sobre a extensão dos conteúdos para a aula seguinte. Uma das minhas preocupações recorrentes ao longo das aulas relacionou-se com a manutenção de níveis elevados de tempo de empenhamento motor, perdendo o menor tempo possível na organização, transição e manuseamento de material. Devido a este fator, na UD de Ginástica, procurei proceder a montagem do material antes do início da aula sempre que me foi possível. Na UD de Natação, apesar de não serem necessárias grandes preocupações com material e com tempos de organização e transição, procurei minimizar o tempo que os alunos despendiam no balneário.
Para Carreiro da Costa (cit. por Aranha, 2004), o professor eficaz apresenta as seguintes características:
• Dedica mais tempo de instrução específica correta; • Demonstra frequentemente;
• Insiste mais vezes na técnica de execução da tarefa; • Despende pouco tempo a manusear material;
• Produz proporções elevadas de feedback descritivo e dirigido a um aluno;
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2.5. Avaliação
O processo de avaliação contemplou 3 tipos de avaliação distintos (diagnóstica, formativa e sumativa), que ocorreram em situações particulares da UD, complementando-se entre si. A avaliação baseou-se na observação direta e apresentou carácter criterial, pois procedeu-se a uma comparação dos comportamentos motores, cognitivos e socioafetivos dos alunos com critérios previamente definidos.
Tabela 1 - Fator de ponderação para os domínios psicomotor, cognitivo e socioafetivo.
Domínios Fator de ponderação (%)
Psicomotor Atividade Física 60,0
Cognitivo Testes teóricos 15,0
Socioafetivo Comportamento 10,0
Responsabilidade e Empenho 15,0
Relativamente ao domínio psicomotor, realizou-se o registo numa escala de 1 a 5, para cada elemento observado, representando o 1 o 'não executa' e o 5 o 'executa muito bem'. A avaliação do domínio cognitivo foi de carácter unicamente sumativo visto que consistiu nos resultados obtidos da realização de um teste teórico em cada UD. O domínio socioafetivo foi avaliado em todas as aulas e registaram-se ocorrências relacionadas com faltas de presença, atraso, material, comportamento, responsabilidade e empenho. Em Anexo III encontram-se modelos de fichas de avaliação diagnóstica/sumativa e formativa utilizadas nas UD de Ginástica e Natação para os diversos domínios.
"A avaliação é um elemento integrante e regulador da prática educativa, permitindo uma recolha sistemática de informações que, uma vez analisadas, apoiam a tomada de decisões adequadas à promoção da qualidade das aprendizagens. (...) Visa apoiar o processo educativo, de modo a sustentar o sucesso de todos os alunos, permitindo o reajustamento dos projetos curriculares de escola e de turma, nomeadamente quanto à seleção de metodologias e recursos, em função das necessidades educativas dos aluno, (...)" (Ministério da Educação, Despacho Normativo n.º 30/2001, 2001, p. 4438).
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2.5.1. Avaliação Diagnóstica
Realizada na primeira aula, a avaliação diagnóstica permitiu-me identificar o nível dos alunos, verificar se os objetivos comportamentais terminais da disciplina patentes no planeamento anual da escola se ajustavam às características destes, demonstrando ser um recurso fundamental na definição de abordagens, estratégias e objetivos, facilitando todo o processo de planeamento. Na turma do 7º ano, através da avaliação diagnóstica percebi que seria necessário desenvolver um trabalho de base e centrar-me nos conteúdos mais elementares visto que o nível dos alunos em ginástica era muito baixo. Relativamente aos alunos do 12º ano, demonstraram um nível satisfatório nos estilos de natação tradicionalmente abordados na escola e com os quais já tinham tido experiências de aprendizagem (crawl, bruços e costas), o que me permitiu tomar a decisão de dedicar uma maior porção de tempo da minha intervenção a uma técnica completamente nova para eles (mariposa). Os comportamentos observados foram registados numa ficha de observação diagnóstica.
2.5.2. Avaliação Formativa
A avaliação formativa assume um papel fundamental na regulação de todo o processo ensino-aprendizagem. Caracterizada pela assiduidade e contiguidade, permite um processo avaliativo mais flexível, criterioso e justo. Segundo o Despacho Normativo n.º 30/2001 do Ministério da Educação (2001, p. 4439), "a avaliação formativa é a principal modalidade de avaliação do ensino, assume carácter contínuo e sistemático e visa a regulação do ensino e da aprendizagem, (...) fornece ao professor, ao aluno, ao encarregado de educação e aos restantes intervenientes, informação sobre o desenvolvimento das aprendizagens e competências, de modo a permitir rever e melhorar os processos de trabalho."
Em diversos momentos, ao longo das aulas, foram recolhidas e registadas informações sobre os alunos, no sentido de poder controlar e acompanhar o seu desempenho dentro da perspetiva de evolução que para eles se idealizou no momento da planificação. Isto permitiu-me identificar situações em que os
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alunos ficaram aquém ou além do perspetivado em certos conteúdos, reajustando imediatamente estratégias de abordagem e a própria sequencialização de conteúdos à realidade verificada em contexto de aula.
2.5.3. Avaliação Sumativa
Finalmente, realizou-se a avaliação sumativa, que segundo Aranha (2004), consiste na súmula do ocorrido, refletindo o sucesso ou insucesso do produto e do processo. Este momento permite avaliar a qualidade do desempenho dos alunos (produto), bem como, a qualidade e coerência das decisões tomadas pelo professor relativamente ao planeamento, estratégias e métodos implementados (processo), ou seja, o (in)sucesso do produto resulta do (in)sucesso do processo.
2.6. Estudo de Turma
O estudo de turma ofereceu-me um conjunto de informação pertinente sobre a realidade dos alunos da turma A do 7º ano da ESCCB em diversos níveis – socioeconómico, ambiente familiar, socioafetivo, hábitos do quotidiano, experiência e aptidão desportiva, entre outros. Para tal recorri a um questionário e a testes antropométricos e de agilidade (vaivém). Analisada e estruturada esta informação, proporcionou-me o conhecimento que serviu de base para diversos momentos da minha intervenção pedagógica.
Segundo Coelho (1988), para que as finalidades da educação física sejam alcançadas, torna-se necessário que a prática seja corretamente planeada, aplicada e orientada, caso contrário, não se produzirão resultados, ou produzir-se-ão resultados completamente opostos aos que procuramos, como por exemplo, o abandono ou a aversão à prática desportiva. Daí a importância do papel do professor, que deverá conhecer e ter em conta aspetos psicológicos, fisiológicos, culturais e sociais dos seus alunos, enquadrando a prática desportiva no envolvimento em que estes se encontram inseridos, de forma a que não se criem incompatibilidades ou desequilíbrios no habitual quotidiano dos indivíduos.
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Tabela 2 – Caracterização da amostra do estudo de turma.
Variável (N=19) Mínimo Máximo Média
Nº de inquiridos 19 Idade (anos) 11 12 11,79
Ano e turma 7º A Altura (metros) 1,43 1,67 1,56
Sexo
Masculino 7 Peso (kg) 32 69 48,47
Feminino 12 Índice de Massa Corporal (kg/m2) 14,76 25,92 19,87
Concluiu-se que:
• Cerca de metade da turma (47%) reside em meio rural, pelo que me mantive atento a situações de exclusão ou preconceito para com algum destes alunos devido a divergências socioculturais, algo que acabou por não se verificar;
• A turma demonstrou ter bons hábitos de estudo, 74% dos alunos afirmaram gostar de estudar e a mesma percentagem de alunos afirmou estudar mais de 1 hora por dia. Mais de metade da turma (53%) tem acompanhamento quando estuda. Segundo Carita, et al. (1997), bons hábitos de estudo permitem o desenvolvimento de instrumentos mentais que permitem experiências de aprendizagem mais efetivas e autónomas aos alunos, isto é, desenvolvem competências cognitivas que lhes oferecem maior controlo na realização das suas tarefas escolares;
• Todos os alunos têm o hábito diário de ver televisão, usar o computador e navegar na internet. Apenas 4 alunos (21%) não utilizam jogos eletrónicos diariamente. Apenas 6 alunos (32%) vêm TV menos de 1 hora por dia. No que diz respeito ao tempo de uso do computador e internet, uma percentagem considerável dos alunos (42%) despende mais de uma hora por dia nesta atividade;
• Relativamente à ocupação de tempos livres, atividades potenciadoras do sedentarismo como jogar computador (21%), navegar na internet (16%) e ver televisão (13%) predominaram sobre atividades potenciadoras de estilos de vida saudáveis como praticar desporto (11%) e passear (8%);
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• Apesar de não ser uma das atividades favoritas para a ocupação dos tempos livres, 11 alunos praticaram desporto, 55% destes de forma estruturada e os restantes como forma de lazer;
• A maioria dos alunos (53%) considerou ter uma alimentação de qualidade, os restantes qualificaram-na como razoável. Um quarto da turma (26%) faz apenas 3 refeições por dia. Sobressaíram os 63% dos alunos que assumiram comer fast food regularmente. Um estudo da Yale Rudd Center for Food Policy and Obesity (cit. por Kaplen, 2013) analisou 5427 refeições direcionadas a crianças de diversas cadeias de restaurantes de fast food e apenas 33 delas foram consideradas apropriadas às linhas orientadoras de nutrição recomendada.
• A aula de Educação Física despertou muito interesse a 58% dos alunos, sendo que apenas uma aluna afirmou ter pouco interesse na disciplina. Quanto às modalidades favoritas, a mais escolhida foi futsal, no entanto as percentagens de escolha de todas as modalidades foram muito semelhantes (entre 8% e 18%). Relativamente às modalidades onde os alunos sentem mais dificuldades destacaram-se a ginástica (22%) e o basquetebol (20%), sendo estas as modalidades a abordar nos 1º e 2º períodos do presente ano letivo nesta turma. Com o conhecimento destes dados e com o auxílio da avaliação diagnóstica e formativa, tornou-se mais fácil a tomada de decisões sobre métodos mais analíticos e incisivos sobre as bases das modalidades ou sobre o ajuste dos objetivos comportamentais terminais ao nível demonstrado pelos alunos;
• Sobre as dificuldades sentidas em variadas ações inseridas no contexto aula de educação física, destacaram-se: Correr durante um período razoável de tempo, correr em velocidade, realizar exercícios de flexibilidade e agarrar, manipular e controlar uma bola;
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Tabela 3 – IMC e agilidade (percursos vaivém) Feminino e Masculino. Raparigas Rapazes
Indivíduo IMC Agilidade Individuo IMC Agilidade
1 23,95 17 3 16,14 32 2 24,74 18 6 16,73 41 4 22,55 15 7 21,50 49 5 16,44 25 9 22,37 27 8 22,43 16 16 25,92 22 10 15,56 35 18 15,22 45 11 18,20 28 19 21,08 31 12 18,59 38 13 19,29 23 14 16,82 36 15 25,22 28 17 14,76 35
O Indivíduo 16 apresentou o IMC mais elevado da turma, estando já no patamar da obesidade (assinalado a vermelho). Os resultados assinalados a laranja indicam alunos que estão no patamar de excesso de peso (IMC) e abaixo dos valores de corte da Zona Saudável de Aptidão Física (ZSAF) para o teste do vaivém (Plowman, Meredith, 2013). A amarelo estão assinalados os alunos em risco de entrar no patamar do excesso de peso (IMC) e próximos do limite mínimo da ZSAF. Como se pode constatar pela tabela valores altos de IMC afetam negativamente o desempenho na prova de agilidade, no entanto, os indivíduos 7 e 15 obtiveram resultados de agilidade positivos apesar de apresentarem valores elevados de IMC;
No total, 11 alunos (58% da turma) apresentaram resultados preocupantes. Isto conjugado com os resultados obtidos nos hábitos do quotidiano, nas preferências de ocupação de tempos livres e nos hábitos de alimentação, onde sobressaem percentagens elevadas de situações potenciadoras de sedentarismo, indicaram-me que deveria focar-me no prazer que os alunos retiram da prática de atividade física e que deveria recorrer com frequência a exercícios de carácter lúdico, bem como, incentivá-los à prática extra-aulas e extraescola.
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Assim, delineei uma série de estratégias para responder aos problemas encontrados que me permitiram intervir pedagogicamente para motivar e promover uma melhor prestação escolar e desportiva dos alunos, nomeadamente:
• Reforçar a importância da adesão aos projetos desportivos promovidos na escola, onde também poderia acompanhá-los;
• Recorrer à formação de grupos de nível onde o grau de dificuldade das atividades propostas se adequa às capacidades de todos os alunos, mantendo assim os melhores, mas também os menos bons com graus elevados de motivação;
• Promover atividades em percurso e circuito, mantendo todos os alunos em atividade motora simultaneamente;
• Organizar grupos heterogéneos em relação ao sexo e às influências socioculturais de forma a evitar comportamentos de rejeição e exclusão social;
• Idealizar exercícios de cooperação entre os alunos de forma a criar espírito de coesão e reforçar laços socioafetivos;
• Orientar e alertar os alunos para comportamentos de responsabilidade;
• Perceber quais as ambições pessoais dos alunos e motivá-los para a luta por esses objetivos, vincando a ideia de que ninguém triunfa sem esforço, dedicação e sacrifício. Idealizar exercícios que exijam esforço pessoal, recompensando os alunos com reforço positivo sempre que os objetivos sejam alcançados;
• Atribuir um papel importante aos alunos no aquecimento, na recolha de material, em demonstrações, de forma a que modelos de responsabilidade sejam adquiridos por todos;
• Idealizar exercícios com o intuito da promoção do bem-estar físico, mental e social nos alunos;
• Incutir o prazer pela prática de atividades físicas, reforçando a importância destas na ocupação de tempos livres, como forma de promoção de um estilo de vida saudável, bem como, como um excelente meio de criar novas amizades e de aumentar a autoestima.
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3. Estágio - Atividades desenvolvidas 3.1. Corta Mato
Realizou-se no dia 30 de Outubro, no Fraga da Almotolia, em Vila Real. Teve início às 10 horas da manhã e decorreu ao longo de toda a manhã. A competição esteve organizada por escalões etários e a sequência das provas esteve organizada por ordem crescente de idades.
Participaram nas provas alunos das escolas Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Escola Secundária de São Pedro, Agrupamento de Escolas Morgado Mateus e Agrupamento de Escolas Diogo Cão.
O papel dos estagiários centrou-se em colaborar com os restantes professores nas tarefas a estes destinadas, nomeadamente, distribuição de dorsais, acompanhamento dos alunos da escola para os autocarros que os transportariam para o local da prova, encaminhamento os alunos para o local de partida das provas do seu escalão, acompanhamento destes após o término das respetivas corridas distribuindo lanches e mantendo-os em segurança e, finalmente, assegurar o regresso de todos os alunos à escola, em segurança. A atividade decorreu sem contratempos, com os objetivos propostos a serem alcançados.
3.2. Tribol
O torneio realizou-se no dia 26 de Fevereiro de 2014 enquadrado no 2º período do presente ano letivo. A organização esteve a cargo do Núcleo de Estágio de Educação Física, do Grupo de Educação Física e da Associação de Estudantes da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. O torneio consistiu numa atividade que, como o próprio nome indica, engloba 3 modalidades desportivas coletivas, nomeadamente, o futsal, o basquetebol e o voleibol, com o objetivo de desenvolver nos alunos o espírito de equipa e a capacidade de cooperação, bem como, a capacidade de estabelecer relações saudáveis de adversidade com equipas contrárias. Além do previamente mencionado, as nossas principais metas foram:
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• Promover e consolidar hábitos saudáveis;
• Proporcionar um espaço de convívio, diversão, alegria e prazer para alunos e todos os agentes educativos envolvidos na organização e operacionalização do torneio;
• Oferecer experiências de sucesso aos alunos.
Participaram no torneio seis equipas, duas do ensino básico e quatro do ensino secundário. Ficou estipulado que as equipas deviam ser mistas, e que, pelo menos, um elemento do sexo feminino por equipa teria que estar sempre em campo, no entanto, uma das equipas apresentou-se sem qualquer participante feminina, pelo que alterámos excecionalmente o regulamento nos jogos que esta equipa disputou, proporcionando aos adversários a possibilidade de ter em campo apenas jogadores masculinos.
Recursos Materiais:
• Dois campos de Voleibol - Campo da Entrada e Arcos; • Campo de Futsal - Campo Central;
• Campo de Basquetebol - Campo dos Arcos; • Duas bolas de cada modalidade;
• 16 Coletes; • Quatro apitos;
• Cartões amarelos e vermelhos; • Um marcador de pontuação; • Três cronómetros;
• Cinco mesas; • Oito cadeiras;
• Sistema de som e microfone;
• Medalhas e diplomas de participação. Recursos Humanos:
• Supervisão - Profs. Amandine e Conceição;
• Coordenação / Secretariado Geral - Prof. Estagiário Tiago;
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• Coordenação de Campo / Mesa Voleibol - Prof. Estagiária Ana; • Coordenação de Campo / Mesa Basquetebol - Prof. Estagiário Júlio; • Marcador / Cronometrista Futsal - Associação de Estudantes;
• Marcador / Cronometrista Voleibol – Prof. Estagiária Ana;
• Marcador / Cronometrista Basquetebol - Associação de Estudantes; • Árbitro Futsal - Prof. André;
• Árbitros Basquetebol – Prof. Estagiário Mickael e Prof. José Fernandes; • Árbitro Voleibol - Prof. Estagiário Daniel;
• Apanha bolas - Associação de Estudantes; • Speaker - Associação de Estudantes. Cronologia:
• 14h30m - Concentração dos participantes junto ao Campo Central; • 14h50m - Cerimónia de abertura com um breve discurso de boas vindas
e partilha de informações sobre o desenrolar da atividade; • 15h00m - Início dos jogos da primeira fase;
• 15h55m - Início dos jogos da segunda fase; • 16h45m - Início dos jogos da fase final;
• 17h35m - Cerimónia de encerramento, com a entrega de medalhas e diplomas de participação por parte de um membro da direção da escola; • 17h50m - Fim da atividade.
Realizaram-se 2 grupos e cada partida teve a duração de 10 minutos independentemente da modalidade. Em anexo IV pode consultar-se o quadro competitivo do torneio.
A realização desta atividade foi um sucesso, com os objetivos propostos a serem alcançados e a própria operacionalização a decorrer como planeado.
3.3. Outras atividades
Ao longo do 2º período do presente ano letivo participei ativamente no "Projeto Põe-te a Mexer", enquadrado na oferta de atividades desportivas extra curriculares da ESCCB, que proporciona aos alunos o contacto com modalidades menos exploradas em contexto escolar como uni-hóquei, kin-ball, esgrima, petanca, tiro com arco, escalada, entre outras. A minha participação
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no projeto, não esteve diretamente relacionada com este âmbito, mas com a implementação de um programa de exercício físico estruturado para adolescentes, com o intuito de avaliar os efeitos deste no IMC e aptidão aeróbia dos visados.
Estive também envolvido na organização de uma atividade designada "Dia Radical" que consistia na realização de provas de orientação por equipas, escalada, rapel e slide, bem como, visita às instalações e museu do Regimento de Infantaria 13 em Vila Real, local onde se realizariam as supracitadas provas, no entanto, más condições atmosféricas levaram ao cancelamento da atividade.
Finalmente, estivemos envolvidos na organização das atividades do dia do patrono, o dia aberto da escola, em que se realizaram jogos de voleibol entre professores, alunos e funcionários da escola durante a manhã e um peddy paper, que interligou a participação dos alunos em provas desportivas com os seus conhecimentos sobre história e geografia, durante a tarde.
Conclusão
Elaborei este trabalho com o intuito de evidenciar o desenvolvimento e consolidação de competências que a experiência enquanto professor estagiário me facultou. Desta forma, aspiro a que o presente relatório projete de forma fiel e probatória o enriquecimento de capacidades e aptitudes que, no meu sentimento, o estágio me ofereceu, designadamente, aos níveis pedagógico, didático, científico e relacional. Ambiciono, também, que de toda esta experiência retire propensão e habilidade para responder satisfatoriamente aos desafios e exigências profissionais que no futuro se me apresentem.
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Bibliografia I
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situações de mal-estar e para a fundamentação de estratégias de formação de professores.
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Implementação de programa de exercício como complemento
às aulas de Educação Física: Impacto na aptidão aeróbia e IMC
de adolescentes com 12 e 13 anos.
Braz, Tiago; Vicente João, Paulo.Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Resumo
Este trabalho tem como objetivo verificar os efeitos da aplicação de um programa de exercício físico complementar às aulas de educação física no Índice de Massa Corporal (IMC) e Aptidão Aeróbia (VO2Máx) de adolescentes saudáveis e com excesso de peso de 12 e 13 anos que frequentam a Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real e desta forma comprovar, limitar ou negar a eficácia deste instrumento na melhoria da aptidão física numa perspetiva de desenvolvimento saudável, bem como, realçar a importância de uma intervenção diferenciada junto de crianças e jovens com excesso de peso, com o intuito de promover a aquisição e manutenção de hábitos saudáveis e sobretudo, como forma de prevenção e combate à obesidade.
Visando estes objetivos, formaram-se dois grupos: o grupo de controlo, formado por 3 indivíduos saudáveis e 2 com excesso de peso que frequentaram 135 minutos semanais de aulas de educação física, e o grupo experimental, constituído igualmente por 3 indivíduos saudáveis e 2 com excesso de peso, que além das aulas de educação física, frequentaram uma sessão semanal do programa com 90 minutos, perfazendo um total 225 minutos de exercício físico estruturado. O programa decorreu entre o dia 9 de Janeiro de 2014 e o dia 27 de Março do mesmo ano e foi elaborado com base nas recomendações e linhas orientadoras da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da American Heart Association (AHA).
Relativamente ao grupo experimental, verificaram-se reduções no peso (de 51,2±10,62 para 50,6±9,45) e no IMC (de 20,83±4,36 para 20,21±3,66) e um aumento da aptidão aeróbia (de 43,74±4,71 para 46,58 ± 4,27). No grupo de controlo constataram-se aumentos no peso (de 49,6±11,39 para 51,4±11,78), no IMC (de 19,88±4,91 para 20,43±5,21) e uma ligeira melhoria na aptidão aeróbia média (de 42,88±7,05 para 43.02±7,77).
Sugere-se que programas com estas características contribuem para o aumento dos níveis de aptidão aeróbia, diminuição dos valores de IMC e, consequentemente, para uma possível melhoria na aptidão física relacionada com a saúde em adolescentes.
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Abstract
This study aims to determine the effects of a physical exercise program to complement physical education classes in Body Mass Index (BMI) and Aerobic Capacity (VO2max) in healthy and overweight of 12 and 13 years old adolescents who attend Secondary School Camilo Castelo Branco in Vila Real and thereby, prove, limit or deny this tool effectiveness in improving health related physical fitness, as well as, enhance the importance of a differentiated intervention with overweight children and youth, in order to promote the acquisition and maintenance of healthy habits and especially as a mean of preventing and combating obesity.
Aiming at these goals, two groups were formed: The control group, comprised by three healthy and two overweight individuals who attended 135 minutes per week of physical education classes, and the experimental group, also consisting of 3 healthy and 2 overweight subjects, that besides the physical education classes, frequented a weekly 90 minutes session of the program, totaling 225 minutes of structured exercise. The program took place between January 9, 2014 and March 27 of the same year and was elaborated based on the World Health Organization and the American Heart Association recommendations and guidelines.
Regarding the experimental group, there were decreases in weight (51.2 ± 10.62 to 50.6 ± 9.45) and BMI (20.83 ± 4.36 to 20.21 ± 3.66) and an increase in aerobic capacity (from 43.74 ± 4.71 to 46.58 ± 4.27). In the control group, increases in weight (49.6 ± 11.39 51.4 ± 11.78 in), BMI (from 19.88 ± 4.91 to 20.43 ± 5.21) and a slight improvement in average aerobic capacity (from 42.88 ± 7.05 to 43.02 ± 7.77) were found.
It is suggested that programs with these characteristics contribute to increased levels of aerobic capacity, decreased BMI and consequently to a possible improvement in health-related physical fitness in adolescents.
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Tabela 4 - Percentagem da população portuguesa pré-obesa e pré-obesa.
Pré-obesidade % Obesidade %
Adultos Adolescentes Adultos Adolescentes
39,4 19,8 14,2 6,2
Adaptado de Prevalência e Monitorização da Obesidade e do Controlo do Peso, SPEO (2008).
Adaptado de Programa Nacional de Combate à Obesidade, (Castro, et al. cit. por DGS, 2005).
Introdução
A escola desempenha um papel fundamental na promoção de um estilo de vida saudável entre crianças e adolescentes, no entanto, a importância da Educação Física, disciplina proporcionadora da atividade física relacionada com a aquisição e manutenção de hábitos saudáveis, é recorrentemente depreciada, como atestam algumas medidas tomadas pelo Ministério da Educação e Cultura num passado recente, nomeadamente, as reduções na carga horária e o facto da classificação obtida à disciplina deixar de ter influência na média final dos alunos.
Instituições como a OMS (2010) e a AHA (2006), numa perspetiva de desenvolvimento saudável, recomendam que crianças e adolescentes acumulem 60 minutos diários de atividade física de cariz predominantemente aeróbio e que, pelo menos, três vezes por semana experienciem exercícios de intensidade moderada a vigorosa de fortalecimento ósseo e muscular.
A obesidade é, nos dias que correm, um dos principais problemas de saúde pública nos países mais desenvolvidos, sendo enunciada pela OMS como a epidemia do século XXI.
O caráter evolutivo da prevalência do excesso de peso e obesidade em Portugal é claramente crescente, facto suportado por dados apresentados pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (2008) (SPEO), pela Direção Geral de Saúde (2005) (DGS) e por Janssen et al. (2005), como se constata na Tabela 4, Gráfico 1 e Gráfico 2.
Segundo a OMS (2010), crianças e adolescentes que apresentem excesso de peso ou obesidade, provavelmente, tornar-se-ão adultos obesos e estarão mais suscetíveis a desenvolverem
Gráfico 1- Evolução da prevalência da pré-obesidade e da obesidade em Portugal.
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Adaptado de Comparison of overweight and obesity prevalence in school-aged youth from 34 countries and their relationships with physical activity and dietary patterns. (Janssen, et al. 2005).
doenças silenciosas como diabetes ou problemas cardiovasculares, condições patológicas pertencentes ao grupo das principais causas de morte em países desenvolvidos.
Associados ao excesso de peso estão a discriminação social e autoimagem negativa que frequentemente originam problemas comportamentais e de aprendizagem (Ministério da Educação, 2006). O excesso de peso e a obesidade, bem como os problemas a eles associados são altamente
preveníveis, logo, torna-se prioritária uma intervenção precoce. O Plano Nacional de Saúde 2004-2010 da DGS (2004) defende que deverá adotar-se uma abordagem de promoção da saúde e preventiva contra o excesso de peso, bem como, preparar medidas compreensivas de prevenção e gestão contra a obesidade.
Dados epidemiológicos da Centers for Desease Control and Preventinon (2012) (CDC), relacionados com o sedentarismo e com a obesidade de crianças e jovens, revelam que ao se perpetuarem as tendências comportamentais associadas, em 2020, 73% dos adultos americanos poderão apresentar disfunções orgânicas decorrentes da aquisição de hábitos alimentares erróneos e de inatividade física. Pollock et al. (1986) estimam que em 80% a 86% dos adultos obesos, esta condição terá tido origem na sua infância e adolescência. O autor refere diversos estudos que sugerem que a obesidade infantil está mais associada à inatividade física do que à superalimentação. Estudos de Whitaker et al. (1997) corroboram estes dados e reforçam a importância de uma intervenção preventiva em crianças e sobretudo em adolescentes. Os autores constataram que em cada 5 crianças obesas com 4 anos, uma tornar-se-á um adulto obeso, ao passo que em cada 5 adolescentes obesos, 4 conservarão esta condição na sua vida adulta.
Gráfico 2 - Prevalência do excesso de peso em adolescentes (10-16) de 34 países.
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Estudos de Malina (1995) verificaram que o exercício físico relaciona-se diretamente com alterações em componentes da Aptidão Física (AF) relacionada com a saúde. De acordo com as pesquisas do autor, quanto mais ativos os indivíduos são, mais aptos se tornam e consequentemente, quanto mais aptos, mais ativos são. Collet (2005), afirma que é facilmente observada a relação entre atividade física e aptidão física, realçando-se a forte associação da primeira com elevados níveis de aptidão relacionados com a saúde.
No 3º ciclo do Ensino Básico, estão atribuídos 135 minutos semanais à disciplina de Educação Física, divididos em duas sessões (90+45). Neste trabalho procura-se verificar a influência da implementação um programa estruturado de exercício físico complementar de 90 minutos semanais, alicerçado em recomendações e linhas orientadoras da OMS e da AHA, na aptidão aeróbia e no Índice de Massa Corporal (IMC) de adolescentes saudáveis e com excesso de peso que frequentam o ciclo de ensino supracitado.
Metodologia
A amostra é composta por 10 adolescentes que frequentam a mesma turma do 7º ano de escolaridade na Escola Secundária e do 3º ciclo Camilo Castelo Branco (ESCCB) em Vila Real com idades compreendidas entre os 12 e 13 anos. Estes adolescentes foram divididos em dois grupos de forma equitativa, o grupo de controlo, formado por indivíduos que frequentaram apenas as aulas de Educação Física, e o grupo experimental, constituído por indivíduos que frequentaram o programa de exercício físico complementar às aulas. Ambos os grupos são constituídos por 3 adolescentes considerado saudáveis e 2 com excesso de peso (IMC ≥ 22.1Kg/m2).
O programa de exercício foi elaborado com base nas recomendações de organizações científicas internacionais, designadamente, a OMS (2010) e a AHA (2006). Apresentou um caráter predominantemente lúdico, consistiu em exercício aeróbio, resistido, de flexibilidade, equilíbrio, agilidade e coordenação e funcionou como complemento às aulas de educação física, o que, em teoria, resultou em 225 minutos semanais de atividade física estruturada semanal para os indivíduos que compõe o grupo experimental. O programa teve o seu
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início a 9 de Janeiro de 2014, dia em que se procedeu à realização de um pré-teste para avaliar a Aptidão Aeróbia e o IMC, seguindo o protocolo de aplicação do teste da milha e da aferição de medidas antropométricas do Fitnessgram (Plowman, Meredith, 2013), nos constituintes de ambos os grupos. O IMC corresponde ao peso dividido pelo quadrado da altura dos indivíduos e exprime-se kg/m2. A aptidão aeróbia (VO2máx) refere-se à quantidade de oxigénio que o corpo consegue absorver, transportar e utilizar durante a atividade física e é calculada através de uma fórmula que tem em conta a idade, sexo, IMC e resultado obtido no teste da milha (Plowman, Meredith, 2013), exprimindo-se os resultados em ml/kg/min. Cada sessão do programa durou 90 minutos e iniciou-se com um aquecimento geral, exercícios de mobilização articular e alongamentos, uma parte principal centrada em formas jogadas de complexidade crescente com intensidade moderada a vigorosa, terminando-se a sessão com exercícios de retorno à calma. O programa terminou a 27 de Março de 2014, dia em que se realizou o pós-teste replicando-se os procedimentos adotados no pré-teste.
Os dados obtidos foram posteriormente analisados através do software IBM SPSS 22, realizando-se uma análise descritiva para calcular médias e desvio padrão (DP) e recorreu-se ao teste Wilcoxon signed rank para amostras emparelhadas, comparando-se as diferenças verificadas na evolução entre grupos, a partir dos valores basais obtidos no pré teste. Consideraram-se estatisticamente significativas as diferenças com valor de p<0.05.
Os resultados e evolução dos indivíduos serão ainda analisados com base nos novos parâmetros FITNESSGRAM, recorrendo-se às respetivas tabelas de referência (Tabela 5), considerando-se três patamares de classificação: Zona Saudável de Aptidão Física (ZSAF), Necessita Melhorar - Baixo Risco para a Saúde (NM - Baixo Risco) e Necessita Melhorar - Alto Risco para a Saúde (NM - Alto Risco) (Presidential Youth Fitness Program, 2013).
Tabela 5 - Valores de referência FITNESSGRAM para a Aptidão Aeróbia e o IMC em adolescentes de ambos os sexos de 12 e 13 anos. Adaptado de Presidential Youth Fitness Program (2013).