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Relatório de Estágio realizado na Farmácia de Gondarém

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Academic year: 2021

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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia de Gondarém

Setembro de 2014 a Março de 2015

Rita Carriço Pessoa Jorge

Orientador : Dra. Sofia Dias Vasconcelos Teixeira

_______________________________________________

Tutor FFUP: Professora Doutora Glória Queiroz

_____________________________________________

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Declaração de Integridade

Eu, Rita Carriço Pessoa Jorge__, abaixo assinado, nº _200901240_, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento.

Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de _____________ de _____

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Agradecimentos

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à equipa da Farmácia de Gondarém, em especial à Drª Sofia Dias, por todo apoio disponibilizado ao longo destes seis meses e por terem contribuído para esta etapa da minha vida profissional, dando-me a conhecer o importante papel do farmacêutico na sociedade.

Agradeço, também, à Professora Doutora Glória Queiroz por me ter tão bem guiado na elaboração deste relatório, pela ajuda prestada, pela a atenção disponibilizada e pela prontidão nas respostas a todas as minhas dúvidas.

Aos meus colegas de curso, agradeço a amabilidade com que me apoiaram ao longo deste estágio e durante a elaboração deste trabalho, mostrando-se sempre disponíveis para me ajudar nas dúvidas que foram surgindo.

Por fim, e não menos importante, quero agradecer à minha família e amigos, pela paciência, apoio e cooperação ao longo dos cinco anos de curso.

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Índice

Introdução à Farmácia Comunitária ... 1

1 Organização da Farmácia ... 1

1.1 Localização e caracterização da população ... 1

1.2 Recursos humanos ... 1

1.3 Organização dos espaços físicos ... 1

2 Fontes de Informação ... 3

3 Produtos de Venda na Farmácia ... 3

3.1 Medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) ... 4

3.2 Medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) ... 4

3.3 Medicamentos e produtos veterinários ... 4

3.4 Produtos homeopáticos ... 4

3.5 Suplementos alimentares ... 5

3.6 Produtos para alimentação especial ... 5

3.7 Produtos fitoterapêuticos ... 6 3.8 Produtos dermofarmacêuticos ... 6 3.9 Dispositivos médicos ... 7 4 Encomendas e Aprovisionamento ... 7 4.1 Elaboração de encomendas ... 8 4.2 Receção de encomendas ... 8 4.3 Política de devoluções ... 9

4.4 Controlo de prazos de validade (PV) ... 9

5 Dispensa de Medicamentos ... 10

5.1 Análise da prescrição ... 10

5.2 Regimes de comparticipação ... 11

5.3 Dispensa de psicotrópicos e estupefacientes ... 11

5.4 Medicamentos e produtos manipulados ... 12

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7 Outros Cuidados Prestados na Farmácia ... 14

8 Valormed ... 15

A Importância do Aconselhamento Farmacêutico ... 16

1 Uso Racional do Medicamento ... 18

1.1 Indicação farmacêutica face à automedicação ... 20

1.2 Uso inadequado de antibióticos ... 26

2 Promoção de Saúde Pública – Semana de Vida Saudável ... 31

2.1 Enquadramento do estudo ... 31

2.2 Estilo de Vida Saudável ... 31

2.3 Atividades desenvolvidas ... 36

Conclusões Finais ... 38

Bibliografia ... 39

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Índice de Abreviaturas

ANF – Associação Nacional de Farmácias ARS – Administração Regional de Saúde AVC – Acidente Cardiovascular

c- HDL – Colesterol HDL c- LDL – Colesterol LDL

DCI – Denominação Comum Internacional DCV – Doença Cardiovascular

DGS – Direção-Geral de Saúde DM – Diabetes mellitus

ECDC – European Centre for Disease Prevention and Control FEFO – First Expired First Out

FG – Farmácia de Gondarém IMC – Índice de Massa Corporal

INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P. MNSRM – Medicamento Não Sujeito a Receita Médica

MSRM – Medicamento Sujeito a Receita Médica OMS – Organização Mundial de Saúde

PA – Pressão Arterial

PAD – Pressão Arterial Diastólica PAS – Pressão Arterial Sistólica PNV – Plano Nacional de Vacinação PV – Prazo de Validade

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vii RMA – Resistência Microbiana aos Antibióticos

SNS – Serviço Nacional de Saúde

WAAAR – World Alliance Against Antibiotic Resistance

Índice de Figuras

Figura 1: Propagação de resistência bacteriana a fármacos... 28

Figura 2: Mecanismos biológicos de resistência a antibióticos... 28

Figura 3: Consumo de antibióticos na Europa, ano 2013... 29

Figura II.A.- Folheto “Antibióticos – Perigo do uso inadequado” (Frente)... 48

Figura II.B.- Folheto “Antibióticos – Perigo do uso inadequado” (Verso)... 49

Figura III.A.- Brochura “Dicas para uma Vida Saudável” (capa e contracapa)... 50

Figura III.B.- Brochura “Dicas para uma Vida Saudável” (páginas interiores)... 51

Figura III.C.- Cartão para determinação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos (frente e verso)... 52

Figura III.D.- Cartão de Rastreio Nutricional... 53

Índice de Tabelas

Tabela 1: Número de laboratórios e de isolados bacterianos não susceptíveis ou resistentes reportados, entre 2003 e 2013, em Portugal... 27

Tabela 2: Definições e classificações dos níveis de pressão arterial no consultório (mmHg)... 34

Tabela 3: Classificação da Obesidade... 35

Tabela I.A. – Lista de situações passíveis de automedicação. ... 45

Tabela III. A.- Resultados conjugados das determinações bioquímicas e fisiológicas com o Rastreio Nutricional... 54

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RESUMO

No culminar de cinco anos de formação superior na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, estão reunidas as condições necessárias para a introdução no mercado de trabalho, mais propriamente em farmácia comunitária. A unidade curricular Estágio tem como principal objetivo esta introdução e incentivar o jovem farmacêutico a tirar o maior proveito dos ensinamentos que lhes são passados por colegas profissionais. Este relatório descreve o meu percurso na Farmácia de Gondarém, durante o semestre de Setembro de 2014 a Março de 2015. Com ele, procuro mostrar o trabalho desenvolvido como farmacêutica integrante de uma equipa profissional e a minha aprendizagem ao longo desse período.

Adicionalmente, como proposto pelos professores orientadores de estágio, foram desenvolvidos trabalhos com relevância para os cuidados farmacêuticos prestados na Farmácia de Gondarém. Sendo o tema geral a importância do aconselhamento farmacêutico, realizaram-se alguns trabalhos relacionados com o uso responsável do medicamento e a promoção de saúde pública, com o intuito de revelar o alcance do papel do farmacêutico no circuito de cuidados de saúde.

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INTRODUÇÃO À FARMÁCIA COMUNITÁRIA

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Organização da Farmácia

1.1 Localização e caracterização da população

A Farmácia de Gondarém (FG) está instalada na Rua de Gondarém nº360, na zona da Foz, freguesia de Nevogilde, concelho do Porto. A farmácia serve uma zona bastante heterogénea, constituída por área residencial, escolas, clínicas médicas e zonas comerciais, o que lhe confere uma grande diversidade de utentes, apesar de, dado a sua localização, serem maioritariamente de classe média ou média/alta.

1.2 Recursos humanos

A FG é atualmente composta por uma equipa jovem, devidamente habilitada, que aposta nas crescentes formação e inovação, com o objetivo de melhorar as competências internas e as relações de confiança com os seus clientes. Em concordância com o Decreto-Lei nº307/2007, de 31 de Agosto, o quadro é essencialmente constituído por farmacêuticos [1]:

Diretora Técnica – Drª Sofia Dias

Farmacêutica Substituta – Drª Sílvia Portugal Farmacêutica Adjunta – Drª Mariana Sollari Allegro Farmacêutico – Dr João Moutinho

Farmacêutico – Dr Fábio Bezerra Farmacêutica – Drª Joana Vaz

Auxiliares – Branca Mendes e Victor Mendes 1.3 Organização dos espaços físicos

1.3.1 Espaço exterior

Respeitando o artigo 28º do Decreto-Lei nº307/2007, a FG apresenta, na sua fachada, o vocábulo “farmácia” e o símbolo “cruz verde” iluminados, sempre que está aberta, assim como uma placa com a designação da farmácia, o nome do diretor técnico e da proprietária, o horário de funcionamento e informação das farmácias de serviço da

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2 semana decorrente [1]. A acessibilidade é facilitada pela existência de uma rampa de entrada e portas de vidro automáticas. Nas duas montras existentes, a farmácia opta por colocar material publicitário e/ou promocial, sendo este periodicamente modificado.

1.3.2 Espaço interior

No piso 0, encontra-se o espaço de atendimento ao público, sendo este uma área ampla com expositores a toda a volta, quatro balcões de atendimento e ilhas promocionais. Neste local, encontram-se expostos produtos dermocosméticos e de puericultura, separados por marca e gama, produtos de higiene oral, suplementos vitamínicos, entre outros. A exposição dos produtos nas ilhas promocionais é pensada e modificada regularmente pelo farmacêutico responsável de compras, de acordo com a estratégia comercial.

Imediatamente após esta área de atendimento, existe uma divisão de atendimento pessoal, denominada gabinete de atendimento personalizado. Esta divisão, no cumprimento da Portaria nº1429/2007, de 2 de Novembro, apresenta todas a condições de comodidade e privacidade exigidas para a prestação dos cuidados farmacêuticos [2]. Aqui, são efetuadas medições de pressão arterial (PA), testes bioquímicos, testes de gravidez, administrações de vacinas e prestação de primeiros socorros. Além disso, esta sala permite um diálogo confidencial entre o utente e o farmacêutico, quando tal é necessário.

Ainda no piso 0, existe um local de armazenagem que serve de apoio ao atendimento com um posto de trabalho com o software Sifarma2000. Nesta área, podemos destacar a presença de dois sistemas Kardex Pharmatriever, que, devido às suas características, apresentam grandes vantagens para arrumação e atendimento mais rápido e eficiente. Neles estão armazenados xaropes, ampolas bebíveis, dispositivos médicos, produtos de dermocosmética, etc. Além destes sistemas, existe um frigorífico, onde estão reunidos todos os produtos que devem ser conservados entre 2ºC - 8 ºC, e armários e prateleiras com produtos de incontinência urinária e outros de menor rotação.

Por fim, também no piso térreo, existe um anexo onde estão armazenados produtos de maior volume, outros cujas áreas de arrumação já não têm capacidade de receber, produtos considerados “fora de época” (por exemplo, durante o inverno, os protetores solares são guardados nessa zona) e, ainda, material publicitário excedente e o material necessário para o normal funcionamento da FG.

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3 No piso 1, podemos encontrar a zona de receção de encomendas, o laboratório para a preparação de manipulados, o gabinente de fisioterapia, nutrição e aconselhamento dermocosmético e o escritório. Na zona de receção de encomendas, existe um posto de trabalho com Sifarma2000 e um robot com capacidade de armazenar mais de 15000 embalagens. O robot permite uma mais eficaz gestão de stocks e de prazos de validade e dispensa os medicamentos de acordo com a regra “First Expired First Out”

(FEFO), eliminando a probabilidade de erros humanos. O escritório é o local onde se dão as reuniões com delegados de informação médica e onde se efetua a gestão, faturação e verificação de receituário. Como descrito nas Boas Práticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária, o laboratório de manipulação de medicamentos possui temperatura, humidade e ventilação adequadas e superfícies de fácil limpeza, assim como todo o material necessário para as preparações [3].

Em todos os locais de armazenamento, as condições de iluminação, temperatura, humidade e ventilação são controladas, de modo a satisfazer as exigências específicas dos medicamentos e outros produtos, tal como recomendado pelas Boas Práticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária [3].

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Fontes de Informação

A profissão do farmacêutico exige uma constante renovação de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas sobre a utilização correta de medicamentos. Para esse efeito, o farmacêutico deve ter acesso a uma biblioteca atualizada. No decorrer do estágio, aquando da cedência de medicamentos, fui várias vezes confrontada com essa necessidade de esclarecimento de dúvidas, que foi rapidamente resolvida graças à disponibilidade de informações quer a nível eletrónico, no Sifarma2000, quer a nível físico, no Prontuário Terapêutico e no Índice Nacional Terapêutico.

Graças à grande procura por parte dos utentes da FG, tornou-se também bastante importante o estudo e conhecimento dos produtos cosméticos existentes na farmácia. Para tal, tive a oportunidade de participar em algumas formações na área da dermocosmética promovidas pelas marcas Filorga® e Avéne®. Estas formações e a leitura de folhetos e brochuras de outras marcas, assim como o contacto com os delegados, ajudaram muito para um melhor aconselhamento.

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Produtos de Venda na Farmácia

De acordo com o artigo 33º do Decreto-Lei nº307/2007, de 31 de Agosto, os produtos que as farmácias podem fornecer ao público enquadram-se nos seguintes grupos: medicamentos, substâncias medicamentosas, medicamentos e produtos veterinários,

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4 medicamentos e produtos homeopáticos, produtos naturais, dispositivos médicos, suplementos alimentares e produtos de alimentação especial, produtos fitoterapêuticos, produtos cosméticos e de higiene corporal, artigos de puericultura e produtos de conforto [1].

3.1 Medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM)

Segundo o Estatuto do Medicamento (Decreto-Lei nº176/2006, de 30 de Agosto), “estão sujeitos a receita médica os medicamentos que preencham uma das seguintes condições:

a) Possam constituir um risco para a saúde do doente, direta ou indiretamente, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica;

b) Possam constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde, quando sejam utilizados com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam;

c) Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade ou reações adversas seja indispensável aprofundar;

d) Destinem-se a ser administrados por via parentérica.”[4] 3.2 Medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM)

Os MNSRM são aqueles que não preenchem os requisitos previstos para os MSRM, sendo na sua generalidade não comparticipados, salvo algumas exceções. Estes destinam-se ao alívio e tratamento de transtornos menores de saúde, passageiros e sem gravidade, com ou sem aconselhamento médico ou farmacêutico.

3.3 Medicamentos e produtos veterinários

Os produtos veterinários são toda a substância ou associação de substâncias que apresentam propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais [5]. Ao longo do estágio, reparei que os produtos alvo de maior procura por parte dos utentes da FG eram os antiparasitários (tópicos e orais) e alguns antibióticos específicos para animais, facto este facilmente explicável tendo em conta que a farmácia está inserida num ambiente citadino.

3.4 Produtos homeopáticos

O produto homeopático é, segundo o Estatuto do Medicamento (Decreto-Lei nº176/2006, de 30 de Agosto), o “medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo

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5 de fabrico descrito na farmacopeia europeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro, e que pode conter vários princípios”[4]. Estes produtos são considerados MNSRM e não podem conter designações de indicações terapêuticas específicas na sua embalagem, sendo obrigatória a presença da menção “Sem indicações terapêuticas aprovadas”.

A FG apresenta uma vasta gama destes produtos para dar resposta à procura por parte da população e investe numa formação permanente. Durante o período que estive na FG, tive a oportunidade de assistir a uma atualização de conceitos promovida pela Boiron®, na qual pude esclarecer várias dúvidas e tornar-me mais qualificada para o aconselhamento dos produtos analisados.

3.5 Suplementos alimentares

Os suplementos alimentares são, segundo o Decreto-Lei nº 136/2003, de 28 de Junho, “produtos comercializados como géneros alimentícios que constituem uma fonte concentrada de substâncias nutrientes, as quais são apresentadas como complemento aos nutrimentos ingeridos num regime alimentar normal”. Estes podem ser constituídos por um leque de substâncias, como vitaminas, minerais, ácidos gordos essenciais, fibras, etc [6].

Na FG, nota-se bastante o interesse dos utentes por este tipo de produtos para complementar a sua dieta diária ou aquando de situações de maior necessidade nutricional. Muito provavelmente, pelo facto de o meu estágio ter decorrido ao longo dos meses de inverno, foi visível uma grande procura de complexos multivitamínicos, o que me forçou a um conhecimento mais específico de cada marca para uma mais eficaz indicação, tendo em consideração as necessidades de cada pessoa. Existe, também, uma marca de superalimentos que tem tido muito sucesso na farmácia. A Fold® apresenta alimentos de alto teor em fitonutrientes com elevados benefícios para a saúde. Como são facilmente introduzidos numa dieta quotidiana e têm indicações específicas para certas disfunções, são de fácil aconselhamento e têm grande adesão e fidelização por parte dos utentes.

3.6 Produtos para alimentação especial

Os produtos para alimentação especial são géneros alimentícios destinados a uma alimentação especial, que devido à sua composição ou a processos especiais de fabrico, se distinguem dos alimentos de consumo corrente, mostrando-se adequados às necessidades nutricionais especiais de determinados indivíduos [7]. Na FG, estes produtos são requisitados essencialmente por idosos ou seus

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6 familiares/acompanhantes e por desportistas e tratam-se de produtos que podem substituir refeições completas, graças ao seus alto teor calórico e proteíco.

3.7 Produtos fitoterapêuticos

A fitoterapia, também conhecida como terapêutica à base de plantas, constitui um novo ramo em desenvolvimento na área da saúde. De acordo com o Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto, entende-se por “Medicamento à base de plantas”, “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas, ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas”[4].

Na FG, tive a oportunidade de conhecer inúmeros produtos fitoterápicos, quais as suas indicações e os seus efeitos, graças à presença quinzenal de uma nutricionista especializada em produtos naturais. Predominantemente, são requeridos produtos que ajudam na perda de peso, na eliminação de resíduos e na diminuição da retenção de líquidos. Existem também produtos com interesse no tratamento de infeções urinárias, como são os casos da urze e da uva ursina, e na manutenção dos níveis fisiológicos normais de colesterol, como por exemplo o arroz vermelho fermentado, que também são frequentemente adquiridos pelos utentes da farmácia.

3.8 Produtos dermofarmacêuticos

O Decreto-Lei nº 296/98, de 25 de Setembro, estabelece as regras a que devem obedecer os requisitos de qualidade, a rotulagem e a publicidade, a colocação no mercado e o fabrico e acondicionamento dos produtos cosméticos e de higiene corporal. Segundo este diploma, são produtos cosméticos e de higiene corporal as “substâncias ou preparações destinadas a ser postas em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto e/ou proteger ou os manter em bom estado e/ou de corrigir os odores corporais”[8].

Ao longo do estágio, foi visível a importância dos produtos dermocosméticos na atividade da FG, dada a significativa procura destes pelos utentes. Estes produtos são procurados essencialmente por motivos estéticos ou para tratamento de determinados distúrbios menores a nível cutâneo. É notável o dinamismo e a necessidade de esclarecimento por parte dos colaboradores da farmácia, visto que se trata de uma

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7 área em constante renovação. Para se tornarem mais aptos para o aconselhamento dermocosmético, é frequente a sua participação em formações preparadas pelas marcas.

Como estratégia comercial, para fomentar o aumento das vendas, a FG promove dias de aconselhamento com representantes das marcas, passatempos na página do

facebook, promoções semanais em certos produtos, entre outras atividades. 3.9 Dispositivos médicos

Dispositivo médico é definido como “qualquer instrumento, aparelho, equipamento,

software, material ou artigo utilizado isoladamente ou em combinação, incluindo o

software destinado pelo seu fabricante a ser utilizado especificamente para fins de diagnóstico ou terapêuticos e que seja necessário para o bom funcionamento do dispositivo médico, cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por esses meios, destinado pelo fabricante a ser utilizado em seres humanos para fins de:

a) Diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença; b) Diagnóstico, controlo, tratamento, atenuação ou compensação de uma lesão

ou de uma deficiência;

c) Estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico; d) Controlo da conceção”[9].

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Encomendas e Aprovisionamento

Dada a conjuntura económica, a gestão de uma farmácia é um processo bastante complexo e que envolve variadíssimos estudos. Para uma administração lucrativa, uma gestão de stocks adequada é uma peça crucial. A boa gestão de stocks apoia-se na previsão da procura, que é dependente de fatores externos como a época do ano, a publicidade, a concorrência e o estado da economia, na seleção de fornecedores, que deve ser feita, não só com base nos preços praticados, mas também em critérios como os prazos de entrega, e na rotação de stocks . É, portanto, necessário delinear estratégias comerciais, determinando-se, para cada produto, stocks mínimos e máximos, a sua rotatividade e as quantidades a encomendar para evitar situações de ruturas de stock ou situações de stocks parados e não rentáveis.

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8 4.1 Elaboração de encomendas

Na FG, todos os dias são efetuadas encomendas para repor os produtos vendidos, sendo os principais fornecedores a Alliance Healthcare e a Cooprofar. As encomendas diárias são concebidas com o apoio do software Sifarma2000, que alerta quando o stock mínimo é atingido e propõe encomendar a quantidade necessária para obter o stock máximo. Cabe ao farmacêutico responsável verificar se é necessária essa quantidade. Para tal decisão, avalia a rotatividade do produto, as suas vendas num período de seis meses e o preço no fornecedor.

No decorrer do meu estágio, fui-me apercebendo que, devido à existência de uma enorme diversidade de medicamentos e outros produtos no mercado, nem sempre a farmácia tem todos os produtos requisitados pelos seus utentes. Para satisfazer essas necessidades, existe a possibilidade de fazer encomendas ditas instantâneas, quer pelo Sifarma2000, quer por via telefónica. Nestes casos, juntamente com a encomenda, faz-se uma reserva do produto para o cliente.

Relativamente a produtos de dermocosmética, de puericultura e de fitoterapia, ou quando se trata de encomendas de grandes quantidades de determinados artigos, as encomendas são normalmente feitas diretamente ao laboratório de origem ou aos representantes das marcas. Nestas situações, são discutidas entre o responsável de vendas da FG e os representantes as melhores condições comerciais, de maneira a que a farmácia possa usufruir de descontos, quer diretos, quer através de atribuição de bónus.

4.2 Receção de encomendas

Quando é entregue uma encomenda na farmácia, é da responsabilidade de um farmacêutico designado proceder à receção da mesma. A receção da encomenda começa pela conferência de que as quantidades recebidas e a pedidas são iguais e pela verificação do estado de conservação dos produtos. A introdução no stock dos artigos recebidos é feita através do sistema informático Sifarma2000, selecionando o número da encomenda a introduzir e utilizando um leitor de código de barras. Nesta fase, procede-se à verificação dos prazos de validade, dos preços de venda à farmácia e dos preços de venda ao público, determinando-se a margem da farmácia. Quando se verifica qualquer erro, quer este seja uma troca de produtos, um envio de um produto não requerido, uma falta de produtos pedidos, um dano na embalagem ou um preço acima do estipulado, efetua-se uma reclamação e devolução do produto.

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9 Todas as reclamações são registadas numa fotocópia da fatura e mantidas até serem resolvidas pelo fornecedor.

No decurso do estágio, por me ter sido dada a responsabilidade de execução destas tarefas, pude perceber que a receção de encomendas é um processo vital para o bom funcionamento da farmácia. Quando existem erros nesta fase, muitas outras operações na farmácia podem ficar comprometidas, levando a erros no atendimento e custos acrescidos.

4.3 Política de devoluções

Normalmente, antes de se iniciarem interações comerciais com um determinado fornecedor ou marca, são estabelecidas determinadas políticas de devoluções. Com base nestas, muito frequentemente, são restituídos produtos para a sua origem. As principais justificações para essas devoluções são aproximação do fim do prazo de validade, dano significativo na embalagem, envio por engano e recolha a pedido da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P. (INFARMED). Na FG, nestas circunstâncias, emite-se uma nota de devolução em triplicado: duas cópias seguem para o fornecedor, juntamente com o produto, e a outra cópia fica arquivada numa capa específica na farmácia. O fornecedor, ao receber a devolução, pode considerar válida a justificação e aceitar os produtos, emitindo uma nota de crédito, ou pode não aceitar a devolução, justificando a recusa e remetendo o produto para a farmácia.

4.4 Controlo de prazos de validade (PV)

O controlo dos PV é uma ferramenta-chave na boa gestão da farmácia comunitária. Quando este controlo é feito regular e rigorosamente, muitos gastos podem ser evitados e podem ser criadas oportunidades que rentabilizem produtos cujo PV se encontra perto do fim, mas que ainda possam ser vendidos. A FG opta, frequentemente, por realizar promoções nestes produtos, de maneira a minimizar as perdas.

Nos primeiros dias de cada mês, é impressa uma lista de todos os produtos cujo PV termina nos dois meses subsequentes. Estes produtos são, então, recolhidos, verificam-se os seus PV, pois pode existir um erro informático neste parâmetro, e, por fim, o farmacêutico responsável procede à sua devolução. O apoio nestas tarefas foi, também, uma parte considerável do meu percurso na FG.

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Dispensa de Medicamentos

A validação de prescrições médicas e a dispensa de medicamentos correspondem às actividades com maior relevância no dia-a-dia da farmácia comunitária. No entanto, este ato não se trata meramente de uma disponibilização de produtos: o farmacêutico deve conversar com o utente, de modo a esclarecer todas e quaisquer dúvidas relacionadas com a toma dos medicamentos. Para tal, o discurso deve ser adaptado a cada utente, procurando sempre verificar se este assimilou toda a informação, permitindo, assim, uma melhor adesão à terapêutica.

Desde o início do meu estágio curricular, participei no atendimento ao público: primeiro apenas a acompanhar os meus colegas, enquanto aprendia a lidar com o sistema informático e a dirigir-me da melhor forma ao utente, e depois, já independente, mas sem nunca prescindir do apoio dos meus colegas, principalmente nos momentos de dispensa de medicamentos e de esclarecimento de dúvidas.

5.1 Análise da prescrição

A prescrição de medicamentos é atualmente feita através de receita eletrónica ou de receita manual, sendo esta última cada vez menos utilizada devido à intenção de desmaterialização do processo. As receitas eletrónicas podem ser renováveis até 3 vias, devendo essa indicação estar presente na receita. Todas as receitas têm validade por 30 dias, à exceção das receitas eletrónicas renonáveis, que são válidas por 6 meses.

Para que o farmacêutico possa aceitar a receita e dispensar os medicamentos, é necessário verificar a presença de número da receita, identificação do médico prescritor, dados do utente – nome e número de utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) –, identificação do medicamento e número de embalagens, comparticipações especiais, data da prescrição e sua validade e assinatura do médico prescritor. Nas receitas manuais, existe ainda um pormenor a verificar: no canto superior direito, deve estar assinalada a “exceção legal”. Esta corresponde à justificação para a prescrição ser manual, que pode enquadrar-se nas seguintes situações: falência do sistema informático, inadaptação do prescritor, consulta ao domicílio ou prescrição de menos de 40 receitas por mês.

É ainda de salientar a alteração da prescrição para prescrição por Denominação Comum Internacional (DCI). Esta mudança permite que o doente opte por medicamentos bioequivalentes e, se assim o entender, poupe ao escolher um medicamento mais barato. A receita médica é prescrita pela indicação da DCI, seguida

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11 da dosagem, forma farmacêutica, apresentação e tamanho da embalagem. No entanto, existem duas situações em que a prescrição de medicamentos pode ser feita por nome comercial ou por titular: quando se trata de um medicamento de marca sem similar ou que não disponha de medicamento genérico similar comparticipado ou na existência de justificação técnica do prescritor. Neste último caso, existem três justificações principais, que estão mencionadas na receita com o termo “exceção”:

a) Medicamentos com margem ou índice terapêutico estreito; b) Reação adversa prévia;

c) Continuidade de tratamento superior a 28 dias.

Nas duas primeiras alíneas, o farmacêutico apenas pode dispensar o que consta na receita. No caso da exceção c), o utente pode escolher medicamentos similares ao prescrito, desde que sejam de preço inferior.

5.2 Regimes de comparticipação

A comparticipação dos MSRM baseia-se em acordos pré-estabelecidos entre as entidades de saúde e os organismos comparticipantes, variando as percentagens de comparticipação entre os grupos dos medicamentos e os organismos referidos. O SNS é o principal organismo comparticipante e abrange a maioria dos utentes. A atual legislação prevê a possibilidade de comparticipação de medicamentos através de um regime geral e de um regime especial, o qual se aplica a situações específicas que abrangem determinadas patologias ou grupos de doentes. No regime geral, o Estado paga uma percentagem definida do preço de venda ao público do medicamento de acordo com escalões previamente definidos pela Portaria nº 924-A/2010, de 17 de Setembro, consoante a sua classificação farmacoterapêutica [10]. No regime especial, essas percentagens de comparticipação sofrem um acréscimo de acordo com os escalões dos medicamentos [11]. Alguns utentes apresentam uma comparticipação simultânea com outros subsistemas de saúde, como SAMS-Quadros, SãVida, Multicare, entre outros, que resultaram de acordos com a Associação Nacional de Farmácias (ANF).

5.3 Dispensa de psicotrópicos e estupefacientes

Apesar das suas propriedades benéficas, os psicotrópicos e os estupefacientes apresentam alguns riscos, podendo induzir habituação, e até dependência, quer física quer psíquica. Por esta razão, é fundamental que sejam utilizadas no âmbito clínico e de acordo com indicações médicas. Conhecidos os seus perigos e dado estarem associados a atos ilícitos, estes produtos são rigorosamente controlados pelas

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12 autoridades competentes. Neste sentido, foi estabelecido um regime jurídico de controlo do consumo destas substâncias, descrito no Decreto-Lei nº15/93, de 22 de Janeiro. Neste diploma, estão detalhadas todos os produtos sujeitos a controlo de prescrição e de dispensa, sendo a fiscalização responsabilidade do INFARMED [12]. Ao longo do meu estágio, pude constatar que a prescrição de psicotrópicos e estupefacientes é feita isoladamente e em receitas eletrónicas identificadas com RE – receita especial. O sistema informático, durante a dispensa deste tipo de medicamentos, obriga ao preenchimento de um formulário, no qual constam o número da receita, identificação do prescritor, identificação do doente e identificação do adquirente, que tem que ser maior de idade. Esta informação é essencial, bem como de envio obrigatório ao INFARMED. A farmácia tem que enviar a listagem de todas as receitas aviadas e a cópia das receitas manuais até ao dia 8 do mês a seguir à dispensa. As receitas originais devem ser mantidas na farmácia durante 3 anos. Além do envio desta documentação, são enviados para o INFARMED trimestralmente registos das entradas e anualmente um registo do balanço das entradas e saídas dos psicotrópicos.

5.4 Medicamentos e produtos manipulados

Os medicamentos manipulados são fórmulas magistrais ou preparados oficinais dispensados sob a responsabilidade de um farmacêutico, devendo este garantir a qualidade e a segurança dos mesmos. São consideradas fórmulas magistrais todos os “medicamentos preparados em farmácia de oficina ou nos serviços farmacêuticos hospitalares segundo receita médica que especifica o doente a quem o medicamento se destina” [13]. Os preparados oficinais definem-se como “qualquer medicamento preparado segundo as indicações compendiais, de uma farmacopeia ou de um formulário, em farmácia de oficina ou nos serviços farmacêuticos hospitalares, destinado a ser dispensado diretamente aos doentes assistidos por essa farmácia ou serviço”[13]. Estes produtos constituem uma vantagem na possibilidade de personalização da terapia e permitem corrigir lacunas da indústria farmacêutica.

Na FG, as condições de manipulação seguem as estipuladas na Portaria nº594/2004, de 2 de Junho [14]. Como mencionado previamente, o local de preparação, acondicionamento, rotulagem e controlo apresenta-se convenientemente iluminado e ventilado, com temperatura e humidade adequadas. Todos os materiais e equipamentos são mantidos limpos e em bom estado de funcionamento, dedicando-se uma atenção especial às superfícies que contactam com os produtos, a fim de evitar

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13 contaminações cruzadas. Os aparelhos de medida são calibrados periodicamente, a fim de assegurar a exatidão das medidas.

O preço de venda ao público dos medicamentos manipulados por parte das farmácias é calculado com base no disposto na Portaria nº769/2004, de 1 de Julho, e engloba variáveis como o valor dos honorários da preparação, o valor das matérias-primas, o valor dos materiais de embalagem, a margem da farmácia e a taxa de IVA em vigor [15].

6

Faturação

No fim de cada mês, para que a farmácia possa receber o valor das comparticipações dos medicamentos dispensados, têm de ser enviadas todas as receitas para o SNS e para a ANF, consoante os regimes de comparticipação.

Durante todo o mês, o farmacêutico responsável pela faturação procede a um rigoroso processo de verificação das receitas aviadas, no qual, para além de confirmar que todos os parâmetros necessários para a aprovação da receita e dispensação dos medicamentos estão corretos, separa as receitas por organismos de comparticipação e por número de série e de lote. Cada lote é constituído por 30 receitas numeradas e, quando completo, o farmacêutico responsável emite um verbete de identificação do lote, que fica anexado a esse conjunto de receitas.

No final do mês, já com todos os lotes organizados e todos os verbetes de identificação de lotes impressos, o colaborador responsável imprime as relações de resumo de lotes e as faturas por organismo de comparticipação, carimba-as e assina-as. Todos estes documentos relativos aos lotes de receitas comparticipadas pelo SNS- as faturas, relações de resumo de lotes, verbetes de identificação de lotes e receitas - são acondicionados em caixa de cartão, que é posteriormente levantada por uma empresa de transporte e enviada para a Administração Regional de Saúde (ARS). A farmácia deve identificar a embalagem através da guia de transporte que é emitida aquando da impressão da fatura ao SNS pelo Sifarma, ou, através da ANF online. Relativamente à faturação de outros organismos, as receitas também são armazenadas numa caixa de cartão que é enviada para a ANF, juntamente com os verbetes de identificação de lote, resumo de lotes e fatura (em triplicado) organizados por organismo. Além desta caixa, também é enviado para o presidente da ANF um envelope com uma cópia da fatura ao SNS.

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14 Como qualquer atividade humana, o processo de verificação de receitas está sujeito a falhas e, vulgarmente, são enviadas de volta para a farmácia receitas com incorreções. Quando isso acontece, as receitas chegam à farmácia via CTT e são entregues ao colaborador responsável pela faturação. A farmácia recebe os seguintes documentos: receitas devolvidas, documentação de faturação de retificações, relação resumo com o valor das retificações e justificação para estas. O farmacêutico responsável numera e analisa as receitas, registando num impresso próprio. Quando se considera que a devolução não tem fundamento, envia-se um formulário de tratamento de receituário do SNS juntamente com as receitas devolvidas para a ANF, que analisa e, se concordar, envia um relatório de tratamento para a ARS. Quando as incorreções são consideradas válidas, as receitas são corrigidas e novamente faturadas ao SNS. Por fim, tiram-se fotocópias de toda a documentação que acompanha as receitas devolvidas e emite-se uma nota de crédito com a totalidade do valor devolvido, nota esta que será enviada juntamente com a faturação do mês decorrente.

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Outros Cuidados Prestados na Farmácia

Graças à evolução na prestação de cuidados de saúde por parte das farmácias, hoje em dia, para se destacar e melhorar as relações de confiança com os seus utentes, ter um bom leque de serviços farmacêuticos de promoção da saúde e do bem-estar é uma mais-valia para qualquer farmácia. Os serviços farmacêuticos estão definidos legalmente na Portaria nº1429/2007, de 2 de Novembro, e incluem o apoio domiciliário, a administração de primeiros socorros, a administração de medicamentos, a utilização de meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica, a administração de vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação (PNV), programas de cuidados farmacêuticos, campanhas de informação e a colaboração em programas de educação para a saúde [16].

A FG não foge à regra e aposta num diversificado conjunto de cuidados prestados: medição de tensão arterial, determinação de parâmetros bioquímicos, administração de primeiros socorros, serviço de podologia, determinação do peso do bebé, determinação de Índice de Massa Corporal (IMC), serviço de nutricionismo, serviço de fisioterapia e administração de vacinas não incluídas no PNV. Para a prestação destes cuidados, a farmácia apresenta, como já referido anteriormente, um gabinete de atendimento personalizado e profissionais legalmente habilitados para os realizar. Ao longo do semestre de estágio, fui diariamente solicitada para determinações de tensão arterial, níveis de colesterol, triglicerídeos e de glicemia. Deparei-me com várias

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15 situações de desvios aos limites fisiológicos, nas quais é sempre aconselhável a comunicação com o médico, e pude verificar que, por muito pequeno que seja o período que se partilha com o utente, este é um momento determinante no acompanhamento farmacêutico e no estabelecimento de relações de confiança entre farmacêutico e utente.

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Valormed

A VALORMED tem por objetivo a implementação e gestão de um sistema integrado de resíduos de embalagens e medicamentos. Este projecto permite a melhoria das condições ambientais ao possibilitar a eliminação e valorização energética do remanescente das embalagens e dos medicamentos. A devolução destes resíduos contribui, ainda, para a segurança dos consumidores, reduzindo os riscos de consumo de medicamentos com prazo de validade caducado, automedicação e acidentes domésticos, e para a defesa da saúde pública, evitando a mistura de restos de medicamentos com resíduos urbanos domésticos.

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A IMPORTÂNCIA DO ACONSELHAMENTO FARMACÊUTICO

Motivada pelas recentes mudanças no SNS, com a implementação de taxas moderadoras nas consultas em ambientes onde são prestados cuidados de saúde primários, como por exemplo nos hospitais e em outros estabelecimentos de saúde públicos ou privados, é visível uma maior procura pelo utente quer do aconselhamento farmacêutico quer da automedicação. O farmacêutico é, hoje em dia, um dos profissionais de saúde mais acessíveis e no qual se deposita cada vez mais confiança, sendo por isso mais regularmente consultado em temas que dizem respeito ao uso do medicamento [17].

Nestas circunstâncias e sendo a principal responsabilidade do farmacêutico para com a saúde e o bem-estar do doente e do cidadão em geral, o aconselhamento farmacêutico passou a ter um grande impacto no sistema de cuidados de saúde [3]. O aconselhamento farmacêutico é definido, pela Ordem dos Farmacêuticos, como o “ato através do qual o farmacêutico orienta, sugere, alerta, informa e tenta obter a concordância dos doentes, de modo a garantir a tomada de uma decisão correta sobre a melhor forma de cuidar da sua saúde”[18].

Este conceito de concordância foi proposto, em 2004, pela Federação Internacional Farmacêutica e pressupõe um novo modo de interação entre profissionais de saúde e pacientes, baseado numa linha de transmissão de informação entre os dois intervenientes, para que o farmacêutico possa ajudar o paciente a ter uma visão clara da sua doença e das atitudes a tomar face à sua medicação [17]. No decorrer do estágio, pude constatar que o êxito do aconselhamento é fruto de uma boa comunicação e, para que esta seja alcançada, o farmacêutico deve ter em conta o perfil de cada utente, a sua educação e cultura, para poder recolher toda a informação relevante sobre o doente e fornecer todas as indicações necessárias para um uso correto, seguro e eficaz dos medicamentos de uma forma compreensível [3]. As repercussões de uma boa comunicação entre o farmacêutico e o paciente manifestam-se não só nos resultados clínicos, mas também na satisfação e manifestam-sensação de bem-estar, segurança e confiança dos pacientes e seus familiares [19].

Nas últimas décadas, o papel do farmacêutico evoluiu de mero dispensador de medicamentos para promotor da educação para a saúde [20]. Cada vez mais, é chamado a tomar parte da gestão da terapêutica medicamentosa dos utentes, sendo sua a responsabilidade de verificar se estão a seguir a terapêutica adequada, de uma

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17 forma segura e conveniente. Ao assumir uma responsabilidade direta nas necessidades terapêuticas do doente/utente, o farmacêutico pode exercer um papel extremamente relevante na qualidade de vida deste [17,20].

O farmacêutico, como promotor da educação para a saúde, participa num processo ativo de modificação de estilos de vida e prevenção de doenças, com o objetivo de educar a população proporcionando-lhe conhecimentos e promovendo atitudes que contribuam para a melhoria da saúde pública. Neste caso, o profissional pode informar sobre cuidados a ter com a alimentação e higiene que o utente deve ter em atenção, de modo a diminuir comportamentos de risco [3,17].

Nos próximos capítulos, descrevo algumas situações concretas, em que se demonstra que o aconselhamento farmacêutico pode ser uma mais-valia para a promoção do uso racional do medicamento e para a educação do doente para a saúde.

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18

1

Uso Racional do Medicamento

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 50% dos cidadãos em todo o mundo não tomam corretamente os seus medicamentos e, segundo a consultora farmacêutica IMS Health, podemos poupar mais 300 mil milhões de euros nos gastos anuais de saúde a nível mundial, através de uma utilização responsável do medicamento [21,22].

Nas últimas décadas, o uso do medicamento tem contribuído para uma melhoria da saúde pública, com redução da prevalência de doenças, da mortalidade e, consequentemente, dos custos que lhes estão associados. Os medicamentos, quando usados no momento certo, contribuem para o sucesso do tratamento do doente e do sistema de saúde, desde a prevenção, ao tratamento e cura de certas doenças, e de uma forma geral para a melhoria da qualidade de vida das pessoas [21,22].

Em 1985, a OMS defeniu que o uso racional do medicamento ocorre quando “o paciente recebe a medicação apropriada para as suas necessidades clínicas, em doses adequadas às suas próprias necessidades individuais, pelo período de tempo certo, e ao menor custo para si e para a sua comunidade” [23].

O uso irracional do medicamento está normalmente associado a erros na escolha do medicamento certo para o doente e na sua disponibilização no momento mais adequado para a obtenção do efeito pretendido. Este uso inadequado pode ser observado em diversas situações, como o uso abusivo de medicamentos, a fraca adesão à terapêutica, a automedicação e a polimedicação [23]. São também muito comuns os erros de medicação, que se podem dever a uma prescrição inapropriada com potenciais impactos negativos na saúde, a erros na dispensa dos medicamentos ou na administração incorreta – escolha errada do fármaco, da dosagem e/ou da via de administração.

De entre todas as falhas referidas anteriormente, sem dúvida que as situações mais estudadas são aquelas que envolvem a falha na adesão à terapêutica. Esta é justificada por vários fatores demográficos, económicos, sociais, relativos à doença e associados à relação entre o paciente e o profissional de saúde [22]. A idade, o nível de educação e cultura e a falta de crença do doente na medicação que lhe foi prescrita são condicionantes que, muitas vezes, justificam a descontinuação de tratamentos. A situação económica e a falta de apoio familiar podem, também, ter um impacto negativo na adesão, assim como a falta de informação ou a cronicidade da patologia. A falha na adesão à terapia instituída é frequentemente visível em doenças como a

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19 depressão, a SIDA, a hipertensão e a Diabetes mellitus (DM) e resulta na falha do tratamento, no aparecimento de complicações e situações de crise (ex. enfarte do miocárdio) e tem como consequência o aumento de internamentos e da mortalidade. A automedicação é atualmente cada vez mais comum e envolve bastantes riscos, se mal utilizada. As principais razões para esta prática residem na necessidade urgente de tratamento ou alívio dos sintomas, na falta de tempo ou disponibilidade económica do paciente para se dirigir a um serviço de saúde, na excessiva publicidade a medicamentos e na facilidade de aquisição dos mesmos. Um diagnóstico incorreto, a escolha errada da dosagem, os efeitos adversos, a incapacidade de reconhecer contraindicações, a falta de precaução na toma dos medicamentos e o risco de depedência e abuso são alguns motivos que justificam a crescente necessidade de controlo da automedicação [24].

A polimedicação, definida genericamente como a toma simultânea de dois ou mais medicamentos, é vulgar em pacientes idosos com doenças crónicas. A existência de várias disfunções leva o paciente a recorrer a mais do que um médico especialista e é, principalmente, nestes casos que, devido à falta de comunicação entre os profissionais de saúde, se verificam os erros na prescrição de um maior número de medicamentos ou na prescrição de medicamentos desnecessários. Esta situação pode provocar o aumento do risco da ocorrência de efeitos adversos, devido à interação entre fármacos, e a falhas de adesão à terapêutica, devido ao elevado número de comprimidos que o paciente tem que tomar [22]. A resolução dos problemas associados à polimedicação seria facilitada pelo aumento da colaboração entre profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e farmacêuticos) para a elaboração do melhor regime terapêutico para o paciente.

O papel do farmacêutico comunitário é de enorme relevância, face à polimedicação, pois este pode auxiliar o utente ao elaborar tabelas que permitam a compreensão da posologia dos medicamentos prescritos (com descrição do medicamento, da dose, do modo de administração e do horário da toma) e, deste modo, promover a adesão e o sucesso da terapia.

Outra vertente a salientar no uso racional de medicamentos é a deteção do momento apropriado para efetuar o tratamento. Tão importante como a escolha do medicamento adequado, é o momento em que se deve dar início à terapêutica, que deve ser aquele que permitir maximizar os resultados e minimizar a gravidade da doença [22]. É aqui que a medicina preventiva e o despiste de doenças assumem a sua importância: a primeira, através de campanhas de vacinação e da promoção de princípios de vida

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20 saudáveis e o segundo, através do diagnóstico precoce de uma determinada patologia que irá permitir que o tratamento ocorra no momento mais adequado.

A OMS propôs várias estratégias para a promoção do uso racional do medicamento que envolvem vários domínios [23]:

a) Existência de uma autoridade reguladora nacional que garanta o uso responsável, através da coordenação de atividades promotoras deste e da implementação de legislação e regulamentação;

b) Desenvolvimento de guias clínicas, que suportem as decisões dos prescritores na escolha do tratamento apropriado. Estas guias deverão ser apresentadas oficialmente, estudadas e amplamente divulgadas;

c) Implementação de comités terapêuticos nos hospitais e a nível distrital para garantir a segurança e a eficácia do uso do medicamento e a adopção das guias clínicas;

d) Formação de profissionais de saúde direcionada para farmacoterapia racional, quer a nível do ensino superior, quer através de ações de formação independentes da indústria farmacêutica;

e) Educação da população sobre o uso correto do medicamento, através de campanhas de sensibilização e introdução do tema no programa curricular das escolas;

f) Proibição de incentivos financeiros por parte das indústrias farmacêuticas aos médicos prescritores;

g) Investimento governamental de fundos suficientes para a constante disponibilidade de medicamentos e profissionais de saúde: a acessibilidade aos medicamentos garante o sucesso dos tratamentos farmacológicos.

1.1 Indicação farmacêutica face à automedicação

1.1.1 Enquadramento do estudo

Ao longo do semestre passado na FG, durante o atendimento ao público, foi visível a constante presença da automedicação. Esta prática, cada vez mais vulgarizada, demonstra a vontade dos utentes em assumir responsabilidade na sua saúde, principalmente na resolução de problemas de menor gravidade. Contudo, também denunciou uma falta de conhecimento no correto uso de medicamentos. Durante o atendimento, face a situações de automedicação inadequada, procurei esclarecer,

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21 com o apoio dos meus colegas, algumas incertezas manifestadas e promover o uso racional do medicamento. Alguns destes casos são reportados, neste capítulo.

1.1.2 Automedicação e o papel do farmacêutico

A automedicação é um comportamento cada vez mais comum a nível mundial, sendo definida como o uso de medicamentos por iniciativa própria, após o diagnóstico efetuado pelo próprio doente ou o conselho de um familiar, amigo ou conhecido, sem recurso à consulta médica [24,25]. Esta conduta deverá decorrer, idealmente, de uma forma informada e responsável, em situações de distúrbios menores, para alívio e tratamento de distúrbios de saúde passageiros com recurso preferencial a MNSRM [24-26].

Para o uso seguro e eficaz de um medicamento não prescrito, o consumidor deve realizar uma série de tarefas que, normalmente, são exercidas pelos médicos no tratamento de um paciente [24]. Estas atividades incluem o reconhecimento dos sintomas, a determinação dos objetivos terapêuticos, a seleção do produto a usar, a determinação da dosagem adequada, a avaliação do historial médico e das doenças concomitantes, das contraindicações e das correntes medicações e a monitorização da resposta ao tratamento e possíveis efeitos adversos [24].

São vários os motivos para recorrer à automedicação: intenção do doente de ter um papel ativo na manutenção da sua saúde, urgência no alívio e tratamento dos sintomas, falta de disponibilidade de tempo e/ou financeira para o recurso aos serviços médicos, bons resultados no uso prévio de determinado medicamento, publicidade promovida pela indústria farmacêutica e facilidade de acesso a medicamentos, quer em farmácias e parafarmácias, quer através da internet [27].

Em 2002, foi criado, por intermédio do INFARMED, o grupo de consenso sobre automedicação, cujo objetivo é “identificar e definir situações clínicas que sejam passíveis de automedicação” [26]. Estas estão descritas numa lista que se encontra em constante actualização e suportadas pela legislação em vigor [28], ANEXO I. A formação do grupo referido vem no seguimento da implementação, em 2000, pela OMS, de diretrizes para a avaliação regulamentar de medicamentos para uso em automedicação [24]. Nessas linhas de orientação, estão expostos os benefícios e os riscos associados à automedicação que passo a sistematizar [24].

(30)

22 Benefícios

A nível individual:

a) Papel ativo na sua própria saúde;

b) Autoconfiança na prevenção e alívio de sintomas e distúrbios menores;

c) Oportunidade de formação em questões específicas de saúde, como a cessação tabágica ou o tratamento de queimaduras de 1º grau;

d) Comodidade;

e) Fatores económicos.

A nível comunitário:

a) Poupança dos recursos médicos usados em condições de menor gravidade; b) Diminuição dos custos associados aos sistemas nacionais de saúde;

c) Atenuação do absentismo ao trabalho provocado por sintomas menores e passageiros;

d) Redução da pressão sobre os serviços médicos com insuficiente número de profissionais de saúde;

e) Aumento da disponibilidade de cuidados de saúde em áreas rurais. Potenciais riscos

a) Autodiagnóstico incorreto;

b) Descontinuidade da procura de assistência médica apropriada; c) Má escolha terapêutica;

d) Não reconhecimento de riscos farmacológicos; e) Ocorrência de reações adversas por vezes graves;

f) Falta de identificação de contraindicações, interações e precauções associadas ao autodiagnóstico;

g) Dificuldade em reconhecer que a substância ativa já está a ser tomada num medicamento com um nome diferente;

h) Falha na comunicação da corrente automedicação ao médico prescritor, favorecendo situações de dupla medicação ou de interações medicamentosas; i) Carência de relatos dos efeitos adversos;

j) Escolha errónea da via de administração; k) Dosagem excessiva ou inapropriada; l) Uso prolongado desnecessário; m) Risco de dependência e abuso;

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23 n) Incorretas condições de armazenamento ou utilização fora do prazo de

validade dos medicamentos.

Estes riscos podem ser prevenidos através de informação do uso correto do medicamento, aconselhamento terapêutico e educação e formação apropriada do paciente e/ou dos seus familiares. O farmacêutico tem um papel central na resolução destas situações, como fornecedor de produtos de elevada qualidade, formador, colaborador nas relações entre utentes e profissionais de saúde e promotor de campanhas de sensibilização para as questões de saúde [27].

Como já referido, o farmacêutico é responsável pela promoção do uso racional do medicamento e deve transmitir determinadas noções elementares, como evitar a utilização de medicamentos do adulto em crianças, mesmo que em dose reduzida, impedir o deixar sugestionar pelos medicamentos tomados por outras pessoas, visto que o mesmo sintoma pode ter várias causas e o doente não sabe qual a sua, e evitar iniciar um tratamento sem orientação de um profissional de saúde [29].

A automedicação tornou-se inevitável no sistema de cuidados de saúde e, por isso, é da competência do farmacêutico aconselhar os seus utentes para que estes façam escolhas informadas e responsáveis nas questões relacionadas com a sua saúde e a dos que os rodeiam.

1.1.3 Casos de erros de automedicação Caso 1

Chegando à farmácia, uma senhora com cerca de 60 anos começa por apresentar sintomas de “pernas pesadas e inchadas” e um já instalado desconforto ao andar e solicita Lasix® (furosemida 5 mg). Foi questionada se já tinha algum diagnóstico para esse sintoma e se já alguma vez tinha tomado o medicamento pedido. A senhora respondeu que não, que tinha sido aconselhada por um familiar, que já tomava Lasix® e tinha melhorias nos mesmos sintomas. Prontamente, foi explicado à senhora que os sintomas que apresentava são comuns a várias doenças e que seria arriscado começar a tomar este medicamento sem indicação médica.

A furosemida, na concentração solicitada, é um diurético potente que inibe a reabsorção de sódio na ansa de Henle, e exerce efeitos venodilatadores e de redução da resistência vascular renal. Este fármaco está indicado na remoção de edemas causados por insuficiência cardíaca e por doenças hepáticas ou renais e, também, é usada em casos de oligúria na insuficiência renal, no tratamento urgente de

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24 hipercalcemia e da hipertensão arterial. As reações adversas associadas à toma deste fármaco resultam de desequilíbrios eletróliticos e manifestam-se sob a forma de cefaleias, hipotensão, sede, fadiga, oligúria, arritmias, perturbações gastrointestinais e cãibras. Além disso, pode causar ataques de gota e surdez. A furosemida apresenta possibilidade de interações com diversos grupos de fármacos, como as cefalosporinas, os aminoglicosídeos, fármacos ototóxicos, antiepiléticos e anti-inflamatórios não esteróides [30].

Após a advertência, foi proposta a toma de um drenante à base de produtos naturais, com funcho, chá verde e dente-de-leão, conhecidos pelas suas propriedades diuréticas. A administração deste consiste na ingestão de uma tampa de medida (20 ml) dissolvida em 1,5 litros, ao longo do dia. Este produto apresenta vantagens na resolução da retenção de liquídos, pois obriga à maior ingestão de água, favorecendo a diurese. Além desta proposta, foram aconselhadas medidas não farmacológicas, como a elevação dos membros inferiores a cima do nível do coração, para promover o retorno venoso. Por fim, foi sugerida a consulta médica, caso os sintomas não passassem ou se agravassem.

Na semana seguinte, a senhora regressou à farmácia e revelou um bem-estar generalizado e a resolução do problema.

Caso 2

Uma mulher, com cerca de 30 anos, recorre à FG com queixas de ardência ao urinar, irritação e prurido na zona genital e micções invulgarmente frequentes. Como já tinha tido uma cistite e com medo que os sintomas se agravassem, solicita a dispensa de Fosfomicina Monuril®, um antibiótico habitualmente utilizado nas infeções do trato urinário inferior. Após ter sido questionada, revelou que não possuía receita médica para tal e que não se tinha dirigido a um médico para conhecer a origem dos sintomas. Foi-lhe, então, explicado que os sintomas que apresentava eram comuns tanto às infeções bacterianas como às fúngicas e que a recorrência ao antibiótico seria arriscada, visto não lhe ter sido diagnosticada a causa da infeção. Para justificar a recusa de dispensa do medicamento pedido, foi-lhe fornecida alguma informação sobre a resistência bacteriana e a necessidade de um uso cuidadoso e racional dos antibióticos. A senhora ficou esclarecida e pediu para lhe ser dispensado um produto que promovesse o alívio dos sintomas. Foi-lhe aconselhado, por indicação da diretora técnica, o uso de um antifúngico na forma de óvulo + creme vaginal, o GYNO-PEVARYL® (nitrato de econazol 150 mg + nitrato de econazol a 10 mg/g), e indicadas todas as recomendações sobre a sua administração. Para auxiliar a redução da

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25 irritação, foi-lhe sugerido o uso de um gel de higiene íntima – o URIAGE GYN-8® -, que, devido ao seu pH alcalino, atua contra o desenvolvimento microbiano [31].

Caso 3

Uma senhora, com cerca de 40 anos, chega à farmácia dizendo que, na semana anterior, apresentou sintomas gripais, assim como outros membros da família, e que, de momento, o sintoma mais preocupante e incomodativo, comum a todos, era a tosse. Para resolução desse sintoma e por lhe ter sido transmitido por conhecidos, pede azitromicina 500 mg, embalagem de 3 comprimidos, pois considera que é de fácil toma e de rápido efeito. Perante o requerido, foi-lhe explicado que o medicamento está indicado para infeções respiratórias de origem bacteriana e que, como os sintomas apresentados eram consistentes com uma infeção viral (gripe), não seria aconselhável a sua toma. Também, foi elucidada sobre as consequências do uso excessivo de antibióticos: aumento do número de bactérias multirresistentes que a longo prazo, podem dificultar o tratamento de infeções bacterianas e levar ao desenvolvimento de complicações graves. A senhora foi posteriormente questionada sobre o tipo de tosse que apresentava e se tinha preferência na forma farmacêutica relativamente ao fármaco que seria adequado para tratar este sintoma, ao que respondeu que a tosse era seca e persistente e que preferia um xarope que desse para toda a família. Foi, então, dispensado Bisoltussin Tosse Seca® (Dextrometorfano 2 mg/ml) e esclarecida a posologia ideal.

Caso 4

Uma rapariga dirige-se à FG e solicita uma pílula do dia seguinte. Enquanto estava a ser esclarecida quanto à sua utilização, revelou a preocupação de que o contracetivo não era para ela mas para uma rapariga de 16 anos, que, nas últimas duas semanas, já tinha utilizado este método mais três vezes, pois tinha receio de engravidar por causa dos pais. Perguntou se havia algum perigo na utilização do medicamento dispensado. A pílula do dia seguinte é um contracetivo de emergência e, por isso, só deve ser usado em momentos de emergência. Apesar de relativamente seguro, este método de contraceção, comparado com uma contraceção hormonal regular, apresenta um risco maior de insucesso e efeitos colaterais, como irregularidades menstruais [32]. A rapariga foi esclarecida sobre alguns métodos de contraceção hormonal regular e conselhos sobre comportamentos seguros, como o uso de preservativo. Foi, também, sugerido o recurso a uma consulta de planeamento familiar, gratuíta no centro de saúde, para que a rapariga seja informada e aconselhada sobre métodos contracetivos, prática de sexo seguro e prevenção e

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26 diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis e cancro do colo do útero e da mama [33].

1.2 Uso inadequado de antibióticos

1.2.1 Enquadramento do estudo

Durante o estágio curricular, foram detetadas inúmeras situações de requisição de antibióticos sem prescrição médica. Nalguns casos os utentes revelaram um desconhecimento sobre as aplicações corretas desta classe de medicamentos, assim como um uso indiscriminado dos mesmos. Com o objetivo de advertir para a problemática da resistência bacteriana aos antibióticos e de apoiar o farmacêutico nas situações acima referidas, foi proposto fazer um folheto informativo sobre o assunto para distribuir aos utentes.

1.2.2 Resistência microbiana aos antibióticos

Os antibióticos são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, eficientes na limitação, prevenção e impedimento do crescimento de bactérias e que apresentam reduzidos efeitos tóxicos para o homem [34]. Os agentes antimicrobianos dividem-se em classes e caracterizam-se pela estrutura química e pelo mecanismo de ação. Existem antibióticos específicos para determinados patogéneos e outros que podem abranger uma gama mais ampla de microrganismos.

Desde a introdução da penicilina, tem-se verificado uma evolução da resposta dos microrganismos aos antibióticos, com desenvolvimento de resistências ao fármaco aplicado [35]. O aumento do número de bactérias multirresistentes dificulta a implementação do tratamento correto, levando ao acréscimo de complicações, da necessidade de cuidados especiais e aumento do custo do tratamento. Segundo Michael et al. (2014), a prevalência da resistência aos antimicrobianos poderá levar a epidemias debilitantes e potencialmente fatais, sem tratamento efetivo [34].

Anualmente, é publicado, pelo European Centre for Disease Prevention and Control

(ECDC), um relatório de vigilância da resistência antimicrobiana na Europa. Estes relatórios permitem avaliar a evolução da resistência aos antibióticos por espécie de patogéneo e por país [36]. No relatório de 2013, é possível verificar a evolução desta problemática em Portugal, entre 2003 e 2013, com o aumento do número de casos reportados de isolados de bactérias não susceptíveis ou resistentes, Tabela 1 [36].

Referências

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