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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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Relatório Final

Estágio Profissionalizante

Mestrado Integrado em Medicina

André Ferreira Fonseca | 2014172

Orientador: Professor Doutor Albino Maia Regente: Professor Doutor Rui Maio

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Agradecimentos

Aos companheiros de farda, e à minha segunda família, membros da Banda Filarmónica de Penedono. Pelos inesquecíveis momentos que já vivemos e pelas adversidades que ultrapassámos.

Aos melhores que esta Faculdade me apresentou e que levo comigo. Ana, Diogo, Filipa, Inês, Isabel, Margarida, Patrícia e Sara. A vossa companhia e apoio tornou tudo mais fácil e nunca me deixou desistir.

À Cátia, pela magnífica ilustração da Mui Nobre Faculdade.

À minha irmã, por sempre acreditar em mim, mais que qualquer outra pessoa no mundo. Pelo teu exemplo diário de bondade, trabalho e dedicação.

Aos meus avós, pelo orgulho que sempre manifestaram em mim.

Aos meus pais, a quem devo tudo. Pelo vosso trabalho duro, de sol-a-sol, para que nada me faltasse. Pela total confiança e apoio em todos os meus projetos. E por todas as palavras que me faltam. À Tânia, companheira de todos os meus projetos. Por estares sempre presente. Por seres um exemplo de bondade, generosidade e retidão. Por todos os dias me fazeres querer ser mais e melhor.

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“Não sei o que nos espera, mas sei o que me preocupa: é que a medicina, empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana e ignore a individualidade única de cada pessoa que sofre, pois embora se inventem cada vez mais modos de tratar, não se descobriu ainda a forma de aliviar o sofrimento sem empatia ou compaixão.”

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Índice

Lista de Abreviaturas ... 5

1. Introdução ... 6

2. Síntese das Atividades Desenvolvidas ... 7

• Estágio Parcelar de Pediatria ... 7

• Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 7

• Estágio Parcelar de Saúde Mental ... 8

• Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 9

• Estágio Parcelar de Medicina ... 9

• Estágio Parcelar de Cirurgia... 10

3. Elementos Valorativos ... 10

4. Reflexão Crítica ... 11

5. Bibliografia ... 14

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Lista de Abreviaturas

Dr. - Doutor

Dra. - Doutora

MCD – Meios Complementares de Diagnóstico

MGF – Medicina Geral e Familiar

NOC – Norma de Orientação Clínica

SINAVE – Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica

SU – Serviço de Urgência

UC – Unidade Curricular

UCERN – Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais

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1. Introdução

O Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas procura orientar os jovens aspirantes a médicos, fazendo a ponte entre o seu sonho e o início da sua profissão. Assim, assegura a aquisição de diversas competências essenciais ao jovem médico licenciado, para que ele possa desempenhar de forma segura e correta a sua função. Para além disso, deve incutir métodos de procura ativa pela informação, que está em constante renovação, e que é responsável pela contínua formação essencial a toda a carreira médica.1

Se os primeiros anos são encarregues de alicerçar o futuro médico, os últimos são importantes para o apresentar ao mundo real, conjugando a teoria com a dificuldade da prática do dia-a-dia. Este último ponto vai ganhando força na segunda metade do curso, com o seu apogeu neste ano final, um ano em tudo dedicado à prática clínica. Trata-se de um ano constituído por 6 Unidades Curriculares (UC), Medicina, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental e Medicina Geral e Familiar. Para estes estágios, e com vista no “Licenciado Médico em Portugal”1, defini um conjunto de objetivos gerais a servir de código de conduta e de metas a alcançar, a referir:

• Demonstrar zelo, pontualidade e assiduidade;

• Ser capaz de integrar as equipas, contribuindo para uma boa dinâmica entre todos os profissionais de saúde;

• Ser empático e desenvolver uma comunicação eficaz com doentes, familiares e todos os profissionais de saúde;

• Aplicar e consolidar os conteúdos adquiridos em anos anteriores;

• Manter uma atitude proativa de procura crítica e permanente de informação médica;

• Adquirir autonomia progressiva, terminando cada estágio com segurança em desempenhar as funções mais executadas sob supervisão;

• Ser capaz de realizar uma boa entrevista clínica e um exame objetivo completo, apresentar um diagnóstico diferencial e propor Meios Complementares de Diagnóstico (MCD) e plano terapêutico para as patologias mais frequentemente observadas;

Com este relatório pretendo descrever as atividades realizadas no decorrer do meu estágio profissionalizante. Portanto, apresenta-se agora uma síntese das atividades desenvolvidas em cada estágio parcelar realizado, seguida dos elementos valorativos e terminando numa breve reflexão crítica.

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2. Síntese das Atividades Desenvolvidas

Estágio Parcelar de Pediatria

O meu estágio parcelar de Pediatria teve lugar no Hospital Dona Estefânia, particularmente na Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais (UCERN). Foi realizado com a orientação da Dra. Sara Nóbrega, estendendo-se durante quatro semanas, entre 9 de setembro de 2019 a 4 de outubro de 2019. Defini como objetivos específicos para este estágio o aprimoramento da anamnese e realização do exame objetivo particularmente nas crianças e lactentes, aprender a comunicar eficazmente com as crianças e adolescentes e seus familiares e por fim, reconhecer as mais prevalentes patologias abordadas por esta especialidade.

A grande maioria desta formação passou-se na UCERN, que é uma unidade especializada em cuidados respiratórios e nutricionais, ainda que a totalidade dos internamentos durante o meu período de estágio tenham sido por necessidades nutricionais decorrentes de Síndrome do Intestino Curto. Nesta unidade, foram-me atribuídos um a dois doentes todos os dias, tendo sido responsável por realizar a sua avaliação e respetivos registos clínicos. Dado os grandes períodos de internamento nesta unidade, contactei apenas com 10 doentes. A consulta de Gastrentrologia foi também uma valência importante na qual contactei com uma área mais especializada da Pediatria, contudo, que aborda algumas das patologias mais frequentes nesta faixa etária. Assisti a um total de 29 consultas, uma das quais tive oportunidade de conduzir, servindo posteriormente de base à realização de uma história clínica. A patologia mais observada foi por larga margem a obstipação funcional. Acompanhei ainda a Dra. Sara no Serviço de Urgência (SU), local onde observei maior número de patologias e me permitiu maior aquisição de competências, com realização sistemática de diversos exames objetivos e participação no raciocínio clínico e elaboração de plano terapêutico. Aqui, tive ainda a oportunidade de conduzir diversas entrevistas clínicas. Por fim, participei pontualmente em diversas atividades, nomeadamente técnicas de Gastrenterologia e Consulta de Imunoalergologia.

O estágio terminou com a apresentação de um seminário intitulado “Febre e Petéquias”, com apresentação de um caso clínico observado no serviço de urgência, seguido de breve revisão teórica sobre o Parechovírus.

Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia

O meu estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia foi realizado na Maternidade Alfredo da Costa. Teve a duração de quatro semanas, entre 7 e 31 de outubro de 2019, sendo que as duas primeiras

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8 foram dedicadas à Ginecologia, sob a orientação da Dra. Patrícia Amaral, e as duas últimas à Obstetrícia, sob a orientação da Dra. Andreia Miguel.

Defini como objetivos específicos para este estágio o ser capaz de reconhecer as mais prevalentes patologias do foro ginecológico e da mulher grávida incluindo urgências/emergências e o aperfeiçoamento da anamnese e exame ginecológico.

O estágio da área de Ginecologia foi realizado em 3 grandes componentes: Consulta, SU e Bloco Operatório. Acompanhei a Dra. Patrícia Amaral nas suas consultas de Uroginecologia, tendo assistido a um total de 21 consultas. Nestas, sem dúvida que a grande maioria foi por motivo de incontinência urinária. Assisti ainda a outras consultas especializadas, nomeadamente Menopausa e Patologia do Colo do Útero. Foi no SU e na Sala de Partos que contactei com maior diversidade de patologias, sendo também esta a atividade que contribuiu para maior consolidação dos requisitos a adquirir. Observei neste contexto 33 doentes, tendo realizado vários exames ginecológicos. Tive também a oportunidade de participar em 2 cirurgias de urgência, uma torção anexial e uma gravidez ectópica. Por último, observei vários partos eutócicos, distócicos e ainda uma cesariana.

Na área da obstetrícia, acompanhei a Dra. Andreia Miguel na enfermaria materno-fetal e participei em diversas consultas, a referir, Consulta de Referenciação, Consulta de Gravidez Indesejada, Consulta de Alto Risco e Consulta de Diabetes Gestacional.

O estágio terminou com a apresentação de um caso clínico intitulado “Torção Anexial: Revisão teórica a propósito de caso clínico”, onde apresentei um caso observado na urgência.

Estágio Parcelar de Saúde Mental

O estágio de Saúde Mental foi realizado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, especificamente na clínica 1 do pavilhão 24. O estágio teve a duração de 4 semanas, de 4 a 29 de novembro de 2019, sob a orientação da Dra. Rita Mateiro. Tive como objetivos específicos para este estágio, aperfeiçoar a minha abordagem e a realização da entrevista clínica, particularmente em doentes em internamento compulsivo, e ainda sedimentar a abordagem terapêutica das principais síndromes observadas. O meu estágio assentou em 3 vertentes: Internamento, Consulta Externa e SU. O Internamento foi a atividade à qual despendi mais tempo. Aqui, acompanhei a Dra. Rita Mateiro na sua reavaliação diária dos doentes internados no serviço. Nesta valência, pude acompanhar diversos doentes e avaliar a sua evolução. Tive também a oportunidade de conduzir uma entrevista que serviu de apoio à realização de uma história clínica. Todas as semanas participei na consulta da minha tutora, acompanhando no total 22 consultas. Neste âmbito, 50% das consultas foram realizadas por episódio depressivo e

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9 perturbação depressiva recorrente. Por fim, estive também no SU. Aqui tive contacto principalmente com doentes com episódios depressivos e tentativa de suicídio ou ideação suicida.

Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar

Realizei o estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar (MGF) na USF Alfa Beja. Teve a duração de quatro semanas, com início a 2 de dezembro de 2019 e término a 10 de janeiro de 2020, com a orientação do Dr. Ricardo Henriques.

Defini como objetivos específicos para este estágio a sistematização do exame objetivo dirigido, identificar sinais de referenciação ao SU ou a consulta especializada, criar empatia com o doente e ser capaz de realizar uma entrevista clínica completa e por fim, pedir MCD e traçar um plano terapêutico das principais patologias observadas em contexto de cuidados de saúde primária.

Durante este estágio assisti a mais de 250 consultas tendo-me sido atribuído um aumento gradual de autonomia. Na primeira semana assisti às entrevistas clínicas, fiquei responsável por fazer todos os exames objetivos e participei na marcha diagnóstica e terapêutica. A partir da segunda semana, fui eu a fazer os registos, a requisitar MCD e a sugerir plano terapêutico. Por fim, nas duas últimas semanas fui eu a conduzir toda a entrevista, respetivos registos e realização de exame objetivo, sempre com discussão com o meu tutor. Dirigi cerca de meia centena de entrevistas, sendo que houve contacto com todas as vertentes desta especialidade. Destas, destaco a Consulta de Intersubstituição, semelhante à urgência, na qual contactei com uma grande diversidade de patologias.

Ainda durante o meu estágio, apresentei para o serviço a NOC 50/2011 referente a “Prescrição Imagiológica da Cabeça e Pescoço: Tomografia Computadorizada Crânio-encefálica”

Estágio Parcelar de Medicina

O estágio de Medicina foi realizado no Serviço de Medicina III do Hospital de São Francisco Xavier. Teve a duração de sete semanas e um dia, com início a 20 de janeiro e término forçado a 9 de março de 2020 no contexto da COVID-19, e fui integrado na equipa do Dr. Manuel Araújo.

Para este estágio, defini como objetivos integrar-me no serviço e aprender a comunicar eficazmente com todos os profissionais nele existentes, sistematizar a avaliação dos doentes em internamento nomeadamente anamnese e exame objetivo, aprender a criar registos claros e completos e ainda aprender a apresentar/passar doentes nas reuniões de serviço.

Todos os dias foram marcados pela minha assiduidade na enfermaria, na qual fiquei responsável pela observação de 1 a 2 doentes, bem como pelo registo do respetivo diário e sugestão de plano de MCD

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10 e terapêutico. Observei, neste contexto, um total de 20 doentes, número algo reduzido, derivado ao prolongado tempo de internamento de alguns doentes da equipa por razões sociais. Todas as semanas atendi também ao SU, acompanhando a Dra. Luciana Frade. No SU tive a oportunidade não só de contactar com mais patologias e num contexto mais agudo e descompensado, mas também de dirigir várias entrevistas clínicas. Por fim, tive ainda a oportunidade de participar na consulta de Medicina Interna, particularmente consulta de Diabetes e Hipertensão Arterial, e na consulta de Cuidados Paliativos.

No decorrer deste estágio, apresentei um seminário intitulado “Relação Médico-Doente”, que abordou alguns subtemas deste vasto mundo, sobretudo a perspetiva histórica e sua evolução, doente em fim de vida e “olhos-nos-olhos vs olhos-no-computador”.

Estágio Parcelar de Cirurgia Geral

O Estágio parcelar de Cirurgia Geral, felizmente, foi o meu único estágio a ser totalmente afetado pela pandemia da COVID-19. Por este motivo todas as atividades presenciais estiveram suspensas, tendo o estágio prático sido substituído por três valências. A primeira incluiu a divulgação de diversas aulas teóricas, nomeadamente as correspondentes ao curso de trauma. A segunda incluiu a discussão de casos clínicos. A terceira envolveu a apresentação de seminários na qual fiz uma apresentação intitulada “Colangiocarcinoma – Tumor de Klatskin”.

3. Elementos Valorativos

Todo o meu percurso académico foi realizado em paralelo com o meu interesse pelo associativismo, particularmente no âmbito musical. Com efeito, em junho de 2015 tornei-me Diretor Artístico da Banda dos Bombeiros Voluntários de Penedono, na qual estive presente até ao ano de 2018. Desde então, sou Diretor Artístico e Presidente da Direção da atual Associação Cultural e Recreativa Banda Filarmónica de Penedono, bem como um dos seus fundadores. Num concelho pequeno e sem grandes coletividades, esta associação tem desempenhado um papel importante no ensino de solfejo e de diversos instrumentos musicais de forma gratuita. Vivendo num mundo digital em que os nossos jovens passam horas infindáveis em frente a ecrãs, esta associação procura, para além do ensino de música, fomentar o convívio, criar amizades e contribuir para um melhor bem-estar da comunidade que a acolhe. (Anexo 2)

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11 Com o Mundo coberto por uma cortina de incertezas e com todas as suas crenças abaladas por uma pandemia que nos fez questionar de uma forma particularmente intensa toda a razão de ser, procurei dar o meu pequeno contributo. Assim, e ainda que pouco significante, voluntariei-me para o Hospital CUF Sintra, onde estive, juntamente com diversos colegas, a ajudar a notificar na plataforma SINAVE os resultados dos testes realizados no âmbito da COVID-19. Dediquei 2 manhãs, num total de 10 horas, a esta causa. (Anexo 3)

Durante este ano final, e apesar de ter visto diversas atividades canceladas, participei em alguns

Workshops E-Learning que me permitiram explorar alguns temas que considerei relevantes:

• Workshop E-Learning “Abuso Sexual e Pedofilia”; (Anexo 4) • Workshop Online “Psico-Oncologia no Adulto”; (Anexo 5) • Workshop Online “Intervenção Psicológica no Luto”; (Anexo 6) • Workshop “Psicogerontologia Clínica - 1ª edição”; (Anexo 7)

4. Reflexão crítica

Finda mais um ano e, com ele, a primeira etapa do longo percurso que ainda se segue. O estágio profissionalizante é, desta forma, o resultado não de um, mas de seis anos de trabalho. Olhando para trás, apercebo-me que o estágio a que temos acesso desde o 3º ano nos foi dando uma capacidade gradual de aprender como o mundo médico funciona, permitindo uma integração suave e sistematizada. Culminou, assim, num ano que considero proveitoso, com a maioria dos meus objetivos alcançados. Foi, sem dúvida, um ano de muito trabalho, mas acima de tudo de superação pessoal.

Iniciando pelo estágio de Pediatria, a primeira vantagem consistiu, logo ao início, por ter sido o único aluno sob a orientação da Dra. Sara Nóbrega. Isto permitiu que todos os exames objetivos fossem realizados por mim, o que me deixou muito mais confortável na abordagem com crianças, como pude confirmar posteriormente no estágio de MGF. Para além disso, tive a minha primeira experiência a dirigir uma entrevista clínica. Esta oportunidade foi como que um choque que me fez aperceber das muitas dificuldades que existiam. Orgulho-me, no entanto, da evolução que consegui nesse aspeto. Este estágio ajudou-me ainda a perceber a dificuldade em lidar com os pais, por vezes mais difícil que as próprias crianças, e chamou-me à atenção para o profundo impacto emocional causado pelo

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12 internamento dos seus filhos. Pecou o estágio pela UCERN, que por ser uma unidade especializada limitou o contacto a poucas patologias e procedimentos.

Encontrei o estágio de Ginecologia e Obstetrícia também muito positivo. Apesar de me encontrar sob a orientação da Dra. Patrícia Amaral, Uroginecologista, foi-me dada a oportunidade de participar num grande número de consultas especializadas, o que me permitiu contactar com diversas subáreas da Ginecologia. No SU, a minha participação foi mais ativa, com a realização de vários exames ginecológicos, sentindo-me agora muito mais confortável na sua realização. Ainda nesta valência, o auge foi, sem dúvida, a minha participação em duas cirurgias em contexto de urgência, já que foi a minha primeira experiência no bloco e, com a suspensão do estágio de cirurgia, também a última. Foi no estágio de Saúde Mental que senti uma menor evolução a nível pessoal, até porque acabou por ser um estágio praticamente observacional. Também no SU, apesar da minha assiduidade, acabei por ver um número muito reduzido de doentes. O ponto mais forte foi a consulta externa, na qual observei um número considerável de doentes. Contudo, também aqui a variedade de patologias não foi muito extensa, com metade dos doentes a recorrer por episódio depressivo ou perturbação depressiva recorrente. Ainda assim, foi um estágio proveitoso no qual contactei com algumas das patologias mais frequentes, tendo sido útil para consolidar algumas noções de terapêutica, particularmente a importância da revisão terapêutica e, acima de tudo, para relembrar a obrigatoriedade da exclusão de patologia orgânica no SU, antes de pedir apoio à Psiquiatria.

Por outro lado, foi no estágio de MGF que senti maior evolução pessoal. Neste estágio, tive um aumento gradual da minha autonomia, terminando as duas últimas semanas a dirigir cerca de meia centena de entrevistas clínicas, sempre com o apoio do meu tutor. Se inicialmente era difícil manter o fio condutor, fazer registos corretos ou perguntar tudo o que era devido, com o decorrer das consultas tornei-me muito mais organizado e sistematizado. Para além disso, ao terminar o estágio a minha proposta terapêutica ia quase sempre ao encontro da sugestão do meu tutor, o que me deixou mais confiante relativamente à prescrição terapêutica, um tópico no qual sempre me senti muito inseguro. Resumindo, foi um estágio extremamente prático desde o momento inicial, e se assisti a mais de duas centenas e meia de consultas, em todas fui responsável por realizar o exame objetivo, o que me fez ganhar muita segurança e confiança.

O estágio de Medicina foi também muito desafiante. Foi o estágio em que senti mais responsabilidade, pelo facto de ter de apresentar os doentes nas visitas e reuniões de serviço. Isto obrigou-me a conhecer bem o doente, o seu historial médico e a sua situação atual. Por sua vez, a complexidade dos doentes obrigou-me também a estudar mais. Com o decorrer do estágio fui apresentando melhores registos,

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13 melhor comunicação com os familiares e sinto que tive intervenções mais oportunas na discussão dos doentes. Uma vez mais, no SU tive oportunidade de dirigir algumas entrevistas. Contudo, talvez pelo contexto agudo e mais grave dos doentes, admito que foi novamente difícil manter o rigor e sistematização adquirida no estágio anterior. Ainda como ponto positivo destaco o meu contacto com os Cuidados Paliativos e que me despertou muito interesse. Como ponto negativo, destaco a quase inexistência de procedimentos práticos.

Relativamente ao estágio de Cirurgia Geral, as palavras são poucas. Tratando-se de uma especialidade com grande componente prática, obviamente que essa parte não poderia ser substituída por vídeos ou aulas teóricas. Todos perdemos. Ainda assim, os seminários apresentados foram úteis por fazerem uma revisão de temas importantes do mundo da Cirurgia Geral.

A nível de atividades extracurriculares, durante o 6º ano, apesar de ter visto vários congressos e

workshops em que estava inscrito serem cancelados, participei em alguns workshops via internet,

direta ou indiretamente relacionados com algumas das minhas áreas de eleição, nomeadamente a gerontologia, ou que serão alvo de avaliação na prova do próximo ano. Destaco também a minha presença numa associação que, mais do que música, pretende incutir valores nos jovens do meu concelho. Para este projeto, tenho me inspirado no modelo “El Sistema”, originário da Venezuela, que foi já adotado em Portugal com a criação da Orquestra Geração e que utiliza a música enquanto projeto social, sendo constituída maioritariamente por jovens de escolas das regiões mais desfavorecidas de Lisboa. Também eu acredito na música enquanto uma solução. Podemos ver a sua aplicação particularmente na área da Saúde Mental, com a musicoterapia, que apesar de ainda pouco utilizada no nosso país, tem mostrado resultados muito favoráveis. Inclusivamente, parece mostrar, em alguns estudos, potencial para redução das doses necessárias de neurolépticos e antidepressivos, permitindo assim uma diminuição dos efeitos colaterais farmacológicos.2

Terminam assim 6 anos de muito trabalho e dedicação. Em retrospetiva, faço um balanço positivo da minha prestação ao longo do curso e particularmente neste ano final, pelo que concluo esta etapa com a sensação de dever cumprido. Os objetivos traçados foram globalmente alcançados e acredito que o trabalho desenvolvido me deu bases fortes para enfrentar o futuro próximo. Consciente de que falta ainda muito para ser médico especialista e de que a minha aprendizagem não cessará, termino a minha breve passagem pela Faculdade de Ciências Médicas com a mesma garra com que nela entrei pela primeira vez.

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6. Bibliografia

1 Victorino, R., Jollie, C., e McKimm, J. O licenciado médico em Portugal. Core graduates learning

outcomes project. Julho 2005.

2 Degli Stefani M, Biasutti M. Effects of Music Therapy on Drug Therapy of Adult Psychiatric

Outpatients: A Pilot Randomized Controlled Study. Front Psychol. 2016;7:1518. Published 2016 Oct 7. doi:10.3389/fpsyg.2016.01518

6. Anexos

Anexo 1 - Organização dos Estágios e Apresentações realizadas.

Anexo 2 – Declaração Banda Filarmónica de Penedono.

Anexo 3 - Voluntariado no Hospital CUF Sintra no âmbito da pandemia Covid-19.

Anexo 4 - Workshop E-Learning “Abuso Sexual e Pedofilia”.

Anexo 5 - Workshop Online “Psico-Oncologia no Adulto”.

Anexo 6 - Workshop Online “Intervenção Psicológica no Luto”.

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Anexo 1: Organização dos Estágios e Apresentações realizadas.

Estágio Local de Estágio Orientador Apresentações Realizadas Autores Pediatria (9/09/2019-4/10/2019) UCERN – Hospital Dona Estefânia Dra. Sara Nóbrega

“Febre e Petéquias” André Fonseca, Isabel Loureiro e Margarida Espanhol Ginecologia e Obstetrícia (7/10/2019-31/10/2019) Maternidade Alfredo da Costa Dra. Patrícia Amaral Dra. Andreia Miguel “Torção Anexial – Revisão Teórica a Propósito de Caso Clínico” Ailine Fernandes, André Fonseca e Beatriz Santamaria Saúde Mental (4/11/2019-29/11/2019) CHPL Dra. Rita Mateiro - - Medicina Geral e Familiar (2/11/2019-10/01/2020) USF Alfa Beja Dr. Ricardo Henriques “Prescrição Imagiológica da Cabeça e Pescoço: Tomografia Computadorizada Crânio-encefálica” (NOC 50/2011) André Fonseca Medicina (20/01/2020-9/03/2020) Medicina III – Hospital de São Francisco Xavier Dr. Manuel Araújo “Relação Médico-Doente” André Fonseca, Ema Faria e Mariana Megre Cirurgia Hospital da Luz Dr. João Rebelo de Andrade “Colangiocarcinoma – Tumor de Klatskin” André Fonseca, Diana Carmo, Diogo Santos, Mariana Casqueiro

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Referências

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