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Imigração, Gênero e Trabalho

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Academic year: 2021

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IMIGRAÇÃO, GÊNERO E TRABALHO

RESUMO

Este estudo lança luz à situação das imigrantes internacionais mulheres no mercado de trabalho na sociedade hospedeira, buscando compará-las com os homens de mesma origem étnico-nacional. Para tanto, foram utilizadas as informações da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais - do ano de 2015, que possui os registros do(a)s estrangeiro(a)s inserido(a)s no mercado de trabalho formal brasileiro. Uma análise preliminar demonstra que do total de estrangeiros registrados formalmente no mercado de trabalho brasileiro, a maioria são de homens (73,64%) enquanto as mulheres representam 26,36% desse total. A nacionalidade com maior concentração no mercado formal é a Haitiana com 8,69% de mulheres haitianas e 35,08% de homens haitianos. Já a escolaridade das mulheres imigrantes inseridas no mercado de trabalho brasileiro, verifica-se que a maior concentração é de mulheres e homens com Ensino Médio completo (35,61% e 35,77%). Quando se trata das ocupações dos estrangeiros no mercado de trabalho brasileiro, a ocupação que mais contou com a concentração das trabalhadoras estrangeiras foi a de Serviços, Vendedores do Comércio em Lojas e Mercados com 29,17%. Já os homens lideram na categoria: Produção de Bens e Serviços Industriais com 32,97%. Contudo, há diferenças quanto à distribuição ocupacional quando verificamos a origem étnica/nacional. Mais da metade das mulheres imigrante inseridas no mercado de trabalho brasileiro possuem Ensino Médio completo ou Ensino Superior completo, e quando verificada suas ocupações no mercado, foi possível perceber que se inserem em profissões que exigem baixos níveis educacionais, isso caracteriza que mulheres estrangeiras estão sobreeducadas.

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INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como objetivo central compreender as experiências vivenciadas pelas mulheres estrangeiras no mercado de trabalho na sociedade hospedeira, comparando-as aos homens imigrantes internacionais. Esse trabalho torna-se ainda mais relevante quando percebemos que se sabe muito pouco sobre essas estrangeiras no país, as quais, por muito tempo, foram negligenciadas nos estudos sobre migração.

Ao chegar ao país de destino (neste caso o Brasil), o(a)s estrangeiro(a)s, em idade ativa, precisam garantir a sobrevivência e a permanência deles no local de acolhimento. Para isso, majoritariamente, eles necessitam inserir-se no mercado de trabalho. Com o intuito de compreender essa inserção no mercado de trabalho brasileiro, esse artigo tem como foco entender: a) a situação da(o)s estrangeiros no mercado de trabalho por grupos étnicos nacionais; b) se os níveis educacionais do(a)s estrangeiro(a)s correspondem aos níveis esperados nas profissões que ocupam no Brasil e se há uma menor correspondência entre as estrangeiras do que entre os estrangeiros; c) e se há desvantagem salarial comparando homens e mulheres em situação de migração.

1. MERCADO DE TRABALHO PARA ESTRANGEIRAS

Segundo Oliveira Assis (2007), tanto as mulheres que chegaram nas primeiras correntes migratórias no Brasil, quanto as mulheres migrantes contemporâneas se deparam com um mercado segmentado por gênero e que ainda, embora muitas mulheres tenham melhor escolarização e qualificação do que os homens, elas são inseridas em ocupações tradicionalmente reconhecidas como "femininas". Dessa forma, mulheres imigrantes defrontam-se com a limitação diretamente ligada ao gênero, pois o mercado de trabalho feminino, por si só, é mais limitado do que o dos homens (Carvalho, 2014). De acordo com Dutra (2012, p. 58) “as necessidades dessas mulheres imigrantes no mundo as tornam mais vulneráveis e muito mais expostas aos riscos decorrentes da mobilidade espacial”.

Segundo Egreja (2011), na primeira inserção no mercado de trabalho, é comum os imigrantes exercerem funções nos setores considerados

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desqualificados da economia. Isso faz com que o/a estrangeiro(a) tenha um percurso descendente em relação ao que tinha anteriormente em seu país de origem (se pensando na posição social hierárquica).

A partir do exposto acima, com relação à entrada de estrangeiras no mercado de trabalho brasileiro, no artigo completo haverá uma discussão mais aprofundada sobre este mercado para homens e mulheres estrangeiras.

2. METODOLOGIA

Para a análise sobre a situação das estrangeiras no mercado formal de trabalho brasileiro, utilizamos um importante instrumento de coleta de dados: a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS de 2015. A escolha pelo ano de 2015 é pelo fato de se tratar de uma das bases mais recentes da RAIS e de trazer o ano de chegada do imigrante ao Brasil. As variáveis que estruturam o banco analisado são: sexo, idade, nacionalidade, escolaridade, ano de entrada no país, remuneração e ocupação. Os dados fazem parte de um extrato de estrangeiros presentes na base de dados original da RAIS e, portanto, são dados desagregados até o nível dos indivíduos.

3. RESULTADOS

No ano de 2015, contamos com o total de 173,847 mil estrangeiros registrados formalmente no mercado de trabalho brasileiro. Ao fazer as análises por sexo, temos que 46,902 mil (26,36%) são mulheres e 126,954 mil (73,64%) são homens. A nacionalidade com maior concentração é a Haitiana. Do total de haitianas e haitianos nos registros da RAIS temos que 8,69% são haitianas e 35,08% homens haitianos.

A idade do trabalhador será considerada de 18 anos a 65 anos nesta análise entre Imigrantes. Principalmente pelo fato de ser a faixa onde há maior concentração de imigrantes no mercado brasileiro. Nesta faixa de idade, estrangeiros apresentavam escolaridade com maior concentração no Ensino Médio Completo (35,73%). Do total de mulheres, as que possuem Ensino Médio completo são 35,61% e dos homens são de 35,77%.

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Para estre trabalho, com base em todas as ocupações apresentadas pela RAIS, criou-se grandes grupos ocupacionais. Nesses grandes grupos, a ocupação em que as mulheres estão mais concentradas, trata-se da categoria: Trabalhadores dos Serviços, Vendedores do Comércio em Lojas e Mercados com 29,17%. Já os homens lideram na categoria: Trabalhadores da Produção de Bens e Serviços Industriais com 32,97%.

Quando se trata da renda dos trabalhadores imigrantes, temos como base o salário mínimo brasileiro (SM) no ano de 2015 que era de R$788,00. Mulheres estrangeiras se concentram nas faixas que vão de 1 a 2 SM (37,92%), seguido de Menos de um salário mínimo (26,88%) e em terceiro lugar 2 a 3 SM (9,71%). Já homens estrangeiros estão concentrados nas faixas 1 a 2 SM (32,75%), seguido de Menos de um salário mínimo (26,21%), e de 2 a 3 SM (15,25%).

Outro dado da análise trata da sobreeducação das mulheres imigrantes, foi criado um índice que utilizava as variáveis: Ocupação, Grau de Instrução e a média educacional. Mulheres imigrantes estão sobreeducadas no mercado de trabalho são 23,394 mil (55,57%). É possível perceber que mais da metade das mulheres imigrante no mercado possuem Ensino Médio completo ou Ensino Superior completo, e elas, portanto, estão inseridas em maior proporção em profissões que exigem níveis educacionais mais baixos. Isso demonstra que mulheres imigrantes apresentam uma perda de Capital Humano, isso quer dizer que elas deixem suas características produtivas de lado e embarquem no setor da economia que as acolhe.

Essas são análises preliminares dos dados. As análises mais aprofundadas serão tratadas no artigo completo, que apresentará as tabelas e gráficos. 4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Capítulo de livro

EGREJA, C.; PEIXOTO, J. Caminhos limitados ou mobilidade bloqueada? A mobilidade socioprofissional dos imigrantes brasileiros em Portugal. Sociologia, Problemas e Práticas, n. 67, p. 43-64, 2011. ISSN 2182-7907.

MIRANDA, Joana. Mulheres em contexto migratório. Figurantes ou protagonistas? In: NEVES, Sofia; Gênero e ciências sociais, p. 197-214. Edições ISMAI, 2011.

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OLIVEIRA ASSIS, G. Mulheres migrantes no passado e no presente: gênero, redes sociais e migração internacional. Estudos Feministas, p. 745-772, 2007. ISSN 0104-026X.

Artigo de periódico

ALENCAR RODRIGUES, R.; STREY, M. N.; ESPINOSA, L. C. Marcas do Gênero nas Migrações Internacionais. Psicologia & Sociedade, v. 21, n. 3, 2010. ISSN 1807-0310.

CAVALCANTI, L. et al. A inserção dos imigrantes no mercado de trabalho brasileiro. Brasília: Cadernos do Observatório das Migrações Internacionais; Ministério do Trabalho/ Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração. Brasília, DF: OBMigra, 2015.

BATISTA, N. N. F.; CACCIAMALI, M. C. Diferencial de salários entre homens e mulheres segundo a condição de migração. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 26, n. 1, p. 97-115, 2009.

DUTRA, D. Mulheres migrantes peruanas em Brasília. O trabalho doméstico e a produção do espaço na cidade. Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 20, n. 39, 2012. ISSN 2237-9843.

______. Mulheres, migrantes, trabalhadoras: a segregação no mercado de trabalho. Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 21, n. 40, 2013. ISSN 2237-9843.

VILELA, E. M. Desigualdade e discriminação de imigrantes internacionais no mercado de trabalho brasileiro. Dados-Revista de Ciências Sociais, v. 54, n. 1, p. 89-129, 2011.

VILELA, E. M.; SAMPAIO, D. P. Um olhar sobre as autorizações de permanência a estrangeiros no Brasil, entre 2005 e 2011. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 32, n. 1, p. 25-48, 2015. ISSN 1980-5519.

VILELA, E.; MURTA COLLARES, A. C.; AYER DE NORONHA, C. L. MIGRAÇÕES E TRABALHO NO BRASIL. Fatores étnico-nacionais e raciais. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 30, n. 87, 2015. ISSN 0102-6909.

Tese, dissertação e outros trabalhos acadêmicos

FORNASIER, J. Imigrantes no mercado de trabalho formal do Rio Grande do Sul: conflitos gerados pela cultura organizacional. Trabalho de conclusão de curso na Escola de Administração - Universidade Federal do RioGrande do Sul,2015.

CARVALHO, A. F. B. Processos de discriminação de profissionais qualificadas e imigrantes em contextos tipicamente masculinos: um contributo para a gestão da diversidade. Dissertação (Mestrado), Universidade de Minho, Escola de Economia e Gestão, 2014.

Referências

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